Por que a MTV Brasil chegou ao fim: uma explicação do vice-presidente Zico Goes

A MTV Brasil, na versão do Grupo Abril, esteve no ar entre os anos de 1990 e 2013. A decisão de dar fim à emissora não chegou a surpreender tanto, devido à progressiva queda de popularidade do canal, mas as razões que explicam tal medida são um tanto curiosas.

Em agosto de 2014, cerca de um ano depois do fim da MTV Brasil, Zico Goes, que foi vice-presidente de programação e conteúdo do canal por anos, realizou uma palestra ao evento CreativeMornings. Por lá, o profissional explicou todas as circunstâncias que levaram ao fim da emissora. As falas foram transcritas por IgorMiranda.com.br.

Vale destacar que a MTV ainda existe no Brasil, mas é totalmente diferente da que esteve no ar no passado. Em 2013, a Abril devolveu a marca à sua dona, a Viacom, que passou a produzir outro tipo de conteúdo.

Fim do videoclipe
Em sua apresentação, Zico Goes, que trabalhou na MTV Brasil durante boa parte da existência do canal, contou que todo o projeto relacionado à emissora era problemático. Os primeiros anos foram muito complicados, pois a audiência era baixa e muito segmentada.

O executivo reconhece, porém, que esse era o charme da MTV – e quando os índices de audiência começaram a subir, a emissora pagou o preço por isso.

“Boa parte do que são as causas da MTV têm a ver com o próprio sucesso. A MTV fez sucesso durante um tempo e pagou o preço desse sucesso por causa da dinâmica do mercado de televisão.”

Os problemas começaram a surgir em 2007, quando, justamente, a emissora abriu mão dos videoclipes. Parecia um caminho óbvio, pois, segundo Zico Goes, música não dá audiência na televisão.

“A partir de 2007, assumimos o fim do ‘Disk MTV’ e a morte do videoclipe. A MTV já percebia que o videoclipe não dá audiência. É natural que seja assim. Música não dá audiência em TV. […] Sempre que alguém cria um programa de variedades, colocam uma banda para encerrar e a audiência sempre cai quando começam a tocar.”

Só que, segundo ele, a decisão não parece ter sido tomada no momento certo, ou da forma devida.

“TV não é o melhor lugar para música e a MTV talvez tenha chegado a essa conclusão tarde demais. Foi polêmico. Queríamos dizer que não queríamos ter uma TV de clipe, mas, sim, uma TV de música, o que também envolve o que não está no videoclipe. Queríamos criar, desenvolver talentos. O clipe não era feito por nós, então, queríamos balancear. Naturalmente, perdemos um pouco a mão, pois rompemos demais, queríamos mais Ibope, mais sucesso.”


Problemas com a internet

Na mesma época, a MTV Brasil deu início a um projeto de tom mais transmidiático, em que conteúdos exclusivos seriam disponibilizados na internet. A emissora trabalhava com o mundo virtual em várias de suas atrações, incluindo chats e votações na web em programas ao vivo, mas também houve um momento em que a emissora “perdeu a mão” nesse sentido.

“Nunca tivemos problema com a internet, não achávamos que seria vilã. Sempre usamos a interatividade. Mas lá fora, a MTV começou a ratear, porque embora fosse um canal moderno, perdeu o passo da internet. Não conseguiu acompanhar. Houve um momento em que o MySpace (rede social) foi oferecido à MTV na gringa, mas a MTV não quis, não sabia o que era uma rede social.”

O executivo apontou que o lançamento do portal MTV Overdrive, que teria conteúdos da emissora que não seriam exibidos na TV – incluindo videoclipes -, foi uma decisão equivocada. O motivo? O site simplesmente não funcionava.

“Nessa ideia de que o videoclipe não era mais um produto televisivo e sim da internet, […] criaram a MTV Overdrive, um site onde todos os videoclipes estariam. O canal de TV era chamado de não-linear, com os programas, às vezes videoclipes, mas a linear, MTV Overdrive, tinha videoclipes. No Brasil, ninguém conseguia acessar. Você chegava nos clientes para tentar vender o comercial, a agência de publicidade não conseguia entrar. Deu tudo errado. Era uma boa intenção, mas chegou tarde e cedo demais ao mesmo tempo, pois no Brasil não engatava.”

Nicho do nicho

Na visão de Zico Goes, o público em si da MTV Brasil também era problemático em termos comerciais. Lidava-se com um nicho, que são os fãs de música – e dentro disso, havia subnichos, devido aos fãs de cada gênero.

“Éramos uma TV nichada para jovens sobre música. Era para poucos. Só que, dentro desse canal, que já era nichado, tinha vários outros nichos da música. Quem não curtia rap, achava uma m*rda assistir programa de rap e pensava a MTV só passava rap. Quem não curtia rock, mesma coisa. Quem tem 15 anos, não vai assistir ao programa de música para mais velhos. E quem é mais velho, vai pensar: ‘pô, é canal de garotada’.”

O diretor aponta que “cada um entendia a MTV de um jeito, pois se relacionava só com um pedaço da MTV”. E isso, em sua visão, “fazia mal” à emissora.

“Quando fizemos aqueles programas de namoro, de auditório, ferrou de vez. Quem curtia só a música, acha que virou uma comédia, uma porcaria, e a MTV começou a sofrer com isso.”

Mais humor, menos música

Como a música ficou em segundo plano, a MTV Brasil passou a investir em programas próprios e muitos deles eram de comédia, gênero que já havia dado certo na emissora com “Hermes e Renato”. Era uma resposta, também, à concorrência que começava a aparecer na TV fechada.

“A partir de 2007, a coisa ficou meio esquizofrênica. O Ibope começou a despencar e o dinheiro começou a fugir porque começou a ter uma mínima concorrência. […] O Multishow começou a levar, a Mix TV por incrível que pareça começou, mesmo sendo só de São Paulo. Atrapalhava a percepção do mercado publicitário.”

Com a aposta no humor, vários talentos foram revelados pela emissora. Um deles, segundo Zico, acabou ficando “maior que a MTV”.

“De 2007 para 2013, aconteceram coisas incríveis. A MTV seguiu lançando novos talentos, ousando. Apareceu esse sujeito que caiu no nosso colo: Marcelo Adnet, que revolucionou a MTV. Dani Calabresa, Tatá Werneck, revolucionaram a MTV. Porém, justamente pelo Adnet ser quem ele é, ele acabou ficando maior que a MTV.”

O retorno em audiência era ótimo, mas o diretor passou a enxergar uma perda de identidade da emissora. Em boa parte deste período, Zico Goes não trabalhava mais para o canal.

“Aconteceu o seguinte: mais humor e menos música. Isso foi muito bom por um lado, pois o Ibope começou a dar sinais de revigoração por esses programas. Só que, de alguma maneira, a MTV começou a perder identidade, e já estava desgastada. Virou a TV do Adnet, do humor, da comédia. Dentro da MTV, quem fazia humor, não falava com quem fazia os musicais e vice-versa. Eles não se aproveitavam uns dos outros.”

Uma curiosidade destacada por Zico: Marcelo Adnet “detesta rock”, o que atrapalhava nessa interconexão entre programas.

“E outra: o Marcelo Adnet detesta rock. Como o cara pode estar na MTV se detesta rock? Mas era o mais brilhante. Talvez a gente não merecia o Adnet, tê-lo por tanto tempo. “Ele pedia mais e mais dinheiro. A MTV começou a pagar. Ele ganhava já como ator global, um salário maior que a Marília Gabriela no GNT, onde trabalhei. Ficávamos amarrados.”

Fator Restart

Um dos pontos mais polêmicos dos anos finais da MTV Brasil foi a relação com a banda Restart, que tinha claro viés pop/adolescente, mas era criticada em nichos por apresentar-se como um grupo de rock – mais especificamente, do subgênero happy rock.

“Outro ponto foi o fator Restart. […] Era uma boy band, nada de mal nisso, mas não tem a ver com música e sim com comportamento. A audiência do ‘Disk MTV’, nosso programa mais pop, era 80% feminina. Já os outros eram masculina. Havia então a piada interna: ‘os meninos gostam de música, as meninas gostam de músico’.”

A presença do Restart se tornou tão massiva na MTV que suas aparições eram frequentes. Era como jogar ainda mais lenha na fogueira dos fãs saudosistas da emissora, que faziam críticas à orientação mais pop da emissora. Ao mesmo tempo, os reflexos em termos publicitários não foram nada bons.

“Essa banda teve tanto marketing que tomou conta da MTV no todo, por toda a programação, não só nos programas como também nos comerciais. O Restart aparecia toda hora, então a MTV passou a ser percebida como um canal muito adolescente. Não é bom ser canal adolescente para o mercado publicitário, pois adolescente não consome tanto quanto alguém um pouco mais velho.”


Fator Sky

Zico Goes apresentou várias boas explicações para o fim da MTV Brasil, porém, na opinião dele, o rompimento com o serviço de TV por assinatura Sky foi “o grande problema”. Em 2008, o canal foi retirado da grade de programação da empresa devido a uma negociação que não deu certo.

“Talvez o grande problema foi o fator Sky. Houve um momento em que o presidente da MTV saiu para tocar outros canais da Abril. O modelo de negócios era o mesmo da MTV: ser distribuído por essas TVs a cabo. Ele disse à Sky que se a empresa quisesse continuar com a MTV, teria de levar esses outros dois canais. O que a Sky falou: ‘um abraço forte para você, tira a MTV já do ar’. Tirou do ar, os canais não entraram e como a Sky era a operadora que mais crescia, a MTV afundava na audiência.”


No fim, licença para “c*g*r”

A atuação inicial de Zico Goes como vice-presidente de programação da MTV Brasil durou de 1998 a 2008 – antes, ele exercia outras funções por lá. Três anos depois, em 2011, o profissional foi convidado para retornar, sob o pretexto de resgatar a identidade da emissora..

“Nos 3 últimos anos, sinal de alerta. A MTV perdia R$ 20 milhões todo ano desde 2008. Voltei para a MTV, pois estava no GNT. Tentei resgatar a identidade da MTV, para ser mais cool, musical, então fizemos a relação: ‘mais Criolo, menos Restart’. O Restart passou a ter toque de recolher: só entrava até às 20h. Depois, era outra TV. Passamos a tocar mais Criolo, mais Emicida, que muitos não conheciam. Resultado? Ibope lá para baixo.”

Era como nadar contra a correnteza: ele afirma que, sem seu conhecimento, o Grupo Abril já havia decidido devolver a marca para a Viacom. O projeto já estava “morto”, ainda que seguisse no ar.

“A Abril já queria se livrar da MTV. Eu não sabia. Voltei achando que queriam recuperar, mas já tinham combinado de devolver para os gringos. Fiquei 3 anos iludido, estava marcado para não dar certo. Fora os boatos de que o canal acabaria, o que espantou o mercado publicitário.”

Foi um dos períodos mais inventivos do canal, segundo o diretor. Havia, em suas palavras, “licença para c*g*r” com diversos experimentos na grade de programação.

“Foi incrível porque, ao mesmo tempo, tínhamos liberdade total, licença para c*g*r. […] Criamos o ‘Comédia ao vivo’, ‘Furo MTV’, ‘Trolalá’ com a Tatá, ‘Rockgol no Morro dos Prazeres’, o último VMB com show dos Racionais que não tocam em lugar nenhum fora da MTV, ‘Último Programa do Mundo’, Wagner Moura com Legião Urbana, ‘Menina Sem Qualidade’.”

A MTV Brasil chegou ao fim, oficialmente, em 30 de setembro de 2013. No dia seguinte, entrou no ar a “nova MTV”, controlada pela Viacom e com linha editorial bem diferente.

“A Viacom não queria a MTV Brasil, pois a Abril pagava royalties para eles. Como eles perderam isso, não queriam saber de nada do que fizemos antes. Fizeram uma programação completamente diferente. Mas conseguimos brincar um pouco com esse fim, chamei os VJs antigos, fizemos uma festa ao vivo no final. A Viacom e a Abril não queriam isso. Queriam que a gente ficasse pianinho, por já estar entregando o canal, e só passasse videoclipe. Falei: ‘que mané videoclipe, vou ter o canal 3 meses para mim, vou fazer o que eu quiser.”

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*Por igormiranda

Assista ao clipe da música inédita de Emicida para o filme “Chico Rei Entre Nós”

Emicida cedeu sua composição inédita para o longa-metragem “Chico Rei Entre Nós“, dirigido por Joyce Prado, que estreia na noite desta quarta-feira (17), às 20 horas, no Canal Brasil. O paulistano, que completa aniversário hoje, também interpreta a música que leva o nome do filme.

Chico Rei, ou Galanga, foi um importante nome quando falamos de escravidão no Brasil. Galanga foi um rei congolês escravizado que libertou a si e aos seus seguidores durante o Ciclo de Ouro em Minas Gerais. Embora não tenha comprovação histórica de sua existência, o personagem é muito presente na tradição oral mineira desde o século XVIII. Assista abaixo ao clipe:

O objetivo do filme é exibir a história de Chico Rei e relatar as consequências da escravidão brasileira na vida das pessoas negras nos dias de hoje. O documentário recebeu dois prêmios, no ano de 2020, na Mostra Internacional de Cinema. O longa foi escolhido como melhor documentário nacional pela votação popular e igualmente recebeu uma menção honrosa do júri oficial, formado pela montadora Cristina Amaral, a produtora Sara Silveira e o diretor Felipe Hirsch.

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*Fonte: noize 

Caetano Veloso – 80 anos!

Hoje o genial Caetano Veloso completa 80 anos. Acho que não se faz necessário ficar aqui comentando sobre sua carreira musical e artística, visto que se trata de um grande ícone cultural brasileiro. Então vou direto ao assunto.
Feliz Aniversário Caetano!

Brasil perdeu quase 800 bibliotecas públicas em 5 anos

Entre 2015 e 2020, o Brasil perdeu ao menos 764 bibliotecas públicas, segundo dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), mantido pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo.

Em 2015, a base de dados contava 6.057 bibliotecas públicas no Brasil, número que caiu para 5.293 em 2020, dado mais recente disponível no site do SNBP.

Para especialistas em biblioteconomia, a queda no número de bibliotecas revela um descaso do poder público com a população mais vulnerável, que não tem acesso a livrarias.

Eles também alertam que o número de bibliotecas fechadas pode ser ainda maior, devido à atual fragilidade do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, após a extinção do Ministério da Cultura, e da falta de controle efetivo pelos sistemas estaduais, cujos dados alimentam o sistema nacional.

Bibliotecas públicas são aquelas mantidas pelos municípios, Estados, Distrito Federal ou governo federal, que atendem a todos os públicos. São consideradas equipamentos culturais e, portanto, estão no âmbito das políticas públicas do governo federal — antes, sob o Ministério da Cultura e atualmente, com a extinção da pasta, sob a Secretaria Especial da Cultura.

Não entram nessa conta as bibliotecas escolares e universitárias, que têm como público-alvo alunos, professores e funcionários das instituições de ensino.

Procurada pela BBC News Brasil, a Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo não respondeu a questionamento sobre o que explica o fechamento de centenas de bibliotecas públicas nos últimos anos, nem qual a política do governo Jair Bolsonaro (PL) para bibliotecas.

O Plano Nacional de Cultura, conjunto de objetivos para o setor em vigência desde 2010 cuja validade foi prorrogada por Bolsonaro até 2024, tem como uma das metas “garantir a implantação e manutenção de bibliotecas em todos os municípios brasileiros”.

A perda de mais de 700 bibliotecas nos últimos anos deixa o país cada vez mais distante desta meta. Bibliotecas públicas no Brasil. País perdeu 764 bibliotecas entre 2015 e 2020.

SP e MG foram os que mais fecharam bibliotecas
Das 764 bibliotecas públicas fechadas em cinco anos, 698 (ou 91% do total) estavam localizadas nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo em sua maioria bibliotecas municipais.

São Paulo tinha 842 bibliotecas públicas em 2015, segundo o SNBP, número que caiu para 304 em 2020, com a perda de 538 unidades em cinco anos. O montante representa 70% de todas as bibliotecas fechadas no país no período.

A SP Leituras, organização social atualmente responsável pela gestão do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB), confirmou que os números registrados no sistema nacional estão corretos e foram fornecidos pelo SisEB, ponderando, porém, que podem tratar-se de dados intermediários e não do recadastramento oficial feito ao final de cada ano.

Segundo a organização, parte da queda no número de bibliotecas é explicada pela pandemia, que levou ao fechamento provisório ou permanente de diversas unidades.

Questionada sobre os motivos dos fechamentos desde 2015, antes da pandemia, a SP Leituras remeteu o questionamento à Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo.

“É difícil concluir o motivo da variação (ou queda) de número de instituições. Sabemos que, infelizmente, muitas bibliotecas foram sendo fechadas ano após ano, mas não podemos afirmar, com certeza absoluta que estes são os números finais”, respondeu a pasta, por e-mail.

Minas Gerais, por sua vez, somava 888 bibliotecas públicas em 2015, número que caiu para 728 em 2020, uma perda de 160 bibliotecas em cinco anos, conforme os dados do SNBP.

Procurada para comentar a queda no número de bibliotecas, a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais respondeu que “o Governo de Minas se responsabiliza pelos dados do cadastro estadual, sendo que em Minas Gerais, o número de bibliotecas públicas cadastradas no Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, no dia de hoje [12/7] é de 752 equipamentos”.

Ainda conforme a pasta, a atualização é realizada a cada quatro anos e o novo recadastramento será feito em dezembro de 2022. “Outros cadastros são de responsabilidade dos entes pelos quais são gerados e, cabe aos municípios participarem ou não dos mesmos”, completou a secretaria.

O fechamento de bibliotecas entre 2015 e 2020 no país reverte tendência de anos anteriores.

De 2004 a 2011, período em que durou o Programa Livro Aberto do governo federal em parceria com municípios, 1.705 novas bibliotecas foram criadas no Brasil e 682 modernizadas, segundo informações do próprio site do SNBP.

A BBC News Brasil solicitou ao SNBP a série histórica do cadastro de bibliotecas públicas em funcionamento no Brasil ano a ano, mas não obteve resposta.

O levantamento foi feito então comparando os dados referentes a 2015 disponíveis no antigo site do SNBP arquivado pelo projeto Internet Archive e os dados referentes a 2020, disponíveis atualmente no site do Ministério do Turismo.

‘Descaso com os mais vulneráveis’
Fábio Cordeiro, presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), avalia que o fechamento de bibliotecas no Brasil nos últimos anos é explicado por uma série de fatores.

“Bibliotecas são equipamentos culturais e, durante esse último período, tivemos a eliminação do Ministério da Cultura e uma falta de valorização desses equipamentos”, afirma Cordeiro. “O fechamento das bibliotecas públicas revela a falta de investimento e de interesse do governo.”

Ele cita ainda um descaso com a população de baixa renda, que depende mais das bibliotecas.

“Há uma falta de políticas voltadas para a parte mais vulnerável da população, que não tem acesso a livrarias, não tem renda para poder comprar livros. Justamente quem mais precisa de bibliotecas são as pessoas mais vulneráveis, que não tem o acesso tão fácil ao livro.”

As vendas de livros no Brasil caem ano após ano. Em 2013, ano de melhor desempenho do mercado livreiro nacional na última década, as vendas das editoras para livrarias somaram 279,7 milhões de exemplares, segundo levantamento realizado pela Nielsen BookData para a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).

No ano passado, foram 191 milhões de livros vendidos, uma queda de 1% em relação aos 193 milhões de livros vendidos em 2020 e recuo de 32% em relação ao pico de 2013.

Também em 2021, o rendimento médio mensal dos brasileiros caiu ao menor patamar desde 2012, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), para R$ 1.353.

Ainda conforme o IBGE, o percentual de municípios brasileiros com bibliotecas públicas caiu de 97,7% em 2014, para 87,7% em 2018, segundo a edição mais recente da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) que incluiu este tema. O percentual subia ano a ano até 2014, quando passou a cair.

Cordeiro cita ainda o avanço das novas tecnologias como um fator que tem reduzido o público das bibliotecas.

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro, em 2019, 68% dos brasileiros diziam nunca frequentar bibliotecas.

Mas o fechamento de unidades parece também influenciar nisso, já que, naquele ano, 45% dos entrevistados diziam não existir biblioteca pública em sua cidade ou bairro, acima dos 20% que davam essa mesma resposta em 2007.

Adriana Ferrari, diretora técnica da Biblioteca Florestan Fernandes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e vice-presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (Febab), avalia que há uma fragilidade nos dados disponibilizados pelo SNBP, porque não há uma coleta efetiva de informações.

Atualmente, segundo o SNBP, a coleta é feita em parceria com os Sistemas Estaduais e Distrital de Bibliotecas Públicas.

“Alguns Estados têm um controle mais eficaz sobre seus sistemas estaduais, outros têm um controle mais frágil. Então essa queda maior na região Sudeste pode ser um resultado da qualidade da coleta de dados”, afirma.

“Não me sinto segura em assumir que foram só essas [764] bibliotecas que fecharam. Acredito que esse número pode ser ainda maior, porque vemos um sucateamento há anos de todo o sistema de acesso à informação, à leitura, à cultura e das bibliotecas em si”, diz Ferrari.

A bibliotecária observa que o Plano Nacional de Cultura nunca foi cumprido. E, mesmo após a aprovação da Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE), conhecida como Lei Castilho (Lei 13.696/18), sancionada por Michel Temer (MDB), o objetivo de “universalização do direito ao acesso ao livro, à leitura, à escrita, à literatura e às bibliotecas” em nada avançou.

“Não temos nenhuma política pública em pé, não temos o Ministério da Cultura, que é a pasta que gerencia o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas. Então, o sistema existe, mas com uma estrutura extremamente fragilizada. Por isso, não avançamos. Pelo contrário, a gente vem retrocedendo”, afirma.

“A biblioteca não é só um espaço do livro e da leitura, ela é uma porta de infinitas possibilidades, de abertura de repertórios culturais. São espaços de encontros, de pertencimento, então elas vão além das coleções”, diz Ferrari, que defende o fortalecimento das políticas públicas para reverter esse cenário de retrocessos.

Durante a Bienal do Livro, realizada neste mês de julho em São Paulo, a CFB lançou a campanha #SouBibliotecaEscolar, que busca o cumprimento da Lei nº 12.244/2010 (Lei da Universalização das Bibliotecas Escolares), que determinou que todas as instituições públicas e privadas de ensino do país passem a contar com bibliotecas, com acervo mínimo de um título por aluno matriculado.

O prazo de cumprimento da lei se esgotou em 2020, sem que a meta fosse atingida.

Já a Febab lança em breve uma plataforma com o objetivo de mapear todas as bibliotecas, de todos os tipos (públicas, escolares, universitárias e comunitárias) do país. A ideia é poder monitorar e ajudar os sistemas estaduais a ter dados mais consistentes sobre esses equipamentos públicos.

– Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62142015

*Por Thais Carrança
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*Fonte: bbc-brasil

O museu dedicado a preservar sons ameaçados de extinção

“Imagine um mundo onde nunca mais ouviremos a inicialização sinfônica de um computador com Windows 95. Imagine gerações de crianças que não estão familiarizadas com a tagarelice dos anjos alojados nas profundezas de uma velha TV de tubo.” Foram esses medos de Brendan Chilcutt que o motivaram a criar o The Museum Of Endangered Sounds, um site que abriga sons de diversas tecnologias antigas.

The Museum Of Endangered Sounds foi criado em 2012.

Lançada em janeiro de 2012, essa espécie de museu virtual tem como objetivo preservar barulhos de equipamentos eletrônicos famosos das décadas passadas. O acervo é composto por registros sonoros de máquinas de escrever, teletipos e vitrolas, além das trilhas de video games antigos, como Pacman e Tetris.

Assim que você entra no site, é recepcionado por um pop-up que contém boas-vindas e instruções. Para escutar algum dos 33 sons disponíveis no museu, basta clicar na miniatura de cada um. Para parar de ouvir, é necessário clicar de novo. Mas também é possível escutar mais de um som ao mesmo tempo: é só clicar em várias miniaturas e aproveitar a sinfonia eletrônica.

Algumas das 33 opções de sons disponíveis, como telefone público, fita cassete e Tamagotchi.

Criado como uma forma de catalogar sons que não são mais populares graças à modernização da tecnologia, o projeto de Chilcutt carrega uma grande atmosfera nostálgica. É uma ótima maneira de relembrar o passado e também de novas gerações o conhecerem pela primeira vez.

*Por Roanna Azevedo
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*Fonte: hypeness

Venda de vinil cresce em 27% durante a pandemia

Uma pesquisa intitulada “Revelações sobre a revolução do vinil“, publicada na semana passada pela empresa americana de pesquisa e análise MusicWatch, que atende a indústria da música há quase um quarto de século, e afirmou que cerca de 18 milhões de pessoas acima de 13 anos compraram um disco em 2021 – um aumento de 27% em relação às vendas em 2020.

O maior interesse do público, consequentemente também influenciou outro mercado, o da venda de toca-discos e outros componentes de áudio. O estudo publicado estima que um em cada três proprietários de toca-discos planeja atualizar seus equipamentos pelo próximo ano.

A pesquisa ouviu cerca de 1.400 consumidores nos Estados Unidos, em quase todos os segmentos de estilo de vida, incluindo a população em geral e os entusiastas do vinil. O trabalho foi realizado em parceria com a Recording Industry Association of America (RIAA) e Music Business Association.

“Esta pesquisa histórica conduzida pela MusicWatch ressalta o papel único que os discos de vinil estão desempenhando hoje. O relatório mostra que o vinil ajuda os fãs a apoiar e se conectar com artistas e a música que eles amam, tanto da maneira antiga quanto da nova”, afirma Mitch Glazier, presidente e CEO da RIAA.

Um olhar mais atento aos números do estudo MusicWatch

Entre os itens que o estudo descobriu em sua pesquisa incluem:

– Entre os consumidores de vinil nos últimos dois anos, 71% compraram discos novos e 67% compraram discos de vinil usados.

– Quase todos os consumidores pesquisados ​​(95%) esperam continuar comprando discos no próximo ano.

– Mais de um em cada três compradores compram vinil há mais de 10 anos, e esses consumidores valorizam a “autenticidade e aconchego” que os discos de vinil oferecem.

– O estudo mostra que os consumidores que começaram a comprar discos mais recentemente apreciam a qualidade do som que o vinil oferece, bem como sua embalagem e arte, que compõem a experiência total do disco de vinil.

– A coleta de discos também é popular com 16% dos compradores comprando discos estritamente para possuí-los, enquanto 21% compram discos para possuir seus LPs e ouvir vinil.

– O MusicWatch também diz que os compradores de vinil também estão utilizando uma variedade de outros formatos de compra de música, incluindo as mais recentes soluções de streaming.

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*Fonte: noize

8 inesquecíveis poemas de Mário Quintana

Das utopias
Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
– Mario Quintana, do livro “Espelho mágico”, 1945-1951.

Da observação
Não te irrites, por mais que te fizerem…
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio…
– Mario Quintana, do livro “Espelho mágico”, 1945-1951.

Bilhete
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…
– Mario Quintana, do livro “Esconderijos do tempo”, 1980.

Seiscentos e sessenta e seis
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ªfeira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente…

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
– Mario Quintana, do livro “Esconderijos do tempo”, 1980.

Confissão
Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece…
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

Madrigal
Tu és a matéria plástica de meus versos, querida…
Porque, afinal,
Eu nunca fiz meus versos propriamente a ti:
Eu sempre fiz versos de ti!
– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

Inquietude
Esse olhar inquisitivo que me dirige às vezes nosso próprio cão…
Que quer ele saber que eu não sei responder?
Sou desse jeito… Vivo cercado de interrogações.
Dinheiro que eu tenha, como vou gastá-lo?
E como fazer para que não me esqueças?
(ou eu não te esqueça…)
Sinto-me assim, sem motivo algum,
Como alguém que estivesse comendo uma empada de camarão sem
camarões
Num velório sem defunto…
– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

Quando eu me for
Quando eu me for, os caminhos continuarão andando…
E os meus sapatos também!
Porque os quartos, as casas que habitamos,
Todas, todas as coisas que foram nossas na vida
Possuem igualmente os seus fantasmas próprios,
Para alucinarem as nossas noites de insônia!
– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

“Clube da Esquina” é eleito o melhor álbum brasileiro da história

Completando 50 anos neste ano de 2022, o álbum de estúdio Clube da Esquina (1972), de Lô Borges e Milton Nascimento continua fazendo história por onde passa. Nesta segunda-feira (9), o disco foi eleito o melhor álbum brasileiro da história por uma votação realizada pelo podcast Discoteca Básica.

A decisão foi tomada por 162 especialistas de diferentes áreas ligadas à produção musical (jornalistas, youtubers, podcasters, músicos, produtores e mais) ouvidos pela equipe do podcast. O editor da NOIZE, Ariel Fagundes, estava entre o time que participou da eleição.

Chegando ao resultado final, com 500 discos, os jurados fizeram sua lista pessoal dos 50 melhores álbuns brasileiros. Entre o top 10, estão álbuns de artistas como Racionais MC’s, Novos Baianos, Jorge Ben Jor e mais.

O resultado completo da votação será publicado na obra “Os 500 maiores álbuns brasileiros de todos os tempos“. Para a produção do material, foi criada uma campanha de financiamento coletivo no site Catarse. O responsável pelo projeto, o jornalista Ricardo Alexandre, criador do podcast Discoteca Básica, tinha o objetivo de arrecadar R$ 80 mil, porém a meta já foi ultrapassada e se encontra em mais de R$ 95 mil reais. Para fazer sua doação, é só entrar no site do Catarse.

Confira abaixo o top 10, entre os 500 escolhidos:

1. Clube da Esquina (1972) – Milton Nascimento e Lô Borges

2. Acabou Chorare (1972) – Novos Baianos

3. Chega de Saudade (1959) – João Gilberto

4. Secos & Molhados (1973) – Secos & Molhados

5. Construção (1971) – Chico Buarque

6. A Tábua de Esmeralda (1974) – Jorge Ben Jor

7. Tropicália ou Panis et Circencis (1968) – Vários artistas

8. Transa (1972) – Caetano Veloso

9. Sobrevivendo no Inferno (1997) – Racionais MC’s

10. Elis & Tom (1974) – Elis Regina e Tom Jobim

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*Fonte: noize

Beatles: Um em cada três jovens britânicos não conhece a banda

A pesquisa tinha o intuito de levantar quantos jovens de 16 a 23 anos conheciam as ‘estrelas mais velhas da música’

Os Beatles são considerados a banda mais influente de todos os tempos — no entanto, uma pesquisa realizada pela empresa Censuswide no Reino Unido apontou que praticamente um em cada três jovens britânicos não conhece o grupo.

A pesquisa foi realizada com 2 mil entrevistados no Reino Unido — e tinha o intuito de levantar quantos jovens de 16 a 23 anos conheciam as “estrelas mais velhas da música.”

O levantamento mostrou que “68,97% da Geração Z estava familiarizada com o trabalho dos Beatles”. O que equivale a um a cada três jovens britânicos — uma ótima média se comparada com Aretha Franklin, já que menos de 40% dos entrevistados conheciam a artista.

Além dos Beatles, Queen,David Bowie e Pink Floyd receberam resposta positiva, acumulando, respectivamente, 66,81%, 53,88% e 51,72% de jovens familiarizados com seus sons.

“Quando perguntamos se as pessoas acham músicas ou artistas antigos chatos, a Gen Z foi a geração que mais concordou que sim, com quase 34% [das respostas]”, explicaram os realizadores da pesquisa.

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*Fonte: rollingstone

A história das notas musicais

Independente de qual o estilo musical, desde as clássicas às chicletes, as músicas possuem algo em comum. Isso porque todas as melodias que escutamos são criadas utilizando variações das sete notas musicais: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si.

No entanto, você já parou para pensar como foram criadas as notas musicais? Se elas já existiam da forma como conhecemos atualmente ou se foram padronizadas ao longo dos anos? Responderemos a essas dúvidas logo abaixo.

O filósofo Pitágoras e o monocórdio
Para estudar a história da música é preciso citar o filósofo, matemático e astrólogo grego, Pitágoras. Ele foi quem descobriu uma forma que uma única corda pudesse produzir diversos sons, porém, obedecendo uma lógica.

O filósofo desenvolveu um instrumento musical nomeado como “monocórdio”, que possuía apenas uma corda. Pitágoras notou que ao tocar a corda esticada ele escutava um som, mas dividindo-a o som era diferente.

De acordo com essa lógica, os sons eram gerados em escalas e com essa descoberta se originou as escalas musicais. Elas servem como base para a criação de vários instrumentos musicais. Um exemplo são as cordas de violão, que são todas iguais, porém, geram sons diferentes por causa do posicionamento de forma diversa que obedece à escala musical.

O nome das notas musicais

Como os alfabetos ao redor do mundo, o nome das notas musicais como conhecemos atualmente veio de uma convenção social. Ela foi baseada no trabalho e pesquisa de antigos estudiosos.

Essa técnica é uma forma de organizar as melodias, possibilitando que uma pessoa registre uma melodia em particular e que outra pessoa possa reproduzir o mesmo som após ler o registro. Isso é fundamental para o ensino da música e para a preservação delas para a história.

Vale lembrar que durante a Idade Média, as melodias eram escritas em partituras diferentes das atuais, as neumas. No entanto, esse método apresentava um problema, já que era complicado, o que dificultava a memorização das letras das músicas.

É importante ressaltar que o canto gregoriano era o estilo musical mais importante do momento, visto que era utilizado como uma maneira de divulgar o Cristianismo pela Igreja Católica. Naquele momento, o canto gregoriano era apresentado em Latim até mesmo em países que falavam outros idiomas e dialetos, tornando o ensino de música ainda mais difícil.

Por causa disso, o monge Guido Arezzo (992-1050) decidiu nomear as notas musicais de formas que poderiam ser decoradas com maior facilidade. Os nomes foram escolhidos de acordo com as iniciais de cada verso do “Hino a São João Batista”.

Ut queant laxis

Resonare fibris

Mira gestorum

Famuli tuorum

Solve polluti

Labii reatum

Sancte Ioannes

Com isso, surgiram as sete notas: Ut, Re, Mi, Fa, Sol, La e Si. Ao longo dos anos, a nota Ut passou a se chamar Dó, porque era mais fácil de cantar. Essa mudança foi essencial para o ensino e desenvolvimento da música até os dias atuais, cerca de mil anos depois da criação.

*Por Nathalia Matos
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*Fonte: fatosdesconhecidos

O que é a leitura profunda e por que ela faz bem para o cérebro

A pesquisa da neurocientista Maryanne Wolf aponta que “não há nada menos natural do que ler” para os seres humanos — mas isso não é de forma alguma ruim.

“A alfabetização é uma das maiores invenções da espécie humana”, diz a especialista americana. Além de útil, é tão poderosa que transforma nossas mentes: “Ler literalmente muda o cérebro”, diz ela.

O avanço da tecnologia e a proliferação das mídias digitais, contudo, têm modificado profundamente a forma como lemos.

Apesar de estarmos lendo mais palavras do que nunca — uma média estimada de cerca de 100 mil por dia —, a maioria vem em pequenas pílulas nas telas de celulares e computadores, e muita coisa é lida “por alto”.

Essas mudanças de hábito têm preocupado cientistas, entre outros motivos, porque a transformação de novas informações em conhecimento consolidado nos circuitos cerebrais requer múltiplas conexões com habilidades de raciocínio abstrato que muitas vezes faltam na leitura “digital”.

Um universo de símbolos
Ao contrário da linguagem oral, da visão ou da cognição, não existe uma programação genética nos humanos para aprender a ler.

Se uma criança, em qualquer parte do mundo, estiver em um ambiente em que as pessoas a seu redor conversam umas com as outras, sua linguagem será naturalmente ativada. O mesmo não acontece com a leitura, que implica a aquisição de um código simbólico completo, visual e verbal.

É uma invenção relativamente recente — “é uma piscadela em nosso relógio evolutivo: mal tem 6 mil anos”, diz Wolf.

“Começou de forma simples, para marcar quantas taças de vinho ou ovelhas tínhamos. E, com o nascimento dos sistemas alfabéticos, passamos a ter um meio eficiente de armazenar e compartilhar conhecimento.”

“Ler é um conjunto adquirido de habilidades que literalmente muda o cérebro”, ressalta a neurocientista.

“Permite fazer novas conexões entre regiões visuais, regiões da linguagem, regiões de pensamento e emoção”, completa.

Essa transformação “começa com cada novo leitor”. “(A habilidade de ler) Não existe dentro de nossa cabeça. Cada pessoa que aprende a ler tem que criar um novo circuito em seu cérebro.”

E isso abre portas para um novo mundo.

Saúde mental

“A leitura traz três poderes mágicos: criatividade, inteligência e empatia”, pontua Cressida Cowell, escritora de literatura infantil e autora da série Como Treinar Seu Dragão.

“Ler por prazer é um dos fatores-chave para o sucesso financeiro de uma criança na vida adulta. É mais provável que ela não acabe na prisão, que vote, que tenha casa própria…”

Além disso, “ler uma grande história é muito mais do que entretenimento”, acrescenta a biblioterapeuta Ella Berthoud.

“A leitura, na verdade, tem muitos benefícios terapêuticos. Seu cérebro entra em um estado meditativo, um processo físico que retarda o batimento cardíaco, acalma e reduz a ansiedade”, diz Berthoud.

Para ela, por exemplo, ler o romance Zorba, o Grego, de Níkos Kazantzákis, funciona como um remédio conta “claustrofobia, raiva e exaustão”.

A arte de prescrever ficção para curar as doenças da vida, batizada de biblioterapia, foi reconhecida no Publisher’s Illustrated Medical Dictionary, um dicionário médico ilustrado publicado nos Estados Unidos em 1941.

A prática remonta à Grécia Antiga, quando avisos eram afixados nas portas das bibliotecas para alertar os leitores de que estavam prestes a entrar em um local de cura da alma.

No século 19, psiquiatras e enfermeiras prescreveram todos os tipos de livros para seus pacientes, desde a Bíblia até literatura de viagem e textos em línguas antigas.

Vários estudos mais recentes, dos séculos 20 e 21, mostraram que a leitura aguça o pensamento analítico, o que nos permite aprimorar nossa capacidade de discernir padrões, uma ferramenta muito útil diante de comportamentos desconcertantes dos outros e de nós mesmos.

A ficção, em particular, pode transformar os leitores em pessoas mais socialmente habilidosas e empáticas. Os romances, por sua vez, podem informar e motivar, os contos confortam e ajudam a refletir, enquanto a leitura de poesia já demonstrou estimular partes do cérebro relacionadas à memória.

Muitos desses benefícios, no entanto, dependem de um estado conhecido como “leitura profunda”.

Pensamento analítico
“Quando lemos em um nível superficial, estamos apenas obtendo a informação. Quando lemos profundamente, estamos usando muito mais do nosso córtex cerebral”, explica Maryanne Wolf.

“Leitura profunda significa que fazemos analogias e inferências, o que nos permite sermos humanos verdadeiramente críticos, analíticos e empáticos.”

Em seu livro Proust and the Squid: The Story and Science of the Reading Brain (“Proust e a Lula: a História e a Ciência por Trás do Cérebro que Lê”, em tradução livre), a especialista em neurobiologia da leitura explica como, “a certa altura, quando uma criança vai da decodificação à leitura fluente, o caminho dos sinais através do cérebro muda”.

“Em vez de percorrer um trajeto dorsal (…), a leitura passa a se deslocar por um caminho ventral, mais rápido e eficiente. Como o tempo depreendido e o gasto de energia cerebral são menores, um leitor fluente será capaz de integrar mais seus sentimentos e pensamentos à sua própria experiência”, escreve.

“O segredo da leitura está no tempo que ela libera para que o cérebro possa ter pensamentos mais profundos do que antes.”

Mas, enquanto o processo de aprender a ler muda nosso cérebro, o mesmo acontece com o que lemos e como lemos.

Tempos modernos
Há aqueles, contudo, que acreditam que as novas plataformas são parte da solução, e não do problema.

Para Chris Meade, autor que utiliza vários tipos de mídia para veicular seu trabalho, “pensamos no livro como a obra, mas o livro é apenas um mecanismo de entrega”.

A narrativa transmídia é um tipo de história em que o enredo se desenrola por meio de múltiplas plataformas — aplicativos, livros digitais, games, quadrinhos, blogs — e na qual os consumidores podem assumir um papel ativo no processo de construção.

“As novas mídias estão dando voz a uma nova geração de escritores. Elas impedem que nos condicionemos a pensar que existe apenas um tipo de ‘boa escrita’ e permitem que as pessoas simplesmente compartilhem histórias e experiências”, opina Natalie A. Carter, cofundadora do clube do livro Black Girls Book Club.

“Não importa o meio, é a história que importa”, emenda Melissa Cummings-Quarry, também cofundadora do Black Girls Book Club.

“O romance está evoluindo. Há todo tipo de livro incrível sendo escrito especificamente para ser lido no celular”, afirma Berthoud.

“O livro talvez passe a ilusão de que ele é tudo. Nunca foi, é uma forma de entrar em um processo de pensamento”, diz Meade.

Ainda assim, os cientistas afirmam que a leitura digital pode ter um custo para o cérebro do leitor.

Fragmentação
“Reunimos acadêmicos e cientistas de mais de 30 países para pesquisar o impacto das mídias digitais na leitura”, afirma Anne Mangen, à frente da E-READ (Evolução da Leitura na Era da Digitalização), organização cujo objetivo é melhorar a compreensão científica das implicações da digitalização da cultura.

Faz parte do programa internacional da Cooperação Europeia em Ciência e Tecnologia (ou COST, sigla para European Cooperation in Science and Technology), que considera a leitura um “tema urgente”.

Segundo o programa, “a pesquisa mostra que a quantidade de tempo gasto na leitura de textos longos está diminuindo e, devido à digitalização, a leitura está se tornando mais intermitente e fragmentada”, algo que poderia “ter um impacto negativo nos aspectos cognitivos emocionais da leitura”.

“Descobrimos que existe o que se chama de inferioridade na tela”, destaca Anne Mangen.

“Há muitas coisas que podem ser lidas igualmente bem no smartphone, como as notícias mais curtas, mas, quando se trata de algo que é cognitiva ou emocionalmente desafiador, ler em uma tela leva a uma compreensão de leitura pior do que ler no papel”, diz ela.

Maryanne Wolf concorda, dizendo que “a realidade é que não é apenas o que ou o quanto lemos, mas como lemos que é realmente importante”.

“O próprio volume [de informação disponível nas plataformas digitais] está tendo efeitos negativos porque, para absorver tanto, há uma propensão a se ler ‘por alto’. O cérebro leitor tem um circuito plástico, que refletirá as características do meio em que se lê. As características do digital caminham para que sejam refletidas no circuito.”

Em outras palavras, assim como ao aprender a ler da maneira tradicional o cérebro formata e registra os itinerários da razão e os caminhos para a emoção, ao aprender a ler da maneira como fazemos nas mídias digitais o cérebro traçará diferentes trajetórias e, se deixarmos a leitura profunda de lado, ele apagará as anteriores, caso tenham um dia existido.

“Se não treinarmos essas habilidades, podemos acabar perdendo a capacidade de entender conteúdos mais complexos e, talvez, de nos envolvermos e usarmos a imaginação”, destaca Mangen.

Então, o que o futuro reserva para os livros e para o cérebro da leitura?

“A imaginação humana é uma coisa fantástica, somos muito flexíveis. Encontramos maneiras de fazer o que queremos com a tecnologia disponível”, pontua Chris Meade.

Para Natalie Carter, o futuro trará “muito mais coleções de contos, e acho que veremos muito mais livros curtos”.

Nesse sentido, Cressida Cowell diz já ter sentido a mudança: “Mudei a maneira como escrevo, porque o tempo de atenção das crianças diminuiu. Os livros têm capítulos curtos e são incrivelmente visuais, brilhantes, como doces”.

Para a neurocientista Maryanne Wolf, “assim como as pessoas podem ser bilíngues e trilíngues, minha esperança é que desenvolvamos um cérebro ‘biletrado’. Podemos nos disciplinar para escolher o meio que melhor se adapta ao que estamos lendo e, assim, não perder o dom extraordinário que a leitura deu à nossa espécie”.

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*Fonte: bbc-brasil

“O Tempo que Foge” – Belíssimo poema para refletir

Nós todos sabemos que a vida muitas vezes não é longa o suficiente para viver tanto quanto gostaríamos, mas muitas vezes, além disso, não somos capazes de valorizar o que temos, o que vemos, desperdiçamos tempo com coisas que não merecem, não porque sejam irrelevantes, mas porque nosso coração não está nelas.

Ricardo Gondim nos presenteia com esse lindo poema (“O Tempo que Foge”), que nos mostra uma bela apreciação da vida, que se conseguirmos nos inspirar nele, podemos sem dúvida dar muito mais valor a cada segundo com esse presente que chamamos vida.

O valioso tempo dos maduros
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!



*Por Ricardo Gondim
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*Fonte: pensarcontemporaneo

Keanu Reeves compartilha sua lista de filmes essenciais “que todos deveriam assistir” – confira

Keanu Reeves é popularmente conhecido como um dos atores mais “legais” de Hollywood. Ou em qualquer lugar. Nenhum favor é pequeno demais para o eterno “Neo”, de Matrix.

Nesta semana, durante uma entrevista à Revista Esquire, Keanu fez questão de procurar uma lista antiga que havia feito com seus filmes preferidos, “que todos deveriam assistir”, se pudessem.

A lista é uma coleção de recomendações de filmes entre amigos.

Após apresentar suas recomendações, que remontam há 20 anos atrás, o ator repaginou a lista, levando em conta os lançamentos cinematográficos mais recentes.

Confira abaixo os títulos escolhidos por Keanu Reeves:

Demônio de Neon
Laranja mecânica
Rollerball – Os Gladiadores do Futuro
The Bad Batch (Amores Canibais)
Dr. Fantástico
Os Sete Samurais
Amadeus
Rosencrantz & Guildenstern Estão Mortos
A Morte do Demônio (1981)
Arizona Nunca Mais
O grande Lebowski
Nikita – Criada Para Matar
O profissional
O Jovem Frankenstein
Banzé no Oeste
Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
Josey Wales, o Fora da Lei
Mad Max 2 – A Caçada Continua

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*Fonte: agrandeartedeserfeliz

Como a pandemia, a televisão e o Spotify ‘mataram’ os grupos musicais

Qualquer um que tenha crescido com os grandes grupos de rock e pop do passado se contorcerá na cadeira diante de uma evidência tão funesta: atualmente não há bandas como Queen, The Jam, The Police, Nirvana ou Oasis. Há escassez de novas formações —surgidas, digamos, nos últimos cinco anos— que se igualem às de antigamente em proezas comerciais. São tempos de Sheerans, Lipas, Swifts, Weeknds, Bunnies, Eilishs. De Rosalías, Tanganas, Alboranes, Aitanas, Amaias … Os solistas, ao que parece, se apoderaram das paradas.

Em março, após declarações de Adam Levine, cantor do Maroon 5 (“Dá a sensação de que não há mais bandas, somos uma espécie em extinção”, lamentou), o jornal britânico The Guardian dedicou um artigo à questão, com o seguinte título expressivo: “Por que os grupos estão desaparecendo”. O pessimismo de Levine pode ser sustentado por dados. Os 30 artistas mais ouvidos no Spotify em 2020 eram todos solistas, exceto um, o combo sul-coreano BTS (com sete integrantes que não tocam instrumentos). Foi preciso fazer uma minuciosa inspeção do ranking para localizar o Maroon 5 em 33º e o Queen em 34º. Desde março de 2019, quando o Jonas Brothers foi o número um com Sucker, até hoje, passados dois anos, apenas um outro grupo liderou a parada de singles da Billboard (Estados Unidos): o já citado BTS.

Eu, eu, eu!
Ao contrário do que acontecia décadas atrás, pop e rock não são os estilos mais em voga. Rap, trap, R&B e reggaeton… —gêneros interpretados por solistas— ganharam terreno. Todo o rock novo já é alternativo; não é mais mainstream. “À medida que o pop e o rock morrem, no que se refere a vendas milionárias, morrem as bandas, que são as que fazem pop e rock”, explica Javier Portugués, veterano A&R (responsável por Artistas e Repertório) que trabalha com a Sony Music. Colaborou com solistas como Joaquín Sabina, Marwan, Dani Martín, Rozalén e Malú e grupos como Estopa e Maldita Nerea. “Tem a ver com as idiossincrasias dos gêneros”, acrescenta. “No rap, antes de começar com o primeiro verso, você já disse seu nome e o nome do produtor 10 vezes. É uma exaltação de si mesmo.”


Os festivais podem ser considerados o último reduto de grupos de pop e rock, mas, apesar da natureza nostálgica de muitos desses eventos, mesmo os mais importantes não têm escolha a não ser seguir a corrente dominante. Na última edição do Primavera Sound (Barcelona), sete dos nove artistas de destaque eram solistas: Erykah Badu, os rappers Future e Cardi B, Solange, Janelle Monáe, J Balvin e Rosalía (os grupos eram o Interpol, formado em 1997, e Tame Impala , na verdade, um projeto do cantor e multi-instrumentista australiano Kevin Parker).

Essa mudança de regime foi bem recebida pela indústria: lidar com solistas é mais prático. “Para uma gravadora, quando se trata da promoção de um evento, mudar um cara ou uma garota em vez de uma banda inteira é mais ágil e mais barato”, diz Pablo Cebrián, produtor de David Bisbal e Amaia Romero, entre outros. Também é mais eficaz. “Em termos de marketing, é mais fácil vender uma única pessoa, um ícone”, diz Alizzz, produtor de C. Tangana.

A dinâmica interna das bandas às vezes é bastante complexa, o que contrasta com a flexibilidade dos solistas. “Cada pessoa em um grupo tem seus movimentos, e para a indústria é muito mais cômodo lidar com solistas”, continua Cebrián. “De um disco para outro, um solista pode mudar de produtor. Numa banda, essas voltas são muito mais difíceis: quando uns querem ir para um lado e outros para outro, surgem tensões.”

Discos feitos no quarto
Os avanços tecnológicos tornam mais fácil para qualquer adolescente que sente vontade de compor canções não só conseguir fazer uma gravação muito correta com as ferramentas digitais, como também postá-la nas plataformas, sem intermediários. “Agora a música é feita em um quarto”, explica Pablo Cebrián. “Pelo que tenho visto ao meu redor, as novas tecnologias têm uma grande influência”, concorda Alizzz. “Muitos artistas produzem as próprias músicas, por exemplo, eu mesmo. O que estou acostumado é a trabalhar no estúdio com um cantor, só ele ou ela e eu. Para as gravadoras, além disso, gravar uma banda sai mais caro.”


Miguel Blanes, 22 anos, vocalista e guitarrista do Mentira, banda emergente que desde 2020 lançou vários singles e um EP pela Subterfuge Records, reconhece essa supremacia: “É uma tendência superevidente. Surgiam muito mais bandas na década de 2010 do que agora. Em parte, acho que é porque a forma de compor está mudando. Com todos os recursos que temos, uma única pessoa pode fazer uma canção supercompleta. Não precisa se reunir com mais instrumentistas para formar um projeto”.

Os membros do Trashi (entre 21 e 23 anos) realizam uma mistura original de indie pop e música urbana com autotune, e lançaram vários singles pelo selo independente Helsinkipro. Cresceram admirando grupos como The 1975 e The Vamps no YouTube, “bandas formadas por amigos que se juntavam para fazer música”, dizem quase em uníssono. Eles atribuem a atual hegemonia dos solistas ao fato de que “agora qualquer um pode fazer música em casa. Trabalhar sozinho é sempre mais fácil do que em grupo: você pode fazer o que te agrada. As pessoas buscam mais projetos solo por causa disso “, declaram.

O imediatismo proporcionado pelas tecnologias modernas vai bem com os novos hábitos de consumo. “Hoje você começa a ver uma série, no segundo capítulo você se desinteressa um pouco e deixa de segui-la. É a mesma coisa com a música “, compara Pablo Cebrián. Como exemplo de velocidade, ele cita o caso de Billie Eilish, que alcançou o primeiro lugar nas paradas nos Estados Unidos em abril de 2019 com seu primeiro álbum, When we all fall asleep, where do we go?. “Uma menina que, com o irmão, no quarto de casa, escreve músicas e as sobe na internet … Encurta-se um caminho que há 30 anos era uma via crucis: você tinha que ensaiar a música com o seu grupo, arranjar alguém para bancar um estúdio, masterizar seu disco, editá-lo… Agora isso está nas mãos das pessoas. Todos os anos você vê casos de garotos que postam algo que criaram e recebem uma quantidade brutal de reproduções.” Como diz Javier Portugués, “90% do mercado acaba se concentrando no que está bombando em nível de streaming [reproduções em plataformas como o Spotify], e são todos solistas”.

Solistas colaborando com solistas
As individualidades encontram acomodação especial em uma prática dominante ultimamente: as colaborações. Em geral, os grupos não tomam parte delas. “Desde que entramos na era do consumo digital, nove entre 10 lançamentos, para ter um volume de streaming significativo, são colaborações. Solistas colaborando entre si. É o novo protótipo de artista”, afirma Javier Portugués. No Top 100 Canções da Promusicae de 25 de março a 1º de abril, apenas quatro singles dos 20 mais vendidos não eram colaborações, mas faixas solo.


Não se deve esquecer o papel que desempenham neste cenário desequilibrado os programas de talentos na televisão, uma plataforma de lançamento de novos artistas já faz algum tempo. “Os shows de talentos são focados no artista individual. O que mais chama a atenção do público, que não se detém para analisar outras coisas, é o cantor”, diz Natalia Lacunza, 22 anos, que ficou em terceiro lugar no OT 2018. Após assinar contrato com a Universal Music, foi número um em vendas com seu álbum EP2 e escolhida Artista Revelação Pop pelos Prêmios Odeón 2020. Lacunza escolheu fazer carreira solo simplesmente porque, depois de se mudar para Madri (ela é de Navarra), não conhecia ninguém com quem começar uma aventura em conjunto. Só agora recrutou uma banda que deseja que participe da composição e dos arranjos. “O mais marcante agora são os nomes de artistas solo”, opina, “mas a importância das bandas ainda continua aí, mesmo que de maneira implícita nos projetos dos solistas. Apesar de terem ficado em segundo plano, contribuem muito para o momento ao vivo”.

No entanto, as apresentações ao vivo foram reduzidas ao mínimo por causa da pandemia. Apesar da situação transitória, muitos fãs podem ter se acostumado a escutar música no computador em vez de em uma sala de shows, o que também não ajuda a resgatar as bandas. “Assim como o trabalho remoto se normalizou, na música se tornou normal a ausência de shows ao vivo”, se queixa o produtor Pablo Cebrián.

Para completar o quadro, as redes sociais, onde os artistas combinam a promoção de sua música com cenas de sua intimidade, potencializam a autonomia. Como observa Javier Portugués, “a última rede social em que havia sentimento de grupo era o MySpace. Era um lugar onde grupos musicais postavam suas canções. Não havia ali o exibicionismo público que alimenta a vaidade. Era uma rede a serviço do grupo. O Instagram, e agora o TikTok, trazem tudo de volta ao aspecto pessoal. Nas redes, a diferença de seguidores entre a conta do líder do grupo e a da banda é enorme. Sempre foi um pouco assim: todos nós entendíamos que The Police era o Sting, mas sabíamos quem era o baterista e quem era o guitarrista. Hoje, as redes sociais teriam eliminado os dois componentes que não eram o Sting”.

Um futuro só de solistas?
Com esse panorama, as bandas se sentem, como Levine comentou, uma espécie em extinção? “Poderiam dizer que sim”, responde Miguel Blanes, da Mentira. “Não acho que vão começar a desaparecer, mas, sim, perder a popularidade que costumavam ter. Existe uma tendência de mudança de formato. Eu mesmo estou consumindo mais música de solistas.” O produtor Pablo Cebrián, que começou como guitarrista do grupo Fabula (com quem lançou dois álbuns pela Warner Music e foi banda de abertura de shows do REM), teria formado uma banda se agora estivesse dando seus primeiros passos na música? “Como não sou cantor, tenho certeza que teria começado como produtor muito antes e não teria passado por uma banda. Com certeza Iván, que era nosso cantor, teria feito carreira solo e eu seria seu produtor. Não há mais referências”, afirma.

Cabe questionar se essa ausência de modelos de banda de sucesso pode incutir nos mais jovens com ambições musicais a noção de que é “normal” adotar a configuração solista. “Na nossa infância, os ídolos eram os Beatles, os Stones, o Supertramp, o Pink Floyd … As grandes bandas de rock e pop da vida toda”, argumenta Javier Portugués. “E você dava como certo que se quisesse se dedicar à música tinha que comprar uma bateria, um amplificador de guitarra, encontrar um lugar para ensaiar … Era assim que você tinha que fazer para ser parte daquele universo mágico que tinha te deslumbrado desde pequeno. Agora, esse universo é um talent show de solistas. Não sentem necessidade de se reunir para bolar um projeto. Esse é o novo paradigma e temos que conviver com isso.”

*Por Miguel Ángel Bargueño
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*Fonte: bbc-brasil

ESQUEUMORFOS: O que são e por que estão em toda parte?

Você já ouviu falar ou tem alguma ideia do que significa a palavra “esqueumorfo”? Talvez isso soe confuso para você agora, mas eu te garanto que no fim do texto você verá que sempre esteve familiarizado com esse tema. Por mais que esse não seja um termo que usamos no dia a dia, os esqueumorfos estão presentes na nossa vida em todos os momentos.

Portanto, vamos juntos nos aprofundar sobre o significado dessa palavra, qual é a sua origem e quais são os principais exemplos de esqueumorfos à nossa volta. Não se preocupe, a partir de agora você conseguirá identificar o que é um esqueumorfo sem grandes dificuldades.


Etimologia da palavra

A palavra “esqueumorfo” tem origem do grego skeuos, que significa “ferramenta” ou “recipiente”, e também de morphé, que pode ser traduzido para “forma”. Por mais que, em um primeiro momento, isso não diga nada, esse termo é usado há muito tempo, sobretudo por historiadores e arqueólogos.

Conforme trazido em reportagem da BBC, o especialista em Idade Média Serafín Moralejo Álvarez explica em seu livro Eloquent Forms que a palavra “esqueumorfo” se refere à “presença em um objeto de características formais que carecem de motivação em relação às suas funções ou condições de sua produção e que só podem ser explicadas como atavismos em relação a um modelo diversificado em seu uso ou em condições técnicas”.

Em outras palavras, os esqueumorfos nada mais são do que objetos dentro de uma linha de produção que continuarão a ser produzidos apenas para que as pessoas continuem familiarizadas com sua forma original e continuem a fazer associações dentro do cérebro. Se ainda não está claro, nós listamos alguns exemplos.


Esqueumorfos no dia a dia

Por exemplo, você sabe para que serve aquelas estranhas peças de metal que ficam próximas ao bolso da sua calça jeans? Os rebites, como são chamados, são uma herança estética da época em que os jeans eram muito grossos para serem unidos apenas com o uso de linha e precisavam de outra ferramenta para a finalização.

Embora não sejam mais necessários nas linhas de produção atuais, eles continuam aparecendo nos modelos atuais de calças. E por que isso? É porque esse é um claro exemplo de um esqueumorfo no seu cotidiano. Logicamente, isso não para por aqui.

Os aros sempre foram ferramentas essenciais para manter as rodas dos carros antigos e das bicicletas funcionando corretamente. Porém, os modelos mais modernos de veículos não precisam de um aro para cumprir a sua função. Então, qual é o nome que nós podemos dar para os aros? Exatamente, um esqueumorfo.

E como chamar o lustre de uma igreja que substituiu as velas de verdade por elétricas? Por que não simplesmente mudar para uma lâmpada? É porque um esqueumorfo ajuda as pessoas a continuarem familiarizadas com um ambiente ou objeto da forma que ele construiu sua imagem historicamente.


Era digital

Engana-se quem pensa que os esqueumorfos só estão presentes em objetos físicos. Olhe bem para a Área de Trabalho do seu computador e tente identificar um esqueumorfo. Conseguiu? Se você teve alguma dificuldade, pode ficar tranquilo que nós vamos te ajudar.

Ao excluímos um arquivo digital, nós automaticamente enviamos ele para a “Lixeira” — que literalmente tem o ícone de uma lata de lixo. Porém, quando os computadores foram inventados, os criadores poderiam ter dado qualquer nome para esse espaço. Afinal, tudo era muito novo e nenhum desses conceitos havia sido introduzido antes.

Sendo assim, as “lixeiras digitais” nada mais são do que mais um esqueumorfo para compreendermos sua função e nos acostumarmos com mais facilidade. Agora que você já sabe o que esse termo significa, é bem provável que encontre vários desses exemplos no seu cotidiano!

*Por Pedro Freitas
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*Fonte: megacurioso

É um hábito secular culpar os jovens por estarem”arruinando tudo”

Recentemente, surgiu uma discussão na internet sobre o que é considerado “cringe” pela geração Z que os millennials fazem. No entanto, já é antigo para os “velhos” que os jovens são responsáveis por estragarem as coisas que eles gostam.

Tornou-se comum para os millennials culparem os Z por tudo estar tão “chato e problematizado”. Por isso muitos consideram os que nasceram a partir da década de 1990 como uma geração preguiçosa, superficial, disruptiva e “insuportável”.

Em contraponto, os Z se enxergam como mais engajados politicamente e em questões estruturais que permaneceriam enrijecidas na sociedade se eles não tivessem a visão visionária o suficiente para fazerem a mudança acontecer.

Raízes passadas

Apesar de a ideia de que os jovens estão arruinando a sociedade pareça uma discussão recente, já é antigo o desejo de culpá-los. Isso já ficava claro na poesia do autor medieval Geoffrey Chaucer, que viveu e trabalhou em Londres na década de 1380.

Em seu trabalho The House of Fame, ele retrata uma falha massiva na comunicação de ambos os lados da sociedade, em que verdades e mentiras circulam de maneira indiscriminada em uma casa de vime que gira. A casa, na verdade, é uma metáfora para a representação da Londres medieval, que crescia em tamanho e complexidade política de maneira espantosa para a época.

Chaucer reafirma de maneira mais direta a culpa dos jovens em poemas como Troilus and Criseyde, em que ele demonstra sua preocupação com relação às gerações futuras que destruiria sua poesia devido à mudança de linguagem — o que hoje poderia ser considerado como linguagem informal.

No século XIV, cresceu na Inglaterra o medo de que uma nova classe considerada “mais burocrática” estivesse destruindo a própria ideia da verdade. Richard Firfth Green, no livro A Crisis of Truth, pontua que a centralização do governo inglês mudou a verdade que passava de uma pessoa a outra para uma realidade objetiva localizada em documentos. As pessoas da época não aceitavam que promessas verbais não eram mais o suficiente, e que era preciso declarar tudo por escrito. Hoje, a documentação é um processo naturalizado.

O fim do que era bom

Como se a política não fosse o bastante, o romancista inglês Thomas Malory, do final do século XV, também ressaltou que os jovens destruíram o sexo. Em A Morte de Arthur, um livro sobre o Rei Arhur e a Távola Redonda, ele reclama que os jovens amantes são rápidos demais para “pular na cama”, escrevendo que antes o amor não costumava ser assim.

Esse tipo de questionamento serviu para aglutinar a ansiedade existencial que existia no final da Idade Média, e que hoje em dia pode parecer ridículo para os millennials que criticam tudo o que está sendo “corrompido”.

Enquanto aqueles tempos são lidos como repleto de fanatismo religioso, sofrimento, tortura e loucura para autores como Chaucer e Malory, era o futuro moderno que representava a catástrofe e sua influência sobre o presente.

De acordo com Eric Weiskott, professor especializado em poesia inglesa da Universidade de Boston: “a ansiedade com relação aos jovens é equivocada, não porque nada muda, mas porque a mudança histórica não pode ser prevista”. E a maneira como os millennials se posicionam do outro lado dessa “placa tectônica” social é mesma resposta secular dos mesmos sentimento de mudança que querem evitar.

O mundo continuará mudando de maneiras imprevisíveis ou inexplicáveis, porque o status quo é algo móvel, para melhor ou pior. E, no final das contas, sempre haverá uma geração para culpar a outra.

*Por Julio Cezar de Araujo
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*Fonte: megacurioso

Por que é preciso estudar História?

A história que estudamos na escola não serve apenas para passar em concursos e no vestibular. Ela amplia o mundo no qual vivemos, dá sentido a ele, oferece outros sentidos que as notícias ou o jornal das 7 não consegue dar. E isso é fundamental para criarmos futuros que não estão previstos por este presente tão difícil em que vivemos.

A história da sala de aula vai muito além do ENEM dos concursos.Foto: Bill Wegener /Unplash.
Ao abrir os jornais nos deparamos insistentemente com notícias provenientes de diversas partes do mundo que falam de desemprego, pandemias, conflitos sociais motivados por episódios de machismo e racismo, guerras entre Estados, disputas comerciais, eleições marcadas por fake news e movimentos sociais lutando contra a sua criminalização.

Como chegamos até aqui? Porque existe racismo? Porque existe machismo, homofobia e feminicídios? Porque existem ricos e pobres, conflitos, guerras e eleições? Será que a vida das pessoas sobre a Terra sempre foi do modo como é hoje? Quem inventou essas coisas todas nas quais acreditamos ou às quais apenas ouvimos falar? Eis que o estudo da História pode nos ajudar. Ela não vai nos dar todas as respostas, mas pode, ao menos, nos ajudar a compreender melhor o comportamento humano, afinal de contas, nossas ações do mundo são informadas e formadas com base em ideias sociais que são históricas, isso é, ideias que são construídas ao longo do tempo e que são sempre marcadas por contextos.

A história que estudamos na escola não serve simplesmente e apenas para passar nas provas vestibulares, para concluir e ganhar um diploma do Ensino Fundamental, para realizar a prova do Enem e tentar um futuro em uma universidade brasileira. A história que estudamos na escola amplia o mundo no qual vivemos, dá sentido a ele, oferece outros sentidos que as notícias ou o jornal das 7 não consegue dar. E isso é fundamental para criarmos futuros que não estão previstos por este presente tão difícil em que vivemos.

…… Continue lendo em:
https://www.cafehistoria.com.br/porque-ainda-e-preciso-estudar-historia/ ISSN: 2674-5917.

*Referências
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo (Nova edição). São Paulo: editora Companhia das Letras, 2019.

PEREIRA, Nilton Pereira. Porque é preciso estudar História? (Artigo). In: Café História. Publicado em 5 de julho de 2021.

Aposentadoria? Tarantino fala sobre parar de dirigir

Não é de hoje que Quentin Tarantino, 58, fala sobre o desejo de se aposentar em breve. O cineasta, ao longo dos últimos anos, já comentou sobre a ideia de encerrar a carreira após o décimo filme e, em entrevista ao Pure Cinema Podcast, reafirmou o plano de encerrar a carreira enquanto está em boa forma. “Os últimos filmes da maioria dos diretores são péssimos”, comentou.

“Normalmente, os piores filmes dos diretores são os seus últimos. É o caso da maioria dos diretores da Era de Ouro (do cinema norte-americano), que acabaram fazendo seus últimos filmes no final dos anos 1960 e 1970”, analisou. Tarantino também considera que o mesmo ocorreu com cineastas que fizeram parte do momento da Nova Hollywood que fizeram seus últimos filmes no final dos anos 1980 e 1990.

Como exemplo, Tarantino citou ‘Perseguidos por Acaso’ (1989), de Arthur Penn, diretor do clássico ‘Bonnie & Clyde’ (1967). “Não sou um grande fã desse diretor, mas o fato de o último filme de Arthur Penn ser ‘Perseguidos por Acaso’ é uma metáfora sobre o quão miseráveis foram os filmes derradeiros dos cineastas da Nova Hollywood”, observou.

“Talvez eu não devesse fazer outro filme porque ficaria muito feliz em largar o microfone”, disse, acrescentando também que, atualmente, o pensamento de viajar mundo afora para filmar é menos interessante.

“Sinto como se fosse o terceiro ato [da minha vida], um momento para me inclinar um pouco mais para a literatura, o que seria bom como um novo pai, como um novo marido”, disse em entrevista em 2020. “Eu não pegaria minha família e os levaria para a Alemanha ou Sri Lanka, ou onde quer que a próxima história acontecesse”.

Parte desse plano de aposentadoria já está em andamento. A adaptação literária do seu mais recente e nono filme, ‘Era uma vez em… Hollywood’, terá lançamento global no dia 29 de junho. No Brasil, ele sai pela Intrínseca e já está em pré-venda.

Os (quase) dez filmes de Tarantino
Embora diga que quer parar de dirigir no décimo filme da carreira e que não ainda não tem certeza sobre a história, Quentin Tarantino já acumula, em tese, dez filmes. Porém, ele considera os dois ‘Kill Bill’, lançados em 2003 e 2004, como um filme só. E, aliás, um ‘Kill Bill 3’ é uma das possibilidades para fechar a carreira.

A conta passa de dez filmes se consideramos, ainda, ‘Grande Hotel’ (1995), que reúne quatro histórias dirigidas por diferentes cineastas, sendo Tarantino um deles. De todo modo, enquanto ele não escolhe qual será o seu próximo filme, e nem mesmo está decidido se será o último, confira a lista de longas com a assinatura:

‘Cães de Aluguel’ (1992)
‘Pulp Fiction’ (1993)
‘Grande Hotel’ (1995)
‘Jackie Brow’ (1997)
‘Kill Bill – Volume 1’ (2003) e ‘Kill Bill – Volume 2’ (2004)
‘À prova de Morte’ (2007)
‘Bastardos Inglórios’ (2009)
‘Django Livre’ (2012)
‘Os Oito Odiados (2015)
‘Era Uma Vez em… Hollywood’

*Por Breno Pessoa

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*Fonte: olhardigital

Fugindo do óbvio, nado artístico do Brasil tenta vaga nas Olimpíadas ao som de Sepultura

Você já imaginou ver uma apresentação da equipe brasileira de nado artístico ao som de heavy metal? Se não, pode se preparar porque isso vai acontecer.

As atletas titulares Laura Miccuci e Luísa Borges, junto à reserva Maria Bruno, decidiram realizar sua performance no evento pré-olímpico com músicas da aclamada banda brasileira Sepultura.

Sabemos que muitas vezes atletas brasileiros de categorias que envolvem música acabam escolhendo para suas apresentações gêneros mais óbvios como Samba ou Bossa Nova, mas as profissionais de nado artístico deste ano optaram por algo que conseguisse transmitir a força do esporte.

O Globo Esporte promoveu um encontro virtual entre as atletas e os integrantes do Sepultura Andreas Kisser e Paulo Xisto. Durante o bate-papo, Luísa explicou a escolha da banda para a competição que acontecerá em Barcelona, na Espanha, de 10 a 13 de Junho:

A gente fez um estudo do que a gente poderia representar lá fora, o que transmitiria essa energia, essa força, então a gente escolheu o Sepultura por conta disso, porque vocês no palco conseguem transmitir isso, e a gente quer transmitir isso dentro da piscina.

O guitarrista comentou a decisão das meninas e falou sobre a falta de reconhecimento do heavy metal como uma música que representa o Brasil.

É muito legal, porque o heavy metal geralmente não é considerado como uma música representativa do Brasil. Mas o Sepultura sempre foi assim, a gente sempre teve essa vontade e essa possibilidade de representar a música brasileira à nossa maneira.

Nado artístico ao som de Sepultura
As faixas escolhidas pelas nadadoras foram “Ambush” e “Attitude”, do disco Roots (1996) e “Desperate Cry”, de Arise (1991).

Segundo Maria Bruno, as músicas do Sepultura ajudam as atletas principalmente naquele momento em que elas estão um pouco mais cansadas e precisam “dessa explosão”, para finalizar “muito bem” a coreografia.

As garotas revelaram que caso conquistem a vaga nas Olimpíadas de Tóquio, elas irão manter as músicas escolhidas.

Ao final da conversa virtual, Andreas fez questão de convidar as atletas para assistirem a um show do Sepultura qualquer dia. Aceitando o convite, Maria Bruno brincou:

É só montar uma piscina, que a gente dá o nosso show junto com o show de vocês.

Vamos torcer para que brasileiras fiquem com uma das sete vagas do nado artístico e coloquem o som do Sepultura nas alturas em Tóquio!

*Por Lara Teixeira
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*Fonte: tenhomaisdiscosqueamigos

Sem educação emocional não adianta saber resolver equações – Alerta um professor

Os jovens com maior domínio de suas emoções têm melhor desempenho acadêmico, maior capacidade de cuidar de si e dos outros, predisposição para superar as adversidades e menor probabilidade de se engajar em comportamentos de risco.

De acordo com Rafael Guerrero, que é um dos poucos professores da Universidade Complutense de Madrid a ensinar seus alunos de Magistério, que serão futuros professores, as técnicas da educação emocional..

Ele o faz voluntariamente porque o programa acadêmico dos mestrados em Educação Infantil e Primária de Bolonha não inclui nenhum assunto com esse nome.

“Muitos dos problemas dos adultos se devem às dificuldades em regular as emoções e isso não é ensinado na escola”, explica Guerrero.

Trata-se de ensinar futuros professores a entender e regular suas próprias emoções para que possam direcionar crianças e adolescentes nessa mesma tarefa.

“Meus alunos me dizem que ninguém lhes ensinou como se regular emocionalmente e que desde jovens, quando tinham que enfrentar um problema, se trancavam em uma sala para chorar, essa era a maneira deles de se acalmar”, diz o professor.

Insegurança, baixa auto-estima e comportamentos compulsivos são algumas das conseqüências da falta de ferramentas para gerenciar emoções.

“Quando atingem a idade adulta, eles têm dificuldade em se adaptar ao ambiente, tanto ao trabalho quanto às relações pessoais. Temos que começar a treinar professores com a capacidade de treinar crianças no domínio de seus pensamentos “.

Sem educação emocional, não serve saber como resolver equações O cérebro precisa ficar animado para aprender

Inteligência emocional é a capacidade de sentir, entender, controlar e modificar o humor de si mesmo e dos outros, de acordo com a definição daqueles que cunharam o termo no início dos anos 90, os psicólogos da Universidade de Yale Peter Salovey e John Mayer.

A inteligência emocional é traduzida em habilidades práticas, como a habilidade de saber o que acontece no corpo e o que sentimos, o controle emocional e o talento para nos motivar, assim como empatia e habilidades sociais.

“Quando pensamos no sistema educacional, acreditamos que o importante é a transmissão de conhecimento de professor para aluno, ao qual ele dedica 90% do tempo. O que há de errado com o equilíbrio emocional? Quem fala disso na escola? ”, Diz Rafael Bisquerra, diretor do Programa de Pós-Graduação em Educação Emocional da UB e pesquisador do GROP.

Os jovens com maior domínio de suas emoções apresentam melhor desempenho acadêmico, maior capacidade de cuidar de si e dos outros, predisposição para superar as adversidades e menor probabilidade de se engajar em comportamentos de risco – como o uso de drogas -, segundo a resultados de diversos estudos publicados pelo GROP.

“A educação emocional é uma inovação educacional que responde às necessidades que os assuntos acadêmicos comuns não cobrem.”

“O desenvolvimento de competências emocionais pode ser mais necessário do que saber como resolver equações de segundo grau “, diz Bisquerra.

Os objetivos da educação emocional, de acordo com as diretrizes de Bisquerra, são adquirir um melhor conhecimento das próprias emoções e dos outros, para prevenir os efeitos nocivos das emoções negativas – o que pode levar a problemas de ansiedade e depressão -, e desenvolver a capacidade de gerar emoções positivas e auto-motivação.

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*Fonte: pensarcomtemporaneo

5 hábitos para quem deseja começar a escrever

Ter uma grande ideia para um livro é só o primeiro passo. Veja como colocar no papel.

Já ouviu a expressão “Há três coisas que todo mundo deve fazer na vida: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro”? Atribuída ao poeta cubano José Marti, ela sempre foi sinônimo de realizar objetivos. Ainda que ter filhos seja algo que nem todos desejam, as outras duas ações são bem mais simples de concretizar. Até mesmo escrever um livro. Engana-se quem pensa que esta é uma tarefa destinada apenas a poucos. Ao contrário, com disciplina e vontade, é possível tirar aquela sua ideia da cabeça e colocar na ponta do lápis. Para isso, Adoro Papel separou cinco hábitos que podem te ajudar na hora de escrever sua história.

1 – Faça um planejamento

Antes de tudo, é preciso se organizar. Mas, calma que não é nada muito complicado.. Montar um planejamento pode ser tão divertido quanto escrever seu livro. Por isso, entender bem como irá fazer todos os passos, como pesquisar, estruturar a história, fazer um rascunho e revisar são passos importantes. Para não se perder e poder manter uma visão geral do estágio de cada um desses passos (e de outros que considerar necessário), estabeleça prazos para cada um e mantenha-os em dia.

2 – Tenha dias e horários certos para escrever

Se você deixar para fazer apenas quando achar que possui um “tempinho livre”, tem chance de não dar certo. Você pode programar duas horas por dia para escrever, por exemplo, e inserir dentro do seu planejamento. Porém, se passar esse tempo olhando para um cursor piscando em uma tela branca, não estará realmente produzindo. Uma ótima maneira de ver seu progresso diariamente é observar quantas palavras você está escrevendo. Estabeleça uma meta, nem que seja pequena, para que sua produção seja efetiva.

3 – Revise depois

Para que o segundo passo seja efetivo, o ideal é que não pense em cada frase vinte vezes se quiser avançar sua escrita. Escreva primeiro e revise depois. Por isso, não edite frase por frase enquanto escreve. Escreva um primeiro rascunho, considerando-o apenas como um rascunho mesmo. Aqui vale avançar na sua história. Com isso, você consegue escrever muito mais antes de começar a avaliar cada palavra que está escrita. Ao deixar a revisão por último, você também precisa avaliar a estrutura de seus parágrafos e seções.

4 – Faça anotações durante sua leitura

Muitas vezes, mexer em uma parte da história pode afetar outras que estão mais pra frente. Por isso, pode ajudar muito você fazer anotações enquanto lê o seu trabalho. O ideal é que você deixe uma lista de todas as mudanças que realizou em um personagem ou no andamento da história e cheque toda vez que pensar em mudar uma parte. Assim, você garante que tudo estará em perfeita continuidade e também que não haja atitudes ou ações em algum personagem que fuja muito de suas características.

5 – Inspire-se, mas não copie

Uma boa maneira de treinar é começar a escrever em estilos diferentes. Para isso, você pode se inspirar em seus autores favoritos. Pense em uma ideia e tente imaginar como esse autor colocaria isso em forma de texto. Além de ser divertido, essa prática fará com que você se acostume a escrever mais rapidamente e em um volume maior. Porém, lembre-se de fazer isso apenas como um exercício. O mais importante é sempre criar sua própria voz e ter um estilo próprio. Isso não significa que não possa se inspirar sempre nos livros e autores que mais gosta.

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*Fonte: adoropapel

Conheça os curtas de animação indicados ao Oscar 2021

Descubra os diferentes estilos dos cinco curtas de animação indicados à 93ª edição dos prémios da Academia de Hollywood

Poucas premiações são tão aguardadas, especuladas e assistidas quanto o Oscar. Embora a maioria dos olhos estejam voltados para as estatuetas mais cobiçadas, como a de Melhor Filme, Diretor, Ator e Atriz, a seleção da Academia também traz obras excelentes nas categorias menos badaladas.

Melhor Curta-Metragem de Animação não é exceção. Nesta 93ª edição dos prémios da Academia de Hollywood, há produções de quatro países na categoria . independentes e de grandes estúdios -, conectadas por uma característica comum: a beleza gráfica a serviço da contação de histórias. Confira!

Burrow, dirigido por Madeline Sharafian

Esta animação 2D da Pixar é parte da série Sparkshots e conta com a colaboração de um brasileiro – o gaúcho Heitor Pereira é quem assina a música.

A história de aproximadamente seis minutos gira em torno de uma coelha que tenta construir a toca dos seus sonhos. Quanto mais cava, porém, mais problemas encontra. No final, ela aprende uma lição preciosa.

Você pode vê-la no Disney+.

Genius Loci, dirigido por Adrien Merigeau

Neste curta da Kazak Productions, Reine, uma jovem solitária, percebe uma entidade que parece viva, como uma espécie de guia. A cada quadro, o diretor Adrien Merigeau pinta uma espécie de aquarela em movimento. O resultado é de encher os olhos.

Não por acaso, a produção recebeu diversos prêmios: Vienna Shorts, Festival Internacional de Hong Kong, Animasivo, entre outros. Para quem não sabe, Genius Loci é um termo latino que significa “espírito do local”.

If Anything Happens I Love You, dirigido por Will McCormack e Michael Govier

Esta animação 2D acompanha o luto de um casal que tenta superar a morte da filha após um tiroteio em sua escola. A estética é minimalista e muitos elementos são apenas esboçados, talvez na intenção de refletir a incompletude dos protagonistas.

Outro aspecto que chama a atenção é a ausência de falas. Há apenas a música de fundo, interrompida pela canção 1950, de King Princess, e pelo som de tiros.

O projeto teve apoio da Everytown for Gun Safety, organização norte-americana sem fins lucrativos que defende o controle e a prevenção à violência armada e pode ser visto na Netflix. Em português, recebeu o título de Se Algo Acontecer… Te Amo.

Opera, dirigido por Erick Oh

Segundo o próprio diretor, o sul-coreano Erick Oh, Opera é uma edição contemporânea e animada dos afrescos renascentistas.

A obra, parte filme, parte instalação, consiste num ciclo de 9 minutos que pode ser reproduzindo infinitamente. Nele, Oh tem a ambiciosa missão de retratar “nossa sociedade e história, repleta de beleza e absurdo”.

Yes-People, dirigido por Gísli Darri Halldórsson

O título original, Já-fólkið, faz referência a única palavra dita por seus personagens: já, o equivalente islandês para “sim”.

Única produção em 3D da categoria, Yes-People mostra a rotina de seis vizinhos e como cada um gasta suas horas de forma diferente. Apesar da premissa simples, rende boas risadas.

São 23 as categorias que irão a concurso na cerimónia que irá decorrer a 25 de abril de 2021, a partir de diversos locais da cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos. Inicialmente, o evento deveria acontecer a 28 de fevereiro, mas acabou por ser adiado por causa da pandemia. Conheça aqui todos os indicados.

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*Fonte: domestika

‘Falta de privacidade mata mais que terrorismo’: alerta professora de Oxford

Em Privacy Is Power, a professora Carissa Véliz fez um levantamento chocante de quantos dados íntimos estamos entregando. Mas ela tem um plano para quem quer se livrar disso.

“Praticamente tudo o que fazemos é espionado e controlado por empresas que, por sua vez, compartilham todas essas informações pessoais entre si e com vários governos.”

Não se trata apenas de venderem os seus dados pessoais, mas do imenso poder de influenciar que isso lhes confere.

“Se você está lendo este livro, provavelmente já sabe que seus dados pessoais estão sendo coletados, armazenados e analisados”, começa Carissa Véliz, em Privacy Is Power. Seu desafio, como escritora e defensora da privacidade, é nos livrar de nossa complacência; para nos persuadir a ver isso não como um sacrifício necessário na era digital, mas uma invasão intolerável. Pelo medo crescente que senti ao ler Privacidade é poder, eu diria que ela teve sucesso.

Antes mesmo de você sair da cama ou desligar o alarme do seu celular, muitas organizações já sabem a que horas você vai acordar, onde dormiu e até com quem.

Desde o momento em que você acorda e verifica seu telefone pela primeira vez, aos profissionais de marketing que inferem seu humor a partir de suas escolhas musicais, ao alto-falante inteligente que compartilha suas conversas privadas ou à televisão que as escuta (a partir dos termos e condições de um Smart TV Samsung : “Esteja ciente de que se suas palavras faladas incluírem informações pessoais ou outras informações confidenciais, essas informações estarão entre os dados capturados”), não há nenhum lugar para se esconder – ou mesmo apenas estar – nesta paisagem infernal hiperconectada. As empresas podem rastreá-lo tanto pelo seu rosto quanto pela sua pegada digital, seus registros médicos podem ser entregues à Big Tech e os anunciantes podem saber de sua separação antes de você.

Esses assuntos são abordados em Privacy is Power (ou Privacidade é poder), o livro que acaba de ser publicado no Reino Unido pela filósofa mexicana-espanhola Carissa Véliz, professora do Instituto de Ética e Inteligência Artificial da Universidade de Oxford.

Em seu livro, Véliz, muitas vezes se volta para a segunda pessoa, habilmente enfatizando seu ponto: é impossível não se imaginar navegando cegamente nesse horror, então você se lembra – você já está nele.

Seus dados podem já estar sendo usados ​​contra você, diz Véliz, com implicações de longo alcance para a confiança, igualdade, justiça e democracia. “Não importa se você acha que não precisa de privacidade”, diz ela. “Sua sociedade precisa de privacidade.”

Nascida no México em uma família espanhola que teve que deixar a Espanha após a Guerra Civil e encontrar refúgio naquele país, Véliz se interessou por privacidade quando começou a investigar a história de seus parentes em arquivos da Espanha.

Em 2013, enquanto pesquisava a história de sua família, ela descobriu alguns detalhes surpreendentes sobre seu falecido avô que ela só poderia supor que ele não queria que ela descobrisse. “Comecei a me perguntar se tinha o direito de saber todas essas coisas que meus avós não me contaram.”

Hoje ela é uma especialista em privacidade e no imenso poder que nossos dados pessoais conferem a empresas e governos.

Preocupado com sua privacidade online? Algumas etapas fáceis que você pode seguir

• Pense duas vezes antes de compartilhar. Antes de postar algo, pense em como isso pode ser usado contra você.

• Respeite a privacidade dos outros. Peça consentimento antes de postar uma foto nas redes sociais. O reconhecimento facial pode identificar você e outras pessoas com ou sem uma etiqueta.

• Não autorize a coleta de seus dados pessoais em sites e aplicativos. Suponha que todas as configurações de produtos e serviços sejam hostis à privacidade por padrão e altere-as.

• Bloqueie cookies em seu navegador, especialmente cookies de rastreamento entre sites.

• Não use o e-mail comercial para fins não relacionados ao trabalho. Procure a criptografia, considere o país no qual o provedor está baseado.

• Pare de usar o Google como seu mecanismo de pesquisa principal. As opções de privacidade incluem DuckDuckGo e Qwan

• Use navegadores diferentes para atividades diferentes. Os navegadores não compartilham cookies entre eles. Brave é um navegador projetado com privacidade em mente. Firefox e Safari, com os complementos apropriados, também são boas opções.

Privacy is Power (ou Privacidade é poder) é um livro fino sobre um assunto vasto e complexo, que se tornou mais poderoso quando Véliz aceitou seus limites. (“O Facebook violou nosso direito à privacidade tantas vezes que uma conta abrangente mereceria um livro em si”, escreve ela.) É altamente legível, mostrando claramente um problema que muitos de nós já perdemos de vista. “Quando as empresas coletam seus dados, não dói, você não sente a ausência, não os vê fisicamente”, diz Véliz. “Temos que aprender porque temos experiências ruins.”

Ela escreve sobre uma espanhola, vítima de roubo de identidade, que passou anos sendo puxada para dentro e para fora de delegacias de polícia e tribunais por crimes cometidos em seu nome. “Minha vida foi arruinada”, diz a mulher, apenas um entre quase 225.000 casos registrados no Reino Unido no ano passado.

No mês passado, um homem de Detroit foi preso por engano com base em um algoritmo de reconhecimento facial. (“Acho que o computador errou”, disse um detetive.) No Japão no ano passado, um homem agrediu sexualmente uma estrela pop, alegando que havia identificado sua localização analisando os reflexos em seus olhos em fotos que ela postou online. E Véliz descreve um cientista de dados em treinamento com a tarefa de investigar um estranho, simplesmente pelo exercício: “Ele acabou estudando a fundo um cara em Virginia , que, ele soube, tinha diabetes e estava tendo um caso. ”

O problema é difícil de administrar mesmo dentro de nossas instituições cívicas, que olham para a tecnologia como resposta para tudo, mesmo quando não é totalmente compreendido (o fiasco do resultado do exame é um exemplo recente). “Quando alguém diz que a IA é ‘vanguarda’, muitas vezes o que está dizendo é: ‘Não testamos o suficiente para saber se funciona’”, diz Véliz. “Não deve ser testado em uma população inteira sem nosso conhecimento, consentimento ou compensação … Estamos sendo tratados como cobaias.”

Privacy is Power foi lançado no momento em que o governo do Reino Unido lançou seu novo aplicativo de rastreamento de contatos. Véliz diz que há poucos indícios de que será eficaz – e certamente não sem o acompanhamento de testes em massa – porque, quando as pessoas forem alertadas de que entraram em contato com um caso confirmado, já terão infectado outros.

“O primeiro aplicativo foi um fiasco total e todos sabiam que seria”, diz Véliz. Resta saber se o segundo é uma melhoria, mas os riscos de privacidade e segurança são uma certeza. Pesquisadores do Imperial College estimam que rastreadores instalados nos telefones de apenas 1% da população de Londres podem ser responsáveis ​​pela localização em tempo real de mais da metade da cidade.

Como a história mostra, é mais fácil para os governos minar as liberdades civis em tempos de convulsão social, e muitos não podem ser confiáveis ​​com as informações que coletam; apenas neste mês, 18.000 pessoas tiveram informações pessoais publicadas online por engano pela Public Health Wales. “É muito caro obter a tecnologia certa e a maioria dos governos não tem dinheiro ou experiência … estamos fornecendo dados muito confidenciais a instituições que não são capazes de mantê-los seguros”, diz Véliz. “Parece que não estamos prontos para esse tipo de poder.”

Mas o uso indevido de nossos dados não é a única ameaça à nossa privacidade. Cooperação entre órgãos públicos e empresas – como o contrato de controle de fronteira concedido à Palantir, a empresa de tecnologia que auxilia o governo Trump na deportação de migrantes dos Estados Unidos; ou o apoio da polícia do Reino Unido para que o Uber receba uma licença em troca de seus dados – deve ser motivo de preocupação constante. “É uma instituição pública de apoio à tecnologia que pode, no geral, ser prejudicial à sociedade”, afirma Véliz.

Um especialista em tecnologia pode ter ficado tentado a se concentrar nos porquês e comos de nossa vigilância estrutural, ao fazê-lo (mesmo inadvertidamente), afirmando a necessidade dela. Enquadrada por um filósofo como uma questão ética, é obviamente intolerável. “Isso não é publicidade: isso me mantém acordada à noite”, diz ela.

Ainda assim, Véliz insiste em que há motivos para ter esperança. “As pessoas não achavam que o GDPR seria possível, achavam que a privacidade estava morta, era uma coisa do passado – e obviamente não é. Estou muito otimista de que este nível de intrusão não é sustentável. ”

O que ela deseja é que mais pessoas exerçam seu arbítrio sobre como seus dados são usados, tanto para se proteger quanto para enviar um extrato maior. Mesmo as maiores empresas de tecnologia dependem da cooperação das pessoas, ela ressalta: “Se buscarmos alternativas amigáveis ​​à privacidade, elas irão prosperar”.

Ela apresenta etapas práticas para retomar o controle, como trocar o Google por mecanismos de pesquisa amigáveis ​​à privacidade, como o DuckDuckGo, gravar sua webcam quando não estiver em uso, pedir permissão às pessoas antes de postar sobre elas online, usando gerenciadores de senha e VPNs para ocultar seu endereço IP e escolher dispositivos “burros” em vez de dispositivos “inteligentes”. (Privacy Is Power me convenceu de que o Amazon Alexa não oferece nenhum benefício suficiente para justificar sua presença sinistra. Verifique a previsão você mesmo.)

“É uma coisa difícil de fazer se você fizer tudo e perfeitamente – mas você não precisa fazer nada para fazer uma grande diferença”, diz Véliz. Embora a regulamentação continue a ser necessária, é revigorante ver soluções práticas para uma situação sobre a qual é difícil não se sentir impotente – bem como um lembrete de que isso continuará a menos que deixemos claro que é inaceitável.

“Devíamos estar indignados. As empresas estão muito preocupadas com o que as pessoas pensam. Se as pessoas tweetarem sobre isso, falarem sobre isso, escolherem produtos melhores, as coisas podem mudar em questão de poucos anos ”, diz Véliz. Pode ser falso, mas um anúncio recente da Apple alardeando a importância da privacidade é a prova de que, pelo menos, eles sabem que o público está preocupado.

O primeiro passo para a revolução pode ser simplesmente tornar-se mais consciente da liberdade com que você entrega seus dados e para quem. Você precisa clicar em “sim” para o pop-up de cookies? Você deveria contar a todo o Twitter onde você está? A sua geladeira realmente precisa estar conectada à internet? Quando questionada sobre seu endereço de e-mail, Véliz costuma dar noneofyourbusiness@privacy.com, “para deixar claro”.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Time-lapse | Demolição de barragem

A demolição da barragem de Condit, no estado americano de Washington, ocorreu em 26 de outubro de 2011. Com quase 100 anos de idade, ela foi destruída a partir da base com 318 kg de dinamite. A drenagem do reservatório levou cerca de duas horas. No vídeo, esse processo é acelerado, mostrando como o rio White Salmon pode fluir livremente mais uma vez.

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*Fonte: hypescience

Pai filma filhos por uma década e o resultado é um vídeo fantástico

Um emocionante e criativo vídeo time-lapse da infância à adolescência.

O fotógrafo e cineasta holandês Frans Hofmeester filmou seus filhos, um casal, uma vez por semana durante dez anos, desde quando eles eram ainda bebês até a adolescência. Sua filha, Lotte, ele filmou até seus 14 anos de idade. Já seu filho Vince foi filmado até seus 11 anos. Ele, então, editou os clipes num fantástico vídeo time-lapse, que mostra a infância de ambos. Confira!

*Por Rejane Borges

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*Fonte: obviousmag

Joe Bonamassa terá história contada no documentário ‘Guitar Man’

Um documentário sobre a trajetória de Joe Bonamassa, um dos grandes guitarristas de blues rock da atualidade, será lançado no próximo dia 8 de dezembro. O filme, chamado ‘Guitar Man’, chega a público por meio da Paramount Home Entertainment.

‘Guitar Man’ focará no trabalho duro e incansável de Joe Bonamassa, um dos guitarristas mais produtivos de seu segmento, desde a juventude até o momento atual.

Em 1989, com apenas 12 anos, Bonamassa foi convidado para abrir 20 shows do rei do blues, B.B. King. A partir daí, sua carreira se desenvolveu – de início, em ritmo mais lento, pois ele precisava concluir os estudos, mas não demorou até que ele se tornasse um músico profissional.

Com 23 anos, em 2000, o guitarrista lançou seu álbum de estreia, ‘A New Day Yesterday’. Desde então, ele lançou dezenas de discos, entre trabalhos de estúdio e ao vivo em carreira solo, parcerias com artistas como Beth Hart e ao lado de bandas como Black Country Communion.

O trailer de ‘Guitar Man’ pode ser assistido a seguir. Não foi informado se o filme terá lançamento específico no Brasil.

*Por Igor Miranda

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*Fonte: guitarload

3 poemas selecionados do livro “Tradutor de Chuvas” – de Mia Couto

A Editora Caminho assim apresenta o livro do qual os poemas abaixo foram selecionados: “O primeiro livro que Mia Couto publicou – Raiz de Orvalho, 1986 – era (e) um livro de poesia. Depois disso publicou 21 livros em prosa em vários gêneros – romance, conto, crônica, ensaio – sem nunca sair da poesia, que e onde se sente bem .

Em 2007 voltou a poesia propriamente dita com Idades, Cidades, Divindades, e agora volta lá de novo com este Tradutor de Chuvas. Livro que tem muito de autobiográfico, permite aos leitores mais atentos de Mia Couto descobrir as pontes da sua extraordinária obra literária.”

Seguem 3 poemas selecionados:

DANOS E ENGANOS
Aquele que acredita ter visto o mundo,
não aprendeu a escutar-se no vento.
Aquele que se deitou na terra,
vestiu sonhos como se fossem vidas
e tudo o mais fossem regressos.
Mas aquele que tocou o fruto
provou a inicial doçura do tempo.
E quando tombou
de si mesmo se fez semente.

POEMA DIDÁTICO
Já tive um país pequeno,
tão pequeno
que andava descalço dentro de mim.
Um país tão magro
que no seu firmamento
não cabia senão uma estrela menina,
tão tímida e delicada
que só por dentro brilhava.
Eu tive um país
escrito sem maiúscula.
Não tinha fundos
para pagar a um herói.
Não tinha panos
para costurar bandeira.
Nem solenidade
para entoar um hino.

Mas tinha pão e esperança
para os viventes
e sonhos para os nascentes.
Eu tive um país pequeno,
tão pequeno
que não cabia no mundo.

TRADUTOR DE CHUVAS
Um lenço branco
apaga o céu.
A fala da asa
vai traduzindo chuvas:
não há adeus
no idioma das aves.
O mundo voa
e apenas o poeta
faz companhia ao chão.

*Por Mia Couto

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*Fonte: revistapazes

8 frases incríveis de Bob Dylan para explodir seu cérebro

A única pessoa do mundo que foi premiada com um Oscar, um Grammy, o Globo de Ouro, o pulitzer e o Nobel, Bob Dylan é considerado por muitos, e por mim, o compositor mais importante dos tempos modernos. E por mais que receber alguns desses prêmios não queira dizer muita coisa, ser a única pessoa do mundo a receber todos eles tem lá sua importância.

Mas, independentemente disso, muito antes de receber essa coleção de prêmios, Bob Dylan já impactava a vida de milhões de pessoas com as suas músicas e a mensagem que ele passava pelas suas letras.

Quase nada que Bob Dylan diz é preto no branco ou tem uma interpretação
exatamente definida. Ele sempre fez questão de não explicar o significado das letras para a imprensa e, quando possível, confundir ainda mais.

Mas já vamos entender isso melhor com oito frase geniais que vão: ou mudar a sua vida, ou explodir a sua cabeça ou… se você tiver sorte, os dois.

  1. Não existe sucesso como fracasso e o fracasso não é sucesso de forma alguma.

Hoje em dia uma das dicas mais propagadas , seja por escritores,
empreendedores ou qualquer um que tenha alcançado o sucesso é que ninguém chega lá sem fracassar várias e várias vezes, mas nessa frase Bob Dylan nos lembra do que a maioria se esquece de dizer: fracassar em si não é sucesso de forma alguma. Só quando aprendemos com o fracasso é que seguimos em direção ao sucesso.

A definição de insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar
resultados diferentes , mas tem mais: essa frase do Bob Dylan vai alem, vivemos numa sociedade que valoriza o fracasso, onde ter sucesso é condenável. Independentemente da forma como esse sucesso se manifesta, as pessoas têm vergonha de mostrar o que alcançaram, se orgulham de ter pouco dinheiro, poucas conquistas, etc, e a população no geral apoia esse comportamento.
Vamos pensar naquele caso clássico de um cara que adora uma banda
desconhecida e, quando ela estoura e fica famosa, ele para de ouvir porque a banda virou “modinha”. A banda só era boa enquanto era fracassada, assim que alcançou o sucesso, perdeu o seu valor. Então fracassando você é
considerado bom, mas sabemos que o fracasso não é sucesso, é simplesmente fracasso, por mais glamourizado que seja.

  1. Aquele que não está se ocupando em nascer, está se ocupando em morrer

Essa é sem dúvida uma das frases mais famosas de Bob Dylan. Ao primeiro
olhar muitos interpretam o que parece óbvio, mas que mesmo assim surpreende que a partir do momento em que nascemos estamos começando a morrer, o que não parece muito bom, principalmente considerando o medo de morte que isso traz à tona e que muita gente compartilha. Mas, e se na verdade ela tiver um significado muito mais engrandecedor?

No momento em que paramos de nos reinventar, ou seja, renascer, começamos a morrer. Não é da morte que devemos ter medo, é do comodismo, da estagnação. Não podemos ficar parados, devemos estar sempre nos ocupando em nascer de novo, mudar, evoluir, crescer ou então estaremos nos ocupando em morrer.

  1. Você não precisa de um meteorologista para saber para que lado o vento sopra

Você não precisa de ninguém para te dizer o óbvio ou o que você pode
descobrir por si mesmo. Ainda assim muitas pessoas buscam nos outros uma forma de aprovação e esperam que os outros os apontem as direções e
decidam os caminhos que elas podem e devem decidir sozinhas.

E essa frase tem uma relação direta com uma das músicas mais famosas de
Bob Dylan, Blowin in the Wind, que foi o primeiro grande sucesso logo no
começo da sua carreira, trazendo uma explosão repentina de fama quando
começaram a vê-lo como um novo profeta, um porta-voz da sua geração.

Em Blowin in the Wind ele faz vários questionamentos sobre a condição humana e diz que as respostas estão soprando no vento, mas ele sempre recusou os títulos de profeta, d e porta-voz da suia geração. Então, quando ele diz que você não precisa de um meteorologista para saber para que lado o vento sopra, ele diz que você tem que achar as respostas soprando no vento por conta própria e não esperar que ele ou qualquer outro grupo místico, como vemos muito hoje em dia, tragam as respostas para você.

  1. Roube um pouco e eles te jogam na cadeia, roube muito e eles te fazem rei

Não é exatamente isso que temos vividos agora, ou melhor, que temos vividos desde sempre? essa frase atemporal de Bob Dylan é simples e crua: ou você rouba o suficiente para mandar em quem vai te julgar, ou você paga pelos seus crimes.

Temos quase um réu julgado em segunda instância da Lava Jato sendo solto por semana, pelo simples fato que eles reinam sobre quem determina as suas próprias sentenças. É a forma como a sociedade opera e ainda que a palavra rei seja usada no sentido figurado, podemos transferir essa mesma máxima para o poder do estado e para cada vez que temos que pagar impostos.

  1. Eu era tão mais velho antes, eu sou mais jovem agora

A frase é de cara totalmente contraditória e a ideia é justamente essa. Bob Dylan se deu conta que não envelheceu com o tempo, mas sim, rejuvenesceu, deixando para trás velhas ideias e absorvendo, cultivando e desenvolvendo ideias novas.

Podemos quebrar o feitiço do tempo vivendo assim, sem ficarmos presos no
passado, sem nos apegarmos a ideias que já são ultrapassadas por orgulho,
aceitando que as derrotas não são nada além de aprendizados.

Vivemos uma constante mudança, não somos o que éramos ontem e muito
menos o que éramos ano passado, mas não somos necessariamente mais
velhos. Se simplesmente levarmos em conta que com o tempo deixamos o que era antigo para trás e nos abrimos para o novo, podemos ficar cada vez mais jovens.

  1. Para viver fora da lei você deve ser honesto

Aqui podemos entender que Bob Dylan fez um trocadilho com viver fora da lei no sentido jurídico e no sentido social. Quando tantas coisas que discordamos são impostas como leis pela sociedade, só alguém muito desonesto, com seus próprios princípios consegue viver bem com isso. Só alguém muito hipócrita engole todas as convenções e age de acordo com que os outros esperam, e mesmo assim isso representa a grande maioria das pessoas. São extremamente raras as que têm coragem de ser honestas o suficiente para viver fora da lei e desafiar o meio em que vive, ir além das fronteiras do que é aceitável e quebrar barreiras que até então impedem o crescimento. São esses foras da lei honestos que impulsionam o mundo para frente

  1. Atrás de qualquer coisa bonita existe algum tipo de dor

Eu me lembro da primeira vez em que ouvi essa frase, eu pensei que ela não podia estar certa, que era pessimista demais, mas aí eu comecei a pensar, e quanto mais eu pensava, mais verdadeira a frase parecia. Eu não conseguia encontrar nenhuma exceção, então eu entendi que o pessimismo de Bob Dylan tava certo, realmente atrás de qualquer coisa bonita existe algum tipo de dor.

Mas foi só depois de rever essa frase mil vezes que eu me dei conta que sim, ela é a mais pura verdade, mas não é necessariamente pessimista. É só a verdade sobre de onde nascem as coisas mais bonitas do mundo, sobre o fato de que o sofrimento, mesmo que inevitável, não determina o resultado. Do sofrimento mais horrível pode nascer a vitória mais deliciosa, a arte mais maravilhosa e, como exemplo, temos a própria música de onde essa frase foi retirada: Not Dark Yet.

  1. Não critique o que você não consegue entender

A definição perfeita de um hater, aquele que critica o que não consegue
entender, todo mundo lida com gente assim. Só que mesmo que o termo seja novo, esse tipo de pessoas sempre existiu e Bob Dylan lidou com eles a vida inteira. Sempre foi questionado pelo seu sucesso, pelas suas letras, pelas suas habilidade vocais, pela sua constante mudança de estilo musical , mas deixou essa resposta simples e direta: Não critique aquilo que você não consegue entender.

Isso é uma coisa que devemos levar para a vida toda. Sempre que somos
confrontados com algo desconhecido, novo, que desafia os nossos
conhecimentos, nos vemos cara a cara com a nossa própria ignorância e isso pode ser doloroso, então a nossa tendência é atacar, mas podemos ser
maiores do que isso, principalmente nos tempos de extremismos que vivemos hoje. Se não entendemos o discurso que vem do outro lado, tudo bem, não precisamos conhecer tudo, podemos assumir a própria ignorância ao invés de criticar o desconhecido, essa é a única forma de aprender.

E por mais que tenhamos chegados ao fim, nada começa nem termina quando se trata de Bob Dylan, então eu vou finalizar com uma frase do próprio, que nos mostra que provavelmente não ouvimos e nunca ouviremos nem metade do que ele realmente teria a nos dizer:

“E se meus sonhos e pensamentos pudessem ser vistos, eles provavelmente
colocariam a minha cabeça em uma guilhotina”

Mas, sorte a nossa que o que ele pode nos mostrar sem perder a cabeça, nós já temos o suficiente para uma vida de aprendizado.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Não acabem com a caligrafia: escrever à mão desenvolve o cérebro

As crianças que vivem no mundo dos teclados precisam aprender a antiquada caligrafia?

Há uma tendência a descartar a escrita à mão como uma habilidade que não é mais essencial, mesmo que os pesquisadores já tenham alertado para o fato de que aprender a escrever pode ser a chave para, bem, aprender a escrever.

E, além da conexão emocional que os adultos podem sentir com a maneira como aprendemos a escrever, existe um crescente número de pesquisas sobre o que o cérebro que se desenvolve normalmente aprende ao formar letras em uma página, sejam de forma ou cursivas.

Em um artigo publicado este ano no “The Journal of Learning Disabilities”, pesquisadores estudaram como a linguagem oral e escrita se relacionava com a atenção e com o que é chamado de habilidades de “função executiva” (como planejamento) em crianças do quarto ao nono ano, com e sem dificuldades de aprendizagem.

Virginia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington e principal autora do estudo, contou que a evidência dessa e de outras pesquisas sugere que “escrever à mão – formando letras – envolve a mente, e isso pode ajudar as crianças a prestar atenção à linguagem escrita”.

No ano passado, em um artigo no “Journal of Early Childhood Literacy”, Laura Dinehart, professora associada de Educação da Primeira Infância na Universidade Internacional da Flórida, discutiu várias possibilidades de associações entre boa caligrafia e desempenho acadêmico: crianças com boa escrita à mão são capazes de conseguir notas melhores porque seu trabalho é mais agradável para os professores lerem; as que têm dificuldades com a escrita podem achar que uma parte muito grande de sua atenção está sendo consumida pela produção de letras, e assim o conteúdo sofre.

Mas podemos realmente estimular o cérebro das crianças ao ajudá-las a formar letras com suas mãos?

Em uma população de crianças pobres, diz Laura, as que possuíam boa coordenação motora fina antes mesmo do jardim da infância se deram melhor mais tarde na escola.

Ela diz que mais pesquisas são necessárias sobre a escrita nos anos pré-escolares e sobre as maneiras para ajudar crianças pequenas a desenvolver as habilidades que precisam para realizar “tarefas complexas” que exigem coordenação de processos cognitivos, motores e neuromusculares.

Esse mito de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora simplesmente está errado. Usamos as partes motoras do nosso cérebro, o planejamento motor, o controle motor, mas muito mais importante é a região do órgão onde o visual e a linguagem se unem, os giros fusiformes, onde os estímulos visuais realmente se tornam letras e palavras escritas

Virginia Berninger

As pessoas precisam ver as letras “nos olhos da mente” para produzi-las na página, explica ela. A imagem do cérebro mostra que a ativação dessa região é diferente em crianças que têm problemas com a caligrafia.

Escaneamentos cerebrais funcionais de adultos mostram que uma rede cerebral característica é ativada quando eles leem, incluindo áreas que se relacionam com processos motores. Os cientistas inferiram que o processo cognitivo de ler pode estar conectado com o processo motor de formar letras.

Larin James, professora de Ciências Psicológicas e do Cérebro na Universidade de Indiana, escaneou o cérebro de crianças que ainda não sabiam caligrafia. “Seus cérebros não distinguiam as letras; elas respondiam às letras da mesma forma que respondiam a um triângulo”, conta ela.

Depois que as crianças aprenderam a escrever à mão, os padrões de ativação do cérebro em resposta às letras mostraram mais ativação daquela rede de leitura, incluindo os giros fusiformes, junto com o giro inferior frontal e regiões parietais posteriores do cérebro, que os adultos usam para processar a linguagem escrita – mesmo que as crianças ainda estivessem em um estágio muito inicial na caligrafia.

“As letras que elas produzem são muito bagunçadas e variáveis, e isso na verdade é bom para o modo como as crianças aprendem as coisas. Esse parece ser um dos grandes benefícios da escrita à mão”, conta Larin James.

Especialistas em caligrafia vêm lutando com a questão de se a letra cursiva confere habilidades e benefícios especiais, além dos fornecidos pela letra de forma. Virginia cita um estudo de 2015 que sugere que, começando por volta da quarta série, as habilidades com a letra cursiva ofereciam vantagens tanto na ortografia quanto na composição, talvez porque as linhas que conectam as letras ajudem as crianças a formar palavras.

Para crianças pequenas com desenvolvimento típico, digitar as letras não parece gerar a mesma ativação do cérebro. À medida que as pessoas crescem, claro, a maioria faz a transição para a escrita em teclados. No entanto, como muitos que ensinam na universidade, eu me questiono a respeito do uso de laptops em sala de aula, mais porque me preocupo com o fato de a atenção dos alunos estar vagando do que com promover a caligrafia. Ainda assim, estudos sobre anotações feitas à mão sugerem que “alunos de faculdade que escrevem em teclados estão menos propensos a se lembrar e a saber do conteúdo do que se anotassem à mão”, conta Laura Dinehart.

Virginia diz que a pesquisa sugere que crianças precisam de um treinamento introdutório em letras de forma, depois, mais dois anos de aprendizado e prática de letra cursiva, começando na terceira série, e então a atenção sistemática para a digitação.

Usar um teclado, e especialmente aprender as posições das letras sem olhar para as teclas, diz ela, pode muito bem aproveitar as fibras que se intercomunicam no cérebro, já que, ao contrário da caligrafia, as crianças vão usar as duas mãos para digitar.

O que estamos defendendo é ensinar as crianças a serem escritoras híbridas. Letra de forma primeiro para a leitura – isso se transfere para o melhor reconhecimento das letras –, depois cursiva para a ortografia e a composição. Então, no final da escola primária, digitação

Virginia Berninger

Como pediatra, acho que pode ser mais um caso em que deveríamos tomar cuidado para que a atração do mundo digital não leve embora experiências significativas que podem ter impacto real no desenvolvimento rápido do cérebro das crianças.

Dominar a caligrafia, mesmo com letras bagunçadas e tudo, é uma maneira de se apropriar da escrita de maneira profunda.

“Minha pesquisa global se concentra na maneira como o aprendizado e a interação com as palavras feitas com as próprias mãos têm um efeito realmente significativo em nossa cognição”, explica Larin James. “É sobre como a caligrafia muda o funcionamento do cérebro e pode alterar seu desenvolvimento.”

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*Fonte: contioutra

“Teu riso”, um poema de Pablo Neruda capaz de tirar o fôlego de quem ouve ou lê

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

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*Pablo Neruda