O que sua letra revela sobre você!

A grafologia (estudo da grafia) já é usada por várias empresas para contratar ou avaliar os seus funcionários, sabia? A técnica, que vem ganhando cada vez mais importância, parte da premissa de que, como o cérebro é fonte da escrita e só os humanos detêm essa capacidade, o jeito de ser e as emoções atuam sobre o gesto gráfico. Assim, pessoas agressivas, por exemplo, apresentam escritas feitas com grande pressão e linhas retas. O ‘a’ maiúsculo em forma de triângulo indica um temperamento autoritário; o ‘c’ enrolado é sinal de egoísmo… São muitos os critérios de avaliação: de interrupções bruscas a torções e formas das letras, passando por inclinações, força sobre o papel e disposição das linhas. Aspectos como sociabilidade, capacidade de concentração e objetividade também são analisados. É possível usar a prática para vários fins, inclusive autoconhecimento ou julgamento de terceiros. “Há quem recorra ao método até para escolher um parceiro”, conta o psicólogo José Henrique Camargo (SP).

O QUE VALE É O CONJUNTO
“A grafologia não é uma ciência exata, e sim humana. Nenhum detalhe é visto isoladamente”, explica Luísa Medeiros (SP), especialista no assunto há mais de 20 anos. Trata-se de uma técnica que utiliza teorias médicas e psicológicas para realizar interpretações. “Se nossa maneira de andar e falar reflete como somos, por que a escrita não teria esse poder?”, questiona  o psicólogo José Henrique. Mas como explicar que a letra mude com o passar dos anos e a essência do indivíduo, não? “Para nossos olhos treinados, a escrita continua a mesma, só que com algumas adaptações em função da idade”, afirma Luísa. Na consulta com um grafologista, vários aspectos da vida são ressaltados. “Certos diagnósticos podem ser resultado de um momento. Existem remédios, por exemplo, que mudam o ritmo gráfico, então tudo deve ser estudado”, diz Luísa.

O COMANDO VEM DA CABEÇA

Para os estudiosos, é o cérebro que escreve, e não a mão da pessoa. Por isso, existe perigo de errar nas conclusões ao se analisar apenas algumas características da letra, sem uma aplicação mais aprofundada e completa. “Mais de 300 características são observadas pelo profissional, tanto que a consulta demora, no mínimo, quatro horas”, explica Luísa. Para um diagnóstico bem-feito há exigências: documento original, escrita com caneta esferográfica azul ou preta, folha de sulfite e 20 linhas de texto, sempre com assinatura no final. Dados como idade, estado civil, grau de instrução e remédios ingeridos também são solicitados para que a avaliação seja confiável. “Constantemente leio laudos grafológicos ruins, feitos por principiantes”, comenta José Henrique. Busque um bom profissional.

A LETRA NA ÁREA MÉDICA
A escrita pode ajudar a identificar algumas doenças. Segundo alguns estudos, o mal de Parkinson, por exemplo, provoca uma mudança na caligrafia, que torna-se pequena, comprimida e lenta. Outros diagnósticos são confirmados levando em conta o método — como a esquizofrenia e a histeria, responsáveis pelo rebuscamento nos traços, e a demência, refletida na alternância de padrões acelerados e desacelerados. “É claro que tudo deve ser confirmado por exames clínicos, já que o grafólogo não faz diagnósticos médicos”, salienta Luísa Medeiros.

COMO COMEÇOU
Há controvérsias — e muitas histórias — sobre a origem da grafologia. Alguns especialistas defendem que a técnica nasceu no confessionário de uma igreja na Espanha, no século 14, com um padre que aconselhava fiéis depois de analisar o modo como escreviam bilhetes. Outros dizem que surgiu na China há milhares de anos. O estudo começou a ficar sério quando apareceu a primeira escola de grafologia na França, no século 19. Já a estreia nas prateleiras de livrarias data de 1622: Como Reconhecer o Caráter e os Atributos de uma Pessoa Através de um Documento Escrito , de Camillo Baldo, médico italiano. De lá para cá, ganhou ares de ciência e se espalhou pelo mundo.

ANALISE A SUA ESCRITA

Embora vários aspectos devam ser levados em conta no trabalho grafológico, confira algumas dicas para avaliar sua letra:

FORMA
Letras angulosas indicam autodisciplina e senso de dever apurado; já as arredondadas mostram que a pessoa é mais flexível e consegue se adaptar bem em todo tipo de situação.

PRESSÃO SOBRE O PAPEL
Quem aperta muito a caneta revela agressividade e resistência ao trabalho árduo;  já a pressão leve indica indivíduos sensíveis e místicos.

TIPO
Quando é ilegível, evidencia dificuldade de comunicação ou sentimento de inferioridade; o contrário esconde carência afetiva; falta de pontuação indica personalidade negligente.

INCLINAÇÃO
As inclinadas para a esquerda indicam alguém mais reservado; as verticais, quem utiliza a razão acima da emoção; as inclinadas para a direita mostram equilíbrio entre essas duas forças.

TAMANHO
As pequenas sugerem grande capacidade de concentração, visão para detalhes e timidez; as médias representam quem é extrovertido e sociável; as muito grandes revelam preocupação exagerada com o próprio ser.

*FONTE: VivaMais