Adeus Paolo Rossi

Como já ficou por diversas vezes bem evidente aqui no blog, sou um torcedor fanático do tricolor gaúcho, o Grêmio. Mas por incrível que pareça, a minha maior tristeza de todos os tempos em termos de futebol, foi aquela fatídica derrota da seleção brasileira para a Itália, na Copa da Espanha, no estádio Sarriá, em 1982.

Me lembro até hoje desse jogo! A família reunida naquela tarde em frente a TV para assistir a esse grande e importante jogo de nossa seleção – diga-se “a melhor seleção de futebol do Brasil, que já vi jogar”). O jogo começa e logo as coisas não saem tão bem como o esperado ou imaginado, estamos atrás no placar, golkde Paolo Rossi. Empatamos em seguida com um gol de Sócrates. Agora vai! Mas um balde de água fria vem, outro gol de Paolo Rossi, seu segundo na partida. É um jogo duro e difícil, o que não se imaginava (se imaginava sim, que o grande rival dessa Copa seria enfrentar a Seleção da Alemanha…). Mas paciência, vamos virar, ainda havia tempo no relógio e esperança nos pés de nossos jogadores da canarinho. Ah! Tinha sim!

O jogo prossegue com esse placar adverso e assim mesmo o nosso time metendo pressão o tempo todo sobre o adversário, afinal era um festival de craques brazucas em campo – já disse, nunca me empolguei tanto com a nossa seleção como com a dessa Copa. Mas a tensão era grande mesmo assim. Aí o inusitado. Um pouco antes do intervalo do jogo, com o placar ainda no tenso 2×1 para a Itália acontece uma falta de energia elétrica na minha região. Putz!

Lembro de todo mundo na casa ficar tenso. Era um pensamento só…. vai voltar logo a luz! Vai voltar logo. quase rezando. Não era sequer possível perder de assistir a esse jogo. E a energia não voltava. Seguimos então acompanhando o jogo pelo rádio do meu pai. Vem o intervalo. Ufa! Temos mais 15 minutos para a tal energia então voltar. Vão arrumar essa falha. Meu pai liga para a casa do seu irmão, que ficava na outra ponta da cidade. Lembro dele sorridente avisando de que lá havia luz. Pimba, ele e meu irmão resolvem ir de carro até lá para continuarem assistindo ao jogo. Sei lá porque, resolvo ficar em casa com minha mãe, na esperança da energia voltar e poder continuar assistindo a partida. O tempo passa e nada.

O segundo tempo recomeça. E nada de voltar a luz. E eu grudado no som do rádio, que lembro bem, estava em cima da mesa da sala e eu deitado no tapete, ao chão. Não sei se as gerações atuais sabem o que é isso, mas escutar uma partida de futebol no rádio tem uma emoção muito mais intensa, qualquer lateral vira quase uma batida de pênalti. Foi muito tenso, acho que até fiquei um pouco traumatizado depois disso (rsrsrs), aliás, desde então foram poucas vezes em que escutei com calma e tranquilidade alguma partida de futebol pelo rádio. O jogo segue, a luz finalmente retorna, dá tempo de ver o golaço do Falcão – sem dúvida alguma, para mim essa é a imagem mais emblemática que tenho do futebol (não, não é a da Batalha dos Aflitos, nem a do título do Grêmio em Tóquio em 1983, ou alguma outra de campeão do meu time), é essa expressão dele correndo e comemorando depois de ter feito o gol. Felicidade total. Ufa! Agora ninguém mais nos segura, foi o que pensei. Depois desse aperto seremos campeões. Agora vai!

Só que não foi. O destino ainda nos reservava uma grande desilusão, mais um gol do Paolo Rossi. Fim de jogo e o placar fecha num amargo 3×2. Lembro de uma sensação de velório tomar conta do ambiente, das ruas, da minha cidade. O noticiário foi triste naquelka noite. O futebol perdeu a graça por alguns dias, depois disso. Tristeza geral. Chorei, não tinha como segurar. Eu mesmo criança já tinha noção de que era termos uma baita seleção em campo, que eliminada de uma forma inesperada. Mas isso faz parte, é coisa da história e da magia do futebol. Tantos sentiram os abro da derrota ou então da vitória antes, nesse esporte. Não era a primeira nem a última vez.

Duas grande lições eu tirei dessa partida. Uma delas foi a de que jamais senti ou sequer tive ódio de nosso carrasco, o Paolo Rossi. O cara meteu 3 buchas na gente, mas nunca o vi como um vilão. Foi sem dúvida um herói para a sua seleção e país, ganharam limpo, no jogo, em campo e na bola. Não podemos sequer reclamar. Parabéns! Grandes jogos são assim. Nem sempre se ganha.
E a segunda lição, foi a de que outro Paulo, só que esse, Roberto Falcão, ídolo do Internacional, o eterno time rival do meu, me fez vibrar como nunca com seu gol. enfim, coisas na vida que me marcaram e jamais irei me esquecer. Perdemos, é verdade, mas foi um grande momento e um inesquecível jogo. Depois dessa Copa, é verdade, poucas vezes me emocionei com a nossa seleção. Tenho muitos amigos amigos que falam com fervor sobre o título de 1994… pfffff. Ok. Estão perdoados, isso é só porque não viram ao vivo essa seleção de 1982 jogando.

Descanse em paz Paolo Rossi.
Sempre foi um jogador respeitoso para com o Brasil, mesmo com sua façanha daquele fatídico dia do embate no Estádio Sarriá, na Copa de 1982. Aliás, esses tempos assisti a um documentário sobre essa seleção de 1982 e o Rossi aparecia aqui no Brasil. E era muito bem tratado por todos com quem cruzava no caminho e vários solicitavam fazer um foto com o craque italiano. Me passou ser um sujeito muito simpático e acima de tudo, muito respeitoso com o nosso futebol.
Seria então ele um algóz, vilão, nosso carrasco? Nah! Longe disso. Apenas um atleta fazendo bem o seu serviço. Que nos sirva de lição.

 

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