Caminhos – #85

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Como convencer alguém quando os fatos falham

Já notou que, quando você apresenta fatos as pessoas que são apegadas profundamente as suas crenças, elas sempre mudam de ideia? Não? Nem eu. Na verdade, as pessoas parecem se fechar em suas crenças, mesmo com evidências esmagadoras contra elas. A razão está relacionada com sua percebida cosmovisão, que é ameaçada pelos dados conflitantes.

Criacionistas, por exemplo, rejeitam a evidência para a evolução por fósseis e DNA porque eles estão preocupados com as forças seculares que invadem a fé religiosa. Pessoas rejeitam vacinas por causa da indústria farmacêutica e acham que o dinheiro corrompe a medicina, o que os leva a acreditar que as vacinas causam autismo, apesar da verdade inconveniente que o único estudo que fez tal afirmação foi refutado e seu principal autor foi acusado de fraude. Os conspiracionistas do 11 de setembro se concentram em minúcias como o ponto de fusão do aço nos edifícios do World Trade Center que causaram seu colapso porque pensam que o governo está mentindo para eles e conduz “operações de falsa bandeira” para criar uma Nova Ordem Mundial. Os negadores do clima falam de anéis de árvores, núcleos do gelo e as ppm dos gases de efeito estufa porque são apaixonados pela liberdade, especialmente aquela dos mercados e das indústrias em operar totalmente livres de regulamentos governamentais restritivos. Conspiracionistas sobre o nascimento de Obama abordam desesperadamente sobre o nascimento e vida do presidente em busca de fraudes, porque eles acreditam que o primeiro presidente afro-americano da nação faz parte de uma tática socialista para destruir o país.

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Nestes exemplos, as visões de mundo mais profundas dos proponentes eram percebidas como ameaçadas pelos céticos, tornando os fatos um inimigo a ser assassinado. Este poder de crença sobre a evidência é o resultado de dois fatores: Dissonância cognitiva e Backfire effect [Efeito de retrocesso]. No clássico livro de 1956, When Prophecy Fails [Quando a Profecia Falha], o psicólogo Leon Festinger e seus co-autores descreveram o que aconteceu a um grupo de crentes em OVNIs quando a nave-mãe falhou em chegar ao horário indicado. Em vez de admitirem o erro, “os membros do grupo procuraram freneticamente convencer o mundo de suas crenças”, e fizeram “uma série de tentativas desesperadas em apagar sua dissonância, fazendo previsões após previsões, na esperança que se tornassem realidade”. Festinger chamou isto de dissonância cognitiva, ou tensão desconfortável, que ocorre quando pessoas mantêm, simultaneamente, dois pensamentos conflitantes.

Dois psicólogos sociais, Carol Tavris e Elliot Aronson (ex-aluno de Festinger), em seu livro de 2007 Mistakes Were Made (But Not by Me) [Erros foram cometidos (mas não por mim)] documentam milhares de experiências que demonstram como as pessoas decoram frases e “fatos” prontos para manter crenças pré-concebidas e reduzir a dissonância. Sua metáfora da “pirâmide de escolha” coloca dois indivíduos lado a lado no ápice da pirâmide e mostram o quão rapidamente eles divergem e terminam na parte inferior oposta dos cantos da base com cada um agarrando uma posição para defender.

Em uma série de experiências feitas pelo professor Brendan Nyhan, da Universidade de Dartmouth, e pelo professor Jason Reifler, da Universidade de Exeter, eles identificam um fator relacionado que chamam de Backfire effect [efeito de retrocesso], “em que as correções realmente aumentam percepções erradas entre o grupo em questão”. “Porque ameaça sua cosmovisão ou auto-conceito”. Por exemplo, para os assuntos, foram dados falsos artigos de jornal que confirmaram equívocos generalizados, como que havia armas de destruição em massa no Iraque. Quando os sujeitos receberam um artigo corretivo de que as armas nunca foram encontradas, os liberais que se opuseram à guerra aceitavam o novo artigo e rejeitavam o antigo, enquanto os conservadores que apoiaram a guerra fizeram o oposto… e mais: Eles relataram estar ainda mais convencidos. Foram favoráveis as armas após a correção, argumentando que isso só provou que Saddam Hussein ocultou-as ou destruiu elas. De fato, Nyhan e Reifler observam, entre muitos conservadores, “a crença de que o Iraque possuíam armas imediatamente antes da invasão dos Estados Unidos persistiu muito tempo depois que a própria administração Bush concluiu o contrário”.

 

Se os fatos corretivos só pioram as coisas, o que podemos fazer para convencer as pessoas do erro de suas crenças? Da minha experiência,

1. Mantenha as emoções fora da troca,

2. Discuta, não ataque (sem ad hominem e sem ad Hitlerum),

3. Ouça atentamente e tente articular sobre a outra posição com precisão,

4. Mostre respeito,

5. Reconheça que você entende o por que alguém pode ter essa opinião,

6. Tente mostrar como a mudança de fatos não significam, necessariamente, a mudança de cosmovisões. Essas estratégias nem sempre funcionam para mudar as mentes das pessoas, mas agora que a nação acabou de ser submetida a uma verificação política, elas podem ajudar a reduzir divisões desnecessárias.

 

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*Fonte: universorcionalista

Distimia: o peso constante da tristeza

Todas as pessoas se sentem desanimadas em alguns momentos da vida. É normal que, ocasionalmente, nos sintamos tristes. Vivemos algumas situações, muitas vezes, necessárias para reagirmos e buscarmos novos caminhos na nossa vida ou para superarmos acontecimentos desagradáveis.

Agora imagine que esse desânimo está presente na sua vida por mais de dois anos. Não é difícil perceber o desconforto que pode experimentar alguém que se sente assim. É o que acontece quando a distimia aparece. Continue lendo para saber mais sobre ela!

“Estou muito triste e me sinto mais infeliz do que posso dizer, e não sei até onde cheguei … Não sei o que fazer ou o que pensar, mas desejo sair deste lugar … Eu sinto tanta tristeza!”
– Vincent Van Gogh –

O que é distimia?

A distimia surge quando uma pessoa fica deprimida por pelo menos dois anos. A observação pode ser feita por aqueles que sofrem desse transtorno ou ser percebida pelas pessoas ao seu redor. Mas, embora possam ser semelhantes, distimia não é o mesmo que depressão.

Nestes casos, pelo menos durante os últimos dois anos, não houve um período superior a dois meses no qual a pessoa não tenha tido pelo menos dois dos seguintes sintomas: perda ou aumento do apetite, insônia ou sonolência excessiva, falta de energia ou fadiga, baixa autoestima, dificuldade de concentração ou para tomar decisões, ou sentimentos de angústia e desespero.

Como podemos notar, é possível que as pessoas com distimia não tenham tantos sintomas e talvez não sejam tão intensos como naquelas com depressão. No entanto, existe um outro problema: é muito persistente e dura mais tempo. As pessoas com distimia estão sempre tristes e se não houver um tratamento psicológico adequado, pode se tornar um transtorno depressivo mais grave.

“A melancolia é uma tristeza, um desejo sem qualquer dor, parecido com a tristeza, da mesma forma que a névoa se assemelha à chuva”.
– Henry Wadsworth Longfellow –

Além disso, podem ocorrer outras psicopatologias e a terapia é necessária porque a distimia gera muita angústia no doente. Como resultado de tudo isso, a qualidade de vida dessas pessoas fica prejudicada, influenciando o seu sofrimento psicológico em diversas áreas de forma significativa.

Qual é a diferença entre depressão e distimia?

Com tudo o que dissemos até agora, você deve estar se perguntando… Distimia não é o mesmo que depressão? A resposta é não, embora seja verdade que elas tenham algumas características em comum, o que pode nos deixar confusos.

Na verdade, as pessoas com depressão também têm um humor deprimido na maior parte do dia e quase todos os dias. Isto também acontece na distimia, como o próprio doente ou as pessoas que convivem com ele podem perceber. A diferença é que para caracterizar uma depressão os sintomas devem persistir por pelo menos duas semanas, e na distimia devem estar presentes durante dois anos ou mais.

“E nessa hesitação entre coragem e agonia, cheio de dores que apenas suporto, você não ouve as gotas da minha tristeza caírem?”
– Ruben Dario –

Outros sintomas comuns seriam os problemas do sono, aumento ou perda de apetite (embora na depressão possa haver uma variação significativa de peso sem uma dieta especial para isso), fadiga (na depressão é uma perda persistente de energia) e dificuldade de concentração ou de tomar decisões (acompanhada por uma diminuição persistente na capacidade de pensar).

Como podemos ver, nas semelhanças existem algumas nuances que criam as diferenças. É preciso acrescentar que na depressão é notável a perda ou diminuição de interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades da pessoa. Isto acontece todos os dias durante a maior parte do tempo. Mas, ainda há mais.

Também aparecem outros sintomas como a agitação ou retardo psicomotor, sentimentos de inutilidade ou culpa excessivos ou inadequados, pensamentos e ideias recorrentes de morte ou suicídio e, tentativas e planos para realizá-los. Tudo isso não vemos na distimia, somente na depressão. O que é comum em ambos os casos é o desgaste e o desconforto que causam naqueles que sofrem, o que destaca a necessidade de buscar ajuda para sair dessa situação.

 

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*Fonte: amenteemaravilhosa