“Não existe aprendizado lúdico, sem esforço”

Como tomar decisões melhores, aprender com mais facilidade e editar nossa memória para minimizar os efeitos de um episódio traumático? Essas e outras respostas estão no nosso inconsciente e A Vida Secreta da Mente, de Mariano Sigman, é um guia de neurociência para entender os bastidores do que acontece nas profundezas do nosso cérebro.

O livro reúne 20 anos de pesquisa em física, educação, psicologia, linguística e neurociência para entender como nosso cérebro funciona. O autor aborda temas polêmicos e complexos da neurociência – como a influência do bilinguismo no desenvolvimento cognitivo das crianças, por exemplo – com dinamismo, bom-humor e uma linguagem acessível aos leitores não-habituès de literatura científica.

Sigman estudou física na Universidade de Buenos Aires, fez doutorado na Universidade Rockfeller e pós-doutorado em Paris. O argentino é um dos grandes nomes da pesquisa em neurociência da educação e da comunicação humana, e é um dos diretores do Human Brain Project, uma iniciativa global de estímulo à pesquisas sobre o cérebro humano. Para ele, a ciência é uma “maneira de compreender os outros e a nós mesmo”.

Conversamos com Mariano Sigman por telefone, confira:

No seu livro, você se refere ao cérebro como uma máquina que constrói realidades. Como a nossa vida é moldada pelo inconsciente?

O cérebro humano se constrói a partir de conexões, aprendizagens, relações e experiências. Poucas dessas variáveis são conscientes e isso está sempre mudando e moldando o que somos. Muitas das coisas que temos medo ou desejo são resultado de como o cérebro processa o mundo e as experiências, de maneira inconsciente. De todo pensamento humano, só a ponta do iceberg é consciente.

Se todos os cérebros humanos têm a mesma forma, o que faz com que cada um de nós aja e pense de forma tão diferente?

Nossos cérebros não são exatamente iguais. Assim como uma pessoa é alta e outra é baixa ou mais flexível, o cérebro também varia de pessoa para pessoa e isso nos dá diferentes predisposições, faz com que as nossas personalidades sejam distintas. O que somos e as decisões que tomamos são uma mistura entre um pacote de genes (as coisas inatas) e um cérebro em constante mudança pelas nossas experiências. Cada conversa, cada abraço muda nosso cérebro e nos torna particular.

Se nosso cérebro é tão mutável, como podemos moldá-lo para formar memórias menos dolorosas de um acidente ou de um abuso, por exemplo?

A memória funciona como um arquivo de computador que está se auto editando e gravando uma versão sobre a outra. Cada vez que alguém evoca uma memória, ela se associa a outra coisa e muda. Se você comeu uma comida que te fez mal, vai associar a comida ao mal estar. Mas como a memória é ampla, não vai ser apenas a comida, você lembrará do lugar, da roupa que estava vestindo, de quem estava com você. E, inconscientemente, vai relacionar esses elementos ao desconforto. Quem sofre de estresse traumático associa a situação dolorosa a uma série de coisas, muitas são claras e conscientes e várias que são inconscientes. Parte da técnica para “editar” é cortar pouco a pouco essa rede de conexões paralelas para não ativarem a memória dolorosa.

Você defende que os bebês que crescem sendo bilíngues estão mais propensos a desenvolver melhor algumas funções cognitivas que as crianças que falam um só idioma. Mesmo que alguém que não foi um bebê bilíngue aprenda várias outras línguas ao longo da vida, o efeito no cérebro será tão poderoso quanto crescer sendo bilíngue?

Suponho que sim, mas não existe comprovação científica para isso. A razão para um bebê bilíngue desenvolver melhor algumas funções é que ele aprende a ter domínio da comunicação entre dois idiomas. Pelo que sei sobre o assunto, acredito que aprender idiomas depois de adulto também deveria melhorar as funções executivas, mas não conheço nenhum estudo que comprove isso. De qualquer forma, vale lembrar que não é por que alguém fala uma só língua que a pessoa vai ter um problema cognitivo. E nem o contrário. Você não vai ter distúrbio algum se aprender um idioma desde muito pequeno. Existem pesquisas que mostram que isso não confunde o desenvolvimento do idioma e ainda melhora o desenvolvimento de algumas funções executivas do cérebro.

Muita gente acredita que quanto mais jovem se aprende alguma coisa, melhor e mais fácil será. Existe algum limite de idade para essa suposta facilidade? Aprender aos 50 anos é tão diferente de aprender aos 10?

A principal diferença entre aprender enquanto se é criança e depois de adulto é a motivação. Quando uma criança pequena começa a falar um idioma ela aprende porque sem isso não se comunica, não se relaciona com os outros. No geral, um adulto aprende por que precisa para o trabalho, para sustentar a casa, mas ele tem outras responsabilidades e acaba postergando. Quando alguém se dedica com afinco aos estudos, a diferença no processo de aprendizado não é tão grande quanto a maioria das pessoas pensa.

Como a neurociência pode ajudar a melhorar a forma como aprendemos?

A maioria das coisas depende de treinamento. Para aprender xadrez, por exemplo, não basta jogar partida atrás de partida. Tem que sentar e estudar os movimentos que não entende, estudar e continuar jogando. Se você quer tocar violão, não é só sair tocando. Tem que entender a técnica, alongar os dedos, fazer exercícios de como movê-los mais rápido. É assim que você treina suas funções cognitivas. Muita gente acha que fazendo é que se aprende, mas não é bem assim. O segredo é acessar repetidamente áreas mais profundas da mente. Ou seja, praticar, praticar, praticar até que em um momento parece mágico, automático. E isso só acontece porque teve muito trabalho antes. Ler, andar de bicicleta, tocar um instrumento, essas coisas que fazemos com muita facilidade depois de aprender, precisaram de muito esforço até se tornarem fáceis.

A repetição é o caminho mais lógico para o aprendizado?

Sim. Acho preocupante que certos conceitos modernos de educação digam que o aprendizado tem que ser lúdico e sem esforço o tempo todo. Não é possível aprender tudo sem esforço. Qualquer esportista, músico ou bailarino sabe que, para ter a liberdade de fazer ludicamente o que fazem, é porque tiveram muito esforço para aprender e se aperfeiçoar. Abandonar a noção de esforço e repetição nas escolas é muito preocupante.

Existe alguma maneira prática para treinar nosso cérebro a tomar decisões mais racionais?

Entender a neurociência é também uma forma de entender como funciona o processo de tomada de decisões. Nossas escolhas e decisões não costumam ser racionais. E são mecanismos que não mudam apenas com força de vontade. Assim como outros processos mentais, é necessário que se trabalhe, persista e, é claro, que se tenha um bom método. E existem várias técnicas para isso. Por exemplo, se você está muito perto do problema que quer solucionar, é provável que vá tomar uma decisão emocional para resolvê-lo. Mas se você estiver em uma discussão e quiser agir racionalmente, o melhor é esperar antes de reagir, tomar certa distância. Para se distanciar o máximo possível também convém analisar a situação estando de fora, pensar na outra pessoa como uma terceira, com outro nome, como se fosse um jogo de papéis. Outra estratégia comprovada para ativar nosso lado racional é tomar decisões em outro idioma. Quanto mais distanciada no tempo, no espaço e no vínculo pessoal, mais o sistema racional toma força e o emocional enfraquece.

 

 

 

 

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*Fonte: superinteressante

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Nobel da Física ensina 4 passos para aprender ‘tudo o que você quiser’

Na escola, na faculdade e até mesmo no dia a dia, é comum nos depararmos com assuntos que não conseguimos compreender.
Mas Richard Feynman (1918-1988), ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1965, garantia que existe uma tática simples que ajuda a entender qualquer tema.

O próprio Feynman sempre foi reconhecido por essa característica entre os colegas: ele tinha muito talento para transformar explicações de coisas muito complexas em algo simples e fácil de entender. E seu entusiasmo para explicar os conceitos mais difíceis costumava contagiar quem estava por perto.

O que Feynman defende em sua técnica é que existem dois tipos de sabedoria: a que é focada em saber apenas o nome de algo e a que é focada em de fato saber algo.

A receita para a real aprendizagem, segundo ele, é a última – e pode ser aplicada observando os quatro passos a seguir:

1) Escolha um conceito

Qualquer um que preferir. Pode ser um de macroeconomia, economia doméstica ou qualquer coisa que vier a cabeça.

Seja química ou culinária, ou primeiro uma e depois a outra. E anote o conceito – o mais importante aí é desenvolver o raciocínio.

2) Escreva-o como se estivesse ensinando uma criança

Redija, então, tudo o sabe sobre esse conceito.

Mas atenção: você precisa fazer isso da maneira mais simples possível. Escreva como se estivesse explicando para uma criança – ainda que isso pareça absurdo e desnecessário, é um passo muito importante.

Assegure-se de que, do início ao fim, você esteja usando uma linguagem bem simples. Além disso, evite jargões e expressões prontas que partam do pressuposto de que você já sabe o conceito delas.

Explique cada detalhe de tudo e não caia na tentação de omitir algo que, na sua visão, está subentendido.

3) Volte no tema e pesquise sobre ele

No passo anterior, provavelmente você encontrou lacunas no seu conhecimento. Coisas que você esqueceu e que não conseguiu explicar.

E esse é o momento em que você começa realmente a aprender. Volte à fonte de informações sobre esse tema e pesquise o que ainda falta entender.

E, quando você achar que cada subtema está claro, tente escrever no papel a explicação para ele de uma maneira que até uma criança entenderia.

Quando você se sentir satisfeito e estiver compreendendo tudo o que antes estava confuso, volte à redação original e continue escrevendo as explicações nela.

4) Revise e simplifique ainda mais

Depois de passar por todas essas etapas, revise o que escreveu e simplifique. Certifique-se novamente de que não usou nenhum jargão associado com o tema que está te intrigando.

Leia tudo em voz alta. Preste atenção para perceber se está tudo exposto da maneira mais clara possível.

Se a explicação não for simples ou se soar confusa, interprete isso como um sinal de que você não está entendendo algo.

Crie analogias para explicar o conceito, porque isso ajuda a esclarecer tudo na sua cabeça e é a prova de que você está realmente dominando aquele tema.

 

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*Fonte: pensadoranonimo

Não acabem com a caligrafia: escrever à mão desenvolve o cérebro

Pediatra acredita que é preciso cuidado para que o mundo digital não leve embora experiências significativas que tem impacto no desenvolvimento das crianças

As crianças que vivem no mundo dos teclados precisam aprender a antiquada caligrafia?

Há uma tendência a descartar a escrita à mão como uma habilidade que não é mais essencial, mesmo que os pesquisadores já tenham alertado para o fato de que aprender a escrever pode ser a chave para, bem, aprender a escrever.

E, além da conexão emocional que os adultos podem sentir com a maneira como aprendemos a escrever, existe um crescente número de pesquisas sobre o que o cérebro que se desenvolve normalmente aprende ao formar letras em uma página, sejam de forma ou cursivas.

Em um artigo publicado este ano no “The Journal of Learning Disabilities”, pesquisadores estudaram como a linguagem oral e escrita se relacionava com a atenção e com o que é chamado de habilidades de “função executiva” (como planejamento) em crianças do quarto ao nono ano, com e sem dificuldades de aprendizagem.

Virginia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington e principal autora do estudo, contou que a evidência dessa e de outras pesquisas sugere que “escrever à mão – formando letras – envolve a mente, e isso pode ajudar as crianças a prestar atenção à linguagem escrita”.

No ano passado, em um artigo no “Journal of Early Childhood Literacy”, Laura Dinehart, professora associada de Educação da Primeira Infância na Universidade Internacional da Flórida, discutiu várias possibilidades de associações entre boa caligrafia e desempenho acadêmico: crianças com boa escrita à mão são capazes de conseguir notas melhores porque seu trabalho é mais agradável para os professores lerem; as que têm dificuldades com a escrita podem achar que uma parte muito grande de sua atenção está sendo consumida pela produção de letras, e assim o conteúdo sofre.
Mas podemos realmente estimular o cérebro das crianças ao ajudá-las a formar letras com suas mãos?

Em uma população de crianças pobres, diz Laura, as que possuíam boa coordenação motora fina antes mesmo do jardim da infância se deram melhor mais tarde na escola.

Ela diz que mais pesquisas são necessárias sobre a escrita nos anos pré-escolares e sobre as maneiras para ajudar crianças pequenas a desenvolver as habilidades que precisam para realizar “tarefas complexas” que exigem coordenação de processos cognitivos, motores e neuromusculares.

Esse mito de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora simplesmente está errado. Usamos as partes motoras do nosso cérebro, o planejamento motor, o controle motor, mas muito mais importante é a região do órgão onde o visual e a linguagem se unem, os giros fusiformes, onde os estímulos visuais realmente se tornam letras e palavras escritas

As pessoas precisam ver as letras “nos olhos da mente” para produzi-las na página, explica ela. A imagem do cérebro mostra que a ativação dessa região é diferente em crianças que têm problemas com a caligrafia.

Escaneamentos cerebrais funcionais de adultos mostram que uma rede cerebral característica é ativada quando eles leem, incluindo áreas que se relacionam com processos motores. Os cientistas inferiram que o processo cognitivo de ler pode estar conectado com o processo motor de formar letras.

Larin James, professora de Ciências Psicológicas e do Cérebro na Universidade de Indiana, escaneou o cérebro de crianças que ainda não sabiam caligrafia. “Seus cérebros não distinguiam as letras; elas respondiam às letras da mesma forma que respondiam a um triângulo”, conta ela.

Depois que as crianças aprenderam a escrever à mão, os padrões de ativação do cérebro em resposta às letras mostraram mais ativação daquela rede de leitura, incluindo os giros fusiformes, junto com o giro inferior frontal e regiões parietais posteriores do cérebro, que os adultos usam para processar a linguagem escrita – mesmo que as crianças ainda estivessem em um estágio muito inicial na caligrafia.

“As letras que elas produzem são muito bagunçadas e variáveis, e isso na verdade é bom para o modo como as crianças aprendem as coisas. Esse parece ser um dos grandes benefícios da escrita à mão”, conta Larin James.

Especialistas em caligrafia vêm lutando com a questão de se a letra cursiva confere habilidades e benefícios especiais, além dos fornecidos pela letra de forma. Virginia cita um estudo de 2015 que sugere que, começando por volta da quarta série, as habilidades com a letra cursiva ofereciam vantagens tanto na ortografia quanto na composição, talvez porque as linhas que conectam as letras ajudem as crianças a formar palavras.

Para crianças pequenas com desenvolvimento típico, digitar as letras não parece gerar a mesma ativação do cérebro. À medida que as pessoas crescem, claro, a maioria faz a transição para a escrita em teclados. No entanto, como muitos que ensinam na universidade, eu me questiono a respeito do uso de laptops em sala de aula, mais porque me preocupo com o fato de a atenção dos alunos estar vagando do que com promover a caligrafia. Ainda assim, estudos sobre anotações feitas à mão sugerem que “alunos de faculdade que escrevem em teclados estão menos propensos a se lembrar e a saber do conteúdo do que se anotassem à mão”, conta Laura Dinehart.

Virginia diz que a pesquisa sugere que crianças precisam de um treinamento introdutório em letras de forma, depois, mais dois anos de aprendizado e prática de letra cursiva, começando na terceira série, e então a atenção sistemática para a digitação.

Usar um teclado, e especialmente aprender as posições das letras sem olhar para as teclas, diz ela, pode muito bem aproveitar as fibras que se intercomunicam no cérebro, já que, ao contrário da caligrafia, as crianças vão usar as duas mãos para digitar.

O que estamos defendendo é ensinar as crianças a serem escritoras híbridas. Letra de forma primeiro para a leitura – isso se transfere para o melhor reconhecimento das letras –, depois cursiva para a ortografia e a composição. Então, no final da escola primária, digitação

Como pediatra, acho que pode ser mais um caso em que deveríamos tomar cuidado para que a atração do mundo digital não leve embora experiências significativas que podem ter impacto real no desenvolvimento rápido do cérebro das crianças.

Dominar a caligrafia, mesmo com letras bagunçadas e tudo, é uma maneira de se apropriar da escrita de maneira profunda.

“Minha pesquisa global se concentra na maneira como o aprendizado e a interação com as palavras feitas com as próprias mãos têm um efeito realmente significativo em nossa cognição”, explica Larin James. “É sobre como a caligrafia muda o funcionamento do cérebro e pode alterar seu desenvolvimento.”

 

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*Fonte: psicologiasdobrasil

SÉRIE: Humano, Demasiado Humano – Martin Heidegger: Projeto Para Viver

Documentário
Humano, Demasiado Humano – Martin Heidegger: Projeto Para Viver

O projeto do tratado Ser e Tempo, foi publicado em 1927 no mesmo ano que Minha Luta (Adolf Hitler). Este programa examina a vida e a filosofia de Martin Heidegger, descreve a sua ascensão a proeminência intelectual, expondo os motivos do seu envolvimento no partido Nazi. Entrevistas com o seu filho, Hermann Heidegger, George Steiner autor de uma influente critica da sua filosofia, contado também com o seu biógrafo Hugo Ott; e ex-aluno de Hans-Georg Gadamer, fornecem novas ideias enquanto se faz uma reconstrução dos momentos chaves da vida de Heidegger. Vida e história de um homem cujos apologistas e os antagonistas ainda amargamente se dividem.

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*Fonte: revistaprosaversoearte

 

Geração do diploma lota faculdades, mas decepciona empresários

Nunca tantos brasileiros chegaram às salas de aula das universidades, fizeram pós-graduação ou MBAs. Mas, ao mesmo tempo, não só as empresas reclamam da oferta e qualidade da mão-de-obra no país como os índices de produtividade do trabalhador custam a aumentar.

Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.

“Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)”, diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de “geração do diploma” é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.

“Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria”, diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore.

Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores recém-formados que não sabem escrever um relatório ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver equações simples ou estagiários que ignoram as regras básicas da linguagem ou têm dificuldades de se adaptar às regras de ambientes corporativos.

“Cadastramos e avaliamos cerca de 770 mil jovens e ainda assim não conseguimos encontrar candidatos suficientes com perfis adequados para preencher todas as nossas 5 mil vagas”, diz Maíra Habimorad, vice-presidente do DMRH, grupo do qual faz parte a Companhia de Talentos, uma empresa de recrutamento. “Surpreendentemente, terminanos com vagas em aberto.”

Outro exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower. De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.

É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar da desaceleração da economia, os níveis de desemprego já caíram para baixo dos 6% e têm quebrado sucessivos recordes de baixa.
Image caption Produtividade da industria aumentou apenas 1,1% na última década, segundo a CNI

Mas segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado nesta semana, os brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% desse contingente de desempregados.

“Mesmo com essa expansão do ensino e maior acesso ao curso superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer o conhecimento específico que as boas posições requerem”, explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.

 

Causas:

Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a “geração do diploma”.

 

 

A principal delas estaria relacionada a qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.

Os números de novos estabelecimentos do tipo criadas nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior. Hoje são 2.416, sendo 2.112 particulares.

“Ocorre que a explosão de escolas superiores não foi acompanhada pela melhoria da qualidade. A grande maioria das novas faculdades é ruim”, diz Pastore.

Tristan McCowan, professor de educação e desenvolvimento da Universidade de Londres, concorda. Há mais de uma década, McCowan estuda o sistema educacional brasileiro e, para ele, alguns desses cursos universitários talvez nem pudessem ser classificados como tal.

“São mais uma extensão do ensino fundamental”, diz McCowan. “E o problema é que trazem muito pouco para a sociedade: não aumentam a capacidade de inovação da economia, não impulsionam sua produtividade e acabam ajudando a perpetuar uma situação de desigualdade, já que continua a ser vedado à população de baixa renda o acesso a cursos de maior prestígio e qualidade.”

Para se ter a medida do desafio que o Brasil têm pela frente para expandir a qualidade de seu ensino superior, basta lembrar que o índice de anafalbetismo funcional entre universitários brasileiros chega a 38%, segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.
Image caption Especialistas questionam qualidade de novas faculdades no Brasil

Na prática, isso significa que quatro em cada dez universitários no país até sabem ler textos simples, mas são incapazes de interpretar e associar informações. Também não conseguem analisar tabelas, mapas e gráficos ou mesmo fazer contas um pouco mais complexas.

De 2001 a 2011, a porcentagem de universitários plenamente alfabetizados caiu 14 pontos – de 76%, em 2001, para 62%, em 2011. “E os resultados das próximas pesquisas devem confirmar essa tendência de queda”, prevê Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do IPM.

Segundo Lima, tal fenômeno em parte reflete o fato da expansão do ensino superior no Brasil ser um processo relativamente recente e estar levando para bancos universitários jovens que não só tiveram um ensino básico de má qualidade como também viveram em um ambiente familiar que contribuiu pouco para sua aprendizagem.

“Além disso, muitas instituições de ensino superior privadas acabaram adotando exigências mais baixas para o ingresso e a aprovação em seus cursos”, diz ela. “E como consequência, acabamos criando uma escolaridade no papel que não corresponde ao nível real de escolaridade dos brasileiros.”
Postura e experiência

 

A segunda razão apontada para a decepção com a geração de diplomados estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado.

“Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade”, diz Marcus Soares, professor do Insper especialista em gestão de pessoas.

“Entre os que se formam em universidades mais renomadas também há certa ansiedade para conseguir um posto que faça jus a seu diploma. Às vezes o estagiário entra na empresa já querendo ser diretor.”

As empresas, assim, estão tendo de se adaptar ao desafio de lidar com as expectativas e o perfil dos novos profissionais do mercado – e em um contexto de baixo desemprego, reter bons quadros pode ser complicado.

Para Marcelo Cuellar, da consultoria de recursos humanos Michael Page, a falta de experiência é, de certa forma natural, em função do recente ciclo de expansão econômica brasileira.

“Tivemos um boom econômico após um período de relativa estagnação, em que não havia tanta demanda por certos tipos de trabalhos. Nesse contexto, a escassez de profissionais experientes de determinadas áreas é um problema que não pode ser resolvido de uma hora para outra”, diz Cuellar.

Nos últimos anos, muitos engenheiros acabaram trabalhando no setor financeiro, por exemplo.

“Não dá para esperar que, agora, seja fácil encontrar engenheiros com dez ou quinze anos de experiência em sua área – e é em parte dessa escassez que vem a percepção dos empresários de que ‘não tem ninguém bom’ no mercado”, acredita o consultor.
‘Tradição bacharelesca’

 

Por fim, a terceira razão apresentada por especialistas para explicar a decepção com a “geração do diploma” estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais procurados e as necessidades do mercado.

    É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários.
    Gabriel Rico

De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais – como administração, direito ou pedagogia – enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus.

“O Brasil precisa de mais engenheiros, matemáticos, químicos ou especialistas em bioquímica, por exemplo, e os esforços para ampliar o número de especialistas nessas áreas ainda são insuficientes”, diz o diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.

Segundo Rico, as consequências dessas deficiências são claras: “Em 2011 o país conseguiu atrair importantes centros de desenvolvimento e pesquisas de empresas como a GE a IBM e a Boeing”, ele exemplifica. “Mas se não há profissionais para impulsionar esses projetos a tendência é que eles percam relevância dentro das empresas.”

 

Do outro lado, também há críticas ao que alguns vêem como um excesso de valorização do ensino superior em detrimento das carreiras de nível técnico.

“É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários”, diz o consultor.

 

Rafael Lucchesi concorda. “Temos uma tradição cultural baicharelesca, que está sendo vencida aos poucos”, diz o diretor da CNI – que também é o diretor-geral do Senai (Serviço Nacional da Indústria, que oferece cursos técnicos).

Segundo Lucchesi, hoje um operador de instalação elétrica e um técnico petroquímico chegam a ganhar R$ 8,3 mil por mês. Da mesma forma, um técnico de mineração com dez anos de carreira poderia ter um salário de R$ 9,6 mil – mais do que ganham muitos profissionais com ensino superior.

“Por isso, já há uma procura maior por essas formações, principalmente por parte de jovens da classe C, mas é preciso mais investimentos para suprir as necessidades do país nessa área”, acredita.

 

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*Fonte: bbc/texto: Ruth Costas

 

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3 aspectos que indicam que você já deu um grande passo na Terra

Em nosso caminhar, aos poucos vamos compreendendo que tudo isso é na verdade uma grande escola.

Quando passamos a ter consciência deste fato, três aspectos passam a ser fundamentais para o grande passo, o Real Aprendizado.

O primeiro aspecto é que passamos a contemplar mais. A mesma contemplação e alegria que sentimos ao ver um lindo nascer do Sol passa a acontecer de forma mais frequente em nossa vida.

Passamos a desfrutar com muito mais alegria de momentos comuns, como um simples caminhar, ou um simples encontro, momentos que até então passavam despercebidos. Tudo passa a ter um novo frescor. O tédio deixa de existir, pois a percepção das minúcias de cada momento trazem sempre algo novo aos nossos olhos. O mundo fica mais colorido, o sabor dos alimentos mais aprazível e a vida mais divertida.

O segundo aspecto é a habilidade de criar um distanciamento entre o que você sente e pensa do que você realmente é. Isso nasce, tendo consciência de que é possível se observar e que também é possível se questionar. Quem é que pensa? Quem é que sente? Quem deseja? Quem sou eu além deste pensar e sentir? O que eu seria se não estivesse identificado com este estado atual? Quem sou eu?

Esse distanciamento nos permite compreender que existe alguém além do pensar, do sentir e do querer. Passamos a compreender que o Existir está além de tudo isso. Assim, o que até então acontecia de forma inconsciente e instintiva, passa agora a ser orquestrado por esse Ser.

Aumentando essa percepção, tomamos uma maior consciência dos nossos atos e percebemos padrões de comportamento que muitas vezes nos levou a caminhos que não queríamos estar. Padrões esses que foram formatados durante toda a nossa história, pedindo agora, à luz da compreensão, um redesenho completo para uma nova vida.

O terceiro aspecto é a capacidade de perceber e aceitar os acontecimentos externos com gratidão, independente do que são. Lembrando que, gostando ou não, todos são aprendizados.

Todos os eventos e principalmente todos os encontros passam a ser vistos como uma grande oportunidade. São oportunidades de perceber padrões da nossa inconsciência. Sim, visualizamos claramente que estávamos dormindo profundamente.

Quanto maior a nossa identificação com o problema, ou com a dor, maior a possibilidade de exercitarmos o distanciamento consciente, obtendo com isso um grande aprendizado e uma comprensão profunda.

Agora, diante dos próximos passos, quanto menor a identificação, maior a percepção da sincronicidade dos eventos apoiando o nosso despertar. Passamos a perceber a beleza da escola da vida e como ela, de forma harmônica nos leva para o centro do nosso Ser. O perfume que emerge é uma profunda gratidão à vida.

Posso garantir que ver a vida como a escola do Ser, levando nossa espécie em direção à consciência plena é muito mais confortante do que ver a vida como um grande caos desordenado e perigoso.

Se você já tem consciência desta escola e percebe em sua vida esses três aspectos, você já deu o maior passo: Essa é a Real Iniciação, o começo da grande jornada à verdadeira liberdade. Vôa!!!

Mahadeva

*Fonte: Wladimir Bianchi