Por que Bowie criou Ziggy Stardust? (em desenho animado)

The rise and fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, álbum que foi o primeiro sucesso de verdade de David Bowie, chega aos 50 anos na semana que vem, dia 16 de junho. A história do popstar de outro planeta que vem à Terra trazer uma mensagem aos seus fãs e impedir o apocalipse, completa cinco décadas com direito a documentário sobre o cantor previsto para setembro deste ano, Moonage daydream, de Brett Morgen. E deve render mais e mais homenagens ao cara que viu o futuro, numa época tão conturbada em termos políticos, sociais e ecológicos (sobre isso, vale ler este artigo, em inglês, fazendo comparações entre a chegada de Ziggy Stardust e a primeira cúpula climática da ONU, ambos acontecimentos de junho de 1972).

O personagem criado por Bowie, cuja gênese já ganhou um podcast nosso, representou a virada na carreira dele. Mais do que um alterego que mudou a visão que o público tinha dele, foi o personagem que de fato angariou um público real para Bowie – o fãs conquistados com o hit Space oddity (do segundo álbum David Bowie, de 1969) eram uma turma, os poucos que se animaram a ouvir o disco The man who sold the world (1970) eram uma galera diferente, e o quarto LP, Hunky dory (1971), ainda não havia chegado a uma galera tão numerosa.

Em 17 de abril de 1988, o jornalista Joe Smith bateu um papo com Bowie, e um dos assuntos, por acaso, foi o personagem que tirou o cantor do dia a dia de artista que fazia shows para plateias pequenas e vendia poucos discos, para o universo de popstar que encarava multidões e recorria a truques no palco. Em poucos meses após sair o disco, Bowie estaria longe de ser a estrela mal compreendida de músicas como Life on mars? (de 1971, mas que só viraria hit em 1973), e se tornaria o cara que esfregava a verdade daqueles apocalípticos anos 1970 na cara de uma juventude que, antes de tudo, se sentia muito só – sem ídolos, sem ideologia, com vários pré-punks desenturmados.

“Eu nunca me senti como um cantor de rock, ou uma estrela do rock, ou qualquer outra coisa”, Bowie diz a Smith. “Sempre me senti um pouco fora do meu elemento, que é uma maneira ridiculamente arrogante de olhar para isso. Agora, do meu ponto de vista, quando olho para trás, percebo que de 1972 a 1976, eu era a estrela do rock definitiva. Eu não poderia ter sido mais estrela do rock”.

E essa longa introdução é só para avisar que o canal de vídeos Blank On Blank fez uma versão desenho animado da entrevista de Joe Smith com Bowie. O cantor descreve Ziggy como “metade ficção científica, metade teatro japonês” e se recorda que precisou acabar com o personagem antes que não se sentisse capaz de escrever mais nada para ele “ou para o mundo que eu quis criar para ele”.

*Por Ricardo Schott
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*Fonte: popfantasma

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