Mãos a obra

O meu primeiro baixo foi feito e projetado pelo meu amigo Tuta, tínhamos uma banda de rock de garagem em uma época bem difícil e muito, muito diferente dos tempos atuais com internet, diversas revistas de guitarra, tablaturas e vídeo-aulas na web, Youtube e softwares de música. Era tudo no velho e bom estilo do faça você mesmo, uma frase mais lembrada pela ideologia punk rock, mas que de fato não deixava de ser a nossa situação “punk” em que estávamos. Mas voltado ao primeirão. O Tuta que era o guitarrista da nossa banda, cursava arquitetura e tinha lá suas habilidades artísticas bem como para com trabaçlhos de marcenaria, lidando com madeira, colas, lixas, serras, parafusadeiras, etc.., que eu, nem sonhando tenho. Foi um grande aventura essa empreitada de “luthier”, claro, além das habilidades dele, fomos compramos aos poucos e dentro de nossas condições financeiras de garotos “metalheads” e nossas mesadas, as peças e componentes necessários para a criação do monstrinho (captadores, trastes, pestana, tarrachas, jacks, plugs, controles, chaves, cordas, etc). Mas acredite, nada foi assim “a moda louca”, também teve bastante  pesquisa sobre dimensões e medidas de um contrabaixo elétrico, muitas coisas encontramos em alguns poucos livros e revistas de música da época, naqueles agora já tão distantes início dos 80’s. Um período onde haviam poucas marcas de instrumentos disponíveis no mercado e nas poucas lojas de insturmentos exitentes (um instrumento importado nem pensar – era uma fortuna e raro de encontrar para venda), muito diferente de hoje em dia. Mas por incresça que parível, o tal baixo do Tuta funcionou muito bem, claro, não era nenhum Alembic, Fender ou MusicMan, mas para nossa banda já era uma evolução e tanto. Toquei com ele por cerca de um ano eu  imagino, mais tarde o Tuta, além de músico se especializou cada vez mais e virou um luthier de verdade, construíndo vários outros baixos, guitarras e até amplificadores, muito melhores do que esse seu primeiro modelo.

Mas o meu primeiro baixo de marca e “comprado” em uma loja foi um Giannini AE04B. Tentei encontrar se eu tinha alguma foto deste meu primeiro baixo (o feito em casa) e também deste da Giannini especificamente, no melhor estilo – olha só que lezgau é o meu baixo, mas não encontrei nada. Então numa busca na internet encontrei alguma simagens de outros baixos AE04B, iguais ao meu, só que de outras pessoas (óbvio). Descobri também que este baixo era conhecido como “Formigão” (não sei porque) e na real ele tunha uma mecânica parecida com a estrutura de um Fender Precision, ma so formato de seu corpo nem de longe lembra esse modelo. O braçao era colado, tinha um captador, controles e ponte tipo a do Fender Precision. quanto a cor me lembro de ser nessa tonalidade avermelhada, escura, mas alguns modelos poderiam ser em ton escuro de madeira envernizada  e acho que tiveram alguns de cor preta também (não tenho certeza). Foi o meu companheiro de guerra e começo de atividades como baixista (nunca fiz jus a este baixa – era um péssimo baixista), depois de um tempo, quando as coisas melhoraram o troquei por um outro modelo Giannine, só que desta vez um mais elaborado, uma cópia de Rickenbacker 4003, de cor preta. Show!

*Este post é uma forma de homenagem e agradecimento ao incrível trabalho do meu amigo Tuta, que em nome da nossa banda foi BEM mais além do que ser apenas um músico, para a coisa realmente sair do chão e acontecer naquela época, teve de FAZER os instrumentos da banda toda, sim, todos! O primeiro foi o meu baixo, depois a sua guitarra e a nossa bateria, sem contar os amps e caixas de som. Queria ver essa gurizadinha de hoje em dia fazendo o mesmo??? Claro, ele teve sempre a nossa ajuda (outros membros da banda), discutíamos cada fase da construção dos instrumentos, estávamos lá também parafusando, lixando, pintando e realizávamos as pesquisas, que incluiam também conversas com outros músicos mais velhos e experientes. Afinal, no começo dos 80’s não havia uma cartilha ou manual de como deveria ser uma banda de rock de garagem e na nossa cidade de interior também não haviam outras bandas, nas quais pudésemos nos espelhar e ou sequer ter como referência em termos de equipamento e até como “tocar”…hauhauahu. Sim, tempos difícies (Hard Times diria a Troublemakers).

*Abaixo algumas imagens de um baixo Giannini AE04B (semelhante ao modelo que eu tive).

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4 comentários sobre “Mãos a obra

  1. Tuta

    Bac-super-trim! Que época legal quando não sabíamos nada, fizemos tudo sem ver uma guita ou um baixo e bateria de verdade, o Shopenhauer iria ficar orgulhoso da nossa vontade. Lembro que depois de dezenas de ensaios, após alguns shows, achamos um jeito de tocar que parecia uma banda de rock.. Era só um tumtumtcha mas ficamos umas quatro horas fazendo aquilo, com sorrisões esgaçados na cara! Pena nao termos fotos nem pistas dos equipamentos.

  2. Tuta

    Gracias pela lembrança, chapameu! O baixo 4B deve ter sido apelidado de chumiga cada bojolice aguda e a cor de tanajura. Era bundudinho o popozudo. Aquelas letras Gianinni no headstock sempre achei muito linduras de formosas e o baixo em si tb. Claro que o RK ganha qualquer concurso de beleza. E de feiúra também. Aquele design me intriga.

  3. Rafael Pil

    Muito a fudê a história de vocês com a música aí em Venâncio, muitos vivas ao Tuta por proporcionar à rapeize os meios para tocar o rock adiante por aí.

    1. banjomanbold

      Foi um grande começo, quando não se tinha referência alguma de banda de rock local, a não ser aqueles do passado, mas era um hiato de uns 15 anos e nem cursos, nem professor (além do básico no violão).Tudo numa época pré-internet, Youtube, apostilas, livros gringos de tablaturas.. báh.. Vou parar por aqui senão ai virar um rosário de uma choradeira sem fim…hauhauhau! Abraz Rafa.

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