Gilles Lipovetsky: A identidade na era Facebook

Quais crenças fundamentam sua existência? Quais sistemas de governo você defende? Esqueça estas perguntas.

Atualmente, para reafirmar (ou até formar) sua identidade, o que importa é saber o que você gosta de fazer, de ouvir, de ver… E compartilhar tudo isso, é claro. Na era das mídias sociais, os elementos que definem quem você é se transformaram e têm nos seus gostos culturais.

Os incontáveis posts sobre nosso cotidiano são a base da explicação do filósofo francês Gilles Lipovetsky, que explica como nossos murais revelam mais sobre nós do que pensamos e clamam por um reconhecimento questionável.

Teórico da hipermodernidade e da pós-modernidade, o francês Gilles Lipovetsky é professor de Filosofia na Universidade de Grenoble e autor de best-sellers como O império do efêmero – A moda e seu destino nas sociedades modernas e A era do vazio – Ensaios sobre o individualismo contemporâneo.

O intelectual francês defende que a consagração do bem-estar triunfa na sociedade pós-moderna. Em seu mais recente livro, Da leveza – Rumo a uma civilização sem peso, ele aborda o culto contemporâneo à felicidade em contraposição à rotina veloz e exigente que enfrentamos, temas também tratados no texto que você confere logo abaixo.

Gilles Lipovetsky | A identidade na era Facebook

Anteriormente, havia uma relação de face a face na construção identitária. Essa dimensão continua existindo, mas agora também existe, graças às redes sociais, a possibilidade de mostrar aos outros coisas que você não pode mostrar na vida, quando encontra alguém no restaurante, na rua ou no trabalho.

Parece-me que hoje, quando observamos as redes sociais, constatamos que a identidade passa muito menos pelas questões graves que definiam a identidade anteriormente: a política e a religião, por exemplo. É cada vez mais por meio de atividades e gostos culturais que os indivíduos afirmam sua identidade individual. Eles dizem o que fazem na vida pessoal, o que apreciam, seus gostos. “Eu fui ver tal filme, eu tirei tal fotografia.” A partir daí as pessoas postam suas mensagens, suas fotos, e recebem “curtidas”.

No Facebook e em outras redes sociais não existe o “não curti”. Isso foi objeto de uma grande discussão interna na plataforma, aliás, e tiveram a intuição de que não deveriam tornar possível o “não curti” para que fosse, no fundo, simplesmente um lugar de reconhecimento e de gratificação. Você pode receber mensagens desagradáveis, mas isso não está inscrito na formatação da rede. E agora estudamos tudo isso de perto.

As pessoas postam uma foto, por exemplo, que tiraram no passeio do domingo, quando viram alguma coisa em geral um pouco original. A gente gosta de postar coisas um pouco originais, e colocamos a foto, talvez acompanhada de um pequeno texto. E aí a questão se coloca: “Por que postei essa foto?”. O que acontece na cabeça? Não é sua profissão, você não é jornalista, não existe razão alguma.

Bem, muitas pesquisas mostram que as pessoas esperam, em relação a essas postagens, um retorno simbólico e afetivo. As pessoas esperam “curtidas”. E existe uma contrariedade quando ninguém reage a uma postagem que você fez no Facebook.

Você se sente excluído ou mal-amado e, consequentemente, a identidade aqui é construída na aprovação, no reconhecimento dos outros, que me dizem: “Sim, é formidável, adorei sua foto etc”, e os indivíduos recebem diariamente uma espécie de alimentação simbólica, que lhes dá certa satisfação: “Eu sou apreciado pelos meus amigos. Tenho um pequeno valor, pois as pessoas gostam daquilo que faço”. Então, eu me afirmo nas redes sociais, no fundo, sobre bases hedonistas.

 

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Estar bem consigo mesmo é melhor do que estar bem com todos

«Um jovem e notável discípulo de artes marciais estava aprendendo sob a tutela de um professor famoso.

Um dia, o professor estava observando uma sessão de prática no quintal e percebeu que a presença dos outros alunos estava interferindo nas tentativas do jovem de aperfeiçoar sua técnica.

O professor podia perceber o desejo do jovem de ficar bem diante dos outros e sua frustração por não conseguir. Ele se aproximou e deu um tapa no ombro dele.

– Qual é o problema? – ele perguntou.

– Não sei – disse o jovem visivelmente tenso. – Por mais que eu tente, não consigo executar os movimentos corretamente.

-Venha comigo, eu explico para você – respondeu o professor.

O professor e o aluno deixaram o prédio e caminharam até um riacho. O professor permaneceu em silêncio na praia por um tempo. Então ele falou.

– Olhe para o riacho. Há pedras no seu caminho. Tenta impressioná-las? Golpea-se contra elas por frustração? Simplesmente flui e segue em frente. Seja como a água.

O jovem tomou nota do conselho do professor e, em poucos dias, mal notou a presença de outros alunos ao seu redor. Nada poderia afetar sua maneira de executar os movimentos, cada vez mais perfeitos ».

Essa história maravilhosa nos fala sobre a necessidade de encontrar equilíbrio e paz interior, em vez de tentar impressionar os outros e obter sua aprovação. De fato, quando aguardamos a aceitação dos outros, ocorre uma contradição: quanto mais a procuramos, mais ilusória ela se torna e menos valorizamos os outros.

A parábola usa a água como um recurso, pois na filosofia budista ela tem um simbolismo especial porque encerra perfeitamente seus ensinamentos. A água flui constantemente, se adapta às formas dos recipientes e levanta todos os tipos de obstáculos. É sua capacidade de se adaptar sem perder sua essência que a torna tão especial.

Os riscos de buscar a aprovação de outras pessoas

1 – Estamos cada vez mais nos afastando de nossa essência. Quando buscamos a aceitação de outros, assumimos que algumas de nossas características não serão bem recebidas, por isso tentamos escondê-las. Colocamos uma máscara social que nos afasta da autenticidade e nos “força” a interpretar um personagem. Obviamente, viver naquele “teatro” é cansativo, porque precisamos estar cientes de reprimir muitos dos pensamentos, atitudes e emoções que experimentamos naturalmente.

2 – Vivemos em uma montanha-russa emocional. Quando a opinião dos outros se torna a bússola que dita nossos passos, subimos por conta própria a uma montanha-russa emocional, porque nosso humor começará a depender diretamente de avaliações externas. Ficaremos felizes se nos lisonjearem ou profundamente infelizes e frustrados se nos criticarem ou nos rejeitarem. Nesse ponto, paramos de possuir nossas emoções e damos controle aos outros. Tornamo-nos pessoas reativas à mercê da opinião de outras pessoas.

3 – Esquecemos nossos sonhos. É algo terrível, tão terrível que normalmente afastamos isso da mente, mas quando nossa vida gira em torno da aprovação de outros, abandonamos nossos sonhos e planejamos adaptar e adotar os objetivos dos outros. Dessa maneira, acabamos perdendo a motivação intrínseca, que é o nosso motor de direção, e ficamos sem paixão. Assim, acabamos vivendo a vida que os outros querem, não a vida que queremos.
É possível sermos nós mesmos sem “prejudicar” os outros?

Um dos obstáculos que para as pessoas no caminho da autenticidade e da libertação pessoal é o medo de prejudicar pessoas importantes. No entanto, o fato de crescer, perseguir nossos sonhos, ser independente e se sentir bem consigo mesmo não deve ser um problema para os outros. Pelo contrário, se eles realmente nos amam, devem se sentir felizes pelo nosso crescimento.

O problema é que, quando criamos um relacionamento de dependência com alguém, buscando sua aprovação antes de tomar decisões, do mais inconseqüente ao mais importante, estamos conferindo um enorme poder sobre nós. Muitas pessoas se sentem confortáveis nesse papel, gostam do poder que têm sobre nossas vidas e não querem romper esse vínculo. No entanto, muitas vezes essas pessoas se tornam cada vez mais exigentes, tentam nos amarrar mais rapidamente e suas demandas de controle se tornam desproporcionais. Nesses casos, cortar o laço é uma questão de sobrevivência psicológica.

É claro que, quando nos tornamos independentes, ousamos desejar coisas diferentes e começar a tomar nossas próprias decisões, essas pessoas estarão “magoadas” porque desejam manter esse vínculo de dependência. De certa forma, a dor é uma forma de manipulação emocional. No entanto, devemos lembrar que muitas vezes os laços que nos mantêm unidos também são os que mais nos amarram.

Nesses casos, não devemos ter medo de “prejudicar” essa pessoa porque não estamos realmente machucando-a, mas estamos dando ao relacionamento uma chance de amadurecer. O que estamos fazendo é elevar o relacionamento a um nível superior, onde não há dependência, mas duas pessoas maduras que gostam de estar juntas a partir de sua individualidade, sem dependências tóxicas.
Não seja você mesmo, seja a melhor versão de você

Um dos piores conselhos de auto-ajuda que podem nos dar é incentivar-nos a ser nós mesmos. Devemos ter em mente que muitas pessoas conseguiram ser elas mesmas, mas muitas outras falharam miseravelmente. Muitas pessoas foram felizes por serem elas mesmas, mas outras foram profundamente infelizes.

O conselho mais sábio é: seja a melhor versão de você. Isso não significa que devemos renunciar à nossa essência, mas que devemos aprender a tirar o melhor de nós mesmos. Por exemplo, ser uma pessoa raivosa no final só nos trará problemas, além de nos fazer sentir mal. Isso não significa que devemos esconder nossa decepção ou descontentamento, mas que devemos expressá-la de forma assertiva. O objetivo não é agradar aos outros, mas ser capaz de gerenciar nossas emoções porque acumular ressentimento, ódio e ressentimento acabará nos prejudicando.

O segredo para ser a melhor versão de nós mesmos é muito simples: quando desenvolvemos um bom equilíbrio interno, sabemos exatamente o que queremos na vida e estamos em paz consigo mesmos; Tudo isso se traduz em cada um de nossos atos e nos permite relacionar de forma mais assertiva e autentica.

De fato, ser autêntico não significa explodir quando nos sentimos zangados e frustrados ou dizemos a primeira coisa que vem à mente sem refletir sobre suas conseqüências, que é simplesmente um comportamento infantil.

Nas palavras de Jean Paul Sartre: “Quem é autêntico assume responsabilidade pelo que é e se reconhece livre de ser o que é”.

A pessoa autêntica pratica a congruência, é ela quem expressa o que sente e pensa assertivamente. No entanto, a autenticidade não se limita à congruência, não é simplesmente “seja você mesmo”, mas também implica um profundo conhecimento interior, assumindo responsabilidade e uma sólida auto-estima que não depende das opiniões dos outros.

A pessoa autêntica é sensível às emoções e opiniões dos outros, não pode ser diferente, mas decide não subordinar suas decisões aos julgamentos e críticas dos outros. O mais interessante é que, quando estamos bem conosco, quando somos autênticos de maneira madura e com um profundo autoconhecimento, os outros percebem isso e conquistamos seu respeito e admiração, mesmo que esse não seja o objetivo final.

*Adaptado de Rincon de la psicologia

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Dar experiências aos seus filhos em vez de brinquedos aumenta sua inteligência

Estudos recentes afirmam que o fornecimento de brinquedos demais para as crianças pode afetar negativamente o desenvolvimento e a felicidade dos pequenos em casa.

Clair Lerner, pesquisadora em desenvolvimento infantil, disse que quando os pais banham seus filhos em brinquedos e jogos, eles começam a brincar menos. Porque eles se sentem sobrecarregados e não conseguem se concentrar na atividade.

Portanto, ao contrário do que se espera, dar brinquedos demais aos pequenos, em vez de incentivar a criatividade e o desenvolvimento intelectual, pode atrasá-lo.

Essa descoberta se reflete nos estudos do professor de Educação Infantil da Universidade de Cincinnati, Michael Malone. O que indica que uma quantidade menor, mas melhor, de brinquedos beneficia o senso de cooperação e desenvolvimento durante o jogo.

Enquanto o excesso de brinquedos faz as crianças tenderem a participar de um jogo mais solitário devido a uma sobrecarga improdutiva, o que afeta negativamente o seu desenvolvimento.

Dê aos seus filhos experiências e tempo em vez de brinquedos

Um estudo da Universidade de Oxford revelou que o sucesso acadêmico das crianças está diretamente relacionado à participação de seu ambiente.

A pesquisa contou com 3.000 crianças, com maior influência e interação com os pais do que com os eletrônicos ou brinquedos que possuíam.

Por isso, os pequenos que desfrutaram de maior tempo de diversão entre pais e filhos , obtiveram melhor desempenho acadêmico e desenvolvimento emocional e social. Em comparação com as crianças que tinham uma quantidade maior de brinquedos e dispositivos eletrônicos, como telefones, consoles e outros.

Portanto, a interação dos pais com os filhos é de vital importância para o desenvolvimento e crescimento dos pequenos. Como os benefícios que esse link gera, eles não podem ser substituídos pela aquisição do brinquedo mais caro ou do dispositivo mais avançado.

Thomas Gilovich, professor de psicologia da Universidade Cornel, disse que a felicidade vem de experiências e não de objetos materiais. Por isso, é aconselhável aprender a dar experiências aos seus filhos, em vez de objetos materiais.

Dessa maneira, ao receber experiências em vez de brinquedos, as crianças desenvolverão e aumentarão sua gratidão e generosidade. Portanto, para o seu desenvolvimento e crescimento, essas experiências têm maior importância e valor na vida de seus filhos.

Os dons físicos costumam trazer um sorriso para o rosto de seus pequenos, porém compartilhar com eles, rir, conversar e passar tempo com eles são ações que são armazenadas em sua memória e coração.

Portanto, não se estresse, comprando brinquedos novos todas as vezes, concentre-se em desfrutar de passar tempo com eles, vendo-os crescer e sendo a mão orientadora de que precisam quando enfrentarem os desafios e as dúvidas de seu caminho.

*Por Rejane Regio

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*Fonte: educadoreslive

As cidades devem pensar nas árvores como uma infraestrutura de saúde pública

Plantar árvores é uma forma de melhorar a saúde das pessoas, e uma medida muito fácil e barata de se tomar. As árvores, além de embelezar uma cidade, proporcionam ar fresco e limpo. Por isso deveria se pensar nelas como uma infraestrutura de saúde pública.

Todas as pessoas deveriam poder respirar ar puro. Isso deveria ser possível também nas grandes cidades. As árvores não só ornamentam as ruas como ajudam a manter a saúde física e mental dos seus habitantes, ajudando a criar um ambiente mais saudável.

A organização The Nature Conservancy questiona por que não são incluídos esses conceitos nos orçamentos governamentais direcionados à saúde pública.

Esta organização elaborou recentemente um documento que explica com cifras as razões pelas quais se deve mudar o paradigma das verbas públicas, para incluir o investimento em criação e manutenção de áreas verdes nos gastos de saúde.

Para elaborar este documento usou-se o exemplo dos Estados Unidos, já que nesse país se dedica apenas 1% do seu orçamento para o plantio e manutenção das áreas verdes – e somente um terço disso é realmente investido. Como consequência, as cidades do país norte-americano perdem cerca de 4 milhões de árvores por ano.

Este é um documento oficial que detalha o problema, suas causas, conceitos e as soluções para lutar contra ele.

Se estima que com uma média de 8 dólares por pessoa em cada ano seria possível impedir a perda de árvores no país.

Também seria possível aumentar o aproveitamento dos benefícios que elas geram. O número não sugere o valor, senão apresenta uma mostra de que esse investimento necessário também é possível.

Investimento verde diminuindo

Com respeito aos investimentos, o informe indica que, atualmente, os municípios estão gastando menos com o plantio e o cuidado das árvores, em comparação com o que era gasto em décadas anteriores.

A falta ou presença de árvores em um local muitas vezes está ligada ao nível de renda de um bairro. Isso também cria uma enorme desigualdade nas cifras de saúde.

Nos Estados Unidos, a diferença nas expectativas de vida entre bairros de uma mesma cidade que estão próximos geograficamente pode chegar a ser de até uma década.

Embora a diferença nos índices de saúde não tem a ver somente com a questão das árvores, os investigadores asseguram que os bairros com menos áreas verdes têm piores resultados com relação à saúde de seus residentes. Desta forma, é possível concluir que a desigualdade urbanística pode se refletir em piores níveis saúde.

Entretanto, há outras cidades (como é o caso de Londres) ou países (como é o caso da China ou da Nova Zelândia) onde existe sim uma preocupação em promover o reflorestamento de forma mais massiva.

Medidas para aumentar as áreas verdes numa cidade

O documento propõe uma série de conselhos que podem ser usados pelo poder público e privado, entre os quais estão os seguintes:

Implementar políticas que incentivem o semear de árvores, seja por iniciativa privada ou pública.

Intercâmbios municipais que visem facilitar a colaboração de organismos de saúde pública e agências ambientais.

Relacionar o financiamento de árvores e parques a objetivos e metas das políticas de saúde pública.

Educar a população sobre os benefícios das áreas verdes para a saúde pública, e também sobre o impacto econômico das mesmas.

 

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*Fonte: cartamaior

Memória funciona melhor (ou pior) dependendo da hora do dia, sugere estudo

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Tóquio, no Japão, identificou um gene em camundongos que influencia a memória, o BMAL1. Os cientistas descobriram que ele torna os ratos mais esquecidos imediatamente antes de acordarem. O estudo, publicado na revista Nature Communications, sugere que pode ser um passo para descobrir mais informações sobre o esquecimento humano.

De acordo com os autores da pesquisa, há duas categorias de esquecimento: uma relacionada ao aprendizado, ou seja, se você não aprendeu algo e, por isso, a informação não “entrou” na sua memória; e outra ligada à recuperação de informações armazenadas em seu cérebro, ou seja, se você não lembra de algo que sabe.

“Nós projetamos um teste que pode diferenciar entre não aprender e não ser capaz de lembrar”, disse Satoshi Kida, um dos autores do estudo, em comunicado. Os testes foram realizados com ratos com e sem o BMAL1. Os níveis da proteína normalmente variam: antes de dormir ela está em alta e, ao acordar, em baixa.

O resultado aponta que camundongos sem BMAL1 ficaram ainda mais esquecidos logo antes de acordarem. Segundo Kida, a comunidade de pesquisa em memória já suspeitava que esse “relógio interno” é responsável pelo aprendizado e a formação da memória.

“Se conseguirmos identificar maneiras de aumentar a recuperação da memória por esse caminho do BMAL1, poderemos pensar em aplicações para doenças humanas com déficit de memória, como demência e doença de Alzheimer”, acrescentou o especialista.

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*Fonte: revistagalileu

A gente não faz amigos, reconhece-os

Título Original: “All star azul: um hino à amizade”

Todos os anos, chegando próximo ao meu aniversário, me dou algo significativo de presente. Algo que não entra na categoria de utilidades e necessidades, mas que carrega certa poesia e algo nas entrelinhas que só as almas mais sensíveis reconhecerão. Pode ser um pingente, uma seleção de músicas ou um livro.

Esse ano me dei de presente um All star azul.

O All star azul fala de uma amizade. Uma grande amizade. E eu desejo que meu All star azul represente isso dentro de mim. Os amigos que tive e com quem construí uma história. Uma história que, mesmo que tenha ficado lá atrás, como a de Nando Reis e Cássia Eller, ainda é uma história que eu gosto de lembrar.

Tenho diversas lembranças memoráveis dos meus amigos, principalmente aqueles de uma época importante da minha vida: a faculdade.

Ao assistir ao episódio “Por trás da canção” sobre a música All Star azul, em que Nando conta a história da letra e a relação que ele tinha com Cássia, algo muito delicado e doce ressurgiu dentro de mim. A lembrança desses meus amigos, as cartas escritas à mão que trocávamos nas férias e a simplicidade de um all star azul.

Acho que é isso. As melhores amizades são aquelas marcadas pela simplicidade, e até, arrisco dizer, pelas dificuldades. São aquelas que foram construídas num tempo em que vivíamos duros, contando os trocadinhos na carteira, ao passo que tínhamos energia de sobra para varar noites em claro e contrariar o manual da saúde perfeita indo comer pastel na feira após o raiar do sol. Os melhores amigos são aqueles que compartilharam conosco suas dúvidas e sonhos, e com quem dividimos nossas primeiras fossas, ressacas e paixões. São aqueles que testemunharam nossos primeiros enganos, nossa necessidade de crescer a qualquer custo, nossa coragem de desafiar as leis da física, da vida e do tempo.

No documentário “Por trás da canção”, os convidados contam sobre a relação de Nando e Cássia, e entre os depoimentos, ouvimos frases como: “havia uma identificação total”, “era um encontro de temperamentos”, “aquilo lá era uma coisa muito acima do que a maioria das pessoas está acostumada a viver”, “aquilo lá era transcendente”, e isso nos dá a dimensão exata do que uma amizade verdadeira pode ser.

“Estranho seria se eu não me apaixonasse por você…” Essa frase pode ser muito boa de ouvir de um namorado (a), parceiro (a), marido ou esposa. Mas pode ser ainda melhor vinda de uma amiga ou amigo verdadeiro, como foi o caso de Nando e Cássia. Porque evidencia uma paixão descomprometida de pele, mas com verdadeira conexão de almas.

Muitas vezes o encantamento por um amigo surge da identificação. Nos identificamos com aquele cara que diz coisas que não conseguimos verbalizar e nos sentimos maravilhados por aquela menina que assume medos semelhantes aos nossos. Dizemos que os santos batem, e a sensação é a de que finalmente o mundo faz sentido. Nando dizia: “nossa afinidade tinha a ver com uma certa esquisitice, com nossa timidez”, e percebemos que isso é real, verdadeiro e muito perfeito, pois procuramos no outro algo que nos ajude a enfrentar nossos próprios abismos e excentricidades. Nos perdoamos quando enxergamos em nossos amigos a aceitação de nossas estranhezas.

Dizem que a amizade é uma aliança contra a adversidade, e acredito nisso também. São nossos amigos os primeiros a fazer pactos silenciosos de lealdade conosco quando o ensino médio testa os limites de nossa autoconfiança; os primeiros a compartilhar conosco experiências de superação quando somos rejeitados pelo amor platônico da adolescência; os ouvintes de nossos desabafos quando a vida é mais forte que a gente; os parceiros silenciosos de nossas dores não anunciadas, mas certamente reconhecidas por eles.

Meu all star azul tem o propósito de me lembrar os amigos por quem carrego paixões. Paixões movidas a gratidão, experiências, parcerias, risadas e lágrimas. Cada vez que sair por aí com meu calçado poético, sentirei que estou abraçando cada um dos meus amigos e carregando uma parte de nossa história em minhas andanças. No fundo imagino que eles gostariam de andar comigo, pois a lembrança de nossas afinidades me assegura nossas mãos dadas pelo caminho e, mais ainda, a certeza de que, como dizia Vinícius de Moraes: “a gente não faz amigos, reconhece-os”…

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*Fonte: agrandeartedeserfliz

Falar sozinho é uma coisa que somente pessoas inteligentes fazem, aponta pesquisa

Sempre nos questionamos quando vemos alguém falando sozinho. Pensar em voz alta para muitos é loucura e, no mínimo vão rir ou achar que a pessoas usou algum tipo de entorpecente. Mas na verdade, não é nada disso, falar sozinho pode ser característica de alguém muito mais interessante.

Estudos:

Isso é comprovado cientificamente, quando um novo estudo concluiu que falar em voz alta é um atributo que marca as características de pessoas inteligentes. Os estudo feito pelo especialista Daniel Swigley e Gary Lupyan do “Quarterly Journal of Experimental Psychology”, no qual 20 participantes foram solicitados a entrar no supermercado e procurar pães e maçãs. Na análise os estudiosos perceberam que as pessoas que estavam sempre repetindo o nome dos produtos com voz alta, chegaram bem mais aceleradamente ao seu objetivo.

Como acontece?

De acordo com as observações dos estudiosos, isso significa que quando as pessoas pensam em voz alta, ao mesmo tempo auxiliam a memória a funcionar mais rápido, e dessa forma facilita o entendimento concreto das coisas que aprendem. Porém, isso acontece somente quando já sabem do que querem, de modo que o objeto já seja algo conhecido. Isso acontece porque o cérebro ao ver o objeto ativa o cérebro e ambos auxiliam a encontrar o que procuramos, por outro lado se não sabemos o que temos que encontrar, e falamos em voz alta, a tendência é nos confundirmos cada vez mais.

Reforço da memória:

Nesse sentido, as pessoas adultas tendem a aprender como um recém nascido ou uma criança quando pensam alto. Os estudiosos enfatizam que tal atitude auxilia na organização e sossega os nervos. Por essa razão, você pode ser seu próprio terapeuta tanto que você converse consigo mesmo e ajude seu cérebro na resolução de seus problemas.

Conversar consigo mesmo ainda pode lhe ajudar a alcançar seus objetivos, isso ocorre porque quando você manda a mensagem em seu cérebro, dominado seus sentimentos e suas distrações , isso pode lhe auxiliar e botar as coisas que anseia, e assim automaticamente pode conseguir alcançar mais rápido.

*Por Rejane Regio

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*Fonte: cantinholivre

Brasil é o país campeão em desvalorizar professores

Admiração e respeito estão em falta neste país

Foi divulgado um relatório pela Varkey Foundation (entidade que atua na melhoria da profissão docente) onde é possível entender como os cidadãos de um determinado país enxergam os seus professores e se os valorizam ou não.

Através de uma pontuação de zero a cem se entende que, quanto mais próximo ao , mais prestígio à profissão de educador tem para a sociedade. O Brasil, incrivelmente, fez apenas dois pontos, o deixando na última posição do ranking. A pesquisa chamada “Global Teacher Status Index 2018” foi realizada em 35 países e entrevistou mil pessoas com idades entre 16 e 64 anos.

Um levantamento com o mesmo objetivo foi realizado, antes disso, em 2013 e o Brasil ficara em penúltimo lugar em relação a desvalorização dos professores. Além disso, é importante destacar que nesta última edição, de 2018, o nosso país foi um dos únicos que não evoluiu em relação a valorização da profissão.

Os brasileiros também concordaram, com um percentual de 91%, nesta pesquisa, que os professores não são respeitados em sala de aula.

O país que liderou a admiração pelo educador foi a China e, além disso, 81% dos cidadãos chineses concordaram que os professores são respeitados devidamente em sala de aula.

O fundador responsável pela pesquisa da Varkey Foundation acredita que a valorização do professor interfere diretamente o desempenho dos estudantes e que respeitar um profissional de educação não se trata “apenas” de um dever moral, mas também é essencial para obter bons resultados estudantis.

*Por Suzana Villanueva

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*Fonte: educadoreslive

Descubra o que encontrar o sentido da vida faz com você

Pessoas que têm um sentido para a vida têm uma melhor saúde física e mental, enquanto estar buscando por este sentido pode estar associado com pior saúde física e mental, conclui estudo da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA). O trabalho foi publicado na revista Journal of Clinical Psychiatry.

“Quando você encontra mais sentido na vida, você se torna mais contente, enquanto se você não tem propósito de vida e está procurando por isso sem sucesso, você vai se sentir muito mais estressado”, afirma o autor principal, Dilip Jeste.

O estudo, chamado de Avaliação do Envelhecimento de Sucesso, foi desenvolvido ao longo de três anos, e examinou dados de 1.042 adultos com idades entre 21 e mais de 100 anos.

Para saber se os participantes tinham senso de propósito ou não, eles foram entrevistados e questionados para classificar itens como “Eu estou procurando um propósito ou missão para minha vida” e “Eu descobri um propósito de vida satisfatório”.

Gráficos de contentamento

Uma observação interessante dos pesquisadores é que se fosse colocada em um gráfico, a relação entre idade e contentamento para pessoas com propósito seria uma parábola com concavidade voltada para baixo, enquanto para as pessoas que estão procurando propósito seria uma parábola com concavidade voltada para cima. A idade de 60 anos é o pico do contentamento para quem tem propósito de vida e o maior declínio para quem ainda não encontrou um propósito.

Isso porque quem vive com propósito pode ter que procurar por novos propósitos depois da aposentadoria, quando a pessoa precisa encontrar uma nova identidade além da carreira e também quando começa a sofrer com problemas de saúde e com a perda de familiares e amigos.

Por outro lado, quem não tinha conseguido encontrar um propósito até este momento, tem uma chance de se encontrar na aposentadoria.

Propósito de vida e medicina

Nas últimas três décadas o efeito de sentir ou não um propósito de vida tem sido visto com maior importância na pesquisa médica, especialmente para pacientes geriátricos. Os próximos passos da pesquisa incluem analisar outras áreas, como sabedoria, solidão e compaixão, e como tudo isso impacta o propósito de vida.

“Também queremos examinar se alguns biomarcadores de estresse e envelhecimento estão associados com a busca e conquista de propósito de vida. É uma época empolgante neste campo conforme tentamos descobrir respostas baseadas em evidência para algumas das questões mais profundas da vida”, diz Jeste. [Science Daily]

*Por Juliana Blume

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*Fonte: hypescience

As mulheres que vivem rodeadas por plantas vivem mais, é o que confirma a ciência

Certamente morar em lugares arborizados e com muito verde deve nos proporcionar uma vida mais plena.

Pesquisadores da universidade de Harvard divulgou um estudo na Environmental Health Perspectives, o mesmo mostrou que as mulheres que vivem em um espaço rico em vegetação vivem mais. Acontece que nesses lugares o índice de mortalidade é reduzido em 12%.

Sem dúvida, morar em uma área cercada de árvores, parques ou bosques nos ajuda a viver melhor e a enriquecer nossa mente. De fato, parece que nesses casos a taxa de mortalidade é reduzida em 12%. Um fato que confirma a importância dos benefícios ligados à exposição à natureza.

O estudo que tem o objetivo de comprovar os benefícios possíveis de estar em contato com a natureza, demostra deixar muita contribuição ao caso, se analisando que o teste foi realizado com uma grande quantidade de mulheres, no total 108 mil e durou por 8 anos, no período de 2000 e 2008. Esta análise da exposição à natureza foi cuidadosamente estudada e não simplesmente com uma autoavaliação dos participantes.

As participantes da pesquisa puderam vivenciar vantagens de vidas passadas aproveitando o verde dos bosques e parques, tanto psicológica quanto fisicamente. De acordo com o pesquisador Peter James: “uma grande parte dos aparentes benefícios dos altos níveis de vegetação parece estar associada à melhoria da saúde mental”. No estudo uma boa porcentagem das mulheres apresentaram diminuição nos níveis de depressão, isso se deve ao fato da possibilidade de poder ter ralações sociais e atividades em maior medida.

Cercar-se de plantas pode apresentar alívio mais do que psicológico, como também reduzir a mortalidade por doenças respiratórias e tumores. Os estudos supõem que viver em lugares arborizados ajuda a diminuir os riscos de doenças relacionados a poluição.

A dica dos especialistas é que, mesmo que não possamos morar em áreas onde o verde é abundante, pelo menos devemos adquirir o habito de cultivar plantas em casa. Faça jardins ou de sua varanda um bom lugar para mantê-las mais próximas a nós.

*Por Rejane Regio

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*Fonte: Harvard T.H. Chan School of Public Health / educadoreslivres

 

Viver para agradar aos outros é mentir para si mesmo

Devemos parar de mentir para nós mesmos apenas para agradar os outros. A autenticidade sempre será a atitude mais elegante de todas.

Tempo estranho esse, onde muitos estão atuando ao invés de viverem. Renato Russo já dizia que “mentir para si mesmo é sempre a pior mentira.” Por certo, viver uma vida insatisfatória e com toques de ficção está entre as mais absurdas dessas mentiras.

Sim que a vida é cada vez mais exigente, mais corrida e a sensação de termos cada vez menos tempo para as coisas prazerosas nos esmaga todos os dias.

Mas, e se pensarmos que uma parte desse desconforto acontece justamente porque estamos cada vez mais empenhados em prestar conta das nossas vidas através de nossos posts diários? Ou se levarmos em consideração que, muito do que buscamos é para provar que demos uma “volta por cima”, ou para sermos considerados bem-sucedidos perante a família ou na roda de amigos do fim de semana?

Há ainda a prisão de disfarçar os verdadeiros sentimentos por estarmos levando em consideração o que vão pensar sobre o que estamos fazendo. Ou há a imposição de limites sobre nós mesmos para tentar prever o que vão pensar até mesmo sobre o que nós estamos pensando.

Quantas vezes nos fingimos felizes para que não saibam que algo deu errado em nossos planos? Ou sustentamos aquele sorriso sem brilho apenas para que não percebam nossas frustrações, arrependimentos ou insatisfações?

É o orgulho medroso em se ferir, que muitas vezes fala mais alto e nos pede para não voltarmos atrás.

Além da vaidade, claro, que não nos permite mostrar que não estamos tão felizes assim. Existe também uma necessidade de ser feliz a todo custo.

Não se sabe se ela foi inventada agora, nesses nossos tempos de modernidade. Mas o fato é que agora precisamos aparecer sorrindo, bebendo, dançando, festejando, passeando, nos divertindo…

Parece que o roteiro da nossa vida se transformou em um grito permanente de “Ação”, onde os diretores não somos nós. Vivemos ao critério do outro, de acordo com as demandas que vêm dos outros.

Sejamos a favor apenas do que nos realiza como pessoas. Esse deve ser o nosso filtro, a nossa balança.

Todas as nossas ações devem ser pautadas no que acreditamos ser melhor para nós, não no que as outras pessoas acharão bom e atraente.

Devemos parar de mentir para nós mesmos apenas para agradar os outros.

Talvez tudo isso seja apenas uma resposta involuntária, uma fuga das explicações que nos são cobradas diariamente.

Temos medo do julgamento sim, temos medo do que irão falar a nosso respeito. Mas talvez não devêssemos ter tanto medo assim.

Talvez fosse suficiente fazer a parte que nos cabe, agir de acordo com os princípios que nos regem e esperar que esses resultados digam respeito apenas a nós mesmos.

Quilos de maquiagem, mudanças obstinadas de visual, roupas novas, dívidas renovadas; a meta é ter tudo novo, todos os dias, e não ser feliz com nada disso; fofocas sempre novas e aquela clássica pergunta: “você viu o que aconteceu com o fulano?” são uma super tendência.

A bem da verdade, não importa tanto o que as outras pessoas consideram chique. A autenticidade sempre será a atitude mais elegante de todas.

E assim crendo, poderíamos nos espelhar naquela canção que diz que “Se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer”.
Porque sim, o que a gente ganha ou perde, do que a gente desiste ou do que corre atrás, ninguém precisa saber. (Muito menos opinar).

*Por Alessandra Piassarollo

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*Fonte: seuamigoguru

Edgar Morin: “Estamos caminhando como sonâmbulos em direção à catástrofe”

Traduzido do site TerraEco

O que fazer neste período de crise aguda? Indignar-se, certamente. Mas, acima
de tudo, aja. Aos 98 anos, o filósofo e sociólogo nos convida a resistir ao
ditame da urgência. Para ele, a esperança está próxima.

Por que a velocidade está tão arraigada no funcionamento de nossa
sociedade?

A velocidade faz parte do grande mito do progresso que anima a civilização
ocidental desde os séculos 18 e 19. A idéia subjacente é que agradecemos a
ela por um futuro cada vez melhor. Quanto mais rápido formos em direção a
esse futuro, melhor, é claro.

É neste contexto que as comunicações, econômicas e sociais, e todos os tipos
de técnicas que possibilitaram a criação de transporte rápido se multiplicaram.
Penso em particular no motor a vapor, que não foi inventado por razões de
velocidade, mas em servir a indústria ferroviária, que se tornou cada vez mais
rápida.

Tudo isso é correlativo por causa da multiplicação de atividades e torna as
pessoas cada vez mais com pressa. Estamos numa época em que a
cronologia se impõe.

Então isso é novo?

Antigamente, você consultava o sol para para se orientar no tempo. No Brasil,
em cidades como Belém, ainda hoje nos encontramos “depois da chuva”.
Nesses padrões, seus relacionamentos são estabelecidos de acordo com um
ritmo temporal pontuado pelo sol. Mas o relógio de pulso, por exemplo, fez com
que o tempo abstrato substituísse o tempo natural. E o sistema de competição
e concorrência – que é o de nossa economia de mercado capitalista – significa
que, para a competição, o melhor desempenho é aquele que permite a maior
velocidade. A competição, portanto, se transformou em competitividade, o que
é uma perversão da concorrência.

Essa busca por velocidade não é uma ilusão?

De alguma forma. Não percebemos – embora pensemos que estamos fazendo
as coisas rapidamente – que estamos intoxicados pelo meio de transporte que
afirma ser rápido. O uso de meios de transporte cada vez mais eficientes, em
vez de acelerar o tempo de viagem, acaba – principalmente por causa de
engarrafamentos – desperdiçando tempo! Como já disse Ivan Illich (filósofo
austríaco nascido em 1926 e morto em 2002, ed): “O carro nos atrasa muito.
Até as pessoas, imobilizadas em seus carros, ouvem o rádio e sentem que
ainda estão usando o tempo de uma maneira útil. O mesmo vale para o
concurso de informações. Agora recorremos ao rádio ou a TV para não
esperar a publicação dos jornais. Todas essas múltiplas velocidades fazem
parte de uma grande aceleração do tempo, a da globalização. E tudo isso nos
leva ao desastre.

O progresso e o ritmo em que o construímos necessariamente nos destroem?

O desenvolvimento tecnoeconômico acelera todos os processos de produção
de bens e riquezas, os quais aceleram a degradação da biosfera e a poluição
generalizada. As armas nucleares estão se multiplicando e os técnicos estão
sendo solicitados a fazer as coisas mais rapidamente. Tudo isso, de fato, não
vai na direção de um desenvolvimento individual e coletivo!

Por que buscamos sistematicamente utilidade no decorrer do tempo?

Veja o exemplo do almoço. Tempo significa convívio e qualidade. Hoje, a idéia
de velocidade faz com que, assim que terminemos o prato, chamemos um
garçom que corre para recolher os pratos. Se você ficar entediado com seu
vizinho, tende a querer diminuir esse tempo.

Esse é o significado do movimento slow-food que deu origem à idéia de “vida
lenta”, “tempo lento” e até “ciência lenta”. Uma palavra sobre isso. Vejo que a
tendência dos jovens pesquisadores, assim que eles têm um campo de
trabalho, mesmo muito especializado, é que eles se apressem para obter
resultados e publiquem um “grande” artigo em uma “grande” revista científica
internacional, para que ninguém mais publique antes deles.

Esse espírito se desenvolve em detrimento da reflexão e do pensamento.
Nosso tempo rápido é, portanto, um tempo anti-reflexo. E não é por acaso que
existem várias instituições especializadas em nosso país que promovem o
tempo de meditação. O yoguismo, por exemplo, é uma maneira de interromper
o tempo rápido e obter um tempo silencioso de meditação. Dessa maneira,
evita-se a cronometria. As férias também permitem que você recupere seu
tempo natural e esse tempo de preguiça. O trabalho de Paul Lafargue O direito
à preguiça (que data de 1880, ed) permanece mais atual do que nunca, porque
não fazer nada significa tempo limite, perda de tempo, tempo sem fins
lucrativos.

Por quê?

Somos prisioneiros da ideia de rentabilidade, produtividade e competitividade.
Essas idéias foram exasperadas com a concorrência globalizada, nas
empresas, e depois se espalharam para outros lugares. O mesmo vale para o
mundo da escola e da universidade! O relacionamento entre o professor e o
aluno exige um relacionamento muito mais pessoal do que apenas as noções
de desempenho e resultados. Além disso, o cálculo acelera tudo isso. Vivemos
um tempo em que ele é privilegiado por tudo. Bem como saber tudo e dominar
tudo. Pesquisas que antecipam um ano de eleições fazem parte do mesmo
fenômeno. Chegamos a confundi-los com o anúncio do resultado. Tentamos
eliminar o efeito de surpresa sempre possível.

De quem é a culpa? Capitalismo? a ciência?

Estamos presos em um processo espantoso em que o capitalismo, as trocas e
a ciência são levados a esse ritmo. Não se pode ser culpa de um homem.
Devemos acusar Newton por ter inventado o motor a vapor? Não. O
capitalismo é essencialmente responsável, de fato. Por sua fundação, que é
buscar lucro. Pelo seu motor, que é tentar, pela competição, avançar seu
oponente.

Pela incessante sede de “novo” que promove através da publicidade … O que
é essa sociedade que produz objetos cada vez mais obsoletos? Essa
sociedade de consumo que organiza a fabricação de geladeiras ou máquinas
de lavar não para a vida útil infinita, mas para se decompor após oito anos? O
mito do novo, como você pode ver – mesmo para detergentes – visa sempre
incentivar o consumo. O capitalismo, por sua lei natural – a concorrência –
empurra, assim, para uma aceleração permanente e por sua pressão
consumista, sempre para obter novos produtos que também contribuem para
esse processo.

Vemos isso através de múltiplos movimentos no mundo, esse capitalismo é questionado. Em particular na sua dimensão financeira …

Entramos em uma crise profunda sem saber o que sairá dela. As forças de
resistência realmente se manifestam. A economia social e solidária é uma
delas. Ela representa uma maneira de lutar contra essa pressão. Se
observarmos um impulso para a agricultura orgânica com pequenas e médias
fazendas e um retorno à agricultura, é porque grande parte do público começa
a entender que galinhas e porcos industrializados são adulterados e
desnaturalizam solos e águas subterrâneas.

Uma busca por produtos artesanais indica que desejamos fugir dos
supermercados que, eles próprios, exercem pressão do preço mínimo sobre o
produtor e tentam repassar um preço máximo para o consumidor. O Comércio
Justo também está tentando ignorar os intermediários predatórios. O
capitalismo triunfa em certas partes do mundo, mas outra margem vê reações
que surgem não apenas de novas formas de produção (cooperativas, fazendas
orgânicas), mas também da união consciente dos consumidores.

É aos meus olhos uma força não utilizada e fraca porque ainda dispersa. Se
essa força tomar conhecimento de produtos de qualidade e de produtos
nocivos, superficiais, uma força de pressão incrível será aplicada e influenciará
a produção.

Os políticos e seus partidos parecem não estar cientes dessas forças
emergentes. Eles não carecem de análise de inteligência …

Mas você parte do pressuposto de que esses homens e mulheres políticos já
fizeram essa análise. Mas você tem mentes limitadas por certas obsessões,
certas estruturas.

Por obsessão, você quer dizer crescimento?

Sim Eles nem sabem que o crescimento – supondo que volte aos chamados
países desenvolvidos – não excederá 2%! Não é esse crescimento que
conseguirá resolver a questão do emprego! O crescimento que queremos
rápido e forte é um crescimento na competição. Isso leva as empresas a
colocar as máquinas no lugar dos homens e, assim, liquidar as pessoas e
aliená-las ainda mais. Parece-me assustador que os socialistas possam
defender e prometer mais crescimento. Eles ainda não fizeram um esforço
para pensar e buscar novos pensamentos.

Desaceleração significaria decadência?

O importante é saber o que deve crescer e o que deve diminuir. É claro que
cidades não poluentes, energias renováveis e obras públicas saudáveis devem
crescer. O pensamento binário é um erro. É a mesma coisa para globalizar e
desglobalizar: é necessário continuar a globalização no que cria solidariedades
entre as pessoas e com o planeta, mas deve ser condenada quando cria ou
não traz zonas de prosperidade, mas de corrupção ou desigualdade. Eu
defendo uma visão complexa das coisas.

A velocidade em si não tem culpa?

Não. Se eu pegar minha bicicleta para ir à farmácia e tentar fazer isso antes
dela fechar, vou pedalar o mais rápido possível. Velocidade é algo que
precisamos e podemos usar quando necessário. O verdadeiro problema é
diminuir com êxito nossas atividades. Retomar o tempo, natural, biológico,
artificial, cronológico e conseguir resistir.

Você está certo ao dizer que o que é velocidade e aceleração é um processo
extremamente complexo da civilização, no qual técnicas, capitalismo, ciência e
economia têm sua parte. Todas essas forças combinadas nos levam a acelerar
sem que tenhamos controle sobre elas. Porque a nossa grande tragédia é que
a humanidade é arrastada em uma corrida acelerada, sem nenhum piloto a
bordo. Não há controle ou regulamentação. A própria economia não é regulada.
O Fundo Monetário Internacional não é, nesse sentido, um sistema real de
regulamentação.

A política ainda não deveria “levar tempo para reflexão”?

Muitas vezes, temos a sensação de que, por sua pressa de agir, de se
expressar, ele vem trabalhar sem nossos filhos, mesmo contra eles … Você
sabe, os políticos estão embarcando nessa corrida para acelerar. Li
recentemente uma tese sobre gabinetes ministeriais. Às vezes, nos escritórios
dos conselheiros, havia anotações e registros rotulados como “U” para
“urgentes”. Depois veio o “MU” para “muito urgente” e depois o “MMU”. Os
gabinetes ministeriais agora estão invadidos, desatualizados.

A tragédia dessa velocidade é que ela cancela e mata o pensamento político
pela raiz. A classe política não fez nenhum investimento intelectual para
antecipar, enfrentar o futuro. Foi o que tentei fazer em meus livros como
Introdução a uma política do homem, Caminho, Terre-patrie … O futuro é incerto,
é preciso tentar navegar, encontrar um caminho, uma perspectiva. Sempre
houve ambições pessoais na história. Mas eles estavam relacionados a idéias.
De Gaulle sem dúvida teve uma ambição, mas teve uma ótima ideia. Churchill
tinha ambição a serviço de uma grande idéia, que era salvar a Inglaterra do
desastre. Agora, não há mais grandes idéias, mas grandes ambições com
homenzinhos ou mulheres.

Michel Rocard recentemente lamentou sobre “Terra eco” o desaparecimento da visão de longo prazo…

Ele tinha razão e não tinha. Uma política real não está posicionada no imediato,
mas no essencial. Por esquecer o essencial da urgência, acabamos
esquecendo a urgência do essencial. O que Michel Rocard chama de “longo
prazo”, eu chamo de “problema de substância”, “questão vital”. Pensar que
precisamos de uma política global para a salvaguarda da biosfera – com um
poder de decisão que distribua responsabilidades porque não podemos
atribuir as mesmas responsabilidades aos países ricos e aos países pobres – é
uma política essencial para longo prazo. Mas esse longo prazo deve ser rápido
o suficiente, porque a ameaça está se aproximando.

Edgar Morin, o estado de urgência perpétua de nossas sociedades o torna pessimista?

Essa falta de visão me força a ficar na brecha. Há uma continuidade na
descontinuidade. Eu fui da época da Resistência quando jovem, onde havia um
inimigo, um ocupante e um perigo mortal, para outras formas de resistência
que não carregavam o perigo da morte, mas o de permanecer
incompreendido, caluniado ou desprezado.

Depois de ser comunista de guerra e depois de ter lutado com a Alemanha
nazista com grandes esperanças, vi que essas esperanças eram enganosas e
rompi com esse totalitarismo, que se tornou o inimigo da humanidade. Eu lutei
contra isso e resisti. Eu, naturalmente – defendi a independência do Vietnã ou
da Argélia, quando se tratava de liquidar um passado colonial. Pareceu-me
muito lógico depois de ter lutado pela independência da França, ameaçada
pelo nazismo. No final do dia, estamos sempre envolvidos na necessidade de
resistir.

E hoje?

Hoje, percebo que estamos sob a ameaça de duas barbáries associadas.
Antes de tudo, humano, que vem do fundo da história e que nunca foi liquidado:
o campo americano de Guantánamo ou a expulsão de crianças e pais que
estão separados, acontece hoje ! Essa barbárie é baseada no desprezo
humano. E então o segundo, frio e gelado, com base em cálculo e lucro. Essas
duas barbáries são aliadas e somos forçados a resistir em ambas as frentes.
Por isso, continuo com as mesmas aspirações e revoltas que as da minha
adolescência, com a consciência de ter perdido ilusões que poderiam me
animar quando, em 1931, eu tinha dez anos.

A combinação dessas duas barbáries nos colocaria em perigo mortal …

Sim, porque essas guerras podem a qualquer momento se desenvolver no
fanatismo. O poder destrutivo das armas nucleares é imenso e o da
degradação da biosfera para toda a humanidade é vertiginoso. Estamos indo,
por essa combinação, em direção a cataclismos. No entanto, o provável, o pior,
nunca está certo aos meus olhos, porque às vezes apenas alguns eventos são
suficientes para que as evidências se revertam.

Mulheres e homens também podem ter esse poder?

Infelizmente, em nosso tempo, o sistema impede que espíritos se rompam.
Quando a Inglaterra foi ameaçada de morte, um homem marginal foi levado ao
poder, seu nome era Churchill. Quando a França foi ameaçada, foi De Gaulle.
Durante a Revolução, muitas pessoas, sem treinamento militar, conseguiram se
tornar generais formidáveis, como Hoche ou Bonaparte; avocaillons como
Robespierre, grandes tribunos. Grandes momentos de crise terrível despertam
homens capazes de resistir. Ainda não estamos suficientemente cientes do
perigo. Ainda não entendemos que estamos caminhando para um desastre e
estamos nos movendo a toda velocidade como sonâmbulos.

O filósofo Jean-Pierre Dupuy acredita que da catástrofe nasce a solução. Você
compartilha a análise dele?

Não é dialético o suficiente. Ele nos diz que o desastre é inevitável, mas que é
a única maneira de saber que pode ser evitado. Eu digo: é provável que haja
um desastre, mas é improvável. Quero dizer com “provável” que, para nós,
observadores, no tempo em que estamos e nos lugares em que estamos, com
as melhores informações disponíveis, vemos que o curso das coisas está nos
levando a desastres. No entanto, sabemos que é sempre o improvável que
surgiu e que “fez” a transformação. Buda era improvável, Jesus era improvável,
Muhammad, a ciência moderna com Descartes, Pierre Gassendi, Francis
Bacon ou Galileu era improvável, o socialismo com Marx ou Proudhon era
improvável, o capitalismo era improvável na Idade Média … Veja Atenas. Cinco
séculos antes de nossa era, você tem uma pequena cidade grega diante de um
império gigantesco, a Pérsia. E duas vezes – embora destruída pela segunda
vez – Atenas consegue expulsar esses persas graças ao golpe de gênio do
estrategista Temístocles, em Salamina. Graças a essa incrível improbabilidade,
nasceu a democracia, que poderia fertilizar toda a história futura e depois a
filosofia. Então, se você quiser, posso chegar às mesmas conclusões que
Jean-Pierre Dupuy, mas meu caminho é bem diferente. Hoje, existem forças de
resistência dispersas, aninhadas na sociedade civil e que não se conhecem.
Mas acredito no dia em que essas forças se reunirão, em feixes. Tudo começa
com um desvio, que se transforma em uma tendência, que se torna uma força
histórica.

Portanto, é possível reunir essas forças, engajar a grande metamorfose, do indivíduo e depois da sociedade?

O que chamo de metamorfose é o termo de um processo no qual várias
reformas, em todas as áreas, começam ao mesmo tempo.

Já estamos em processo de reformas …

Não, não. Não são essas pseudo-reformas. Estou falando de reformas
profundas da vida, civilização, sociedade, economia. Essas reformas terão que
começar simultaneamente e ser inter-solidárias.

Você chama essa abordagem de “viver bem”. A expressão parece fraca, tendo em vista a ambição que você lhe dá.

O ideal da sociedade ocidental – “bem-estar” – deteriorou-se em coisas
puramente materiais, conforto e propriedade de objetos. E embora essa
palavra “bem-estar” seja muito bonita, outra coisa teve que ser encontrada. E
quando o presidente do Equador, Rafael Correa, encontrou essa fórmula de
“boa vida”, retomada por Evo Morales (presidente boliviano, ed)significava
florescimento humano, não apenas na sociedade, mas também na natureza.

A expressão “viver bem” é sem dúvida mais forte em espanhol do que em
francês. O termo é “ativo” na língua de Cervantes e passivo na de Molière. Mas
essa idéia é a que melhor se relaciona com a qualidade de vida, com o que
chamo de poesia da vida, amor, carinho, comunhão e alegria e, portanto, com a
qualitativa, que a devemos nos opor à primazia do quantitativo e da
acumulação. O bem-estar, a qualidade e a poesia da vida, inclusive em seu
ritmo, são coisas que devem – juntas – nos guiar. É para a humanidade uma
finalidade tão bonita. Implica também controlar simultaneamente coisas como
especulação internacional … Se não conseguirmos nos salvar desses polvos
que nos ameaçam e cuja força é acentuada, acelera, não haverá nada de bom.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Para que serve o sexo?

Poucos tópicos levantam tanto interesse e controvérsias quanto o sexo. Isso é bem pouco surpreendente. A continuação da espécie depende dele — se seres humanos parassem de fazer sexo, em pouco tempo não haveriam mais seres humanos. A cultura popular transborda com sexo, do cinema à publicidade até, isso mesmo, a política. E, para muita gente, o sexo representa uma das formas mais íntimas de conexão humana.

Apesar da universalidade, o sexo e seu propósito têm sido compreendidos de formas bastante diferentes por diferentes pensadores. Eu ensino um curso anual sobre sexualidade na Universidade de indiana, e esse trabalho proporcionou oportunidades de observar o sexo de alguns ângulos provocativos, inclusive o corpo, a psique e o espírito.

Sexo e corpo
Alfred Kinsey (1894-1956) foi um biólogo de insetos cuja preocupação com a “ignorância generalizada sobre a estrutura sexual e fisiologia” o levaram a se tornar talvez a primeira grande figura no estudo do sexo. Os Relatórios Kinsey, publicados em 1948 e 1953, apresentaram uma taxonomia altamente estatística de preferências e práticas sexuais. Embora tenha tirado todo erotismo do sexo, os livros chegaram a vender cerca de 750 mil cópias.

O clima intelectual para os estudos de Kinsey sobre o sexo foram fortemente moldados pelos trabalhos de Sigmund Freud (1856-1939). Médico e fundador da psicanálise, Freud criou um modelo da psique humana que colocou a libido ou SEX DRIVE em seu centro. Ele postulou que as vidas sociais e psicológicas são fortemente moldadas por suas tensões com as convenções de comportamentos civilizados. De acordo com Freud, o fracasso ao tentar resolver tais tensões poderia se manifestar em uma variedade de doenças mentais e físicas.

O palco para a psicanálise, por sua vez, foi montado por Charles Darwin (1809-1882). Em “Seleção em Relação ao Sexo” (1871), Darwin argumentou que seres humanos são animais, comparando as diferenças de corpo e comportamento de machos e fêmeas com as observadas em espécies como a dos pavões, e enfatizando a capacidade de escolha das fêmeas e competição direta entre os machos. Do ponto de vista de Darwin, e mais tarde o de Freud, até algumas das armadilhas mais sofisticadas da civilização humana refletem imperativos biológicos básicos. O assunto de atração não heterossexual requer uma análise diferente.

À primeira vista, a reprodução sexual é um quebra-cabeças, dado que cada membro de uma espécie com reprodução assexuada pode produzir seus próprios descendentes genéticos idênticos em um custo biológico mais baixo. No entanto, a reprodução sexual permite uma alternância mais rápida da variedade genética, aumentando a probabilidade de que alguns indivíduos sejam melhor adaptados às mudanças ambientais. Como seres humanos se reproduzem sexualmente, as bases para a seleção sexual são estruturadas, com a competição por parceiros conforme Darwin escreveu em detalhes.

Sexo e a psique
O escritor Leo Tolstoy (1828-1910) apresenta um entendimento mais amplamente humanístico sobre o propósito do sexo. Em “Anna Karenina”, frequentemente considerada uma das maiores novelas de todos os tempos, o sexo é a fundação da família. Personagens que tratam sexo como uma aventura sem relação com a família acabam mal, enquanto aqueles que se dedicaram À felicidade da família terminam bem. Na visão de Tolstoy, as alegrias aparentemente mundanas da vida familiar, possíveis graças ao sexo, constituem as alegrias mais verdadeiras acessíveis aos seres humanos.

*Por Richard Gunderman

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*Fonte:

Saiba qual é o principal motivo que leva à traição, segundo pesquisa

Você tem o hábito de conversar com o parceiro sobre sexo?

A maioria das pessoas não, e segundo pesquisas, casais que se comunicam menos são mais propensos à infidelidade. A rede social Meu Rubi, fez uma pesquisa com alguns usuários para ver como é a comunicação que as pessoas têm com seus cônjuges.

Em pesquisas anteriores, o site descobriu que a falta de comunicação dentro do relacionamento era o principal fator tanto dos homens, quanto das mulheres, para ter traído alguma vez ou trair frequentemente. Dessa vez, ao olhar os percentuais, entendemos que a desculpa pode realmente ter fundamento, pois apenas 25% já teve ou têm conversas sobre o que gosta, o que não gosta, o que dá prazer e leva ao orgasmo com o parceiro.

Entretanto, quando questionados sobre assuntos mais íntimos, 41% das pessoas conseguem ter orgasmo com o marido/esposa/namorado, mas 87% atingem o prazer máximo com o amante.

De acordo com a pesquisa, os principais fatores excitantes de uma relação fora de casa é justamente encontrar o que não se tem dentro de casa e a adrenalina de fazer algo novo e proibido. É comum a relação com o parceiro cair na “mesmice” e os dois pararem de tentar novas posições, novos lugares, novos jeitos de se excitar. Para a terapeuta sexual, Tammy Nelson, alguns casais acabam por enfrentar a famosa “fadiga do casamento”, quando acontece a comodidade por parte de um ou dos dois. “Da mesma forma que é bom saber quais as posições e os jeitos do parceiro, é ótimo ser imprevisível. Pode ser empolgante para os dois inovar no sexo dentro do casamento”, explica.

Dentre as poucas pessoas que já tiveram uma conversa com o parceiro, nem todas tiveram sucesso. Em 26% dos casos, a outra pessoa ignorou a conversa, em 19% o outro ficou magoado e um total – baixo – de 12%, tiveram uma melhora na relação, mas após um tempo voltou ao esquecimento. Outros 10% tentaram inovar e 7% ficou mais atento.

Mas ter a conversa também não garante a melhoria, já que apenas 5% apresentou melhor performance com o parceiro. Os dados parecem irreais em um primeiro momento, mas são proporcionais aos números de traições que vemos por aí.

Está claro que se não há conversa sobre o que cada um gosta e se as pessoas não estão abertas às sugestões do parceiro, muitos podem apelar para uma relação extra, que é onde a maioria encontra o que procura.

É compreensível – até um ponto – que as pessoas tenham receio de falar ao parceiro que o jeito dele “não está dando certo”, mas por outro lado, devemos compreender e abrir a mente para o fato de que cada um tem seu jeito de chegar ao clímax – por isso também é importante o autoconhecimento – e está tudo bem conversar sobre. Mesmo que a pessoa fique magoada num primeiro momento, a sinceridade deve ser a primeira escolha para tentar melhorar a relação.

*Por Meu Rubi

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*Fonte: equilibrioemvida

Planeta precisa de 1,2 trilhão de novas árvores para conter o aquecimento, diz estudo

Além de preservar as florestas que já existem, a melhor solução para reduzir drasticamente o excesso de dióxido de carbono na atmosfera e conter o aquecimento global é plantar árvores. Em todos os espaços possíveis do planeta que não são ocupados nem por zonas urbanas, nem destinados a agropecuária.

Isso significaria plantar 1,2 trilhão de novas mudas, um número quatro vezes maior do que a totalidade de árvores que vivem na floresta amazônica. Calcula-se que existam no planeta hoje cerca de 3 trilhões de árvores.

O plantio massivo de árvores em locais subutilizados é o principal ponto defendido por estudo que sai na edição desta sexta-feira (5/7) da revista Science. “Seguramente podemos afirmar que o reflorestamento é a solução mais poderosa se quisermos alcançar o limite de 1,5 grau [de aquecimento global]”, afirma à BBC News Brasil o cientista britânico e ecólogo Thomas Crowther, professor do departamento de Ciências do Meio Ambiente do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, e um dos autores do trabalho acadêmico.

O limite a que ele se refere é a preocupação central do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas, cujo relatório foi lançado ano passado: limitar o aumento do aquecimento global em 1,5 grau Celsius até 2050.

Para conseguir tal meta, Crowther defende uma campanha global – envolvendo governos, organizações e pessoas físicas. Afinal, o plantio deveria ocorrer em todos os espaços relativamente ociosos, independentemente de quem seja o dono do local. “São regiões degradadas em todo o mundo, onde humanos removeram as florestas e hoje são áreas que não estão sendo usadas para outros fins”, comenta ele. “No entanto, não sabemos sobre a propriedade da terra de todas essas regiões. Identificar como incentivar as pessoas a restaurar esses ecossistemas é a chave para o reflorestamento global.”

Este é o primeiro estudo já realizado que demonstra quantas árvores adicionais o planeta pode suportar, onde elas poderiam ser plantadas e quanto de carbono elas conseguiriam absorver. Se todo esse reflorestamento for feito, os níveis de carbono na atmosfera poderiam cair em 25% – ou seja, retornar a padrões do início do século 20.

Desde o início da atividade industrial, a humanidade produziu um excedente de carbono na atmosfera de 300 bilhões de toneladas de carbono. De acordo com os pesquisadores, caso esse montante de árvores seja plantado, quando atingirem a maturidade conseguirão absorver 205 bilhões de toneladas de carbono. “Os 300 bilhões de toneladas extra de carbono na atmosfera existentes hoje são devidos à atividade humana”, diz o cientista. “O reflorestamento reduziria dois terços disso. Contudo, há um total de 800 bilhões de toneladas carbono na atmosfera, 500 bilhões das quais naturais.”

80 mil fotos de satélite

Para realizar o estudo, o grupo de pesquisadores utilizou um conjunto de dados global de observações de florestas e o software de mapeamento do Google Earth Engine. Foram analisadas todas as coberturas de árvores em áreas florestais da terra, de florestas equatoriais até a tundra do Ártico. No total, 80 mil fotografias de satélite de alta resolução passaram pelo crivo dos cientistas. Com as imagens, a cobertura natural de cada ecossistema pôde ser somada.

Por meio de inteligência artificial, dez variáveis de solo e clima ajudaram a determinar o potencial de arborização de cada ecossistema, considerando as condições ambientais atuais e priorizando áreas com atividade humana mínima. Por fim, modelos climáticos que projetam as mudanças do planeta até 2050 foram implementados no software, para que o resultado fosse o mais próximo do real.

Atualmente existem 5,5 bilhões de hectares de floresta no planeta – segundo a definição da ONU, ou seja, terras com pelo menos 10% de cobertura arbórea e sem atividade humana. Isso significa 2,8 bilhões de hectares com cobertura de dossel de árvores.

O estudo concluiu que há ainda um total de 1,8 bilhão de hectares de terra no planeta em áreas com baixíssima atividade humana que poderiam ser transformadas em florestas. Nesse espaço, poderiam ser plantadas 1,2 trilhão de mudas. “À medida que essas árvores amadurecem e aumentam, o número de espécimes cai. Quando chegamos às florestas maduras, as árvores realmente enormes armazenam maior quantidade de carbono e suportam grande quantidade de biodiversidade”, completa Crowther. Isso renderia 900 milhões de hectares de copas de árvores a mais – uma área do tamanho dos Estados Unidos.

As medidas são urgentes. “Todos nós sabíamos que a restauração de florestas poderia contribuiu para o clima, mas não tínhamos ainda conhecimento científico para mensurar o impacto disso. Nosso estudo mostra claramente que o reflorestamento é a melhor solução, com provas concretas que justificam o investimento”, afirma o britânico. “Se agirmos agora. Pois serão necessárias décadas para que novas florestas amadureçam e alcancem seu potencial. Ao mesmo tempo, é vital que protejamos as florestas que existem hoje e busquemos outras soluções climáticas a fim de reduzir as perigosas alterações climáticas.”

“Nosso estudo fornece uma referência para um plano de ação global, mostrando onde novas florestas podem ser restauradas. A ação é urgente. Os governos devem incorporar agora isso em suas estratégias para combater as alterações climáticas”, adverte o geógrafo e ecólogo Jean-François Bastin.

A pedido da reportagem, Bastin estimou quanto tempo seria necessário para que esse reflorestamento maciço começasse a implicar no freio ao aquecimento global: 18 anos. “Então, isso de fato ajudaria a retardar o problema, mas o mesmo tempo precisamos mudar consideravelmente nosso jeito de viver no planeta a fim de conseguir neutralizar nossas emissões de carbono”, acrescenta ele.

Segundo os pesquisadores, mais da metade do potencial terrestre de reflorestamento está concentrada em seis países, nesta ordem: Rússia, com 151 milhões de hectares disponíveis; Estados Unidos (103 milhões); Canadá (78 milhões); Austrália (58 milhões), Brasil (50 milhões) e China (40 milhões).

O trabalho também mostrou o impacto que as mudanças climáticas devem ter na configuração das florestas existentes. Com o aquecimento global, é provável que haja um aumento na área de florestas boreais em regiões como a Sibéria. Contudo, a média de cobertura de árvores nesse tipo de ecossistema é de apenas 30% a 40%. No caso de florestas tropicais, que normalmente têm de 90% a 100% de cobertura de árvores, as alterações climáticas têm trazido efeitos devastadores.

Repercussão

O estudo foi bem-recebido por especialistas ambientais que tiveram acesso prévio ao material. “Finalmente, uma avaliação precisa do quanto de terra podemos e devemos cobrir com árvores, sem interferir na produção de alimentos ou espaços de habitação humana”, pontua a diplomata Christiana Figueres, ex-secretária executiva da Convenção do Clima da ONU. “É um modelo para governos e para o setor privado.”

“Agora temos evidências definitivas da áreas de terra potencial para o reflorestamento, onde elas poderiam existir e quanto carbono poderiam armazenar”, avalia o engenheiro civil René Castro, especialista em desenvolvimento sustentável e diretor-geral do Departamento de Clima, Biodiversidade, Terra e Água da FAO, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.

“As florestas são um dos nossos maiores aliados no combate às mudanças climáticas, com resultados mensuráveis. O desmatamento não apenas contribui para uma perda alarmante da biodiversidade, mas limita nossa capacidade de armazenar carbono”, completa ele.

O ambientalista Will Baldwin-Cantello, conselheiro-chefe para florestas da organização WWF (World Wide Fund for Nature), enfatiza o papel das florestas “contra a mudança climática”. “Sem elas, perderemos a luta para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 grau”, diz. “Por isso é crucial atuarmos para restaurar as florestas enquanto reduzimos drasticamente as emissões globais de carbono.”

Para ele, “o desafio é entender como podemos acelerar essa implementação”, que requer “níveis sem precedentes de cooperação em níveis global e local”.

“Só falta vontade política de lutar pelo nosso mundo”, conclui.
Plante você mesmo

Crowther enfatiza que todos podem contribuir para esse processo. “Embora ações de governos sejam essenciais para aproveitar ao máximo a oportunidade, estamos diante de uma solução climática na qual todos podemos nos envolver e causar um impacto tangível”, defende. “Você pode cultivar árvores, doar para organizações de reflorestamento ou ao menos investir seu dinheiro com responsabilidade em empresas que tomam medidas quanto à mudança climática.”

No site Crowther Lab, há uma ferramenta que permite que o usuário olhe para qualquer ponto da Terra e identifique áreas passíveis de reflorestamento.

“Defendemos que qualquer um pode se envolver. Mas, para fazer isso de maneira correta, é preciso entender as condições do solo e os tipos de árvores que podem existir em cada região”, comenta o cientista. “Por isso, desenvolvemos uma ferramenta de mapeamento, disponível em nosso site, onde qualquer pessoa pode ampliar sua área e se informar sobre que tipos de árvores plantar e quanto carbono elas podem capturar. Tais informações ecológicas são fundamentais. Vamos fazer o reflorestamento global de forma eficaz.”

O Crowther Lab também traz listas de organizações comprometidas com o reflorestamento e apoia a criação de uma coalização global para tornar os esforços mais eficientes.

*Por Edison Veiga

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*Fonte: bbc-brasil

Está na hora de tratarmos o açúcar como lidamos com o tabaco?

Não é de hoje que observamos que a população brasileira está cada vez mais gorda – o índice de obesos cresceu 42% em uma década (entre 2007 e 2017), segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, enquanto o índice de fumantes caiu 40% no mesmo período.

Entre as razões apontadas por pesquisadores para o aumento da obesidade estão o excesso de consumo de açúcar, especialmente aquele adicionado às bebidas açucaradas e aos produtos ultraprocessados, cada vez mais presentes na mesa dos brasileiros. São alimentos que contêm mais sal, mais açúcar, mais gordura, além de uma série de aditivos e conservantes que ninguém sabe precisamente o real efeito sobre a saúde.

Um estudo divulgado no último dia 11 na revista científica British Medical Journal afirma que o consumo de bebidas açucaradas como refrigerantes e sucos adoçados artificialmente está associado a um risco maior de desenvolvimento de certos tipos de câncer, como o de mama, próstata e intestino.

O estudo foi conduzido por pesquisadores franceses que avaliaram o comportamento de mais de 100 mil adultos e descobriram que quem ingere apenas 100 ml de bebidas açucaradas por dia tem um risco 18% maior de ter câncer.

Além disso, há diversos problemas de saúde crônicos associados ao aumento da obesidade, especialmente a hipertensão arterial e o diabetes, até pouco tempo consideradas doenças exclusivas de adultos. Estima-se que, por causa desses problemas, uma geração inteira de crianças viverá pior do que os seus pais, acendendo o alerta vermelho para pesquisadores, instituições e governo.

Afinal, está na hora de tratarmos o açúcar como tratamos o tabaco?

Cerco às bebidas açucaradas

A BBC News Brasil ouviu nutricionistas, representantes de entidades de defesa do consumidor, pesquisadores, Ministério da Saúde, Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a indústria de alimentos e bebidas para discutir os malefícios do açúcar para a saúde e o que está sendo feito em saúde pública para minimizar esses danos.

A conclusão é que a preocupação com o excesso de consumo existe, tanto por parte das entidades de defesa do consumidor, que sugerem medidas mais duras, como o fim da publicidade voltada para o público infantil e alertas nos rótulos dos alimentos, quanto por parte do governo, que admite o problema e destaca como medida a assinatura de um acordo com a indústria para a redução da quantidade de açúcar nos alimentos industrializados.

Mas, para entidades e pesquisadores, isso ainda é muito pouco e o país está longe de ter uma medida realmente efetiva em saúde pública contra o açúcar.

“Com relação ao açúcar, nós estamos a quilômetros de distância do sucesso da campanha contra o tabagismo, que foi uma das campanhas de saúde pública de maior sucesso no país. E nenhum país ainda conseguiu reverter ou estagnar o índice crescente de obesidade”, disse a nutricionista Maria Laura da Costa Louzada, pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da Universidade de São Paulo (USP), e professora do Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para pesquisadores e entidades de defesa do consumidor, o primeiro passo para lidar com o problema de maneira eficaz seria alterar a rotulagem dos alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas adicionando um símbolo de alerta indicando alto teor de açúcar, de sódio ou gordura na parte frontal da embalagem.

Depois, defendem tributar a produção de bebidas açucaradas, que no Brasil tem subsídio do governo: nos últimos dias o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou um decreto ampliando de 8% para 10% o benefício fiscal do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) para a fabricação de concentrados de refrigerantes. “Estamos na contramão dos países desenvolvidos. Cerca de 40 países tributam as bebidas e aqui concedemos isenções e créditos fiscais. O caminho do subsídio é um grande problema a ser enfrentado”, avalia a nutricionista Ana Paula Bortoletto, líder do Programa de Alimentação Saudável do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

Ultraprocessados

Entre os exemplos de alimentos ultraprocessados estão pães de forma, iogurtes prontos, sucos de caixinha, macarrão instantâneo, barras de cereais, gelatinas e até o aparentemente inofensivo peito de peru. São alimentos cada vez mais consumidos pelos brasileiros – pela facilidade de acesso e pelo baixo preço – mas são ricos em calorias, sal, açúcar, gordura, além de uma série de aditivos e conservantes que ninguém sabe de fato o real efeito sobre a saúde. As bebidas açucaradas incluem refrigerantes, néctares (sucos de caixinha), sucos em pó e outras bebidas adoçadas.

Trata-se de uma classificação “nova” da tabela de alimentos, que passou a ser considerada apenas em 2014 com a publicação da segunda edição do Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, e a adoção do sistema de classificação alimentar NOVA, elaborado pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da USP.

Segundo a nutricionista Maria Laura Louzada, pesquisadora do Nupens e professora da Unifesp, a alteração ocorreu depois que pesquisadores perceberam, por meio da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que a população comprava cada vez menos açúcar refinado, sal e óleo, mas continuavam engordando.

Ao mesmo tempo, havia cada vez mais industrializados à mesa. “Nos demos conta de que o problema não era exatamente o açúcar que adicionamos ao cafezinho, mas sim o açúcar presente nos outros alimentos”, explicou.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o quarto maior consumidor de açúcar no mundo (12 milhões de toneladas/ano), atrás apenas da Índia, da União Europeia e da China. Ainda segundo a entidade, o brasileiros consomem 50% a mais de açúcar do que o recomendado. Isso significa que, por dia, cada brasileiro, consome, em média, 18 colheres de chá do produto (o que corresponde a 80g de açúcar/dia), quando o recomendado pela OMS seria até 12 colheres.

O consumo excessivo de açúcar causa, entre outros problemas, danos ao fígado, que armazena glicose (um tipo de açúcar) e, em excesso, se transforma em gordura; danos ao pâncreas, responsável pela liberação da insulina (que auxilia na entrada de glicose nas células); aumento do aparecimento de cáries nos dentes; além do excesso de peso que pode evoluir para obesidade, pressão alta, diabetes e outras complicações. “Enquanto países do hemisfério Norte já consomem 80% de alimentos ultraprocessados, nós ainda consumimos em torno de 30%. É possível reverter isso, mas ainda falta muita informação”, avalia Bortoletto, do Programa de Alimentação Saudável do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

Debate sobre alteração dos rótulos

Para tentar frear a epidemia de obesidade e o aumento da ingestão de produtos ultraprocessados, pesquisadores e entidades de defesa do consumidor sugerem a alteração na rotulagem dos alimentos, incluindo símbolos na parte da frente da embalagem alertando para o alto teor de açúcar, sódio e gordura, a exemplo do que já está sendo feito no Chile e no Canadá. Hoje, os rótulos não são obrigados a informar a quantidade de determinado nutriente, apenas que ele está presente na composição.

Na avaliação da engenheira de alimentos Rosires Deliza, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, se o consumidor souber o que está de fato consumindo, ele poderá buscar comprar o alimento que ele considerar mais saudável. “É muito difícil traduzir um rótulo da forma como é feito hoje. A ordem que os ingredientes aparecem indica qual deles está em maior quantidade. O açúcar, em geral, é o primeiro da lista. Mas ninguém é obrigado a saber isso”, afirma Deliza.

Para descobrir se o consumidor conseguia identificar alimentos saudáveis e não saudáveis por meio da embalagem, Deliza e uma equipe de pesquisadores da Embrapa avaliaram a eficácia da rotulagem atual, chamada GDA (referência de ingestão diária em relação a uma dieta adulta padrão), com outros seis modelos de rótulos, incluindo o semáforo nutricional (de colocar alertas em cores verde, vermelha e amarela) e cinco símbolos de alerta: octógono preto, triângulo preto, círculo vermelho, lupa vermelha e lupa preta.

“Constatamos que o modelo atual, o GDA, foi o que as pessoas tiveram mais dificuldades de indicar os alimentos saudáveis por serem rótulos confusos. Com o semáforo, gerou confusão, pois uma mesma embalagem podia ter cor vermelha por ser alta em sódio, mas também a cor verde por ter pouco açúcar. Entre os alertas, o octógono preto foi o símbolo que as pessoas identificaram mais rápido, como sendo algo prejudicial”, explicou a pesquisadora.

Com base nesses dados, as entidades propõem mudanças nas rotulagens. O assunto está em discussão na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) há mais de um ano e a previsão é que uma consulta pública seja disponibilizada para a população opinar sobre o tema em setembro deste ano. Em nota, a Anvisa informou que a norma vigente sobre rotulagem nutricional é de 2003 e, apesar dos avanços, ainda há dificuldades de utilização dessa rotulagem pelos consumidores brasileiros.

“A principal razão para intervenção regulatória da Anvisa é garantir aos consumidores o acesso às principais informações sobre os alimentos, de forma simples, padronizada, precisa e compreensível, evitando práticas enganosas e contribuindo para a promoção da saúde”, informou a agência, em nota. A Anvisa informou ainda que uma das principais alternativas regulatórias será, sim, o uso da rotulagem nutricional frontal com a divulgação de nutrientes considerados críticos à saúde, entre eles o açúcar.

As entidades também defendem o fim da publicidade voltada para o público infantil, associando personagens e bichinhos aos alimentos considerados não saudáveis, além do aumento da tributação das bebidas açucaradas – no Brasil, elas são fabricadas na Zona Franca de Manaus, com isenção de impostos.

Acordo com a indústria

O Ministério da Saúde admite o problema e afirmou, em nota oficial, que a prevenção da obesidade e das doenças crônicas não transmissíveis é uma das prioridades do governo. Como exemplo, cita que fez acordo com a indústria de alimentos e assumiu a meta de reduzir 144 mil toneladas de açúcar até 2022, em cinco categorias de alimentos: mistura para bolos, produtos lácteos, achocolatados, bebidas açucaradas e biscoito recheados.

“Ao estabelecer a meta até 2022, o Brasil se destaca como um dos primeiros países do mundo a buscar a diminuição do açúcar nos alimentos processados e ultraprocessados. A meta foi estabelecida por meio de um Termo de Compromisso assinado entre o Ministério da Saúde e associações representativas do setor produtivo brasileiro”, diz a nota. O acordo é similar ao pacto firmado em 2011 para a redução de sódio nos alimentos, eliminando mais de 17 mil toneladas de sódio em quatro anos.

Segundo o ministério, as associações Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação); Abimapi (Associação Brasileira da Indústria de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados), Abir (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas) e Viva Lácteos (Associação da Indústria de Lácteos) comprometeram-se com essa meta de forma voluntária.

Para pesquisadores da área, esses acordos são pouco efetivos, pois além de serem voluntários, possuem metas muito baixas.

O governo afirmou também que, no ano passado, o país assumiu o compromisso de deter o crescimento da obesidade na população adulta por meio de políticas de saúde e segurança alimentar e nutricional; como reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta e ampliar em no mínimo de 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente.

“Para qualquer mudança precisa haver uma parceria muito grande entre governo, entidades, indústria. Não adianta nada fazermos estudos, chegarmos ao resultado e não ser colocado em prática. O Chile implementou de maneira pioneira a mudança nos rótulos faz dois anos. Estamos todos querendo saber os resultados”, avaliou Deliza, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos.

Em nota, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) e a Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes (Abir) informaram ter consciência de sua responsabilidade em contribuir com bem-estar de seus consumidores, produzindo alimentos saudáveis e seguros. “Em relação à redução do açúcar, 68 empresas associadas assinaram o termo de compromisso [com o Ministério da Saúde]. Juntas, representam 87% do mercado nacional de alimentos e bebidas”, diz a nota.

A indústria de alimentos e bebidas informou ainda que apoia a mudança nos rótulos e que está contribuindo com a Anvisa. “A Rede Rotulagem, formada por 20 entidades ligadas ao setor, defende que sejam utilizados rótulos informativos com todos os dados para que o consumidor tenha liberdade de escolha. Entende que os modelos de advertência não são democráticos e comprometem a percepção do consumidor. São propostas alarmistas sem o objetivo de informar e, tampouco, auxiliar as pessoas”, afirma o comunicado.

Com relação à publicidade dirigida ao público infantil, a Abia informou que possui um acordo de apenas anunciar produtos para crianças menores de 12 anos de idade que atendam aos critérios nutricionais comuns ou não anunciar produtos para menores de 12 anos. E com relação à sugestão de taxar as bebidas açucaradas, a Abir informou que “não há nenhum estudo que comprove a eficácia desta medida no combate à obesidade, doença multifatorial. Focar em refrigerantes também seria ineficaz. Dados da Vigitel/Ministério da Saúde constataram uma queda de 40% no consumo de refrigerantes na última década.”

Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informou, em nota, que “rechaça todas as pretensões de controlar o consumo de açúcar por vias regulatórias”. Acrescenta que “é comprovado que a maior parte do consumo de açúcar do país provém da adição feita no preparo final dos alimentos”. A Unica disse ainda ser a favor do debate de ideias e da busca de soluções que garantam a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros.

*Por Fernanda Bassette

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*Fonte: bbc-brasil

O amor é mais falado do que vivido e por isso vivemos um tempo de secreta angústia

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.

O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.

Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito.

Não existe a troca vivida.

Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

A tecnologia pode até unir quem está longe, mas separa quem está perto

A troca de olhar se tornou luxo

É comum nos dias de hoje vermos casais saindo para jantar juntos, porém ambos ficam vidrados nos próprios telefones, a ponto de nem se olharem. É comum vermos reuniões de família onde não há conversa e quando você vai ver o motivo, é porque estão todos “conectados”. Infelizmente, estas situações vêm sendo cada vez mais frequentes e se tornando normais para muitos e isso é triste.

Ao mesmo tempo em que a tecnologia proporciona a você conseguir matar a saudade daquela pessoa que você adora e que está no outro lado do mundo, ela também te distância de quem está do seu lado. Pais e filhos estão mergulhados nas tecnologias que só distanciam. Namorados estão colocando fotos juntos, nas redes sociais, sem se quer trocarem olhares quando podem fazer isso. O fato é que estar próximo fisicamente já não é o suficiente.

Uma certa vez eu e meu marido saímos para jantar e vimos um casal muito elegante chegando no mesmo restaurante. Sentaram em uma mesa próxima a nossa. Enquanto conversávamos, reparamos que eles não falavam. Quando olhamos para a mesa do casal, o que vimos eram robôs, entregues aos seus smartphones. Então sentimos a necessidade de prometer um ao outro que jamais permitiríamos que o mesmo acontecesse na nossa união, afinal, um sempre será mais interessante ao outro do que qualquer coisa na internet.

Aqui em casa mal tocamos nos nossos celulares. Eles ficam de lado, porque somos humanos e precisamos conversar com quem amamos. Depois de um dia de trabalho é saudável contar sobre o seu dia a quem você ama e falar de qualquer coisa, inclusive do tempo.

Acho que realmente é uma questão de saúde você saber dosar o quanto utiliza do seu celular, das redes sociais. É uma questão de saúde você perguntar ao seu filho como foi à escola e ler a ele um bom livro. É uma questão de saúde colocar o papo em dia com os amigos e familiares sem precisar usar o whatsapp. É uma questão de saúde nutrir as relações com trocas de olhares e de abraços.

É bom lembrarmos que nada é para sempre, que quando menos esperamos as pessoas se vão e, o tempo não perdoa os momentos de desinteresse, que permitimos na ignorância. Portanto, quando puder abraçar abrace, quando puder beijar beije, quando puder olhe nos olhos daqueles que importam para você e faça com que se recordem da sua voz e dos seus lábios dizendo “eu te amo”.

*Por Suzana Villanueva

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*Fonte:

Por que exercícios são um remédio milagroso

Não é nenhuma novidade que exercício físico faz bem para a saúde. Mas quão bem?

Novas pesquisas têm revelado que os benefícios de se mexer vão muito além do que qualquer um poderia esperar.

Os efeitos da atividade física ultrapassam o controle do colesterol e da pressão e possuem um alcance muito mais amplo do que os músculos e o sistema vascular, afetando profundamente até mesmo a saúde do cérebro.

Se estiver precisando de um incentivo, você está no artigo certo. Abaixo, você pode conhecer alguns dos mecanismos que explicam todas as vantagens de se exercitar. Vale observar que os cientistas imaginam um futuro no qual o exercício será a terapia de ouro.

 

Para o cérebro

Exercícios físicos cumprem muitas funções no corpo humano. Por exemplo, mantêm nossos vasos sanguíneos dilatados e funcionando bem, o que por sua vez torna menos provável que entupam e causem ataques cardíacos e derrames. Com mais fluxo sanguíneo no cérebro, podem até ajudar a prevenir doenças cognitivas, como o Alzheimer.

Falando de atividade física e cérebro, um estudo norueguês com recrutas militares descobriu que a aptidão aeróbica na idade de 18 anos podia prever o risco de demência mais tarde na vida.

Outro estudo com mulheres suecas de meia idade concluiu que as mais aptas fisicamente tinham oito vezes menos risco de demência nos próximos 44 anos.

E uma pesquisa da Clínica Mayo, nos EUA, descobriu que 12 semanas de atividade física intensa leva a um aumento da captação de glicose e maior atividade metabólica no cérebro, particularmente em regiões que mostram declínio em pacientes com doença de Alzheimer.

 

Músculos, diabetes e câncer

Uma coisa importante que o exercício físico faz é criar músculos mais fortes. Isso ajuda na saúde de várias formas.

O músculo é o maior consumidor da glicose que é liberada na corrente sanguínea após uma refeição. Quanto mais músculo uma pessoa tem, mais rápido essa glicose é removida. E quanto mais rápido ela é removida, menos exposição há aos danos causados pelo aumento de açúcar no sangue. Só isso já serve como remédio para pessoas propensas a diabetes.

Também é um mecanismo importante para o processo de envelhecimento: o crescimento de músculos diminui o declínio da função da mitocôndria, o combustível das nossas células. Com elas funcionando bem, há menos danos oxidativos no corpo.

As proteínas dos músculos ainda servem como “reservatórios de aminoácidos” para o resto do corpo. Isso é especialmente importante quando estamos doentes – nosso sistema imunológico precisa de muitos aminoácidos para produzir anticorpos.

Por fim, o maior benefício vem das moléculas de sinalização, as mioquinas, ativadas e liberadas em resposta ao esforço muscular. Elas ajudam no crescimento muscular, no metabolismo dos nutrientes, na inflamação e numa série de outros processos.

Uma das mioquinas mais importantes é a interleucina-6, capaz de suprimir a fome e melhorar a resposta do sistema imunológico ao câncer. Outra, a catepsina B, pode levar a mudanças benéficas no cérebro, como a produção de novas células cerebrais.

 

Inflamação

De acordo com Bente Klarlund Pedersen, fisiologista do exercício na Universidade de Copenhague (Dinamarca), a falta de exercício físico leva a um risco maior de pelo menos 35 doenças.

Isso se deve, em grande parte, à inflamação crônica. A falta de atividade leva a um maior peso e principalmente mais gordura abdominal, largamente associada à inflamação crônica.

A interleucina-6 é uma das chaves do efeito do exercício sobre a gordura abdominal e a inflamação.

Em um experimento recente realizado por Pedersen e seus colegas, 27 voluntários com gordura visceral fizeram um regime de exercício em bicicleta ergométrica que durou 12 semanas, enquanto outros 26 voluntários permaneceram inativos. Metade dos participantes de cada grupo também recebeu um medicamento que bloqueava a ação da molécula.

No final das 12 semanas, os praticantes de exercício físico haviam perdido gordura abdominal, como esperado, mas apenas se não tivessem recebido o bloqueador da interleucina-6.

 

Exercício como (literalmente) remédio

Sabe aquela coisa de “é bom se exercitar”? Risque isso para “você vai ter que se exercitar”, porque não haverá alternativa melhor para curar doenças.

Alguns estudos têm revelado que a atividade física é mais eficaz que drogas em diversos casos. Por exemplo, uma pesquisa com 64 adultos com diabetes tipo 2 chegou à conclusão de que exercício físico regular pode substituir medicação para diminuir o nível de açúcar no sangue.

Outro experimento com 300 pessoas descobriu que exercícios físicos são tão eficazes quanto remédios para diminuir o risco de doença cardíaca e diabetes, e mais eficazes no caso de reabilitação depois de um derrame.

E a dose?

Uma coisa é saber que exercício físico pode ser medicinal, outra é definir sua dosagem – que tipo, frequência, duração e intensidade devem ser feitos caso a caso, por exemplo, para quem tem risco de diabetes ou histórico familiar de demência. Isso sem contar as dificuldades individuais de cada um, como sobrepeso ou lesões.

Mas os pesquisadores já estão avançando nesse campo complexo. Diversos estudos estão sendo planejados ou executados a fim de chegar a recomendações mais precisas.

Por exemplo, um com 2.000 voluntários irá medir a atividade gênica, a sinalização molecular e outras mudanças no corpo durante atividade física moderada e intensa. Outro irá analisar o efeito do volume de exercício no envelhecimento cerebral através de fatores como inflamação, moléculas de sinalização, composição corporal e outros.

Como o exercício físico muda suas moléculas?

Certamente, mesmo depois de termos resultados detalhados desses e de outros experimentos, a quantidade “certa” de exercício físico irá variar e talvez seja algo difícil de se prescrever.

“Não existe um único sistema de órgãos no corpo que não seja afetado pelo exercício. Parte do motivo pelo qual o efeito do exercício é tão consistente e robusto é o fato de não existir uma única via molecular, mas sim uma combinação de várias coisas. Portanto, no final de todos esses testes, analisaremos não apenas um ou dois mecanismos, mas vários deles. Vai ser uma resposta complicada”, disse Marcas Bamman, fisiologista do exercício da Universidade do Alabama em Birmingham (EUA). [DiscoverMagazine]

*Por Natasha Romanzoti

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*Fonte: hypescience

A vida não pode ser trabalhar a semana inteira e ir ao supermercado no sábado

Paleoantropólogo Juan Luis Arsuaga, que acaba de publicar um livro, tenta desvendar o sentido da vida: “Deve haver algo mais… E essa outra coisa se chama cultura. É a música, a poesia, a natureza, a beleza…”

As escavações na jazida arqueológica de Atapuerca em Burgos começaram no final dos anos setenta. Em 1982 se juntou ao trabalho o paleoantropólogo Juan Luis Arsuaga (Madri, 1954), um dos diretores da Fundação Atapuerca com Eudald Carbonell e José María Bermúdez de Castro, além de diretor científico do Museu da Evolução Humana em Burgos. Pouco depois, começariam a ser descobertos restos de fósseis humanos que iluminariam a história da humanidade.

Atualmente centenas de milhares de pessoas visitam todos os anos a escavação e o museu, que de acordo com Arsuaga proporciona modernidade e identidade “da boa”. “O museu é um bom exemplo de como fazer as coisas”, diz.

“Minha participação na criação do Parque Nacional de Guadarrama é a coisa mais importante que já fiz em minha vida, mais até do que descobrir fósseis”

Além da descoberta de fósseis, o cientista se sente especialmente orgulhoso de sua participação na criação do parque nacional da Serra de Guadarrama em Madri em 2013. “É a coisa mais importante que fiz em toda minha vida, mais até do que descobrir fósseis”, afirma.

Junto com a publicação de seu último livro Vida, la gran historia (Vida, a Grande História), o pesquisador foi recentemente nomeado presidente da Fundação Gadea Ciencia com um objetivo: “Que a fundação se transforme em algo útil à sociedade”. Mas para o paleoantropólogo, seu cargo mais importante é o de professor na Universidade Complutense de Madri.

Pergunta. Imaginou em algum momento quais descobertas poderiam ocorrer em Atapuerca?

Resposta. Não poderia imaginar e, de fato, todos os anos ocorrem surpresas. A melhor coisa que pode acontecer em um projeto científico é que ele te surpreenda. Se não o faz significa que seus potenciais já se esgotaram.

P. E o que mais o surpreendeu ao longo desses anos?

R. A descoberta de tantos fósseis humanos é obviamente o mais importante em meu trabalho, mas nesses anos ocorreram coisas em Atapuerca e na ciência, como as análises genéticas, com as quais ninguém contava e sequer imaginava. Agora temos estudos de DNA de 400.000 anos. Foi uma surpresa para todo mundo. Em Atapuerca o mais importante foi o grande número de descobertas de restos humanos, que aparecem mais do que em qualquer outro lugar, mais do que no restante das outras jazidas arqueológicas juntas.

P. Por que escolheu a jazida arqueológica de Atapuerca?

R. É uma história que se parece com qualquer outra no mundo da ciência. Diferentes possibilidades são investigadas, linhas são exploradas, algumas parecem mais interessantes e lá se coloca mais esforço, se progride e os resultados aparecem. Então se investe mais. A história de Atapuerca não é o resultado de uma intuição genial. Na verdade, Atapuerca só começou a dar resultados em 1992, quando foi feita a primeira grande descoberta. Mas o começo foi muito duro, como o é para um astrônomo, um biólogo molecular e um botânico. No começo é uma roda que gira muito devagar. A ciência tem um método comum. Não há tanta diferença entre estudar terremotos e procurar fósseis. Consiste em explorar o desconhecido e ninguém sabe como fazê-lo.

P. Apesar de trabalhar com o desconhecido, pensam no que pode ser descoberto?

R. Não, mas escavamos onde já sabemos que há fósseis. Essas jazidas arqueológicas são para obter mais do mesmo. E depois surge o desconhecido. Há mundos novos que são os fascinantes e os conhecidos dos quais podemos saber mais. Em Atapuerca temos isso, os mundos já conhecidos e outros que não conhecemos bem.

P. Mas depois surgem descobertas, como a de uma mandíbula em Israel, que reescrevem o que já sabíamos…

R. Bom, não se deve dar tanta importância aos autores. É preciso matizar. Às vezes fico preocupado quando se diz que uma descoberta obriga a reescrever a evolução humana. Seria um desastre. É como se antes não soubéssemos nada. Se descobríssemos uma nova cidade romana, mudaria tudo o que sabemos sobre os romanos? Claro que não! Ganhamos mais conhecimento sobre certas épocas e momentos da evolução humana, mas sem exagerar.

“Ao contrário do que se pensa, a ciência é sumamente cautelosa e conservadora. As publicações científicas são muito sóbrias”

P. Ainda que algumas vezes tenha sido esse o caso…

R. Sim, é verdade que às vezes se produzem conhecimentos que não mudam o que já se sabia, mas que ampliam o conhecimento. Por exemplo, em 1994 se pensava que a Europa teria sido povoada há quinhentos mil anos, mas nesse mesmo ano encontramos fósseis humanos em grande abundância de 900.000 anos atrás. Ou seja, 400.000 anos mais antigos. Isso é como chegar a um continente desconhecido, mas o descobrimento da América não mudou a Ásia e a Europa, simplesmente acrescentou algo. A ciência cresce.

P. Em relação ao pedaço de maxilar encontrado em Israel, sua descoberta foi suficiente para determinar que o Homo sapiens saiu antes da África. Como é possível?

R. É como encontrar um relógio em um templo asteca. O que você diria? Isso é muito importante. Somente um relógio muda tudo. Como podem saber que faziam tecnologia avançada? Se faziam relógios… Há casos que são óbvios. Existem notícias que obrigam a revisar muitas coisas. Na verdade, não aparecem relógios, e sim aperfeiçoamentos e amplificações do que sabemos. Ao contrário do que se pensa, a ciência é sumamente cautelosa e conservadora. As publicações científicas são muito sóbrias.

P. Por que a antropologia nos atrai tanto?

R. Porque nossas origens nos interessam. Só há duas explicações: a religião e a ciência. As pessoas querem saber de onde vêm e por que estamos aqui. Costumamos dizer que as três perguntas da filosofia basca refletem o ser humano: quem somos? De onde viemos? E onde vamos comer? Mas além disso temos preocupações intelectuais: o que fazemos aqui? O que nos criou? Há quem procure uma explicação religiosa, mística ou extraterrestre, mas todo mundo precisa saber por que está aqui. Essa pergunta, inerente ao humano, é a mais importante que pode ser feita. Assim que você solucionar a questão da comida, a próxima é essa [risos]. As crianças que nascerem nos próximos milênios irão se fazer a mesma pergunta.

P. E na verdade nunca será totalmente respondida… ou será?

R. A religião dá uma explicação falsa e os cientistas explicam. Cada um procura sua felicidade pessoal. Mas se você quer saber de onde viemos, eu te explico. Se quer saber por que estamos aqui, eu te explico…

“Há quem procure uma explicação religiosa, mística ou extraterrestre, mas todo mundo precisa saber por que está aqui”

P. Não sei se vou perguntar ao senhor [risos]… Por que estamos aqui?

R. Meu novo livro é justamente sobre isso. A evolução, da origem do cosmos à origem da vida, passa por diferentes etapas: o surgimento da Terra, a vida nela, as células complexas, a consciência, a mente simbólica, o pensamento abstrato, etc. Cada um desses passos poderia ou não ter acontecido. Provavelmente não era preciso que acontecessem ou talvez fossem inevitáveis. A pergunta é se a história da vida e a história humana têm uma direção, um sentido. O próprio leitor, com a informação que lhe dou, decide se cada passo é algo que tinha que acontecer ou poderia nunca ter ocorrido.

P. De modo que o leitor responde a si mesmo?

R. Sim, deixo que decida por si mesmo. O leitor é tão inteligente que pode chegar às suas próprias conclusões. De modo que não sou responsável pela filosofia dos outros. Dou todas as informações sobre o que pensaram os diversos gênios. Eu conto o que existe, dou minha opinião, e o que os mais inteligentes disseram sobre os diferentes passos que nos fizeram chegar até aqui.

P. O senhor poderia me dizer, hoje, por que estamos aqui?

R. Você está aqui porque seu pai e sua mãe tiveram relações uma noite. Mas é preciso procurar a explicação. E isso está no livro.

P. Mas quanto mais informação temos, mais o mundo nos parece complexo…

R. É que é muito complexo e contraditório… Os que tentam simplificar o complexo são muito perigosos. Se pegarmos, por exemplo, o código genético que temos, o DNA, é o único possível? Podem existir outros códigos genéticos? Por que temos esse e não outro que poderia ser melhor? Por que não?

“Em meu livro, o leitor decide por si mesmo se cada passo da história humana é algo que precisava acontecer ou poderia nunca ter ocorrido”

P. Falando de DNA, me vem a cabeça a descoberta de Denny, a filha de uma neandertal e um denisovano. Com essas descobertas sempre vem à discussão uma pergunta recorrente: Homo sapiens, neandertais e denisovanos poderiam ser a mesma espécie?

R. Não, não somos. Nesse instante, você está falando em espanhol ou em árabe?

P. Espanhol, que eu saiba.

R. Você sabia que a palavra alcalde (prefeito, em português, que também tem a palavra alcaide, de significado semelhante) vem de ‘al-qadi’, de origem árabe? Mas não é por isso que falamos árabe. Termos palavras de origem árabe não transforma o espanhol em árabe. Ter 2% de genes neandertais não transforma você em neandertal. Em biologia, como nas línguas, todas as populações têm alguns genes de outras espécies. Como não foi um deus que nos criou, se espera que as espécies absorvam genes umas das outras. Somente um criacionista poderia pensar que as espécies são puras, separadas e que não têm contato com outras.

P. Essas três espécies viveram ao mesmo tempo, mas só compartilhamos uma pequena porcentagem de genes. É isso o que nos diferencia?

R. Temos genes de todas as partes. Veja os espanhóis. Temos um monte de genes africanos e das estepes. Veja os ursos da Cantábria. Têm 2% de genes de ursos das cavernas. É como se você dissesse que o espanhol foi criado por Deus como uma língua diferente do francês. Nesse caso sim seria surpreendente que tivéssemos uma palavra em comum. Deus não se repete. Mas os idiomas são um produto da evolução linguística e, levando em consideração que somos vizinhos, não me surpreende que digamos cruasán (variação em espanhol da palavra francesa croissant) mesmo não sendo franceses, e sim espanhóis. Aplico esse mesmo raciocínio à biologia.

P. O que acha das análises genéticas vendidas hoje para conhecer nossa origem? Eu, por exemplo, que sou francesa, não tenho nada de francês. Isso deve ter acontecido com muita gente. Como se explicaria isso a essas pessoas?

R. É que o francês não existe, é um conceito político. Realmente não existem o gene francês e o basco. São na realidade diferentes proporções e misturas.

P. Se as pessoas soubessem disso, acha que afetaria os nacionalismos?

R. Em princípio, não. O fato de termos genes diferentes não deveria mudar nada. O nacionalismo atual é mais cultural. Sabia que o sobrenome mais comum da Catalunha é Fernández, por exemplo? O nacionalismo renunciou há tempos ao componente biológico e agora é baseado na cultura. Utilizam outros elementos para definir a identidade. Dito isso, eu não sou nacionalista e minha família é basca e fala o idioma basco.

“Como não foi um deus que nos criou, se espera que as espécies absorvam genes umas das outras”

P. Focando na Espanha, que obstáculos enfrentam a antropologia, a arqueologia e a paleontologia?

R. Como dizia Groucho Marx, comparado com que? Se compararmos com a Argélia, estamos muito bem. Se compararmos com a França e a Itália, a situação não é tão boa. Mas houve progressos. Temos um patrimônio imenso e precisamos saber contar. É preciso investir. As instituições devem saber que isso é uma indústria e um recurso econômico, em todo caso. Essa é a nossa luta. Há trabalho a ser feito.

“O nacionalismo renunciou há tempos ao componente biológico e agora se baseia na cultura para definir a identidade”

P. Em parte, conhecer nosso passado nos faz entender e valorizar mais nosso presente, não acha?

R. Sim, e nos faz mais felizes, espero. Aprendemos, aproveitamos, vivemos outras vidas. Eu sempre digo que a vida não pode ser trabalhar a semana inteira e ir ao supermercado no sábado. Não pode ser assim. Essa vida não é humana. Deve haver algo mais, mas aqui, nessa vida. E essa outra coisa se chama cultura. É a música, a poesia, a natureza, a beleza… É o que se deve apreciar e aproveitar porque, caso contrário, isso é uma merda.

P. Nossos antepassados seguramente sabiam apreciar melhor a vida…

R. Sem dúvida. Não trabalhavam a semana inteira e não iam ao supermercado no sábado.

P. Então o que nós fizemos de errado?

R. Alguma coisa fizemos errado, mas ainda temos tempo. Temos Mozart. Não é pouco. Apreciar a beleza é uma questão de educação e sensibilidade. Procure o que é belo na vida. Há muita beleza.

* Juan Luis Arsunaga / Adeline Marcos

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*Fonte: elpais

Se alguém abusar da sua boa vontade, o defeito é dele. Não seu.

Sim, alguém vai fazer mau uso da sua bondade, da sua disposição de ajudar, do seu desejo de contribuir. Alguém vai atravessar o samba e desdenhar da sua amizade, atropelar o bom senso, invadir o seu espaço, mexer nas suas coisas, chutar o seu cachorro quando você não estiver olhando. Vai, sim.

Um dia, você vai estender a mão e é provável que lhe passem a perna. Acontece. Quando acontecer, releve. A culpa não é sua. Ainda que um parasita lhe sugue o sangue, que um falso amigo lhe atribua absurdos, manipule os fatos, maldiga sua mãe, mesmo que um cafajeste tome dinheiro emprestado em seu nome, fuja do país e lhe deixe devendo na praça, você não precisa mudar o que é.

Tem sempre alguém por aí disposto a abusar da sua boa vontade. Mas isso não é desculpa para deixar de ser bom. É só um sinal de que é preciso virar a página, voltar para dentro, retomar o rumo e seguir em frente. Decerto, tem alguém em outro canto precisando de você.

Pense bem. Se cada traição, cacetada, esculacho ou desengano sofrido por alguém de bem o fizesse “mudar de lado” e se vingar do mundo, você e eu já nem estaríamos aqui. Nós já nos teríamos destruído sem dó, sem escrúpulos, sem compaixão.

Sem essa antiga, esquisita, inexplicável e poderosa inclinação de alguns de nós para a bondade, a decência e a beleza, o mundo já restaria deserto, vazio de gente. Habitado somente por vermes e demônios e pequenos animais.

Mania estranha essa de jogar a culpa no outro. Sempre “o outro”. Já viu? Fulano defende daqui sua má educação porque todo mundo é grosso, então ele só se adaptou. Sicrano se orgulha de sua esperteza, fura as filas no cinema, no trânsito, até no banco de órgãos porque “o mundo é dos espertos” e, afinal, se ele não fizer assim, outro espertalhão vai fazer no lugar dele. Beltrano, por sua vez, rola na carniça, faz tudo o que é errado e justifica que “é assim mesmo”, que o “mundo inteiro” é desse jeito e que ele só está fazendo o mesmo por questão de sobrevivência.

Então, quando uma boa alma perverte essa lógica e faz o que lhe parece uma coisa boa, alguém avisa profético e pragmático:

“Não seja trouxa. Ninguém vai fazer o mesmo por você.”
A boa alma responde: “e daí? Faço porque quero. Não porque espero que façam o mesmo por mim”.

Ela faz porque quer. Mas eu tenho a impressão de que ela faz mesmo é porque desconfia de que tantas desculpas, conjecturas e pressupostos para nos isentar da responsabilidade de fazer o que é certo e o que é bom estão nos transformando em cínicos fantásticos, hipócritas colossais, especialistas em esperar que a salvação para todos os nossos problemas desabe do céu sem mais.

Não, do céu não vai cair. É preciso fazer o que é bom agora. E se uma pessoa aqui e outra ali não souberem receber ou abusarem da sua boa vontade, o problema será delas. Não seu.

*Por André J. Gomes

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*Fonte: contioutra

Pesquisa comprova que gatos copiam as personalidades de seus donos

Temperamentais, independentes e teimosos, os gatos são conhecidos pelo temperamento singular e até mesmo provocativo que possuem – objetivamente alternando de momentos de afeto extremo para o mais profundo desprezo e desinteresse. A verdade, porém, é que nem todos os gatos são iguais, e um novo estudo confirmou algo que todos os donos de gato sabem, mas muitas vezes não gostam de admitir: que nossos amigos felinos desenvolvem seus temperamentos copiando aspectos da personalidade de seus donos.

O estudo, publicado na revista Plos One, trabalhou com 3 mil humanos e seus gatos, e através de uma série de entrevistas, traçou um inventário de cinco traços mais claros e reproduzidos: extroversão, amabilidade, abertura, consciência e neurose. A conclusão não poderia ser mais direta: a percepção de tais traços nos humanos é equivalente à percepção em seus gatos. Em resumo, uma pessoa tímida tende a criar um gato tímido, uma pessoa neurótica tende a criar um gato neurótico, e assim por diante.

“Muitos donos consideram os animais como um membro da família, criando laços sociais com eles”, afirmou Lauren Finka, da professora da Universidade e coautora do estudo. “É, portanto, muito possível que os animais sejam afetados pela maneira como interagimos com eles, e que esses fatores influenciam as personalidades”, concluiu.

Há ainda, segundo a cientista, muito estudo a ser feito para entender em que grau essa influência acontece, e o quanto isso pode beneficiar ou prejudicar os animais – que, se nos provocam amor ou frustração, podem estar nos mostrando muito mais sobre nós mesmos do que queremos supor.

*Por Vitor Paiva

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*Fonte: hypeness

Viajar deixa as pessoas mais felizes do que comprar coisas

Gastar dinheiro com uma viagem pode te fazer muito mais feliz do que comprar um celular novo. Esta é uma das conclusões de um estudo divulgado recentemente e produzido por pesquisadores da Universidade de Chicago e de Cornell. Durante a pesquisa eles analisaram quais eram os sentimentos dos participantes em relação às experiências e à compra de produtos. Viagens, jantares e outras atividades parecem ter o poder de deixar todos mais felizes e gratos.

Uma das justificativas para esta conclusão está no hábito constante e praticamente inerente ao ser humano de comparar suas posses com os demais. Segundo o estudo, é muito mais comum que as pessoas compararem os tipos de celulares, carros ou casas, do que ficar tentando avaliar quem teve a melhor viagem, por exemplo. Esta comparação não tende a ser algo saudável para o corpo e, muito menos, para o bolso.

Em contrapartida, as experiências têm poder para elevar as interações interpessoais. Seja em um passeio ao parque ou em um jantar com a família, investir tempo e dinheiro em atividades tende a juntar pessoas, o que as deixa também mais gratas.

Em uma das fases de pesquisa, os cientistas colocaram os participantes em contato com sites de apoio a viagens, como o TripAdvisor, e com sites de compras, como a Amazon. No experimento os pesquisadores perguntaram aos voluntários quais tinham sido as suas emoções após as duas abordagens. Em todos os casos os sites que proporcionam experiências instigaram sentimentos melhores e mais gratidão do que as páginas de compras.

“As pessoas podem dizer ‘eu estou emocionada com o produto que eu acabei de receber’, mas raramente eles dirão que estão gratos por isso. É mais comum as pessoas dizerem ‘Eu sou muito grato pela oportunidade que eu tive de conhecer aquele país’”, explica Thomas Gilovich, um dos autores do estudo.

Clique aqui para acessar o estudo completo.

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*Fonte: ciclovivo

Quatro recomendações para combater a ansiedade

Há diferentes formas de ansiedade, cada uma delas com sintomas diferentes, sendo as principais as seguintes:

– transtorno obsessiva compulsiva;
– stress pós-traumático;
– pânico;
– agorafobia, ansiedade generalizada, ansiedade social, ansiedade da separação.

De acordo com a Revista Galileu, quatro recomendações podem te ajudar a combater a ansiedade:

1. Meditação ou mindfulness – Não importa o nome da técnica, desde que foque a atenção em estímulos simples como controlar a respiração, fazer um auto avaliação do corpo ou focar-se nos sons ao seu redor. Tudo isso contribui para afastar pensamentos ansiogénicos.

2. Aceitação – Nos últimos anos, as abordagens no tratamento dos transtornos concentram-se também em aceitar os sintomas e não sofrer por estar sofrendo. Apesar do estigma com a saúde mental estar diminuindo aos poucos, a verdade é que ainda atrapalha na aceitação da condição e compromete a recuperação dos pacientes.

3. Acompanhamento psicológico – Das terapias que os especialistas costumam indicar para quem sofre de ansiedade, a cognitiva comportamental é a mais frequentemente recomendada. O tratamento incide em interromper comportamentos ansiosos, o que gera mais resultados positivos.

4. Atividade Física – Praticar esportes de equipe ou exercício físico estimula a liberação de substâncias que ajudam na regulação do organismo e contribuem para a sensação de relaxamento. Por isso, os médicos recomendam o exercício como forma de estimular o próprio corpo a produzir o ‘remédio’ de que necessitamos para sentir prazer.

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*Fonte: psicologiasdobrasil

Contato com a natureza previne ansiedade, depressão e estresse

O agito dos grandes centros urbanos prejudica a saúde física e mental. As poluições sonora, visual e atmosférica somadas ao enclausuramento do dia a dia contribuem com o desencadeamento de problemas pulmonares, cardíacos e emocionais. Diante deste contexto, a ciência vem mostrando que praticar atividades ao ar livre, em contato com a natureza, é o que precisa ser incorporado na rotina das pessoas como forma de tratamento preventivo.

Pesquisadores da Universidade de Chiba, no Japão, reuniram 168 voluntários e colocaram metade para passear em florestas e o grupo restante para andar nos centros urbanos. As pessoas que tiveram contato com a natureza mostraram em geral uma diminuição de 16% no cortisol (hormônio do estresse), 4% na frequência cardíaca e 2% na pressão arterial.

Para o neurologista e psicoterapeuta cognitivo Mário Negrão, é possível notar uma melhora significativa no aparelho digestivo, nas alergias e na resistência à bactérias e infecções, mas o mais importante é a sensação de bem-estar. “Quando você coloca um indivíduo em uma cidade sem muita natureza, você está colocando-o em um ecossistema hostil, onde tudo que o rodeia é artificial. É comprovado que isso gera um impacto imenso na saúde”, relata.

Na Austrália, um estudo produzido na Universidade Deakin mostra que a natureza oferece às pessoas momentos de liberdade e relaxamento, impactando positivamente o estado mental dos indivíduos e reduzindo sintomas de ansiedade e depressão. Na Holanda, pesquisadores do Centro Médico Universitário de Amsterdã constataram que pessoas que vivem próximas da natureza reduzem em 21% as chances de desenvolverem depressão. Os benefícios também envolvem uma melhora na qualidade do sono, no desenvolvimento cognitivo, na imunidade, nos problemas cardíacos e pulmonares, além de uma redução na ansiedade, na tensão muscular e na possibilidade de desenvolver doenças como obesidade e diabetes.

Para a doutora em Ciências Florestais e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Teresa Magro, a sensação de bem-estar está relacionada também ao que fazemos no ambiente natural. “Só o fato de olhar uma paisagem, fazer um passeio em um parque ou em uma área com menos barulho, já nos dá uma sensação de relaxamento”, afirma.

No país com a mais rica biodiversidade do mundo, o contato com a natureza pode ocorrer em diferentes espaços, como parques, praças, cachoeiras e ambientes costeiros e marinhos. “Os benefícios fornecidos pela natureza – como ar puro, água, regulação microclimática, redução de partículas poluentes, relaxamento mental e físico, entre outros – e sua conexão com a saúde das pessoas devem ser vistos pela sociedade e pelo poder público como uma prioridade. Ter espaços verdes acessíveis e bem cuidados próximos da população estimula a visitação e a prática de atividades, o que resulta em indivíduos mais relaxados e produtivos”, completa a gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Leide Takahashi.

Sobre a Rede de Especialistas

A Rede de Especialistas de Conservação da Natureza é uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

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*Fonte: ciclovivo

Como os desenhos clássicos criaram uma geração de pessoas com conhecimento cultural

[Texto traduzido e adaptação de publicação de Anne Holmquist em Intelectual TakeOut]

Desenhos clássicos como Tom e Jerry fizeram parte da vida de mutias pessoas. Contando uma história a respeito de uma vez em que seu pai reconheceu trechos da história de um livro de Mark Twain, a editora do site Intelectual TakeOut fala sobre como desenhos animados foram responsáveis por introduzir informações a respeito de clássicos da literatura e da música através de seus episódios.

A reflexão é muito interessante e, por isso, resolvemos traduzir o texto para português. Confira:

Estes desenhos introduziram às crianças histórias como Dr. Jekyll e Mr. Hyde de Robert Louis Stevenson, por exemplo, através do Pernalonga. Citações chave e cenas do trabalho de William Shakespeare foram o tema de desenhos da Looney Tunes. Em um curta da Disney chamado “Little Hiawatha”, estava presente o poema épico “The song of Hiawatha” de Henry Wadsworth Longfellow.

Talvez estes desenhos tenham tornado ainda mais famosas do que as referências literárias as músicas clássicas, introduzindo tanto seleções instrumentais e de ópera às crianças. Um exemplo famoso é “O Barbeiro de Sevilha” performado por Pernalonga em um salão de cabeleireiro. O crítico de cinema americano Leonard Maltin descreve bem esta situação:

“Muito de minha educação musical veio pelas mãos do compositor da Warner Bros. Carl Stalling, eu só não percebia isso, eu não estava atento, isso simplesmente ficou guardado no meu cérebro durante todos os anos em que assisti os desenhos da Warner diariamente. Eu ouvia a Segunda Rapsódia Húngara de Liszt por causa dos desenhos da Warner Bros., eles a usavam tão frequentemente”.

Mas Maltin não foi o único que aprendeu com esses clássicos. Na verdade, como conta o famoso pianista Lang Lang, foi a versão de Tom e Jerry de música de Liszt que o inspirou a começar a tocar piano, aos dois anos de idade.

Estes exemplos somente pincelam a superfície da instrução cultural que estes desenhos antigos ensinaram a nossos pais e avós. Mesmo que eles não aprendessem estes elementos na escola, eles ao menos tinham algumas referências a partir das quais eles poderiam construir seu entendimento dos livros e músicas e mesmo das ideias que impactaram a cultura e o mundo no qual vivemos hoje.

Mas será que podemos dizer o mesmo da geração atual? Pra ser honesta, não conheço bem o que o mundo dos desenhos tem oferecido hoje, mas uma busca rápida de desenhos populares parece sugerir que a resposta é “não”. Na maior parte do tempo eles parecem se focam no aqui e agora.

Resumidamente, nem escolas nem os desenhos de sábado de manhã parecem estar passando adiante a tocha do conhecimento cultural e literário. Será que este cenário poderia ser uma das razões pelas quais vemos uma cada vez maior apatia e falta de interesse na geração atual?

[Link do texto original, em inglês, AQUI]

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*Fonte: notaterapia

O que leva uma pessoa a querer sempre agradar aos outros?

Agradar aos outros não é um defeito, pelo contrário, indivíduos que gostam de agradar tendem a se tornar queridos pelas pessoas à sua volta. O agrado traz retorno, seja pela felicidade do outro, seja pela satisfação pessoal de fazer o bem.

O problema, porém, é quando esse ato não é espontâneo e se torna uma obrigação. Nesse momento, talvez seja a hora de procurar um psicólogo para entender porque existe a necessidade extrema de agradar a todo o mundo.

O ato de dizer não deve ser natural, mas nem todo mundo consegue. Há quem fuja de conflitos e prefere abdicar de si pelos outros pensando se tratar de algo em curto prazo.

Porém, esse comportamento frequente pode virar uma bola de neve. Com medo de se tornar indelicada, essa pessoa abrem mão de si para satisfazer os outros sem medir as consequências.

O fato de agradar aos outros também pode ser uma forma de se sentir aceito em um grupo, algo que a pessoa acredita que não conseguiria se agisse conforme a sua personalidade. Há ainda aqueles que agradam esperando sempre algo em troca e, quando não ocorre, se frustram e ficam ressentidos.

Agradar aos outros sem estar se agradando pode ser prejudicial para as emoções do indivíduo e algo que deveria ser prazeroso se torna um peso. Pessoas com necessidade de agradar podem se tornar inseguras, depressivas, ansiosas, ter baixa autoestima e não terem condições de decidir por si, precisando sempre da opinião do outro.

Às vezes é preciso fazer o que não se gosta em benefício do grupo, mas ninguém deve se tornar escravo desse comportamento. Veja quando agradar todo mundo pode se tornar prejudicial:

Agradar a todos pode se tornar um problema quando

• Sempre se espera algo em troca;

• Não há retorno e há frustração;

• Acredita-se que é necessário agradar para ser aceito;

• Deixa-se de lado as vontades e desejos próprios;

• Não se consegue mais identificar o que se gosta;

• Os gostos são baseados nos de outra pessoa;

• Fica-se impossibilitado de dizer não;

• Consegue-se dizer não, mas tenta-se sempre justificar (inclusive mentindo);

• Há necessidade de ser visto como alguém bom e legal;

• Sem perceber, os outros abusam dessa pessoa;

• A pessoa se culpa por tudo de errado que acontece;

• A pessoa sente-se imprescindível e insubstituível naquele meio;

• A pessoa considera o amor e a entrega sacrifícios normais;

• A pessoa apresenta sinais de baixa autoestima, ansiedade, estresse e outros problemas emocionais.

O que leva uma pessoa a querer sempre agradar aos outros?

Irracionalmente temos a necessidade de sermos aceitos e amados. O renovado psicólogo americano Albert Ellis, criador da terapia racional emotiva, determinou onze crenças irracionais comuns. Uma delas é: “Preciso do amor e da aprovação de todos os que me rodeiam” ou “preciso ser amado e ter a aprovação de todas as pessoas importantes que me rodeiam”.

Esta crença é comum, em diferentes graus, em todo o ser humano. Racionalmente sabemos que agradar a todos é impossível e que isso não nos torna piores. Quando a pessoa não identifica isso, abre mão de suas necessidades – uma das poucas formas de conseguir agradar ao máximo o outro (sem garantia de sucesso).

Identificar a origem dessa conduta no indivíduo é um dos primeiros passos para melhorar esse aspecto. Outro ponto é analisar o que a pessoa está fazendo para que isso a impossibilite de mudar.

Em geral, o indivíduo que está sofrendo com a necessidade de agradar não consegue identificar onde está o erro. Por essa razão é preciso buscar ajuda profissional. Um psicólogo comportamental pode auxiliar na busca pela resolução desses conflitos.

Autora: Thaiana Brotto (Psicóloga CRP 06/106524) / psicologoeterapia.com.br

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Coach: aquele que fracassou em quase tudo, mas tem sempre uma solução para a vida dos outros

De repente, como num passe de mágica, aquele seu amigo de anos repagina completamente o perfil na rede social. Com fotos artísticas e legendas motivacionais, surpreendentemente orienta pessoas e age como guru. Sim, aquele mesmo que fracassou na maioria das coisas que já tentou, mas que, após um insight, fez um curso de finais de semana, ganhou um “certificado internacional” e agora está transformando vidas. Ele agora é coach.

As conversas são inconfundíveis: impactar e transformar vidas, construir sonhos, remodelar o mindset e afastar as crenças limitantes. Não há uma alma sequer que já não tenha visto ou ouvido falar nos processos e ferramentas utilizados por esses novéis profissionais que visam à reprogramação mental para uma vida extraordinária. O objetivo, na maioria das vezes, é o tão almejado lifestyle dos milionários, apresentado em reuniões que mais parecem cultos de seitas, com abuso de frases tão impactantes quanto vazias, mas que conseguem atrair cada vez mais adeptos.

De fato, há uma grande sedução no oferecimento genérico de uma vida melhor e mais saudável. O brasileiro médio enfrenta diariamente problemas que afetam não apenas sua situação financeira, mas, sobretudo, sua saúde mental. Aproveitando-se do considerável público-alvo, charlatões usurpam funções que caberiam a outros profissionais, e, apoiados pela vulnerabilidade evidente, acabam abusando da boa-fé alheia. Cobrando altos preços e apresentando soluções rasas e inócuas, muitas vezes tendem a piorar ainda mais a situação do indivíduo.

Obviamente, não se pode generalizar. O coaching, em verdade, nada mais é do que um desdobramento da psicologia. Surgiu da necessidade de se compatibilizar o sucesso profissional com o controle emocional. Em sua vertente moderna, é profissão não regulamentada, que visa incentivar pessoas a terem uma vida com mais sentido. O problema surge quando invade áreas delicadas — como a psicologia clínica, por exemplo. Aí, em vez de serem encaminhadas a profissionais capacitados, pessoas com traumas graves são levadas a crer que podem superá-los por meio de parcas sessões com cânticos alegres, cirandas, automotivação e frases de impacto.

Novas áreas de atuação surgem o tempo todo, e precisam ser entendidas pelo mercado. Mas, a despeito de uma minoria séria, há um nicho que não para de se alastrar: o famoso “coach de tudo”, o leitor de autoajuda que, não conseguindo resolver seus próprios problemas, se acha sábio o suficiente para solucionar os problemas dos outros. Isso sem falar nos que se proclamam “quânticos”, apropriando-se de conceitos de física aplicáveis exclusivamente ao ambiente subatômico, com noções de energia, vibração e atração ao arrepio dos ensinamentos de Max Planck e Albert Einstein. Incompreensivelmente, eles são muitos.

Espelhar-se em alguém que chegou ao sucesso prático e sabe mostrar os caminhos mais eficazes para atingi-lo é compreensível e positivo. O que é difícil de entender é alguém apostar todas as fichas em espertalhões que, sem ser referência em nenhuma área profissional, pagam por um diploma, papagaiam termos em inglês em suas “pregações” e se acham capazes de influenciar vidas para melhor. Todos os dias, um coach e um desatento vulnerável saem de casa e, caso se encontrem, sai negócio. De maneira alguma seja o segundo personagem. Os prejuízos são, por vezes, irreversíveis.

*Por Matheus Conceição

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*Fonte: revistabula

Quer conhecer o caráter de uma pessoa? Dê a ela algum poder

A Síndrome do Pequeno Poder é um transtorno de comportamento individual que mina as relações sociais e pode esfacelar qualquer chance de estabelecimento de convivência, em detrimento da satisfação de um indivíduo arrogante, autoritário e abusivo.

Pessoas acometidas por essa Síndrome costumam ter auto estima extremamente prejudicada, sendo levadas a ter a necessidade de humilhar o outro na tentativa de cessar um sentimento de menos valia. Diminui-se o outro para se sentir maior.

Esses indivíduos costumam viver inseridos em ambientes dentro dos quais não encontram lugar, sentem-se inferiores e, por causa disso, reagem agressivamente contra qualquer um que possa representar o mínimo questionamento à sua “autoridade”.

Autoridade é um bem que se conquista. É fruto do reconhecimento a uma habilidade desenvolvida, a um esforço empenhado, a um desempenho de papéis que explicita a competência. Autoridade depende da anuência do entorno.

Já o autoritarismo é outra coisa. É a instauração de um poder à força. É a atitude agressiva que busca subjugar o outro. O autoritarismo nasce da incompetência, da falta de recursos para administrar conflitos.

Lidar com uma pessoa tomada pela Síndrome do Pequeno Poder é dificílimo. Essas pessoas têm uma enorme dificuldade em estabelecer limites de convivência. Uma vez que ela tenha enxergado no outro uma ameaça ao seu suposto poder, ela não medirá ações ou modos para fazer valer a sua ilusória “autoridade”.

O poder verdadeiro emana do saber. Quanto mais sabemos sobre algo mais poder teremos sobre isso. E tudo o que estiver envolvido nesse saber depende do caráter ético e moral de quem o possui. Depende. Depende da importância social daquilo que se sabe, do que vai ser feito com esse saber; depende, ainda, de como e com quem esse conhecimento será partilhado.

As relações de poder na atualidade constroem-se a partir de uma rede complexa de relações. O modelo de hierarquia sólida, que já funcionou tão bem em outros momentos históricos anteriores, hoje não funciona mais. Ainda bem! E o indivíduo com visões distorcidas de poder não conta com recursos para perceber e gerir essa mobilidade.

O conhecimento foi incrivelmente democratizado, graças ao desenvolvimento tecnológico. Qualquer pessoa, dotada da capacidade de ler e compreender o que lê, tem acesso a uma infinita variedade de informações, sejam elas relevantes ou fúteis. Nunca foi tão fácil satisfazer uma curiosidade ou interesse de aprendizagem sobre o que quer que seja.

Esse acesso aberto ao conhecimento, no entanto, exige de nós uma dose muito maior de responsabilidade. Hoje precisamos ser agentes das decisões tomadas. O nosso fazer político, por exemplo… de nada nos adianta ter o poder de eleger nossos representantes se ainda teimamos em escolhê-los de forma irresponsável.

Pensando numa esfera institucional menor que o Estado; uma empresa, por exemplo. Em qualquer empresa, ainda que vigore uma estrutura de cooperação, alguém precisa estar em uma posição de mediador das relações; precisa haver um líder que seja responsável por garantir que haja organização, equilíbrio e produtividade. Sem uma liderança que prese por valores e pelas necessidades coletivas, instaura-se o caos.

E, uma vez instaurado o caos, todos ficam à deriva. O individualismo é o caos. Cada um pensando nos próprios interesses é o caos. A nossa natureza exploratória gerou o caos, numa crise ambiental sem precedentes. De tanto brincarmos de algozes, acabamos vítimas de nossa própria ambição desmedida.

Estaria tudo perdido? Não haveria salvação para nossa “raça humana”? Há. E ela está em nossas mãos, mais concretamente do que nunca esteve. Precisamos entender o que representa exatamente esse tamanho poder. Precisamos ressignificar o nosso papel nas relações com o outro e com o mundo.

O poder é necessário para impulsionar mudanças, para vencer obstáculos. Sua natureza é de cunho transformador. O que vai modular esse poder é o caráter de quem o exerce. E não importa se o autor do comportamento abusivo é um líder de governo, o segurança da balada, o pai de família ou um parceiro de trabalho. O abuso precisa ser detido.

O abusador é alguém que faz mau uso do poder que tem, ou imagina ter. E, não raras vezes a única forma de fazê-lo parar é garantir que ele não tenha nenhuma chance de sequer pensar que pode mais que os outros. Nenhuma relação interpessoal pode basear-se em posturas de dominação e exploração. Infelizmente, em muitos casos não adianta insistir, porque para falta de caráter ainda não inventaram remédio. Nem adianta procurar no Google!

*Por Ana Macarini

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*Fonte: contioutra

Umberto Eco alerta: “Nem todas as verdades são para todos os ouvidos.”

Cada vez mais intolerantes, as pessoas parecem precisar revestir seus discursos de agressividade, para que pareçam convincentes.

Uma das maiores dificuldades comunicativas diz respeito à capacidade de expor pontos de vista sem exagerar no tom impositivo ou mesmo agressivo com que se defendem argumentos, mesmo os mais incoerentes. Cada vez mais intolerantes, as pessoas parecem precisar revestir seus discursos de agressividade, para que pareçam convincentes.

Com o advento da Internet, todos possuímos espaços virtuais onde podemos nos expressar, expondo nossos pontos de vista sobre assuntos vários. Ilusoriamente protegidos pela distância que a tela fria traz, muitas vezes excedemos no radicalismo com que pontuamos nossos comentários, sem levar em conta a maneira como aquelas palavras atingirão o outro.

A frieza do cotidiano e a concorrência de mercado acabam por contaminar nocivamente os relacionamentos humanos, que se tornam cada vez menos afetivos, tão robóticos quanto as máquinas de café que nos entopem os sentidos. Importamo-nos quase nada com os sentimentos alheios, com a historia de vida alheia, com a necessidade de entender as razões que não são nossas, pois queremos a todo custo extravasar tudo isso que se acumula dentro de nós em meio à velocidade estressante de nossas vidas.

Nesse contexto, quando expomos aquilo que pensamos sobre determinado assunto, principalmente relacionados à política e/ou à religião, acabamos sendo vítimas de contra-ataques violentos que não rebatem o que expusemos, mas tão somente tentam neutralizar nossa verdade com destemperos emocionais isentos de criticidade. Aceitável seria, entretanto, uma contra-argumentação pautada por reflexões plausíveis, o que não ocorre, em grande parte dos casos.

O fato é que poucos estão dispostos a se abrir ao que o outro tem a oferecer, a dizer, a mostrar, a trazer de diferente para suas vidas, porque é trabalhoso refletir sobre idéias já postas e cristalizadas dentro de nós, ao passo que manter intacto aquilo que carregamos há tempos é cômodo e tranquilo. E quem não quer não muda, não recebe o novo, somente dá em troca o pouco que tem e, pior, muitas vezes de forma deselegante e depreciativa.

Portanto, é necessário que aprendamos a nos expressar e a debater nossas ideias com quem realmente estiver pronto para trocar conhecimentos, com quem possui uma postura receptiva para com o novo e que não se importa com a quebra de certezas. Não percamos nosso precioso tempo com quem só ouve o que quer e da forma que lhe convém, diminuindo-nos por conta da diversidade de opiniões. Esses definitivamente não merecem nem mesmo nossa presença.

*Por Marcel Camargo

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*Fonte: caminhoseu

Palavrões começaram como termos inocentes

A maioria dos palavrões nasceu de termos inofensivos e utilitários que, por metáfora ou outras formas mais convolutas, acabaram designando coisas obscenas, tabus em conversas educadas.

Um bom exemplo é caralho, usada hoje como sinônimo de pênis ou como interjeição para demonstrar espanto. O termo vem do latim characulu, diminutivo de kharax ou charax, palavra grega que significa estaca ou pau (esta, aliás, uma palavra ainda com o sentido original, mas em vias de se tornar um palavrão). “Ele passou a ser usado para designar o membro do touro na Antiguidade”, diz o jornalista Luiz Costa Pereira Junior, autor de Com a Língua de Fora – A Obscenidade por Trás de Palavras Insispeitas e a História Inocente de Termos Cabeludos. Daí, pra virar sinônimo de pênis em geral foi um pulo.

Já boceta, hoje sinônimo de vagina, tem origem no latim buxis, caixa de buxo — buxo, por sua vez, é uma árvore. “As gregas e romanas tinham preferência por essa madeira para suas pequenas caixas em que guardavam objetos de valor”, afirma Luiz. Logo, com a evolução da língua, elas foram chamadas de bocetas. Há registros do termo associado ao órgão feminino em poemas portugueses do século 18. A associação se deve ao fato de ele ser o lugar em que está o tesouro da mulher.

Porra, termo empregado hoje quando algo dá errado ou como sinônimo de esperma, designava uma arma de guerra medieval: era um bastão de madeira com ponta protuberante, cravejada de lanças de metal. O instrumento foi associado ao membro masculino e, com o passar do tempo, ao sêmen.

Em latim, putta é menina. Ainda hoje, em Portugal, putinhos quer dizer crianças pequenas (enquanto puta, no feminino, é como aqui). Além do português, o sentido sexual existe em espanhol, francês e italiano. Como isso aconteceu é um mistério. Uma versão sobre a origem da palavra, popular sobretudo na Espanha, fala da deusa Puta, uma das divindades agrícolas romanas, responsável pela poda (puta, em latim). No dia em que podavam as árvores, as sacerdotisas exerceriam a prostituição sagrada em honra à deusa. Com o passar do tempo, o nome da deusa virou sinônimo de prostituta. Mas muitos linguistas desconfiam que é só uma etimologia popular, invenção do povo.

Outros palavrões mantém seu sentido original — em alguns casos, desde o Império Romano. Foda vem de futuo, fazer sexo (ativo). Cu é uma versão encurtada do latim culum, que, neste caso, sempre quis dizer a mesma coisa. Em Portugal, ela vale para o todo. No Brasil, só para o centro, porque para o que vai em volta existe bunda —

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*Fonte: aventurasnahistoria

Donos de gatos são mais inteligentes que os de cães, diz estudo de universidade norte-americana

Cientistas da Universidade Carroll, em Wisconsin, Estados Unidos, realizaram um estudo para avaliar a personalidade das pessoas de acordo com suas preferências por animais de estimação. Foram entrevistados 600 universitários. Segundo as conclusões dos pesquisadores, os amantes de gatos são mais inteligentes que os donos de cachorros.

Primeiramente, os pesquisadores perguntaram aos voluntários se eles gostariam de ter um gato ou um cachorro. Cerca de 60% das pessoas declararam que preferem cães, enquanto 11% disseram gostar mais de gatos. Os outros 29% não demonstraram preferência. Depois, perguntaram quais as qualidades dos animais de estimação que eles mais gostavam. Por fim, os participantes também responderam um questionário para avaliação de personalidade e inteligência.

No questionário, os amantes de gatos obtiveram maior pontuação. Quanto à personalidade, os cientistas perceberam que os donos de cães são mais animados, sociáveis e costumam obedecer às regras. Já os que gostam mais dos gatos são geralmente introvertidos, insubmissos e sensíveis. Em outras palavras, criar um gato é adequado para pessoas reservadas, que preferem ambientes fechados; enquanto um cachorro é mais compatível com indivíduos extrovertidos.

“Faz sentido que o dono de um cachorro seja mais animado, porque ele deve gostar de passear com seu animalzinho, fazer atividades ao ar livre e conhecer outras pessoas. Enquanto isso, a pessoa que tem um gatinho não precisa passear e, como gosta de ficar em casa, pode gastar seu tempo lendo um livro, por exemplo”, disse a professora de psicologia Denise Guastello, principal autora do estudo.

*Por Mariana Felipe

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*Fonte: revistabula

A consciência é apenas uma ilusão?

O cérebro humano realmente é apenas uma coleção de máquinas complexas?

O cientista cognitivo Daniel Dennett acredita que nossos cérebros são máquinas, feitas de bilhões de minúsculos “robôs” — nossos neurônios ou células cerebrais. A mente humana é realmente tão especial?

Em uma nota infame escrita em 1965, o filósofo Hubert Dreyfus afirmou que os humanos sempre venceriam os computadores no xadrez porque as máquinas não tinham intuição. Daniel Dennett não concordou.

Alguns anos mais tarde, Dreyfus se encontrou vergonhosamente com o xeque-mate de um computador. E em maio de 1997, o computador da IBM, Deep Blue derrotou o campeão mundial de xadrez, Garry Kasparov.

Muitos que não estavam satisfeitos com este resultado alegaram que o xadrez era um jogo aborrecido e lógico. Os computadores não precisavam de intuição para vencer. Os trilhos mudaram.

Daniel Dennett sempre acreditou que nossas mentes são máquinas. Para ele, a questão não é “os computadores podem ser humanos?”, mas “os humanos são realmente tão espertos?”.

Em uma entrevista para o programa de rádio The Life Scientific, da BBC Radio 4, Dennett diz que não há nada de especial em relação à intuição. “A intuição é simplesmente saber algo sem saber como você chegou a esse algo”.
Daniel Dennett acredita que nossas células cerebrais são “robôs” que respondem a sinais químicos. (Créditos da imagem: BBC/Maria Simons).

Dennett culpa o filósofo Rene Descartes por poluir permanentemente nosso pensamento sobre como pensamos a respeito da mente humana.

Descartes não conseguiu imaginar como uma máquina poderia ser capaz de pensar, sentir e imaginar. Tais talentos devem ser dadas por Deus. Ele escreveu no século 17, quando as máquinas eram feitas de alavancas e polias, não de CPU’s e RAM’s, então talvez possamos perdoá-lo.

Robôs feitos de robôs

Nossos cérebros são feitos de algo em torno de cem bilhões de neurônios — as mais recentes estimativas contam 86 bilhões dessas células: se você fosse contar todos os neurônios em seu cérebro a uma taxa de um segundo, levaria mais de 3 mil anos.

Nossas mentes são feitas de máquinas moleculares, também conhecidas como células cerebrais. E se você achar isso deprimente, então lhe falta imaginação, diz Dennett. “Você conhece o poder de uma máquina feita de um trilhão de peças móveis?”, pergunta ele.
As pessoas ficaram chocadas quando um computador bateu o ex-campeão de xadrez Garry Kasparov em 1997.

Nossas células cerebrais são robôs que respondem a sinais químicos. As proteínas motorizadas que esses robôs criam são robôs. E assim vai. “Nós não somos apenas robôs”, completa o filósofo. “Somos robôs, feitos de robôs, feitos de robôs”.

Como uma tela do telefone

A consciência é real. Claro que é. Nós a experimentamos todos os dias. Mas para Daniel Dennett, a consciência não é mais real do que a tela no seu laptop ou no seu telefone.

Os geeks que fazem aparelhos eletrônicos chamam o que vemos em nossas telas de “ilusão do usuário”. É um pouco paternalista, talvez, mas eles têm um porquê.

Pressionar ícones em nossos telefones nos faz sentir no controle. Nós nos sentimos no comando do hardware que há lá dentro. Mas o que fazemos com os dedos nos nossos telefones é uma contribuição bastante patética para a soma total da atividade do telefone. E, claro, não nos diz absolutamente nada sobre como eles funcionam.

A consciência humana é a mesma, diz Dennett: “É a própria ‘ilusão do usuário’ do cérebro”. Parece real e importante para nós, mas isso não é uma coisa muito grande. “O cérebro não precisa entender como o cérebro funciona”, completa.

Não tão inteligente quanto pensamos

Sabemos que evoluímos de símios. Sabemos que compartilhamos 99% do nosso DNA com chimpanzés.

Reconhecemos que alguns de nossos comportamentos são devidos à nossa natureza animal (embora geralmente não são esses os aspectos de que estamos mais orgulhosos). Nossas qualidades mais especiais, nossa inteligência, nossa percepção e nossa criatividade, nós gostamos de pensar, devem ter causas mais especiais.
Nós humanos tradicionalmente enfatizamos nossas diferenças do reino animal, mas todos somos apenas o resultado de experimentos evolutivos. (Créditos da imagem: Adam Jones/Science Photo Library).

Nossos cérebros, como nossos corpos, evoluíram ao longo de centenas de milhões de anos. Eles são o resultado de milhões e milhões de anos de experimentos aleatórios e experimentais errôneos.

Do ponto de vista evolutivo, nossa capacidade de pensar não é diferente da nossa capacidade de digerir, diz Dennett.

Ambas as atividades biológicas podem ser explicadas pela Teoria da Seleção Natural de Charles Darwin, muitas vezes descrita como a sobrevivência do mais apto.

Tentativa e erro

Nós evoluímos de bactérias incapazes de compreender. Nossas mentes, com todos os seus talentos notáveis, são o resultado de inúmeras experiências biológicas.

Nosso gênio não é dado por Deus. É o resultado de milhões de anos de tentativa e erro.

Quando uma bactéria se move em direção a uma fonte de alimento, os cientistas não elogiam as bactérias por serem inteligentes. Isso seria altamente não científico. Mas quando os cientistas descrevem o pensamento como uma atividade biológica, eles se arriscam serem ridicularizados ou indignar (dependendo da empresa que lhes mantenham).

Tal reducionismo feroz ofende. Quão ingênuo sugerir que não há nada mais na mente humana do que um monte de neurônios!

Descartes subestimou as máquinas grosseiramente. Alan Turing as ajustou direito.

Ele previu que até o final do século XX “o uso de palavras e opiniões educadas em geral terão alterado tanto que alguém poderá falar com máquinas pensantes sem ser contraditado”.

Os computadores na década de 1960 não eram muito bons no jogo de xadrez. Agora eles tocam saxofone como John Coltrane.

Nesta era digital de supercomputadores e telefones inteligentes, certamente não é tão difícil imaginar como uma máquina composta de trilhões de peças móveis pode ser capaz de ser humana.

*Por Diógenes Henrique

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*Fonte: ciencianautas

Quanto tempo você acha que seu cérebro leva para reconhecer uma música? Errou!

Quanto tempo você acha que seu cérebro demora para reconhecer uma música familiar? Já adianto: é menos do que você espera.

Imagino que você pensa que leva alguns segundos ouvindo aquela canção que você adora no rádio para saber de qual se trata, mas, na verdade, segundo um estudo da Universidade College London (Reino Unido), seu cérebro precisa de menos de um único segundo.

Metodologia

Cinco homens e cinco mulheres participaram do estudo. Cada um informou cinco músicas familiares a eles.

Os pesquisadores, em seguida, escolheram uma das músicas para cada participantes, bem como procuraram uma segunda canção similar em ritmo, melodia, harmonia, vocais e instrumentação que não fosse familiar aos indivíduos.

Na próxima etapa, os participantes escutaram 100 pedaços de canções familiares e não familiares com menos de um segundo, em ordem aleatória.

Para medir sua resposta aos trechos, os cientistas utilizaram eletroencefalografia, que registra a atividade elétrica do cérebro, bem pupilometria, uma técnica que mede o diâmetro da pupila e é uma medida conhecida do nível de excitação de um indivíduo.

Resultados

As medidas indicaram que o cérebro humano precisa de apenas 100 microssegundos de som para reconhecer uma música familiar.

O tempo médio de reconhecimento foi de 100 a 300 microssegundos, conforme revelado pela dilatação rápida da pupila (ligada à excitação de ouvir uma canção conhecida) e pela ativação cortical do cérebro (área relacionada à memória).

Um grupo de controle de estudantes internacionais que não conhecia nenhuma das canções tocadas mostrou que não houve diferenças entre os trechos que eles ouviram, confirmando os resultados.

“Nossos resultados demonstram que o reconhecimento de músicas familiares acontece notavelmente rapidamente. Essas descobertas apontam para circuitos temporais muito rápidos e são consistentes com o domínio profundo que peças de música altamente familiares têm em nossa memória”, conclui a principal autora do estudo, a professora do Instituto do Ouvido da Universidade College London Maria Chait. [SciNews]

*Por Natasha Romanzoti

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*Fonte:

Quando você tiver um conflito, não dê ao ego para resolvê-lo, dê à alma

Não tomemos como ponto de partida o fato de que, em geral, todos os nossos conflitos são gerados precisamente pelo ego, com a dificuldade de aceitar tudo o que acontece conosco e de colocar a resistência entre ele e nós, sem nos dar a oportunidade de fluir com os nossos processos.

Vamos supor que o ego não tenha muito a ver com a geração do nosso problema e, a partir daí, avaliamos as diferenças entre abordá-lo da alma ou do ego.

Ao abordar qualquer problema com ego, encontraremos o seguinte:

Nossos pensamentos estarão focados no problema, não tardaremos muito para trazê-lo quantas vezes for necessário para pensar sobre como chegamos a esse ponto, os fatores envolvidos, as possibilidades de sair, quais estratégias devemos adotar. Todos os pensamentos associados ao problema gravitam ao redor, tornando impossível para nós ocupar nossa mente efetivamente em outra coisa.

O medo sempre estará presente, o medo de que não possamos resolver o conflito, ou até mesmo piorá-lo, o medo de perder alguma coisa ou parar de ganhar outra coisa.

A preocupação com o que dirão ocorrerá e imaginaremos a opinião dos outros, enquanto nossa imagem perde valor.

O sofrimento será inevitável, entre a preocupação e o desgaste físico e emocional, teremos uma interessante mistura de fatores que tornarão o trânsito mais complicado e cheio de dor.

Podemos ter soluções bem à frente, mas a ansiedade pode obscurecer nossa visão, tornando impossível considerar qualquer uma delas viável para sair do que nos preocupa.

Quando abordamos um problema a partir da alma, podemos encontrar o seguinte:

A confiança se faz presente, sabemos que o problema tem uma solução e que vamos alcançá-la.

Vemos qualquer conflito como uma possibilidade de crescimento e melhoria, de onde podemos resgatar qualquer coisa positiva que nos ajude a melhorar ou a nos conhecer.

Aceitar uma situação tira a conotação de que poderíamos lhe dar um problema e, com ela, a parcela de resistência ou negação, o que nos permite passar por cada episódio de uma perspectiva menos exaustiva.

Focamos na lição, não no sofrimento que nossa mente normalmente identifica e adota em cada situação, por mais inócua que possa parecer.

As soluções para o que pode nos afetar parecem ser apresentadas “magicamente”, temos nossos sentidos e pensamentos disponíveis para estar no presente e detectar os caminhos que são abertos para gerar as mudanças que precisamos fazer.

A calma prevalece, não saímos do controle, com a certeza de que, por nossa natureza, qualquer coisa perturbadora tenderá a desaparecer quanto menos atenção dermos.

Quando abordamos nossos problemas a partir da alma, podemos comparar a sensação com a de um gerente que tem a melhor equipe, onde ele deve apenas enviar um pedido de resolução e essa equipe dará a melhor resposta de maneira eficiente e diligente.

Nossa alma age como uma equipe eficiente, multidisciplinar, diligente e que, a partir de um sistema de ordem e relaxamento, resolve o conflito, sem que o gerente (nós) precise investir mais energia nele.

Confie na sua alma, ela sempre tem todas as respostas, faça o possível para ouvi-la, enquanto o seu ego grita muito alto. Feche os olhos e encontre no fundo de todo o barulho, aquela voz que calmamente indica o caminho e não hesite, ou questione, aprenda a ouvir sua verdadeira essência, carregada com toda a sabedoria que você precisa.

*Por Sara Espejo

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Como tirar uma música grudenta da cabeça

Todos nós já ficamos com alguma canção chata grudada na cabeça. Algo conhecido em inglês como “earworm” (“verme de ouvido”), é uma experiência irritante da qual não parecemos ter escapatória.

Mas a ciência tem algumas dicas para se livrar de músicas chiclete, como:

1. Feche os ouvidos

Em primeiro lugar, evite música. Não é algo fácil, claro, mas é preciso ser especialmente cuidadoso para não ouvir qualquer canção antes de ir para a cama, já que músicas chatas que grudam na cabeça interferem com o sono.

Tente não ouvir repetidamente a mesma música, ou ouvir músicas em si altamente repetitivas (como “Baby”, do Justin Bieber. E me desculpa por te lembrar disso).

Há também algumas evidências de que, se a música que está sendo ouvida é interrompida, continuamos a cantá-la mentalmente (algo conhecido como “efeito Zeigarnik”). Para evitar que isso aconteça, é aconselhável ouvir suas músicas até o fim, sempre.

2. Chiclete pra chiclete

A prevenção não é sempre possível. Logo, o que fazer para se livrar de pensamentos intrusivos musicais?

Um estudo recente afirma que a goma de mascar oferece uma solução simples. Em uma série de experimentos, os participantes que receberam chiclete relataram menos vermes de ouvido. Normalmente, o nosso aparelho vocal está envolvido em cantar – logo, diz a teoria que, quando os nossos queixos estão ocupados com outra coisa, a nossa capacidade de imaginar músicas é prejudicada.

Outra dica para frustrar músicas chiclete é andar em um ritmo muito mais rápido ou mais lento do que o da canção. Parece que formamos memórias relativamente precisas para o ritmo de músicas familiares.

Sabemos também que o movimento (por exemplo dançar, tocar, balançar junto) é um importante contribuinte. Ao usar o movimento do corpo para perturbar nossa memória musical, podemos interromper o fluxo e acabar com a repetição mental aparentemente automática.

3. Cante

Uma maneira popular de se envolver com a música é cantá-la. A pesquisa sugere que, se você é propenso a cantar todos os dias, é mais propenso a músicas chicletes que duram por um tempo relativamente longo também.

Mas você pode transformar isso em algo positivo e escolher uma canção boa, que seja um acompanhamento mental positivo para o seu dia.

Quando uma música chata grudar na cabeça, cante outra coisa, em voz alta. Pode ajudar também.

4. Ouça o seu humor

Uma extensa pesquisa apontou a importância do humor, estresse e estado emocional na ocorrência de músicas chiclete.

Há também algumas evidências de que quando imaginamos uma canção particular, o nosso humor se aproxima da maneira que nos sentimos quando realmente a ouvimos.

Mais pesquisas psicológicas são necessárias para entender se nós deliberadamente imaginamos música para regular nossas emoções. Entretanto, se o humor evocado por certas músicas em sua cabeça não corresponde ao seu estado emocional desejado, mude o disco (mental).

5. Telefone para um amigo

Para erradicar vermes de ouvido completamente, considere fazer uma outra atividade mental mais ou menos desafiadora. Sabemos que as atividades rotineiras e automáticas, como escovar os dentes, permitem que a mente vague – e que músicas chiclete grudem. Por outro lado, tarefas mentais muito exigentes (como fazer um trabalho da faculdade) também já foram associadas com canções chiclete.

Mas a mente raramente vaga quando socializamos; uma atividade que se encontra no meio do intervalo de “desafio mental”. Uma maneira potencialmente agradável de banir pensamentos musicais indesejados pode ser passar o tempo com os amigos, então.

6. Não tente tanto

Tentar controlar deliberadamente nossos pensamentos têm o efeito oposto. Se todas as suas tentativas de tirar uma música da cabeça falharam, nosso conselho final é parar de tentar e se distrair.

Vá fazer outra coisa, como assistir TV, e quando você menos esperar, a canção já sumiu. [ScienceAlert]

*Por Natasha Romanzoti

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*Fonte: hypescience

A simplicidade é a maior ostentação da vida!

Poucas são as pessoas que podem dar-se o luxo de viverem – e serem felizes- na simplicidade. Não é pra qualquer um.

Não é mesmo pra qualquer um, viver sem dar tanta importância ao que estão falando de você. Sem precisar TER para SER. Sem precisar SER, o tempo todo, algo à mais do que verdadeiramente se é.

Não é para qualquer um assumir-se. Simplesmente assumir-se, e não ter a necessidade de impressionar ninguém.

Assumir as origens; As escolhas (incluindo as erradas); Assumir que é normal, certas vezes, não ter grandes planos e ambiciosos projetos. Assumir que não gosta de lagosta ou pratos franceses, que prefere uma pizza e uma boa omelete; Que não curte praias badaladíssimas e que não almeja ser CEO de lugar nenhum e nem comprar um carro importado nos próximos meses.

Ser feliz com o que se tem é um risco tremendo. A maioria de nós (me incluo nessa) está sempre de olho no que ainda falta. Uma espécie de falsa “motivação” para os dias monótonos. A gente não se permite estar em paz e satisfeito com o que temos, pois achamos que desse jeito estagnaremos por completo.

Cuidado! Se você disse que não quer fazer MBA no exterior e que não precisa de um apartamento de alto valor, será chamado de falso e hipócrita pelos “yupies” modernos. Essa geração que não se importa em vivenciar nada, de fato, que só se importa em ganhar, contra o próprio ego, a disputa de “ quem tem mais”. Onde o objetivo nunca foi ser realmente feliz, e sim, causar “Inveja” nos demais, para quem sabe dessa forma compensar suas frustrações pessoais.

A simplicidade é a maior ostentação dessa vida.

Não é todo mundo que conquista isso.

Quem descobrir o quão divino e delicioso pode ser um café da manhã em casa num domingo qualquer, com pão fresquinho, bolo caseiro e uma xícara de café, descobrirá a porta para a verdadeira felicidade.

E eu não estou falando de riqueza ou pobreza. Estou falando do luxo da singeleza. Do inestimável preço de alegrar-se com chuva na janela de manhã cedo.

Com um bichinho fazendo graça na rua… Com a alegria de escutar, várias vezes, a sua música predileta enquanto caminha pro trabalho.

Estou falando da magnificência que é, fazer o teu amor sorrir num dia conturbado. Em tomar um cappuccino bem quente num dia frio e nublado. Do entusiasmo ímpar de matar a vontade de um beijo apaixonado.

Troco todo o meu ouro por uma paixão fugaz! Porque da escassez do ouro a gente se refaz, de um amor perdido… Jamais.

Feliz não é quem acorda necessariamente num palácio em lençóis de seda, pra mim, feliz é quem acorda a hora que quer e com quem se ama do lado.

Do que adianta ser escravo de um trabalho que te paga muito, mas que te cobra muito mais? Que te cobra TEMPO, o bem mais precioso aqui na Terra. Que te dá status e te faz perder a apresentação da tua filha no colégio. Que te dá “sucesso”, mas te tira o sono. Que te dá muito dinheiro e muita dor de cabeça; Que te dá conforto, mas que te leva a LIBERDADE?

Pompa mesmo é quem pode tomar uma água de coco, sem pressa, de chinelo, às 3 da tarde…

Nos vendemos por tão pouco. Somos tão baratos que só pensamos em dinheiro. Dispensamos aquilo que de tão valioso, não está à venda. Amor genuíno; Amizade de infância; Colo materno. Historinhas para as crianças, antes de dormir… Ensinar o seu filho a fazer panquecas. A gente sobrevive a um colégio mediano e a roupas velhas, mas raramente nos refazemos de pais ausentes e caros presentes, sem ternura alguma. A gente vive bem sem ir a Paris 1 vez por ano, mas não se vive bem sem arroz, feijão e o pão nosso de cada dia. Aprendamos a agradecer por isso.

Conheço mansões sem capricho algum e sem parecer conter uma alma dentro, e já tive a sorte de estar em casas simplórias com muito esmero e que me acolheram, muito melhor que hotéis 5 estrelas.

Como é bom colher flores e colocar num vasinho, como é bom chegar cansado em casa e encontrar um bilhetinho. Como é fantástico chegar tarde e ver que alguém deixou o teu jantar pronto, separado e quentinho.

Cobrir quem amamos numa madrugada fria; Fazer planos com o teu melhor amigo da faculdade, para uma viagem que nem sabemos se ao menos faremos, um dia.

Como é bom acordar com o canto dos passarinhos! Regar o jardim! Sorrir pra um bebê e vê-lo sorrir de volta. Como é bom saber que temos em casa alguém que nos ama, nos esperando para abrir a porta…

O esplendor da vida se dá na sutileza cotidiana de pequenos oásis tímidos, abscônditos em um mar de infinitas grandezas.

Ache os seus.

*Por Bruna Stamato

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*Fonte: osegredo

Toda raiva vem de uma dor… qual é a sua?

Toda raiva vem de uma dor… qual é a sua?

Toda vez que algo nos incomoda precisamos perguntar: “por que isso me afeta tanto”?
Toda vez que alguém nos causa desconforto devemos perguntar: “que parte de mim se assemelha tanto a essa pessoa que eu não suporto ver”?

A vida é ressonância… é energia… é ação e reação… é atração!

Quantas vezes julgamos pessoas e atitudes e agimos da mesma forma?

Quantas vezes somos agressivos para nos defender de sentimentos que não sabemos trabalhar.

Quantas vezes agimos, repetindo padrões de pais, mães, tios ou avós que nós mesmos condenamos?

Quantas vezes desejamos fazer diferente, ser diferente mas simplesmente não conseguimos?

Quantas crenças limitantes nos impedem de ressignificar nossa vida diária?

Quantas vezes nos sentimos presos a padrões de comportamento que desejamos muito mudar?

Sabe a velha história dos lobos?

Cada um de nós carrega dentro de si 2 lobos.
Um é amoroso, generoso e gentil… O outro é raivoso, inconsequente e egoísta.
Todos carregamos ambos dentro de nós… somos assim.
Qual lobo será seu guia?
A resposta é: Aquele que você verdadeiramente alimentar!!!

Quando reconhecemos nossos 2 lobos passamos a nos aceitar. Somos bons, ruins, solidários, egoístas.

Somos o melhor e o pior.
Somos gente, demasiadamente humanos.
Mas quando reconhecemos nossa dor já estamos diante da nossa cura interior!

E você? Enxerga a sua dor?


*Por Roberta França

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*Fonte: seuamigoguru

Pessoas que falam palavrão são mais felizes, íntegras e têm QI mais alto, sugerem estudos

Você pode até julgar e olhar feio para pessoas que falam palavrões constantemente, mas saiba que elas podem ser mais íntegras, inteligentes e felizes do que você. E quem diz isso, acredite, é a ciência.

Pessoas que falam palavrão são mais inteligentes

Um estudo realizado em 2015 descobriu que indivíduos que têm o hábito de falar palavrão apresentam um Q.I. maior. Conseguir distribuir xingamentos pelo maior número de vezes em um intervalo de um minuto estava ligado a uma pontuação mais elevada em um teste de Quociente de Inteligência.

Isso porque, de acordo com a pesquisa, um vasto vocabulário de palavrões seria sinal de força retórica, ou seja, boa capacidade de argumentação e formulação de ideias. O mesmo levantamento mostrou que quem é bagunceiro e dorme tarde também tinha melhores avaliações nos testes.

Quem fala palavrão é mais honesto e íntegro

De acordo com uma pesquisa feita com 276 participantes, pessoas que falam palavrão são mais honestas e íntegras do que aquelas que não costumam usar palavras chulas no cotidiano.

O levantamento observou que as pessoas tendem a falar palavrões mais como uma forma de se expressar do que uma maneira de prejudicar o próximo e que a honestidade foi associada a níveis mais altos de xingamentos nos experimentos realizados com os voluntários.

Pessoas que xingam são mais felizes

Por fim, é possível dizer com base em um outro trabalho científico, que falar palavrão faz com que uma pessoa seja mais feliz no geral. Isso porque o hábito tem efeito direto no alívio de dores, favorece a expressão de sentimentos, promove conexões sociais e melhora da saúde física e mental.

Segundo o estudo, xingar melhora a circulação sanguínea, eleva a liberação de endorfinas e promove sensação de calma, controle e bem-estar.

*Por Paulo Nobuo

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*Fonte: vix