O bar ideal para ter em casa

Ter um bar decente em casa não precisa ser um sonho inalcançável e esnobe. Um canto da sala, da cozinha ou mesmo um daqueles carrinhos de bebidas retrô atrapalhando a passagem do corredor podem conter mais alegrias etílicas do que uma geladeira cheia de cerveja barata, sem chegar nem perto de custar o equivalente a uma adega bem montada.
Além disso, é mais charmoso preparar um coquetel para amigos ou namorada do que, digamos, plocpssshhh, abrir uma latinha. A mixologia, nome modernoso da arte da coquetelaria, é uma área lúdica e, quando bem usada, abre portas para bons negócios e relacionamentos.

Você não precisa ser um bartender exímio para executar boas combinações e agradar a paladares exigentes. Umas poucas dicas e uma pitada de imaginação fazem milagres. Para se garantir, recomendo treinar umas poucas receitas básicas.

Lembro que o grande Paul Bocuse, nome máximo da gastronomia nos tempos pré-Ferran Adriá, no prefácio a seu livro de receitas, recomendava à dona de casa (veja como o livro é antigo) aprender um ou dois pratos, um frango com batatas ao forno, por exemplo, e executá-los bem. Isto bastaria para impressionar visitas e fazer surgirem a admiração e os pedidos de repeteco. Afinal, dizia ele, ninguém precisa ser um chef com domínio de técnicas complexas para fazer sucesso em um jantar. Do mesmo modo, você não precisa ser o bartender do Ritz de Paris para preparar um dry martini.

É bom ter apetrechos básicos. Um dosador, uma coqueteleira, um copo mixer (mas serve uma pequena jarra) e uma colher de cabo longo (bailarina). E copos corretos. Ao menos um old fashioned, um para long drinks e um de coquetel tradicional.

Para um bar mínimo e muito eficiente, temos de contar com algumas variedades de destilados brancos (vodca, gim, cachaça, rum, etc.), outros destilados mais complexos (uísque, conhaque, tequila, etc.), um vermute tinto e um branco seco, um bitter (ou amaro), um licor, uma garrafinha de angostura, club soda, água tônica, alguma fruta e gelo. É surpreendente a variedade que pode nascer deste pequeno arsenal.

Aqui, um parênteses: de nada adianta comprar um single malt raríssimo e sublime e servi-lo com um gelo que pegou o cheiro de peixe do freezer! Ou gastar muito em uma vodca caríssima e deixá-la congelando ao lado da posta de bacalhau. O gelo é um dos componentes mais importantes de muitos coquetéis. Use água mais pura, mineral se possível, para fazer seu gelo.

Aprenda a preparar ao menos três coquetéis clássicos: um mais forte e seco, outro mais delicado e adocicado e finalmente um refrescante. Eu indicaria um negroni, um margarita e um gim tônica. Ou a trinca whisky sour, white lady e screwdriver. As receitas estão aos montes na web. Mas se quiser seguir a cartilha consulte quem sabe a IBA, International Bartenders Associaation.

Depois de praticar um pouco, arrisque o mais complexo e algo místico dry martini. Este é um assunto por si próprio. Cheio de histórias e controvérsias. Quando dominar seu dry martini, é hora de alçar voos mais livres e criar suas receitas.

O importante é seguir alguns princípios. Procure contrastes e complementaridade. Não coloque duas ou mais bebidas muito parecidas no mesmo drinque, sejam elas muito aromáticas ou excessivamente alcoólicas. Muito doces ou muito amargas. Comece com um destilado e um suco. Depois acrescente um licor. No próximo passo, use um destilado e um vermute. Teste a dosagem. Vá em frente. Se agradou, tente acrescentar um amaro.

O segredo está em descobrir o que combina com o momento e com seus convidados. Algo mais seco, direto, apolínio? Vá de drinks potentes e alcoólicos. Ou algo festivo, leve, descompromissado? Prefira os mais diluídos em sucos, refrigerantes, tônica ou espumante.

Mas se seu negócio não é alquimia, ainda assim cada uma das bebidas rende bons tragos, puros ou com gelo. O investimento não se perde.

Lista facilitada:

2 tipos de uísque
Um blended (Johnnie Walker Black Label, Cutty Sark, etc) e um americano (Jim Beam, Jack Daniel’s, etc.). O scotch e o uísque americano têm características aromáticas bem diferentes. Sendo normalmente mais sutil o paladar do europeu.

1 vodca de sua preferência

1 tequila branca

1 gim importado

1 vermute branco seco (Noilly Prat), usado para o dry martini e para drinks mais secos. É incolor e de sabor mais seco.

1 vermute tinto (Martini, Carpano Punt e Mes)
Diferentemente do vermute branco seco, o vermute tinto é usado para dar cor, quebrar um pouco a quantidade de álcool e por suas qualidades aromáticas. Bebido puro, com gelo, é um aperitivo delicioso. Mas tem quem o prefira como digestivo.

1 bitter (Campari, Aperol, Fernet Branca)
As bebidas amargas são um mundo em si. Muitos as consideram um gosto adquirido. Há quem as odeie puras e mesmo com gelo. Mas são ótimas para quebrar a doçura exagerada de certas misturas e funcionam como excelentes digestivos.

1 licor
Escolha um versátil (Cointreau, Triple Sec, Sambuca, etc.). Evite os muito coloridos no começo. Apesar de serem de grande ajuda quando você quer fazer algo mais decorativo, quase sempre têm sabores e aromas muito fortes, mais difíceis de controlar numa mistura. Guie-se por sua preferência, mas deixe também os cremosos para uma próxima fase.

1 rum importado ou uma boa cachaça branquinha
Ambos são destilados do novo mundo e subprodutos da cana-de-açúcar. Ótimos para coquetéis tropicais com frutas. O rum é base de uma série de receitas internacionais. Já a cachaça está apenas começando seu caminho rumo ao topo. Boas cachaças podem ser perfeitas bases de blends. Escolha o rum se quiser aprender clássicos. Mas prefira cachaça se quiser se aventurar mais.

*Fonte: GQ

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