Polêmico livro sobre o rock gaúcho é lançado no Brasil

Em fevereiro de 2021, ou seja, há mais de um ano e meio de sua publicação (prevista para outubro de 2022), o livro “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho” ganhou as páginas do jornal Zero Hora, o maior em circulação no Sul do Brasil. Em sua capa, a exclamativa manchete: “Livros sobre cem grandes discos do rock gaúcho levanta discussões antes de ser lançado”. O assunto, que tomou de assalto as redes sociais tornou-se um dos mais comentados e, de quebra, sacudiu a cena do rock e da música jovem no Estado, por conta dos resultados que elegeram, por meio de uma curadoria formada por cem pessoas, os álbuns resenhados na obra.

O jornalista Alexandre Lucchese, que assinou a matéria em Zero Hora, ainda escreveu: “O rock gaúcho passa por uma fase de agitação e agressividade. E não estamos falando de andamentos rápidos e guitarras cortantes, mas de uma contenda armada longe dos palcos. Nas redes sociais, o projeto “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho” tem sido aclamado e criticado ao tentar sedimentar uma lista com destaques incontornáveis da música jovem destas pradarias. A curadoria, no entanto, tem sido questionada com a mesma paixão que torcedores palpitam sobre a escalação de seu time na véspera de final”. Os resultados despertaram sentimentos os mais diversos em artistas e bandas que não se viram na lista. Alguns dos músicos que ficaram de fora não levaram na esportiva, sugerindo, inclusive, que os livros fossem queimados em praça pública, à la “Fahrenheit 451”, obra clássica de Ray Bradbury.

O projeto é uma iniciativa do designer do jornalista Cristiano Bastos, biógrafo de Júlio Reny, Flávio Basso e Nelson Gonçalves e também um dos autores do livro “Gauleses Irredutíveis – Causos e Atitudes do Rock Gaúcho” e do designer gráfico Rafael Cony, que trabalhou com bandas e artistas como Garotos da Rua, Bebeto Alves e Ratos de Porão. O livro “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho”, lançamento da editora Nova Carne Livros, é uma obra que apresenta, por meio de resenhas, fotos e ilustrações, fatos e curiosidades sobre 100 discos de rock e suas vertentes, lançados durante os últimos 50 anos no Rio Grande do Sul. Possui também, como um de seus objetivos, iniciar um processo de documentação literária de preservação da memória musical do Estado, sendo o ponto de partida para coleção de registros em livro de parte da história fonográfica do RS.

Muita gente também criticou o fato de algumas bandas e artistas, a princípio, terem aparecido repetidamente enquanto outras não eram citadas. A crítica foi aceita pelos criadores, que restringiram a participação a um álbum por grupo ou cantor. A ação abriu espaço para 27 novos discos. Cada álbum citado também conta com uma seção “Ouça também”, além de vários capítulos especiais. Maiores detalhes de como se deu o processo tanto da concepção quanto do pleito e também da realização do trabalho, o autor, Cristiano Bastos, explica em trecho cedido com exclusividade.

Ao final, também exclusivo, um trecho do texto assinado pelo guitarrista Luiz Carlini, que conta a respeito de seu amor e intimidade com o rock gaúcho. E, ainda, informações sobre como adquirir a obra (ainda com um preço mais barato), que tem tiragem limitada (mil exemplares), da qual a maior parte já foi vendida durante a campanha de financiamento.

Introdução do livro
As primeiras palavras escritas para este livro deram-se numa despojada postagem de Facebook. Num domingo de maio de 2020, quando então vivia-se os primeiros dias do isolamento social imposto pela pandemia de coronavírus, a intenção de se fazer uma obra de jornalismo e artes gráficas sobre “100 Grandes Álbuns” de rock gaúcho foi anunciada. Pode-se dizer, sem medo de errar, que o conceito do livro que agora vocês têm em mãos, estimadas leitoras e leitores, nasceu pronto. A ideia primordial (que consistiria, a princípio, em um compilado de resenhas de discos), porém, acabou evoluindo naturalmente com a progressão do trabalho. Na verdade, um processo que só foi dado como encerrado no instante em que se precisou pôr o derradeiro ponto final. Assim, a concepção de 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, sem nunca desvirtuar-se da centelha que lhe deu origem, foi aperfeiçoada e a publicação tomou sua forma final.

Inicialmente, mas não por muito tempo, chegamos a cogitar a possibilidade de nós mesmos, idealizadores do livro, realizarmos a escolha dos álbuns. Fatalmente, isso incorreria numa seleção fundamentada, sobretudo, em critérios pessoais. Ou seja, além de pouco justa e nada democrática, em tal opção teríamos, além de tudo, pecado pela parcialidade. Ainda mais, levando-se em consideração a prolífica produção fonográfica relativa à música jovem no Rio Grande do Sul (que, aliás, não para de crescer).

Para buscar a equidade, decidimos por selecionar um grupo de curadores, os quais participaram de um grande pleito e cujo resultado consagrou os cem grandes álbuns que dão nome ao livro. Ressaltando, antes, que se decidiu pela nomenclatura “grandes”, em vez de “melhores”, já no primeiro dia do projeto. O objetivo foi justamente evitar um juízo de valor em relação às obras, o que teria ocorrido, caso escolhêssemos a enunciação “melhores”.

Embora os títulos resenhados em 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho tenham obtido número de votos, para nós importou apenas o coeficiente que os possibilitou figurar nesta lista. Temos plena consciência de que, não importando se grandes ou melhores, há muito mais do que uma centena de discos que poderiam ser destacados nas páginas dessa publicação.

Quanto aos resultados, cuja divulgação terminou por gerar acaloradas discussões (saudáveis, em sua grande maioria), durante o carnaval de 2021, nunca questionamos as escolhas do corpo de curadores. Uma vez sacramentada a lista, concentramos nosso trabalho, que compreendeu, além de encontrar fontes bibliográficas confiáveis, na apuração de detalhadas informações sobre os álbuns junto aos autores.

Em relação aos procedimentos do pleito, no sentido de auxiliar nas escolhas, disponibilizamos aos curadores um panorama do universo discográfico da música jovem no Rio Grande do Sul. Assim, antes de enviarmos as “cédulas” de votação, empreendemos uma ampla pesquisa com o objetivo de recolher, em todas as épocas, a maior quantidade possível de títulos lançados por bandas e artistas gaúchos. O levantamento resultou num apanhado de cerca de 800 discos, os quais – mais de uma vez foi reiterado à curadoria – serviam apenas ao intuito de lhes “refrescar a memória”. Ou seja, as escolhas dos mesmos, se assim desejassem, poderiam se basear tanto nos títulos elencados por nós quanto naqueles que, porventura, não estivessem entre o montante inventariado pelos idealizadores.

Com a divulgação dos resultados, das redes sociais vieram críticas a respeito da ínfima presença de títulos referentes a grupos em início de carreira ou que ganharam lançamento nos últimos anos. Uma constatação indiscutivelmente legítima, que corroborou, ainda mais, na proposta da seção “Ouça Também”, prevista para complementar cada um dos cem álbuns resenhados, citando três outros como sugestão de audição. Da mesma forma que entendemos o clamor pela presença de bandas e artistas contemporâneos, também constatamos a necessidade de se contemplar, de alguma forma, a produção discográfica vicejada na Grande Porto Alegre e também no interior.

Em consequência disso, tendo como propósito deixar mais participativo o processo de seleção, instituímos, com ampla divulgação, uma campanha para que bandas e artistas enviassem releases, músicas e links para que pudéssemos conhecer seus trabalhos. Infelizmente, menos de dez atenderam ao pedido, o que fez com que os autores se jogassem numa gratificante cruzada de pesquisa e curadoria, que acabou por expandir o panorama fonográfico contemplado no livro, antes restringido aos discos eleitos, para um total de 400 títulos.

Editorialmente, outra significativa mudança, ocorrida quando 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho encontrava-se em avançado processo de redação e editoração, se deu em relação aos boxes com textos que complementam as resenhas sobre os discos principais, em suas respectivas páginas. Faltando pouco mais de um mês para o prazo estabelecido – após terem sido redigidos todos os textos, os quais detinham-se em curiosidades (no jargão jornalístico, o fait divers, ou seja, variedades) –, nos demos conta a tempo de que, dada a natureza específica dessa obra, nas informações contidas nos boxes também deveriam sobressair outros títulos do mesmo artista. Com esse reajuste editorial, a conta saltou de 400 para 600 títulos.

Por sua vez, com os capítulos especiais (enquadrando a produção de compactos, EPs, coletâneas, discos coletivos, ao vivo e, ainda, fitas cassete), pensados logo no início do projeto, tal horizonte multiplicou-se. Ao longo do trabalho, também decidimos pela criação de dois inclusivos capítulos: um sobre a produção fonográfica de mulheres e outro sobre música negra, assinados, respectivamente, pela jornalista Bruna Paulin e pelo músico Edu Meirelles. De última hora, com o livro já bem encaminhado, concluímos que seria pertinente a criação, ainda, de dois outros capítulos, os quais desdobraram o temário “rock gaúcho” em livros e filmes (o primeiro coligindo uma bibliografia selecionada, e o outro, com a assinatura de Carlinhos Carneiro, elencando obras audiovisuais relativas a videoclipes, filmes e documentários). A inclusão desses dois novos itens foi uma decisão natural, uma vez que muitos dos discos retratados em 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, e a mítica envolvendo suas produções, também aparecem em obras literárias, filmes e documentários. Ocupando quatro páginas do livro, cada capítulo resenha 17 títulos (somando, assim, outras 153 obras) que põem em destaque um conjunto de produções notoriamente importantes.

Por fim, somando-se a tudo isso, o capítulo intitulado “Hors-Concours”, cuja decisão dos autores em criá-lo deu-se logo após o processo eletivo dos “100 Grandes”. Os textos presentes em Hors-Concours discorrem sobre obras discográficas de três nomes (Conjunto Farroupilha, Elis Regina e Conjunto Melódico Norberto Baldauf), que foram de fundamental relevância quanto à propagação e popularização, para o Brasil e para o mundo, da música jovem florescida no Rio Grande do Sul. São colaborações assinadas, respectivamente, pelos jornalistas Zeca Azevedo (que também prefacia o livro), Ariel Fagundes e Marcello Campos.

O livro conta, ainda, com três textos-tributo. O primeiro, escrito pela produtora cultural Joana Alencastro, lembra a trajetória de Lory Finocchiaro e o segundo, assinado pelo jornalista Cristiano Bastos, de Luis Vagner. Ambos os compositores são os homenageados desta obra. No terceiro texto, Carlos Gerbase, baterista da banda Os Replicantes, revive antigas e divertidas memórias sobre o produtor Carlos Eduardo Miranda. Os leitores também são coroados com a deferência de Luiz Carlini, um dos fundadores do Tutti Frutti, que partilha conosco sua relação íntima de amizade e afeição pelo rock’n’roll gaudério.

Quase na reta final da empreitada, os autores entenderam que ainda havia a necessidade de incluir textos que propusessem uma reflexão mais robusta sobre temas cujas as abordagens vinham sendo pensadas e debatidas ao longo de todo o processo editorial. No primeiro deles, logo nas páginas iniciais, o jornalista e pesquisador musical Fernando Rosa divide com os leitores preciosos detalhes de sua vivência com o rock do Rio Grande do Sul, desde os anos 60. Intitulado “Esse tal de rock gaúcho”, o texto assinado por Rosa, citando nomes conhecidos e relembrando outros nem tanto, porém essenciais, percorre uma longa trajetória temporal que desemboca nos dias atuais.

Por fim, nas páginas derradeiras, o músico e compositor Marcelo Birck comete o segundo texto de fôlego, em que tece considerações acerca da importância dos fanzines para a consolidação do conceito de “rock gaúcho”, nos anos 80 e 90. Entre outros pontos, Birck analisa a frequência com que o rock feito em Porto Alegre, e seus “estranhamentos”, ganhava destaque em tais publicações.

Inicialmente prometido para novembro de 2021 (e aqui cabe um pedido de desculpas dirigido a quem adquiriu seus exemplares pelo financiamento coletivo), 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho terminou sofrendo o atraso de alguns meses. A todos que, em razão da demora, nos procuraram querendo saber notícias a respeito do lançamento, argumentamos, em tais ocasiões, que “um livro não se faz a ‘toque de caixa’”. Embora um prazo tenha sido estabelecido, a verdade é que, dado o ineditismo do projeto, não sabíamos, na verdade, a real dimensão que tal esforço demandaria em sua realização.

Nesses dois intensos anos de labor, parte importante do trabalho consistiu na apuração de informações (processo jornalístico, por vezes difícil, devido às escassas e muitas vezes pouco confiáveis fontes de pesquisa documental disponíveis) e também em entrevistas realizadas com mais de uma centena de artistas. Depois de tudo, a mais extenuante das etapas: a checagem das informações. E, a despeito disso, no caso de certos discos foram inúmeras as vezes em que as informações constantes em seu respectivo texto tiveram de ser revistas, seja pelos autores ou pelos artistas. Durante a elaboração, inúmeras também foram as remodelações gráficas até que se chegasse à obra que agora, prezadas leitoras e leitores, enfim vocês poderão degustar. Sem contar, ainda, nesse tão minucioso quanto cuidadoso trabalho, o primordial processo de digitalização e restauro ao qual foram submetidas as capas, contracapas e selos dos discos que serviram de matriz para ilustrar as páginas do livro.

Nessa exploração guiada pelos meandros da produção fonográfica do Rio Grande do Sul, a bordo de 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, aproveitamos para agradecer a todos que, de uma forma ou outra, nos ajudaram a tornar isso possível. Curtam a leitura e as audições, tanto quanto nós curtimos o desafio e, sobretudo, a aventura que foi escrever esse livro.

Que venham muitos outros.

Trecho do livro
Nas páginas finais do livro 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, o guitarrista paulistano Luiz Carlini (integrante da banda Tutti Frutti) escreveu sobre sua relação com o rock do Rio Grande do Sul, o impacto causado pelos cabeludos do Liverpool Sound e a importância da música jovem do estado.

Meu primeiro contato com aquilo que, na década seguinte, ganharia o nome de “rock gaúcho”, foi no início dos anos 70, ainda moleque, ou “piá”, como dizem no Sul. Certa noite, em 1971, eu estava ligado na TV, ainda em preto e branco, para ver os Mutantes no “Som Livre Exportação”. Exibido pela Rede Globo, o televisivo era conduzido por Elis Regina e Ivans Lins. Naquela noite, o Som Livre Exportação foi apresentado de Porto Alegre. Lá pelas tantas, se apresentou no programa uma banda local, chamada Liverpool Sound. Uns cabeludos tocando um puta rock’n’roll. Eu era louco, fissurado por rock, e pensei: “Que porra é essa!”. Ali, naquele momento, fui arrebatado. “Entrei na raia e comecei a dançar esse rock’n’roll, xará”. Não tenho dúvidas de que fui o primeiro fã paulista do Liverpool.

Depois que a Rita Lee saiu dos Mutantes, montei o Tutti Frutti para acompanhá-la. Entre 73 e 78, lançamos cinco álbuns e viajamos por todo o Brasil. Meus primeiros shows em Porto Alegre foram em 74, numa breve temporada, de três ou quatro noites, no Teatro Leopoldina, quando lançamos o LP Atrás do Porto Tem Uma Cidade. No ano seguinte, na turnê Fruto Proibido, voltamos para um show no Gigantinho. Quando fui passar o som, percebi que meu amplificador, um Marshall valvulado, havia queimado. Naqueles dias, os equipamentos viajavam de uma cidade para outra de caminhão, aos solavancos. Alguém falou de um guitarrista que tinha um Marshall e fomos na casa dele, buscar o amplificador. Só em Porto Alegre, mesmo, para alguém ter um Marshall naquela época. Quanto mais, emprestá-lo.

A partir dos anos 80, comecei a ir com mais frequência para o Rio Grande do Sul. Toquei com o Erasmo Carlos e com o Guilherme Arantes em shows memoráveis no Araújo Vianna e também em diversos clubes e cidades do interior. Quando acompanhei Neusinha Brizola, no Rio de Janeiro, conheci o Joe Euthanázia. Também no Rio, conheci o Humberto Gessinger. Estávamos no mesmo hotel. Ele me deu uma cópia do primeiro LP dos Engenheiros do Hawaii e ficamos um bom tempo conversando sobre guitarras. Os Garotos da Rua também estavam em alta, aparecendo nos principais programas de TV, como o Cassino do Chacrinha. Uma maré fortíssima vindo do Sul. Nesses dias, também fui sondado para produzir o primeiro álbum dos Cascavelletes, o que não aconteceu. Porém, fiquei amigo do Nei Van Soria e assisti alguns shows de sua banda.

A cultura gaúcha tem raízes muito fortes. Existem CTGs espalhados pelo mundo. Nomes como Teixeirinha, Gaúcho da Fronteira e Conjunto Farroupilha são reconhecidos tanto nacional quanto internacionalmente. Minha aproximação com o rock gaúcho também tem a ver com o som e com as letras. Uma sonoridade que se identifica com o “veneno do rock de São Paulo”. Um rock’n’roll que fala a minha língua. Depois de São Paulo, do bairro da Pompéia e dos palcos, o Rio Grande do Sul e Porto Alegre são minha segunda casa. Me considero o guitarrista paulistano mais gaúcho que existe.

100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho

• 300 páginas coloridas, em papel couchê;
• Formato 30x25cm;
• Capa dura;
• 100 discos resenhados;
• Capítulos especiais (compactos, discos ao vivo, fitas cassete, EPs, coletâneas e álbuns coletivos, música negra, mulheres na música, livros e filmes sobre rock gaúcho);
• Quase mil obras citadas, com informações e capas;
• Garanta seu exemplar diretamente com os autores: Cristiano Bastos: whatsapp 51 982986277; Rafael Cony: whatsapp 51 999196952
• Valor: R$ 250, com frete incluído para todo Brasil.
• Previsão de lançamento: 24 de outubro

*Por Luiz Pimentel
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*Fonte: terra

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