A hermenêutica e o discurso: estamos nos desencontrando

Quando fala-se algo, espera-se que o outro compreenda. Ou pelo menos tenha uma dimensão da experiência da pessoa que fala. Isso é o discurso, que pode ser tanto falado quanto escrito. A comunicação nos faz humanos, seres inteligíveis e inteligentes. Capazes de criar a empatia necessária para a ética.

Mas estamos falhando miseravelmente nisso. Estamos nos desconectando, mesmo estando em rede. Podemos conversar com alguém do outro lado do mundo, com outra língua, cultura, ontologia. E mesmo assim não nos entendemos, pessoas da mesma matriz linguística, cultural.

Hermenêutica é um ramo da filosofia que em termos gerais estuda a interpretação, dentro de uma perspectiva tradicional (apenas verbal) para a moderna (verbal e não-verbal). Estaremos aqui falando das interpretações quando nos referirmos a essa palavra. O sentido do discurso verbal e não-verbal.

Digo que os dois maiores problemas que enfrentamos hoje são a multiplicidade do discurso e sua hermenêutica. O primeiro é o mais visível deles, colocaria no eixo técnico, empírico. Quando se tem uma multiplicidade de diferenças, seria natural que o acordo entre as partes gerasse um conflito. Vamos ao exemplo ilustrativo: Se sou cristão, tenho minha matriz de crença. Se penso numa escola cristã, por consequência, quero impor minha agenda. O que nos leva acreditar que esses pensamentos além de múltiplos são excludentes. É difícil eu, como A querer que B possa conviver comigo e C nem pensar. Isso é variável: nem toda agenda é excludente, mas a grande maioria é.

O segundo problema é exatamente uma consequência desse primeiro, que seria internalizado. O discurso de especificidade de uma classe A gera, dentro de si, múltiplas interpretações. Quando as várias partes discursam, a confusão se instaura. Somos levados pela enxurrada de vetores de pensamento que acabam nos levando para lugar nenhum. Ou seja, a multiplicidades dos discursos é igual à zero, como se fosse realmente soma de vetores opostos. Não saímos mais do lugar por não saber contra quem lutar, com que e como lutar.

Como podemos superar esse impasse? Atacando o problema na sua raiz: o debate não existe mais por conta da anulação dos pensamentos, pois cada um interpreta como quer. Ficamos na dívida da realidade, tal como ela é e usamos o discurso pós-modernista do “tudo pode porque somos humanos”. Isso interfere nas quatro matrizes de pensamento: arte, filosofia, ciência e religião. Nenhuma está isenta desses dois problemas, porém cada uma em sua dimensão.

Se conseguimos sair do paradigma da Antítese e chegar a Síntese, poderemos superar esse problema. Se voltarmos a Síncrese e ao paradigma da Antítese, voltemos a debater e pensar na Síntese. Moto contínuo, pois somos sistemas dinâmicos de inter-relações e discursos. Devemos sempre exercitar nossa lógica dialética e dialógica e não morrer nos discursos conflitantes. Ai, como diria o grande Slavoj Zizek, pensar primeiro e agir depois fará todo sentido.

*Por Luciano Pontes

 

 

 

 

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*Fonte: genialmentelouco

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