Salamandras da Califórnia aprenderam a “cair de paraquedas”

Animais que vivem em copas de sequoias, conhecidas por serem as árvores mais altas do mundo, foram observadas por pesquisadores planando no ar; veja vídeo

Salamandras moradoras das copas das árvores mais altas do mundo — as sequoias da costa da Califórnia — desenvolveram habilidades impressionantes de “paraquedismo”. O dom inusitado das criaturas foi flagrado por pesquisadores em vídeo e relatado na revista Current Biology em 23 de maio.

De acordo com as gravações feitas pelos especialistas, os animais adquiriram um comportamento adaptado para planar e manobrar no ar. A habilidade, segundo a equipe, é um modo de se mover pelas árvores, evitando predadores terrestres. A capacidade permite até que as salamandras fiquem de cabeça para baixo — e sem perder a postura.

“Elas são capazes de manter aquela postura de paraquedismo e meio que bombear sua cauda para cima e para baixo para fazer manobras horizontais” descreve Christian Brown, primeiro autor do estudo sobre os anfíbios, em comunicado. “O nível de controle é simplesmente impressionante.”

Algumas salamandras Aneides vagrans, coletadas por biólogos em sequoias, passaram por uma simulação de queda livre dentro de um túnel de vento na Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos. As habilidades de “paraquedismo” delas foram comparadas com as de três outras espécies nativas do Norte da Califórnia.

A A. vagrans, que provavelmente passa toda a vida em uma única árvore, se mostrou como a paraquedista mais habilidosa. A A. lugubris, que vive em árvores mais baixas, como carvalhos, foi quase tão eficaz em “paraquedismo” e planagem quanto a espécie anterior. Veja no vídeo as salamandras realizando os saltos:

Por outro lado, salamandras menos arborícolas, como a moradora do chão da floresta, Ensatina eschscholtzii, e a criatura da espécie A. flavipunctatus, que ocasionalmente sobe em árvores, foram ineficazes ao se debaterem no túnel de vento, conseguindo ficar nele somente por poucos segundos.

Todas as salamandras foram filmadas com uma a câmera de vídeo a 400 quadros por segundo. As que realizaram paraquedismo reduziram sua velocidade de queda livre em cerca de 10%. Os anfíbios normalmente caíam em um ângulo acentuado, apenas 5 graus da vertical, o que era suficiente para poderem alcançar um galho ou tronco antes de atingirem o solo.

O comportamento impressionou Robert Dudley, especialista em voo animal, que participou do estudo. Segundo ele, o fenômeno é algo enraizado na resposta motora das salamandras e deve ocorrer em frequências razoavelmente altas para afetar a seleção de tal habilidade. “E não é apenas um paraquedismo passivo, elas não estão apenas saltando de paraquedas. Também estão claramente fazendo o movimento lateral, que é o que chamaríamos de planar”, destaca.

Os pesquisadores ainda querem descobrir em pesquisas futuras se existem muitos outros animais com dons semelhantes e saber como é possível que as salamandras consigam saltar mesmo sem terem adaptações anatômicas óbvias para planar.

A divulgação das habilidades extraordinárias das criaturas pode também contribuir para salvar as sequoias, visto que as árvores estão ameaçadas pela extração de madeira. “Talvez isso ajude não apenas os esforços de conservação de sequoias, mas também a restauração das sequoias, para que possamos realmente ter ecossistemas de copa de árvores”, afirma Brown.

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*Fonte: revistagalileu

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