Físicos preveem que a Terra pode se tornar um mundo caótico em breve

A espécie humana está tornando a Terra não apenas mais quente, mas caótica, sugere um novo estudo.

Uma nova pesquisa, publicada no dia 21 de abril na base de dados arXiv, traz um panorama geral sobre o potencial total do impacto da atividade humana no clima – um panorama desagradável e preocupante.

Ainda que o estudo não demonstre uma simulação completa de um modelo climático, ele apresenta um panorama geral de para onde estaremos indo se não alterarmos nosso curso atual nesse impacto das mudanças climáticas e no uso de combustíveis fósseis, segundo os autores do estudo, cientistas do Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Porto, em Portugal.

“As implicações das mudanças climáticas são bem conhecidas (secas, ondas de calor, fenômenos extremos, etc.)”, disse o pesquisador Orfeu Bertolami. “Se o Sistema Terrestre adentrar na região de comportamento caótico, poderemos toda a esperança de resolver o problema de alguma maneira”.

As mudanças no clima da Terra
A Terra passa periodicamente por grandes mudanças nos seus padrões climáticos, indo de um ponto de equilíbrio a outro. Essas mudanças normalmente ocorrem devido a fatores externos, como mudanças na orbita terrestre, ou um aumento massivo de atividade vulcânica.

Contudo, pesquisas prévias sugerem que estamos agora entrando numa nova fase, dirigida pela atividade humana. A medida que os humanos lançam mais carbono na atmosfera, criamos uma nova era, o Antropoceno, um período em que os sistemas climáticos são influenciados pelo homem, algo que o planeta nunca viveu antes.

No novo estudo, os pesquisadores modelaram a introdução do Antropoceno como uma nova fase de transição. Assim como as fases de transição num material, que passam de um estado a outro, como líquido para gasoso, outros sistemas podem passar por fases de transição – nesse caso, o sistema do clima terrestre.

Um determinado ponto de equilíbrio no clima terrestre gera estações e climas previsíveis pelo planeta, enquanto que uma fase de transição leva a um novo padrão nessas estações e climas. Quando o clima terrestre passa por uma fase de transição, significa que a Terra está passando por uma mudança repentina e rápida em seus padrões climáticos.

A logística da ordem e do caos no clima terrestre
Se a atividade humana está originando uma fase de transição no clima terrestre, isso significa que estamos fazendo o planeta desenvolver um novo conjunto de padrões climáticos. E definir que padrões são esses é um dos maiores problemas na ciência climática.

Para onde se encaminha o clima da Terra? Isso depende significativamente da nossa atividade nas próximas décadas. Os cientistas usaram uma ferramenta matemática chamada de mapa logístico para analisar a questão, onde usam variáveis que podem crescer até certo limite, medindo seus efeitos.

Nossa influência no meio-ambiente está crescendo, algo que ocorre há mais de um século. Mas isso terá um limite, segundo os pesquisadores, como no aumento da população humana, ou no nível máximo de atividades emissoras de carbono. Num certo ponto, a emissão de carbono no futuro vai chegar a um limite, e os pesquisadores encontraram um mapa logístico que pode capturar a trajetória futura dessa emissão.

Eles exploraram diferentes formas de evolução nesse mapa logístico, analisando variáveis como a população humana, a introdução de estratégias redutoras de carbono e tecnologias melhores e mais eficientes.

Quando descobriram como a emissão de carbono pelo homem poderia evoluir com o tempo, eles usaram a informação para examinar como o clima terrestre evoluiria através dessa fase de transição causada por nossa espécie.

No melhor dos casos, quando a humanidade atingisse esse limite na emissão de carbono, o clima se estabilizaria numa nova temperatura, que seria mais alta, mas ainda assim estável. Essa temperatura alta, de maneira geral, é ruim para a espécie humana, porque aumenta o nível do mar, assim como eventos climáticos extremos.

Seca devido às mudanças climáticas.
Todavia, pelo menos é estável: o Antropoceno se pareceria com outras épocas climáticas que vieram antes, sendo apenas mais quente, e teria padrões climáticos regulares e previsíveis.

No pior dos casos, os pesquisadores descobriram que o clima da Terra chega a um estado caótico – um caos inclusive matemático. Nesse sistema caótico, não há equilíbrio, nem padrões previsíveis.

Um clima caótico teria estações que mudariam rapidamente a cada década (ou a cada ano). Tornar-se-ia impossível determinar para onde o clima do planeta estaria indo.

“Um comportamento caótico significa que vai ser impossível prever o comportamento do Sistema Terrestre no futuro, mesmo que tenhamos certeza absoluta do seu estado atual”, disse Bertolami. “Vai significar que qualquer capacidade de controlar e dirigir o Sistema Terrestre a um estado de equilíbrio que favoreça a habitabilidade da biosfera será perdida”.

O que preocupa ainda mais é que os pesquisadores descobriram que, ao ultrapassar um certo ponto crítico na temperatura da Terra, um ciclo de feedback pode ter início, tornando o resultado caótico algo inevitável.

Há sinais de que talvez já tenhamos passado desse ponto, mas ainda não é tarde demais para evitar o desastre total.

*Por Dominic Albuquerque
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*Fonte: socientifica

Twitter banirá propagandas negacionistas sobre o clima

Nesta sexta-feira (22) é comemorado o Dia da Terra, com o objetivo de conscientizar a população sobre o efeito das ações danosas contra o nosso planeta. Por conta disso, o Twitter se mobilizou para banir propagandas que incitem o negacionismo a respeito das mudanças climáticas.

Em uma página do blog da rede social, Séan Boyle e Casey Junod, diretor e gerente de sustentabilidade do plataforma, comentam que o “negacionismo climático não deve ser monetizado no Twitter, e que anúncios de má fé não devem prejudicar conversas importantes sobre a crise climática”.

Os banimentos ocorrerão após uma análise das propagandas veiculadas, desde que as mesmas violem as regras de fontes autorizadas, como o Greenpece, Voice for the Planet e o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças das Nações Unidas). Fora isso, a companhia salientou que continuará informando como esse processo funcionará de maneira mais detalhada nos próximos meses.

O Twitter ressaltou que desde 2019 vem trabalhando para que 100% dos seus data centers usem apenas fontes de energia livre de carbono, além de ter se comprometido a investir em energia renovável em suas operações.

Situação do planeja pode ficar “irreversível”

Mudanças climáticas

Nos últimos meses a comunidade científica vem alertando sobre os riscos iminentes de um colapso no clima global, e que caso nada seja feito, as consequências serão irreversíveis. O sexto relatório do IPCC mostra que enchentes e ondas de calor de grandes proporções serão cada vez mais comuns nos próximos anos.

A esperança, de acordo com centenas de cientistas, é manter o aumento temperatura média do planeta abaixo de 1,5ºC, assim como o estipulado pelo Acordo de Paris em 2015.

*Por Felipe Vidal
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*Fonte: tecmundo

Polos derretendo ao mesmo tempo: Antártida e Ártico registram aquecimento recorde

Um alerta recente revelou que os dois polos da Terra registraram simultaneamente recordes de aquecimento nos últimos dias, marcando picos de calor ao mesmo tempo. Na Antártida, foram documentadas temperaturas até 40ºC acima do esperado em alguns pontos para essa época do ano, enquanto estações meteorológicas na região do Polo Norte apresentaram indícios de derretimento ainda mais intenso, com os termômetros marcando até 30ºC a mais do que o normal, alcançando marcas normalmente só atingidas meses depois. O fenômeno sem precedentes ilustra a noção global do aquecimento pelo qual o planeta vem atravessando, provocando colapsos climáticos por toda parte.

A informação foi publicada pela agência Associated Press e, segundo especialistas, o aumento exacerbado das temperaturas nas extremidades da Terra é mais um indício claro de desequilíbrio no sistema climático do planeta, com quadros que podem se confirmar irreversíveis, como o derretimento das calotas polares. Para esse período do ano era esperado que o Polo Sul estivesse esfriando rapidamente com o fim do verão, enquanto o Ártico, no extremo norte, iniciasse um processo lento de conclusão do inverno, com os dias passando a durar mais tempo que as noites.

O aquecimento e derretimento do Ártico vem provocando quadros irreversíveis na região

“O aquecimento do Ártico e da Antártida é motivo de preocupação, e o aumento de eventos climáticos extremos – dos quais estes são um exemplo – também preocupa”, afirmou Michael Mann, diretor do Centro de Ciências do Sistema Terrestre da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA. “Os modelos climáticos projetaram o aquecimento geral, mas acreditamos que eventos extremos estão excedendo as projeções dos modelos. Esses eventos mostram a urgência da ação”, concluiu. Segundo informações do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos EUA, a camada de gelo da Antártica registrou sua menor dimensão desde que as medições por satélite começaram a ser realizadas, em 1979, com área inferior a 2 milhões de km².

A Estação Concórdia, que registrou a temperatura recorde para o período na Antártida

A temperatura comum para o continente antártico nesse período do ano seria de -27,8ºC, mas a estação Concordia registrou marca de -12,2ºC, com o continente como um todo apresentando temperatura em média 4,8ºC mais quente. Já a estação Vostok aguardava um frio de -47,7ºC, mas chegou a registrar -17,7ºC, com a região em geral marcando 3,3ºC acima da média registrada entre 1979 e 2000. “São estações opostas. Você não vê o polo norte e o sul derretendo ao mesmo tempo”, afirmou Walt Meier, cientista do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo em Boulder, no Colorado.

*Por Vitor Paiva
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*Fonte: hypeness

IPCC: não estamos prontos para os impactos das mudanças climáticas

É urgente implementar medidas eficientes de adaptação às mudanças climáticas que já estão acontecendo

A conscientização sobre os riscos climáticos e as ações para reduzi-los aumentaram globalmente. A implementação de medidas de adaptação, contudo, ainda é insuficiente diante da magnitude dos impactos das mudanças climáticas que já têm sido observados em todas as regiões habitáveis do planeta e que podem se agravar em um cenário de aquecimento global acima de 1,5 ºC dos níveis pré-industriais.

A avaliação é de um grupo internacional de cientistas autores do novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), sobre impactos, adaptação e vulnerabilidade, lançado nesta segunda-feira (28/02).

Entre os autores estão cinco cientistas brasileiros, dos quais quatro participaram da elaboração do Sumário para os Tomadores de Decisão (SPM) publicado conjuntamente com o relatório.

“Há uma série de medidas que foram adotadas nos últimos anos em diferentes regiões do mundo com o objetivo de reduzir os riscos climáticos, mas que estão mais associadas à mitigação, como a redução das emissões de gases de efeito estufa”, diz à Agência FAPESP Jean Ometto, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e autor-líder do capítulo 12 e do capítulo especial sobre florestas tropicais do relatório.

“As medidas de adaptação, porém, têm sido muito pontuais e localizadas”, afirma Ometto, que também é membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.

Sobrevoo em Sena Madureira sob inundação (Acre, Brasil). Foto: © Alexandre Noronha | Greenpeace
Na avaliação dos autores da publicação, os governos nacionais e locais, bem como as empresas e a sociedade civil, têm reconhecido a crescente necessidade de adaptação às mudanças climáticas. Pelo menos 170 países – entre eles o Brasil – e muitas cidades, como São Paulo, incluíram a adaptação em suas políticas e processos de planejamento relacionados ao clima.

O progresso nesse tema, no entanto, tem sido desigual e há grandes lacunas entre as medidas de adaptação tomadas e as que são necessárias em muitas regiões do mundo, especialmente em países com menor renda. Essas lacunas são causadas pela falta de financiamento, compromisso político, informações confiáveis e senso de urgência. Isso tem tornado as pessoas e ecossistemas mais vulneráveis a serem atingidos pelos impactos das mudanças do clima, sublinham os cientistas.

“A adaptação tem de ser uma ação objetiva e efetiva. E para que aconteça é preciso primeiro reconhecer que os impactos das mudanças climáticas já estão ocorrendo”, diz Ometto.

Também há grandes lacunas na compreensão da adaptação às mudanças climáticas, como quais ações têm o potencial de reduzir o risco climático e se podem ter consequências não intencionais ou efeitos colaterais, causando mais malefícios do que benefícios – chamadas de má adaptação.

Entre essas ações está a construção de muros marítimos, que podem proteger em curto prazo áreas costeiras do avanço do mar, mas podem destruir durante as obras ecossistemas inteiros, como recifes de coral.

“A má adaptação pode ser evitada com planejamento e implementação de ações de adaptação flexíveis, multissetoriais, inclusivas e de longo prazo, com benefícios para muitos setores e sistemas”, ressaltam os cientistas.

Limites à adaptação
Os autores do relatório também apontam que a adaptação é essencial para reduzir danos, mas, para ser eficaz, deve ser acompanhada de reduções ambiciosas das emissões de gases de efeito estufa uma vez que, com o aumento do aquecimento, a eficácia de muitas opções de adaptação diminui ou pode tornar-se inviável.

“Há algumas regiões no mundo que já estão vivendo uma situação de não retorno, apresentando uma margem de manobra para adaptação muito baixa”, diz Ometto.

A pobreza e a desigualdade, que são questões sensíveis a países como o Brasil, também impõem limites de adaptação significativos, resultando em impactos inevitáveis para mulheres, jovens, idosos, minorias étnicas e religiosas, além de povos indígenas e refugiados, destacam os cientistas.

“A desigualdade, não só socioeconômica, mas também de acesso a serviços básicos como água e saneamento, aumenta a vulnerabilidade de núcleos sociais. Sociedades com altos níveis de desigualdade são menos resilientes às mudanças climáticas”, diz Ometto.

De acordo com números apresentados no relatório, quase metade da população global – entre 3,3 e 3,6 bilhões de pessoas – vive hoje em países com alta vulnerabilidade humana a mudanças climáticas.

Concentrações globais de alta vulnerabilidade estão surgindo em áreas transfronteiriças que abrangem mais de um país como resultado de questões interligadas relativas a saúde, pobreza, migração, conflito e desigualdade.

Desde 2008, mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo foram deslocadas anualmente por condições extremas relacionadas a eventos de clima, sendo as tempestades e inundações as causas mais comuns.

“A diminuição da disponibilidade de água e da capacidade de cultivo agrícola em algumas regiões já tem induzido movimentos migratórios em algumas regiões do mundo”, afirma Ometto.

Globalmente, a exposição a impactos causados pelo clima, como ondas de calor, precipitação extrema e tempestades, em combinação com a rápida urbanização e falta de planejamento estão aumentando a vulnerabilidade de populações urbanas marginalizadas.

A pandemia de COVID-19 deverá aumentar as consequências adversas das mudanças climáticas, uma vez que os impactos financeiros levaram a uma inversão nas prioridades e restringiram a redução da vulnerabilidade, indica o relatório.

O relatório completo e o sumário para decisores políticos podem ser acessados AQUI

*Por Elton Alisson
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*Fonte: ciclovivo

Cientistas revelam locais que precisamos preservar para evitar caos climático

Pequena proporção da Terra hospeda toneladas de carbono em vegetação e solos irrecuperáveis até 2050

Um novo mapeamento detalhado identificou as florestas e turfeiras ricas em carbono que a humanidade não pode destruir se quiser uma catástrofe climática. A pesquisa foi publicada na revista Nature Sustainability e traz informações fundamentais.

Os cientistas identificaram 139 bilhões de toneladas (139 Gt) de carbono em árvores, plantas e solos como “irrecuperáveis”, o que significa que a regeneração natural não poderia substituir sua perda até 2050, data em que as emissões globais líquidas de carbono devem terminar para evitar os piores impactos de aquecimento global.

Entre as áreas que precisam ser preservadas estão as vastas florestas e turfeiras da Rússia, Canadá e Estados Unidos e as florestas tropicais na Amazônia, no Congo e no sudeste da Ásia. Pântanos de turfa no Reino Unido e manguezais e florestas de eucalipto na Austrália também estão na lista.

Só na última década, a agricultura, a extração de madeira e os incêndios florestais causaram a liberação de pelo menos 4 Gt de carbono irrecuperável, disseram os pesquisadores.

Além de combater o uso de combustíveis, acabar com o desmatamento é crucial para enfrentar a crise climática. Ao mesmo tempo em que o compromisso assumido na COP26 por grandes nações Brasil, China e Estados Unidos, em fazer isso até 2030 traz esperança, existe o receio em saber que uma promessa semelhante foi feita em 2014 e nunca foi cumprida.

“A PROTEÇÃO DO CARBONO IRRECUPERÁVEL, JUNTAMENTE COM A DESCARBONIZAÇÃO GENERALIZADA DAS ECONOMIAS MUNDIAIS, TORNARÁ MAIS PROVÁVEL UM CLIMA SEGURO, AO MESMO TEMPO QUE CONSERVA ÁREAS IMPORTANTES PARA A BIODIVERSIDADE.”

O carbono irrecuperável da Terra é altamente concentrado, mostraram os pesquisadores. Metade dela é encontrada em apenas 3,3% das terras do mundo, tornando os projetos de conservação focados altamente eficazes.

Segundo a pesquisa, apenas metade do carbono irrecuperável está atualmente em áreas protegidas, mas incluir 5,4% das terras do mundo nestas áreas de proteção a garantiria 75% do carbono irrecuperável.


Indígenas: os melhores guardiões

Os povos indígenas foram reconhecidos pela ONU como os melhores protetores da terra, mas apenas um terço do carbono irrecuperável é armazenado em seus territórios reconhecidos. Os estoques irrecuperáveis ​​de carbono se sobrepõem fortemente às áreas de rica vida selvagem, portanto, sua proteção significa a preservação em massa da vida selvagem.

“Essas são as áreas que realmente não podem ser recuperadas em nossa geração – é o carbono de nossa geração que deve ser protegido. Mas com o carbono irrecuperável concentrado em uma área relativamente pequena de terra, o mundo poderia proteger a maioria desses lugares essenciais para o clima até 2030”, explica a principal autora do estudo, Monica Noon, da Conservation International.

“DEVEMOS PROTEGER ESSE CARBONO IRRECUPERÁVEL PARA EVITAR UMA CATÁSTROFE CLIMÁTICA – DEVEMOS MANTÊ-LO ENTERRADO.”

A pesquisa descobriu que 57% do carbono irrecuperável estava em árvores e plantas e 43% em solos, principalmente turfa. As turfeiras globais armazenam mais carbono do que as florestas tropicais e subtropicais, concluiu.

Segundo os cientistas, a proteção do carbono irrecuperável deve envolver o fortalecimento dos direitos dos povos indígenas, encerrando as políticas que permitem a destruição e ampliação das áreas protegidas.

Carbono irrecuperável em áreas ameaçadas

A Rússia, fortemente atingida por incêndios florestais nos últimos anos, abriga o maior estoque de carbono irrecuperável com 23%. O Brasil está em segundo lugar e os índices de desmatamento do país vem batendo recordes sucessivos desde a eleição de Jair Bolsonaro. O Canadá e os EUA ocupam o terceiro e quinto lugares – juntos, os países que também vêm sendo palco de grandes incêndios florestais, acumulam 14% do carbono irrecuperável do mundo. As áreas úmidas do sul da Flórida são outro importante depósito de carbono irrecuperável.

A Austrália abriga 2,5% do carbono irrecuperável do mundo, em seus manguezais costeiros e ervas marinhas, bem como florestas no sudeste e sudoeste, que foram também foram atingidas por grandes incêndios em 2019 e 2020. No Reino Unido, as turfeiras cobrem 2 milhões de hectares e armazenam 230 milhões de toneladas de carbono irrecuperável há milênios, mas a maioria está em más condições.

As turfeiras e os manguezais são focos de carbono irrecuperável, devido à sua alta densidade de carbono e ao longo período que precisariam para se recuperar, que podem chegar a séculos.

As florestas tropicais são menos densas em carbono e crescem relativamente rápido, mas permanecem críticas por causa das áreas muito grandes que cobrem.

*Por Natasha Olsen
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*Fonte: ciclovivo

Mudanças climáticas: bebês de hoje enfrentarão 7 vezes mais ondas de calor no mundo que seus avós

Um bebê recém-nascido ainda nem teve tempo de contribuir – como todos nós fazemos, com nossos hábitos de consumo e alimentares e uso de combustíveis – para as emissões de gases poluentes que causam o aquecimento global.

Apesar disso, esse bebê vai sofrer exponencialmente mais do que seus avós com as mudanças climáticas em curso no planeta.

Na prática, crianças nascidas em 2020 devem enfrentar, ao longo de sua vida, uma média de sete vezes mais ondas de calor extremo do que alguém que nasceu em 1960. Em alguns países, esse aumento é de até dez vezes.

As conclusões são de um estudo recente publicado na revista Science, a partir de projeções sobre tamanho e idade da população global, temperaturas futuras e eventos climáticos extremos, com base nas informações do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC na sigla em inglês).

Se, além das ondas de calor, outros tipos de eventos climáticos extremos forem colocados nessa conta, estima-se que a nova geração passará por uma incidência média 2 a 7 vezes maior de queimadas, secas, enchentes, tempestades tropicais e quebras de safras (colheitas menos proveitosas) ao longo de suas vidas, em comparação com a geração nascida 60 anos atrás.

“Quanto mais jovem você for, maior será o aumento da exposição a extremos climáticos. Ou seja, as gerações mais jovens são as que têm mais a perder, especialmente os recém-nascidos”, explica à BBC News Brasil o principal autor do estudo, o cientista climático Wim Thiery, da Universidade Vrije de Bruxelas (Bélgica).

“Também podemos pensar ao contrário: quanto mais jovem você for, mais você pode se beneficiar se aumentarmos nossas ambições e reduzirmos o aquecimento global”, principalmente se for possível manter o aquecimento dentro do limite de até 1,5°C estabelecido no Acordo Climático de Paris em 2015, que tem se tornado uma meta cada vez mais remota, na visão de muitos observadores climáticos.

“Para as gerações mais jovens, aumentar as ambições tem um efeito direto sobre suas vidas”, conclui Thiery.

Do calor de quase 50°C no verão do Canadá a enchentes na Alemanha e secas mais prolongadas no Brasil, os eventos climáticos extremos são uma das principais consequências diretas das mudanças climáticas.

Segundo um importante relatório do IPCC divulgado em agosto, todo o planeta já enfrenta alterações no ciclo da água, que provocam desde chuvas mais volumosas – e enchentes -, até secas mais intensas.

“Sob um aquecimento global de 1,5°C, haverá aumento de ondas de calor, estações quentes mais longas e estações frias mais curtas”, explicou o painel da ONU em agosto.

Se esse aumento da temperatura global for ainda maior, sob 2°C, “extremos quentes vão, com mais frequência, alcançar limites de tolerância para a agricultura e a saúde”.

‘Vida sem precedentes’

Se, por terem mais tempo de vida pela frente, as crianças serão as mais afetadas, Thiery e seus colegas afirmam que o aquecimento global já deixa toda a população global sujeita a uma “vida sem precedentes”.

“Descobrimos que todas as pessoas que têm entre zero e 60 anos hoje viverão uma vida sem precedentes, sob mais ondas de calor e quebra de safra, independentemente de sua idade ou do alcance das mudanças climáticas”, diz o cientista.

“Os que têm menos de 40 anos, além disso, sofrerão com muito mais enchentes e secas, mesmo no cenário mais ambicioso de aquecimento de até 1,5°C. Os mais jovens são os que têm mais a perder, mas todos os que estão vivos hoje estão sob condições que chamamos de um ‘território ainda não navegado’.”

Para mostrar isso de modo mais concreto, a Universidade Vrije criou uma calculadora chamada My Climate Future (meu futuro climático).

Nela, uma pessoa pode prever o aumento dos eventos climáticos em sua vida a partir do ano em que nasceu, do lugar onde vive e com base em três cenários – o mais otimista, de um planeta 1,5°C mais quente; o mediano, em média 2,4°C mais quente, com base na trajetória atual e nas promessas e compromissos climáticos assumidos até agora; e um mais pessimista e altamente quente.

As regiões do mundo onde o sofrimento vai ser mais agudo e sentido por mais pessoas, segundo os cálculos de Thiery, são o Oriente Médio e o norte da África e a África Subsaariana.

Mas as estimativas para o resto do mundo estão longe de serem animadoras.

Na América Latina, uma criança nascida em 2020 vai enfrentar, em relação a alguém nascido em 1960:

– 50% mais chances de sofrer com incêndios

– Duas vezes e meia mais chances de viver sob quebras de safras

– O dobro de secas e enchentes

– 4,5 vezes mais ondas de calor

“E temos motivos científicos para crer que os números estão subestimados. Porque nós só analisamos mudanças na frequência em eventos extremos, mas eles também mudam em intensidade (como furacões mais intensos) e em duração (como ondas de calor mais longas e mais quentes)”, prossegue Wim Thiery.


Injustiças climáticas

Os efeitos disso são sentidos em cadeia: ondas de calor prejudicam a saúde, deixando crianças e idosos, em especial, mais sujeitos a hospitalizações. Quebras de safras afetam o preço e a oferta de comida. Enchentes, inundações e secas intensificam movimentos migratórios globais.

E, novamente, quanto mais jovens e mais pobres forem as pessoas afetadas, maior será o seu fardo.

“Embora não quantifiquemos isso em nosso estudo, não há dúvidas de que esse aumento na exposição a mudanças climáticas tem consequência, por exemplo, na habilidade de aprender, na saúde, na mortalidade e na produtividade laboral”, aponta Thiery.

“Por isso dizemos que limitar o aquecimento global é uma questão de proteger o futuro das jovens gerações.”

As conclusões do cientista e seus colegas ajudaram a embasar um relatório da ONG Save the Children a respeito do peso desigual e injusto das mudanças climáticas sobre quem contribuiu menos com a crise.

“Quando ranqueados por renda, os países 50% mais ricos são responsáveis por 86% do cumulativo das emissões globais de CO2, enquanto a metade mais pobre é responsável por apenas 14%”, diz a ONG.

“Apesar disso, são as crianças de países de renda média e baixa que vão enfrentar o maior peso das perdas e danos à saúde e ao capital humano, à terra, à herança cultural, ao conhecimento indígena e local e à biodiversidade que resultam das mudanças climáticas. (…) Elas herdaram um problema que não foi causado por elas.”

Thiery usa mais números para evidenciar esse peso desigual, primeiro sobre as crianças e, em segundo lugar, sobre as crianças pobres, em regiões que ainda estão em fase de crescimento populacional.

“Na Europa e na Ásia Central, nasceram 64 milhões de crianças entre 2015 e 2020. Essas crianças vão enfrentar quatro vezes mais extremos climáticos nas condições atuais do que alguém que vivesse num mundo sem mudanças climáticas”, diz.

“No entanto, nesse mesmo período de 2015 a 2020, nasceram 205 milhões de crianças na África Subsaariana, que vão enfrentar seis vezes mais extremos climáticos. Então elas não apenas sofrerão mais, como também são um grupo mais numeroso.”

Por isso, argumenta o cientista, mitigar os efeitos das mudanças climáticas é uma questão de “justiça intergeneracional e internacional”.

A conferência mais recente do clima (COP26), em Glasgow, foi concluída em 13 de novembro com avanços e limitações.

De um lado, o acordo final do evento fala em cortar as emissões de CO2 em 45% até 2030 em comparação com 2010 e exige que os países apresentem já no ano que vem novos compromissos de redução de gases do efeito estufa.

No entanto, não houve consenso em torno de pôr fim ao uso do carvão e a subsídios a combustíveis fósseis, um dos principais “vilões” do aquecimento global.

De modo geral, a percepção de ambientalistas é de que os compromissos assumidos até o momento pelos países parecem ser insuficientes para assegurar que a Terra não vai esquentar mais de 1,5°C.

Não por acaso, argumenta Thiery, os formuladores desses compromissos são pessoas mais velhas, que não terão tempo de sentir na pele a maior parte dos efeitos climáticos do futuro.

“Por isso os mais jovens viraram organizadores de protestos e greves pedindo políticas climáticas mais ambiciosas – porque as pessoas que hoje ocupam os espaços de poder não devem sentir as consequências de suas decisões, gerando um potencial conflito intergeracional”, afirma.

Ele lembra que já existe uma onda internacional de processos judiciais de cunho climático sendo abertos contra governos de várias partes do mundo – muitos desses processos movidos por jovens que se sentem feridos em seus direitos humanos por conta de políticas climáticas.

De modo geral, diz o cientista, tem mudado a percepção de que as mudanças climáticas são um problema de um futuro distante, que prejudicarão pessoas abstratas, ainda não nascidas.

“Os dados mostram que é (um problema que) está aqui, agora, afetando todas as pessoas do mundo: todas as gerações vivendo hoje, em todos os países, especialmente os mais jovens, sofrerão as consequências negativas”, ele agrega, para concluir:

“As perspectivas são sombrias, mas há também uma mensagem clara de que se reduzirmos as mudanças climáticas, vamos reduzir essa escalada de extremos climáticos e proteger o futuro de pessoas reais, que já estão vivas.”

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*Fonte: epocanegocios

Estudo da NASA afirma que teremos mais inundações até 2030 por conta da órbita da Lua

Um estudo da National Aeronautics and Space Administration (NASA) afirma que teremos mais inundações até 2030, por conta da oscilação na órbita da Lua.

A pesquisa foi publicada no Nature Climate Change, onde afirma que até a década de 2030, o número de inundações deve aumentar entre três e quatro vezes.

De acordo com a pesquisa realizada, é devido ao derretimento acelerado das partes geladas, causado pelo aquecimento global, que as inundações serão mais evidentes.

Como resultado, com o nível do mar subindo de forma crescente, a Lua poderá exercer ainda mais a sua influência nas marés.

Mais inundações até 2030 é quase inevitável
A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos realizou um anúncio, onde informou que o mar já está apresentando recordes de elevação.

Do ano de 1880 até hoje, o nível do mar subiu aproximadamente 24 centímetros (cm) e até 2100, o nível aumentará entre 0,3 metros e 2,5m.

Essa diferença (0,3 m a 2,5 m), depende da nossa capacidade de gerenciar emissões de gases do efeito estufa. No entanto, também há a interferência da Lua.

A oscilação na órbita da Lua tem um período que é capaz de causar mais marés altas e menos marés baixas.

Segundo a agência espacial norte-americana, essa oscilação é responsável por inverter a chamada “influência lunar” nas marés, uma vez a cada 18,6 anos.

A previsão é que na década de 2030 o aquecimento global já terá aumentado o nível do mar em um nível em que as cheias de rios, inundações, transbordamentos de córregos e outros desastres deverão causar um grande problema.

“É o efeito cumulativo disso ao longo do tempo que trará o maior impacto. Se tivermos 10 a 15 inundações por mês, um negócio não poderá operar com o seu estacionamento submerso em água. As pessoas perderão empregos porque não conseguirão sair de casa. Fossas sépticas transbordarão dejetos e se tornarão um problema de saúde pública”

Phil Thompson, autor do estudo e professor na Universidade do Havaí

Em seu estudo, a NASA recomendou medidas de planejamento para a situação que deverá ocorrer, pois acredita que a situação beira o inevitável.

Segundo Ben Hamlington, outro autor da pesquisa e também cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da agência, é importante compreender que todos esses eventos poderão ocorrer de forma próxima.

Segundo Hamlington, podem ocorrer em um mês ou dois de proximadade, ou então poderá haver inundações mais severas na segunda metade de um ano, por exemplo.

*Por Rafael Pires Jenei
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Fonte: engenhariahoje

Calor e seca: pesquisas mostram efeitos da mudança climática na agricultura

Os eventos de calor e seca podem coincidir com mais frequência devido à mudança climática, com consequências negativas para a agricultura mundial. É isso que revela um novo estudo publicado na Nature Food.

O rendimento das culturas geralmente cai durante as estações quentes de crescimento, mas o calor e a seca combinados podem ter efeitos ainda mais amplos.

Além das perdas causadas apenas pelas altas temperaturas, os efeitos combinados do calor e da seca causarão reduções adicionais de rendimento de milho e soja de até 20% em partes dos Estados Unidos, e de até 40% na Europa Oriental e no sudeste da África.

Em lugares onde os climas frios atualmente limitam o rendimento das culturas, como no norte dos Estados Unidos, Canadá e Ucrânia, os efeitos combinados de temperaturas mais altas e menos água podem diminuir os ganhos de rendimento projetados com o aquecimento.

Projeções anteriores de risco climático futuro haviam identificado um perigo para as culturas devido ao aquecimento global, mas ignoravam o potencial de efeitos compostos do calor e da disponibilidade de água sobre as culturas de alimentos.

Com base em dados históricos, os rendimentos de milho e soja eram cerca de 40% mais sensíveis ao calor em locais onde o calor é acompanhado por secas, em comparação com as terras agrícolas onde o clima mais quente não significa menos água. Isto pode ser devido ao fato destas culturas serem particularmente sedentas sob o poder secante do ar quente, e porque a terra seca não pode esfriar com a evaporação e fica especialmente quente sob os raios do sol. Os impactos compostos do calor e da seca foram menos importantes para outras culturas, como o trigo ou o arroz.

Segurança alimentar ameaçada

O estudo mostra que, sem cortes fortes e rápidos de emissões, os alimentos básicos poderiam ser cada vez mais afetados por extremos climáticos compostos. Isto aumenta os riscos de preços mais altos dos alimentos e reduz a segurança alimentar, mesmo em países desenvolvidos.

“Nosso estudo descobre um novo risco para a produção agrícola decorrente do aquecimento do clima que acreditamos ter sido negligenciado nas avaliações atuais. Como o planeta continua a aquecer, a água e o calor podem se inter-relacionar mais fortemente em muitas regiões, tornando as secas mais quentes e as ondas de calor mais secas”, afirma Corey Lesk, autor principal do estudo e pesquisador do Departamento de Ciências da Terra e Meio Ambiente (DEES) da Universidade de Columbia e do Lamont-Doherty Earth Observatory (LDEO).

“AS PLANTAS TERÃO CADA VEZ MAIS FALTA DE ÁGUA QUANDO MAIS PRECISAM DELA, E HISTORICAMENTE ISTO TEM SIDO ESPECIALMENTE PREJUDICIAL PARA AS CULTURAS.”

Para o pesquisador, o estudo deve servir de motivação para adaptar colheitas e técnicas de cultivo. “Por exemplo, precisamos de novas variedades de culturas para suportar o aumento da temperatura, mas isto não pode vir às custas de uma maior tolerância à seca. Os governos e as grandes empresas de sementes devem ser transparentes sobre seus planos de adaptação da agricultura ao aquecimento do clima”, completa Lesk.

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*Fonte: ciclovivo

Alta do nível do mar na previsão do relatório do IPCC

Alta do nível do mar na previsão do último relatório do IPCC
Os dados deste post têm como origem um artigo publicado por Jeff Tollefson para a revista Nature, em agosto de 2021, e republicado pelo site Scientific American. Trata-se da primeira avaliação que encontramos na net sobre a alta do nível do mar cuja base é o último relatório do IPCC. Como não poderia deixar de ser, os dados são preocupantes.

Alta do nível do mar no relatório do IPCC
Compilado por mais de 200 cientistas e aprovado por representantes de governos de 195 países, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) deixa poucas dúvidas de que os humanos estão alterando o funcionamento do planeta – e que as coisas vão piorar muito se os governos não tomarem medidas drásticas, dizem os pesquisadores do clima.

Os cientistas dizem que, com base nas políticas atuais, os governos não conseguirão cumprir as metas estabelecidas no Acordo de Paris de 2015 para limitar o aquecimento global a 1,5–2°C acima dos níveis pré-industriais.

E este é apenas o primeiro de um trio de relatórios que, em conjunto, farão a sexta maior avaliação do clima desde 1990. Os dois próximos serão, respectivamente, sobre os impactos e a adaptação, e sobre os esforços de mitigação, e serão publicados em 2022.

O grande problema é que até agora os esforços dos governantes em cortar as respectivas emissões não deram o resultado esperado. Segundo a avaliação de Jeff Tollefson, ‘o mundo está a caminho de quase 3°C de aquecimento’.

Relatório do IPCC de 2019
De acordo com Tollefson, ‘o mundo teve uma prévia de como os níveis do mar da Terra podem subir quando o IPCC divulgou um relatório especial em 2019’.

‘A ciência apresentada, que sem dúvida será incluída no lançamento da próxima semana, dizem os especialistas, apontou para uma elevação dos níveis médios do mar global entre 0,3 metros e 1,1 metros até 2100, dependendo das emissões de gases de efeito estufa’.

‘Isso é apenas um pouco mais alto do que as projeções anteriores, mas o relatório também citou estudos recentes que analisaram as opiniões de especialistas na área, que declararam que uma elevação de 2 metros não pode ser descartada’.

‘É difícil determinar o aumento do nível do mar’

Tollefson explica que ‘determinar o aumento do nível do mar é difícil porque depende de questões complexas sobre se os mantos de gelo na Groenlândia e na Antártida entrarão em colapso – e, em caso afirmativo, com que rapidez’.

A perde de gelo na Groenlândia, chegamos ao ponto de inflexão? Imagem, NASA, Maria-José Viñas.
Para alguns comentaristas a Groenlândia já teria atingido o ponto de inflexão. E a temperatura aumenta ano a ano na Antártica.

Jeff Tollefson explica: ‘os mantos de gelo na Groenlândia e na Antártica são tão grandes que exercem um efeito gravitacional que faz com que os oceanos inchem ao seu redor.

‘Quando parte do gelo derrete, o inchaço local diminui e a água é redistribuída em outros lugares, como no nordeste dos Estados Unidos – levando ao aumento do nível do mar ali.

Para Michael Oppenheimer, cientista climático da Universidade de Princeton em Nova Jersey e autor do relatório especial do IPCC, ‘é a primeira vez que o IPCC faz uma análise abrangente de todos esses efeitos locais e regionais’, diz Oppenheimer.

A informação é importante, diz ele, porque mesmo aumentos aparentemente pequenos nos níveis locais do mar podem ter impactos significativos – particularmente nas inundações durante as tempestades.

‘Enchentes anuais’
Segundo Oppenheimer, as enchentes que ocorrem uma vez a cada século se tornarão eventos anuais no final do século, mesmo sob os cenários climáticos mais otimistas.

Para Tollefson ‘há apenas uma década, os cientistas tendiam a questionar quando inquiridos sobre a ligação entre o aquecimento global e qualquer evento climático extremo, exceto para dizer que devemos esperar mais deles à medida que o clima esquenta’.

‘Duas coisas aconteceram para impulsionar essa mudança. A primeira é que os cientistas do clima desenvolveram modelos e métodos estatísticos aprimorados para determinar a probabilidade de que qualquer evento climático possa ocorrer, com ou sem mudança climática induzida pelo homem’.

Mas tão importante quanto, diz Seneviratne, a mudança climática em si está avançando, e estudos recentes mostram que eventos climáticos cada vez mais extremos estão surgindo acima do ruído da variabilidade natural.

Ou, nas palavras de Corinne Le Quéré, uma cientista do clima da Universidade de East Anglia em Norwich, Reino Unido, agora podemos ver os impactos do aquecimento global “com nossos próprios olhos”.

Que os líderes mundiais estejam muito inspirados para a COP 26, em Glasgow, Escócia.

*Por João Lara Mesquita
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*Fonte: marsemfim

Aquecimento do Ártico pode levar a eventos climáticos extremos no mundo

Um novo relatório do Climate Crisis Advisory Group (CCAG), divulgado na quinta-feira, 29 de julho, conclui que o rápido aquecimento e derretimento do gelo no Ártico é provavelmente o principal gatilho para eventos climáticos em cascata em todo o planeta, resultando em mudanças devastadoras em nossos sistemas meteorológicos e nos incidentes climáticos extremos observados recentemente — como as ondas de calor e inundações em países como os EUA, Canadá, Alemanha e China, que causaram centenas de mortes.

“A ocorrência sistemática de super-extremos em todo o mundo em 2021 não pode ser explicada apenas pelos 1,2°C de aquecimento global que temos até agora — há algo mais em jogo. E o candidato é o aquecimento acelerado e o derretimento do gelo no Ártico”, diz Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, da Alemanha, e membro do CCAG.

Aquecimento 3 vezes mais rápido

Nos últimos 30 anos, o Ártico aqueceu a uma taxa de 0,81°C por década, mais de três vezes mais rápido do que a média global de 0,23°C por década. Isso resultou na perda rápida e irreversível do gelo marinho, bem como na perda do manto de gelo da Groenlândia.

De acordo com o relatório, há gelo suficiente apenas na camada de gelo da Groenlândia para elevar o nível global do mar em 7,5 metros.

Um Ártico estável é conhecido por controlar a temperatura da Terra — interrompida essa estabilidade, os mantos de gelo estão derretendo e liberando grandes quantidades de água doce fria no Atlântico Norte, diminuindo a circulação do oceano e provocando impactos em regiões tão distantes quanto a Antártica, além de perturbar eventos climáticos complexos, como a monção sul-americana. Isso também explica a maior frequência de secas e incêndios na floresta amazônica, causando aumento da liberação de CO2 na atmosfera.

Permafrost
Paralelamente, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem a aumentar na taxa atual, dezenas a centenas de bilhões de toneladas de carbono, presas no permafrost do planeta, poderiam ser liberadas na atmosfera. No ritmo atual, segundo o documento, as condições de clima quente que levam ao degelo do permafrost já estão ocorrendo cerca de 70 anos antes das previsões.

“Os impactos da influência humana sobre o clima em uma região se propagam a outras regiões em função da circulação atmosférica e oceânica. Não atuar para reverter as causas da mudança climática e reduzir seus impactos é uma escolha que implica em prejuízos substanciais para nossa economia e para a segurança da população”, explica Mercedes Bustamante, pesquisadora da UnB e única brasileira membro do CCAG.

Ação urgente


“É MAIS UM LEMBRETE DE QUE NÃO HÁ MARGEM REMANESCENTE PARA MAIS DE GASES DE EFEITO ESTUFA EM NOSSA ATMOSFERA. NÃO APENAS DEVEMOS REDUZIR IMEDIATAMENTE AS EMISSÕES, PARTICULARMENTE DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS, DEVEMOS TAMBÉM PROCURAR MANEIRAS DE REMOVER GASES DE EFEITO ESTUFA DA ATMOSFERA EM ESCALA.”

Este é o segundo de uma série de relatórios publicados pelo CCGA, grupo internacional independente de especialistas sobre o clima, e antecipado à imprensa brasileira pela Bori. Veja mais informações sobre o CCGA aqui e confira o primeiro relatório aqui.

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*Fonte: ciclovivo

As piores previsões da mudança climática estão se concretizando neste instante

As camadas congeladas da Antartica e Groelândia, que poderiam elevar o oceano mais 65 metros caso derretessem completamente, acompanham os piores cenários previstos pela ONU da elevação do nível do mar, afirmaram cientistas na segunda-feira, alertando sobre as falhas nos atuais modelos do aquecimento global.

O artigo científico publicado na revista Nature Climate Change informa que o derretimento acompanhou as piores previsões — de derretimento mais extremo das duas camadas de gelo — entre 2007 e 2017 o que levará ao aumento de 40 centímetros no nível do mar até 2100.

Disparidade

A perda de gelo constatada reflete aproximadamente três vezes as previsões médias do maior relatório recente do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) de 2014.

Há uma grande disparidade entre as previsões do IPCC e a realidade observada.

“Precisamos descobrir a um novo “pior cenário” para os mantos de gelo, porque eles já estão derretendo a uma taxa que condiz com o nosso atual. As projeções do nível do mar são essenciais para ajudar os governos a planejarem políticas climáticas, estratégias de mitigação e adaptação”, afirmou o autor principal do estudo, Thomas Slater, para a AFP. Slater é pesquisador do Centro de Observação e Modelagem Polar da Universidade de Leeds, na Inglaterra.

“Se subestimarmos o aumento futuro do nível do mar, essas medidas podem ser inadequadas e deixar as comunidades costeiras vulneráveis.”
Thomas Slater

O imenso custo da elevação do oceano

A capacidade destrutiva das tempestades aumentará drasticamente nas regiões costeiras, em que centenas de milhões de pessoas hoje vivem, por causa de tal aumento no nível do mar.

Mais de U$ 70 bilhões em gastos seriam necessários para proteger áreas costeiras com um metro do aumento do mar.

Modelos climáticos são complicados e pode haver vários motivos que expliquem porque as previsões da ONU erraram.

Segundo Slater precisamos entender melhor estes fatores para ajustar os modelos e fazer previsões mais precisas do aumento do nível do mar.

Até poucas décadas atrás os mantos de gelo da Antártica e da Groelândia perdiam a mesma quantidade de gelo que recebiam em forma de neve, mas o aumento gradual nas temperaturas quebrou esse equilíbrio.

Em 2019 a Groenlândia derreteu 532 bilhões de toneladas de gelo devido ao um verão extremamente quente o que causou 40% da elevação do oceano do ano todo.

De acordo com o cientista o próximo grande relatório do IPCC, que deve ser publicado em 2021, está sendo elaborado através de modelos que refletirão melhor o comportamento da atmosfera, mantos de gelo e mares; levando a previsões mais precisas.

*Por Marcelo Ribeiro

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*Fonte: hypescience

O clima mudou o eixo da Terra

O derretimento glacial devido ao aquecimento global é provavelmente a causa de uma mudança no movimento dos pólos que ocorreu na década de 1990.

As localizações dos pólos Norte e Sul não são pontos estáticos e imutáveis ​​em nosso planeta. O eixo que a Terra gira – ou mais especificamente a superfície da qual emerge a linha invisível – está sempre se movendo devido a processos que os cientistas não entendem completamente. A forma como a água é distribuída na superfície da Terra é um fator que impulsiona a deriva.

O derretimento das geleiras redistribuiu água suficiente para fazer com que a direção do vagar polar se virasse e acelerasse para o leste durante meados da década de 1990, de acordo com um novo estudo da Geophysical Research Letters, relatórios de formato curto com implicações imediatas abrangendo todas as ciências da Terra e do espaço.

“O derretimento mais rápido do gelo sob o aquecimento global foi a causa mais provável da mudança direcional da deriva polar na década de 1990”, disse Shanshan Deng, pesquisador do Instituto de Ciências Geográficas e Pesquisa de Recursos Naturais da Academia Chinesa de Ciências, o Universidade da Academia Chinesa de Ciências e autora do novo estudo.

A Terra gira em torno de um eixo como um topo, explica Vincent Humphrey, um cientista do clima da Universidade de Zurique que não esteve envolvido nesta pesquisa. Se o peso de um pião for movido, o pião começará a se inclinar e oscilar conforme seu eixo de rotação muda. A mesma coisa acontece com a Terra quando o peso é deslocado de uma área para outra.

Os pesquisadores foram capazes de determinar as causas das derivas polares a partir de 2002 com base em dados do Experimento de Recuperação de Gravidade e Clima (GRACE), uma missão conjunta da NASA e do Centro Aeroespacial Alemão, lançada com satélites gêmeos naquele ano e uma missão de acompanhamento em 2018. A missão coletou informações sobre como a massa é distribuída ao redor do planeta, medindo mudanças desiguais na gravidade em diferentes pontos.

Estudos anteriores divulgados sobre os dados da missão GRACE revelaram algumas das razões para mudanças posteriores de direção. Por exemplo, a pesquisa determinou que os movimentos mais recentes do Pólo Norte para longe do Canadá e em direção à Rússia são causados ​​por fatores como o ferro derretido no núcleo externo da Terra. Outras mudanças foram causadas em parte pelo que é chamado de mudança de armazenamento de água terrestre, o processo pelo qual toda a água na terra – incluindo água congelada em geleiras e água subterrânea armazenada em nossos continentes – está sendo perdida pelo derretimento e bombeamento de água subterrânea.

Os autores do novo estudo acreditam que essa perda de água na terra contribuiu para as mudanças na deriva polar nas últimas duas décadas, mudando a forma como a massa é distribuída ao redor do mundo. Em particular, eles queriam ver se isso também poderia explicar as mudanças que ocorreram em meados da década de 1990.

Em 1995, a direção da deriva polar mudou de sul para leste. A velocidade média de deriva de 1995 a 2020 também aumentou cerca de 17 vezes em relação à velocidade média registrada de 1981 a 1995.

Agora, os pesquisadores descobriram uma maneira de retroceder no tempo a moderna análise de rastreamento de pólos para descobrir por que essa deriva ocorreu. A nova pesquisa calcula a perda total de água do solo na década de 1990 antes do início da missão GRACE.

“As descobertas oferecem uma pista para estudar o movimento polar impulsionado pelo clima no passado”, disse Suxia Liu, hidróloga do Instituto de Ciências Geográficas e Pesquisa de Recursos Naturais da Academia Chinesa de Ciências. “O objetivo deste projeto, financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia da China, é explorar a relação entre a água e o movimento polar.”

Perda de água e deriva polar

Usando dados sobre a perda de geleiras e estimativas de bombeamento de água subterrânea, Liu e seus colegas calcularam como a água armazenada na terra mudou. Eles descobriram que as contribuições da perda de água das regiões polares são o principal impulsionador da deriva polar, com contribuições da perda de água nas regiões não polares. Juntas, toda essa perda de água explicou a mudança para o leste na deriva polar.

“Acho que isso traz uma evidência interessante para essa questão”, disse Humphrey. “Isso mostra o quão forte é essa mudança de massa – é tão grande que pode mudar o eixo da Terra.”

Humphrey disse que a mudança no eixo da Terra não é grande o suficiente para afetar a vida diária. Isso pode mudar a duração do dia que experimentamos, mas apenas por milissegundos.

O derretimento mais rápido do gelo não pode explicar inteiramente a mudança, disse Deng. Embora eles não tenham analisado isso especificamente, ela especulou que a pequena lacuna pode ser devido a atividades envolvendo o armazenamento de água terrestre em regiões não polares, como o bombeamento de água subterrânea insustentável para a agricultura.

Humphrey disse que esta evidência revela o quanto a atividade humana direta pode ter um impacto nas mudanças na massa de água na terra. A análise revelou grandes mudanças na massa de água em áreas como Califórnia, norte do Texas, região ao redor de Pequim e norte da Índia, por exemplo – todas as áreas que bombearam grandes quantidades de água subterrânea para uso agrícola.

“A contribuição da água subterrânea também é importante”, disse Humphrey. “Aqui você tem um problema de gerenciamento de água local que é detectado por esse tipo de análise.”

Liu disse que a pesquisa tem implicações maiores para a nossa compreensão do armazenamento de água da terra no início do século XX. Os pesquisadores têm 176 anos de dados sobre a deriva polar. Usando alguns dos métodos destacados por ela e seus colegas, seria possível usar essas mudanças de direção e velocidade para estimar quanta água terrestre foi perdida nos últimos anos.

*Por Ademilson Ramos

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*Fonte: engenhariae

Temperatura nas cidades vai subir de maneira perigosa

As metrópoles do futuro vão ser cada vez mais quentes e as altas temperaturas vão afetar bilhões de pessoas. Pesquisas mostram que mesmo com o sucesso dos esforços de se reduzir drasticamente o uso de combustíveis fósseis, as temperaturas dos centros urbanos no final do século vai estar pelo menos 2°C acima das medidas atuais.

Caso a tendência atual de uso de combustíveis fósseis seja mantida, o que parece uma perspectiva mais realista, o aumento das temperaturas em cidades como São Paulo, Paris, Londres, Shangai, Bagdá, Lagos, Beijing e Filadélfia pode chegar a 4,4°C em 2100.

As cidades também têm tendência a ficarem mais secas, com as taxas de umidade relativa do ar caindo à medida que as temperaturas sobem. Quem afirma isso são cientistas americanos que usaram dados estatísticos e inteligência artificial pata traçar perspectivas para o futuro das cidades ainda neste século.

Esta pesquisa é literalmente vital para a humanidade, já que as cidades, apesar de cobrirem apenas 3% da superfície da Terra concentram mais de 50% da população. Até 2050, os grandes centros urbanos atuais e novos que estão surgindo vão abrigar 70% da humanidade.

Escala global

“Incorporar variantes climáticas de menor escala nos modelos de análise é fundamental para prever como vai ser o clima das cidades no futuro. Mas incluir essas variações em modelos de análise de escala global, ainda é um desafio”, explica Lei Zhao, engenheiro da Universidade americana Urbana-Champaign.

“As cidades possuem muitas superfícies de concreto e asfalto e retêm muito mais calor do que superfícies naturais, impactando muitos processos biológicos.”
Dr. Lei Zhao

Dr. Zhao e sua equipe publicaram um estudo no Nature Climate Change no qual combinaram uma série de simulações possíveis com dados estatísticos para criar um quadro geral, em escala global, do impacto do clima nos centros urbanos.

Os pesquisadores esclarecem que os resultados tratam de um panorama geral o que não inclui eventos extremos ou possíveis variações locais específicas.

No entanto, o alerta é claro: até 2100, os centros urbanos “vão experimentar o aquecimento mais acentuado já visto, durante o dia e durante a noite”.

O estudo destaca esta variação especialmente para cidades nas regiões central e norte dos Estados Unidos, região sul do Canadá, centro e leste da Europa, centro e sul da Ásia e norte e oeste da China. Na América do Sul, o aquecimento noturno nas cidades será mais intenso.

As cidades localizadas em altas altitudes no hemisfério norte terão um aumento de temperatura durante o inverno. Junto com o aumento das temperaturas, virá uma baixa na umidade relativa do ar durante verão em centros urbanos. Isso pode levar a quadros de calor graves, falta de água e instabilidade no fornecimento de energia.

Esta análise geral com previsões para o futuro dos centros urbanos já havia sido prevista em estudos anteriores sobre as consequências do calor extremo. O aumento de temperaturas de 1,9°C e 4,4°C já é suficientemente alarmante, mas traz também outros efeitos bastante negativos na economia, saúde pública e até taxas de mortalidade nas metrópoles.

Infraestrutura verde

O calor extremo está a caminho e pode ser muito perigoso. O calor aumenta o uso do ar condicionado, o que eleva o consume de energia. As ruas das cidades vão ficar especialmente quentes. Pesquisadores alertam que os maiores impactos serão sentidos nas metrópoles chinesas e no sul da Ásia. Até 2070, cerca de 3 bilhões de pessoas vão enfrentar um nível de calor considerado extremo nos dias de hoje – e que no momento afetam apenas um pequeno grupo de pessoas.

Para aliviar a onda de más notícias, um fator positivo é que com a queda da umidade, os níveis de evaporação nas superfícies das grandes cidades vai ser maior e isso pode ser um mecanismo de resfriamento eficiente em alguns casos. Sendo assim, o que cientistas chamam de infraestrutura verde pode oferecer uma ajuda muito importante: parques e áreas verdes podem se tornar florestas urbanas, e as árvores e jardins terão uma importância cada vez maior nas metrópoles. “Nossas descobertas destacam a importância vital de áreas urbanas que ajudem a melhorar o clima”, reforça Dr. Zhao.

“Este estudo fornece bases científicas para que urbanistas foquem suas atenções no desenvolvimento de infraestrutura e intervenções verdes para reduzir o aquecimento das cidades em larga escala.”
Dr. Leo Zhao

*Por Natasha Olsen

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*Fonte: ciclovivo

Em 2100, o verão durará 6 meses no hemisfério Norte

Os pesquisadores estão preocupados com uma perturbação climática das estações terrestres que não estamos acostumados. Eles alertam que em 2100 o verão provavelmente durará 6 meses no hemisfério Norte e teria repercussões catastróficas no equilíbrio dos ecossistemas, colocando a humanidade em perigo.

Ou seja, será prejudicial aos ecossistemas que são finamente equilibrados em termos de estações e temperaturas. Portanto, ondas de calor prolongadas, incêndios florestais mais frequentes, mudanças nos padrões de migração (afetando a cadeia alimentar) e mais uma lista exaustiva de instabilidades virão.

Aquecimento global e verão mais prolongado

O estudo relata que, se o aquecimento global continuar no ritmo atual, os riscos para a humanidade só irão piorar com o tempo. A previsão é baseada em 60 anos de dados.

Assim, os pesquisadores analisaram dados climáticos diários históricos de 1952 a 2011, marcando os dias com 25% das temperaturas mais quentes nesses anos como os meses de verão e aqueles com temperaturas mais quentes.

Dessa forma, a análise descobriu que o verão aumentou em média de 78 dias para 95 dias nesse período e o inverno diminuiu de 76 dias para 73 dias. A primavera e o outono também diminuíram, em 9 dias e 5 dias, respectivamente.

Enquanto a primavera e o verão começaram gradualmente mais cedo, o outono e o inverno começaram mais tarde. Os resultados foram publicados na revista Geophysical Research Letters.

Enfim, o estudo conclui que o hemisfério Norte chegará a um verão de 6 meses em 2100, começando mais cedo. Isso porque a equipe se voltou para modelos climáticos futuros para prever como essas tendências poderiam continuar até a virada do século. De acordo com as simulações, o inverno vai durar apenas 2 meses.

Este é um desenvolvimento potencialmente perigoso por várias razões, significando maior exposição aos pólens no ar e disseminação de mosquitos tropicais que transmitem doenças, por exemplo.

*Por Amanda dos Santos

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*Fonte: socientifica

O que são os ciclos de Milankovitch e como afetam o clima da Terra

Em 1920 um cientista chamado Milutin Milankovitch formulou hipóteses de que variações na órbita da Terra podiam resultar em variações cíclicas da energia solar que atingia o planeta, e isso influenciaria os padrões climáticos da Terra.

Desde então evidências têm corroborado com a hipótese de Milankovitch. Tais evidências são observadas estudando rochas e gases presos em bolhas de ar sob o gelo. Uma das mais recentes foi a confirmação da existência de um ciclo de 405.000 anos que, nesse caso, é causado por interações gravitacionais da Terra com Júpiter e Vênus.

As variações do ciclo de Milankovitch

Excentricidade: É a variação da órbita da Terra com o Sol. Ela pode variar em uma órbita mais elíptica (oval) ou menos elíptica. A excentricidade da Terra tem um período de cerca de 100 mil anos.

Obliquidade: É o movimento de inclinação do eixo de rotação em relação ao Sol. Sendo mais claro, imagine um sino de uma igreja. Quando esse sino esta parado ele está na vertical, quando o balançamos ele se inclina de um lado para o outro. Com o efeito de Obliquidade da terra o mesmo acontece. entretanto a variação dessa inclinação no planeta é entre 22,5° e 24,5º e acontece a cada 41 mil anos.

Precessão: A precessão também é uma variação dos ciclos. Enquanto na rotação a Terra gira no próprio eixo e na translação ela gira em torno de sua estrela, na precessão ela faz um giro no eixo de forma inclinada, é como se misturássemos o efeito de obliquidade com a rotação da terra. Esse movimento leva cerca de 25 mil anos.

Mudanças Climáticas

Os ciclos acima são conhecidos por causar variações na insolação, ou seja, por afetar o nível de radiação recebido do Sol.

A diferença da energia que o planeta recebe pode causar eras com climas mais intensos ou mais amenos. Além da insolação, as variações das orbitas também alteram a distribuição da radiação no globo.

Se, por exemplo, pensarmos em um modelo onde os ciclos combinam em seus extremos – a Terra longe do sol, o ângulo do eixo no máximo de 24,5° – teríamos estações de inverno extremamente frias e verões muito quentes.

Quando se compara variações orbitais dos ciclos com as antigas eras glaciais e interglaciais, é possível ver uma relação entre os dois fatores.

E o aquecimento global?

É comum observar a negação do aquecimento global antropogênico (causado por humanos) com o argumento de que na Terra é normal haverem eras quentes e frias. Entretanto, uma das características do método científico é eliminar variáveis.

Os ciclos de Milankovitch são conhecidos há pelo menos 100 anos, e quando a comunidade científica afirma que as mudanças atuais são causadas por nós, podemos ter certeza que a possibilidade de ser apenas um ciclo já foi uma variável descartada.

Atualmente as mudanças têm ocorrido em um período extremamente curto, ainda mais quando comparamos com os ciclos naturais da Terra que duram milhares de anos.

*Por Wesley Oliveira de Paula

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*Fonte: socientifica

Paul McCartney lança clipe inédito em apoio à luta pelo clima

O legendário músico Paul McCartney acaba de lançar um novo clipe para a música Wine Dark Open Sea. A ação é uma parceria com a ONG Surfistas pelo Clima (Surfers For Climate) e vídeo foi elaborado pelo premiado cineasta de surf Jack McCoy.

O novo clipe de Wine Dark Open Sea apresenta a ex-campeã surfista e co-fundadora da Surfers For Climate, Belinda Baggs. McCoy diz que o vídeo leva os espectadores em uma viagem e apela para que eles abram seus corações para o oceano.

“Estou entusiasmado por apoiar Surfers For Climate. O trabalho deles é algo que realmente me atrai, pois todos nós temos a responsabilidade de fazer nossa parte e esta é uma ótima maneira de reunir pessoas com uma paixão compartilhada pelos mares e oceanos de todo o mundo por uma ação climática positiva”.

Paul McCartney

“É uma honra trabalhar novamente com o artista mais influente do mundo moderno e tê-lo apoiando uma causa tão grande para aumentar a consciência sobre a importância de agir agora na luta contra a mudança climática”, diz McCoy. “É nosso dever proteger nosso meio ambiente e limitar o impacto que fazemos como seres humanos”.

McCartney e McCoy já trabalharam juntos no passado, na criação do clipe da música Blue Sway, que ganhou vários ‘Best Music Video Awards’ nos principais festivais de cinema ao redor do mundo.

Conexão pelos oceanos

“As filmagens impressionantes da longboarder Belinda Baggs e sua dança na água são um poderoso lembrete de como nossos oceanos são incríveis e que eles precisam de nossa ajuda para protegê-los e preservar suas maravilhas para as gerações vindouras”, diz McCartney.

“Acreditamos que as pessoas se conectarão com o vídeo para fazer um esforço consciente para apoiar nossa luta contra a mudança climática”, diz Baggs.

É possível ver a estreia do vídeo no Epicentre.tv com uma doação de US$ 5 dólares que serão destinados a duas organizações parceiras: Surfrider Foundation Australia e Seed Mob.

Um aperitivo do vídeo de Wine Dark Open Sea pode ser conferido aqui.

“Para os surfistas, o oceano é vida. A mudança climática, alimentada por combustíveis fósseis, ameaça o modo de vida de todos. Nosso objetivo é simples, queremos passar um oceano saudável para as gerações vindouras”.
Belinda Baggs

Surfistas pelo clima

Surfers for Climate é uma instituição de caridade australiana que promove alianças com cientistas climáticos, ativistas, comunidades surfistas em todo o mundo e outros grupos ambientais, incluindo Climate Council, Surfrider Australia, Seed, Sea Trees, Sea Shepherd, Surfers Against Sewage and Plastic Pollution Coalition.

Os objetivos da ONG são:

Fornecer ferramentas e idéias para que os surfistas reduzam suas próprias emissões e restabeleçam ecossistemas locais;
Criar um núcleo para discutir as ameaças costeiras e gerar soluções;
Enfrentar novos desenvolvimentos de carvão, petróleo e gás.

As piores previsões da mudança climática estão se concretizando neste instante

As camadas congeladas da Antartica e Groelândia, que poderiam elevar o oceano mais 65 metros caso derretessem completamente, acompanham os piores cenários previstos pela ONU da elevação do nível do mar, afirmaram cientistas na segunda-feira, alertando sobre as falhas nos atuais modelos do aquecimento global.

O artigo científico publicado na revista Nature Climate Change informa que o derretimento acompanhou as piores previsões — de derretimento mais extremo das duas camadas de gelo — entre 2007 e 2017 o que levará ao aumento de 40 centímetros no nível do mar até 2100.

Disparidade

A perda de gelo constatada reflete aproximadamente três vezes as previsões médias do maior relatório recente do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) de 2014.

Há uma grande disparidade entre as previsões do IPCC e a realidade observada.

“Precisamos descobrir a um novo “pior cenário” para os mantos de gelo, porque eles já estão derretendo a uma taxa que condiz com o nosso atual. As projeções do nível do mar são essenciais para ajudar os governos a planejarem políticas climáticas, estratégias de mitigação e adaptação”, afirmou o autor principal do estudo, Thomas Slater, para a AFP. Slater é pesquisador do Centro de Observação e Modelagem Polar da Universidade de Leeds, na Inglaterra.

“Se subestimarmos o aumento futuro do nível do mar, essas medidas podem ser inadequadas e deixar as comunidades costeiras vulneráveis.”
Thomas Slater

O imenso custo da elevação do oceano

A capacidade destrutiva das tempestades aumentará drasticamente nas regiões costeiras, em que centenas de milhões de pessoas hoje vivem, por causa de tal aumento no nível do mar.

Mais de U$ 70 bilhões em gastos seriam necessários para proteger áreas costeiras com um metro do aumento do mar.

Modelos climáticos são complicados e pode haver vários motivos que expliquem porque as previsões da ONU erraram.

Segundo Slater precisamos entender melhor estes fatores para ajustar os modelos e fazer previsões mais precisas do aumento do nível do mar.

Até poucas décadas atrás os mantos de gelo da Antártica e da Groelândia perdiam a mesma quantidade de gelo que recebiam em forma de neve, mas o aumento gradual nas temperaturas quebrou esse equilíbrio.

Em 2019 a Groenlândia derreteu 532 bilhões de toneladas de gelo devido ao um verão extremamente quente o que causou 40% da elevação do oceano do ano todo.

De acordo com o cientista o próximo grande relatório do IPCC, que deve ser publicado em 2021, está sendo elaborado através de modelos que refletirão melhor o comportamento da atmosfera, mantos de gelo e mares; levando a previsões mais precisas.

*Por Marcelo Ribeiro

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*Fonte: hypescience

Consumo Consciente: 5 escolhas cotidianas que combatem a Crise Climática

Que calor insuportável” ou “Inverno fora de época”. Cada vez mais essas e outras expressões ligadas às sensações térmicas têm se tornado comum no nosso cotidiano. Quem nunca parou para conversar com alguém sobre o clima? O que poucos notam é que algo tão costumeiro gira em torno de um assunto principal e muito importante em nossas vidas: as Mudanças Climáticas.

Por isso, no Dia do Consumo Consciente, neste 15 de outubro, o Instituto Akatu propõe uma reflexão sobre a Crise Climática, mostra como ela já é percebida em vários lugares do planeta e como cada pessoa pode ajudar a combatê-la a partir de suas escolhas de consumo.

A Crise Climática é causada pela forma como vivemos – nosso modo de produzir e consumir – e nos relacionamos com o meio ambiente. Se as ações humanas são responsáveis por 90% do aumento da temperatura observado entre 1951 e 2010, as escolhas individuais de cada um têm impacto nessa situação.

Cada vez mais o consumo consciente se torna ferramenta muito importante na discussão. Veja abaixo algumas escolhas que podem fazer a diferença:

1. Evite o desperdício de alimentos

Atente-se a estes dados: 8% das emissões de gases de efeito estufa do mundo hoje originam-se da perda ou do desperdício de alimentos. Se o desperdício de alimentos fosse um país, ele seria o 3º maior emissor de GEE do mundo, atrás somente dos Estados Unidos e da China.

Faça a sua parte planejando o cardápio e indo às compras com uma lista para levar para casa só o necessário. Adote o hábito de armazenar os ingredientes considerando a data de validade, para não correr o risco de perdê-los, e adote receitas que façam o uso integral de alimentos.

2. Compre um item novo só se for realmente necessário

Antes de decidir pela compra de um novo produto, reflita se você realmente precisa dele. Você também pode optar pelo conserto do item que possui ou, se for possível, pela compra de um de segunda mão, que não vai exigir novas emissões relacionadas à sua produção.

Para você ter uma ideia do impacto da produção de um item, veja este exemplo: a produção de um único par de calçados emite o equivalente às emissões para gerar energia suficiente para o funcionamento de 50 máquinas de lavar ao longo de um ano inteiro (considerando 8 ciclos por mês).

3. Apague as luzes ao deixar um ambiente

Adote o hábito de privilegiar a iluminação natural, de apagar as luzes ao sair de um local e de substituir lâmpadas fluorescentes comuns por LED, cujo consumo é cerca de 30% menor. Para facilitar a comparação, o consumo de energia de 2 lâmpadas fluorescentes comuns (de 10W cada) equivale ao consumo de 3 lâmpadas LED.


4. Reduza o consumo de carne bovina

Ao substituir a carne bovina por outra fonte proteica (frango ou leguminosas, como lentilhas, feijões, ervilhas e grão de bico) uma ou mais vezes por semana, você poupa as emissões de gases de efeito estufa relacionadas à produção da carne, combatendo a Crise Climática. Enquanto a produção de um 1kg de carne bovina emite 27 kgCO2e, a de 1kg de frango emite quase 4 vezes menos (6,9 kgCO2e) e a de 1kg de feijão, quase 14 vezes menos (2 kgCO2e).


5. Escolha meios de transporte com melhor impacto

No caso de percursos curtos, prefira caminhar: faz bem à saúde e é livre de emissões de GEE. Em percursos médios, tente usar meios de transporte que não dependam da queima de combustíveis, como as bicicletas e os patinetes. E quando o carro for necessário, prefira os movidos a combustíveis renováveis, se isso for uma opção.

Para você entender a diferença dessa escolha, saiba que modais movidos a combustível fóssil, como a gasolina, emitem cerca de 25% mais CO2 na atmosfera do que os que utilizam etanol produzido a partir da cana de açúcar.

A hora é agora!

O aumento das temperaturas máximas e mínimas são apenas alguns reflexos da Crise Climática. O encolhimento das geleiras, a elevação do nível dos oceanos e mares e o crescimento da temperatura dos oceanos com a maior concentração de CO2 também estão nessa lista. Então, é hora de refletir sobre como o aquecimento global se relaciona com o nosso modo de viver e responder: o que você tem feito para cuidar do clima?

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*Fonte: ciclovivo

As 20 cidades mais frias do Brasil

Com clima tropical, frio intenso no Brasil é um privilégio para poucos. Por aqui, neves e geadas são raras e, mesmo no inverno, a maioria dos estados registram temperaturas acima de 20°C. Mas, em algumas cidades brasileiras é possível curtir um frio quase europeu. A Revista Bula realizou uma pesquisa e reuniu em uma lista os 20 municípios mais frios do país, de acordo com a temperatura média registrada nos últimos dez anos. Nesses locais, o clima é ameno até mesmo no verão e, durante o fim do outono e início do inverno, os termômetros atingem temperaturas negativas. Entre as cidades mais gélidas, Bom Jardim da Serra (SC), Urubici (SC) e Monte Verde (MG) se destacam também por suas belezas naturais.

1
Urupema, Santa Catarina

Considerada a cidade mais fria do país, Urupema tem uma temperatura média de apenas 8° C. Em fevereiro, mês mais quente, o clima gira em torno dos 18°C. A 1425 metros de altitude, o município é um dos únicos no Brasil que registram a ocorrência de neve e fortes geadas. O clima, a natureza preservada e a bela paisagem da região serrana atraem turistas durante todo o ano para essa pequena cidade de apenas 2,5 mil habitantes.

2
Bom Jardim da Serra, Santa Catarina

Bom Jardim da Serra se localiza na Serra do Rio do Rastro, um dos cartões-postais de Santa Catarina. Em 2017, o clima da cidade atingiu -7,4°C, cobrindo a serra de neve. Com pouco mais de 4 mil habitantes, o município tem muitas atrações para os turistas, como belos cânions e mais de 30 cachoeiras. Para os que gostam de atividades ao ar livre, a cidade é o destino perfeito para a prática de caminhadas, trilhas e cavalgadas.

3
São José dos Ausentes, Rio Grande do Sul

Com cerca de 500 habitantes, São José dos Ausentes tem um dos climas mais frios do país e abriga o pico mais alto do Rio Grande do Sul: o Monte Negro. A cidade registra geadas constantes e neve quase todos os anos. Mesmo no verão, a temperatura média local é de 18 °C. Nos meses de maio, junho e julho, o clima pode atingir -4°C, atraindo muitos turistas ansiosos pelo frio.

4
São Joaquim, Santa Catarina

São Joaquim, a “Capital Nacional da Maçã”, é uma cidade conhecida em todo país pelo frio. Em 2018, os termômetros atingiram -2,7°C. Basta a previsão do tempo indicar a possibilidade de neve, para que os turistas comecem a encher a cidade. Entre as maiores atrações locais estão as vinícolas, as plantações de maçãs e cerejas, e os parques municipais. A cidade possui cerca de 26 mil habitantes.

5
Urubici, Santa Catarina

Localizada no Vale do Rio Canoas, Urubici, também conhecida como a “Terra das Hortaliças”, possui cerca de 11 mil habitantes. Em um dos pontos mais altos de Santa Catarina, a cidade é conhecida por suas belezas naturais: cavernas, cânions, cachoeiras e montanhas. O Morro da Igreja, considerado o local mais frio do país, é a principal atração do município. Durante o inverno, a temperatura média gira em torno de 6°C.

6
São Gabriel, Rio Grande do Sul

Considerada o último reduto dos carreteiros, o mais antigo meio de locomoção criado pelo homem, São Gabriel possui aproximadamente 62 mil habitantes. Durante o inverno, a cidade registra média de 8°C, podendo atingir facilmente temperaturas abaixo de 0°C. Além do frio, os turistas que visitam o município se encantam com a arquitetura local e com os museus e centros de preservação da cultura gaúcha.

7
Inácio Martins, Paraná

Localizado a 1.198 metros de altitude, na Serra da Esperança, Inácio Martins é o município mais alto do Paraná. Colonizada por europeus, a cidade possui hoje cerca de 11 mil habitantes. Entre os principais atrativos turísticos estão as antigas igrejas e as cachoeiras Santinni e Madeirit. Nos meses de inverno, a temperatura média de Inácio Martins é de 10ºC. Em 2013, os termômetros registraram -4,5ºC.

8
Monte Verde, Minas Gerais

Localizada a uma altitude de 1555 metros, Monte Verde possui cerca de 4 mil habitantes. Todos os anos, o município registra as menores temperaturas de Minas Gerais, chegando a 2°C. Além da paisagem deslumbrante e das belezas naturais, o clima frio também atrai muitos turistas. A Pedra Redonda, o cartão-postal da cidade, oferece a vista mais bonita de Monte Verde.

9
Campos do Jordão, São Paulo

Devido ao clima das montanhas de São Paulo, Campos do Jordão é um dos destinos preferidos daqueles que buscam fugir do calor. Batizada de “Suíça Brasileira”, a cidade é a mais fria do Estado de São Paulo e encanta os turistas com o charme da sua arquitetura europeia. Entre junho e agosto, os termômetros da cidade ficam em torno dos 11°C, atingindo até 2°C durante a madrugada.

10 — São Bento do Sul, Santa Catarina
Colonizada por europeus, São Bento do Sul manteve as tradições de seus antepassados na arquitetura e na gastronomia. Além disso, o município possui muitos parques e belezas naturais preservadas, atraindo turistas em todas as estações. Durante o inverno, a temperatura fica ainda mais agradável, em torno de 12°C. À noite, os termômetros podem registrar temperaturas negativas, ocasionando geadas na cidade.

11 — Vacaria, Rio Grande do Sul
Colonizada por missionários jesuítas, Vacaria está a uma altitude de 971 metros e possui aproximadamente 66 mil habitantes. Conhecida como “Porteira do Rio Grande”, é o maior município produtor de maçãs no Brasil. Em dias amenos, a temperatura média local é de 16ºC, e nos dias frios chega a atingir -6,5 ºC. Em vários anos, a ocorrência de neve é registrada.

12 — Quaraí, Rio Grande do Sul
Com uma população estimada de 24 mil habitantes, Quaraí é um dos maiores municípios gaúchos em área territorial. A economia local é baseada, principalmente, na pecuária, com destaque para a criação de ovinos, e na agricultura. A temperatura média da cidade é de 19ºC, mas durante o inverno os termômetros podem atingir -5ºC.

13 — Painel, Santa Catarina
Painel é uma pequena cidade, com população estimada de 3 mil habitantes, conhecida por ser uma das mais frias do Brasil, com ocorrência regular de queda de neve em praticamente todos os invernos. Localizada na serra catarinense, a 1444 metros, o clima de Painel atingiu -4ºC em abril de 2020. A economia local é voltada para a produção de frutas e para o turismo rural.

14— Irati, Paraná
Com população estimada de 60 mil habitantes, Irati foi colonizada por europeus, especialmente poloneses e ucranianos. Com clima temperado, Irati apresenta verões amenos e invernos com ocorrência de geadas severas. No frio, a temperatura média é de 9ºC, mas os termômetros locais registraram -2,2ºC em 2013. O principal setor da economia em Irati é o de comércio e serviços.

15 — São Francisco de Paula, Rio Grande do Sul
A quase 900 metros de altitude, São Francisco de Paula é o maior produtor de batatas do Brasil, além de se destacar também no plantio de maçãs e hortaliças. A temperatura média ao longo do ano é de 15ºC, mas no inverno os termômetros abaixam. Em 2020, foi registrado -1ºC, com sensação térmica de -3ºC. A cidade tem cerca de 21 mil habitantes.

16 — Curitibanos, Santa Catarina
Localizado a uma altitude de 978 metros, Curitibanos é uma cidade fundada no século 18 e atualmente possui cerca de 40 mil habitantes. É uma grande produtora agrícola em Santa Catarina, com destaque para a produção de cereais e frutas, principalmente maçã, caqui e pêssego. Com geadas anuais e neve eventual, no inverno o município tem a temperatura média de -0,2ºC.

17 — Canela, Rio Grande do Sul
Em Canela, na Serra Gaúcha, os verões são amenos e, mesmo que os dias sejam mais quentes, as noites são sempre agradáveis. O inverno pode atingir temperaturas inferiores a 0ºC, com ocorrência de geadas e ocasionais nevadas. A cidade tem aproximadamente 45 mil habitantes e a economia local gira em torno do turismo.

18 — Amambaí, Mato Grosso do Sul
Único município do Centro-Oeste na lista, Amambaí já registrou as menores temperaturas da região. Em 2020, os termômetros da cidade marcaram -1,9ºC, com sensação térmica de -4ºC. Normalmente, o clima gira em torno de 18ºC. Amambaí possui aproximadamente 37 mil habitantes e tem a economia voltada para a agricultura e pecuária.

19 — Gonçalves, Minas Gerais
Localizada no alto da Serra da Mantiqueira, a uma altitude de 1.350 metros, Gonçalves é uma cidade predominantemente rural e possui cerca de 4 mil habitantes. O verão no município é amenizado pela região serrana e os invernos são secos, com ocorrência de fortes geadas. Em dias mais frios, os termômetros chegam a registrar 0ºC.

20 — Caçador, Santa Catarina
Localizado a 920 metros de altitude, o município de Caçador, em Santa Catarina, possui aproximadamente 79 mil habitantes. Oficialmente, a cidade registrou a menor temperatura já ocorrida no Brasil: -14ºC, em 1952. Hoje, os termômetros atingem, em média, 4ºC durante o inverno. A economia local é voltada para a indústria madeireira.

*Por Mariana Felipe

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*Fonte: revistabula

A ‘onda histórica de frio’ que fará as temperaturas desabarem do Sul ao Norte do Brasil

Depois de um “ciclone bomba” atingir o Brasil e deixar ao menos 12 mortos há um mês e meio, o país se prepara para receber outro fenômeno meteorológico de grande relevância. Desta vez, será uma massa de ar frio que vai causar chuvas, granizo, um frio histórico e até neve nos próximos dias.

Meteorologistas entrevistados pela BBC News Brasil disseram que a grande massa de ar frio se aproxima do país e vai derrubar as temperaturas na maior parte dos Estados, inclusive no Norte e Nordeste, como Amazonas e Bahia.

Francisco de Assis, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), afirma que grande parte do país será atingido pela onda de frio. Esta é a terceira vez que o fenômeno ocorre no Brasil este ano, mas a primeira com tamanha intensidade e abrangência.

“A dimensão dela será parecida com o frio histórico de 1955, 1963, 1975 e 1985. Não teremos temperaturas muito mais baixas do que já registramos neste ano. Mas a abrangência vai pegar do Norte, onde teremos quedas de até 15ºC nas temperaturas, e com uma condição de geada mais significativa e até neve na região Sul. É uma frente fria que chega até a linha do Equador”, afirmou Assis.

O meteorologista Maicon Veber, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), explica que massas como essa se formam próximas a regiões polares. Elas sobem pelo sul da Argentina e podem se deslocar mais próximas ao oceano ou pelo continente, dependendo das condições.

“Neste caso, ela segue pelo continente e tem a característica de ser mais fria e seca. Amanhã, ela deve chegar no centro-sul do Rio Grande do Sul e se desloca até o sul da Amazônia. Ela ainda pega o Paraguai, Bolívia, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Além dos Estados do Acre e Rondônia”, afirmou Veber.

De acordo com os especialistas, a chegada da massa de ar frio vai causar fortes chuvas na maior parte do país. Isso vai ocorrer porque há um sistema frontal (encontro de massas de ar com características diferentes, como de temperatura — uma mais fria com uma mais quente, por exemplo), carregado com nuvens de chuva do Mato Grosso do Sul até Santa Catarina.

“Quando o ar frio invadir o país e encontrar a região mais úmida, como as serras Gaúcha, de Santa Catarina e do Paraná e isso fará com que haja condições para queda de neve, já que em temperaturas abaixo de 0 grau cai neve em vez de chuva, caso existam condições de instabilidade para isso”, afirmou o meteorologista do Inmet.

Ele explica que em regiões mais quentes, como São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, onde esse sistema frontal está “estacionado”, deve ocorrer temporais entre terça e quarta-feira, inclusive com queda de granizo em algumas áreas. Quando ele avançar totalmente, as chuvas devem parar, o que ocorre a partir de sábado.

Os especialistas dizem que nas regiões mais quentes do país, como o Mato Grosso do Sul, que registrou máximas de 40º nos últimos dias, pode haver “uma queda de temperatura muito grande, de até 15º”.

Geada e neve

Os meteorologistas ouvidos pela reportagem disseram que não é possível afirmar que esse fenômeno é causado pelas mudanças climáticas porque já ocorreram muitas outras vezes no passado. Porém, é consenso de que terá uma grande intensidade.

Maicon Veber diz que uma massa de ar frio normalmente tem pouco mais de 1 km de espessura, que vai da superfície em direção à atmosfera. Por ser fria e pesada, ela se localiza e desloca próxima ao solo.

Já esta coluna de ar frio que se aproxima tem de 5 a 6 km de espessura.

“É uma massa bastante significativa e deve tomar conta de boa parte do continente. O Centro-Oeste e Sudeste devem ter recordes de temperatura mais baixas do ano. Mas vamos ter que esperar para saber se vai ser um frio histórico. Só quando tivermos os dados durante a passagem dela”, afirmou o meteorologista do Inpe.

Ele disse que a diferença mais marcante dessa massa de ar é que há uma chance de nevar no Sul por conta também de um sistema que chegará à região logo após a chegada desse sistema.

“A partir de quinta-feira, um sistema chamado de vórtice de ciclone vai se deslocar e causar instabilidade, além de provocar uma condição de neve. Ele vai reforçar esse ar frio sobre o Sul a uma altitude mais alta e mais úmida que a massa de ar frio e deixar o tempo instável, numa configuração ideal para a formação de neve”, disse Veber.

Ele disse que a partir de sexta-feira também haverá condições de geada de uma maneira mais ampla nos Estados do Sul e Sudeste. Mas conforme a massa vai avançando em direção ao norte do Brasil, ela sofre alterações e enfraquece.

Ainda assim a queda de temperatura será sentida inclusive em Estados do Nordeste, como a Bahia.

Previsão

A previsão do Inmet é que a temperatura nos Estados do Sul caiam a partir desta quarta-feira. A previsão é que Porto Alegre registre temperatura mínima de 6º C na quinta-feira (20/08) e 3º C na sexta (21/08).

Em São Paulo, de acordo com o Inmet, a máxima não deve passar dos 13º C tanto na sexta quanto no sábado, enquanto as mínimas ficam em 9ºC e 8º C, respectivamente. Os dois dias devem ter céu encoberto e chuva.

Em Cuiabá, a previsão é que as temperaturas cheguem a 40º C nesta quarta-feira (19). Na sexta, os termômetros não devem passar dos 20º C, com mínima de 13º C. No sábado, previsão do Inmet é que a mínima chegue a 11º C, com máxima de 25º C.

*Por Felipe Souza

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*Fonte: bbc – brasil

Sibéria atinge 38 ºC e bate recorde de temperatura

Localizada na Sibéria, a cidade russa de Verkhoiansk chegou a atingir 38 graus Celsius no último sábado (20). Mesmo sendo verão por lá, a situação é anormal. Verkhoiansk junto a Oymyakon são conhecidos como os lugares habitáveis mais frios do planeta.

Meteorologistas já afirmavam que este seria um provável recorde de temperatura mais alta já registrada no Círculo Polar Ártico. As temperaturas da região são colhidas desde 1885 e o recorde anterior era de 37.3°C. A Organização Meteorológica Mundial (OMM), que certifica os registros de temperatura, confirmou o recorde.

O serviço meteorológico russo “Tempo e Clima”, informa que o normal é que a temperatura média mensal em junho fique em 13,2°. Entretanto, a temperatura média tem sido de 17.6°. Mesmo a média alta de junho não passa de 20°.

A temperatura mais baixa (-1,7°) foi registrada em 1 de junho e a temperatura mais alta até agora (38°) foi em 20 de junho, o primeiro dia do verão no Hemisfério Norte. No dia seguinte, domingo (21), a temperatura chegou a 35,2°.

Sibéria em chamas

É importante ressaltar que temperaturas acima da média já vinham sendo registradas no inverno e primavera. Na última quarta-feira (17), uma matéria no The Guardian alertava para as altas temperaturas que vinham sendo registradas no Ártico. Segundo o jornal britânico, o calor da Sibéria está levando 2020 para a marca de ano mais quente já registrado. Preocupante em tempos de redução de emissões globais – em consequência à pandemia – que deveria ao menos estabilizar temporariamente a crise climática.

Enquanto isso, o permafrost está derretendo lentamente e fazendo recuar o gelo ártico.

Falar de calor na Sibéria sempre acende os holofotes, mas a questão é que diversos lugares do mundo registram temperaturas anormais. É previsto para esta semana, por exemplo, uma semana excepcionalmente quente na região da Escandinávia.

*Por Marcia Sousa

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*Fonte: ciclovivo

A crise climática está tornando a neve antártica verde

A Antártica é um continente polar, mas não é apenas uma vasta terra de gelo e neve. Ao longo das áreas costeiras, crescem musgo, líquenes e algas.

No entanto, o continente, como o resto do planeta, está experimentando temperaturas mais altas devido à crise climática e isso permitiu que as algas se espalhassem mais do que nunca.

Agora, os cientistas criaram o primeiro mapa em larga escala de proliferação de algas microscópicas na Península Antártica. Os pesquisadores dizem que é provável que essa “neve verde” se espalhe à medida que as temperaturas globais aumentam.

A equipe britânica da Universidade de Cambridge e o British Antarctic Survey usaram o satélite Sentinel 2 da Agência Espacial Européia para mapear a proliferação de algas.

As algas microscópicas podem florescer na superfície da neve, tingindo-a de verde, laranja ou até vermelho.

Você pode estar se perguntando por que isso é uma coisa ruim:

as algas que ficam na superfície da neve bloqueiam sua capacidade de refletir os raios do Sol, fazendo com que ele seja absorvido e aumentando sua chance de derreter. A neve branca reflete cerca de 80% da radiação solar, enquanto a neve verde reflete apenas 45%.

Na Comunicação da Natureza , a equipe relatou 1.679 flores distintas cobrindo um total de 1,9 quilômetros quadrados em toda a península, dois terços dos quais em pequenas ilhas de baixa altitude.

As algas florescem apenas dentro de uma certa faixa de temperatura, em torno do ponto de congelamento da água, que ocorre entre novembro e fevereiro. Não pode sobreviver se estiver muito quente ou muito frio.

As regiões polares estão esquentando mais rápido do que em qualquer outro lugar do planeta, portanto algumas dessas ilhas podem perder a cobertura de neve do verão, enquanto as regiões costeiras do continente experimentarão um aumento significativo no crescimento de algas nas próximas décadas.

À medida que a Antártica se aquece, prevemos que a massa total de algas da neve aumentará, pois a propagação para terrenos mais altos superará significativamente a perda de pequenos fragmentos de algas nas ilhas.

*Por Davson Filipe

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*Fonte: realidadesimulada

Várias simulações sobre mudança climática entraram em modo apocalíptico

Vários modelos computacionais que tentam prever o futuro das mudanças climáticas tiveram uma guinada negativa radical recentemente. Equipes diferentes tiveram como resultado de suas análises que o planeta vai se aquecer de forma muito mais catastrófica do que o antecipado.

Dezenas de modelos climáticos apontavam que a ação humana provavelmente iria causar um aquecimento médio de 3°C, e isso já seria um cenário terrível para o nosso modo de vida.

Em 2019, porém, esses modelos começaram a mostrar que a temperatura média deve subir em 5°C, um cenário apocalíptico para a humanidade e incontáveis outras formas de vida.

Estranhando essas projeções, eles começaram a entrar em contato com outros grupos de pesquisadores para comparar resultados. O principal grupo de pesquisa do Reino Unido, o Met Office Hadley Centre, concluiu que uma duplicação de CO2 liberado provocaria um aquecimento de 5,5 °C. Uma equipe do Departamento de Energia dos EUA terminou com 5,3 °C e o modelo canadense alcançou 5,6 °C. O Centro Nacional de Pesquisas Meteorológicas da França viu sua estimativa subir para 4,9 °C a partir de 3,3 °C.

Este trabalho de confirmação das projeções ainda vai levar alguns meses para ser encerrado, e ainda não há um acordo sobre como interpretar os modelos.

O mais preocupante em relação a este fenômeno é que esses modelos conseguiram projetar o aquecimento global de forma correta desde 1970. Eles continuam a utilizar dados oficiais de governos e objetivos de emissão de gases de efeito estufa, incluindo o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática mais atualizado da ONU.

O que esses modelos estão dizendo é que a mesma quantidade de poluição climática pode trazer um aquecimento mais rápido que imaginado anteriormente, e a humanidade teria menos tempo para evitar os piores impactos ambientais, econômicos e de saúde pública.

Uma estimativa com maiores temperaturas “provavelmente não é a resposta correta”, aponta Klaus Wyser, pesquisador sênior do Instituto Sueco de Meteorologia e Hidrologia. O modelo de Wyser produziu um resultado de 4,3°C de aquecimento, um aumento de 30% em relação à atualização anterior. “Esperamos que esta não seja a resposta correta”, diz ele.

Esses modelos ajudam cientistas a testarem ideias sobre o impacto do derretimento de geleiras, umidade do solo, correntes marítimas e nuvens.

Há mais de cem modelos usados para prever a relação entre o dióxido de carbono e o aquecimento, desenvolvidos por cerca de 25 grupos independentes.

Esses cálculos complexos são feitos em supercomputadores que criam modelos para o ar, terra e mar e analisa as interações entre eles. Caso haja consenso entre os pesquisadores de que as estimativas estão corretas, isso pode alterar a forma que governos e empresas respondem ao risco climático. [Bloomberg]

*Por Juliana Blume

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*Fonte: hypescience

Google cria inteligência artificial que prevê o tempo quase instantaneamente

Rede neural do Google consegue gerar previsões de curto prazo precisas em apenas 10 minutos, enquanto sistemas convencionais precisam de horas

A previsão do tempo é uma tarefa cada vez mais importante em nossas vidas. Não apenas para saber se precisamos sair de casa com um guarda-chuva ou um agasalho, mas para saber se plantações receberão chuva suficiente, por exemplo. É algo que pode afetar economias inteiras e que tem se tornado cada vez mais complexo com as mudanças climáticas. Diante disso, o Google diz ter desenvolvido novas técnicas de inteligência artificial que podem revolucionar a forma como prevemos o tempo.

Segundo a pesquisa divulgada no blog do Google, a nova técnica oferece duas vantagens importantes sobre os sistemas que são utilizados atualmente. O primeiro ganho está em velocidade. De acordo com a companhia, a tecnologia usada atualmente leva entre uma e três horas para produzir uma previsão. Esse tempo inclui a coleta dos dados e o seu processamento. Na prática, isso significa que não há como prever mudanças no tempo em um futuro muito próximo.

No entanto, a tecnologia do Google consegue produzir um resultado muito mais rápido: em apenas 10 minutos ela consegue produzir resultados, isso incluindo o tempo de coletar dados dos sensores e analisá-los por meio de sua rede neural. Essa capacidade de processamento quase instantâneo permite prever se o tempo vai mudar dentro de uma hora, por exemplo.

A segunda vantagem tem a ver com o que se chama de resolução espacial. Segundo o Google, seu modelo foi capaz de gerar previsões quebrando os Estados Unidos em quadrados de 1 quilômetro, enquanto os sistemas convencionais limitam esses quadrados a 5 quilômetros. Isso significa que cada área recebe uma previsão mais adequada às suas condições temporais.

Para chegar a esse ponto, os pesquisadores do Google treinaram sua inteligência artificial utilizando dados de radares coletados entre 2017 e 2019 nos Estados Unidos pela Administração Atmosférica e Oceânica Nacional do país. A partir daí, a máquina se tornou capaz de deduzir mudanças no tempo a partir de imagens, sem depender tanto de cálculos físicos. Na prática, significa que ela vê as imagens de satélite e, com base em tudo que aprendeu com a análise de dados, consegue inferir o que vai acontecer na sequência.

O modelo do Google se mostrou preciso o suficiente para superar ou igualar pelo menos três outras técnicas utilizando o mesmo banco de dados. No entanto, a companhia admite que, quando o objetivo é prever o tempo com antecedência de mais de seis horas, os resultados não foram tão bons.

Isso não significa que o trabalho do Google não seja bom, mas que seu projeto tem eficácia dentro de um cenário definido de curto prazo. Para prever como estará o tempo dentro de períodos como uma semana, ou 10 dias, o sistema do Google ainda é superado pelos modelos convencionais, o que não impede que cada tecnologia seja usada dentro daquilo que faz melhor.

*Por Renato Santino

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*Fonte: olhardigital

Quem nega as mudanças climáticas justificam com esses motivos

A indústria de combustíveis fósseis, lobistas e partes da mídia passaram os últimos 30 anos semeando dúvida sobre a veracidade da atual mudança climática. A estimativa mais recente realizada pela Forbes mostrou que empresas de petróleo e gás investiram em média US$200 milhões por ano em lobby para controlar, adiar ou bloquear políticas em favor do meio ambiente.

Veja abaixo cinco tipos de negação das mudanças climáticas:

5. Negação da ciência

Esse tipo de negação envolve o argumento de que esta mudança climática que vivemos atualmente é um ciclo natural, não influenciado pela ação humana.

Alguns argumentam que os modelos climáticos não são confiáveis ou que são muito sensíveis ao dióxido de carbono. Outros acreditam que o CO2 é uma parte tão pequena da atmosfera que nem causaria um efeito de aquecimento.

Já outras pessoas acreditam que os cientistas estão sabotando as pesquisas para apresentarem resultados que não são reais.

Todos esses argumentos são falsos e existe um consenso global entre cientistas sobre as causas das mudanças climáticas.

4. Negação econômica

A ideia de que a mudança climática custaria muito dinheiro para ser freada é outra forma de negação climática. Economistas, porém, calculam que poderíamos conseguir frear as mudanças gastando apenas 1% do produto interno bruto mundial. Mas se não agirmos agora, em 2050 isso vai nos custar 20% do PIB mundial.

3. Negação humanitária

Alguns grupos da Europa e Estados Unidos acreditam que a mudança climática e o aquecimento da zona temperada tornariam a agricultura desses locais mais produtiva. Esses ganhos locais, porém, vão pelo ralo para pagar pelas contas de verões mais secos e aumento da frequência de ondas de calor nessas mesmas áreas.

É também importante apontar que 40% da população global vive em zonas tropicais, e um aumento na desertificação nesses locais seria uma catástrofe.

2. Negação política

Quem nega a mudança climática argumenta que não se pode tomar nenhuma ação porque outros países não estão tomando nenhuma ação. Mas nem todos os países são igualmente culpados por causar a atual mudança climática.

Por exemplo, 25% do CO2 produzido pela humanidade é gerado pelos EUA, e outros 22% são produzidos pela União Europeia. Depois vêm a China (13%), Rússia (7%), Japão (4%) e Índia (3%). A África inteira produz apenas 5%.

Portanto, os países mais desenvolvidos têm uma responsabilidade ética de liderar o caminho para o corte de emissões. Isso não significa que os países em desenvolvimento estão livres desse esforço: todos os países precisam agir para que a emissão humana de CO2 chegue à zero até 2050.

Para isso, precisamos de muito mais veículos elétricos e de uma economia verde que traga benefícios e crie empregos.

1. Negação da crise

O argumento final é que não deveríamos correr para mudar a forma que as coisas são feitas enquanto não tivermos certeza absoluta sobre todas as informações.

Muitas pessoas têm medo de mudanças, especialmente aquelas que são mais ricas ou que têm mais poder. Argumentos muito parecidos foram usados para atrasar o fim da escravidão, o direito do voto feminino, o fim da segregação racial e até a proibição de cigarro em locais fechados e públicos. [Science Alert]

*Por Juliana Blume

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*Fonte: hypescience

Efeito dominó irreversível das mudanças climáticas já pode estar em curso

Você sabe bem o que acontece quando enfileiramos um punhado de peças de dominó e a última delas é derrubada: ela arrasta junto todas as outras. Quanto mais nosso entendimento em sustentabilidade avança, mais claro fica que a habitabilidade da Terra funciona como uma gigantesca fileira de dominós. E vários indícios apontam que não é só uma peça que ameaça tombar — são nove.

Especialistas de renomadas instituições de pesquisa pelo mundo publicaram nesta quarta (27) na revista Nature um artigo com a conclusão de que metade dos “pilares” de sustentação da estabilidade climática global parecem começar a desabar. Cientistas da área chamam essas “peças de dominó” de tipping points: pontos de ruptura que, se ultrapassados, ameaçam desestabilizar todo o sistema terrestre.

Esse conceito foi criado há cerca de 20 anos pelo IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, da ONU. Naquela época, os pesquisadores achavam que só haveria risco de efeito cascata caso as temperaturas globais subissem 5°C acima dos níveis pré-industriais – o que deve acontecer até o final do século, se nada mudar. É motivo de consternação ver que a situação é mais grave do que se pensava.

“Não é só que as pressões humanas na Terra continuam crescendo a níveis sem precedentes”, disse em comunicado o co-autor Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático. “Também se trata de que conforme a ciência avança, nós precisamos admitir que subestimamos os ricos do desencadeamento de mudanças irreversíveis, em que o próprio planeta amplia o aquecimento global.”

E isso com apenas 1°C de aumento na temperatura. Os nove tipping points que aparentam ter sido ativados ficam nas geleiras do Ártico, da Groenlândia e da Antártida, nas florestas boreais, nas correntes do Oceano Atlântico, na Amazônia, em recifes de corais e no permafrost (o solo permanentemente congelado do Ártico). São todos elementos vitais para manter aspectos básicos do nosso planeta funcionando da forma como funciona hoje.

“Cientificamente, isso fornece evidências fortes para declarar um estado de emergência planetária, para desencadear ação mundial e acelerar o caminho adiante para um mundo que possa continuar evoluindo em um planeta estável”, afirma Rockström.

Mas como é possível que ecossistemas tão diversos e distantes estejam encadeados numa mesma fileira de dominó? Bem, por maior que a Terra nos pareça, ela não é tão grande assim.

Muitos dos ciclos e processos que ocorrem em escala regional afetam o equilíbrio do sistema na escala global. As florestas tropicais, as boreais e o permafrost, por exemplo, são tipping points especialmente catastróficos. A vegetação, quando queimada, emite CO2 na atmosfera – bem como gelo siberiano, que ao derreter libera gases de efeito estufa que antes estavam retidos no solo. Já a perda total das geleiras da Groenlândia e da Antártida causaria um aumento de 10 metros no nível do mar — com danos irreparáveis às populações costeiras do planeta.

Nem tudo está perdido, contudo.

“É possível que nós já tenhamos passado do limiar para um efeito cascata de tipping points inter-relacionados”, disse outro co-autor da análise, Tim Lenton, da Universidade de Exeter, no Reino Unido. “No entanto, a taxa nas quais eles progridem, e portanto o risco que eles oferecem, podem ser reduzidos se cortarmos nossas emissões.” No artigo, os cientistas analisam tal efeito no derretimento das geleiras.

Contendo o aquecimento global a 1,5°C, a perda total das estruturas e o consequente aumento de 10 metros no nível do mar levariam 10 mil anos para acontecer. Caso a temperatura suba 2°C, a estimativa cai para mil anos. Nossa única esperança para manter a Terra e a civilização humana minimamente estáveis é largar de vez os combustíveis fósseis até 2050. Só assim teremos tempo de nos adaptar para as mudanças que virão.

*Por A. J. Oliveira

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*Fonte: superabril

11 mil cientistas declaram emergência sobre mudança climática

Um novo estudo assinado por 11 mil cientistas de 153 países aponta que, ao menos que o mundo mitigue ações associadas à mudança climática, o “sofrimento humano incalculável” será inevitável.

Após a análise de 40 anos de dados sobre o aumento das emissões de gases de efeito estufa, aquecimento dos oceanos e derretimento do gelo do Ártico e da Antártica, os pesquisadores sustentam que é de obrigação moral que a humanidade seja claramente alertada sobre qualquer ameaça catastrófica.

“Apesar de 40 anos de grandes negociações globais, continuamos a conduzir os negócios como de costume e não conseguimos lidar com essa crise”, afirma o co-líder da pesquisa William Ripple, da OSU College of Forestry, em comunicado. “A mudança climática chegou e está acelerando mais rapidamente do que muitos cientistas esperavam”.

O estudo conclui que as possíveis soluções estão nas “grandes transformações na maneira como nossa sociedade global funciona e interage com os ecossistemas naturais”.

Eles destacam 6 “sinais vitais” que devem ser utilizados pelos setores político, público e privado, para repensar as prioridades e traçar uma linha de progresso consistente: mudar a produção de energia, reduzir as emissões de poluição de curta duração, proteger importantes sistemas naturais, mudar as práticas relacionadas aos alimentos, alterar os valores econômicos e estabilizar a população mundial.

“Mitigar e adaptar-se às mudanças climáticas, honrando a diversidade de seres humanos, implica grandes transformações nas formas como nossa sociedade global funciona e interage com os ecossistemas naturais”, explicam os autores.

De acordo com o estudo, se as emissões de poluentes de curta duração fossem reduzidas, como o metano e a fuligem, o aquecimento global poderia cair em até 50% nas próximas décadas.

Os esforços de conservação global devem focar na substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis. Isso poderia ser alcançado com a imposição de taxas de carbono e a eliminação de subsídios às companhias de combustíveis fósseis.

É fundamental, também, proteger ecossistemas que absorvem o carbono atmosférico – como turfeiras, florestas e pradarias – para ajudar a combater as emissões, enquanto preservar manguezais e áreas úmidas pode reduzir os efeitos no aumento do nível do mar e das inundações.

Os hábitos alimentares estão em foco: reduzir a dependência de produtos de origem animal e adotar dietas baseadas em plantas reduziria as emissões de metano e outros gases de efeito estufa (que estão ligados às práticas agrícolas maciças). A redução no consumo de carne ainda liberaria as terras de cultivo de ração para animais para o cultivo de alimento para pessoas.

Quanto à economia, eles sugerem que as prioridades econômicas devem mudar de uma meta de crescimento do produto interno bruto para uma que mantenha a sustentabilidade a longo prazo.

Estabilizar a população global para não mais de 200.000 nascimentos por dia seria fundamental para reduzir o uso de recursos. Uma estimativa de 2011 projetou que 360.000 pessoas nascem todos os dias no mundo inteiro.

Os autores salientam que movimentos populares que exigem mudanças de seus líderes políticos são um grande progresso, mas é apenas o começo do que precisa ser feito para termos resultados consistentes.

“A temperatura da superfície global, o calor do oceano, o clima extremo e seus efeitos, o nível do mar, a acidez do oceano e as áreas queimadas nos Estados Unidos estão todos subindo”, disse Ripple. “Globalmente, o gelo está desaparecendo rapidamente, como demonstrado pelas reduções mínimas no gelo marinho do Ártico no verão, nos mantos de gelo da Groenlândia e na Antártica, e na espessura das geleiras. Todas essas mudanças rápidas destacam a necessidade urgente de ação”.

Por fim, os pesquisadores se colocam à disposição para auxiliar em tais mudanças:

“Como Aliança dos Cientistas do Mundo, estamos prontos para ajudar os tomadores de decisão em uma transição justa para um futuro sustentável e equitativo”.

*Por Raquel Rapini

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*Fonte: geekness

A mudança climática pode aumentar as doenças transmitidas por alimentos através do estímulo às moscas

Primaveras e verões mais quentes podem tornar as moscas domésticas (Musca domestica) mais despertas, espalhando bactérias causadoras de diarréia em mais lugares. Como resultado, as infecções causadas pela bactéria Campylobacter, transmitida por alimentos contaminados, poderão aumentar com a mudança climática, propõe a epidemiologista Melanie Cousins, da Universidade de Waterloo, no Canadá.

Uma simulação computacional criada por Cousins, ainda na versão beta, foca em entender como o tempo quente afeta o típico aumento durante as estações primavera e verão de infecções alimentares por Campylobacter. Sob um cenário de verão com 2,5 graus Celsius mais quente do que em 2003, a simulação prevê um aumento de 28 por cento nos casos de Campylobacter na província canadense de Ontário até 2050, de acordo com um estudo publicado por ela e seus colegas em 13 de fevereiro na Royal Society Open Science.

As infecções por Campylobacter são frequentemente causadas por alimentos contaminados por uma mosca que passeou em outro alimento contaminado ou por um animal infectado ou por fezes e que veio a pousar no alimento a ser ingerido. A maioria das pessoas se recuperam da infecção dentro de dez dias.

As bactérias são a causa mais comum de doença gastrointestinal no Canadá. Na província de Ontário, são registrados, em média, três mil casos por ano. Os Estados Unidos têm cerca de 1,3 milhão de infecções em um ano.

Para configurar uma simulação de fácil compreensão, Cousins ​​usou dados de 2005 sobre infecções por Campylobacter em Ontário para estimar as taxas de transmissão e as taxas de nascimento e morte. Ela então ligou essas taxas na simulação para prever as infecções por Campylobacter nos anos seguintes. Esses resultados chegaram perto dos dados reais disponíveis até 2013 e permitiram que ela previsse futuras infecções sob diferentes cenários de aquecimento. A simulação supõe que as moscas se tornam mais ativas com a mudança climática, já que, como outros insetos, elas dependem da temperatura ambiente para se aquecerem ou se resfriarem. Cousins também relacionou o crescimento da proliferação bacteriana provocado por temperaturas mais elevadas.

O estudo é o mais recente a destacar as consequências do aquecimento global no comportamento dos insetos. Outros estudos previram como a mudança climática pode aumentar os ataques de pragas em plantações e afetar a saúde pública, como a doença de Lyme, uma doença causada pela bactéria Borrelia burgdorferi e transmitida pela picada de carrapato, no Canadá.

*Por Giovane Almeida

 

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*Fonte: ciencianautas

Desajuste climático acontece agora e para todos – diz secretário da ONU

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reafirmou que o mundo enfrenta “uma grave emergência climática” durante a reunião sobre o clima que acontece em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Ao discursar no último domingo (30) na abertura do evento, o chefe das Nações Unidas destacou que o desajuste climático acontece agora e para todos.

Mudança

Para Guterres, esta situação avança ainda mais rapidamente do que o previsto por grandes cientistas do mundo e “supera os esforços para resolvê-la”. Ele sublinhou que “a mudança climática avança mais rápido do que nós”.

O representante declarou ainda que a cada semana ocorre uma nova devastação relacionada ao clima, tendo mencionado inundações, secas, ondas de calor, incêndios e grandes tempestades.

O secretário-geral disse haver algum movimento para ação climática em nível mundial, que no entanto ainda não é suficiente.

A expectativa é que essa situação venha a mudar com a Cúpula de Ação Climática marcada para setembro, em Nova Iorque.

Impostos

O chefe da ONU disse que sua mensagem é que “soluções existem”. A primeira é que sejam transferidos os impostos de salários para o carbono, tributando a poluição e não às pessoas.

Em segundo lugar, Guterres defende o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis. Para ele, “o dinheiro dos contribuintes não deve ser usado para aumentar os furacões, espalhar as secas e as ondas de calor e derreter os glaciares”.

Por último, Guterres defende o fim da construção de novas centrais de carvão até 2020. Ele propõe que haja lugar para “uma economia verde, não uma economia cinza.” Ele quer ainda que a nova infraestrutura seja inteligente e favorável ao clima.

Energia

O secretário-geral disse que é preciso fornecer energia sustentável, limpa e acessível aos mais de 800 milhões de pessoas que ainda vivem sem acesso à eletricidade.

O secretário-geral pede “uma mudança rápida e profunda” na forma como se fazem negócios, é gerada energia, são construídas cidades e alimentado o mundo. Para o chefe da ONU, na última década foram reveladas as ferramentas para isso.

O apelo a todos os líderes, de governos e do setor privado, é que estes “apresentem planos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 45% até 2030”. Isso deve ocorrer na cúpula de setembro ou o mais tardar até dezembro de 2020.

As Nações Unidas pretendem também que seja alcançada a neutralidade do carbono até 2050.

 

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*Fonte: ciclovivo

Estudo: civilização humana pode colapsar até 2050

Uma nova análise da mudança climática feita por um grupo australiano nos trouxe uma péssima notícia: a civilização humana pode entrar em colapso até 2050 se ações sérias de mitigação não forem tomadas na próxima década.

O relatório, publicado pela organização Breakthrough National Centre for Climate Restoration, é de autoria do próprio diretor da organização, o pesquisador do clima David Spratt, e de Ian Dunlop, ex-executivo da indústria do combustível fóssil.

O documento conclui que a mudança climática é “um risco de segurança” que “ameaça a extinção prematura da vida inteligente” ou a “permanente e drástica destruição de seu potencial para o desenvolvimento de um futuro desejável”.

É mais complexo do que pensávamos

A tese central do relatório é que os cientistas estão muito restritos em suas previsões de como a mudança climática afetará o planeta no futuro próximo. A atual crise climática seria maior e mais complexa do que qualquer outra coisa com a qual a humanidade já tenha lidado antes.

Modelos gerais – como o que o Painel das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC) usou em 2018 para prever que um aumento de temperatura global de 2 graus Celsius poderia colocar centenas de milhões de pessoas em risco – falham em explicar a enorme complexidade dos muitos processos geológicos interligados da Terra, de forma que não conseguem prever adequadamente a escala das consequências potenciais.

E como seria uma imagem precisa do pior cenário possível do futuro do planeta? Bom, se os governos mundiais “ignorarem educadamente” o conselho dos cientistas e a vontade do público de descarbonizar a economia (encontrando fontes de energia alternativas), isso pode resultar em um aumento de temperatura global de 3 graus Celsius até o ano de 2050.

Neste ponto, as camadas de gelo do mundo desaparecem, secas brutais matam muitas das árvores na floresta amazônica (removendo uma das maiores compensações de carbono do mundo), e o planeta mergulha em um ciclo vicioso de condições cada vez mais quentes e cada vez mais mortíferas.

Catastrófico

Ou seja, em 2050, os sistemas humanos poderiam chegar a um “ponto sem retorno” no qual “a perspectiva de uma Terra praticamente inabitável levaria ao colapso das nações e da ordem internacional”.

No caso, 35% da área terrestre global e 55% da população global estariam sujeitos a mais de 20 dias por ano de condições letais de calor, além do limiar da sobrevivência humana.

Enquanto isso, secas, enchentes e incêndios florestais regularmente assolariam o planeta. Quase um terço da superfície terrestre do mundo se transformaria em deserto. Ecossistemas inteiros entrariam em colapso, começando pelos recifes de coral, as florestas tropicais e os lençóis de gelo do Ártico.

Os trópicos seriam os mais atingidos por esses novos extremos climáticos, destruindo a agricultura da região e transformando mais de 1 bilhão de pessoas em refugiados.

Esse movimento em massa de refugiados – juntamente com o encolhimento das costas e as severas quedas na disponibilidade de comida e água – poderiam levar a conflitos armados sobre recursos, talvez culminando em guerra nuclear.

O resultado, de acordo com a análise, é “caos total” e talvez “o fim da civilização humana como a conhecemos”.

Como essa visão catastrófica do futuro pode ser evitada?

De acordo com os autores do relatório, a raça humana tem cerca de uma década para agir e limitar o aquecimento global a apenas 1,5 graus Celsius, ao invés de 3 graus Celsius.

Para isso, será necessário um movimento global de transição da economia mundial para um sistema de emissão zero de carbono. Alcançar emissões zero requer ou não emitir mais carbono ou equilibrar as emissões com a remoção de carbono.

O esforço para isso “seria semelhante em escala à mobilização de emergência da Segunda Guerra Mundial”, de acordo com os pesquisadores.

*Por Natasha Romanzotti

 

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*Fonte: hypescience

Por que há cada vez mais moscas e baratas e menos borboletas e abelhas

Uma nova análise científica sobre o número de insetos no mundo sugere que 40% das espécies estão experimentando uma “dramática taxa de declínio” e podem desaparecer. Entre elas, abelhas, formigas e besouros, que estão desaparecendo oito vezes mais rápido que espécies de mamíferos, pássaros e répteis. Já outras espécies, como moscas domésticas e baratas, devem crescer em número.

Vários outros estudos realizados nos últimos anos já demonstraram que populações de algumas espécies de insetos, como abelhas, sofreram um grande declínio, principalmente nas economias desenvolvidas. A diferença dessa nova pesquisa é ter uma abordagem mais ampla sobre os insetos em geral. Publicado no periódico científico Biological Conservation, o artigo faz uma revisão de 73 estudos publicados nos últimos 13 anos em todo o mundo.

Os pesquisadores descobriram que o declínio nas populações de insetos vistos em quase todas as regiões do planeta pode levar à extinção de 40% dos insetos nas próximas décadas. Um terço das espécies está classificada como ameaçada de extinção.

“O principal fator é a perda de habitat, devido às práticas agrícolas, urbanização e desmatamento”, afirma o principal autor do estudo, Francisco Sánchez-Bayo, da Universidade de Sydney.

“Em segundo lugar, está o aumento no uso de fertilizantes e pesticidas na agricultura ao redor do mundo, com poluentes químicos de todos os tipos. Em terceiro lugar, temos fatores biológicos, como espécies invasoras e patógenos. Quarto, mudanças climáticas, particularmente em áreas tropicais, onde se sabe que os impactos são maiores.”

Os insetos representam a maioria dos seres vivos que habitam a terra e oferecem benefícios para muitas outras espécies, incluindo humanos. Fornecem alimentos para pássaros, morcegos e pequenos mamíferos; polinizam em torno de 75% das plantações no mundo; reabastecem os solos e mantêm o número de pragas sob controle.

Os riscos da redução do número de insetos

Entre destaques apontados pelo estudo estão o recente e rápido declínio de insetos voadores na Alemanha e a dizimação da população de insetos em florestas tropicais de Porto Rico, ligados ao aumento da temperatura global.

Outros especialistas dizem que as descobertas são preocupantes. “Não se trata apenas de abelhas, ou de polinização ou alimentação humana. O declínio (no número de insetos) também impacta besouros que reciclam resíduos e libélulas que dão início à vida em rios e lagoas”, diz Matt Shardlow, do grupo ativista britânico Buglife.

“Está ficando cada vez mais claro que a ecologia do nosso planeta está em risco e que é preciso um esforço global e intenso para deter e reverter essas tendências terríveis. Permitir a erradicação lenta da vida dos insetos não é uma opção racional”.

Os autores do estudo ainda estão preocupados com o impacto do declínio dos insetos ao longo da cadeia de produção de comida. Já que muitas espécies de pássaros, répteis e peixes têm nos insetos sua principal fonte alimentar, é possível que essas espécies também acabem sendo eliminadas.

Baratas e moscas podem proliferar

Embora muitas espécies de insetos estejam experimentando uma redução, o estudo também descobriu que um menor número de espécies podem se adaptar às mudanças e proliferar.

“Espécies de insetos que são pragas e se reproduzem rápido provavelmente irão prosperar, seja devido ao clima mais quente, seja devido à redução de seus inimigos naturais, que se reproduzem mais lentamente”, afirma Dave Goulson, da Universidade de Sussex.

Segundo Goulson, espécies como moscas domésticas e baratas podem ser capazes de viver confortavelmente em ambientes humanos, além de terem desenvolvido resistência a pesticidas.

“É plausível que nós vejamos uma proliferação de insetos que são pragas, mas que percamos todos os insetos maravilhosos de que gostamos, como abelhas, moscas de flores, borboletas e besouros”.

O que podemos fazer a respeito?

Apesar dos resultados do estudo serem alarmantes, Goulson explica que todos podem tomar ações para ajudar a reverter esse quadro. Por exemplo, comprar comida orgânica e tornar os jardins mais amigáveis aos insetos, sem o uso de pesticidas.

Além disso, é preciso fazer mais pesquisas, já que 99% da evidência do declínio de insetos vêm da Europa e da América do Norte, com poucas pesquisas na África e América do Sul.

Se um grande número de insetos desaparecer, diz Goulson, eles provavelmente serão substituídos por outras espécies. Mas esse é um processo de milhões de anos. “O que não é um consolo para a próxima geração, infelizmente”.

*Por Matt McGrath

 

 

 

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*Fonte: bbc-brasil

Verão terá temperaturas acima da média entre dezembro e fevereiro no Brasil inteiro

Esse ano o verão demorou um pouco mais pra chegar com a força inclemente com que costuma ferver o país – nos últimos dias, porém, o sol lembrou do Brasil e elevou as temperaturas como é habitual conforme o natal e o ano-novo se aproximam. E, pelo que prometem as previsões do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o calor intenso não será passageiro: a temperatura deverá ficar acima da média histórica em todo o Brasil ao longo do verão, no período entre dezembro e fevereiro do ano que vem.

Tal elevação se dará por conta do El Niño, fenômeno meteorológico que aquece as águas da parte equatorial da superfície do Oceano Atlântico, elevando assim a temperatura. Além do calor, o fenômeno deve também alterar os regimes de chuva pelo país – no sul, especialmente em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, as chuvas serão acima do esperado para essa época.

No Norte do país, o El Niño trará o efeito inverso: as chuvas serão menos habituais, principalmente no Amapá, Roraima e no norte do Pará. Com mais ou menos chuvas, o que se promete democraticamente para todo o país é mesmo somente o calor intenso, e o sol nos lembrando incessantemente que é verão nesse país tropical.

*Por Vitor Paiva

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*Fonte: hypeness

Cerveja pode ficar bem mais cara devido às alterações climáticas

As mudanças climáticas não só causam o aumento do nível do mar, furacões mais fortes e incêndios florestais mais intensos, mas também podem aumentar o preço global da cerveja.

Segundo um estudo conduzido pelas universidades americanas UCI(Universidade da Califórnia) e UEA(Universidade de East Anglia) e publicado na revista científica Nature, as secas e as ondas de calor cada vez mais intensas podem causar quebras acentuadas na produção de cevada – um dos principais ingredientes da cerveja.

A pesquisa prevê que as mudanças climáticas podem afetar de forma severa o fornecimento global de cerveja. Além disso, os modelos econômicos utilizados no estudo apontam também para uma forte possibilidade de os preços aumentarem em vários países face à quebra na produção.

Para o estudo, pesquisadores de Reino Unido, China, México e Estados Unidos identificaram eventos climáticos extremos e projetaram os impactos na produção de cevada em 34 regiões do mundo.

“É a primeira vez que isso é feito”, disse à DW o coordenador do estudo e principal autor do Reino Unido, Dabo Guan, que é professor de economia da mudança climática na UEA. “Nosso objetivo era alertar as pessoas nos países ocidentais desenvolvidos de que a vida privada delas será seriamente afetada pelas mudanças climáticas. Talvez elas não venham a sofrer com a fome causada pela mudança climática da mesma forma que nos países em desenvolvimento, mas sua qualidade de vida será seriamente prejudicada”, afirmou o especialista.

“Com o aumento de eventos climáticos extremos, itens de luxo começarão a ficar muito caros ou mesmo indisponíveis”, frisou Guan. “É claro que isso não mata. Mas a qualidade de vida das pessoas será seriamente comprometida, e a estabilidade social ficará ameaçada. E talvez isso sirva de alerta para que as pessoas façam alguma coisa a respeito da mudança climática agora. A mudança climática é responsabilidade de todos. Precisamos agir juntos para combater o aquecimento global.”

*Por Any Karolyne Galdino

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*Font: engenhariae

Por que o número de furacões está aumentando com o aquecimento global?

Harvey, Irma, Maria, Florence…Você já teve a impressão que o número de furacões aumentou nos últimos tempos? Se a resposta for sim, saiba que está correto: um estudo publicado na revista Science mostrou que 2017 foi um ano acima da média para esse tipo de fenômeno – e o culpado pode ser o aquecimento global.

De acordo com a pesquisa, o Oceano Atlântico foi palco de seis grandes furacões (com ventos acima de 178 km/h) no ano passado, o dobro da média de três tempestades do gênero, número que vinha se mantendo desde 2000. Antes disso, a incidência era ainda menor: dois grandes furacões por ano.

O estudo simulou vários cenários climáticos em computador. Cruzando os dados obtidos, ele relacionou o aumento da temperatura de uma faixa específica no Atlântico (entre o sul da Flórida e o norte da América do Sul, indo até o oeste da África) tanto com causas naturais quanto as provocadas por humanos, como a queima de carvão, petróleo e gás.

2017 foi o ano com o maior número de grandes eventos meteorológicos na América do Norte. Fonte: NatCat Service

 

Águas quentes funcionam como combustível para furacões. Eles se formam quando a temperatura está acima de 27oC e, quanto mais quente o oceano estiver, maiores são as chances da tempestade se formar – e menores são de ela perder a intensidade com o passar do tempo.

“Vamos ter temporadas de furacões mais ativas, como a de 2017, no futuro”, disse Hiro Murakami, cientista climático do NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA) e principal autor do estudo, em entrevista a agência Associated Press. A pesquisa traçou um cenário preocupante: até 2100, a média de grandes furacões no Atlântico irá aumentar ainda mais, para oito por ano.

A pesquisa recebeu algumas críticas de cientistas da área, que afirmaram que a relação entre fenômenos climáticos extremos e o aquecimento global não é tão simples assim. No entanto, uma coisa é fato: o oceano Atlântico está ficando cada vez mais quente, e num ritmo maior do que os outros.

*Por Rafael Battaglia

 

 

 

 

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*Fonte: superinteressante

Mudanças climáticas poderão extinguir 10% das espécies de anfíbios da Mata Atlântica

Peter Moon | Agência FAPESP – O aquecimento global poderá levar à extinção de até 10% das espécies de sapos, rãs e pererecas endêmicas da Mata Atlântica em cerca de 50 anos. Isso porque regimes de temperatura e chuva previstas para ocorrer entre 2050 e 2070 serão fatais para espécies com menor adaptação à variação climática, que habitam pontos específicos da Mata Atlântica.

Essa é uma das conclusões de um estudo que analisa a distribuição presente e futura de anfíbios (anuros, ou seja, sapos, rãs e pererecas) na Mata Atlântica e no Cerrado, à luz das mudanças climáticas em decorrência do contínuo aquecimento global.

O estudo foi publicado na revista Ecology and Evolution. O trabalho teve como autor principal o herpetólogo Tiago da Silveira Vasconcelos, da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru, e foi feito com apoio da FAPESP no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.

Colaboraram Bruno Tayar Marinho do Nascimento, também da Unesp, e Vitor Hugo Mendonça do Prado, da Universidade Estadual de Goiás.

“O objetivo maior da pesquisa foi fazer um levantamento de todas as espécies de anfíbios do Cerrado e da Mata Atlântica e caracterizar suas preferências climáticas nas diferentes áreas que habitam. Com os dados em mãos, buscamos fazer modelagens para poder projetar cenários de aumento ou de redução das áreas climáticas favoráveis às diferentes espécies, em função dos regimes climáticos estimados para 2050 e 2070”, disse Vasconcelos.

Conhecem-se atualmente 550 espécies de anfíbios na Mata Atlântica (80% delas, endêmicas) e 209 espécies no Cerrado. Vasconcelos trabalhou com os dados de distribuição espacial de 350 espécies da Mata Atlântica e 155 do Cerrado, aquelas encontradas em ao menos cinco ocorrências espaciais diferentes.

“Desse modo, foi possível identificar as áreas com maior riqueza de espécies de anfíbios, ou com composição de espécies únicas, tanto no Cerrado como na Mata Atlântica. Uma vez identificadas tais áreas, avaliamos a comunidade de anfíbios no cenário de clima atual e futuro, de modo a determinar quais são as áreas de clima favorável para cada uma das 505 espécies analisadas, e se haverá expansão ou redução dessas áreas em 2050 e 2070, em função do aquecimento global”, disse Vasconcelos.

Os dados de distribuição espacial das 350 espécies da Mata Atlântica e 155 do Cerrado foram aplicados em duas métricas de ecologia de comunidade. A primeira, denominada diversidade alfa, é a diversidade local, correspondente ao número de espécies em uma pequena área de hábitat homogêneo. A diversidade beta é a variação na composição de espécies entre diferentes hábitats e que revela a heterogeneidade da estrutura de toda a comunidade.

Vasconcelos conta que o passo seguinte foi usar os dados de clima para fazer a modelagem de nicho climático. Foram usados quatro algoritmos diferentes baseados nas características de clima favorável a cada espécie. Trata-se de algoritmos de modelo linear generalizado, de árvore de regressão, de floresta aleatória e de máquina de vetores de suporte.

Os algoritmos serviram para determinar, na Mata Atlântica e no Cerrado, quais são as áreas de climas semelhantes, gerando um mapa da distribuição das áreas atuais onde cada espécie pode sobreviver.

A seguir foi a vez de calibrar os mesmos algoritmos com os cenários de clima futuro, a partir das estimativas feitas disponíveis no portal WorldClim.

“Para cada cenário futuro, em 2050 e 2070, utilizamos dois cenários de emissão de gás carbônico na atmosfera, um cenário mais otimista, com menor aquecimento global, e outro pessimista e mais quente. Também usamos três modelos de circulação global atmosférica e oceânica”, disse Vasconcelos. Os dados são do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

“Para cada uma das 505 espécies analisadas geramos 24 mapas de distribuição [quatro algoritmos x dois cenários de emissões de CO2 x 3 modelos de circulação global]. Ao todo, foram mais de 12 mil mapas”, disse.

A partir dos resultados dos 24 mapas de distribuição para cada espécie, foi gerado um mapa consensual e, então, uma matriz de presença e ausência de espécies, determinando a ocorrência prevista de cada espécie em 2050 e 2070.

“O primeiro impacto esperado da mudança climática nos anfíbios da Mata Atlântica e Cerrado é a extinção de 42 espécies por meio da perda completa de suas áreas climaticamente favoráveis entre 2050 e 2070”, disse Vasconcelos.

Os dados apontam para a extinção de 37 espécies na Mata Atlântica (ou 10,6% do total) e cinco no Cerrado. Das 42 espécies, apenas cinco são atualmente consideradas como em risco de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente.

Homogeneização de anfíbios no Cerrado

A maior riqueza de anfíbios da Mata Atlântica ocorre atualmente na porção sudeste, nos estados do Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Já as regiões interioranas da Mata Atlântica são as áreas com menor riqueza de anfíbios.

Embora os resultados do estudo apontem para a perda de espécies em toda a Mata Atlântica, mesmo as taxas mais altas de perdas no sudeste do bioma não deverão alterar o fato de que esta região específica permanecerá como a mais rica em anfíbios.

Por outro lado, no Cerrado haverá perda generalizada, mas também ganho de biodiversidade em determinadas regiões.

“Os resultados da pesquisa indicam uma expansão das áreas climaticamente favoráveis aos anfíbios, dado que em função do aumento das temperaturas se espera uma expansão das áreas de Cerrado nas direções norte e nordeste, ocupando espaços que hoje são de floresta amazônica. A savanização de porções da floresta amazônica abrirá novas áreas para ocupação dos anfíbios do Cerrado”, disse.

Especificamente, a mudança climática não deverá alterar a área de maior riqueza de anfíbios do Cerrado, que fica na margem sul deste bioma, mas uma considerável perda de espécies é esperada no oeste e sudoeste, que faz contato com as terras baixas do Pantanal Mato-Grossense. Por outro lado, poderá haver ganho de espécies em Tocantins, no norte de Minas Gerais e no oeste da Bahia.

“Os cenários futuros de mudança climática sugerem que poderá haver uma homogeneização da fauna de anfíbios ao longo da extensão do Cerrado. Ou seja, aquelas espécies mais generalistas, adaptadas a diferentes hábitats e que suportam uma variação maior de temperatura e umidade, têm a previsão de expandir suas áreas de ocupação”, disse Vasconcelos.

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*Fonte: fapesp