A importância dos tios em nossas vidas

Como definir nossos tios, aqueles com quem temos parentesco? Que tal: é aquela pessoa da família com quem podemos construir uma linda relação – ou simplesmente não. É que o bem-querer dos tios pelos sobrinhos não parece ser algo tão ‘obrigatório’ como é para os pais e os avós em relação a seus filhos e netos. Afinal, de pais e avós não se espera nada menos do que um amor incondicional desde que nascemos. Enquanto isso, se um tio não estiver por perto durante nosso crescimento, é obviamente triste, mas não é condenável. Como se amor de mãe, pai, avó e avô fosse compulsório e o dos tios, livre. Por isso, a relação de tios e sobrinhos vem muito da convivência próxima entre eles.

Os tios em nossas vidas

Mas será que os tios têm ideia de quanto são importantes em nossas vidas? Eles podem ser como nossos segundos ou terceiros pais – e quantos deles não assumem, literalmente, a criação e o sustento de seus sobrinhos numa ausência física ou emocional dos pais biológicos? Eles podem ser vistos como aquela figura que equilibra o rigor dos pais e a doçura dos avós: não têm obrigação de educar o tempo todo nem de paparicar sempre. Podem ser também encarados como aquelas pessoas mais experientes, que parecem muito com nossos pais, mas não são; e, portanto, muitas vezes nos sentimos mais à vontade de conversar com eles assuntos que exigem ser tratados com carinho, só que com um distanciamento emocional que talvez nossos pais não consigam.

Cresci com duas tias muito próximas a mim. Uma delas é a irmã da minha mãe, Livia, que mora há muito tempo na Itália, mas, mesmo assim, está sempre muito perto. Sempre fizemos questão de manter nossa estreita relação, mesmo à distância – antes, por ligações telefônicas, e, mais recentemente, também por Skype, Whatsapp e o que mais a tecnologia nos oferecer para não nos perdermos de vista. A outra era um pouco mais do que tia: Ernesta, nascida na Itália e que passou a maior parte de sua vida no Brasil, era minha tia-avó, o que potencializava um pouco mais as doses de doçura.

Minhas memórias de infância na casa dela ainda são muito vivas: o aroma doce de alguma guloseima que preparava no forno de seu fogão; o sabor das massas feitas à mão; as bonecas de pano que me ensinou a costurar; a risada solta; as antigas músicas italianas que cantarolava com emoção; a tarentella que dançava com alegria; os presentinhos que distribuía para as crianças logo após o Natal, em nome da Befana, figura do folclore italiano que se assemelha a uma bruxa do bem, e os versinhos que recitava na ocasião: “La Befana vien di notte com le scarpe tutte rotte col vestito alla romana: Viva viva la Befana!”. Muitas lembranças relacionadas à tia Ernesta vêm também da minha fase de adolescente e adulta, mas as da infância são as mais marcantes para mim e me acompanham até hoje.

Ah, se os tios soubessem o quanto são importantes nas nossas vidas, na nossa formação, será que eles não transformariam esse amor que pode ser voluntário que sentem por nós, sobrinhos, em amor essencial?
Em memória à minha querida tia Ernesta (1926-2016), que esteve presente da minha vida desde que nasci.
Adriana Del Re

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*Fonte: estadao

Postei aqui este belo texto de tom caloroso e familiar porque também venho de uma família de muitos tios, principalmente por parte de minha mãe (uma família de nove irmãos). Sim, alguns já partiram, o tempo e a saúde são implacáveis, mas tenho tantas boas memórias de cada um deles. Muitas férias, passeios, lanches, almoços, aniversários, natais, quase sempre envolvendo uma viagem e a saudade dos primos, que assim como nossos tios(as) são pais emprestados e eles, nosso irmãos(ãs). Essa química e dinâmica de família é muito bonita e também repleta de carinho, atenção e muito aprendizado. Amo cada um a seu jeito, tempo e espaço, guardo comigo várias memórias e sentimentos que me norteiam até os dias de hoje. Muito obrigado!

O paradoxo do navio de Teseu

O que é o paradoxo do navio de Teseu?
Se o navio de Teseu trocar de peças ao longo de uma viagem, ainda será o mesmo? Filósofos tentam solucionar o mistério

1) Eu sou o mito
Fruto de uma relação dupla de Edra com Egeu (rei de Atenas) e Poseidon (deus dos mares), Teseu foi importante na mitologia grega. Sua façanha mais conhecida foi derrotar o Minotauro no labirinto de Creta, que se alimentava anualmente de sete rapazes e sete moças atenienses, como parte de um tributo imposto pelo rei de Creta.

2) Barca furada
Vidas Paralelas, do pensador grego Plutarco, propõe o seguinte: Teseu parte de navio do ponto A para o ponto B. Mas, ao longo de uma viagem de 50 anos, vai substituindo cada peça do barco conforme se desgasta, até que todas tenham sido trocadas. Eis o paradoxo: dá para dizer que o navio que chegou em B é o mesmo que saiu de A? Ou já é outro?

3) O espírito da coisa
Muitos filósofos tentaram solucionar o enigma. Heráclito comparou o navio e suas peças a um rio: suas águas são constantemente renovadas, mas ele é sempre o mesmo. Aristóteles estabeleceu que uma coisa é definida por quatro causas: a formal, a material, a final e a eficiente. Em sua análise, entre os pontos A e B, o navio só mudava sua causa material, então ainda era o mesmo.

4) Queimando os neurônios
Filósofos modernos também palpitaram. Gottfried Leibniz concluiu que não, usando a lógica de que “X é o mesmo que Y se, e apenas se, X e Y têm as mesmas propriedades e relações e tudo que for verdade para X também é para Y”. Já Thomas Hobbes jogou lenha na fogueira: se um segundo barco for montado com as peças jogadas fora, qual dos dois será considerado onavio de Teseu?

5) Dúvida eterna
O paradoxo também ganhou novas versões. O filósofo John Locke pensou em uma meia furada: se o buraco for remendado, ela continuaria sendo a mesma meia? Se um dia o teletransporte for possível e alguém for “desmontado” molecularmente no ponto A e remontado no ponto B… vai ser a mesma pessoa? Será que terá as mesmas memórias e a mesma personalidade?

 

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*Fonte: mundoestranho

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