Uma nova abordagem bactericida: será que a luz pode substituir os antibióticos?

A descoberta dos antibióticos a partir da Penicilina em 1928 revolucionou o mundo da medicina no tratamento contra infecções bacterianas. Com os estudos ao longo dos anos, novos antibióticos foram surgindo e com eles foi se compreendendo melhor os seus mecanismos de ação, que acabariam por inviabilizar a multiplicação dessas colônias bacterianas, levando-as a morte. Porém, as bactérias possuem aparatos que lhe conferem uma adaptação à presença de antibióticos, com isso, estes micro-organismos se tornam resistentes a esses medicamentos.

Nos últimos anos, o número de bactérias que desenvolveram resistência a maior parte dos antibióticos existentes cresceu exponencialmente, dificultando o tratamento quimioterápico em pacientes que apresentam infecções bacterianas. Devido a isso, os cientistas buscam meios de combater esses organismos por outras abordagens. A partir desta, surge então, uma técnica inovadora, que utiliza a luz como um fator atuante na eliminação e inibição do crescimento das colônias bacterianas.

Basicamente, as bactérias possuem em seu interior, estruturas moleculares chamadas cromóforos, que são capazes de absorver determinados comprimentos de ondas da luz. Essas estruturas, são moléculas que quando excitadas, podem gerar compostos á base de oxigênio, conhecidos como espécies reativas de oxigênio (ERO’s), que tem uma alta capacidade de reagir com outros componentes intracelulares, podendo alterar a estrutura de proteínas, do material genético e da membrana celular, causando a morte do organismo.

Estudos realizados na Universidade Nacional de Chonnam na Coréia do sul mediram os efeitos bactericidas de diferentes comprimentos de onda em três modelos bacterianos patogênicos in vitro¹. Os comprimentos de onda utilizados eram 425 nm (azul), 525 nm (verde) e 625 nm (vermelho) que foram emitidos através de lâmpadas especiais conhecidas como LED (Lighting-Emitting Diode). As bactérias usadas como modelo eram Porphyromonas gengivalis; Escherichia coli e Staphylococcus aureus. Como resultado, os pesquisadores encontraram que o comprimento de onda do azul foi capaz de eliminar as três espécies, enquanto que o verde eliminava S. aureaus, mas diminuía a viabilidade das outras duas espécies. Já o LED vermelho, não apresentava efeitos bactericidas nas três espécies estudadas.

Esse tipo de resultado demonstra a capacidade bactericida do LED azul, sendo viável empregá-lo em terapias de tratamento dentário, por exemplo. Onde se poderia substituir o uso de antibióticos, ou combiná-los para se aperfeiçoar sua eficácia do tratamento. Os trabalhos realizados com esse tipo de terapia, conhecido como Fototerapia, envolvem diversos fatores que podem influenciar no resultado final. Pode-se citar como exemplo: o tipo de comprimento de onda utilizado, fluência, potência, tempo de exposição, área de irradiação e modelo celular empregado.

Diferentes bactérias, também podem reagir de forma diferente na presença da luz. Um estudo realizado na Universidade Nacional de Cingapura decidiu avaliar os efeitos bactericidas do LED azul e verde e analisar o papel de um cromóforo na molécula de coproporfirina nesse processo, onde neste estudo, foram utilizadas seis bactérias, das quais três eram gram-positivas e três gram-negativas, todas patogênicas².

A diferenciação das bactérias gram-positivas e gram-negativas está principalmente na constituição de sua membrana celular. Segundo os autores constatou-se que: as bactérias gram-positivas são mais susceptíveis à luz azul em comparação às gram-negativas, muito provavelmente, pela maior presença de coproporfirinas que absorvem a luz azul, gerando ERO’s e levando a morte celular. As gram-negativas também demonstraram sensibilidade, porém menor. Com relação à luz verde, esta se mostrou menos eficaz que a luz azul para efeitos bactericidas.

Vale ressaltar que, o mecanismo de ação da luz no efeito bactericida ainda não é muito bem elucidado, a hipótese mais aceita é justamente a presença de cromóforos em moléculas, como flavinas, porfirinas e coproporfirinas presentes no interior desses organismos que acabam por formar espécies reativas de oxigênio que ocasionam a morte celular. Por conta disso, estudos mais investigativos in vitro e in vivo devem ser realizados, para que se possa compreender melhor o mecanismo de ação da luz em modelos bacterianos, na qual poderá se cogitar com mais seguridade a substituição de antibióticos por luz. Esses resultados se mostram promissores, onde, talvez, em um futuro não muito distante, estaremos, realizando tratamentos fototerápicos, no combate a infecções bacterianas.

*Por Rickson Ribeiro

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*Fonte: ciencianautas

6 coisas que as francesas fazem melhor do que você

Compilamos os seis mitos que mais estrago fizeram à autoestima do resto das cidadãs do planeta

Se as anglo-saxãs invejam e olharam com cuidadoso (ou melhor, com muito cuidadoso) receio para as francesas desde os tempos em que Coco Chanel passeava vestindo calças e camisetas listradas estilo marinheiro por sua casa de campo La Pausa é, basicamente, porque não entendem o que está acontecendo. Ou assim o vê Emmanuelle Seigner. A atriz parisiense resolveu rapidamente a eterna dúvida sobre a eterna (e debatida) superioridade das francesas: “As norte-americanas se arrumam muito de manhã: nem um fio de cabelo fora do lugar, unhas esmaltadas, saltos… Parece que pensam que terão de desfilar pelo proverbial tapete vermelho ou que deverão fazer ato de presença em um coquetel. As francesas não se levam tão a sério”. Ora, tanta história para reivindicar que o coque despenteado feito sem espelho é a quintessência do chique?

Longe de tomar como guia existencial essa resposta simplista; o mundo editorial, os arquétipos cinematográficos e a cultura popular insistem há um século nessa ideia: a francesa, esse ser requintado com alergia à escova e curtida na arte de fazer beicinho olhando para o Mediterrâneo com seus shorts de cintura alta de xadrez vichy, sempre fará as coisas melhor do que você. Não há necessidade de gastar energia se esforçando mais. Cabe combater esses mitos nos inculcaram a ferro e fogo… para fazer o resto das cidadãs do planeta se sentir miserável:

1. As francesas criam seus filhos melhor do que você

Faz uma década que a França é o país europeu com a maior taxa de natalidade, ou, como a imprensa francesa gosta de alardear: “Os franceses são os melhores da Europa fazendo bebês” Allez les bleus! E isso, por quê?, perguntou recentemente Laura June na New York Magazine, que tentou buscar uma explicação e encontrou vários esclarecimentos. Baseado no livro Crianças Francesas Não Fazem Manha (Fontanar), o polêmico ensaio de uma norte-americana que viveu em Paris e há alguns anos provocou exasperação por defender crianças francesas felizes/tranquilas contra crianças mimadas/obesas nos EUA, June chega a várias conclusões: os americanos dão brinquedos demais aos filhos, os levam a um estado de estresse, não os alimentam bem e, consequentemente, os guris do outro lado do Atlântico não são tão calmos e dormem pior do que os franceses.

Tudo isso sem esquecer a ajuda institucional, o que pode parecer uma coisa de outro planeta para um habitante do país em que o ObamaCare foi visto por muitos como um apocalipse socialista: além da seguridade social, as mães francesas têm um complemento salarial (de 9,26 euros por dia até 83 euros); a licença-maternidade de 16 semanas pode chegar a 26 se a mulher já tiver outros filhos ou a 34 semanas em caso de gêmeos; e também existem ajudas para pagar a creche (que podem chegar a 80% do valor). “É claro que os filhos das francesas descansam melhor e não são tão gordos. O Governo as ajuda. Elas vivem num país que aceitou a realidade de que a maioria das pessoas tem filhos e continua trabalhando fora de casa”, diz a jornalista, que alguém deveria informar (urgentemente) sobre as maravilhas da educação (e da maternidade) finlandesa/escandinava.
Jane Birkin, despreocupada como boa ‘fille adoptive’, com seus filhos vestidos da mesma maneira numa foto de verão.
Jane Birkin, despreocupada como boa ‘fille adoptive’, com seus filhos vestidos da mesma maneira numa foto de verão.Cordon Press

2. As franceses não engordam

Outra bomba editorial que ajudou a minar a autoestima das mulheres do resto do mundo em 2005 foi Mulheres Francesas não Engordam (Companhia das Letras), em que a escritora Mireille Guiliano explicou os supostos segredos das francesas para terem uma aparência radiante apesar se incharem de beber vinho, comerem pão com manteiga e não terem medo de molhos: fugir das dietas ioiô, não comer entre as refeições e saber ouvir o próprio corpo. Nada de novo sob o sol, mas um autêntico sucesso de vendas no Reino Unido e nos EUA.

3. As francesas não envelhecem

Guiliano quis continuar a explorar sua galinha dos ovos de ouro e voltou à carga há poucos anos, quando publicou French Women don’t get Facelifts: The Secret of Aging with Style & Attitude [Mulheres Francesas não Fazem Facelifts : O Segredo do Envelhecimento com Estilo & Atitude], continuação de seu best-seller no qual basicamente acumulou clichês. Embora dissesse que as francesas são alérgicas aos esportes e as academias são apenas para os turistas dos hotéis (um pouco de yoga, isso sim, não faz mal), o segredo do envelhecimento com dignidade para além dos Pireneus se deve a uma cultura distante da cirurgia plástica, à boa alimentação e a uma relação com o próprio corpo muito mais saudável do que a das anglo-saxãs.

4. As francesas seduzem melhor do que você

Em 2012, a correspondente do New York Times em Paris, Elaine Sciolino, pôs o dedo na ferida quando publicou La Séduction [A Sedução], um ensaio em que defende por que o erotismo impregna todas as relações que se estabelecem no país, seja no guichê de um funcionário público, entrevistando o presidente da República, numa lavanderia pública ou no terraço de um café. “Trata-se de um vaivém entre os dois interlocutores, de um flerte na conversa que não serve apenas para se divertir. A sedução não é um jogo, mas uma batalha. Você tem que adivinhar quem é o seu inimigo e decidir como você quer derrotá-lo”. Não nos esqueçamos, é claro, que desse território saiu isto.

5. As francesas se vestem melhor do que você

Só para deixar você sabendo já foram encomendados muitos livros e guias publicados nos últimos anos. Primeiro foi Inès de la Fressange, que explodiu o mercado há alguns anos com La Parisienne (Flammarion) [A Parisiense], que fornece os mandamentos para conseguir o venerado chic sem esforço das mulheres na capital: fugir dos conjuntos, nada de ostentação, procurar pechinchas em feiras, não ter medo de roupas esportivas (estávamos na era pré-athleisure) e desconfiar do bom-gosto eram algumas das suas dicas (além de fazer da loja Merci um verdadeiro ponto de passagem de turistas/leitores ávidos para sentir a vida como aquela que foi musa de Lagerfeld).

A fotógrafa Frédérique Veysset (Vanity Fair, Allure, Grazia Italia ou Madame Figaro) e a jornalista Isabelle Thomas também se uniram para publicar Paris Street Style: A Guide to Effortless Chic (Abrams) [O Estilo de Rua de Paris: Um Guia para Ser Chique sem Fazer Força], onde outras recomendações para captar a allure francesa passavam por máximas como “as bailarinas são sempre chiques” ou “as lantejoulas e o strass fazem você parecer uma árvore de natal”. A mudança geracional em relação a De la Fressange chegou com a sempre despenteada, mas estilosa, Caroline de Maigret, nova embaixatriz oficial do chique francês. Com seu livro How to Be A Parisian Wherever You Are (Doubleday) [Como Ser Parisiense Onde Quer que Você Esteja] também faturou o seu com mantras como “Respire o ar limpo do mar, mas continue fumando”, “Nas férias, beba café com canudinho, mas sem sutiã”, ou “Coloque um sutiã preto sob uma blusa branca, como duas notas sobre um pentagrama”. Confidências mais irônicas, mas que continuam explorando sem cessar todos esses clichês com os quais temos nos alimentado desde os filmes de Godard.

6. As francesas se maquiam melhor (porque basicamente não se maquiam)

Afasta, Kim Kardashian, as francesinhas de tudo o que seja contouring e os 840 mil passos para aplicá-lo não têm a menor importância. Ou assim esclarece Violette, uma eminência francesa no que se refere à maquiagem e consultora da Dior: “A razão pela qual não fazemos contouring é porque para fazer isso você precisa de fixador, base, blush, iluminador… você precisa de muitos produtos. Nós, francesas, quase não usamos base de maquiagem. Não queremos que se veja que temos algo sobre a pele”. Isto explicaria também a aparente alergia social das francesas à tatuagem. A confirmação dessa ditadura do au naturel, tão característica delas, como estilo de vida.

*Por: Noelia Ramírez

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*Fonte: elpais