Morales Mosrite copy Ventures Hollow Bass (Japan 1974)

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5 tipos de músicos que podem destruir sua banda

Alguém disse que “uma banda é como um casamento”. Seja lá quem foi, essa pessoa tem certa razão. Estar em um grupo é entrar em uma sociedade e isso implica em saber conviver com pessoas diferentes, mas, que possuem o mesmo foco, o mesmo objetivo e farão de tudo pra esse empreendimento dar certo. Quando isso não acontece, parece que entramos em um barco prestes a naufragar se não agirmos rápido para reparar esse “furo”.

É comum bandas terem sérios problemas com músicos que simplesmente pensam e agem radicalmente contra o trabalho e não parecem querer mudar. Nessa ocasião, é preciso ser rápido para identificá-los e buscar resolver esta situação (da maneira mais eficaz possível). Se isso está acontecendo com você, provavelmente alguém na sua banda se encaixa em um desses perfis:

1 – O medroso

Vocês recebem convites para tocar fora de sua cidade em dias úteis. Todos possuem um trabalho convencional, mas, de alguma forma, conseguem driblar essa dificuldade. Todos menos um que fica impedido pelo medo de perder o emprego. Já aconteceu com você? Ou naquela reunião em que a banda está discutindo os investimentos para o próximo ano, um sempre é contra “gastar tanto no trabalho”, afinal esse dinheiro poderia ser dividido entre vocês… Esse é o medroso, uma pessoa boa, colega, ótimo instrumentista, mas, um perfeito amador e pro resto da vida. No campo de batalhas que é o mercado da música, ter uma pessoa com medo é sair para o confronto totalmente vulnerável e pronto pra perder, mesmo tendo tudo pra ganhar.

2 – O extremamente perfeccionista

Nada está bom para essa pessoa, nada mesmo. O perfeccionista é compromissado com resultados, com o melhor rendimento e busca incansavelmente isso sem deixar de reconhecer o progresso. Ele sabe que a banda precisa melhorar, mas, não nega o quanto já melhorou, nem que seja 1%. O extremamente perfeccionista enxerga apenas o lado negativo, destroi expectativas normalmente se referindo a todos na banda, menos ele. Tudo precisa melhorar, ele porém, já está na Estratosfera. Por melhor compositor ou instrumentista que seja, não vale a pena ter alguém assim por perto.

3 – O atrasado

Bom, esse perfil é talvez o mais comum. Marca-se o ensaio, todos chegam e ele aparece 1 hora depois com uma desculpa esfarrapada, toda semana. Na sua GIG, não é raro você se aborrecer com o dono do estabelecimento por começar depois do horário marcado justamente porque precisa aguardar a chegada desse que ainda não chegou. O atrasado é uma pedra nos sapatos de todos os membros de uma banda e pode acabar fechando muitas portas profissionais. Se isso acontece agora, imagine quando o seu trabalho ganhar mais alcance e notoriedade?

4 – O obsessivo

Se por um lado existe o “medroso”, por outro, existe o “obsessivo”. Essa pessoa não tem uma noção muito clara da realidade e pensa que qualquer risco vale a pena. A banda nem possui uma base de fãs e ele já está pensando em largar o emprego convencional pra viver de música e o pior, cria o pior clima possível tentando forçar a adesão dos demais. Alguns pecam por omissão, outros, por excesso.

5 – O instrumentista ruim

Não há nada em oculto que não apareça claramente em uma banda. O grupo pode ter ótimas canções, grandes músicos, mas, se um dos membros não “conversa” com os demais musicalmente, vão existir problemas e grandes. É comum um projeto nascer com amigos, sem pretensões profissionais, mas, com o tempo, as oportunidades aparecem e exigem um grau de competência dos que estão ali envolvidos. Se um dos músicos não corresponde, tenha a certeza de que ele será o freio puxado que não deixará seu trabalho andar. Nessa hora não há conversa que resolva. O melhor a fazer é deixar a amizade de lado e agir profissionalmente, por mais duro que isso possa ser.

E vai ser duro, com certeza.

6 – (BÔNUS) O analógico

Há ainda uma “espécie” de músico comum. Ele não dá a mínima para um trabalho de divulgação sério na internet. Pra ele, a banda precisa é ter a sorte de encontrar alguém influente no mercado para abrir as portas já que ele possui talento. Se existe verba para investir, certamente ele não destinará uma moeda para o digital.

Quando ouve palavras do tipo streaming, redes sociais, big data (essa aqui ele acha que é um tipo de hamburguer), pensa: “Bobeira.” Essa pessoa é a mesma que vê o tempo passar, nada acontecer e por esse motivo espalha seu desânimo pelas redes sociais. Reclama da cena, da televisão, do governo e desconfia de todos que apesar de tantas barreiras, dizem que dá pra fazer música no Brasil. Ele pensa que o mercado se limita ao programa do Faustão, rádios e fecha os olhos para o que a internet está provocando.

Esse é uma pedra de tropeço para qualquer banda. Pode ser “o cara”, o melhor músico, mas se existe, livre-se dele e rápido.

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*Fonte: palcodigital / Vinícius Soares

Por que o governo japonês está fechando cursos de humanas?

Nos últimos dois anos, mais de 20 universidades japonesas anunciaram cortes nos seus departamentos de ciências humanas e sociais. A medida acompanha uma orientação do governo que vem sendo contestada: a de focar investimentos produção de conhecimento científico que atende às necessidades mais imediatas da sociedade.

Desde a publicação de uma nota do Ministro da Educação do Japão, Hakubun Shimomura, em 2015, pelo menos 26 das 60 universidades no Japão que possuíam departamentos de ciências humanas fecharam esses cursos ou reduziram o corpo docente. No texto, o ministro recomenda que a administração das universidades “tomem medidas para abolir organizações de ciências humanas e sociais ou convertê-las para servir a áreas que atendem melhor às necessidades da sociedade”.

A partir desta nova orientação, de acordo com uma pesquisa realizada pelo jornal japonês The Yomiuri Shimbun, pelo menos 17 universidades aboliram os processos seletivos de alunos para os cursos de ciências humanas e sociais, incluindo cursos como Direito e Economia.

O presidente da Universidade de Osaka, Nishio Shojiro, foi um dos primeiros a apoiar a ideia e, na ocasião, incentivou a administração de demais instituições a “pensar de modo proativo sobre o que podem fazer” para adequar o perfil das universidades. Com formação e carreira em tecnologia, o líder da maior universidade do país afirmou que estudos na área de humanidades não costumam ter “um foco forte em responder às demandas da sociedade”.

A posição é alinhada à do primeiro-ministro, Shinzo Abe, que é caracterizado por um perfil voltado para resultados e focado em reassegurar a conjuntura política e econômica do país.

“Em vez de aprofundar pesquisas acadêmicas que são altamente teóricas, vamos conduzir uma educação mais prática e vocacional, que antecipa melhor as demandas da sociedade”, declarou Abe.

O enxugamento das áreas de ciências humanas e sociais é parte do plano do primeiro-ministro de colocar pelo menos 10 universidades japonesas no ranking das 100 melhores universidades do mundo na próxima década. Hoje, apenas a Universidade de Tokyo e a Universidade de Kyoto estão no ranking, em 39º e a 91º lugar, respectivamente.

Reação

Mas são justamente as duas universidades melhores posicionadas nos rankings mundiais que lideram a resistência contra o fim das ciências humanas e fazem parte da parcela de instituições que mantém os investimentos na área. Para a presidente da Universidade de Shiga, Sawa Takamitsu, o perfil do governo japonês é “anti-intelectual” e diminui as chances das instituições alcançarem melhores posições no ranking mundial.

“Acredito que se o Japão leva a sério o objetivo de ter 10 das suas universidades no ranking mundial das 100 melhores, seria muito mais eficaz e vantajoso promover, ao invés de abolir ou cortar a educação e pesquisa em ciências humanas e sociais”, defende Takamitsu em editorial publicado no Japan Times.

 

O objetivo, segundo acadêmicos do país, falha por manter o foco no curto prazo, priorizando apenas posições em rankings, sem se voltar para uma reforma de longo prazo que resolva efetivamente os problemas estruturais da educação superior.

Segundo Takamitsu, o Ministério da Educação do Japão sugeriu que os estudantes de ciências humanas das universidades japonesas deveriam estudar programação de softwares de contabilidade em vez de livros de economia e desenvolver habilidades de tradução simultânea entre o japonês e o inglês em vez de ler as obras de Shakespeare. “Essas propostas são revoltantes e não consigo tolerar anti-intelectuais distorcendo as políticas governamentais relacionadas a educação”, critica Takamitsu.

Entidades do setor da educação do país também são contrárias às mudanças. O Conselho de Ciência do Japão, organização multidisciplinar de cientistas japoneses, publicou uma declaração expressando oposição e “profunda preocupação” em relação ao que isso representa para o meio acadêmico.

“A academia contribui para a criação de uma sociedade culturalmente e intelectualmente mais rica. Vemos como a nossa missão produzir, aperfeiçoar e compartilhar percepções equilibradas e aprofundadas de conhecimento acerca da natureza, dos seres humanos e da sociedade. Portanto, ciências humanas e sociais fazem uma contribuição essencial para o conhecimento acadêmico como um todo”, diz a declaração.

Reflexo natural

A tendência japonesa de minimizar as ciências humanas em detrimento das ciências naturais não vem de hoje. Esse enfoque nas áreas voltadas pra o desenvolvimento tecnológico é reflexo de medidas instauradas durante a Segunda Guerra Mundial, quando o então primeiro-ministro, Kishi Nobusuke, determinou que todos os departamentos de ciências humanas e sociais fossem abolidos das instituições de ensino públicas para que pudessem focar em ciências naturais e engenharia.

A resolução foi parte de uma série de medidas do governo japonês que levaram o país a se recuperar do impacto econômico da guerra – hoje, o país é a terceira maior economia do mundo por Produto Interno Bruto (PIB) nominal.

Ao mesmo tempo, o Japão passa por dois processos de aumento dos gastos públicos: de um lado, o envelhecimento demográfico, associado a uma política de imigração restritiva, diminui a mão de obra no mercado; do outro, um número cada vez menor de jovens ingressam no ensino superior. A expectativa dos defensores da proposta é de que os cortes em humanidades levem esses jovens para as ciências naturais e acelerem o desenvolvimento das inovações em ciência e tecnologia, aquecendo a economia do país.

Mas as políticas econômicas do primeiro-ministro japonês, que impulsionaram as mudanças nas universidades, não têm trazido a reforma esperada na economia do país: tentativas de aceleração da produtividade não foram suficientes para aumentar a inflação do país, que permanece abaixo dos 2%, refletindo o baixo índice de compra da população. Do mesmo modo, o crescimento do PIB até abril foi de 0,3%, e a popularidade de Abe caiu para 30%.

 

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*Fonte: gazetadopovo