A revolução do acesso aberto

O acesso ao conhecimento pode ser muito caro. Cientistas que querem uma grande relevância para suas pesquisas são obrigado a tentar publicar em revistas científicas de grande impacto, com destaque para as editoras Nature e Elsevier. Grande parte das revistas de renome são pagas, cujos preços são muitas vezes abusivos. Até mesmo o Ciencianautas é afetado, quando restringido ao acesso de determinada pesquisa pelo preço, e impossibilitado, portanto, de escrever sobre tal pesquisa.

Uma pesquisa científica demanda muitas referências e fontes, ou seja, estudos de outras pesquisas, que também podem ser de acesso pago. Nenhum pesquisador ou aluno universitário pode bancar tanto acesso à revistas científicas. No Brasil, a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), uma fundação do Ministério de Educação, que atua no fomento à pesquisa científica, paga para todos os universitários (alunos, professores, pesquisadores) o acesso às principais revistas científicas do mundo, com mais de 45 mil títulos disponíveis.

Mesmo com a CAPES pagando por boa parte dos acessos, as universidades precisam pagar outros títulos para atender suas necessidades. Na proposta orçamentária da USP para 2019, a previsão de gastos com periódicos é de 6 milhões de reais, por exemplo.

Os altos preços são polêmicos e injustos porque as editoras não financiam pesquisas, não pagam aos autores e nem mesmo pela revisão, que é tradicionalmente feita de forma voluntária pelos acadêmicos. A editora tem, basicamente, o trabalho de administrar a revisão, fazer a formatação do artigo e publicar (imprimir ou hospedar) o artigo. Os altos preços são, portanto, insustentáveis. As margens de lucro são altíssimas — em 2013, a média da margem de lucro das editoras científicas era de 38,9%, maior do que os 29%, no mesmo ano, de um dos maiores bancos do mundo, o Banco Industrial e Comercial da China, como mostra um estudo publicado em 2015 que aponta para um Oligopólio das editoras científicas.

Como se não bastasse, muitas vezes, as pesquisas são financiadas com dinheiro público, ou seja, de impostos. A maior parte dos cientistas não concordam com esses abusos, mas são encurralados pelo ciclo vicioso, já que o renome das revistas são muitas vezes necessários para o impacto das pesquisas. Mesmo assim, muitos boicotes são feitos às editoras, como o recente rompimento da gigante Universidade da Califórnia com a Elsevier, a maior editora científica do mundo. Outras universidades pelo mundo já haviam tomado medidas parecidas.
“O conhecimento não deve ser acessível apenas para aqueles que podem pagar”, disse Robert May, presidente do Senado Acadêmico da Universidade da Califórnia. “A busca pelo acesso aberto total é essencial para que possamos realmente defender a missão desta universidade.”

Ultimamente, o número e o impacto das revistas de acesso aberto estão crescendo. Além disso, são vários os repositórios de artigos científicos na internet, como por exemplo o Cruesp (Repositório da Produção Científica do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), que reúne trabalhos científicos publicados por pesquisadores da USP, Unicamp e Unesp.

Segundo o relatório Analytical Support for Bibliometrics Indicators – Open access availability of scientific publications, de 2018, o Brasil lidera em número de publicações em revistas de acesso aberto, com uma taxa de 75%. Um enorme contribuidor disso é o SciELO, uma biblioteca digital brasileira criada em uma parceria entre a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo) e o Bireme, (Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde), e que conta com a participação de diversos países.

Há diversas iniciativas, muitas internacionais, que visam acelerar a transição para o acesso aberto à publicações científicas. O Plan S, por exemplo, determina que todos os artigos acadêmicos resultantes de pesquisas financiadas por membros da coAllition S devem ser publicados em acesso aberto imediato a partir de 1° de janeiro de 2020, e propõe que pesquisas financiadas com dinheiro público também sejam publicadas nessa modalidade. Lançada em 2016 pela Max Planck Society, a OA2020, outra iniciativa do tipo, já conta com 136 organizações signatárias.

“O Plan S não defende um modelo específico, mas apenas determina o acesso imediato aos resultados de pesquisa”, disse à Pesquisa FAPESP o holandês Robert-Jan Smits, conselheiro sênior em Acesso Aberto da Comissão Europeia. “Acreditamos que a iniciativa contribuirá para o surgimento de novos periódicos de acesso aberto com qualidade. Isso ocorrerá gradualmente.”

As grandes editoras já estão se movimentando. Em 2016 a Elsevier adquiriu o repositório SSRN (Social Science Research Network).

Um gigante repositório, Sci-Hub, com mais de 60 milhões de artigos, publica com ajuda de acadêmicos de todo o mundo até mesmo artigos protegidos com direitos autorais, das grandes editoras, o que se encaixa como pirataria. Em 2017, a Corte de Nova York determinou que o Sci-Hub e o Library Genesis paguem mais de 15 milhões de dólares à Elsevier por violação de direitos autorais. Em 2016, a própria Nature, uma das editoras mais pirateadas pelo Sci-Hub, elegeu Alexandra Elbakyan, criadora do repositório, como umas das 10 pessoas mais importantes no ano.

Os preprints — artigos ainda não editados pelas editoras — também fazem sucesso. Um dos principais repositórios de preprints é o ArXiv, lançado em 1991.

“O acesso aberto estimulará uma pesquisa mais rápida e melhor – e maior equidade global de acesso a novos conhecimentos”, diz Ivy Anderson, diretora executiva associada da Biblioteca Digital da Califórnia, da Universidade da Califórnia.

*Por Felipe Miranda

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*Fonte: ciencianautas

Cientistas demonstram comunicação direta cérebro a cérebro em humanos

Uma nova pesquisa da Universidade de Washington e da Universidade Carnegie Mellon (EUA) desenvolveu uma tecnologia que substitui a linguagem como forma de comunicação, ligando diretamente os cérebros de três pessoas.

A atividade elétrica do cérebro de duas delas serviu como sinal para uma terceira completar uma tarefa, sem que elas tivessem contato umas com as outras.

“Internet de cérebros”

Esse não é o primeiro estudo que testa a comunicação direta entre cérebros.

Um dos pesquisadores líderes desse campo, Miguel Nicolelis, por exemplo, conduziu um experimento que ligou o cérebro de vários ratos criando uma rede ou um “computador orgânico” complexo. Os roedores tinham atividade cerebral sincronizada e se saíam melhor em tarefas do que animais individuais.

Será que o mesmo pode ser feito com seres humanos, ou seja, uma rede de cérebros conectados que funcionam como um supercomputador biológico?

O estudo

No novo estudo, três seres humanos em salas separadas colaboraram uns com os outros em jogo do tipo Tetris, no qual deveriam orientar os blocos para encaixá-los. Dois indivíduos agiam como “enviadores” de sinais (estes podiam ver o jogo), e um como “recebedor” (este só tinha que escolher a orientação).

Os “enviadores” estavam conectados à eletroencefalogramas (EEGs). Para passar a mensagem ao “recebedor” sobre a orientação do bloco, focavam em um flash de luz a determinada frequência. As diferenças nas frequências causavam diferentes respostas cerebrais.

Um pulso magnético era enviado ao “recebedor” usando estimulação magnética transcraniana (EMT). Dependendo do sinal, ele virava ou não o bloco. A partir desse momento, todos viam o resultado do jogo, o que deixava os “enviadores” saberem se o “recebedor” fez o movimento certo, medindo assim a eficácia da comunicação. O trio podia em seguida podia tentar melhorar sua performance.

Para aumentar o desafio, os pesquisadores às vezes adicionavam alguma “interferência” ao sinal enviado pelos “enviadores”. Nesse caso, os “recebedores” ficavam confusos com as informações ambíguas. Rapidamente, no entanto, eles aprendiam a identificar e seguir as instruções mais confiáveis.

Ao todo, cinco grupos de indivíduos foram testados na rede chamada de “BrainNet,” e tiveram mais de 80% de eficácia em completar a tarefa.

Avanços

Esse é o primeiro estudo no qual os cérebros de vários indivíduos foram conectados diretamente de uma forma não invasiva. A quantidade de pessoas que podem ser “ligadas cerebralmente” dessa forma é ilimitada.

Apesar disso, a informação sendo compartilhada era muito simples: uma instrução do tipo “fazer ou não fazer”, ou seja, “sim ou não”.

Ao mesmo tempo, outras interfaces cérebro-cérebro mais invasivas estão sendo desenvolvidas, como uma patrocinada pelo bilionário do mundo tecnológico Elon Musk, contendo um implante com 3.000 eletrodos, e outra financiada pela DARPA (a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA), uma tecnologia capaz de acionar um milhão de células neurais simultaneamente.

Questões éticas

Apesar deste estudo ser menos invasivo que outros como o da DARPA, também levanta preocupantes questões éticas.

Por exemplo, poderia uma interface ou rede cerebral deste tipo ser usada para coagir uma pessoa a fazer algo que não queira, invadindo o seu senso de agência? Poderia ser usada para extrair informações confidenciais, invadindo a privacidade do indivíduo? De forma geral, poderia atrapalhar o senso pessoal (senso do “eu”) de um ser humano?

Uma das nuances da linguagem humana é que aquilo que não é dito é frequentemente mais importante do que aquilo que é dito. Se tais redes se tornarem comuns e permitirem toda uma “abertura” descontrolada de pensamentos e trocas de informações, talvez os benefícios se mostrem menores do que os prejuízos: é o nosso senso de autonomia individual que pode estar jogo.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Nature. [ScientificAmerican]

*Por Natasha Romanzoti

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*Fonte: hypescience

Palavrões começaram como termos inocentes

A maioria dos palavrões nasceu de termos inofensivos e utilitários que, por metáfora ou outras formas mais convolutas, acabaram designando coisas obscenas, tabus em conversas educadas.

Um bom exemplo é caralho, usada hoje como sinônimo de pênis ou como interjeição para demonstrar espanto. O termo vem do latim characulu, diminutivo de kharax ou charax, palavra grega que significa estaca ou pau (esta, aliás, uma palavra ainda com o sentido original, mas em vias de se tornar um palavrão). “Ele passou a ser usado para designar o membro do touro na Antiguidade”, diz o jornalista Luiz Costa Pereira Junior, autor de Com a Língua de Fora – A Obscenidade por Trás de Palavras Insispeitas e a História Inocente de Termos Cabeludos. Daí, pra virar sinônimo de pênis em geral foi um pulo.

Já boceta, hoje sinônimo de vagina, tem origem no latim buxis, caixa de buxo — buxo, por sua vez, é uma árvore. “As gregas e romanas tinham preferência por essa madeira para suas pequenas caixas em que guardavam objetos de valor”, afirma Luiz. Logo, com a evolução da língua, elas foram chamadas de bocetas. Há registros do termo associado ao órgão feminino em poemas portugueses do século 18. A associação se deve ao fato de ele ser o lugar em que está o tesouro da mulher.

Porra, termo empregado hoje quando algo dá errado ou como sinônimo de esperma, designava uma arma de guerra medieval: era um bastão de madeira com ponta protuberante, cravejada de lanças de metal. O instrumento foi associado ao membro masculino e, com o passar do tempo, ao sêmen.

Em latim, putta é menina. Ainda hoje, em Portugal, putinhos quer dizer crianças pequenas (enquanto puta, no feminino, é como aqui). Além do português, o sentido sexual existe em espanhol, francês e italiano. Como isso aconteceu é um mistério. Uma versão sobre a origem da palavra, popular sobretudo na Espanha, fala da deusa Puta, uma das divindades agrícolas romanas, responsável pela poda (puta, em latim). No dia em que podavam as árvores, as sacerdotisas exerceriam a prostituição sagrada em honra à deusa. Com o passar do tempo, o nome da deusa virou sinônimo de prostituta. Mas muitos linguistas desconfiam que é só uma etimologia popular, invenção do povo.

Outros palavrões mantém seu sentido original — em alguns casos, desde o Império Romano. Foda vem de futuo, fazer sexo (ativo). Cu é uma versão encurtada do latim culum, que, neste caso, sempre quis dizer a mesma coisa. Em Portugal, ela vale para o todo. No Brasil, só para o centro, porque para o que vai em volta existe bunda —

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*Fonte: aventurasnahistoria

Hiperpoliglotas: como funciona a cabeça de quem fala dezenas de idiomas

Ler Dostoiévski em português é para os fracos. Carlos Freire queria devorar Crime e Castigo e outros clássicos russos no original. Aos 20 anos, ele mergulhou nos livros e se mudou para a casa de uma família russa em Porto Alegre. Em poucos meses, dispensou os tradutores. E não era seu primeiro idioma estrangeiro. Logo cedo, a proximidade com o Uruguai o deixou afiado no espanhol. Depois, aprendeu francês, latim e inglês. O caminho da faculdade era claro: Letras.

“Quanto mais idiomas você sabe, mais fácil aprender outros. Os 10 primeiros são os mais difíceis”, diz. Sim, 10. Aos 80 anos, Freire já estudou 135 línguas – de japonês a esperanto. É mais do que o padre italiano Giuseppe Mezzofanti, que ficou notório no século 18 por ouvir confissões na língua nativa dos estrangeiros. Especula-se que ele falava entre 61 e 72 idiomas e lia em 114.

Os dois integram um seleto time de pessoas que conseguem aprender dezenas de idiomas. Não são só poliglotas. Quem é fluente em mais de 6 línguas tem um título maior: hiperpoliglota. O termo foi definido em 2003 pelo linguista britânico Richard Hudson.

Ao estudar comunidades poliglotas, ele descobriu que o número máximo de idiomas falados em comum por todos os moradores é 6. Ainda não se sabe o motivo exato de serem 6 línguas. O que se sabe é que os hiperpoliglotas são diferentes de bilíngues ou meros falantes de 3 ou 4 línguas. E que os limites do cérebro deles podem ajudar a ciência a buscar os limites do nosso cérebro.

Idade é tudo

Mezzofanti entrou na escola aos 4 anos, onde aprendeu 3 idiomas. Aprender línguas na infância faz toda a diferença. Após a puberdade, os hormônios dificultam a reprodução de um sotaque mais autêntico. Se você aprende francês após os 14 anos, por mais que estude, provavelmente vai soar como um “brasileiro fluente em francês” – mas não como um francês.

Vários estudos comprovaram essa tese. Um deles selecionou 46 adultos chineses e coreanos que moraram nos Estados Unidos em diferentes fases da vida. Os que chegaram ao país até os 7 anos tiveram resultados semelhantes aos de nativos. Quem chegou aos EUA com mais de 15 anos teve desempenho pior.

Isso ocorre porque, com o tempo, o cérebro parece endurecer. Conforme crescemos, ele forma estruturas neurais confiáveis para orientar as ações que tomamos. É uma base de conhecimento que guia as experiências e responde às situações do dia a dia. À medida que mais estruturas neurais se formam, o cérebro perde flexibilidade. E ela é importante para aprender coisas complexas, como falar uma língua.

Pesquisadores acreditam que os hiperpoliglotas conseguem prolongar essa plasticidade. “Eles são como um experimento natural sobre os limites humanos”, diz Michael Erard, linguista e autor do livro recém-lançado Babel no More (inédito em português). Não é de se estranhar, portanto, que ainda hoje Freire mantenha o ritmo de aprender de dois a 3 idiomas por ano.

Falar pode parecer um ato simples, mas exige várias tarefas do cérebro: percepção auditiva, controle motor, memória semântica, sequenciamento de palavras. Para assimilar um novo idioma, o cérebro precisa entender as estruturas do som e das palavras. E, até chegar a isso, o aprendizado percorre um longo caminho pelos hemisférios esquerdo e direito do cérebro (veja mais na pág. 31).

Com vários pontos de parada, não é difícil perceber a complexidade disso tudo. E cada coisa nova que se aprende (como tocar um instrumento musical) não percorre exatamente o mesmo caminho. Já se sabe que aprendemos melhor uma língua na infância. Mas essa vantagem da juventude não se estende, necessariamente, a todos os outros aprendizados da vida. Ser um gênio no piano porque começou a tocar aos 5 anos pode não ter nada a ver com plasticidade.

“Não importa a idade, dizem que você precisa de 10 mil horas para tocar bem um instrumento. Ou seja, tocar melhor porque aprendeu aos 5 anos pode ser apenas uma vantagem incidental, porque teve mais tempo para estudar”, diz Diogo Almeida, professor de psicologia da Universidade de Nova York e especialista em linguística. Ou seja, por mais que hiperpoliglotas consigam adiar o enrijecimento do cérebro, a maior contribuição deles para a ciência é outra – e um tanto mais óbvia: acúmulo de conhecimento. Memória.

Aprender dezenas de línguas não é o mesmo que ser fluente em várias ao mesmo tempo. O americano Gregg Cox, citado no Guinness Book como “o maior linguista vivo” (64 línguas e 11 dialetos) conseguia se comunicar em apenas 7 idiomas ao mesmo tempo. Freire encarou um desafio maior em Moscou. Durante uma reunião com estrangeiros, teve de falar em 10 idiomas diferentes. E conseguiu. Michael Erard realizou uma pesquisa com 172 hiperpoliglotas e constatou que a maioria pode manter de 5 a 9 línguas ativas na memória.

As outras ficam guardadas em outra área, a memória de longo prazo, como se fossem arquivos comprimidos no computador. O conhecimento está lá, mas não pode ser acionado instantaneamente. Leva um tempo para reabri-los. Freire, por exemplo, explica que, para relembrar um idioma, ele precisa de uma semana de estudo.

“É possível ativar mais línguas, mas exigiria um tremendo esforço”, diz Erard. “Além do mais, essas pessoas têm outras coisas para fazer”. Quem volta do exterior falando outra língua em vez de português já passou por algo semelhante. Há uma reprogramação no cérebro. Agora imagine conversar em 10 idiomas ao mesmo tempo. Pois é.

Caixa elástica

Quando Freire saiu de um diálogo em russo para conversar em alemão, seu córtex pré-frontal mudou a chave da linguagem. Essa área do cérebro conta com a ajuda da memória ativa. A quantidade de línguas que um hiperpoliglota controla ao mesmo tempo dá uma dimensão do espaço da memória ativa. E, apesar de treino, expandir essa caixa não parece muito possível. Informações novas chegam, velhas vão para a memória de longo prazo. Ou somem.

Se por um lado a memória ativa guarda relativamente pouca coisa, a memória de longo prazo tem um espaço maior. E mais flexível. Na pesquisa de Erard, os entrevistados conseguiam, em média, aprender 30 idiomas. Perto das façanhas de Freire, Cox e Mezzofanti, parece pouco. Mas é aí que outros pontos entram em cena.

O primeiro é a genética. Segundo cientistas da Universidade de Münster, na Alemanha, a habilidade em aprender idiomas envolve diferenças genéticas nos neurotransmissores do hipocampo, a área que transforma informações temporárias em permanentes. As filhas de Freire, por exemplo, falam mais de 3 línguas. Têm facilidade, mas nunca quiseram aprender mais. E motivação é fundamental.

Freire aprendeu novas línguas porque queria ler os clássicos sem encarar tradutores. Mezzofanti usava a facilidade com idiomas dentro da religião – diz a lenda que ele, uma vez, aprendeu um novo idioma, em menos de um mês, apenas para ouvir a última confissão de um homem condenado à morte. A genética ajuda, mas o fator determinante é outro: a velha e batida vontade de aprender.

O jornalista americano Joshua Foer comprovou isso. Ele foi desafiado a fazer um treinamento intensivo para participar de um campeonato de memorização nos EUA. Foer era péssimo para lembrar coisas simples (onde deixou as chaves, por exemplo). Topou o desafio e, um ano depois, ganhou o campeonato. Basicamente, ele aprendeu a organizar as informações no cérebro e a traçar caminhos para encontrá-las.

Freire faz o mesmo. Há 50 anos, ele dedica pelo menos 3 horas diárias de estudo, com uma meta em mente: aprender 3 idiomas por ano. Essas pessoas mostram que é possível expandir a capacidade de guardar informações na caixinha de longo prazo, sem precisar de um QI acima da média. Se a memória ativa mostra um limite pouco mutável, a memória de longo prazo parece aumentar de acordo com a vontade de cada um. Mas, afinal, qual a vantagem em guardar tanta coisa?

Memória para quê?

Freire lê romances no original e ganha dinheiro com tradução e aulas. A neurocientista Ellen Bialystock, da Universidade de York, no Canadá, afirma que pessoas que falam mais línguas apresentam maior capacidade de concentração e se tornam mais distantes do Mal de Alzheimer. Ela estudou casos de 211 pacientes e concluiu que os bilíngues adiaram os sintomas da doença em até 5 anos, quando comparados a um monolíngue. Eles mantêm o cérebro ativo.

Mas com a internet no bolso e várias maneiras tecnológicas de guardar e acessar informação, qual é a utilidade prática da memorização? Precisamos decorar menos informações. E a nossa cabeça já está mudando. Estudos indicam que o Google modificou a memória das pessoas: deixamos de decorar quando sabemos que há uma fonte externa de armazenamento de informação. Pare e pense: quantos números de telefone você sabe de cor? Provavelmente bem menos do que sabia antes da popularização das agendas nos celulares.

“Tornamo-nos dependentes dela [dessa fonte externa] no mesmo nível que somos dependentes de todo o conhecimento que recebemos dos amigos. Aí, perder a conexão parece perder um amigo”, diz o estudo. Ficamos apegados ao fato de que a tecnologia aumenta exponencialmente o acesso a informação e conhecimento. A internet parece cuidar cada vez mais disso. Expandir a memória é difícil, mas possível. O desafio maior é querer.

*Por Carol Castro

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*Fonte: superinteressante

A revolução do acesso aberto

O acesso ao conhecimento pode ser muito caro. Cientistas que querem uma grande relevância para suas pesquisas são obrigado a tentar publicar em revistas científicas de grande impacto, com destaque para as editoras Nature e Elsevier. Grande parte das revistas de renome são pagas, cujos preços são muitas vezes abusivos. Até mesmo o Ciencianautas é afetado, quando restringido ao acesso de determinada pesquisa pelo preço, e impossibilitado, portanto, de escrever sobre tal pesquisa.

Uma pesquisa científica demanda muitas referências e fontes, ou seja, estudos de outras pesquisas, que também podem ser de acesso pago. Nenhum pesquisador ou aluno universitário pode bancar tanto acesso à revistas científicas. No Brasil, a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), uma fundação do Ministério de Educação, que atua no fomento à pesquisa científica, paga para todos os universitários (alunos, professores, pesquisadores) o acesso às principais revistas científicas do mundo, com mais de 45 mil títulos disponíveis.

Mesmo com a CAPES pagando por boa parte dos acessos, as universidades precisam pagar outros títulos para atender suas necessidades. Na proposta orçamentária da USP para 2019, a previsão de gastos com periódicos é de 6 milhões de reais, por exemplo.
Publicidade

Os altos preços são polêmicos e injustos porque as editoras não financiam pesquisas, não pagam aos autores e nem mesmo pela revisão, que é tradicionalmente feita de forma voluntária pelos acadêmicos. A editora tem, basicamente, o trabalho de administrar a revisão, fazer a formatação do artigo e publicar (imprimir ou hospedar) o artigo. Os altos preços são, portanto, insustentáveis. As margens de lucro são altíssimas — em 2013, a média da margem de lucro das editoras científicas era de 38,9%, maior do que os 29%, no mesmo ano, de um dos maiores bancos do mundo, o Banco Industrial e Comercial da China, como mostra um estudo publicado em 2015 que aponta para um Oligopólio das editoras científicas.

Como se não bastasse, muitas vezes, as pesquisas são financiadas com dinheiro público, ou seja, de impostos. A maior parte dos cientistas não concordam com esses abusos, mas são encurralados pelo ciclo vicioso, já que o renome das revistas são muitas vezes necessários para o impacto das pesquisas. Mesmo assim, muitos boicotes são feitos às editoras, como o recente rompimento da gigante Universidade da Califórnia com a Elsevier, a maior editora científica do mundo. Outras universidades pelo mundo já haviam tomado medidas parecidas.
“O conhecimento não deve ser acessível apenas para aqueles que podem pagar”, disse Robert May, presidente do Senado Acadêmico da Universidade da Califórnia. “A busca pelo acesso aberto total é essencial para que possamos realmente defender a missão desta universidade.”
Publicidade

Ultimamente, o número e o impacto das revistas de acesso aberto estão crescendo. Além disso, são vários os repositórios de artigos científicos na internet, como por exemplo o Cruesp (Repositório da Produção Científica do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), que reúne trabalhos científicos publicados por pesquisadores da USP, Unicamp e Unesp.

Segundo o relatório Analytical Support for Bibliometrics Indicators – Open access availability of scientific publications, de 2018, o Brasil lidera em número de publicações em revistas de acesso aberto, com uma taxa de 75%. Um enorme contribuidor disso é o SciELO, uma biblioteca digital brasileira criada em uma parceria entre a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo) e o Bireme, (Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde), e que conta com a participação de diversos países.

Há diversas iniciativas, muitas internacionais, que visam acelerar a transição para o acesso aberto à publicações científicas. O Plan S, por exemplo, determina que todos os artigos acadêmicos resultantes de pesquisas financiadas por membros da coAllition S devem ser publicados em acesso aberto imediato a partir de 1° de janeiro de 2020, e propõe que pesquisas financiadas com dinheiro público também sejam publicadas nessa modalidade. Lançada em 2016 pela Max Planck Society, a OA2020, outra iniciativa do tipo, já conta com 136 organizações signatárias.

“O Plan S não defende um modelo específico, mas apenas determina o acesso imediato aos resultados de pesquisa”, disse à Pesquisa FAPESP o holandês Robert-Jan Smits, conselheiro sênior em Acesso Aberto da Comissão Europeia. “Acreditamos que a iniciativa contribuirá para o surgimento de novos periódicos de acesso aberto com qualidade. Isso ocorrerá gradualmente.”

As grandes editoras já estão se movimentando. Em 2016 a Elsevier adquiriu o repositório SSRN (Social Science Research Network).
Publicidade

Um gigante repositório, Sci-Hub, com mais de 60 milhões de artigos, publica com ajuda de acadêmicos de todo o mundo até mesmo artigos protegidos com direitos autorais, das grandes editoras, o que se encaixa como pirataria. Em 2017, a Corte de Nova York determinou que o Sci-Hub e o Library Genesis paguem mais de 15 milhões de dólares à Elsevier por violação de direitos autorais. Em 2016, a própria Nature, uma das editoras mais pirateadas pelo Sci-Hub, elegeu Alexandra Elbakyan, criadora do repositório, como umas das 10 pessoas mais importantes no ano.

Os preprints — artigos ainda não editados pelas editoras — também fazem sucesso. Um dos principais repositórios de preprints é o ArXiv, lançado em 1991.

“O acesso aberto estimulará uma pesquisa mais rápida e melhor – e maior equidade global de acesso a novos conhecimentos”, diz Ivy Anderson, diretora executiva associada da Biblioteca Digital da Califórnia, da Universidade da Califórnia.

*Por Felipe Miranda

 

 

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*Fonte: ciencianautas

Contra fake news, WhatsApp limita reenvio de mensagens

Usuários poderão reenviar uma mensagem a no máximo cinco pessoas ou grupos por vez e não mais a 20. Objetivo é dificultar disseminação de notícias falsas e boatos.

O serviço de mensagens WhatsApp passou a limitar para cinco o número de contatos a que um usuário pode re-encaminhar uma mensagem por vez. A medida anunciada nesta segunda-feira (21/01) é uma tentativa de combater a disseminação de notícias falsas e boatos, segundo executivos do serviço, que pertence ao Facebook.

“Estamos impondo um limite de cinco mensagens em todo o mundo a partir de hoje”, disse Victoria Grand, vice-presidente de comunicações do WhatsApp, durante um evento em Jacarta, na Indonésia.

Antes do anúncio, um usuário do WhatsApp podia reencaminhar uma mensagem para até 20 outros usuários ou grupos.

O limite de cinco expande para todo o mundo uma medida que o WhatsApp já havia colocado em prática na Índia em julho, depois que boatos disseminados em redes sociais acabaram provocando assassinatos e tentativas de linchamento no país.

O WhatsApp vai oferecer uma atualização para ativar o novo limite a partir desta segunda-feira, afirmou o diretor de comunicações do serviço, Carl Woog. Os usuários de dispositivos Android devem receber essa atualização primeiro. Depois será a vez dos usuários de aparelhos da Apple.

O WhatsApp tem 1,5 bilhão de usuários. Nos últimos anos, o aplicativo desempenhou um papel de destaque em vários acontecimentos políticos, como as eleições brasileiras de 2018 e a greve dos caminhoneiros no mesmo ano.

O WhatsApp foi criticado pela falta de mecanismos para impedir a disseminação de notícias falsas, fotos manipuladas, vídeos fora de contexto e boatos transmitidos por mensagens de áudio.

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*Fonte: dw

Brasil tem a maior carga tributária do mundo sobre internet fixa e móvel

Um estudo da União Internacional de Telecomunicações (UIT) confirmou que o Brasil tem a maior carga tributária do mundo sobre os serviços de internet fixa e móvel.

A pesquisa, intitulada Measuring the Information Society Report, indica que o percentual de tributos no Brasil, de acordo com o levantamento, é de 40%, bem acima da média mundial que é de 16%. O estudo leva em conta a carga tributária de 162 países.

O documento aponta que essa carga tributária representa um peso enorme no preço dos serviços, dificultando principalmente o acesso de pessoas com rendas mais baixas da população.

A UIT afirma que o setor de telecomunicações já vem alertando para o impacto negativo da carga tributária para o consumidor. Os usuários dos serviços de telecomunicações recolhem anualmente cerca de R$ 60 bilhões em tributos, o que representa o pagamento de R$ 7 milhões por hora em impostos e taxas. Só de fundo setoriais, em 2017 foram recolhidos cerca de R$ 5 bilhões e apenas 8% desses recursos foram utilizadas em benefício dos usuários dos serviços.

A entidade defende ainda que a carga tributária brasileira tem que ser revista, especialmente para novos serviços, como a Internet das Coisas, que só se expandirá no Brasil se os tributos forem zerados.

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*Fonte: olhardigital

Três tipos de aplicativos que você deve evitar baixar no celular

Há aplicativo de todo tipo e para todo gosto. Tem app para aprender idiomas, retocar fotografias, pedir comida e gerir senhas. Mas nem todos são igualmente confiáveis.

Há apps que preocupam usuários e empresas não apenas por ocuparem muito espaço. Eles podem ser fontes de vírus e malwares (softwares maliciosos), e muitos são capazes de encher o celular de publicidade.

Este ano, o Google anunciou que eliminou mais de 700 mil aplicativos para Android considerados “maliciosos”. Esse número é 70% maior que o registrado em 2016.

Por que fechar os apps que usamos não ajuda a economizar bateria do celular
Celular com tela flexível está mais perto de se tornar realidade

Muitos desses programas que oferecem soluções milagrosas para problemas frequentes podem até ser prejudiciais ao aparelho.

Há pelo menos três tipos de apps que devem ser evitados:
1 – Os que prometem economizar bateria

Ficar sem bateria é um problema que acontece com certa frequência e nem todo mundo tem à mão um carregador.

Como muitas vezes a bateria morre num momento inesperado ou urgente, é tentador baixar um aplicativo que promete prolongar o tempo de funcionamento do aparelho.

“Os aplicativos para poupar bateria são, em sua maioria, mentirosos. Esses apps não oferecem uma solução para um dos problemas mais odiados em todo o mundo. Prometem milagres”, escreveu o jornalista especializado em tecnologia Eric Ferrari-Herrmann.

“Há muito pouca exceção”, completou.

A melhor coisa para economizar bateria é gerenciar o próprio consumo e eliminar aplicativos que usam muitos dados, em especial aqueles que o usuário quase nunca acessa. Colocar o telefone no modo noturno também ajuda a prolongar a “vida” da bateria.

Especialistas dizem que reduzir o brilho da tela ou desativar os sinais de wi-fi e o bluethooth são maneiras mais eficientes de poupar bateria e otimizar o uso do aparelho.

Outra estratégia é desativar o uso de dados ou usar o modo de pouca energia. Desativar a geolocalização de aplicativos também ajuda – este último também contribui para manter a privacidade.

2 – Os que ‘limpam’ o telefone

Há aplicativos que prometem melhorar o rendimento do celular por meio de de uma “limpeza”. O mais famoso deles é o Clean Master.

De acordo com o especialista José Garcia-Nieto, o Clean Master “desacelera o telefone, substitui a tela de bloqueio e nos leva a baixar mais aplicativos do desenvolvedor Chetaah Mobile.”

“Não funciona para absolutamente nada”, acrescenta.

Ferrari-Herrmann lembra que aplicativos eliminados podem até deixar alguns dados na memória cache (que trabalha junto com o processador), mas diz não ser necessário baixar um app para limpá-la.

Para eliminar dados ocultos, basta acessar o item armazenamento nas configurações do aparelho e limpar os dados cache.

Também não é recomendado confiar em aplicativos que prometem limpar a memória RAM.

3 – Os que ‘refrescam’ o celular

O superaquecimento de celulares pode ser considerado um problema frequente. Pode acontecer por exposição ao sol, vírus, problemas com a bateria ou pelo uso contínuo por longos períodos.

Não importa a razão do superaquecimento: especialistas recomendam não usar apps para resfriar o aparelho.

Segundo eles, um aplicativo com esse propósito só vai servir para sobrecarregar ainda mais o telefone, uma vez que o processador do celular leva horas para esfriar.

Para “refrescar” o telefone é melhor deixá-lo desligado por um tempo.
Outras recomendações

– Baixar apps nas lojas oficiais da Apple e da Google

– Evitar arquivos com extensão “.apk”

– Não baixar apps que prometem soluções milagrosas

– Atualizar as configurações do aparelho com frequência

– Não confiar apenas no antivírus

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*Fonte: bbc-brasil

Primeiro desenho animado totalmente em libras é lançado no YouTube

A surdez atinge quase dez milhões de pessoas no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde. E faltam alternativas na indústria cultural infantil para esse público. Pensando nisso, Paulo Henrique dos Santos, que trabalha com animação há sete anos, decidiu criar um desenho inteiramente em libras (língua brasileira de sinais). Ele teve a ideia quando precisou se comunicar com uma pessoa surda, mas não conseguiu. Em cada um dos capítulos, serão ensinados cinco sinais de libras.

O conteúdo é voltado para crianças de três a seis anos e tem o objetivo de educar e mostrar que as crianças surdas também se divertem e têm as mesmas necessidades daquelas com a audição preservada. O episódio piloto foi lançado no YouTube nessa quarta-feira, data marcada pelo Dia do Surdo. “Cada um tem a sua língua. O gato fala ‘gatês’, o elefante fala ‘elefantês’, e por aí vai. Mas com tantas línguas diferentes, é difícil entender o outro”, diz a animação.

O canal ainda não tem patrocínio mas, se conseguir, Paulo Santos pretende produzir e lançar mais 13 episódios para a primeira temporada. Ele já participou da produção de desenhos como “Turma da Mônica” e “Sítio do Pica-pau Amarelo”.

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*Fonte: correiodopovo

As redes sociais estão dilacerando a sociedade – Diz um ex-executivo do Facebook

Um ex-alto executivo do Facebook fez um mea culpa por sua contribuição para o desenvolvimento de ferramentas que, em sua opinião, “estão dilacerando o tecido social”. Chamath Palihapitiya, que trabalhou na empresa de Mark Zuckerberg de 2007 a 2011, da qual chegou a ser vice-presidente de crescimento de usuários, acredita que “os ciclos de retroalimentação de curto prazo impulsionados pela dopamina que criamos estão destruindo o funcionamento da sociedade. Sem discursos civis, sem cooperação, com desinformação, com falsidade”.

Palihapitiya fez essas declarações sobre o vício em redes sociais e seus efeitos em um fórum da Escola de Negócios de Stanford no dia 10 de novembro, mas o site de tecnologia The Verge as publicou na segunda-feira e, através dele, jornais como o The Guardian. Palihapitiya — que trabalhou para aumentar o número de pessoas que usam as redes sociais — recomendou ao público presente no fórum que tomasse um “descanso” no uso delas.

Esclareceu que não falava apenas dos Estados Unidos e das campanhas de intoxicação russas no Facebook. “É um problema global, está corroendo as bases fundamentais de como as pessoas se comportam consigo mesmas e com as outras”, enfatizou, acrescentando que sente “uma grande culpa” por ter trabalhado no Facebook. Falou sobre como as interações humanas estão sendo limitadas a corações e polegares para cima e como as redes sociais levaram a uma grave falta de “discurso civil”, à desinformação e à falsidade.

Na palestra, Palihapitiya — agora fundador e CEO da Social Capital, com a qual financia empresas de setores como saúde e educação — declarou ser uma espécie de objetor de consciência do uso de redes sociais e anunciou que quer usar o dinheiro que ganhou no Facebook para fazer o bem no mundo. “Não posso controlar [o Facebook], mas posso controlar minha decisão, que é não usar essa merda. Também posso controlar as decisões dos meus filhos, que não podem usar essa merda”, disse, esclarecendo que não saiu completamente das redes sociais, mas que tenta usá-las o mínimo possível.

O ex-vice-presidente do Facebook alertou que os comportamentos das pessoas estão sendo programados sem que elas percebam. “Agora você tem que decidir o quanto vai renunciar”, acrescentou. Palihapitiya fez referência ao que aconteceu no estado indiano de Jharkhand em maio, quando mensagens falsas de WhatsApp sobre a presença de supostos sequestradores de crianças acabaram com o linchamento de sete pessoas inocentes. “Estamos enfrentando isso”, criticou Palihapitiya, acrescentando que esse caso “levado ao extremo” implica que criminosos “podem manipular grandes grupos de pessoas para que façam o que eles querem”.

Mas Palihapitiya não criticou apenas os efeitos das redes na maneira pela qual a sociedade funciona, mas todo o sistema de funcionamento de Silicon Valley. Segundo ele, os investidores injetam dinheiro em “empresas estúpidas, inúteis e idiotas”, em vez de abordar problemas reais como mudança climática e doenças curáveis.

As críticas de Palihapitiya às redes se juntam às do primeiro presidente do Facebook, Sean Parker, que criticou a forma como a empresa “explora uma vulnerabilidade da psicologia humana” criando um “ciclo de retroalimentação de validação social”. Além disso, um ex-gerente de produto da empresa, Antonio García-Martínez, acusou o Facebook de mentir sobre sua capacidade de influenciar as pessoas em função dos dados que coleta sobre elas e escreveu um livro, Chaos Monkeys, sobre seu trabalho na empresa. No último ano vem crescendo a preocupação com o poder do Facebook, seu papel nas eleições norte-americanas e sua capacidade de amplificar notícias falsas.

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*Fonte: elpais

Anúncios no Facebook Messenger exibirão vídeos que se reproduzem automaticamente

Anúncios no Facebook Messenger estão ganhando uma nova proporção, já que a rede social acaba de inserir uma nova modalidade: publicidade que exibe sozinha (com autoplay) dentro do aplicativo de mensagens.

 

Como se não bastasse os grandes esforços da rede social para irritar profundamente os seus usuários com anúncios cada vez mais constantes (e muitas vezes sem sentido ou de interesse do usuário) em suas timelines.

Os anúncios no Facebook Messenger

No ano passado o Facebook chegou a vender anúncios estáticos que apareciam no Messenger. Neste ano, um passo além: janelas pop-ups que iniciam um vídeo automaticamente.

Certamente as propagandas que começam a serem exibidas sozinhas fazem parte do lado mais irritante da Internet. Tem coisa mais horrível do que ver um vídeo, música, explodir na sua tela enquanto você lê algum texto ou está concentrado em outra coisa?

O Facebook tenta se defender, enquanto o chefe da propaganda da rede social diz:

“A principal prioridade para nós é a experiência do usuário. Por isso, ainda não sabemos [se isso funcionará]. No entanto, os sinais até agora, quando testamos anúncios básicos, não mostraram alterações na forma como as pessoas usaram a plataforma ou quantas mensagens eles enviam. O vídeo pode ser um pouco diferente, mas não acreditamos nisso “, disse ele.

Os vídeos que começam a ser exibidos automaticamente, porém, começarão sem som. Como funciona na timeline atualmente. De qualquer forma, é um preço que os usuários pagam por uma rede social “gratuita”.

 

 

 

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*Fonte: geekness

Google lança fones de ouvido que traduzem 40 idiomas

O Google anunciou o lançamento de fones de ouvido inteligentes, que se chamam Pixel Buds e podem traduzir idiomas em tempo real, permitindo que você se comunique com estrangeiros sem precisar saber a língua deles – nem fazer mímicas.

Na apresentação do Google, que foi realizada nos EUA e transmitida pela internet, os novos fones foram dmeonstrados em uma conversa entre pessoas falando inglês e sueco. Segundo o Google, o produto fará a tradução de 40 idiomas.

“É como ter um tradutor pessoal ao seu lado”, disse juston Payne, gerente de produto do time de hardware do Google, no evento realizado em San Francisco.
Pixel-Bus-Google-Pixel-2

Os fones funcionam com conexão Bluetooth, e serão vendidos nos Estados Unidos por US$ 159. Não há informações sobre seu lançamento no Brasil. Os Pixel Buds são compatíveis com o novo smartphone do Google, o Pixel 2, e com celulares Android recentes.

A duração de bateria estimada é de 5 horas de uso. A caixinha dos fones, onde eles ficam guardados enquanto não estiverem em uso, servem como um carregador portátil, como acontece nos AirPods da Apple.

 

 

 

 

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*Fonte:

Aplicativo avisa se vai chover no local onde você está

Com a chegada do verão inicia-se também a temporada de chuvas na região Sudeste. A diferença é que este ano o aplicativo SOS Chuva poderá informar à população sobre a possibilidade de chuva ou de tempestade na localização exata onde a pessoa está.

É a chamada previsão imediata que, diferente da previsão do tempo convencional, consegue informar a incidência de chuva, granizo ou tempestade com precisão de 1 quilômetro e antecedência de 30 minutos a 6 horas. Desde outubro, o aplicativo SOS Chuva pode ser baixado gratuitamente em smartphones e já conta com mais de 60 mil usuários.

A ferramenta foi desenvolvida por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em colaboração com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, os dois últimos da Universidade de São Paulo (USP).

“A previsão de tempo que ouvimos no jornal é uma previsão que está, de certa forma, bem estabelecida. Sua teoria foi desenvolvida nos anos 1950. Já a previsão imediata é um desafio novo, com funções, equipamentos e modelagens matemáticas completamente diferentes. Até porque é diferente dizer que amanhã vai chover ou falar que daqui a duas horas vai chover no ponto exato onde você está”, disse Luiz Augusto Toledo Machado, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe) e coordenador do projeto.

Com apoio da FAPESP, o Projeto Temático SOS Chuva, iniciado em 2016, vai desenvolver mais dois aplicativos, um voltado para a agricultura e outro para a Defesa Civil. Os pesquisadores pretendem também aumentar a compreensão da dinâmica das nuvens e melhorar modelos matemáticos usados na previsão climática.

“É um projeto que tem o aspecto científico de melhorar modelos de previsão imediata e também outro aspecto associado à extensão, que é o desenvolvimento do aplicativo e de sistemas de alerta mais sofisticados para a Defesa Civil e para a agricultura”, disse Machado.

Em novembro, a equipe do projeto fez um treinamento para técnicos da Defesa Civil da região de Campinas (SP) e para profissionais do CPTEC que atuam nas regiões do Vale do Paraíba e no Litoral Norte do Estado de São Paulo. O objetivo é que os centros regionais de meteorologia possam fazer a previsão imediata. A iniciativa é inédita no país.

“Estamos desenvolvendo também um aplicativo voltado para o técnico, para que ele possa fazer a previsão imediata e divulgar os alertas com base nos nossos modelos matemáticos. Isso porque, dado o grande detalhamento, a previsão imediata deve ser feita regionalmente. Por isso, estamos desenvolvendo a ferramenta e os modelos matemáticos para que, no futuro, a previsão imediata seja feita nos centros regionais de meteorologia”, disse.

Agrometeorologia de precisão

O grupo formado por pesquisadores do CPTEC/Inpe e da Esalq também está desenvolvendo um terceiro aplicativo, dedicado ao produtor rural.

“O aplicativo de cunho agrícola, além de mostrar onde exatamente está chovendo, também armazenará informações pluviométricas por um período, para que o agricultor possa acompanhar e identificar possíveis variações de produtividade”, disse Felipe Pilau, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq, responsável pela parte agrícola do projeto.

Pilau afirma que com essa ferramenta será possível estipular estratégias para a chamada agrometeorologia de precisão. O termo junta a agricultura de precisão – que analisa a variabilidade da produção a partir de fatores como fertilidade do solo e recursos hídricos – com a parte meteorológica.

“Ao incluir a parte meteorológica na agricultura de precisão, é possível enxergar onde chove mais e se essa variabilidade vai afetar a produtividade agrícola. Até então, a parte meteorológica estava esquecida na agricultura de precisão”, disse Pilau.

Para fazer a previsão imediata, seja para o usuário comum, o agricultor ou para a Defesa Civil, o projeto conta com um radar meteorológico de dupla polarização – adquirido com apoio da FAPESP e instalado no Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Universidade Estadual de Campinas (Cepagri-Unicamp).

A previsão do tempo convencional necessita de dados obtidos a partir de imagens de satélite, estações meteorológicas e também da interpolação desses dados. Já para obter os dados com precisão de 1 quilômetro de distância, o radar de dupla polarização trabalha com a emissão e reflexão de comprimentos de onda.

Ao emitir um feixe de energia, ele obtém a refletividade, uma medida da reflexão do feixe emitido pelo radar ao se chocar com um obstáculo, como uma gota de nuvem, por exemplo. O sinal então retorna para o radar e, dessa forma, é possível mapear o local exato onde vai chover.

Para fazer a previsão imediata de todo o Estado de São Paulo, o projeto SOS Chuva conta ainda com as informações de outros quatro radares instalados em Bauru, Presidente Prudente, São Paulo e no Rio de Janeiro.

Com a ajuda do radar de dupla polarização, os pesquisadores conseguem ter uma visão tridimensional da nuvem e acompanhar a velocidade com que ela se propaga. Assim é possível analisar outros parâmetros, como acúmulo de cristais de gelo dentro da nuvem ou os chamados intrarraios, raios dentro da nuvem que são indicativos da ocorrência de granizo.

“Com o radar de dupla polarização conseguimos saber, por exemplo, quais os cristais de gelo que têm dentro da nuvem e a partir disso fazer cálculos e previsões”, disse Machado.

O pesquisador explica que ao acompanhar a nuvem é possível saber como esses diferentes cristais aumentam e diminuem, indicando a previsão de severidade ou formação de tornados. “Conseguimos também informações a partir do vento, se ele está formando uma circulação fechada, se há descarga elétrica. Tudo isso somado nos ajuda a fazer previsões”, disse.

Entendendo eventos extremos

A experiência dos pesquisadores do SOS Chuva em desenvolver modelos e cálculos matemáticos para a previsão imediata será usada em um novo projeto de colaboração com colegas argentinos, chilenos e norte-americanos.

“Continuaremos a coletar dados em Campinas e a melhorar nossos modelos até agosto de 2018. Depois disso, vamos levar nossa instrumentação para São Borja, no Rio Grande do Sul, para uma nova campanha de medidas de colaboração internacional”, disse Machado.

O pesquisador explica que a região a ser estudada é onde ocorrem as maiores tempestades do planeta. O fenômeno no Sul do Brasil, conhecido como Complexos Convectivos de Média Escala, ocorre em resposta a uma relação entre a região amazônica e a Cordilheira dos Andes.

“A umidade da Amazônia se propaga, encontra os Andes e se canaliza, trazendo a umidade para o Sul. É esse canal de umidade que começa a formar esses sistemas intensos de nuvens na Argentina. A baixa pressão acelera esse fluxo de umidade que vem da Amazônia e forma tempestades muito grandes.”

O projeto nomeado RELAMPAGO é financiado pela National Science Foundation (NSF) e conta com a cooperação da agência espacial Nasa e da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), nos Estados Unidos, do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet) da Argentina, da Comisión Nacional de Investigación Científica y Tecnológica (Conicyt) do Chile, da FAPESP e do Inpe.

“Será um experimento muito grande e o SOS Chuva participará desse esforço que é entender as tempestades severas que entram no Brasil, inclusive com possibilidade de formação de tornados”, disse Machado.

O aplicativo SOS Chuva pode ser baixado na App Store (iOS) e na Google Play Store (Android). Mais informações: http://soschuva.cptec.inpe.br/soschuva.

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*Fonte: revistapegn

Como identificar os diferentes tipos de fakes e robôs que atuam nas redes

Se a interferência de contas falsas em discussões políticas nas redes sociais já representava um perigo para os sistemas democráticos, sua sofisticação e maior semelhança com pessoas reais têm agravado o problema pelo mundo.

No Brasil, uma investigação de três meses da BBC Brasil, que deu origem à série de reportagens Democracia Ciborgue, identificou parte do mercado de compra e venda de contas falsas que teriam sido usadas para favorecer políticos no Twitter e no Facebook. É impossível estimar seu alcance, mas sua existência nas eleições brasileiras de 2014 já alerta para um potencial risco na disputa no ano que vem.

Nos Estados Unidos, conteúdo produzido por russos e difundido por meio de pessoas que não eram verdadeiras alcançou quase 126 milhões de americanos no Facebook durante as eleições do ano passado, de acordo com a plataforma, que teve que submeter dados ao Senado americano.

O perigo cresceu porque a tecnologia e os métodos evoluíram dos robôs, os “bots” – softwares com tarefas online automatizadas -, para os “ciborgues” ou “trolls”, contas controladas diretamente por humanos com a ajuda de um pouco de automação.

Imaginemos uma linha em que em uma ponta estejam robôs e, em outra, humanos. Entre as duas pontas, especialistas apontam a existência de ciborgues, “robôs políticos”, “fakes clássicos” e “ativistas em série” antes de chegarmos às pessoas reais.

Parte 1, os robôs

“Um robô, ou bot, nada mais é que uma metáfora para um algoritmo que está te ajudando, fazendo um trabalho para você”, define Yasodara Córdova, pesquisadora da Digital Kennedy School, da Universidade Harvard, nos EUA, e mentora do projeto Operação Serenata de Amor, que busca identificar indícios de práticas de gestão fraudulenta envolvendo recursos públicos no Brasil.

Ou seja, robôs estão por todas as partes, espalhados nas redes sociais, o que não significa necessariamente que estejam fazendo coisas ruins: os mais comuns são aqueles que automatizam o compartilhamento de notícias de veículos de imprensa e os que ajudam consumidores em atendimentos virtuais, entre outros.

O projeto Operação Serenata de Amor, por exemplo, tem um robô que analisa pedidos de reembolso de deputados federais e destaca os que parecem ser suspeitos, por meio de “machine learning” (“aprendizado de máquina”, que reconhece padrões e aprende com seus erros para evoluir e refinar sua atuação). Via Twitter, pede aos parlamentares que esclareçam o gasto suspeito – há casos de congressistas que reembolsaram a Câmara por causa do projeto.

Mas também há robôs cujo uso é malicioso, e que estão espalhados sobretudo pelo Twitter.

“O Twitter é um ambiente mais amigável para robôs”, explica Marcos Bastos, professor do departamento de Sociologia da City, University of London, no Reino Unido.

Bastos, que é brasileiro, e o britânico Dan Mercea, da mesma universidade, descobriram que as discussões sobre o plebiscito do Brexit (que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia) no Twitter tiveram participação de ao menos 13,5 mil robôs, usados para “bombar” um lado ou outro com postagens automatizadas.

“O Facebook é de fato uma rede social: você aceita pessoas com quem você tem algum tipo de conexão: idealmente, só amigos, embora esse não seja sempre o caso. O Twitter não tem essa reciprocidade, então funciona não só como uma rede social, mas como um sistema de difusão de informações”, afirma.

Ou seja, a natureza mais aberta do Twitter – que, diferentemente do Facebook, não exige o nome verdadeiro do usuário nem proíbe contas automatizadas – facilita a proliferação de robôs em sua esfera.

Pesquisadores das universidades do Sul da Califórnia e de Indiana estimam que haja entre 9% a 15% de robôs no Twitter. A rede tem um total de cerca de 330 milhões de usuários – portanto, ao menos 29 milhões deles são robôs, segundo o levantamento.

O Twitter informa que “a falsa identidade é uma violação” de suas regras. “As contas do Twitter que representem outra pessoa de maneira confusa ou enganosa poderão ser permanentemente suspensas de acordo com a Política para Falsa Identidade do Twitter. Se a atividade automatizada de uma conta violar as regras do Twitter ou as regras de automação, o Twitter pode tomar medidas em relação à conta, incluindo a suspensão da conta.”

Mas essas criaturas virtuais são mais facilmente identificáveis. Pesquisadores desenvolvem ferramentas para detectar robôs, monitorando sua atividade e identificando padrões. Levam em conta a quantidade de vezes que replicam um conteúdo, a proporção entre seguidores e usuários que o perfil segue, a data de criação da conta, as postagens via plataformas externas ao Twitter e a quantidade de menções a outros usuários, entre outros critérios.

 

Parte 2, os ciborgues

Pouco disso pode ser feito para detectar os exércitos de ciborgues, que estão em uma zona cinzenta e são os próximos na escala depois dos robôs. São chamados também de “trolls” ou “socketpuppets” (fantoches).

“É muito difícil detectar esses ‘bots’ híbridos, operados parte por humanos, parte por computadores”, afirma Emiliano de Cristofaro, professor da London’s Global University, no Reino Unido, que estuda segurança online. Isso porque perfis operados por algoritmos têm “comportamentos previsíveis” e padrões, enquanto uma pessoa real pode interromper isso, “agindo de forma diferente em horários diferentes”.

Ciborgues dão origem a perfis mais sofisticados, que tentam de fato imitar perfis de pessoas verdadeiras, publicando fotos e frases e interagindo com outros usuários, criando “reputação”.

Os perfis falsos encontrados pela investigação da BBC Brasil são ciborgues. Roubaram fotos de pessoas verdadeiras, criaram nomes falsos e adicionaram como amigos pessoas reais – o que fez até com que recebessem “parabéns” em seus “aniversários”. Depois, entre publicações de uma rotina inventada, publicaram conteúdo elogiando políticos brasileiros e ajudaram a aumentar suas “curtidas”.

Para manter o perfil ativo e parecer real, parte das postagens era agendada em plataformas fora do Twitter. À primeira vista, não parecem ser perfis falsos.

“É preciso olhar para o conteúdo que postam, não só para sua atividade. E isso custa caro”, observa Cristofaro. Por sua natureza mais sofisticada, estão espalhados não só no Twitter, como no Facebook também.

O Facebook informou que suas políticas “não permitem perfis falsos”. “Estamos o tempo todo aperfeiçoando nossos sistemas para detectar e remover essas contas e todo o conteúdo relacionado a elas.”

A empresa também indicou que pode fazer uma “varredura” de perfis falsos no Brasil semelhante à que fez na França e na Alemanha antes das eleições. “Estamos eliminando contas falsas em todo o mundo e cooperando com autoridades eleitorais sobre temas relacionados à segurança online, e esperamos tomar medidas também no Brasil antes das eleições de 2018.”

Para o Cristofaro, caso o Facebook começasse a varrer contas falsas levando em conta apenas sua atividade, acabaria encontrando “falsos positivos”, “e isso seria muito ruim para eles”, diz.

Em um relatório de abril de 2017, o Facebook admitiu que havia difusão de informações na plataforma via “personas falsas online”, criadas para “influenciar opiniões políticas”.

Na ocasião, a empresa disse que estava tomando medidas para excluir esse tipo de conta falsa, sem especificar quantas já identificou e excluiu. Segundo relatório da empresa, em setembro deste ano o Facebook tinha 2,07 bilhões de usuários ativos no mundo todo – não se sabe quantas dessas contas são falsas.

Alguns passos podem ser tomados para identificar ciborgues. Qualquer um pode fazer uma pesquisa por meio da foto utilizada pelo perfil em questão. Em ferramentas de buscas como o Google, é possível pesquisar pela imagem com o objetivo de rastrear sua origem e outros sites em que aparece. Esses perfis utilizam fotos que saíram em notícias não muito difundidas, de pessoas mortas, de bancos de imagens.

Mas pesquisadores começam agora a observar outros padrões de comportamento: quando as mensagens não são programadas, sua publicação se concentra só em horários de trabalho, já que é controlada por pessoas cuja profissão é exatamente essa, administrar um perfil falso durante o dia. Interações de madrugada, portanto, quando pessoas reais muitas vezes participam de discussões online, estão de fora (a não ser que empresas comecem a pagar por plantões de madrugada).

Outra pista: a pobreza vocabular das mensagens publicadas por esses perfis. Um dos entrevistados pela BBC Brasil, funcionário de uma empresa que supostamente produzia e vendia perfis falsos, explica que às vezes “faltava criatividade” para criar mensagens distintas controlando tantos perfis falsos ao mesmo tempo – cada funcionário controlava entre 20 a 50 perfis com histórias de vida particulares.

Para identificar os mais de 100 perfis falsos no Twitter e no Facebook que seriam ligados a uma empresa, com a ajuda de especialistas, a BBC Brasil levou em consideração elementos como: o uso de fotos comprovadamente falsas, modificadas ou roubadas; a publicação de mensagens a partir da mesma ferramenta externa às redes sociais; o padrão de mensagens que simulam rotina, com repetição de palavras; a participação ativa nas redes durante debates e “tuitaços”; atividade apenas durante o horário “útil” do dia; as recorrentes mensagens de apoio ou de agressão a candidatos específicos e, por fim, vários casos de datas coincidentes de criação, ativação e desativação dos perfis.

Mas esse padrão de comportamento se refere a um grupo específico de perfis falsos e ciborgues, produzidos, supostamente, por uma empresa específica. O problema é que cada empresa tem uma atuação diferente, o que significa que diferentes grupos de perfis falsos têm também comportamentos distintos.

O fenômeno, portanto, ainda está sendo investigado por especialistas à procura de formas para aprimorar a identificação dos ciborgues.

Parte 3, os robôs políticos

Os “robôs políticos” são outra categoria dos robôs online.

São perfis de militantes que autorizam que suas contas sejam conectadas a páginas de candidatos ou de campanhas. Por meio de um sistema simples de automatização, “suas contas passam a automaticamente curtir postagens”, diz Dan Arnaudo, pesquisador da Universidade de Washington, nos EUA, e do Instituto Igarapé, no Rio, especialista em propaganda computacional, governança da internet e direitos digitais.

Yasodara Córdova diz que essa é uma “espécie de ciborguização para aumentar a quantidade de visualizações ou compartilhamento de uma publicação, em que um político usa um exército de pessoas que se habilitam a postar por ele”.

Ou seja, são perfis de pessoas verdadeiras, que abrem mão de sua “autonomia” para dar curtidas de forma automática selecionadas pela campanha de um candidato.

Parte 4, o fake clássico

Um “fake clássico” é aquele que já conhecemos: um perfil falso inventado por uma só pessoa, sem relação com empresas que vendem esse serviço para políticos e sem relação com campanhas que pedem acesso às contas de militantes.

É aquele perfil usado por uma pessoa para esconder-se atrás de um “fake” pelos mais diversos motivos: simplesmente para não expor a identidade do verdadeiro autor, para publicar comentários negativos ou positivos sobre uma pessoa ou para “bombar” um político voluntariamente.

Se isso for feito de forma transparente, ou seja, se o perfil for satírico ou deixar claro que é um pseudônimo, a atividade é legal. Quando é usado para enganar outros usuários, no entanto, sem deixar claro que o perfil é falso ou assumindo a identidade de outra pessoa (roubando sua foto ou nome), é ilegal.

 

Parte 5, os ativistas em série

Mas nem sempre um número alto de compartilhamentos ou postagens significa que seu autor é um computador.

Há dois anos, Bastos e Mercea identificaram o que chamaram de “ativistas em série” – pessoas reais altamente prolíficas politicamente no Twitter e com postagens sobre eventos políticos em diferentes partes do mundo – até 17 delas. Exemplo: um ativista em série pode tuitar em grandes quantidades tanto sobre os protestos de junho de 2013 no Brasil quanto sobre o movimento Occupy nos Estados Unidos.

Os pesquisadores entrevistaram 21 ativistas em série. O resultado: os entrevistados eram em sua maior parte pessoas com 30 anos ou entre os 50 e 60, em períodos de desemprego, trabalho voluntário ou durante a aposentadoria. Ficavam entre cinco e 12 horas no Twitter dedicando seu tempo a diferentes causas, chegando a tuitar 1,2 mil vezes por dia, indício que levaria pesquisadores a associarem esses perfis à automatização, embora fossem pessoas de verdade.

 

 

 

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*Fonte: bbcbrasil

Estar online no WhatsApp pode revelar mais do que você gostaria

A indicação de que você está online no WhatsApp pode dizer muito mais do que você gostaria. Um texto escrito pelo engenheiro de software Rob Heaton e publicado em seu blog explica como é possível extrair informações a partir dessa indicação no WhatsApp.

Ao contrário da função de compartilhar a última vez que um usuário esteve conectado, o status de online não pode ser desligado – trazendo alguns problemas de privacidade.

Em resumo, o engenheiro afirma que é possível extrair dados a partir dessas informações. Desenvolver um simples robô que fique de olho em quando os usuários estão online permitiria obter inteligência sobre os hábitos desses usuários.

Em seu texto, Heaton trabalha com a hipótese de descobrir um caso entre dois usuários do app. Para isso, bastaria cruzar informações de quando as pessoas estão conectadas para tentar extrair uma correlação entre os horários dos usuários.

Talvez você não ache essa hipótese tão grave. Mas vamos dar um passo além. Recentemente foi anunciado o WhatsApp para empresas, que colocará em contato usuários e empresas com perfis verificados.

Vamos imaginar uma farmacêutica que vende remédios para insônia. Seria fácil encontrar o público alvo certo entre usuários do WhatsApp que passam parte da noite online no app. Talvez você consiga criar mais um outro cenário hipotético.

Heaton, na verdade, vai bastante além. Ele sugere que empresas podem criar modelos de negócios sobre a venda de informações de usuários. Com a empresa, “você vende essa informação a planos de saúde ou agências de crédito que suspeitam bastante de pessoas que estão acordadas às 4h da manhã”.

O Messenger, do Facebook (também dono do WhatsApp), poderia servir para a mesma coisa. Mas ele tem um detalhe crucial: só é possível saber se uma pessoa está online se ela for seu contato. Um ajuste similar poderia ser feito no WhatsApp.

No texto, Heaton é direto: “não há forma nenhuma para que usuários de WhatsApp se protejam contra esse monitoramento”.

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*Fonte: superinteressante
Este conteúdo foi originalmente publicado em Exame.com

Facebook privilegiará amigos e familiares em vez de notícias

O Facebook quer mais fotos de férias, mais mensagens apoiando um determinado time de futebol, mas formaturas e mais festas de aniversário. A mais recente atualização de seu algoritmo, a fórmula secreta que decide o que será mostrado primeiro em cada perfil com base no seu histórico de navegação, atividade e amigos, irá exibir mais imagens, vídeos e links de amigos e menos de marcas e veículos de comunicação.

Isso não quer dizer que a empresa esteja atacando diretamente os meios de comunicação, mas sim que as páginas oficiais deles perderão parte do seu poder de divulgação. Também não significa que os conteúdos dos veículos serão menos vistos, mas sim que eles terão mais visibilidade quando os usuários os compartilharem do que quando forem publicados em suas próprias páginas. O Buzzfeed e o Tasty, dois meios de comunicação surgidos na própria internet, cuja estratégia de crescimento meteórico se baseou na rede social, não se pronunciaram sobre a decisão. De toda forma, o Facebook deixa uma porta aberta para a publicidade como uma forma de ampliar sua divulgação.

O Facebook, que conta com mais de 1,65 bilhão de usuários ativos, afirma que o seu objetivo é conectar o mundo e que faz todo sentido que a prioridade esteja nos amigos e familiares. Em um texto assinado por Adam Mosseri, responsável pela News Feed, nome da página principal em que se publicam os conteúdos jornalísticos, a empresa deixa claro que as notícias e o entretenimento têm um lugar secundário. “Temos nos empenhado cada vez mais em projetos que façam com que os usuários se expressem junto com os seus amigos, que aprendam com eles e conversem entre si”, afirma Mosseri.

Diferentemente do Twitter, o Facebook não exibe seu conteúdo em uma ordem estritamente cronológica, mas o mistura e distribui de acordo com seu algoritmo

Diferentemente do Twitter, o Facebook não exibe seu conteúdo em uma ordem estritamente cronológica, mas o mistura e distribui de acordo com seu algoritmo, com o objetivo de personalizá-lo de forma a torná-lo mais agradável para os seus consumidores. O Instagram, que pertence ao Facebook, mantém a ordem cronológica, embora já tenha anunciado, em duas ocasiões, sua intenção de adotar um algoritmo. A reação negativa por parte da comunidade congelou a ideia.

Durante a inflamada campanha das primárias nos Estados Unidos, o Partido Republicano acusou a rede social de refletir o seu viés político na hora de exibir os conteúdos. Sheryl Sandberg, a número dois do Facebook, foi encarregada de dialogar com o partido e esclarecer que tudo é definido pela tecnologia, e não pelas pessoas que estão por trás da rede social.

 

Mosseri afirma que a mudança não é definitiva e que irá se adaptando de forma contínua conforme as preferências de seus clientes, ou seja, dos perfis. O Facebook analisa o comportamento de seus usuários de forma minuciosa. Tanto assim, que sabe até mesmo quando uma mensagem foi escrita mesmo sem ter sido, ao final, publicada no mural. A empresa tem consciência de que o conteúdo gerado por seus usuários tem diminuído, e, há dois meses, vem experimentando o uso de mensagens de boas-vindas pré-fabricadas para impulsioná-lo. A ideia é lançar uma âncora na realidade, para que se crie mais conteúdo.

Daí que convide a mostrar o apoio à seleção de futebol que está jogando, seja a Eurocopa ou a Copa América. Tomam como referência a nacionalidade, bem como a localização do usuário. Não é também estranho que usem festividades locais ou celebrações como o Orgulho Gay como gancho para compartilhar o ponto de vista a respeito. No domingo, para todos os que se declararam espanhóis, insinuava que dissessem se já haviam votado. São, claramente, mensagens que têm relação com a atualidade e com temas de debate na rua. Sua ambição é transferir essas conversas para o ciberespaço.

O novo algoritmo também afetará o conteúdo próprio do Facebook: os Instant Articles e os vídeos ao vivo.

Não é por acaso que ao entrar na página dos vídeos eles sejam diretamente baixados. Nem mesmo que essa seja sua grande aposta. Cada vez que sabem que há uma fuga de tráfego corrige-na criando um serviço semelhante para ficar dentro de seus domínios. Viram que o YouTube era a porta de saída mais frequente e criaram uma plataforma própria de vídeo. Em poucos meses tomaram a dianteira, oferecem transmissões ao vivo antes que o YouTube, propriedade do Google, tenha dado o passo.

Nesse mesmo sentido, o Facebook lançou há um ano o Instant Articles. EL PAÍS já se uniu à plataforma. Esse sistema permite consultar de modo muito rápido o conteúdo das mídias que fazem parte do acordo. Serve para impulsionar o consumo de uma publicação específica e a mostra com uma estética ajustada ao celular. A equipe de Zuckerberg o apresentou como um possível alívio para a situação econômica dos meios de comunicação. A publicidade desses artigos adaptados pode ser administrada diretamente pelos editores ou ser delegada a eles e compartilhar seguindo o padrão habitual dos aplicativos, 70% para os criadores e 30% para o suporte.

Paradoxalmente, os conteúdos nativos também não ficarão livre de serem afetados pelo novo algoritmo. Tanto Instant Articles como os vídeos ao vivo (os Facebook Live, a outra grande aposta da rede social) terão seu alcance e difusão afetados. “A influência do algoritmo é indiferente ao tipo de conteúdo”, explicou Mosseri.
Contragolpe do Google

O Google, com uma posição radicalmente contrária, respondeu com o AMP, um formato de livre adoção (não é necessário firmar um acordo com eles para usá-lo e o código é livre). AMP, acrônimo em inglês de páginas móveis avançadas, baixa as páginas rapidamente, acelerando o código fonte. É mantido o link, algo que não acontece no Facebook, para que se possa compartilhar por toda a rede. Para incentivar sua adoção o buscador apresenta antes os resultados de páginas que são AMP e as mostra com um carrossel de imagens, de tal modo que se tornam mais atraentes. EL PAÍS esteve entre os órgãos pioneiros da mídia em usar esse sistema de publicação.

Há uma semana, durante a VidCon, a feira de vídeos online realizada em Los Angeles, foi revelado que o Facebook está pagando a órgãos da mídia para emitir vídeos ao vivo dentro de sua plataforma. Os cálculos iniciais falam de 50 milhões de dólares (162 milhões de reais) repartidos entre Buzzfeed, CNN, The New York Times, Huffington Post e Mashable. Também pagaram ao Real Madrid e Barcelona por seus vídeos ao vivo.

O Facebook quer conteúdo, mas não links para fora. Seu modelo de negócio, centrado na publicidade, demanda que se passe cada vez mais tempo dentro. Se alguém segue um link, talvez continue navegando longe de seus domínios.

 

 

 

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*Fonte: elpais

Você sabe qual rede social mais prejudica a sua saúde mental?

Redes sociais são maneiras divertidas e rápidas de entrar em contato com diversas pessoas, saber sobre suas vidas e rotinas e permitir que elas saibam das suas. O problema é que muitas pessoas ainda não entenderam que o que se posta nas redes é sempre a melhor parte do dia de uma pessoa e não um resumo fiel de sua vida.

Durante uma viagem ao Caribe, é óbvio que a pessoa vai postar fotos com os pezinhos na areia ou segurando um belo e colorido drink com um coqueiro ao fundo. Ela não vai postar fotos da dor de barriga que teve, da ressaca ou da briga com o namorado, obviamente. O problema é que acompanhar os melhores momentos da vida de diversas pessoas nos faz crer que a grama do vizinho é sempre mais verde e que a nossa vida não é tão divertida assim.

Um estudo feito com 1,5 mil adolescentes e jovens adultos revelou que o Instagram é a rede social que mais afeta a saúde mental das pessoas, causando altos níveis de ansiedade, depressão e bullying.

E faz sentido

A pesquisa analisou os efeitos de outras plataformas e a única que teve resultados positivos foi o YouTube – que veio seguido do Twitter, do Facebook e depois do Snapchat.

Os participantes da pesquisa eram jovens com idades entre 14 e 24 anos, residentes na Inglaterra, na Escócia, no País de Gales e na Irlanda do Norte. Eles tiveram que responder 14 perguntas relacionadas ao uso das redes sociais e à sua saúde física ou mental.

Logicamente, as redes sociais foram relacionadas a alguns benefícios, e todos os sites pesquisados receberam pontuações positivas em termos de autoexpressão e construção de comunidades de apoio emocional, mas quem ganhou mesmo em termos de saúde mental foi o YouTube, citado como de alta ajuda contra depressão, ansiedade e solidão.

Tem que ver isso aí

As outras redes, no entanto, foram associadas ao aumento de casos de depressão e de ansiedade. Estudos anteriores já haviam revelado que passar mais de duas horas por dia em redes sociais é algo que aumenta o sofrimento psicológico, especialmente em pessoas jovens, justamente por essa comparação que se faz com a vida alheia.

Postagens em redes sociais acabam expondo expectativas irrealistas de vida e criando a sensação de inadequação e baixa autoestima: “O Instagram faz facilmente que as meninas e as mulheres se sintam como se seus corpos não fossem bons o suficiente enquanto as pessoas adicionam filtros e editam suas fotos para que pareçam ‘perfeitas’”, ressaltou o estudo.

Por enquanto, existem medidas que pedem para que as plataformas indiquem, por exemplo, imagens que tenham sido editadas e que solicitem ajudas a usuários que pareçam sofrer de algum tipo de doença mental.

Se você se sente para baixo quando acompanha as imagens que seus amigos postam no Instagram, tente dedicar menos tempo à ferramenta e se lembre sempre de que a vida real não condiz com uma série de fotos bonitas, posadas e editadas – ainda bem!

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*Fonte: megacurioso

 

A arte de manipular multidões

A era da pós-verdade é na realidade a era do engano e da mentira, mas a novidade associada a esse neologismo consiste na popularização das crenças falsas e na facilidade para fazer com que os boatos prosperem.

A mentira dever ter uma alta porcentagem de verdade para ser mais crível. E terá ainda maior eficácia a mentira composta totalmente por uma verdade. Parece uma contradição, mas não é. Na sequência analisaremos como isso pode acontecer.

A pós-mentira

Hoje em dia tudo é verificável e, portanto, não é fácil mentir. Mas essa dificuldade pode ser superada com dois elementos básicos: a insistência na asseveração falsa, apesar dos desmentidos confiáveis; e a desqualificação de quem a contradiz. E a isso se soma um terceiro fator: milhões de pessoas prescindiram dos intermediários de garantias (previamente desprestigiados pelos enganadores) e não se informam pelos veículos de comunicação rigorosos, mas diretamente nas fontes manipuladoras (páginas de Internet relacionadas e determinados perfis nas redes sociais). A era da pós-mentira fica assim configurada.

Quem se manifesta à margem da tese dominante recebe uma desqualificação ofensiva que serve como aviso para outros navegadores

Dessa forma, milhões de norte-americanos acreditaram em uma mentira comprovada como a afirmação de Donald Trump de que Barak Obama é um muçulmano nascido no estrangeiro e milhões de britânicos estavam convencidos de que, com o Brexit,o Serviço Nacional de Saúde teria por semana 350 milhões de libras (1,4 bilhão de reais) adicionais.

A tecnologia permite hoje manipular digitalmente qualquer documento (incluindo as imagens), e isso avaliza que se indique como suspeitos os que reagem com dados certos diante das mentiras, porque suas provas já não têm valor de fato. E se acrescenta a isso a perda de parte da independência na imprensa com a crise econômica. O número de jornalistas foi reduzido e ela precisou levar em consideração não só os leitores, mas também os proprietários e anunciantes. Em certos casos, utilizam também técnicas sensacionalistas para obter reações na Rede, o que fez com que perdesse credibilidade.

Com tudo isso, se chegou à paradoxal situação de que as pessoas já não acreditam em nada e ao mesmo tempo são capazes de acreditarem em qualquer coisa.

Muitos jornais dos Estados Unidos verificaram as dezenas de falsidades difundidas pelo presidente Trump (em janeiro já havia dito 99 mentiras segundo o The New York Times), mas isso não as desativou. E a imprensa britânica, por sua vez, esmiuçou as mentiras dos que pediam a saída da UE, mas isso não desanimou milhões de eleitores.

A pós-verdade

A mentira sempre é arriscada, e requer formas muito potentes para sustentar-se. Por isso as técnicas de silêncio costumam ser mais eficazes: emite-se uma parte comprovável da mensagem, mas se omite outra igualmente verdadeira. Aqui estão alguns exemplos:

A insinuação. Não é preciso usar dados falsos. Basta sugeri-los. Na insinuação, as palavras e imagens expressadas se detêm em um ponto, mas as conclusões inevitavelmente extraídas delas vão muito mais além. O emissor, entretanto, poderá se defender afirmando que só disse o que disse, que só mostrou o que mostrou. A principal técnica da insinuação na imprensa parte das justaposições: ou seja, uma ideia situada ao lado de outra sem que se explicite a relação sintática ou semântica entre ambas. Mas sua contiguidade obriga o leitor a deduzir uma ligação.

Isso aconteceu em 4 de outubro de 2016 quando Iván Cuéllar, goleiro do Sporting de Gijón, saía do ônibus de sua equipe para jogar no estádio Riazor. Recebido com vaias pela torcida do La Coruña, Cuéllar parou e olhou fixamente em direção aos torcedores. A câmera só enfocou ele, o que levava à dedução de uma atitude desafiadora diante das vaias. E a situação foi apresentada dessa forma em um vídeo de um veículo de comunicação asturiano. Dessa forma, foram mostrados, justapostos, dois fatos: a torcida rival que vaiava e o jogador que olhava fixamente em direção aos torcedores. Não demorou a chegar a acusação de que Cuéllar havia sido um provocador irresponsável.

Ocorreu algo que aquelas imagens não mostraram: entre os torcedores, uma pessoa havia sofrido um ataque epilético e isso chamou a atenção do goleiro do Sporting, que olhou fixamente nessa direção para comprovar que o torcedor estava sendo atendido (pelo próprio serviço médico do clube). Ao verificar que o atendimento foi feito, seguiu seu caminho. Tanto a presença dos torcedores como suas vaias e o olhar do jogador foram verdadeiros. A mensagem, entretanto, foi alterada – e, portanto, a realidade percebida – ao se justapor os acontecimentos ocultando um fato relevante.

A pressuposição e o subentendido. A pressuposição e o subentendido possuem traços em comum, e se baseiam em dar algo como certo sem questioná-lo. Por exemplo, no conflito catalão se difundiu a pressuposição de que votar é sempre bom. Mas essa afirmação não pode ser universal, uma vez que não se aceitaria que o Governo espanhol colocasse urnas para que a população votasse se deseja ou não a escravidão. Somente o fato de se admitir essa possibilidade já seria inconstitucional, por mais que a resposta esperada fosse negativa. Primeiro seria necessário modificar a Constituição para permitir a escravidão, e depois sim poderia ocorrer uma votação a respeito. Foi criada, portanto, uma pressuposição segundo a qual o fato de votar é sempre bom, quando a validade de uma consulta está ligada à legitimidade e à legalidade democrática do que é colocado em votação.

Por vezes os subentendidos são criados a partir de antecedentes que, – reunindo todos os requisitos de veracidade, se projetam sobre circunstâncias que concordam somente em parte com eles. Por exemplo, nos chamados Panama Papers foram denunciados casos reais de ocultação fiscal. Uma vez expostos os fatos reais e criadas as condições para sua condenação social, foram acrescentados à lista outros nomes sem relação com a ilegalidade; mas o subentendido transformou a oração “tem uma conta no Panamá” em algo delituoso que contribuiu com a criação de um estado geral de opinião falso. Não é crime realizar negócios no Panamá e por conta disso abrir contas nesse país; mas se isso se expressa com essa oração suspeita, o legal se transforma em condenável pela pressuposição.

A falta de contexto. A falta do contexto adequado manipula os fatos. Assim aconteceu quando o deputado independentista catalão Lluis Llach recebeu ataques injustos por declarações sobre o Senegal. Em 9 de setembro de 2015, um jornal barcelonês postava em sua manchete esta frase, colocada na boca do ex-cantor e compositor: “Se a opção do sim à independência não for majoritária, vou para o Senegal”. Daí se poderia deduzir que ir para o Senegal era algo assim como um ato de desespero (e uma ofensa para aquele país africano). Desse modo interpretaram alguns colunistas e centenas de comentários publicados sob a notícia. No entanto, o jornal tinha omitido um contexto importante: Llach criou anos atrás uma fundação humanitária de ajuda ao Senegal e, portanto, longe de expressar desprezo em suas palavras, ele mostrava o desejo de se voltar para essa atividade se o seu esforço político fracassasse. Nessa falta de dados de contexto se pode incluir a omissão cada vez mais habitual das versões e das opiniões –que deveriam ser recolhidas com neutralidade e honestidade– daquelas pessoas atacadas por uma notícia ou opinião.

Inversão da relevância. Os beneficiários desta era da pós-verdade nem sempre dispõem de fatos relevantes pelos quais atacar seus adversários. Por isso, com frequência recorrem a aspectos muito secundários…. que transformam em relevantes. Os costumes pessoais, a vestimenta, o penteado, o caráter de uma pessoa em seu entorno particular, um detalhe menor de um livro ou de um artigo ou de uma obra (como naquele caso dos manipuladores de marionetes em Madri)…adquirem um valor crucial na comunicação pública, em detrimento do conjunto e das atividades de verdadeiro interesse geral ou social. Desse modo, o que for opinião ou subjetividade sobre esses aspectos secundários se apresenta como noticioso e objetivo. E, portanto, relevante.

A pós-censura

Até aqui foram analisadas brevemente (por razões de espaço e de lógica jornalística) as técnicas da pós-mentira e da pós-verdade. Mas os efeitos perniciosos de ambas recebem o impulso da pós-censura, segundo retratou e definiu Juan Soto Ivars em Arden las Redes (Debate, 2017).

Neste novo mundo de pós-censura quem se manifesta à margem da tese dominante recebe uma desqualificação muito ofensiva que serve como aviso para outros navegadores. Assim, a censura já não é exercida nem pelo Governo nem pelo poder econômico, mas por grupos de dezenas de milhares de cidadãos que não toleram uma ideia discrepante, que se realimentam uns com os outros, que são capazes de linchar quem, a seu ver, atenta contra o que eles consideram inquestionável, e que exercem seu papel de turba mesmo sem saber muito bem o que estão criticando.

Soto Ivars detalha alguns casos assustadores. Por exemplo, o espancamento verbal sofrido pelos escritores Hernán Migoya e María Frisa a partir dos respectivos tuítes iniciais de quem confundiu o que expressavam seus personagens de ficção com o que pensava cada autor, e que foram secundados de imediato por uma multidão endogâmica de seguidores que se apresentaram para o bombardeio sem comprovação alguma. Fizeram a mesma coisa alguns jornalistas que, para não ficarem de fora da corrente dominante, simplesmente recolheram das redes o manipulado escândalo, branqueando assim a mercadoria avariada.

Esta inquisição popular contribui para formar uma espiral do silêncio (como a definiu Elisabeth Noelle Neumann em 1972) que acaba criando uma aparência de realidade e de maioria cujo fim consiste em expulsar do debate as posições minoritárias. Nesse processo, as pessoas se dão conta logo de que é arriscado sustentar algumas opiniões, e desistem de defendê-las, para maior glória da pós-verdade, da pós-mentira e da pós-censura. Assim, o círculo da manipulação fica fechado.

Álex Grijelmo é autor de La Información del Silencio. Cómo se Miente Contando Hechos Verdaderos (A Informação do Silêncio. Como se Mente Contando Fatos Verdadeiros)

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*Fonte: elpais

Ranking do principal teste de câmeras de celular do mundo tem um novo líder

Qual é a melhor câmera de celular no mundo atualmente? Se você olhou recentemente o DxOMark, o principal serviço de avaliação do gênero do planeta na atualidade, provavelmente vai dizer que é o HTC U11. Contudo, a plataforma anunciou uma revisão de seus critérios de avaliação e o ranking acaba de ganhar um novo líder.

Avaliando a capacidade das câmeras de smartphones desde 2012, o serviço nunca havia alterado a sua forma de avaliação. “Muita coisa aconteceu desde então”, afirma a companhia na postagem em seu site oficial. “A fotografia no smartphone praticamente erradicou o segmento de mercado das câmeras compactas, e o setor mobile se tornou o principal motor de inovação em imagens.”

Novos critérios

E é com base nessa perspectiva de evolução do setor de câmeras mobile que o DxOMark anuncia a renovação em seus critérios. “Com o novo protocolo, nós capturamos e analisamos mais de 1.500 imagens e duas horas de vídeo em cada dispositivos”, informa a companhia.

Assim, os novos critérios a serem empregados nas análises são:

Nova pontuação de zoom baseada em testes extensivos em múltiplas distâncias focais
Nova pontuação de boke baseada em testes realizados externos e em laboratório
Testes em ambientes com pouca luz reduzidos para até 1 lux
Testes de cenas em movimento para avaliação mais precisa do desempenho da câmera e de técnicas de processamento em situações reais

Um novo líder

Com esses novos critérios, o HTC U11, um dos mais recentes testes realizados pelo DxOMark, perdeu o posto de líder para ninguém menos do que o Google Pixel. Até então, o smartphone da Google ocupava a segunda colocação no ranking da plataforma, justamente a posição para a qual caiu o dispositivo da HTC.

Quem mais caiu com a mudança foi o Galaxy S6 Edge, que até então ocupava a terceira posição e agora está em quinto, atrás do iPhone 7 Plus e do iPhone 7. Vale lembrar que nem todos os dispositivos foram reavaliados com base nos novos critérios, mas apenas os de maior destaque em testes realizados pelo veículo até então.

Com dispositivos como LG V30, Galaxy Note 8 e iPhone X saindo do forno, é possível que essa tabela seja reformulada muito em breve.

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*Fonte: tecmundo

Golpe feito pelo Facebook Messenger já atinge usuários brasileiros

Um novo malware está atingindo usuários do Facebook Messenger na América Latina, incluindo o Brasil. Descoberto pela Kaspersky, o vírus infecta o usuário com adware e se espalha pelo serviço de mensagens do Facebook.

Tudo começa quando um contato é infectado e envia uma mensagem para o usuário com um link. Ao clicar no link, o usuário é direcionado a um documento do Google Docs com uma foto do perfil da vítima, que cria um link para um suposto vídeo. Mas quando a pessoa tenta reproduzir o vídeo, é enviada para diversos sites que roubam informações sobre o computador do usuário, além de algumas informações pessoais.

O malware atua diferente dependendo de qual for o navegador usado pela vítima. No Firefox e no Safari, ele exibe uma mensagem de atualização falsa do Flash. No Chrome, o usuário é direcionado a uma versão falsa do YouTube que pede a instalação de uma extensão para o Chrome.

A Kaspersky diz que a investigação do ataque não sugere que algum trojan ou exploit seja baixado para dispositivos, mas eles lembram que cibercriminosos já devem ganhar dinheiro com o golpe a partir da publicidade exibida em sites falsos e o acesso a diversas contas do Facebook.

Como sempre, a melhor forma de se manter seguro na internet é tomar bastante cuidado com os links que você clica – se for algo suspeito demais, é bom evitar.

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*Fonte: olhardigital

Os celulares já estão mortos – diz Microsoft; entenda o que vem por aí

A Microsoft sabe que o bonde do smartphone já passou. A situação do mercado é evidente: as vendas pararam de crescer e o ritmo de inovação está declinando. Falta, no entanto, apresentar a novidade que faça com que o público abandone o retângulo de vidro que tem nos bolsos.

A fala de Satya Nadella foi emblemática ao afirmar que os próximos celulares da empresa “não vão se parecer com os celulares que existem hoje”, simplesmente porque a Microsoft acredita que novas coisas estão a caminho e que elas ão além do smartphone convencional. Isso se reflete na fala de Alex Kipman, o brasileiro que liderou o desenvolvimento do primeiro Kinect e que hoje está no comando do HoloLens.

Em entrevista com a Bloomberg, Kipman foi enfático: “os celulares já estão mortos”, ele disse. Logo em seguida, complementou que “as pessoas simplesmente ainda não perceberam” que a transição já começou.

Mas o que vem por aí, então? Para isso, nós podemos olhar além da Microsoft. Durante evento recente do Facebook, a rede social também apontou que em um prazo de cinco anos poderemos começar a ver óculos substituindo os celulares, embora a transição demore alguns anos para ser completada. Mark Zuckerberg, inclusive, chegou a apresentar uma ideia de um par de óculos que tem uma aparência comum, mas que são capazes de funcionar como visores de realidade aumentada.

Neste sentido, o HoloLens se encaixa perfeitamente com a visão de futuro tanto da Microsoft quanto do Facebook. O problema é que hoje a tecnologia ainda não está pronta para adoção em massa. O visor é grande demais, pesado demais, caro demais e com bateria limitada, que impediria que a tecnologia fosse usada, por exemplo, nas ruas ou dentro de um ônibus. Mas quem sabe alguns anos de pesquisa e desenvolvimento não trazem evoluções significativas em termos de portabilidade e acessibilidade?

Se, de fato, a realidade mista ou a realidade aumentada forem a próxima grande plataforma de computação pessoal, a Microsoft leva vantagem em relação aos concorrentes. Se a empresa perdeu o bonde dos telefones celulares e viu o Windows 10 Mobile ter participação de mercado cada vez mais perto do zero, o HoloLens ainda não tem um concorrente à altura. Resta acompanhar os próximos capítulos.

 

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*Fonte: olhardigital

 

Não se explique demais! Tem gente que vai entender tudo errado de qualquer jeito.

Paciência. Por mais que a gente explique, tem coisa que nunca ninguém vai entender como deve. Fazer o quê? É da vida, esse longo e infinito exercício de paciência.

Haja serenidade para dizer sem ser ouvido e ouvir sem ter pedido. Tem coisa e tem gente que não merecem um segundo de atenção. Você tenta facilitar e tem sempre alguém pronto a tornar a vida mais difícil. A gente esclarece, elucida, dá exemplo, faz desenho e de nada adianta.

Explane, relate, explicite. Sempre haverá uma alma disposta a compreender o que quiser, a interpretar como bem entender o que você disse e chegar a uma conclusão completamente diversa da que você pretendia. Então, explicar de novo para quê? Diga uma vez e deixe o outro deduzir como preferir. A vida é muito curta para explicações tão longas.

Verdade é que bons ouvintes dispensam justificativas. Além do mais, se você precisa mesmo justificar o que disse ou o que fez, talvez não devesse ter dito ou ter feito, né? Nesse caso, melhor que explicar é reconhecer, assumir, pedir desculpas. Mas essa é outra história.

É que tempo a gente não devia perder à toa, sabe? Tempo a gente vive. E eu não quero viver o meu explicando nada a quem não vai entender mesmo. Aliás, eu acho até que quem sempre espera se fazer entender, quem pretende a todo tempo ser compreendido precisa de ajuda médica. É alguém que padece de uma perigosa pretensão infantil.

Assim é desde sempre. Entre os filhos e seus pais, entre amigos e entre amantes, chefes e subordinados, sócios e adversários, nos casais, nas famílias, nas empresas e nas escolas, em casa, na rua e em tudo quanto há, nem sempre somos todos compreendidos como desejamos.

Quem ouve quase sempre há de ouvir apenas o que lhe satisfizer. De tudo o que lhe for dito, entenderá o que lhe parecer conveniente. Explicar demais, então, é inútil e contraproducente.

Se for mesmo indispensável apresentar álibis e provas, arrolar testemunhas e convencer alguém de que você é inocente, contrate um advogado. Nos outros casos, vire a página, passe adiante e siga em frente. Por mais que você explique certo, alguém sempre vai insistir em entender tudo errado.

 

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*Fonte: osegredo

 

Zygmunt Bauman: “As redes sociais são uma armadilha”

O polonês (Poznan, 1925) era criança quando sua família, judia, fugiu para a União Soviética para escapar do nazismo, e, em 1968, teve que abandonar seu próprio país, desempossado de seu posto de professor e expulso do Partido Comunista em um expurgo marcado pelo antissemitismo após a guerra árabe-israelense. Renunciou à sua nacionalidade, emigrou a Tel Aviv e se instalou, depois, na Universidade de Leeds (Inglaterra), onde desenvolveu a maior parte de sua carreira. Sua obra, que arranca nos anos 1960, foi reconhecida com prêmios como o Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades de 2010, que recebeu junto com Alain Touraine.

Bauman é considerado um pessimista. Seu diagnóstico da realidade em seus últimos livros é sumamente crítico. Em A riqueza de poucos beneficia todos nós?, explica o alto preço que se paga hoje em dia pelo neoliberalismo triunfal dos anos 80 e a “trintena opulenta” que veio em seguida. Sua conclusão: a promessa de que a riqueza acumulada pelos que estão no topo chegaria aos que se encontram mais abaixo é uma grande mentira. Em Cegueira moral, escrito junto com Leonidas Donskis, Bauman alerta sobre a perda do sentido de comunidade em um mundo individualista. Em seu novo ensaio, Estado de crise, um diálogo com o sociólogo italiano Carlo Bordoni, volta a se destacar. O livro da editora Zahar, que já está disponível para pré-venda no Brasil, trata de um momento histórico de grande incerteza.

Bauman volta a seu hotel junto com o filósofo espanhol Javier Gomá, com quem debateu no Fórum da Cultura, evento que terá sua segunda edição realizada em novembro e que traz a Burgos os grandes pensadores mundiais. Bauman é um deles.

Pergunta. Você vê a desigualdade como uma “metástase”. A democracia está em perigo?

Resposta. O que está acontecendo agora, o que podemos chamar de crise da democracia, é o colapso da confiança. A crença de que os líderes não só são corruptos ou estúpidos, mas também incapazes. Para atuar, é necessário poder: ser capaz de fazer coisas; e política: a habilidade de decidir quais são as coisas que têm ser feitas. A questão é que esse casamento entre poder e política nas mãos do Estado-nação acabou. O poder se globalizou, mas as políticas são tão locais quanto antes. A política tem as mãos cortadas. As pessoas já não acreditam no sistema democrático porque ele não cumpre suas promessas. É o que está evidenciando, por exemplo, a crise de migração. O fenômeno é global, mas atuamos em termos paroquianos. As instituições democráticas não foram estruturadas para conduzir situações de interdependência. A crise contemporânea da democracia é uma crise das instituições democráticas.

“Foi uma catástrofe arrastar a classe media ao precariat. O conflito já não é entre classes, mas de cada um com a sociedade”

P. Para que lado tende o pêndulo que oscila entre liberdade e segurança?

R. São dois valores extremamente difíceis de conciliar. Para ter mais segurança é preciso renunciar a certa liberdade, se você quer mais liberdade tem que renunciar à segurança. Esse dilema vai continuar para sempre. Há 40 anos, achamos que a liberdade tinha triunfado e que estávamos em meio a uma orgia consumista. Tudo parecia possível mediante a concessão de crédito: se você quer uma casa, um carro… pode pagar depois. Foi um despertar muito amargo o de 2008, quando o crédito fácil acabou. A catástrofe que veio, o colapso social, foi para a classe média, que foi arrastada rapidamente ao que chamamos de precariat (termo que substitui, ao mesmo tempo, proletariado e classe média). Essa é a categoria dos que vivem em uma precariedade contínua: não saber se suas empresas vão se fundir ou comprar outras, ou se vão ficar desempregados, não saber se o que custou tanto esforço lhes pertence… O conflito, o antagonismo, já não é entre classes, mas de cada pessoa com a sociedade. Não é só uma falta de segurança, também é uma falta de liberdade.

P. Você afirma que a ideia de progresso é um mito. Por que, no passado, as pessoas acreditavam em um futuro melhor e agora não?

R. Estamos em um estado de interregno, entre uma etapa em que tínhamos certezas e outra em que a velha forma de atuar já não funciona. Não sabemos o que vai a substituir isso. As certezas foram abolidas. Não sou capaz de profetizar. Estamos experimentando novas formas de fazer coisas. A Espanha foi um exemplo com aquela famosa iniciativa de maio (o 15-M), em que essa gente tomou as praças, discutindo, tratando de substituir os procedimentos parlamentares por algum tipo de democracia direta. Isso provou ter vida curta. As políticas de austeridade vão continuar, não podiam pará-las, mas podem ser relativamente efetivos em introduzir novas formas de fazer as coisas.

P. Você sustenta que o movimento dos indignados “sabe como preparar o terreno, mas não como construir algo sólido”.

R. O povo esqueceu suas diferenças por um tempo, reunido na praça por um propósito comum. Se a razão é negativa, como se indispor com alguém, as possibilidades de êxito são mais altas. De certa forma, foi uma explosão de solidariedade, mas as explosões são muito potentes e muito breves.

P. E você também lamenta que, por sua natureza “arco íris”, o movimento não possa estabelecer uma liderança sólida.

R. Os líderes são tipos duros, que têm ideias e ideologias, o que faria desaparecer a visibilidade e a esperança de unidade. Precisamente porque não tem líderes o movimento pode sobreviver. Mas precisamente porque não tem líderes não podem transformar sua unidade em uma ação prática.

P. Na Espanha, as consequências do 15-M chegaram à política. Novos partidos emergiram com força.

“O 15-M, de certa forma, foi uma explosão de solidariedade, mas as explosões são potentes e breves”

R. A mudança de um partido por outro não vai a resolver o problema. O problema hoje não é que os partidos estejam equivocados, e sim o fato de que não controlam os instrumentos. Os problemas dos espanhóis não estão restritos ao território nacional, são globais. A presunção de que se pode resolver a situação partindo de dentro é errônea.

P. Você analisa a crise do Estado-nação. Qual é a sua opinião sobre as aspirações independentistas da Catalunha?

R. Penso que continuamos com os princípios de Versalhes, quando se estabeleceu o direito de cada nação baseado na autodeterminação. Mas isso, hoje, é uma ficção porque não existem territórios homogêneos. Atualmente, todas as sociedades são uma coleção de diásporas. As pessoas se unem a uma sociedade à qual são leais, e pagam impostos, mas, ao mesmo tempo, não querem abrir mão de suas identidades. A conexão entre o local e a identidade se rompeu. A situação na Catalunha, como na Escócia ou na Lombardia, é uma contradição entre a identidade tribal e a cidadania de um país. Eles são europeus, mas não querem ir a Bruxelas por Madri, mas via Barcelona. A mesma lógica está emergindo em quase todos os países. Mantemos os princípios estabelecidos no final da Primeira Guerra Mundial, mas o mundo mudou muito.

P. As redes sociais mudaram a forma como as pessoas protestam e a exigência de transparência. Você é um cético sobre esse “ativismo de sofá” e ressalta que a Internet também nos entorpece com entretenimento barato. Em vez de um instrumento revolucionário, como alguns pensam, as redes sociais são o novo ópio do povo?

R. A questão da identidade foi transformada de algo preestabelecido em uma tarefa: você tem que criar a sua própria comunidade. Mas não se cria uma comunidade, você tem uma ou não; o que as redes sociais podem gerar é um substituto. A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas. Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que as habilidades sociais não são necessárias. Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo. O papa Francisco, que é um grande homem, ao ser eleito, deu sua primeira entrevista a Eugenio Scalfari, um jornalista italiano que é um ateu autoproclamado. Foi um sinal: o diálogo real não é falar com gente que pensa igual a você. As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.

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*Fonte / texto: brasil.elpais

zig

Pesquisadores gravam golfinhos conversando como humanos

Não é exatamente uma novidade o fato de os animais se comunicarem. Cada um tem a sua particularidade e os mamíferos se destacam neste quesito. Mas, uma análise feita por pesquisadores ucranianos revelou que os golfinhos conseguem ter conservas semelhantes a dos seres humanos.

O registro foi feito através de um microfone subaquático capaz de distinguir diferentes “vozes” de animais. Já era sabido que os animais usam sons diferentes para mostrar quando estão felizes ou estressados, por exemplo. Mas, o que a pesquisa recente mostrou foi que os golfinhos são muito mais avançados do que se imaginava.

Os cientistas identificaram que os golfinhos alteram o volume e frequência dos sons que emitem, formando palavras, que juntas viram frases, da mesma forma que os seres humanos.

Os pesquisadores da Nature Reserve Karadah analisaram as gravações feitas com dois golfinhos no mar mediterrâneo. A dupla Yasha e Yana foi gravada conversando em uma piscina. Enquanto uma “falava” a outra ouvia, sem interrupções, seguindo de uma resposta.

“Cada impulso que é produzido por um golfinho é diferente do outro por sua aparência no domínio de tempo e pelo conjunto de componentes espectrais no domínio da frequência”, explicou o pesquisador-chefe, Vyacheslav Ryabov, em entrevista ao site The Telegraph. Segundo ele, cada um desses pulsos significa um fonema ou uma palavra na “língua dos golfinhos”.

“Essa linguagem apresenta todas as características presentes na linhada humana falada, isto indica um alto nível de inteligência e consciência dos golfinhos. Sua língua pode ser ostensivamente considerada uma língua falada altamente desenvolvida, semelhante à linguagem humana”, completa o pesquisador.

O cérebro dos golfinhos é maior e muito mais complexo do que o dos humanos. Os pesquisadores acreditam que eles sejam mais de 25 milhões de anos mais complexos do que os nossos.

Os resultados da pesquisa foram publicados em um artigo na revista Science Direct, disponível aqui.

 

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*Fonte: ciclovivo

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Seu cachorro entende o que você fala, garante estudo

BERLIM – Estudiosos encontraram evidências científicas para corroborar o que muitos donos de cachorro já dizem há séculos: seu cão realmente entende o que você fala.

No estudo, publicado pelo periódico “Science”, pesquisadores na Hungria analisaram imagens de ressonâncias magnéticas do cérebro de cães enquanto os animais ouviam seus treinadores falando. O objetivo era determinar que partes do cérebro estavam sendo ativadas quando eles escutavam os treinadores. Os cientistas descobriram que os animais processam as palavras ouvidas com o hemisfério esquerdo do cérebro e a entonação da voz, com o direito. Exatamente como os humanos.

Mas, para os cachorros entenderem, é preciso ser coerente. Na pesquisa, os cães só registraram que estavam sendo elogiados, por exemplo, quando as palavras e o tom da voz eram positivos. Palavras sem sentido em um tom encorajador ou palavras positivas em um tom neutro não tinham o mesmo efeito.

“Os cérebros dos cachorros se importam com o que dizemos e como dizemos isso. Elogios só são uma recompensa para eles se falamos a coisa certa do jeito certo”, afirma o pesquisador chefe Attila Andics, neurocientista da Universidade Eotvos Lorand, em Budapeste.

Andics afirma que a descoberta sugere que a habilidade de processar mentalmente a linguagem evoluiu mais cedo do que se acreditava e que o que separa os humanos das outras espécies é a invenção das palavras.

“Achávamos que as capacidades neurais de processar mentalmente palavras eram unicamente humanas. Agora descobrimos que são compartilhadas com outras espécies. Isso sugere que a grande mudança que tornou os humanos capazes de começarem a usar palavras não foi uma grande mudança em capacidade neural”, afirma o cientista.

Embora outras espécies provavelmente tenham a habilidade mental de entender linguagem como cães fazem, a sua falta de interesse na fala humana torna testes difíceis. Já os cães estão socializados com a Humanidade há milhares de anos, ou seja, prestam mais atenção no que as pessoas dizem.

Segundo o professor, todos os cachorros estavam acordados, soltos e felizes durante os testes. Nenhum foi sedado ou drogado durante os procedimentos, que consistiam em convence-los a entrar na máquina e ficar lá por cerca de 20 minutos enquanto ouviam o treinador.

“Só usamos cães voluntários, ninguém foi preso lá”, diz ele.

 

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*Fonte: oglobo

Estes são os dados que Pokémon Go está coletando dos celulares

Nos cinco dias frenéticos desde o lançamento nos EUA, o Pokémon Go se transformou em uma sensação econômica e cultural. Baixado por milhões, o jogo aumentou o valor de mercado da Nintendo em US$ 9 bilhões (e contando), criou um grande exemplo da realidade aumentada como formato do futuro e uma série de encontros estranhos, assustadores e coincidentes na vida real.

E conforme milhões de usuários andam pelo país pegando Pikachus e Jigglypuffs, a empresa saída da Alphabet, Niantic Inc., que desenvolveu o jogo, está coletando informações sobre os treinadores Pokémon. E certamente está pegando todos.

Como a maioria dos apps que funcionam com GPS no seu celular, o Pokémon Go é capaz de dizer muita coisa sobre você com base nos seus movimentos, conforme você joga: aonde você vai, quando você foi lá, como você foi lá, quanto tempo você ficou e quem mais estava lá. E, como muitos desenvolvedores que constroem esses apps, a Niantic guarda essas informações.

De acordo com a política de privacidade de Pokémon Go, a Niantic pode coletar — entre outras coisas — seu endereço de e-mail, endereço IP, a página da web que você estava usando antes de entrar no Pokémon Go, seu nome de usuário e sua localização. E, se você usar sua conta do Google para se cadastrar e usar um dispositivo iOS, a menos você negue explicitamente isto, a Niantic tem acesso para ler e escrever o seu e-mail, documentos do Google Drive e mais. (Isso também significa que, caso os servidores da Niantic sejam invadidos, quem quer que tenha invadido os servidores possivelmente tem acesso a toda a sua conta do Google. E você pode apostar que a enorme popularidade do jogo o tornou um alvo para hackers. Dado o número de crianças jogando o jogo, esse é um pensamento assustador.) Você pode verificar o tipo de acesso que a Niantic tem da sua conta do Google.

Ela também pode compartilhar as informações com outras partes, incluindo a Pokémon Company, que contribuiu no desenvolvimento do jogo, “fornecedores de serviços terceiros” e “terceiros” para conduzir “pesquisa e análise, mapeamento de perfil demográfico e outras finalidades semelhantes”. De acordo com a política, ela também pode compartilhar quaisquer informações que coletar com as autoridades, em resposta a uma solicitação jurídica, para proteger seus próprios interesses ou impedir “atividades ilegais, antiéticas ou legalmente contestáveis”.

Nenhuma dessas cláusulas de privacidade são exclusivas do app. Apps baseados em localização, do Foursquare ao Tinder, fazem coisas parecidas. Mas os dados de mapeamento incrivelmente detalhamos e bloco a bloco do Pokémon Go, combinados com sua popularidade explosiva, podem em breve fazer dele uma dos mais, se não o mais detalhado mapa social baseado em localização já compilado.

E está tudo, ou em maior parte, nas mãos da Niantic, uma pequena empresa de desenvolvimento de realidade aumentada com fortes raízes no Vale do Silício. A origem da empresa remonta à startup de visualização de dados geoespaciais Keyhole Inc., que o Google adquiriu em 2004. Ela teve um papel crucial no desenvolvimento do Google Earth e do Google Maps. E, embora a Niantic tenha saído da Alphabet no fim do ano passado, a empresa matriz do Google ainda é uma de suas principais investidoras, assim como a Nintendo, que é acionista majoritária da Pokémon Company. O Google ainda era dono da Niantic quando ela lançou seu primeiro jogo, Ingress, que é o que a Niantic usou para selecionar os locais para os Pokéstops e ginásios.

Citando os planos do CEO John Hanke, um representante da Niantic não conseguiu esclarecer ao BuzzFeed News se a empresa vai compartilhar os dados de localização com a Alphabet ou a Nintendo. Um representante do Google encaminhou o pedido de comentários do BuzzFeed News para a Niantic.

Dado o fato de que Pokémon Go já tem milhões de usuários e que já atraiu a atenção das autoridades, parece provável que, em algum ponto, a polícia vai tentar fazer a Niantic entregar informações dos usuários. E se o histórico do Google é alguma indicação — no início deste ano, um repórter mostrou que a empresa atendeu a 78% das solicitações de dados de usuários feitas pelas autoridades — eles provavelmente estão preparados para cooperar.

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*Fonte: buzzfeed / Joseph Bernstein

 

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Quais as línguas mais difíceis de aprender?

Aprender uma nova língua não é fácil, mas por que algumas são mais difíceis que outras? Dois motivos. Primeiro, a distância entre elas na árvore genealógica dos idiomas. Quanto mais próxima, mais fácil de aprender. Outros critérios contam, como alfabeto e pronúncia. Mas o segundo motivo é motivação, segundo linguistas e professores. Ela faz a diferença. Ou seja, você pode até ficar fluente em !Xóõ (pronuncia-se estalando a língua no céu da boca), mas vai precisar de mais tempo. E muita paciência.

Legenda

FAMÍLIA LATINA – Línguas que se originaram da mistura do latim com dialetos populares da Europa e se modificaram ao longo do tempo.

OUTRAS FAMÍLIAS

ALFABETO LATINO – Pode ganhar caracteres para representar sons que não existem nas línguas latinas. Mas a base continua a mesma.

OUTROS ALFABETOs

LÍNGUA TONAL – Tem palavras que mudam completamente o significado, dependendo da entonação que se usa para pronunciar.

NÚMERO DE NATIVOS – Pessoas que têm esse idioma como língua materna.

Fácil

Idiomas com mesma origem têm mais semelhanças. As línguas latinas são como primas que cresceram juntas, mas se afastaram. Francês é mais difícil que espanhol e italiano porque teve influência germânica (exemplo: chic vem do alemão schick). E o inglês é a amiga que se enturmou: somos mais suscetíveis a aprender a língua que está em todo lugar.

Espanhol
Número de nativos – 390 milhões

Família latina

Alfabeto latino

Italiano
Número de nativos – 80 milhões

Família latina

Alfabeto latino

Francês
Número de nativos – 220 milhões

Família latina

Alfabeto latino

Romeno
Aprender a língua do Conde Drácula não é assim tão difícil. Existem aproximadamente 500 palavras semelhantes ou até iguais entre romeno e português. Um exemplo é “superior”, que se escreve e pronuncia da mesma forma.

Número de nativos – 24 milhões

Família latina

Alfabeto latino

Inglês
Número de nativos – 400 milhões

Outras famílias – Germânica

Alfabeto latino

Médio

Aqui entram idiomas de famílias diferentes, mas quase sempre com o mesmo alfabeto: o latino, o mais usado no mundo. Mesmo línguas de outras famílias ficam mais próximas quando usam o mesmo alfabeto de base. Neste caldeirão de letras latinas, está a maioria dos idiomas da Europa.

Alemão
Número de nativos – 100 milhões

Outras famílias – Germânica

Alfabeto latino

Islandês
Número de nativos – 320 mil

Outras famílias – Germânica

Alfabeto latino

Polonês
Número de nativos – 42,7 milhões

Outras famílias – Eslava

Alfabeto latino

Finlandês
É uma das raras línguas ocidentais que não deriva do tronco indo-europeu, mas do urálico (junto com o húngaro e o estoniano). A diferença aparece principalmente na pronúncia, cheia de vogais. Às vezes lembra o japonês.

Número de nativos – 7 milhões

Outras famílias – Fino-permiana

Alfabeto latino

Turco
Número de nativos – 73 milhões

Outras famílias – Turcomana

Alfabeto latino

Grego
Inspirou o latim, origem da língua portuguesa. É, digamos assim, um tio-avô. Então, mesmo com um alfabeto diferente, a expressão “tô falando grego” deveria brincar com outra língua, pois o grego está longe de ser o idioma mais difícil do mundo.

Número de nativos – 13 milhões

Outras famílias – Helênica

Outros alfabetos – Grego

Difícil

O aprendizado de uma língua passa pela escrita. Aqui nos deparamos com letras, ideogramas e sinais que nos são estranhos. E muitas dessas línguas são tonais, o que dificulta. A palavra vietnamita khao, por exemplo, pode significar “ele”, “ela” ou “branco”, dependendo do tempo levado para falar as vogais.

Vietnamita
Número de nativos – 73 milhões

Outras famílias – Mon-khmer

Alfabeto Latino

Língua tonal

Russo
Número de nativos – 164 milhões

Outras famílias – Eslava

Outros alfabetos – Cirílico

Tailandês
Número de nativos – 60 milhões

Outras famílias – Kradai

Outros alfabetos – khmer

Língua tonal

Mandarim
Número de nativos – 885 milhões

Outras famílias – Sino-tibetana

Outros alfabetos – Logograma

Língua tonal

Japonês
Assim como no mandarim, aprendizes de japonês precisam memorizar milhares de ideogramas. São dois sistemas silabários e cinco de escrita. Haja coração (e memória) para encarar essa língua.

Número de nativos – 127 milhões

Outras famílias – Japônica

Outros alfabetos – Logograma

Língua tonal

Coreano
Número de nativos – 71 milhões

Outras famílias – Língua isolada

Outros alfabetos – Hangul

Língua tonal

Árabe
O árabe é tão difícil de aprender a ler que o lado direito do cérebro (responsável por dar uma leitura geral das letras) fica sobrecarregado e simplesmente desliga, deixando o lado esquerdo se virar sozinho.

Número de nativos – 206 milhões

Outras famílias – Semítica

Outros alfabetos – Árabe

Quase impossível
O sistema vocal complexo de alguns idiomas exóticos torna a tarefa de aprendê-los quase impossível. O que vai fazer diferença, daqui para a frente, é a determinação e a força no gogó. Há registros de africanos que desenvolveram caroços na laringe por causa do !Xóõ.

Tuyuca
Só consoantes simples, poucas vogais nasais e um amplo vocabulário. Calma que piora: para os indígenas da Amazônia que dominam a língua, a única forma de afirmar algo é terminando a frase com um verbo (Yoda tuyuca fala?).

Número de nativos – menos de mil

Outras famílias – Tukano oriental

!Xóõ
Em Botsuana, na África, as pessoas conversam usando cliques (estalos feitos com a língua no céu da boca). O alfabeto é construído com cinco cliques básicos e 17 adicionais.

Número de nativos – 2,5 mil

Outras famílias – Khoisan

*Fonte: SuperInteressante
Fontes Neide González, professora de linguística da USP, especializada em aprendizagem de língua estrangeira; Heloísa Salles, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Linguística/UnB; Cláudia Mendes Campos, professora da UFPR; Cambridge Encyclopedia of Language; SIL International.