Como saber se uma ave é macho ou fêmea

Observadores de aves comumente desejam ir além da simples identificação das espécies que assistem com tanta dedicação. Mas como eles fazem para saber se uma ave é macho ou fêmea? Desvendar essa diferença necessita de uma observação minuciosa e atenta, pois, ainda que nem todas as espécies tenham diferenças visíveis de gênero, é frequente a chance de determinar, através de sua aparência ou comportamento, o sexo da ave.

Como saber se uma ave é macho ou fêmea pela aparência

Muitas espécies de aves apresentam dimorfismo — ou seja, exibem características visíveis de acordo com seu gênero. Geralmente, os machos possuem cores brilhantes e chamativas, que servem para atrair a atenção das fêmeas. As fêmeas, por sua vez, normalmente têm uma coloração simplória, com menos marcas distintas, servindo para facilitar sua camuflagem no ambiente enquanto elas tomam conta do ninho ou protegem os filhotes.

As diferenças físicas entre os gêneros das aves ficam mais aparentes durante a primavera e verão, no período reprodutivo, quando as cores intensas atraem parceiros de maneira mais eficaz. Cores fortes também são menos perigosas durante os meses do verão, quando aves coloridas também podem misturar-se às flores e folhagens brilhantes. Para algumas espécies, os machos mudam para uma plumagem menos brilhante e mais camuflada a cada outono, mas retornam às cores normais quando chega a primavera. Outra diferença comum entre os gêneros é o tamanho. Em muitos casos, as fêmeas são maiores que os machos, ainda que, para a maioria dos passeriformes — ou seja, as aves canoras —, essa diferença só seja visível quando ficam lado a lado. Espécies maiores de aves de rapina, como a águia dourada, tipicamente possuem diferenças de tamanho bem mais proeminentes entre machos e fêmeas.

Mesmo que o tamanho geral das aves não seja tão diferente, pode haver diferenças de tamanho no comprimento do bico ou em penas específicas, como cristas mais altas ou serpentinas de cauda mais longa.

Como saber se é macho ou fêmea pelo comportamento
Infelizmente, muitas espécies de aves não exibem facilmente as diferenças entre macho e fêmea. Isso ocorre com espécies de gaivotas, chapins e muitos pardais. Mas uma observação atenta do comportamento das aves pode, contudo, oferecer pistas sobre o gênero de cada um.

Machos podem migrar mais cedo do que fêmeas, em vista de demarcar e defender territórios. Essas mesmas aves frequentemente são bem vocais e cantoras talentosas, usando suas canções para atrair companheiras, assim como para alertar sua presença e marcar um território que possa estar sendo disputado. As fêmeas podem se unir ao canto, mas são bem mais silenciosas de maneira geral, especialmente quando no ninho.

Em muitas espécies, durante o cortejo, os machos alimentam as fêmeas da mesma forma que alimentarão os filhotes enquanto elas cuidam dos recém-nascidos. Machos também realizam danças mais elaboradas, posando ou fazendo outras coisas para seduzir as fêmeas que assistem suas performances. Frequentemente, também são mais agressivos que as fêmeas, caçando intrusos ou até mesmo entrando em combates contra outras aves, ou predadores de outros tipos.

Dicas finais
Para saber se uma ave é macho ou fêmea com precisão, o primeiro passo é identificar a espécie. Se a espécie tiver dimorfismo, a tarefa é mais fácil. Se o macho e a fêmea são semelhantes, tome cuidado, pois uma observação mais longa pode ser necessária antes de determinar qual o gênero. Em alguns casos, pode ser quase impossível dizer com certeza qual ave é macho ou fêmea. Mas mesmo que o gênero não possa ser confirmado, uma observação cuidadosa de interações entre os parceiros ajudarão a melhorar essa habilidade de identificação, além de melhorar a experiência de observar essas criaturas.

*Por Elisson Amboni
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*Fonte: socientifica

Como é que as aves resistem à chuva e ao frio?

Com a chegada do Inverno muitas aves migram para África, mas outras permanecem nos locais onde nasceram, incluindo os pequenos passeriformes. João Eduardo Rabaça, da Universidade de Évora, explica como estas espécies fazem frente às temperaturas mais baixas.

O Inverno chegou e os dias ficam mais frios e chuvosos. Para os passeriformes, esta é uma altura “exigente”: “Noites longas e temperaturas baixas obrigam estas aves a encontrarem energia extra”, nota João Eduardo Rabaça, que é professor da Universidade de Évora e coordenador do LabOr – Laboratório de Ornitologia.

Estas pequenas aves dedicam-se a acumular “as reservas de gordura suficientes que lhes permitam sobreviver”, pelo que passam a maior parte do dia a comer. De acordo com o British Trust for Ornithology, os chapins-azuis (Cyanistes caeruleus) – que podemos observar em muitos espaços verdes, incluindo o Jardim Gulbenkian, em Lisboa – podem gastar cerca de 85% das horas de luz disponíveis num dia de Inverno em busca de alimento, refere este investigador.

Ao mesmo tempo, para os passeriformes em geral, o “revestimento plumoso permite a existência de bolsas de ar debaixo das penas, conferindo-lhes uma ajuda adicional para manterem o corpo quente.”

Algumas espécies começam a preparar-se para a estação mais rigorosa do ano logo no Outono, como acontece com o pardal-comum (Passer domesticus), exemplifica. “Cresce-lhes uma penugem por baixo da plumagem principal aumentando o peso do revestimento do corpo em 70%! E assim asseguram uma melhor proteção térmica.”

Mas há ainda outras estratégias pouco conhecidas. Quando estão em actividade, a temperatura corporal das aves é superior à dos humanos, pois “ronda os 41ºC, embora haja variações.” No entanto, para enfrentarem noites mais frias, em algumas espécies a temperatura corporal chega a baixar 10ºC ou mais ainda – um processo designado por torpor ou heterotermia diária, adianta o investigador. “Desta forma, as aves conseguem economizar energia. O caso mais impressionante é de uma espécie de beija-flor que ocorre nos Andes e que durante a noite pode atingir uma temperatura corporal de 3,26ºC!”, revela o coordenador do LabOr. “É um exemplo extremo, mas é também um extraordinário exemplo da capacidade de adaptação destes animais.”

Mais comum é a hipotermia regulada, que se traduz “numa redução da temperatura corporal mais modesta, normalmente à volta dos 5 a 6ºC.” Com este método, as aves precisam de muito menos energia para que o corpo regresse à temperatura “normal” quando chega a manhã.

Mas apesar de estar mais frio por estes dias, a verdade é que “o Inverno no sul da Europa e em particular no nosso país é bastante ameno quando comparado com a realidade do centro e norte da Europa, por exemplo”. Por essa razão – lembra o investigador, que é também autor do livro “As aves do Jardim Gulbenkian” – são inúmeras as aves que no final do Verão deixam as regiões setentrionais para migrarem rumo a sul, onde vão permanecer durante a estação fria. É o caso por exemplo do lugre (Spinus spinus) e do tordo-comum (Turdus philomelos).

*Por Ines Sequeira

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*Fonte: wilder

Biodiversidade de aves e índices de felicidade humana estão ligados

Quanto maior a biodiversidade de pássaros, mais felizes são as pessoas nesta região. Esta é a conclusão de uma estudo publicado pelo German Center for Integrative Biodiversity Research. Os cientistas mostram que a conservação da natureza é tão importante para o bem estar das pessoas quanto a segurança financeira.

O estudo foi publicado na Ecological Economics (Economia Ecológica, em português) e, com dados de moradores de cidades europeias, determinou que os índices de felicidade estão relacionado a um número mínimo de espécies de pássaros.

“De acordo com nossas informações, os europeus mais felizes são justamente os que tem contato com um número maior de espécies de pássaros na sua rotina diária, ou aqueles que vivem perto de áreas verdes que abrigam muitas destas espécies”, explica o Dr. Joel Methorst, da Universidade Goethe, em Frankfurt, que liderou o estudo.

De acordo com os cientistas, estar Cercado de 14 espécies de pássaros tem o mesmo efeito no bem estar das pessoas do que uma aumento mensal de US$ 150.

Mais de 26 mil pessoas foram entrevistadas para a pesquisa. Foram usados dados da pesquisa sobre qualidade de vida realizada em 2021, European Quality of Life Survey, para explorar a conexão entre a diversidade de espécies no entorno de casas, bairros e cidades, e como esta informação está relacionada com índices de satisfação.

Os autores afirmam que os pássaros são um dos melhores indicadores de biodiversidade nas mais diversas áreas, porque estes animais podem ser vistos e ouvidos nos seus ambientes naturais, mas também em centros urbanos. No entanto, uma variedade maior de pássaros é encontrada em áreas verdes mais conservadas, regiões afastadas ou próximo de cursos de água.

Nos Estados Unidos, a observação de pássaros se tornou um hobby mais comum neste ano de pandemia. Apesar de não ser uma atividade nova, ela vem atraindo cada vez mais pessoas. Milhares de observadores de pássaros, entre experts e amadores, participaram de uma atividade anual de 3 semanas em Nova Iorque que reúne amantes da natureza para uma contagem de pássaros em áreas específicas, divididas por grupos.

“Conservar a natureza não garante apenas as nossas necessidades básicas para uma vida saudável, é um investimento no bem estar de todos.”

*Por Natasha Olsen

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*Fonte: ciclovivo

Agricultores atraem aves e morcegos para campos para reduzir uso de pesticidas e aumentar produção

Os agricultores de diversos países estão a virar-se para a natureza para reduzir o uso e o impacto ambiental dos pesticidas e, em alguns casos, aumentar a produtividade das suas plantações.

O que isto significa, em concreto, é que estão a atrair aves e outros vertebrados para as suas explorações agrícolas, para que estes animais mantenham as pragas longe das suas culturas.

Um novo estudo, publicado na revista científica Agriculture, Ecosystems and Environment, apresenta alguns dos melhores exemplos desta prática no mundo.

Em Michigan, por exemplo, a instalação de caixas-ninho atraiu o peneireiro-americano – uma pequena espécie de falcão – para as explorações de mirtilos e para os pomares de cerejeiras. Os pequenos predadores alados alimentam-se de muitas espécies que prejudicam estas culturas, incluindo gafanhotos, roedores e estorninhos. Nos cerejais, os peneireiros-americanos reduziram significativamente a abundância de aves que comem as frutas.

Na Indonésia, as aves e os morcegos ajudam os agricultores a poupar grandes quantias de dinheiro na prevenção de pragas. Também se registou um aumento de 132 kg por acre nos rendimentos das plantações indonésias de cacau – igualando cerca de 240€ por acre –, graças à presença das aves e morcegos nos campos.

“A nossa análise de estudos mostra que os vertebrados consomem inúmeras pragas das culturas e reduzem os estragos provocados nas colheitas, o que é um serviço de ecossistema essencial”, disse a bióloga Catherine Lindell, que liderou o estudo.

Na Jamaica, o facto de as aves comerem um dos “inimigos” das plantações de café resultou em poupanças estimadas de 15€ a 102€ por acre, anualmente.

Na Espanha, a construção de caixas-abrigo perto dos arrozais aumentou a população de morcegos e reduziu as pragas locais.

Os viticultores neozelandeses ajudaram a restabelecer o falcão-de-nova-zelândia – uma espécie classificada pela UICN como “quase ameaçada” – nas regiões de planície usadas para o cultivo da vinha. Trabalhando em conjunto com a organização Marlborough Falcon Trust, estes agricultores estão a ajudar a conservar a população em declínio desta ave, através da educação, ativismo e angariação de fundos, enquanto protegem as suas vinhas.

“Agora que reunimos estes estudos, precisamos mesmo de definir uma agenda de investigação para quantificar as melhores práticas e tornar os resultados acessíveis para as principais partes interessadas, como os agricultores e os ambientalistas”, disse Catherine Lindell. “Espero que isto suscite um grande interesse.”

“Estes cientistas demonstraram uma situação vantajosa para os agricultores e para as aves”, afirmou Betsy Von Hole, da instituição científica que financiou o estudo. “O aumento das aves de rapina nativas nas zonas agrícolas pode ajudar a controlar as pragas de insetos que prejudicam as culturas, reduzindo, potencialmente, o uso dispendioso de pesticidas. Para espécies de aves com populações em declínio, estes esforços podem aumentar o sucesso reprodutivo das aves, ao mesmo tempo que se produzem culturas fruteiras atrativas para os consumidores.”

 

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*Fonte: theuniplanet

Milhares de estorninhos em voo tomam forma de ave gigante no céu

O britânico Guy Benson captou em vídeo o voo de um bando de milhares de estorninhos sobre a Reserva Natural de Attenborough, em Nottingham, no Reino Unido. O vídeo mostra a espantosa “dança” das aves no ar, durante a qual o grupo parece assumir diferentes formas, entre as quais a de uma enorme ave.

“Estava com a minha esposa, Anita, ao entardecer, quando um bando de estorninhos apareceu sobre nós. Durante cerca de 20 minutos, estiveram todos a dançar no céu”, contou o britânico ao jornal The Independent.

“A dada altura, o bando tomou a forma de uma ave enorme no céu. É uma forma bem invulgar e acho que foi causada pelos quatro gaviões que estavam continuamente a mergulhar sobre as aves para as separarem e capturarem. Foi uma das cenas mais impressionantes que já vi na natureza.”

“Há cerca de 20 anos, viam-se 40 mil aves num bando, mas, hoje em dia, é mais provável encontrarem-se entre 10 e 20 mil”, explicou Guy Benson, aludindo ao declínio verificado nas populações de aves do continente europeu.

Desde que se reformou, o britânico de 60 anos passa muito do seu tempo a viajar para observar pássaros raros, juntamente com a sua esposa, Anita Benson.

“Nunca vi nada assim”, disse esta. “Ficava-se parado e de boca aberta; foi tão fantástico. Há centenas de milhares de pessoas a viver perto, mas elas não sabem que este tipo de coisas acontece.”

O voo sincronizado dos estorninhos já chamou a atenção muitas vezes, tanto pela sua elegância como pelas imagens impressionantes que, por vezes, as aves parecem formar.

 

 

 

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Confira o vídeo:

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*Fonte: theuniplanet

As aves incendiárias que usam o fogo para facilitar a caça

A Austrália é o lar de inúmeras espécies perigosas: de crocodilos a cobras, de aranhas a águas-vivas venenosas.

Três animais aparentemente inofensivos foram acrescentados à lista, de acordo com um novo estudo baseado em diversas observações.

São três espécies de aves de rapina, descritas pelos pesquisadores como “incendiárias”.

Segundo Bob Gosford, ornitologista do Central Land Council (um dos conselhos comunitários que se organizam por região no país, neste caso no Território do Norte) e coautor da pesquisa, as aves são o milhafre-preto (Milvus migrans), o milhafre-assobiador (Haliastur sphenurus) e o falcão-marrom (Falco berigora), que ampliam deliberadamente os incêndios florestais para forçar os animais que moram na floresta a fugir das chamas e, assim, caçá-los com mais facilidade.

Para fazer isso, as aves pegam um galho em chamas com o bico ou com as garras e o deixam cair em uma área ainda não atingida pelo fogo.

Além disso, dizem os pesquisadores, as aves podem ter aprendido a controlar e a usar o fogo a seu favor antes mesmo dos humanos.

O estudo foi publicado na revista científica Journal of Ethnobiology.

Forte evidência

A crença de que essas aves têm a capacidade de espalhar as chamas vem de longa data – e inclusive celebrada em antigas danças cerimoniais nas culturas aborígenes do país.
Image caption Com seu bico ou garras, o falcão-marrom carrega galho em chamas e o deixa em cair área da floresta ainda não atingida pelo fogo para facilitar sua caça

No entanto, quando Gosford publicou o resultado de suas observações iniciais em 2016, muitos especialistas em comportamento de aves reagiram com ceticismo.

Agora, com 20 novos depoimentos, Gosford conseguiu convencer os cientistas que chegaram a questionar as evidências.

Um desses depoimentos é de Dick Eussen, fotojornalista, ex-bombeiro e coautor do estudo, que observou esse comportamento ao tentar apagar um incêndio no Território do Norte, nos anos 1980.

Um dos episódios mais recentes ocorreu em março de 2017, na mesma região, mas os milhafres não alcançaram seu objetivo.

Aves antes dos humanos

Ainda não está claro o quão comum é esse comportamento, mas, de acordo com as evidências, essas aves só recorrem a essa metodologia de caça se o incêndio atingiu seu limite de expansão e ameaça se apagar.

Para saber a frequência e se esta técnica é exclusiva dessas espécies, tanto na Austrália como no resto do mundo, os pesquisadores planejam fazer experimentos em condições controladas.

Outro ângulo interessante que surge das observações é que é bem possível que as aves de rapina tenham aprendido a controlar incêndios antes de nós.

A evidência confirmada mais antiga do uso do fogo por humanos é de 400 mil anos atrás.

No entanto, aves de rapina estiveram no planeta milhões de anos antes, então elas podem ter descoberto antes dos humanos, disse Alex Kacelnik, o especialista em inteligência de pássaros da Universidade de Oxford, no Reino Unido, à revista New Scientist.

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*Fonte: bbc-brasil