Queijo brasileiro é considerado o melhor do mundo

O queijo canastra ficou em primeiro lugar no ranking elaborado pelo site americano The Taste Atlas

O queijo Canastra ganhou, na última quarta-feira (22), o título de melhor queijo do mundo. O produto é feito com leite, “pingo” e sal, tendo um sabor ácido, mas com um fundo meio adocicado. A iguaria costuma ser comida no pão de queijo, com café, com doce de leite ou sozinho mesmo.

O queijo ficou no topo do ranking elaborado pelo site americano The Taste Atlas. O top foi formado por voto popular. O canastra ficou na frente do italiano Parmigiano Reggiano, do francês Mont d’Or e do português Serra da Estrela.

A lista completa tem 50 queijos do mundo todo. O The Taste Atlas é um guia gastronômico e seu conteúdo é consumido por viajantes ao redor de todo o mundo. [ LISTA / AQUI ]

O queijo Canastra tem o nome da serra que circunda as oito cidades fabricantes do alimento. São mais de 70 produtores na região.

O modo artesanal foi registrado como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

*Por Nathalia Matos
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*Fonte: fatosdesconhecidos

4 chás para acelerar o metabolismo no inverno

Para muita gente, o inverno é um momento em que comemos mais e podemos até engordar. Mas, para a nutricionista Viviane Scheifer é justamente o contrário: a estação é ideal para queimar gordura. Para aquecer o corpo, o organismo gasta mais energia e isso contribui para acelerar o metabolismo.

Mesmo com a “funcionalidade” natural do corpo, a nutricionista explica que é possível potencializar essa ação com algumas receitas de chás termogênicos, que auxiliam na queima de gordura.

“Existem excelentes opções para diminuir excessos de radicais livres, melhorar o rendimento durante a atividade física e, principalmente, ativar o metabolismo”, explica Viviane. A especialista sugere quatro receitas de chás gostosos e funcionais!

Chá para auxiliar na queima de gordura
1/2 maçã picada
1/4 de pêssego
Casca de tangerina
Romã
Faça infusão durante 15 minutos em 250 ml de água. Esse chá é termogênico, anti-inflamatório e antioxidante. É uma ótima bebida para ser consumida no pré-treino e pós-treino. É excelente para modular a dislipidemia (desequilíbrio de lipoproteínas LDL e HDL, além de triglicerídeos) e uma boa estratégia para diminuir excessos de radicais livres produzidos diariamente.

Chá para produção de óxido nítrico
1 colher (chá) chá verde em folhas
2 folhas de hortelã
1 colher (café) coco ralado grosso e sem açúcar
1 colher (café) de nibs de cacau
Ferva durante oito minutos com 250 ml de água. Aumenta a produção de óxido nítrico e melhora o rendimento durante a atividade física.

Chá Termogênico
1 pedaço pequeno de gengibre
1 pedaço de canela em rama (cerca de três centímetros)
4 cravos
Casca de meia laranja
Misture em 250 ml de água e ferver durante oito minutos. Ativa o metabolismo com a ajuda do gengibre.

Chá termogênico para diminuir a vontade por doces
1 colher (sopa) de hibiscus
1 colher (sopa) de chá matte
1 pedaço de gengibre (cerca de três centímetros)
1/2 limão siciliano
Ferva o gengibre ralado durante oito minutos em 250 ml de água, após esse tempo desligue o fogo e acrescente hibiscus e o chá matte. Deixe tampado durante cinco minutos. Só na hora de ingerir, esprema o limão. Se necessário adoçar com mel.

*Por Mayra Rosa
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*Fonte: ciclovivo

Os efeitos nocivos do açúcar no cérebro

A discussão científica sobre nutrição mudou muito nos últimos anos. Os últimos estudos revelam que o açúcar é uma das piores coisas para a saúde geral de uma pessoa, especialmente no caso da obesidade. Mas a maioria das pessoas não sabe que os efeitos nocivos do açúcar se espalham até o cérebro .

O uso de açúcar não está ligado apenas a problemas cardíacos e diabetes. Mas também causa todos os tipos de problemas em nossa mente. Neste artigo você pode aprender mais sobre os efeitos mais nocivos do açúcar. Mas antes de abordarmos essa questão, primeiro precisamos desfazer alguns dos mitos sobre o açúcar.

Há algum efeito prejudicial do açúcar?
Nós crescemos e estamos sobrecarregados com ideias idealistas sobre saúde e nutrição. Mas algumas dessas crenças são completamente incorretas. Por exemplo, aprendemos que comer gordura é o principal fator de risco para doenças cardíacas.

O açúcar tem sido promovido por muito tempo como uma substância completamente inofensiva sem nenhum efeito ruim na saúde. Mas uma pesquisa em 2016 revelou que a indústria do açúcar subornou pesquisadores ao longo da história. Com qual finalidade? Eles queriam manter os efeitos nocivos do açúcar escondidos. Porque agora sabemos que isso tem a ver com, por exemplo, câncer e doenças cardíacas.

É viciante
O vício em açúcar é um problema real. Todos os dias toca mais pessoas. As pessoas com esse distúrbio sentem que precisam usar mais e mais dessa substância para se sentir bem. De fato, quem quer que bane o açúcar de sua vida, experimenta sintomas desagradáveis ​​de inconsciência nos primeiros dias.

Depois que os viciados abandonam o uso de açúcar, por exemplo, eles podem sofrer de dores de cabeça, tontura, fraqueza muscular, ansiedade e estresse. Felizmente, esses sintomas não são permanentes. Eles duram apenas até o corpo funcionar sem essa substância.

Como esse vício funciona? Quando o corpo absorve açúcar, libera uma grande quantidade de endorfinas no cérebro. Então, quando não estamos tão satisfeitos com outros aspectos de nossas vidas, podemos pegar esse material para nos sentirmos bem.


Açúcar causa problemas de memória e insight

Um estudo da Universidade da Califórnia investigou os efeitos do consumo de frutose (um tipo de açúcar encontrado em frutas, vegetais e mel). Esta pesquisa revelou que a frutose tem um efeito prejudicial na formação das sinapses no cérebro. Quando você come muita frutose, a capacidade do cérebro de entender e formar novas conexões diminui.

A pesquisa também mostrou que as pessoas que comem muita frutose têm níveis mais baixos de BDNF. Esta substância ( fator neurotrófico derivado do cérebro ) tem um efeito fundamental na nossa capacidade de criar novas memórias e aprender novas informações.

Alguns estudos também sugerem que o consumo de açúcar pode estar diretamente relacionado à doença de Alzheimer. A comunidade médica está realmente pensando em classificar essa doença como diabetes tipo 3.


Afeta nosso humor

Mas não apenas nossas habilidades cognitivas estão em perigo. Nosso humor muda para um grau extremo devido à glicose. Porque a glicose tem um efeito sobre a insulina no corpo. Como resultado, os picos de açúcar podem causar depressão, ansiedade e mudanças bruscas de humor.

A longo prazo, esses efeitos nocivos do açúcar podem se tornar ainda piores.Quando ingerimos glicose, nossos cérebros liberam a serotonina. Esta substância é um dos neurotransmissores que nos dão uma sensação de prazer. Mas o suprimento dessa substância no corpo não é ilimitado. Porque toda vez que o cérebro libera a serotonina, a quantidade em seu cérebro diminui.

Uma pessoa que ingira quantidades excessivas de açúcar por longos períodos, depois de um tempo, achará difícil ter um sentimento positivo sustentado.

Impede de nos sentirmos saciados
Finalmente, estudos recentes descobriram que a glicose “seqüestra” nosso mecanismo de saciedade. Então, quando nós comemos muito dessa substância, isso levará a uma constante fome por esse motivo. Isso está diretamente relacionado à obesidade e ao excesso de peso.

Aqui estão os efeitos do açúcar na ocitocina e sua função no cérebro, o problema. Mas as consequências para o seu cérebro podem até ser mais preocupantes. Você quer evitar os efeitos nocivos do açúcar e manter uma boa saúde física e mental? Em seguida, tente reduzir o consumo de açúcar o máximo possível.

Artigo publicado no site Verken je Geest, para ler o texto original clique aqui

“Este conteúdo tem apenas o caráter informativo, portanto não deve jamais ser usado como ferramenta de diagnóstico. Para obter um diagnóstico confiável é recomendado que você consulte um profissional especializado antes de tomar ou abster-se de qualquer ação com base no conteúdo gratuito em nosso site.”

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Consumo de laranja ajuda no combate ao diabetes

Estudo realizado na Universidade de São Paulo (USP) sugere que compostos bioativos existentes na laranja ajudam a modular a taxa de açúcar no sangue, o que pode transformar a fruta em um aliado no combate ao diabetes. Os achados foram divulgados na revista Clinical Nutrition Espen.

A investigação foi conduzida por uma equipe do Centro de Pesquisas de Alimentos da Universidade de São Paulo (Forc), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF-USP).

Participaram 12 voluntários saudáveis, de ambos os sexos, que após uma noite em jejum ingeriram uma refeição rica em gordura e carboidratos, com 1.037 kcal. Eles foram divididos em três grupos: um que bebeu apenas água durante a refeição, outro que tomou suco de laranja e um terceiro que recebeu uma bebida à base de glicose com teor de carboidratos equivalente ao do suco de laranja.

O nível de glicose no sangue dos voluntários foi analisado uma, três e cinco horas após o término do desjejum. Logo na primeira medição, como esperado, os três grupos apresentaram um aumento da glicemia. Curiosamente, os valores de glicemia (taxa de glicose no sangue) e insulinemia (taxa de insulina no sangue) do grupo que tomou suco de laranja não diferiram significativamente daqueles observados no grupo da água em todas as avaliações.

“Se a ingestão de suco de laranja não difere da ingestão de água, podemos concluir que os carboidratos do suco não promoveram aumento significativo da glicemia em nosso modelo experimental, diferentemente do que ocorreu com a bebida à base de glicose”, explica Bruna Jardim Quintanilha, doutoranda em nutrição pela Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP) e primeira autora do artigo.

Segundo Quintanilha, tal resultado sugere que outros componentes presentes no suco, como fibras e compostos bioativos, podem ter contribuído para conter a elevação da taxa glicêmica.

O passo seguinte foi investigar de que forma o suco de laranja teria ajudado a conter o aumento da glicemia. Para isso, os cientistas coletaram amostras de sangue dos voluntários e analisaram a expressão dos chamados microRNAs, um tipo de RNA que tem a função de regular a expressão dos genes por meio de interações com o RNA mensageiro.

“Notamos que o suco de laranja teve ação em especial sobre o microRNA 375 ou miR-375, que é um biomarcador da função das células beta do pâncreas”, explica Franco Lajolo, professor emérito da FCF-USP e integrante do FoRC.

Como explica o pesquisador, as células beta são muito numerosas no órgão e são responsáveis por sintetizar e secretar a insulina – hormônio que permite a entrada da glicose nas células.

Os resultados indicam, portanto, que o suco de laranja pode ter uma ação benéfica sobre a produção de insulina e, por tabela, sobre a modulação da glicemia.

“Nossos resultados apontam o miR-375 como possível responsável por essa ação, mas é algo que ainda precisa ser confirmado. São necessários, por exemplo, estudos com pacientes diabéticos para entender exatamente como esse mecanismo funciona”, afirma Lajolo.

*O artigo Ingestion of orange juice prevents hyperglycemia and increased plasma miR-375 expression pode ser lido AQUI
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*Fonte: saberesaude

Como a ciência explica por que é tão difícil resistir a comidas doces e gordurosas

Por que é tão mais fácil escolher comer um donut em vez de uma porção de brócolis cozido no vapor?

Não há dúvida de que algumas comidas despertam mais a nossa vontade do que outras — sobretudo aquelas ricas em açúcar e gordura.

Mas por que são tão irresistíveis?

Experimentos científicos nos oferecem algumas pistas sobre o que acontece em nossos cérebros quando optamos por certos alimentos.

Segundo o neurocientista Fabian Grabenhorst, se você entrasse em uma máquina de ressonância magnética e te oferecessem um milk-shake de chocolate, poderíamos ver o sistema de recompensas do seu cérebro se iluminar como um parque de diversões.

Logo acima dos olhos, está localizado o córtex orbitofrontal, uma parte do cérebro que é especialmente desenvolvida em humanos e primatas.

Nela, grupos de neurônios respondem a diferentes sensações e nutrientes — sabor, cheiro, quão cremoso e encorpado o milkshake é — e quanto mais seus neurônios se iluminam, mais apetitosa a comida em questão parece.

Duas coisas que alegram particularmente estes neurônios de recompensa são a gordura e o açúcar.

E combinações de gordura e açúcar podem ser ainda mais atraentes, como no caso do milkshake, de um donut ou de uma fatia de torta.

Mas nossos neurônios não respondem apenas a essas sensações, eles também são ativados quando você está planejando o que comer — em uma espécie de competição entre si para serem “escolhidos”.

E uma vez que você decide, os mesmos neurônios acompanham seu progresso — à medida que você come, eles vão ficando cada vez menos ativos, conforme você se aproxima da saciedade.

Mas não estamos totalmente à mercê das demandas de nosso córtex orbitofrontal. Ter informações sobre os alimentos pode fazer uma grande diferença.

Vamos voltar àquela máquina de ressonância magnética, e tomar agora um pouco de sopa. Tem dois tipos — uma sopa é identificada como de ‘sabor rico e delicioso’, e a outra como ‘água de legume cozido’.

Seus neurônios se iluminam mais ao tomar a sopa de ‘sabor rico e delicioso’, e menos com a ‘água de legume cozido’.

Mas tem uma pegadinha: é a mesma sopa. A única diferença é o nome, e isso é suficiente para mudar completamente sua experiência, conforme mostram estudos.

Este experimento também foi feito com vinho — dizer às pessoas que determinado vinho era mais caro aumentava a atividade dos neurônios e deixava o vinho com um sabor melhor.

Outra parte do cérebro envolvida na escolha dos alimentos é a amígdala — estrutura localizada no lobo temporal (lateral), que processa nossas emoções.

Ela também tem um papel quando você decide onde ir comer com outra pessoa.

Se você já viu no passado o que esta pessoa prefere, sua amígdala terá desenvolvido os chamados neurônios de simulação — que permitem a você prever as intenções do outro e incluir assim em suas próprias sugestões do que comer juntos.

As diferenças em nossos genes também são um fator que explica quão suscetíveis somos ao canto da sereia dos nossos neurônios de recompensa — algumas pessoas são naturalmente mais responsivas à recompensa que sentimos ao comer açúcar e gordura do que outras.

Aspecto social

Experimentos científicos nos oferecem pistas sobre como nossos cérebros computam nossas escolhas sobre o que comer, mas a maneira como lidamos com essas escolhas em nossas vidas e na sociedade também é complexa.

De acordo com Emily Contois, professora assistente de Estudos de Mídia da Universidade de Tulsa, nos EUA, vários fatores influenciam nossa escolha do que comer.

“O que está disponível no supermercado? O que é conveniente? O que é acessível financeiramente? O que traz boas lembranças? O que é gostoso para nós? O que achamos saudável? Qual é o nosso estado de saúde atual? O que define nossas ideias sobre quem somos?”, enumera ela para a BBC Ideas.

E as redes sociais, segundo ela, ganharam um papel importante neste processo.

“O Instagram, e o desejo de que as pessoas sejam capazes de tirar belas fotos de comida, transformaram a ideia de que ‘você é o que você come’, em ‘você é o que você posta'”, avalia.

Contois afirma que buscamos uma série de coisas diferentes a partir dos alimentos que consumimos — como conforto, conexão com nossa família ou nossa herança ancestral e até mesmo um senso de controle.

“Quando vivemos em momentos repletos de conflitos econômicos, políticos e sociais, às vezes buscamos na comida aquela sensação de segurança e proteção. Então, nesses momentos, às vezes vemos as pessoas se interessarem muito por ideias relacionadas à simplicidade, saúde e pureza, como uma maneira de nos protegermos de contextos fora do nosso controle”, explica.

Desta forma, a comida fala um pouco também sobre quem somos.

“(Sobre) Toda a complexidade da nossa identidade. O que comemos conta histórias sobre nosso gênero e nossa sexualidade, nossa raça e nossa etnia, nossa classe social ou nossas aspirações em relação à nossa classe social, a região onde vivemos, seja uma área urbana ou rural. O que comemos conta essas histórias contraditórias e complexas sobre quem somos”, diz ela.

No futuro, podemos usar nosso conhecimento sobre o que acontece em nossos cérebros para criar alimentos atraentes com poucas calorias e saudáveis.

E podemos nos ajudar entendendo como nossos neurônios de recompensa tramam para conseguir o que querem.

Podemos ficar atentos a momentos em que tendemos a fazer escolhas erradas, como quando optamos por determinado alimento por causa de um rótulo que consideramos atraente, e não pelo teor em si.

No fim das contas, pelo menos não estamos totalmente à mercê de nossos neurônios de recompensa. Podemos usar nossa compreensão para ajudar a pensar em alimentos saudáveis ​​e fazer escolhas saudáveis.

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*Fonte: bbc-brasil

Por que comer menos pode ser o segredo para uma vida mais longa e saudável

Em um restaurante em um futuro não tão distante, há um homem e uma mulher em seu primeiro encontro. Depois que os nervos iniciais se acalmaram, tudo vai bem.

O homem conta que tem 33 anos, passou a maior parte da vida solteiro e, embora ele não mencione, está tentando estabelecer-se e formar família. A mulher responde que tem 52 anos, foi casada, divorciou-se e tem filhos com pouco mais de 20 anos. Ele não fazia ideia disso – ela parecia ter a sua idade ou menos.

Este é o sonho de Julie Mattison, do Instituto Nacional do Envelhecimento (NIA, na sigla em inglês), nos Estados Unidos. Ela imagina um tempo em que o envelhecimento cronológico aumenta um ponto todos os anos, mas a idade biológica pode ser definida por um cronômetro diferente, segundo o qual a palavra “idoso” não tem o mesmo significado atual.

Parece algo distante, mas a nossa sociedade já fez grandes avanços rumo a esse objetivo, graças aos progressos da medicina e melhorias da vida saudável. Em 2014, por exemplo, a Pesquisa Nacional de Saúde dos Estados Unidos concluiu que 16% das pessoas com 50 a 64 anos de idade enfrentavam dificuldades diárias, causadas por doenças crônicas. Três décadas antes, esse número era de 23%.

Em outras palavras, além do aumento da expectativa de vida, também estamos vivendo “períodos saudáveis” mais longos – e cada vez mais flexíveis. Parafraseando – e atualizando – o discurso do então presidente norte-americano John F. Kennedy durante a primeira Conferência da Casa Branca sobre o Envelhecimento em 1961, pode-se realmente acrescentar vida aos anos, em vez de apenas anos à vida.

Alimentação pode ser a solução
Mas o que precisamos fazer para aumentar ainda mais a duração e a qualidade da nossa vida? Pesquisadores de todo o mundo estão examinando diversas ideias, mas, para Mattison e seus colegas, a resposta é uma simples alteração na alimentação.

Eles acreditam que a solução para uma velhice melhor pode ser reduzir a quantidade de alimento nos nossos pratos, em uma abordagem chamada de “restrição de calorias”. Essa dieta vai além de reduzir alimentos gordurosos de vez em quando; ela propõe a redução gradual e cuidadosa do tamanho das porções, de forma permanente.

Desde o início dos anos 1930, verificou-se que uma redução de 30% da quantidade de alimento consumido por dia proporcionou vida mais longa e ativa a minhocas, moscas, ratos, camundongos e macacos. Em outras palavras, a restrição de calorias é comprovadamente o melhor remédio para os estragos causados pelo tempo em todo o reino animal – e é possível que os seres humanos também só tenham a ganhar com isso.

Relatos históricos
A noção de que a alimentação de uma pessoa influencia sua saúde é, sem dúvida, anterior a qualquer relato histórico que tenha sobrevivido até hoje. Mas, como ocorre frequentemente com qualquer área da ciência, os primeiros relatos detalhados remontam à Grécia Antiga.

Hipócrates – um dos primeiros médicos a afirmar que as doenças têm causas naturais e não sobrenaturais – observou que muitas enfermidades são associadas à gula. Podia-se observar claramente que os gregos obesos normalmente morriam com menos idade que os gregos magros.

Fora desse epicentro da ciência da antiguidade, essas mesmas ideias foram adotadas e adaptadas ao longo dos séculos – até que, no final do século 15, Alvise Cornaro, um aristocrata com saúde frágil de uma pequena aldeia perto de Veneza, na Itália, mudou por completo o conhecimento aceito na época.

Se a alimentação excessiva é prejudicial, será que a moderação alimentar seria benéfica?

Para descobrir a resposta, Cornaro, então com 40 anos de idade, passou a comer apenas 350 g de alimentos por dia – ou cerca de mil calorias, segundo estimativas recentes. Ele comia pão, panetela (uma espécie de canja) ou caldo e ovos. As carnes escolhidas eram de vitela, cabra, boi, perdizes, pássaros, qualquer outra ave que estivesse disponível e Cornaro comprava peixe pescado nos rios da região.

Restringindo a quantidade, mas não a variedade, Cornaro afirmava ter atingido “saúde perfeita” até sua morte, mais de 40 anos depois. Ele alterava sua data de nascimento à medida que envelhecia, afirmando que havia chegado aos 98 anos, mas acredita-se que ele tenha morrido com cerca de 84 anos de idade – ainda assim, um feito impressionante no século 16, quando uma pessoa com 50 ou 60 anos já era considerada idosa.

Em 1591, seu neto publicou seu livro póstumo em três volumes intitulado “Tratado da Vida Sóbria”, que apresentou a restrição alimentar para o público e redefiniu o próprio envelhecimento.

Cornaro afirmava que, com um estímulo adicional de boa saúde no final da vida, os idosos, com total posse das suas capacidades mentais, poderiam fazer bom uso de suas décadas de conhecimento acumulado. Com sua dieta, a beleza estava na velhice, não na juventude.

Estudos sobre a longevidade
Cornaro foi uma pessoa fascinante, mas suas descobertas não devem ser consideradas irrefutáveis por nenhum ramo da ciência. Mesmo que seu relato seja verdadeiro e ele não tenha sofrido problemas de saúde por quase meio século, o que parece improvável, ele foi um estudo de caso de uma pessoa, que não representa os seres humanos como um todo.

Um estudo fundamental em 1935 com ratos brancos demonstrou que a restrição alimentar de 30 a 50% amplia o período de vida, retardando a morte por doenças e distúrbios relativos à idade – mas é claro que o que funciona para ratos ou outros animais de laboratório poderá não funcionar para seres humanos.

Testes de longo prazo, que acompanhem seres humanos do início da idade adulta até a morte, são raros. “Não considero estudos de longevidade em seres humanos como programas de pesquisa financeiramente viáveis”, afirma Mattison. “Mesmo se você começar com pessoas com 40 ou 50 anos de idade, ainda estará possivelmente considerando mais 40 ou 50 anos [de estudo].”

E ela também acrescenta que é quase impossível evitar que fatores externos – prática de exercícios, fumo, tratamentos médicos e bem-estar mental – influenciem os resultados finais do teste, em nossa espécie social e culturalmente complexa.

Por isso, no final dos anos 1980, dois testes de longo prazo independentes – um no NIA e outro na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos – foram estabelecidos para estudar a restrição de calorias e o envelhecimento em macacos Rhesus, que não apenas compartilham 93% do nosso DNA, mas também envelhecem da mesma forma que nós.

Lentamente, após a meia-idade (cerca de 15 anos, nos macacos Rhesus), as costas começam a curvar-se, a pele e os músculos começam a cair e seus pelos, quando ainda crescem, mudam de coloração, de marrom para cinza.

As similaridades vão ainda mais longe. Nesses primatas, a ocorrência de câncer, diabete e doenças cardíacas aumenta com a idade, tanto em frequência quanto em severidade. “Eles são um excelente modelo para estudar o envelhecimento”, segundo Rozalyn Anderson, gerontologista da Universidade de Wisconsin.

E seu controle é mais fácil. As dietas dos 76 macacos da Universidade de Wisconsin e dos 121 animais do NIA, compostas de biscoitos especialmente preparados, são específicas para cada idade, peso e apetite natural. Todos os macacos receberam o complemento total de nutrientes e sais minerais de que seus corpos necessitam – mas a metade dos macacos (o grupo com restrição de calorias) comeu 30% menos.

Esse grupo sequer chegou perto de passar fome ou sofrer subnutrição. Um exemplo é Sherman, um macaco com 43 anos de idade do NIA. Mattison afirma que, desde que foi colocado em restrição de calorias em 1987, com 16 anos de idade, Sherman não manifestou nenhum sinal explícito de fome, tão característico na sua espécie.

Sherman é o macaco Rhesus mais idoso já registrado, cerca de 20 anos mais velho que a expectativa de vida média da sua espécie em cativeiro. Enquanto macacos mais jovens desenvolviam doenças e morriam, ele parecia ser imune ao envelhecimento. Mesmo na casa dos 30 anos de idade, quando teria sido considerado um macaco idoso, ele não se parecia nem agia como um animal de mais idade.

O mesmo ocorreu, ainda que com variações, com seus companheiros de experimento no NIA. “Temos menor incidência de diabete e câncer nos grupos com restrição de calorias”, afirma Mattison. Em 2009, o estudo da Universidade de Wisconsin publicou resultados similares – e excelentes.

Não apenas os macacos em restrição de calorias pareciam sensivelmente mais jovens – com menos queda da pele e pelos em maior quantidade, com coloração marrom em vez de cinza – que os macacos que receberam alimentação padrão, mas também seus organismos internos eram mais saudáveis e livres de patologias. As ocorrências de câncer, como o adenocarcinoma intestinal, que é comum entre eles, foram reduzidas em mais de 50%. O risco de doenças cardíacas também foi reduzido pela metade.

E, enquanto 11 dos macacos com alimentação ad libitum (“à vontade”, em latim) desenvolveram diabete e cinco exibiram sinais de pré-diabete, a regulação da glicose no sangue pareceu saudável em todos os macacos com restrição de calorias. Para eles, a diabete não era um problema.

Ao todo, apenas 13% dos macacos no grupo com restrição de calorias haviam morrido de causas relativas à idade em 20 anos. No grupo ad libitum, 37% haviam morrido, quase três vezes mais que no outro grupo. Em um estudo de atualização da Universidade de Wisconsin em 2014, esses percentuais permaneceram estáveis.

“Demonstramos que o envelhecimento pode ser manipulado em primatas”, afirma Anderson. “Parece pouco significativo porque é óbvio, mas conceitualmente a importância é enorme. Significa que o envelhecimento é um objetivo razoável para intervenções clínicas e tratamento médico.”

Em outras palavras, se o envelhecimento puder ser retardado, todas as doenças associadas à idade também serão. “Tratar de cada doença, uma de cada vez, não ampliará significativamente a expectativa de vida das pessoas, pois elas morrerão por outras causas”, afirma Anderson. “Se você curar todos os cânceres, não postergará a morte por doenças cardiovasculares, demência ou distúrbios associados à diabete. Mas, se combater o envelhecimento, você pode retardar todo o conjunto de doenças de uma vez só.”

A restrição de calorias entre os seres humanos
Comer menos certamente parece ajudar os macacos, mas a restrição de calorias é muito mais difícil para as pessoas no mundo real. Nosso acesso a refeições regulares com alto teor de calorias, por exemplo, nunca foi mais simples; com serviços como o iFood e o Uber Eats, não é mais necessário andar até o restaurante. Além disso, ganhar peso simplesmente é mais natural para algumas pessoas.

“Existe um enorme componente genético em tudo isso e permanecer magro é muito mais difícil para algumas pessoas que para outras”, ressalta Anderson. “Todos nós conhecemos alguém que pode comer um bolo inteiro e nada acontece – ele simplesmente não engorda – enquanto outra pessoa apenas caminha ao lado de uma mesa onde há um bolo e já precisa comprar uma calça maior.”

Idealmente, a quantidade e os tipos de alimentos que comemos devem ser especificamente definidos para quem nós somos – nossa predisposição genética para ganhar peso, a forma como metabolizamos os açúcares, como armazenamos gordura e outros fluxos fisiológicos que estão além do escopo das instruções científicas no momento e, talvez, para sempre.

Mas a predisposição à obesidade pode ser usada para orientar as escolhas da vida e não ser tomada como algo inevitável. “Eu mesma tenho histórico genético de obesidade em toda a minha família e pratico uma forma flexível de restrição calórica”, afirma Susan Roberts, cientista alimentar da Universidade Tufts em Boston, nos Estados Unidos.

“Mantenho meu Índice de Massa Corporal em 22 e [calculei] que preciso comer 80% do que comeria normalmente se meu IMC fosse de 30, como todos os outros membros da minha família”, afirma ela. Roberts salienta que não é difícil – ela segue seu próprio programa de controle de peso com uma ferramenta chamada iDiet para ajudá-la a comer menos, mas evitando sentir fome ou não ter prazer ao comer. Se isso não fosse possível, ela diz que não praticaria a restrição de calorias.

Roberts não apenas testemunhou os problemas de obesidade na família, mas também conhece os benefícios da restrição de calorias mais que a maioria das pessoas. Há mais de 10 anos, ela é uma das principais cientistas do estudo conhecido como Determinação Abrangente dos Efeitos a Longo Prazo da Redução da Ingestão de Energia (ou Calerie, na abreviação em inglês). Ao longo de dois anos, 218 homens e mulheres saudáveis, com idades de 21 a 50 anos, foram divididos em dois grupos. Em um deles, permitiu-se que as pessoas comessem como fariam normalmente (ad libitum), enquanto os demais comeram 25% menos que o normal (redução de calorias). Ambos os grupos examinaram sua saúde a cada seis meses.

Ao contrário dos estudos com macacos Rhesus, os testes ao longo de dois anos não conseguiram determinar se a redução de calorias diminui ou retarda as doenças relacionadas com a idade, pois simplesmente não há tempo suficiente para o seu desenvolvimento. Mas o estudo Calerie verificou os eventos mais próximos: os primeiros sinais de doenças cardíacas, câncer e diabete.

Publicados em 2015, os resultados após dois anos foram muito positivos. No sangue das pessoas com restrição de calorias, a relação entre colesterol “bom” e colesterol “ruim” havia aumentado, as moléculas associadas à formação de tumores – chamadas de fatores de necrose tumoral (TNFs, na sigla em inglês) – foram reduzidas em cerca de 25% e os níveis de resistência à insulina, que sinalizam a diabete, caíram em cerca de 40%, em comparação com pessoas com alimentação normal. De forma geral, a pressão sanguínea também era mais baixa.

É verdade que alguns dos benefícios podem advir da perda de peso. Os exames iniciais do estudo Calerie haviam incluído pessoas obesas e também com índice de massa corporal (IMC) saudável de 25 ou menos e o emagrecimento certamente teria aumentado o bem-estar dos participantes com peso mais alto.

“O que ficou bastante claro há muito tempo é que ser obeso ou mesmo estar apenas acima do peso é ruim para você”, segundo Roberts. Ela acrescenta que as doenças e os distúrbios que antigamente se acreditava serem associados à idade agora estão aparecendo na população obesa.

Mas os resultados mais recentes indicam que benefícios significativos para a saúde podem ser obtidos em corpos já saudáveis – pessoas que não são obesas, nem estão abaixo do peso. Ou seja, aquelas com IMC de 18,5 a 25.

Apesar desses resultados, evidências de testes adicionais serão necessárias antes de aconselhar a alguém que já tenha IMC saudável que reduza sua ingestão de calorias – e aconselha-se a qualquer pessoa que deseje mudar sua alimentação a consultar antes um profissional médico.

O que desencadeia o processo?
Os cientistas esperam que seus macacos Rhesus possam ajudar a compreender exatamente por que a restrição de calorias pode trazer esses efeitos.

Com cerca de 30 anos de dados sobre vivos e mortos e amostras de sangue e tecidos de cerca de 200 macacos, o trabalho do NIA e da Universidade de Wisconsin pretende aumentar o conhecimento sobre a restrição de calorias, esclarecendo como ela retarda o envelhecimento.

Com menos alimentos, o metabolismo é forçado a ser mais eficiente com o que recebeu? Existe uma chave molecular reguladora do envelhecimento que é ligada (ou desligada) com menos calorias? Ou existe um mecanismo ainda desconhecido que determina nossa vida e nossa morte?

As respostas a essas questões poderão demorar para chegar. “Se eu fizesse 10 clones de mim mesma e todos eles trabalhassem sem parar, [mesmo assim] acho que não resolveríamos a questão”, afirma Anderson. “A biologia é extraordinariamente complicada.”

Esta é uma tarefa compensadora – compreender como a redução de calorias e outros tratamentos poderão ser utilizados para abordar essa parte específica da nossa biologia. O envelhecimento poderia ser tratado diretamente, ou seja, sem necessidade de restrição de calorias. “E acho que este realmente é o bilhete dourado”, afirma Anderson.

Mesmo na falta de uma explicação clara, a restrição de calorias é um dos caminhos mais promissores para melhorar e prolongar a saúde na nossa vida. “Não há nada nas pesquisas que nos faça pensar que a restrição calórica não funcione nas pessoas”, segundo Roberts, do estudo Calerie. E, ao contrário dos tratamentos com remédios, ela não traz uma longa lista de possíveis efeitos colaterais. “As pessoas do nosso estudo não sentiam mais fome, seu humor era bom e suas funções sexuais, também. Tentamos de todas as formas descobrir efeitos ruins, mas não encontramos”, afirma Roberts.

Um problema esperado era uma leve redução da densidade óssea, frequentemente relacionada à perda gradual de peso, segundo Roberts. Mas, como precaução, os voluntários receberam pequenos suplementos de cálcio ao longo de todo o estudo.

Mesmo com essas descobertas promissoras, “isso [o estudo Calerie] é o primeiro estudo da sua espécie e acho que nenhum de nós teria confiança suficiente para dizer ‘está bem, vamos recomendar isso para todas as pessoas do mundo'”, afirma Roberts. “Mas é uma perspectiva realmente fascinante. Acho que retardar a progressão de doenças crônicas é algo que todos nós podemos apoiar e que pode nos deixar empolgados, pois ninguém quer passar a vida com uma dessas doenças.”

Alex Riley é escritor e vive em Berlim, na Alemanha. Sua conta no Twitter é @riley_alex.

Importante: Todo o conteúdo desta reportagem é fornecido apenas como informação geral e não deverá substituir o conselho profissional do seu médico ou de outro profissional de assistência médica. A BBC não é responsável por nenhum diagnóstico elaborado pelos usuários com base no conteúdo deste site. A BBC não é responsável pelo conteúdo de nenhum site de internet externo mencionado, nem recomenda nenhum serviço ou produto comercial mencionado ou comercializado em nenhum desses sites. Consulte sempre o seu médico em caso de qualquer preocupação com a sua saúde.

*Por Alex Riley
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*Fonte: bbc-brasil

Chocolate e café podem virar produtos de luxo se a humanidade seguir destruindo o planeta

Se hoje o chocolate e o café são consumidos como alimentos do dia a dia, abundantes e acessíveis nos supermercados do mundo todo, em breve as mudanças climáticas podem torná-los em verdadeiros artigos de luxo, tão caros quanto raros.

Oferta e demanda são palavras-chave para compreender essa previsão, apontada por diversos estudos recentes: tornados populares entre os séculos XVII e XIX, tanto o café quanto o chocolate poderão ter seus cultivos reduzidos consideravelmente com a elevação da temperatura global, que atingirá grande parte das terras utilizadas para a produção dos dois produtos, entre tantos outros alimentos ameaçados de extinção.

Chocolate em risco
Uma pesquisa recente realizada pelo Environmental Change Institute (Instituto de Mudança Ambiental), da Universidade de Oxford, no Reino Unido, aponta que áreas de cultivo em países como Gana e Costa do Marfim podem se tornar inviáveis para a produção de cacau, por exemplo, se as emergências climáticas elevarem a temperatura em dois graus.

As previsões afirmam que, até 2050, metade das terras utilizadas para o cultivo de café poderão se tornar improdutivas, alterando de forma inequívoca e radical a produção e oferta dos alimentos: em suma, café e chocolate possivelmente voltar a ser produtos de luxo.

Café em risco
Segundo outro estudo, no mesmo período o impacto das alterações também será sentido de forma dramática nas regiões de cultivo da América Latina: a redução nas fazendas de café da região poderá ser de 88% até 2050 por conta do aumento das temperaturas.

Algumas especiarias e temperos como açafrão e baunilha já têm atualmente sua produção reduzida pelos mesmos motivos, causando aumentos agudos nos preços, sugerindo que, em breve, diversos alimentos que hoje fazem parte do cardápio diário das populações podem se tornar inacessíveis. A intensidade e a recorrência maior de fenômenos meteorológicos como chuvas intensas e furacões também poderão impactar essas produções.

Foi somente em meados do século XIX que o chocolate deixou de ser uma comida rara para começar a se tornar um alimento acessível e popular no mundo todo, principalmente após o químico holandês Coenraad Johannes van Houten ter desenvolvido o processo de fabricação do chocolate em pó, permitindo assim que o produto passasse a ser fabricado em maiores escalas.

Já o café começou a conquistar o mundo no século XVII, depois que os europeus carregaram suas mudas da Etiópia e de outros países africanos para ser produzida em todo o mundo – hoje o café é a segunda bebida mais consumida do planeta, atrás somente da água.

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*Fonte: hypeness

Esses 4 alimentos parecem saudáveis mas não são

Nos dias atuais, a busca por um estilo de vida mais saudável e hábitos alimentares positivos é o que a maioria das pessoas está querendo. Aumentar a expectativa de vida e se preocupar com o ‘como’ viverá os anos seguintes é quase regra atualmente.

E todos sabem que uma boa alimentação pode influenciar na nossa saúde e na disposição que temos para enfrentar o dia a dia. O segredo não está em apenas comer frutas e legumes. Mas sim fazer uma dieta equilibrada com todos os alimentos em quantidades certas. Isso porque o nosso corpo precisa de um pouco de cada alimento para que se tenha uma vida saudável.

Nessa busca, existem algumas armadilhas alimentares. Elas são os alimentos que parecem ser saudáveis mas, na realidade, não são. Por mais que se saiba que as melhores opções são sempre os ingredientes naturais, como frutas, legumes, vegetais e carnes magras, parar com o hábitos ruins nem sempre é fácil.

Claro que às vezes, alguns produtos industrializados podem ser consumidos sem que isso atrapalhe muito no objetivo da pessoa. Seja ele emagrecer, ganhar massa muscular ou melhorar a saúde. Contudo, é preciso sempre estar atento a essas armadilhas.

Segundo a nutricionista Aline Huguenin, alguns alimentos devem ser ignorados por ter muito açúcar, gordura, sal e aditivos, e não ter nenhum valor nutricional. Mostramos aqui quais são essas principais armadilhas alimentares.

1 – Suco de caixinha
Os sucos são bons para a saúde. Mas os sucos de caixinha não são necessariamente naturais. Eles podem ter conservantes, corantes e grandes quantidades de açúcar, até mesmo mais do que alguns refrigerantes. Por conta disso, Huguenin diz que o ideal é substituí-los pelos sucos naturais.

2 – Barrinhas de cereal
Claro que se pode encontrar barrinhas de cereal que sejam saudáveis, ricas em fibras, com baixo teor de açúcar e poucos aditivos químicos. Contudo, em alguns casos a embalagem pode ser mais convidativa do que a nutrição do produto. Por isso é importante ficar atento e ver se elas não tem altos níveis de glicose, conservantes, gorduras e corantes.

3 – Peito de peru
Substituir presunto, salame e mortadela pelo peito de peru pode até ser menos agressivo para o organismo, mas isso não quer dizer que seja mais saudável. Até porque, todos eles são da mesma família de embutidos. “Tem grande quantidade de sódio e aditivos como o nitrato”, ressaltou Huguenin.

4 – Chocolate diet
Da mesma maneira que qualquer outro produto diet, ele não é necessariamente mais saudável e nem menos calórico. “Próprio para pessoas diabéticas e não para quem procura perder peso ou ter uma alimentação saudável, pois contém maior quantidade de gorduras”, pontuou a nutricionista.

5 – Olhar rótulos
A última dica é mais geral. Para ficar bem atento aos rótulos dos produtos e saber interpretá-los. “Perca nem que seja um minutinho olhando a lista de ingredientes. E quando for abrir uma exceção e comer coisas não tão saudáveis (o que pode e deve ser feito, às vezes, sim), faça com consciência, bom senso e com o que realmente vale a pena”, recomendou a endocrinologista e metabologista Paula Pires.

*Por Bruno Dias
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Fonte: fatosdesconhecidos

Beber café pode diminuir o risco de desenvolver Alzheimer, diz estudo

E para os apaixonados por café, uma boa notícia. De acordo com um estudo australiano da Edith Cowan University (ECU), beber o líquido em grande quantidade pode diminuir a probabilidade de desenvolver a doença de Alzheimer.

A pesquisa acompanhou durante 10 anos mais de 200 australianos e o processo da ingestão de café diário em seus organismos. A investigadora principal, Dra. Samantha Gardener, disse que os resultados do estudo mostraram uma associação entre o café e vários marcadores importantes relacionados à doença degenerativa.

“Descobrimos que participantes sem problemas de memória e com maior consumo de café no início do estudo tinham menor risco de transição para comprometimento cognitivo leve – que geralmente precede a doença de Alzheimer – ou de desenvolver a doença de Alzheimer ao longo do estudo”, contou.

Beber café diariamente reduz o risco de morrer por doenças no fígado
Beber café pode diminuir o risco de desenvolver Alzheimer, diz estudo. Imagem: Polina Lebed (Pixabay)
Publicada na Frontiers of Aging Neuroscience e divulgada pelo Medical Xpress, a pesquisa também relacionou os resultados positivos na melhora cognitiva à bebida, especificamente a função executiva que inclui planejamento, autocontrole e atenção. Para a pesquisadora, apesar de mais estudos serem necessários, a descoberta pode ajudar a retardar a doença.

“É uma coisa simples que as pessoas podem mudar. Pode ser particularmente útil para pessoas que correm o risco de declínio cognitivo, mas não desenvolveram nenhum sintoma. Podemos ser capazes de desenvolver algumas diretrizes claras que as pessoas possam seguir na meia-idade e, com sorte, ter um efeito duradouro”, afirmou.

O estudo, no entanto, não conseguiu estabelecer um número exato de xicaras de café por dia para que o possível desenvolvimento da doença seja atrasado. Contudo, segundo Gardener, “se a xícara média de café feita em casa é 240g, aumentar para duas xícaras por dia poderia reduzir o declínio cognitivo em 8% após 18 meses[…] [além de] 5% no acúmulo de amiloide no cérebro no mesmo período.”

Por ora, o estudo também não conseguiu diferenciar o café com cafeína do descafeinado, nem os benefícios ou consequências da forma como foi preparado (método de preparação, presença de leite e / ou açúcar, etc.).

“[Ainda] precisamos avaliar se a ingestão de café poderia um dia ser recomendada como um fator de estilo de vida com o objetivo de retardar o aparecimento da doença de Alzheimer”, destacou a especialista.


*Por Tamires Ferreira

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*Fonte: olhardigital

Regra dos 5 segundos: a comida que cai no chão é segura?

Um biscoito ou um pedaço de pão recém-saído do pacote fatalmente cai no chão. Nessa situação trágica, é comum que alguém invoque a regra dos 5 segundos. Ou seja, se o alimento for resgatado do chão em até 5 segundos, a contaminação não é perigosa.

Para entender a regra dos 5 segundos, é primeiro preciso entender a distribuição de microrganismos em uma superfície. Bactérias, fungos, vírus e protozoários estão presentes em praticamente todos os ambientes da superfície do planeta. O chão das nossas cozinhas, não é exceção.

Para as bactérias, especialmente, há a característica de ubiquidade. Ou seja, estes microrganismos (milhares de espécies diferentes) estão distribuídos de forma mais ou menos uniforme em praticamente toda superfície que tenha as condições adequadas. Dentre estas bactérias estão também as patogênicas, causadoras da cólera, salmonela e tantas outras doenças.

Assim, quando um bolinho ou um pedaço de chocolate cai no chão, não existe limite de tempo para o resgate. Isso porque a contaminação é instantânea, e em torno de 99% dos microrganismos que estão na superfície se transferem para a comida derrubada.

Em poucas palavras, a regra dos 5 segundos não é uma forma de evitar microrganismos. Apesar disso, é muito difícil que ela vá te matar. Não por conta do tempo em si, mas porque o corpo humano tem milhões de barreiras e defesas contra patógenos.


O segredo, então, é o sistema imune, e não a velocidade para reaver a comida derrubada. Ainda assim, é um comportamento arriscado.


Fatores que influenciam a contaminação da comida que cai no chão

Como dito acima, a contaminação é invariável. Contudo, pesquisas mostram que a extensão da contaminação pode depender das superfícies, tanto do alimento quanto do chão.

Alimentos mais úmidos, como um pedaço de melancia ou uma carne crua, facilitam a passagem de microrganismos para a comida. Isso porque a aderência das bactérias, sobretudo, é maior. Além do mais, a umidade é essencial para estes microrganismos de fato se manterem vivos após o contato.

O mesmo vale, ademais, para a superfície do chão. Pisos mais lisos e, evidentemente, mais sujos, tendem a acumular mais microrganismos. O chão também é significativamente mais contaminante que uma mesa ou bancada devido à frequência de limpeza e contato com microrganismos. Calçados tendem a carregar grãos de sujeira repletos de bactérias e vírus.

Ainda de acordo com o CDC (Centers for Disease Control and Prevention ), em torno de 12% de todos os casos de doenças infecciosas ligadas à alimentação ocorrem pelo contágio por superfícies, como o piso da cozinha.

*Por Matheus Marchetto
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*Fonte: socientifica

Confira 3 dicas para deixar o café feito em casa mais gostoso

O preparo do café em casa faz parte da rotina diária de muitas pessoas. Porém, algumas dicas podem deixar o cafezinho caseiro ainda mais gostoso.

As formas de preparo para deixar a bebida ainda mais saborosa são do blog Coffee & Joy. Assim, o texto de Débora Reis mostra alguns cuidados básicos e fáceis que podem ser tomados em casa para que o café do dia a dia fique melhor ainda. Isto independente se o preparo é no filtro de papel, de pano, na prensa francesa ou qualquer outro método.

Confira as dicas para fazer um bom café:

1. A água do café: ferver ou não ferver?
A água é um ingrediente fundamental no preparo do café, já que cerca de 90% do café é composto por água. Portanto, o ideal é utilizar sempre água filtrada ou mineral, que não tenha um gosto excessivo de cloro.

“Evite usar água direto da torneira, já que, em alguns lugares, essa água tem muitos minerais com sabores fortes, inclusive o cloro”, indica o Coffee & Joy.

O ideal é que a água seja retirada do fogo assim que ferver. “Logo que a água ferver, use uma parte dessa água imediatamente para escaldar os equipamentos. Isso vai ajudar a limpar, tirar resquícios de papel ou pano, se estiver usando coador ou filtro.”

Lembre-se de descartar em seguida a água que usou para escaldar.

“Fazendo este processo bem rápido e não ultrapassando 1 minuto, o tempo entre a fervura da água e a limpeza dos equipamentos será suficiente para que o restante da água da chaleira fique em uma boa temperatura para usar no café.”

2. Como escolher o café e qual a proporção correta
Segundo o Coffee & Joy, um café de qualidade demanda um árduo trabalho no campo. Saber a origem e o produtor responsável fazem toda a diferença.

“Dessa maneira, é possível ter a garantia de estar consumindo algo de qualidade e também beneficiando o trabalho dedicado que foi realizado pelo produtor, o principal responsável pelo café. Optar por uma torra fresca e bem feita garante que as características aromáticas e de sabor de um grão estejam acentuadas. Isso não significa que o café torrado há muito tempo fique impróprio para consumo.”

Com um café de qualidade em mãos, outra dica importante é moer o café na hora.

Observe as proporções. O equilíbrio é o segredo para ter um café saboroso. Nem muito concentrado e nem muito ralo. Por isso, é importante acertar as medidas na hora de preparar o café.

Para não errar mais, uma colher de sopa muito cheia possui cerca de 13 a 15 gramas de café. Um copo americano cheio, até a marca da linha antes do topo, possui 130ml de água.

Para cafés especiais, um bom ponto de partida é usar 10g de café para cada 100ml. Mas é só uma recomendação.

O importante é ir experimentando e encontrar a medida ideal que atenda ao gosto pessoal de quem vai tomar o café.

3. Como guardar o café
Se a embalagem original não for adequada ou se preferir colocar em outro utensílio, não utilize potes transparentes. Prefira os vidros marrons e potes escuros.

Também certifique-se de que o pote esteja bem tampado para não entrar ar e evitar o processo de oxidação.

Não guarde o café na geladeira. A mudança de temperatura e o aroma de outros alimentos que ficam na geladeira afetam o sabor do café.

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Fonte: huddocafe

Os aditivos químicos presentes em 4 de cada 5 alimentos vendidos nos mercados do Brasil

Quando a nutricionista Vanessa Montera investigou a presença de aditivos em alimentos vendidos nos supermercados, ela levou um susto — não só porque muitos tinham (o que ela já esperava), mas porque alguns tinham vários aditivos, e muitos deles só servem para disfarçar que certas comidas poderiam ser difíceis de engolir de outra forma.

Seu estudo mostrou que os aditivos estão por toda parte no mercado: quatro em cada cinco dos quase 9,9 mil alimentos analisados tinham ao menos um aditivos entre os ingredientes e um quarto tinham seis ou mais.

O estudo de Montera foi o primeiro do tipo a ser feito nessa escala no Brasil. A nutricionista diz que, apesar de ser esperado que alimentos industrializados contenham aditivos — substâncias naturais ou sintéticas que são usadas para alterar as características de um produto —, ela não imaginava que os encontraria nesse número.

“Alguns alimentos são coquetéis de aditivos. Chegamos a encontrar um produto de panificação que tinha 35. Foi o recorde.”

Outra coisa que chamou sua atenção foi o uso intensivo dos aditivos cosméticos, como são chamados por uma parte dos profissionais da área aqueles aditivos que mudam o sabor, o aroma e a forma dos alimentos, embora essa classificação não seja oficialmente reconhecida por autoridades brasileiras.

Corantes, saborizantes, aromatizantes, emulsificantes, entre outros, garantem que alimentos que passaram por vários processos industriais na sua fabricação correspondam ao que os consumidores esperam deles. São usados porque esse processamento pode às vezes alterar os alimentos a ponto de deixá-los irreconhecíveis.

Diferentemente de outros aditivos, como os conservadores, por exemplo, os aditivos cosméticos não ajudam a fazer com que as comidas sejam mais baratas, durem mais tempo, cheguem a mais pessoas ou possam ser consumidas com mais segurança.

Na prática, são o equivalente a uma maquiagem dos alimentos. “Não precisariam nem estar ali”, diz Montera.

Sua presença nos alimentos, principalmente quando são muito frequentes, funciona como um indicativo de que este alimento é ultraprocessado — e cada vez mais pesquisas associam esse tipo de comida a doenças.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regula o uso dos aditivos em alimentos e estabelece os níveis máximos de consumo diário para uma pessoa.

Mas alguns nutricionistas têm dúvidas se esses limites são realmente seguros, porque comemos cada vez mais alimentos ultraprocessados, que têm muitos aditivos.

Eles apontam ainda para evidências de que há aditivos que podem fazer mal à saúde — o que a indústria nega — e também para problemas na forma como esses ingredientes são informados nos rótulos.

Por isso, defendem que as regras sejam revistas pela agência, e está previsto que isso ocorra em breve.

Outro questionamento vem da comparação desta pesquisa brasileira com um estudo semelhante na França, que apontou um uso substancialmente menor de aditivos por lá.

Isso indicaria, de acordo com cientistas, que muitos produtos vendidos no Brasil são mais artificiais e de pior qualidade.

O que são aditivos alimentares

Aditivos são qualquer ingrediente adicionado ao alimentos sem o propósito de nutrir.

Eles modificam as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais do produto, durante sua fabricação, processamento, preparação, tratamento, embalagem, acondicionamento, armazenagem, transporte ou manipulação.

Essas substâncias ajudam a garantir que podemos consumir um alimento sem riscos, por exemplo.

Embora bastante associados à alimentação moderna, eles não são uma novidade. Já eram usados em sociedades antigas, como o sal que é adicionado para preservar uma comida.

O vinagre das conservas, o açúcar dos alimentos cristalizados e a fumaça da defumação são outros exemplos de aditivos bastante comuns.

Mas também se tornaram bem comuns aditivos sintéticos, que passaram a ser empregados pela indústria para produzir comida em larga escala e fazer com que ela chegue em boas condições para os consumidores.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso dos aditivos se justifica quando ele tem uma utilidade clara, como preservar o valor nutricional ou a estabilidade de um alimento, e não é usado para enganar o consumidor.

Cientistas também apontam que seu uso excessivo pode ser problemático.

Aditivos por toda parte
A nutricionista Vanessa Montera investigou em seu estudo como esses aditivos são usados pela indústria no Brasil.

Esse trabalho foi sua tese de doutorado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e foi publicado no periódico Food and Function, da Sociedade Real de Química, do Reino Unido.

A nutricionista analisou uma base de dados elaborada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor a partir da visita a dez lojas das cinco maiores redes de supermercado do país em duas cidades, Salvador e São Paulo.

Todos os produtos embalados tiveram seus rótulos fotografados. De cerca de 14 mil itens, foram excluídos os que estavam duplicados, as águas engarrafadas e aqueles que não tinham informações nutricionais nas embalagens. Restaram 9.856 alimentos, que foram divididos em 25 categorias.

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Em seguida, foram verificados os ingredientes de cada um deles. A cientista concluiu que 79,4% tinham ao menos um aditivo.

Mas isso conta apenas uma parte da história, porque a minoria (11,6%) tinha um aditivo só, enquanto 19,8% tinham dois ou três, 23,2% tinham quatro ou cinco e 24,8% — a maior parcela do total — tinham seis ou mais.

Os produtos com mais aditivos foram as bebidas de fruta saborizadas (com teor de suco abaixo de 30% e pós e concentrados para preparo de refrescos). Nesses produtos, em média, os aditivos representavam 79,7% do número total de ingredientes listados.

Também se destacaram refrigerantes (74,5%), outras bebidas (57,3%) — tais como aquelas à base de soja, chás prontos para consumo, bebidas para desportistas, leite de coco —, produtos lácteos não adoçados (51,1%), néctares (49,7%), produtos lácteos adoçados (45,6%) e doces e sobremesas (45,4%).

Entre os cinco aditivos mais usados, quatro eram do tipo cosmético — a exceção foram os conservadores, que fazem com que os alimentos durem mais tempo.

Os aromatizantes, que dão cheiro a um produto, foram de longe o aditivo mais comum. Estavam em 47,1% dos produtos.

Depois, vieram os conservadores (28,9%), os corantes (27,8%; conferem cor à comida), os estabilizantes (27,6%; mantêm a dispersão de componentes) e os emulsificantes (19,4%; mantêm uma mistura).

“Os conservadores têm um propósito, porque a indústria precisa fazer com que esses produtos possam ficar mais tempo na prateleira, mas os aditivos cosméticos só servem para deixar o pão mais fofinho, fazer o iogurte ficar rosa, deixar o creme de leite mais branco. Seu único propósito é tornar o produto mais atraente para o consumidor e, por isso, não são estritamente necessários”, avalia Montera.

A nutricionista argumenta que sua pesquisa mostra que a indústria de alimentos está pesando a mão no uso desses ingredientes.

“Tinha um produto que tinha um umectante [que previne a perda de umidade] e um antiumectante [que impede a absorção de umidade]. Qual é o sentido disso?”, questiona.

O que dizem as regras
A principal preocupação é com o impacto no corpo que o consumo desses aditivos causa, dizem os nutricionistas.

O Ministério da Saúde se negou a comentar o assunto e disse à BBC News Brasil que caberia à Anvisa tratar do tema.

A agência afirmou por sua vez, em comunicado, que analisa os riscos envolvidos no consumo de aditivos e determina quais são permitidos e seus limites máximos, para que a indústria possa tirar proveito deles sem prejudicar os consumidores.

As substâncias são avaliadas caso a caso, segundo a Anvisa, e o fabricante precisa comprovar que elas são seguras, necessárias e que o consumo médio esperado não traz perigos.

A agência disse ainda que segue as regras e recomendações da OMS, da Organização para Alimentação e Agricultura, e o que é praticado na União Europeia e nos Estados Unidos.

Mas nutricionistas ouvidas pela reportagem acreditam que a Anvisa pode (e deve) fazer melhor.

Um dos problemas apontados é que os limites diários determinados pela agência levam em conta a ingestão de um aditivo individualmente e determinam o quanto pode ser usado em um único produto.

Mas isso seria colocado em xeque pelo aumento em todo o mundo, medido por diversas pesquisas, do consumo de produtos ultraprocessados, que contêm muitos aditivos.

Isso significa que, na prática, não é difícil alguém consumir mais de um alimento que contém o mesmo aditivo e ir além do limite considerado seguro.

Também não seria levado em consideração nas regras atuais que esses aditivos são consumidos muitas vezes de forma combinada. Como a pesquisa de Vanessa Montera mostra, é comum que alimentos tenham vários aditivos.

Por fim, a lei brasileira não exige que o rótulo informe a quantidade de aditivos usada em cada produto, explica Daniela Canella, pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens-USP).

“Não temos como saber o quanto estamos comendo. A indústria diz que isso é segredo industrial e que não revela para que os concorrentes copiem seus produtos, mas isso significa que a gente desconhece o quanto a gente consome de aditivo no Brasil”, diz Canella, que também é professora da Uerj e orientou Montera em sua pesquisa de doutorado.

O que diz a Ciência

A Ciência ainda é inconclusiva sobre se os aditivos causam ou não prejuízos à saúde.

Há estudos que apontam indícios de que seu consumo por pode estar ligado a distúrbios de comportamento, transtornos mentais, alergias, alterações no metabolismo do corpo, obesidade e câncer.

Existe ainda a preocupação com o fato de os ultraprocessados acostumarem nosso paladar a um excesso de certos ingredientes, como sódio e açúcar, tornando mais difícil adquirir o gosto pelos alimentos in natura, que são fontes de nutrientes.

A indústria de alimentos diz que os aditivos são importantes para garantir a segurança e o valor nutricional dos alimentos e que não há por que se preocupar.

A Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Ingredientes e Aditivos para Alimentos disse à BBC News Brasil que o número de aditivos na composição de um produto “não tem nenhuma relação” com o alimento ser saudável ou não.

“A quantidade máxima permitida leva em conta a interação entre os aditivos em todas as categorias de alimentos, bem como a ingestão diária aceitável, com base no perfil alimentar da população brasileira”, declarou a entidade.

Por sua vez, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos disse à reportagem que os aditivos são usados em “pouquíssimas quantidades” e controlados rigorosamente.

“Não há evidências que demonstrem que a combinação de aditivos num mesmo alimento possa oferecer riscos à saúde humana”, afirmou a associação.

Um dos motivos é que essas pesquisas quase não são feitas, argumenta Daniela Canella.

“Não há estudos no Brasil e existem pouquíssimos no mundo que analisam os aditivos somados, isso normalmente é feito com cada um deles sozinho. É possível que o efeito cumulativo deles não seja seguro”, afirma a nutricionista.

Vanessa Montera aponta outros problemas. De acordo com a pesquisadora, a maioria das pesquisas, que são feitas pela própria indústria, analisam apenas se os aditivos são tóxicos ou causam mutações nas células e não investigam os prejuízos que podem causar ao metabolismo, ou seja, ao funcionamento do corpo.

“Tem alguns estudos que apontam efeitos preocupantes, mas realmente não é nada que nos faça bater o martelo. Mas, ainda assim, deveria ser adotado o princípio da precaução, porque, da mesma forma que não dá pra dizer com 100% de certeza que são prejudiciais, também não dá pra garantir que não são”, diz a cientista.

Além disso, os estudos são realizados majoritariamente em animais, explicam os especialistas. Não seria ético fazer pesquisas dos efeitos em humanos, dando aditivos às pessoas para ver o que acontece.

A saída, explica Canella, é fazer os chamados estudos observacionais, em que se acompanha um grupo de pessoas por um tempo e se analisam seus hábitos e estilo de vida e os problemas de saúde para ver se há alguma correlação.

“É difícil fazer estudos assim porque sempre pode ter havido outra influência. Pode ter sido a poluição, e não o aditivo, que causou uma doença, por exemplo. Por isso, o nível de evidências nunca vai ser o ideal, o que é uma maravilha para a indústria, que sempre vai poder dizer que não dá pra estabelecer uma relação de causa e consequência, e é verdade”, diz a pesquisadora da USP.

Anvisa vai rever regras de aditivos
Uma outra preocupação surge com a comparação do estudo feito por Montera no Brasil com outro na França.

A pesquisa com 126 mil produtos alimentícios disponíveis nos supermercados franceses apontou que 53,8% tinham aditivos e 11,3% tinham cinco ou mais aditivos — bem abaixo dos índices encontrados no estudo brasileiro.

“Isso mostra que talvez a qualidade dos alimentos que estão sendo oferecidos aqui é pior do que a dos alimentos de lá”, diz Montera.

A nutricionista afirma ainda que, se a amostra do estudo nacional fosse tão grande quanto a da pesquisa francesa, os resultados poderiam ser ainda piores.

“A Europa tem um controle maior sobre o uso de alguns aditivos alimentares”, explica Montera.

Ter mais aditivos é sinal de pior qualidade porque essas substâncias são usadas muitas vezes para substituir ingredientes naturais.

Em tese, por exemplo, uma empresa poderia usar morangos de verdade para deixar o iogurte rosa, mas morangos são mais caros do que um corante.

Os aditivos também servem para “maquiar” os produtos ultraprocessados, diz Canella, tornando seu aspecto, textura e gosto aceitáveis.

A nutricionista defende que cabe ao governo brasileiro exigir padrões de qualidade melhores das fabricantes de alimentos.

“Os países têm legislações mais e menos rigorosas. Se em um lugar você pode usar matéria-prima de pior qualidade, esse país se torna um refugo da indústria. Se dá pra produzir mais barato e a legislação não barra, por que uma empresa vai ter mais despesa e menos lucro?”, questiona Canella.

Também seria bom que os rótulos informassem melhor sobre esses ingredientes, indicando sua quantidade, por exemplo, acrescenta Montera.

O Brasil terá uma oportunidade de aprimorar suas regras para os aditivos. Está prevista na agenda da Anvisa para o período entre 2021 e 2023 a modernização das regras e procedimentos para autorização do uso dos aditivos em alimentos.

Mas, questionada sobre esse assunto, a agência disse à BBC News Brasil que não iria comentar.

*Por Rafael Barifouse
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*Fonte: bbc-brasil

Startup evita o desperdício de mais de 10 toneladas de alimentos

Empresa recupera excedentes de produção e oferece refeições com até 70% de desconto aos consumidores

Em 2020, cerca de 811 milhões de pessoas passaram fome no mundo ao mesmo tempo em foram desperdiçadas 931 milhões de toneladas de alimentos. No Brasil, esta triste contradição se repete: o país está novamente no mapa da fome, com quase 50 milhões de pessoas nas faixas de insegurança alimentar grave ou moderada, enquanto muita comida vai parar no lixo, todos os dias.

Os dados do Programa Mundial de Alimentos (WFP), da Organização das Nações Unidas (ONU) retratam um grave problema social e também ambiental. A perda e desperdício de alimentos deixa uma pegada de carbono de 3,3 gigatoneladas de CO2. Além disso, para a produção de comida que vai parar no lixo, são usados recursos naturais que acabam sendo também desperdiçados.

Combater o desperdício de alimentos é uma das medidas mais importantes para solucionar o problema da fome e a crise climática, além do desequilíbrio ambiental. E um dos focos do desperdício está em estabelecimentos comerciais, como bares, restaurantes e padarias, que acabam descartando alimentos em perfeitas condições que estão próximos à data de vencimento ou são excedentes da produção.

Atuando nesta etapa, entra a startup Food To Save. Com um modelo simples e sustentável, a empresa oferece aos consumidores próximos aos estabelecimentos parceiros, entregas de alimentos ou refeições com até 70% de desconto, evitando o desperdício, gerando receita para os comerciantes e economia para os clientes.

A foodtech já evitou que mais de 10 toneladas de alimentos fossem descartados na Capital Paulista e Grande ABC, nos últimos cinco meses.

A venda dos produtos é feita por meio de“sacolas surpresa”, que podem ser adquiridas via delivery ou retiradas diretamente nos estabelecimentos escolhidos.

São mais de 100 estabelecimentos cadastrados na Capital Paulista e Grande ABC, entre restaurantes, padarias, hortifrutis, sacolões, docerias, e muitos outros.

“QUEREMOS COMBATER O DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS NO PAÍS E FAZER COM QUE MAIS PESSOAS TENHAM ACESSO A BONS ALIMENTOS. SE A GENTE PODE FAZER ISSO DE FORMA MAIS SUSTENTÁVEL E AJUDANDO O MEIO AMBIENTE, POR QUE NÃO?”

Lucas Infante, CEO e cofundador da startup desperdício de alimentos food to save

O CEO e cofundador da startup, Lucas Infante, revela tem como objetivo chegar a 600 estabelecimentos até o fim do ano, expandindo a atuação para todos os bairros da grande São Paulo, e muito em breve estar nas principais cidades do país.

Ainda segundo Infante, o diferencial da plataforma é também buscar estar presente em todos os lugares, desde bairros nobres até regiões mais periféricas.

Como funciona a Food To Save?
Os pedidos podem ser feitos direto no site da foodtech, ou pelo aplicativo, disponível para Android e IOS. Basta inserir o CEP da residência em que deseja receber os produtos ou retirá-los, e visualizar os estabelecimentos mais próximos que possuem sacolas disponíveis no dia.

De acordo com o que estiver disponível, a plataforma mostra o valor que deverá ser pago e o tipo de produto que irá na sacola surpresa, podendo o cliente escolher entre doce, salgada e mista.

*Por Natasha Olsen
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*Fonte: ciclovivo

‘Bananapocalipse’: a banana como a conhecemos está caminhando para a extinção

Se você pensa que a banana é a mais extraordinária, saborosa e importante fruta que existe, saiba que, de modo geral, o resto do mundo concorda: trata-se da fruta mais popular e que mais movimenta economias e até mesmo a nutrição em todo o planeta. Enquanto uma população estadunidense consome uma média individual de 12 quilos de banana por ano, fazendo desta a fruta mais consumida no país, em Uganda, por exemplo, esse número se multiplica de forma assombrosa: são cerca de 240 quilos anuais de banana consumida em média pela população. Assim, naturalmente que uma fruta, espécie de símbolo também do Brasil, movimenta economias entre fazendeiros e mesmo nações por todo o planeta – mas o alarme sobre o banana já está soando há alguns anos, pois essa fruta tão incrível estáameaçada de extinção .

Já falamos da banana naturalmente azul e com gosto de sorvete de baunilha?


O problema que ameaça uma banana tão amada é essencialmente genético: uma das primeiras frutas a ser domesticada pelo ser humano, há mais de 7 mil anos, uma banana se reproduz de forma assexuada, e o desenvolvimento de novos tipos é complexo, demorado e não necessariamente irá agradar os consumidores. Uma banana que consumimos hoje, por exemplo, é muito diferente de sua versão original. Até os anos 1950 o tipo mais consumido de banana no mundo era chamado de Gros Michel – uma versão mais longa, delgada e doce do fruto, exportado essencialmente da América Central.Em descrição dos anos 1950, porém, um fungo provocou o chamado Mal do Panamá, dizimando boa parte dos bananais da região: a solução encontrada foi investir em outra variedade, a chamada banana Cavendish, então imune ao mal, que até então era cultivada em um palácio na Inglaterra, e que representa atualmente mais da metade da quantidade da fruta consumida no mundo.

Fungos: o apocalipse das Bananas

No Brasil a banana Cavendish é conhecida como nanica ou d’água – e o restante da produção global (que em 2018 passou das 115 milhões de toneladas globais) fica entre as outras mais de mil variedades da fruta, como a Maçã ou a Prata, plantadas no Brasil porém bastante suscetíveis a outras doenças similares ao Mal do Panamá – que seguem marchando pelo mundo, ameaçando o futuro da fruta. Pois é isso que os produtores vem chamando de ‘bananapocalipse”: a incapacidade de se diversificar, se misturar, torna a fruta especialmente frágil a males e fungos, que não costumam ser tratáveis nem desaparecem do solo, mesmo décadas após a infecção.

Invenção pode evitar desperdício de 250 milhões de bananas por ano

É o caso do Sigatoka-Negra, mal provocado pelo fungo Mycosphaerella fijiensís Var. difformis, que atualmente é visto como a principal ameaça para o cultivo. Além disso, uma variação do Fusasrium, fungo que provoca o Mal do Panamá, também surgiu – e essa afetou as plantações de banana Cavendish. O novo fungo é chamado TR4, e provoca o mesmo mal, fazendo a história se repetir com um nada discreto agravante: não há atualmente alguma variante que seja imune e possa substituir a Cavendish ou os outros tipos também ameaçados. Se as populações mais ricas podem simplesmente substituir o fruto, para muitas pessoas ele é a principal fonte de nutrição e renda – e a ameaça é realmente apocalíptica.

2 a cada 5 espécies de plantas no mundo estão em risco de extinção

Existem, como já foi dito, muitos tipos de banana, mas nem todos são do agrado do público ou mesmo são mais resistentes contra os fungos. Uma solução a curto prazo são como bananas alteradas geneticamente, que já existem e foram testadas em algumas partes do mundo, mas que não costumam ser bem aceitas pelo público em geral. Enquanto isso, fazendeiros e cientistas obtêm tentando desenvolver novos tipos, mais resistentes e adequados para a produção e o consumo – mas o futuro segue incerto. O que se sabe é que depender somente da Cavendish ou de outro tipo de banana atualmente não é uma solução, mas sim uma passagem mais rápida e trágica para uma nova crise sem precedentes envolvendo o fruto mais amado do planeta.

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*Fonte: hypeness

Como as comidas processadas se tornaram tão danosas à saúde

Desde o momento em que um humano antigo inovador decidiu cozinhar sua carne na fogueira, há pelo menos 400 mil anos, até o advento da agricultura, de 10 mil a 15 mil anos atrás, as pessoas processam alimentos.

Nossos ancestrais faziam fermentação (essencial para o álcool e laticínios), moíam e assavam (pães e massas) e descobriram como conservar a carne salgando-a ou deixando em salmoura.

O processamento de alimentos foi essencial para a expansão da civilização humana.

Mas como ele se tornou sinônimo de dietas com alto teor de gordura, açúcar e sal? E será que os alimentos processados ​​que consumimos hoje têm alguma semelhança com suas formas originais?

Cada uma das primeiras formas de processamento de alimentos mencionadas acima tem um propósito claro: cozinhar adiciona sabor e amacia os alimentos — tornando as raízes e legumes mais fáceis de mastigar e de se extrair nutrientes a partir delas.

Fermentar, moer e assar também tornam alguns alimentos mais acessíveis do ponto de vista nutricional e mais fáceis de digerir.

É muito difícil para nosso corpo extrair qualquer coisa útil de um grão de trigo, mas ao fermentá-lo para produzir cerveja ou moê-lo em forma de farinha, você consegue obter um alimento rico em calorias.

Técnicas como o salgamento e a pasteurização tornam os alimentos mais seguros e prolongam sua duração.

Isso permitiu que os humanos viajassem mais longe e sobrevivessem a invernos frios ou períodos de fome severa.

Ainda fazemos isso hoje. Grande parte do processamento de alimentos consiste em tornar os alimentos mais seguros e duradouros, o que é melhor para o meio ambiente, pois significa menos desperdício de comida.

Mas é claro que alguns alimentos processados ​​fazem muito mal à saúde. Em que momento isso aconteceu?

O 4º Conde de Sandwich talvez seja mais conhecido por dar seu nome ao que conhecemos hoje como duas fatias de pão com um recheio no meio. No entanto, também tem o dedo dele em algo básico nas refeições — o refrigerante.

As bebidas com gás surgiram na Grã-Bretanha há 250 anos. O conde de Sandwich detinha então o título de primeiro lorde do almirantado e supervisionava o bem-estar da Marinha britânica.

As viagens marítimas no século 18 eram lentas e terríveis. Podiam durar meses longe da terra e do suprimento de água e alimentos frescos.

As tripulações dependiam de seus suprimentos.

A água podia ser armazenada por semanas ou meses no porão (a dessalinização era uma ciência incipiente e ainda não era amplamente usada no século 18), onde apodrecia e ficava rançosa. Não é de se admirar que os marinheiros preferissem rum.

Em busca de uma maneira de tornar a água potável vencida mais palatável, Sandwich recorreu ao químico Joseph Priestley.

A água com gás natural de nascentes já era consumida por seus benefícios à saúde — Priestley queria fabricar a sua própria.

Em um panfleto de 1772, Priestley descreveu um método de produção de 15 minutos de um recipiente de “água impregnada com ar fixo [dióxido de carbono]”.

Ele acreditava que a água com gás (carbonatada) — que ele chamava de água medicinal — poderia prevenir o escorbuto:

“Em geral, as doenças nas quais a água impregnada com ar fixo provavelmente serão úteis são aquelas de natureza pútrida”, ele escreveu.

Ele estava errado. Mas esbarrou com algo razoavelmente útil: a água gaseificada é ligeiramente ácida, o que significa que é um pouco antimicrobiana e, portanto, fica rançosa mais lentamente do que a água fresca.

“As bactérias não são grandes fãs do ácido carbônico”, diz Michael Sulu, engenheiro bioquímico da Universidade College London (UCL), no Reino Unido.

Com a aprovação do conde de Sandwich, a água medicinal de Priestley foi um sucesso.

Impulsionadas pela inovação, as águas medicinais decolaram. Os primeiros exemplos bem-sucedidos incluíam a água tônica, feita com quinino da casca da árvore da cinchona, que agia como um antimalárico.

A água tônica com quinino foi amplamente consumida pelos europeus a partir de meados do século 19 por esse motivo (embora as propriedades antimaláricas da casca de cinchona fossem conhecidas havia séculos pelos indígenas sul-americanos).

O que aconteceu a seguir é uma história semelhante a de muitos dos alimentos altamente processados ​​nas prateleiras do supermercado.

Os refrigerantes modernos com alto teor de açúcar são “fortemente vilipendiados”, diz Sulu — bem longe de suas origens benéficas.

Da mesma forma, os cereais matinais estão muito distantes dos grãos que nossos ancestrais moíam, e o chocolate, as carnes, os laticínios e até mesmo o sorvete moderno seriam irreconhecíveis para nossos ancestrais.

Então, como chegamos a esse ponto?

A busca por extratos naturais para fortificar as bebidas com gás no século 19 levou a águas medicinais ainda mais exóticas. Várias empresas começaram a produzir bebidas estimulantes e cafeinadas com extratos da noz de cola.

A Pepsi-Cola, originalmente inventada na década de 1890 e chamada de “Brad’s Drink”, era um digestivo.

Acredita-se que seu nome seja uma referência à pepsina, uma das enzimas digestivas, ou à dispepsia, o nome científico da indigestão, e ao sabor de cola, embora a receita não contivesse noz de cola nem pepsina.

A Coca-Cola, aromatizada com noz-de-cola e folhas de coca, foi anunciada pela primeira vez como um “tônico cerebral ideal” no fim do século 19.

A combinação de cafeína e folhas de coca a tornava uma bebida estimulante.

As folhas da coca são mastigadas cruas ou preparadas no chá para liberar seus agentes psicoativos por indígenas sul-americanos há séculos. (A Coca-Cola diz que a bebida nunca conteve cocaína, que pode ser derivada de folhas de coca).

À medida que os consumidores começaram a pedir sabores, cheiros e cores consistentes, e as regras e regulamentos passaram a proibir certos ingredientes, os fabricantes de alimentos tiveram que adaptar seus produtos.

Foi a demanda por um condimento consistente de tomate, por exemplo, que levou ao desenvolvimento do ketchup da Heinz.

O sabor e a textura de um produto podem ser recriados com um extrato em vez de um ingrediente integral? Os avanços na química estavam tornando isso possível. E podiam deixar os alimentos mais baratos.

“O problema é que, no último meio século, um tipo diferente de processamento de alimentos foi desenvolvido”, diz Fernanda Rauber, epidemiologista nutricional da Universidade de São Paulo (USP), sobre o que hoje chamamos de “alimentos ultraprocessados “

“Estas substâncias não seriam encontradas em nossa cozinha. Normalmente, contêm pouca ou nenhuma proporção de alimentos de verdade.”

“Muito comumente, eles usam o que chamamos de aditivos cosméticos — cores, sabores, espessantes, emulsificantes, agentes gelificantes — para melhorar as propriedades sensoriais dos alimentos, para dar algo à substância que de outra forma não teria gosto de nada, apenas de amido puro”, diz Priscila Machado, nutricionista de saúde pública da Universidade Deakin, em Geelong, na Austrália.

“O problema quando você pensa sobre essas substâncias é que isoladamente elas não adicionam nada particularmente nutritivo à comida. O alimento é mais do que a soma dos nutrientes que ele contém. Não há antioxidantes e fitoquímicos que encontragmos em alimentos integrais, se eles são retirados no processamento.”

Mesmo quando os nutrientes são adicionados de volta, como cereais fortificados com ferro ou fibras, a comida pode não ser tão saudável quanto parece. Nutrientes adicionados não funcionam tão bem quanto aqueles encontrados em alimentos integrais, diz ela.

“São esses fitoquímicos — flavonoides, polifenóis — que oferecem benefícios à saúde”, concorda Eileen Gibney, vice-diretora do Instituto de Alimentos e Saúde da University College Dublin, na Irlanda.

Se você checar a lista de ingredientes da Coca-Cola moderna, encontrará apenas “sabores naturais”, cuja fórmula é segredo.

A Coca-Cola ainda continha extratos da folha de coca até pelo menos 1988, mesmo que a cocaína tenha sido removida muito antes.

A bebida fez sucesso por causa do sabor de coca, não por causa de seu efeito “tônico”.

Sulu afirma que parte do processamento moderno de alimentos é feito por motivos estéticos, e não pelo motivo original, que pode ter se tornado redundante.

Assim como as bebidas com gás, o chocolate moderno está muito distante de sua versão original.

O chocolate é originário da antiga Mesoamérica, onde os grãos de cacau eram fermentados como uma bebida quente de sabor amargo.

Sabemos de uma maneira geral como esse chocolate quente era preparado ao analisar camadas de resíduos absorvidos no interior das cerâmicas dos antigos maias: os grãos de cacau eram moídos, mas não em um pó seco como poderíamos esperar hoje — e, sim, em uma polpa oleosa.

Após a fermentação, os óleos ficariam na parte de cima da bebida, e os grãos afundariam, criando camadas no interior dos copos.

Representações de consumidores de chocolate quente nas obras de arte dos antigos maias também revelam que a bebida pode ter sido destinada ao uso comum em cerimônias.

Os astecas foram responsáveis pela inovação seguinte em termos de chocolate, optando por tomar seu chocolate frio e temperado.

Separar a gordura da manteiga, moer e torrar a massa de grão seco para produzir cacau em pó foi uma inovação que veio depois e pode ter facilitado o armazenamento e transporte.

Ao secar o pó, o chocolate poderia ser comercializado como mercadoria ou transportado de navio pelos mares. Não precisava mais ser preparado apenas fresco para cerimônias.

Os químicos começaram a experimentar novas reformulações para o chocolate à medida que o mercado de confeitaria crescia.

Mas só na década de 1840 que alguém tentou produzir em massa uma barra de chocolate sólida misturando cacau em pó, açúcar e manteiga de cacau.

Hoje, a adição de açúcar contribui para muitos dos problemas de saúde que as pessoas associam aos alimentos processados ​​(eles representam mais de 10% do total de calorias das pessoas).

Mas nem sempre foi o caso. O açúcar foi por muito tempo um produto de luxo.

Então, por que o açúcar refinado é adicionado em tanta quantidade aos alimentos processados, e por que não usamos mais açúcares naturais, como a frutose?

“Açúcares obtidos por síntese química, como xarope de milho rico em frutose e açúcar invertido, são ingredientes comuns de baixo custo em alimentos ultraprocessados”, diz Rauber.

“Os açúcares são usados ​​em grandes quantidades pela indústria para dar sabor a alimentos que tiveram seus sabores intrínsecos processados ​​e para mascarar sabores desagradáveis ​​no produto final. Esses açúcares não são usados ​​apenas como adoçantes, mas têm funções tecnológicas importantes nos alimentos, proporcionando textura, volume, cor e atuando como conservantes.”

É verdade que as frutas contêm muito açúcar natural, “mas (o nível) é surpreendentemente baixo para a doçura que você obtém”, diz Sulu.

Em comparação, os produtos de confeitaria processados ​​contêm mais açúcares para alcançar a mesma doçura.

Grande parte do açúcar está lá para encorpar os alimentos processados.

O açúcar, a gordura e o sal têm sido tema de campanhas de saúde pública, mas, como diz Rauber, nem sempre é simples retirá-los de alimentos em que cumprem uma função química.

Veja, por exemplo, as emulsões adicionadas a alimentos com baixo teor de gordura para dar a sensação de gordura na boca, que é amplamente considerada como o “sexto sabor”.

Podemos precisar nos acostumar a mais processamento — mas por razões de saúde pública — no futuro, conforme encontrarmos maneiras de manter os alimentos frescos e com sua melhor aparência sem esses ingredientes.

Encontrar novas maneiras de estruturar os alimentos será uma forma importante de processamento de comida no futuro, concorda Gibney, à medida que avançamos em direção a uma dieta à base de plantas.

“As dietas à base de plantas realmente vão desafiar o conceito de que vamos processar menos”, diz ela.

“A natureza de ter que extrair nutrientes das plantas para criar produtos que os consumidores vão querer que tenham o mesmo sabor, textura e cheiro significará que precisaremos processar alimentos.”

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

*Por William Park
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*Fonte: bbc-brasil

4 dicas saborosas para fazer pizzas vegetarianas

O chef Henrique Campos ensina como alcançar sabores intensos nas pizzas sem carne.

Atualmente estima-se que 30 milhões de brasileiros são vegetarianos, ou seja, não comem nenhum tipo de carne ou ingrediente de origem animal. Esse é, portanto, um mercado em expansão para os chefs de cozinha, que inovam para criar pratos saborosos extraindo o melhor de frutas, legumes, verduras e oleaginosas.

O chef Henrique Campos é especialista em gastronomia italiana e notou a necessidade de incluir pratos vegetarianos e veganos no cardápio do seu restaurante, o Figurate Italian Food, principalmente nos sabores das pizzas. “Cada vez mais os pedidos sem carne crescem e é preciso estar atento à demanda. O grande segredo de uma pizza vegetariana ou vegana gostosa de verdade é testar ingredientes e combinações até extrair o máximo de sabor das combinações”, afirma.

Com pizzas vegetarianas e veganas em seu cardápio, a operação gastronômica que atende por delivery em Curitiba, o chef Henrique Campos elenca dicas para quem deseja fazer uma deliciosa pizza sem carne. Anote:

1. Explore queijos diferentes
Existem centenas de receitas de queijos feitos com ingredientes de origem vegetal disponíveis na internet, todas muito, mas muito saborosas. Para quem acha que o gosto é diferente, não se engane, fica muito similar, inclusive com a textura parecida. Os mais comuns são com oleaginosas, como amêndoas e castanhas, mas existem receitas até com grão de bico e mandioca.

“A dica é testar, eu gosto muito dos queijos com castanha, ficam semelhantes a um queijo feito de leite, combina muito com pizza e são mais fáceis de encontrar”, diz o chef.


2. Capriche no molho de tomate

A receita tradicional do molho de tomate é vegana, já parou para pensar nisso? É cebola, alho, tomate e temperos à gosto, fácil e rápido.

“O molho de tomate faz toda a diferença na pizza, por isso aconselho caprichar nessa etapa, escolhendo bem os tomates e temperando com atenção. Isso vai fazer toda a diferença”, ressalta.


3. Aposte na abobrinha

A abobrinha é um ingrediente versátil, rápido de fazer e que a maioria das pessoas aprova. Seja em lasanhas, salgados, empadões, a abobrinha harmoniza fácil com outros ingredientes. Uma pizza com queijo e abobrinha temperada pode ser um bom início para quem está começando a preparar ou consumir pizzas vegetarianas e veganas.

4. Cogumelos sempre
Os cogumelos são um clássico da culinária internacional e o funghi é, inclusive, um dos ingredientes mais queridos da gastronomia italiana. Está presente em massas, risotos, sopas e, claro, pizzas. Que tal experimentar em sua próxima

“Cogumelos são saborosos e trazem uma textura interessante para a pizza, além do valor protéico. Vale a pena investir”, finaliza o chef.

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*Fonte: ciclovivo

É verdade que a água faz diferença no sabor da cerveja?

O universo cervejeiro é cheio de histórias, e quanto mais cerveja é consumida, mais relatos surgem, e mais pessoas se consideram experts no precioso líquido. Uma dessas lendas é a certeza que muitos têm de que determinadas águas especiais são o “segredo” para o sabor diferenciado de algumas cervejas.

Nessa categoria de cervejas mitológicas estariam a Brahma e a Skol de Agudos (SP), a Bohemia com água da serra de Petrópolis (RJ), a saudosa Antarctica produzida em Pirapora (MG). Internacionalmente, são famosas: a irlandesa Guinness feita com água do rio Liffey de Dublin e a Pilsen, fabricada na cidade do mesmo nome na República Tcheca.

Infelizmente, por mais românticas que possam parecer, essas histórias não são reais. Pelo menos, nos tempos atuais. Segundo Maurício Beltramelli, autor do livro Cervejas, Brejas & Birras, “a um custo baixo, qualquer indústria consegue purificar a água de sarjeta e dotá-la das características ideais para cada tipo de cerveja”.

Qual a importância da água na fabricação da cerveja?

No entanto, o fato de a mudança das características físico-químicas da água ser uma atividade corriqueira desde o início do século XX, isso não significa que a água não tenha um papel essencial na fabricação da cerveja. Afinal, entre 90% a 95% da cerveja são compostos por água.

E, dentro do mundo cervejeiro, o insumo hídrico é dividido em quatro tipos: mole, média, dura e super dura. Assim, as Pilsens, por exemplo, usam água mole em sua fabricação, enquanto as cervejas de estilo Munique são feitas com água dura, com grande teor de cálcio e magnésio.

Mas, se não é pela água, por que é que a cerveja é mais gostosa quando tomada perto do lugar onde é fabricada? A resposta aqui é simples: isso ocorre porque o deslocamento e as viagens afetam a qualidade da bebida. Alguns itens interferem no sabor final, como exposição à luz, lugar de armazenamento, o chacoalhar das garrafas e as alterações bruscas de temperatura.

E, quando ouvimos alguém dizer que “a melhor cerveja é a que se toma olhando a chaminé da fábrica”, a explicação é a idade da bebida, pois, ao contrário do vinho, quando mais nova a cerveja, melhor ela é.

*Por Jorge Marin
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*Fonte: megacurioso

Consumo regular de café traz benefícios à saúde, afirmam cientistas

Acordar com o cheirinho do café passando, fazer uma pausa no meio do dia para uma xícara de café, se sentar para um café com pessoas queridas… O café faz parte do nosso dia a dia e normalmente é associado a bons momentos.

Mas esta bebida que é uma das preferidas no Brasil também está associada a benefícios para a saúde. Estudos recentes relacionam o consumo regular de café a diminuição de riscos de doenças e aumento do bem estar físico e mental.

Pesquisadores das Universidades de Southampton e Edimburgo, publicaram na BMC Public Health, um estudo que revela que beber qualquer de três a quatro xícaras de café por dia reduziu o risco de desenvolver e morrer de doença hepática crônica. E os benefícios aparecem com o consumo de diversos tipos de café.

Quase meio milhão de pessoas com níveis conhecidos de consumo de café foram examinados por meio de dados do UK Biobank. De todos os participantes incluídos no estudo, 78% (384.818) consumiam café moído ou instantâneo com cafeína ou descafeinado, enquanto 22% (109.767) não bebiam nenhum tipo de café. Durante o período do estudo, houve 3.600 casos de doença hepática crônica, incluindo 301 mortes.

Em comparação com os que não bebiam café, os que bebiam café tiveram um risco reduzido de cerca de 21% de desenvolver doença hepática crônica ou gordurosa e um risco reduzido de 49% de morte por doença hepática crônica.

O benefício máximo foi observado no grupo que bebeu café moído, que contém altos níveis dos ingredientes kahweol e cafestol, que se mostraram benéficos contra doenças crônicas do fígado em animais.

Durante muito tempo, o café esteve na lista de possíveis carcinógenos da Organização Mundial da Saúde. Apenas em 2016, a OMS o retirou da lista, mas, mesmo assim, em 2018, a Califórnia aprovou uma lei exigindo que os produtores de café coloquem rótulos de advertência de câncer em seus produtos.

No entanto, descobriu-se que o café realmente ajuda na prevenção de certos tipos de câncer, como o câncer de pele e de próstata.

A “descoberta” do café
Em um programa de história do rádio da BBC, historiadores detalham que o primeiro registro de uso e consumo de grãos de café veio do Iêmen, região que a maioria das pessoas não associa à planta. Segundo os historiadores, um pastor suspeitou dos grãos ao notar suas cabras comendo-o e exibindo hiperatividade.

Depois de consumir os grãos, ele escreveu conseguia ficar acordado a noite inteira orando – uma descoberta pela qual muitos estudantes universitários poderiam ter empatia.

Em alguns grãos de café podem ser encontrados cerca de mil componentes químicos diferentes, e os cientistas muitas vezes lutam para descobrir quais compostos são responsáveis ​​pelos muitos benefícios observados.


Café e saúde

Um estudo da Universidade de Harvard detalha que “há evidências consistentes de estudos epidemiológicos de que o maior consumo de cafeína está associado a um risco menor de desenvolver a doença de Parkinson – 24% por 300 mg de cafeína.

Uma meta análise com mais de 330 mil participantes também identificou a redução de 24% do risco de desenvolver depressão com o consumo de café. Mais uma vez, quanto maior o número de xícaras consumidas, menor o risco. A mesma lógica se aplica para outra análise de estudos que avaliou a relação entre o café e o risco de suicídio – 53% menor para aqueles que beberam 4 ou mais xícaras, 45% menor para aqueles que beberam 2-3 xícaras.

Também vem da Universidade de Harvard uma pesquisa que relatou evidências de que o café pode ajudar a prevenir diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer, Alzheimer e até cálculos biliares.

Apesar do café estar associado à agitação e frequência cardíaca elevada, estudos com milhares de pessoas demonstraram repetidamente riscos mais baixos para várias doenças cardíacas e eventos como acidente vascular cerebral, geralmente com um limite inferior de 11% encontrado com café descafeinado e 25% para cafeinado.

Um estudo publicado pela Nature, em 2019, revelou que o café estimula um tipo de produção de gordura que neutraliza o tipo que leva à obesidade. Descobriu-se que as células in vitro têm estimulação imediata na produção de gordura marrom, um tipo de célula de gordura usada para gerar calor corporal em contraste com a gordura branca, que armazena calorias como energia.

Os resultados, de que o café estimula a produção de gordura marrom, foram replicados em humanos, levando os pesquisadores da Universidade de Nottingham a concluir que o café tem um papel no combate à epidemia de obesidade.

Com todos esses benefícios comprovados pela ciência, temos mais motivos para uma boa xícara de café. Mas é sempre bom lembrar sempre que os excessos podem trazem riscos e que é sempre importante consultar um profissional de saúde para saber os tipos de alimentos mais indicados para o nosso corpo.

*Por Natasha Olsen
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Fontre: ciclovivo

Como o café e o chocolate abalaram a medicina do século XV

Em 1580, durante uma viagem ao Egito, o botânico italiano Prospero Alpini se deparou com um acervo de plantas incomuns, como bananas de formas estranhas, papoulas de ópio vermelhas e baobás robustos.

Quando voltou para a Europa três anos depois, ele divulgou suas descobertas em dois livros: De Plantis Aegypti e Da Medicina Aegyptiorum. Entre suas ilustrações da flora do Oriente Médio e do Norte da África, estava o cafeeiro.

Alpini descreveu que os árabes e egípcios faziam uma bebida quente da planta, que também era vendida em todos os bares como se fosse uma espécie de vinho. Rapidamente, os médicos começaram uma jornada para tentar descobrir o impacto do café na saúde das pessoas, lutando para entender os efeitos dele e de duas outras bebidas que chegaram juntas em meados do século XVI: o chocolate e o chá.

A teoria humoral de Galeno

Na Grécia Antiga, os escritores Hipócrates e Claudio Galeno acreditavam que o corpo era composto de quatro tipos de humores (ou fluídos): sangue, catarro, bile negra e bile amarela. Para eles, cada pessoa tinha uma composição humoral única dentro desse sistema pseudomédico, e que o corpo seria acometido por doenças se essas funções se desequilibrassem.

Em O Poder dos Alimentos, um dos textos mais famosos de Galeno, o médico e filósofo classificou os alimentos como a base em seus poderes humorais. Deixando claro que médicos deveriam usar comida para tratar doenças muito antes de recorrer a cirurgias ou cauterizações, ele descreveu várias receitas em seu livro.

“Galeno acreditava que um bom médico também deveria ser um bom cozinheiro”, disse o historiador Mark Grant.

Em vez de medicamentos, os médicos prescreviam alimentos que ajustassem o equilíbrio humoral do paciente adoentado. Quem sofria de febre, por exemplo, deveria ingerir alimentos frios, como saladas e vegetais. Ao menor sinal de indigestão, tomar pimenta e vinho era a saída adequada.

A derrocada teórica

Com o crescimento do comércio ao longo dos séculos XVI e XVII, a demanda por café, chocolate e chá explodiram, desnorteando os médicos da época que tentavam entender o impacto desses alimentos no humor do corpo.

O chocolate era um problema a parte, visto que mudava de forma e qualidade. “Algumas pessoas diziam que o chocolate é gorduroso, portanto quente e úmido”, disse Ken Albala, professor de História na Universidade do Pacífico. “Mas outros médicos diziam que, se você adicionasse açúcar, ficava amargo e adstringente, por isso era indicado para doenças fleumáticas. Como algo poderia ser seco e úmido ou quente e frio ao mesmo tempo?”.

Conforme as bebidas foram se popularizando pela Europa, os conceitos médicos estabelecidos foram cada vez mais questionados, fazendo desmoronar a teoria humoral.

“Mas os médicos persistiram em manter o sistema humoral galênico e resistiram às pessoas que argumentavam contra ele”, disse Mary Lindermann, professora de História da Universidade de Miami.

No entanto, com a entrada do século XIX, os estudos nos campos da fisiologia, anatomia avançada e farmacologia revolucionaram a Medicina de maneira que o sistema humoral não teve mais como se sustentar.

*Por Julio Cezar de Araujo
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*Fonte: megacurioso

Quanto tempo cada alimento dura na geladeira?

Inegavelmente, a geladeira foi uma invenção do ser humano que revolucionou a forma como armazenamos comida. Até por isso, tornou-se bastante comum que as pessoas acabem esquecendo certos alimentos dentro desses eletrodomésticos e continuarem achando que eles estão em boas condições apenas por estarem sendo mantidos em baixas temperaturas.

O problema, entretanto, é que na prática as coisas não funcionam bem assim. Laticínios, carnes, vegetais e qualquer outro tipo de alimento estão sujeitos a sofrer deterioração e possuem um tempo estimado para serem consumidos de maneira segura e é sobre isso que falaremos nesse texto.

Atenção no mercado

O primeiro passo para evitar com que os alimentos estraguem na geladeira começa ainda dentro do mercado. Mantenha-se sempre atento na hora das compras e busque por sinais que mostrem que o produto adquirido permanece próprio para consumo após sair das prateleiras.

No caso de vegetais, frutas, saladas e produtos não industrializados, o ideal é ficar de olho na aparência. Veja se nenhum deles já está estragado ou amassado. Sobretudo, as cascas desses alimentos devem estar sempre intactas para assegurar a integridade. Já para carnes embaladas à vácuo, escolha sempre aquelas sem sinais de bolhas de ar, com aspecto liso e de cor avermelhada.

Por fim, outro ponto essencial para prestar atenção são os rótulos dos produtos industrializados. Além das tradicionais informações sobre data de fabricação e data de validade, alguns rótulos trazem dados importantes sobre a maneira como cada alimento deve ser conservado e sobre o tempo máximo de consumo após aberto.

Tempo de consumo

Pensando na segurança dos consumidores brasileiros, o Serviço Social do Comércio (Sesc) desenvolveu uma série de cartilhas educativas do programa “Mesa Brasil – Segurança Alimentar e Nutricional” para estabelecer a temperatura e o tempo máximo de armazenamento de produtos refrigerados. Então, atente-se para os seguintes detalhes na sua geladeira após estes produtos serem abertos:

Leites e derivados: 5 dias a 7?°C
Ovos: 7 dias a 10?°C
Carnes: 3 dias a 4?°C
Frutas, verduras e legumes: 3 dias a 5?°C
Produtos de panificação e confeitaria: 5 dias a 5?°C
Frios e embutidos: 3 dias a 4?°C
Sobremesas e preparações com laticínios: 3 dias a 4?°C
Maionese: 2 dias a 4?°C

*OBS: Vale ressaltar que o consumo de alimentos impróprios pode resultar em diarreia, cólicas abdominais, náuseas, vômitos e perda de apetite. Em caso de um desses sintomas, busque ajuda médica imediatamente.


*Por Pedro Freitas

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*Fonte: megacurioso

Qual é a diferença entre ‘diet’ e ‘light’?

Pois é: você vai ao mercado e frequentemente vê rótulos com os termos diet e light e fica com uma certa dúvida do que realmente significam. Por estes termos estarem em alta e serem direcionados pela mídia a um público que se preocupa com a saúde, o processo de influência é considerado eficiente e, assim, você realiza a compra desses produtos e tem como estratégia manter esses produtos na alimentação sem qualquer tipo de conhecimento e recomendação médica a nutricional.

Como o rótulo diz pouco sobre o alimento, muitas vezes há uma grande atração e expectativa sobre eles, e, principalmente pela falta de conhecimento, acontece a ingestão indiscriminada e sem recomendação. A grande questão é que eles podem não ser tão interessantes nutricionalmente, por isso, vamos entender as diferenças entre eles e quando devem ser consumidos.

Quando comer alimentos diet e light?

Por serem utilizadas palavras em inglês, há uma certa falta de compreensão e confusão sobre seus significados. Muitas pessoas acabam achando que produtos diet são para diabéticos, por não conter açúcar, e os produtos light são saudáveis, por não conter gordura. Mas não é bem esta a definição:

Diet

Corresponde a produtos que possuem a exclusão total de um ingrediente, como sal, açúcar, gordura etc., e são direcionados a pessoas que possuem restrição na alimentação por conta de comorbidades, como pressão alta (evitar a ingestão de sódio), diabetes (ter uma dieta pobre em diversos tipos de açúcares/carboidratos), colesterol alto (diminuir o consumo de gorduras saturadas e trans), triglicérides alto (evitar gordura e açúcar).

Por isso mesmo, este não é um produto que possui baixas calorias, como normalmente é pensado. Por conta da ausência de um ingrediente, é necessária a adição de outros componentes para que alguns produtos fiquem saborosos. No contexto final, ele pode acabar sendo mais calórico que alimentos normais ou convencionais e nutricionalmente não saudável.

Light

Caracteriza-se por produtos que têm redução de pelo menos 25% de um ingrediente que está em sua composição (sal, gordura, açúcar etc.) ou diminuição calórica. Assim como o produto diet, o light implica em algumas questões: por ter algum ingrediente, como a gordura, diminuído em 25%, esquecemos de verificar a quantidade dos outros elementos, como o sal e o açúcar, que podem ser mais altos. Por isso, sempre olhe o rótulo antes de comprar qualquer produto.

Esteja sempre atento ao rótulo. A composição do alimento encontra-se lá (quantidades de sódio, gordura, açúcar, por exemplo). Faça a comparação com produtos convencionais. Não se influencie por estes termos, pois eles não são sinônimos de saudável, já que são industrializados e também bem mais caros.

*Por Marcela Andrade Lopes

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*Fonte: megacurioso

Alimentos criados em laboratório serão o futuro das suas refeições?

Pense em um hambúrguer vermelhinho, suculento, saboroso. Mais: nenhum animal precisou morrer para saciar sua fome. A batata frita, macia por dentro e crocante por fora, pode ter vários tipos de design, porque é moldada em uma impressora 3D. O restaurante de comida japonesa deixou o rodízio para trás e dispensou o sushiman; no lugar, sushis que não são feitos de peixe, preparados sob medida para cada cliente. Cenas de um futuro distante? Se depender de cientistas e startups, será a realidade em breve.

E não é capricho. Se hoje somos 7,7 bilhões de pessoas no planeta, em 2050, seremos 10 bilhões, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A produção de comida terá de ser 70% maior e, de preferência, prejudicando o mínimo possível o meio ambiente. Para isso, precisamos rever como nos alimentamos. O último Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, divulgado em agosto, estabelece que precisamos reduzir o consumo de carnes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. O documento destaca que dietas baseadas em proteína animal contribuem com o desmatamento de importantes biomas do mundo, como a Amazônia, e defende uma alimentação rica principalmente em vegetais.

A grande aposta da indústria nesse sentido é desenvolver carnes à base de plantas ou de células de animais — com sabor, textura e qualidade nutricional iguais aos da carne de um bicho. “É um mercado ainda em desenvolvimento, mas não tem volta”, diz Jayme Nunes, biólogo da Merck, empresa alemã de ciência e tecnologia que investiu, no ano passado, 7,5 milhões de euros na startup Mosa Meat, fundada pelo cientista Mark Post.

Em 2013, Post apresentou o primeiro hambúrguer de laboratório do mundo, criado a partir de células de uma vaca. Para elaborar o disco de carne sem matar o animal, o professor da Universidade de Maastricht (Holanda) desenvolveu um método que usa células-tronco retiradas do músculo bovino. O resto do processo acontece no laboratório: em um biorreator, as células-tronco se transformam em células musculares. O resultado é uma pasta de carne que pode ser moldada.

A produção do primeiro hambúrguer de Post custou US$ 325 mil. Hoje, o valor fica entre US$ 9 mil e U$S 10 mil — e o preço promete cair ainda mais nas próximas décadas. “A tendência é de que custe US$ 50 em 2030, quando a carne deve estar disponível em restaurantes do guia Michelin”, estima Nunes. Ele acredita que, em 2050, a carne de células será vendida por US$ 20 o quilo, diretamente ao consumidor.

Enquanto as opções conhecidas como cell-based (baseado em células, em tradução livre) ainda engatinham, já é possível comprar hambúrgueres plant-based (à base de plantas) a preços acessíveis. Nos EUA, duas empresas se destacam: a Beyond Meat foi a primeira a ter seu hambúrguer de óleo de coco, romã e beterraba nos supermercados do país, em maio de 2016; já a Impossible Foods, que lançou um hambúrguer de plantas em julho do mesmo ano, inovou ao fazer a peça “sangrar”. Na lista de ingredientes estão proteína isolada de soja, proteína de batata e óleos de coco e de girassol. O sabor e o aspecto vermelho vêm da leghemoglobina de soja, uma proteína encontrada na raiz de leguminosas. Assim como a hemoglobina, presente no sangue de animais e humanos, ela é composta de glóbulos vermelhos — a responsável, portanto, pelo tom avermelhado.

O uso da leghemoglobina chamou a atenção da Food and Drug Administration (FDA), agência norte-americana que regula alimentos e remédios, pelo alto potencial alergênico. No dia 31 de julho, porém, a FDA concluiu que a proteína é segura para consumo e autorizou a venda do Impossible Burger em mercados a partir de 4 de setembro. O produto já era comercializado em restaurantes desde 2016, e tem se popularizado cada vez mais.

Em agosto, o Burger King anunciou nas lojas dos EUA uma versão do sanduíche Whopper feita com o Impossible Burger. No dia 10 de setembro, a novidade desembarca no Brasil. Aqui, no entanto, o hambúrguer vegetal da rede de fast-food será da Marfrig, gigante brasileira da indústria da carne que acaba de entrar para o time dos fabricantes de produtos plant-based.

*Por Nathalia Fabro

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*Fonte: revistagalileu

Carboidratos são cruciais ou desnecessários?

Carboidratos são um fonte crucial de fibra e energia ou um alimento que aumenta de forma prejudicial o nível de açúcar no nosso sangue?

Estas biomoléculas formadas por átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio são um dos três principais grupos de nutrientes que são encontrados em alimentos, junto com gorduras e proteínas.

Os carboidratos também têm três subtipos: amido, açúcar e fibra. No Ocidente, comemos muito batatas, trigo e carboidratos à base de milho, e também grandes quantidades de carboidratos refinados, como massa, pão branco e biscoito.

Para responder a essa pergunta, a BBC convidou um grupo de especialistas em dieta para discutir os méritos de uma dieta com poucos carboidratos comparada a uma com muitos.

OS ARGUMENTOS A FAVOR

“Um terço do que comemos deve vir de carboidratos ricos em amido”, diz o professor de Ciência da Nutrição Louis Levy. Isso porque, apesar de sua má reputação, os carboidratos têm papel chave no funcionamento do nosso corpo.

1. Carboidratos nos dão energia e nos ajudam a fazer exercícios

Os carboidratos são nosso principal combustível. O corpo transforma o amido em açúcares e os absorve na corrente sanguínea, criando a glicose.

Isso se converte em energia de que precisamos para manter nossos corpos e cérebros ativos para fazer tudo, desde respirar até fazer exercícios.

Gorduras e proteínas também geram energia, mas, durante um treinamento cardiovascular, o corpo queima açúcares mais rápido. Então, o consumo de carboidratos, que processados mais rapidamente pelo organismo, é recomendável.

Uma dieta baixa em carboidratos pode te deixar com pouca energia e fazer com que você se sinta mais cansado quando estiver fazendo exercício.

2. Os carboidratos são uma fonte importante de fibra

Há evidências de que a fibra pode ajudar a reduzir o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer de intestino.

Grande parte da fibra que obtemos vem de carboidratos com amido, por isso, ao reduzir o consumo desses carboidratos, corremos o risco de ingerir pouca fibra.

“Se incentivarmos as pessoas a deixarem de comer carboidratos, é difícil que elas obtenham fibra o bastante”, alerta Anthony Warner, também conhecido como “The Angry Chef” (o chef bravo, em inglês).

Podemos obter fibra também de frutas e verduras, mas, como diz Megan Rossi, do Kings College, de Londres, “há cerca de cem tipos diferentes de fibra”, e todas desempenham um papel importante para a nossa saúde.

Um estudo mostra que pessoas que comem fibras de cereais têm menos risco de desenvolver câncer colorretal. Ao cortar totalmente os grãos, estamos nos privando de “um tipo único de fibra”, diz Rossi.

3. Carboidratos podem curar a prisão de ventre

A fibra dos alimentos de origem vegetal é um material que o corpo não consegue digerir e é crucial para que os alimentos se movam dentro do nosso intestino.

4. Os carboidratos são uma fonte de nutrientes

As fontes saudáveis de carboidratos (verduras, frutas e legumes) também são uma fonte importante de vitaminas e minerais, como cálcio, zinco, ferro e vitamina B.

Eliminar os carboidratos significa reduzir também estes nutrientes essenciais.

5. A redução do consumo de carboidratos pode levar a uma dieta mais rica em gordura

Os carboidratos como massa e batata agregam volume aos pratos e nos fazem sentir satisfeitos depois de comer.

Reduzir a quantidade de carboidratos e substituí-los por mais proteínas gordurosas, como carne vermelha e queijo, nos faz ingerir mais gordura saturada, o que pode aumentar a quantidade de colesterol no sangue.

OS ARGUMENTOS CONTRA

Algumas pessoas, incluindo médicos e pacientes, estão optando por reduzir significativamente a quantidade de carboidratos que consomem. Em alguns casos, fazem isso para controlar obesidade ou diabetes, mas outros, apenas porque acham que se sentem melhor assim.

1. Os carboidratos causam picos e baixas de açúcar no sangue

Comer carboidratos refinados faz com que o nível de açúcar no sangue varie drasticamente. Ao ser quebrado rapidamente, os carboidratos causam um aumento do açúcar no sangue, seguido por uma baixa.

Uma dieta com poucos carboidratos torna mais estáveis os níveis de sangue no açúcar.

Muitos de nós sentiremos esse sobe e desce de ânimo se comermos massa no almoço. Essa variação pode ter implicações mais sérias do que simplesmente sentir-se sonolento. Um aumento de glicose faz seu corpo responder aumentando a produção de insulina.

O doutor Aseem Malhotra, um dos cardiologistas mais influentes do Reino Unido, explicou como o consumo de carboidratos refinados está “claramente ligado” à obesidade e à diabetes tipo 2.

Uma espectadora do debate, Margery, concordou com esse ponto de vista. Ela tratou sua diabetes reduzindo carboidratos. “Pude reverter minha condição com a ajuda de uma dieta baixa em carboidratos. Agora, nem tomo mais remédios.”

Estes carboidratos incluem açúcares e grãos refinados, que não têm fibras e nutrientes.

2. Proteínas e as gorduras nos mantêm satisfeitos por mais tempo

Os carboidratos fazem seu corpo reter água. Quanto mais massa e arroz você come, mais inchado poderá se sentir. Os carboidratos podem te deixar satisfeito no curto prazo, mas essa sensação logo desaparecerá.

Em contraste, os alimentos com baixo índice glicêmico, como proteínas e gorduras, ajudam a fazer os níveis de açúcar no sangue aumentarem ou diminuírem lentamente, o que pode fazer a sensação de saciedade durar mais.

3. Nem todos os carboidratos têm fibra

Já falamos que carboidratos são boa fonte de fibra. Mas vale a pena ressaltar que os carboidratos que comemos contêm pouca fibra. Quando são refinados, o farelo de trigo e a fibra são eliminados.

Podemos encontrar mais fibras em frutas, verduras e legumes do que em massas ou bolos.
Afinal, os carboidratos são nossos amigos ou inimigos?

Há argumentos bons a favor e contra o consumo de carboidratos, então, qual é a resposta? Na verdade, é preciso achar um equilíbrio.

Fiona Godlee, do periódico British Medical Journal, destaca que um estudo do Instituto Nacional de Saúde do Reino Unido publicado no início de 2018 demonstrou que tanto as dietas com muito pouco ou com muito carboidrato são prejudiciais.

E está claro que a ideia de que um só modelo funciona para todos “simplesmente não é adequada”. diz. “Para algumas pessoas, é melhor comer pouco (carboidrato), mas, para outras, é bom comer mais.”

A chave é saber o que é bom para você. O mais importante é comer o tipo certo de carboidratos, concordam os especialistas. Devemos optar por uma ampla gama de carboidratos ricos em fibra como trigo integral, aveia e quinoa, dizem.

Ah, e é bom também evitar os carboidratos simples, como bolo e pão, que têm com frequência muita gordura e açúcar.

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*Fonte: bbc-brasil

Brasileiros criam ingredientes para produzir comida por impressão 3D

Em um futuro próximo, imagina-se que será possível produzir alimentos com formatos, texturas, sabores e cores personalizadas, mais atraentes e saudáveis para crianças e idosos, por exemplo, por meio de impressão 3D.

Um grupo de pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em parceria com colegas da Ecole Nationale Vétérinaire Agroalimentaire et de l’Alimentation Nantes Atlantique (Oniris) e do Institut National de la Recherche pour l’agriculture, l’alimentation et l’environnement (INRAE), da França, está avançando na viabilização dessa ideia. Eles desenvolveram géis à base de amidos modificados que podem ser usados como “tintas” para a produção de alimentos por impressão 3D.

“Desenvolvemos ao longo dos últimos anos diferentes tecnologias para modificação de amidos e obter géis com as características ideais para serem usados como ‘tintas’ para produzir alimentos por impressão 3D”, diz ao Pesquisa para Inovação Pedro Esteves Duarte Augusto, professor da Esalq-USP e coordenador do projeto.

Os primeiros géis produzidos pelos pesquisadores durante um projeto anterior, também apoiado pela Fapesp, foram à base de amido de mandioca. Para obtê-los, desenvolveram e empregaram, inicialmente, um método de modificação da estrutura e de propriedades de amidos da planta com ozônio.

O método consiste na aplicação de uma descarga elétrica no oxigênio para produzir ozônio. O gás é então borbulhado em um recipiente com uma mistura de água e amido de mandioca em suspensão. A mistura é seca para retirada da água e obtenção do amido modificado.

Ao variar as condições do processo, com a concentração de ozônio, temperatura e o tempo, foi possível obter géis com propriedades distintas de consistência, apropriadas para a impressão.

“Ao controlar as condições do processo, conseguimos obter tanto géis mais fracos, que são mais interessantes para outras aplicações, como géis mais firmes, ideais para impressão 3D por manterem a forma da estrutura impressa, sem escorrer ou perder água”, afirma Augusto.

Nos últimos dois anos, os pesquisadores desenvolveram outro método de modificação de propriedades de amidos por aquecimento a seco em que amidos de mandioca e de trigo são aquecidos em um forno, sob temperatura e tempo controlados.

Por meio do novo método também foi possível obter géis à base de amidos modificados de mandioca e de trigo com bom desempenho de impressão – medido pela capacidade de formar um objeto 3D por deposição de camada por camada e de manter a estrutura uma vez impresso. A nova técnica também permitiu ampliar as possibilidades de textura das amostras impressas com gel de amido de trigo.

“Obtivemos bons resultados com ambos os métodos, que têm as vantagens de serem simples, baratos e fáceis de serem implementados em escala industrial”, ressalta Augusto.

As amostras de gel de amido de mandioca e de trigo foram impressas na Oniris e no INRAE, na França, por meio de um projeto voltado a desenvolver géis para impressão 3D com base em amidos funcionais, financiado pela região francesa de Pays de la Loire por meio de um programa chamado “Food 4 tomorrow”.

Por meio da parceira com os franceses, a pesquisadora da Esalq Bianca Chieregato Maniglia fez pós-doutorado na Oniris e no INRAE, onde pôde aplicar as técnicas de modificação de amido de mandioca e de trigo por ozônio e por tratamento térmico a seco para obter géis para impressão 3D de alimentos.

As técnicas foram desenvolvidas em parceria com outros pesquisadores vinculados ao Grupo de Estudos em Engenharia de Processos (Ge²P) da Esalq-USP.

“Juntando a experiência de todos os pesquisadores envolvidos no projeto, conseguimos obter géis com melhor qualidade de impressão, resultando em alimentos com melhor forma, definição e textura, que são parâmetros essenciais para a aceitabilidade do produto”, afirma Maniglia.

Novos ingredientes

Os pesquisadores da Esalq-USP pretendem estudar, agora, outros métodos de modificação e fontes para produção de géis para impressão 3D de alimentos.

Com a recente aquisição de uma impressora 3D pela Esalq-USP, será possível imprimir as estruturas desenvolvidas com os novos géis também na instituição.

“Em razão da pandemia da COVID-19, não conseguimos nem tirar a impressora da embalagem. Mas a ideia é que, com o retorno das atividades e a volta da Bianca à Esalq, em novembro, comecemos a fazer as impressões com os géis também aqui”, diz Augusto.

Os géis com amidos modificados de mandioca e de trigo podem ser usados como base para impressão de alimentos, como uma sobremesa. O objetivo dos pesquisadores, porém, é estender para aplicações em áreas como a biomédica, para produzir cápsulas de remédios ou alimentos com ingredientes com a função não só de nutrir, mas também de conferir benefícios à saúde – os chamados nutracêuticos.

“Conseguimos demonstrar a viabilidade da ideia de produzir alimentos por impressão 3D e obter ingredientes tailor made [feitos sob medida]. A ideia, agora, é expandir as aplicações e testar outras matérias-primas”, afirma Augusto.

O artigo “Dry heating treatment: A potential tool to improve the wheat starch properties for 3D food printing application” (DOI: doi.org/10.1016/j.foodres.2020.109731), de Bianca C. Maniglia, Dâmaris C. Lima, Manoel da Matta Júnior, Anthony Oge, Patricia Le-Bail, Pedro E.D. Augusto e Alain Le-Bail, pode ser lido na revista Food Research International em https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0963996920307560.

*Por Elton Alisson

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*Fonte: revistagalileu

Como o trigo ‘domesticou’ a humanidade – e vice-versa

Do pãozinho de cada dia ao macarrão de domingo, o trigo é um dos alimentos mais consumidos no mundo atual. Mas o que não paramos para pensar entre um bocado e outro é que esse cereal, em suas variedades contemporâneas, é praticamente artificial.

Não fosse a ação do Homo sapiens, o trigo não seria assim.

Não fosse a evolução provocada pelo ser humano, esses tipos de trigo simplesmente não existiriam.

Mas, para muitos pesquisadores, o inverso também é verdade: não fosse o trigo ter conquistado nossos ancestrais, o homem não teria se tornado sedentário, não teria feito a chamada Revolução Agrícola, não teria se aglomerado em cidades.

O trigo domesticou a humanidade de tal forma que não é exagero dizer que ele acabou sendo o combustível – até mesmo literalmente, em forma de calorias ingeridas – para que as civilizações fossem criadas.
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Era só mato

Por volta de 18 mil anos atrás, com o fim da última Era Glacial, o aquecimento global provocou um período de fortes e intensas chuvas. Essa mudança climática favoreceu uma gramínea na região do Oriente Médio.

Era trigo, mas não como o conhecemos hoje. As sementinhas eram ralas e pequenas. O vento conseguia espalhá-las – e, assim, a planta se multiplicava. Os ancestrais humanos daquela época viviam em bandos nômades. Eram caçadores-coletores – alimentavam-se basicamente de carne e frutas.
homem colhe trigo

Em algum momento dessa história – ou em vários momentos, já que uma descoberta assim não ocorre de forma tão linear -, os Homo sapiens perceberam que havia animais que se alimentavam de gramíneas. E decidiram experimentar.

Conforme relata o historiador Heinrich Eduard Jacob (1889-1967) em seu livro Seis Mil Anos de Pão – A Civilização Humana Através de Seu Principal Alimento, começaram colocando sementes na carne. E viram que suavizava o sabor. Caía bem.

“As pessoas começaram a comer mais trigo e, sem querer, favoreceram seu crescimento e difusão”, afirma o historiador Yuval Noah Harari, no best-seller Sapiens: Uma Breve História da Humanidade. “Como era impossível comer grãos silvestres sem antes escolhê-los, moê-los e cozinhá-los, as pessoas que coletavam esses grãos os carregavam a seus acampamentos temporários para processá-los.”

Mas os grãos de trigo eram pequenos e numerosos. “Alguns deles inevitavelmente caíam a caminho do acampamento e se perdiam”, pontua Harari. “Com o tempo, cada vez mais trigo cresceu perto dos acampamentos e dos caminhos preferidos pelos humanos.”

Jacob frisa que, naquele tempo, trigo era só mato. Ou gramíneas. “Todos os cereais eram primitivamente plantas herbáceas selvagens”, escreve. “Todos os cereais foram originariamente herbáceas cujas sementes tinham um sabor de que o homem primitivo gostava. Mas o homem tinha, para além dos insetos, um rival bem mais temível que lhe estragava a colheita dessas plantas. Era o grande criador do tapete verde de ervas. O vento.”

Se o vento espalhava as sementes – e isto garantia a perpetuação do trigo -, ele atrapalhava o homem: afinal, não era possível colher o cereal maduro, este “voava” embora antes.

Seleção artificial: a domesticação do trigo

Sem entender nada de genética, nossos ancestrais acabaram interferindo na evolução do trigo. “O primeiro objetivo do homem teve de ser portanto o de conseguir fazer com que as espécies que eram mais do seu agrado não perdessem os grãos com tanta facilidade. E foi o que efetivamente sucedeu, já que o homem ao longo de milhares de anos foi cultivando apenas aqueles exemplares que guardavam os grãos durante mais tempo na espiga”, diz Jacob.

“Nasceram assim, a partir das herbáceas selvagens, devidamente protegidos pelos seus elmos, os heróis da nossa epopeia da alimentação”, completa o historiador, referindo-se às versões do cereal que, evoluídas, “têm frutos que se fixam tão bem ao eixo da espiga que só se desprendem com golpes ou sob pressão, ou seja, por intermédio de uma ação voluntária, aquilo a que chamamos a debulha.”

Como efeito disso, o trigo contemporâneo não sobrevive sem a mão humana. “A questão é precisamente o campo de batalha entre a robustez da espiga e o desejo que o homem tem de obter a farinha”, sintetiza Jacob. “Os ‘cereais domésticos’ morreriam amanhã se o homem desaparecesse.”

Harari conta que os acampamentos daqueles nômades começaram a se fixar ao redor de locais onde havia mais trigo. Para facilitar, eles “limpavam” o entorno, derrubando árvores e promovendo queimadas. Sem conhecer nem os rudimentos da agricultura, acabavam favorecendo justamente as gramíneas: que podiam crescer sem concorrência, livres das sombras das grandes árvores.

Foi o início do sedentarismo. O princípio da chamada Revolução Agrícola. “No começo, talvez eles acampassem por quatro semanas durante a colheita. Na geração seguinte, com a multiplicação e o alastramento do trigo, o acampamento da colheita talvez durasse cinco semanas, depois seis, até que se tornou um assentamento permanente”, conta Harari. “Evidências de tais acampamentos foram encontradas em todo o Oriente Médio, sobretudo no Levante, onde a cultura natufiana floresceu de 12,5 mil a.C. a 9,5 mil a.C.”

Os natufianos ainda eram caçadores-coletores, mas viviam em assentamentos permanentes. Inventaram ferramentas – como pilões de pedra para moer trigo -e armazenavam os cereais para épocas de necessidade.

Seus descendentes descobriram que podiam semear. Além disso, se enterrassem os grãos sob o solo, tinham resultados mais interessantes do que se simplesmente os espalhassem pela superfície.

Descobertas recentes apontam para a provável localização geográfica em que primeiro aconteceu esse fenômeno. Por meio de análises genéticas, cientistas descobriram que pelo menos a variedade Triticum monococcum começou a ser domesticada na região de Karaca Dag, no leste da atual Turquia, há cerca de 9 mil anos.

“À medida que dedicavam mais esforços ao cultivo de cereais, havia menos tempo para coletar e caçar espécies silvestres”, relata Harari. “Os caçadores-coletores se tornavam agricultores.”

No ano de 8,5 mil a.C., o Oriente Médio estava cheio de povoados fixos. O excedente de alimentos fez com que a população crescesse.

E o homem também acabou domesticado

No livro Sapiens, Harari apresenta uma visão interessante sobre essa evolução concomitante homem-trigo. Para ele, se a Revolução Agrícola aumentou o total de alimentos à disposição da humanidade, isso não se refletiu em uma dieta melhor – tampouco em uma vida melhor. “Em média, um agricultor trabalhava mais que um caçador-coletor e obtinha em troca uma dieta pior. A Revolução Agrícola foi a maior fraude da história”, diz ele.

“Quem foi o responsável? Nem reis, nem padres, nem mercadores”, completa. “Os culpados foram um punhado de espécies vegetais, entre as quais o trigo, o arroz e a batata. As plantas domesticaram o Homo sapiens, e não o contrário.”

Antes da descoberta do trigo, o ser humano se alimentava de carne e frutas

O historiador afirma que, para passar de gramíneas insignificantes a cereais onipresentes, o trigo “manipulou” o ser humano “a seu bel-prazer”. “Esse primata vivia uma vida confortável como caçador-coletor até por volta de 10 mil anos atrás, quando começou a dedicar cada vez mais esforços ao cultivo do trigo. Em poucos milênios”, ressalta, “os humanos em muitas partes do mundo estavam fazendo não muito mais do que cuidar de plantas de trigo do amanhecer ao entardecer.”

“Nós não domesticamos o trigo; o trigo nos domesticou”, enfatiza. “A palavra domesticar vem do latim ‘domus’, que significa casa. Quem é que estava vivendo em uma casa? Não o trigo. Os sapiens.”

Pesquisador do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o bioquímico Juliano Lindner corrobora a tese: para ele o trigo foi o principal motivo que levou a humanidade a se tornar sedentária.

“Quando o Homo sapiens deixou de ser coletor e passou a domesticar plantas e animais, o trigo foi um dos primeiros cultivos a serem controlados e se tornou uma das plantas mais prósperas na história do planeta”, diz ele, em entrevista à BBC News Brasil. “Esse momento da evolução, pelo simples efeito que a domesticação de animais e plantas gerou na possibilidade da sociedade se organizar sem a necessidade vital do nomadismo, ocasionou o grande salto da civilização humana.”

Tal tipo de relação entre homem e trigo, em que ambas as espécies sofrem um processo de transformação resultante da relação entre elas, é abordado pela médica e escritora Alice Roberts no livro Tamed – Ten Species That Changed Our World (Domesticadas – Dez Espécies que Mudaram O Nosso Mundo, em tradução livre). Além do trigo, a pesquisadora aponta que fenômenos semelhantes ocorreram com a vaca, o cachorro, o milho e a maçã, entre outras espécies.

Onipresença x pouca variedade

Saltemos para o século 20. A civilização humana, alimentada com derivados de trigo, chegou a um estágio de desenvolvimento industrial e científico intenso. O cultivo do estimado cereal, aliás, desde então cobre 2,25 milhões de quilômetros quadrados do globo – nove vezes o tamanho do Estado de São Paulo.

Harari conclui que o trigo “não ofereceu nada para as pessoas enquanto indivíduos, mas concedeu algo ao Homo sapiens enquanto espécie”. “O cultivo de trigo proporcionou muito mais alimento por unidade de território e, com isso, permitiu que o Homo sapiens se multiplicasse exponencialmente”, afirma o historiador.

A população da humanidade, atualmente na casa dos 7,7 bilhões de habitantes, confirma isso. E, sozinho, o trigo fornece 15% do consumo calórico global. De acordo com informações relatadas pelo pesquisador Juliano Lindner, da UFSC, mais de 75% das calorias ingeridas pela humanidade hoje são resultantes de plantas domesticadas milhares de anos atrás – além do trigo, o milho, o arroz, a batata, entre outros.
diferentes tipos de trigo

Mas ao mesmo tempo em que é onipresente, o trigo representa pouca variedade. Estudo publicado na quarta-feira (29) pelo periódico Science Advances analisou geneticamente 4506 amostras de trigo de todo o mundo – incluindo cepas regionais -, recolhidas em 105 países diferentes.

Os cientistas constataram que, se por um lado o trigo ajuda a traçar os antigos caminhos migratórios humanos, da Ásia para a Europa e, mais tarde, para a América, por outro lado a transformação do cereal em commodity dizimou sua variedade.

Sobretudo no período seguinte à Segunda Guerra Mundial, quando a chamada Revolução Verde passou a empregar tecnologia para incrementar a produção agrícola mundial, o chamado pool genético do trigo acabou modificado: atualmente, praticamente toda a produção em escala de trigo remonta a variedades que se desenvolveram na Europa – nas regiões sudeste, mediterrânea e ibérica.

“Nossa pesquisa traz novos olhares sobre a difusão e a diversidade genética mundial do trigo”, afirma à BBC News Brasil um dos autores do estudo, o geneticista François Balfourier, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas da França. “Recentes seleções e disseminações levaram a um germoplasma moderno que é altamente desequilibrado em comparação com os ancestrais.”

Do ponto de vista da produção de trigo, seria estratégico entender e caracterizar as pouco exploradas comercialmente versões asiáticas do trigo, afirma o cientista. “Caracterizar melhor esses recursos genéticos podem resultar em exploração eficiente dos mesmos em programas de melhoramento, obtendo benefícios de sua resistência natural a estresses bióticos e abióticos”, comenta Balfourier.

*Por Edison Veiga

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*Fonte: bbc-brasil

Este fabricante de queijos suíços toca música para seus queijos ficarem melhores

O que será que faz com que os queijos suíços sejam tão bons? De acordo com este fabricante, a resposta é a música.

Desde setembro, Beat Wampfler coloca grandes sucessos musicais para tocar para seus queijos do tipo Emmental. Ele acredita que a batida possa influenciar o desenvolvimento e o sabor do alimento – e está disposto a provar isso.

Os experimentos são feitos colocando pequenas caixas de som sob as rodelas. A produção é então dividida por gêneros musicias: alguns laticínios amadurecem ao som de techno, outros recebem música ambiente e há ainda os clássicos, que esperam o tempo passar ouvindo Mozart. Hip-hop e rock também estão sendo testados em algumas das rodelas.

Embora tudo pareça saído da cabeça de um cientista louco, Beat conta com o auxílio de pesquisadores da Universidade de Artes de Berna. As análises são baseadas em um campo de estudos conhecido como sonoquímica que, basicamente, pesquisa o impacto do som e reações químicas em objetos sólidos.

Um time de jurados experts em queijos foi convocado para descobrir se os gêneros musicais surtiram algum efeito nas rodelas de Emmental. A prova final será feita no dia 15 de março do próximo ano.

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*Fonte: hypeness

6 alimentos para consumir no inverno

Dar preferência aos produtos típicos de uma estação pode ser um caminho para uma vida mais saudável e sustentável

A ida a uma feira orgânica ou de pequenos agricultores, em comparação com as gôndolas de supermercados, mostra, além de tantas outras, uma diferença marcante em relação a limitação na variedade de produtos. É porque nessas feiras, os produtores respeitam o ciclo da natureza – e os produtos surgem de acordo com a estação vigente no ano.

O respeito ao ciclo natural de amadurecimento dos alimentos, nas condições climáticas ideais, faz com sejam mais saborosos, aromáticos e tenham mais valor nutricional. Isso acontece porque o uso de fertilizantes durante o processo de produção, que permite a presença constante de alimentos fora de suas estações tradicionais, aumentam o teor de água, reduzindo os nutrientes.

Os produtos químicos também estão ligados ao empobrecimento do solo a longo prazo, já que essas plantações necessitam cada vez mais de adubação e de agrotóxicos para se desenvolver. Para o consumidor final, os produtos da estação ainda apresentam o benefício do baixo custo, devido a alta oferta, explica Giovanna Oliveira, nutricionista da Clínica Dra. Maria Fernanda Barca.

Abaixo, listamos alguns produtos típicos do inverno para você acrescentar no seu dia a dia. Mas lembre-se: a quantidade e como fazer isso deve ser acordada com um profissional de saúde de confiança.

Lista de alimentos para o inverno

Brócolis

Uma substância presente nesta verdura, chamada glicosinolato, atenua o acúmulo de gordura no fígado e inflamação – fatores presentes na obesidade e síndrome metabólica. O brócolis também conta com vitamina C – antioxidante natural e aliado na produção de colágeno, o que ajuda a evitar o envelhecimento precoce da pele.

Fonte de vitamina A e K, magnésio e zinco, auxilia na manutenção de ossos saudáveis e, por causa disso, é importante para combater a osteoporose.

Laranja e mexerica

As frutas cítricas, em especial nessa estação mexerica e laranja, contém vitamina C, flavonoides e ácido cítrico. Ou seja, uma combinação capaz de agir contra radicais livres, e de estimular o sistema imunológico. São também antioxidantes e anti-inflamatórios no organismo.

Abóbora, mamão e cenoura

A carotenoide, substância química presente na abóbora, no mamão e na cenoura, é responsável pela coloração desses alimentos. Apresenta potente efeito antioxidante, sendo capaz de reduzir os danos causados pelo estresse oxidativo nas células. O carotenoide é igualmente capaz de promover a melhora da resposta imunológica e reduzir o risco de infecções.

*Por Lucas Vasconcellos

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*Fonte: vidasimples

Moradores do Sul são os que mais consomem orgânicos

Cerca de 19% dos brasileiros consumiram algum item orgânico entre maio e junho deste ano. Por região, a maior parte (23%) habita o Sul do país. Os dados são do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis).

O Organis divulgou, na última quarta-feira (4), os dados da 2ª Pesquisa do Perfil do Consumidor de Orgânicos. As informações são comparadas à primeira pesquisa realizada em 2017.

A região Sul é seguida pelo Nordeste com 20% dos consumidores de produtos orgânicos. Em terceiro lugar está o Sudeste (19%) e em quarto o Centro-oeste com 17%. O último lugar foi para a região Norte com 14%. A pesquisa entrevistou 1.027 pessoas.

“Podemos dizer que a compra de produtos orgânicos está bastante relacionada a compra de produtos frescos, pois a maioria dos produtos mencionados espontaneamente são produtos ‘FLV’, frutas, legumes e verduras”, afirma a Organis. Essa questão corrobora com o fato de que o público (87%) apontou a feira como local preferido para comprar seus produtos orgânicos.

Para 84% das pessoas, a saúde é a principal motivação dos compradores de produtos orgânicos. O meio ambiente surgiu em somente 9% dos casos.

Dentre as razões para não consumirem mais orgânicos, o preço continua sendo o maior empecilho – apontado por 65% dos entrevistados.

Questionados sobre os itens orgânicos não alimentícios, os produtos de higiene pessoal foram os mais citados.

*Por Marcia Sousa

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*Fonte: ciclovivo

4 alimentos que ajudam a combater o estresse

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o estresse atinge 90% da população mundial. No Brasil, 70% das pessoas sofrem com esse mal. Apesar de muito comum, é necessário cuidado, pois a condição pode levar a uma série de doenças como câncer, depressão, diabetes, transtornos alimentares e hipertensão.

De acordo com Ione Leandro, nutricionista da ONodera Estética, um grande aliado no combate ao estresse é a alimentação. “Dentre os aminoácidos mais importantes para o bom funcionamento do organismo está o triptofano. Quando alimentos ricos nessa substância entram na corrente sanguínea, são transportados para o cérebro e o trato gastrointestinal se encarrega de produzir a serotonina, hormônio responsável pela sensação de bem-estar”.

Alimentos para incluir na dieta

Abaixo, a nutricionista separou outros alimentos que, além do triptofano, contêm vitaminas e minerais importantes para combater o estresse.

Banana – A fruta é rica em triptofano, Vitamina B6, Magnésio e Potássio, nutrientes que estimulam a produção de serotonina e ajudam a diminuir ansiedade e irritação.

Folhas verde-escuras – A deficiência de ácido fólico, presente na couve, brócolis e espinafre, pode provocar depressão. Procure consumir de duas a três porções por semana.

Frutas cítricas – A vitamina C presente nas frutas cítricas reduz a secreção de cortisol, hormônio liberado pela em resposta ao estresse e à ansiedade. Seu consumo promove o bom funcionamento do sistema nervoso e aumentam a sensação de bem-estar.

Chocolate – O cacau presente no chocolate é rico em antioxidante e aminoácidos percussores de serotonina. “Quanto mais cacau compor a fórmula do alimento, mais saudável ele é. Portanto, opte pelo amargo ou meio amargo e evite os chocolates brancos e ao leite, que são repletos de açúcar, aditivos e gordura hidrogenada. É recomendado de 25 a 30 gr dessa delícia diariamente”, finaliza Ione.

 

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*Fonte: ciclovivo

Comer queijo pode ajudar a compensar os danos dos vasos sanguíneos causados pelo sal

Comer queijo e aumentar o consumo de outros produtos lácteos ajuda a melhorar a saúde vascular, reduzindo os efeitos de uma dieta rica em sódio, de acordo com um novo estudo.

Em um estudo randomizado, cruzado, os pesquisadores descobriram que quando os adultos consumiam uma dieta rica em sódio, eles também experimentavam disfunção dos vasos sanguíneos. Mas, quando os mesmos adultos consumiram quatro porções de queijo por dia, juntamente com a mesma dieta rica em sódio, não experimentaram esse efeito.

Billie Alba, que liderou o estudo enquanto terminava o doutorado em Penn State, disse que as descobertas podem ajudar as pessoas a equilibrar alimentos com bom gosto e minimizar os riscos decorrentes da ingestão de muito sal.

“Embora haja um grande esforço para reduzir o sódio na dieta, para muitas pessoas é difícil”, disse Alba. “Possivelmente ser capaz de incorporar mais produtos lácteos, como queijo, pode ser uma estratégia alternativa para reduzir o risco cardiovascular e melhorar a saúde dos vasos sem necessariamente reduzir o sódio total”.

Embora o sódio seja um mineral vital para o corpo humano em pequenas doses, os pesquisadores disseram que excesso de sódio na dieta está associado a fatores de risco cardiovascular, como pressão alta. A American Heart Association recomenda não mais que 2.300 miligramas (mg) de sódio por dia, com a quantidade ideal próxima de 1.500 mg para a maioria dos adultos.

De acordo com Lacy Alexander, professora de cinesiologia da Penn State e outra pesquisadora do estudo, pesquisas anteriores mostraram uma conexão entre produtos lácteos – mesmo queijos ricos em sódio – e melhores medidas de saúde cardíaca.

Estudos mostraram que pessoas que consomem o número recomendado de porções diárias de leite geralmente têm pressão arterial mais baixa e melhor saúde cardiovascular em geral”, disse Alexander. “Queríamos examinar essas conexões mais de perto, além de explorar alguns dos mecanismos precisos pelos quais o queijo, um produto lácteo, pode afetar a saúde do coração”.

Os pesquisadores recrutaram 11 adultos sem pressão arterial sensível ao sal para o estudo. Cada um seguiu quatro dietas separadas por oito dias de cada vez: uma dieta pobre em sódio e sem leite; uma dieta com pouco sódio e alta em queijo; uma dieta rica em sódio e sem leite; e uma dieta rica em sódio e queijo.

As dietas com baixo teor de sódio tiveram participantes consumindo 1.500 mg de sal por dia, enquanto as dietas com alto teor de sódio incluíram 5.500 mg de sal por dia. As dietas para queijo incluíam 170 gramas, ou cerca de quatro porções, de vários tipos diferentes de queijo por dia.

No final de cada dieta de uma semana, os participantes retornavam ao laboratório para testes. Os pesquisadores inseriram pequenas fibras sob a pele dos participantes e aplicaram uma pequena quantidade da droga acetilcolina, um composto que sinaliza os vasos sanguíneos para relaxar. Ao examinar como os vasos sanguíneos de cada participante reagiram à droga, os pesquisadores foram capazes de medir a função dos vasos sanguíneos.

Os participantes também foram submetidos a monitoramento da pressão arterial e forneceram uma amostra de urina para garantir que consumiam a quantidade correta de sal durante a semana.

Os pesquisadores descobriram que, após uma semana com dieta rica em sódio e sem queijo, os vasos sanguíneos dos participantes não responderam tão bem à acetilcolina – que é específica para células especializadas no vaso sanguíneo – e tiveram mais dificuldade para relaxar. Mas isso não foi observado após a dieta rica em sódio e queijo.

Enquanto os participantes estavam em dieta rica em sódio sem queijo, vimos a função dos vasos sanguíneos mergulhar no que você normalmente vê em alguém com fatores de risco cardiovascular bastante avançados”, disse Alexander. “Mas quando eles consumiram a mesma quantidade de sal e comeram queijo como fonte desse sal, esses efeitos foram completamente evitados.”

Alba disse que, embora os pesquisadores não tenham certeza de que os efeitos são causados ​​por qualquer nutriente específico no queijo, os dados sugerem que os antioxidantes no queijo podem ser um fator contribuinte.

Consumir grandes quantidades de sódio causa um aumento de moléculas que são prejudiciais à saúde dos vasos sanguíneos e à saúde geral do coração”, disse Alba. Há evidências científicas de que os nutrientes à base de laticínios, especificamente peptídeos gerados durante a digestão de proteínas lácteas, têm propriedades antioxidantes benéficas, o que significa que eles têm a capacidade de eliminar essas moléculas oxidantes e, assim, proteger contra seus efeitos fisiológicos prejudiciais”.

Alba disse que, no futuro, será importante estudar esses efeitos em estudos mais amplos, bem como pesquisar possíveis mecanismos pelos quais os laticínios possam preservar a saúde vascular.

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*Fonte: revistasaberesaude

Vídeos mostram como as frutas eram antigamente

Este é um fascinante documentário em vídeo de três partes que mostra como as frutas eram antigamente, criado pelo pessoal por Earth Titan do Titan Top List.

Eles discorrem sobre a origem de algumas frutas e vegetais, de como eles eram nos tempos antigos até os dias de hoje. Basicamente, como a “domesticação” desses alimentos mudaram suas formas, texturas e gosto.

Você já se perguntou quais são as origens dos alimentos comuns que comemos hoje? A maioria dos alimentos encontrados no supermercado em um ponto era muito menor, amargo, azedo ou desagradável.

Como as frutas eram antigamente

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*Por Flácio Croffi / Fonte: geekness

 

Manual: como fazer o café perfeito?

Você é daqueles que não passa um dia sem um cafezinho? Seguindo algumas dicas, é possível deixá-lo ainda melhor – sem gastar tanto assim.

1 – Leia o rótulo
Tire o escorpião do bolso: café de baixa acidez, 100% arábica (um tipo de grão), é a melhor pedida, apesar do preço. Dê preferência a embalagens com a data de fabricação recente.

2 – Pode vir quente…
Opte por água filtrada ou mineral, e não tenha medo de fervê-la. Para extrair o melhor do pó, a água deve estar entre 92°C e 96°C. Não tem termômetro? Aqueça até borbulhar, apague o fogo e espere 30 segundos.

3 – Proporções de café e água
O café do Brasil é mais forte que o da Europa ou dos EUA. Se quiser testar um café mais fraco, basta alterar as proporções ou optar por um pó clarinho, que foi menos torrado.

 

 

 

 

 

4 – Sabor na medida
Para adoçar, o açúcar refinado é o que menos interfere. Não use filtros de pano – eles acumulam impurezas. Quer café forte? Use a menor xícara possível. Faz diferença: as maiores deixam escapar o sabor e a temperatura.

5 – Teste outros jeitos
Experimente diferentes cafeteiras (coador, elétrica, italiana, francesa, etc.) até encontrar o sabor ideal para você. Ter um moedor de café caseiro é uma exigência exótica, mas ajuda.

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Dicas de ouro (preto)

Banho é bom
Jogue um pouco de água no filtro antes de colocar o café, para evitar que o papel interfira no sabor.

Mexa o pó no filtro
Depois de despejar a água no coador, agite suavemente com uma colher para maximizar a extração de sabores.

Compre pouco
Não armazene café por muito tempo e guarde o pó na embalagem. O contato com o ar deteriora o produto.

*Por Rafael Battaglia

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*Fonte: superineteressante

Tecnologia alemã reduz irrigação e aumenta produção de alimentos

Uma solução inovadora vinda da Alemanha, nunca utilizada no Brasil, pode auxiliar milhares de agricultores pelo país a aumentar sua produção de alimentos, reduzir o consumo de água e utilizar os resíduos e biomassas desperdiçados para produção de energia limpa.

Por meio de uma joint venture, a empresa alemã, Artec Biotechnologie GmbH, que desenvolveu uma usina para produção de qualquer tipo de produtos de biomassa, com diferentes graus de carbonização e usos diferentes, e a Aalok, empresa mineira de tecnologia e manufatura, irão aumentar a produção agrícola de alimentos com a carbonização hidrotérmica (HTC). O objetivo principal é aumentar a produção agrícola em até 40%, reduzir o consumo de água para irrigação em até 50%, aperfeiçoar o solo e realizar a gestão de resíduos em um processo neutro de CO2.

“Os estudos internacionais afirmam que, em 2050, a população mundial em constante crescimento chegará a 10 bilhões. Para que haja comida suficiente para esse número de pessoas são necessários solos adicionais de 8,5 milhões km², o tamanho do Brasil, para a produção de alimentos. A Artec realizou diversos estudos na Alemanha e, como o Brasil possui condições climáticas bastante favoráveis, os resultados certamente serão melhores e darão um impacto extremamente positivo na produção de alimentos, um grande exemplo de gestão de resíduos, uso de biomassa e economia de água de irrigação”, comenta Mercedes Blázquez, líder do Low Carbon Business Action in Brazil.

Low Carbon Business Action in Brazil

O Low Carbon Business Action in Brazil é um programa financiado pela União Europeia iniciado em setembro de 2015 para aproximar pequenas e médias empresas (PMEs) do Brasil e de seus 28 Estados membros, além de apoiar acordos de cooperação e parcerias em 5 setores de baixo carbono:Agricultura e atividades florestais; Energias renováveis; Processos industriais, Gestão de resíduos e biogás, e eficiência energética em edifícios e indústria.

O Low Carbon Brazil conta com o apoio de entidades como CNA, CNI, Febraban, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Ministério do Meio Ambiente, e pelas Diretorias Gerais da Comissão Europeia – FPI, DG Growth e DG Clima.

 

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*Fonte: ciclovivo

A mudança climática pode aumentar as doenças transmitidas por alimentos através do estímulo às moscas

Primaveras e verões mais quentes podem tornar as moscas domésticas (Musca domestica) mais despertas, espalhando bactérias causadoras de diarréia em mais lugares. Como resultado, as infecções causadas pela bactéria Campylobacter, transmitida por alimentos contaminados, poderão aumentar com a mudança climática, propõe a epidemiologista Melanie Cousins, da Universidade de Waterloo, no Canadá.

Uma simulação computacional criada por Cousins, ainda na versão beta, foca em entender como o tempo quente afeta o típico aumento durante as estações primavera e verão de infecções alimentares por Campylobacter. Sob um cenário de verão com 2,5 graus Celsius mais quente do que em 2003, a simulação prevê um aumento de 28 por cento nos casos de Campylobacter na província canadense de Ontário até 2050, de acordo com um estudo publicado por ela e seus colegas em 13 de fevereiro na Royal Society Open Science.

As infecções por Campylobacter são frequentemente causadas por alimentos contaminados por uma mosca que passeou em outro alimento contaminado ou por um animal infectado ou por fezes e que veio a pousar no alimento a ser ingerido. A maioria das pessoas se recuperam da infecção dentro de dez dias.

As bactérias são a causa mais comum de doença gastrointestinal no Canadá. Na província de Ontário, são registrados, em média, três mil casos por ano. Os Estados Unidos têm cerca de 1,3 milhão de infecções em um ano.

Para configurar uma simulação de fácil compreensão, Cousins ​​usou dados de 2005 sobre infecções por Campylobacter em Ontário para estimar as taxas de transmissão e as taxas de nascimento e morte. Ela então ligou essas taxas na simulação para prever as infecções por Campylobacter nos anos seguintes. Esses resultados chegaram perto dos dados reais disponíveis até 2013 e permitiram que ela previsse futuras infecções sob diferentes cenários de aquecimento. A simulação supõe que as moscas se tornam mais ativas com a mudança climática, já que, como outros insetos, elas dependem da temperatura ambiente para se aquecerem ou se resfriarem. Cousins também relacionou o crescimento da proliferação bacteriana provocado por temperaturas mais elevadas.

O estudo é o mais recente a destacar as consequências do aquecimento global no comportamento dos insetos. Outros estudos previram como a mudança climática pode aumentar os ataques de pragas em plantações e afetar a saúde pública, como a doença de Lyme, uma doença causada pela bactéria Borrelia burgdorferi e transmitida pela picada de carrapato, no Canadá.

*Por Giovane Almeida

 

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*Fonte: ciencianautas

Uruguai poderá alimentar 50 milhões de pessoas

Um médico de Nova York entra em um supermercado, vai até o setor de carnes, vê um corte de que gosta, pega o telefone celular, escaneia o código QR na embalagem e o aplicativo mostra quando o animal foi abatido, onde cresceu, que tipo de alimentação teve e até oferece um link caso queira conhecer o local onde o gado foi criado.

Esta tecnologia ainda não está disponível, mas pode ser uma realidade muito em breve, graças a programas como o Sistema Nacional de Informação de Criação de Gado, implementado pelo Uruguai. Por meio desse método, é possível conhecer com precisão cada um dos períodos de criação e processamento do animal, desde sua fazenda no campo uruguaio até um supermercado em Manhattan. Todos esses dados, incluídos em um rótulo, fazem parte da demanda crescente dos países desenvolvidos por mais conhecimento sobre a origem dos alimentos, a forma como são processados e o tratamento dado aos animais cuja carne é consumida.

50 milhões

Essa é uma oportunidade que o Uruguai quer aproveitar. Esse país, com quase três milhões de habitantes, passou de uma produção de alimentos para nove milhões de pessoas, em 2005, para suprir as necessidades de 28 milhões atualmente, e sua ambição é chegar a 50 milhões de consumidores.

O fato de as 12 milhões de vacas que pastam nos campos uruguaios terem um chip na orelha, que permite coletar todas essas informações, é um dos passos que o país deu para se transformar no que as autoridades chamam de “agrointeligente”. O ministro de Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Tabaré Aguerre, esteve em Washington para compartilhar esta visão com vários organismos, entre eles o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Aguerre assumiu seu cargo há pouco mais de três anos e se propôs a desenvolver sua gestão sobre três eixos: “Desenvolvimento rural, com políticas diferenciadas para a agricultura familiar, tendo como chave a adaptação à mudança climática e a geração de capacidades para a gestão dos solos”.

Intensificação sustentável

Aumentar a produção explorando mais a terra e desmatando é relativamente fácil e, de fato, é o modelo seguido por outras nações. Mas fazer isso de maneira sustentável, ou seja, com pouco ou nenhum impacto para o meio ambiente, é um autêntico desafio.

“Estamos produzindo 54% mais leite sem aumentar a superfície dedicada à produção de vacas leiteiras”, explicou Aguerre, para exemplificar que é possível alcançar tal meta, fomentar o desenvolvimento e cuidar do meio ambiente, através do que qualifica como “intensificação sustentável”. Segundo explicou o ministro, no Uruguai, 63% dos produtores são “famílias”, mas eles ocupam apenas entre 15% e 20% das terras produtivas. Por isso, sua visão também inclui a participação dessas pessoas nos benefícios de desenvolvimento associados a um país agrointeligente.

“O Uruguai tem uma oportunidade de crescer no mundo, mas tem que gerar oportunidades de inserção competitiva para os produtores familiares, para que a oportunidade que o mundo nos dá seja também uma chance para que esses pequenos produtores se desenvolvam”, acrescentou.

Isso explica por que o Sistema de Informação de Criação de Gado, por exemplo, é gerido pelo Estado, de modo que todos os produtores “desde os que têm 10 vacas até os que têm 2.000 tenham acesso aos mesmos canais de comercialização”, destacou Aguerre.

Satélites contra a erosão

Em relação ao manejo dos solos, o Uruguai criou um sistema totalmente informatizado que obriga os produtores a apresentarem um plano de rotação de cultivos para manter a qualidade dos nutrientes e evitar a erosão. Por meio de imagens de satélite, os especialistas do Ministério podem detectar os lugares com maior risco de erosão e entrar em contato com o produtor responsável para que ele explique os motivos de não ter cumprido seu plano de rotação de cultivos.

Esse aspecto é fundamental no caminho rumo a um Uruguai “agrointeligente”, porque, embora chova muito no país, a maior parte da água escorre e gera erosão. A rotação de cultivos ajuda, precisamente, a diminuir esse risco e a melhorar a qualidade do solo.

Com todos esses componentes e o apoio de parceiros internacionais como o Banco Mundial, a aspiração das autoridades é que a produção agrícola se transforme em uma opção real de crescimento econômico para todos os uruguaios.

“A tecnologia de ponta a serviço dos agricultores uruguaios não beneficia só o campo, mas, além disso, cria oportunidades econômicas sustentáveis para toda a sociedade, tratando-se de consumidores ou produtores, já que de uma maneira ou de outra dependem da agricultura”, disse Jesko Hentschel, diretor do Banco Mundial no Uruguai. Para Aguerre, o objetivo em longo prazo é claro: “Que a pessoa seja produtor agropecuário porque quer e porque lhe convém economicamente, não porque nasceu no campo”, afirmou o ministro.

*Por José Basig / Colaborou Juan Miguel Carzolio

 

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*Fonte: elpais

Como o trigo ‘domesticou’ a humanidade – e vice-versa

Do pãozinho de cada dia ao macarrão de domingo, o trigo é um dos alimentos mais consumidos no mundo atual. Mas o que não paramos para pensar entre um bocado e outro é que esse cereal, em suas variedades contemporâneas, é praticamente artificial.

Não fosse a ação do Homo sapiens, o trigo não seria assim.

Não fosse a evolução provocada pelo ser humano, esses tipos de trigo simplesmente não existiriam.

Mas, para muitos pesquisadores, o inverso também é verdade: não fosse o trigo ter conquistado nossos ancestrais, o homem não teria se tornado sedentário, não teria feito a chamada Revolução Agrícola, não teria se aglomerado em cidades.

O trigo domesticou a humanidade de tal forma que não é exagero dizer que ele acabou sendo o combustível – até mesmo literalmente, em forma de calorias ingeridas – para que as civilizações fossem criadas.

Era só mato

Por volta de 18 mil anos atrás, com o fim da última Era Glacial, o aquecimento global provocou um período de fortes e intensas chuvas. Essa mudança climática favoreceu uma gramínea na região do Oriente Médio.

Era trigo, mas não como o conhecemos hoje. As sementinhas eram ralas e pequenas. O vento conseguia espalhá-las – e, assim, a planta se multiplicava. Os ancestrais humanos daquela época viviam em bandos nômades. Eram caçadores-coletores – alimentavam-se basicamente de carne e frutas.

Em algum momento dessa história – ou em vários momentos, já que uma descoberta assim não ocorre de forma tão linear -, os Homo sapiens perceberam que havia animais que se alimentavam de gramíneas. E decidiram experimentar.

Conforme relata o historiador Heinrich Eduard Jacob (1889-1967) em seu livro Seis Mil Anos de Pão – A Civilização Humana Através de Seu Principal Alimento, começaram colocando sementes na carne. E viram que suavizava o sabor. Caía bem.

“As pessoas começaram a comer mais trigo e, sem querer, favoreceram seu crescimento e difusão”, afirma o historiador Yuval Noah Harari, no best-seller Sapiens: Uma Breve História da Humanidade. “Como era impossível comer grãos silvestres sem antes escolhê-los, moê-los e cozinhá-los, as pessoas que coletavam esses grãos os carregavam a seus acampamentos temporários para processá-los.”

Mas os grãos de trigo eram pequenos e numerosos. “Alguns deles inevitavelmente caíam a caminho do acampamento e se perdiam”, pontua Harari. “Com o tempo, cada vez mais trigo cresceu perto dos acampamentos e dos caminhos preferidos pelos humanos.”

Jacob frisa que, naquele tempo, trigo era só mato. Ou gramíneas. “Todos os cereais eram primitivamente plantas herbáceas selvagens”, escreve. “Todos os cereais foram originariamente herbáceas cujas sementes tinham um sabor de que o homem primitivo gostava. Mas o homem tinha, para além dos insetos, um rival bem mais temível que lhe estragava a colheita dessas plantas. Era o grande criador do tapete verde de ervas. O vento.”

Se o vento espalhava as sementes – e isto garantia a perpetuação do trigo -, ele atrapalhava o homem: afinal, não era possível colher o cereal maduro, este “voava” embora antes.

Seleção artificial: a domesticação do trigo

Sem entender nada de genética, nossos ancestrais acabaram interferindo na evolução do trigo. “O primeiro objetivo do homem teve de ser portanto o de conseguir fazer com que as espécies que eram mais do seu agrado não perdessem os grãos com tanta facilidade. E foi o que efetivamente sucedeu, já que o homem ao longo de milhares de anos foi cultivando apenas aqueles exemplares que guardavam os grãos durante mais tempo na espiga”, diz Jacob.

“Nasceram assim, a partir das herbáceas selvagens, devidamente protegidos pelos seus elmos, os heróis da nossa epopeia da alimentação”, completa o historiador, referindo-se às versões do cereal que, evoluídas, “têm frutos que se fixam tão bem ao eixo da espiga que só se desprendem com golpes ou sob pressão, ou seja, por intermédio de uma ação voluntária, aquilo a que chamamos a debulha.”

Como efeito disso, o trigo contemporâneo não sobrevive sem a mão humana. “A questão é precisamente o campo de batalha entre a robustez da espiga e o desejo que o homem tem de obter a farinha”, sintetiza Jacob. “Os ‘cereais domésticos’ morreriam amanhã se o homem desaparecesse.”

Harari conta que os acampamentos daqueles nômades começaram a se fixar ao redor de locais onde havia mais trigo. Para facilitar, eles “limpavam” o entorno, derrubando árvores e promovendo queimadas. Sem conhecer nem os rudimentos da agricultura, acabavam favorecendo justamente as gramíneas: que podiam crescer sem concorrência, livres das sombras das grandes árvores.

Foi o início do sedentarismo. O princípio da chamada Revolução Agrícola. “No começo, talvez eles acampassem por quatro semanas durante a colheita. Na geração seguinte, com a multiplicação e o alastramento do trigo, o acampamento da colheita talvez durasse cinco semanas, depois seis, até que se tornou um assentamento permanente”, conta Harari. “Evidências de tais acampamentos foram encontradas em todo o Oriente Médio, sobretudo no Levante, onde a cultura natufiana floresceu de 12,5 mil a.C. a 9,5 mil a.C.”

Os natufianos ainda eram caçadores-coletores, mas viviam em assentamentos permanentes. Inventaram ferramentas – como pilões de pedra para moer trigo -e armazenavam os cereais para épocas de necessidade.

Seus descendentes descobriram que podiam semear. Além disso, se enterrassem os grãos sob o solo, tinham resultados mais interessantes do que se simplesmente os espalhassem pela superfície.

Descobertas recentes apontam para a provável localização geográfica em que primeiro aconteceu esse fenômeno. Por meio de análises genéticas, cientistas descobriram que pelo menos a variedade Triticum monococcum começou a ser domesticada na região de Karaca Dag, no leste da atual Turquia, há cerca de 9 mil anos.

“À medida que dedicavam mais esforços ao cultivo de cereais, havia menos tempo para coletar e caçar espécies silvestres”, relata Harari. “Os caçadores-coletores se tornavam agricultores.”

No ano de 8,5 mil a.C., o Oriente Médio estava cheio de povoados fixos. O excedente de alimentos fez com que a população crescesse.

E o homem também acabou domesticado

No livro Sapiens, Harari apresenta uma visão interessante sobre essa evolução concomitante homem-trigo. Para ele, se a Revolução Agrícola aumentou o total de alimentos à disposição da humanidade, isso não se refletiu em uma dieta melhor – tampouco em uma vida melhor. “Em média, um agricultor trabalhava mais que um caçador-coletor e obtinha em troca uma dieta pior. A Revolução Agrícola foi a maior fraude da história”, diz ele.

“Quem foi o responsável? Nem reis, nem padres, nem mercadores”, completa. “Os culpados foram um punhado de espécies vegetais, entre as quais o trigo, o arroz e a batata. As plantas domesticaram o Homo sapiens, e não o contrário.”

O historiador afirma que, para passar de gramíneas insignificantes a cereais onipresentes, o trigo “manipulou” o ser humano “a seu bel-prazer”. “Esse primata vivia uma vida confortável como caçador-coletor até por volta de 10 mil anos atrás, quando começou a dedicar cada vez mais esforços ao cultivo do trigo. Em poucos milênios”, ressalta, “os humanos em muitas partes do mundo estavam fazendo não muito mais do que cuidar de plantas de trigo do amanhecer ao entardecer.”

“Nós não domesticamos o trigo; o trigo nos domesticou”, enfatiza. “A palavra domesticar vem do latim ‘domus’, que significa casa. Quem é que estava vivendo em uma casa? Não o trigo. Os sapiens.”

Pesquisador do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o bioquímico Juliano Lindner corrobora a tese: para ele o trigo foi o principal motivo que levou a humanidade a se tornar sedentária.

“Quando o Homo sapiens deixou de ser coletor e passou a domesticar plantas e animais, o trigo foi um dos primeiros cultivos a serem controlados e se tornou uma das plantas mais prósperas na história do planeta”, diz ele, em entrevista à BBC News Brasil. “Esse momento da evolução, pelo simples efeito que a domesticação de animais e plantas gerou na possibilidade da sociedade se organizar sem a necessidade vital do nomadismo, ocasionou o grande salto da civilização humana.”

Tal tipo de relação entre homem e trigo, em que ambas as espécies sofrem um processo de transformação resultante da relação entre elas, é abordado pela médica e escritora Alice Roberts no livro Tamed – Ten Species That Changed Our World (Domesticadas – Dez Espécies que Mudaram O Nosso Mundo, em tradução livre). Além do trigo, a pesquisadora aponta que fenômenos semelhantes ocorreram com a vaca, o cachorro, o milho e a maçã, entre outras espécies.

Onipresença x pouca variedade

Saltemos para o século 20. A civilização humana, alimentada com derivados de trigo, chegou a um estágio de desenvolvimento industrial e científico intenso. O cultivo do estimado cereal, aliás, desde então cobre 2,25 milhões de quilômetros quadrados do globo – nove vezes o tamanho do Estado de São Paulo.

Harari conclui que o trigo “não ofereceu nada para as pessoas enquanto indivíduos, mas concedeu algo ao Homo sapiens enquanto espécie”. “O cultivo de trigo proporcionou muito mais alimento por unidade de território e, com isso, permitiu que o Homo sapiens se multiplicasse exponencialmente”, afirma o historiador.

A população da humanidade, atualmente na casa dos 7,7 bilhões de habitantes, confirma isso. E, sozinho, o trigo fornece 15% do consumo calórico global. De acordo com informações relatadas pelo pesquisador Juliano Lindner, da UFSC, mais de 75% das calorias ingeridas pela humanidade hoje são resultantes de plantas domesticadas milhares de anos atrás – além do trigo, o milho, o arroz, a batata, entre outros.

Mas ao mesmo tempo em que é onipresente, o trigo representa pouca variedade. Estudo publicado na quarta-feira (29) pelo periódico Science Advances analisou geneticamente 4506 amostras de trigo de todo o mundo – incluindo cepas regionais -, recolhidas em 105 países diferentes.

Os cientistas constataram que, se por um lado o trigo ajuda a traçar os antigos caminhos migratórios humanos, da Ásia para a Europa e, mais tarde, para a América, por outro lado a transformação do cereal em commodity dizimou sua variedade.

Sobretudo no período seguinte à Segunda Guerra Mundial, quando a chamada Revolução Verde passou a empregar tecnologia para incrementar a produção agrícola mundial, o chamado pool genético do trigo acabou modificado: atualmente, praticamente toda a produção em escala de trigo remonta a variedades que se desenvolveram na Europa – nas regiões sudeste, mediterrânea e ibérica.

“Nossa pesquisa traz novos olhares sobre a difusão e a diversidade genética mundial do trigo”, afirma à BBC News Brasil um dos autores do estudo, o geneticista François Balfourier, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas da França. “Recentes seleções e disseminações levaram a um germoplasma moderno que é altamente desequilibrado em comparação com os ancestrais.”

Do ponto de vista da produção de trigo, seria estratégico entender e caracterizar as pouco exploradas comercialmente versões asiáticas do trigo, afirma o cientista. “Caracterizar melhor esses recursos genéticos podem resultar em exploração eficiente dos mesmos em programas de melhoramento, obtendo benefícios de sua resistência natural a estresses bióticos e abióticos”, comenta Balfourier.

*Por Edison Veiga

 

 

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*Fonte: bbc-brasil

Restaurante serve sushi em 3D baseado no DNA dos clientes

No restaurante Sushi Singularity, localizado em Tóquio, os clientes devem fazer algo além do que simplesmente reservar uma mesa: enviar suas amostras biológicas para que os chefes criem um cardápio de sushi em 3D.

O conceito foi criado pela companhia japonesa Open Meals, que funde ciência e gastronomia para criar um cardápio que atenda as necessidades nutricionais de seu público.

Quem planeja jantar por lá recebe um kit de teste biológico pelo correio, contendo frascos para amostras de saliva, urina e fezes. Após enviados de volta ao estabelecimento, o genoma e o estado nutricional são analisados e reunidos em um “Health ID”, uma identificação que contém informações sobre a saúde do cliente.

Com base nestes dados coletados, é organizado um cardápio de sushis criados em impressoras 3D por robôs com braços gigantes, que injetam vitaminas e minerais crus diretamente na comida.

A proposta de unir ciência e gastronomia para oferecer pratos saborosos e nutritivos também acabou fazendo arte. Uma vez que as cores de vitaminas e minerais formam sushis que você certamente não encontra fácil por aí.

O Sushi Singularity deve inaugurar em 2020. Enquanto isso, dá uma olhada na tecnologia do restaurante.

*Por Raquel Rapini

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*Fonte: geekness

Ciência Pesquisadores de MG criam espuma que absorve agrotóxicos dos alimentos e da água

Que o plástico é um problema ambiental seríssimo, todos sabemos. Mas suas complicações vão além da poluição e já temos até pesquisas sobre o material estar dentro do nosso corpo. Em uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, cientistas buscavam formas sustentáveis para substituir o plástico e acabaram desenvolvendo uma espuma capaz de reconhecer e absorver herbicidas dos alimentos e da água.

A tal espuma é de poliuretano, um tipo de matéria plástica usada para criar esponjas, espumas isolantes térmicas e acústicas e até solados de calçados. A novidade foi criada a partir de resíduos da indústria petroquímica e componentes naturais, como o óleo de mamona. A combinação facilitou a interação de grupos químicos com os pesticidas e possibilitou a identificação dos agrotóxicos.
Tomate, morango, mamão papaia, goiaba, figo, uva, pera, pêssego, melão são algumas das frutas consideradas com alto nível de agrotóxicos

Tomate, morango, mamão papaia, goiaba, figo, uva, pera, pêssego, melão são algumas das frutas consideradas com alto nível de agrotóxicos

Os pesquisadores tinham a preocupação da espuma chegar a extrair os nutrientes dos alimentos, mas os testes comprovaram que o produto apenas retira os agrotóxicos sem prejudicar as propriedades nutricionais dos alimentos. “A eficiência é em torno de 90% da espuma com resíduo, e como resíduo puro chega a 95% da remoção do pesticida”, explicou Lena Braga, engenheira química e pós-doutoranda da UFMG, ao site do jornal O Tempo.

A ideia é desenvolver um filme plástico a partir do material da espuma que, ao embalar o alimento em casa ou nos supermercados, consiga detectar e retirar os pesticidas. No caso da alface, por exemplo, se a folha for colocada na água com a espuma, o pesticida não vai passar para o líquido.

A pesquisa liderada pela engenheira química Marys Lane Almeida foi publicada no Journal of Hazardous Materials, em março deste ano.

Pensando ainda em alimentação e meio ambiente, a discussão sobre a nossa saúde está em foco com os absurdos da “PL do Veneno”, Projeto de Lei 6299/02 que visa atualizar a lei dos agrotóxicos, de 1989, mudando o termo “agrotóxico” para “defensivo fitossanitário” – entre outras bizarrices que favorecem o agronegócio. A proposta é do atual ministro da agricultura, pecuária e abastecimento, Blairo Maggi, do PP – já vale ficar de olho no partido e nas ideias que não pensam mais em sua conta bancária que na nossa saúde.

 

 

 

 

 

 

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*Fonte: hypeness