Prá começo de conversa

Um dos poucos programas interessantes de TV voltado para o público jovem e produzido aqui no RS nos anos 80, foi o Prá Começo de Conversa. Mesmo que ainda numa fase de resquícios da ditadura militar no Brasil, na boa velinho, era muito bom esse programa – levando em conta o período e o momento em que vivíamos. Nem me lembro direito quando foi mesmo que comecei a assistí-lo, mas em pouco tempo virou um horário quase sagrado prá mim e meus amigos. Todos os dias às 19h30 a velha TV preto e branco na salinha nos fundos da casa de meus, pais bombava o programa. Com o tempo até meus pais passaram assitir também, daí já então em novo ambiente, na sala e numa TV maior e colorida. Mazáh! Te mete. O Prá Começo de Conversa era um programa da TV Educativa /RS, canal 7, apresentado pelo Cunha Junior, com as reportagens do Eduardo “Peninha” Bueno e mais para o final teve ainda o Mauro Borba. Não sei dizer ao certo quantos anos durou o programa, mas marcou época. Depois, meio que seguindo uma mesma fórmula e cartilha, veio o seu sucessor melhorado na forma e tecnologia, mas talvez menos pujante – o programa RADAR. Os tempos eram outros…

*O que achei na Wikipédia: …”Esse programa foi o primeiro a dar espaço para as bandas de rock gaúchas, sendo sucedido pelo Radar. Era apresentado diariamente às 19h30 e tinha como cenário um quarto de jovem, com discos LP e pôsteres de Jim Morrison, Janis Joplin e outros estampando as paredes. O apresentador e os convidados sentavam em uma cama de solteiro ornamentada por uma guitarra”…

Mas voê que está aí agora lendo essas mal traçadas linhas digitais nem imagina o real-impacto-tsunamesco-no-gogó que esse programa causou em nós. Dá quase para garantir que aprendemos de verdade a curtir o bom e velho rock, tanta era a informação, debates e comentários de bandas que conhecemos ali, também haviam entrevistas com vários expoentes locais, escritores, atores, poetas, músicos e até alguns shows ao vivo com as “novas” bandas gaúchas da época (TNT, Cascavelettes, Garotos da Rua, Eng do Hawaii, Os Eles, De Falla, Vitor Ramil, Bebeto Alves, Nei Lisboa… Isso tudo quando ainda nem sabíamos que sequer existia uma tal cena do rock gaúcho que estava começando a acontecer na capital. Aprendemos também sobre arte, poesia, cinema e a tal contracultura, através da enorme paixão do Peninha pela cultura beatnik, os tantos livros e pomeas da turma de Ginsberg, Kerouac, Burroughs, etc., através de suas inflamadas histórias contadas ao vivo na telinha. Báh! Agora me bateu forte a saudade. Sério! Ah! É claro que rolavam muitos vídeos de rock – o legal eram as apresentações dos primeiros vídeos com bandas gaúchas. Enfim, muito bom para aquela época. Só quem viveu e curtiu tudo isso é que vai compreender.

Abaixo algumas imagens do programa.
1. Uma foto de 1982, com o Wander Wildner (assistente de produção – antes de se tornar um vocalista de banda punk), o criador e produtor do programa, Cunha Junior (apresentador), Eduardo Peninha Bueno (repórter).
2. Numa fase posterior, já com o Peninha como apresentador (junto com a equipe dp programa).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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