‘Arte está morta’: o polêmico boom de imagens geradas por inteligência artificial

Revoluções na arte não são novas, mas esta, de algum modo, pode ser terminal.

“A arte está morta, cara”, disse Jason M. Allen ao jornal americano The New York Times. Allen foi o vencedor da feira de arte do Colorado na categoria “artistas digitais emergentes”.

Sua obra vencedora, Teatro de Ópera Espacial, foi feito com uso do Midjourney, um sistema de inteligência artificial que permite que imagens sejam criadas a partir de algumas frases, como “astronauta em cima de um cavalo” ou “cachorro com uma flor na boca num retrato ao estilo de Pablo Picasso”.

A vitória deixou muitos artistas furiosos, mas Allen não se abalou: “Acabou. A inteligência artificial ganhou. Os humanos perderam”.

Ele recebeu um prêmio relativamente pequeno, equivalente a R$ 1.500, mas o feito dominou os holofotes da imprensa internacional.

Alguns artists já temiam que uma nova geração de imagens geradas por meio de inteligência artificial poderia roubar seus postos de trabalho, pegando carona no que aprendeu sobre o ofício ao longo dos anos. “Essa coisa quer nossos empregos e é ativamente um anti-artista”, afirmou RJ Palmer, um artista de arte conceitual para filmes e videogames, em uma mensagem que viralizou no Twitter.

Em suas críticas, Palmer ressaltou como esses sistemas de inteligência artificial podem imitar precisamente artistas e seus traços estéticos.

A produção desses sistemas de inteligência artificial é impressionante, mas eles são construídos com base na produção de criadores de carne e osso. Ou seja, seus algoritmos são treinados com base em milhões de imagens feitas por humanos.

Stable Diffusion, um gerador de imagens de inteligência artificial de código aberto lançado recentemente, aprende a partir de um arquivo compactado de “100.000 gigabytes de imagens” extraído da internet, contou à BBC o fundador Emad Mostaque.

Mostaque, um cientista da computação com formação em tecnologia e finanças, vê o Stable Diffusion como um “motor de busca generativo”.

Ou seja, enquanto as pesquisas de imagens do Google mostram fotos que já existem, o Stable Diffusion mostra tudo o que você pode imaginar com base no que você escreve ou nas imagens que você insere ali.

Arte no piscar de uma inteligência artificial
Os artistas sempre aprenderam e foram influenciados por outros. “Grandes artistas roubam”, diz o ditado. Mas Palmer diz que a inteligência artificial não é apenas como encontrar inspiração no trabalho de outros artistas: “Isso é roubar diretamente sua essência”.

E a inteligência artificial pode reproduzir um estilo em segundos: “Neste momento, se um artista quiser copiar meu estilo, ele pode passar uma semana tentando replicá-lo”, diz Palmer. “Isso é uma pessoa gastando uma semana para criar uma coisa. Com esta máquina, você pode produzir centenas delas por semana”.

Mas Mostaque, do Stable Diffusion, diz que não está preocupado em deixar os artistas sem trabalho. Para ele, o projeto é uma ferramenta como um aplicativo de planilhas, que “não tirou o trabalho dos contadores”.

Então, qual é a mensagem de Mostaque para jovens artistas preocupados com sua futura carreira, talvez em ilustração ou design? “Minha mensagem para eles seria: ‘trabalhos de design de ilustração são muito entendiantes’. Não se trata de ser artístico, mas sim de ser uma ferramenta”.

Mostaque sugere que essas pessoas encontrem oportunidades usando a nova tecnologia: “Este é um setor que vai crescer muito. Ganhe dinheiro com esse setor se você quiser ganhar dinheiro. Vai ser muito mais divertido”.

E de fato já existem artistas usando a arte da inteligência artificial ​​para se inspirar e ganhar dinheiro.

A empresa OpenAI diz que seu sistema DALL-E AI (ainda não disponível como o Stable Diffusion) é usado por mais de 3.000 artistas de mais de 118 países.

Artistas temem que sistemas de inteligência artificial roubem seus empregos, mas criadores desses sistemas dizem que tecnologias são apenas ferramentas

Houve até quadrinhos do formato graphic novel feitos usando inteligência artificial. O autor de um deles chamou a tecnologia de “um colaborador que pode te emocionar e surpreender no processo criativo”.

Mas, embora haja muita crítica sobre a maneira como esses sistemas de inteligência artificial usam o trabalho dos artistas, especialistas dizem que as batalhas judiciais em torno do tema podem ser bastante complexas.

O professor Lionel Bently, diretor do Centro de Propriedade Intelectual e Direito da Informação da Universidade de Cambridge, diz que no Reino Unido “não é uma violação de direitos autorais, em geral, usar o estilo de outra pessoa”.

Bently disse à BBC que um artista precisaria mostrar que a produção de uma inteligência artificial reproduziu uma parte significativa de sua expressão criativa original em uma peça específica de sua arte usada para treinar a inteligência artificial.

Mesmo que provar isso seja possível, poucos artistas terão os meios para travar tais batalhas jurídicas sobre isso.

A Sociedade de Direitos Autorais de Artistas e Designers (Dacs, na sigla em inglês), que cobra pagamentos em nome de artistas pelo uso de suas imagens, está preocupada.

Questionada se os meios de subsistência dos artistas estão em jogo, uma chefe do Dacs, Reema Selhi, afirmou que “sim, absolutamente sim”.

A Dacs não é contra o uso de inteligência artificial na arte, mas Selhi quer que artistas, cujo trabalho é usado por sistemas geradores de imagem para ganhar dinheiro, sejam recompensados ​​de forma justa e tenham controle sobre como suas obras são usadas.

“Não há garantias para os artistas poderem identificar obras em bancos de dados que estão sendo usados ​​e optar por não participar”, acrescenta.

Os artistas podem reivindicar violação de direitos autorais quando uma imagem é extraída da Internet para ser usada para treinar uma IA, embora especialistas em direito autoral disseram à BBC que há diversos fatores que podem impedir essa reivindicação.

Para Selhi, mudanças propostas na lei do Reino Unido tornariam mais fácil para as empresas de inteligência artificial extrair legalmente o trabalho dos artistas da internet – algo ao qual o Dacs se opõe.

Mostaque, do Stable Diffusion, diz entender medos e frustrações dos artistas e designers, e lembra que “já vimos isso com a fotografia também”.

Ele disse que o projeto está trabalhando com “líderes da indústria de tecnologia para criar mecanismos pelos quais os artistas possam fazer upload de seus portfólios e solicitar que seus estilos não sejam usados ​​em serviços online usando tecnologias como essa”.

Deep fakes, pornografia e preconceito
O Google chegou a criar um sistema de inteligência artificial que poderia criar imagens a partir de frases escritas pelos usuários. Chamado de Imagen, ele nunca chegou a ser aberto ao público por causa dos “riscos potenciais de uso indevido”.

O Google alertou que os conjuntos de dados de imagens usados ​​para treinar esses sistemas geralmente incluíam pornografia, refletiam estereótipos sociais e raciais e continham “associações depreciativas ou prejudiciais a grupos de identidade marginalizados”.

Recentemente, o site de tecnologia Techcrunch publicou preocupações de que o Stable Diffusion poderia ser usado para criar pornografia não consensual, os chamados deepfakes (em que o rosto de uma pessoa pode ser inserido sobre o rosto de outra de forma que o usuário não consiga distinguir que aquilo foi forjado).

Mostaque diz que esse tipo de uso antiético “quebra os termos da licença” de sistemas como o Stable Diffusion. Segundo ele, o software já filtra as tentativas de criar “imagens não seguras para o trabalho” (NSFW, na sigla em inglês), com materiais com nudez ou violência. Mas essas barreiras podem ser contornadas porque quem domina tecnologia.

O ônus dessas novidades tecnológicas, diz Mostaque, é “as pessoas fazerem algo ilegal”. Mas argumenta que outras ferramentas existentes também podem ser deturpadas, como, por exemplo, alguém pode usar “a ferramenta de mesclagem do Photoshop para colocar a cabeça de alguém em um corpo nu”.

Arte ou gosma?
O artista de ficção científica Simon Stålenhag escreveu no Twitter que a arte baseada em inteligência artificial ​​revelou um “tipo de gosma secundária… que nossos novos senhores da tecnologia esperam nos alimentar”.

E há alguns grandes nomes ligados ao desenvolvimento da tecnologia. O próprio Elon Musk é um patrocinador da empresa OpenAI, que defende seu sistema DALL-E como um auxiliar para a criatividade humana que produz “imagens únicas e originais que nunca existiram antes”.

Para o artista contemporâneo e radialista Bob-and-Roberta-Smith (o nome pertence a apenas um artista), que já trabalhou em grandes galerias e fará uma instalação artística na Tate Modern de Londres em outubro, a inteligência artificial pode ser uma área interessante de atividade artística, na tradição do mash-up.

Mas Bob-and-Roberta-Smith, que trabalha principalmente com mídias físicas tradicionais, defendeu que legisladores precisam atualizar as normas vigentes “para que ninguém se sinta roubado”, e que o dinheiro não seja simplesmente desviado dos artistas para os bolsos das grandes corporações.

*Por Chris Vallance
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*Fonte: bbc-brasil

Por que a MTV Brasil chegou ao fim: uma explicação do vice-presidente Zico Goes

A MTV Brasil, na versão do Grupo Abril, esteve no ar entre os anos de 1990 e 2013. A decisão de dar fim à emissora não chegou a surpreender tanto, devido à progressiva queda de popularidade do canal, mas as razões que explicam tal medida são um tanto curiosas.

Em agosto de 2014, cerca de um ano depois do fim da MTV Brasil, Zico Goes, que foi vice-presidente de programação e conteúdo do canal por anos, realizou uma palestra ao evento CreativeMornings. Por lá, o profissional explicou todas as circunstâncias que levaram ao fim da emissora. As falas foram transcritas por IgorMiranda.com.br.

Vale destacar que a MTV ainda existe no Brasil, mas é totalmente diferente da que esteve no ar no passado. Em 2013, a Abril devolveu a marca à sua dona, a Viacom, que passou a produzir outro tipo de conteúdo.

Fim do videoclipe
Em sua apresentação, Zico Goes, que trabalhou na MTV Brasil durante boa parte da existência do canal, contou que todo o projeto relacionado à emissora era problemático. Os primeiros anos foram muito complicados, pois a audiência era baixa e muito segmentada.

O executivo reconhece, porém, que esse era o charme da MTV – e quando os índices de audiência começaram a subir, a emissora pagou o preço por isso.

“Boa parte do que são as causas da MTV têm a ver com o próprio sucesso. A MTV fez sucesso durante um tempo e pagou o preço desse sucesso por causa da dinâmica do mercado de televisão.”

Os problemas começaram a surgir em 2007, quando, justamente, a emissora abriu mão dos videoclipes. Parecia um caminho óbvio, pois, segundo Zico Goes, música não dá audiência na televisão.

“A partir de 2007, assumimos o fim do ‘Disk MTV’ e a morte do videoclipe. A MTV já percebia que o videoclipe não dá audiência. É natural que seja assim. Música não dá audiência em TV. […] Sempre que alguém cria um programa de variedades, colocam uma banda para encerrar e a audiência sempre cai quando começam a tocar.”

Só que, segundo ele, a decisão não parece ter sido tomada no momento certo, ou da forma devida.

“TV não é o melhor lugar para música e a MTV talvez tenha chegado a essa conclusão tarde demais. Foi polêmico. Queríamos dizer que não queríamos ter uma TV de clipe, mas, sim, uma TV de música, o que também envolve o que não está no videoclipe. Queríamos criar, desenvolver talentos. O clipe não era feito por nós, então, queríamos balancear. Naturalmente, perdemos um pouco a mão, pois rompemos demais, queríamos mais Ibope, mais sucesso.”


Problemas com a internet

Na mesma época, a MTV Brasil deu início a um projeto de tom mais transmidiático, em que conteúdos exclusivos seriam disponibilizados na internet. A emissora trabalhava com o mundo virtual em várias de suas atrações, incluindo chats e votações na web em programas ao vivo, mas também houve um momento em que a emissora “perdeu a mão” nesse sentido.

“Nunca tivemos problema com a internet, não achávamos que seria vilã. Sempre usamos a interatividade. Mas lá fora, a MTV começou a ratear, porque embora fosse um canal moderno, perdeu o passo da internet. Não conseguiu acompanhar. Houve um momento em que o MySpace (rede social) foi oferecido à MTV na gringa, mas a MTV não quis, não sabia o que era uma rede social.”

O executivo apontou que o lançamento do portal MTV Overdrive, que teria conteúdos da emissora que não seriam exibidos na TV – incluindo videoclipes -, foi uma decisão equivocada. O motivo? O site simplesmente não funcionava.

“Nessa ideia de que o videoclipe não era mais um produto televisivo e sim da internet, […] criaram a MTV Overdrive, um site onde todos os videoclipes estariam. O canal de TV era chamado de não-linear, com os programas, às vezes videoclipes, mas a linear, MTV Overdrive, tinha videoclipes. No Brasil, ninguém conseguia acessar. Você chegava nos clientes para tentar vender o comercial, a agência de publicidade não conseguia entrar. Deu tudo errado. Era uma boa intenção, mas chegou tarde e cedo demais ao mesmo tempo, pois no Brasil não engatava.”

Nicho do nicho

Na visão de Zico Goes, o público em si da MTV Brasil também era problemático em termos comerciais. Lidava-se com um nicho, que são os fãs de música – e dentro disso, havia subnichos, devido aos fãs de cada gênero.

“Éramos uma TV nichada para jovens sobre música. Era para poucos. Só que, dentro desse canal, que já era nichado, tinha vários outros nichos da música. Quem não curtia rap, achava uma m*rda assistir programa de rap e pensava a MTV só passava rap. Quem não curtia rock, mesma coisa. Quem tem 15 anos, não vai assistir ao programa de música para mais velhos. E quem é mais velho, vai pensar: ‘pô, é canal de garotada’.”

O diretor aponta que “cada um entendia a MTV de um jeito, pois se relacionava só com um pedaço da MTV”. E isso, em sua visão, “fazia mal” à emissora.

“Quando fizemos aqueles programas de namoro, de auditório, ferrou de vez. Quem curtia só a música, acha que virou uma comédia, uma porcaria, e a MTV começou a sofrer com isso.”

Mais humor, menos música

Como a música ficou em segundo plano, a MTV Brasil passou a investir em programas próprios e muitos deles eram de comédia, gênero que já havia dado certo na emissora com “Hermes e Renato”. Era uma resposta, também, à concorrência que começava a aparecer na TV fechada.

“A partir de 2007, a coisa ficou meio esquizofrênica. O Ibope começou a despencar e o dinheiro começou a fugir porque começou a ter uma mínima concorrência. […] O Multishow começou a levar, a Mix TV por incrível que pareça começou, mesmo sendo só de São Paulo. Atrapalhava a percepção do mercado publicitário.”

Com a aposta no humor, vários talentos foram revelados pela emissora. Um deles, segundo Zico, acabou ficando “maior que a MTV”.

“De 2007 para 2013, aconteceram coisas incríveis. A MTV seguiu lançando novos talentos, ousando. Apareceu esse sujeito que caiu no nosso colo: Marcelo Adnet, que revolucionou a MTV. Dani Calabresa, Tatá Werneck, revolucionaram a MTV. Porém, justamente pelo Adnet ser quem ele é, ele acabou ficando maior que a MTV.”

O retorno em audiência era ótimo, mas o diretor passou a enxergar uma perda de identidade da emissora. Em boa parte deste período, Zico Goes não trabalhava mais para o canal.

“Aconteceu o seguinte: mais humor e menos música. Isso foi muito bom por um lado, pois o Ibope começou a dar sinais de revigoração por esses programas. Só que, de alguma maneira, a MTV começou a perder identidade, e já estava desgastada. Virou a TV do Adnet, do humor, da comédia. Dentro da MTV, quem fazia humor, não falava com quem fazia os musicais e vice-versa. Eles não se aproveitavam uns dos outros.”

Uma curiosidade destacada por Zico: Marcelo Adnet “detesta rock”, o que atrapalhava nessa interconexão entre programas.

“E outra: o Marcelo Adnet detesta rock. Como o cara pode estar na MTV se detesta rock? Mas era o mais brilhante. Talvez a gente não merecia o Adnet, tê-lo por tanto tempo. “Ele pedia mais e mais dinheiro. A MTV começou a pagar. Ele ganhava já como ator global, um salário maior que a Marília Gabriela no GNT, onde trabalhei. Ficávamos amarrados.”

Fator Restart

Um dos pontos mais polêmicos dos anos finais da MTV Brasil foi a relação com a banda Restart, que tinha claro viés pop/adolescente, mas era criticada em nichos por apresentar-se como um grupo de rock – mais especificamente, do subgênero happy rock.

“Outro ponto foi o fator Restart. […] Era uma boy band, nada de mal nisso, mas não tem a ver com música e sim com comportamento. A audiência do ‘Disk MTV’, nosso programa mais pop, era 80% feminina. Já os outros eram masculina. Havia então a piada interna: ‘os meninos gostam de música, as meninas gostam de músico’.”

A presença do Restart se tornou tão massiva na MTV que suas aparições eram frequentes. Era como jogar ainda mais lenha na fogueira dos fãs saudosistas da emissora, que faziam críticas à orientação mais pop da emissora. Ao mesmo tempo, os reflexos em termos publicitários não foram nada bons.

“Essa banda teve tanto marketing que tomou conta da MTV no todo, por toda a programação, não só nos programas como também nos comerciais. O Restart aparecia toda hora, então a MTV passou a ser percebida como um canal muito adolescente. Não é bom ser canal adolescente para o mercado publicitário, pois adolescente não consome tanto quanto alguém um pouco mais velho.”


Fator Sky

Zico Goes apresentou várias boas explicações para o fim da MTV Brasil, porém, na opinião dele, o rompimento com o serviço de TV por assinatura Sky foi “o grande problema”. Em 2008, o canal foi retirado da grade de programação da empresa devido a uma negociação que não deu certo.

“Talvez o grande problema foi o fator Sky. Houve um momento em que o presidente da MTV saiu para tocar outros canais da Abril. O modelo de negócios era o mesmo da MTV: ser distribuído por essas TVs a cabo. Ele disse à Sky que se a empresa quisesse continuar com a MTV, teria de levar esses outros dois canais. O que a Sky falou: ‘um abraço forte para você, tira a MTV já do ar’. Tirou do ar, os canais não entraram e como a Sky era a operadora que mais crescia, a MTV afundava na audiência.”


No fim, licença para “c*g*r”

A atuação inicial de Zico Goes como vice-presidente de programação da MTV Brasil durou de 1998 a 2008 – antes, ele exercia outras funções por lá. Três anos depois, em 2011, o profissional foi convidado para retornar, sob o pretexto de resgatar a identidade da emissora..

“Nos 3 últimos anos, sinal de alerta. A MTV perdia R$ 20 milhões todo ano desde 2008. Voltei para a MTV, pois estava no GNT. Tentei resgatar a identidade da MTV, para ser mais cool, musical, então fizemos a relação: ‘mais Criolo, menos Restart’. O Restart passou a ter toque de recolher: só entrava até às 20h. Depois, era outra TV. Passamos a tocar mais Criolo, mais Emicida, que muitos não conheciam. Resultado? Ibope lá para baixo.”

Era como nadar contra a correnteza: ele afirma que, sem seu conhecimento, o Grupo Abril já havia decidido devolver a marca para a Viacom. O projeto já estava “morto”, ainda que seguisse no ar.

“A Abril já queria se livrar da MTV. Eu não sabia. Voltei achando que queriam recuperar, mas já tinham combinado de devolver para os gringos. Fiquei 3 anos iludido, estava marcado para não dar certo. Fora os boatos de que o canal acabaria, o que espantou o mercado publicitário.”

Foi um dos períodos mais inventivos do canal, segundo o diretor. Havia, em suas palavras, “licença para c*g*r” com diversos experimentos na grade de programação.

“Foi incrível porque, ao mesmo tempo, tínhamos liberdade total, licença para c*g*r. […] Criamos o ‘Comédia ao vivo’, ‘Furo MTV’, ‘Trolalá’ com a Tatá, ‘Rockgol no Morro dos Prazeres’, o último VMB com show dos Racionais que não tocam em lugar nenhum fora da MTV, ‘Último Programa do Mundo’, Wagner Moura com Legião Urbana, ‘Menina Sem Qualidade’.”

A MTV Brasil chegou ao fim, oficialmente, em 30 de setembro de 2013. No dia seguinte, entrou no ar a “nova MTV”, controlada pela Viacom e com linha editorial bem diferente.

“A Viacom não queria a MTV Brasil, pois a Abril pagava royalties para eles. Como eles perderam isso, não queriam saber de nada do que fizemos antes. Fizeram uma programação completamente diferente. Mas conseguimos brincar um pouco com esse fim, chamei os VJs antigos, fizemos uma festa ao vivo no final. A Viacom e a Abril não queriam isso. Queriam que a gente ficasse pianinho, por já estar entregando o canal, e só passasse videoclipe. Falei: ‘que mané videoclipe, vou ter o canal 3 meses para mim, vou fazer o que eu quiser.”

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*Por igormiranda

Polêmico livro sobre o rock gaúcho é lançado no Brasil

Em fevereiro de 2021, ou seja, há mais de um ano e meio de sua publicação (prevista para outubro de 2022), o livro “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho” ganhou as páginas do jornal Zero Hora, o maior em circulação no Sul do Brasil. Em sua capa, a exclamativa manchete: “Livros sobre cem grandes discos do rock gaúcho levanta discussões antes de ser lançado”. O assunto, que tomou de assalto as redes sociais tornou-se um dos mais comentados e, de quebra, sacudiu a cena do rock e da música jovem no Estado, por conta dos resultados que elegeram, por meio de uma curadoria formada por cem pessoas, os álbuns resenhados na obra.

O jornalista Alexandre Lucchese, que assinou a matéria em Zero Hora, ainda escreveu: “O rock gaúcho passa por uma fase de agitação e agressividade. E não estamos falando de andamentos rápidos e guitarras cortantes, mas de uma contenda armada longe dos palcos. Nas redes sociais, o projeto “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho” tem sido aclamado e criticado ao tentar sedimentar uma lista com destaques incontornáveis da música jovem destas pradarias. A curadoria, no entanto, tem sido questionada com a mesma paixão que torcedores palpitam sobre a escalação de seu time na véspera de final”. Os resultados despertaram sentimentos os mais diversos em artistas e bandas que não se viram na lista. Alguns dos músicos que ficaram de fora não levaram na esportiva, sugerindo, inclusive, que os livros fossem queimados em praça pública, à la “Fahrenheit 451”, obra clássica de Ray Bradbury.

O projeto é uma iniciativa do designer do jornalista Cristiano Bastos, biógrafo de Júlio Reny, Flávio Basso e Nelson Gonçalves e também um dos autores do livro “Gauleses Irredutíveis – Causos e Atitudes do Rock Gaúcho” e do designer gráfico Rafael Cony, que trabalhou com bandas e artistas como Garotos da Rua, Bebeto Alves e Ratos de Porão. O livro “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho”, lançamento da editora Nova Carne Livros, é uma obra que apresenta, por meio de resenhas, fotos e ilustrações, fatos e curiosidades sobre 100 discos de rock e suas vertentes, lançados durante os últimos 50 anos no Rio Grande do Sul. Possui também, como um de seus objetivos, iniciar um processo de documentação literária de preservação da memória musical do Estado, sendo o ponto de partida para coleção de registros em livro de parte da história fonográfica do RS.

Muita gente também criticou o fato de algumas bandas e artistas, a princípio, terem aparecido repetidamente enquanto outras não eram citadas. A crítica foi aceita pelos criadores, que restringiram a participação a um álbum por grupo ou cantor. A ação abriu espaço para 27 novos discos. Cada álbum citado também conta com uma seção “Ouça também”, além de vários capítulos especiais. Maiores detalhes de como se deu o processo tanto da concepção quanto do pleito e também da realização do trabalho, o autor, Cristiano Bastos, explica em trecho cedido com exclusividade.

Ao final, também exclusivo, um trecho do texto assinado pelo guitarrista Luiz Carlini, que conta a respeito de seu amor e intimidade com o rock gaúcho. E, ainda, informações sobre como adquirir a obra (ainda com um preço mais barato), que tem tiragem limitada (mil exemplares), da qual a maior parte já foi vendida durante a campanha de financiamento.

Introdução do livro
As primeiras palavras escritas para este livro deram-se numa despojada postagem de Facebook. Num domingo de maio de 2020, quando então vivia-se os primeiros dias do isolamento social imposto pela pandemia de coronavírus, a intenção de se fazer uma obra de jornalismo e artes gráficas sobre “100 Grandes Álbuns” de rock gaúcho foi anunciada. Pode-se dizer, sem medo de errar, que o conceito do livro que agora vocês têm em mãos, estimadas leitoras e leitores, nasceu pronto. A ideia primordial (que consistiria, a princípio, em um compilado de resenhas de discos), porém, acabou evoluindo naturalmente com a progressão do trabalho. Na verdade, um processo que só foi dado como encerrado no instante em que se precisou pôr o derradeiro ponto final. Assim, a concepção de 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, sem nunca desvirtuar-se da centelha que lhe deu origem, foi aperfeiçoada e a publicação tomou sua forma final.

Inicialmente, mas não por muito tempo, chegamos a cogitar a possibilidade de nós mesmos, idealizadores do livro, realizarmos a escolha dos álbuns. Fatalmente, isso incorreria numa seleção fundamentada, sobretudo, em critérios pessoais. Ou seja, além de pouco justa e nada democrática, em tal opção teríamos, além de tudo, pecado pela parcialidade. Ainda mais, levando-se em consideração a prolífica produção fonográfica relativa à música jovem no Rio Grande do Sul (que, aliás, não para de crescer).

Para buscar a equidade, decidimos por selecionar um grupo de curadores, os quais participaram de um grande pleito e cujo resultado consagrou os cem grandes álbuns que dão nome ao livro. Ressaltando, antes, que se decidiu pela nomenclatura “grandes”, em vez de “melhores”, já no primeiro dia do projeto. O objetivo foi justamente evitar um juízo de valor em relação às obras, o que teria ocorrido, caso escolhêssemos a enunciação “melhores”.

Embora os títulos resenhados em 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho tenham obtido número de votos, para nós importou apenas o coeficiente que os possibilitou figurar nesta lista. Temos plena consciência de que, não importando se grandes ou melhores, há muito mais do que uma centena de discos que poderiam ser destacados nas páginas dessa publicação.

Quanto aos resultados, cuja divulgação terminou por gerar acaloradas discussões (saudáveis, em sua grande maioria), durante o carnaval de 2021, nunca questionamos as escolhas do corpo de curadores. Uma vez sacramentada a lista, concentramos nosso trabalho, que compreendeu, além de encontrar fontes bibliográficas confiáveis, na apuração de detalhadas informações sobre os álbuns junto aos autores.

Em relação aos procedimentos do pleito, no sentido de auxiliar nas escolhas, disponibilizamos aos curadores um panorama do universo discográfico da música jovem no Rio Grande do Sul. Assim, antes de enviarmos as “cédulas” de votação, empreendemos uma ampla pesquisa com o objetivo de recolher, em todas as épocas, a maior quantidade possível de títulos lançados por bandas e artistas gaúchos. O levantamento resultou num apanhado de cerca de 800 discos, os quais – mais de uma vez foi reiterado à curadoria – serviam apenas ao intuito de lhes “refrescar a memória”. Ou seja, as escolhas dos mesmos, se assim desejassem, poderiam se basear tanto nos títulos elencados por nós quanto naqueles que, porventura, não estivessem entre o montante inventariado pelos idealizadores.

Com a divulgação dos resultados, das redes sociais vieram críticas a respeito da ínfima presença de títulos referentes a grupos em início de carreira ou que ganharam lançamento nos últimos anos. Uma constatação indiscutivelmente legítima, que corroborou, ainda mais, na proposta da seção “Ouça Também”, prevista para complementar cada um dos cem álbuns resenhados, citando três outros como sugestão de audição. Da mesma forma que entendemos o clamor pela presença de bandas e artistas contemporâneos, também constatamos a necessidade de se contemplar, de alguma forma, a produção discográfica vicejada na Grande Porto Alegre e também no interior.

Em consequência disso, tendo como propósito deixar mais participativo o processo de seleção, instituímos, com ampla divulgação, uma campanha para que bandas e artistas enviassem releases, músicas e links para que pudéssemos conhecer seus trabalhos. Infelizmente, menos de dez atenderam ao pedido, o que fez com que os autores se jogassem numa gratificante cruzada de pesquisa e curadoria, que acabou por expandir o panorama fonográfico contemplado no livro, antes restringido aos discos eleitos, para um total de 400 títulos.

Editorialmente, outra significativa mudança, ocorrida quando 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho encontrava-se em avançado processo de redação e editoração, se deu em relação aos boxes com textos que complementam as resenhas sobre os discos principais, em suas respectivas páginas. Faltando pouco mais de um mês para o prazo estabelecido – após terem sido redigidos todos os textos, os quais detinham-se em curiosidades (no jargão jornalístico, o fait divers, ou seja, variedades) –, nos demos conta a tempo de que, dada a natureza específica dessa obra, nas informações contidas nos boxes também deveriam sobressair outros títulos do mesmo artista. Com esse reajuste editorial, a conta saltou de 400 para 600 títulos.

Por sua vez, com os capítulos especiais (enquadrando a produção de compactos, EPs, coletâneas, discos coletivos, ao vivo e, ainda, fitas cassete), pensados logo no início do projeto, tal horizonte multiplicou-se. Ao longo do trabalho, também decidimos pela criação de dois inclusivos capítulos: um sobre a produção fonográfica de mulheres e outro sobre música negra, assinados, respectivamente, pela jornalista Bruna Paulin e pelo músico Edu Meirelles. De última hora, com o livro já bem encaminhado, concluímos que seria pertinente a criação, ainda, de dois outros capítulos, os quais desdobraram o temário “rock gaúcho” em livros e filmes (o primeiro coligindo uma bibliografia selecionada, e o outro, com a assinatura de Carlinhos Carneiro, elencando obras audiovisuais relativas a videoclipes, filmes e documentários). A inclusão desses dois novos itens foi uma decisão natural, uma vez que muitos dos discos retratados em 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, e a mítica envolvendo suas produções, também aparecem em obras literárias, filmes e documentários. Ocupando quatro páginas do livro, cada capítulo resenha 17 títulos (somando, assim, outras 153 obras) que põem em destaque um conjunto de produções notoriamente importantes.

Por fim, somando-se a tudo isso, o capítulo intitulado “Hors-Concours”, cuja decisão dos autores em criá-lo deu-se logo após o processo eletivo dos “100 Grandes”. Os textos presentes em Hors-Concours discorrem sobre obras discográficas de três nomes (Conjunto Farroupilha, Elis Regina e Conjunto Melódico Norberto Baldauf), que foram de fundamental relevância quanto à propagação e popularização, para o Brasil e para o mundo, da música jovem florescida no Rio Grande do Sul. São colaborações assinadas, respectivamente, pelos jornalistas Zeca Azevedo (que também prefacia o livro), Ariel Fagundes e Marcello Campos.

O livro conta, ainda, com três textos-tributo. O primeiro, escrito pela produtora cultural Joana Alencastro, lembra a trajetória de Lory Finocchiaro e o segundo, assinado pelo jornalista Cristiano Bastos, de Luis Vagner. Ambos os compositores são os homenageados desta obra. No terceiro texto, Carlos Gerbase, baterista da banda Os Replicantes, revive antigas e divertidas memórias sobre o produtor Carlos Eduardo Miranda. Os leitores também são coroados com a deferência de Luiz Carlini, um dos fundadores do Tutti Frutti, que partilha conosco sua relação íntima de amizade e afeição pelo rock’n’roll gaudério.

Quase na reta final da empreitada, os autores entenderam que ainda havia a necessidade de incluir textos que propusessem uma reflexão mais robusta sobre temas cujas as abordagens vinham sendo pensadas e debatidas ao longo de todo o processo editorial. No primeiro deles, logo nas páginas iniciais, o jornalista e pesquisador musical Fernando Rosa divide com os leitores preciosos detalhes de sua vivência com o rock do Rio Grande do Sul, desde os anos 60. Intitulado “Esse tal de rock gaúcho”, o texto assinado por Rosa, citando nomes conhecidos e relembrando outros nem tanto, porém essenciais, percorre uma longa trajetória temporal que desemboca nos dias atuais.

Por fim, nas páginas derradeiras, o músico e compositor Marcelo Birck comete o segundo texto de fôlego, em que tece considerações acerca da importância dos fanzines para a consolidação do conceito de “rock gaúcho”, nos anos 80 e 90. Entre outros pontos, Birck analisa a frequência com que o rock feito em Porto Alegre, e seus “estranhamentos”, ganhava destaque em tais publicações.

Inicialmente prometido para novembro de 2021 (e aqui cabe um pedido de desculpas dirigido a quem adquiriu seus exemplares pelo financiamento coletivo), 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho terminou sofrendo o atraso de alguns meses. A todos que, em razão da demora, nos procuraram querendo saber notícias a respeito do lançamento, argumentamos, em tais ocasiões, que “um livro não se faz a ‘toque de caixa’”. Embora um prazo tenha sido estabelecido, a verdade é que, dado o ineditismo do projeto, não sabíamos, na verdade, a real dimensão que tal esforço demandaria em sua realização.

Nesses dois intensos anos de labor, parte importante do trabalho consistiu na apuração de informações (processo jornalístico, por vezes difícil, devido às escassas e muitas vezes pouco confiáveis fontes de pesquisa documental disponíveis) e também em entrevistas realizadas com mais de uma centena de artistas. Depois de tudo, a mais extenuante das etapas: a checagem das informações. E, a despeito disso, no caso de certos discos foram inúmeras as vezes em que as informações constantes em seu respectivo texto tiveram de ser revistas, seja pelos autores ou pelos artistas. Durante a elaboração, inúmeras também foram as remodelações gráficas até que se chegasse à obra que agora, prezadas leitoras e leitores, enfim vocês poderão degustar. Sem contar, ainda, nesse tão minucioso quanto cuidadoso trabalho, o primordial processo de digitalização e restauro ao qual foram submetidas as capas, contracapas e selos dos discos que serviram de matriz para ilustrar as páginas do livro.

Nessa exploração guiada pelos meandros da produção fonográfica do Rio Grande do Sul, a bordo de 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, aproveitamos para agradecer a todos que, de uma forma ou outra, nos ajudaram a tornar isso possível. Curtam a leitura e as audições, tanto quanto nós curtimos o desafio e, sobretudo, a aventura que foi escrever esse livro.

Que venham muitos outros.

Trecho do livro
Nas páginas finais do livro 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, o guitarrista paulistano Luiz Carlini (integrante da banda Tutti Frutti) escreveu sobre sua relação com o rock do Rio Grande do Sul, o impacto causado pelos cabeludos do Liverpool Sound e a importância da música jovem do estado.

Meu primeiro contato com aquilo que, na década seguinte, ganharia o nome de “rock gaúcho”, foi no início dos anos 70, ainda moleque, ou “piá”, como dizem no Sul. Certa noite, em 1971, eu estava ligado na TV, ainda em preto e branco, para ver os Mutantes no “Som Livre Exportação”. Exibido pela Rede Globo, o televisivo era conduzido por Elis Regina e Ivans Lins. Naquela noite, o Som Livre Exportação foi apresentado de Porto Alegre. Lá pelas tantas, se apresentou no programa uma banda local, chamada Liverpool Sound. Uns cabeludos tocando um puta rock’n’roll. Eu era louco, fissurado por rock, e pensei: “Que porra é essa!”. Ali, naquele momento, fui arrebatado. “Entrei na raia e comecei a dançar esse rock’n’roll, xará”. Não tenho dúvidas de que fui o primeiro fã paulista do Liverpool.

Depois que a Rita Lee saiu dos Mutantes, montei o Tutti Frutti para acompanhá-la. Entre 73 e 78, lançamos cinco álbuns e viajamos por todo o Brasil. Meus primeiros shows em Porto Alegre foram em 74, numa breve temporada, de três ou quatro noites, no Teatro Leopoldina, quando lançamos o LP Atrás do Porto Tem Uma Cidade. No ano seguinte, na turnê Fruto Proibido, voltamos para um show no Gigantinho. Quando fui passar o som, percebi que meu amplificador, um Marshall valvulado, havia queimado. Naqueles dias, os equipamentos viajavam de uma cidade para outra de caminhão, aos solavancos. Alguém falou de um guitarrista que tinha um Marshall e fomos na casa dele, buscar o amplificador. Só em Porto Alegre, mesmo, para alguém ter um Marshall naquela época. Quanto mais, emprestá-lo.

A partir dos anos 80, comecei a ir com mais frequência para o Rio Grande do Sul. Toquei com o Erasmo Carlos e com o Guilherme Arantes em shows memoráveis no Araújo Vianna e também em diversos clubes e cidades do interior. Quando acompanhei Neusinha Brizola, no Rio de Janeiro, conheci o Joe Euthanázia. Também no Rio, conheci o Humberto Gessinger. Estávamos no mesmo hotel. Ele me deu uma cópia do primeiro LP dos Engenheiros do Hawaii e ficamos um bom tempo conversando sobre guitarras. Os Garotos da Rua também estavam em alta, aparecendo nos principais programas de TV, como o Cassino do Chacrinha. Uma maré fortíssima vindo do Sul. Nesses dias, também fui sondado para produzir o primeiro álbum dos Cascavelletes, o que não aconteceu. Porém, fiquei amigo do Nei Van Soria e assisti alguns shows de sua banda.

A cultura gaúcha tem raízes muito fortes. Existem CTGs espalhados pelo mundo. Nomes como Teixeirinha, Gaúcho da Fronteira e Conjunto Farroupilha são reconhecidos tanto nacional quanto internacionalmente. Minha aproximação com o rock gaúcho também tem a ver com o som e com as letras. Uma sonoridade que se identifica com o “veneno do rock de São Paulo”. Um rock’n’roll que fala a minha língua. Depois de São Paulo, do bairro da Pompéia e dos palcos, o Rio Grande do Sul e Porto Alegre são minha segunda casa. Me considero o guitarrista paulistano mais gaúcho que existe.

100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho

• 300 páginas coloridas, em papel couchê;
• Formato 30x25cm;
• Capa dura;
• 100 discos resenhados;
• Capítulos especiais (compactos, discos ao vivo, fitas cassete, EPs, coletâneas e álbuns coletivos, música negra, mulheres na música, livros e filmes sobre rock gaúcho);
• Quase mil obras citadas, com informações e capas;
• Garanta seu exemplar diretamente com os autores: Cristiano Bastos: whatsapp 51 982986277; Rafael Cony: whatsapp 51 999196952
• Valor: R$ 250, com frete incluído para todo Brasil.
• Previsão de lançamento: 24 de outubro

*Por Luiz Pimentel
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*Fonte: terra

Há exatos 22 anos, o aclamado “Quase Famosos” chegava aos cinemas

O filme que conta a trajetória de vida de Cameron Crowe virou parte da história do Rock and Roll

No dia 13 de setembro de 2000, chegava aos cinemas americanos um dos filmes que mais marcou a história moderna do Rock and Roll: Quase Famosos, de Cameron Crowe.

Quase autobiográfico, o longa criado por Crowe conta a história de um adolescente aspirante a jornalista que consegue um freela incrível na revista Rolling Stone durante os anos 70. Como tarefa, ele segue a banda fictícia Stillwater na estrada, e a experiência muda sua vida.

Quando dissemos autobiográfico, é verdade, já que o próprio Cameron foi um redator da revista na adolescência. O roteiro do filme é baseado em suas histórias acompanhando bandas como Poco, The Allman Brothers Band, Led Zeppelin, Eagles e Lynyrd Skynyrd pelos Estados Unidos.

No filme, quem interpreta sua versão cinematográfica é Patrick Fugit, vivendo o jovem William Miller. No elenco, ainda há nomes como Kate Hudson (Penny Lane), Frances McDormand (Elaine Miller), Fairuza Balk (Sapphire), Philip Seymour Hoffman (Lester Bangs) e vários outros atores incríveis.

Prêmios de Quase Famosos e Trilha Sonora

Hoje considerado quase um filme cult, Quase Famosos levou um Oscar de Melhor Roteiro Original no ano seguinte ao seu lançamento, além de outras três indicações.

No Grammy, a trilha sonora do longa, que tem nomes como Mike McCready (Pearl Jam), Nancy Wilson (Heart) e Peter Frampton, levou a melhor.

E falando na trilha, o trabalho ganhou uma edição de 20 anos em 2020, que você pode ouvir na íntegra logo abaixo.

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*Fonte:  tenhomaisdiscosqueamigos

Filha de Paul McCartney dirige documentário sobre o lendário estúdio Abbey Road

Filha do músico e compositor Paul McCartney, a fotógrafa Mary McCartney cresceu entre as salas de gravação de Abbey Road: assim, para ela foi natural dirigir um documentário sobre o estúdio mais famoso do mundo.

Entre tantas gravações lendárias, foi na Sala 2 de Abbey Road que os Beatles gravaram quase todos os seus discos, mas a ideia por trás de If These Walls Could Sing é ir além do óbvio e explorar, no filme, os muitos artistas que já trabalharam no estúdio londrino.

Afinal, além de boa parte da discografia da maior banda de todos os tempos, diversos outros clássicos foram gravados no estúdio, localizado no número 3 da rua de mesmo nome. Álbuns como “Dark Side of The Moon”, “Wish You Were Here” e praticamente todos os primeiros do Pink Floyd, “All Things Must Pass”, de George Harrison, assim como “Be Here Now”, do Oasis, “The Bend”, do Radiohead, e muitos mais foram todos gravados em Abbey Road.

O filme parte da história do estúdio, mas também das inusitadas memórias pessoais dos artistas e da própria Mary – como de uma foto de seu pai atravessando a famosa faixa puxando um pônei ao lado de sua mãe, Linda McCartney. Além do próprio Paul, participam nomes como Elton John, Jimmy Page, Kate Bush, Roger Waters, David Gilmour e o compositor John Williams, em documentário produzido pelos estúdios Mercury e Ventureland.

O mais importante estúdio do mundo
Anteriormente chamado EMI Recording Studios, o Abbey Road foi fundado em 1931, e imortalizado principalmente pelo disco dos Beatles que o homenageia na capa e no título. Lançado em 1969, “Abbey Road” foi o último álbum gravado pela banda, e traz a mais icônica capa de disco da história do rock, com tirada na faixa de pedestres à frente do estúdio.

Para a capa do disco “Abbey Road”, a banda decidiu posar atravessando a rua do estúdio

A lista de artistas que já gravaram no estúdio se confunde com a própria história da música pop. Passaram por Abbey Road estrelas como Adele, Burt Bacharach, Tony Bennett, Blur, The Black Keys, Nick Cave, Elvis Costello, Miley Cyrus, Depeche Mode, Ella Fitzgerald, Green Day, Iron Maiden, Michael Jackson, Alicia Keys, Lady Gaga, John Mayer, Metallica, Alanis Morissette, Fela Kuti, Frank Ocean, Queen, Red Hot Chilli Peppers, Spice Girls, U2, Kanye West, Amy Winehouse e muitos – muitos! – mais.

Antes mesmo de ser exibido, o documentário If These Walls Could Sing já foi adquirido pela Disney, e em breve terá uma data de estreia anunciada para a plataforma Disney+.

*Por Vitor Paiva
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*Fonte: hypeness

Saiba onde assistir aos shows do Rock in Rio 2022

Apresentações dos palcos Mundo, Sunset, Espaço Favela e New Dance Order serão exibidas em diferentes plataformas do grupo Globo

O Rock in Rio 2022 está marcado para acontecer nos dias 2, 3, 4, 8, 9, 10 e 11 de setembro. Centenas de milhares de fãs passarão pela Cidade do Rock durante esses dias, mas quem não vai ao festival poderá acompanhar os shows pela TV ou internet.

Como habitual, os canais Globo farão a transmissão ao vivo dos vários shows do evento. Na TV, o Multishow será responsável por exibir o Palco Mundo e o Sunset, enquanto o Bis ficará a cargo dos palco Espaço Favela e New Dance Order.

No site e aplicativo do Globoplay, mesmo aqueles que não assinam o serviço (mas estão logados na plataforma) poderão assistir aos shows exibidos ao vivo pelo Multishow – ou seja, esta opção é gratuita. Já os assinantes do pacote “+Canais ao Vivo” da ferramenta de streaming também terão acesso à transmissão do Bis.

Os shows do Palco Mundo e Sunset também serão transmitidos ao vivo gratuitamente pelo site G1.

Por fim, na TV aberta, a Globo exibe ao fim da noite um compilado com os melhores momentos. É a única opção onde não há transmissão ao vivo.

Confira abaixo uma lista com todas as opções de transmissão do Rock in Rio 2022. Depois, veja também um levantamento com todos os shows que têm exibição prevista, com seus respectivos horários.

Onde assistir ao Rock in Rio 2022

Multishow

Transmissão ao vivo dos palcos Mundo e Sunset
Horário: a partir das 15h (com exceção do dia 2, que é a partir de 14h30)

Canal Bis

Transmissão ao vivo dos palcos Espaço Favela e New Dance Order
Horário: Todos os dias a partir de 17h30

Globoplay

Transmissão do Multishow (palcos Mundo e Sunset) para não assinantes logados
Transmissão do Canal Bis (palcos Espaço Favela e New Dance Order) para assinantes do pacote “+Canais ao Vivo”
Clique aqui para acessar o Globoplay

G1

Transmissão ao vivo dos palcos Mundo e Sunset
Shows do Palco Sunset começam às 15h30
Shows do Palco Mundo começam às 18h

TV Globo

Compilado com os melhores momentos do dia
Horários: quintas e sextas-feiras, após “Conversa com Bial”; sábado, após “Altas Horas”; domingo, após o “Vai que Cola”
Shows do Rock in Rio 2022 com transmissão prevista

8 de setembro, quinta

Palco Mundo

Guns N’ Roses – 0h10
Måneskin – 22h20
The Offspring – 20h10
CPM 22 – 18h00
Palco Sunset

Jessie J – 21h15
Corinne Bailey Ray – 19h05
Gloria Groove – 16h55
Duda Beat – 15h30
Espaço Favela

Drenna – 20h55
Th4i convida Lia Clark – 17h55
Izzra – 16h30
New Dance Order

Adriatique 02h00 – 04h00
Zac 01h00 – 02h00
Sarah Stenzel 00h00 – 01h00
Ben Böhmer 22h30 – 00h00
Gui Boratto 21h30 – 22h30
Du Serena Vs Junior C 20h00 – 21h30
Leo Janeiro Vs Nepal 18h30 – 20h00
Marta Supernova 17h00 – 18h30
Nu Azeite Live 16h00 – 17h00

9 de setembro, sexta

Palco Mundo

Green Day – 0h10
Fall Out Boy – 22h20
Billy Idol – 20h10
Capital Inicial – 18h00
Palco Sunset

Avril Lavigne – 21h15
1985: A Homenagem – 19h05
Jão + convidado – 16h55
Di Ferrero & Vitor Kley – 15h30
Espaço Favela

MD Chefe e Domlaike – 20h05
Choice – 17h55
Marvvila – 16h30
New Dance Order

Neelix 02h30 – 04h00
Blazy 01h30 – 02h30
Paranormal Attack 00h00 – 01h30
Vegas 22h30 – 00h00
Rica Amaral 21h30 – 22h30
Aly & Fila 19h00 – 21h30
Antdot 17h30 – 19h00
Meca 16h00 – 17h30

10 de setembro, sábado

Palco Mundo

Coldplay – 0h10
Camila Cabello – 22h20
Bastille – 20h10
Djavan – 18h00
Palco Sunset

Ceelo Green – 21h15
Maria Rita + convidado – 19h05
Gilsons + Jorge Aragão – 16h55
Bala Desejo + convidado – 15h30
Espaço Favela

Ferrugem e Thiaguinho – 20h05
Orochi – 17h55
El Pavuna – 16h55
New Dance Order

Kaskade 02h30 – 04h00
Jetlag 01h00 – 02h30
Curol 23h45 – 01h00
Gabriel Boni 22h30 – 23h45
Makj 21h30 – 22h30
The Fish House 20h00 – 21h30
Chemical Surf 18h30 – 20h00
Bruno Be Vs Fancy Inc 17h00 – 18h30
Alexiz Bcx 16h00 – 17h00

11 de setembro, domingo

Palco Mundo

Dua Lipa – 0h10
Megan Thee Stallion – 22h20
Rita Ora – 20h10
Ivete Sangalo – 18h00
Palco Sunset

Ludmilla – 21h15
Macy Gray – 19h05
Power! Elza Vive – 16h55
Liniker convida Luedji Luna – 15h30
Espaço Favela

Lexa – 20h05
Azzy – 17h55
Ella Fernandes – 16h30
New Dance Order

Anna 02h00 – 04h00
Eli Iwasa 00h00 – 02h00
Blond:Ish 22h30 – 00h00
Ella De Vuono 21h00 – 22h30
Anabel Englund 19h30 – 21h00
Aline Rocha 18h00 – 19h30
Mary Olivetti 16h00 – 18h00

*Palcos Supernova, Rock District, Highway Stage e Rock Street Mediterrâneo não têm transmissão. Atrações da Arena Itaú podem ser conferidas no perfil de TikTok do banco Itaú.

Veja também: Rock in Rio 2022 divulga horários de seus shows

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*Fonte: igormiranda

Assista ao clipe da música inédita de Emicida para o filme “Chico Rei Entre Nós”

Emicida cedeu sua composição inédita para o longa-metragem “Chico Rei Entre Nós“, dirigido por Joyce Prado, que estreia na noite desta quarta-feira (17), às 20 horas, no Canal Brasil. O paulistano, que completa aniversário hoje, também interpreta a música que leva o nome do filme.

Chico Rei, ou Galanga, foi um importante nome quando falamos de escravidão no Brasil. Galanga foi um rei congolês escravizado que libertou a si e aos seus seguidores durante o Ciclo de Ouro em Minas Gerais. Embora não tenha comprovação histórica de sua existência, o personagem é muito presente na tradição oral mineira desde o século XVIII. Assista abaixo ao clipe:

O objetivo do filme é exibir a história de Chico Rei e relatar as consequências da escravidão brasileira na vida das pessoas negras nos dias de hoje. O documentário recebeu dois prêmios, no ano de 2020, na Mostra Internacional de Cinema. O longa foi escolhido como melhor documentário nacional pela votação popular e igualmente recebeu uma menção honrosa do júri oficial, formado pela montadora Cristina Amaral, a produtora Sara Silveira e o diretor Felipe Hirsch.

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*Fonte: noize 

Caetano Veloso – 80 anos!

Hoje o genial Caetano Veloso completa 80 anos. Acho que não se faz necessário ficar aqui comentando sobre sua carreira musical e artística, visto que se trata de um grande ícone cultural brasileiro. Então vou direto ao assunto.
Feliz Aniversário Caetano!

Robô consegue fazer grafite como humano

Manifestação artística nascida nos anos de 1970, em Nova York, nos EUA, o grafite consiste em um movimento organizado nas artes plásticas, por meio do qual se cria uma linguagem que interfere intencionalmente na cidade. Os artistas usam espaços públicos para fazer uma crítica social com seus traços e tintas. Como algo tão humano pode ser reproduzido fielmente por um robô?

Cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia construíram o primeiro sistema robótico de pintura de grafite que imita, pelo menos, a fluidez do movimento humano, já que as emoções e a ideologia por trás da arte são impossíveis de serem reproduzidas por máquinas.

Apropriadamente chamado GTGraffiti, o sistema usa uma tecnologia sensorial para gravar os movimentos de pintura feitos pelo ser humano espelho e, em seguida, compõe e processa os gestos para programar um robô grafiteiro a cabo. Pelo menos por enquanto, para que a máquina seja capaz de pintar em um estilo humano, tanto o robô quanto a arte devem ser projetados tendo o outro em mente.

Primeiro, a equipe usa a tecnologia de captura de movimento para gravar a pintura de artistas humanos — uma estratégia que permite uma visão dos tipos de movimentos necessários para produzir obras de arte pintadas com spray.

Para este estudo, o doutorando em robótica Gerry Chen e sua equipe convidaram dois artistas para pintar o alfabeto em um estilo grafite de letras garrafais. Conforme cada artista ia pintando, os cientistas registravam os movimentos da mão dele através da tela, bem como os movimentos da tinta spray em si.

Capturar trajetórias de latas de tinta de mão e dos jatos spray é crucial para que o robô seja capaz de pintar usando camadas, composição e movimento semelhantes aos de um artista humano.

Então, a equipe processou os dados para regular cada movimento em velocidade, aceleração e tamanho, e usou essas informações para o próximo estágio — projetando o hardware robô a cabo.

O robô da equipe está atualmente montado em uma estrutura de aço de 2,75 por 3 metros de altura, mas Chen diz que deve ser possível montá-lo diretamente em uma estrutura plana de quase qualquer tamanho, como a lateral de um edifício.

Para o terceiro estágio, a obra é convertida em sinais elétricos. Juntas, as figuras formam uma biblioteca de caracteres digitais, que pode ser programada em qualquer tamanho, perspectiva e combinação para produzir palavras para o robô pintar. Um artista humano escolhe formas da biblioteca e as usa para compor uma obra de arte. Para este estudo, a equipe optou por pintar as letras “ATL”.

Uma vez que a equipe escolhe uma sequência e posição de caracteres, eles usam equações matemáticas para gerar trajetórias para o robô seguir. Essas vias produzidas algoritmicamente garantem que o robô pinte com a velocidade, localização, orientação e perspectiva corretas. As vias, por fim, são convertidas em comandos motorizados a serem executados.

Algumas das indústrias mais típicas para aplicações robóticas incluem fabricação, biomedicina, automóveis, agricultura e serviços militares. Mas as artes, ao que parece, podem mostrar a robótica de uma forma especialmente incrível.

“As artes, especialmente a pintura ou a dança, exemplificam alguns dos movimentos mais complexos e nuances que os humanos podem fazer”, diz Chen. “Então, se queremos criar robôs que possam fazer as coisas altamente técnicas que os humanos fazem, então criar robôs que possam dançar ou pintar são grandes objetivos a serem atingidos. Esses são os tipos de habilidades que demonstram as capacidades extraordinárias dos robôs e também podem ser aplicadas a uma variedade de outras utilidades”.

Segundo Chens, o grafite é uma forma de arte que é inerentemente feita para ser vista pelas massas. “Nesse aspecto, sinto-me esperançoso de que possamos usar o grafite para comunicar a ideia de que robôs que trabalham em conjunto com humanos podem fazer contribuições positivas para a sociedade”.

Equipe quer ver robô pintar versões dimensionadas de obras originais
Atualmente, os planos da equipe para o robô estão centrados em dois impulsos principais: preservar e amplificar a arte. Para isso, eles estão experimentando a reprodução de formas pré-gravadas em diferentes escalas e testando a capacidade do robô de pintar superfícies maiores.

Essas habilidades permitiriam ao robô pintar versões dimensionadas de obras originais em diferentes pontos geográficos e para artistas fisicamente incapazes de se envolver em pintura em spray no local. Em teoria, um artista seria capaz de pintar uma obra de arte em uma parte do mundo, e um robô GTGraffiti reproduziria essa obra em outro lugar.

Chen prevê que o sistema robótico eventualmente terá recursos que permitem a interação artista-robô em tempo real. Ele espera desenvolver a tecnologia que poderia permitir que um artista parado ao pé de um edifício pulverizasse grafites de tinta em um pequeno espaço enquanto o robô movido a cabo copia a pintura com traços gigantes na lateral do edifício, por exemplo.

“Esperamos que nossa pesquisa possa ajudar os artistas a compor obras de arte que, executadas por um robô sobre-humano, comuniquem mensagens com mais força do que qualquer peça que possam ter pintado fisicamente”, diz Chen.

Publicado no servidor de pré-impressão arxiv, o estudo já foi revisado por pares e aceito para divulgação na Conferência Internacional sobre Robótica e Automação.

*Por Flavia Correia
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*Fonte: olhardigital