#FicaADica: Ciência explica por que nosso cérebro acredita em mentiras

Uma reportagem do jornal norte-americano The Washington Post buscou especialistas para justamente desvendar essa pergunta. E concluiu que, como de costume, a resposta está no nosso cérebro. Por conta de nossa formação cognitiva e como utilizamos atalhos para agilizar nossos julgamentos, a verdade, segundo a reportagem, é que tendemos a acreditar em tudo que ouvimos – e isso faz sentido, na média, pois a maioria das informações que recebemos são verdadeiras.

As redes sociais ajudam a espalhar as mentiras e a tingi-las com um verniz que faz parecer verdade

Acontece que tal tendência nos leva a crer que, uma informação que nos beneficia, e principalmente se for repetida diversas vezes, deve ser verdadeira – e, no contexto político, e com o poder de amplificação e acesso das redes sociais, tal conclusão forma a imensa rede de fake news que tanto nos pauta atualmente. Em resumo, quanto mais ouvimos a mesma afirmação, mais ela nos parecerá familiar e verdadeira – mesmo se for completamente falsa.

As desinformações sobre a vacinação dão a dimensão do problema, já que causaram diversas mortes

“Há apenas tipicamente uma versão verdadeira de uma reinvindicação e um número infinito de maneiras que você poderia falsificá-la, certo?”, questionou Nadia Brashier, professora de Psicologia da Universidade Purdue, do Estado de Indiana. “Então, se você ouvir algo uma e outra vez, por probabilidade, será a coisa verdadeira”, sugeriu. E uma vez que acreditamos em uma mentira, ela seguirá nos influenciando, mesmo após ser revelada como farsa, já que uma explicação verdadeira não apaga de nosso cérebro a informação da afirmação falsa. Complexo, né?

Estamos, portanto, lutando contra os limites da memória humana quando buscamos corrigir falsidades do imaginário público – já que, com o tempo, a correção poderá simplesmente desaparecer, e ficaremos com a informação que melhor se encaixa no sistema de crenças que utilizamos para compreender o mundo, mesmo que ela seja mentira.

“Se é um componente importante para seu modelo mental, é cognitivamente muito difícil simplesmente arrancar a informação falsa”, afirma Stephan Lewandowsky, psicólogo cognitivo da Universidade de Bristol.

Como proteger nosso cérebro
Se a correção não é suficiente, o que precisamos fazer para proteger nosso cérebro de inverdades? Uma das sugestões da reportagem é se informar sobre técnicas de manipulação e falácias utilizadas em argumentações, como incoerências, falsas dicotomias, ataques pessoais, uso de bodes expiatórios e manipulações emocionais.

Outro caminho importante é se atentar para a precisão, correção e conclusão das informações que nos são oferecidas, em vez de buscar o que queremos ouvir. Então, que tal repassar esta matéria para aquele grupo do WhatsApp que ainda precisa ouvir certas verdades? #FicaADica

*Por Vitor Paiva
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*Fonte: hypeness

Novo pesquisa sugere que o cérebro usa computação quântica

Cientistas do Trinity College Dublin acreditam que nossos cérebros podem usar computação quântica. Sua descoberta ocorre depois que eles adaptaram uma ideia desenvolvida para provar a existência da gravidade quântica para explorar o cérebro humano e seu funcionamento.

As funções cerebrais medidas também foram correlacionadas ao desempenho da memória de curto prazo e à consciência, sugerindo que os processos quânticos também fazem parte das funções cognitivas e conscientes do cérebro.

Se os resultados da equipe puderem ser confirmados – provavelmente exigindo abordagens multidisciplinares avançadas – eles melhorariam nossa compreensão geral de como o cérebro funciona e, potencialmente, como ele pode ser mantido ou até curado. Eles também podem ajudar a encontrar tecnologias inovadoras e construir computadores quânticos ainda mais avançados.

Dr. Christian Kerskens, físico-chefe do Trinity College Institute of Neuroscience (TCIN), é o co-autor do artigo de pesquisa que acaba de ser publicado no Journal of Physics Communications.

Ele disse:
“Nós adaptamos uma ideia, desenvolvida para experimentos para provar a existência da gravidade quântica, pela qual você pega sistemas quânticos conhecidos , que interagem com um sistema desconhecido.

Se os sistemas conhecidos se entrelaçam, então o desconhecido deve ser um sistema quântico também. … Contorna as dificuldades de encontrar dispositivos de medição para algo sobre o qual nada sabemos.

“Para nossos experimentos, usamos spins de prótons de ‘água cerebral’ como o sistema conhecido. Um projeto específico de ressonância magnética para buscar rotações emaranhadas, encontramos sinais de ressonância magnética que se assemelham a potenciais evocados de batimentos cardíacos, uma forma de sinais de EEG .

Potenciais eletrofisiológicos como os potenciais evocados de batimentos cardíacos normalmente não são detectáveis ​​com ressonância magnética e os cientistas acreditam que só puderam observá-los porque os spins de prótons nucleares no cérebro estavam emaranhados.

Dr. Kerskens acrescentou: “Se o emaranhamento é a única explicação possível aqui, isso significaria que os processos cerebrais devem ter interagido com os spins nucleares, mediando o emaranhamento entre os spins nucleares. Como resultado, podemos deduzir que essas funções cerebrais devem ser quântico.

“Como essas funções cerebrais também foram correlacionadas ao desempenho da memória de curto prazo e à consciência, é provável que esses processos quânticos sejam uma parte importante de nossas funções cerebrais cognitivas e conscientes.

“Os processos cerebrais quânticos podem explicar por que ainda podemos superar os supercomputadores quando se trata de circunstâncias imprevistas, tomada de decisões ou aprendizado de algo novo. Nossos experimentos, realizados a apenas 50 metros do auditório onde Schrödinger apresentou seus famosos pensamentos sobre a vida, podem lançar luz sobre os mistérios da biologia e sobre a consciência que cientificamente é ainda mais difícil de entender.”

*Por Davson Filipe
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*Fonte: realidadesimulada

Como o poder da mente pode te deixar mais forte, sem mexer um único músculo

A ideia de que podemos ficar mais fortes mesmo no conforto do nosso próprio sofá parece boa demais para ser verdade.

Mas há evidências reais de que podemos melhorar nosso desempenho físico sem mover um músculo — apenas com a “força do pensamento”.

Pesquisas mostram que a chamada “imagética motora” — técnica que consiste basicamente da representação mental de uma atividade física — realmente funciona.

“Sabemos que a imagética motora tem vários efeitos. É capaz de melhorar nossa precisão, nossa velocidade, nossa força. Pode realmente melhorar todos esses aspectos dos nossos movimentos”, diz a neurocientista cognitiva Helen O’Shea, da Universidade de Dublin, na Irlanda.

A técnica é muito usada por atletas de elite, mas você também pode tentar. Em poucas palavras, basta imaginar que está fazendo um determinado exercício.

Exercício mental
As pesquisas mais recentes mostram que combinar a imagética motora com a prática física é uma maneira mais eficiente de se tornar um atleta mais forte ou melhor do que o treino físico sozinho.

Para praticá-la com eficácia, devemos visualizar o fluxo e o ritmo de nossos movimentos e, em esportes direcionados, o resultado que queremos alcançar.

Os benefícios da visualização têm sido usados em uma variedade de atividades — do rúgbi ao tênis, e até mesmo nos ajudando a correr mais rápido.

Mas não são apenas as habilidades que podem ser aprimoradas com o poder do pensamento.

Muitos de nós gostaríamos de ficar mais fortes, mas levantar peso muitas vezes é um trabalho árduo para iniciantes.

A boa notícia é que a imagética motora também pode ser útil neste caso, já que demonstrou melhorar nossa força muscular.

Se imagine mais forte
A ideia de que você poderia aumentar a força com a mente vem de estudos na década de 1990.

Em um deles, pesquisadores da Universidade do Estado da Louisiana, nos EUA, pediram a um grupo de mulheres que imaginassem estender os joelhos e contrair os quadríceps por cinco segundos — se certificando de que elas, na verdade, não fizessem de fato nenhuma contração muscular.

Ao final do estudo, a força do quadríceps delas havia aumentado impressionantes 12,6%.

Em um experimento semelhante realizado pela BBC para um programa de televisão alguns anos atrás, constatou-se que a força muscular dos participantes aumentou, em média, cerca de 8%.

Não porque os músculos ficaram maiores (isso não aconteceu), mas porque, depois de um mês pensando em um exercício específico, passaram a usar mais fibras musculares para fazer o mesmo movimento.

O poder da mente

“Quando você olha para a imagética motora, é uma técnica cognitiva — não espera algo como ganho de força”, diz Helen O’Shea.

“(Mas) quando começamos a estudar esta área, descobrimos que a imagética motora não apenas melhora nossa habilidade de movimento, como na verdade altera a maneira como nosso cérebro funciona e como nossa fisiologia funciona.”

É que a imagética motora não envolve apenas as partes conscientes do nosso cérebro — as partes envolvidas no pensamento —, mas também as redes motoras responsáveis ​​pela execução da atividade.

Esta técnica nos ensina a estimular nossos músculos de uma forma mais específica e eficiente, para não desperdiçar energia.

“Não é que se ganhe massa muscular. Porque é por isso que ainda precisamos da prática física, para a massa de um músculo”, explica O’Shea.

“Mas o impulso para esses músculos a partir dos sinais elétricos (do cérebro) vai ser muito mais afinado. Estamos usando apenas os músculos que serão chave para esse movimento, não estamos desperdiçando energia em nenhum outro músculo de que não precisamos.”

Ou seja, os músculos não ficam maiores, mas você se torna mais eficiente em usá-los.

Foi por isso que as participantes do estudo da Universidade do Estado da Louisiana foram capazes de levantar mais peso apenas com a força do pensamento.

“Podemos usar de fato a imagética motora para preparar nossos sistemas motores para que, quando viermos a executar fisicamente o movimento, já estejamos sintonizados e prontos para agir”, afirma.

“E isso permite que sejamos mais certeiros e precisos com nossos movimentos.”

Pode parecer pouco convencional, mas é uma maneira fabulosa de aprimorar nossa resposta e aperfeiçoar nossa técnica.

Para o que mais é usada?
De acordo com a especialista, a imagética motora é usada em uma série de atividades — muito além do esporte.

“Nossa pesquisa nos mostra que é realmente eficaz para músicos, para cirurgiões, e é usada para reabilitação motora. E há um corpo maior de pesquisas que demonstra isso”, afirma O’Shea.

Esta técnica pode te ajudar a ficar mais forte, aprimorar um movimento em particular, melhorar a função muscular e até mesmo a se recuperar após uma lesão.

A especialista esclarece, no entanto, que, como não envolve movimentos físicos, não ajuda no nosso nível de condicionamento.

Dicas para praticar
Se quisermos obter os melhores resultados, O’Shea aconselha combinar a visualização com a prática da atividade física.

“Normalmente, dizemos para alternar — você pode fazer quatro mentalizações e depois fazer uma execução física”, sugere.

“Precisamos de movimento físico para nos dar aquele conhecimento sensorial dos efeitos dos nossos movimentos — não sabemos como vamos sentir o movimento”, diz ela.

Isso é importante para tentar sentir nosso corpo realizar o movimento de uma perspectiva em primeira pessoa.

“Certifique-se de manter o mesmo fluxo e ritmo de quando executa fisicamente essa ação”, observa O’Shea.

No melhor dos mundos, ela recomenda que você pratique as representações mentais no local em que vai realizar fisicamente a ação.

Se você quer aperfeiçoar aquele saque de tênis, segurar a raquete ou de fato ir até a quadra também reforçará os efeitos da imagética motora.

“Mantenha os olhos abertos. Você pode visualizar a trajetória da bola assim que acertá-la em sua mente”, diz ela.

Sim, você pode atrair alguns olhares estranhos, mas isso vai te ajudar a visualizar uma representação mental vívida e precisa do movimento.

“Não é absolutamente necessário. Mas há evidências de que ajuda”, esclarece O’Shea.

Na série Just One Thing, da Rádio 4 da BBC, um voluntário foi convidado a tentar aprimorar suas habilidades de chute a gol praticando a imagética motora por de 15 a 20 minutos durante cinco dias.

Ele fez isso do seu quintal, com seu uniforme de futebol, imaginando chutar a bola na rede, sem tocar na bola.

Ele havia dito que a última vez que marcou um gol foi há 18 anos, e estava um pouco enferrujado. Ao fim do experimento, ele havia marcado dois gols em duas partidas.

Quer você esteja aperfeiçoando aquela flexão ou tentando reduzir seu tempo em algum esporte — por que não tentar?

Você não precisa fazer sessões de imagética motora de mais 20 minutos, já que o ritmo destes exercícios mentais também pode ser cansativo.

*Na série Just One Thing (Uma Única Coisa), da Rádio 4 da BBC, o médico Michael Mosley aborda em diferentes episódios o que você poderia fazer por sua saúde se tivesse apenas uma escolha.

*Por Michael Mosley
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*Fonte: bbc-brasil

O cérebro humano constrói estruturas em 11 dimensões, descobrem cientistas

Océrebro continua a nos surpreender com sua magnífica complexidade. Pesquisas inovadoras que combinam neurociência com matemática nos dizem que nosso cérebro cria estruturas neurais com até 11 dimensões quando processa informações. Por “dimensões”, eles querem dizer espaços matemáticos abstratos, não outros reinos físicos. Ainda assim, os pesquisadores “encontraram um mundo que nunca havíamos imaginado”, disse Henry Markram , diretor do Blue Brain Project , que fez a descoberta.

O objetivo do Blue Brain Project, com sede na Suíça, é criar digitalmente uma simulação “biologicamente detalhada” do cérebro humano. Ao criar cérebros digitais com um nível “sem precedentes” de informações biológicas, os cientistas pretendem avançar nossa compreensão do intrincado cérebro humano, que tem cerca de 86 bilhões de neurônios .

Para ter uma visão mais clara de como essa imensa rede opera para formar nossos pensamentos e ações, os cientistas empregaram supercomputadores e um ramo peculiar da matemática. A equipe baseou sua pesquisa atual no modelo digital do neocórtex que terminou em 2015. Eles investigaram a maneira como esse neocórtex digital respondeu usando o sistema matemático da topologia algébrica. Isso lhes permitiupara determinar que nosso cérebro cria constantemente formas geométricas multidimensionais muito intrincadas e espaços que parecem “castelos de areia”.

Sem usar topologia algébrica, um ramo da matemática que descreve sistemas com qualquer número de dimensões, era impossível visualizar a rede multidimensional.

Utilizando a nova abordagem matemática, os pesquisadores foram capazes de ver o alto grau de organização no que antes pareciam padrões “caóticos” de neurônios.

“A topologia algébrica é como um telescópio e um microscópio ao mesmo tempo. Ele pode ampliar as redes para encontrar estruturas ocultas – as árvores na floresta – e ver os espaços vazios – as clareiras – tudo ao mesmo tempo”, afirmou a autora do estudo, Kathryn Hess.”

Os cientistas primeiro realizaram testes no tecido cerebral virtual que criaram e depois confirmaram os resultados fazendo os mesmos experimentos em tecido cerebral real de ratos.

Quando estimulados, os neurônios virtuais formariam um clique , com cada neurônio conectado a outro de tal forma que um objeto geométrico específico seria formado. Um grande número de neurônios adicionaria mais dimensões, que em alguns casos chegavam a 11. As estruturas se organizariam em torno de um buraco de alta dimensão que os pesquisadores chamaram de “cavidade”. Depois que o cérebro processou a informação, o clique e a cavidade desapareceram.

Esquerda: cópia digital de uma parte do neocórtex, a parte mais evoluída do cérebro. À direita: formas de diferentes tamanhos e geometrias que representam estruturas que variam de 1 dimensão a 7 dimensões e mais. O “buraco negro” no meio simboliza um complexo de espaços multidimensionais, também conhecidos como cavidades.

O pesquisador Ran Levi detalhou como está funcionando esse processo:

“O aparecimento de cavidades de alta dimensão quando o cérebro está processando informações significa que os neurônios da rede reagem aos estímulos de maneira extremamente organizada. É como se o cérebro reagisse a um estímulo construindo e depois arrasando uma torre de blocos multidimensionais, começando com hastes (1D), depois pranchas (2D), depois cubos (3D) e depois geometrias mais complexas com 4D, 5D , etc. A progressão da atividade através do cérebro se assemelha a um castelo de areia multidimensional que se materializa na areia e depois se desintegra.”

O significado da descoberta está em nos permitir uma maior compreensão de “um dos mistérios fundamentais da neurociência – a ligação entre a estrutura do cérebro e como ele processa a informação”, elaborou Kathryn Hess em entrevista à Newsweek.

Os cientistas procuram usar a topografia algébrica para estudar o papel da “ plasticidade ”, que é o processo de fortalecimento e enfraquecimento das conexões neurais quando estimuladas – um componente-chave na forma como nossos cérebros aprendem. Eles vêem uma aplicação adicional de suas descobertas no estudo da inteligência humana e na formação de memórias.

A pesquisa foi publicada no Frontiers in Computational Neuroscience.

Big Think

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*Fonte: sabersaude

Dieta rica em gordura a longo prazo pode “encolher” o cérebro, diz estudo

Uma dieta baseada em alimentos gordurosos pode não apenas aumentar as medidas da cintura, mas também “encolher” o cérebro, segundo um estudo liderado pelos neurocientistas da Universidade da Austrália Meridional (UniSA) e publicado na Metabolic Brain Disease.

Os pesquisadores avaliaram as reações em ratos alimentados com uma dieta rica em gordura por 30 semanas, o que resultou em diabetes e uma deterioração subsequente em suas habilidades cognitivas, além do desenvolvimento de ansiedade, depressão e agravamento da doença de Alzheimer.

E, além da função cognitiva prejudicada, os camundongos também demonstraram maior propensão a ganhar peso de forma excessiva, devido à deficiência do metabolismo causada pelas alterações cerebrais.

Alimentos gordurosos podem não apenas aumentar as medidas da cintura, mas também “encolher” o cérebro, segundo pesquisa. 

Relação entre obesidade, diabetes e Alzheimer
No estudo, os camundongos foram alocados aleatoriamente para uma dieta padrão ou uma dieta rica em gordura a partir de oito semanas de vida. A ingestão alimentar, o peso corporal e os níveis de glicose foram monitorados em diferentes intervalos, juntamente com testes de tolerância à glicose e insulina e disfunção cognitiva.

Os ratos da dieta rica em gordura ganharam muito peso, desenvolveram resistência à insulina e começaram a se comportar de forma anormal em comparação com aqueles alimentados com uma dieta padrão.

Camundongos com doença de Alzheimer geneticamente modificados que receberam alimentos gordurosos também mostraram uma deterioração significativa da cognição e alterações patológicas.

Para os pesquisadores, as conclusões do estudo se somam às crescentes evidências que ligam a obesidade crônica e o diabetes à doença de Alzheimer, com previsão de atingir 100 milhões de casos até 2050.

*Por Jennifer Cardoso
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*Fonte: olhardigital

Os efeitos nocivos do açúcar no cérebro

A discussão científica sobre nutrição mudou muito nos últimos anos. Os últimos estudos revelam que o açúcar é uma das piores coisas para a saúde geral de uma pessoa, especialmente no caso da obesidade. Mas a maioria das pessoas não sabe que os efeitos nocivos do açúcar se espalham até o cérebro .

O uso de açúcar não está ligado apenas a problemas cardíacos e diabetes. Mas também causa todos os tipos de problemas em nossa mente. Neste artigo você pode aprender mais sobre os efeitos mais nocivos do açúcar. Mas antes de abordarmos essa questão, primeiro precisamos desfazer alguns dos mitos sobre o açúcar.

Há algum efeito prejudicial do açúcar?
Nós crescemos e estamos sobrecarregados com ideias idealistas sobre saúde e nutrição. Mas algumas dessas crenças são completamente incorretas. Por exemplo, aprendemos que comer gordura é o principal fator de risco para doenças cardíacas.

O açúcar tem sido promovido por muito tempo como uma substância completamente inofensiva sem nenhum efeito ruim na saúde. Mas uma pesquisa em 2016 revelou que a indústria do açúcar subornou pesquisadores ao longo da história. Com qual finalidade? Eles queriam manter os efeitos nocivos do açúcar escondidos. Porque agora sabemos que isso tem a ver com, por exemplo, câncer e doenças cardíacas.

É viciante
O vício em açúcar é um problema real. Todos os dias toca mais pessoas. As pessoas com esse distúrbio sentem que precisam usar mais e mais dessa substância para se sentir bem. De fato, quem quer que bane o açúcar de sua vida, experimenta sintomas desagradáveis ​​de inconsciência nos primeiros dias.

Depois que os viciados abandonam o uso de açúcar, por exemplo, eles podem sofrer de dores de cabeça, tontura, fraqueza muscular, ansiedade e estresse. Felizmente, esses sintomas não são permanentes. Eles duram apenas até o corpo funcionar sem essa substância.

Como esse vício funciona? Quando o corpo absorve açúcar, libera uma grande quantidade de endorfinas no cérebro. Então, quando não estamos tão satisfeitos com outros aspectos de nossas vidas, podemos pegar esse material para nos sentirmos bem.


Açúcar causa problemas de memória e insight

Um estudo da Universidade da Califórnia investigou os efeitos do consumo de frutose (um tipo de açúcar encontrado em frutas, vegetais e mel). Esta pesquisa revelou que a frutose tem um efeito prejudicial na formação das sinapses no cérebro. Quando você come muita frutose, a capacidade do cérebro de entender e formar novas conexões diminui.

A pesquisa também mostrou que as pessoas que comem muita frutose têm níveis mais baixos de BDNF. Esta substância ( fator neurotrófico derivado do cérebro ) tem um efeito fundamental na nossa capacidade de criar novas memórias e aprender novas informações.

Alguns estudos também sugerem que o consumo de açúcar pode estar diretamente relacionado à doença de Alzheimer. A comunidade médica está realmente pensando em classificar essa doença como diabetes tipo 3.


Afeta nosso humor

Mas não apenas nossas habilidades cognitivas estão em perigo. Nosso humor muda para um grau extremo devido à glicose. Porque a glicose tem um efeito sobre a insulina no corpo. Como resultado, os picos de açúcar podem causar depressão, ansiedade e mudanças bruscas de humor.

A longo prazo, esses efeitos nocivos do açúcar podem se tornar ainda piores.Quando ingerimos glicose, nossos cérebros liberam a serotonina. Esta substância é um dos neurotransmissores que nos dão uma sensação de prazer. Mas o suprimento dessa substância no corpo não é ilimitado. Porque toda vez que o cérebro libera a serotonina, a quantidade em seu cérebro diminui.

Uma pessoa que ingira quantidades excessivas de açúcar por longos períodos, depois de um tempo, achará difícil ter um sentimento positivo sustentado.

Impede de nos sentirmos saciados
Finalmente, estudos recentes descobriram que a glicose “seqüestra” nosso mecanismo de saciedade. Então, quando nós comemos muito dessa substância, isso levará a uma constante fome por esse motivo. Isso está diretamente relacionado à obesidade e ao excesso de peso.

Aqui estão os efeitos do açúcar na ocitocina e sua função no cérebro, o problema. Mas as consequências para o seu cérebro podem até ser mais preocupantes. Você quer evitar os efeitos nocivos do açúcar e manter uma boa saúde física e mental? Em seguida, tente reduzir o consumo de açúcar o máximo possível.

Artigo publicado no site Verken je Geest, para ler o texto original clique aqui

“Este conteúdo tem apenas o caráter informativo, portanto não deve jamais ser usado como ferramenta de diagnóstico. Para obter um diagnóstico confiável é recomendado que você consulte um profissional especializado antes de tomar ou abster-se de qualquer ação com base no conteúdo gratuito em nosso site.”

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*Fonte: pensarcontemporaneo

“A diferença entre o cérebro do homem e da mulher” por Leandro Karnal

“Você senta-se numa cadeira em determinada sala, sai de lá e depois retorna. Se alguém se sentou no lugar em que você anteriormente se sentara você estranha. “Pegou o meu lugar.” Já se cria uma zona de conforto numa cadeira que não lhe pertence, num espaço que não lhe pertence.

Eu acho que os homens são ainda mais inclinados à zona de conforto. Homens, para serem felizes, precisam de televisão e comida. Tendo essas duas coisas, eles vão às bodas de ouro facilmente. São as mulheres que querem carinho, afeto, discussão, relação etc. Os homens precisam de comida e de televisão porque eles são capazes de possuir uma zona cerebral vazia que é única, que não pensa em nada.

Já foi dito que a diferença entre o cérebro feminino e masculino é que o feminino é uma caixa única de onde, ao puxar-se alguma coisa, vem junto tudo (absolutamente tudo). E o cérebro masculino está dividido em caixas que separam, por exemplo, afeto de s*xo, mas, acima de tudo, há uma caixa vazia que permite ao homem pescar, por exemplo. Pescar é o exercício do vazio absoluto.

Quando as mulheres perguntam “Em que você está pensando?” e os homens respondem “Nada” é verdade. Os homens têm certo potencial de vazio enquanto todas as mulheres que conheci nunca não pensam em alguma coisa, ou seja, elas estão pensando o tempo todo. São cabeças sempre em atividade. O vazio é masculino (tem relação, eu acho, com a testosterona) ou, como diria minha avó, os homens têm duas cabeças, mas sangue só enche uma delas de cada vez. Quando enche uma, a outra entra em colapso, o que explica muita coisa.”

*Por Leandro Karnal
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*Fonte: provocacoesfilosoficas

Tudo o que vemos é uma mistura dos últimos 15 segundos

Os olhos humanos são constantemente bombardeados com informações. Ao longo do dia, ou até de uma mesma cena, muitas mudanças acontecem nas formas, cores, movimentos, luz e outros. Então, como nosso cérebro absorve tudo isso e o ato de ver não parece tão trabalhoso para o homem? Segundo recente pesquisa, disponível no Science Advances, a falsa estabilidade da visão depende da média dos últimos 15 segundos que o olho captou.

O vídeo abaixo mostra quantas coisas o olho capta em poucos segundos. O círculo branco representa os movimentos dos olhos e a bolha borrada a entrada visual. Segundo Mauro Manassi e David Whitney, autores da pesquisa, “Se nossos cérebros estivessem constantemente se atualizando em tempo real, o mundo pareceria um lugar caótico com constantes flutuações de luz, sombra e movimento”.

Qual a metodologia do estudo?
Primeiramente, os pesquisadores separaram as pessoas em três grupos diferentes, cada um com pelo menos 40 participantes. O primeiro grupo assistiu a um vídeo com um único rosto de 13 anos, o segundo grupo o rosto era de uma pessoa com 25 anos e o último grupo viu o mesmo rosto, o jovem e o adulto das primeiras equipes, gradualmente envelhecer em quase 30 segundos. Por fim, os autores pediam para cada participante estimar a idade do último rosto exibido durante a projeção do filme.

Depois desses procedimentos, ocorreu a análise das respostas e os participantes do terceiro grupo relataram a idade do rosto apresentado nos últimos 15 segundos antes. Assim como em outro experimento o qual mostrou um filme do rosto mais antigo para o mais novo, os participante perceberam uma idade mais velha do que o final. Sendo assim, em ambos os casos, a diferença foi de cinco anos em média. Para explicar tais experimentos, também há um vídeo disponível no Youtube com a mudança dos rostos.

Então, os resultados indicaram que em vez de ver a imagem mais recente em tempo real, os humanos percebem versões anteriores porque o tempo de atualização do nosso cérebro é de cerca de 15 segundos. Isso acontece porque é muito trabalhoso para o cérebro lidar com cada mudança, mesmo aquelas mínimas. Conforme os dois autores do artigo, “Reciclamos informações do passado porque é mais eficiente, mais rápido e requer menos trabalho”.

Qual o impacto de ver apenas os últimos 15 segundos?
Dessa forma, nosso sistema visual às vezes sacrifica a precisão em prol de uma experiência visual mais suave do mundo ao nosso redor. Além disso, essa descoberta também explica porque não percebemos alterações sutis em filmes, como a mudança do ator para o seu dublê.

Há consequências positivas e negativas para o nosso cérebro esse atraso no processamento das informações. A lentidão permite um menor bombardeamento de informações durante o dia, no entanto, oferece riscos para as atividades que dependem de mais precisão e detalhes. Sendo assim, os julgamentos feitos pelas pessoas todos os dias não são totalmente baseados no presente, mas dependem fortemente do que elas viram no passado.

AVISO: Esta publicação é de divulgação e educação sobre temas relacionados à saúde e não substitui o acompanhamento profissional de um médico, psicólogo, nutricionista ou outro especialista.

*Por Lorena Franqueto
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*Fonte: socientifica

O que é a leitura profunda e por que ela faz bem para o cérebro

A pesquisa da neurocientista Maryanne Wolf aponta que “não há nada menos natural do que ler” para os seres humanos — mas isso não é de forma alguma ruim.

“A alfabetização é uma das maiores invenções da espécie humana”, diz a especialista americana. Além de útil, é tão poderosa que transforma nossas mentes: “Ler literalmente muda o cérebro”, diz ela.

O avanço da tecnologia e a proliferação das mídias digitais, contudo, têm modificado profundamente a forma como lemos.

Apesar de estarmos lendo mais palavras do que nunca — uma média estimada de cerca de 100 mil por dia —, a maioria vem em pequenas pílulas nas telas de celulares e computadores, e muita coisa é lida “por alto”.

Essas mudanças de hábito têm preocupado cientistas, entre outros motivos, porque a transformação de novas informações em conhecimento consolidado nos circuitos cerebrais requer múltiplas conexões com habilidades de raciocínio abstrato que muitas vezes faltam na leitura “digital”.

Um universo de símbolos
Ao contrário da linguagem oral, da visão ou da cognição, não existe uma programação genética nos humanos para aprender a ler.

Se uma criança, em qualquer parte do mundo, estiver em um ambiente em que as pessoas a seu redor conversam umas com as outras, sua linguagem será naturalmente ativada. O mesmo não acontece com a leitura, que implica a aquisição de um código simbólico completo, visual e verbal.

É uma invenção relativamente recente — “é uma piscadela em nosso relógio evolutivo: mal tem 6 mil anos”, diz Wolf.

“Começou de forma simples, para marcar quantas taças de vinho ou ovelhas tínhamos. E, com o nascimento dos sistemas alfabéticos, passamos a ter um meio eficiente de armazenar e compartilhar conhecimento.”

“Ler é um conjunto adquirido de habilidades que literalmente muda o cérebro”, ressalta a neurocientista.

“Permite fazer novas conexões entre regiões visuais, regiões da linguagem, regiões de pensamento e emoção”, completa.

Essa transformação “começa com cada novo leitor”. “(A habilidade de ler) Não existe dentro de nossa cabeça. Cada pessoa que aprende a ler tem que criar um novo circuito em seu cérebro.”

E isso abre portas para um novo mundo.

Saúde mental

“A leitura traz três poderes mágicos: criatividade, inteligência e empatia”, pontua Cressida Cowell, escritora de literatura infantil e autora da série Como Treinar Seu Dragão.

“Ler por prazer é um dos fatores-chave para o sucesso financeiro de uma criança na vida adulta. É mais provável que ela não acabe na prisão, que vote, que tenha casa própria…”

Além disso, “ler uma grande história é muito mais do que entretenimento”, acrescenta a biblioterapeuta Ella Berthoud.

“A leitura, na verdade, tem muitos benefícios terapêuticos. Seu cérebro entra em um estado meditativo, um processo físico que retarda o batimento cardíaco, acalma e reduz a ansiedade”, diz Berthoud.

Para ela, por exemplo, ler o romance Zorba, o Grego, de Níkos Kazantzákis, funciona como um remédio conta “claustrofobia, raiva e exaustão”.

A arte de prescrever ficção para curar as doenças da vida, batizada de biblioterapia, foi reconhecida no Publisher’s Illustrated Medical Dictionary, um dicionário médico ilustrado publicado nos Estados Unidos em 1941.

A prática remonta à Grécia Antiga, quando avisos eram afixados nas portas das bibliotecas para alertar os leitores de que estavam prestes a entrar em um local de cura da alma.

No século 19, psiquiatras e enfermeiras prescreveram todos os tipos de livros para seus pacientes, desde a Bíblia até literatura de viagem e textos em línguas antigas.

Vários estudos mais recentes, dos séculos 20 e 21, mostraram que a leitura aguça o pensamento analítico, o que nos permite aprimorar nossa capacidade de discernir padrões, uma ferramenta muito útil diante de comportamentos desconcertantes dos outros e de nós mesmos.

A ficção, em particular, pode transformar os leitores em pessoas mais socialmente habilidosas e empáticas. Os romances, por sua vez, podem informar e motivar, os contos confortam e ajudam a refletir, enquanto a leitura de poesia já demonstrou estimular partes do cérebro relacionadas à memória.

Muitos desses benefícios, no entanto, dependem de um estado conhecido como “leitura profunda”.

Pensamento analítico
“Quando lemos em um nível superficial, estamos apenas obtendo a informação. Quando lemos profundamente, estamos usando muito mais do nosso córtex cerebral”, explica Maryanne Wolf.

“Leitura profunda significa que fazemos analogias e inferências, o que nos permite sermos humanos verdadeiramente críticos, analíticos e empáticos.”

Em seu livro Proust and the Squid: The Story and Science of the Reading Brain (“Proust e a Lula: a História e a Ciência por Trás do Cérebro que Lê”, em tradução livre), a especialista em neurobiologia da leitura explica como, “a certa altura, quando uma criança vai da decodificação à leitura fluente, o caminho dos sinais através do cérebro muda”.

“Em vez de percorrer um trajeto dorsal (…), a leitura passa a se deslocar por um caminho ventral, mais rápido e eficiente. Como o tempo depreendido e o gasto de energia cerebral são menores, um leitor fluente será capaz de integrar mais seus sentimentos e pensamentos à sua própria experiência”, escreve.

“O segredo da leitura está no tempo que ela libera para que o cérebro possa ter pensamentos mais profundos do que antes.”

Mas, enquanto o processo de aprender a ler muda nosso cérebro, o mesmo acontece com o que lemos e como lemos.

Tempos modernos
Há aqueles, contudo, que acreditam que as novas plataformas são parte da solução, e não do problema.

Para Chris Meade, autor que utiliza vários tipos de mídia para veicular seu trabalho, “pensamos no livro como a obra, mas o livro é apenas um mecanismo de entrega”.

A narrativa transmídia é um tipo de história em que o enredo se desenrola por meio de múltiplas plataformas — aplicativos, livros digitais, games, quadrinhos, blogs — e na qual os consumidores podem assumir um papel ativo no processo de construção.

“As novas mídias estão dando voz a uma nova geração de escritores. Elas impedem que nos condicionemos a pensar que existe apenas um tipo de ‘boa escrita’ e permitem que as pessoas simplesmente compartilhem histórias e experiências”, opina Natalie A. Carter, cofundadora do clube do livro Black Girls Book Club.

“Não importa o meio, é a história que importa”, emenda Melissa Cummings-Quarry, também cofundadora do Black Girls Book Club.

“O romance está evoluindo. Há todo tipo de livro incrível sendo escrito especificamente para ser lido no celular”, afirma Berthoud.

“O livro talvez passe a ilusão de que ele é tudo. Nunca foi, é uma forma de entrar em um processo de pensamento”, diz Meade.

Ainda assim, os cientistas afirmam que a leitura digital pode ter um custo para o cérebro do leitor.

Fragmentação
“Reunimos acadêmicos e cientistas de mais de 30 países para pesquisar o impacto das mídias digitais na leitura”, afirma Anne Mangen, à frente da E-READ (Evolução da Leitura na Era da Digitalização), organização cujo objetivo é melhorar a compreensão científica das implicações da digitalização da cultura.

Faz parte do programa internacional da Cooperação Europeia em Ciência e Tecnologia (ou COST, sigla para European Cooperation in Science and Technology), que considera a leitura um “tema urgente”.

Segundo o programa, “a pesquisa mostra que a quantidade de tempo gasto na leitura de textos longos está diminuindo e, devido à digitalização, a leitura está se tornando mais intermitente e fragmentada”, algo que poderia “ter um impacto negativo nos aspectos cognitivos emocionais da leitura”.

“Descobrimos que existe o que se chama de inferioridade na tela”, destaca Anne Mangen.

“Há muitas coisas que podem ser lidas igualmente bem no smartphone, como as notícias mais curtas, mas, quando se trata de algo que é cognitiva ou emocionalmente desafiador, ler em uma tela leva a uma compreensão de leitura pior do que ler no papel”, diz ela.

Maryanne Wolf concorda, dizendo que “a realidade é que não é apenas o que ou o quanto lemos, mas como lemos que é realmente importante”.

“O próprio volume [de informação disponível nas plataformas digitais] está tendo efeitos negativos porque, para absorver tanto, há uma propensão a se ler ‘por alto’. O cérebro leitor tem um circuito plástico, que refletirá as características do meio em que se lê. As características do digital caminham para que sejam refletidas no circuito.”

Em outras palavras, assim como ao aprender a ler da maneira tradicional o cérebro formata e registra os itinerários da razão e os caminhos para a emoção, ao aprender a ler da maneira como fazemos nas mídias digitais o cérebro traçará diferentes trajetórias e, se deixarmos a leitura profunda de lado, ele apagará as anteriores, caso tenham um dia existido.

“Se não treinarmos essas habilidades, podemos acabar perdendo a capacidade de entender conteúdos mais complexos e, talvez, de nos envolvermos e usarmos a imaginação”, destaca Mangen.

Então, o que o futuro reserva para os livros e para o cérebro da leitura?

“A imaginação humana é uma coisa fantástica, somos muito flexíveis. Encontramos maneiras de fazer o que queremos com a tecnologia disponível”, pontua Chris Meade.

Para Natalie Carter, o futuro trará “muito mais coleções de contos, e acho que veremos muito mais livros curtos”.

Nesse sentido, Cressida Cowell diz já ter sentido a mudança: “Mudei a maneira como escrevo, porque o tempo de atenção das crianças diminuiu. Os livros têm capítulos curtos e são incrivelmente visuais, brilhantes, como doces”.

Para a neurocientista Maryanne Wolf, “assim como as pessoas podem ser bilíngues e trilíngues, minha esperança é que desenvolvamos um cérebro ‘biletrado’. Podemos nos disciplinar para escolher o meio que melhor se adapta ao que estamos lendo e, assim, não perder o dom extraordinário que a leitura deu à nossa espécie”.

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*Fonte: bbc-brasil

8 maneiras de melhorar a capacidade do seu cérebro

Já passou por aquela situação em que você tenta desesperadamente lembrar o nome de alguém ou de um lugar e simplesmente dá um “branco”?

Ouvimos dizer muitas vezes que a memória diminui com a idade, assim como outras funções cognitivas – como o raciocínio.

Mas, calma, há esperança. Existem maneiras de “religar” nosso cérebro.

Então, se você quer aumentar sua capacidade cerebral, siga as dicas abaixo e se prepare para exercitar a mente:


1. Exercício aumenta o cérebro
É verdade – nosso cérebro cresce à medida que nos exercitamos.

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Exercício físico ajuda a cuidar também do cérebro (Foto: Pexels)

A atividade física aumenta as sinapses, cria mais conexões dentro do cérebro e ajuda na formação de células extras.

Uma boa saúde cardiovascular também significa que você transporta mais oxigênio e glicose para o cérebro, além de eliminar toxinas.

Se você conseguir se exercitar ao ar livre, melhor ainda – terá o benefício adicional de absorver mais vitamina D.

Dica: combinar a prática de exercício à exploração de um ambiente diferente, a novas maneiras de fazer as coisas ou compartilhar ideias – dessa forma, você aumenta as chances das células nervosas novas formarem um circuito adequado.

Por exemplo, se você gosta de jardinagem, vale participar de uma horta comunitária para fazer amigos enquanto mexe na terra, ou se juntar a um grupo em vez de ir sozinho.

O mais importante é garantir que você esteja se divertindo – é o desejo de se envolver em algo que ajuda a impulsionar os efeitos do exercício e da interação social no cérebro.

2. Memória em movimento
Essa é uma técnica respaldada por cientistas e reconhecida há muito tempo no mundo da dramaturgia. Se você tentar decorar algo enquanto se movimenta, é muito mais provável que a informação seja retida.

Dica: na próxima vez que você tiver uma apresentação ou discurso para fazer, que tal dar uma volta ou dançar para ajudar a guardar o conteúdo?

3. Coma os alimentos certos para abastecer o cérebro
Cerca de 20% do açúcar e da energia que você consome vão para o cérebro, fazendo com que a função cerebral dependa dos níveis de glicose.

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Um intestino saudável é essencial para um cérebro saudável (Foto: Pexels)

Se os níveis de açúcar não forem controlados, sua cabeça pode ficar confusa.

Comer algo de que se goste libera dopamina, que ativa a área de recompensa do cérebro. E é por isso que você sente prazer em comer determinados alimentos.

Mas, além de nutrir os mecanismos de recompensa do cérebro, você precisa alimentar seu intestino com cuidado.

Existem mais de 100 trilhões de bactérias no sistema digestivo humano, que se conectam com o cérebro pelo eixo intestino-cérebro. E o equilíbrio desses micróbios é fundamental para o bem-estar da mente.

Na verdade, o intestino é muitas vezes chamado de “segundo cérebro”. Uma dieta variada e saudável ajuda a manter essas bactérias em sincronia e o cérebro saudável.

Dica: as células do cérebro são compostas por gordura, por isso, é importante não erradicar a gordura da dieta. Ácidos graxos essenciais presentes em nozes, sementes, abacate e peixes são bons para desenvolver o cérebro, assim como o alecrim e açafrão.

Tente também fazer as refeições na companhia de outras pessoas quando puder – a socialização reforça os benefícios de uma boa dieta saudável no cérebro.

4. “Desligue” e relaxe
Uma certa dose de estresse é necessária porque nos ajuda a responder rapidamente em situações de emergência. O estresse produz o hormônio cortisol que, ao ser liberado, nos dá energia e ajuda a concentrar.

Mas a ansiedade prolongada e os altos níveis de estresse desconfortável são realmente tóxicos para o cérebro.

É importante, portanto, que a gente aprenda a “desligar” de vez em quando, para permitir que essa parte do cérebro descanse.

E, ao se desconectar, você exercita uma parte diferente do cérebro: a chamada rede neural de modo padrão, que nos permite sonhar e é importante para consolidar a memória.

Ao “desligar” do mundo externo, permitimos que essa parte do cérebro seja ativada e faça seu trabalho.

Então, da próxima vez que você for pego sonhando acordado no trabalho, explique ao seu chefe que você estava fazendo uma atividade cerebral crucial.

Dica: se você achar que é difícil relaxar, por que não tentar técnicas de relaxamento, como meditação, que podem ajudar a reduzir o nível dos hormônios do estresse?

5. Encontre novas formas de desafiar a si mesmo
Uma outra maneira de estimular o cérebro é se desafiar a fazer ou aprender algo novo.

Atividades como aulas de arte ou cursos de idioma aumentam a flexibilidade do cérebro.

Dica: jogue uma partida online contra amigos ou familiares.

Não apenas vai te desafiar, como vai estimular a interação social, o que ajuda o cérebro.

6. Ouça música

Pesquisas indicam que a música estimula o cérebro de um jeito muito peculiar.

Quando você observa a imagem cerebral de alguém que está ouvindo ou tocando música, quase todo o órgão está ativo.

A música pode melhorar a cognição geral, e a memória musical é muitas vezes a última a desaparecer, quando somos afetados por certas condições, como a demência.

Dica: faça parte de um coral ou compre ingressos para ver sua banda favorita.

7. Estude para uma prova na cama
Se você aprender algo novo durante o dia, será formada uma conexão entre células nervosas no cérebro.

Quando você dorme, essa conexão é fortalecida e reforçada – e aquilo que você aprendeu vira uma lembrança.

O sono é, portanto, um momento realmente importante para a consolidação da memória.

Se você der uma lista para alguém memorizar antes de dormir, há uma grande chance da pessoa se lembrar na manhã seguinte – uma chance maior do que se você tivesse entregado a lista a ela pela manhã.

Dica: se estiver estudando para uma prova, tente repassar na cabeça as respostas em um simulado enquanto adormece.

Caso você tenha passado por um evento traumático ou tenha a memória ruim, tente não pensar nisso antes de dormir, pois pode pressionar a memória e fortalecer as emoções negativas associadas a ela.

Pela mesma razão, evite filmes de terror ou histórias assustadoras na hora de dormir.

Em vez disso, concentre-se em algo positivo que você aprendeu ou experimentou durante o dia para que seja consolidado.

8. Acorde bem
Todo mundo sabe que o sono é importante. Com menos de cinco horas de sono, você não fica tão forte mentalmente. Já se dormir mais de 10 horas, pode sentir os efeitos do “jet lag”.

Mas a chave para ajudar você a ter um desempenho melhor ao longo do dia é como você acorda.

Idealmente, durma em um quarto escuro e acorde com luz natural, que vá aumentando gradualmente.

Essa luz penetra nas pálpebras fechadas e estimula o cérebro para que tenhamos uma resposta maior de cortisol ao despertar.

A quantidade de cortisol no corpo quando você acorda afeta o desempenho do cérebro durante o dia.

Dica: compre um despertador luminoso que simule a luz do sol para ajudar você a acordar naturalmente.

Para quem tem o sono profundo, vale a pena se certificar de que o despertador venha com um alarme de som tradicional acoplado.

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Fonte: epocanegocios

Novo estudo aponta relação entre células de gordura e doenças degenerativas do cérebro

Uma publicação na revista científica digital iScience sugere que as células de gordura possuem um papel central no desenvolvimento de doenças degenerativas do cérebro e redução de atividades cognitivas.

O estudo, da Universidade de Marshall, em Huntington, West Virginia, observa a relação entre a adiposidade e o ciclo de estresse oxidativo no cérebro, que está relacionado ao envelhecimento precoce e à males, como o de Parkinson.

De acordo com a pesquisa, as células de gordura controlam a resposta sistêmica das funções cerebrais em mamíferos, impedindo a manutenção das bombas de sódio/potássio (Na/K-ATPase), cruciais para memória e cognição. A circulação destas afetam a expressão de importantes proteínas no corpo, mas também sinaizadores do hipocampo, cuja falta pode piorar as atividades neurológicas.

Células de gordura inibem a função regenerativa do cérebro
No teste, os cientistas usaram um rato geneticamente modificado que liberava o peptídeo NaKtide especificamente em adipócitos, para descobrir que eles inibiam as bombas de sódio/potássio. A neutralização do sinalizador nas células de gordura favorecia o mau funcionamento do cérebro da cobaia, levando a doenças e risco incremental de demência.

“Nós queríamos demonstrar que os disparos de bombas de sódio/potássio, especialmente em adipócitos, possuem um papel central para induzir alterações em regiões específicas do cérebro, mais notadamente no hipocampo, que é crítico para a memória e a função cognitiva”, afirma o líder da pesquisa, Joseph I Shapiro.

A pesquisa também concluiu que a alimentação ocidental possui um forte efeito na inflamação das células, que podem resultar no agravamento dessas condições.

“A dieta ocidental induz a estresse de oxidantes e alteração de adipócitos através das bombas de sódio e potássio, que causam inflamações sistêmicas e causam mudanças bioquímicas e comportamentais no cérebro”, afirma Komal Sodhi, primeiro pesquisador do estudo e professor de ciências biomédicas da universidade.


*Por Gabriel D. Lourenço

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*Fonte: olhardigital

A ciência explica como o hábito de reclamar adoece o nosso cérebro

Por que as pessoas se queixam? Certamente que não é apenas para torturar os outros com sua negatividade, como muitos poderiam pensar. Muitas pessoas têm o hábito de reclamar, talvez para exteriorizar suas emoções e pensamentos, talvez para desabafar e se sentir melhor, e até aí, tudo bem, é importante mesmo expressar suas emoções.


Mas a ciência sugere que existem algumas falhas graves nesse raciocínio. Porque ao tornar a queixa uma constante, não apenas expressa uma carga enorme de negatividade que, além de não fazer a pessoa se sentir melhor, também contagia os ouvintes, fazendo com que eles se sintam piores. “As pessoas não peidam em elevadores mais do que precisam. ficar se queixando o tempo todo é semelhante a peidar emocionalmente em uma área fechada. Parece uma boa ideia, mas é muito danoso”, disse o psicólogo Jeffrey Lohr, elucidando a tese de forma memorável.

Dessa forma a ciência afirma que o hábito de reclamar não nos faz bem. Expressar essa negatividade pode fazer com que nos sintamos ainda pior. Desabafar por meio das emoções pode parecer uma boa ideia, porém, geralmente, não é. Tanto para quem se queixa o tempo todo, como para quem ouve.

O filósofo e cientista da computação, o americano Steven Parton também decidiu estudar por que o hábito de reclamar altera negativamente o humor da pessoa, podendo criar um estado permanente de baixo-astral em alguns indivíduos. Segundo ele, o cérebro constrói suas conexões com base em tudo a que é repetidamente exposto. Portanto, se alguém está habituado a fazer reclamações e ter pensamentos negativos, o órgão buscará fazer isso novamente, já que esse é o caminho mais fácil, pois ele já saberá por onde seguir. A boa notícia é que isso também acontece da forma contrária, com o pensamento positivo e a gratidão. Aqui estão três das maneiras que ele afirma que reclamar prejudica sua saúde:


1 – Queixas consolidam as sinapses da negatividade
Neste instante nosso cérebro está produzindo muitíssimas sinapses. Quando pensamos um neurônio libera uma série de neurotransmissores, por meio dos quais um neurônio se comunica com outro. E, assim, estabelece uma espécie de ponte através da qual passa um sinal elétrico. Desta forma é transmitida a informação no cérebro.

É interessante observar que a cada vez que se produz uma sinapse, esse caminho se completa. Desta forma são criadas verdadeiras autopistas neurais em nosso cérebro. São elas que nos permitem, por exemplo, dirigir de maneira automática ou caminhar sem ter de pensar como movemos os pés.

Estes circuitos não são estáticos. A função prática pode mudar, debilitar-se ou consolidar-se. Obviamente que, quanto mais sólida seja essa conexão, mais rápida chegará a informação e mais eficiente seremos ao realizar essa atividade.

O problema é o seguinte: quando nos queixamos, nossos pensamentos negativos enchem a nossa mente. E estaremos alimentando, precisamente, as redes neurais maléficas. Neste caso, quando alimentamos a negatividade ela traz de volta a depressão. Quanto mais nos queixamos, mais escuro veremos o mundo, porque são exatamente esses caminhos neurais que estamos potencializando em detrimento de outros muito mais positivos e benéficos para a nossa saúde emocional.

Investigadores da Universidade de Yale constataram que nas pessoas submetidas a um grande estresse ou que sofrem depressão, ocorre um desequilíbrio das sinapses que produz a atrofia neural. No cérebro destas pessoas aumenta a produção do fator de transposição chamado GATA1, que diminui de tamanho. As projeções e a complexidade das dendrites são essenciais para transmitir as mensagem entre os neurônios.

2 – Você é o reflexo de quem está a sua volta
As reclamações não somente afetam as conexões neurais da pessoa que se lamenta, como também de quem está ao seu redor. É provável que depois de haver ouvido um amigo se queixar durante várias horas, você se sinta como se ele houvesse drenado a sua energia vital. É provável que nesse momento também tenha tido uma visão um pouco mais pessimista do mundo.

Isto se deve ao fato de que o nosso cérebro está programado para ser empático. Os neurônios espelhos nos fazem experimentar as mesmas sensações que a pessoa transmite. Ou seja, alegria, tristeza ou raiva. Nosso cérebro tenta imaginar o que sente e pensa essa pessoa e, em consequência, o cérebro atua no sentido de modular nosso comportamento.

Nestes casos, a empatia se converte em uma “faca de dois gumes” apontada contra nós mesmos. Quando ouvimos uma pessoa se queixar, o nosso cérebro libera os mesmos neurotransmissores do queixoso. Desta forma, acabamos prisioneiros de suas queixas.

3 – O cérebro é o comando que controla o corpo
As queixas consolidam as sinapses “negativas” do cérebro e estas provocam um grande impacto em nossa saúde. Quando alimentamos a tristeza, o ressentimento, a raiva, o ódio e a ira, todas essas emoções se refletem em nosso corpo. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Aalto idealizou um mapa corporal das emoções, no qual se pode ver como estas emoções se refletem em zonas específicas do corpo,

Também não podemos nos esquecer de que detrás desses sentimentos e emoções negativos se escondem, muitas vezes, o cortisol. Um neurotransmissor que também atua como hormônio e serve para ajudar o organismo a controlar o estresse, reduzir inflamações, contribuir para o funcionamento do sistema imunológico e mantém os níveis de açúcar no sangue, assim como regula a pressão arterial.


No entanto, não devemos esquecer que por trás dos sentimentos negativos e emoções, um sistema imunitário deprimido aumenta a pressão arterial e o risco de desenvolver doenças tal como o câncer e as desordens cardiovasculares. O cortisol também prejudica a memória, aumenta o risco de depressão e ansiedade e, obviamente, diminui a esperança de vida.

Estudo publicado no site Inc. – com tradução livre do Portal Raízes. Se você gostou do texto, curta, compartilhe com os amigos, e não se esqueça de comentar. Pois isto contribui para que continuemos trazendo conteúdos incríveis para você. Siga o Portal Raízes também no Facebook, Youtube e Instagram.

Pesquisas: Science and Pseudoscience in Clinical Psychology

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*Fonte: portalraizes

Essa música de Mozart acalma o cérebro. Agora se sabe o motivo

Música é uma das formas de arte mais difundidas do mundo. Além do entretenimento em si, ouvir música pode também trazer alguns benefícios para seu bem-estar. Ela não só ajuda a relaxar, mas também pode servir de estimulante para as atividades físicas.

Além disso, ela também pode ter um papel importante na saúde. Um exemplo disso é uma sonata de Mozart que tem o poder de acalmar a atividade cerebral epilética. De acordo com um estudo, ela consegue esse feito graças a melodias que criam uma sensação de surpresa.

Estudo

O estudo foi feito com 16 pacientes hospitalizados com epilepsia que não responderam bem à medicação. Isso fez com que as esperanças ficassem maiores. Se podendo usar a música em tratamentos não invasivos.

“Nosso maior sonho é definir um gênero musical ‘antiepiléptico’ e usar a música para melhorar a vida das pessoas com epilepsia”, disse Robert Quon, do Dartmouth College, co-autor do estudo.

Embora se conheça os efeitos sobre a cognição e outras atividades cerebrais da chamada Sonata para Dois Pianos em Ré Maior K448 de Mozart, os pesquisadores ainda estão tentando entender o motivo.

Música

Nesse estudo, os pesquisadores tocaram a música para os pacientes que estavam com sensores de implantes cerebral para que se pudesse monitorar a ocorrência de eventos cerebrais breves, mas prejudiciais, que são sofridos por epilépticos entre as convulsões (IEDs).

Feito isso, se descobriu que os IEDs diminuíram depois de 30 segundos de música. Além disso, aconteceram efeitos significativos em partes do cérebro relacionadas com as emoções.

Então, os pesquisadores compararam a resposta com a estrutura da obra. Eles descobriram que os efeitos aumentavam nas transições entre as fases musicais mais longas. Naquelas que duravam 10 segundos ou mais.

Desde 1993, quando os cientistas afirmaram que as pessoas ouviam K488 por 10 minutos mostravam habilidades de raciocínio espacial aprimoradas, se estuda esse chamado “efeito Mozart”.

Observações

Várias outras pesquisas foram feitas depois para testar os efeitos da música em várias funções e distúrbios cerebrais. Dentre eles, a epilepsia. No entanto, o autores disseram que esse foi o primeiro estudo a quebrar as observações se baseando na estrutura da música.

Assim como nos estudos anteriores, os pacientes não mostrara nenhuma mudança na atividade cerebral quando foram expostos a outros estímulos auditivos ou músicas que não eram a Sonata para Dois Pianos em Ré Maior K448 de Mozart.

Nesse estudo em específico, os pacientes ouviram 90 segundos de uma obra de Wagner que também se caracteriza pela mudança de harmonias, mas sem nenhuma melodia reconhecível. E ouvi-la não produziu nenhum efeito calmante nos pacientes.

Isso fez com que os pesquisadores se concentrassem na melodia importante da Sonata para Dois Pianos em Ré Maior K448 de Mozart. Se observou que os testes adicionais podiam usar outras peças de música que foram selecionadas cuidadosamente para comparação. Com isso, eles pretendem identificar os componentes terapêuticos da sonata.

*Por Bruno Dias
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*Fonte: fatosdesconhecidos

7 mitos e meio sobre o cérebro derrubados

Existem ideias que duram porque têm o potencial de revelar conceitos surpreendentes, enquanto outras não sobrevivem ao rigor científico.

No século 4 a.C., Aristóteles (384 a.C. — 322 a.C.) considerava o cérebro um órgão secundário que servia para resfriar o sangue que o coração usava para funções mentais. Mas era também um lugar onde o espírito circulava livremente e onde estava, em sua visão, o sensus communis (ou “senso comum”).

Séculos de pesquisa depois, o médico romano Galeno de Pérgamo (c.130-c.210 d.C.) concluiu que o cérebro era o grande responsável por nossas funções mentais e não o coração, como Aristóteles havia sugerido.

O sensus communis, no entanto, sobreviveu. No século 16, quando Leonardo da Vinci (1452 – 1519) estava desenhando e estudando o cérebro, um de seus objetivos era encontrar sua localização; filósofos como Tomás de Aquino, Locke e Kant o exploraram; a psicologia o acolheu, e os cientistas continuaram a testar o conceito daquele sexto sentido que refina a informação percebida por nossos cinco sentidos até hoje.

Mas há outras noções que, embora a ciência já tenha determinado que estão erradas, permanecem teimosamente ressoando, não graças às evidências, mas à repetição e à crença.

O cérebro, aquela “obra-prima da criação”, como disse o cientista dinamarquês Nicolaus Steno em 1669, é um daqueles campos minados de tais falsos conhecimentos e imprecisões.

Como não estamos imunes a isso, consultamos a renomada neurocientista Lisa Feldman Barrett, autora do livro Seven and a Half Lessons About the Brain” (“Sete lições e meia sobre o cérebro”, no qual ela desmistifica “aquela grande massa cinzenta entre nossas orelhas”.

Perguntamos a ela se é verdade, por exemplo, que nascemos com um certo número de neurônios, que eles não se renovam, já que não se reproduzem como as outras células do corpo.

½. Neurônios limitados
Isso é quase verdade.

“Os humanos perderam a capacidade de regenerar neurônios… exceto em alguns lugares do cérebro”, assinala a neurocientista.

E não apenas nós.

“Animais de vida longa tendem a perder essa capacidade porque, quando novos neurônios substituem os antigos, as memórias são perdidas”.

“Não é que cada neurônio guarde uma memória, mas se trata de um conjunto que se comunica, ou seja, se um falta, essa relação molecular se perde e com ela parte do que foi aprendido”.

O engraçado é que outros animais regeneram neurônios constantemente ao longo de sua vida.

“Os pássaros são animais muito interessantes porque há partes do cérebro deles, nas quais os neurônios se regeneram a cada ano para aprender novas canções para atrair parceiros. Na verdade, foi assim que a plasticidade (do cérebro) foi descoberta”.

“Na Universidade Rockefeller (Estados Unidos), pesquisadores notaram que o tamanho dos núcleos cantantes — os núcleos em seus cérebros que são responsáveis por controlar sua respiração e seu aparelho vocal e seus corpos para que possam cantar — estavam se expandindo e diminuindo a cada ano, e constataram que eles estavam criando novos neurônios naquela época do ano”.

“Os pesquisadores presumiram então que a criação de neurônios só ocorria nas aves, mas não nos mamíferos. Na verdade, ela não só ocorre nos mamíferos, mas também nos primatas e até nos humanos, embora apenas em partes específicas do cérebro como o hipocampo, por exemplo”.

Em todo caso, você já deve ter ouvido falar que só usamos parte dos neurônios daqueles que temos. Isso é verdade?

1. Neurônios desperdiçados
“A ideia de que usamos apenas 5% ou 10% dos nossos neurônios simplesmente não é verdade.

“Entre outras coisas, seria metabolicamente ineficiente. Seu cérebro é seu órgão mais dispendioso: responde por cerca de 20% de seu gasto metabólico diariamente. Imagine desperdiçar 90% de sua capacidade!

“Isso é um absurdo e não faz o menor sentido”.

“Usamos o cérebro o tempo todo e não um neurônio, mas milhões e milhões a cada momento.”

Claro, armazenando tudo que nossos sentidos percebem, não?

2. Seus olhos veem, seus ouvidos ouvem, sua pele sente
Não exatamente.

Todas as nossas sensações são interpretações do cérebro.

“Você precisa de algum tipo de superfície sensorial, algum tipo de receptor, para levar informações para o cérebro”, como as orelhas, a pele, o nariz, os olhos.

Mas esses sinais — ondas de luz, som — que eles captam não fazem sentido até que o cérebro os processe.

“É por isso que existem condições como a cegueira cortical, em que os olhos funcionam bem, mas há danos nas partes do cérebro que são importantes para criar a visão.”

Você não vê com os olhos, nem ouve com os ouvidos, nem sente com a pele: você o faz com o cérebro, que combina o que está na sua cabeça e os dados sensoriais detectados pelos seus órgãos.

Mas não é só isso…

3. Suas emoções estão em seu coração

Quando a emoção o invade, “quando você sente o batimento cardíaco, não o sente no peito, mas na cabeça”.

“É difícil de entender, mas você não sente nada em seu corpo, tudo o que você sente está em seu cérebro.”

A dor, a alegria… tudo, porque o cérebro é quem escreve a história, ele é o narrador.

E abriga as paixões nas profundezas de sua parte mais antiga…

4. Você tem uma ‘besta interior’

Bem… não é assim.

É verdade que existe um modelo conhecido como “cérebro trino”, que consiste no complexo reptiliano, no sistema límbico e no neocórtex, sendo que o primeiro controla o comportamento e o pensamento instintivo para a sobrevivência, o segundo encarrega-se de regular as emoções, a memória e as relações sociais, e o terceiro é responsável pelas funções mais sofisticadas.

“Por anos, os cientistas pensaram que a parte reptiliana envolvida no circuito límbico era o lar de nossa besta interior, a parte mais reativa de seu ser que tinha que ser controlada pela razão”.

“Segundo essa hipótese, seu cérebro é um campo de batalha entre sua besta interior e seu eu racional superior. Quando a racionalidade vence, você é moral, virtuoso e saudável, mas quando sua besta interior vence, você é imoral, porque não se esforçou o suficiente ou você está doente, porque a racionalidade não conseguiu controlar sua besta interior”.

“Toda essa narrativa é um mito completo”.

“Mas o que é realmente interessante é que as regiões do cérebro que foram marcadas como sua besta interior são, na verdade, aquelas que controlam seu corpo — seus pulmões, seu coração, seu sistema imunológico, seu metabolismo… seu corpo físico inteiro. E alguns de eles estão no centro da memória, tomada de decisão, racionalidade e percepção”.

“Essas regiões estão praticamente envolvidas em tudo que seu cérebro faz.”

Então, elas estão envolvidas na função principal do cérebro, o raciocínio?

5. O cérebro é para pensar
Se você se pergunta para que o cérebro é importante, pode responder “pensar” ou “sentir” ou “a capacidade de perceber o mundo”.

“Na verdade, a tarefa mais importante do seu cérebro é mantê-lo vivo. Pense, sinta e perceba para controlar os sistemas internos do seu corpo para que você sobreviva, se mantenha saudável e, eventualmente, procrie — do ponto de vista evolutivo — e/ou prospere — do ponto de vista individual”.

O curioso é que para fazer isso…

6. Seu cérebro reage
Uma das coisas que mais surpreendeu Lisa Feldman Barrett foi aprender que o cérebro funciona por meio de previsões.

“Não pude acreditar porque não gasto meu tempo fazendo previsões e depois reagindo a elas, mas experimentando algo e reagindo naquele momento”.

“Mas a verdade é que você não reage às coisas do mundo”.

“Seu cérebro está executando um padrão interno que aprendeu, contingências dos sinais sensoriais aos quais foi exposto ao longo de sua vida, e está constantemente adivinhando o que vai acontecer”.

“Ele faz isso automaticamente, disparando sinais de seus próprios neurônios para antecipar os dados dos sentidos de seus serviços sensoriais. Então, quando os dados chegam, ele faz comparações”.

“Não é que você nunca encontre coisas novas, mas você não sai por aí se surpreendendo a vida inteira”.

“Quando há uma surpresa, o que acontece é que seu cérebro tenta prever, como sempre, mas os sinais não são previstos, e essa é uma oportunidade de aprender algo novo.”

E finalmente…

7. Seu cérebro trabalha sozinho
Acontece que seu cérebro trabalha secretamente com o de outras pessoas.

Sua família, amigos, vizinhos e até estranhos contribuem para a estrutura e a função de seu cérebro e ajudam a manter seu corpo funcionando.

Experimentos mostraram que mudanças no corpo de uma pessoa frequentemente causam mudanças em outra, quer vocês dois estejam romanticamente envolvidos, sejam apenas amigos ou estranhos se encontrando pela primeira vez.

Quando você está com alguém de quem gosta, sua respiração e seus batimentos cardíacos são sincronizados. Esse tipo de conexão física ocorre entre bebês e seus cuidadores, entre terapeutas e seus pacientes e entre pessoas que fazem uma aula de ioga ou cantam juntas em um coral.

Se, por outro lado, as pessoas não se bicam, seus cérebros são como parceiros de dança que não param de pisar em seus pés.

*Por Dalia Ventura
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*Fonte: bbc-brasil

O que ocorre em nosso cérebro ao ler um romance

Arealidade das férias de verão no Hemisfério Norte, e o fato de termos sido inundados por literatura factual, convidam-nos a querer mergulhar na ficção dos romances e “descobrir mediterrâneos”, como dizia Unamuno − ainda mais agora, na pandemia, que nos mantém presos na crueza de sua realidade. Entre meus mergulhos recentes estão os seis contos macabros de P. D. James em Sleep No More (“não durma mais”), salpicados com “o doce aroma de sangue” da tinta de sua autora, e os Testimonios (“testemunhos”) de Victoria Ocampo − o de Cocteau en Nueva York (“Cocteau em Nova York”) captura a magia da transposição da primeira pessoa, de modo que eu mesmo “senti a vertigem que invariavelmente nos dá o passado quando o olhamos da torre crescente dos anos. Peguei o telefone e liguei para o St. Regis, onde Cocteau estava hospedado. Combinamos de tomar chá lá, nessa mesma tarde. Cheguei. Subi até o apartamento dele. Que deslocado me pareceu aquele francês, precioso objeto de luxo da Rue de la Paix, naquele ambiente! Nós nos olhamos. E nos abraçamos (pensaríamos a mesma coisa?) como depois de um naufrágio”.

Por que lemos romances? Como entender o apego que nos causam?

Estamos constantemente aprendendo a ler, a compreensão e o prazer da leitura são um processo de aprendizagem por toda a vida. Em seu artigo “Livros que me influenciaram”, publicado no The British Weekly em 1887, Robert Louis Stevenson, autor de A Ilha do Tesouro, diz que os livros mais decisivos e de influência mais duradoura são os romances, porque “não impõem ao leitor um dogma que mais tarde se revela inexato, nem lhe ensinam nenhuma lição que depois deva ser desaprendida. Eles repetem, reestruturam, esclarecem as lições da vida; separam-nos de nós mesmos, obrigando-nos a nos familiarizar com o nosso próximo; e mostram a trama da experiência, não como aparece diante dos nossos olhos, mas singularmente transformada, toda vez que nosso ego monstruoso e voraz é momentaneamente suprimido”.

Além de ser fonte de prazer, a ficção permite ao leitor simular e aprender com a experiência ficcional. Segundo Keith Oatley, professor de Psicologia da Universidade de Toronto e especialista na psicologia da ficção, um dos usos da simulação é que, para aprender a pilotar um avião, é útil passar um tempo em um simulador de voo. Apesar de ser essencial a prática em um avião real, na maior parte do tempo não acontece muita coisa no ar. Já no ambiente seguro de um simulador, é possível enfrentar uma ampla gama de experiências e ensaiar como responder a situações críticas − e as habilidades aprendidas são transferidas ao pilotar um avião. Da mesma forma, quando nos envolvemos nas simulações da ficção, o que aprendemos é transferido para nossas interações cotidianas.

A pesquisa de Oatley confirma o que Stevenson disse: ao compartilhar indiretamente as sutilezas e atribulações da história, e ao fazer inferências sobre o desenvolvimento da trama, o leitor expande sua empatia. Ou seja, alinhamos nossas emoções e pensamentos com os dos personagens. Com imagens de ressonância magnética funcional, comprovou-se que quando as pessoas leem que descrevem uma ação, como “subindo as escadas”, a leitura leva à simulação do conteúdo motor e emocional no cérebro, acompanhada por mudanças nas regiões cerebrais que provocam a ação, como se o leitor a estivesse realizando.

Nosso inconsciente é um leitor infatigável que está continuamente aprendendo − quem lê, interpreta a partir de seu inconsciente. O que está em jogo é que damos àquilo que está escrito uma leitura diferente daquilo que a obra significava originalmente. Entendida desse modo, é uma forma de interpretar − é uma leitura das diferenças que residem na linguagem. Em seu ensaio Romances Familiares, Freud especula que cada um é, ao mesmo tempo, autor e herói de um “romance familiar”, do qual se poderia dizer que somos o único leitor. Essa obra privada, na qual contamos a nós mesmos histórias derivadas de fantasias inconscientes, é uma condição necessária para a vida em sociedade.

Como se deve ler um livro? Qual é a forma correta de fazer isso? São muitas e muito variadas. “Para ler bem um livro, você deve lê-lo como se o estivesse escrevendo. Comece não se sentando ao lado dos juízes, fique de pé ao lado do acusado. Seja seu colega de trabalho, transforme-se em seu cúmplice”, recomenda Virginia Woolf em uma conferência dada em 1926 para alunas de uma escola em Kent. “Cada um pode pensar o que quiser a respeito da leitura, mas ninguém vai impor leis sobre isso. Aqui, nesta sala, entre livros, mais do que em qualquer outro lugar, respiramos um ar de liberdade. Aqui, simples e doutos, o homem e a mulher são iguais. Porque, embora a leitura pareça coisa simples − uma mera questão de conhecer o alfabeto −, ela na verdade é tão complexa que é duvidoso que alguém saiba o que realmente é.”


*Por David Dorenbaum
é psiquiatra e psicanalista
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*Fonte: elpais-brasil

O exercício simples que você pode fazer em casa para turbinar seu cérebro

Você quer entrar em forma e aumentar sua capacidade intelectual?

Se você escolher seu exercício com cuidado, poderá obter o melhor dos dois mundos.

Novas pesquisas sobre os benefícios dos exercícios de resistência mostram um imenso impacto positivo para nossos músculos, coração e cérebro.

Dois deles são bastante simples, e muitos podem fazê-lo agora, em casa: a flexão e o agachamento.

Flexões e seu coração

As flexões são ótimos exercícios porque treinam o corpo todo, não requerem nenhum equipamento e podem ser feitas facilmente em qualquer lugar e a qualquer hora.

Um estudo recente nos EUA envolvendo mais de 1.100 bombeiros e com duração de mais de dez anos descobriu que as flexões eram uma das melhores formas de prever o risco de doença cardíaca – acima e além de outros tipos de exercícios de peso corporal.

Aqueles que conseguiam fazer 40 flexões ou mais de uma vez só quando tinham 30 e poucos anos tinham muito menos chance de sofrer um infarto nos dez anos seguintes do que aqueles que não conseguiam chegar a dez flexões.

Embora os mecanismos exatos ainda não estejam claros, as flexões parecem particularmente adequadas para dar ao seu sistema cardiovascular um bom treino.

Como com qualquer exercício, é fundamental começar de maneira gradual para não se machucar. Dá para começar fazendo de joelhos. Se você tiver algum problema de saúde relacionado às costas, fale com seu médico antes de adicionar o exercício na sua rotina.

Além das flexões, há um outro exercício que você pode (e deve) adicionar ao seu dia: o agachamento.

Os agachamentos são usados ​​repetidamente por treinadores como uma ótima maneira de melhorar a força e a estabilidade.

Eles trabalham vários grupos musculares, das panturrilhas e quadríceps aos abdominais e glúteos. Mas pesquisas recentes sugerem que eles podem ter outro benefício mais surpreendente…

Agachamento e seu cérebro

O agachamento é um dos melhores exercícios para melhorar a função cerebral.

“Você não precisa ficar bufando e se esforçando muito na academia para atingir certas partes do cérebro”, explica o professor Damian Bailey, professor de fisiologia e bioquímica da Universidade de South Wales, no País de Gales (Reino Unido).

“Você pode fazer alguns pequenos exercícios legais que realmente não fazem parecer que você está se exercitando e que estimulam o cérebro de forma notável. É uma forma de se exercitar de maneira inteligente.”

Bailey descobriu que apenas três a cinco minutos, três vezes por semana, podem ser ainda melhores para o cérebro do que 30 minutos de exercícios como corrida ou caminhada.

Em um experimento, Bailey conectou um equipamento de medição de fluxo sanguíneo aos cérebros dos participantes enquanto faziam agachamentos.

Ele diz que o som do fluxo sanguíneo foi a primeira pista de por que os agachamentos podem estar tendo um efeito tão grande no cérebro.

“Eles não pareciam estar fazendo muito, mas era possível ouvir uma enorme quantidade de sangue movendo-se para o cérebro.”

Ao agachar, você move a cabeça para cima e para baixo contra a gravidade. Seus vasos sanguíneos tentam atenuar as mudanças na pressão sanguínea e agem como amortecedores para o cérebro.

Conforme você sobe e desce, o fluxo sanguíneo aumenta e diminui drasticamente. “É realmente notável”, declara Bailey.

Ele descobriu que esse tipo único de fluxo sanguíneo no cérebro era o responsável pelos benefícios.

O agachamento aumenta o fluxo sanguíneo para diferentes partes do cérebro, incluindo o hipocampo. Quando envelhecemos, o fluxo sanguíneo para o hipocampo diminui, e isso está ligado ao declínio cognitivo.

Libere os “bons soldados”

Os vasos sanguíneos estão longes de ser tubos inertes ou um tipo de encanamento.

Cada vaso sanguíneo tem sua própria camada interna viva que responde a mudanças a coisas como o fluxo sanguíneo e libera uma grande quantidade de produtos químicos.

À medida que seus vasos trabalham duro para manter o cérebro bem suprido de oxigênio, as células do revestimento interno vivo liberam boas moléculas que agem como fertilizantes para o cérebro.

Esses “bons soldados”, como Bailey os chama, se movem para o tecido cerebral e estimulam novas conexões, novos neurônios, novas células, trabalhando em última instância para torná-lo um pouco mais inteligente.

Em outras palavras, como diz Bailey, “os agachamentos podem levar ao crescimento de novas células cerebrais”.

Ao adicionar mais agachamentos em sua rotina, você pode maximizar a liberação desses bons soldados e levar ao crescimento de novas células cerebrais.

Nunca é tarde para começar

Se você não tem feito muito exercício, não se preocupe, porque aqueles que não estão em forma obtêm os maiores benefícios para o cérebro com esse exercício.

Isso porque seus cérebros não estão tão acostumados a amortecer as mudanças no fluxo sanguíneo. Quanto mais flutuações no fluxo sanguíneo, mais substâncias químicas boas são liberadas.

E há mais uma coisa que você pode fazer se quiser dar um passo adiante e realmente colocar esses bons soldados em ação…

Ouvir música, ler, concentrar-se em um podcast ou mesmo assistir TV enquanto faz os agachamentos pode otimizar o ganho.

“É o golpe duplo” – a mistura perfeita para manter os bons soldados em ação.

Então, tente adicionar algumas flexões ou agachamentos à sua rotina diária.

Para Bailey, a combinação perfeita são exercícios aeróbicos com exercícios de resistência.

Enquanto estiver fazendo isso, por que não tentar ouvir um podcast ou ler um livro? Seu cérebro certamente agradecerá por isso.

*Por Michael Mosley
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*Fonte: bbc-Brasil

Conexão super-sensível do cérebro causa nojo de alguns sons

Pesquisadores acabam de identificar uma conexão super-sensível do cérebro que causa nojo de certos sons como da mastigação.

A misofonia é uma reação intensa a certos sons. Em algumas pessoas, o barulho de mastigação ou de respiração, por exemplo, pode causar um intenso nojo ou irritação. Acontece que pesquisadores acabam de encontrar uma possível razão para essa condição: uma conexão super-sensível do cérebro.

Para testar a hipótese, pesquisadores analisaram ressonâncias magnéticas funcionais de 75 pessoas. Algumas tinham misofonia, algumas não. Esses pacientes então passaram por testes com sons-gatilho para a condição (como mastigação) e situações com nenhum som. Ademais, pesquisadores também expuseram os pacientes a sons que são desagradáveis mesmo para pessoas sem a condição (como gritos) e sons neutros como o barulho da chuva.

Os resultados mostraram, portanto, que uma conexão super-sensível ocorre nas pessoas com misofonia. Essa conexão acontece entre o córtex auditivo e o córtex orofacial, ou seja, entre centros auditivos ou motores. Além do mais, os autores identificaram uma conexão anormal entre o córtex motor e o visual, indicando que pessoas com misofonia podem ter também gatilhos visuais para a condição.

Por que essa conexão super-sensível gera reações estranhas?
O cérebro humano tem características de espelhamento de certos comportamentos. Ou seja, quando buscamos aprender algo, espelhamos os movimentos e reações de outra pessoa. Numa conversa, ademais, esse espelhamento pode aparecer quando uma pessoa concorda com a outra.

Contudo, os autores relatam que no caso da misofonia, esse espelhamento pode ficar sensível demais. Isso causa, então, uma sensação de invasão para o cérebro, que pode sentir uma gama de reações, como nojo ou irritação citados acima.

Aliás, uma das formas de combater a sensação da misofonia é justamente imitar o movimento da outra pessoa. Os mecanismos dessa reação, todavia, ainda são bastante obscuros.Assim, os autores e diversos outros pesquisadores ressaltam que novas pesquisas são necessárias para entender melhor o mecanismo de funcionamento da misofonia. No entanto, agora se sabe que esse distúrbio também tem uma correlação com a visão do indivíduo.

Os autores ressaltam ainda na pesquisa (publicada no periódico The Journal of Neuroscience) que a misofonia é mais que um distúrbio auditivo. Na verdade a doença tem, como mostrado, ua profunda relação com o sistema motor da face e certos movimentos que produzem os sons-gatilho.

*Por Matheus Marchetto

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*Fonte: socientifica

A conexão intestino-cérebro

Preste atenção à sua conexão intestino-cérebro – pode contribuir para seus problemas de ansiedade e digestão

A conexão intestino-cérebro não é brincadeira; pode vincular a ansiedade a problemas estomacais e vice-versa. Você já teve uma experiência “dolorosa”? Algumas situações fazem você se sentir enjoado? Você já sentiu “borboletas” no estômago? Usamos essas expressões por um motivo. O trato gastrointestinal é sensível à emoção. Raiva, ansiedade, tristeza, euforia – todos esses sentimentos (e outros) podem desencadear sintomas no intestino.

O cérebro tem um efeito direto no estômago e no intestino. Por exemplo, o próprio pensamento de comer pode liberar o suco do estômago antes que a comida chegue lá. Essa conexão é nos dois sentidos. Um intestino com problemas pode enviar sinais para o cérebro, assim como um cérebro com problemas pode enviar sinais para o intestino. Portanto, o estômago ou a angústia intestinal de uma pessoa podem ser a causa ou o produto da ansiedade, estresse ou depressão. Isso ocorre porque o cérebro e o sistema gastrointestinal (GI) estão intimamente conectados.

Isto é especialmente verdade nos casos em que uma pessoa experimenta distúrbios gastrointestinais sem causa física óbvia. Para esses distúrbios gastrointestinais funcionais, é difícil tentar curar um intestino angustiado sem considerar o papel do estresse e da emoção.

Saúde e ansiedade intestinais

Dada a proximidade com a qual o intestino e o cérebro interagem, fica mais fácil entender por que você pode sentir náuseas antes de fazer uma apresentação ou sentir dores intestinais durante períodos de estresse. Isso não significa, no entanto, que condições gastrointestinais funcionais sejam imaginadas ou “tudo na sua cabeça”.

A psicologia se combina com fatores físicos para causar dor e outros sintomas intestinais. Fatores psicossociais influenciam a fisiologia real do intestino, bem como os sintomas. Em outras palavras, o estresse (ou depressão ou outros fatores psicológicos) pode afetar os movimentos e as contrações do trato gastrointestinal, piorar a inflamação ou talvez torná-lo mais suscetível à infecção.

Além disso, pesquisas sugerem que algumas pessoas com distúrbios gastrointestinais funcionais percebem a dor de maneira mais aguda do que outras porque o cérebro é mais sensível aos sinais de dor do trato gastrointestinal. O estresse pode fazer com que a dor existente pareça ainda pior.

Com base nessas observações, você pode esperar que pelo menos alguns pacientes com condições gastrointestinais funcionais possam melhorar com a terapia para reduzir o estresse ou tratar a ansiedade ou a depressão. E com certeza, uma revisão de 13 estudos mostrou que os pacientes que tentaram abordagens psicológicas tiveram uma melhora maior em seus sintomas digestivos em comparação com os pacientes que receberam apenas tratamento médico convencional.

Conexão intestino-cérebro, ansiedade e digestão

Seus problemas estomacais ou intestinais – como azia, cólicas abdominais ou fezes moles – estão relacionados ao estresse? Observe estes outros sintomas comuns de estresse e discuta-os com seu médico. Juntos, você pode criar estratégias para ajudá-lo a lidar com os estressores de sua vida e também aliviar seus desconfortos digestivos.

Sintomas físicos

• Músculos rígidos ou tensos, especialmente no pescoço e ombros

• Dores de cabeça

• Problemas de sono

• Instabilidades ou tremores

• Perda recente de interesse em sexo

• Perda ou ganho de peso

• Inquietação

Sintomas comportamentais

• Procrastinação

• Ranger os dentes

• Dificuldade em concluir as tarefas de trabalho

• Alterações na quantidade de álcool ou comida que você consome

• Começar a fumar ou fumar mais do que o normal

•Ruminação (conversas frequentes ou meditação sobre situações estressantes)

Sintomas emocionais

• Choro

• Esmagadora sensação de tensão ou pressão

• Problemas para relaxar

• Nervosismo

• Mau humor

• Depressão

• Falta de concentração

• Problemas para lembrar coisas

• Perda de senso de humor

• Indecisão

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*Fonte: sabersaude

O que acontece em seu cérebro quando você ‘se perde’ na ficção

Se você se considera entre aqueles que se perdem na vida de personagens fictícios, os cientistas agora têm uma ideia melhor de como isso acontece.

Os pesquisadores descobriram que quanto mais as pessoas imersas tendem a se “tornar” um personagem fictício, mais elas usam a mesma parte do cérebro para pensar sobre o personagem e sobre si mesmas.

“Quando eles pensam sobre um personagem fictício favorito, parece semelhante em uma parte do cérebro como quando eles estão pensando em si mesmos”, disse Timothy Broom, principal autor do estudo e estudante de doutorado em psicologia na Universidade Estadual de Ohio.

O estudo foi publicado online recentemente na revista Social Cognitive and Affective Neuroscience .

O estudo envolveu escanear os cérebros de 19 fãs que se autodenominam da série da HBO “Game of Thrones” enquanto eles pensavam em si mesmos, nove de seus amigos e nove personagens da série. (Os personagens eram Bronn, Catelyn Stark, Cersei Lannister, Davos Seaworth, Jaime Lannister, Jon Snow, Petyr Baelish, Sandor Clegane e Ygritte.)

Os participantes relataram qual personagem de “Game of Thrones” eles se sentiram mais próximos e gostaram mais.

“Game of Thrones” foi uma série dramática de fantasia com duração de oito temporadas e sobre conflitos políticos e militares entre famílias governantes em dois continentes fictícios. Era ideal para este estudo, disse Broom, porque atraiu uma base de fãs devotados e o grande elenco apresentou uma variedade de personagens aos quais as pessoas poderiam se apegar.

Uma das principais descobertas envolveu os participantes do estudo que pontuaram mais alto no que é chamado de “identificação de traço”. Em um questionário que eles responderam como parte do estudo, esses participantes concordaram fortemente com afirmações como “Eu realmente me envolvo nos sentimentos dos personagens de um romance”.

“Pessoas com alto nível de identificação de traços não apenas são absorvidas por uma história, mas também são realmente absorvidas por um personagem em particular”, disse Broom. “Eles relatam coincidir com os pensamentos do personagem, eles estão pensando o que o personagem está pensando, eles estão sentindo o que o personagem está sentindo. Eles estão habitando o papel daquele personagem. ”

Para o estudo, os cérebros dos participantes foram escaneados em uma máquina de fMRI enquanto eles avaliavam a si mesmos, amigos e personagens de “Game of Thrones”. Um fMRI mede indiretamente a atividade em várias partes do cérebro por meio de pequenas mudanças no fluxo sanguíneo.

Os pesquisadores estavam particularmente interessados ​​no que estava acontecendo em uma parte do cérebro chamada córtex pré-frontal medial ventral (vMPFC), que mostra aumento da atividade quando as pessoas pensam sobre si mesmas e, em menor grau, quando pensam em amigos íntimos.

O processo foi simples. Enquanto no fMRI, os participantes viram uma série de nomes – às vezes eles próprios, às vezes um de seus nove amigos e outras vezes um dos nove personagens de “Game of Thrones”. Cada nome apareceu acima de uma característica, como solitário, triste, confiável ou inteligente.

Os participantes simplesmente disseram “sim” ou “não” se a característica descrevia a pessoa enquanto os pesquisadores mediam simultaneamente a atividade na porção vMPFC de seus cérebros.

Como esperado, o vMPFC foi mais ativo quando as pessoas estavam se avaliando, menos ativo quando avaliaram amigos e menos ativo quando avaliaram personagens de “Game of Thrones”.

Mas para aqueles que tinham alto índice de identificação de traços, o vMPFC foi mais ativo quando eles pensaram sobre os personagens fictícios do que para os participantes que se identificaram menos com os personagens. Essa área do cérebro ficou especialmente ativa quando eles avaliaram o caráter de quem se sentiam mais próximos e gostavam mais.

As descobertas ajudam a explicar como a ficção pode ter um impacto tão grande em algumas pessoas, disse Dylan Wanger, co-autor do estudo e professor assistente de psicologia no estado de Ohio.

“Para algumas pessoas, a ficção é uma chance de assumir novas identidades, de ver mundos através dos olhos dos outros e retornar dessas experiências mudadas”, disse Wagner.

“O que estudos anteriores descobriram é que quando as pessoas vivenciam as histórias como se fossem um dos personagens, uma conexão é feita com aquele personagem, e o personagem torna-se intimamente ligado a si mesmo. Em nosso estudo, vemos evidências disso em seus cérebros. ”

Robert Chavez, professor assistente de psicologia na Universidade de Oregon e ex-pesquisador de pós-doutorado no estado de Ohio, também foi coautor.

Fonte: Ohio State University

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*Fonte: revistasaberesaude

Os cientistas descobriram uma maneira de decodificar os sinais do cérebro em discurso

Você não precisa pensar muito a respeito: quando você fala, seu cérebro envia sinais aos lábios, língua, mandíbula e laringe, que trabalham juntos para produzir os sons pretendidos.

Agora, os cientistas em San Francisco dizem que utilizaram esses sinais cerebrais para criar um dispositivo capaz de emitir frases completas, como “Não lave a louça suja de Charlie” e “Equipamentos fundamentais precisam de manutenção adequada”.

A pesquisa é um passo em direção a um sistema que seria capaz de ajudar pessoas com paralisia severa a falar — e, talvez um dia, dispositivos disponibilizados para o comércio que permitem que qualquer pessoa envie um texto direto do cérebro.

Uma equipe liderada pelo neurocirurgião Edward Chang, da Universidade da Califórnia, em San Francisco, analisou o cérebro de cinco pessoas com epilepsia, que já estavam passando por uma cirurgia no cérebro, enquanto falavam frases de uma lista com 100 possibilidades.

Quando a equipe de Chang posteriormente adicionou os sinais em um modelo de computador do sistema vocal humano, ele gerou uma fala sintetizada que era quase inteligível.

Uma amostra da fala gerada pela decodificação dos sinais cerebrais de um paciente.

O dispositivo não capta pensamentos abstratos, mas identifica a ativação dos nervos enquanto dizem aos seus órgãos vocais para se moverem. Anteriormente, os pesquisadores usaram esses sinais motores de outras partes do cérebro para controlar braços robóticos.

“Estamos acessando as partes do cérebro que controlam esses movimentos — estamos tentando decodificá-los, em vez de falar diretamente”, diz Chang.

No experimento de Chang, os sinais foram registrados usando eletrodos flexíveis em um aparelho chamado matriz de eletrocorticografia, ou ECoG, que fica na superfície do cérebro.

Para testar o quão bem os sinais podem ser usados ​​para recriar o que os pacientes disseram, os pesquisadores apresentaram os resultados sintetizados para pessoas que trabalham no Mechanical Turk, um site colaborativo, que tentaram transcrevê-los usando um conjunto de palavras possíveis. Esses ouvintes conseguiam entender cerca de 50% a 70% das palavras, em média.

“Este é provavelmente o melhor trabalho que está sendo feito em BCI [interfaces cérebro-computador] no momento”, diz Andrew Schwartz, um pesquisador sobre essas tecnologias na Universidade de Pittsburgh. Ele diz que se os pesquisadores colocassem sondas dentro do tecido cerebral, não apenas sobre o cérebro, a precisão poderia ser muito maior.

Esforços anteriores procuraram reconstruir palavras ou sons de palavras a partir de sinais cerebrais. Em janeiro de 2019, por exemplo, pesquisadores da Universidade de Columbia mediram sinais na parte auditiva do cérebro enquanto os pacientes ouviam outra pessoa falar os números de 0 a 9. Eles foram então capazes de determinar qual número havia sido ouvido.

As BCI ainda não são avançadas o suficiente, nem simples o suficiente, para ajudar as pessoas que estão paralisadas, embora isso seja um objetivo dos cientistas.

Em 2018, outro pesquisador da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) começou a recrutar pessoas com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), ou doença de Lou Gehrig, para receber implantes de ECoG. Esse estudo tentará sintetizar a fala, de acordo com uma descrição do ensaio do teste, bem como solicitar aos pacientes que controlem um exoesqueleto que sustenta seus braços.

Chang diz que seu próprio sistema não está sendo testado em pacientes. E ainda não está claro se funcionaria para pessoas que não conseguem mover a boca. A equipe UCSF diz que seu dispositivo não funcionou tão bem quando eles pediram aos oradores que pronunciassem as palavras silenciosamente em vez de dizê-las em voz alta.

Algumas empresas do Vale do Silício disseram que esperam desenvolver leitores cerebrais comerciais de pensamento para texto. Uma delas, o Facebook, diz que está financiando pesquisas relacionadas na UCSF “para revelarem a primeira interface de fala silenciosa capaz de digitar 100 palavras por minuto”, segundo um porta-voz.

O Facebook não pagou pelo estudo atual e a UCSF se recusou a descrever que outras pesquisas estão fazendo em nome do gigante da mídia social. Mas o Facebook afirma ver que o sistema implantado é um passo em direção ao tipo de dispositivo de consumo que deseja criar.

“Este objetivo está bem alinhado com a missão da UCSF de desenvolver uma prótese de comunicação implantável para pessoas que não falam — uma missão que apoiamos. O Facebook não está desenvolvendo produtos que requerem dispositivos implantáveis, mas a pesquisa na UCSF pode fundamentar pesquisas em tecnologias não invasivas”, disse a empresa.

Chang diz que “não está ciente” de nenhuma tecnologia capaz de funcionar fora do cérebro, onde os sinais se misturam e se tornam difíceis de ler.

“O estudo que fizemos envolveu pessoas que passaram por uma neurocirurgia. Não temos realmente conhecimento da tecnologia não invasiva disponível atualmente que possa permitir que você faça isso sem precisar abrir a cabeça”, diz ele. “Acredite em mim, se existisse teria profundas aplicações médicas”.

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*Fonte:mittechreview

Elon Musk pretende transferir informações do cérebro para o computador

Há quatro anos, Elon Musk criou a empresa Neuralink com o objetivo ambicioso de criar uma interface cérebro-computador.

Essa conexão de largura de banda ultra-alta é vista por Musk como a única solução para combater o que ele acredita ser uma ameaça existencial para a humanidade. Tudo em que Neuralink tem trabalhado está em segredo e o site da empresa é atualmente apenas uma lista de empregos.

O objetivo da tecnologia também não é muito claro, com aplicações potenciais que vão desde conectar nossos cérebros à internet até usar inteligência artificial (IA) para aprimorar nossas habilidades cognitivas.

Transumanismo

Esta e outras tecnologias fazem parte de um movimento chamado “transumanismo”, que defende o uso da tecnologia e da inteligência artificial para melhorar a qualidade da vida humana.

Trata-se de usar a tecnologia para aprimorar nosso estado intelectual, físico e psicológico, por meio, por exemplo, do chamado “mind-upload”, expressão criada dentro dessa filosofia para se referir à transferência da mente humana para um computador.

Os cientistas dizem que copiar a mente de alguém, suas memórias e personalidade em um computador é possível, em teoria — mas o cérebro tem muitos mistérios. Ele têm 86 bilhões de neurônios, uma rede produzindo pensamentos via cargas elétricas.

Como um computador

Precisamos lembrar que a tecnologia que sustenta tudo está longe de estar pronta. Ler os sinais do cérebro em detalhes ainda requer cirurgia e a tecnologia assistiva usada para a comunicação do cérebro ainda é extremamente lenta em comparação com os meios tradicionais de comunicação.

Há muita pesquisa em tecnologia e o cérebro, com alguns grandes projetos recebendo investimentos, como a BRAIN Initiative nos EUA e o Human Brain Project na Europa.

Podemos não ser completamente ignorantes sobre como conectar computadores a nossos corpos, mas no caminho para a fusão com a IA, ainda temos um longo caminho a percorrer.

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*Fonte: ciencianautas

Esse truque psicológico vai hackear o seu cérebro para se livrar de hábitos ruins

Como os hábitos se formam no nosso cérebro? O processo envolve várias células e processos que levam a consolidação dos nossos rituais diários em rotinas. Cientistas da Dartmouth College (EUA) constataram que o corpo estriado dorsal do cérebro passa por uma curta explosão de atividade quando novos hábitos se formam.

De acordo com o estudo, publicado na revista científica Journal of Neuroscience, a explosão ocorre em cerca de meio segundo. Ao passo que o hábito ganha mais força, a explosão de atividade cerebral aumenta. Os cientistas de Dartmouth observaram que os hábitos podem ser controlados dependendo de quão ativo é o corpo estriado dorsal.

“Nossas descobertas ilustram como os hábitos podem ser controlados em uma pequena janela de tempo quando são colocados em movimento pela primeira vez. A força da atividade cerebral nesta janela determina se o comportamento completo se torna um hábito ou não”, afirmou o autor principal Kyle S. Smith, professor e diretor de estudos de pós-graduação no departamento de ciências psicológicas e cerebrais em Dartmouth, no resumo do artigo. “Os resultados demonstram como a atividade no corpo estriado dorsal, quando os hábitos são formados, realmente controla como os animais são habituais, fornecendo evidências de uma relação causal”.

Smith publicou anteriormente um estudo em que observou esta explosão na atividade cerebral no corpo estriado dorsal correlacionada com o hábito de um rato correr em um labirinto. (Os cérebros dos ratos são bons análogos aos humanos.) Nesta nova pesquisa os cientistas manipularam a explosão usando um método conhecido como optogenética, que consiste em uma luz azul intermitente excita as células cerebrais enquanto uma luz amarela intermitente inibe as células e as desliga.

Após os ratos serem treinados para correr em um labirinto, os pesquisadores estimularam as células em seu corpo estriado dorsal e fizeram que os animais corressem mais vigorosamente e com maior frequência por todo o labirinto. Ele não mais paravam no centro para avaliar os arredores. Em outro experimento os cientistas inibiram as células e os ratos se moviam lentamente. Aparentemente tinham perdido o hábito.

“Quando os pesquisadores aplicaram as manipulações de luz no meio das corridas em outro dia, o efeito foi pequeno”, segundo o informe. “Uma vez que os ratos já haviam colocado em movimento toda a sequência de comportamento — sequência de correr, virar e parar — esse hábito parecia ditar suas ações, como se estivessem no piloto automático.”

Um hábito fragmentado

Outra parte do mistério do hábito foi desvendado antes por pesquisadores MIT, que observaram o corpo estriado, situado nos gânglios da base, que tem um papel fundamental na criação do hábito, em especial nos casos de “fragmentação”, um hábito que é composto por várias pequenas ações. Como por exemplo, “pegando nossa escova de dente, espremendo a pasta de dente nela e, em seguida, levando a escova à boca.”

Neurônios do cérebro “disparam no início de uma rotina aprendida, ficam quietos enquanto ela é executada e disparam novamente quando a rotina termina”, afirma o informe. “Uma vez que esses padrões se formam, torna-se extremamente difícil quebrar o hábito.”

Ambas as pesquisas explicam como ocorre a formação de um hábito no cérebro, mas outra pesquisa da Duke University (EUA) observou que o interneurônio — um neurônio de pico rápido no corpo estriado — funciona como um “controlador mestre” dos nossos hábitos. Se ele for desligado os hábitos podem ser quebrados.

“Esta célula é relativamente rara, mas fortemente conectada aos principais neurônios que transmitem a mensagem de saída para esta região do cérebro”, afirmou Nicole Calakos, professora de neurologia e neurobiologia do Centro Médico da Universidade de Duke, no resumo do estudo. “Descobrimos que esta célula é uma controladora mestre do comportamento habitual e parece fazer isso reordenando a mensagem enviada pelos neurônios de saída.”

Compreender como se formam os hábitos no cérebro é importante para criarmos estratégias para alterá-los, afirmam os cientistas.

Como mudar os hábitos ruins

Caso queira mudar algum hábito ou criar algum novo como fazer exercícios ou se alimentar melhor temos uma boa notícia. O segredo, de acordo com estes cientistas, é a repetição.

No estudo os pesquisadores criaram ratos virtuais em simulações computadorizadas e mostraram que, para formar hábitos, a frequência da ação é mais importante do que a prazer que você tem com ela.

“Os psicólogos têm tentado entender o que impulsiona nossos hábitos há mais de um século, e uma das perguntas recorrentes é até que ponto os hábitos são produto do que queremos versus o que fazemos”, afirmou o Dr. Amitai Shenhav, co-autor da pesquisa e professor do departamento de ciências cognitivas, linguísticas e psicológicas da Brown University (EUA). “Nosso modelo ajuda a responder a isso, sugerindo que os próprios hábitos são um produto de nossas ações anteriores, mas em certas situações esses hábitos podem ser suplantados por nosso desejo de obter o melhor resultado.”

*Por Marcelo Ribeiro

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*Fonte: hypescience

Não acabem com a caligrafia: escrever à mão desenvolve o cérebro

As crianças que vivem no mundo dos teclados precisam aprender a antiquada caligrafia?

Há uma tendência a descartar a escrita à mão como uma habilidade que não é mais essencial, mesmo que os pesquisadores já tenham alertado para o fato de que aprender a escrever pode ser a chave para, bem, aprender a escrever.

E, além da conexão emocional que os adultos podem sentir com a maneira como aprendemos a escrever, existe um crescente número de pesquisas sobre o que o cérebro que se desenvolve normalmente aprende ao formar letras em uma página, sejam de forma ou cursivas.

Em um artigo publicado este ano no “The Journal of Learning Disabilities”, pesquisadores estudaram como a linguagem oral e escrita se relacionava com a atenção e com o que é chamado de habilidades de “função executiva” (como planejamento) em crianças do quarto ao nono ano, com e sem dificuldades de aprendizagem.

Virginia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington e principal autora do estudo, contou que a evidência dessa e de outras pesquisas sugere que “escrever à mão – formando letras – envolve a mente, e isso pode ajudar as crianças a prestar atenção à linguagem escrita”.

No ano passado, em um artigo no “Journal of Early Childhood Literacy”, Laura Dinehart, professora associada de Educação da Primeira Infância na Universidade Internacional da Flórida, discutiu várias possibilidades de associações entre boa caligrafia e desempenho acadêmico: crianças com boa escrita à mão são capazes de conseguir notas melhores porque seu trabalho é mais agradável para os professores lerem; as que têm dificuldades com a escrita podem achar que uma parte muito grande de sua atenção está sendo consumida pela produção de letras, e assim o conteúdo sofre.

Mas podemos realmente estimular o cérebro das crianças ao ajudá-las a formar letras com suas mãos?

Em uma população de crianças pobres, diz Laura, as que possuíam boa coordenação motora fina antes mesmo do jardim da infância se deram melhor mais tarde na escola.

Ela diz que mais pesquisas são necessárias sobre a escrita nos anos pré-escolares e sobre as maneiras para ajudar crianças pequenas a desenvolver as habilidades que precisam para realizar “tarefas complexas” que exigem coordenação de processos cognitivos, motores e neuromusculares.

Esse mito de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora simplesmente está errado. Usamos as partes motoras do nosso cérebro, o planejamento motor, o controle motor, mas muito mais importante é a região do órgão onde o visual e a linguagem se unem, os giros fusiformes, onde os estímulos visuais realmente se tornam letras e palavras escritas

Virginia Berninger

As pessoas precisam ver as letras “nos olhos da mente” para produzi-las na página, explica ela. A imagem do cérebro mostra que a ativação dessa região é diferente em crianças que têm problemas com a caligrafia.

Escaneamentos cerebrais funcionais de adultos mostram que uma rede cerebral característica é ativada quando eles leem, incluindo áreas que se relacionam com processos motores. Os cientistas inferiram que o processo cognitivo de ler pode estar conectado com o processo motor de formar letras.

Larin James, professora de Ciências Psicológicas e do Cérebro na Universidade de Indiana, escaneou o cérebro de crianças que ainda não sabiam caligrafia. “Seus cérebros não distinguiam as letras; elas respondiam às letras da mesma forma que respondiam a um triângulo”, conta ela.

Depois que as crianças aprenderam a escrever à mão, os padrões de ativação do cérebro em resposta às letras mostraram mais ativação daquela rede de leitura, incluindo os giros fusiformes, junto com o giro inferior frontal e regiões parietais posteriores do cérebro, que os adultos usam para processar a linguagem escrita – mesmo que as crianças ainda estivessem em um estágio muito inicial na caligrafia.

“As letras que elas produzem são muito bagunçadas e variáveis, e isso na verdade é bom para o modo como as crianças aprendem as coisas. Esse parece ser um dos grandes benefícios da escrita à mão”, conta Larin James.

Especialistas em caligrafia vêm lutando com a questão de se a letra cursiva confere habilidades e benefícios especiais, além dos fornecidos pela letra de forma. Virginia cita um estudo de 2015 que sugere que, começando por volta da quarta série, as habilidades com a letra cursiva ofereciam vantagens tanto na ortografia quanto na composição, talvez porque as linhas que conectam as letras ajudem as crianças a formar palavras.

Para crianças pequenas com desenvolvimento típico, digitar as letras não parece gerar a mesma ativação do cérebro. À medida que as pessoas crescem, claro, a maioria faz a transição para a escrita em teclados. No entanto, como muitos que ensinam na universidade, eu me questiono a respeito do uso de laptops em sala de aula, mais porque me preocupo com o fato de a atenção dos alunos estar vagando do que com promover a caligrafia. Ainda assim, estudos sobre anotações feitas à mão sugerem que “alunos de faculdade que escrevem em teclados estão menos propensos a se lembrar e a saber do conteúdo do que se anotassem à mão”, conta Laura Dinehart.

Virginia diz que a pesquisa sugere que crianças precisam de um treinamento introdutório em letras de forma, depois, mais dois anos de aprendizado e prática de letra cursiva, começando na terceira série, e então a atenção sistemática para a digitação.

Usar um teclado, e especialmente aprender as posições das letras sem olhar para as teclas, diz ela, pode muito bem aproveitar as fibras que se intercomunicam no cérebro, já que, ao contrário da caligrafia, as crianças vão usar as duas mãos para digitar.

O que estamos defendendo é ensinar as crianças a serem escritoras híbridas. Letra de forma primeiro para a leitura – isso se transfere para o melhor reconhecimento das letras –, depois cursiva para a ortografia e a composição. Então, no final da escola primária, digitação

Virginia Berninger

Como pediatra, acho que pode ser mais um caso em que deveríamos tomar cuidado para que a atração do mundo digital não leve embora experiências significativas que podem ter impacto real no desenvolvimento rápido do cérebro das crianças.

Dominar a caligrafia, mesmo com letras bagunçadas e tudo, é uma maneira de se apropriar da escrita de maneira profunda.

“Minha pesquisa global se concentra na maneira como o aprendizado e a interação com as palavras feitas com as próprias mãos têm um efeito realmente significativo em nossa cognição”, explica Larin James. “É sobre como a caligrafia muda o funcionamento do cérebro e pode alterar seu desenvolvimento.”

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*Fonte: contioutra

Como estamos gerando abundância em telecomunicações?

Em seu livro a “Singularidade está Próxima”, Raymond Kurzweil [1] apresenta uma série de figuras que mostram tendências exponenciais de crescimento para capacidade de memória em computadores (DRAM em bits por dólar), velocidade de relógio de microprocessador (GHz), transistores por chip, desempenho do processador em milhões de instruções por segundo (em Inglês, Million Instructions per Second – MIPS) e armazenamento magnético (em bits por dólar). Por exemplo, a redução na proporção do custo por MIPS é de cerca de 8 milhões para 1, de 1967 a 2004. No mesmo período, a memória melhorou aproximadamente 2.000 vezes. Roberto Saracco da TIM Itália [2], argumentou que os desenvolvimentos tecnológicos em armazenamento e processamento digital foram consistentes nos últimos anos. O número de terminais na Internet também está progredindo exponencialmente, pelo menos por enquanto. A computação de alto desempenho baseada em supercomputadores (ou agrupamentos de computadores) já atingiu petaflops (1015) operações de ponto flutuante por segundo e a evolução prossegue para exaflops (1018). Por exemplo, em junho de 2018 o supercomputador Summit construído pela IBM atingiu 122.3 petaflops com 4.536 núcleos de processamento.

No mesmo livro, Kurzweil explora qual seria o limite de computação da matéria. Segundo ele, estamos muito mais próximo do zero absoluto, do que do limite superior. Para ele, um limite superior da capacidade computacional que pode ser atingido sem gerar uma quantidade enorme de calor é da ordem de 1042 cálculos por segundo. Isso em um pedaço de matéria com aproximadamente 10 Kg. Para efeitos de comparação, Kurzweil determina que o cérebro humano é capaz de realizar aproximadamente 1016 cálculos por segundo. Segundo ele, as máquinas atingirão a capacidade computacional bruta do cérebro humano em 2029. Ou seja, em 10 anos. Imagine o que faremos com tanta capacidade computacional disponível a preços acessíveis? Reconstruiremos todos os modelos!

A tecnologia de visualização avançou enormemente nos últimos anos, permitindo melhorar a qualidade e telas maiores, melhorando substancialmente a qualidade da experiência e permitindo novas formas de interatividade digital. O avanço dos eletrônicos de consumo na forma de aparelhos eletrônicos, tais como laptops, HDTVs, e-books, videogames, GPS, etc., também apresenta um crescimento exponencial.

Outra tendência é o aumento da quantidade de dispositivos conectados à Internet. É a chamada Internet das Coisas (em Inglês, Internet of Things). Internet das coisas significa todas as coisas conectadas à Internet. Ou uma nova Internet com as coisas. Vai desde eletrodomésticos, automóveis, portões, válvulas de água, dispositivos para monitoramento da saúde, plantações, até equipamentos da indústria, etc. As previsões da quantidade de dispositivos conectados são sempre números enormes, na ordem de bilhões ou trilhões. Uma coisa é certa, se todas as coisas que conhecemos forem conectadas, os números serão realmente grandes. Primeiro vamos conectar o óbvio. Depois serão coisas impensáveis, como guarda-chuvas, pequenos implantes, carregadores de celular (se eles ainda existirem…). A Internet das coisas vai criar uma ponte extraordinária entre o mundo físico e o virtual.

Mais pesquisas estão sendo realizadas para encontrar maneiras de atender a esses requisitos de capacidade em várias partes da infraestrutura corrente de Tecnologias de Informação e Comunicações (TIC). No acesso móvel, a quinta geração de comunicações móveis (5G) está a caminho. Em acesso fixo, a tecnologia de fibra até a residência já é uma realidade, mesmo em cidades pequenas.

A evolução das redes de telecomunicações móveis está em vias de implantar o 5G. Diferentemente das gerações anteriores, o 5G não tem um foco único. Por exemplo no 4G, a principal demanda era o aumento de taxa nos dispositivos móveis. Já no 5G, esse requisito também existe, pois sempre queremos mais taxa. Entretanto, o 5G deve permitir o download de arquivos gigantes em pouquíssimo tempo. Ainda, o 5G deve ainda suportar cenário com baixo atraso de transferência de informação, como por exemplo carros autônomos, drones, telemedicina, realidade virtual. Deve ainda suporta o au- mento exponencial no número de dispositivos conectados à rede. O objetivo é conectar o mundo físico ao virtual, trazendo informações de todo o tipo de coisa conectada. É o suporte a Internet das coisas. Tudo conectado na Internet. De coisas com alguns metros até coisas muito pequenas, invisíveis. E uma quantidade gigantesca de coisas conectadas.

Essas demandas sem dúvida serão úteis ao Brasil. Entretanto, sabemos que o Brasil é um país continental tendo boa cobertura de conectividade nas grandes cidades. Porém, quanto mais para o interior pior a cobertura. Hoje existem no mundo 3,9 bilhões de pessoas sem acesso a Internet (fonte: ONU). Já sabemos que o acesso a Internet melhora a qualidade de vida das pessoas e a geração de receita. Destes 3,9 bilhões, 45% estão em uma categoria que tem interesse, até possuem recursos para pagar o acesso, mas não são atendidos por falta de cobertura. Existem ainda aqueles que não recursos, tem interesse, mas também não tem cobertura. Nesse contexto, a conectividade em áreas rurais se faz muito importante.

O Brasil tiraria gigantesco proveito do uso do 5G em área rural. Estudos mostram que o Brasil tem potencial para suprir 1/4 da demanda global de alimentos com apenas 3% da área global. Ou seja, temos um potencial gigante de ser o celeiro do mundo. Para tanto, devemos investir em tecnologias para o agrobusiness, para permitir a agricultura de precisão, que é aquela que otimiza todas as etapas da produção de alimentos. Nesse contexto, vários estudos mostram que o que falta é conectividade. 4G permite suprir essa demanda de forma limitada, com distâncias que varia de 10 km a 15 km. Já existem testes de conectividade 5G que permitem distâncias de até 50 km. Soma-se ainda a necessidade de inclusão digital das comunidades distantes das cidades, até mesmo em bairros que estão um pouco além desses 10 km.

Essas estimativas são importantes para caracterizar como a capacidade das tecnologias de computação, armazenamento, comunicação e visualização evoluirão nas próximas décadas. O que podemos esperar segundo a Lei dos Retornos Acelerados [1] é que essas capacidades dobrem a cada dois anos gerando uma abundância sem igual de tecnologia que irá desafiar todos os modelos estabelecidos. Abundância pode ser definida como sendo o contrário de escassez. Algo escasso é algo custoso, difícil de se obter. Já o avanço exponencial gera a abundância de recursos de TIC. Lembra quando uma linha telefônica custava um absurdo, o preço de um aluguel de um imóvel. Pois é.

Como resultado dos crescimentos exponenciais na quantidade de dispositivos, conectividade, interatividade e tráfego parece que temos um enorme desafio de escalabilidade. Como aumentar as capacidades para atender tanta demanda? A computação barata leva a mais e mais dispositivos com capacidade computacional. Se eles se conectarem à Internet (por exemplo, através de roupas, edifícios), poderão se tornar a maioria dos dispositivos conectados. Ambientes inteligentes podem emergir não só para melhorar a qualidade de nossas vidas, mas também podem produzir mais pressão na escalabilidade da rede. Mais onipresença leva a mais problemas de escalabilidade, principalmente em relação à identificação, localização, encaminhamento de informação, mobilidade, múltiplas presenças e outras questões técnicas.

[1] Ray Kurzweil. The Singularity Is Near: When Humans Transcend Biology. Penguin (Non-Classics), 2006. ISBN: 0143037889.
[2] Roberto Saracco. “Telecommunications Evolution: The Fabric of Ecosystems.” In:Revista Telecomunicações Inatel 12.2 (2009), pp. 36–45.

*Por Antônio Marcos Alberti

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*Fonte: engenhariae

Cientistas demonstram comunicação direta cérebro a cérebro em humanos

Uma nova pesquisa da Universidade de Washington e da Universidade Carnegie Mellon (EUA) desenvolveu uma tecnologia que substitui a linguagem como forma de comunicação, ligando diretamente os cérebros de três pessoas.

A atividade elétrica do cérebro de duas delas serviu como sinal para uma terceira completar uma tarefa, sem que elas tivessem contato umas com as outras.

“Internet de cérebros”

Esse não é o primeiro estudo que testa a comunicação direta entre cérebros.

Um dos pesquisadores líderes desse campo, Miguel Nicolelis, por exemplo, conduziu um experimento que ligou o cérebro de vários ratos criando uma rede ou um “computador orgânico” complexo. Os roedores tinham atividade cerebral sincronizada e se saíam melhor em tarefas do que animais individuais.

Será que o mesmo pode ser feito com seres humanos, ou seja, uma rede de cérebros conectados que funcionam como um supercomputador biológico?

O estudo

No novo estudo, três seres humanos em salas separadas colaboraram uns com os outros em jogo do tipo Tetris, no qual deveriam orientar os blocos para encaixá-los. Dois indivíduos agiam como “enviadores” de sinais (estes podiam ver o jogo), e um como “recebedor” (este só tinha que escolher a orientação).

Os “enviadores” estavam conectados à eletroencefalogramas (EEGs). Para passar a mensagem ao “recebedor” sobre a orientação do bloco, focavam em um flash de luz a determinada frequência. As diferenças nas frequências causavam diferentes respostas cerebrais.

Um pulso magnético era enviado ao “recebedor” usando estimulação magnética transcraniana (EMT). Dependendo do sinal, ele virava ou não o bloco. A partir desse momento, todos viam o resultado do jogo, o que deixava os “enviadores” saberem se o “recebedor” fez o movimento certo, medindo assim a eficácia da comunicação. O trio podia em seguida podia tentar melhorar sua performance.

Para aumentar o desafio, os pesquisadores às vezes adicionavam alguma “interferência” ao sinal enviado pelos “enviadores”. Nesse caso, os “recebedores” ficavam confusos com as informações ambíguas. Rapidamente, no entanto, eles aprendiam a identificar e seguir as instruções mais confiáveis.

Ao todo, cinco grupos de indivíduos foram testados na rede chamada de “BrainNet,” e tiveram mais de 80% de eficácia em completar a tarefa.

Avanços

Esse é o primeiro estudo no qual os cérebros de vários indivíduos foram conectados diretamente de uma forma não invasiva. A quantidade de pessoas que podem ser “ligadas cerebralmente” dessa forma é ilimitada.

Apesar disso, a informação sendo compartilhada era muito simples: uma instrução do tipo “fazer ou não fazer”, ou seja, “sim ou não”.

Ao mesmo tempo, outras interfaces cérebro-cérebro mais invasivas estão sendo desenvolvidas, como uma patrocinada pelo bilionário do mundo tecnológico Elon Musk, contendo um implante com 3.000 eletrodos, e outra financiada pela DARPA (a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA), uma tecnologia capaz de acionar um milhão de células neurais simultaneamente.

Questões éticas

Apesar deste estudo ser menos invasivo que outros como o da DARPA, também levanta preocupantes questões éticas.

Por exemplo, poderia uma interface ou rede cerebral deste tipo ser usada para coagir uma pessoa a fazer algo que não queira, invadindo o seu senso de agência? Poderia ser usada para extrair informações confidenciais, invadindo a privacidade do indivíduo? De forma geral, poderia atrapalhar o senso pessoal (senso do “eu”) de um ser humano?

Uma das nuances da linguagem humana é que aquilo que não é dito é frequentemente mais importante do que aquilo que é dito. Se tais redes se tornarem comuns e permitirem toda uma “abertura” descontrolada de pensamentos e trocas de informações, talvez os benefícios se mostrem menores do que os prejuízos: é o nosso senso de autonomia individual que pode estar jogo.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Nature. [ScientificAmerican]

*Por Natasha Romanzoti

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*Fonte: hypescience

É possível regenerar os neurônios: cinco hábitos que podem ajudar

A neurogênese não é um mito: como e em que idades acontece

Durante décadas, foi uma verdade assumida por todos: o ser humano nasce com um número finito de neurônios que vão se degradando e jamais são substituídos. Fim. A vida ofertava a cada indivíduo um pacote fechado dessas células, que deviam ser cuidadas com responsabilidade. Mas nenhuma verdade é absoluta: a ciência se encarregou de comprovar que a geração de neurônios também é uma realidade em outras idades e momentos do ciclo vital, não só durante a fase embrionária. É o processo conhecido como neurogênese adulta; o cérebro fabrica novos neurônios que completam os que cada um desenvolveu pela fusão do espermatozoide e do óvulo dos pais. E as põe para funcionar.

Mas a mudança de paradigma não se restringe ao fato de que esta nova verdade já esteja comprovada. Alguns estudos apontam que esses processos de neurogênese adulta podem criar, podendo precipitar e reforçar os neurônios, que assumem uma série de práticas relacionadas aos hábitos e às rotinas. Por mais que haja opiniões concordantes sobre quando, por que e com que intensidade esses processos de produção são deflagrados, dezenas de pesquisadores comprovaram que a dieta, os exercícios físicos e até a prática de sexo permitem fomentar a neurogênese e dar uma mão para o sacrificado cérebro. Sempre diligente. Sempre funcionando. E crucial para viver mais e melhor.

1.400 novos por dia

Este é o número quantificado por uma equipe de especialistas no Instituto Médico Karolisnka, na Suécia, que analisou a concentração de carbono 14 no DNA dos neurônios presentes no hipocampo de pessoas mortas. Com seu estudo, publicado pela revista Cell, constatou-se que “os neurônios se regeneram também durante a idade adulta e isso pode contribuir para o bom funcionamento do cérebro”.

Mas eles vão além. Os autores adiantam que esses novos neurônios podem ter um valor fundamental para futuras pesquisas relacionadas ao tratamento de doenças neurodegenerativas. “Conhecer essa realidade cria uma expectativa. Abre-se a porta para desenvolver tratamentos diversos que promovam essa geração”, afirma Pablo Irimia, neurologista da Clínica Universidade de Navarra, na Espanha. Afirma, porém, que esses processos de neurogênese adulta têm um papel limitado, incapaz de corrigir lesões cerebrais sérias, e que vão esgotando seu efeito com a idade, mas que “nos dão pistas de que existe a possibilidade de induzir a aparição de neurônios por meio de fármacos e tratamentos concretos”.

Outros especialistas restringem, porém, esses pontos intensos de neurogênese adulta aos primeiros anos de vida, até os sete anos. Durante essa primeira etapa, o padrão genético herdado dos pais é somado a outros neurônios que estabelecem novas redes e circuitos simpáticos, responsáveis pela aquisição de novas habilidades. Mas a aprendizagem permite trabalhar a plasticidade sináptica, a conexão neuronal. E também é importante cuidar deles. O álcool e as drogas matam os neurônios e alteram a plasticidade sináptica. E o tabaco, a poluição e qualquer elemento que afete negativamente o sistema nervoso. E também a falta de exercício mental e a solidão. Por que os neurônios também morrem por inatividade.

Mas vários estudos se encarregaram de estabelecer pautas e mecanismos para promover a neurogênese adulta. Muitos pesquisadores tentaram determinar quais são os processos para estimular a criação de novos neurônios. E os transformaram em conselhos, em boas práticas para ajudar o cérebro em sua tarefa silenciosa. Como? Aparentemente, é mais fácil do que se imagina.

5 hábitos que promovem a criação de neurônios

Sandrine Thuret, neurocientista do King’s College de Londres, é uma das principais pesquisadores da neurogênese no mundo. Ela afirma com contundência que o hipocampo continua gerando neurônios fundamentais para os processos de aprendizagem e memória durante toda a vida. Thuret também aponta, em seus estudos, que esses processos podem ser reforçados adotando-se hábitos de vida saudáveis. E suas conclusões batem com as de outras muitas análises que aprofundam esses temas:

1. Exercício aeróbico. Cientistas da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, descobriram que é uma das técnicas mais adequadas para aumentar a neurogênese. A corrida ou os exercícios de resistência se revelam uma prática adequada, mas é suficiente “caminhar a bom ritmo cinco vezes por semana”, segundo Pablo Irimia.

2. Alimentação. Apostar na dieta mediterrânea e em planos hipocalóricos parece ser, de novo, a decisão mais acertada. Outros estudos, porém, dão um passo além, falando dos flavonoides como alimentos que propiciam a neurogênese adulta. Chá verde, uvas roxas e, sem dúvida, alimentos ricos em antioxidantes devem ser incluídos na dieta habitual por seus efeitos positivos para evitar a degeneração celular.

3. Sexo. O estudo publicado pela US National Library of Medicine comprovou que o hipocampo produz neurônios novos quando o corpo fica exposto à prática do sexo de forma continuada, melhorando assim a função cognitiva. Mas avisam: “A experiência sexual repetida pode estimular a neurogênese adulta desde que esta persista no tempo”. Cabe a cada um estabelecer os horários.

4. Estresse e ansiedade sob controle. É também fator determinante para o correto funcionamento do cérebro, para a manutenção da plasticidade neuronal e para o fomento de processos de neurogênese mais relevantes. Assim, cientistas da Universidade de Oregon apontam que a meditação, entendida como um exercício que controla e elimina a tensão, é uma prática que desencadeia a geração de novos neurônios em idade adulta. Em conclusão: alguns minutos por dia para deixar a mente em branco ajudarão o cérebro tanto em curto como em médio e longo prazos.

5. Mente sempre ativa. Trata-se, talvez, do conselho mais relevante: “A aprendizagem gera conexões entre as diferentes regiões do cérebro e por isso é fundamental para que este possa evitar sua deterioração”, explica o neurologista Irimia, que acrescenta: “Não se trata unicamente de ler muito, mas também de manter uma interação social habitual e estimular constantemente o cérebro”.

O cérebro é a cada dia um pouco menos insondável. Centenas de cientistas se ocupam dele, lutando para desentranhar seus segredos e tentar entendê-lo para cuidar melhor dele. Qual será o próximo mistério a desvendar, o próximo mito a derrubar? Quem sabe? Mas o que é certo é que ainda resta muito a conhecer. E que nossos cérebros precisam estar preparados para compreender tudo aquilo que ainda hoje eles mesmos escondem.

*Por Alejandro Tovar

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*Fonte: elpais-brasil

Quanto tempo você acha que seu cérebro leva para reconhecer uma música? Errou!

Quanto tempo você acha que seu cérebro demora para reconhecer uma música familiar? Já adianto: é menos do que você espera.

Imagino que você pensa que leva alguns segundos ouvindo aquela canção que você adora no rádio para saber de qual se trata, mas, na verdade, segundo um estudo da Universidade College London (Reino Unido), seu cérebro precisa de menos de um único segundo.

Metodologia

Cinco homens e cinco mulheres participaram do estudo. Cada um informou cinco músicas familiares a eles.

Os pesquisadores, em seguida, escolheram uma das músicas para cada participantes, bem como procuraram uma segunda canção similar em ritmo, melodia, harmonia, vocais e instrumentação que não fosse familiar aos indivíduos.

Na próxima etapa, os participantes escutaram 100 pedaços de canções familiares e não familiares com menos de um segundo, em ordem aleatória.

Para medir sua resposta aos trechos, os cientistas utilizaram eletroencefalografia, que registra a atividade elétrica do cérebro, bem pupilometria, uma técnica que mede o diâmetro da pupila e é uma medida conhecida do nível de excitação de um indivíduo.

Resultados

As medidas indicaram que o cérebro humano precisa de apenas 100 microssegundos de som para reconhecer uma música familiar.

O tempo médio de reconhecimento foi de 100 a 300 microssegundos, conforme revelado pela dilatação rápida da pupila (ligada à excitação de ouvir uma canção conhecida) e pela ativação cortical do cérebro (área relacionada à memória).

Um grupo de controle de estudantes internacionais que não conhecia nenhuma das canções tocadas mostrou que não houve diferenças entre os trechos que eles ouviram, confirmando os resultados.

“Nossos resultados demonstram que o reconhecimento de músicas familiares acontece notavelmente rapidamente. Essas descobertas apontam para circuitos temporais muito rápidos e são consistentes com o domínio profundo que peças de música altamente familiares têm em nossa memória”, conclui a principal autora do estudo, a professora do Instituto do Ouvido da Universidade College London Maria Chait. [SciNews]

*Por Natasha Romanzoti

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*Fonte:

7 coisas incríveis que o seu cérebro é capaz de fazer e você não sabia

O cérebro é, de longe, a parte mais importante do corpo humano. Não desmerecendo os outros órgãos, afinal cada um deles tem a sua função e precisamos de todos eles para sobreviver. Contudo, o cérebro humano é algo particular. Foram anos de estudos que nos proporcionaram uma boa compreensão sobre as funções de quase todas as partes do nosso corpo. Mas, no caso dele, o cérebro, quanto mais tentamos entendê-lo, mais complexo ele fica. Não é por acaso que exista um campo científico completo dedicado ao estudo do cérebro, a chamada Neurociência.

Com o avanço tecnológico e aprimoramento das ferramentas científicas, obtemos uma visão mais aprofundada do funcionamento interno desse órgão tão vital. Com isso, descobrimos coisas que vão além do que pensávamos anteriormente. E tivemos certeza de que o cérebro é muito mais complexo do que imaginamos. Isso levando em consideração apenas o que já sabemos sobre ele, e com certeza, ainda resta muito o que descobrir. Confira a seguir, algumas coisas realmente incríveis que o seu cérebro é capaz de fazer e que você nem sabia.

1 – Despertar naturalmente

Você, muito provavelmente, já ouviu alguém dizer que não precisa de despertador porque consegue acordar na hora certa sem nenhum estímulo exterior. Esse não é o caso de muita gente que, mesmo com o despertador, acaba perdendo a hora. Mas, na verdade, essa afirmação é verdadeira. O despertador natural do corpo é tão real quanto eficiente, e até melhor do que qualquer alarme convencional.

Contando que a pessoa tenha um horário de sono regular, o despertador natural do corpo funciona muito bem, acordando a pessoa antes do tempo estipulado. Segundo um estudo, isso acontece graças aos hormônios do estresse que são liberados pelo cérebro algumas horas antes do horário de acordar. Eles possibilitam que você acorde naturalmente sem a interferência de um despertador real. E para calibrar esse despertador natural, basta seguir uma rotina de sono, e com o tempo, o seu corpo se acostumará a acordar na hora certa. E você nunca mais precisará ter o seu sono interrompido abruptamente.

2 – Aprender durante o sono

Vemos o sono como um momento de paralisação parcial do cérebro. E de fato é isso mesmo que acontece quando estamos dormindo. Então, não é de se esperar que o cérebro desempenhe as suas funções regulares enquanto estamos descansando. Quem diria que as habilidades de codificar informações ainda funcionariam durante o sono? Mas, surpreendentemente, o nosso cérebro é capaz de fazer isso. Porém, essa habilidade de aprendizagem só é possível ocorrer durante a fase mais profunda do sono. Os seres humanos conseguem reconhecer os padrões de som ouvidos durante a fase Rem do sono. Ou seja, até dormindo, o ser humano é capaz de codificar informações e aprender.

3 – Aprender a tocar piano com prática imaginária

Todo mundo sabe que, para treinar o seu cérebro para conseguir algo, você deve praticar a atividade em questão. Seja aprendendo um novo idioma ou tocando um instrumento. De acordo com a ciência, a prática imaginária pode ser tão eficiente quanto a prática real. Pelo menos, quando se tratar de aprender a tocar piano. Exemplo disso é um estudo realizado pelo prêmio Nobel, Santiago Ramon y Cajal.

Em 1904, o cientista fez um experimento nada convencional. Ele lecionou lições básicas de piano para dois grupos de pessoas que não tinham nenhuma experiência com o instrumento. O primeiro grupo foi ensinado no piano de verdade. Já o segundo grupo tinha apenas que mover os dedos de acordo com o som das notas. Por fim, Cajal descobriu que ambos os grupos aprenderam a tocar a sequência que ele lhes ensinou. E o nível de habilidade entre os dois grupos foi igualmente satisfatório. No final da década de 1990, esse mesmo estudo foi replicado por outros cientistas. E para a surpresa de todos, a prática imaginária teve o mesmo impacto no cérebro do que a coisa real.

4 – Julgar as pessoas rapidamente

Quando vemos uma pessoa pela primeira vez, impensadamente criamos uma impressão mental sobre ela, com base nas principais pistas visuais. Enquanto você está ocupado fazendo isso, o seu cérebro já criou um perfil subconsciente da pessoa bem antes de você formular isso na sua cabeça. Um estudo mostrou que o cérebro humano é incrivelmente veloz para fazer julgamentos sobre outras pessoas. E todo o processo leva apenas 0,1 segundos. E o melhor, esses julgamentos se mostram bastante corretos, principalmente quando se trata de sexualidade, competência profissional e visão política. Porém, quando você começa a pensar de forma objetiva, você anula os julgamentos do cérebro e se mistura com estereótipos, que muitas vezes são incorretos.

5 – Modo piloto automático

Já pensou no quão legal seria apenas se afastar por um instante e deixar o seu corpo agir? Pois é, igual a um piloto automático. Surpreendentemente, o cérebro não apenas tem um modo automático, como também é muito melhor em determinadas atividades do que a parte ativa do cérebro. Estudos já mostram que, quando você fica muito bom em alguma coisa, o seu cérebro transfere o processamento dessa atividade para uma região separa do cérebro. A chamada rede de modo padrão (DMN) é a região do cérebro que lida com o processamento subconsciente.

Isso não é totalmente uma novidade, já que usamos essa parte do cérebro para fazer coisas comuns do dia a dia, como ligar o carro ou amarrar os nossos sapatos. Mas estudos já demonstram que essa parte funciona também com tarefas mais complexas.

6 – Prever o futuro

Nos últimos anos, a ciência fez algumas importantes descobertas sobre o nosso cérebro, uma dela é a capacidade do órgão de prever o futuro. Mas calma, não estamos falando de prever o futuro, tipo quais os números serão sorteados na loteria. Em um estudo, pesquisadores descobriram um fato curioso. Devido ao atraso na informação do olho diretamente para o cérebro, ele naturalmente faz as suas previsões do que acontecerá a seguir. Por exemplo, a trajetória de uma bola em sua direção, o cérebro se prepara para desviar antes mesmo que possamos conscientemente ver isso. Ou seja, em essência, estamos sempre de olho no futuro, prevendo subconscientemente eventos ameaçadores.

7 – Consciência de todos os ângulos

O ser humano é capaz de observar todos os 360 graus ao nosso redor. Isso mesmo, quase como um “sexto sentido” que nos alerta quando alguém está nos observando por trás. Enquanto os nossos olhos parecem limitados pelo campo de visão se comparados aos de outros animais, o nosso cérebro não precisa necessariamente olhar para trás. Nossos outros sentidos, principalmente a audição, são bastante precisos na hora de detectar até mesmo a menor mudança em nosso ambiente. Isso acontece principalmente em áreas em que não podemos ver. Com isso, o nosso cérebro recebe uma “visão” bastante precisa de todos os ângulos ao nosso redor. Isso sem necessariamente estar no alcance dos olhos.

*Por Cristyele Oliveira

 

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*Fonte: fatosdesconhecidos

Cérebro humano ligado a um computador? Elon Musk está investindo nisso

Elon Musk compartilhou os planos da Neuralink, empresa que apoia na investigação de tecnologia de interfaces capazes de ligar diretamente o cérebro ao computador.

O empresário pretende mais uma vez dar um novo salto tecnológico e tornar as ideias reais, como reporta o New York Times e a Bloomberg, que tiveram acesso a um briefing com um ponto de situação dos projetos. Em maio, Musk já tinha falado que ia “haver alguma coisa notável para anunciar nos próximos meses“.

Entender e controlar o cérebro humano parece ser cada vez mais a ambição do próprio homem. Um dos projetos do magnata norte-americano é a introdução de implantes no interior do cérebro humano. Segundo a reportagem, estão a ser testados em ratos cerca de 1.500 elétrodos que, embora não haja certezas de que possam funcionar com os humanos, há esperança da tecnologia poder ajudar pessoas com problemas de amputação, assim como restaurar a capacidade de ver, falar e ouvir.

A ideia de Elon Musk é ligar o cérebro diretamente ao computador para dar mais um passo seguinte na investigação da inteligência artificial.

Uma das principais revelações é que o início dos testes com humanos será no segundo trimestre do próximo ano. O que se pretende inserir no cérebro tratam-se de pequenos fios flexíveis que têm cerca de um quarto do diâmetro do cabelo humano. Serão utilizadas agulhas para evitar os vasos sanguíneos na superfície do cérebro.

*Por Any Karolyne Galdino

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*Fonte: engenhariae

Como a exposição ao silêncio pode beneficiar o seu cérebro (e a sua saúde)

Nos últimos anos, os pesquisadores têm destacado o poder peculiar do silêncio para acalmar nossos corpos, aumentar o volume em nossos pensamentos internos e sintonizar nossa conexão com o mundo. Suas descobertas começam em pesquisas sobre o contrário do silêncio – o barulho.

Muito já se escreveu sobre a “poluição sonora”, uma expressão criada na década de 1960, quando os cientistas descobriram que a exposição diária ao barulho intenso das estradas e aeroportos estava ligada a uma variedade de problemas de saúde: doenças cardíacas, problemas de sono, pressão alta e, menos surpreendentemente, perda auditiva. Os sons podem ser tão intensos que podem até causar danos muito mais imediatos, forte o suficiente para rasgar um buraco em seus tímpanos.

Se a exposição excessiva a sons altos é ruim para nós, a falta de som significa a falta de danos físicos causados pela poluição sonora. O silêncio é neutro. Segundo um artigo de Daniel Gross publicado na revista Nautilus, diversas pesquisas recentes sugerem que a exposição prolongada e repetida ao silêncio pode resultar em saúde melhorada, assim como a exposição prolongada e repetida ao ruído pode debilitá-la.

Estudos de fisiologia humana ajudam a explicar: as ondas sonoras vibram os ossos da orelha, que transmitem o movimento para a cóclea em forma de caracol. A cóclea converte as vibrações físicas em sinais elétricos que o cérebro recebe. O corpo reage imediatamente e poderosamente a esses sinais, mesmo no meio do sono profundo. Pesquisas neurofisiológicas sugerem que os ruídos ativam primeiramente a amígdala cerebeloza, aglomerados de neurônios localizados nos lobos temporais do cérebro, associados à formação de memória e à emoção. A ativação solicita uma liberação imediata de hormônios do estresse, como o cortisol.

Pessoas que vivem em ambientes barulhentos, muitas vezes experimentam níveis cronicamente elevados de hormônios do estresse.

Em 2011, a Organização Mundial de Saúde concluiu que os 340 milhões de habitantes da Europa Ocidental – aproximadamente a mesma população dos Estados Unidos – perderam anualmente um milhão de anos de vida saudável por causa do ruído. Eles até argumentaram que três mil mortes por doenças cardíacas eram, em sua raiz, o resultado de ruído excessivo.

Então, a primeira conclusão é que o silêncio é bom pelo o que ele não faz – não acorda, não nos irrita ou não nos mata. Mas quais seriam então seus benefícios pelo que faz?

O artigo de Gross cita algumas pesquisas com interessantes revelações e a maioria delas foi descoberta por acaso, como no caso do pesquisador Luciano Bernardi que realizava um estudo dos efeitos fisiológicos da música em 2006. Bernardi queria mostrar o impacto da música relaxante no cérebro, e, para sua surpresa, descobriu que entre as faixas musicais, em trechos de silêncio inseridos aleatoriamente revelaram-se muito mais relaxantes do que a música “relaxante”. As pausas em branco que Bernardi considerava irrelevantes, em outras palavras, tornou-se o objeto de estudo mais interessante.

Outra pesquisadora citada no artigo que analisou esta questão foi a bióloga regenerativa da Universidade Duke, Imke Kirste. Em 2013, ela estudava os efeitos dos sons no cérebro de ratos adultos. Como Bernardi, ela pensou no silêncio como um controle que não produziria um efeito. Mas para sua grande surpresa, Kirste descobriu que duas horas de silêncio por dia levaram ao desenvolvimento celular no hipocampo, a região do cérebro relacionada à formação da memória, envolvendo os sentidos. Isso era profundamente intrigante: a ausência total de insumos estava tendo um efeito mais pronunciado do que qualquer tipo de entrada testada.

O crescimento de novas células no cérebro nem sempre tem benefícios para a saúde. Mas, neste caso, Kirste diz que as células pareciam se tornar neurônios funcionais. “Vimos que o silêncio está realmente ajudando as novas células geradas a se diferenciar em neurônios, e se integrar no sistema”.

Imagine, por exemplo, que você está ouvindo uma música que gosta muito quando o rádio de repente desliga. Neurologistas descobriram que se você conhece bem a música, o córtex auditivo do seu cérebro permanece ativo, como se a música ainda estivesse tocando. “O que você está ‘ouvindo’ não está sendo gerado pelo mundo exterior”, diz David Kraemer, que conduziu esses tipos de experimentos em seu laboratório de Dartmouth College. “Você está recuperando uma memória”. Os sons nem sempre são responsáveis pelas sensações, às vezes nossas sensações subjetivas são responsáveis pela ilusão do som.

Alguns cientistas esperam que essas descobertas possam conduzir a tratamentos potenciais para pessoas com distúrbios associados ao abrandamento do crescimento celular no hipocampo, como demência ou depressão. Mas até agora, pelo menos, a neurociência do silêncio parece sugerir isso: para o cérebro, o silêncio faz bem.

Uma maneira de aproveitar o silêncio é através da prática do tradicional banho de floresta japônes (shinrin-yoku), que traz divesros benefícios à saúde, veja aqui. Um outro estudo também avaliou que sentir o cheiro da naturza reduz estresse e doenças, veja aqui.

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*Fonte: ciclovivo

Exercitar as pernas é fundamental para a saúde do cérebro e do sistema nervoso

Pesquisas inovadoras mostram que a saúde neurológica depende tanto dos sinais enviados pelos grandes músculos das pernas do corpo para o cérebro quanto das diretivas do cérebro para os músculos.

Publicado em Frontiers in Neuroscience, o estudo altera fundamentalmente a medicina do cérebro e do sistema nervoso – dando aos médicos novas pistas de porque pacientes com doença dos neurônios motores, esclerose múltipla, atrofia muscular espinhal e outras doenças neurológicas frequentemente declinam rapidamente quando seu movimento se torna limitado.

“Nosso estudo apóia a noção de que pessoas incapazes de realizar exercícios de suporte de carga – como pacientes acamados ou até mesmo astronautas em viagens prolongadas – não apenas perdem massa muscular, mas sua química corporal é alterada em nível celular e até mesmo seu sistema nervoso é prejudicado”, diz o Dr. Raffaella Adami da Università degli Studi di Milano, Itália.

O estudo envolveu restringir camundongos de usar suas patas traseiras, mas não as pernas da frente, durante um período de 28 dias. Os ratos continuaram a comer e se arrumar normalmente e não apresentaram estresse. No final do estudo, os pesquisadores examinaram uma área do cérebro chamada zona sub-ventricular, que em muitos mamíferos tem o papel de manter a saúde das células nervosas. É também a área onde as células-tronco neurais produzem novos neurônios.

A limitação da atividade física diminuiu o número de células-tronco neurais em 70% em comparação com um grupo controlado de camundongos, que foram autorizados a vagar. Além disso, tanto os neurônios quanto os oligodendrócitos – células especializadas que suportam e isolam as células nervosas – não amadureceram completamente quando o exercício foi severamente reduzido.

A pesquisa mostra que o uso das pernas, particularmente no exercício de sustentação de peso, envia sinais ao cérebro que são vitais para a produção de células neuronais saudáveis, essenciais para o cérebro e o sistema nervoso. Reduzir o exercício físico torna difícil para o corpo produzir novas células nervosas – alguns dos blocos de construção que nos permitem lidar com o estresse e se adaptar ao desafio em nossas vidas.

“Não é por acaso que estamos destinados a ser ativos: caminhar, correr, agachar-se para sentar e usar os músculos das pernas para erguer as coisas”, diz Adami. “A saúde neurológica não é uma rua de mão única com o cérebro dizendo que os músculos levantem, andem e assim por diante.”

Os pesquisadores ganharam mais conhecimento analisando células individuais. Eles descobriram que restringir o exercício reduz a quantidade de oxigênio no corpo, o que cria um ambiente anaeróbico e altera o metabolismo. O exercício de redução também parece impactar dois genes, um dos quais, o CDK5Rap1, é muito importante para a saúde da mitocôndria – a usina celular que libera energia que o corpo pode usar. Isso representa outro ciclo de feedback.

Esses resultados lançam luz sobre vários problemas importantes de saúde, que vão desde preocupações com impactos cardiovasculares como resultado de estilos de vida sedentários até insights sobre doenças devastadoras, como atrofia muscular espinhal (AME), esclerose múltipla e doença do neurônio motor, entre outras.

“Eu tenho interesse em doenças neurológicas desde 2004”, diz o co-autor Dr. Daniele Bottai, também da Università degli Studi di Milano. “A pergunta que me fiz foi: é o resultado dessas doenças devido exclusivamente às lesões que se formam na medula espinhal no caso de lesão medular e mutação genética no caso da SMA, ou é a menor capacidade de movimento de fator crítico que exacerba a doença?”

Esta pesquisa demonstra o papel crítico do movimento e tem uma gama de implicações potenciais. Por exemplo, missões para enviar astronautas ao espaço por meses ou mesmo anos devem ter em mente que a gravidade e o exercício de carga desempenham um papel importante na manutenção da saúde humana, dizem os pesquisadores.

“Pode-se dizer que nossa saúde está fundamentada na Terra de maneira que estamos apenas começando a entender”, conclui Bottai. [Technology Networks]

 

 

 

 

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*Fonte: socientifica

Cérebro de 3 pessoas foram conectados permitindo que compartilhassem pensamentos

Neurocientistas ligaram com sucesso uma conexão cerebral de três vias para permitir que três pessoas compartilhassem seus pensamentos. A equipe de cientistas acredita que a pesquisa pode ser ampliada para conectar redes inteiras de pessoas, mesmo que isso soe algo tão estranho quanto disseram há décadas que um dia nós estaríamos conectados por uma rede virtual – a internet.

A técnica funciona com a combinação de Eletroencefalograma, para registrar impulsos nervosos que indicam a atividade cerebral e também a Estimulação Magnética Transcraniana, onde neurônios são estimulados usando campos magnéticos.

Os cientistas apelidaram o feito de BrainNet. Eles dizem que eventualmente um dia as mentes poderão ser conectadas usando a web, da mesma forma que ocorre atualmente com a internet.

Além de abrir novos caminhos, a BrainNet poderia nos ensinar sobre como o cérebro humano funciona em um nível mais profundo: “Nós apresentamos a BrinNet. Até onde sabemos, é a primeira interface direta entre cérebros de forma não invasiva de multipessoas”, disse o pesquisador em publicação científica na Cornel University.

“A interface permite que três seres humanos colaborem e resolvam uma tarefa usando a comunicação direta de cérebro para cérebro”, revelou.

Como ocorreu a conexão?

Os participantes foram conectados com eletrodos e estimulados a jogarem o famoso e antigo Tetris. Eles tinham que decidir se cada bloco precisava ou não ser girado. Para fazer isso, dois participantes tiveram que olhar para um dos dois LEDs que ficava piscando em ambos os lados da tela – um piscando a 15 Hz e outro a 17 Hz – o que produzia sinais elétricos diferentes no cérebro – registrados no eletroencefalograma.

Essas escolhas foram então transmitidas para uma única pessoa, através da Estimulação Magnética Transcraniana que poderia gerar flashes de luz na mente do receptor, conhecido na neurologia como “fantasmas de fosfenos”.

O receptor (voluntário que recebia os pensamentos dos outros dois participantes) não podia ver toda a área do jogo, mas ele precisava girar os blocos cada vez que um sinal de luz fosse enviado pelos outros dois participantes conectados ao seu cérebro. Em cinco grupos de três pessoas cada, os cientistas atingiram um nível médio de precisão de 81,25% já na primeira tentativa, o que deixou os pesquisadores perplexos.

Para tornar o teste mais complexo, os participantes que enviavam o pensamento poderiam adicionar uma segunda rodada de pensamentos, indicando se o receptor tinha feito de fato a escolha certa.

Os receptores conseguiram detectar qual dos remetentes era o mais confiável entre os dois com base apenas na comunicação cerebral, o que para os neurologistas é algo promissor para o desenvolvimento de sistemas que lidam com cenários do mundo real onde a falta de confiabilidade humana é um fator preocupante – como em julgamentos de criminosos, por exemplo, bem como diversas outras aplicabilidades.

E o futuro?

Apesar de ser possível, com o sistema atual, ser transmitido apenas um flash de dados de cada vez, os pesquisadores da Universidade de Washington e da Universidade de Carnegie Mellon, acreditam que a configuração pode ser expandida no futuro.

Anteriormente, a mesma equipe já havia conseguido conectar dois cérebros humanos onde os participantes jogavam um jogo de 20 perguntas um com o outro. Mais uma vez, os flashes de “fastamas de fosfenos” foram usados para transmitir as informações de “sim ou não”.

Por enquanto, o progresso é lento e o trabalho precisa melhorar e avançar, além de ser abraçado pela comunidade neurocientífica mundial, mas é um vislumbre de algumas maneiras incríveis de enxergar como será o futuro da tecnologia na Terra.

A intenção primordial é, um dia, existir uma rede de cérebros humanos conectados visando resolver problemas e soluções em grupo.

*Por Ötto Valverde

 

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*Fonte: jornalciencia

Ciência explica por que nossos cérebros adoram uma teoria da conspiração

Se você já se viu no meio de uma discussão em que alguém tenta te convencer de que o Brasil perdeu de propósito a Copa do Mundo de 1998, ou mesmo de que a Terra é plana, sabe que as pessoas adoram uma teoria da conspiração.

Mas existe uma razão neurológica capaz de explicar por que muita gente ainda duvida de que o homem foi à Lua ou que Elvis Presley morreu?

Uma das imagens do furacão Matthew, que passou pelo Caribe em 2016, gerou debate na internet. Muita gente viu a “cara da morte” ou até mesmo um dinossauro no registro feito por satélites da Nasa, a agência espacial americana.

A visão inusitada é resultado de um fenômeno psicológico chamado pareidolia, que consiste em reconhecer padrões ou fazer conexões de dados aleatórios com imagens ou objetos.

É dessa necessidade que o cérebro humano tem de decifrar padrões, seja a partir de imagens, sons ou fatos, que surge, por exemplo, a mania de associar o formato das nuvens no céu a animais.

O fenômeno também explica as “mensagens satânicas” que algumas pessoas juram ouvir quando determinadas músicas – faixas de antigos discos da então apresentadora infantil Xuxa, por exemplo – são tocadas ao contrário na vitrola.

Image caption A ‘face da morte’: muita gente vê um monstro no foto que registrou a passagem do furacão Matthew pelo Haiti | Foto: Nasa

 

“É um fenômeno cognitivo, de percepção. Isso significa que o que eu vejo nem sempre é o mesmo que você vê. A pareidolia está ligada a quanto mais se viveu e se viu”, explica o engenheiro brasileiro Maurício Raymundo de Cunto, perito forense e especialista em analisar imagem e som.

Segundo ele, a pareidolia dificilmente se aplica a uma criança de um ano de idade, por exemplo.

“É com o passar dos anos que nós armazenamos informações. O fenômeno fica mais intenso à medida que nosso banco de dados interno cresce e somos capazes de fazer associações”, diz.

“E há pessoas que têm isso de forma mais intensa.”

Mas por que o cérebro busca padrões?

Como parte da nossa evolução como seres humanos, somos programados para reconhecer certos indicadores do ambiente ao nosso redor – como o derretimento da neve que anuncia a chegada da primavera nos países de clima temperado, por exemplo.

Isso nos ajuda a entender o mundo à nossa volta e a nos manter seguros de ameaças repentinas e desconhecidas.

Nosso cérebro interpreta um conjunto de eventos aleatórios na tentativa de encontrar algum fator em comum, que dê sentido ao que está sendo observado.

Para a nossa mente, a “teoria da conspiração” é preferível e mais compreensível que a ideia de uma série de acontecimentos desconexos.

Segurança ameaçada

De acordo com a teoria de Maslow sobre a hierarquia de necessidades dos seres humanos, depois de comida e abrigo, a nossa maior preocupação é com segurança.

E ela é “ameaçada” principalmente pelo desconhecido. E esse medo dele faz com que nosso cérebro crie respostas para garantir conforto.

Segundo especialistas, não conseguimos avaliar uma ameaça desconhecida e que não seja visível – mas evoluímos para reconhecer outras pessoas como ameaça. Então, nossa mente “decide” que um grupo oculto de indivíduos é responsável por acontecimentos ruins, agindo em prol de algum “objetivo nefasto”.

Essa ideia é mais reconfortante e segura que a de que “um monte de coisas aleatórias estão acontecendo”.

E, ao adicionar diferentes níveis de teorias da conspiração, um acima do outro, nosso cérebro consolida uma racionalização.

Senso de comunidade

Pesquisadores também apontam o senso de comunidade como um dos fatores que estimulam as teorias da conspiração.

Os seres humanos sempre viveram em grupos, tribos, sociedades. Participam de clubes, times de futebol, praticam atividades juntos. Fazer parte de um conjunto que compartilha uma crença em comum proporciona um senso de comunidade e pertencimento.

E também faz parte da necessidade humana criar um senso de hierarquia a qualquer grupo de indivíduos. Estar ao redor de pessoas com as mesmas crenças, não importa o quão bizarras ou irracionais sejam, nos ajuda a sentir parte de um clube “especial”.

Como animais sociais, ansiamos por respeito e aceitação. E graças à internet é muito mais fácil procurar e encontrar pessoas que pensam como você, assim como compartilhar suas crenças com outros indivíduos.

‘Tudo acontece por uma razão’

No livro Suspicious Minds (“Mentes Suspeitas”, em tradução livre), o psicólogo Rob Brotherton discute a ideia de “viés de intencionalidade”, que se refere à tendência de ver uma intenção em qualquer ação humana.

Quando crianças, presumimos que tudo ao nosso redor acontece por uma razão. Se o filho vê o pai martelar acidentalmente o dedo, sua mente infantil diz que ele fez isso de propósito, porque um adulto, na visão da criança, está sempre no controle.

A criança pequena ainda não incorporou a noção de que muitas coisas acontecem por acidente ou por acaso.

À medida que crescemos, aprendemos que alguns eventos não têm necessariamente um motivo específico. Simplesmente acontecem.

Mas se nosso cérebro está “distraído” com excesso de informações, se nos sentimos ameaçados ou se tomamos uns drinques a mais, podemos começar a acreditar que existe uma intenção oculta por trás de cada ação – ainda que isso signifique acreditar que Shakespeare nunca existiu, que alienígenas vivem entre nós ou que o aquecimento global é lenda.

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*Fonte: bbc-brasil

5 atividades cotidianas que podem melhorar o funcionamento do seu cérebro

Além de ser uma máquina fantástica, poderosa e, em alguns aspectos, misteriosa, o cérebro humano funciona melhor quando é mais bem estimulado. O que você talvez não saiba é que algumas atividades bastante cotidianas podem aperfeiçoar esse estímulo e deixar você melhor ainda. As dicas a seguir foram dadas pela psicóloga Dra. Jennifer Jones e retiradas do Fast Company:

1 – Acordar cedo e não dormir muito tarde

Sabe aquelas pessoas que saem da cama logo depois de o sol nascer? Elas talvez nem saibam, mas estão fazendo um bem danado à sua saúde mental. Isso tem a ver com o nosso ritmo circadiano, que nada mais é do que aquilo que você chama de “relógio biológico”.

Dormir e acordar cedo é um jeito de ajudar seu relógio biológico a funcionar do jeito natural, sem interrupções. Na verdade, quando o ritmo circadiano é interrompido, a sua habilidade cerebral responsável por processar informações e administrar o stress é prejudicada, o que torna o funcionamento desse órgão importante um pouco menos eficaz.

2 – Consumir óleo de peixe pode ser uma boa

Não é novidade que o stress é um dos grandes vilões dos tempos modernos. Se a ideia é diminuir os efeitos negativos disso em sua vida, experimente consumir suplementos à base de óleo de peixe. Dra. Jennifer explica que o stress atrapalha nossas habilidades cognitivas e que o óleo de peixe, pelo contrário, estimula o crescimento dos dendritos, que são estruturas que vivem do lado de fora dos neurônios. “Se quisermos ter o melhor funcionamento cerebral, precisamos ter muitos dendritos”, explica.

3 – Saia de sua zona de conforto

Fazer coisas novas e arriscadas não é bom apenas por uma questão filosófica e comportamental. Viver novas experiências é algo que ajuda seu cérebro a se desenvolver bem, inclusive na questão dos dendritos, que se tornam maiores e mais eficientes. Sair de sua zona de conforto significa começar a fazer coisas que normalmente você não faria. Em alguns casos, coisas que deixariam você intimidado, como falar em público ou fazer uma aula de dança.

Dra. Jennifer explica que esse exercício é importante justamente porque crescemos fazendo coisas com as quais nos identificamos, coisas que nos colocam em grupos específicos – jogar futebol, tocar violino, fazer aula de teatro etc. A verdade é que, muitas vezes mesmo não gostando de rótulos e estereótipos, nos colocamos nessas posições.

“Tudo o que nos deixa realmente confortáveis não é muito bom para o nosso cérebro”, explica Dra. Jennifer, que nos estimula a procurar novas experiências e atividades, de preferência algo inusitado.

4 – Canse essa sua cabeça!

Sabe aquela tarefa que, por algum motivo, você considera mentalmente cansativa? Pode ser desde resolver problemas matemáticos até estudar sobre física quântica ou inventar um jeito novo de resolver um cubo mágico. Cansar a cabeça é uma coisa boa!

“Quando você está aprendendo alguma coisa nova e o seu cérebro sente que precisa de um cochilo, é nesse momento que você sabe que está fazendo coisas que estão crescendo seu cérebro neurologicamente, não apenas o mantendo”, explica a médica. E aí, que tal tentar entender limites e derivadas de uma vez por todas?

5 – Tente algum tipo de meditação guiada ou exercícios de foco mental

A gente sabe que manter a cabeça quieta não é exatamente fácil e que a maioria das pessoas, quando tenta meditar pela primeira vez, aguenta no máximo alguns segundos antes de conseguir a proeza de pensar em trabalho, estudo, preço do leite, conta do cartão de crédito e o capítulo de ontem da novela. Tudo ao mesmo tempo, é claro.

Acontece que, quando o assunto é meditação, precisamos pensar na coisa toda como um exercício, ou seja: algo que deve ser feito mais de uma vez até “pegarmos o jeito”. Dra. Jennifer compara a falta de meditação com hábitos de alimentação não saudáveis: “Se você não está meditando, é como se estivesse comendo fast food todos os dias”, resume ela.

A ideia da meditação é fazer com que o indivíduo tenha acesso ao lado inconsciente da mente. Já os exercícios de foco mental conseguem estimular o lado subconsciente da mente, em uma região que, quando estimulada, favorece o desenvolvimento cerebral. Aliado a isso está o fato de que, surpreendentemente, 80% das decisões que tomamos são feitas pelo nosso subconsciente.

Esse lado do subconsciente é geralmente alcançado por meio de técnicas de hipnose – por isso muitos fumantes conseguem abandonar o vício depois de frequentarem terapias hipnóticas.

Já o lado inconsciente da mente humana é aquele acessado enquanto dormimos e que algumas pessoas conseguem entender melhor por meio da interpretação dos sonhos. Por isso, Dra. Jennifer nos aconselha a pensar nas coisas que mais nos impactaram durante o dia – positiva e negativamente – um pouco antes de colocarmos nossa cabeça no travesseiro à noite. Dessa forma, nosso cérebro processa melhor essas informações por meio dos sonhos.

*Por Daiana Geremias

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*Fonte: megacurioso

Como o ambiente digital afeta nosso cérebro

Susan Greenfield é neurocientista e pesquisadora sênior da Universidade de Oxford, e tem observações importantes sobre como o ambiente digital pode alterar nosso cérebro.

A britânica explica que tudo o que fazemos no dia a dia inevitavelmente afeta nosso cérebro, pois ele muda a todo instante de nossas vidas.

Nosso poderoso órgão se desenvolveu para se adaptar ao ambiente, não importa qual ele seja. Fator tão importante para compreender como o ciberespaço pode afetar nossas vidas, uma vez que nossas interações estão cada vez mais tecnológicas.

Identidade

Um dos pontos mais críticos da análise de Susan é como as redes sociais têm impacto na construção da identidade, afetando consequentemente os relacionamentos.

Se antes as pessoas viviam em comunidades locais, e construíam a identidade dentro de determinada cultura ou país, agora a constroem em presença global.

Isso é preocupante porque a construção da identidade dentro das redes sociais parte do princípio da aprovação de terceiros, ou seja, dos “likes”.

E, nada é real. Prova disso é quando alguém está em determinado local ou evento e apenas se preocupa em publicar o acontecimento nas redes sociais. Ela não está, de fato, vivendo aquilo.

A pesquisadora aponta como as pessoas se sentem muito importantes e conectadas, mas igualmente inseguras, com baixa autoestima e constantemente inadequadas.

Crianças + internet + videogames

Quando se trata de videogames, Susan se preocupa em como eles podem influenciar na atenção, agressividade e dependência.

Já foi demonstrado como jogar videogames é semelhante a fazer um teste de QI. Uma das possíveis razões do aumento de QI é devido a repetição de uma certa habilidade.

No entanto, não significa que o aumento do QI esteja relacionado ao aumento da criatividade ou capacidade escrita.

Estudos também já mostraram através de exames de imagem como os videogames aumentam áreas do cérebro que liberam dopamina.

Ela ressalta como na ciência nada é definitivo, e é preciso realizar mais estudos acerca do assunto.

Em relação ao TDAH (transtorno de déficit de atenção e da hiperatividade), há um aumento alarmante do diagnóstico. Nos últimos 10 anos, a prescrição de drogas como ritalina, usadas no tratamento da condição, quadruplicaram.

Há duas possibilidades para esses índices: ou há um diagnóstico maior do TDAH, ou maior prescrição dos remédios pelos médicos.

A causa principal, entretanto, pode estar nas tecnologias digitais.

O uso do medicamento ainda pode estar sendo utilizado de maneira equivocada.

A preocupação em torno do vício em jogos tem sido combatido com o uso da ritalina. Se ambos liberam a mesma substância, estão sobrecarregando o cérebro com dopamina.

Susan diz que é preciso aprofundar no aprendizado sobre os mecanismos cerebrais para compreender como funciona essa dinâmica.

A vida no ciberespaço

A pesquisadora cita um estudo americano, de 2010, que indicou como mais de metade dos adolescentes entre 13 e 17 anos gastam mais de 30 horas por semana na internet.

São cinco horas por dia em frente às telas, sem contato com o mundo real, sem tomar sol, sem brincar no quintal. Enfim, sem realizar atividades que crianças costumavam apreciar.

Crescer no ciberespaço pode implicar na falta de capacidade de olhar nos olhos de alguém, interpretar tons de voz ou linguagem corporal.

Ela acredita que essa geração, chamada de “nativos digitais”, poderá enfrentar dificuldades em desenvolver o contato físico e perderá o interesse em conhecer pessoas no mundo real.

As comunicações tendem a ser cada vez mais escolhidas através das telas.

TV vs Internet

Ao contrário da televisão, nosso contato com a internet é altamente interativo e estimulante.

Um estudo publicado pela agência internacional We Are Social revelou que o Brasil é a terceira nação mais conectada do mundo.

Diariamente gastamos em média 5 horas e 26 minutos online via computador ou tablete e mais outras 3 horas e 46 minutos pelo celular.

São 9 horas e 13 minutos diários imersos no ambiente digital.

A pesquisadora cita que já foi comprovado que passar 10 horas na frente das telas tem forte correlação com anormalidades em exames cerebrais.

O futuro da nova geração

Quanto ao futuro da nova geração, a neurocientista tem previsões otimistas quanto pessimistas.

Segundo ela, pessoas nascidas na metade do século 21 podem apresentar um QI maior e boa memória.

Em contrapartida, essa geração pode ter identidade mais frágil, menos empatia, menos concentração e pode viver estagnada no presente, sem desenvolver o senso de passado, presente e futuro.

Essas explicações foram compiladas de uma entrevista que a neurocientista concedeu à Veja, em 2016.

*Por Raquel Rapini

 

 

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*Fonte: geekness

Empatia depende do bom funcionamento do cérebro, diz estudo

Certamente você deve ter ouvido falar muito em empatia, definida como a capacidade de se colocar no lugar do outro, de perceber o estado ou a condição de outra pessoa e, por meio dessa habilidade, conseguir sentir a mesma emoção. Mas, nos últimos anos, a neurociência tem evidenciado que a empatia é na verdade uma combinação de atos conscientes e inconscientes do nosso cérebro e que depende do bom funcionamento de certas regiões cerebrais.

Um estudo, publicado na revista científica Plos One, mostrou que pessoas com traços específicos de personalidade, como altruísmo e afetuosidade, por exemplo, são mais bem habilitadas para reconhecerem os estados emocionais de outras pessoas, devido a uma maior atividade em regiões importantes do cérebro, como a junção temporoparietal e o córtex pré-frontal medial.

Outra pesquisa, publicada no Journal of Neuroscience, apontou que embora o egocentrismo seja uma característica considerada normal no ser humano, existe uma área do cérebro que ajuda a regular nosso egoísmo, chamada de giro supramarginal. Quando há pleno funcionamento dessa estrutura, por exemplo, a falta de empatia é identificada e corrigida. Por outro lado, danos nessa região reduzem de forma significativa a capacidade de se colocar no lugar do outro.

Empatia e tolerância andam juntas

Segundo a neuropsicóloga Thaís Quaranta, a empatia vai muito além da capacidade de se colocar no lugar do outro. “A primeira questão envolvida na empatia é entender que o outro é um ser independente de nós, como suas particularidades e diferenças. Assim, a empatia é quando imaginamos como seria estar no lugar do outro, compartilhamos seus sentimentos, mas permanecemos conscientes de que não é a nossa própria experiência”.

Isso quer dizer que ser empático não é imaginar o que você faria se estivesse no lugar do outro, mas sim entender e aceitar a decisão do outro para aquela questão.

“A empatia depende de uma outra habilidade, a tolerância. Aceitar as diferenças em todos os sentidos é ser empático. Precisamos levar em consideração o contexto de vida das outras pessoas, seus valores, suas crenças, sua personalidade, suas opiniões e saber interpretar corretamente cada situação e sem a tolerância isso não ocorre”, comenta Thaís.

Empatia pode ser aprendida?

Sabe-se que a empatia é multidimensional, ou seja, ela depende de conexões neuronais, assim como é influenciada pelo ambiente e pelas interações sociais. A infância é uma fase crucial para desenvolver habilidades empáticas.

Os processos neurais podem ser modificados por meio da estimulação social e emocional

“A criança deve ser ensinada a se importar com os sentimentos dos outros desde pequena. Por exemplo, se ela bate ou morde o amiguinho, é mais adequado dizer que o colega está triste porque doeu, porque lhe machucou, do que simplesmente obrigar a criança a pedir desculpas. Pedir desculpas apenas por pedir não ajuda a criança a reconhecer ou a se colocar no lugar do outro”, recomenda Thaís.

Mas, mesmo depois da chamada “janela de oportunidade”, que se dá na infância e na adolescência, a empatia pode ser desenvolvida, segundo um estudo publicado no Journal Social Neuroscience. A pesquisa mostrou que os processos neurais podem ser modificados por meio da estimulação social e emocional, independente da idade.

“A empatia abre portas para nossos relacionamentos em todos os âmbitos, como o familiar, o amoroso, o profissional e o social. É uma característica bastante valorizada nas empresas, assim como é essencial para construir e para fortalecer nossos vínculos. E, felizmente, pode ser treinada com a ajuda da psicoterapia”, finaliza Thaís.

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*Fonte: ciclovivo

Você se lembra de cinco mil rostos diferentes

Você é bom em reconhecer rostos? É daqueles que nunca erra o nome de ninguém? Ou você já esqueceu o nome daquela prima distante, durante uma festa de natal? Se esse segundo caso é o seu, agora você pode dar uma boa desculpa para não saber diferenciar a Julia da Juliana: um novo estudo está clamando que o rosto dela não está entre os cinco mil mais importantes da sua vida.

Alguns indivíduos são naturalmente melhores de reconhecimento facial que outros, mas pesquisadores da Universidade de York, Inglaterra, acreditam que 5 mil é a média que um ser humano normal consegue reter, contando pessoas da vida real e da mídia. Esse foi o primeiro estudo a calcular um número preciso de rostos.

O curioso é que nós, normalmente, vivemos em pequenos grupos de cerca de cem indivíduos. Mas o estudo sugere que nossas habilidades de reconhecimento facial nos equipam para lidar com os milhares de rostos que encontramos no mundo moderno – tanto em nossas telas quanto nas interações sociais.

No estudo, a equipe de pesquisa pediu aos participantes que anotassem quantos nomes de amigos, colegas, conhecidos, membros da família e até pessoas famosas lembrassem no espaço de uma hora. Os participantes relataram que foi fácil chegar a muitos rostos no início, mas a dificuldade foi aumentando com o passar do tempo. Essa mudança de ritmo permitiu que os pesquisadores supusessem quando os voluntários ficaram completamente sem rostos na memória.

Depois disso, várias fotografias de celebridades apareceram para os participantes, e eles precisavam citar o máximo que conseguiam. De acordo com os resultados, eles foram capazes de distinguir entre 1.000 e 10.000 faces no total.

O Dr. Rob Jenkins, do Departamento de Psicologia da Universidade de York, explicou essa grande margem: “O alcance pode ser explicado por que algumas pessoas têm uma aptidão natural para lembrar rostos. Existem diferenças na quantidade de atenção que as pessoas dedicam para rostos e com que eficiência elas processam essas informações.” E ele também acrescenta uma alternativa curiosa: “Alternativamente, isso poderia refletir diferentes ambientes sociais – alguns participantes podem ter crescido em lugares mais densamente povoados, com mais participação social, por isso fixam mais rostos”.

Algo a se considerar é que a idade média dos participantes dos estudos era de 24 anos. E, de acordo com os pesquisadores, a idade pode fornecer um caminho intrigante para futuras pesquisas: “Seria interessante ver se há uma idade de pico para o número de rostos que conhecemos”, disse Jenkins. “Talvez nós acumulemos rostos ao longo de nossas vidas, ou talvez começamos a esquecer alguns depois que alcançamos uma certa idade.”

*Por Ingrid Luisa

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*Fonte: superinteressante