Arquivo do dia: 14/04/2017

Ao vento – II


Ao vento


Nova física além do Higgs?

No fim do ano passado, quando a maioria das pessoas estava se preparando para as férias, os físicos do Grande Colisor de Hádrons (do inglês, LHC) no CERN, a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, fizeram um anúncio surpreendente: os dois detectores enormes identificaram uma pequena colisão nos dados com um nível de energia de cerca de 750 GeV.

Este nível é cerca de seis vezes maior do que a energia associada à partícula de Higgs. (Para passar da energia para a massa divida a energia pelo quadrado da velocidade da luz.) Para comparação, a massa de um próton, a partícula que compõe os núcleos de todos os átomos na natureza, é de cerca de 1 GeV. O Higgs é pesado — e esta nova colisão, se associada a uma nova partícula, seria muito pesada.

A comunidade da física de alta energia respondeu com entusiasmo. Em poucos meses, centenas de artigos foram publicados com explicações hipotéticas para a colisão.

No mês passado, os físicos do CERN divulgaram um pouco mais de informações, reforçando ligeiramente sua reivindicação pela realidade deste novo ponto de dados. Neste momento, a colisão tem uma chance de 1 em 20 de ser apenas uma flutuação estatística espúria, algo que acontece de vez em quando, mesmo que raramente.

Quando os cientistas declaram que algo é “real”, isto é, que algo pertence à coleção de outras partículas que encontramos até agora e que compõem toda a diversidade material que vemos? É uma pergunta complicada. Há um padrão acordado, de que o sinal para uma nova partícula deve ser certo em um nível de 1/3.500.000. Isso está muito longe de 1/20, e é por isso que os físicos ainda não estão anunciando uma nova descoberta. No entanto, se tudo correr bem com as operações do LHC, no final do outono deveremos ter dados suficientes para decidir se a colisão é real.

Então vem a parte divertida: Se é real, o que é?

Os editores da prestigiada revista de física Physical Review Letters, publicaram um editorial explicando como eles selecionaram quatro artigos representativos da enorme quantidade que eles receberam tentando dar sentido à colisão.

A parte emocionante disso é que a colisão seria física nova e surpreendente, além das expectativas. Não há nada mais interessante para um cientista do que ter algo inesperado, como se a natureza estivesse tentando nos fazer olhar em uma direção diferente.

Os quatro artigos propõem explicações diferentes para os dados, assumindo, é claro, que ele não desapareça. Três deles sugerem que a colisão realmente sinaliza a existência de uma nova partícula. Um quarto sugere que o evento sinaliza a fragmentação de uma partícula muito mais pesada:

. Um artigo sugere a existência de uma nova força da natureza, portanto, uma quinta força, que age como a grande força que mantém os núcleos atômicos juntos. A grande força também mantém quarks junto com prótons e quarks e antiquarks junto com píons. (Eu sei, começa a ficar esquisito rapidamente. Antiquarks? Eles são essencialmente como quarks, mas com carga elétrica oposta.) A ideia é que essas duas partículas tipo quark são aderidas em algo como um novo píon (que se parece muito com um Higgs muito pesado), que eventualmente decai, liberando os dois fótons que foram detectados.

. Uma nova partícula parecida com Higgs que se acopla a novos tipos de partículas.

. Uma partícula prevista a partir de uma simetria da natureza tão distante conhecida como supersimetria. Se verdadeira, a supersimetria exige que cada partícula tenha uma parceira, como uma imagem espelhada com algumas propriedades invertidas. A versão mais simples da supersimetria é praticamente descartada por dados, mas extensões mais complicadas ainda estão em jogo. As expectativas são altas de que esse poderia ser o caso, já que a supersimetria está por aí há mais de 45 anos e precisa de algum apoio experimental para permanecer verossímil como uma teoria física da natureza — e não apenas uma boa ideia.

. Por fim, o quarto artigo sugere que a colisão não é a assinatura de uma nova partícula em 750 GeV, mas os restos de uma partícula muito mais pesada que se decompõe em uma cascata de fragmentos. Os dois fótons são a assinatura detectável de um fragmento, como pegar um filme no meio.

Será interessante ver como essa trama se desenrola conforme novos dados são coletados e divulgados à comunidade. A parte emocionante é que nós temos esta ferramenta incrível que está abrindo janelas em um território completamente novo. O Higgs era apenas o começo, ao que parece.

Por que alguém deveria se importar? Existem diferentes razões, desde a prática até a sublime. Para projetar uma máquina como o LHC, compilar e analisar as montanhas de dados que ele gera e, em seguida, interpretar a coisa toda, não é necessário apenas levar a tecnologia além do limite, mas também desenvolver regras comunitárias de engajamento em equipes de milhares de físicos e engenheiros. Quem está no comando? Como as decisões são tomadas? A World Wide Web foi criada no CERN para facilitar a troca de dados entre os cientistas, um spin- off muito crítico de uma experiência de física de partículas. Tecnologias de armazenamento e gerenciamento de dados estão sendo inventadas o tempo todo em tais instalações, assim como tecnologias de detecção e radiação.

Em termos mais abstratos, um novo evento de física com energias seis vezes maiores do que onde o Higgs foi encontrado, significaria que estamos chegando um pouco mais perto do Big Bang, o evento que marca a origem do universo. Há uma enorme lacuna na energia entre o Higgs e o Big Bang, é claro, mas obter novos dados em energias mais altas pode esclarecer como se aproximar. Este tipo de física fundamental tem uma herança muito nobre, já que traça suas origens além dos primórdios da filosofia ocidental — para as questões relacionadas com nossas origens. Se imaginarmos a criação como um quebra-cabeça, cada peça nova que descobrimos nos ajuda a entender um pouco melhor nossas origens. A nova colisão pode não nos dar uma resposta final (não está claro nem se podemos chegar lá), mas certamente tornaria a imagem mais clara.

Como Tom Stoppard escreveu em sua peça Arcadia, é querer saber que nos torna importantes. E a física fundamental se trata de querer saber.

 

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*Fonte: universoracionalista/ Marcelo Gleiser

 

Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), o maior laboratório de física de partículas do mundo. Créditos: Luis Davilla.


Monthy Phythonices


Check list para trekking light de 2 dias – dicas


Led Zeppelin – Hey Hey What Can I Do *(rara versão instrumental)


Canudos do Vale – II

Mesmo sendo sexta-feira e desta vez casualmente também um feriado, um dia tradicional de reunião familiar, também de aproveitar muito bem o tempo livre e pegara estrada em duas rodas. Dessa vez fomos apenas eu e o Vladi, que já havia dito que apareceria no final de semana de Páscoa. Como éramos apenas nós dois e ele esses tempos viu as imagens da nossa trip até Canudos do Vale, local que ele ainda não conhecia, então hoje nos mandamos prá lá.

Dia bom, ameno, nem tão quente nem frio também. Perfeito para se andar de moto. Fomos para Lajeado e quando estávamos quase chegando lá paramos porque pensei em mudarmos um pouco nosso roteiro, dando uma esticada até a beira do rio no cais do porto de Estrela. Tudo bem, fomos até lá, coisa que já fiz inúmeras mas o Vadi não conhecia. Só que a surpresa foi chegar lá e darmos de cara com um portão fechando a rua de chão batido, impedindo assim a entrada. estranho. Como já disse, fui várias vezes lá e não lembro desse portão ou de qualquer impedimento de chegar até a beira do rio, no cais. Pena, mas não foi possível chegarmos lá.

Voltamos então ao plano original de seguirmos direto até Canudos do Vale. Voltamos ao caminho de 386, trevo para Canudos e região e depois é só seguir em frente em ritmo de subida de serra e posso garantir uma coisa, que lugar bonito. Fomos de boa, sem pressa alguma, tínhamos a tarde toda para curtir essa volta. Na outra vez que estive por lá (minha primeira vez), eu levei a máquina fotográfica mas na hora “H” descobri que a sua carga de bateria estava no fim. Hoje me lembrei disso antes de sairmos e me preparei. Câmera OK! Mas mesmo assim fiz poucas fotos.

A viagem foi tranquila, no caminho passamos pela ponte com o chão de madeira que permite apenas passagem de um carro por vez (claro, também por causa de sua largura). Mais adiante paramos no parque municipal de temática alemã (sinceramente não lembro do nome agora) e dessa vez andamos por mais lugares dentro do parque. Bonito e bem interessante o local. Ficamos imaginando como deveria ser a festa municipal deles por ali. Cansou toda essa circulada pelos vários cantos do parque com os diversos prédios “temáticos” espalhados numa área de terreno íngreme . Também fomos na ponte (pinguela) e no labirinto “verde” ao lado. Claro que meti uma pressão para o Vladi ir tentar dar um rolê pelo labirinto, mas ele não curtiu. …rsrsrs

O clima deu uma mudada, começou a escurecer e temperatura também mudou um pouco, deu até uns pingos de chuva, mas logo passou. Resolvemos seguir em frente em nossa empreitada de irmos até Canudos do Vale mesmo com o céu apontando uma certa cara de chuva. Essa parte do trecho é muito boa de se andar de moto. Fica a dica.

Chegamos em Canudos Vale, cidade pequena mas muito agradável com o Forquetinha ao lado. Chegamos e resolvemos parar em uma lancheria para bebermos algo, era feriado de sexta-feira santa, mas nos atenderam de boa. Um tempinho para descansarmos e conversarmos um pouco e já estva ficando ainda mais escuro. Não era tarde mas o clima estava ficando esquisito. Resolvemos voltar. No caminho, em uma parte de estrada estreita e sem acostamento nos deparamos com uma vaca tranquilamente parada atravessada na faixa de rolagem. Bem, parece engraçado, mas acontece que tu nunca sabe para onde um bicho desses (que não é pequeno) vai correr ou então o que vai fazer ou de que forma vai reagir com a nossa aproximação e ronco dos motores. Mas deu tudo certo, me aproximei devagar e a vaca saiu correndo para uma direção que nos foi favorável e assim seguimos em frente. Demos sorte por ela estar num local visível, mas se fosse logo após uma das tantas curvas fechadas que fizemos em alta, putz!

Anuncio que dessa vez não teve nenhum perrengue com algum imbecil na estrada (mas sempre tem), talvez apenas demos sorte de não encontrar nenhum. Bom! Muito bom.

O caminho da volta foi na tranquilidade e quando chegamos ainda encontramos o Pretto para uma conversa e também combinarmos novas empreitadas.

Valeu! E sem dúvida foi mais um dia daqueles.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


O hidrante


Stevie Ray Vaughan – Tic Toc

Resolvi tirar a poeira de minha memória e escutar de boas novamente alguns materiais do incrível Stevie Ray Vaughan. Escutar algumas de seus álbuns me fez abrir a porta para uma viagem de volta no tempo e com isso de carona chamar inúmeras boas lembranças de histórias do passado. A primeira que me vem à cabeça é tipo da época em que fui baixista da banda de blues do Luiz Ruschel, um dos melhores guitarristas de blues da minha cidade ali pelos 80′ e 90’s. Ninguém tocava como ele e nem muito menos chegavam perto de sua técnica e conhecimento musical aqui pela região.

“Abrindo um parêntese – Me recordo de que tive de participar de um teste para entrar nessa, era um power trio de blues/rock bem famoso na cidade naquela época. O baixista anterior havia casado e estava indo de muda para uma outra cidade por causa de seu trabalho e portanto deixando a sua vaga em aberto na banda. Eu que já tocava numa outra banda com uns amigos, era divertida mas eu queria mesmo era o caminho do blues. Mesmo que eu fosse na época um gurizão de merda de cidade do interior, quando pintou essa oportunidade e me convidaram para o teste, nem acreditei. – Ôpa! – Claro que aproveitei a chance e me “puxei” para não fazer feio, tanto que ganhei a vaga numa disputa com outros baixistas veteranos. Cara, isso foi para mim quase como ter ganho na loteria….rsrsrs. Saca só, o Luis era professor de guitarra, tinha em sua casa uma coleção gigante de discos, livros de música, bios, pilhas de revistas importadas da Guitar Player, métodos, fitas k7 e de vídeo VHS (já falei – isso foi à trocentos anos atrás, no final da década de 80), enfim, um baita e interessantíssimo acervo de música, uma verdadeira Dysneilândia do rock. Resumindo, com isso aprendi muita coisa e também por tabela tive acesso a conhecer muitos artistas legais do universo blues, funk e soul music, não ficando portanto, preso naquela vibe hard rock e metal que vingava no meio adolescente rocker da época.”
Bons momentos. Gracias Luiz!

 

Voltando ao assunto do SRV. É claro que quando o assunto é SRV eu meio que num gatilho mental, automaticamente me recordo dessa fase com a banda do Luís (como já mencionei), bem como também de como ficamos intrigando na época do lançamento do álbum irmão Vaughan -“Family Style”. Não era um álbum assim tão impactante como os outros da carreira solo do SRV mas ao mesmo tempo era também cheio de timbres mágicos de guitarras e de uma apurada sutileza de gravação. Gosto desse álbum até hoje, mesmo não sendo o melhor ou então o meu preferido do Stevie Ray Vaughan.

Assim escolhi de propósito postar aqui a música “Tic Toc”, que é estranhamente pop mas eu curto bastante. Ela é exatamente o contrário de tudo que se pensa em termos de música do SRV, logo de cara. Gosto do solo ultra econômico de “meia dúzia de notinhas” mas que para mim – (não sei explicar) culpa da stratinho-clean-chorosa – acho muito bacana!

Imagino aqui que depois de Stevie  já ser um cara mundialmente famoso e ter se tornado uma referência nas seis cordas do blues, ele resolve grava um álbum de estúdio com o seu irmão Jimmie Vaughan, tipo pouco se lixando para o que os outros irão achar. Esse álbum em questão é bem bacana e passa realmente essa coisa de família como o nome sugere, uma forte ligação e respeito entre eles. Tipo os manos se divertindo num estúdio com as suas guitarras, amps e alguns amiguinhos, cada uma trazendo a sua mágia, o seu toque, para no final sair um prato especial. Tipo receita de família. Creio que os coras “Vaughan” devem ter ficado muito orgulhosos dessa reunião de seus garotos.

Aqui a música “Tic Toc” que comentei (baladinha) e + duas faixas bônus.
Aumente o volume e relaxe.

 


A história de Stevie Ray Vaughan


Dickies – Kustom Kulture Forever – 2014


Pernocas