“The Beatles: Get Back”: quem é fã vai amar, quem não é vai achar muito chato

A série “The Beatles: Get Back”, editada e remasterizada por Peter Jackson, o mesmo da trilogia “O Senhor dos Anéis“, a partir do 80 horas de filmagens originais realizadas pelo cineasta Michael Lindsay-Hogg, em janeiro de 1969, para o documentário “Let it be” (1970) é, de fato, magistral. Mas devagar com o andor que o santo é de barro.

É, de fato, incrível pra quem é fã da banda. Pra quem, assim como eu e outros tantos milhões mundo afora, convivem com essas canções quase que diariamente há mais de 50 anos, é o maior espetáculo da terra.

Confesso, no entanto, que, pra quem apenas gosta de uma ou outra canção, aqui e acolá, os três episódios de quase três horas cada são um tour de force. O que o espectador vê são horas e horas seguidas de discussões, brigas, piadas e ensaios, que começam com o rascunho das canções e levam séculos para se completarem, até elas se transformarem nas lindas obras que nos acostumamos.

De acordo com Jackson, graças à tecnologia moderna, ele conseguiu recuperar diálogos que Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr tentavam esconder aumentando o som das guitarras. O fio condutor de tudo, revela ele, através de conversas “que são muito pessoais e íntimas, que eles não faziam ideia de que, 50 anos depois, nós conseguiríamos apagar a guitarra e ouvir essas coisas”.

E, de fato, é verdade. Fica, porém, a pergunta no ar: a quem interessa tanto detalhe e intriga. A resposta está dada parágrafos acima, ou seja, aos fãs inveterados. Caro amigo leitor, se você gosta apenas de ouvir “Help”, “Let It Be” e “Yesterday” de vez em quando, fuja de “The Beatles: Get Back”, que você vai se entediar até o limite do insuportável.

Intimidade

Agora, se você é, de fato, fã e, principalmente, músico. Siga comigo. O documentário é capaz de te colocar em um nível de intimidade com os Beatles nunca antes visto. A cada episódio, se tem a impressão nítida de uma certa amizade com eles e muitos dos outros que participam, como as esposas e assistentes.

A chegada do pianista Billy Preston à cena é um dos momentos mais tocantes. O primeiro e único músico a ter os créditos em capas de álbuns da banda (é bom lembrar que até Eric Clapton já havia gravado a canção “While my guitar gently weeps”, de Harrison) vai visitar as sessões de gravações e acaba sendo convidado de surpresa. Assim que Preston dá os primeiros acordes, os Beatles reagem exultantes como crianças em parque de diversão. Um deles dispara: “chegou o cara”, e todos riem.

Outra boa revelação da série é o fato de quebrar o mito de que Yoko Ono, então esposa de Lennon, é a megera que separou a banda. Durante todo o tempo ela permanece quieta sem influenciar nas gravações e tem uma atitude extremamente respeitosa com todos.

No mais, é isso. Os fãs vão fazer jus ao nome da plataforma por demanda que bancou a série, a Disney Plus. Para quem gosta é, de fato uma Disneylândia. Já pra quem não liga tanto ou quase nada, “The Beatles: Get Back” pode ser uma tortura.

*Por Julinho Bittencourt
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*Fonte: revistaforum

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