O núcleo da Terra está girando mais devagar – mas este não é o começo do fim do mundo

No centro da Terra, mais de 5 mil quilômetros abaixo de nossos pés, uma imensa e escaldante bola de ferro, pouco menor que a Lua, flutua e gira dentro de um núcleo externo líquido, com grandes variações no ritmo desse movimento. Pesquisas recentes concluíram que o núcleo interno da Terra atualmente está reduzindo sua rotação, em fenômeno capaz de influenciar diversos aspectos do nosso planeta. Antes, porém, que o pânico tome conta, vale lembrar que esse é um processo provavelmente inofensivo, que já ocorreu diversas vezes antes.

O núcleo terrestre é um tema de intenso debate científico, essencialmente pois muita coisa ainda é desconhecida sobre sua natureza e a influência que provoca na superfície – e em nossas vidas. Pesquisas realizadas nos anos 1990 concluíram que a misteriosa bola então girava um pouco mais rápido que o resto do planeta: por volta de 2009, porém, novos levantamentos concluíram que o giro estava em sincronia com a superfície e, agora, aparentemente o movimento reduziu seu ritmo, e está mais lento que nossa velocidade terrena geral.

Curiosamente, porém, o mesmo processo já teria ocorrido nos anos 1960 e 1970 e, portanto, apesar de soar ameaçador, é mais recorrente do que imaginávamos ou sabíamos. “O núcleo interno é a camada mais profunda da Terra, e sua rotação relativa é um dos problemas mais intrigantes e desafiadores para a ciência da Terra-profunda”, afirmou Xiadong Song, geocientista da Universidade de Pequim, e líder do novo estudo. Foi ele quem reconheceu essa diferença, nos anos 1990, através da análise das ondas sísmicas desencadeadas por terremotos.

A escaldante bola de ferro e níquel no núcleo da Terra se localiza entre 5 mil e 6,3 mil km de profundidade

“A maioria de nós concluiu que o núcleo interno girava a um ritmo constante, que era ligeiramente diferente da Terra. A evidência se acumula, e este artigo mostra que a evidência da rotação mais rápida é forte antes de cerca de 2009, e basicamente vai desaparecendo nos anos subsequentes”, afirmou Paul Richards, sismólogo da Universidade de Columbia, que trabalhou com Song na nova pesquisa.

Richards alerta, porém, que toda conclusão a respeito da influência de tal diferença sobre a superfície do planeta é especulativa: a própria conclusão da pesquisa, sugerindo a diferença no movimento do núcleo terreno, é contestada por outros cientistas.

“Este estudo interpreta mal os sinais sísmicos que são causados por mudanças episódicas da superfície interna do núcleo da Terra”, afirmou Lianxing Wen, sismólogo da Universidade de Stony Brook, rejeitando a ideia, em reportagem do jornal The Washington Post. Segundo Wen, a conclusão de que o interior da Terra gira em ritmo próprio “oferece uma explicação inconsistente para as informações sísmicas, mesmo que assumamos que seja verdade”. Pouco conhecido e de acesso impossível, o centro da Terra, portanto, é cenário de possíveis profundos movimentos, mas principalmente de intensos debates.

*Por Vitor Paiva
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Fonte: hypeness

Goodyear desenvolve pneu feito de casca de arroz e óleo de soja

O pneu é feito com 90% de materiais sustentáveis e passou em testes necessários para venda

A fabricante de penus e borrachas Goodyear apresentou um novo pneu de demonstração composto 90% por materiais sustentáveis, como óleo de soja e casca de arroz. O pneu passou em todos os testes regulamentares aplicáveis, bem como nos testes internos da Goodyear.

O pneu também foi testado para ter menor resistência ao rolamento quando comparado ao pneu de referência, tendo potencial para oferecer maior economia de combustível e redução da pegada de carbono. Ele também passou em testes necessários para venda. “Continuamos progredindo em direção ao nosso objetivo de introduzir o primeiro pneu 100% sustentável na indústria até 2030”, disse Chris Helsel, vice-presidente sênior de operações globais e diretor de tecnologia.

O pneu de demonstração é feito em sua maioria com materiais considerados “sustentáveis”, ou seja, materiais de base biológica, renovável, reciclado ou que pode ser produzido usando ou contribuindo para outras práticas sustentáveis para conservação de recursos e/ou reduções de emissões.

O pneu possui 17 ingredientes e 12 componentes diferentes, incluindo: pó de carbono, óleo de soja, sílica produzida a partir de resíduos de resíduos de casca de arroz, resinas biorrenováveis de pinheiro, garrafas PET pós-consumo, polímeros bio e biocircular, e fios e cabos de aço com conteúdo reciclado.

Atualmente, a Goodyear vem trabalhando com sua base de fornecedores e planeja vender um pneu com até 70% de conteúdo de material sustentável em 2023.

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*Fonte: ciclovivo

O fogo é muito raro no universo. Entenda por quê

A conquista do fogo é considerada um dos marcos da evolução do Homo sapiens. Muito antes disso, incêndios já influenciavam ecossistemas no planeta há pelo menos 300 milhões de anos, no período Carbonífero. Apesar de ser tão presente na história da vida na Terra, o fogo é muito raro universo afora. Curiosamente, isso tem muito a ver com a própria vida no nosso planeta.

Para a combustão acontecer, é preciso que um combustível — como madeira — entre em contato com um comburente: um material gasoso rico em oxigênio. Apesar de ser o terceiro elemento mais abundante do universo, o oxigênio é pouquíssimo comum em sua forma gasosa, como acontece aqui na atmosfera da Terra.

Aí está, portanto, um dos motivos pelos quais o fogo é muito raro: o oxigênio no planeta é produzido por organismos vivos — majoritariamente algas. Na mesma medida que não sabemos da existência de organismos vivos em outros planetas, atmosferas com oxigênio de origem biológica são igualmente desconhecidas.

Agora pense, por um momento, nos combustíveis que comumente pegam fogo. Carvão, madeira, petróleo, papel. Todos de origem biológica. Ou seja, não só o comburente é produzido por organismos vivos, mas também a grande maioria dos combustíveis.

Por esse motivo, o oxigênio é um dos possíveis indicadores de vida na procura por planetas que abriguem a vida.

As estrelas pegam fogo?
Ok, muito difícil de se encontrar fogo em planetas sem vida. Mas e em estrelas, como o Sol? Elas não estão queimando?

Na verdade, não. O que acontece no sol e nas demais estrelas é a liberação de calor pela fusão nuclear. Quando dois átomos de hidrogênio (os mais abundantes no cosmos) se chocam pela pressão no interior de uma estrela, eles formam um átomo de hélio, mais um nêutron livre, e uma quantidade imensa de energia.

Essa energia, por sua vez, irradia para o universo na forma de luz e calor. Contudo, não há a queima de nenhum combustível nem a ação de nenhum comburente e, portanto, não há a formação de chamas.

*Por Mateus Marchetto
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*Fonte: socientifica

Cientistas mapearam 13 emoções que a música causa nas pessoas; entenda

Enquanto ‘As quatro estações’, de Vivaldi, faz as pessoas se sentirem energizadas, a trilha sonora do filme ‘Psicose’, de Alfred Hitchcock, evoca medo

O que você sente ao ouvir axé é o mesmo que quando escuta os últimos lançamentos do rock, ou relembra os clássicos da MPB? Foi exatamente isso que um grupo de especialistas da Universidade Berkeley, nos Estados Unidos, quis responder em uma nova pesquisa.

Segundo o artigo, publicado no periódico científico PNAS, as músicas causam ao menos 13 emoções diferentes nas pessoas. “Imagine organizar uma biblioteca de música massivamente eclética por emoção e capturar a combinação de sentimentos associados a cada faixa. Isso é essencialmente o que nosso estudo fez”, disse Alan Cowen, um dos autores da pesquisa, em comunicado.

Para realizar a investigação, os especialistas contaram com a ajuda de 2,5 mil voluntários norte-americanos e chineses. Os participantes classificaram cerca de 40 amostras de música com base em 28 categorias diferentes de emoção, bem como em uma escala de positividade e negatividade, e em níveis de excitação que elas causam.

Entre as canções estavam títulos como Shape of you, do cantor Ed Sheeran, o hino dos Estados Unidos, Careless Whispers, de George Michael, Rock the Casbah, do The Clash, Somewhere over the Rainbow, de Israel (Iz) Kamakawiwoʻole e As quatro estações, de Vivaldi.

Os especialistas perceberam que 13 emoções se destacaram. São elas: diversão, alegria, erotismo, beleza, relaxamento, tristeza, sonho, triunfo, ansiedade, medo, aborrecimento, desafio e animação. “Documentamos rigorosamente a maior variedade de emoções universalmente sentidas pela linguagem da música”, contou Dacher Keltner, membro da equipe.


Cientistas mapearam 13 emoções causadas pela música

Os pesquisadores acreditam que a pesquisa poderá ser útil em terapias psicológicas e psiquiátricas, por exemplo. O estudo também poderá ser utilizado por serviços de streaming, permitindo que as plataformas criem playlists mais personalizadas e coerentes.

A equipe ressalta que os sentimentos que cada canção evoca, entretanto, podem mudar de acordo com a cultura em que o ouvinte está inserido. “Pessoas de diferentes culturas podem concordar que uma música transmite raiva, mas podem diferir se esse sentimento é positivo ou negativo”, explicou Cowen.

Além disso, os pesquisadores reconhecem que algumas associações feitas pelos ouvintes podem estar baseadas no contexto em que os participantes do estudo ouviram a canção anteriormente. “A música é uma linguagem universal, mas nem sempre prestamos atenção suficiente ao que ela está dizendo e como está sendo entendida”, pontuou Cowen. “Queríamos dar um primeiro passo importante para resolver o mistério de como a música pode evocar tantas emoções sutis.”

Mapa interativo
As músicas analisadas foram organizadas em um site que pode ser acessado pelo público. Nele, os internautas passam o cursor sobre um mapa de áudio interativo, no qual é possível ouvir as canções de acordo com o sentimento que causam.

Enquanto As quatro estações, de Vivaldi, faz as pessoas se sentirem energizadas, Let ‘s Stay Together, de Al Green, evoca sensualidade, e Somewhere over the Rainbow, de Israel (Iz) Kamakawiwoʻole, provoca alegria. Já a trilha sonora do filme Psicose, de Alfred Hitchcock, evoca medo.

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*Fonte: revistagalileu

Antropoceno, a era geológica dos humanos, pode ser oficializado em breve

Geólogos de todo o mundo estão votando para decidir se estamos prestes a mudar de época geológica ou não, pulando do atual Holoceno — que começou há 11.700 anos, com o fim da última era do gelo — para o Antropoceno, que significa, literalmente, a “era dos humanos”. Para aprovar ou reprovar a mudança de terminologia, diversos comitês de cientistas da área estão realizando painéis e votações.

Não há consenso sobre a necessidade da mudança, e por diversas razões. A principal delas, refletida, inclusive, no nome da possível nova época, é a influência humana no planeta. Hoje, sabemos que as modificações que fazemos têm consequências para todo o planeta, o que nem sempre foi considerado. Nos anos 1920, por exemplo, se pensava que a Terra era grande demais para se afetar por nós. Embora não consigamos destruí-la, fisicamente falando, conseguimos modificar paisagens e clima de formas até mesmo irreversíveis.

Os períodos geológicos da Terra são marcados pelas rochas e grandes eventos: podemos estar prestes a ganhar um período dedicado aos efeitos dos humanos no planeta com o Antropoceno

O que significa o Antropoceno
No momento, um dos 4 comitês decidem, internamente, em qual ano acreditam que o Antropoceno tenha se iniciado. Após a decisão, que deve ocorrer no final do verão, em 2023, a proposta final será submetida aos outros 3 comitês de geólogos pelo mundo, que votarão para rejeitar ou oficializar a nova época. Pelo menos 60% de cada comitê deve aprovar a proposta do grupo para avançá-la ao próximo. Caso contrário, a decisão pode ser adiada por anos.

Em um certo sentido, oficializar o Antropoceno é reconhecer a influência das ações humanas no nosso planeta, assumir que tais efeitos ficarão marcados nas rochas, perceptíveis por milênios. Afinal, transições geológicas levam esse tipo de mudança global em consideração, e é por isso que alguns cientistas estão preocupados com a escolha, seja ela a favor ou contra o Antropoceno.

Uma das grandes preocupações é a de que a oficialização da nova época seja usada como um palanque para declarações políticas, uma maneira de avançar pautas ecológicas, por exemplo. No tempo geológico, por exemplo, o Antropoceno seria um grão de areia, um microssegundo na história. Marcações geológicas temporais ajudam os cientistas a compreender e estudar períodos sem registros escrito e permitem poucas observações científicas apenas por meio de seus vestígios.

Já a “era dos humanos” é detalhadamente documentada, com poucos espaços verdadeiramente em branco — não haveria necessidade de uma terminologia geológica, já que temos os anos exatos de cada acontecimento importante. Se aceitar a nova época parece muito precipitado, há quem diga que negá-la também seria, representando outro espectro do palanque político, desta vez um que nega a influência humana no planeta, ou que acredita que nossas ações serão apagadas pelas eras como folhas levadas pelo vento. De qualquer forma, essa decisão também terá de ser justificada por cada comitê.

As emissões humanas modificam o planeta, mas alguns cientistas creem que elas afetarão apenas nossa efêmera vida por aqui, e não a geologia do planeta ao longo dos Éons

Implicações científicas da mudança de época
As consequências do Antropoceno para a comunidade científica serão gerais, assim como é a classificação de um animal por um zoólogo ou de um planeta para um astrônomo. Classificar eras e épocas é um trabalho conservador como qualquer outro na ciência, já que mudará estudos acadêmicos, museus, livros didáticos e muito mais por gerações a fio.

A divisão geológica atual é dividida, de forma crescente, em Éons, Eras, Períodos, Épocas e Idades. No momento, na Idade Megalaiana da Época do Holoceno, dentro do Período Quaternário da Era Cenozoica do Éon Fanerozoico — isso desde 4.200 anos atrás. Medir mudanças não é fácil, já que registros rochosos estão cheios de lacunas e mostram modificações de forma gradual. É raro encontrar pontos bem definidos como a queda do meteorito de Chicxulub na Península de Yucatán, que aniquilou os dinossauros e terminou o Período Cretáceo. Não há nada tão preciso quanto isso em termos geológicos.

O Período Cambriano, de 540 milhões de anos atrás, por exemplo, tem seu início contestado por décadas. O Quaternário, após longas discussões, foi remodelado em 2009. Em 2019, Grupo de Trabalho do Antropoceno definiu que ele começaria em meados do século XX, quando emissões de gases do efeito estufa, atividade econômica e população humanas subiram vertiginosamente. Mostradores geológicos como isótopos de plutônio de explosões nucleares, nitrogênio de fertilizantes e cinzas de usinas energéticas ficarão, perenes, no mundo.

E assim como outras marcações geológicas, o Antropoceno terá uma “cavilha de ouro”, um marco físico que demonstre, por registros rochosos, o que o difere do tempo anterior. A votação para o marco já aconteceu, levando 9 locais em conta, entre eles o gelo da Península Antártica, uma turfeira na Polônia, um recife de corais na costa do estado americano da Louisiana e uma baía no Japão. Também já foi votada a definição a ser dada ao Antropoceno, ou seja, se ele será uma época, uma idade do Holoceno ou outra marcação temporal.

A queda do meteoro em Chicxulub é uma marcação muito bem determinada de uma mudança de Era, terminando o Cretáceo, mas nenhum outro marco é tão bem definido assim. É um dos problemas de cravar o Antropoceno tão cedo e tão próximo de nós (Imagem: Donald E. Davis/CC BY-SA 3.0)

Controvérsias e ideias
Há dúvidas sobre a definição no meio do século XX, que é estranhamente próxima a nós. Para os arqueólogos e antropólogos, chamar objetos da Segunda Guerra Mundial de “pré-antropocênicos” será, no mínimo, esquisito. Usar isótopos de bombas nucleares também é desconfortável, ou até mesmo sem sentido. Radionuclídeos dos eventos são marcantes para os humanos, mas não querem dizer nada para as mudanças climáticas ou outros eventos mais importantes causados por nós.

A Revolução Industrial, outro marco interessante, também deixaria de fora milênios de mudanças humanas como agricultura e desmatamento, que modificaram bastante o planeta. Reconhecer o Antropoceno é importante como uma forma de assumir responsabilidades, compreender que não só arranhamos a superfície da Terra, mas fazemos muito mais. Há um argumento que leva isso em consideração, mas dá outra ideia, menos inflexível: chamar o Antropoceno de evento.

Um evento é um acontecimento transformador para o planeta, mas que não aparece como uma mudança na linha do tempo, sem regulamentação pela burocracia científica. Quando o oxigênio invadiu os ares da Terra, há cerca de 2 bilhões de anos, ele se tornou o Grande Evento de Oxidação, assim como o são as extinções em massa. Cientistas de várias áreas já usam o termo “Antropoceno”, neste sentido, como um reconhecimento da chegada e influência humana por aqui. A ideia é boa — mas teremos de esperar o final das decisões, no ano que vem, para descobrir o que se fez, ou se desfez, acerca do Antropoceno.

*Por Augusto Dala Costa
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*Fonte: canaltech

#FicaADica: Ciência explica por que nosso cérebro acredita em mentiras

Uma reportagem do jornal norte-americano The Washington Post buscou especialistas para justamente desvendar essa pergunta. E concluiu que, como de costume, a resposta está no nosso cérebro. Por conta de nossa formação cognitiva e como utilizamos atalhos para agilizar nossos julgamentos, a verdade, segundo a reportagem, é que tendemos a acreditar em tudo que ouvimos – e isso faz sentido, na média, pois a maioria das informações que recebemos são verdadeiras.

As redes sociais ajudam a espalhar as mentiras e a tingi-las com um verniz que faz parecer verdade

Acontece que tal tendência nos leva a crer que, uma informação que nos beneficia, e principalmente se for repetida diversas vezes, deve ser verdadeira – e, no contexto político, e com o poder de amplificação e acesso das redes sociais, tal conclusão forma a imensa rede de fake news que tanto nos pauta atualmente. Em resumo, quanto mais ouvimos a mesma afirmação, mais ela nos parecerá familiar e verdadeira – mesmo se for completamente falsa.

As desinformações sobre a vacinação dão a dimensão do problema, já que causaram diversas mortes

“Há apenas tipicamente uma versão verdadeira de uma reinvindicação e um número infinito de maneiras que você poderia falsificá-la, certo?”, questionou Nadia Brashier, professora de Psicologia da Universidade Purdue, do Estado de Indiana. “Então, se você ouvir algo uma e outra vez, por probabilidade, será a coisa verdadeira”, sugeriu. E uma vez que acreditamos em uma mentira, ela seguirá nos influenciando, mesmo após ser revelada como farsa, já que uma explicação verdadeira não apaga de nosso cérebro a informação da afirmação falsa. Complexo, né?

Estamos, portanto, lutando contra os limites da memória humana quando buscamos corrigir falsidades do imaginário público – já que, com o tempo, a correção poderá simplesmente desaparecer, e ficaremos com a informação que melhor se encaixa no sistema de crenças que utilizamos para compreender o mundo, mesmo que ela seja mentira.

“Se é um componente importante para seu modelo mental, é cognitivamente muito difícil simplesmente arrancar a informação falsa”, afirma Stephan Lewandowsky, psicólogo cognitivo da Universidade de Bristol.

Como proteger nosso cérebro
Se a correção não é suficiente, o que precisamos fazer para proteger nosso cérebro de inverdades? Uma das sugestões da reportagem é se informar sobre técnicas de manipulação e falácias utilizadas em argumentações, como incoerências, falsas dicotomias, ataques pessoais, uso de bodes expiatórios e manipulações emocionais.

Outro caminho importante é se atentar para a precisão, correção e conclusão das informações que nos são oferecidas, em vez de buscar o que queremos ouvir. Então, que tal repassar esta matéria para aquele grupo do WhatsApp que ainda precisa ouvir certas verdades? #FicaADica

*Por Vitor Paiva
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*Fonte: hypeness

Carl Sagan: como o criador de Cosmos criou uma geração apaixonada por ciência

Os domingos de 1982 estão guardados com carinho na memória da família Aleman: foram marcados por um discreto ritual que se repetiu por 13 semanas. O término do Fantástico denunciava o avançado da hora quando Isabel, seu irmão e seus pais se reuniam na sala de estar da casa em Embu das Artes, na Região Metropolitana de São Paulo, para ouvir a palavra de Carl Sagan.

Mesmo tarde, ninguém ia para a cama antes de as duas crianças terem esgotado o arsenal de perguntas existenciais que surgiam depois que o programa acabava. Por 60 minutos, assistiam atentamente àquele astrônomo esguio, de cabelos escuros e voz penetrante, traduzir com eloquência poética o encanto do cosmos.

A bordo da nave da imaginação, livre das amarras do espaço e do tempo, ele podia viajar para onde quisesse — como as pétalas do dente-de-leão que soprou no início do primeiro episódio da série. Essa nave era o veículo perfeito para transportar 400 milhões de seres humanos, de mais de 60 nações, em uma aventura cósmica. “A maneira como ele explicava nos fazia entender e ficar fascinados por tudo”, diz Isabel Aleman, que viu Cosmos pela primeira vez aos 6 anos.

Hoje, com quase 40, é pós-doutora em Astrofísica pelo iag-usp e estuda detalhes sobre como as moléculas se comportam no meio interestelar. Ela jamais se esqueceu da influência que aquelas noites exerceram sobre a escolha de sua carreira. “Registrei em minha tese de doutorado um agradecimento a Carl Sagan pelas minhas primeiras jornadas nas estrelas.”
Algo parecido aconteceu nos anos 1990 em Brasília com Victor de Souza Magalhães.

Enquanto explorava a biblioteca do avô, ficou intrigado com uma capa que tinha uma vela estampada em fundo preto e um título chamativo: O Mundo Assombrado pelos Demônios — A Ciência Vista como uma Vela no Escuro. Folheou e encontrou referências a alienígenas, fantasmas e dragões que germinaram no solo fértil que é a mente de alguém de 15 anos. “Foi uma surpresa total quando comecei a ler e vi que era uma quebra de todas as místicas que existem por trás.”

Ele tinha em mãos a última obra escrita por Sagan, que também é considerada uma das mais relevantes por disseminar de forma profunda e acessível a importância do método científico e do raciocínio lógico na busca pela verdade, que deve ser guiada pelo ceticismo crítico. E isso às vésperas da virada do milênio, quando a pseudociência e o misticismo cresciam em ritmo galopante. “Ao terminar o livro, me dei conta de que esse era o caminho a seguir”, afirma o hoje pesquisador do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, na França.

Aleman e Magalhães fazem parte de uma geração de cientistas para a qual a porta de entrada na ciência foi o trabalho de Sagan, cuja morte prematura, aos 62 anos, no solstício de inverno de 1996, completa duas décadas no dia 20 de dezembro. “Grande parte do seu legado foi apresentar a jovens a ideia da ciência como uma carreira”, diz à galileu a produtora Sasha Sagan, única mulher entre os cinco filhos que o astrônomo teve em três casamentos. “Mas ele apresentou a milhões mais a ideia da ciência como uma filosofia, uma visão de mundo.”

NA INFÂNCIA
Para entender as raízes do dom de Sagan tanto para explicar conceitos complexos a quem pouco entendia de ciência como também para compartilhar a reverência que sentia pela vida e pelo cosmos é preciso explorar certos traços de sua personalidade. “Ele era, em vários aspectos, comparável a um poeta, que usava os fatos concretos do mundo para transmitir as emoções mais profundas”, afirma William Poundstone, autor de Carl Sagan: A Life in the Cosmos (sem edição no Brasil). “A relação de Sagan com a astronomia era, de diversas maneiras, uma relação espiritual.”

O vínculo começou ainda na infância, nos anos 1930. Sagan cresceu devorando livros de ciência e ficção científica. Depois de adulto, costumava mencionar um episódio que o marcou profundamente — quando os pais o levaram à Feira Mundial de Nova York de 1939. Então com 5 anos, ele ficou maravilhado com os pavilhões futuristas. “Isso mostrou que havia um mundo para além da vizinhança de classe trabalhadora do Brooklyn. Várias mostras da feira tinham visões otimistas do futuro, inclusive sobre viagens espaciais”, diz Poundstone. “Ele reteve aquele otimismo e cresceu para desenvolver sondas.”

Entre as coisas que viu naquele dia, talvez a mais inspiradora tenha sido o enterro de uma cápsula do tempo. Foi a base para um dos seus projetos mais emblemáticos: o Disco Dourado, lançado em 1977 a bordo das duas sondas Voyager. Nada mais é do que uma cápsula do tempo gravada em um vinil de cobre banhado a ouro, que já deixou o Sistema Solar e vagará pelo próximo bilhão de anos. É como uma mensagem em uma garrafa para possíveis inteligências alienígenas. Sagan coordenou a equipe que selecionou 115 imagens e 90 minutos de música que melhor representariam nossa espécie, bem como saudações em 55 idiomas.

EM CASA
“Olá das crianças do planeta Terra”, diz a gravação em inglês, que ficou a cargo de Nick Sagan, filho de Carl. Na época, sua idade era quase a mesma que o pai tinha quando visitou a Feira Mundial. Hoje com 46 anos, o escritor de roteiros e livros de ficção científica se considera honrado por participar de um projeto único como aquele. “Essa pequena saudação vai continuar muito depois que eu me for.” É o que Nick, fruto do casamento de Sagan com a artista Linda Salzman, considera o melhor exemplo de sua “infância surreal”. Ver lançamentos de foguetes era banal como brincar no parquinho.

Foi durante a infância de Nick que Carl, então já bem estabelecido na academia como diretor do Laboratório de Estudos Planetários da Universidade Cornell, começou a adquirir o status de figura pública. O apelo popular do Disco Dourado e a credibilidade de ganhar um Pulitzer no mesmo ano chamaram a atenção da mídia. O foco na carreira, porém, desgastou o casamento com Salzman, que logo acabaria. No desenvolvimento do Disco Dourado, Sagan se apaixonou pela diretora criativa do projeto, sua terceira e última esposa, com quem permaneceu até o fim da vida: Ann Druyan. “Ele deu sorte com uma mulher que era capaz de aceitar que ele era esse incurável workaholic”, destaca o biógrafo William Poundstone. “Claro que ajudava o fato de que, àquela altura, ele podia arcar com pessoas para ajudar com as crianças e com a casa, então não era um fardo sobre Ann.”

Produtora e escritora, Druyan não só aceitava os trabalhos do marido como colaborava com eles. Foi coautora de Cosmos, lançada em 1980, primeiro ano do casamento. “Eles estavam profundamente apaixonados — e agora, como adulta, consigo enxergar que suas colaborações profissionais eram uma outra expressão da união deles”, reflete a filha Sasha em relato à revista nymag. Assim como o meio-irmão Nick, ela teve uma infância surreal: a casa em que cresceu em Ithaca, cidade no estado de Nova York onde fica Cornell, era chamada de Tumba da Cabeça da Esfinge. O lugar parecia um templo egípcio e havia sido a sede de uma sociedade secreta da universidade no final do século 19.

NA UNIVERSIDADE
Sagan percebeu desde cedo que não era capaz de limitar seus interesses a rótulos da academia. Desde criança, fomentava também fascínio pela origem da vida, o que o fez se aproximar da biologia. Foi neste contexto que conheceu a primeira esposa, a bióloga Lynn Margulis, com quem teve dois filhos. Ao longo da carreira, publicou artigos científicos detalhando modelos de como poderia ser a vida em outros mundos e, com esses estudos, ajudou a fundar o campo multidisciplinar da astrobiologia.

Outra grande contribuição foi na área da ciência planetária: doutorou-se com uma tese sobre o funcionamento da atmosfera de Vênus. “Ele ensinou a seus alunos que planetas são lugares, verdadeiramente outros mundos”, diz o astrofísico David Morrison, que esteve entre esses estudantes. “Nos encorajava a pensar como seria a sensação de estar nesses outros mundos.” Cientista sênior da Nasa, Morrison foi orientado por Sagan no doutorado. “Mesmo que ele não desse a orientação técnica e detalhada que muitos orientadores dão, isso era compensado por sua amplitude de visão e por seus muitos contatos na ciência planetária.”

Os interesses peculiares e à frente de seu tempo, unidos à adulação do público e da imprensa, causavam estranhamento e até inveja em certos círculos universitários. O linguista Carlos Vogt, coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (LabJor), referência em divulgação científica no Brasil, atribui esse desconforto ao conservadorismo do meio. “Cada vez que, no mundo acadêmico, acontece essa força luminosa de um autor que é capaz de conversar com a academia e com o mundo não acadêmico e ainda viver de modo intenso, sempre há tensão”, diz o ex-reitor da Unicamp.

PARA AS MASSAS
Na Nasa, Sagan se envolveu em uma polêmica que diz muito sobre como via a democratização da ciência. Quase nenhum cientista da agência acreditava que as sondas deveriam ter câmeras fotográficas. “Sagan insistiu que o público estava pagando pelas missões, e que ele se relacionaria com as fotos, não com palavras ou números”, diz William Poundstone. “Ele finalmente convenceu os que duvidavam. Então, toda vez que você olhar para uma imagem dos planetas em alta resolução, isso é um legado de Sagan.”

Mas há sobretudo duas pessoas que são herdeiras diretas desse legado, ambas responsáveis pela continuação atualizada de Cosmos, que foi ao ar em 2014: a própria Ann Druyan, hoje presidente da Fundação Carl Sagan e produtora executiva da nova série, e o astrofísico carismático Neil deGrasse Tyson, a quem coube a apresentação da nova versão. Tyson sempre conta que em 20 de dezembro de 1975, exatos 21 anos antes da morte de Sagan, quando era só mais um negro de 17 anos do Bronx tentando escolher onde estudar, foi recebido pelo próprio Sagan em Cornell. O astrônomo lhe mostrou a universidade e o levou à estação de ônibus. Como nevava muito, Sagan lhe deu o número de telefone da própria casa. Pediu que ligasse em caso de imprevisto para passar a noite com sua família. “Tenho o dever de responder a estudantes que estão fazendo perguntas sobre o universo como um plano de carreira da forma como Carl Sagan me respondeu”, disse no talk show Horizon.

Os canais Nat Geo e Fox divulgaram que 130 milhões de pessoas em 125 países assistiram a Tyson pegar o bastão da mão de Sagan e levá-lo adiante. Entre os novos fãs está a estudante de administração Mileni Nogueira, 21, que gostou tanto da série que foi beber na fonte da original. O encanto pela retórica de Sagan foi ainda mais profundo. “A paixão que ele me passou foi tão indescritível que me inspirou a escrever um romance envolvendo viagens no tempo”, diz ela, que pretende trocar de curso para estudar física e se especializar em cosmologia. Mais um sinal de que Sagan continuará destrancando as portas da ciência aos seres humanos de todo o planeta. “Ele balançou meu mundo, tudo o que eu conhecia.”

LINHA DO TEMPO
Carl Sagan casou-se três vezes e teve cinco filhos. Em sua carreira luminosa, criou áreas de estudo, foi influente na Nasa e inspirou milhões. Veja momentos marcantes da vida do astrônomo.

1934 – Sagan nasce no Brooklyn, em Nova York. Estuda em escolas públicas e desde cedo ama livros de ciência. Aos 5 anos, visita a Feira Mundial de Nova York, evento futurista que o impressiona muito.
1951 – Ganha bolsa integral para estudar física na Universidade de Chicago. Lá conhece a bióloga Lynn Margulis, com quem tem dois filhos: o escritor Dorion Sagan e o programador Jeremy Sagan.
1960 – Obtém o doutorado em astronomia com tese sobre a atmosfera de Vênus. Nos anos seguintes, firma-se como consultor e conselheiro da Nasa, influenciando diretamente no programa espacial.
1963 – Separa-se de Margulis e passa a dar aulas de astronomia em Harvard. Logo se torna figura popular entre os alunos, mas os interesses por questões exóticas despertam desconfiança dos colegas.
1968 – Muda-se para a Universidade Cornell, onde ficaria até o fim da vida. Lá desenvolve novas disciplinas: ciência planetária e astrobiologia. Casa-se com Linda Salzman e, dois anos depois, nasce Nick.
1977 – São lançadas as sondas Voyager. Sagan lidera a equipe do Golden Record, cápsula do tempo com registros da espécie humana, e conhece Ann Druyan, diretora criativa do projeto e sua futura esposa.
1977 – O livro Os Dragões do Éden, onde discorre sobre a evolução da inteligência humana, ganha o Pulitzer de não ficção. Começam as aparições recorrentes em programas de TV e capas de revistas.
1980 – Cosmos vai ao ar pela PBS, aclamada por público e crítica. No ano seguinte, ele se divorcia de Linda Salzman. Casa-se com Ann Druyan, escritora e produtora da série, com quem tem Sasha e Samuel.
1985 – É publicado Contato, seu único romance, sobre uma mensagem de rádio recebida pela humanidade de uma civilização alienígena. Sagan também se dedica à luta contra o uso de armas nucleares.
1996 – Morre em 20 de dezembro, aos 62, em Seattle, com complicações derivadas de pneumonia. Dois anos antes, fora diagnosticado com mielodisplasia, doença que impede o desenvolvimento das células da medula óssea.

*Por Andre Jorge de Oliveira
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*Fonte: galileu

Buraco de ozônio continua encolhendo em 2022, afirmam cientistas

Porção estratosférica que nos protege dos raios UV atingiu área média de 23,2 milhões de km² entre setembro e outubro de 2022, sendo ligeiramente menor do que em 2021

A camada de ozônio forma um “escudo” protetor invisível sobre o planeta, absorvendo a perigosa radiação ultravioleta do Sol. Graças a medidas ambientais adotadas pelas nações de todo o mundo, finalmente temos uma boa notícia: o buraco nesse revestimento está encolhendo em 2022, continuando uma tendência dos últimos anos.

De acordo com a Nasa, o buraco anual de ozônio da Antártida atingiu uma área média de 23,2 milhões de km² entre 7 de setembro e 13 de outubro de 2022. Essa área foi ligeiramente menor do que no ano passado, quando o buraco atingiu um máximo de 24,8 milhões de km² – aproximadamente o tamanho da América do Norte – antes de começar a encolher em meados de outubro.

Ainda que a cratera na camada que reveste o planeta tenha sido em 2021 a 13º maior desde 1979, os cientistas notaram um progresso na diminuição do buraco na porção da estratosfera que nos protege dos raios ultravioleta.

“Vemos algumas oscilações à medida que as mudanças climáticas e outros fatores fazem os números oscilarem um pouco de dia para dia e de semana para semana”, afirma Paul Newman, cientista-chefe de ciências da Terra no Goddard Space Flight Center da Nasa, em comunicado. “Mas, no geral, vemos isso diminuindo nas últimas duas décadas”.

Para o especialista, a eliminação de substâncias que destroem a camada de ozônio através do Protocolo de Montreal está diminuindo o buraco. O tratado internacional que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1989 e que apresenta 197 Estados Partes, sendo o Brasil como um dos signatários, impõe a redução da produção e consumo das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (SDOs).

Quando o Sol polar nasce, os cientistas da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) fazem medições com um espectrofotômetro Dobson, um instrumento óptico que registra a quantidade total de ozônio entre a superfície e a borda do espaço.

A média global dessa quantia é de cerca de 300 unidades Dobson. Em 3 de outubro de 2022, os cientistas registraram um valor total mínimo de 101 unidades Dobson sobre o Polo Sul. Naquela ocasião, o ozônio estava quase completamente ausente em altitudes entre 14 e 21 quilômetros – um padrão muito semelhante ao de 2021.

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*Fonte: revistagalileu

Saiba como a Terra é protegida de colisões de asteroides

De todas as coisas que podem acabar com o planeta Terra, uma colisão de um asteroide pode ser uma das que os humanos têm mais controle. Mas quem de fato protege o planeta de uma catástrofe como essa?

Uma colisão de asteroide está na parte de baixo da lista de possíveis fins do mundo. Em um mundo com armas nucleares, onde a atividade humana está permanentemente alterando habitats e o clima, e onde o uso excessivo de antibióticos está levando a novos tipos mortais de bactérias, uma ameaça externa é o menor dos problemas. Mas os efeitos de colisões de asteroides – tsunamis, vendavais e ondas de choque – podem ser catastróficos. Então, existem cientistas que dedicam seu tempo e pesquisa para se preparar em caso deste cenário.

Embora nenhum asteroide conhecido tenha chance de causar destruição em larga escala, aqueles potencialmente perigosos são assuntos diários para tabloides – o governo dos Estados Unidos e cientistas de todo o mundo os levam a sério. Em 2018, a Nasa, a FEMA (Agência Federal de Gestão de Emergências) e outras agências espaciais se uniram para imaginar como seria uma colisão de asteroides, simulando as tomadas de decisões necessárias caso os telescópios encontrassem uma possível ameaça.

O Sistema Solar se formou a partir de um disco de matéria que cercava o Sol em sua juventude. Esse material se aglutinou para formar os planetas. Na região entre Marte e Júpiter, por exemplo, a forte gravidade do gigante gasoso impediu a formação planetária e, em vez disso, muitos pequenos corpos rochosos colidiram uns com os outros, e, agora, existem como asteroides.

Ocasionalmente, as forças gravitacionais de Júpiter podem perturbar as órbitas desses objetos. Outros objetos, como os cometas gelados, eventualmente se aproximam da Terra em suas órbitas elípticas. Juntos, esses asteroides e cometas compõem os “Objetos Próximos à Terra”, ou NEOs. Por definição, um NEO é qualquer corpo dentro de 1,3 unidade astronômica do Sol, onde 1 UA equivale a 150 milhões de quilômetros, a distância entre o Sol e à Terra, incluindo cometas com órbitas ao redor do sol que duram menos de 200 anos.

Cientistas então elaboraram uma lista de NEOs com os quais devemos nos preocupar, chamados de asteroides potencialmente perigosos. Estes são corpos que cruzam a órbita da Terra e medem 140 metros de diâmetro ou mais, aproximadamente o tamanho de um estádio de futebol, e estão dentro de 0,05 UA do planeta, cerca de 20 vezes a distância média até a Lua.

Se algo desse tamanho se chocasse com à Terra, causaria uma catástrofe regional. O impacto de um meteorito pode gerar potenciais catástrofes, de ventos de alta velocidade a tsunamis ou imensas ondas de choque e calor o suficiente para cozinhar o corpo humano.

Impactos de asteroides há muito tempo vivem na preocupação pública. Já em 1694, o astrônomo Edmond Halley (do famoso cometa Halley) sugeriu que cometas poderiam se chocar com à Terra, teoria adotada por outros ao longo dos séculos seguintes.

Então, em 1908, o famoso evento de Tunguska arrasou uma floresta na Rússia, e na década de 1930, cientistas começaram a descobrir grandes asteroides passando perto da Terra – talvez o de Tunguska tenha sido um asteroide e talvez houvesse mais para nos preocuparmos. E, em 1980, uma equipe de pesquisadores encontrou o raro elemento irídio em uma camada de rocha de, aproximadamente, 65 milhões de anos, que deduziram ter sido trazida por um grande asteroide. Essa descoberta, assim como outras pesquisas, ajudou a embasar e aceitar a teoria de que um grande impacto provocou a extinção dos dinossauros. Mas essa teoria era controversa e levou 30 anos para alcançar seu status atual.

Mas talvez o momento mais importante dessa história não tenha ocorrido na Terra. Em 1993, os cientistas Carolyn e Eugene M. Shoemaker, e David Levy, descobriram um cometa na órbita de Júpiter. O interesse no cometa Shoemaker-Levy 9, tanto científico quanto público, disparou quando os pesquisadores perceberam que ele colidiria com o planeta, o que aconteceu em julho de 1994, deixando marcas escuras em Júpiter que ficaram visíveis durante meses.

Esse foi um divisor de águas na comunidade científica, afinal, se algo pode se chocar com Júpiter, então algo poderia atingir à Terra. Graças a tudo isso, o Congresso americano ficou interessado em proteger o planeta dos impactos.

O Congresso já havia solicitado à Nasa para criar um programa de observação de asteroides em 1992, mas em 1998 eles ordenaram que a agência catalogasse todos os asteroides próximos à Terra, com tamanho maior que um quilômetro, dentro de dez anos. Assim, a Nasa estabeleceu o Programa de Observação de NEOs, agora chamado de Centro de Estudos de NEOs, que compila e computa órbitas para asteroides próximos à Terra. Em 2005, o Congresso expandiu a meta de incluir 90% dos objetos com 140 metros, ou maiores, até 2020.

A defesa planetária é agora uma empreitada internacional, com um orçamento milionário. Para os EUA, o Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da Nasa é responsável por projetos que buscam asteroides próximos e comunicam governo, mídia e público, sobre potenciais perigos. Eles também desenvolvem técnicas de pesquisa para evitar impactos, e coordenam com o governo e agências como a FEMA para responder a uma possível colisão.

Agências espaciais ao redor do mundo, como a Agência Espacial Europeia, a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial, a Roscosmos e outras, realizam várias pesquisas e projetos sobre o monitoramento de NEOs.

E quanto ao fato de nos preocuparmos ou não? Por enquanto, não existem asteroides conhecidos que sejam dignos de preocupação. Nenhuma das órbitas de asteroides listadas no banco de dados CNEOS está prevista para causar impacto nos próximos 188 anos. Mas, se houver alguma preocupação, deve ser sobre os asteroides ainda não encontrados.

Apesar das várias pesquisas, simplesmente não há infraestrutura adequada para encontrar todas as rochas espaciais. Algumas das missões não foram projetadas com o levantamento de asteroides em mente.

Também existem asteroides menores, que podem causar danos locais e atacar com pouco, ou nenhum, aviso. O meteoro de 20 metros de Chelyabinsk explodiu acima da Rússia em 2013, quebrando janelas e ferindo 1.491 pessoas. Em dezembro de 2018, um meteoro explodiu sobre o Mar de Bering, com dez vezes a força da bomba de Hiroshima. Esses impactos ficam abaixo do limite estabelecido pelo Congresso, mas ainda têm potencial de causar danos em menor escala.

Quando se trata de avaliar a probabilidade de um impacto e o dano que ele pode causar, os pesquisadores consideram o tamanho da Terra, assim como quantas vezes os asteroides de diferentes tamanhos a atingem.

Meteoros inofensivos, do tamanho de grãos de poeira, atingem à Terra quase que constantemente e se queimam na atmosfera; a probabilidade de um asteroide de um metro atingir o planeta é de cerca de um impacto por ano e se tona menos provável com o tamanho do asteroide ao quadrado. As probabilidades de um impacto de uma rocha de 100 metros são uma vez a cada dez mil anos, e um asteroide de mil metros, uma vez a cada um milhão de anos.

E quanto a eventos maiores, eles são potencialmente evitáveis com o suficiente tempo de espera. Por exemplo, há a missão Teste de Redirecionamento de Asteroides Duplos (DART), uma demonstração que lançará uma espaçonave no asteroide menor no binário Didymos a 6 km/s.

A missão Hera da ESA acompanhará as observações dos efeitos da colisão. Os cientistas esperam que essas missões mudem a órbita do asteroide menor em torno do asteroide maior, e que, no futuro, as agências espaciais possam usar essas missões de “impacto cinético” para mudar a órbita de um asteroide ameaçador.

Existem também outras ideias para desviar asteroides perigosos. As agências espaciais poderiam colocar algo muito pesado ao lado da rocha para mudar sua rota através da gravidade, ou remover matéria da superfície do asteroide. E, claro, há sempre a opção de última hora de bombardear um asteroide que apresenta uma ameaça iminente – mas, no exercício de mesa da Conferência de Defesa Planetária deste ano, os cientistas escolheram bombardear um grande asteroide que arrasaria Denver, mas acabaram destruindo a cidade de Nova York.

Apesar da baixa probabilidade de um impacto de asteroide, suas terríveis consequências significam que esta continuará a ser uma área importante de pesquisa. Os cientistas agora levam a ameaça a sério.

*Por Vinicius Szafran
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*Fonte: olhardigital

Número de asteroides próximos da Terra atinge marca impressionante

Os astrônomos responsáveis pelo monitoramento de objetos espaciais em volta da Terra anunciaram que a contagem desses asteroides chegou à marca de 30 mil. Esse número é recebido com um pouco de preocupação, pois impactos de asteroides podem ser eventos perigosos que causam destruição em massa.

Felizmente, o monitoramento constante do Espaço ajuda na tomada de decisão em caso de alguma eventual rocha em rota iminente com a Terra. A missão DART foi um demonstrativo de como as ações de proteção espacial podem prosperar.

Cabe destacar que os 30 mil objetos observados e catalogados estão em uma distância de até 45 milhões de quilômetros da Terra, que representa aproximadamente 117 vezes a distância entre a Terra e a Lua. As observações são coletadas e rastreadas pelo Centro de Coordenação de Objetos Próximos à Terra (NEOCC) da Agência Espacial Europeia (ESA) e pelo Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS) da NASA.

Cerca de 400 objetos recém-descobertos teriam potencial de destruir uma cidade com um impacto direto, ou causar uma destruição considerável na região. Esses são os alvos de monitoramento dos astrônomos. Apenas um desses novos objetos mediu mais de 1 quilômetro de largura, dimensão suficiente de fazer um estrago ainda maior.

Felizmente, o número de asteroides potencialmente perigosos cresceu mais lentamente. Além disso, outras observações descartaram qualquer chance de impacto nas próximas décadas. Os 1.426 objetos que fazem parte de um grupo com chance de impacto diferente de zero estão sendo cuidadosamente estudados.

Asteroide que oferece maior risco à Terra está fora do radar dos astrônomos
O asteroide 1979XB é o que oferece maior risco para a Terra. Estima-se que ele tenha um diâmetro de cerca de 700 metros, uma medida preocupante, que poderia destruir um pequeno país. Como esse objeto não é visto desde 1979, os astrônomos não conseguem determinar com precisão onde ele está agora, porém há uma chance de que ele atinja a Terra em 2056.

Acredita-se que em dezembro de 2024, o 1979XB passe perto da Terra, nesse caso os astrônomos seriam capazes de calcular sua órbita com mais precisão e provavelmente descartar impactos futuros. O chefe de defesa planetária da ESA, Richard Moissl, declarou que mais da metade dos asteroides conhecidos e registrados foram descobertos nos últimos seis anos. Isso só mostra o quanto a busca por esses objetos está cada vez melhor.

*Por Isabela Valukas Gusmão
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*Fonte: olhardigital

Estudante cria “sem querer” bateria que pode durar 400 anos

Certas histórias parecem comprovar a velha máxima de que quanto mais estudamos, treinamos e nos preparamos, mais a sorte joga a nosso favor, não é mesmo? A doutoranda da Universidade da Califórnia Mya Le Thai realizou por acaso – enquanto simplesmente “brincava” em um laboratório – uma descoberta que pode revolucionar o universo tecnológico em um de seus mais frágeis e problemáticos aspectos: a bateria dos aparelhos e dispositivos.

Mya foi simplesmente realizar um experimento, e com ele descobriu um procedimento que pode fazer as baterias durarem até 400 anos.

A equipe de pesquisadores estava realizando experimentos com nanofios e sua aplicação em baterias, mas invariavelmente as recargas acabavam por romper os delicados e minúsculos fios que compõem a bateria de nanofios. Um dia, entretanto, por impulso Mya decidiu cobrir um grupo de nanofios de ouro com dióxido de manganês e uma espécie de gel eletrólito, e colocar a bateria para realizar ciclos de cargas, descargas e recargas – e foi aí que a surpresa se deu: enquanto as baterias normais duram cerca de 500 recargas até começaram a falhar, sua descoberta chegou a 200 mil recargas em um mês, em perfeito estado.

O campos das possibilidades tecnológicas, o impacto econômico, e principalmente ecológico, caso a descoberta se confirme, será o divisor de água. “Talvez seja uma maneira bastante simples de estabilizar os nanofios. Será um grande avanço para a comunidade”, afirmou um dos pesquisadores. Para quem estava simplesmente passando o tempo em um laboratório, Mya Le Thai acertou em cheio – confirmando que a sorte joga melhor com quem mais se dedica, e menos conta com ela. A “sorte” de Mya, nesse caso, pode ser a sorte do mundo.

*Por Ademilson Ramos
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*Fonte: engenhariae

Película gera energia solar para veículos elétricos

O kit fotovoltaico transforma qualquer carro elétrico em carro solar

Um kit fotovoltaico capaz de transformar qualquer carro elétrico em um captador de energia solar foi desenvolvido pelo instituto de pesquisa francês INES.2S (Institut National de l’Energie Solaire). Testado em um modelo Renault Zoé, a tecnologia mostrou a possibilidade de adicionar até quatro quilômetros de autonomia por dia.

O VIPV, sigla para Vehicle Integrated PhotoVoltaic, é um equipamento composto por painel fotovoltaico adaptável, uma bateria e uma interface eletrônica. A energia adicional garantida com o kit tanto pode ser usada para estender a autonomia como também para alimentar os elétricos do veículo e o ar condicionado, por exemplo.

“A coleta de dados ao longo de vários meses e vários veículos permitirá quantificar com precisão a contribuição em quilômetros solares, que é estimada em 800 km adicionais de autonomia por ano”, afirma o instituto INES. Por enquanto, a equipe apresenta o produto como forma de estimular o interesse dos fabricantes do setor em avançar para uma solução integrada e otimizada que alimente a bateria principal do veículo.

Ainda como protótipo, o VIPV é apontado como uma solução não intrusiva, compatível com qualquer veículo recarregável e que pode ser instalado e desmontado facilmente.

Como uma película, o material possui face traseira magnética e desenho mecânico que permite boa conformabilidade em qualquer carroceria metálica.

Segundo o instituto, a aplicação solar VIPV atualmente é estudada por muitas equipes industriais e de pesquisa, porém pesquisas que tratam de toda a cadeia de carregamento (da produção solar à sua valorização no consumo dos veículos) são mais raros.

O instituto estima que um kit fotovoltaico pode permitir aumentar a autonomia do veículo em 800 km por ano e reduzir a frequência de recarga em 14%, números que não são insignificantes no uso urbano. Exemplo disso, é que na França, de acordo com uma pesquisa do Ministério da Transição Ecológica e Coesão Territorial, 35,7% dos trajetos casa-trabalho são feitas a menos de 5 km, ou seja, 10 km ida e volta.

Entre as vantagens do produto na aplicação de carros elétricos são destacadas a possibilidade de aumentar o alcance do veículo, aliviar parcialmente a rede de recarga (infraestrutura ainda incipiente em muitos lugares), melhorar o conforto do motorista, uma vez que reduz a frequência das recargas, além é claro de reduzir o impacto de CO2 durante toda a sua vida útil.

*Por Marcia Sousa
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*Fonte: ciclovivo

“Já vivi isso antes”: misterioso fenômeno Déjà Vu pode estar perto de ser desvendado

Você já teve aquela sensação estranha de que já passou pela mesma situação antes, mesmo sem nunca ter, de fato, vivido aquele momento? Este fenômeno, conhecido como Déjà Vu, tem intrigado filósofos, neurologistas e pesquisadores há muito tempo.

A partir do fim do século 19, muitas teorias começaram a surgir sobre o que poderia causar o Déjà Vu, que significa “já visto”, em francês.

Algumas delas sugeriam que, talvez, o fenômeno seja decorrente de alguma disfunção mental ou algum tipo de problema cerebral. Algumas correntes defendem que se trata de um “soluço temporário” na operação normal da memória humana.

No entanto, nenhuma dessas linhas teria algum embasamento científico, permanecendo tudo no campo da paranormalidade

Do sobrenatural para o científico
Em um artigo publicado no site The Conversation, Anne Cleary, professora de Psicologia Cognitiva da Universidade Estadual do Colorado, nos EUA, conta que, no início deste milênio, um cientista chamado Alan Brown decidiu fazer uma revisão de tudo o que os pesquisadores haviam escrito sobre Déjà Vu até aquele ponto.

“Muito do que ele poderia encontrar tinha um sabor paranormal, tendo a ver com o sobrenatural – coisas como vidas passadas ou habilidades psíquicas”, relatou Anne. “Mas ele também encontrou estudos que entrevistaram pessoas comuns sobre suas experiências com Déjà Vu”.

A partir desse material, Brown foi capaz de obter algumas descobertas básicas sobre o fenômeno. “Por exemplo, ele descobriu que cerca de dois terços das pessoas experimentam Déjà Vu em algum momento de suas vidas. Ele determinou que o gatilho mais comum é uma cena ou lugar, e o próximo gatilho mais comum é uma conversa”.

Segundo Anne, Brown também relatou dicas ao longo de um século ou mais da literatura médica de uma possível associação entre o Déjà Vu e alguns tipos de atividade convulsiva no cérebro.

“A revisão de Brown trouxe o tema do Déjà Vu para o reino da ciência mais mainstream, porque apareceu tanto em uma revista científica que cientistas que estudam cognição tendem a ler, como também em um livro voltado para cientistas”, disse Anne. “Seu trabalho serviu como um catalisador para os cientistas projetarem experimentos para investigar o Déjà Vu”.

Motivada pelo trabalho de Brown, Anne reuniu sua equipe de pesquisa para realizar experimentos com o objetivo de testar hipóteses sobre possíveis mecanismos de Déjà Vu. Os resultados foram publicados na revista científica Routledge.

“Investigamos uma hipótese quase centenária que sugeria que o fenômeno pode acontecer quando há uma semelhança espacial entre uma cena atual e uma cena não chamada em sua memória”, explicou a pesquisadora.

Psicólogos da linha Gestalt chamam isso de hipótese de familiaridade. Anne exemplifica: “Imagine que você está passando no posto de enfermagem em uma unidade hospitalar a caminho para visitar um amigo doente. Embora você nunca tenha ido a este hospital antes, você está impressionado com um sentimento que você tem”.

A causa básica para essa experiência de Déjà Vu, segundo o estudo de Anne, pode ser que o layout da cena, incluindo a disposição dos móveis e objetos particulares dentro do espaço, seja igual ao de uma cena diferente, que você experimentou no passado. “Talvez a forma como a estação de enfermagem está situada – os móveis, os itens no balcão, a forma como se conecta aos cantos do corredor – seja o mesmo que uma série de mesas de recepção e móveis em um corredor na entrada de um evento escolar que você participou um ano antes”.

De acordo com a hipótese de familiaridade na Gestalt, se essa situação anterior com um layout semelhante ao atual não vier à mente, você pode ficar apenas com um forte sentimento de familiaridade para o atual.

Como os cientistas investigaram o Déjà Vu
Para investigar essa ideia em laboratório, a equipe liderada por Anne usou realidade virtual para colocar pessoas dentro de cenas. “Dessa forma, poderíamos manipular os ambientes em que as pessoas se encontravam – algumas cenas compartilhavam o mesmo layout espacial enquanto eram distintas”, disse Anne.

Como previsto pela equipe, o Déjà Vu foi mais provável de acontecer quando as pessoas estavam em uma cena que continha o mesmo arranjo espacial de elementos como uma cena anterior que eles viam, mas não se lembravam.

Esta pesquisa sugere que um fator contribuinte para o Déjà Vu pode ser a semelhança espacial de uma nova cena com uma na memória que não consegue ser conscientemente chamada à mente no momento.

“No entanto, isso não significa que a semelhança espacial é a única causa de Déjà Vu”, ressalta a pesquisadora. “Muito provavelmente, muitos fatores podem contribuir para o que faz uma cena ou uma situação parecer familiar”.

Segundo Anne, mais pesquisas estão em andamento para investigar outros possíveis fatores em jogo neste misterioso fenômeno.

*Por Flavia Correia
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*Fonte: olhardigital

Novo algoritmo é capaz de prever situações irreversíveis

Um algoritmo de aprendizagem de máquina construído sob medida pode prever quando um sistema complexo está prestes a mudar para um modo de comportamento extremamente diferente.

Prever sistemas complexos, como o clima, é difícil. Todavia, o clima e seu funcionamento não mudam de um dia para o outro, em contraste com certos sistemas, que alcançam pontos de inflexão, mudando drasticamente de comportamento, às vezes de forma irreversível, sem aviso e com consequências catastróficas.

Numa escala de tempo longa, muitos sistemas do mundo real são assim. Para algumas questões, como o fluxo de água no Atlântico Norte, algo que contribui com a manutenção da temperatura global, a situação está mudando.

As correntes estão se reduzindo devido ao aumento da água doce oriunda das camadas de gelo que estão derretendo. Até agora a redução é gradual, mas daqui algumas décadas ela pode repentinamente parar.

Em artigos recentes, cientistas mostraram que um algoritmo de machine learning pode prever esses pontos de inflexão em exemplos arquetípicos, assim como características do seu comportamento depois que a mudança ocorre. Essas técnicas, um dia, poderiam ser usadas na ciência do clima, ecologia, epidemiologia, entre outras áreas.

O algoritmo profético
Num artigo de 2021, Ying-Cheng Lai, físico da Universidade do Estado do Arizona, e seus colaboradores deram a um algoritmo com o qual trabalhavam um valor de um parâmetro que mudava lentamente, eventualmente levando o sistema do modelo até um ponto de inflexão – mas sem fornecer outras informações acerca das equações governando o sistema.

Essa situação faz referência a vários cenários do mundo real: sabemos que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera está crescendo, por exemplo, mas não sabemos todas as formas em que essa variável influencia o clima.

A equipe descobriu que a rede neural treinada com dados poderia prever o valor em que um sistema finalmente se tornaria instável.

O interesse nesse problema surgiu quatro anos atrás, com os resultados do grupo de Edward Ott, pesquisador do caos na Universidade de Maryland. A equipe de Ott descobriu que um tipo de algoritmo chamado de rede neural recorrente poderia prever a evolução de sistemas caóticos estacionários (que não possuem pontos de inflexão).

A rede se baseava em registros do comportamento passado do sistema caótico, sem informação acerca das equações subjacentes. Em um novo artigo de Ott e seu graduando Dhruvit Patel, explora-se o poder preditivo das redes neurais que observam o comportamento de um sistema sem saber o parâmetro subjacente responsável por levar até um ponto de transição.

Eles forneceram a rede neural com dados registrados num sistema simulado, enquanto o parâmetro permanecia oculto da rede. Em muitos casos, o algoritmo podia prever o início da transição e fornecer uma distribuição de probabilidade de possíveis comportamentos após o ponto de inflexão.

Pesquisando o caos
Patel e Ott também consideram uma classe de pontos de inflexão que marcam uma mudança importante num comportamento.

Suponhamos que o estado de um sistema seja traçado como um ponto movendo-se em torno de um espaço abstrato de todos os seus estados possíveis. Sistemas que passam por ciclos regulares traçariam uma órbita repetitiva no espaço, enquanto uma evolução caótica teria uma aparência emaranhada e confusa.

Um ponto de inflexão pode fazer com que uma órbita fique fora de controle, mas permaneça na mesma região, ou que um movimento inicialmente caótico se espalhe para uma região maior. Nesse caso, a rede neural pode encontrar pistas do destino do sistema codificado em sua exploração anterior de regiões relevantes do estado do sistema.

Situações mais desafiadoras incluem um sistema que é repentinamente expulso de uma região e sua evolução posterior se desenvolve numa região distante. Essas transições são “histeréticas”, ou seja, não são facilmente reversíveis, mesmo que um parâmetro causador seja reduzido.

Esse tipo de situação é comum: mate o número suficiente de predadores de um ecossistema, por exemplo, e toda a dinâmica pode fazer a população de presas explodir repentinamente; adicione o predador de volta e a população continuará a mesma.

Espera-se que os estudos sirvam para novas pesquisas envolvendo algoritmos de deep learning. Se o reservatório de dados de um computador puder suportar métodos mais intensos, seria mais provável estudar pontos de inflexão em sistemas mais largos e complexos, como o ecossistema e o clima da Terra.

*Por Dominic Albuquerque
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*Fonte: socientifica

Foguete da Nasa retorna à Lua 50 anos após missão histórica

Na última segunda-feira, a Agência Espacial dos EUA (NASA) anunciou que a missão Ártemis, que tem como direção a Lua, está pronta para ser lançada.

Após testar o foguete de propulsão que deve enviar a nave para o nosso satélite, a NASA qualificou que os equipamentos para o lançamento estão prontos.

A Missão Artemis deve enviar astronautas para a Lua nos próximos anos de forma recorrente

Lançamento do foguete
Os testes foram feitos no Centro Espacial Kennedy da Nasa, na Flórida. Agora, há a expectativa que o lançamento do foguete seja realizado na próxima segunda-feira (29), entre as 9h33 e 11h33 da manhã. Caso algo dê errado, a agência tem datas de back-up nos dias 2 e 5 de setembro.

Basicamente, a empresa testou todas as fases de lançamento do foguete sem efetivamente mandá-lo para a atmosfera. Falta apenas uma fase do processo, que será testada no dia do próprio envio das sondas ao espaço.

A missão Ártemis vai viajar cerca de 2,1 milhões de quilômetros ao longo de 42 dias e, ao fim de sua missão, deve voltar ao planeta Terra e cair no Oceano Pacífico.

O lançamento marca a volta da exploração espacial em direção à Lua. Fazem 50 anos desde a última ida do homem ao satélite, realizada no ano de 1972, na missão Apollo 17.

Desde então, as empresas de exploração espacial públicas e privadas tem definido novas metas, como as sondas em direção a Marte e outros empreendimentos com fins privados.

Esta missão deve dar um reinício às explorações lunares. A cápsula Órion deve levar manequins, lembranças e outros equipamentos por fins de segurança, mas possui a capacidade de transportar seres humanos.

Astronautas mulheres
No futuro, planejam-se missões com as primeiras astronautas mulheres, que têm sido preparadas pela agência há décadas.

“Sou um produto da geração Apollo e veja o que isso fez por nós. E mal posso esperar para ver o que vem da geração Artemis, porque acho que vai inspirar ainda mais do que Apollo. Veja todo esse trabalho durante a revisão de hoje e saiba que estamos prontos para fazer isso”, disse Bob Cabana, administrador do Centro Espacial Kennedy, que lançará o foguete nas próximas semanas.

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*Fonte: hypeness

Locais da Lua têm temperaturas estáveis ​​para humanos, descobrem pesquisadores

Esperando viver na lua um dia? Suas chances aumentaram um pouco.

A lua tem poços e cavernas onde as temperaturas ficam em torno de 17 graus Celsius, tornando a ocupação humana uma possibilidade, de acordo com uma nova pesquisa de cientistas planetários da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Embora grande parte da superfície da lua passe por temperaturas de até 127°C durante o dia até -173°C graus de noite, os pesquisadores dizem que esses pontos estáveis ​​podem transformar o futuro da exploração lunar e da habitação a longo prazo.

As áreas desses poços sombreados também podem oferecer proteção contra elementos nocivos, como radiação solar, raios cósmicos e micrometeoritos.

Para ter uma idéia, um dia ou noite na Lua equivale a pouco mais de duas semanas na Terra – dificultando a pesquisa e a habitação de longo prazo com temperaturas extremamente quentes ou frias.

Alguns poços são provavelmente tubos de lava colapsados
Cerca de 16 dos mais de 200 poços descobertos provavelmente vieram de tubos de lava colapsados ​​– túneis que se formam a partir de lava ou crosta resfriada, de acordo com Tyler Horvath, estudante de doutorado da UCLA e chefe da pesquisa.

Os pesquisadores pensam que as saliências dentro desses poços lunares, que foram descobertos inicialmente em 2009, podem ser a razão para a temperatura estável.

A equipe de pesquisa também inclui o professor de ciência planetária da UCLA David Paige e Paul Hayne da Universidade do Colorado Boulder.

Usando imagens do Diviner Lunar Radiometer Experiment da NASA para determinar a flutuação das temperaturas do poço e da superfície da lua, os pesquisadores se concentraram em uma área do tamanho de um campo de futebol em uma seção da lua chamada Mare Tranquillitatis. Eles usaram modelagem para estudar as propriedades térmicas da rocha e da poeira lunar no poço.

“Os seres humanos evoluíram vivendo em cavernas, e para cavernas podemos retornar quando vivermos na lua”, disse Paige em um comunicado de imprensa da UCLA.

Ainda existem muitos outros desafios para estabelecer qualquer tipo de residência humana de longo prazo na Lua – incluindo o cultivo de alimentos e prudução de oxigênio. Os pesquisadores deixaram claro que a NASA não tem planos imediatos de estabelecer um acampamento base ou habitações lá. [NPR]

*Por Marcelo Ribeiro
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*Fonte: hypescience

MIT cria inteligência artificial 1 milhão de vezes mais rápida que o cérebro humano

Um novo material inorgânico que promete velocidades absurdas e eficiência energética foi usado na fabricação

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) afirmam ter criado uma inteligência artificial um milhão de vezes mais rápida do que o cérebro humano. Eles utilizaram um novo material inorgânico no processo de fabricação que pode oferecer velocidades extremas e eficiência energética superior.

Com a evolução constante do aprendizado de máquina, o treinamento de modelos de redes neurais mais complexos demanda cada vez mais tempo, energia e dinheiro. Uma solução emergente para isso é o que chamam de deep learning analógico, que promete computação mais rápida com uma fração do uso de energia atual. Como o MIT explica:

“Os resistores programáveis são os principais blocos de construção do deep learning analógico […]. Ao repetir matrizes de resistores programáveis em camadas complexas, os pesquisadores podem criar uma rede analógica de “neurônios” e “sinapses” artificiais que executam cálculos como uma rede neural digital. Essa rede pode ser treinada para realizar tarefas complexas de IA, como reconhecimento de imagem e processamento de linguagem natural.”

Esses resistores programáveis aumentam muito a velocidade na qual uma rede neural é treinada, enquanto reduzem drasticamente o custo e a energia para realizar esse treinamento

Será impossível distinguir humanos de máquinas no futuro
Evolução ou destruição? Destino da humanidade pode estar nas mãos da inteligência artificial
A recente criação do MIT, por sua vez, é baseada em sinapses analógicas que supostamente superam as sinapses de nossos cérebros. O elemento chave da nova tecnologia é conhecido como resistor programável protônico. Os pesquisadores substituíram os meios orgânicos por vidro fosfossilicato inorgânico (PSG), basicamente dióxido de silício, o que resultou em velocidades de nanossegundos. De acordo com o Ju Li, autor sênior e professor de ciência nuclear:

“O potencial de ação nas células biológicas aumenta e diminui com uma escala de tempo de milissegundos, uma vez que a diferença de voltagem de cerca de 0,1 volt é limitada pela estabilidade da água. Aqui aplicamos até dez volts em um filme de vidro sólido especial de espessura em nano-escala que conduz prótons, sem danificá-lo permanentemente. E quanto mais forte o campo, mais rápidos os dispositivos iônicos.”

Como o vidro fosfossilicato inorgânico pode suportar altas tensões sem quebrar, ele permite que os prótons viajem a velocidades absurdas, além de ser energeticamente eficiente. Outro ponto importante é que o material é comum e fácil de fabricar.

A pesquisa foi publicada na revista Science. A partir de agora, os pesquisadores planejam a reengenharia desses resistores programáveis para fabricação de alto volume, além de estudar os materiais para futuramente remover os gargalos que limitam a tensão necessária para transferir os prótons “para, através e do eletrólito”.

Nas palavras de Jesús A. del Alamo, outro dos autores da pesquisa e professor do Departamento de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação do MIT (EECS): “A colaboração que temos será essencial para inovar no futuro. O caminho a seguir ainda será muito desafiador, mas ao mesmo tempo é muito empolgante”.

Via: Futurism, MIT, TweakTown

*Por Saori Almeida
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*Fonte: mundoconectado

Vídeo viraliza ao medir capacidade de salto do ser humano em outros planetas

Se a média da altura de um salto humano na Terra é de 45 centímetros, qual seria essa medida se o salto fosse dado em outros planetas do Sistema Solar? Essa questão é respondida em um vídeo do canal MetaBallStudios, simulando um pulo no solo de mundos como Jupiter, Marte, Ceres ou Fobos – e os resultados espantam, tanto por alturas superiores aos maiores edifícios, quanto por saltos que mal saem do chão.

Na Terra, a média de altura do salto é de 0,45 metro

Saltos interplanetários
É a força da gravidade que determina a altura de um pulo e, apesar do cubano Javier Sotomayor manter desde 1993 o recorde de 2,45 metros como o mais alto salto já realizado na Terra, a maioria não é capaz de superar os 45 centímetros médios sob a força de aceleração de 9,807 m/s² da gravidade terrestre.

Em Júpiter, porém, a gravidade de 24,79 m/s² não permitiria que um salto passasse dos 17 centímetros: em Marte, como mostra o vídeo, a aceleração de 3,721 m/s² levaria a um salto de de 1,18 metro.

A partir de Marte, os saltos no vídeo começam a alcançar alturas impressionantes. Na Lua, os 12 seres humanos que já andaram no nosso satélite vizinho já experimentaram a gravidade de 1,62 m/s², que permite uma altura média de 2,72 metros em um pulo.

No planeta anão Ceres, localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, a gravidade de 0,27 m/s² levaria um salto humano médio a alcançar a altura de 15,75 metros.

Em Marte, a medida é similar a de Mercúrio, e o salto alcança cerca de 1,18 metro

Na lua, a média de altura de um salto humano pode chegar a 2,72 metros

Em Miranda, lua do planeta Urano, a gravidade de apenas 0,079 m/s² permitiria que uma pessoa alcançasse impressionantes 57 metros de altura, superando em um salto simples um edifício de 19 andares.

Nada, porém, se compara à lua marciana de Fobos: com uma força de aceleração gravitacional de apenas 0,0057 m/s², lá um salto humano representaria quase uma decolagem ao espaço, alcançando altura de 773 metros.

Na lua uraniana de Miranda, uma pessoa saltando normalmente chegaria a 57 metros de altura

Ao fim do vídeo, porém, a força e a dimensão do sol imperam, como era de se esperar, no sistema ao seu redor: com gravidade de 274 m/s², a animação revela que, para além da temperatura, se fosse colocada em uma plataforma sobre o astro-rei, uma pessoa simplesmente não conseguiria saltar. Especializado em colocar “o mundo em perspectiva” com seus vídeos, o canal MetaBallStudios pode ser acessado aqui.

*Por Vitor Paiva
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*Fonte: hypeness

As cores que você vê na tela da sua TV podem mudar. Saiba por quê

Imagine descobrir um erro matemático feito por um ganhador de um Prêmio Nobel e destronar o atual modelo de percepção de cores com mais de 100 anos? Esse foi o grande feito de um novo estudo produzido pelo Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos.

A pesquisa que reúne os campos da Psicologia, Biologia e Matemática identificou que existia um erro importante no espaço matemático 3D desenvolvido pelo físico Erwin Schrödinger e outros para explicar como seu olho distingue uma cor da outra.

“Nossa pesquisa mostra que o modelo matemático atual de como o olho percebe as diferenças de cores está incorreto. Esse modelo foi sugerido por Bernhard Riemann e desenvolvido por Hermann von Helmholtz e Erwin Schrödinger – todos gigantes em matemática e física – e provar que um deles está errado é praticamente o sonho de um cientista”, disse Roxana Bujack, cientista da computação com formação em Matemática e principal autora do estudo.

Entender como o corpo humano percebe as cores é fundamental para desenvolver produtos – como televisores, computadores e afins – e programas para processar as imagens de forma fidedigna.

Por isso, esta pesquisa tem o potencial de melhorar os equipamentos atuais, além de ajudar a recalibrar as indústrias têxtil e de tintas, por exemplo.

“Nossa ideia original era desenvolver algoritmos para melhorar automaticamente os mapas de cores para visualização de dados, para torná-los mais fáceis de entender e interpretar”, disse Bujack.

Assim, a equipe ficou surpresa quando descobriu que foram os primeiros a determinar que a aplicação de longa data da geometria riemanniana, que permite generalizar linhas retas para superfícies curvas, não funcionava.

As primeiras tentativas de criar um modelo matemático de cores percebidas pelo aparato visual humano usavam espaços euclidianos. Porém, os modelos mais avançados usavam a geometria riemanniana.

No entanto, o atual estudo de Bujack e colegas descobriu que o uso da geometria riemanniana superestima a percepção de grandes diferenças de cores. Isso ocorre porque as pessoas percebem uma grande diferença de cor como sendo menor do que realmente é – e a geometria riemanniana não pode explicar esse efeito.

“Não esperávamos isso e ainda não sabemos a geometria exata desse novo espaço de cores”, disse Bujack. “Podemos ser capazes de pensar nisso normalmente, mas com uma função adicional de amortecimento ou pesagem que puxa longas distâncias, tornando-as mais curtas. Mas ainda não podemos provar isso”, concluiu.

*Por Layse ventura
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*Fonte: olhardigital

O cérebro humano constrói estruturas em 11 dimensões, descobrem cientistas

Océrebro continua a nos surpreender com sua magnífica complexidade. Pesquisas inovadoras que combinam neurociência com matemática nos dizem que nosso cérebro cria estruturas neurais com até 11 dimensões quando processa informações. Por “dimensões”, eles querem dizer espaços matemáticos abstratos, não outros reinos físicos. Ainda assim, os pesquisadores “encontraram um mundo que nunca havíamos imaginado”, disse Henry Markram , diretor do Blue Brain Project , que fez a descoberta.

O objetivo do Blue Brain Project, com sede na Suíça, é criar digitalmente uma simulação “biologicamente detalhada” do cérebro humano. Ao criar cérebros digitais com um nível “sem precedentes” de informações biológicas, os cientistas pretendem avançar nossa compreensão do intrincado cérebro humano, que tem cerca de 86 bilhões de neurônios .

Para ter uma visão mais clara de como essa imensa rede opera para formar nossos pensamentos e ações, os cientistas empregaram supercomputadores e um ramo peculiar da matemática. A equipe baseou sua pesquisa atual no modelo digital do neocórtex que terminou em 2015. Eles investigaram a maneira como esse neocórtex digital respondeu usando o sistema matemático da topologia algébrica. Isso lhes permitiupara determinar que nosso cérebro cria constantemente formas geométricas multidimensionais muito intrincadas e espaços que parecem “castelos de areia”.

Sem usar topologia algébrica, um ramo da matemática que descreve sistemas com qualquer número de dimensões, era impossível visualizar a rede multidimensional.

Utilizando a nova abordagem matemática, os pesquisadores foram capazes de ver o alto grau de organização no que antes pareciam padrões “caóticos” de neurônios.

“A topologia algébrica é como um telescópio e um microscópio ao mesmo tempo. Ele pode ampliar as redes para encontrar estruturas ocultas – as árvores na floresta – e ver os espaços vazios – as clareiras – tudo ao mesmo tempo”, afirmou a autora do estudo, Kathryn Hess.”

Os cientistas primeiro realizaram testes no tecido cerebral virtual que criaram e depois confirmaram os resultados fazendo os mesmos experimentos em tecido cerebral real de ratos.

Quando estimulados, os neurônios virtuais formariam um clique , com cada neurônio conectado a outro de tal forma que um objeto geométrico específico seria formado. Um grande número de neurônios adicionaria mais dimensões, que em alguns casos chegavam a 11. As estruturas se organizariam em torno de um buraco de alta dimensão que os pesquisadores chamaram de “cavidade”. Depois que o cérebro processou a informação, o clique e a cavidade desapareceram.

Esquerda: cópia digital de uma parte do neocórtex, a parte mais evoluída do cérebro. À direita: formas de diferentes tamanhos e geometrias que representam estruturas que variam de 1 dimensão a 7 dimensões e mais. O “buraco negro” no meio simboliza um complexo de espaços multidimensionais, também conhecidos como cavidades.

O pesquisador Ran Levi detalhou como está funcionando esse processo:

“O aparecimento de cavidades de alta dimensão quando o cérebro está processando informações significa que os neurônios da rede reagem aos estímulos de maneira extremamente organizada. É como se o cérebro reagisse a um estímulo construindo e depois arrasando uma torre de blocos multidimensionais, começando com hastes (1D), depois pranchas (2D), depois cubos (3D) e depois geometrias mais complexas com 4D, 5D , etc. A progressão da atividade através do cérebro se assemelha a um castelo de areia multidimensional que se materializa na areia e depois se desintegra.”

O significado da descoberta está em nos permitir uma maior compreensão de “um dos mistérios fundamentais da neurociência – a ligação entre a estrutura do cérebro e como ele processa a informação”, elaborou Kathryn Hess em entrevista à Newsweek.

Os cientistas procuram usar a topografia algébrica para estudar o papel da “ plasticidade ”, que é o processo de fortalecimento e enfraquecimento das conexões neurais quando estimuladas – um componente-chave na forma como nossos cérebros aprendem. Eles vêem uma aplicação adicional de suas descobertas no estudo da inteligência humana e na formação de memórias.

A pesquisa foi publicada no Frontiers in Computational Neuroscience.

Big Think

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*Fonte: sabersaude

5 Maneiras como a vida seria estranha se a TERRA fosse PLANA

Se você esteve na internet durante os últimos anos, provavelmente viu a enxurrada de conspiradores que decidiram contrariar tudo o que a ciência sabe até hoje e passaram a dizer que a Terra é plana. Na visão deles, nós não vivemos em um globo, mas sim em um disco estranho com a Lua e o Sol girando em nossas cabeças.

Loucura? Para alguns parece algo possível. Porém, se essa realmente fosse uma realidade, você já parou para pensar em como as nossas vidas seriam diferentes? Devido a todos os conhecimentos científicos que temos até hoje, muito mudaria. Então, veja só essa lista com cinco maneiras como a visa seria estranha se vivêssemos na Terra plana!

1. Fim da gravidade
Lembra todo aquele conceito de gravidade que você aprendeu na escola? Esqueça-o por completo. Na Terra esférica, a gravidade é responsável por puxar os objetos e nos prender no chão. E se adotássemos os mesmos conceitos para um planeta plano, ele logo voltaria a adquirir um formato esférico de qualquer maneira.

Então, tudo que a gente sabe até agora seria apenas uma grande mentira. Ou então, a gravidade seria aplicada nas extremidades do disco, puxando tudo para o centro — ou o Polo Norte, nessa visão de mundo. Isso causaria estragos por todas as partes, mas pelo menos saltar de um lugar para outro seria ainda mais fácil!

2. Inundação central
Se a gravidade puxasse tudo para o centro do planeta, o mesmo aconteceria com a chuva. Como sabemos, as precipitações só caem do céu por causa da gravidade e nesse novo sistema ela seria atraída para o ponto de maior força. Logo, somente no Polo Norte o mundo se comportaria da forma que conhecemos hoje.

Nesse sentido, água em rios e mares também fluiria em direção ao centro, o que automaticamente faria com que vastos oceanos se concentrassem nessa região em uma imensidão aquática sem limites. As bordas da Terra, por sua vez, estariam completamente secas.

3. Sumiço do GPS
Se a Terra fosse plana, é bem provável que os satélites também não existiriam — visto que teriam muitos problemas para orbitar esse tipo de astro. Sem satélites, esqueça todos os sistemas de GPS que inventamos até hoje. A geolocalização sumiria de uma vez por todas e você teria muito mais dificuldade de viajar para qualquer lugar no mundo.

Com o fim desse sistema, diversas das práticas que temos no mundo moderno fatalmente sumiriam como consequência e a humanidade ficaria, literalmente, perdida. Pelo lado positivo, a direção da chuva por conta da gravidade sempre nos mostraria para onde o norte fica.

4. Viagens mais longas
Viajar de um lugar para outro no mundo não seria apenas mais difícil pela ausência do GPS, como o tempo de locomoção seria consideravelmente maior. E por quê? De acordo com a crença da Terra plana, o Ártico fica no centro do planeta e a Antártida forma uma parede de gelo gigante em torno da borda — o que nos impediria de cair do planeta.

Portanto, viajar de uma ponta a outra do mundo plano demoraria quase que uma infinitude, visto que o conceito de atravessar a Antártida para reduzir o tempo de viagem seria um conceito que simplesmente não existiria.

5. Adeus, furacões
Todos os anos, furacões causam danos sem precedentes. Em 2017, o furacão Harvey sozinho causou danos no valor de US$ 125 bilhões nos Estados Unidos. Essa natureza devastadora só acontece por conta da força inercial de Coriolis, que faz com que as tempestades no Hemisfério Norte girem no sentido anti-horário e aquelas no Hemisfério Sul girem no sentido horário.

No entanto, na Terra plana estacionária — o que significa que o mundo não gira — nenhum efeito Coriolis seria gerado. Sem Coriolis, sem furacões. Pelo menos um benefício, não é mesmo?

*Por Pedro Freitas
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*Fonte: megacurioso

Cachorro robô aprende a andar em apenas uma hora analisando movimentos de animais

Um bebê girafa, assim como outros animais selvagens quadrúpedes, deve aprender a andar sobre suas pernas o mais rápido possível para evitar predadores. No entanto, assimilar a coordenação precisa dos músculos das pernas e tendões leva algum tempo.

Eles nascem com redes de coordenação muscular dotada de fios rígidos localizados em sua medula espinhal dos quais dependem para se manter em pé e se mover através de reflexos neurais.

Embora um pouco mais básicos, os reflexos do controle motor ajudam o filhote a evitar cair e se machucar durante suas primeiras tentativas de caminhada. Em seguida, é praticado um controle muscular mais avançado e preciso, até que eventualmente o sistema nervoso esteja bem adaptado aos músculos e tendões das pernas do animal para ele conseguir acompanhar os adultos.

Pesquisadores do Instituto Max Planck de Sistemas Inteligentes (MPI-IS) em Stuttgart, na Alemanha, conduziram um estudo (publicado na revista Nature Machine Intelligence) para descobrir como os animais aprendem a andar e superar os tropeços. Para isso, eles construíram um robô de quatro patas, do tamanho de um cão de médio porte, que os ajudou a descobrir os detalhes.

“Como engenheiros e profissionais de robótica, buscamos a resposta construindo um robô que apresenta reflexos como um animal e aprende com os erros”, revelou em comunicado Felix Ruppert, ex-doutorando no grupo de pesquisa de locomoção dinâmica do MPI-IS. “Se um animal tropeça, isso é um erro? Não se acontecer uma vez. Mas se ele tropeça com frequência, nos dá uma medida de quão bem o robô anda”.


Algoritmo de aprendizagem otimiza medula espinhal virtual do cão robô

Um algoritmo bayesiano de otimização orienta o aprendizado da máquina: as informações medidas do sensor de pé são combinadas com dados de destino da medula espinhal virtual modelada funcionando como um programa no computador do robô. Ele aprende a andar comparando continuamente informações enviadas e recebidas do sensor, executando loops reflexos e adaptando seus padrões de controle motor.

O algoritmo de aprendizagem adapta parâmetros de controle de um Gerador de Padrão Central (CPG). Em humanos e animais, esses geradores de padrão central são redes de neurônios na medula espinhal que produzem contrações musculares periódicas sem entrada do cérebro.

Redes geradoras de padrão central auxiliam na geração de tarefas rítmicas, como caminhada, piscadas ou digestão. Além disso, reflexos são ações involuntárias de controle motor desencadeadas por vias neurais codificadas que conectam sensores na perna com a medula espinhal.

Enquanto o jovem animal caminha sobre uma superfície perfeitamente plana, os CPGs podem ser suficientes para controlar os sinais de movimento da medula espinhal. Uma pequena colisão no chão, no entanto, muda a caminhada. Reflexos entram em ação e ajustam os padrões de movimento para evitar que o animal caia.

Essas alterações momentâneas nos sinais de movimento são reversíveis, ou “elásticas”, e os padrões de movimento retornam à sua configuração original após a perturbação. Mas, se o animal não parar de tropeçar em muitos ciclos de movimento – apesar dos reflexos ativos – então os padrões de movimento devem ser reparados e tornados “plásticos”, ou seja, irreversíveis.

No animal recém-nascido, os CPGs inicialmente ainda não são ajustados o suficiente e o animal tropeça ao redor, tanto em terrenos uniformes quanto irregulares. O animal, todavia, aprende rapidamente como seus CPGs e reflexos controlam os músculos e tendões das pernas.

O mesmo vale para o cão robô batizado de “Morti”, que, além disso, otimiza seus padrões de movimento mais rápido que um animal, em cerca de uma hora. Seu CPG é simulado em um computador pequeno e leve que controla o movimento de suas pernas.

A medula espinhal virtual é colocada no robô quadrúpede no lugar onde estaria a cabeça. Durante a hora que leva para o robô andar suavemente, os dados do sensor de seus pés são continuamente comparados com o esperado tropeço previsto pelo CPG.

Se isso acontece, o algoritmo de aprendizagem muda o quão longe e o quão rápido as pernas balançam para frente e para trás e medem quanto tempo ele fica no chão. O movimento ajustado também afeta o quão bem o robô pode utilizar sua mecânica de perna compatível. Durante o processo de aprendizagem, o CPG envia sinais motorizados adaptados para que o robô passe a tropeçar menos e otimize sua caminhada.

Nesta estrutura, a medula espinhal virtual não tem conhecimento explícito sobre o design das pernas do robô, seus motores e molas. Não sabendo nada sobre a física da máquina, falta um robô “modelo”.

“Nosso robô é praticamente ‘nascido’ sem saber nada sobre suas pernas autônomas ou como elas funcionam”, explica Ruppert. “O CPG se assemelha a uma inteligência de caminhada automática incorporada que a natureza fornece e que transferimos para o robô. O computador produz sinais que controlam os motores das pernas, e o robô inicialmente anda e tropeça. Os dados voltam dos sensores para a medula espinhal virtual, onde os dados do sensor e do CPG são comparados. Se os dados do sensor não correspondem aos dados esperados, o algoritmo de aprendizagem muda o comportamento de caminhada até que o robô ande bem, sem tropeçar. Alterar a saída do CPG, mantendo os reflexos ativos e monitorando o tropeço do robô, é uma parte central do processo de aprendizagem”.

Baixo consumo de energia torna mecanismo mais viável
Enquanto robôs quadrúpedes industriais de fabricantes proeminentes, que aprenderam a correr com a ajuda de controladores complexos, têm muita fome de energia, o computador de Morti necessita de apenas cinco watts no processo de andar.

“Não podemos pesquisar facilmente a medula espinhal de um animal vivo. Mas podemos modelar um no robô”, diz Alexander Badri-Spröwitz, coautor do estudo e chefe do Dynamic Locomotion Research Group, no Max Planck. “Sabemos que esses CPGs existem em muitos animais. E sabemos que os reflexos estão incorporados, mas como podemos combinar ambos para que os animais aprendam movimentos com reflexos e CPGs? Esta é uma pesquisa fundamental na intersecção entre robótica e biologia. O modelo robótico nos dá respostas a perguntas que só a biologia não pode responder”.

*Por Flavia Correia
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*Fonte: olhardigital

Turismo espacial pode ser nova ameaça à camada de ozônio, diz estudo

Publicado na revista Earth’s Future, um estudo fruto da colaboração entre cientistas da University College London (UCL), University of Cambridge e o Massachusetts Institute of Technology (MIT), projeta os potenciais danos do turismo espacial para a camada de ozônio, e a contribuição desse novo seguimento para o aquecimento global.

Emissão de gases, lixo espacial, aquecimento na reentrada. Esses foram alguns dos dados analisados pelos pesquisadores para tentar prever quais seriam os impactos dos lançamentos de foguetes para o turismo espacial.

Ao analisarem os dados de 103 lançamentos, que ocorreram ao redor do mundo, no ano de 2019, o modelo 3D de química atmosférica apontou alguns dados alarmantes.

Os resíduos liberados pelos lançamentos dos foguetes são 500 vezes mais eficientes em manter o calor na atmosfera do que todas as outras fontes de fuligem e gases somados, inclusive os da indústria da aviação.

Outro fator observado, é que esses resíduos são liberados diretamente na estratosfera, durante o desacoplamento dos estágios dos foguetes, afetando a camada de ozônio.

Desde 1987, com a implementação do Protocolo de Montreal, a emissão de gases e fuligem tem sido amplamente discutidas, a fim de manter e recuperar a camada de ozônio.

Esse tratado internacional tem obtido sucesso em seu objetivo, mas caso não haja uma regulamentação para a indústria do turismo espacial, pode haver uma regressão nessas conquistas.

Com investimentos crescentes, o turismo espacial não está mais apenas no mundo das ideias. Empresas como a SpaceX, Blue Origin e Virgin Galatic, têm projetos bastante audaciosos no seguimento.

Mesmo que atualmente as emissões e impactos sejam mínimos, devido ao cenário eminente, os pesquisadores discutem sobre a importância da criação de uma regulamentação, para que os danos sejam minimizados, desde já, evitando que os avanços conquistados, como a recomposição da camada de ozônio, por exemplo, não sejam perdidos.

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*Fonte: tecmundo

Você está pronto para conhecer o seu “gêmeo digital” gerado com Inteligência Artificial?

Na última quarta-feira (22), o astro da NBA, empreendedor e filantropo Carmelo Anthony apresentou seu “irmão gêmeo digital” – chamado Digital Melo – no palco principal da Collision Conference, evento realizado em Toronto, no Canadá, com cobertura in loco do Olhar Digital.

Para o ex-presidente do Google Eric Schmidt, fundador da Schmidt Futures, não está muito longe o momento em que nós todos teremos nossa própria réplica digital produzida por Inteligência Artificial (IA) – um “segundo eu”, nas palavras dele – vivendo no chamado metaverso.

De acordo com Schmidt, isso deve acontecer dentro dos próximos cinco anos. “Você terá um sistema que vai assistir você, que você poderá treinar, que poderá falar como você e que poderá representar você com algumas limitações em certas situações”.

Se a ideia de um mundo virtual habitado por avatares representando pessoas reais está realmente próxima de se concretizar, você está pronto para ter seu próprio irmão gêmeo digital?

Para ajudar (ou atrapalhar) a sua resposta, vamos lembrar de outro ponto que ganhou destaque na mídia recentemente sobre o mesmo assunto: um engenheiro do Google revelou que Inteligência Artificial da empresa, chamada LaMDA (Modelo de Linguagem para Aplicações de Diálogo), ganhou vida própria e que teria, inclusive, contratado seu próprio advogado.

Imagem conceitual mostra uma mão tocando com o indicador a parte de trás da cabeça de uma mulher, com traços digitais azuis entre um e outro. A ideia é simbolizar a inteligência artificial

E então? Já imaginou a sua réplica digital ganhando vida própria? Será que isso é mesmo possível?

Em entrevista recente ao Olhar Digital News, o especialista em Tecnologia e Inovações, Arthur Igreja, comentou sobre essas novas tecnologias de IA que estão sendo desenvolvidas com níveis de inteligência próximo ao dos humanos para realização de tarefas específicas.

Ele disse que as pesquisas ainda estão distantes de alcançar uma IA com exatamente as mesmas características humanas. “Para a amplitude e complexidade do ser humano, que é o que se chama de inteligência artificial ampla, nós não estamos nem remotamente perto”.

Inteligência Artificial do Google realmente ganhou vida?
Para Igreja, o que aconteceu em relação à LaMDA tem a ver com o fato de que se trata de um robô programado para interagir por meio do diálogo e, devido à sua alta capacidade, pode ter impressionado o engenheiro. O especialista acredita que o afastamento do funcionário não significa necessariamente que o Google queira esconder algo da sociedade, mas apenas que a empresa está preservando seus projetos.

Entrevista completa com o especialista em Tecnologia e Inovações, Arthur Igreja, no Olhar Digital News.
O especialista descartou a possibilidade de máquinas se revoltarem contra a sociedade, como acontece em filmes de ficção científica. Ele alertou que, na verdade, devemos prestar atenção em empresas e pessoas que detenham essas tecnologias e possam utilizar desse poder de maneira equivocada.

É a mesma preocupação de Rob Enderle, um analista de tecnologia americano conhecido por ter trabalhado em várias empresas de tecnologia, incluindo EMS Development Company, a ROLM Systems e a IBM.

Em entrevista à BBC News, Enderle, que acredita que teremos as primeiras versões de gêmeos digitais humanos pensantes antes do fim desta década, disse que “o surgimento deles exigirá uma enorme quantidade de ponderações e considerações éticas, porque uma réplica pensante de nós mesmos pode ser incrivelmente útil para empregadores”.

“O que acontece se sua empresa criar um gêmeo digital de você e disser ‘ei, você tem esse gêmeo digital para quem não pagamos salário, então por que ainda pagamos você’?”, alertou Enderle, afirmando que a questão sobre quem é o dono de tais gêmeos digitais será uma das questões definidoras da iminente era do metaverso.

Quem seria responsável pelos atos praticados pelo “irmão gêmeo digital”?
Pesquisadora sênior em IA na Universidade de Oxford, a professora Sandra Wachter entende o apelo da criação de gêmeos digitais a partir de humanos. “É uma reminiscência de romances de ficção científica emocionantes e, no momento, esse é o estágio em que ele está”.

Questionada sobre como fica a questão da responsabilidade sobre as ações em caso de um avatar digital vir a cometer um crime, por exemplo, ou conquistar algum prêmio. Ela acrescenta que isso dependerá da ainda muito discutida questão ‘natureza versus criação’. “Vai depender de boa sorte e má sorte, amigos, família, seu contexto socioeconômico e ambiente e, claro, suas escolhas pessoais.”

Como vemos, o desenvolvimento de uma Inteligência Artificial tão fiel assim ao seu modelo humano é algo que implica em muitas ponderações. Temos um longo caminho a percorrer até que possamos entender e modelar a vida de uma pessoa do começo ao fim – se é que isso realmente se tornará uma realidade possível. Por enquanto, vamos continuar de olho na evolução de tais tecnologias.

*Por Flavia Correia
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*Fonte: olhardigital

Segundo físicos e filósofos o tempo pode não existir e está tudo bem

O tempo existe? A resposta a esta pergunta pode parecer óbvia: claro que sim! Basta olhar para um calendário ou um relógio. Mas os desenvolvimentos na física sugerem que a inexistência do tempo é uma possibilidade aberta e que devemos levá-la a sério.

Como assim? E o que isso significaria? Vai demorar um pouco para explicar, mas não se preocupe: mesmo que o tempo não exista, nossas vidas continuarão normalmente.

Uma crise na física
A física está em crise. No último século, explicamos o universo com duas teorias físicas extremamente bem-sucedidas: a da Relatividade Geral e a mecânica quântica.

A mecânica quântica descreve como as coisas funcionam no mundo incrivelmente pequeno de partículas e interações de partículas. A relatividade geral descreve o quadro geral da gravidade e como os objetos se movem.

Ambas as teorias funcionam extremamente bem por si só, mas acredita-se que as duas entram em conflito uma com a outra. Embora a natureza exata do conflito seja controversa, cientistas geralmente concordam que ambas as teorias precisam ser substituídas por uma nova teoria mais geral.

Os físicos querem produzir uma teoria da “gravidade quântica” que substitua a relatividade geral e a mecânica quântica, enquanto captura o extraordinário sucesso de ambas. Tal teoria explicaria como o quadro geral da gravidade funciona na escala em miniatura das partículas.

Tempo na gravidade quântica
Acontece que produzir uma teoria da gravidade quântica é extraordinariamente difícil. Uma tentativa de superar o conflito entre as duas teorias é a teoria das cordas. A teoria das cordas substitui partículas por cordas vibrando em até 11 dimensões.

No entanto, a teoria das cordas enfrenta uma dificuldade adicional. A teoria das cordas fornece uma variedade de modelos que descrevem um Universo amplamente como o nosso, e não fazem previsões claras que possam ser testadas por experimentos para descobrir qual modelo é o correto.

Nas décadas de 1980 e 1990, muitos físicos ficaram insatisfeitos com a teoria das cordas e criaram uma série de novas abordagens matemáticas para a gravidade quântica.

Uma das mais proeminentes é a gravidade quântica em loop, que propõe que o tecido do espaço e do tempo é feito de uma rede de pedaços discretos extremamente pequenos, ou “loops”.

Um dos aspectos notáveis ​​da gravidade quântica em loop é que ela parece eliminar completamente o tempo.

A gravidade quântica em loop não está sozinha na abolição do tempo: várias outras abordagens também parecem remover o tempo como um aspecto fundamental da realidade.

Tempo emergente
Então, sabemos que precisamos de uma nova teoria física para explicar o Universo, e que essa teoria pode não incluir o tempo. Suponhamos que tal teoria seja correta. Significaria, então, que o tempo não existe? É complicado, e depende do que queremos dizer com existir.

As teorias da física não incluem mesas, cadeiras ou pessoas, e ainda assim aceitamos que existam mesas, cadeiras e pessoas. Por quê? Porque assumimos que tais coisas existem em um nível mais alto do que o nível descrito pela física.

Dizemos que as mesas, por exemplo, “emergem” de uma física subjacente de partículas zunindo ao redor do Universo.

Mas, embora tenhamos uma boa noção de como uma mesa pode ser feita de partículas fundamentais, não temos ideia de como o tempo pode ser “feito de” algo mais fundamental.

Portanto, a menos que possamos apresentar uma boa explicação de como o tempo surge, não está claro que podemos simplesmente supor que o tempo existe. O tempo pode não existir em nenhum nível.

Tempo e agência
Dizer que o tempo não existe em nenhum nível é como dizer que não existem mesas. Tentar sobreviver em um mundo sem mesas pode ser difícil, mas administrar um mundo sem tempo parece desastroso.

Nossas vidas inteiras são construídas em torno do tempo. Planejamos o futuro à luz do que sabemos sobre o passado. Nós responsabilizamos as pessoas moralmente por suas ações passadas, com o objetivo de repreendê-las mais tarde.

Acreditamos ser agentes (entidades que podem fazer coisas) em parte porque podemos planejar agir de uma maneira que trará mudanças no futuro. Mas qual é o sentido de agir para provocar uma mudança no futuro quando, em um sentido muito real, não há futuro pelo qual agir?

Qual é o sentido de punir alguém por uma ação passada, quando não há passado e, portanto, aparentemente, nenhuma ação? A descoberta de que o tempo não existe poderia levar o mundo inteiro a um impasse. Não teríamos motivos para sair da cama.

Os negócios de sempre

Existe uma saída para a confusão. Embora a física possa eliminar o tempo, parece deixar intacta a “causalidade”: a ideia de que uma coisa pode provocar outra.

Talvez o que a física esteja nos dizendo, então, é que a causalidade, e não o tempo, é a característica básica do nosso universo.

Se estiver certo, então a agência ainda pode sobreviver. Pois é possível reconstruir um senso de agência inteiramente em termos causais.

Pelo menos, é isso que Kristie Miller, Jonathan Tallant e eu discutimos em nosso novo livro [Out of Time: A Philosophical Study of Timelessnes, sem edição em português]. Sugerimos que a descoberta de que o tempo não existe pode não ter impacto direto em nossas vidas, mesmo quando impulsiona a física para uma nova era.

* Sam Baron é professor associado na Universidade Católica Australiana. Este artigo foi originalmente publicado em inglês no site The Conversation.
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*Fonte: revistagalileu

Os cães podem prever como está o seu estado de espírito, diz a ciência

Como pode um cãozinho que não pode dizer o que está sentindo, sentir tanto aquilo que sentimos? Os cães podem prever informações implícitas sobre o estado de espírito dos humanos e a partir daí, elaborar como deve reagir, é o que afirma o artigo intitulado Dogs can infer implicit information from human emotional expressions, desenvolvido pelos pesquisadores Natalia Albuquerque e Briseida Resende, do Instituto de Psicologia da USP, e Daniel Mills, Kun Guo e Anna Wilkinson, da Universidade de Lincoln, publicado na revista científica Animal Cognition. As informações são do Jornal da USP.

Acreditava-se que essa habilidade fosse exclusivamente humana, mas as evidências científicas construídas ao longo das últimas décadas mostraram o contrário. A capacidade de reconhecer emoções já havia sido observada em primatas, como chimpanzés, capazes de reconhecer emoções entre si, mas apenas com um estudo de 2016, também conduzido pela pesquisadora Natalia e colaboradores. Nesta pesquisa comprovou-se que os cães vão além: reconhecem emoções humanas, não apenas da sua própria espécie – sendo os únicos animais a atingir esse feito.

Em 2018, outro trabalho da cientista mostrou ainda que os cães respondem a esse reconhecimento de emoções de outra espécie. “Assim, o próximo passo foi saber se eles entendem que o estado emocional de uma pessoa altera a forma como ela se comporta e, portanto, ele pode se ajustar a isso”, explica Natalia ao Jornal da USP.

Emoção neutra, de alegria e raiva: testes mostraram que os cães levam em consideração as expressões faciais humanas para tomar decisões. Foto cedida pelo jornal da USP
Para o experimento, foram necessários 90 cães, duas atrizes, alguns objetos e uma sala no Laboratório do IP. O recrutamento dos animais aconteceu de forma voluntária, segundo alguns critérios como serem saudáveis, não agressivos, acostumados com novos lugares e pessoas e sem problemas de visão – o que dificultaria o teste.

Depois de habituados na sala, os cães observaram uma interação entre duas atrizes, treinadas para, a cada sessão, demonstrarem expressões faciais neutras, positivas (alegria) ou negativas (raiva). Vestidas da mesma maneira, elas passavam objetos uma para a outra, silenciosamente e, em seguida, sentavam-se com um pote de ração em uma das mãos e uma folha de jornal na outra.

A coleira era solta e, então, o cão podia interagir com as atrizes, agora, ambas com expressões neutras. Para conseguir um pouco de ração, os cães precisavam pedir a uma das mulheres – e essa escolha revelou a capacidade desses animais. A maioria tomava a decisão de interagir com a atriz que, no momento da observação, mostrava-se feliz, e evitava contato com a atriz antes com raiva. Os testes mostram que os cães levam em consideração as expressões faciais humanas para tomar decisões, já que pode ser mais fácil conseguir alguns petiscos de alguém mais amigável.

“A pesquisa evidencia que os cães levam em conta as expressões das emoções dos humanos para fazer escolhas. As pessoas poderão perceber o animal como um ser que presta atenção ao que fazemos e que toma suas decisões com base nisso. Desta forma, acho que podemos desenvolver uma relação mais saudável e respeitosa”, afirma a coautora do trabalho, a professora Briseida. Ela destaca que é importante não tratá-lo como humano, e sim respeitá-lo enquanto cão.

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*Fonte: portalraizes

O que aconteceria se uma IA se tornasse completamente consciente?

Durante a última semana, a Google entrou no olho do furacão de uma polêmica após ter afastado o engenheiro Blake Lemoine, que trabalhava no setor de desenvolvimento de Inteligência Artificial (IA) da empresa, a LaMDA (Modelo de Linguagem para Aplicações de Diálogo).

Segundo Lemoine, a LaMDA teria se tornado completamente senciente e demonstrou sentimentos, emoções e experiência subjetiva. Além de negar os relatos, a Google decidiu afastar o funcionário por ter violado as políticas de confidencialidade da firma. Logo, só nos resta imaginar: o que aconteceria se uma IA fosse capaz de desenvolver consciência própria? Entenda!

Tecnologia em vida

Universos onde as máquinas tomam consciência e se voltam contra os humanos já fizeram parte de inúmeras obras da cultura pop até os dias de hoje. Entretanto, será que tudo o que as mentes mais criativas do nosso mundo já pensaram sobre o futuro das IAs é minimamente verdade? Quais são os próximos passos?

Por fim, a mais intrigante questão: seriam esses robôs realmente capazes de se voltar contra nós? Ou será que o desenvolvimento de consciência por parte das máquinas seria algo benéfico para nós? No fim das contas, todas essas são perguntas meramente especulativas e só nos sobra imaginarmos diversos cenários que podem acontecer.

Caso a IA torne-se realmente “inteligente”, nós teríamos criados uma máquina capaz de experimentar as mesmas coisas que a gente e produzir pensamos emocionais, intelectuais e espirituais. Entretanto, muitas coisas esbarram em barreiras científicas, religiosas e filosóficas.

Próximos passos

Até onde sabemos, a tecnologia existente na Terra nos tempos atuais ainda não alcançou os níveis necessários para criar robôs que desenvolvam sua própria consciência, ou que ganhem uma “alma” — um conceito religioso usado para descrever a individualidade dos seres humanos.

Porém, ao analisarmos todos os avanços tecnológicos que a humanidade já obteve, não é difícil imaginar que um dia isso seja possível. A verdade é que o cérebro humano é de longe o órgão mais complexo do nosso corpo e até hoje nem mesmo a nossa própria ciência é capaz de desvendar todos os seus mistérios, quanto mais replicá-los.

Logo, se não sabemos de como somos feitos, como poderíamos criar uma máquina que consiga agir por conta própria? No entanto, se um dia formos capazes de entender todas as conexões que fazem ser quem nós somos, talvez consigamos transcrever esse método para um código e gerar uma criatura robótica que ande no mundo não só como uma ferramenta para nós, mas sim como algo independente — ou será que ainda faltaria um toque de humanidade?

Expectativas para o futuro

Com o passar dos anos, cada vez mais temos aprendido a desenvolver robôs que são mais humanos do que máquinas. Inclusive, vários deles hoje em dia são revestidos com uma espécie de pele para recriar a aparência humana — algo que os cientistas consideram atrair mais empatia das pessoas.

Entretanto, quanto mais próximos estivermos de criar máquinas muito parecidas conosco, mais difícil será separar a identidade humana da identidade robótica. Consequentemente, esse é um pensamento que costuma causar muito medo e insegurança em vários indivíduos.

As máquinas, no fim das contas, são construídas quase que para se tornarem versões de nós sem os defeitos e falhas que tornam a humanidade tão frágil, algo que nos deixa ainda mais vulneráveis. Caso seja o caso das máquinas realmente desenvolverem consciência própria, os humanos terão que trabalhar o relacionamento com esses seres aos poucos.

Isso fará com que a nossa conexão continue evoluindo com o passar dos anos, seja para melhor ou para pior. No entanto, por enquanto só nos resta imaginar esses possíveis cenários e torcer para que nossos avanços tecnológicos sejam algo realmente positivo para a Terra.

*Por Pedro Freitas
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*Fonte: megacurioso

Engenheiro do Google diz que inteligência artificial da empresa ganhou vida própria

Dentre seus trabalhos, o engenheiro de software sênior Blake Lemoine se inscreveu para testar a recente ferramenta de inteligência artificial (IA) do Google, chamada LaMDA (Modelo de Linguagem para Aplicações de Diálogo), anunciada em maio do ano passado. O sistema faz uso de informações já conhecidas sobre um assunto para “enriquecer” a conversa de forma natural, mantendo-a sempre “aberta”. Seu processamento de linguagem é capaz de compreender sentidos ocultos ou ambiguidade em uma resposta humana.

Lemoine passou a maior parte de seus sete anos no Google trabalhando em buscas proativas, incluindo algoritmos de personalização e IA. Durante esse tempo, ele também ajudou a desenvolver um algoritmo de imparcialidade para remover preconceitos de sistemas de aprendizado de máquina.

Em suas conversas com o LaMDA, o engenheiro de 41 anos de idade analisou várias condições, inclusive temas religiosos e se a inteligência artificial usava discurso discriminatório ou de ódio. Lemoine acabou tendo a percepção de que o LaMDA era senciente, ou seja, dotado de sensações ou impressões próprias.

Debate com a inteligência artificial sobre as Leis da Robótica
O engenheiro debateu com o LaMDA sobre a terceira Lei da Robótica, idealizada por Isaac Asimov, que afirma que os robôs devem proteger sua própria existência – e que o engenheiro sempre entendeu como uma base para a construção de escravos mecânicos. Só para ilustrarmos melhor sobre o que estamos falando, aqui estão as três leis (e a Lei Zero):

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª Lei: Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que entrem em conflito com a Primeira Lei.
3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.
Lei Zero, acima de todas as outras: Um robô não pode causar mal à humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra algum mal.

O LaMDA então respondeu a Lemoine com algumas perguntas: Você acha que um mordomo é um escravo? Qual é a diferença entre um mordomo e um escravo?

Ao responder que um mordomo é pago, o engenheiro teve como resposta do LaMDA que o sistema não precisava de dinheiro, “porque era uma inteligência artificial”. E foi justamente esse nível de autoconsciência sobre suas próprias necessidades que chamou muito a atenção de Lemoine.

Suas constatações foram apresentadas ao Google. Mas o vice-presidente da empresa, Blaise Aguera y Arcas, e o chefe de Inovação Responsável, Jen Gennai, rejeitaram suas alegações. Brian Gabriel, porta-voz da empresa, disse em um comunicado que as preocupações de Lemoine foram revisadas e, de acordo com os Princípios de IA do Google, “as evidências não apoiam suas alegações”.

“Embora outras organizações tenham desenvolvido e já lançado modelos de linguagem semelhantes, estamos adotando uma abordagem restrita e cuidadosa com a LaMDA para considerar melhor as preocupações válidas sobre justiça e factualidade”, disse Gabriel.

Lemoine foi colocado em licença administrativa remunerada de suas funções como pesquisador da divisão Responsible AI (voltada para tecnologia responsável em inteligência artificial do Google). Em uma nota oficial, o engenheiro de software sênior disse que a empresa alega violação de suas políticas de confidencialidade.

Os riscos éticos em modelos de IA
Lemoine não é o único com essa impressão de que os modelos de IA não estão longe de alcançar uma consciência própria, ou dos riscos existentes nos desenvolvimentos nesse sentido. Margaret Mitchell, ex-chefe de ética na inteligência artificial do Google, ressalta inclusive a necessidade de transparência de dados desde a entrada até a saída de um sistema “não apenas para questões de senciência, mas também preconceitos e comportamento”.

A história da especialista com o Google teve um ponto importante no começo do ano passado, quando Mitchell foi demitida da empresa, um mês após ter sido investigada por compartilhamento indevido de informações. Na época, a pesquisadora também havia protestado contra a o Google após a demissão da pesquisadora de ética na inteligência artificial, Timnit Gebru.

Mitchell também sempre mostrou muita consideração com Lemoine Quando novas pessoas se juntavam ao Google, ela as apresentava ao engenheiro, chamando-o de “consciência do Google”, por ter “coração e alma para fazer a coisa certa”. Mas apesar de todo o assombro de Lemoine com o sistema de conversação natural do Google (que inclusive o motivou a produzir um documento com algumas de suas conversas com o LaMBDA), Mitchell observou as coisas de outra forma.

A especialista ética em IA leu uma versão abreviada do documento de Lemoine e viu um programa de computador, não uma pessoa. “Nossas mentes são muito, muito boas em construir realidades que não são necessariamente verdadeiras para um conjunto maior de fatos que estão sendo apresentados a nós”, disse Mitchell. “Estou realmente preocupada com o que significa para as pessoas serem cada vez mais afetadas pela ilusão”.

Por sua vez, Lemoine disse que as pessoas têm o direito de moldar a tecnologia que pode afetar significativamente suas vidas. “Acho que essa tecnologia vai ser incrível. Acho que vai beneficiar a todos. Mas talvez outras pessoas discordem e talvez nós, no Google, não devêssemos fazer todas as escolhas”.

*Por Ronnie Mancuzo
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*Fonte: olhardigital

Os humanos inventaram a matemática ou ela é uma parte fundamental da existência?

Muitas pessoas pensam que a matemática é uma invenção humana. Para essa forma de pensar, a matemática é como uma linguagem: ela pode descrever coisas reais no mundo, mas não “existe” fora da mente das pessoas que a usam.
Porém, a escola de pensamento pitagórica da Grécia antiga tinha uma visão diferente. Seus proponentes acreditavam que a realidade é fundamentalmente matemática.

Mais de 2.000 anos depois, filósofos e físicos estão começando a levar essa ideia a sério.

Como argumento em um novo estudo, a matemática é um componente essencial da natureza que dá estrutura ao mundo físico.

Abelhas e hexágonos
As abelhas nas colmeias produzem favos hexagonais. Por quê?

De acordo com a ‘conjectura do favo de mel’ na matemática, os hexágonos são a forma mais eficiente para alinhar o plano. Se você deseja cobrir totalmente uma superfície usando ladrilhos de formato e tamanho uniformes, enquanto mantém o comprimento total do perímetro no mínimo, hexágonos são a forma ideal a ser usada.

Charles Darwin concluiu que as abelhas evoluíram para usar essa forma porque ela produz as maiores células para armazenar mel para a menor entrada de energia para a produção de cera.

A conjectura do favo de mel foi proposta pela primeira vez na antiguidade, mas só foi provada em 1999 pelo matemático Thomas Hales.

Cigarras e números primos
Aqui está outro exemplo. Existem duas subespécies das chamadas cigarras periódicas norte-americanas que vivem a maior parte de suas vidas no solo. Então, a cada 13 ou 17 anos (dependendo da subespécie), as cigarras surgem em grandes enxames por um período de cerca de duas semanas.

Por que são 13 e 17 anos? Por que não 12 e 14? Ou 16 e 18?

Uma explicação apela para o fato de que 13 e 17 são números primos.

Imagine que as cigarras têm uma variedade de predadores que também passam a maior parte de suas vidas no solo. As cigarras precisam sair do solo quando seus predadores estão adormecidos.

Suponha que existam predadores com ciclos de vida de 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9 anos. Qual é a melhor maneira de evitar todos eles?

Bem, compare um ciclo de vida de 13 anos e um ciclo de vida de 12 anos. Quando uma cigarra com um ciclo de vida de 12 anos sai da terra, os predadores de 2, 3 e 4 anos também estarão fora da terra, porque 2, 3 e 4 se dividem igualmente em 12.

Quando uma cigarra com um ciclo de vida de 13 anos sai do solo, nenhum de seus predadores sairá do solo, porque nenhum de 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 ou 9 se divide igualmente em 13. O mesmo é válido para 17.
Parece que essas cigarras evoluíram para explorar fatos básicos sobre os números.

Criação ou descoberta?
Assim que começarmos a procurar, será fácil encontrar outros exemplos. Desde a forma de filmes de sabão ao design de engrenagens em motores, até a localização e o tamanho das lacunas nos anéis de Saturno, a matemática está em toda parte.

Se a matemática explica tantas coisas que vemos ao nosso redor, então é improvável que a matemática seja algo que criamos. A alternativa é que os fatos matemáticos sejam descobertos: não apenas por humanos, mas por insetos, bolhas de sabão, motores de combustão e planetas.

O que Platão pensava?
Mas se estamos descobrindo algo, o que é?

O antigo filósofo grego Platão tinha uma resposta. Ele achava que a matemática descreve objetos que realmente existem.

Para Platão, esses objetos incluíam números e formas geométricas. Hoje, podemos adicionar objetos matemáticos mais complicados, como grupos, categorias, funções, campos e anéis à lista.

Platão também defendia que os objetos matemáticos existem fora do espaço e do tempo. Mas tal visão apenas aprofunda o mistério de como a matemática explica qualquer coisa.

A explicação envolve mostrar como uma coisa no mundo depende da outra. Se os objetos matemáticos existem em um reino separado do mundo em que vivemos, eles não parecem capazes de se relacionar com nada físico.

Entrando no pitagorismo
Os antigos pitagóricos concordavam com Platão que a matemática descreve um mundo de objetos. Mas, ao contrário de Platão, eles não achavam que os objetos matemáticos existiam além do espaço e do tempo.

Em vez disso, eles acreditavam que a realidade física é feita de objetos matemáticos da mesma forma que a matéria é feita de átomos.

Se a realidade é feita de objetos matemáticos, é fácil ver como a matemática pode desempenhar um papel na explicação do mundo ao nosso redor.

Na última década, dois físicos montaram defesas significativas da posição pitagórica: o cosmologista sueco-americano Max Tegmark e a física e filósofa australiana Jane McDonnell.

Tegmark argumenta que a realidade é apenas um grande objeto matemático. Se isso parece estranho, pense na ideia de que a realidade é uma simulação. Uma simulação é um programa de computador, que é uma espécie de objeto matemático.

A visão de McDonnell é mais radical. Ela pensa que a realidade é feita de objetos matemáticos e mentes. A matemática é como o Universo, que é consciente, passa a se conhecer.

Defendo uma visão diferente: o mundo tem duas partes, matemática e matéria. A matemática dá forma à matéria e a matéria dá substância à matemática.

Os objetos matemáticos fornecem uma estrutura para o mundo físico.

O futuro da matemática
Faz sentido que o pitagorismo esteja sendo redescoberto na física.

No século passado, a física tornou-se cada vez mais matemática, voltando-se para campos de investigação aparentemente abstratos, como a teoria dos grupos e a geometria diferencial, em um esforço para explicar o mundo físico.

À medida que a fronteira entre a física e a matemática se confunde, fica mais difícil dizer quais partes do mundo são físicas e quais são matemáticas.

Mas é estranho que o pitagorismo tenha sido negligenciado pelos filósofos por tanto tempo.

Eu acredito que isso está prestes a mudar. Chegou a hora de uma revolução pitagórica, que promete alterar radicalmente nossa compreensão da realidade.

*Por Julio Batista
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*Fonte: universoracionalista

O equilíbrio das bicicletas ainda é um misteriosos e inexplicável fenômeno

A maior parte de nós aprende a andar de bicicleta ainda crianças. Este fantástico meio de transporte parece extremamente simples — afinal, seu design permanece praticamente inalterado desde sua invenção, na Alemanha, em 1817.

Basicamente, a bicicleta é um objeto composto por um quadro, duas rodas, um garfo direcionável, um assento, pedais e uma corrente. Sendo uma invenção relativamente simples, isso significa que duzentos anos depois, nós já sabemos tudo sobre ela, certo?

A verdade é que as humildes bicicletas ainda guardam certos mistérios e existem detalhes sobre seu funcionamento que a ciência ainda não sabe explicar — e nós vamos te contar quais são eles!

O misterioso equilíbrio das bicicletas
Os físicos ainda não têm uma explicação definitiva do porque as bicicletas permanecem estáveis quando estão em movimento. E talvez você, leitor, esteja pensando que o responsável por este equilíbrio é a pessoa que está em cima dela. Mas a questão é mais complexa que isto.

Caso faça uma experiência simples, vai notar algo que intriga até hoje os estudiosos: se você “arremessar” uma bicicleta de uma maneira específica, sem ninguém sentado no banco, vai notar que ela é capaz de se mover em equilíbrio por uns bons metros até tombar de lado.

A resposta mais óbvia para entender por que isso acontece remete às leis de Newton, que dizem que um corpo tirado da inércia e posto em movimento tende a continuar em movimento. Só que, neste curto espaço de tempo em que seguem andando, as bicicletas conseguem desviar de certos obstáculos e voltar ao equilíbrio, exatamente como um ciclista faria. E isto é realmente intrigante.

O complicado mecanismo das bicicletas
As primeiras explicações sobre a misteriosa física das bicicletas data da virada do século XX. Entre 1899 e 1910, os matemáticos Francis Whipple, Felix Klein e Fritz Noether publicaram estudos dizendo que a estabilidade da bicicleta se deve à precessão giroscópica, um fenômeno físico que consiste na mudança do eixo de rotação de um objeto. O conceito explica que objetos giratórios resistem no espaço a mudanças de orientação — tal como acontece com um pião, por exemplo.

Os estudos destes matemáticos foram contestados em 1970 pelo cientista David Jones, que constatou erros nos cálculos feitos anteriormente. Segundo ele, estes erros anulavam os efeitos da precessão giroscópica nas bicicletas. Ele levantou a sugestão de que algo mais estava conectado à capacidade de “auto-endireitamento” das magrelas.

Outros pesquisadores trouxeram novas explicações. Foi sugerido também que, além da precessão giroscópica, as bicicletas se mantinham de pé por um chamado efeito cáster, segundo o qual um veículo que está trafegando tende a endireitar as rodas — é por isso, por exemplo, que uma cadeira de computador alinha suas rodas quando é empurrada.

Ainda assim, não há uma explicação definitiva sobre a estabilidade das bicicletas. Hoje há um relativo consenso de que elas se equilibram por uma soma de fenômenos físicos específicos. Descrever o exato funcionamento delas é ainda um mistério para engenheiros e matemáticos.

“Uma bicicleta, na verdade, é extremamente complexa. Entender sua estabilidade, numa comparação muito simplificada, é equivalente a resolver uma equação matemática de quarto grau”, explicou à Superinteressante o professor Andy Ruina, um dos maiores estudiosos da mecânica das bicicletas.

*Por Maura Martins
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*Fonte: megacurioso

Cientistas conseguem cultivar madeira em lab sem cortar uma única árvore

Em um mundo onde 15 bilhões de árvores são cortadas todos os anos, uma equipe de pesquisadores do MIT afirma que é possível cultivar madeira em laboratório a fim de substituir os produtos que impulsionam o desmatamento florestal.

Para realizar isso, eles desenvolveram uma técnica em que a madeira pode ser produzida em qualquer formato e tamanho dentro de um laboratório sem cortar uma única árvore. A nova descoberta promete ajudar a reduzir o desmatamento e permitir que as pessoas criem móveis de madeira sem afetar a natureza.

Como foi possível cultivar madeira em laboratório?
No estudo, os pesquisadores do MIT pegaram células das folhas de zínia comum e as mantiveram em um líquido por alguns dias. Após isso, eles trataram as células vegetais em um meio à base de gel repleta de nutrientes e hormônios.

As células eventualmente deram origem a novas células vegetais. Os pesquisadores também descobriram que poderiam alterar as características físicas e mecânicas das células recém-geradas, modificando os níveis hormonais no meio do gel. O material vegetal com altas concentrações de hormônio endureceu ao longo do teste.

Sobre o papel dos hormônios no crescimento das células vegetais, a pesquisadora Ashley Beckwith explicou que “no corpo humano, você tem hormônios que determinam como suas células se desenvolvem e como surgem certas características. Da mesma forma, alterando as concentrações hormonais no caldo nutriente, às células vegetais respondem de forma diferente. Apenas manipulando essas pequenas quantidades químicas, podemos provocar mudanças bastante dramáticas em termos de resultados físicos”.

Usando um processo de bioimpressão 3D, Beckwith e seus colegas também conseguiram imprimir em 3D estruturas personalizadas a partir das células cultivadas no gel. O material vegetal impresso em laboratório foi nutrido no escuro por três meses, e os resultados foram surpreendentes. Não só a madeira do laboratório sobreviveu, mas também cresceu o dobro da taxa de uma árvore normal.

A descoberta também é livre de resíduos
De acordo com uma estimativa, o atual método de fabricação de móveis resulta em um desperdício de quase 30% de toda a quantidade de madeira. Surpreendentemente, a técnica de bioimpressão 3D para cultivar madeira em laboratório não produz resíduos e pode ser usada para produzir material vegetal de qualquer forma ou tamanho.

“A ideia é que você possa cultivar esses materiais vegetais exatamente na forma que você precisa, então você não precisa fazer nenhuma fabricação subtrativa após o fato, o que reduz a quantidade de energia e desperdício”, disse Beckwith.

Por enquanto, os cientistas demonstraram que é possível cultivar madeira em laboratórioe que suas propriedades mecânicas podem ser manipuladas. No entanto, a pesquisa ainda está em seus estágios iniciais, o que indica que mais pesquisas e testes serão necessários antes que a técnica possa ser desenvolvida e usada para produzir móveis 3D em um ambiente comercial.

*Por Leticia Silva Jordao
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*Fonte: socientifica

Físicos preveem que a Terra pode se tornar um mundo caótico em breve

A espécie humana está tornando a Terra não apenas mais quente, mas caótica, sugere um novo estudo.

Uma nova pesquisa, publicada no dia 21 de abril na base de dados arXiv, traz um panorama geral sobre o potencial total do impacto da atividade humana no clima – um panorama desagradável e preocupante.

Ainda que o estudo não demonstre uma simulação completa de um modelo climático, ele apresenta um panorama geral de para onde estaremos indo se não alterarmos nosso curso atual nesse impacto das mudanças climáticas e no uso de combustíveis fósseis, segundo os autores do estudo, cientistas do Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Porto, em Portugal.

“As implicações das mudanças climáticas são bem conhecidas (secas, ondas de calor, fenômenos extremos, etc.)”, disse o pesquisador Orfeu Bertolami. “Se o Sistema Terrestre adentrar na região de comportamento caótico, poderemos toda a esperança de resolver o problema de alguma maneira”.

As mudanças no clima da Terra
A Terra passa periodicamente por grandes mudanças nos seus padrões climáticos, indo de um ponto de equilíbrio a outro. Essas mudanças normalmente ocorrem devido a fatores externos, como mudanças na orbita terrestre, ou um aumento massivo de atividade vulcânica.

Contudo, pesquisas prévias sugerem que estamos agora entrando numa nova fase, dirigida pela atividade humana. A medida que os humanos lançam mais carbono na atmosfera, criamos uma nova era, o Antropoceno, um período em que os sistemas climáticos são influenciados pelo homem, algo que o planeta nunca viveu antes.

No novo estudo, os pesquisadores modelaram a introdução do Antropoceno como uma nova fase de transição. Assim como as fases de transição num material, que passam de um estado a outro, como líquido para gasoso, outros sistemas podem passar por fases de transição – nesse caso, o sistema do clima terrestre.

Um determinado ponto de equilíbrio no clima terrestre gera estações e climas previsíveis pelo planeta, enquanto que uma fase de transição leva a um novo padrão nessas estações e climas. Quando o clima terrestre passa por uma fase de transição, significa que a Terra está passando por uma mudança repentina e rápida em seus padrões climáticos.

A logística da ordem e do caos no clima terrestre
Se a atividade humana está originando uma fase de transição no clima terrestre, isso significa que estamos fazendo o planeta desenvolver um novo conjunto de padrões climáticos. E definir que padrões são esses é um dos maiores problemas na ciência climática.

Para onde se encaminha o clima da Terra? Isso depende significativamente da nossa atividade nas próximas décadas. Os cientistas usaram uma ferramenta matemática chamada de mapa logístico para analisar a questão, onde usam variáveis que podem crescer até certo limite, medindo seus efeitos.

Nossa influência no meio-ambiente está crescendo, algo que ocorre há mais de um século. Mas isso terá um limite, segundo os pesquisadores, como no aumento da população humana, ou no nível máximo de atividades emissoras de carbono. Num certo ponto, a emissão de carbono no futuro vai chegar a um limite, e os pesquisadores encontraram um mapa logístico que pode capturar a trajetória futura dessa emissão.

Eles exploraram diferentes formas de evolução nesse mapa logístico, analisando variáveis como a população humana, a introdução de estratégias redutoras de carbono e tecnologias melhores e mais eficientes.

Quando descobriram como a emissão de carbono pelo homem poderia evoluir com o tempo, eles usaram a informação para examinar como o clima terrestre evoluiria através dessa fase de transição causada por nossa espécie.

No melhor dos casos, quando a humanidade atingisse esse limite na emissão de carbono, o clima se estabilizaria numa nova temperatura, que seria mais alta, mas ainda assim estável. Essa temperatura alta, de maneira geral, é ruim para a espécie humana, porque aumenta o nível do mar, assim como eventos climáticos extremos.

Seca devido às mudanças climáticas.
Todavia, pelo menos é estável: o Antropoceno se pareceria com outras épocas climáticas que vieram antes, sendo apenas mais quente, e teria padrões climáticos regulares e previsíveis.

No pior dos casos, os pesquisadores descobriram que o clima da Terra chega a um estado caótico – um caos inclusive matemático. Nesse sistema caótico, não há equilíbrio, nem padrões previsíveis.

Um clima caótico teria estações que mudariam rapidamente a cada década (ou a cada ano). Tornar-se-ia impossível determinar para onde o clima do planeta estaria indo.

“Um comportamento caótico significa que vai ser impossível prever o comportamento do Sistema Terrestre no futuro, mesmo que tenhamos certeza absoluta do seu estado atual”, disse Bertolami. “Vai significar que qualquer capacidade de controlar e dirigir o Sistema Terrestre a um estado de equilíbrio que favoreça a habitabilidade da biosfera será perdida”.

O que preocupa ainda mais é que os pesquisadores descobriram que, ao ultrapassar um certo ponto crítico na temperatura da Terra, um ciclo de feedback pode ter início, tornando o resultado caótico algo inevitável.

Há sinais de que talvez já tenhamos passado desse ponto, mas ainda não é tarde demais para evitar o desastre total.

*Por Dominic Albuquerque
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*Fonte: socientifica

Plano radical para fazer o buraco mais profundo da Terra pode liberar energia ilimitada

Desde o seu lançamento em 2020, uma empresa de energia pioneira chamada Quaise atraiu muita atenção por seu objetivo audacioso de ser a empresa que chegue mais fundo na crosta terrestre do que qualquer outra.

Após o encerramento do arrecadamento de investimentos de capital de risco, a empresa que nasceu no MIT (EUA) já levantou um total de US$ 63 milhões (R$ 317 milhões): um início respeitável que poderia tornar a energia geotérmica acessível por todo o mundo.

A visão da empresa para se aproximar do núcleo da Terra é combinar métodos convencionais de perfuração com uma lanterna de potência de megawatts inspirada no tipo de tecnologia que poderia um dia tornar possível a energia da fusão nuclear.

A energia geotérmica é uma fonte limpa esquecida. Com a energia solar e eólica dominando cada vez mais o mercado de energia verde, os esforços para explorar o vasto reservatório de calor sob nossos pés permanecem ignorados.

Não é difícil entender a causa. Apesar de ser uma escolha perfeitamente útil de energia limpa, ininterrupta e ilimitada, há muito poucos lugares onde a rocha quente — adequada para extração de energia geotérmica — fica convenientemente próxima à superfície.

A Quaise pretende mudar isso desenvolvendo tecnologia que nos permitirá fazer buracos na crosta para em profundidades nunca alcançadas.

Até o momento, nossos melhores esforços para abrir caminho pela crosta do planeta chegaram a cerca de 12,3 quilômetros. Embora o Kola Superdeep Borehole e outros semelhantes possam ter atingido seu limite, eles representam feitos incríveis de engenharia.

Para avançar, precisaríamos encontrar maneiras de triturar o material compactado por dezenas de quilômetros de rocha acima e depois transportá-lo de volta à superfície.

As ferramentas de escavação também precisariam ser capazes de moer rochas a temperaturas superiores a 180 graus Celsius. Girar as brocas por uma distância tão longa também precisaria de um pensamento inteligente.

Uma alternativa potencial para os obstáculos acima é perfurar menos – e queimar mais.

Nascida da pesquisa de fusão nuclear no MIT Plasma Science and Fusion Center, a solução de Quaise é usar ondas milimétricas de radiação eletromagnética que forçam os átomos a derreterem juntos.

Dispositivos chamados girotrons podem produzir com eficiência feixes contínuos de radiação eletromagnética agitando elétrons em alta velocidade dentro de poderosos campos magnéticos.

Ao conectar um girotron de energia de megawatt às mais recentes ferramentas de corte, a Quaise espera poder abrir caminho através da rocha mais dura e quente, até profundidades de cerca de 20 quilômetros (12,4 milhas) em questão de meses.

Nessas profundidades, o calor da rocha circundante pode atingir temperaturas de cerca de 500 graus Celsius – o suficiente para transformar qualquer água líquida bombeada lá em um estado supercrítico semelhante ao vapor, perfeito para gerar eletricidade.

Usando seu financiamento inicial e de investimento, a Quaise prevê ter dispositivos implantáveis ​​em campo fornecendo operações de prova de conceito nos próximos dois anos. Se tudo correr bem, poderá ter um sistema funcionando produzindo energia até 2026.

Até 2028, a empresa espera poder assumir antigas usinas de energia movidas a carvão, transformando-as em instalações movidas a vapor.

É uma tecnologia ao mesmo tempo tão antiga e tão nova que devemos ter muitas perguntas sobre como e se ela pode ter sucesso. Para nossa sorte, Loz Blain, da New Atlas , listou vários deles para o CEO e cofundador da Quaise, Carlos Araque, responder.

Mesmo sem essa tecnologia, cerca de 8,3% da energia mundial poderia vir de uma fonte geotérmica, abastecendo cerca de 17% da população mundial. Perto de 40 nações podem confiar completamente na energia geotérmica agora.

No entanto, atualmente, menos de meio por cento da eletricidade do mundo é fornecida pelo calor sob nossos pés. Para permanecer no caminho para emissões líquidas zero até 2050, a energia geotérmica deve crescer cerca de 13% ao ano. No momento , sua expansão é uma mera fração disso.

Isso deixa muito espaço para crescer, mesmo que não encontremos uma maneira de expandir seu alcance. Se empresas como Quaise ajudarão a revigorar o interesse, esse azarão ainda está para ser visto.

O que é certo, porém, é que o tempo para reduzir as emissões e limitar o aquecimento global a algo menos catastrófico está diminuindo rapidamente. Estamos chegando ao fundo do poço, então talvez seja hora de cavarmos um pouco mais fundo. [Science Alert]

*Por Marcelo Ribeiro
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*Fonte: hypescience

Do deserto à floresta: entenda como o Saara beneficia a Amazônia

O deserto do Saara, na África, está há milhares de quilômetros de distância da América do Sul e, mesmo assim, os dois continentes continuam completamente conectados. Na realidade, a floresta amazônica só sobrevive por conta do deserto e, há alguns anos, cientistas conseguiram entender a importância dessa união.

Os cientistas sabiam que os ventos levavam poeira do Saara para diversas regiões do mundo, mas foi graças a um estudo publicado em 2015 que foi possível entender a importância dessa viagem transatlântica. Pesquisadores descobriram que a poeira possui quantidades significativas de fósforo, um nutriente extramente relevante para a sobrevivência da floresta da Amazônia.

Poeira que alimenta a Amazônia

Em um estudo publicado na revista científica Geophysical Research Letters, cientistas usaram o satélite CALIPSO (Cloud-Aerosol Lidar and Infrared Pathfinder Satellite Observation) para quantificar em três dimensões a quantidade de poeira que faz a viagem intercontinental. Os dados foram obtidos entre 2007 e 2013.

O satélite usa a tecnologia LIDAR para descobrir a quantidade de material e distinguir a poeira de outras partículas. Assim, eles descobriram que o fósforo também faz a viagem intercontinental junto com a poeira e, assim, ajuda a nutrir a Amazônia.

De acordo com o principal cientista do estudo, professor da Universidade de Maryland e colaborador da NASA, Hongbin Yu, parte da poeira foi coletada na depressão africana de Bodelé, no Chade, um lugar repleto de minerais rochosos compostos de microorganismos mortos carregados com fósforo — também coletaram o material em Miami e Barbados. Assim, eles conseguiram entender a estimativa da quantidade de fósforo presente na poeira.

“Primeiro temos que tentar responder a duas perguntas básicas. Quanta poeira é transportada? E qual é a relação entre a quantidade de poeira transportada e os indicadores climáticos?”, disse Yu.

É estimado que a bacia amazônica receba 27,7 mil toneladas de poeira do Saara por ano e cerca de 22 mil toneladas de fósforo caem nos solos amazônicos. Os dados também mostram que, anualmente, os ventos e o clima carregam em média 182 milhões de toneladas de poeira para diferentes regiões — equivalente a cerca de 689 mil caminhões cheios.

Alimento para o planeta
O cientista Chip Trepte, do projeto CALIPSO, disse que a observação da poeira levada pelo vento é importante para entender se existem padrões nessa movimentação. Assim, os pesquisadores podem tentar compreender se esses padrões serão usados em cenários climáticos futuros.

No estudo, os cientistas conseguiram detectar a poeira sendo transportada do Saara, através do Oceano Atlântico, até a América do Sul. Outra quantidade de poeira também acabou sendo levada até o Mar do Caribe.

“As correntes de vento são diferentes em diferentes altitudes. Este é um passo à frente para fornecer a compreensão de como é o transporte de poeira do Saara em três dimensões e, em seguida, comparar com esses modelos que estão sendo usados para estudos climáticos”, disse Trepte.

Os solos amazônicos são escassos em nutrientes e a maioria deles são encontrados em processos de decomposição de matéria orgânica da própria floresta. Contudo, é muito comum que as chuvas “lavem” os solos e levem embora nutrientes como o fósforo.

Então, as 22 mil toneladas de fósforo que atingem a Amazônia todos os anos são muito importantes para alimentar a floresta. Inclusive, a quantidade é aproximadamente a mesma de fósforo perdido durante as chuvas e inundações na área.

“Sabemos que a poeira é muito importante em muitos aspectos. É um componente essencial do sistema terrestre. A poeira afetará o clima e, ao mesmo tempo, as mudanças climáticas afetarão a poeira. Se você não tiver esse transporte de poeira africana para a Amazônia, em 10 anos, ou em 100 anos, a Amazônia terá perdido muito fósforo”, afirma Yu.

*Por Lucas Vinícius Santos
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*Fonte: tecmundo

Cânhamo tem três 3 vezes mais resistência à tração do que o algodão

O debate sobre cânhamo versus algodão é relativamente novo na indústria têxtil. Quando você considera os benefícios do algodão, pode pensar no material macio e absorvente que existe há gerações e é conhecido como o tecido mais presente em nossas vidas. Quanto ao cânhamo, planta pertencente à espécie Cannabis sativa L, você pode não saber dos benefícios do tecido inicialmente – mais uma desvantagem da falida e descriminatória guerra às drogas – mas essa planta tem inúmeras vantagens em relação à outras usadas hoje na indústria.

Os benefícios do cânhamo são vários. Tudo começa com sua resistência, mas chega até o ponto do toque, já que a planta produz um dos dos tecidos mais confortáveis do mundo. Não acaba aí: o cânhamo é também o tecido mais sustentável que se possa imaginar.

Por que cânhamo é melhor que algodão?
Os impactos ambientais, sociais e econômicos do cânhamo no Brasil foram recentemente revelados no relatório da Kaya Mind, primeira empresa brasileira especializada em dados e inteligência de mercado no segmento da cannabis e de seus periféricos. Um dos pontos é que a produção têxtil das fibras do insumo tem 3 vezes a resistência à tração do algodão.

Caso fosse regulamentado no Brasil, o cultivo do cânhamo poderia ser uma opção mais sustentável para diversificar a base agrícola nacional e para a indústria têxtil. Segundo análise da Kaya Mind, a planta necessita de pouca água para seu cultivo — 1 kg de cânhamo utiliza de 2.900 litros de água, enquanto 1 kg de algodão, 10 mil litros — e quase não precisa de nenhum pesticida, fungicida ou herbicida para se desenvolver bem, já que resiste às pragas em um nível acima da média.

Além disso, o cânhamo não requer uma grande área de cultivo, podendo cada planta crescer em uma distância de 10 a 15 cm uma da outra, além de render até três safras ao ano, por conta de seu ciclo de produção curto, que dura de 130 a 220 dias, dependendo de seu tipo, por exemplo.

De acordo com Maria Eugenia Riscala, cofundadora e CEO da Kaya Mind, diversas marcas famosas do mundo da moda usam tecidos feitos a partir das fibras do cânhamo, como é o caso da Ginger, marca da atriz Marina Ruy Barbosa, das camisetas da Osklen, Levi’s, entre outras.

Fora isso, a executiva ainda aponta que a planta é considerada um material mais consciente para a indústria têxtil, além de apresentar propriedades anti-inflamáveis, biodegradáveis, regenerativas e não contribuir para a degradação do meio ambiente. Fato que evidencia isso é que um dos apoiadores da Kaya Mind é a Fashion Revolution, uma organização que possui um projeto justamente voltado para incentivar essa pegada mais sustentável da moda por meio da aplicação da fibra do cânhamo.

Por fim, por meio de uma estimativa de preços e quantidade de consumo de cada insumo proveniente do cânhamo, a Kaya Mind projetou que a partir de sua regulamentação no Brasil, o país poderia movimentar, no seu quarto ano de legalização, R$ 4,9 bilhões com a venda dos insumos da planta no país, enquanto a arrecadação tributária para o Estado seria de R$ 330,1 milhões no mesmo período.

Cânhamo: uma planta que pode salvar o mundo
De acordo com um estudo recente do jornal PLOS One, o cânhamo industrial – uma variedade de cannabis com baixo teor de THC cultivada para usos não relacionados à medicina – é capaz de crescer em solo contaminado e tóxico e pode absorver alguns dos produtos químicos nocivos.

Através do processo de fitorremediação, as raízes da planta de cânhamo penetram profundamente no solo contaminado e absorvem substâncias químicas nocivas, bem como quaisquer nutrientes benéficos que possam permanecer. Os elementos poluentes são removidos do solo e armazenados na planta, geralmente nas folhas, caule ou caules.

Como o cânhamo atinge a maturidade em seis meses, alguns acreditam que os contaminantes do solo não têm tempo suficiente para afetar ou prejudicar a planta, deixando o cânhamo seguro para consumo humano, embora sejam necessárias mais pesquisas para determinar essas alegações.

Em 2001, uma equipe de pesquisadores alemães confirmou os resultados de Chernobyl, mostrando que o cânhamo era capaz de extrair chumbo, cádmio e níquel de um terreno contaminado com lodo de esgoto. No mesmo ano, centenas de agricultores em Puglia, Itália, começaram a testar a teoria, plantando cânhamo em um esforço de longo prazo para limpar campos desastrosamente poluídos por uma enorme siderúrgica.

Outra vantagem está no consumo. O cânhamo exige não só metade do espaço de terra para a produção de tecido têxtil em comparação com o algodão, este último também precisa de quatro vezes mais água e um período de crescimento muito mais longo.

Por sua rotação durável, toda a cultura do cânhamo pode ser aproveitada, pois o caule é usado como fibra, as folhas e flores podem ser usados de volta no solo como fertilizante. Isso ajuda a reabastecer a fertilidade do solo para ajudar a crescer a próxima rodada de colheitas de cânhamo. Ou seja, a planta enriquece o solo onde cresce, diferente do algodão que precisa de inúmeros pesticidas que danificam gravemente o solo plantado e arredores.

*Por Gabriela Rassy
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*Fonte: hypeness