O que o budismo pode fazer pela ética da Inteligência Artificial

O crescimento explosivo da Inteligência Artificial (IA) alimentou a esperança de que ela nos ajudará a resolver muitos dos problemas mais intratáveis ​​do mundo. No entanto, também há muita preocupação com o poder que ela detém ​​e um crescente consenso de que seu uso deve ser orientado para evitar a infração de nossos direitos.

Muitos grupos discutiram e propuseram diretrizes éticas de como a IA deve ser desenvolvida ou implantada: IEEE, uma organização profissional global para engenheiros, publicou um documento de 280 páginas sobre o assunto, e a União Europeia publicou seu próprio conjunto de regras. O Inventário Global das Diretrizes de Ética da AI compilou mais de 160 dessas orientações em todo o mundo.

Infelizmente, a maioria dessas normas é desenvolvida por grupos ou organizações concentradas na América do Norte e na Europa: uma pesquisa publicada pela cientista social Anna Jobin e seus colegas encontrou 21 nos EUA, 19 na União Europeia, 13 no Reino Unido, quatro no Japão, e um de cada um dos Emirados Árabes Unidos, Índia, Cingapura e Coreia do Sul.

Elas refletem os valores das pessoas que as emitem. O fato de a maioria das diretrizes de ética da IA ​​estar sendo escrita em países ocidentais significa, consequentemente, que o campo é dominado por valores ocidentais, como respeito à autonomia e aos direitos dos indivíduos, especialmente porque as poucas regras emitidas em outros países refletem principalmente as do Ocidente.

Aquelas escritas em diferentes países podem ser semelhantes porque alguns valores são realmente universais. No entanto, para que essas diretrizes reflitam verdadeiramente as perspectivas das pessoas em países não ocidentais, elas também precisariam representar os sistemas de valores tradicionais encontrados em cada cultura.

Tanto no Oriente como no Ocidente, as pessoas precisam compartilhar suas ideias e considerar as de outras pessoas para enriquecer suas próprias perspectivas. Como o desenvolvimento e o uso da IA ​​se estendem por todo o globo, a maneira como pensamos sobre isso deve ser informada por todas as principais tradições intelectuais.

Com isso em mente, acredito que as percepções derivadas do ensino budista podem beneficiar qualquer pessoa que trabalhe com a ética da IA ​​em qualquer lugar do mundo, e não apenas em culturas tradicionalmente budistas (que estão principalmente no Oriente e principalmente no Sudeste Asiático).

O budismo propõe uma maneira de pensar sobre a ética com base na suposição de que todos os seres sencientes desejam evitar a dor. Assim, o budismo ensina que uma ação é boa se conduz à libertação do sofrimento.

A implicação desse ensino para a Inteligência Artificial é que qualquer uso ético da IA ​​deve se esforçar para diminuir a dor e o sofrimento. Em outras palavras, por exemplo, a tecnologia de reconhecimento facial deve ser usada apenas se for comprovada que reduz o sofrimento ou promove o bem-estar. Além disso, o objetivo deve ser reduzir o sofrimento para todos — não apenas para aqueles que interagem diretamente com a IA.

É claro que podemos interpretar esse objetivo de forma ampla para incluir o conserto de um sistema ou processo que seja insatisfatório ou mudar qualquer situação para melhor. Usar a tecnologia para discriminar as pessoas ou para vigiá-las e reprimi-las seria claramente antiético. Quando há áreas cinzentas ou a natureza do impacto não é clara, o ônus da prova caberia àqueles que procuram mostrar que uma aplicação específica de IA não causa danos.

Não fazer o mal

Uma ética de IA de inspiração budista também entenderia que viver de acordo com esses princípios requer autocultivo. Isso significa que aqueles que estão envolvidos com IA devem treinar continuamente para se aproximarem do objetivo de eliminar totalmente o sofrimento. Alcançar a meta não é tão importante; o importante é que eles empreendam a prática para alcançá-la. É a prática que conta.

Designers e programadores devem praticar, reconhecendo esse objetivo e definindo etapas específicas que seu trabalho executaria para que seu produto incorporasse o ideal. Ou seja, a IA que eles criam deve visar ajudar o público a eliminar o sofrimento e promover o bem-estar.

Para que tudo isso seja possível, as empresas e agências governamentais que desenvolvem ou usam IA devem prestar contas ao público. A responsabilidade também é um ensinamento budista e, no contexto da ética da IA, requer mecanismos legais e políticos eficazes, bem como independência judicial. Esses componentes são essenciais para que qualquer diretriz de ética de IA funcione conforme o esperado.

Outro conceito-chave no budismo é a compaixão, ou o desejo e o compromisso de eliminar o sofrimento dos outros. A compaixão também requer autocultivo e significa que atos prejudiciais, como exercer o poder de reprimir os outros, não têm lugar na ética budista. Não é necessário ser monge para praticar a ética budista, mas deve-se praticar o autocultivo e a compaixão na vida diária.
Podemos ver que os valores promovidos pelo budismo — incluindo responsabilidade, justiça e compaixão — são principalmente os mesmos encontrados em outras tradições éticas. Isto é esperado; afinal, somos todos seres humanos. A diferença é que o budismo defende esses valores de uma maneira diferente e coloca talvez uma ênfase maior no autocultivo.

O budismo tem muito a oferecer a qualquer pessoa que pense sobre o uso ético da tecnologia, incluindo aqueles interessados ​​em IA. Acredito que o mesmo também se aplica a muitos outros sistemas de valores não ocidentais. As diretrizes de ética da IA ​​devem se basear na rica diversidade de pensamento das muitas culturas do mundo para refletir uma variedade mais ampla de tradições e ideias sobre como abordar os problemas éticos. O futuro da tecnologia seria ainda mais brilhante dessa maneira.
Soraj Hongladarom é professor de filosofia no Centro de Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade Chulalongkorn em Bangkok, Tailândia.

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*Fonte: mithtechreview

Comece bem o dia: Dalai Lama publica mensagem de reflexão para enfrentarmos momentos conturbados

Dalai Lama enviou uma mensagem de paz e sabedoria nesta sexta-feira, 14, e provocou reflexão entre seus seguidores e simpatizantes.

A autoridade máxima do budismo tibetano aproveitou o momento de caos vivido pela humanidade nos últimos meses, por conta da pandemia, e usou seu perfil no Twitter para compartilhar mais uma de suas mensagens de sabedoria.

Na mensagem, o líder religioso pediu que façamos o melhor para mudarmos nosso mundo interior, especialmente em momentos em que os problemas do mundo exterior fogem do nosso controle.

“Não podemos remover problemas externos à vontade, mas em termos de nosso mundo interior, podemos desenvolver tolerância, perdão e contentamento”, começou dizendo na publicação.

O chefe de estado do Tibete ainda pediu para permanecermos calmos independentemente das influências negativas vindas de fora: “Se tivermos desenvolvido paz de espírito, podemos permanecer calmos, não importa o que aconteça no mundo exterior”.

Aos 80 anos, Dalai Lama possui uma história de lutas e campanhas pacifistas contra a dominação chinesa no Tibete. Sua trajetória lhe rendeu um Nobel da Paz em 1989 e hoje ele é o principal símbolo vivo do budismo na Ásia.

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*Fonte: bonsfluidos

Budismo: quatro perguntas e respostas para conhecer a religião

Em sânscrito, budi significa “acordar, observar, tornar-se consciente”. É essa a principal filosofia que baseia o Budismo, quarta maior religião do mundo e que surgiu na Índia há cerca de 2,5 mil anos. Baseada nos ensinamentos de Siddhārtha Gautama, é uma religião não teísta, ou seja, não inclui a ideia de uma deidade — um ou vários deuses.

Como, quando, onde e por quem foi fundada?
Em uma região da Índia que hoje pertence ao Nepal, o príncipe Siddhārtha Gautama cresceu isolado do mundo até os 29 anos. Quando finalmente percebeu que riqueza e luxo não garantiam felicidade, partiu em busca de compreender e encontrar um método que acabasse com o sofrimento humano. Ele chegou à conclusão de que isso seria possível ao evitar ações não virtuosas, praticar o bem e dominar a própria mente. Considerado iluminado, passou a ser conhecido como Buda Sakyamuni e proferiu seus ensinamentos até os 80 anos.

Quais os principais preceitos?
A essência dos ensinamentos de Buda são as Quatro Nobres Verdades (a vida é sofrimento; o sofrimento é fruto do desejo; o sofrimento acaba quando termina o desejo; e isso é alcançado quando se segue os ensinamentos de Buda). A quarta Nobre Verdade se desdobra nos ensinamentos para a libertação do sofrimento, conhecido como o Nobre Caminho Óctuplo.

Quantos seguidores a religião tem atualmente e onde eles estão?
Atualmente, existem cerca de 500 milhões de seguidores do Budismo no mundo, concentrados principalmente no Japão, China, Tibete e Tailândia. No Brasil, existem cerca de 245 mil budistas.

Qual a maior curiosidade sobre o Budismo?
Dois termos muito usados por ateus, agnósticos e às vezes até pessoas que seguem outras religiões têm como base princípios budistas: o carma e o nirvana. O carma é considerada pelos budistas a lei segundo a qual toda ação tem um peso que, a longo prazo, traz felicidade (se forem boas, como generosidade) ou infelicidade (mentir, roubar ou matar).

O peso de cada ação é determinado pela frequência, intenção, arrependimento, entre outros. Já o nirvana, meta do Budismo, é uma condição de extrema paz, iluminação, “o apagar do fogo das paixões” e a extinção do ego, e o fim da necessidade de reencarnar. O nirvana é, na prática, o que tornaria um homem comum um Buda.

 

 

 

 

 

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*Fonte: revistagalileu

Robô humanoide ensina Budismo em templo no Japão

O templo de Kodaiji em Kyoto, Japão, é a nova casa do robô humanoide Mindar que realiza palestras sobre os ensinamentos de Buda aos visitantes. Desenvolvido por um time de cientistas da Universidade de Osaka, a máquina foi moldada para representar uma versão futurista de Kannon, a deidade da compaixão, e é capaz manter contato visual e até responder perguntas. Mindar estará em exposição até o dia seis de maio.

O robô possui um metro e noventa e cinco centímetros de altura, tem seu corpo revestido com aço inoxidável e custou cerca de 90 mil dólares. O líder do time de criação de Mindar foi o professor Hiroshi Ishiguro, que é famoso por construir diversas máquinas humanóides no país como apresentadores de televisão e até crianças. Os trabalhos de Hiroshi sempre tentam imitar ao máximo a aparência humana; mas, Mindar é diferente e deixa bem clara a aparência robótica — uma mistura um pouco assustadora de Ghost in the Shell com Eu, Robô.

Tensho Goto, monge e chefe da administração do templo, afirmou em uma entrevista ao South China Morning Post que acredita na capacidade de Mindar em atrair pessoas para o Budismo: “Nós já temos várias esculturas, mas todas estão paradas. Nós queríamos algo que pudesse falar para ajudar as pessoas a criarem um vínculo maior”. Se você estiver curioso para saber como a androide funciona, a agência de notícias Kyodo News produziu um vídeo mostrando o trabalho de Mindar.

*Por Tadeu Antonio Mattos

 

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*Fonte: megacurioso

Neurociência descobriu o que o budismo já sabe há anos: não existe um “você” aí dentro

Evan Thompson, da Universidade de British Columbia, no Canadá, resolveu utilizar a neurociência para estudar a crença budista da “anatta”, mais conhecida como “não eu”.

Este conceito baseia-se no fato de que não há um eu constante, de que não somos os mesmo de um momento para o outro, de ano a ano, isso para os budistas é uma ilusão.

“O cérebro e o corpo estão constantemente em fluxo. Não há nada que corresponda ao sentido de que há um eu imutável”, afirma Thompson.

Em uma publicação na revista “Trends in Cognitive Sciences”, ele comprovou o que os monges já sabiam há tempos: se você treinar sua mente, você pode mudar seu cérebro.

“Há evidências de que o autoprocessamento no cérebro não é instanciado em uma determinada região ou rede, mas se estende a uma ampla gama de flutuação de processos neurais que não parecem ser autoespecíficos”, escrevem os autores.

Os estudos realizados por Thompson incluem ciência cognitiva, fenomenologia e filosofia budista. Mais ainda há um ponto de divergência, os budistas acreditam que há uma forma de consciência independente do corpo físico e os neurocientistas discordam.

“Na neurociência, muitas vezes você se depara com pessoas que dizem que o eu é uma ilusão criada pelo cérebro. Minha opinião é que o cérebro e o corpo trabalham em conjunto no contexto de nosso ambiente físico para criar um senso do eu. E é equivocado dizer que só porque é uma construção, é uma ilusão”, afirma.

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*Fonte: fasdapsicanalise

Os 8 Versos que Transformam a Mente

Também conhecido como Lojong – Os 8 Versos para o Treinamento da Mente. Sua Santidade o Dalai Lama deu ensinamentos sobre os 8 versos em maio de 2006, em São Paulo. Sua Santidade diz – “Este texto foi composto por Geshe Langri Tangpa (1054-1123), um bodisatva bastante incomum. Eu próprio o leio todos os dias, tendo recebido a transmissão do comentário de Kyabje Trijang Rinpoche.” Leia abaixo ou leia o texto com comentários no site Dalai Lama Brasil. Leia mais sobre algumas formas de meditação budista.

Os 8 versos que Transformam a Mente

1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.

3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.

 

As 8 preocupações mundanas são:

1. Querer ser elogiado
2. Não querer ser criticado

3. Querer prazer
4. Não querer dor

5. Querer ganhar
6. Não querer perder

7. Querer ser reconhecido
8. Não querer ser ignorado

 

 

 

 

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*Fonte: budismopetropolis

7 hábitos de monges budistas que são difíceis de adotar, mas podem mudar sua vida completamente

Qual o segredo para se sentir calmo e focado?

Essa não é uma pergunta fácil de responder.
Então, por que os monges budistas parecem pacíficos e presentes o tempo todo? Como eles fazem isso? Eles sabem algum segredo escondido que você não faz?

Na verdade, sim!

Por milhares de anos, a filosofia budista se concentrou apenas em buscar como reduzir o sofrimento humano e manter a mente concentrada apenas no momento presente.

E neste artigo, vamos abordar os princípios e hábitos mais importantes do budismo que todos podemos adotar em nossas vidas diárias.
Embora os conselhos possam parecer difíceis no início, sua persistência resultará em benefícios para a vida toda.

Confira:

Hábito 1 – O mínimo para si mesmo

Você sabia que o Buda nasceu um príncipe? Sim, ele poderia ter passado a vida em um grande e lindo palácio onde tudo é feito para ele.

Mas ele não fez isso.

Ele abandonou tudo quando percebeu a natureza frustrante do materialismo. 2300 anos depois, monges budistas fazem o mesmo. Eles mantêm os bens o mínimo de bens materiais, e sobrevivem somente com aquilo que eles precisam para viver sua vida. Normalmente, isso cabe em uma pequena mochila.

Hábito 2 – O máximo para os outros

Em muitos círculos budistas, os monges aprendem a fazer coisas não para si, mas para o mundo inteiro.

Quando meditam, é por causa de todos. Eles tentam alcançar a iluminação com seu potencial total, e com isso, ajudar todos aqueles que precisam.

Quando você pode desenvolver esse tipo de atitude abnegada, você se concentra menos em seus problemas pessoais. Você fica menos emotivo sobre pequenas coisas, e sua mente fica mais calma.

Hábito 3 – Meditação

Uma das principais razões pelas quais você se torna um monge é para ter mais tempo para meditar.

A maioria dos monges acorda cedo e medita de 1 a 3 horas – e faz o mesmo à noite. Esse tipo de prática muda o cérebro. Se você leu algum artigo sobre os benefícios da meditação, então você sabe o que quero dizer.

Você não precisa adotar esse tipo de cronograma rigoroso, mas e se você começar o dia com 30 minutos de meditação?

Hábito 4 – Seguindo o sábio

Na sociedade ocidental, temos um relacionamento insalubre com a velhice. Mas, para os monges budistas, eles vêem pessoas idosas como portadores da sabedoria. Eles procuram guias espirituais mais velhos que possam ajudá-los no caminho deles.

Olhe ao seu redor: sempre há pessoas perspicazes para nos ensinar algo. As pessoas mais velhas têm mais experiência, o que significa que podem oferecer inúmeras lições de vida. Aproveite!

Hábito 5 – Ouça atentamente e sem julgamento

Nossos cérebros julgam naturalmente. Mas de acordo com os budistas, o ponto de comunicação é ajudar aos outros e a nós mesmos a sofremos menos.

Criticar e julgar obviamente não ajuda.

O que é maravilhoso sobre dar atenção é poder fazer isso livre de qualquer julgamento. O objetivo principal da comunicação consciente é ouvir tudo o que alguém está dizendo sem avaliá-lo.

Muitos de nós pre-planejamos nossas respostas enquanto estamos ouvindo, mas o objetivo principal aqui é simplesmente absorver tudo o que eles estão dizendo.

Isso traz mais respeito mútuo, compreensão e maiores chances de progresso na conversa.

Hábito 6 – A mudança é a única lei do universo

De acordo com o mestre budista Suzuki, um princípio crucial que todos precisamos aprender é aceitar a mudança:

“Sem aceitar o fato de que tudo muda, não podemos encontrar a perfeita compostura. Mas infelizmente, embora seja verdade, é difícil para nós aceitá-las. Quando não podemos aceitar a verdade da transição, nós sofremos “.

Tudo muda, essa é a lei fundamental do universo. No entanto, achamos difícil aceitar isso. Nós nos identificamos fortemente com nossa aparência fixa, com nosso corpo e nossa personalidade. E quando isso muda, sofremos.

No entanto, Suzuki diz que podemos superar isso reconhecendo que o conteúdo de nossas mentes está em constante fluxo. Tudo sobre a consciência vai e vem.

Percebendo isso, o calor do momento pode difundir medo, ansiedade, raiva, desespero. Por exemplo, é difícil ficar com raiva quando se percebe a raiva pelo que ela é. É por isso que o Zen ensina que o momento é tudo o que existe.

Suzuki diz: “Seja lá o que fizer, deve ser uma expressão de uma atividade profunda. Devemos apreciar o que estamos fazendo. Não há preparação para outra coisa”.

Hábito 7 – Viver o momento

Nesse mundo com tanta ansiedade pode ser difícil simplesmente abraçar o momento presente. Tendemos a pensar em eventos passados ​​ou nos preocupamos com o futuro do futuro. Nossa mente pode estar à deriva.

Mas a atenção nos encoraja a reorientar. Praticar a atenção plena aos outros nos permite melhorar e direcionar nossos pensamentos para aquilo em que estamos realmente envolvidos.

Sem julgar nem se perder nos próprios pensamentos, o conselho é simplesmente reconhecer que perdemos a atenção, para então dirigirmos o foco para nossos sentidos ou para qualquer tarefa em que nos envolvamos.

É preciso disciplina se quisermos perceber os milagres da vida.

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*Fonte: pagez

A vida é dura. Aqui estão seis maneiras de lidar com isso.

Um antigo conjunto de aforismos budistas nos oferecem seis técnicas poderosas para transformar as dificuldades da vida em benefício e caminho para o despertar. O professor zen Norman Fischer guia-nos por elas. Ilustrações de Keith Abbott.

Existe um antigo ditado Zen que diz: o mundo inteiro está de cabeça para baixo. Em outras palavras, o modo como o mundo aparenta ser do ponto de vista comum ou convencional é praticamente o oposto da forma como o mundo realmente é. Existe uma história que ilustra isso.

Havia um mestre Zen que era chamado de Roshi Ninho de Pássaro [Roshi na tradição Zen significa “velho mestre”] porque ele meditava dentro de um ninho de águia no topo de uma árvore. Ele se tornou bastante famoso por conta dessa prática arriscada. Uma vez, o poeta Su Shih (que também era um oficial do governo) da Dinastia Song foi visitá-lo e, parado em pé muito abaixo de onde o mestre meditava, perguntou que tipo de espírito do mal o havia possuído que o fazia viver de forma tão perigosa. O roshi respondeu: “Você chama isso de perigoso? O que você está fazendo é muito mais perigoso!” Viver normalmente no mundo, ignorando a morte, a impermanência e a derrota, as perdas e o sofrimento, como nós rotineiramente fazemos, como se isso fosse um modo normal e seguro de se viver, é na realidade muito mais perigoso do que subir em um galho de árvore para meditar.

Por mais que pareça natural e compreensível tentar evitar as dificuldades, isso na verdade não funciona. Nós achamos que faz sentido nos protegermos da dor, mas nossa autoproteção acaba por nos causar dores mais profundas. Nós achamos que precisamos nos agarrar ao que temos, mas esse próprio ato de agarrar nos faz perder o que temos. Nós estamos apegados ao que gostamos e tentamos evitar o que não gostamos, mas não conseguimos manter o objeto que nos atrai e não conseguimos evitar os objetos que não desejamos.

Então, embora possa parecer contraintuitivo, evitar as dificuldades da vida na verdade não é o caminho de menor resistência; esse é um meio perigoso de se viver. Se você quer ter uma vida plena e feliz, em tempos bons e ruins, você deve se acostumar com a ideia de que encarar o infortúnio de forma direta é melhor do que tentar escapar dele.

Não se trata de focar as dificuldades da vida com austeridade. É simplesmente a forma mais suave possível de acessar a felicidade. É claro que quando pudermos evitar as dificuldades nós o faremos. Pode ser que o mundo esteja de cabeça para baixo, mas nós ainda temos que viver nesse mundo de cabeça para baixo e temos que ser práticos nessas condições. O ensinamento sobre como transformar as circunstâncias difíceis em caminho não nega isso. O que eles apontam é a atitude subjacente de ansiedade, medo e de mentalidade estreita que faz com que tenhamos vidas infelizes, cheias de medo e limitadas.

Transformar circunstâncias difíceis em caminho está associado à prática da paciência. Existem seis frases de treinamento da mente (lojong) conectadas a isso:

    Transforme todos os contratempos em caminho.
    Atribua todas as culpas a um só.
    Seja grato a todos.
    Veja a confusão como o Buda e pratique a vacuidade.
    Faça o bem, evite o mal, aprecie sua loucura, reze por ajuda.
    O que quer que encontre é o caminho.

1. Transforme todos os contratempos em caminho.

O primeiro aforismo, “Transforme todos os contratempos em caminho”, soa completamente impossível à primeira vista. Como você faria isso? Quando as coisas vão bem nós nos alegramos — nos sentimos bem e temos sentimentos espirituais positivos — mas assim que coisas ruins começam a acontecer, nós ficamos depressivos, desmoronamos, ou, na melhor das hipóteses, seguramos firme e lidamos com a situação. Nós certamente não transformamos os contratempos em caminho. E por que o faríamos? Nós não queremos que os contratempos existam; nós queremos que eles desapareçam o mais rápido possível.

“Nós não estamos falando sobre milagres. Nós estamos falando sobre treinar a mente.”

Aqui, o aforismo nos diz que nós podemos transformar tudo isso em caminho. Fazemos isso praticando a paciência, minha qualidade espiritual insuperavelmente favorita. Paciência é a capacidade de dar boas-vindas às dificuldades quando elas chegam, com um espírito de força, resistência, tolerância e dignidade, ao invés de medo, ansiedade e fuga. Nenhum de nós gosta de ser oprimido ou derrotado, no entanto conseguir suportar a opressão e a derrota com força, sem lamentar, nos enobrece. A paciência torna isso possível. Na nossa cultura, nós achamos que a paciência é passiva e sem glamour; outras qualidades como amor e compaixão ou insight são muito mais populares. Mas quando tempos difíceis fazem com que o amor se desgaste e se torne aborrecimento, que a compaixão seja vencida pelo medo e que o insight evapore, aí então a paciência começa a fazer sentido. Para mim ela é a mais substancial, a mais útil e a mais confiável de todas as qualidades espirituais. Sem ela, todas as outras qualidades se tornam instáveis.

A prática da paciência é bastante simples. Quando a dificuldade surgir, perceba as formas óbvias e não tão óbvias com as quais nós tentamos evitá-la — as coisas que falamos e fazemos, os jeitos sutis com que nossos corpos recuam e tensionam quando alguém diz ou faz algo para nós que não gostamos.

Praticar a paciência é notar essas coisas e manter-se ferozmente presente com elas (respirar um pouco ajuda; voltar para a plena consciência do corpo ajuda) ao invés de reagir a elas. Nós nos pegamos fugindo e invertemos o curso, voltando-nos para as emoções aflitivas, entendendo que elas são naturais em tais circunstâncias — e que evitá-las não irá funcionar. Nós evitamos nossa agitação em relação a essas emoções e então permitimos que elas fiquem presentes com dignidade. Nós nos perdoamos por tê-las,  perdoamos (pelo menos provisoriamente) quem quer que estejamos culpando por nossas dificuldades, e com esse perdão espontâneo surge uma sensação de alívio e até mesmo de gratidão.

Isso pode soar um pouco forçado, mas não é. Nós não estamos, no final das contas, falando sobre milagres; nós não estamos falando sobre afirmações ou sobre desejar o impossível. Nós estamos falando sobre treinar a mente. Se você meditasse diariamente, trazendo à mente essa frase, “Transformar todos os contratempos em caminho”, na sua meditação formal, escrevendo-a, repetindo muitas vezes ao dia, então você poderia ver que pode acontecer uma mudança em seu coração e em sua mente exatamente da forma como estou descrevendo. O modo como você espontaneamente reage em tempos difíceis não é imutável.

A sua mente e o seu coração podem ser treinados. Uma vez que você tenha uma única experiência de reagir de forma diferente, você se sentirá encorajado, e, em uma próxima vez, será mais provável que você se pegue pela mão. Quando surgir alguma dificuldade, você treinará para parar de dizer: “Droga! Por que isso teve que acontecer?!” para começar a dizer: “Sim, claro, isso é assim mesmo. Agora eu vou olhar para isso, vou praticar com isso, vou atravessar essa confusão em direção à gratidão.”

Isso porque você terá compreendido que coisas ruins irão acontecer porque você está vivo e não morto, porque você tem um corpo humano e não algum outro tipo de corpo, porque este é um mundo físico e não um mundo etéreo, e porque todos nós juntos como pessoas somos o que somos. Isso é o mais natural, o mais normal, a coisa mais inevitável no mundo. Não se trata de um erro e não é culpa de ninguém. E nós podemos fazer uso disso para aprofundarmos nossa gratidão e nossa compaixão.

2. Atribua todas as culpas a um só.

O segundo aforismo sobre transformar circunstâncias difíceis é famoso: Atribua todas as culpas a um só. Esse também é bem contraintuitivo, bem de ponta-cabeça. O que ele diz é: o que quer que aconteça, nunca culpe alguém ou algo; sempre culpe apenas você mesmo.

Isso é complicado, porque não é exatamente nos culpar em um sentido comum. Nós sabemos perfeitamente bem como fazer para nos culparmos. Nós temos feito isso durante todas as nossas vidas. Nós não precisamos de aforismos budistas para nos mandar fazer isso. Mas claramente não é isso que significa.

“Atribuir todas as culpas a um só” significa que você não pode culpar ninguém pelo o que acontece. Mesmo se for de fato erro de alguém, você não pode realmente culpá-lo. Algo aconteceu, e já que aconteceu, não há nada mais a ser feito a não ser tirar algum proveito disso.

Em tudo o que acontece, seja o desastre que for, e seja quem for que tenha falhado, existe um benefício potencial e sua tarefa é achá-lo. Atribuir todas as culpas a um só significa que você assume total responsabilidade por tudo o que surge em sua vida.

Isso é muito ruim, não era isso que eu queria, isso vai causar muitos outros problemas. Mas o que eu vou fazer com isso? O que eu posso aprender com isso? Como posso fazer uso disso no caminho? Essas são as questões a serem feitas, e respondê-las é responsabilidade totalmente sua. Além do mais, você consegue respondê-las; você tem o poder e a capacidade para isso. Atribuir todas as culpas a um só é uma prática formidável para cortar o antigo hábito humano de reclamar e lamentar, e de achar, do outro lado disso, a força para transformar todas situações em caminho. Aí está. É isso. Não há outro lugar para ir a não ser para o próximo momento. Repita essa frase quantas vezes for necessário.

3. Seja grato a todos.

Seja grato a todos: esta é muito simples mas bastante profunda.

Minha esposa e eu temos um neto. Nós fomos visitá-lo quando ele estava com mais ou menos seis semanas de vida. Ele não conseguia fazer nada, nem mesmo manter sua cabeça firme, muito menos se alimentar. Se ele estivesse em apuros, ele não conseguiria pedir ajuda. Impossibilitado de fazer qualquer coisa por conta própria, ele era completamente dependente dos cuidados e constante atenção de sua mãe. Ela o alimentava, ninava, tentava entender e antecipar suas necessidades e cuidava de tudo, incluindo do seu xixi e cocô.

Nós já estivemos todos exatamente nessa situação e alguém teve que cuidar completamente de nós do mesmo modo. Sem 100% de cuidado de outra pessoa, ou talvez de muitas, não estaríamos aqui. Estes certamente são motivos para sentirmos gratidão a outras pessoas.

“Não poderia haver o que chamamos de uma pessoa sem outras pessoas.”

Mas nossa dependência dos outros não termina aí. Nós não crescemos e então nos tornamos independentes. Agora nós podemos manter a cabeça firme, preparar o almoço, limpar nosso bumbum, e parece que não precisamos que nossa mãe e nosso pai cuidem de nós — então pensamos que somos autônomos.

Mas pense nisso por um momento. Você cultivou o alimento que te sustenta todos os dias? Você produziu o carro ou o trem que te leva para o trabalho? Você costurou suas roupas? Construiu sua própria casa com a madeira que você serrou?

Você precisa dos outros todos os dias, em cada momento da sua vida. É graças à presença e aos esforços dos outros que você tem as coisas que precisa para seguir, e que tem amizade, amor e sentido para a vida. Sem os outros você não é nada.

Nossa dependência dos outros é ainda muito mais profunda que isso. Para começar, de onde vem a pessoa que nós acreditamos ser? Além dos genes, apoio e cuidados dos nossos pais, e da sociedade e de tudo que ela produz para nós, existe toda uma rede de condições e circunstâncias que intimamente nos faz ser o que somos. O que dizer de seus pensamentos e sentimentos? De onde eles vêm? Sem palavras para se pensar, nós não pensamos, nós não temos nada como um sentido de um eu como nós entendemos, e nós não temos as emoções e sentimentos que são moldados e definidos por nossas palavras. Sem a miríade de circunstâncias que nos proporcionaram as oportunidades para a educação, fala, conhecimento e trabalho, nós não estaríamos aqui da maneira que estamos.

Então é literalmente o caso de que não poderia haver o que chamamos de uma pessoa sem outras pessoas. Nós podemos dizer “pessoa” como se pudesse haver tal coisa autônoma, mas na verdade isso não existe. Não há tal coisa como uma pessoa — há apenas pessoas que cocriaram umas às outras durante a longa história da nossa espécie. A ideia de uma pessoa independente, isolada e atomizada é impossível. E aqui não estamos falando apenas sobre nossa necessidade dos outros no âmbito prático. Nós estamos falando sobre nosso mais íntimo sentido de identidade. Nossa consciência de nós mesmos nunca é independente dos outros.

Isso é o que não-eu ou vacuidade significa no ensinamento budista: que não existe tal coisa como um indivíduo isolado. Embora nós possamos dizer que exista e embora nós pensemos que exista, e apesar de muitos de nossos pensamentos e motivações aparentarem estar baseados nessa ideia, na realidade essa é uma ideia errada. Literalmente todos os pensamentos em nossas mentes, cada emoção que sentimos, cada palavra que sai de nossas bocas, tudo o que precisamos para o nosso sustento material a cada dia, vêm através da bondade dos outros e da interação com os outros. E não apenas outras pessoas mas não-humanos também, literalmente toda a Terra, o solo, o céu, as árvores, o ar que respiramos, a água que bebemos. Nós não apenas dependemos de tudo isso — nós somos tudo isso e tudo isso é nós. Isso não é uma teoria, não é um ensinamento religioso. É simplesmente a mais nua realidade.

Então, praticar “Seja grato a todos” é treinar esse profundo entendimento. É cultivar todos os dias esse senso de gratidão, a mais feliz de todas as atitudes. Infelicidade e gratidão simplesmente não podem existir em um mesmo momento. Se você se sente grato, você é uma pessoa feliz. Se você se sente grato por aquilo que é possível para você neste momento, sem importar quais são os desafios, se você se sente grato simplesmente por estar vivo, por ter a capacidade de pensar, de sentir, de manter-se em pé, sentar, andar, falar — se você se sente grato, você é feliz e você maximiza suas chances de bem-estar e de partilhar a felicidade com os outros.

4. Veja a confusão como o Buda e pratique a vacuidade

O quarto aforismo, “Veja a confusão como Buda e pratique a vacuidade”, requer um pouco de explicação. Isso vai além do nosso entendimento convencional ou relativo, em direção a um sentido mais profundo do que nós somos. Embora convencionalmente eu seja eu e você seja você, de uma perspectiva absoluta, aos olhos de Deus, se preferir, não há o eu e não há o outro. Há apenas o existir, e existe apenas amor, compartilhado por si só calidamente e sem impedimentos. Só acaba parecendo haver um eu e você para nós porque é assim que nossas mentes e aparatos sensoriais funcionam. Esse amor sem limites é a prática da vacuidade.

“Veja a confusão como Buda e pratique a vacuidade” significa que nós nos situamos de forma diferente em relação à nossa confusão humana comum, à resistência, à dor, ao medo, à mágoa, e assim por diante. Ao invés de desejar que essas emoções e reações por fim desapareçam e que nos livremos delas, nós as levamos a um nível mais profundo. Nós olhamos para sua realidade subjacente.

O que realmente está acontecendo quando estamos chateados ou com raiva? Se pudéssemos nos desprender por um momento do ato de culpar, do desejo e da auto-piedade e então olhar para a base real do que está de fato acontecendo, o que veríamos? Nós veríamos o tempo passando. Nós veríamos as coisas mudando. Nós veríamos a vida surgindo e passando, vindo de lugar nenhum e indo para lugar nenhum. Momento a momento, o tempo escapa e as coisas se transformam. O presente se torna o passado — ou ele se torna o futuro? E, ainda assim, no momento presente não há passado nem futuro. Assim que examinarmos o “agora”, ele terá ido embora. E nós não temos como saber como ou para onde ele vai.

Isso pode soar como filosofia, mas não parece filosofia quando você ou alguém próximo a você está dando à luz. Se nesse momento você está sentado na sala de espera ou está você mesma, em meio à dor e à alegria, está dando à luz — nesse primeiro momento de explosão, você fica maravilhada. Essa vidinha que você achava que estava vivendo, com suas várias questões e problemas, desaparece completamente frente ao milagre da vida visceral brotando na frente dos seus olhos. Ou se você está presente quando alguém deixa este mundo e entra na morte (se é que existe um lugar para entrar), você sabe então que esse vazio não é somente filosofia. Você pode não saber o que é, mas você saberá que é real. Você sabe que essa realidade é poderosa e faz com que você olhe para a sua vida, e para a vida como um todo, de forma bastante diferente. Surge um novo contexto que é mais que um pensamento, mais que um conceito. Quando você olha para seus problemas humanos diários à luz do nascimento e da morte, você está praticando esse aforismo. Cada momento da sua vida, até mesmo (e talvez especialmente) seus momentos de dor, desespero ou confusão, é um momento de buda.

Então esteja presente em momentos de nascimento e de morte sempre que possível e aceite esses momentos como presentes, como oportunidades para a profunda prática espiritual. Mas mesmo quando você não estiver participando desses momentos de pico, você pode repetir e rever essa frase, e você pode meditar sobre ela. E quando sua mente estiver emaranhada na confusão, você pode respirar e tentar escorregar para o que está por debaixo do desejo e da confusão. Você pode perceber que nesse exato momento o tempo está passando, as coisas estão se transformando e que esse fato impossível é profundo, bonito e alegre, mesmo que você continue com sua angústia.

5. Faça o bem, evite o mal, aprecie sua loucura, reze por ajuda.

Agora os aforismos nos trazem de volta à terra. Se os ensinamentos espirituais existem para realmente transformar nossas vidas, eles precisam oscilar (como esses aforismos fazem) entre dois níveis, o profundo e o mundano. Se a prática é muito profunda, isso não é bom. Nós estamos cheios de insights maravilhosos e elevados, mas nos falta a habilidade de atravessar o dia com alguma graciosidade, ou de nos relacionarmos com os problemas e as pessoas na vida comum. Nós podemos ser sublimemente metafísicos, tocantemente compassivos, e ainda sermos incapazes de nos relacionarmos com um ser humano normal ou com um problema mundano. Esse é o momento em que o mestre Zen nos golpeia com seu bastão e diz: “Lavem suas tigelas! Matem o Buda!”.

Por outro lado, se a prática é muito mundana, se nós nos tornamos demasiadamente interessados nos detalhes de como nós e os outros nos sentimos e o que nós ou eles precisam ou querem, então a natureza elevada de nossos corações não estarão acessíveis e nós afundaremos com o peso das obrigações, dos detalhes e das preocupações do cotidiano. Este é o momento em que o mestre diria: “Se você tiver uma bengala, eu te darei apoio; se você precisar de uma bengala, eu a tirarei de você.” Nós precisamos tanto da filosofia religiosa profunda quanto das ferramentas práticas para o dia-a-dia. Essa necessidade dupla, de acordo com as circunstâncias, parece sempre acompanhar o ser humano. Nós estivemos contemplando a realidade como o Buda e praticando a vacuidade. Isso foi importante. Agora é hora de voltar para a terra.

Primeiro, faça o bem. Tenha ações positivas. Diga oi para as pessoas, sorria para elas, diga feliz aniversário, sinto muito pela sua perda, há algo que eu possa fazer para ajudar? Estas coisas são gentilezas sociais comuns, e as pessoas dizem isso o tempo todo. Mas praticá-las intencionalmente é trabalhar um pouco mais duro para que sejam realmente sinceras. Nós genuinamente tentamos ser úteis, gentis e atenciosos de formas simples e grandiosas todos os dias do jeito que conseguirmos.

Segundo, evite o mal. Isso significa prestar mais atenção em nossas ações de corpo, fala e mente, notando quando nós fazemos, falamos ou pensamos coisas que são prejudiciais ou indelicadas. Tendo chegado até aqui com o treinamento da mente, nós não temos como não notar nossos momentos ordinários ou maldosos. E quando notamos, nos sentimos mal. No passado nós poderíamos ter dito para nós mesmos: “Eu só disse isso porque ela realmente precisa se endireitar. Se ela não tivesse feito isso comigo, eu não teria dito aquilo para ela. Foi realmente culpa dela.” Agora nós vemos que essa é uma forma de nos protegermos (afinal de contas, nós acabamos de praticar “Atribua todas as culpas a um só”) e almejamos aceitar a responsabilidade pelas nossas ações. Então nós prestamos atenção nas coisas que falamos, pensamos e fazemos — não obsessivamente, não de um modo perfeccionista, mas apenas naturalmente e com generosidade e compreensão — e finalmente nós nos purificamos de boa parte dos pensamentos e palavras pouco generosos.

As duas últimas práticas deste aforismo, que eu interpretei como “Aprecie sua loucura” e “Reze por ajuda”, têm tradicionalmente relação com fazer oferendas para dois tipos de criaturas: demônios (seres que estão te impedindo de manter-se determinado em sua prática) e protetores do Darma (seres que estão te ajudando a permanecer sincero na sua prática). Mas para nossos propósitos neste momento é melhor vê-las de forma mais geral.

Nós podemos entender as oferendas a demônios como “aprecie sua loucura”. Reverencie suas próprias fraquezas, sua própria loucura, sua própria resistência. Congratule-se por elas, as aprecie. Isso é de fato uma maravilha, o quanto nós somos egoístas, confusos, preguiçosos, ressentidos e assim por diante. Nós adquirimos essas coisas com honestidade. Nós fomos bem treinados para manifestá-las a cada momento. Esse é o prodígio da vida humana transbordando, é o efeito da nossa criação, da nossa sociedade, que nós apreciamos até mesmo quando estamos tentando domá-las e gentilmente convencê-las a manifestar o bem. Então nós fazemos oferendas aos demônios dentro de nós e desenvolvemos um senso de apreciação bem-humorada de nossa própria estupidez. Estamos em boa companhia! Podemos rir de nós mesmos e de todo o resto.

Ao fazermos oferendas para os protetores do Darma, nós rezamos a qualquer força, que nós acreditamos ou não, para nos ajudar. Quer imaginemos uma deidade ou um Deus ou não, nós podemos buscar algo além de nós mesmos e além de qualquer coisa que possamos descrever objetivamente e pedir por ajuda e força para o nosso trabalho espiritual. Nós podemos fazer isso em meditação, com palavras silenciosas ou em voz alta, verbalizando nossas esperanças e desejos.

A oração é uma prática poderosa. Não é uma questão de abandonar a nossa própria responsabilidade. Nós não estamos pedindo para sermos liberados da necessidade de agir. Nós estamos pedindo ajuda e força para fazer o que nós sabemos que precisamos fazer, com o entendimento de que embora nós precisemos dar o nosso melhor, qualquer coisa benéfica que surja em nosso caminho não é realização nossa, produção pessoal nossa. Isso vem de uma esfera mais ampla do que podemos controlar. Na verdade, é contraproducente conceber a prática espiritual como uma tarefa que vamos realizar sozinhos. Afinal de contas, já não praticamos o “Seja grato a todos”? Nós já não aprendemos que não há como fazer nada sozinho? Afinal de contas, estamos treinando uma prática espiritual e não uma auto-ajuda pessoal (embora esperemos que isso nos ajude, e provavelmente ajudará). Então, não apenas faz sentido rezar por ajuda, não apenas aparenta ser poderosamente certo e bom fazê-lo, isso é importante também para que possamos lembrar que não estamos sozinhos e que não podemos fazer nada sozinhos.

Seria natural esquecermos este ponto, cairmos no hábito de imaginarmos uma autossuficiência ilusória. As pessoas frequentemente dizem que budistas não rezam porque o budismo é uma tradição ateísta ou não-teísta, que não reconhece Deus ou um Ser Supremo. Tecnicamente isso pode estar correto, mas a verdade é que budistas rezam e sempre rezaram. Eles rezam para toda uma panóplia de budas e bodisatvas. Até mesmo zen-budistas rezam. Rezar não requer uma crença em Deus ou deuses.

6. O que quer que encontre é o caminho

Esse aforismo resume os outros cinco: o que quer que aconteça, bom ou ruim, faça com que isso seja parte da sua prática espiritual.

Na prática espiritual, que é a sua vida, não há intervalos nem erros. Nós seres humanos estamos sempre realizando uma prática espiritual, saibamos disso ou não. Você pode pensar que perdeu o fio de sua prática, que você estava indo muito bem e então a vida ficou muito ocupada e complicada e você perdeu o rumo do que estava fazendo. Você pode se sentir mal por causa disso, e esse sentimento se alimenta de si mesmo, e torna-se cada vez mais difícil de voltar para o trilho.

Mas isso é apenas o que você pensa; não é isso que está acontecendo. Uma vez que você começa a praticar, você está sempre prosseguindo, porque tudo é prática, até mesmo os dias ou as semanas ou as vidas inteiras em que você esqueceu de meditar. Mesmo assim, você está praticando, porque é impossível se perder. Você está constantemente sendo achado, sabendo disso ou não. Praticar esse aforismo é saber que, não importa o que esteja acontecendo — não importa quão distraído você pense que esteja, não importa o quanto você se sinta um indivíduo terrivelmente preguiçoso que perdeu completamente o rumo de suas boas intenções e está agora irremediavelmente perdido — ainda assim você tem a responsabilidade e a capacidade de pegar toda essa negatividade, circunstâncias adversas e dificuldades e transformá-las em caminho.

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*Fonte/textos: budavirtual/Norman Fischer

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Uma lenda budista sobre gatos

Para o budismo, os gatos representam a espiritualidade. São seres iluminados que transmitem calma e harmonia e, por isso, costuma-se dizer que quem não se relaciona bem com seu inconsciente nunca chega a se conectar por completo com um gato, nem tampouco entenderá seus mistérios.

A verdade é que ninguém se surpreende ao saber que a figura desses animais está unida ao budismo. Tanto é assim que na Tailândia existe uma lenda sagrada que transcendeu o tempo para converter os gatos em seres únicos de paz e íntima união, havendo vários em muitos templos dos países asiáticos. É por isso que é tão comum ver tantos gatos dormindo e enrolados nos braços das múltiplas estátuas sagradas de Buda e outros temas que enfeitam os jardins dos santuários.

Os gatos veem muito além de nossos sentidos. Entre suas horas de sonecas e seus momentos de brincadeiras e exploração, olham nossas almas com seu olfato refinado. Aliviam tristezas e nos preenchem com seus nobres e reluzentes olhares.

Frequentemente costuma-se dizer que ter um cachorro é ter o companheiro mais fiel que pode existir. Isso é totalmente certo. Mesmo assim, quem conhece o caráter de um gato sente que a conexão é mais íntima e profunda, e por isso diversos monges budistas como o mestre Hsing Yun falam do poder curativo desse animal. Convidamos você a descobrir-lo conosco.
Uma lenda budista sobre os gatos originária da Tailândia

Em primeiro lugar temos que saber algo muito importante. O budismo não está organizado em uma hierarquia vertical, como já sabemos. A autoridade religiosa descansa sobre os textos sagrados, mas, por sua vez, existe uma grande flexibilidade em seus próprios enfoques. A lenda que vamos mostrar tem suas raízes em uma escola específica: a do budismo theravada, ou o budismo da linhagem dos antigos.

Foi na Tailândia e dentro desse contexto que foi escrito “O livro dos poemas do gato”, ou o Tamra Maew, conservado hoje em dia na biblioteca Nacional de Bangkok como um autêntico tesouro que deve ser preservado. Em seus antigos papiros se pode ler uma encantadora história que conta que quando uma pessoa havia alcançado os níveis mais altos de espiritualidade e falecia, sua alma se unia placidamente ao corpo de um gato.

A vida poderia ser então muito curta, ou o quanto a longevidade felina permitisse, mas quando chegava o fim essa alma sabia que subiria para um plano iluminado. O povo tailandês daquela época, conhecendo essa crença, mantinha também outra curiosa prática…

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Fonte: revistapazes

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Três verdades budistas que farão você se sentir melhor

Às vezes, parece que a vida é injusta apenas com você, exatamente agora, e que suas tentativas de mudar isto insistem em não dar resultados. O Incrível.club acredita que é justamente nesses momentos que devemos parar, respirar fundo e lembrar das três ’nobres verdades ou características da existência’ do Budismo. A verdade é que elas realmente têm o poder de mudar a situação em que você se encontra.

 

Dukkha: Descontentamento, desilusão, sofrimento.

Muitos dizem que o budismo é uma doutrina pessimista e negativa, tudo por conta do conhecido dogma ’A vida é um sofrimento’. O problema é que a maioria dos ocidentais entende equivocadamente esta frase. Na verdade, o que a frase quer dizer é que ’A vida nem sempre é suave e agradável, mas e daí?’.

Os budistas afirmam que o motivo para que experimentemos a maioria dos nossos sofrimentos é o fato de nós tentarmos evitar entrar no nível espiritual das coisas e/ou encarar de frente a parte emocional da vida. Nossa vida está sempre cercada pela sensação de perda, tristeza, cansaço, tédio, ansiedade. Estes são satélites constantes em nossa vida, e se tentamos evitar tudo isso comprando coisas novas, consumindo drogas, sendo promíscuos, e etc., estamos apenas aliviando a dor em vez de atacar sua causa. E tudo acabará se convertendo em mais insatisfação, decepção e outras formas de dor.

Como usar este conhecimento no dia a dia?
Não se deixe levar pela ideia de que você precisa de algo a mais para ter uma ’vida plena’. As doenças, o sofrimento e a morte fazem parte da vida, e é preciso encará-la da maneira como ela se apresenta, deixando de sonhar com coisas inalcançáveis. Esqueça a ideia de que uma vida ideal é aquela que se desenrola sem grandes sobressaltos e sem nenhum tipo de dor. Tudo isso é uma confusão que surgiu em nós graças às sementes plantadas pela indústria da moda, do entretenimento e do mercado farmacêutico.

Quanto antes você aceitar a imperfeição da vida, menos decepções você terá. E será mais fácil acostumar o coração às incertezas; será mais fácil deixar para trás o estresse cotidiano e os maus momentos.

 

Anitya: A vida está em constante movimento

Antiya, ou transitoriedade, significa que a vida da forma como a conhecemos está em constante movimento. Nunca poderemos voltar a algum momento do passado, nem poderemos repetir o dia que acabou. Também não temos futuro. O futuro é só uma ilusão.

Todas as manhãs, você acorda um pouco diferente do que era no dia anterior. Nossas células sofreram mudanças biológicas, há outros pensamentos em nossa mente, a temperatura de nosso corpo também mudou, apesar de que não notemos. Sempre.

Quando experimentamos algum mal-estar, o fato de saber que tudo muda pode nos tranquilizar. Se sabemos que nada no mundo é eterno, nem a dor, saberemos também que todo o mal irá acabar, cedo ou tarde. Mas quando estamos felizes, é natural querer permanecer feliz para sempre, por isso temos medo só de pensar que tal sensação, um dia, irá acabar. O melhor seria ver a situação de um modo diferente: se a felicidade vai acabar rápido, então vale a pena manter nela o seu foco, e aproveitá-la ao máximo.

Quando entendemos a ideia da transitoriedade da vida e o seu lado positivo, nos liberamos. Depois deste pensamento ser expressado por Buda, o pensador ocidental Heráclito o repetiu 100 anos depois ao dizer que «ninguém consegue banhar-se duas vezes no mesmo rio». Tudo o que temos de verdade é o agora.

Como usar este conhecimento no dia a dia?
Celebre as mudanças, aceite o fato de que aquilo com o que você está acostumado, um dia acabará, de uma forma ou de outra. Tudo o que é ruim e cruel passará, e tudo o que é bom ficará em sua memória se você aprender a aproveitar. Seu relacionamento é mais importante do que um par de sapatos novos. Um iPhone novo lhe dará a sensação de felicidade por alguns dias, mas a alegria de ter uma boa relação com seus filhos pode ser renovada diariamente.

 

Anatma: Você muda todos os dias.

Quando um psiquiatra pergunta aos seus pacientes o que eles esperam conquistar ao fim das sessões, a resposta mais comum é ’Quero encontrar comigo mesmo’. Nossa cultura fez com que tivéssemos a certeza de que existe em nós algo constante, um ’eu verdadeiro’. Será que isso fica em algum lugar entre o coração e o cérebro? Ninguém sabe!

O budismo acredita que não existe um ’eu’ constante. Assim como vimos que tudo muda, devemos aceitar o fato de que todos nós também mudamos. Nossa identidade se renova a cada dia e muito rapidamente. Temos um corpo, um local de trabalho, nome e uma profissão que fazem com que nos identifiquemos e a ’fazer do nosso ser algo constante’.

Mas o importante é saber que não somos os mesmos, a menos que nos esforcemos para sê-lo. Por outro lado, nossa vida não mudará se nós não nos preocuparmos em fazer o necessário para que ela mude da maneira que queremos.

Como usar este conhecimento no dia a dia?
Em vez de nos concentrarmos na ’busca por nós mesmos’, podemos canalizar nossa energia em nos reinventar todos os dias, a cada momento. Não existe nenhum ’eu’ constante, mas sim um ’eu’ aqui e agora, um ’eu’ que pode mudar a qualquer hora. HOJE é diferente de ONTEM. Se hoje você está deprimido, não quer dizer que ficará assim pelo resto da vida. Se você é incapaz de perdoar um amigo ou um parente por algo, não significa que não conseguirá perdoá-los depois.

Depois de abandonar a ideia da estabilidade interna da forma como ela é vendida para nós, podemos relaxar e aproveitar o momento. Amanhã, tudo mudará. A cada novo momento da vida, você também é alguém diferente.

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*Fonte: incrivelclub

Três verdades budistas que farão você se sentir melhor

Às vezes, parece que a vida é injusta apenas com você, exatamente agora, e que suas tentativas de mudar isto insistem em não dar resultados. O Incrível.club acredita que é justamente nesses momentos que devemos parar, respirar fundo e lembrar das três ’nobres verdades ou características da existência’ do Budismo. A verdade é que elas realmente têm o poder de mudar a situação em que você se encontra.

 

Dukkha: Descontentamento, desilusão, sofrimento.

 

Muitos dizem que o budismo é uma doutrina pessimista e negativa, tudo por conta do conhecido dogma ’A vida é um sofrimento’. O problema é que a maioria dos ocidentais entende equivocadamente esta frase. Na verdade, o que a frase quer dizer é que ’A vida nem sempre é suave e agradável, mas e daí?’.

Os budistas afirmam que o motivo para que experimentemos a maioria dos nossos sofrimentos é o fato de nós tentarmos evitar entrar no nível espiritual das coisas e/ou encarar de frente a parte emocional da vida. Nossa vida está sempre cercada pela sensação de perda, tristeza, cansaço, tédio, ansiedade. Estes são satélites constantes em nossa vida, e se tentamos evitar tudo isso comprando coisas novas, consumindo drogas, sendo promíscuos, e etc., estamos apenas aliviando a dor em vez de atacar sua causa. E tudo acabará se convertendo em mais insatisfação, decepção e outras formas de dor.

Como usar este conhecimento no dia a dia?

Não se deixe levar pela ideia de que você precisa de algo a mais para ter uma ’vida plena’. As doenças, o sofrimento e a morte fazem parte da vida, e é preciso encará-la da maneira como ela se apresenta, deixando de sonhar com coisas inalcançáveis. Esqueça a ideia de que uma vida ideal é aquela que se desenrola sem grandes sobressaltos e sem nenhum tipo de dor. Tudo isso é uma confusão que surgiu em nós graças às sementes plantadas pela indústria da moda, do entretenimento e do mercado farmacêutico.

Quanto antes você aceitar a imperfeição da vida, menos decepções você terá. E será mais fácil acostumar o coração às incertezas; será mais fácil deixar para trás o estresse cotidiano e os maus momentos.

 

Anitya: A vida está em constante movimento

 

Antiya, ou transitoriedade, significa que a vida da forma como a conhecemos está em constante movimento. Nunca poderemos voltar a algum momento do passado, nem poderemos repetir o dia que acabou. Também não temos futuro. O futuro é só uma ilusão.

Todas as manhãs, você acorda um pouco diferente do que era no dia anterior. Nossas células sofreram mudanças biológicas, há outros pensamentos em nossa mente, a temperatura de nosso corpo também mudou, apesar de que não notemos. Sempre.

Quando experimentamos algum mal-estar, o fato de saber que tudo muda pode nos tranquilizar. Se sabemos que nada no mundo é eterno, nem a dor, saberemos também que todo o mal irá acabar, cedo ou tarde. Mas quando estamos felizes, é natural querer permanecer feliz para sempre, por isso temos medo só de pensar que tal sensação, um dia, irá acabar. O melhor seria ver a situação de um modo diferente: se a felicidade vai acabar rápido, então vale a pena manter nela o seu foco, e aproveitá-la ao máximo.

Quando entendemos a ideia da transitoriedade da vida e o seu lado positivo, nos liberamos. Depois deste pensamento ser expressado por Buda, o pensador ocidental Heráclito o repetiu 100 anos depois ao dizer que «ninguém consegue banhar-se duas vezes no mesmo rio». Tudo o que temos de verdade é o agora.

Como usar este conhecimento no dia a dia?

Celebre as mudanças, aceite o fato de que aquilo com o que você está acostumado, um dia acabará, de uma forma ou de outra. Tudo o que é ruim e cruel passará, e tudo o que é bom ficará em sua memória se você aprender a aproveitar. Seu relacionamento é mais importante do que um par de sapatos novos. Um iPhone novo lhe dará a sensação de felicidade por alguns dias, mas a alegria de ter uma boa relação com seus filhos pode ser renovada diariamente.

 

Anatma: Você muda todos os dias.

 

Quando um psiquiatra pergunta aos seus pacientes o que eles esperam conquistar ao fim das sessões, a resposta mais comum é ’Quero encontrar comigo mesmo’. Nossa cultura fez com que tivéssemos a certeza de que existe em nós algo constante, um ’eu verdadeiro’. Será que isso fica em algum lugar entre o coração e o cérebro? Ninguém sabe!

O budismo acredita que não existe um ’eu’ constante. Assim como vimos que tudo muda, devemos aceitar o fato de que todos nós também mudamos. Nossa identidade se renova a cada dia e muito rapidamente. Temos um corpo, um local de trabalho, nome e uma profissão que fazem com que nos identifiquemos e a ’fazer do nosso ser algo constante’.

Mas o importante é saber que não somos os mesmos, a menos que nos esforcemos para sê-lo. Por outro lado, nossa vida não mudará se nós não nos preocuparmos em fazer o necessário para que ela mude da maneira que queremos.

Como usar este conhecimento no dia a dia?

Em vez de nos concentrarmos na ’busca por nós mesmos’, podemos canalizar nossa energia em nos reinventar todos os dias, a cada momento. Não existe nenhum ’eu’ constante, mas sim um ’eu’ aqui e agora, um ’eu’ que pode mudar a qualquer hora. HOJE é diferente de ONTEM. Se hoje você está deprimido, não quer dizer que ficará assim pelo resto da vida. Se você é incapaz de perdoar um amigo ou um parente por algo, não significa que não conseguirá perdoá-los depois.

Depois de abandonar a ideia da estabilidade interna da forma como ela é vendida para nós, podemos relaxar e aproveitar o momento. Amanhã, tudo mudará. A cada novo momento da vida, você também é alguém diferente.

Fonte: incrivelclub

A lenda budista sobre os gatos

Para o budismo, os gatos representam a espiritualidade. São seres iluminados que transmitem calma e harmonia e, por isso, costuma-se dizer que quem não se relaciona bem com seu inconsciente nunca chega a se conectar por completo com um gato, nem tampouco entenderá seus mistérios.
A verdade é que ninguém se surpreende ao saber que a figura desses animais está unida ao budismo. Tanto é assim que na Tailândia existe uma lenda sagrada que transcendeu o tempo para converter os gatos em seres únicos de paz e íntima união, havendo vários em muitos templos dos países asiáticos. É por isso que é tão comum ver tantos gatos dormindo e enrolados nos braços das múltiplas estátuas sagradas de Buda e outros temas que enfeitam os jardins dos santuários.

Os gatos veem muito além de nossos sentidos. Entre suas horas de sonecas e seus momentos de brincadeiras e exploração, olham nossas almas com seu olfato refinado. Aliviam tristezas e nos preenchem com seus nobres e reluzentes olhares.

Frequentemente costuma-se dizer que ter um cachorro é ter o companheiro mais fiel que pode existir. Isso é totalmente certo. Mesmo assim, quem conhece o caráter de um gato sente que a conexão é mais íntima e profunda, e por isso diversos monges budistas como o mestre Hsing Yun falam do poder curativo desse animal. Convidamos você a descobrir-lo conosco.

Uma lenda budista sobre os gatos originária da Tailândia
Em primeiro lugar temos que saber algo muito importante. O budismo não está organizado em uma hierarquia vertical, como já sabemos. A autoridade religiosa descansa sobre os textos sagrados, mas, por sua vez, existe uma grande flexibilidade em seus próprios enfoques. A lenda que vamos mostrar tem suas raízes em uma escola específica: a do budismo theravada, ou o budismo da linhagem dos antigos.

Foi na Tailândia e dentro desse contexto que foi escrito “O livro dos poemas do gato”, ou o Tamra Maew, conservado hoje em dia na biblioteca Nacional de Bangkok como um autêntico tesouro que deve ser preservado. Em seus antigos papiros se pode ler uma encantadora história que conta que quando uma pessoa havia alcançado os níveis mais altos de espiritualidade e falecia, sua alma se unia placidamente ao corpo de um gato.
A vida poderia ser então muito curta, ou o quanto a longevidade felina permitisse, mas quando chegava o fim essa alma sabia que subiria para um plano iluminado. O povo tailandês daquela época, conhecendo essa crença, mantinha também outra curiosa prática…

Quando um familiar falecia, enterrava-se a pessoa em uma cripta junto com um gato vivo. A cripta tinha sempre um espaço por onde o animal poderia sair, e quando o fizesse tinham por certo que a alma do ser amado já estava no interior daquele nobre gato… Deste modo, alcançava a liberdade e esse lugar de calma e espiritualidade capaz de preparar a alma para o caminho posterior, o caminho de ascensão.

 

Os gatos e a espiritualidade
Dizem que os gatos são como pequenos monges capazes de trazer a harmonia a qualquer lugar. Para a ordem budista de Fo Guang Shan, por exemplo, são como pessoas que já alcançaram a iluminação.

Os gatos são seres livres que bebem quando têm sede, que comem quando têm fome, que dormem quando sentem sono e que fazem o que deve ser feito a cada momento sem necessidade de agradar ninguém.
Não se deixam levar pelo ego, e algo especial desses animais segundo esse ramo do budismo é que os gatos aprenderam a sentir o que vem do homem desde eras muito antigas na história do tempo. No entanto, as pessoas ainda não aprenderam a sentir o gato no presente.
São leais, fiéis e afetuosos, e suas demonstrações de carinho são íntimas e sutis e, ainda assim, tremendamente profundas. Só aqueles que sabem olhar para o seu interior com respeito e dedicação entenderão o seu amor inquebrável, mas as pessoas que são desequilibradas ou que frequentemente elevam sua voz para gritar jamais serão do agrado dos gatos.

Para concluir, sabemos que não é preciso recorrer aos textos budistas para entender que os gatos são especiais, que seus olhares nos transportam para universos introspectivos, que com suas estranhas posturas nos convidam a praticar a ioga, que são um exemplo de elegância e equilíbrio… Queremos o bem desses animais e até os veneramos e, ainda que eles mesmos se acreditem autênticos deuses lembrando quem sabe de seus dias no Antigo Egito, permitimos que eles sejam orgulhosos.
Todos temos nossas próprias histórias com esses animais, momento inesquecíveis que nos permitiram aproveitar pequenos instantes cheios de magia e autenticidade. Esses que seguramente serviram de inspiração para criar essa charmosa lenda budista que ficou impressa em tinta, papel e misticismo. A mesma que hoje nós queríamos contar e compartilhamos em nosso espaço com você.

    “O tempo passado com gatos nunca é um tempo perdido.”
    -Sigmund Freud-

 

*Fonte/Texto: conscienciaenergia

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