Pais

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

Khalil Gibran

Como se livrar dos chatos

Os chatos. Quem são eles? Onde eles vivem? Como se reproduzem sendo tão insuportavelmente chatos?

Estudos indicam que os chatos (nome científico: australopitacus irritantus) existem desde o início dos tempos. Quando o primeiro troglodita desenhou o primeiro mamute na primeira caverna, o primeiro chato chegou e disse: “Que coisa ofensiva, Ugh! Vou falar pro shaman te jogar no vulcão amanhã de manhã…”

Antigamente, era fácil identificar o chato. Era o cara sozinho na festa, encostado na parede e sorrindo amarelo. Hoje tudo mudou. O chato tem coluna em jornal, blog em portal, canal no youtuber, voz no podcast, talkshow na TV, perfil no Facebook, conta no Instagram e arroba no Twitter.

O chato adora verdades absolutas. E acha que tem a missão sagrada de chatear todo mundo que não tem a mesma certeza fundamentalista. Existe o chato teísta ou ateísta, materialista ou espiritualista, esquerdista ou direitista, vegano ou miliciano, capitalista ou comunista, bolsonarista ou lulista, academicista ou terraplanista. Não importa. Os chatos, mesmo diferentes, são absolutamente iguais. E estão todos unidos num mesmo propósito: passar a vida enchendo o saco e então morrer.

Isso não pode! Isso não dá! Isso eu não gosto! Isso me ofende! Isso é um absurdo! Isso eu não entendo! Isso eu não concordo! Isso deve ser proibido! Isso precisa ser apagado! Isso merece ser censurado! Isso tem que ser rasgado!

O chato é a vizinha fofoqueira do bairro, só que agora com tecnologia 5.G.

Existe, contudo, uma maneira infalível de se livrar do pentelho. Chato é igual assombração: se você ignora, ele vira abstração.

*Por Edson Aran

 

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*Fonte: revistabula

A fórmula de Quentin Tarantino para o cinema

Quentin Tarantino é certamente um dos diretores mais queridos da atualidade. Cada um de seus oito filmes tiveram um impacto profundo na história do cinema.

Diálogos afiados, humor ácido, narrativa não linear, violência deliberada e fotografia emblemática. Tudo isso vêm à cabeça quando pensamos no diretor, que construiu um estilo de fazer cinema tão singular.

Mas a mágica de Tarantino não acontece sozinha. Existe uma fórmula com uma história autodidata, sagacidade e inspiração.

Isso porque o diretor se utiliza de muitas referências de outros filmes e gêneros clássicos ao longo da história da sétima arte.

Em 1997, com seu filme de estreia “Reservoir Dogs”, um crítico acusou o diretor de plagiar o longa de ação chinês “City of Fire”, de 1987. Porque os 20 minutos finais do filme são praticamente idênticos ao de Tarantino.

E não para por aí. A lista de referências é longa. “Jackie Brown” é claramente inspirado em “Foxy Brown”, de 1974. Enquanto “Bastardos Inglórios”, um dos filmes mais aclamados do diretor, é, de muitas maneiras, semelhante ao filme de guerra de 1967 “The Dirty Dozen”.

Cada obra prima de Tarantino também se constrói de referências visuais de pelo menos uma dúzia de filmes. Muitos defendem ser uma maneira de homenagear os filmes que ama. Mas o diretor nega.

Em uma entrevista para a revista Empire, em 1994, ele disse: “Eu roubo de todos os filmes que já foram feitos. Adoro fazer isso. Se existe algo na minha obra, é porque eu roubei isto deste filme ou aquilo daquele outro e misturei tudo junto. Se as pessoas não gostam, azar o delas, não assistam, certo? Eu roubo de todo o mundo. Grandes artistas roubam, não fazem homenagens.”

A última frase inclusive lembra a máxima do pintor Pablo Picasso: “Bons artistas copiam. Grandes artistas roubam”.

No entanto, antes de desconsiderar a capacidade de Tarantino de fazer filmes, é preciso entender um pouco de sua história.

A carreira de Tarantino não começou em uma escola de cinema. Mas sim em uma locadora de vídeo, onde ele trabalhava como balconista e adquiriu um conhecimento enciclopédico do cinema. Ou seja, ele aprendeu a fazer filmes assistindo filmes.

O orgulho declarado em dizer que está “roubando” pode ser justamente porque ele é capaz de fazer algo que nenhum outro cineasta consegue: criar algo completamente novo, a partir de suas inspirações.

Isso também justifica porque o diretor é saudado como um dos cineastas mais notáveis do pós-modernismo do cinema, cujo princípio central é justamente isso: nada é novo na arte, tudo é reciclado e reutilizado repetidamente.

Tarantino se utiliza de uma técnica pós-moderna conhecida como pastiche, que consiste em se apropriar de várias fontes para criar algo novo. Algo que a gente está acostumado a ver na música, como no Hip Hop, por exemplo.

E o porquê de o pastiche de Tarantino funcionar tão bem é graças à sua sagacidade em compreender o assunto que está se inspirando e conseguir construir algo que não cai em uma homenagem superficial de simplesmente imitar algo icônico.

Mesmo que a gente perceba alguma semelhança com outros filmes, as referências que Tarantino usa passam quase imperceptíveis, porque se mesclam de uma maneira harmoniosa com o gênero que ele cria.

“Reservoir Dogs” é um pastiche dos filmes de crime de Hong Kong, e “Pulp Fiction” é baseado no movimento francês New Wave.

“Jackie Brown” se baseia em filmes do movimento norte-americano blaxpoitation dos anos 70, enquanto “Kill Bill” ressurge o clássico samurai japonês e filmes chineses de kung fu.

“Death Proof” explora com louvor os filmes de baixo orçamento, enquanto “Bastardos Inglórios” homenageia o cinema da Segunda Guerra Mundial como nunca se viu antes.

Sem contar como seus filmes mais recentes “Django Livre” e “Os Oito Odiados” são versões modernas e geniais do gênero Spaghetti western, ou Bang-bang à italiana.
A fórmula de Quentin Tarantino para o cinemaVídeo do INSIDER mostra referências de clássicos nos filme de Quentin Tarantino

E se você quiser dissecar um pouco mais o queridinho “Pulp Fiction”, vai reparar como ele é repleto de referências de clássicos.

A dança icônica do filme foi inspirada em uma cena semelhante do longa “Band of Outsiders”, de 1964. Já a coreografia é parecida com a do filme “8 1/2″, de 1963.

Os passos de John Travolta foram inspirados em uma adaptação de “Batman”, de 1966. Enquanto os de Uma Thurman lembram a dança de um dos gatos da animação “Aristogatas”, de 1970.

A mala misteriosa que carrega o enredo de “Pulp Fiction” é uma réplica do filme americano “Kiss Me Deadly”, de 1955. E, claro, também inspirada na do filme “Psicose”, de Alfred Hitchcock.

Não é nenhum exagero como os filmes de Tarantino são exaltados e conquistam um espaço importante da história do cinema.

São todos essencialmente inspirados em clássicos que surgiram ao longo da história. Mas todos se passam em um mundo de Tarantino tão original, que é praticamente impossível fazer igual.

Aprenda mais sobre o cinema de Tarantino com o vídeo do INSIDER.

*Por Raquel Rapini

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*Fonte: geekness