Os celulares espiam e transmitem nossas conversas, mesmo desligados

Richard Stallman é uma lenda: criou o primeiro sistema operacional aberto e impulsionou o ‘copyleft’. Acha que os telefones inteligentes nos fizeram regredir dez anos em termos de privacidade.

Ele nos encontra no apartamento de amigos em Madri. O pai do software livre é um viajante empedernido: difunde os princípios de seu movimento onde o chamam. Dias antes da entrevista, Richard Stallman (Nova York, 1953) participou do Fórum da Cultura de Burgos e retomará sua turnê europeia após dar uma conferência em Valencia. Ele nos recebe com sua característica cabeleira despenteada e com uma de suas brincadeiras de praxe: “Té quiero”, diz em seu espanhol fluente com sotaque gringo, lançando um olhar a sua fumegante xícara de chá quando detecta uma cara de desconcerto no interlocutor. “Ahora té quiero más”, nos dirá quando for buscar mais bebida. (A brincadeira é um jogo de palavras entre a expressão ‘Te quiero’ – te amo em espanhol – e a palavra Té – chá).

Seu peculiar senso de humor, que cultiva nos seis ou sete idiomas que domina, traz muita naturalidade ao encontro. Parece como se ele mesmo quisesse descer do pedestal em que a comunidade de programadores o colocou. Para esse coletivo, é uma lenda viva. Stallman é o pai do projeto GNU, em que está o primeiro sistema operacional livre, que surgiu em 1983. Desde os anos noventa funciona com outro componente, o Kernel Linux, de modo que foi rebatizado como GNU-Linux. “Muitos, erroneamente, chamam o sistema somente de Linux…”, se queixa Stallman. Sua rivalidade com o finlandês Linus Torvalds, fundador do Linus, é conhecida: o acusa de ter levado o mérito de sua criação conjunta, nada mais nada menos do que um sistema operacional muito competitivo cujo código fluente pode ser utilizado, modificado e redistribuído livremente por qualquer pessoa e cujo desenvolvimento teve a contribuição de milhares de programadores de todo o mundo.

A verdade é que o revolucionário movimento do software livre foi iniciado por Stallman. O programador, que estudou Física em Harvard e se doutorou no MIT, bem cedo foi apanhado pela cultura hacker, cujo desenvolvimento coincidiu com seus anos de juventude. O software livre e o conceito de copyleft (em contraposição ao copyright) também não seriam os mesmo sem esse senhor risonho de visual hippie.

Ataque à privacidade

Seu semblante muda à mais severa seriedade quando fala de como o software privado, o que não é livre, se choca com os direitos das pessoas. Esse assunto, a falta absoluta de privacidade na era digital, o deixa obcecado. Não tem celular, aceita que tiremos fotos somente depois de prometer a ele que não iremos colocá-las no Facebook e afirma que sempre paga em dinheiro. “Não gosto que rastreiem meus movimentos”, frisa. “A China é o exemplo mais visível de controle tecnológico, mas não o único. No Reino Unido, há mais de dez anos acompanham os movimentos dos carros com câmeras que reconhecem as placas. Isso é horrível, tirânico!”.

O software livre é sua contribuição como programador à luta pela integridade das pessoas. “Ou os usuários têm o controle do programa, ou o programa tem o controle dos usuários. O programa se transforma em um instrumento de dominação”, afirma.

Ele se deu conta dessa dicotomia quando a informática ainda estava engatinhando. “Em 1983 decidi que queria poder usar computadores em liberdade, mas era impossível porque todos os sistemas operacionais da época eram privados. Como mudar isso? Só me restou uma solução: escrever um sistema operacional alternativo e torná-lo livre”. Foi assim que começou o GNU. Mais de três décadas depois, a Free Software Foundation, que ele mesmo fundou, tem dezenas de milhares de programas livres em catálogo.

“Conseguimos liberar computadores pessoais, servidores, supercomputadores…, mas não podemos liberar completamente a informática dos celulares: a maioria dos modelos não permite a instalação de um sistema livre. E isso é muito triste, é uma clara mudança para pior nos últimos dez anos”, diz Stallman.

“Os celulares são o sonho de Stalin, porque emitem a cada dois ou três minutos um sinal de localização para seguir os movimentos do telefone”, diz. O motivo de incluir essa função, afirma, foi inocente: era necessário para dirigir ligações e chamadas aos dispositivos. Mas tem o efeito perverso de que também permite o acompanhamento dos movimentos do portador. “E, ainda pior, um dos processadores dos telefones tem uma porta traseira universal. Ou seja, podem enviar mudanças de software à distância, mesmo que no outro processador você use somente programas de software livre. Um dos usos principais é transformá-los em dispositivos de escuta, que não desligam nunca porque os celulares não têm interruptor”, afirma.

Nos deixamos observar

Os celulares são somente uma parte do esquema. Stallman se preocupa pelo fato de os aparelhos conectados enviarem às empresas privadas cada vez mais dados sobre nós. “Criam históricos de navegação, de comunicação… Existe até um aplicativo sexual que se comunica com outros usuários através da Internet. Isso serve para espiar e criar históricos, claro. Porque além disso tem um termômetro. O que um termômetro dá a quem tem o aplicativo? Para ele, nada; para o fabricante, saber quando está em contato com um corpo humano. Essas coisas são intoleráveis”, se queixa.

Os grandes produtores de aparelhos eletrônicos não só apostam maciçamente no software privativo: alguns estão começando a evitar frontalmente o software livre. “A Apple acabou de começar a fabricar computadores que barram a instalação do sistema GNU-Linux. Não sabemos por que, mas estão fazendo. Hoje em dia, a Apple é mais injusta do que a Microsoft. As duas são, mas a Apple leva o troféu”, afirma.

O Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) europeu é uma resposta acertada a essa situação? “É um passo no caminho certo, mas não é suficiente. Parece muito fácil justificar o acúmulo de dados. Os limites deveriam ser bem rígidos. Se é possível transportar passageiros sem identificá-los, como fazem os táxis, então deveria ser ilegal identificá-los, como faz o Uber. Outra falha do RGPD é que não se aplica aos sistemas de segurança. O que precisamos é nos proteger das práticas tirânicas do Estado, que coloca muitos sistemas de monitoramento das pessoas”.

O escândalo do Facebook e a Cambridge Analytica não o surpreendeu. “Sempre disse que o Facebook e seus dois tentáculos, o Instagram e o WhatsApp, são um monstro de seguir as pessoas. O Facebook não tem usuário, tem usados. É preciso fugir deles”, finaliza.

Não podemos aceitar, diz Stallman, que outros tenham informações sensíveis sobre como vivemos nossa vida. “Existem dados que devem ser compartilhados: por exemplo, onde você mora e quem paga a luz de um apartamento para resolver os pagamentos. Mas ninguém precisa saber o que você faz no seu dia a dia. Muito menos os produtos que você compra, desde que sejam legais. Os dados realmente perigosos são quem vai aonde, quem se comunica com quem e o que cada um faz durante o dia”, frisa. “Se os fornecermos, eles terão tudo”.

*Por Manuel G. Pascual

 

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*Fonte: elpais

Entenda como são feitas as piscinas biológicas que substituem cloro por plantas

Nada melhor do que mergulhar em uma piscina em um dia de calor, não é mesmo? Nem sempre. A quantidade de agentes químicos e cloro na água pode estragar toda a empolgação de um banho refrescante. Essas substâncias são usadas para eliminar as bactérias e fungos, mas podem ser substituídas por plantas aquáticas.

Trata-se de um sistema de filtragem que utiliza micro-organismos e plantas. Para isso, as chamadas piscinas biológicas são divididas em duas partes: área de natação e área de plantas. A divisão é importante, principalmente, para o banhista não mergulhar entre as plantas, que podem conter insetos e girinos.

As plantas são responsáveis por produzirem biomassa, através da fotossíntese, que será consumida pelos micro-organismos. Estes, por sua vez, transformam a matéria orgânica em substâncias inorgânicas (dióxido de carbono, água e sais minerais – nitratos, fosfatos, sulfatos, entre outros) – que são necessárias para o crescimento das plantas e, consequentemente, forma um ciclo de trocas de matéria e energia.

É preciso escavar o terreno (de pelo menos 10×15 metros) onde será instalada e utilizar uma tela impermeável para protegê-la. Essa tela ficará invisível após o término da construção e o aspecto será muito semelhante a um lago artificial.

As plantas utilizadas neste tipo de instalação são criadas em viveiros por empresas especializadas. As espécies vão purificar a água sempre que liberarem oxigênio, o que ocorre durante o processo de fotossíntese.

O custo inicial é um pouco elevado. Em compensação, o investimento para mantê-la é reduzido e o consumidor terá um ambiente totalmente natural e saudável, que não requer o uso de químicos ou cloro.

Ela também não requer equipamentos elétricos, portanto não existem custos energéticos. Do ponto de vista arquitetônico, as piscinas biológicas ainda têm a vantagem de se integrarem melhor à paisagem.

A empresa Organic Pools desenvolveu um tutorial com o passo a passo para a construção de uma piscina. É possível comprar ou alugar o tutorial em vídeo. Confira abaixo o trailer:

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*Fonte: ciclovivo

12 mentiras da história que engolimos sem chiar

Imaginação e a épica maquiaram alguns dos episódios mais famosos. Falamos com historiadores e especialistas que desmentem essas tergiversações

O poder de persuasão de Hollywood, rumores que com o passar dos anos foram tomados por verdades absolutas e manipulações históricas com interesses políticos e econômicos fizeram com que muitos episódios da trajetória do ser humano tenham passado à história de maneira distorcida. A imaginação e a épica maquiaram alguns episódios da história ao longo dos anos e nós acreditamos naquilo que ao longo de nossa vida nos ensinaram os livros de texto, as obras de arte e o cinema, sem questionar. Falamos com historiadores e especialistas que nos ajudaram a desmentir doze dessas tergiversações.

Não, Walt Disney não está congelado

O que nos contaram. Que Walt Disney (1901-1966, EUA), criador do rato mais famoso do mundo e de um império de entretenimento infantil, está há 52 anos congelado como um filé de peixe esperando a chegada do momento em que os avanços científicos permitirão devolvê-lo à vida.

O que realmente aconteceu. “A única verdade é que esse homem se transformou em pó, literalmente. Em 1966, Disney foi reduzido a três quilos de cinzas três dias depois de sua morte por câncer de pulmão”, afirma a especialista Nieves Concostrina na seção Pretérito Imperfecto, em La Ventana, programa da rádio espanhola La Ser. “A história do congelamento foi uma balela desde o começo”, afirma. Por que então continuamos acreditando que está congelado? O fato de seu funeral ter sido íntimo não ajudou a acabar com os rumores. Muitos viram esse funeral como uma ação secreta em vez de algo íntimo. A família não desmentiu e não confirmou. Simplesmente deixou que o rumor sobre o congelamento de Disney crescesse para alimentar a lenda. Mas um dos grandes responsáveis por acreditarmos ainda hoje em sua criogenização foi Salvador Dalí. O pintor catalão, que acreditou na história do começo ao fim, disse publicamente que ele queria ser congelado como seu amigo Walt Disney. E o mundo deu como certo que, efetivamente, o criador de Mickey Mouse descansava em um congelador.
Apesar de a maioria acreditar que 52 anos após sua morte Walt Disney permanece congelado, a única verdade é que foi cremado em 1966
Apesar de a maioria acreditar que 52 anos após sua morte Walt Disney permanece congelado, a única verdade é que foi cremado em 1966 (Getty)
De acordo com os acadêmicos alemães Hans Kaufmann e Rita Wildegans, Gauguin cortou parte do lóbulo esquerdo de Van Gogh com uma espada. Na imagem, Kirk Douglas interpreta o pintor em ‘ Sede de Viver’ (1958)
De acordo com os acadêmicos alemães Hans Kaufmann e Rita Wildegans, Gauguin cortou parte do lóbulo esquerdo de Van Gogh com uma espada. Na imagem, Kirk Douglas interpreta o pintor em ‘ Sede de Viver’ (1958)

Van Gogh não arrancou a orelha

O que nos contaram. A história, repetida até a saturação, afirma que em 1888 o pintor holandês Vincent Van Gogh, em um momento de loucura após discutir com seu amigo, o também pintor Gauguin, arrancou com uma lâmina de barbear a orelha esquerda. Orelha que, mais tarde, envolta em um pedaço de pano, o autor de quadros tão famosos como A Noite Estrelada entregou a uma prostituta chamada Raquel.

O que realmente aconteceu. A verdade supera uma épica ficção que até mesmo deu nome a um grupo espanhol de música pop. De acordo com os acadêmicos alemães Hans Kaufmann e Rita Wildegans em uma reportagem da BBC publicada em 2009, foi Gauguin que, em plena discussão, cortou parte do lóbulo esquerdo de Van Gogh com uma espada. Para proteger seu (apesar de tudo) colega, Van Gogh contou à polícia a popular versão da autolesão. Ou seja, Van Gogh não ficou sem uma orelha – perdeu só uma parte do lóbulo – e não foi ele mesmo que se cortou por sua instabilidade mental.

A tumba de Tutancâmon não foi descoberta pelo menino da água

O que nos contaram. Em 1922, o arqueólogo Howard Carter – descobridor da tumba de Tutancâmon – contou durante uma palestra que deu nos EUA que o primeiro degrau da tumba foi encontrado por um menino egípcio que levava água aos trabalhadores da escavação. A partir desse momento o menino começou a ser conhecido como o menino da água.

O que realmente aconteceu. Por que Carter inventou esse menino? “Provavelmente para dar um toque romântico à história. Mas o descobridor não imaginava que isso acabaria saindo de seu controle e que, apesar da falta de provas, após sua palestra a notícia foi tomada como real. Hoje o menino da água aparece até mesmo em livros acadêmicos”, diz Nacho Ares, apresentador do programa de rádio Ser História. A família de Abd El Rassul, filho de um dos capatazes egípcios que trabalhava para Carter, aproveitou que a lenda do menino da água se espalhou para afirmar que Rassul era esse menino. “Existem dezenas de entrevistas desse homem falando da descoberta e jamais contou nada do menino da água e muito menos que fosse ele. Quando morreu, entretanto, seus filhos inventaram que seu pai era o menino da água. Hoje têm um restaurante em Luxor (Egito), e está repleto de entrevistas de seu pai em que ele só diz que foi a última testemunha viva da descoberta”, diz Ares.

A salada russa não é russa e a omelete francesa não vem da França

O que nos contaram. A lógica, implacável, nos fez acreditar que esses pratos cujos nomes fazem referência a certos pontos geográficos do planeta vinham desses lugares. Comíamos salada russa acreditando que sua origem vinha da terra de Sharapova, Irina Shayk e Leon Tolstói, entre outros russos ilustres; e pedíamos omelete francesa com a convicção de que sua história estava ligada à França. A lógica nos dizia que não podia ser de outra forma.

O que realmente é. Que a omelete francesa é tão francesa quanto os crepes congelados que você compra no supermercado. O sobrenome francês vem do assédio das tropas napoleônicas à cidade de Cádiz em 1810. A escassez de alimentos e de batatas para preparar a típica omelete espanhola fez com que as pessoas precisassem cozinhar o ovo batido sem condimentos. Com o passar dos anos essa omelete continuou sendo feita e chamada de “omelete dos franceses” em referência aos assediadores franceses. De modo que hoje essa omelete se chama omelete francesa. De acordo com o Institut Français, para os franceses a única omelete autóctone é a que leva queijo. Com a salada russa acontece algo parecido. É russa por obra e graça do acaso. Esse prato foi criado em 1860 por Lucien Olivier, um belga de origem francesa radicado em Moscou. O chef elaborou pela primeira vez essa receita no Hermitage, o restaurante dirigido por ele no centro da cidade russa. O furor que a salada causou fez com que ficasse popularmente conhecida por salada russa. Na Rússia, entretanto, se chama salada Olivier.

Se sabemos que a Terra gira em volta do Sol não é graças a Copérnico

O que nos contaram. Que Nicolau Copérnico, após um estudo exaustivo do movimento dos corpos terrestres, chegou à conclusão de que a Terra girava sobre seu eixo e que esta e o restante dos planetas giravam, por sua vez, em volta do Sol. E não ao contrário, como se acreditava até esse momento. Dessa forma criou a Teoria Heliocêntrica recebendo o ataque da Igreja, fiel defensora da teoria geocêntrica (isso é, que era o Sol – e o restante dos planetas – que giravam em torno da Terra). A Inquisição chegou a censurar a teoria de Copérnico, já que colocava em dúvida a onipotência de Deus, reafirmando a imobilidade da Terra.

O que realmente aconteceu. Foi o astrônomo e matemático grego Aristarco de Samos o primeiro a perceber que nosso planeta girava em torno do Sol. Assim o explicou no tratado De Revolutionibus Caelestibus mil anos antes de ser mencionado por Copérnico. “Aristarco de Samos viveu no século III antes de nossa era. Foi ele quem propôs o modelo heliocêntrico que dezoito séculos mais tarde Copérnico mencionou em sua obra”, diz o professor da Universidade Autônoma de Madri Javier Ordoñez. Apesar de Aristarco já a estudar no século III a.C., a Teoria Heliocêntrica não foi vista como uma teoria consistente até ser formulada por Copérnico no século XVI.

Não está claro que Cervantes fosse maneta

O que nos contaram. Que o autor de Dom Quixote perdeu a mão esquerda enquanto combatia na batalha de Lepanto, um dos confrontos navais mais sangrentos da história. A batalha ocorreu em 7 de outubro de 1571, no golfo de Lepanto. Lá se enfrentaram turcos otomanos e a coalizão cristã Liga Santa, integrada pelo Papa, a República de Veneza e a monarquia de Felipe II.

O que realmente aconteceu. Uma interpretação linguística errônea é a culpada de que Cervantes tenha passado à história como o maneta de Lepanto. No século XVII era considerado maneta não só quem havia perdido a mão e sim qualquer um que tivesse inutilizado um braço parcial ou totalmente. “Não se sabe realmente se Cervantes perdeu uma mão. É provável que só tenha perdido um dedo ou parte dela pelos disparos que recebeu durante a batalha de Lepanto”, diz ao ICON o historiador José Carlos Rueda Laffond.

A Espanha não é o país mais antigo da Europa

O que nos contaram. Que a Espanha é a nação mais antiga da Europa. Essa afirmação se transformou em um mantra de alguns partidos políticos conservadores. “A Espanha goza de ótima saúde, é a nação mais antiga da Europa”, disse Mariano Rajoy em março, quando ainda era primeiro-ministro do país.

O que realmente é. “[o ex-chefe do Governo espanhol, Mariano] Rajoy situa o nascimento do Estado espanhol na época dos Reis Católicos (final do século XV e início do XVI) e alimenta o mito de que em 1492 –com Isabel e Fernando, o fim da reconquista, a expulsão dos judeus e a descoberta da América– a Espanha foi fundada. Parece uma maravilhosa conjunção astral, mas é falsa. O casamento de Fernando e Isabel não implicou na fusão dos dois reinos. Mais do que isso, até o século XIX as coroas de Aragão e Castela tiveram moedas diferentes, afirma a este jornal José Carlos Rueda, professor de História Contemporânea da Universidade Complutense de Madri. Rueda diz que na Europa é impossível começar a falar em nações antes do século XIX. As declarações dadas por José Álvarez Junco, professor de História do Pensamento da Universidade Complutense, ao EL PAÍS coincidem com a teoria de Rueda. “Rajoy confunde os conceitos de nação e Estado e projeta seus próprios desejos no passado. O que define uma nação é um elemento subjetivo: grupos de indivíduos que acreditam compartilhar certas características culturais e vivem em um território que consideram próprio, enquanto os Estados modernos são estruturas político-administrativas que controlam um território e a população que o habita.” Segundo José Carlos Rueda, se tivermos que apontar alguma nação como a mais antiga da Europa, seria a França. “Com mil ressalvas, podemos considerar que a França tem uma estrutura estatal unificada mais antiga do que a Espanha (até o fim do século XVII, Monarquia Hispânica). O mesmo ocorre em relação aos seus limites fronteiriços. Ou sobre sua capital (Paris), que existe como tal desde a Idade Média. A unidade linguística também é historicamente muitíssimo mais intensa que na Espanha”, diz o historiador.

Júlio César nunca disse: “Até tu Brutus, meu filho”

O que nos contaram: No dia 15 de março de 44 antes de Cristo, um grupo de senadores, entre os quais estava Brutus (filho de Servília, amante de César, que sempre gozou da proteção e da simpatia de Júlio César), apunhalou o ditador romano até a morte. Momentos antes de morrer por causa dos graves ferimentos, Júlio César, que não podia acreditar na traição de Brutus, pronunciou uma das frases mais famosas da história: “Até tu Brutus, meu filho”.

O que realmente aconteceu. De fato, Júlio César foi apunhalado várias vezes nas escadarias do Senado romano. No entanto, nunca articulou a frase que o mundo se esforça em lhe atribuir. Por que então se acredita que essa foi a última coisa que disse antes de morrer? Provavelmente, o fato de Shakespeare tê-la reproduzido em sua obra Júlio César (que data de 1599) ajudou que o mundo o considerasse um fato histórico verídico. Por outro lado, Plutarco (que nasceu no ano 45 depois de Cristo) afirma em sua obra que César não disse tal coisa. Segundo o filósofo grego, a única coisa que o ditador fez antes de morrer foi cobrir a cabeça com a toga ao ver Brutus entre seus assassinos. “Ao ver Brutus com a espada desembainhada, colocou a roupa sobre a cabeça e se deixou golpear”, diz Plutarco no volume V de Vidas Paralelas. A frase se tornou hoje um símbolo que representa a traição máxima.

O Velcro não foi inventado pela NASA

O que nos contaram. Que esse sistema de adesão baseado em uma fita com pequenos ganchos de plástico e outra fita de fibras sintéticas que ficam unidas quando se juntam e se separam de uma só vez foi inventado pela NASA. O objetivo da agência do Governo dos EUA responsável pelo programa espacial civil era contornar a falta de gravidade no espaço oferecendo aos astronautas uma maneira simples e cômoda de colocar e tirar o traje espacial.

O que realmente aconteceu? O engenheiro suíço Georges de Mestral, que não tinha nada a ver com a NASA, criou o velcro em 1948 depois de passar um dia caçando no campo. Durante sua caminhada pela natureza, notou como as sementes das flores aderiam às suas roupas. Ao observá-las de perto com um microscópio, descobriu que suas pontas eram minúsculos ganchos, por isso era difícil retirá-las das roupas. Mestral decidiu inventar um sistema que reproduzisse o comportamento dessas sementes e criou as populares fitas adesivas que hoje fazem parte de dezenas de peças de vestuário e de quase todos os calçados infantis. Nos anos 60, a NASA decidiu incorporá-lo ao equipamento dos astronautas e o sistema começou a se popularizar. O repentino uso generalizado, tanto para fins domésticos quanto esportivos (os macacões de pilotos de corrida e de esquiadores o incorporaram), ajudou a difundir a crença de que os engenheiros da NASA eram os criadores do velcro.

Elvis pode ser o rei, mas não criou o rock

O que nos contaram. Nos livros didáticos, nas enciclopédias, em palestras, em artigos de imprensa… A frase pode ser lida e ouvida em muitos lugares: “Elvis Presley inventou o rock and roll”.

O que realmente aconteceu. “É uma teoria muito parcial essa que diz que Elvis inventou o rock, principalmente nos anos 50 e 60, quando a indústria do rock explodiu e havia muito dinheiro em jogo. Elvis era branco, bonito, patriota, de origem humilde… em outras palavras, o sonho americano feito carne. Ele era o único que podia convencer os pais a comprar essa música do diabo aos filhos, além das poderosas emissoras de rádio e televisão. Elvis era uma marca branca de algo muito satânico, como o rock and roll. Mas não, o rock, como quase todos os gêneros musicais duradouros, foi inventado pelos afro-americanos. Músicos negros como Joe Turner e sua Shake, Rattle and Roll, Lloyd Price com Lawdy Miss Clawdy, Fats Domino com The Fat Man ou a grande Big Mama Thornton e sua Hound Dog (que logo Elvis gravaria). Anos mais tarde chegariam Chuck Berry, Little Richards e Elvis. O que fez Elvis em 1954 com sua canção That’s All Right foi popularizar o rock and roll e levá-lo a todos os lugares, o que não é pouco”, explica o crítico de música Carlos Marcos.

Os imperadores romanos não condenavam os gladiadores à morte baixando o dedo

O que nos contaram. Vimos Joaquin Phoenix (no papel do imperador Cômodo) fazer esse gesto no oscarizado Gladiador (Riddley Scott, 2000) e o tomamos como verdade absoluta. Por seu lado, livros, quadros, o cinema e a televisão se encarregaram de alimentar a lenda fazendo o espectador acreditar que quando um imperador baixava o polegar no circo romano o que estava fazendo era condenar à morte o gladiador que estivesse em desvantagem na arena.

O que realmente aconteceu. Todo o contrário do que o cinema nos mostrou. Se o imperador levantava o polegar, estava incitando o gladiador vitorioso a matar o gladiador derrotado. Quando o imperador queria salvar a vida do gladiador, introduzia o polegar no punho fechado da mão oposta. “Acreditar que os imperadores condenavam à morte baixando o polegar é um erro que nos transmitiram via Hollywood. Realmente a sentença de morte se dava quando o imperador romano levantava o polegar para cima”, explica a historiadora María F. Canet.

Os signos do zodíaco não são 12

O que nos disseram. Que os signos do zodíaco –as constelações zodiacais que a linha imaginária que une o nosso planeta ao Sol aponta ao longo de um ano– são doze. E que todos nós, dependendo do mês de nosso nascimento, temos um que define nossa personalidade e até nosso destino.

O que realmente é. Há 3.000 anos, a civilização da Babilônia dividiu o zodíaco em doze partes, atribuindo uma constelação a cada uma delas. Conscientes de que a divisão zodiacal não resultava em doze partes exatas, elas a adaptaram para obter um calendário prático. Sabiam que havia uma décima terceira constelação chamada Ofiúco e a excluíram deliberadamente. Em 2016, a NASA fez cálculos e explicou que o eixo da Terra nem sequer aponta na mesma direção de 3.000 anos atrás. Atualmente, a linha imaginária entre a Terra e o Sol aponta para Virgem durante 45 dias e apenas 7 para Escorpião. Ou seja, quem faz aniversário em 25 de março seu signo do zodíaco era Áries até agora, mas os novos cálculos da NASA revelam que hoje seria Peixes.

*Por Sara Navas

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*Fonte: elpais

Sto. Amaro do Sul / Eclusa de Amarópolis

Em tempo de feriadão aqui no sul por causa de uma final de semana prolongado (20 de setembro – Revolução Farroupilha), ontem não cheguei a andar de moto mas hoje a coisa já foi diferente. Desde cedo já estava pilhado pensando em para fazer alguma trip na tarde, pensando par aonde poderia ser.  Um sábado bonito de sol e uma temperatura agradável para andar de moto. O Rafa e o Luís Carlos já haviam mencionado de que se eu fosse andar hoje, era para avisá-los. E assim foi.

Saímos cedo para aproveitar bem a tarde. Fomos direto na direção de Passo do Sobrado (RS), pela 287 e depois 244, logo mais adiante já tem o túnel verde, prenúncio de que estamos em Vale Verde (RS). Ainda seguido viagem sempre em frente pela 244, vamos até a entrada de Santo Amaro do Sul (RS). Trajeto tranquilo e de pouco movimento, ainda mais no final de semana. Curto muito mesmo andar por aí.

Mas uma coisa estranha hoje me aconteceu, lá pelas tantas, já no trajeto, do nada me vaio na lembrança vários momentos da viagem que fiz com o Vladi, Fabi e o Pretto, ano passado, de moto para o Chile, atravessando a cordilheira. Sei lá porque. Não tinha me acontecido isso antes em nenhum dos rolês d emoto que fiz desde aquela viagem. Mas era uam sensação boa, me deu um sentimento de satisfação daquela aventura toda e também saudades. Talvez esteja na hora de uma nova trip assim, de alguns dias seguidos em cima da moto (!?).

Na entrada de Sto. Amaro o caminho muda de perspectiva, de asfalto passamos para uma estrada de chão batido muito ruim. Aliás, hoje havia uma patrola lá dando uma nivelada na estrada bem na hora em que passamos.Acabou deixando muitas pedras grandes soltas, um monte de costeletas e a terra bem fofa. Nada muito bacana, mas tudo bem, faz parte. Eu até curto isso, mas meus parceiros não! Paramos um pouco no caminho para uma subida no mirante que há na entrada. Depois seguimos até o vilarejo, quando então fizemos uma outra parada clássica, na praça central, para uma visita na histórica igreja (construída em 1787). Um tempinho de caminhada por ali e já estávamos de volta nas motos. Queríamos ainda seguir adiante e chegar até a barragem de Amararópolis. E não é que demos sorte dessa vez! Sim, porque haviam dois barcos utilizando o sistema da eclusa. Nunca antes havia testemunhado esse procedimento quando de alguma visita nas eclusas aqui dos estado. Foi bem legal assistir. Depois demos uma passeada pelo local e então era hora de tomarmos o rumo de casa.

Tanto na ida como na volta, tudo tranquilo. Viagem muito boa e a parceria também.
Mais uma vez, um sábado muito bem aproveitado de moto na estrada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estudo afirma que o vinho tinto é um ótimo aliado da saúde intestinal

Em um artigo científico publicado na revista “Gastroenterology”, uma equipe de pesquisadores da universidade King’s College, de Londres, afirmou que o vinho tinto é benéfico para a saúde do intestino humano. Os cientistas observaram os hábitos de 3 mil participantes e concluíram que aqueles que tomavam vinho tinto possuíam uma microbiota intestinal mais diversa — um ótimo sinal de saúde — em comparação aos que não consumiam a bebida.

A microbiota intestinal, também conhecida como flora intestinal, é composta pela população de micro-organismos que habitam o intestino e auxiliam na digestão, protegem a mucosa e combatem bactérias que causam doenças. Um desequilíbrio na flora pode causar vários danos ao corpo, como queda de imunidade, ganho de peso e elevação do colesterol.

Uma grande variedade de espécies bacterianas na microbiota é um ótimo marcador de saúde, por isso os pesquisadores do King’s College acreditam que o vinho tinto pode ser um aliado do intestino. O estudo também descobriu que o consumo da bebida está associado a níveis mais baixos de obesidade e colesterol “ruim” (LDL), o que também se deve, em parte, à diversidade de bactérias na flora intestinal.

Foram observados os efeitos de outras bebidas alcoólicas, como o vinho branco e a sidra (bebida fermentada de maçã). Mas, o vinho tinto se sobressaiu, possivelmente devido aos polifenóis encontrados nas cascas das uvas, que possuem propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e ajudam os micróbios a viverem por mais tempo no trato intestinal.

Apesar dos benefícios do vinho tinto, os cientistas lembram que o exagero deve ser evitado. “A moderação é sempre aconselhável. Percebemos que o consumo a cada duas semanas parece ser suficiente para observar bons resultados. Então, se você for tomar uma bebida alcoólica hoje, escolha o vinho tinto”, disse a dra. Caroline Le Roy, uma das autoras do estudo.

*Por Mariana Felipe

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*Fonte: revistabula

Instituto transforma salas de exames e quimioterapia em ‘aquários’ para crianças

Devido ao grande tempo que as crianças passam no hospital, horas, anos, decidiu-se humanizar os ambientes”, explica Laurenice, do Instituto Desiderata.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), apenas no ano passado, mais de 400 mil novos casos de câncer foram registrados em nosso país. No recorte, estimativas apontam mais de 12,5 mil novos casos de câncer entre crianças e adolescentes.

O câncer entre indivíduos de até 19 anos costuma atacar as células sanguíneas, como é o caso da leucemia, o sistema nervoso central e o sistema linfático.

Tal doença é a principal causa de mortalidade (8% do total) entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil. O diagnóstico precoce, no entanto, poderia salvar muitas vidas.

Segundo estimativas do INCA, quando diagnosticado precocemente, o câncer infantojuvenil tem um índice de cura de até 80% e, na maioria dos casos, os pacientes conseguem ter uma boa qualidade de vida após o fim do tratamento.

Entretanto, o tratamento bem-sucedido pode levar anos para ser concluído. Por isso é fundamental que ele seja o menos confortável possível para a criança ou adolescente.

Para a gerente da área de saúde do Instituto Desiderata, Laurenice Pires, “a experiência do tratamento com exames de longa duração, processos invasivos e quimioterapia pode causar mal-estar, traumas e doenças psicológicas para esses pacientes, que estão em fase de desenvolvimento físico e psicológico”.

Com esse pano de fundo, o Instituto Desiderata, que atua em sete unidades hospitalares do Rio de Janeiro, desenvolveu um projeto de humanização e ambientação dos locais de tratamento para essas crianças e adolescentes.

Os aquários

“Devido ao grande tempo que as crianças passam no hospital, horas, anos, decidiu-se humanizar os ambientes”, explica Laurenice. Apelidados de ‘aquários’, os espaços procuram acolher da melhor maneira possível as crianças e adolescentes que estão recebendo o tratamento contra o câncer.

Todas as salas de quimioterapia e de exames foram redesenhadas visualmente para lembrar o fundo do mar. As paredes coloridas foram decoradas com peixes e plantas aquáticas, e os equipamentos são personalizados para parecerem submarinos e cores frias, como o azul, predominam no ambiente com o objetivo de trazer calma ao paciente.

A ideia surgiu após um longo processo de pesquisa para se compreender qual era a melhor forma de criar um ambiente que trouxesse segurança e tranquilidade para os pacientes infantojuvenis, explica Laurenice.

Os aquários recebem muitas crianças que estão sendo atendidas pela primeira vez; logo, o espaço lúdico ajuda a tornar os processos médicos um pouco mais confortáveis para os pacientes.

“Às vezes, até os pais comentam que preferem o ambiente do aquário”, conta a psicóloga Juliana Mattos, que atende no Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. “O ambiente caracterizado como um aquário auxilia no processo terapêutico.”

Juliana enfatiza também que ser sincera com o pequeno paciente é a melhor maneira de fazê-lo aceitar o tratamento. Para a psicóloga, a compreensão da criança e do adolescente sobre a necessidade dos exames e processos realizados é essencial. Quanto mais desconhecido o procedimento for para o paciente, mais ele irá resistir.

Instituto do Câncer transforma salas exames quimioterapia aquários crianças

É importante deixar claro para a criança que “chorar faz parte”, e que não é positivo esconder que certos processos causam dor ou desconforto.

Quando as crianças são muito pequenas, a psicóloga utiliza a técnica da ‘brinquedoterapia‘, estratégia que utiliza brinquedos da própria criança para a desmistificação do tratamento.

“Um cateter, por exemplo, é um processo doloroso. Por isso a enfermeira utiliza o brinquedo para exemplificar aquele exame”. Para ela, a brinquedoterapia é essencial para ser sincero com a criança, o que estabelece uma relação de confiança entre o paciente e seus cuidadores.

Você conhece o VOAA?
VOAA significa vaquinha online com amor e afeto. E é do Razões! Se existe uma história triste, lutamos para transformar em final feliz. Acesse e nos ajude a mudar histórias.

*Por Gabriel Pietro

 

 

 

 

 

 

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*Fonte: razoesparaacreditar

A felicidade mora na ausência de planejamentos, de aviso prévio, em nossas felizes distrações cotidianas

A felicidade mora no esquecimento de si, da vida, de tudo…

Minha família adora uma conversa em volta da mesa, em meio aos vapores das panelas no fogão; entre garfos e facas, entre pães fofinhos e copos cheios. Cada um se senta à mesa com suas miudezas, matando a fome com olhares familiares, bebendo da cumplicidade de novas histórias, nutrindo a alma daquilo que ela sempre sabe onde buscar, aconteça o que acontecer.

Às vezes, programamos tanto uma ocasião, uma festa, um prato mais elaborado ou jantar num restaurante elegante que, mesmo que sejam acontecimentos agradáveis, não carregam a simplicidade e o conforto acolhedor de estar ao redor da mesa na casa dos meus pais, jogando conversa e muitas tristezas fora.

A gente nem percebe como às vezes, ler um livro deitada numa rede na sacada, pode guardar, além da naturalidade do momento, uma felicidade desatenta e ao mesmo tempo tão real. Como uma breve respirada em meio ao caos do congestionamento, num fim de tarde, nos permite enxergar, do outro lado da avenida, um canteiro colorido e com muitas flores.

Tem manhãs que ouço uma criança cantando em voz alta uma música linda, que fala de carinho, de paz, enquanto penduro as roupas no varal. Algumas tardes não seriam inesquecíveis, se as xícaras de café e os papos bem-humorados com meu filho, deixassem a descomplicação pela hora marcada ou por formalidades.
Pois a felicidade mora no esquecimento, de si, da vida, de tudo. Está na abstração dos sentidos, na ausência de planejamentos, de aviso prévio, em nossas felizes distrações cotidianas.

A gente se depara com momentos bons, assim, sem arquitetar mesmo; ao avistar a lua cheia e suntuosa pelo vidro da janela numa noite qualquer, ao sentir um perfume agradável numa caminhada no parque, numa gargalhada em coro, quando uma banalidade se torna uma piada por todos que a vivenciam. Como nas piscadas demoradas que meu gato arrisca ao me olhar profundamente e até nas mensagens simples de alguém que registrou sua lembrança com poucas palavras e alguns emojis divertidos.

Perde-se vida demais buscando algo esplendoroso, deixando de lado o prazer enraizado nas trivialidades, nos instantes desprogramados. Esquecendo que a felicidade está na insignificância das eventualidades, no desleixo do tempo, na presença desobrigada.

Quando estamos, desprendidos de estratégias, livres de condicionamentos; e somos golpeados e presenteados por banais porém marcantes “horinhas de descuido”.

*Por Flavia Bataglia

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*Fonte:

Não se brinca com a natureza

Esta praia em Nusa Penida, Kelingking, é conhecida por suas ondas enormes, que podem chegar a 6 metros. Muitos turistas já foram arrastados por suas ondas. E a dica do Discover Earth (de onde veio essa imagme) é bem básica mas super importante sempre:

Sempre certifique-se de estar seguro e permanecer extremamente consciente de seu entorno, quando visitar lugares assim.

David Bowie, a soul music e um disco perdido. Ouça “The Gouster”, gravado em 1974

Não é segredo para ninguém, ao menos não para um fã de Bowie, que o homem era fissurado em música negra, em especial a soul music. Em Young americans (75) e Station to station (76) o então bicudo David Jones se mostrou ao mundo como um elegante soulman, sempre com um terno bem cortado, sapatos encerados e o nariz cheio de pó, encarnado mais uma de suas muitas personas.

Enfim, em 1974 Bowie e seu fiel escudeiro Tony Visconti trabalhavam duro no estúdio Sigma, na Filadélfia, gravando o citado Young americans, e durante esse processo criativo acabaram deixando de fora algumas faixas e versões das músicas que entraram na versão oficial do disco. E algumas dessas ‘sobras’ deram origem ao álbum que você ouve agora aqui no PCP, com o curioso nome The gouster.

O disco sai neste ano pela Parlophone como parte da caixa “Who Can I Be Now (1974-1976)”, que traz nada menos que 103 canções do mestre produzidas neste período extremamente chapado de sua vida.

The gouster (palavra que Bowie usava para se referir à moda dos jovens negros da época em Chicago) abre com uma versão longa de “John, I’m only dancing”, originalmente lançada como single em 1972 (relançada em 1991 e 2007) e fecha com uma interpretação mais crua de “Right”, que encerra o lado A de Young americans. Outras canções que só entraram nas duas reedições de Young americans também estão aqui, como as doloridas “It’s gonna be me” e “Who can I be now”. E “Fame”, o grande sucesso do álbum, curiosamente ficou de fora.

Não sei ainda como é o restante dessa luxuosa caixa, mas esse pedacinho dela resume bem o que foi esse período igualmente rico e perturbado na carreira de Bowie.

E nós aqui na terra seguimos sentindo sua falta, homem das estrelas.

 

*Por Fabio Bridges

 

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*Fonte:

Venda de vinil pode ultrapassar a venda de CDs

Colecionar discos de vinil é um hobbie que tem crescido nos últimos anos, os fãs relatam que é uma experiência única e divertida. De acordo com um novo relatório do meio do ano da RIAA, a venda de vinil pode ultrapassar os CDs em um futuro próximo.

Segundo a Associação da Indústria de Gravação da América as vendas de vinil têm aumentado constantemente, enquanto paralelamente as vendas de CDs tem caído. Além do crescimento de 13% no mercado do vinil, eles faturaram US $ 224,1 milhões (em 8,6 milhões de unidades) no primeiro semestre de 2019, fechando os US $ 247,9 milhões (em 18,6 milhões de unidades) gerados pelas vendas de CDs, que se mantem estagnadas.

De acordo com projeções do setor, se as tendências persistirem, as vendas poderão ultrapassar as vendas de Cds até o fim do ano ou no inicio de 2020. Se isso ocorrer será a primeira vez que os discos venderão mais que CDs desde 1986. Porém apesar de ser uma grande conquista para o mercado dos discos de vinil, o som digital ainda está liderando a indústria musical.

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*Fonte: bileskydiscos

Máquina faz suco e “imprime” copos feitos com cascas de laranja

Do sumo à casca de laranja, nada é desperdiçado na máquina de sucos projetada pelo escritório de design e inovação Carlo Ratti Associati em parceria com a empresa ENI. O dispositivo é um belo exemplo de economia circular e zero desperdício que pode ser acompanhado de perto pelos clientes.

É usando uma impressora 3D que a “mágica” acontece. A máquina separa duas metades da laranja, espreme o suco e conduz as cascas por um tubo, que vão se acumular no inferior da máquina. Chegando lá, tais resíduos são secos, moídos e misturadas com ácido polilático (PLA) – ácido orgânico de origem biológica – dando origem ao material bioplástico. Este último será aquecido e derretido em um filamento para impressão dos copos, que instantaneamente pode ser já preenchido com o suco.

Batizada de “Feel the Peel”, a máquina mede 3,10 metros de altura e comporta até 1.500 laranjas. Ela está em exposição em um evento na cidade de Rimini, na Itália, e deve ser apresentada ainda em vários locais públicos do país.

“O princípio da circularidade é obrigatório para os objetos de hoje”, afirma Carlo Ratti, fundador do escritório e diretor do MIT Senseable City Laboratory. “Trabalhando com a Eni, tentamos mostrar a circularidade de maneira muito tangível, desenvolvendo uma máquina que nos ajuda a entender como as laranjas podem ser usadas para muito além do suco. As próximas interações podem incluir novas funções, como impressão de tecido para roupas usando cascas de laranja”.

Carlo Ratti, trabalhando no MIT, está sempre ligado com inovações e tecnologias. Um dos projetos, já falamos aqui no CicloVivo, é o piso modular e removível pensando para as novas cidades. O interessante na fala dele é que pode parecer estranho pensar em vestuário feito de casca de fruta, mas isso já existe. Inclusive foi uma dupla também italiana que criou toda uma coleção aproveitando a casca e o bagaço da laranja.

*Por Marcia Sousa

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*Fonte: ciclovivo