A verdade sobre a traição

Traição pode até ter perdão, mas definitivamente não tem justificativa.
Sou muito mais um pé na bunda de cara limpa do tipo “eu não gosto mais de você” ou até as velhas conversas fiadas de “tentei me relacionar, mas tenho um bloqueio emocional”, do que uma escapadinha no quintal do vizinho para comprovar o óbvio: o respeito aqui passou longe da palavra amor. O problema é que quando o outro decide espiar pela fresta da janela só para ter certeza de que o conforto de dentro de casa ainda é mais emocionante do que a vida lá fora, todo o alicerce de uma parceria já foi por água abaixo junto com a curiosidade. O que mata um romance muitas vezes nem é a traição em si, mas o fato inquestionável de que em algum momento desta travessia um voto precioso de confiança foi quebrado.

Tudo, absolutamente tudo nesta vida é questão de escolha.
Justamente por isso é inútil tentar se defender ou se desvencilhar do erro quando as máscaras já caíram. Você decidiu namorar, você optou por se envolver, então não venha com o discurso ultrapassado de que a bebida definiu por você ou que aquela noite não significou nada. Costumo dizer que todo mundo tem um breve lapso de sobriedade antes de fazer alguma “cagada”. Sabe-se as consequências, as rupturas, e todas as tempestades que aquela omissão pode gerar e ainda assim se faz. Então, não existem justificativas para uma atitude que foi de certa forma calculada. Assume, reconhece, se desculpa pela bagunça e vai embora (ou conquiste de novo o seu lugar).

O que me dói é a troca de acusações, a vitimização de quem pulou a cerca que acaba por ferir a autoestima do outro.
Traição, acima de todos os sentimentos, é um caminho que a gente decide ou não seguir. Sozinhos. Transferir a culpa, a responsabilidade, os destroços do vendaval para alguém que por mais insatisfeito que estivesse segurou a onda até ali, mais do que imaturidade é falta de bom senso. Você foi homem/mulher o suficiente para bater na porta e pedir licença para entrar, pois tenha a decência de saber sair com dignidade.

Para você foi apenas um passeio “sem importância” pelo universo da novidade.
Para quem ficou sentado à mesa de jantar esperando para servir a lasanha feita com tanto cuidado e carinho para tentar resgatar o romance, foi perda de vida, de oportunidades, de energia e principalmente, de tempo. Enquanto você se divertia pulando de galho em galho e claro, voltando para o aconchego de um amor que sabia que estava a sua espera, a pessoa que se escolheu para dividir oficialmente os lençóis está ali, brincando sem querer de fazer papel de trouxa.

Traição é uma babaquice sem tamanho.
Ninguém é obrigado a nada, está algemado, amordaçado, ou sendo ameaçado para permanecer contra a sua vontade em um relacionamento. Entrar e sair sempre foram duas opções bem evidentes e bem libertadoras por sinal. O que não dá é para ficar no meio termo da conveniência, curtindo todos os benefícios de se estar solteiro, mas mantendo intocável dentro de casa alguém para suprir as carências momentâneas. Quer se relacionar, ótimo, faça por onde, posicione-se como tal, e acima de tudo respeite a outra metade. Assim como você, alguém optou por abandonar toda uma vida de descompromissos para se dedicar a um sentimento.

Não justifique, não repita, simplesmente não faça.
Não existe necessidade. Está balançado(a)? Arca com os custos do desconhecido e abandona o caminho de vez, nem que seja para se arrepender depois. Somos todos humanos, feitos de sentimentos que se misturam a todo o momento, de um punhado de hormônios malucos, e temos todo o direito de sentir a vida chacoalhar as nossas certezas de vez em quando. Mas quando a gente envolve outra pessoa na história deixa de ser uma inconsistência individual, para se tornar um sofrimento conjunto. Por piores que sejam os motivos pessoais, muito melhor sair de um relacionamento sem ostentar mentiras ou causar constrangimentos, do que deixar um legado de rancor. Na dúvida tenha no mínimo caráter, não dói, não pesa, e faz uma diferença danada para a saudade que você vai deixar. Gente que vale a pena não trai nem a si mesmo e isto é sinônimo de integridade, aquilo que falta em muita gente que se olha diariamente no espelho.

 

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*Fonte: casalsemvergonha / texto: Danielle Daian

mulher-traira


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