O ser humano é o único animal que gosta de pimenta. O que explica essa atração pelo ‘perigo’?

Enquanto a absoluta maioria dos animais assimila o sabor picante de uma pimenta como ameaça, sinalizando que aquela planta não deve ser consumida, uma única espécie é atraída pela intensidade extrema desse sabor: o ser humano. Sim, somos o único animal que gosta de pimenta (se você não se enquadra, tá tudo bem). Essa história de amor entre nossas papilas gustativas e a picância remonta à América Central de 6 mil anos atrás, quando os primeiros indícios de domesticação de pimenta foram descobertos, mas permanece apaixonada até hoje – e por todo o mundo.

Nenhum outro animal sente prazer ou consumir pimenta – e todos os outros identificam como perigo

Da América Central, o amor pelas pimentas foi exportado para a Europa e o resto do planeta principalmente a partir do século 16, e desde então o consumo de alimentos picantes só aumentou, como também aumentou a intensidade das pimentas produzidas.

Atualmente, existem cinco espécies domesticadas, das quais são produzidas mais de três milhões de toneladas da especiaria por ano: das plantas Capsicum annuum, C. chinense, C. frutescens, C. baccatum e C. pubescens nasce a produção que forma um mercado global de mais de 4 bilhões de dólares.

Diversos tipos de pimenta com intensidades variadas produzidas e consumidas pelo ser humano

O segredo por trás do sabor picante está em um componente químico chamado capsaicina, que estimula receptores da boca chamados TRPV1, responsáveis por detectar o calor e, supostamente, evitar que consumamos alimentos que “queimem”. Essa sensação de quentura sugerida pela capsaicina, porém, é pura ilusão: não há, de fato, nada queimando nossa boca. Vale dizer que pássaros também consomem pimenta, mas não possuem a capacidade fisiológica de sentir o calor do sabor.

Se a intensidade do sabor representa essencialmente perigo, por que, afinal, gostamos tanto de pimentas? Muito se especula em busca dessa resposta, sem que uma conclusão absoluta tenha sido alcançada: alguns especialistas sugerem que a explicação está no fato da capsaicina trazer benefícios à nossa saúde, atacando fungos e parasitas, reduzindo a pressão arterial e com propriedades antimicrobianas.

Para psicólogos, porém, a explicação estaria em certo masoquismo atávico à existência humana. Da mesma forma que gostamos da sensação causada por um passeio em uma montanha-russa, comemos pimentas para desafiar o medo, e provar que somos capazes de controlar os impulsos e temores de nosso próprio corpo.

O masoquismo e a busca por controle podem estar por trás do prazer em consumir pimentas
A busca por controle do ser humano podem explicar o prazer em consumir pimentas

*Por Vitor Paiva
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*Fonte: hypeness

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