20 frases de Carl Jung que economizam 10 anos de terapia

É claro que o título é uma brincadeira, entretanto, as frases abaixo definitivamente merecem a nossa atenção devido a sua profundidade. São grandes lições.

Vamos lá!?

1. “Até que você torne o inconsciente em consciente, aquele irá direcionar a sua vida e você irá chamá-lo de destino.”

2. “Tudo que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreensão de nós mesmos.”

3. “A reunião de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambas são transformadas.”

4. “Você não se torna iluminado imaginando figuras de luz, mas sim ao tornar a escuridão consciente. Porém, esse procedimento é desagradável, portando, não popular.”

5. “Conhecer a sua própria escuridão é o melhor método para lidar com as trevas das outras pessoas.”

6. “Se você é uma pessoa talentosa, isso não significa que você ganhou algo. Significa que você tem algo a oferecer.”

7. “Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade. Se um homem não sabe o que uma coisa é, já é um avanço saber o que ela não é.”

8. “Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para o seu próprio coração. Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta.”

9. “As pessoas vão fazer qualquer coisa, não importa o quão absurdo, para evitar olharem para suas próprias almas.”

10. “Solidão não é não ter pessoas ao seu redor, e sim ser incapaz de expressar coisas que parecem importantes, ou de perceber certos pontos de vista que os outros acham inadmissíveis.”

11. “A depressão é como uma mulher vestida de preto. Se ela aparecer, não a afaste. Convide-a para entrar, ofereça-lhe um assento, trate-a como uma convidada e ouça o que ela tem a dizer.”

12. “Um homem que não tenha passado pelo inferno de suas paixões, nunca irá superá-las.”

13. “Sua percepção se tornará clara somente quando você puder olhar para dentro de sua alma.”

14. “O pêndulo da mente oscila entre sentido e absurdo, não entre certo e errado.”

15. “O que você resiste, persiste.”

16. “Um sonho é uma pequena porta escondida no santuário mais profundo e mais íntimo da alma, que se abre para a noite cósmica e primordial, que é a alma, muito antes de existir o ego consciente.”

17. “Nós podemos pensar que conseguimos controlar totalmente a nós mesmos. No entanto, um amigo pode facilmente revelar algo sobre nós e do qual não temos absolutamente nenhuma ideia.”

18. “Tudo o que diz respeio às outras pessoas que não nos satisfaz, nos ajuda a entender melhor a nós mesmos.”

19. “Eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que eu escolhi ser.”

20. “Não se apegue a quem estiver partindo porque assim você não irá conhecer quem estiver chegando.”

 

 

 

 

 

 

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*Fonte: contioutra

Quem lê mais, vive mais

Seus amigos reclamam quando você deixa de encontrar com eles para ficar em casa lendo? Não fique triste, leitor: uma pesquisa de Yale revela que o hábito de ler mais está ligado a uma longevidade maior – ou seja, seus livros queridos não só são divertidos: eles te fazem viver mais.

O estudo, chamado Um capítulo por dia, foi realizado nos EUA, ao longo de 12 anos, e analisou a relação entre a longevidade e os hábitos de leitura de 3.635 pessoas com mais de 50 anos. Essa mesma turma também estava participando de uma outra pesquisa maior, a Health and Retirement Study, que tem investigado, desde 1990, a saúde de americanos que passam dos 50 anos.

Em Um capítulo por dia, os pesquisadores dividiram as 3.635 pessoas em três grupos: os “não leitores” (quem não tinha o hábito de ler), os “leitores” (que liam por até três horas e meia na semana) e os “super leitores” (quem lia mais de três horas e meia por semana). Para definir os grupos, os participantes responderam a algumas perguntas simples sobre quanto tempo passavam lendo livros, revistas e jornais por semana.

Aí, 12 anos depois, os cientistas compararam esses hábitos aos dados de saúde do Health and Retirement Study, e descobriram o seguinte: os não leitores haviam morrido mais cedo do que os leitores, e bem mais cedo do que os super leitores.

Quem lia até 3h30 por semana, segundo o estudo, tinha 17% menos chances de morrer antes dos 62 anos do que quem não lia nada – e quem fazia parte do grupo dos super leitores tinha 23% menos chances de bater as botas antes dos 62. Além disso, esse resultado foi geral – não tinha a ver com gênero, classe social, problemas psicológicos nem nível de educação.

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*Fonte: porredelivros

Deseducar Para Controlar

Nestes dias tão conturbados em que presenciamos e vivemos cataclismos políticos e sociais tão evidentes, a figura do autômato descrita pelo Filósofo e Historiador Alemão Walter Benjamin me veem a cabeça. Em seu texto Conceitos Sobre História, assim ele descreve este ser: “Conhecemos a história de um autômato construído de tal modo que podia responder a cada lance de um jogador de xadrez com um contra lance, que lhe assegurava a vitória. Um fantoche vestido à turca, com um narguilé na boca, sentava-se diante do tabuleiro, colocado numa grande mesa. Um sistema de espelhos criava a ilusão de que a mesa era totalmente visível, em todos os seus pormenores. Na realidade, um anão corcunda se escondia nela, um mestre no xadrez, que dirigia com cordéis a mão do fantoche.”

O que de certa forma exprime a ideia contida no detalhamento da figura de um autômato fantoche, deixa mais do que claro as nuances da situação brasileira atual. Vivemos como uma população robotizada, passando por falsas transformações que ocultam uma continuidade de engrenagens de poder que se perpetuam desde a formação do país enquanto nação. Tal qual o jogo de xadrez evidenciada pelo pensador alemão, nossas jogadas são de cartas marcadas. Embora as peças sejam diferentes ao longo dos anos, nossa política, graças aos mecanismos de continuísmos, garante a perpetuação de uma série de privilégios, meandros e costumes arraigados no seu cerne.

Passando pelo período colonial, ao grito do Ipiranga dado por um Nobre Português com Disenteria proclamando a independência; da pompa do Período Imperial, vicejando a república velha e seu voto de cabresto; do (velho) Estado novo de Getúlio Vargas; da ditadura de uma noite sombria que durou 21 anos; até estes dias de tresloucada de uma incongruente democracia republicana empedernida: mudaram-se sistemas de governo, pessoas, políticos, economia e os pormenores do tempo, mas algo conseguiu manter-se como permanência em todas estas épocas.

Hábitos, costumes e uma certa cultura política e educacional calcada no uso do estado, da nação e de todos os seus dispositivos para perpetuação de um Modus Operandi voltada para o ego individualista, onde poucos se beneficiam com as mazelas da maioria, onde se deveria existir ações e pensamentos voltados para o bem-estar de todos, há o movimento contrário. Pelo sucesso individual, baseado na desgraça geral.

Instituições, empresas, órgãos públicos e privados, e a própria população são imbuídas de uma crença onde apenas o seu interesse deve ser o primordial para que seus objetivos, metas e satisfação enquanto cidadão sejam supridos. Indo por este caminho, ocorre a cegueira geral de que o bem-estar e a empatia pelo outro é desnecessária. Onde todos têm o mínimo de suas necessidades de vida, consumo, lazer, segurança, saúde e educação, a existência da sociedade e seu desenvolvimento atinge todas as expectativas e estabilidade para que aqueles pertencentes a ela se sintam aplacados e satisfeitos em sua condição existencial.

E então fica a pergunta de por que aqueles que detêm o poder não fazem as mudanças preconizando e dando prioridade a estas questões? Oras, pelo mesmo motivo que muitos tentam fraldar a bolsa de valores, enganar o arbitro em alguma competição esportiva, praticar bullying, e por aí vai; a resposta final é o ganho individual em detrimento do interesse coletivo.

É nisto que reside a realidade concreta do Brasil, uma população a mercê de ilusões criadas por uma política que mesmo mudando suas jogadas e modelo, consegue perpetuar processos e atingir os mesmíssimos resultados, não importando se a partida e o sistema forem diferentes. O resultado sempre será o mesmo, ludibriando e dando a falsa ilusão daqueles que estão envolvidos no jogo, que podem conseguir uma vitória quando uma nova partida se inicia.

Ardilosa armadilha criada pelo Estabilishment desde os primórdios da nação brasileira, ele é tão eficiente por não depender de modelo político, econômico ou social: ele se mantém entranhado nos hábitos culturais bem como nos mecanismos da indução de pensamento e influência dos costumes. É a arma perfeita nas mãos do Status Quo, pois venceu e vence suas batalhas sem dar sequer um tiro.

Para que as mudanças que não mudem tenham sua continuidade, ocorre então a necessidade de ferramentas visando manter toda esta penúria, e o meio de alcançar estas metas é o sucateamento da educação brasileira. Vamos sendo criados de modo que a imensa maioria não perceba que está sendo iludida nos joguetes do poder, e aqueles que sabem como funciona isso tudo entram num processo de conformismo com a situação.

Não existiu até hoje um verdadeiro plano de reforma educacional esclarecedora, primando pelo efetivo ensino que consiga quebrar com estas correntes de um nocivo controle das vontades do inconsciente e subconsciente brasileiro, não precisando aqui descrever o tenebroso projeto do Escola sem partido(sic). Hábitos e costumes tão profundamente incrustados no consciente nacional só são passíveis de mudança através da educação. Por isto, a educação brasileira permanece arcaica, pois vai de encontro aos interesses daqueles que, como o corcunda anão mestre no xadrez relatado por Walter Benjamin, tem nos políticos os fantoches de suas vontades.

Sendo assim, cada vez mais dou razão a afirmativa de Darcy Ribeiro: “A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”.

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*Fonte: genialmentelouco / Guilherme Lima

Saiba o que acontece em seu cérebro quando você lê poesia

Poesia são dardos em forma de palavras que vão direto para a parte mais emocional do nosso cérebro. Há poemas que despertam um tsunami emotivo real e nos arrepiam, como “A Primeira Elegia”, de Rainer Maria Rilke, cujos versos dizem:

“A beleza é nada mais que o princípio do terrível,
Aquilo que somos apenas capazes de suportar,
Aquilo que admiramos porque serenamente deseja nos destruir,
Todo anjo é terrível. ”

Rilke descreveu o terror que sentimos quando adquirimos um conhecimento mais amplo, o momento em que ficamos mais conscientes de nossas limitações e da complexidade do mundo, e percebemos tudo o que não entendemos, conscientes daquilo que nunca iremos compreender. É uma possibilidade bela e sedutora, mas também muito assustadora.

A poesia tem a capacidade de enviar poderosas mensagens emocionais e ativar a reflexão, ainda que seja certo dizer que o maior prazer que sentimos ao ler um poema, como quando desfrutamos de uma obra de arte, não provém de uma reflexão profunda, mas de sensações que nós experimentamos. Na verdade, Vladimir Nabokov disse que não se deve ler com o coração ou com o cérebro, mas com o corpo.

Pesquisadores do Instituto Max Planck de Estética Empírica se propuseram a explorar mais a fundo as influências da poesia em nosso cérebro, e os resultados de seu estudo são fascinantes.

A poesia gera mais prazer, a nível cerebral, que a música.

Pesquisadores pediram a um grupo de pessoas, alguns liam poesia com frequência, para ouvir poemas lidos em voz alta. Alguns dos poemas pertenciam a conhecidos poetas alemães como Friedrich Schiller, Theodor Fontane e Otto Ernst, apesar de que foi dada a opção para os participantes escolherem algumas obras, incluindo autores como William Shakespeare, Johann Wolfgang von Goethe, Friedrich Nietzsche, Edgar Allan Poe, Paul Celan e Rilke.

Enquanto os voluntários escutavam os poemas, os pesquisadores registravam o ritmo cardíaco, expressões faciais e até mesmo os movimentos dos pelos sobre a pele. Além disso, quando as pessoas sentiam um arrepio, elas eram instruídas a avisar, pressionando um botão.

Curiosamente, todas as pessoas, mesmo aquelas que não tinham costume de ler poesia, relatavam calafrios em algum momento durante e leitura, 40% sentiram arrepios várias vezes. Estas são respostas similares àquelas que experimentamos quando escutamos música ou assistimos a uma cena de um filme que gera grande ressonância emocional.
No entanto, as respostas neurológicas estimuladas pela poesia eram únicas. Os dados mostraram que ao tomar contato com os poemas, partes do cérebro usualmente desativadas quando expostas ao estímulo de filmes e música foram despertadas.

Os neurocientistas descobriram que a poesia cria um estado que chamaram de “pré-relaxamento”; ou seja, que provoca uma reação de prazer gradativo a cada estrofe escutada. Na prática, ao invés da emoção nos invadir repentinamente, como quando escutamos uma canção, a poesia gera um crescendo emocional que começa até 4,5 segundos antes de sentirmos o arrepio.

Curiosamente, esses picos emocionais ocorriam especificamente em trechos dos versos, como no final das estrofes e, acima de tudo, no final da poesia. É uma descoberta muito interessante, especialmente considerando-se que 77% dos participantes que nunca tinha escutado um poema também mostraram as mesmas reações e sinais neurológicos que antecipavam os focos emocionais da leitura.

A poesia estimula a memória, facilita a introspecção e nos relaxa.

Neurocientistas da Universidade de Exeter escanearam os cérebros de um grupo de participantes enquanto liam conteúdos diferentes, desde um manual de instalação de ar-condicionado, passando por diálogos de novela, até sonetos e poemas.

Estes pesquisadores descobriram que o nosso cérebro processa a poesia de forma diferente que a prosa. É ativada uma “rede de leitura” peculiar que abraça diferentes áreas, entre elas, aquelas responsáveis pelo processamento emocional, ativadas fundamentalmente pela música.

Eles também perceberam que a poesia estimula áreas do cérebro associadas com a memória, como o córtex cingulado posterior e o lobo temporal médio, áreas que são despertadas quando estamos relaxados, ou introspectivos.

Isto demonstra que existe algo muito especial na estrutura do texto poético que gera prazer. Na verdade, a poesia é uma expressão literária muito especial que transmite sentimentos, pensamentos e ideias, praticando síntese métrica, trabalhando rimas e aliteração.

Portanto, não faz mal inserir um poema por dia em nossa rotina 🙂

Texto originalmente publicado no site Rincón de la Pscicología, traduzido e livremente adaptado pela equipe da Revista Pensar Contemporâneo.

*Por Jennifer Delgado Suárez, psicóloga

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*Fonte: pensamentocontemporaneo

Ruínas jesuíticas de São Miguel das Missões

Como havia mencionado em um post anterior, agora anexo algumas img feitas quando da visita essa semana ao histórico sítio arqueológico em São Miguel das Missões (RS). Há também um pequeno museu no local além das ruínas, não fiz fotos de lá, mas fica aqui a dica. Funciona no mesmo horário da visitação e na parte interna, logo na entrada do parque.

Os horários de visita são:
3ª à Domingo: 09 às 12h / 14h às 18h
Durante o horário de verão: 09 às 12h / 14 às 20h
Obs.: nas segundas-feiras somente das 16 às 18h

Claro que não vou aqui escrever uma tese ou um texto elaborado sobre o patrimônio histórico das ruínas de São Miguel, não é esse o intuito da coisa por aqui, mas em todo caso, se você tiver a curiosidade de conhecer um pouco mais sobre o tema, confira os links abaixo:

http://portaldasmissoes.com.br/site/view/id/406/ruinas-de-sao-miguel-arcanjo-sitio-arqueologico.html

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https://www.feriasbrasil.com.br/rs/saomigueldasmissoes/

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https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADtio_Arqueol%C3%B3gico_de_S%C3%A3o_Miguel_Arcanjo

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*Não são fotos profissionais mas ao menos creio que servem para dar uma ideia do contexto do que há nas ruínas jesuítas. É um belo passeio sem dúvida, gasta-se um bom tempo caminhando pelo amplo espaço gramado, bem como ao redor e por dentro das ruínas de São Miguel. Fica aí então uma dica de um passeio interessante.

Gracias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pondo em dia na agenda uma visita histórica e cultural

Com a proposta de não ficar parado só bobeira e descansando nesse período de folga entre o Natal e ano novo, entre outras coisas é claro que teria de pegar a estrada de moto algumas vezes, afinal isso é para mim um dos grandes bons prazeres na vida. Assim num planejamento de uma dia para o outro falei com alguns amigos, mas no final somente eu eu e o Rafa estávamos liberados para essa empreitada e entre um roteiro e outro resolvemos fazer uma viagem até São Miguel das Missões. Um local histórico e culturalmente importante para o Rio Grande do Sul e porque não dizer América também, o qual nunca tinha visitado antes e aliás, já era um desejo antigo. Não, no tempo de colégio nunca fui em excursão até lá (só para constar). Além do mais fica em uma região que pouco me aventuro de moto e seria legal fazer um primeiro contato por ali.

Simbora! Sem muita frescura combinamos nosso roteiro ainda na tarde de terça-feira, deu tempo de ajeitar algumas coisas e também deixar preparada a moto para a viagem. Na madrugada de quarta-feira já estávamos saindo de Venâncio Aires rumo a São Miguel das Missões.

Ainda era escuro quando nos encontramos e depois de uma breve conversa já estávamos na estrada pela 287 rumo à Candelária. Nas curvas de Santa Cruz do Sul demos de cara com um acidente recém ocorrido, um caminhão teve sua carga tombada e espalhada na pista. Haviam algumas pessoas fazendo sinal de seguir em frente por um canto da estrada e assim fizemos. Em Candelária tomamos a RS 400, que fazia um tempo que andava por ali por causa do estado muito ruim da estrada, mas de fato a situação mudou, como um amigo esses tempos já havia mencionado de que haviam ajeitado a buraqueira. Muito bom. Gosto desse trajeto da região centro-serra e nem lembrava mais de como é bonito, melhor ainda tendo como parceria o sol que estava nascendo e dando uma cor toda especial enquanto rodávamos com nossas motos. Isso sim é um daqueles momentos incríveis numa viagem de moto. Havia uma previsão de chuva para a tarde e por isso resolvemos fazer essa trip numa tocada com poucas paradas até o nosso destino final.

Subimos até Sobradinho, depois Arroio do Tigre (o mais longe que já havia ido nessa estrada) – que já é então a RS 481.  O sol já estava ativo e resolvemos parar para um café. E o interessante é que depois, apenas alguns km à frente o clima era totalmente diferente, passamos por um bom trajeto com cerração fechada na estrada e logo depois sol forte outra vez (sic!). E que tal esse nosso clima e geografia da região, hein!?

E puêrra! daí novamente a mágica aconteceu. Da cidade de Estrela Velha em diante, passando por Salto do Jacuí  (fizemos uma parada na ponte) até o trevo que junta com a 158, perto de Cruz Alta – se mostrou um dos trajetos mais legais que já andei. Uma estrada tranquila, com um asfalto legal e pouco movimento, quase somente lavouras dos dois lados da pista por tipo quase uns 100km. Incrível andar numa estrada assim, a moto só vai, flui com a estrada e nessa tocada a mente também voa livre. Acredite! Muito bom, muito bom.

Depois do trevo com a 158 andamos alguns poucos kms em direção à Cruz Alta e em seguida outro trevo onde fomos pela RS342, que depois emenda na 285. Daí a coisa ficou normalzona outra vez, o perrengue de sempre. Estrada com vários trechos com muitos buracos ou então com o asfalto deformado, bem movimentada e cheia de caminhões, vários pardais (acho que passei acima do permitido num desses – shit!) e por aí vai. Mas faz parte, é o comum por aqui e como tal até já estamos acostumados. Foi só seguir em frente por Ijuí, Santo Ângelo até Sâo Miguel da Missões.

Fizemos algumas paradas para abastecer, motos diferentes, tanques com capacidades diferentes, diferentes paradas. Uma parada obrigatória foi no pórtico de São Miguel, é claro, onde até umas mulheres nos perguntaram se poderiam fazer fotos junto de nossas motos. Cada uma!

O trajeto do pórtico até a cidade é bem ruim, tipo uns 16km e que talvez tenha sido o pior de toda a nossa viagem. Fica a dica para quem for para lá. A cidade de São Miguel me pareceu bem modesta e pequena até, achei que seria bem maior até pelo apelo turístico histórico internacional que ela tem. Mas enfim, rapidamente nos entendemos com a cidade e seus fluxos, não havíamos marcado nada de hotel ou pousada. Numa rápida dica no posto de gasolina no centro da cidade já tínhamos conseguido boas referências. Em pouco tempo já estávamos numa boa pousada e depois de estabelecidos, descarregado os apetrechos das motos, já estávamos fugindo do calorão tomando um banho de piscina (ótimo custo/benefício). Isso tudo bem perto do sítio arqueológico local, das Missões. Na noite fomos novamente nas Missões, mas dessa vez para assistir ao tradicional show de luzes e sons que acontece nas centenárias ruínas, onde de forma poética e artística nos contam a resumidamente os eventos e parte da história do local.

Levantamos cedo, não tanto quando da ida, até porque agora havia um horário do café e se não quiséssemos perdê-lo, teríamos de sair um pouco mais tarde. Já era por volta das 8h quando ligamos os motores e voltamos com a intenção de estar na estrada sem pegar o forte calor da tarde. Deu tudo certo e tranquilo Uma baita viagem, valeu a parceria do Rafa e desde já planejando novos roteiros.

Nesse post falo um pouco sobre a viagem.
Em um outro post falarei da visita e algumas fotos do sítio arqueológico de Sâo Miguel das Missões.

*Abaixo algumas imgs dessa trip:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como identificar os diferentes tipos de fakes e robôs que atuam nas redes

Se a interferência de contas falsas em discussões políticas nas redes sociais já representava um perigo para os sistemas democráticos, sua sofisticação e maior semelhança com pessoas reais têm agravado o problema pelo mundo.

No Brasil, uma investigação de três meses da BBC Brasil, que deu origem à série de reportagens Democracia Ciborgue, identificou parte do mercado de compra e venda de contas falsas que teriam sido usadas para favorecer políticos no Twitter e no Facebook. É impossível estimar seu alcance, mas sua existência nas eleições brasileiras de 2014 já alerta para um potencial risco na disputa no ano que vem.

Nos Estados Unidos, conteúdo produzido por russos e difundido por meio de pessoas que não eram verdadeiras alcançou quase 126 milhões de americanos no Facebook durante as eleições do ano passado, de acordo com a plataforma, que teve que submeter dados ao Senado americano.

O perigo cresceu porque a tecnologia e os métodos evoluíram dos robôs, os “bots” – softwares com tarefas online automatizadas -, para os “ciborgues” ou “trolls”, contas controladas diretamente por humanos com a ajuda de um pouco de automação.

Imaginemos uma linha em que em uma ponta estejam robôs e, em outra, humanos. Entre as duas pontas, especialistas apontam a existência de ciborgues, “robôs políticos”, “fakes clássicos” e “ativistas em série” antes de chegarmos às pessoas reais.

Parte 1, os robôs

“Um robô, ou bot, nada mais é que uma metáfora para um algoritmo que está te ajudando, fazendo um trabalho para você”, define Yasodara Córdova, pesquisadora da Digital Kennedy School, da Universidade Harvard, nos EUA, e mentora do projeto Operação Serenata de Amor, que busca identificar indícios de práticas de gestão fraudulenta envolvendo recursos públicos no Brasil.

Ou seja, robôs estão por todas as partes, espalhados nas redes sociais, o que não significa necessariamente que estejam fazendo coisas ruins: os mais comuns são aqueles que automatizam o compartilhamento de notícias de veículos de imprensa e os que ajudam consumidores em atendimentos virtuais, entre outros.

O projeto Operação Serenata de Amor, por exemplo, tem um robô que analisa pedidos de reembolso de deputados federais e destaca os que parecem ser suspeitos, por meio de “machine learning” (“aprendizado de máquina”, que reconhece padrões e aprende com seus erros para evoluir e refinar sua atuação). Via Twitter, pede aos parlamentares que esclareçam o gasto suspeito – há casos de congressistas que reembolsaram a Câmara por causa do projeto.

Mas também há robôs cujo uso é malicioso, e que estão espalhados sobretudo pelo Twitter.

“O Twitter é um ambiente mais amigável para robôs”, explica Marcos Bastos, professor do departamento de Sociologia da City, University of London, no Reino Unido.

Bastos, que é brasileiro, e o britânico Dan Mercea, da mesma universidade, descobriram que as discussões sobre o plebiscito do Brexit (que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia) no Twitter tiveram participação de ao menos 13,5 mil robôs, usados para “bombar” um lado ou outro com postagens automatizadas.

“O Facebook é de fato uma rede social: você aceita pessoas com quem você tem algum tipo de conexão: idealmente, só amigos, embora esse não seja sempre o caso. O Twitter não tem essa reciprocidade, então funciona não só como uma rede social, mas como um sistema de difusão de informações”, afirma.

Ou seja, a natureza mais aberta do Twitter – que, diferentemente do Facebook, não exige o nome verdadeiro do usuário nem proíbe contas automatizadas – facilita a proliferação de robôs em sua esfera.

Pesquisadores das universidades do Sul da Califórnia e de Indiana estimam que haja entre 9% a 15% de robôs no Twitter. A rede tem um total de cerca de 330 milhões de usuários – portanto, ao menos 29 milhões deles são robôs, segundo o levantamento.

O Twitter informa que “a falsa identidade é uma violação” de suas regras. “As contas do Twitter que representem outra pessoa de maneira confusa ou enganosa poderão ser permanentemente suspensas de acordo com a Política para Falsa Identidade do Twitter. Se a atividade automatizada de uma conta violar as regras do Twitter ou as regras de automação, o Twitter pode tomar medidas em relação à conta, incluindo a suspensão da conta.”

Mas essas criaturas virtuais são mais facilmente identificáveis. Pesquisadores desenvolvem ferramentas para detectar robôs, monitorando sua atividade e identificando padrões. Levam em conta a quantidade de vezes que replicam um conteúdo, a proporção entre seguidores e usuários que o perfil segue, a data de criação da conta, as postagens via plataformas externas ao Twitter e a quantidade de menções a outros usuários, entre outros critérios.

 

Parte 2, os ciborgues

Pouco disso pode ser feito para detectar os exércitos de ciborgues, que estão em uma zona cinzenta e são os próximos na escala depois dos robôs. São chamados também de “trolls” ou “socketpuppets” (fantoches).

“É muito difícil detectar esses ‘bots’ híbridos, operados parte por humanos, parte por computadores”, afirma Emiliano de Cristofaro, professor da London’s Global University, no Reino Unido, que estuda segurança online. Isso porque perfis operados por algoritmos têm “comportamentos previsíveis” e padrões, enquanto uma pessoa real pode interromper isso, “agindo de forma diferente em horários diferentes”.

Ciborgues dão origem a perfis mais sofisticados, que tentam de fato imitar perfis de pessoas verdadeiras, publicando fotos e frases e interagindo com outros usuários, criando “reputação”.

Os perfis falsos encontrados pela investigação da BBC Brasil são ciborgues. Roubaram fotos de pessoas verdadeiras, criaram nomes falsos e adicionaram como amigos pessoas reais – o que fez até com que recebessem “parabéns” em seus “aniversários”. Depois, entre publicações de uma rotina inventada, publicaram conteúdo elogiando políticos brasileiros e ajudaram a aumentar suas “curtidas”.

Para manter o perfil ativo e parecer real, parte das postagens era agendada em plataformas fora do Twitter. À primeira vista, não parecem ser perfis falsos.

“É preciso olhar para o conteúdo que postam, não só para sua atividade. E isso custa caro”, observa Cristofaro. Por sua natureza mais sofisticada, estão espalhados não só no Twitter, como no Facebook também.

O Facebook informou que suas políticas “não permitem perfis falsos”. “Estamos o tempo todo aperfeiçoando nossos sistemas para detectar e remover essas contas e todo o conteúdo relacionado a elas.”

A empresa também indicou que pode fazer uma “varredura” de perfis falsos no Brasil semelhante à que fez na França e na Alemanha antes das eleições. “Estamos eliminando contas falsas em todo o mundo e cooperando com autoridades eleitorais sobre temas relacionados à segurança online, e esperamos tomar medidas também no Brasil antes das eleições de 2018.”

Para o Cristofaro, caso o Facebook começasse a varrer contas falsas levando em conta apenas sua atividade, acabaria encontrando “falsos positivos”, “e isso seria muito ruim para eles”, diz.

Em um relatório de abril de 2017, o Facebook admitiu que havia difusão de informações na plataforma via “personas falsas online”, criadas para “influenciar opiniões políticas”.

Na ocasião, a empresa disse que estava tomando medidas para excluir esse tipo de conta falsa, sem especificar quantas já identificou e excluiu. Segundo relatório da empresa, em setembro deste ano o Facebook tinha 2,07 bilhões de usuários ativos no mundo todo – não se sabe quantas dessas contas são falsas.

Alguns passos podem ser tomados para identificar ciborgues. Qualquer um pode fazer uma pesquisa por meio da foto utilizada pelo perfil em questão. Em ferramentas de buscas como o Google, é possível pesquisar pela imagem com o objetivo de rastrear sua origem e outros sites em que aparece. Esses perfis utilizam fotos que saíram em notícias não muito difundidas, de pessoas mortas, de bancos de imagens.

Mas pesquisadores começam agora a observar outros padrões de comportamento: quando as mensagens não são programadas, sua publicação se concentra só em horários de trabalho, já que é controlada por pessoas cuja profissão é exatamente essa, administrar um perfil falso durante o dia. Interações de madrugada, portanto, quando pessoas reais muitas vezes participam de discussões online, estão de fora (a não ser que empresas comecem a pagar por plantões de madrugada).

Outra pista: a pobreza vocabular das mensagens publicadas por esses perfis. Um dos entrevistados pela BBC Brasil, funcionário de uma empresa que supostamente produzia e vendia perfis falsos, explica que às vezes “faltava criatividade” para criar mensagens distintas controlando tantos perfis falsos ao mesmo tempo – cada funcionário controlava entre 20 a 50 perfis com histórias de vida particulares.

Para identificar os mais de 100 perfis falsos no Twitter e no Facebook que seriam ligados a uma empresa, com a ajuda de especialistas, a BBC Brasil levou em consideração elementos como: o uso de fotos comprovadamente falsas, modificadas ou roubadas; a publicação de mensagens a partir da mesma ferramenta externa às redes sociais; o padrão de mensagens que simulam rotina, com repetição de palavras; a participação ativa nas redes durante debates e “tuitaços”; atividade apenas durante o horário “útil” do dia; as recorrentes mensagens de apoio ou de agressão a candidatos específicos e, por fim, vários casos de datas coincidentes de criação, ativação e desativação dos perfis.

Mas esse padrão de comportamento se refere a um grupo específico de perfis falsos e ciborgues, produzidos, supostamente, por uma empresa específica. O problema é que cada empresa tem uma atuação diferente, o que significa que diferentes grupos de perfis falsos têm também comportamentos distintos.

O fenômeno, portanto, ainda está sendo investigado por especialistas à procura de formas para aprimorar a identificação dos ciborgues.

Parte 3, os robôs políticos

Os “robôs políticos” são outra categoria dos robôs online.

São perfis de militantes que autorizam que suas contas sejam conectadas a páginas de candidatos ou de campanhas. Por meio de um sistema simples de automatização, “suas contas passam a automaticamente curtir postagens”, diz Dan Arnaudo, pesquisador da Universidade de Washington, nos EUA, e do Instituto Igarapé, no Rio, especialista em propaganda computacional, governança da internet e direitos digitais.

Yasodara Córdova diz que essa é uma “espécie de ciborguização para aumentar a quantidade de visualizações ou compartilhamento de uma publicação, em que um político usa um exército de pessoas que se habilitam a postar por ele”.

Ou seja, são perfis de pessoas verdadeiras, que abrem mão de sua “autonomia” para dar curtidas de forma automática selecionadas pela campanha de um candidato.

Parte 4, o fake clássico

Um “fake clássico” é aquele que já conhecemos: um perfil falso inventado por uma só pessoa, sem relação com empresas que vendem esse serviço para políticos e sem relação com campanhas que pedem acesso às contas de militantes.

É aquele perfil usado por uma pessoa para esconder-se atrás de um “fake” pelos mais diversos motivos: simplesmente para não expor a identidade do verdadeiro autor, para publicar comentários negativos ou positivos sobre uma pessoa ou para “bombar” um político voluntariamente.

Se isso for feito de forma transparente, ou seja, se o perfil for satírico ou deixar claro que é um pseudônimo, a atividade é legal. Quando é usado para enganar outros usuários, no entanto, sem deixar claro que o perfil é falso ou assumindo a identidade de outra pessoa (roubando sua foto ou nome), é ilegal.

 

Parte 5, os ativistas em série

Mas nem sempre um número alto de compartilhamentos ou postagens significa que seu autor é um computador.

Há dois anos, Bastos e Mercea identificaram o que chamaram de “ativistas em série” – pessoas reais altamente prolíficas politicamente no Twitter e com postagens sobre eventos políticos em diferentes partes do mundo – até 17 delas. Exemplo: um ativista em série pode tuitar em grandes quantidades tanto sobre os protestos de junho de 2013 no Brasil quanto sobre o movimento Occupy nos Estados Unidos.

Os pesquisadores entrevistaram 21 ativistas em série. O resultado: os entrevistados eram em sua maior parte pessoas com 30 anos ou entre os 50 e 60, em períodos de desemprego, trabalho voluntário ou durante a aposentadoria. Ficavam entre cinco e 12 horas no Twitter dedicando seu tempo a diferentes causas, chegando a tuitar 1,2 mil vezes por dia, indício que levaria pesquisadores a associarem esses perfis à automatização, embora fossem pessoas de verdade.

 

 

 

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*Fonte: bbcbrasil

Era da informação, tempos de ignorância

Web: A difusão do conhecimento e sua dissolução em meio à ignorância

Nunca em toda a história o conhecimento esteve tão acessível a tão ampla parcela da população. Se por muito tempo o saber foi monopolizado por segmentos sociais dominantes, nos dias atuais qualquer um que disponha de um telefone móvel e, no mínimo, consiga acesso a uma rede Wi-Fi pode pesquisar acerca dos mais variados assuntos e conhecer – ainda que virtualmente – bens culturais de todo o mundo. De receitas culinárias, passando por manuais de sobrevivência, até foguetes caseiros, há um sem número de sites, tutoriais e vídeos tratando do assunto. No início da difusão da rede mundial de computadores esse fenômeno já fora previsto e apontado como algo que garantiria uma formação cultural mais autônoma e eficaz, a ponto de se cogitar inclusive a futura obsolescência de escolas e professores.

Não obstante, nessa mesma rede mundial de computadores, da qual um dos usos principais são outras redes – essas que se dizem “sociais” – é possível observar toda a superficialidade de ideias de grande número de usuários que reagem a, comentam e compartilham fragmentos de ideias, quase sempre descontextualizadas e utilitariamente. Ora, todos gostamos de compartilhar um meme ou frase de efeito engraçada, ou que cuja ideia principal nos agrade, ou ainda, apenas por acharmos oportuno socializar uma informação que não precisa estar teoricamente referenciada. O hábito pode ser inclusive salutar, lúdico e útil. Quantas pessoas perdidas ou distantes são encontradas através das redes sociais. Outras tantas conseguem iniciar ou ampliar seus negócios valendo-se desse mesmo recurso. Grupos de debate sobre os mais variados assuntos se multiplicam e, por vezes, ajudam até a sensibilizar para a fragilidade de convicções arraigadas, mal fundamentadas e preconceituosas. Sendo assim, não se mostra coerente criticar genericamente algo que pode oferecer tantos benefícios.

Onde estaria então o lado negativo da rede mundial de computadores e de suas redes “sociais” para a construção do conhecimento, oferecendo elas acesso a tão ampla gama de informações a um grandioso número de usuários que ainda está a crescer? A meu ver, a tentativa de responder a esse questionamento exige outra pergunta mais pessoal e nada retórica: “até que ponto redes sociais e sites com informações simplistas e sintetizadas têm se tornado minha principal fonte de informação e, grosso modo, de conhecimento, na medida em que embasam minhas exposições e argumentos (consequentemente, meu raciocínio)?”

Não deve ser difícil se pegar na “saia justa” com essa pergunta. Uma simples pesquisa no Google revela um grande número de pessoas que dizem ter se tornado incapazes de ler livros ou textos mais longos (honestamente, desconfio que muitos que começarem a ler esse texto nem chegarão até aqui). A maioria dessas pessoas e das que comentam esses “desabafos” reconhecem no uso intensivo de textos sintéticos e superficiais disponibilizados na internet a causa para essa situação. A leitura curta e simplória acaba por se tornar hábito. Vemos então que o problema não está na ferramenta, mas em um certo tipo de comodismo intelectual de quem a utiliza, tendo em vista que essa mesma internet oferece acesso a leituras clássicas de domínio público em diversas áreas.

Compreender a forma como a dinâmica de disseminação e simplificação da informação na internet pode condicionar a maneira como nos relacionamos com o conhecimento é fundamental para que dominemos de fato as Tecnologias da Informação e Comunicação. Esse domínio da tecnologia não diz respeito apenas ao uso eficaz dessas ferramentas, mas à capacidade de discernir o limite onde deixamos que as facilidades e frivolidades oferecidas pela máquina moldem nossa maneira de construir nosso próprio conhecimento e raciocínio.

Bauman e a “cultura da oferta”: o conhecimento como mercadoria virtual

Para Zygmunt Bauman, o comodismo intelectual que parece permear a superficialidade de certas postagens revela um aspecto que não é algo idiossincrático, mas ideológica e amplamente disseminado. Em seu livro “Capitalismo parasitário”, Bauman demonstra que esse fenômeno faz parte de um processo pós-moderno que ele chama de “cultura da oferta”, processo esse que tende a impregnar todos os aspectos sociais com os valores mercadológicos. Assim, não só o próprio trabalhador, mas também o lazer, as relações sociais, bem como a cultura e o próprio conhecimento acabam por assumir aspecto de mercadoria, passando a se estabelecerem sob as mesmas regras que regem o mercado. Trazendo esse conceito para nossa discussão, poder-se-ia dizer que o tal comodismo intelectual anteriormente citado passa pela internalização de valores mercadológicos como o utilitarismo, o imediatismo, a descartabilidade, o modismo. Uma ressalva se faz necessária: não sejamos tão teoréticos a ponto de não considerar também fatores mais comuns, como os culturais, sociais e – por que não dizer – a própria preguiça individual. Mas, de maneira geral, o conceito baumiano de “cultura da oferta” nos serve bem.

Nesse contexto, sem entrar nos detalhes que Bauman desenreda primorosamente em seu livro, podemos dizer que até o conhecimento tem se tornado algo a ser consumido segundo a oferta do mercado. Estuda-se para tirar uma boa nota, passar no vestibular, porque determinado assunto está na moda, ou simplesmente porque “dá dinheiro”. Dessa maneira, a internet torna-se uma conveniente depositária da cultura e do conhecimento, sempre disponível a prestar seus serviços de memória externa do intelecto humano. Dentro dessa lógica, basta que se acesse o conteúdo mínimo necessário para que se possa alcançar os objetivos sempre imediatistas e provisórios do mercado. Sínteses de livros, sites com conteúdos simplificados e até aqueles que se prestam a fazer seu trabalho de faculdade são exemplos de usos pouco edificantes da internet. A mesma fonte que oferece o acesso aos bens culturais mais elaborados também possui características dispersivas e acomodatícias.

Ora, também é comum querermos, às vezes, ter apenas uma noção de determinado assunto, sem a necessidade de nos aprofundarmos nas premissas que o sustentam. Dessa forma, para reconhecer os limites do uso saudável dos “atalhos” que a internet oferece é importante compreender a maneira como o pensamento mais elaborado é construído e comparar esse processo com a maneira simplista e fragmentada de disseminação de informações no mundo virtual.

Construtivismo: pensamento integrador X conhecimento fragmentado

Jean Piaget é um dos principais pensadores que embasam a teoria educacional conhecida como educação construtivista. Como o próprio nome denota, entende-se que o indivíduo precisa construir seu próprio conhecimento a partir de sua relação com o objeto de estudo. Piaget diz que tal relação pode sim ser mediada e socializada, mas que para construir verdadeiramente seu próprio conhecimento, o indivíduo precisa descobrir por si mesmo as causas, fatores e relações dos fenômenos estudados.

Nesse contexto, o conhecimento não é algo a ser absorvido, mas internamente elaborado. Através do confronto de seus conhecimentos prévios com novas evidências, da análise das mesmas, de suas relações com outros conhecimentos e suas implicações na vida cotidiana, o sujeito acaba por reorganizar suas estruturas cognitivas. Isso implica não apenas na assimilação de novos conceitos, mas na mudança qualitativa na capacidade de raciocínio e senso crítico. Inversamente, nada que é entregue como verdade, nada que seja apresentado como fato acabado, nada que não seja descoberto pelo próprio indivíduo, nada disso pode propiciar a reorganização de estruturas cognitivas e a consequente mudança na capacidade de pensamento.

Ora, se tomarmos como plausível a ideia piagetiana de construção do conhecimento, podemos inferir que a forma como a maior parte das informações é disseminada na internet não oportuniza o desenvolvimento de um pensamento mais elaborado e crítico. Na verdade, grande parte de conteúdos que “viralizam” são o contrário disso; apresentados de forma simplista, descontextualizada, sem proporcionar o mínimo de reflexão e articulação com outros conhecimentos e a vida cotidiana. Isso sem falar das manipulações de que se valem deterministas que desejam propagandear ou condenar infundadamente determinada ideia, o que exige atenção até mesmo quando se quer apenas obter uma noção sobre algum assunto.

Não há atalhos!

Não há dúvidas! Dentre outros benefícios, a difusão da rede mundial de computadores permitiu o acesso de grande parte da população a variados bens culturais como nunca antes na história.

O problema é que paralelamente tornaram-se comuns formas simplistas de difusão desse conhecimento, que passa a não propiciar o desenvolvimento do pensamento mais elaborado e do senso crítico. Em muitos casos, o que ocorre é a disseminação de formas de pensamento superficiais e fragmentadas.

Assim, o conhecimento toma – como tem se tornado comum aos diversos aspectos da vida atual – caráter mercadológico. Estuda-se quando o sistema exige, o mínimo em quantidade e o mais compartimentalizadamente possível. Até mesmo quando se quer apenas ter uma noção sobre determinado assunto é preciso atentar para a qualidade da informação acessada.

A verdade é que não há atalhos para aquele que deseja assimilar conhecimentos relevantes, ampliar sua capacidade de pensamento e desenvolver seu senso crítico.

Os benefícios que a universalização da vida virtual nos trouxe são inegáveis. Todavia, sua dinâmica de disseminação simplista e fragmentada de informação parece constituir uma realidade insubmissa. Isso sem falar de seus aspectos frívolos e dispersivos. É preciso conscientizar-se de que esse lado pouco edificante da Web é sutil e vicioso e pode condicionar sim nossa forma de pensar e de aprender.

Material de qualidade também há na internet. Quase todos os clássicos de diversas áreas do conhecimento podem ser encontrados de forma legal na rede. Sites especializados divulgam estatísticas mais confiáveis. Professores renomados e provocadores divulgam vídeos instigantes em suas redes sociais. É no contato com esses materiais, contextualizando-os, criticando-os, que conhecimentos sólidos são construídos e se desenvolve a qualidade do pensamento.

*Renato Paixão

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Fonte: genialmentelouco

O tatuador da Yakuza explica por que tatuagens nunca devem ser vistas

“Quando algo se torna moda, não é mais fascinante.”

 

Tendo crescido numa casa muçulmana conservadora, se algum dos meus primos tinha tatuagem eles precisavam escondê-las bem. Tatuagens eram um tabu religioso e cultural. Lembro quando meu tio dos EUA nos visitou, toda vez que ele pegava algo na mesa de jantar, nossos olhos iam direto para as linhas pretas aparecendo por baixo da manga de seu suéter. Elas eram um mistério para nós, apesar de podermos ver que elas tinham algum significado espiritual para ele.
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Hoje em dia, minha pele é marcada por nomes de amigos assassinados, um retrato de Gaddafi (ex-primeiro-ministro da Líbia), datas de prisão e um diamante do 1%. Fiz minhas tatuagens sabendo que meus parentes próximos só as veriam durante o ritual islâmico de banhar meu corpo antes do enterro. Eu queria que minhas tatuagens formassem um retrato visual das ideias e eventos que me transformaram, literal e espiritualmente.

Então fazemos nossas tatuagens para nós mesmo ou para mostrar aos outros? No Ocidente, provavelmente um pouco dos dois. E por isso que sempre achei a abordagem dos yakuzas japoneses das tatuagens tão fascinante. Eles acreditam que tatuagens são particulares, então fazem tatuagens de corpo inteiro que não podem ser vistas acima da gola ou das mangas. Dessa maneira, a humildade da sociedade japonesa impediu a cultura da tatuagem de interromper a vida pública.
Todas as fotos pelo autor.

De todos os tatuadores do Japão, Horiyoshi III provavelmente é o mais lendário. Ele é um tatuador Irezumi que vive em Yokohama, e também é o tatuador favorito da Yakuza, a máfia japonesa.

Estava chovendo quando peguei o trem para visitar Horiyoshi III. Fui recebido na porta de seu estúdio por dois homens de terno Burberry e levado para dentro, onde Horiyoshi estava concentrado em seu trabalho. Eu não conseguia entender os rosnados intermitentes em japonês. Eles davam tapas no chão como se estivessem tentando colar o carpete. Horiyoshi estava em silêncio. Ele não nos cumprimentou por mais de uma hora. O zumbido silencioso da máquina era quase meditativo.
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Os homens eram membros da família yakuza local. Horiyoshi estava tatuando um peixe koi vermelho no chefe dos homens, um cara grisalho usando um conjunto Champion vermelho. Eles me ofereceram um cigarro, e perguntei nervoso se não era melhor eu fumar lá fora. O zumbido da agulha de Horiyoshi parou abruptamente quando ele começou a rir, como se estive acordando de um sonho lúcido. “Relaxe, pode fumar aqui.”

VICE: Por que você acha que os membros da Yakuza gostam de se tatuar com você?
Horiyoshi III: Os yakuza querem sempre o melhor; tudo tem que ser de primeira classe. O que eles vestem, os lugares que frequentam, as mulheres com quem andam e os carros que dirigem. Eles têm muito orgulho. E eles querem ter tatuagens bem feitas, então me procuram.

No Ocidente, quando pensamos em homens japoneses com o corpo coberto de tatuagens, a primeira coisa que pensamos é na Yakuza.
O jeito como a cultura da tatuagem é ligada à Yakuza e ao mundo do crime tem muito a ver com o jornalismo. Quando eu era criança, os garotos liam sobre a Yakuza e achavam que eles eram más pessoas. Mas conheço esses caras pessoalmente. Eles fazem muitas coisas boas pela comunidade. Quando o terremoto aconteceu, eles responderam mais rápido que o governo. Todo mundo teve que sair de suas casas, e foi a Yakuza que garantiu que ninguém fosse roubado.
Jovens yakuzas se preparam para ser tatuados.

Li que criminosos muitas vezes eram punidos com tatuagens no período Edo.
No período Edo, criminosos recebiam o símbolo Tokigawa na nuca para evitar a pena de morte. Mas aí os oficiais simplesmente arrancavam a pele deles antes de executá-los. Se você tatua o símbolo de uma família é um crime muito sério, quase tão ruim quando tatuar um símbolo de samurai da primeira geração.

No Japão, esses símbolos têm conotações profundas. Criminalidade não nos interessa. Nem intimidação plástica. Não fazemos tatuagens para mostrar masculinidade. Muitos dos nossos desenhos contêm uma cena de uma história. Se você usa os símbolos de punição como uma tatuagem, não é legal porque significa que você foi preso por algo pequeno. No período Edo, se tivesse cometido um crime sério, você tinha a cabeça cortada. É estranho falar sobre o que é legal quando estamos falando de crime.

Os yakuzas sentem que essas cenas da mitologia japonesa expressam quem eles realmente são, fora dos estereótipos alimentados por propaganda?
Se a Yakuza quisesse usar tatuagens para mostrar ao público que são uma gangue, eles simplesmente teriam tatuagens visíveis e diriam que são yakuzas. Mas eles não são idiotas. Não acho que eles fazem suas tatuagens com sua aliança à Yakuza em mente. Às vezes, as pessoas se referem a Yakuza com a palavra ninkyō, que na verdade significa “ajudar pessoas abaixo de você”. A Yakuza tenta ajudar pessoas, e [a tatuagem] é tradicionalmente sobre isso. As tatuagens são para mostrar que eles têm a força para ajudar os fracos. Mas não precisam tornar isso público.
Decorações e presentes de Horiyoshi.

Você já se recusou a fazer uma tatuagem?
Sim, nunca tatuo acima do pescoço ou as mãos. Acredito que a beleza está no que você não pode ver. O que é belo é diferente para cada pessoa. Pode ter a ver com as profundezas da sua história pessoal e cultural. A estética japonesa é muito única em comparação com o Ocidente. Se você pensa sobre o seppuku (ritual de suicídio japonês), temos uma qualidade estética para o suicídio e a morte. É preciso, simples, frágil, ousado e com peso. Cerimônia do chá, arranjos florais, espadas samurais — tem um estilo muito consciente em jogo.

Por que você acha que é importante esconder suas tatuagens?
A cultura das tatuagens no Japão ainda é tabu, mas por isso a cultura é tão bela. Vaga-lumes só podem ser visto à noite porque sua beleza só é vista no escuro. Eles não podem ser apreciados na luz do dia. Quando algo se torna moda, não é mais fascinante. Na cultura ocidental, tatuagem pode ser moda ou tendência, mas no Japão apreciamos tatuagens que você não pode ver e é por isso que as achamos belas. A cultura japonesa é sobre estar nas sombras.
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“Na cultura ocidental, tatuagem pode ser moda ou tendência, mas no Japão apreciamos tatuagens que você não pode ver e é por isso que as achamos belas. A cultura japonesa é sobre estar nas sombras.”

As igrejas ocidentais são iluminadas e opulentas, mas nosso templos são silenciosos e escuros. Na cultura japonesa, retratamos a luz explorando as sombras. A sombra dos budas é mais importantes que o rosto das esculturas. As pessoas se tatuam aqui sabendo que não vão mostrá-las o tempo todo, e é por isso que levamos as tatuagens a sério. Nossa cultura espiritual é diferente da de outros países, porque quando mostramos nossas tatuagens, isso toma a forma de uma luz misteriosa que está escondida. Por isso é fascinante.

Acho essa ideia de ser atraído pela escuridão muito interessante.
É da natureza humana ser atraído para lugares escuros. Mesmo à noite quando a lua está cheia, parecemos atraídos pela superstição do escuro. É a natureza humana. As pessoas são muito boas em usar as sombras para tirar sentido da luz. Talvez, na cultura ocidental, eles comecem com a luz e tentem entender suas sombras. No Japão, para entender o que a luz representa, exploramos as tradições das sombras.

Na nossa cultura, temos uma forma de teatro musical chamado Noh; isso vem de antes da eletricidade no Japão. As pessoas faziam fogueiras e atuavam ao redor do fogo. Não é como um holofote porque você não pode ver a ação perfeitamente, mas os figurinos refletem as chamas. As roupas dos atores eram costuradas com fios de ouro e prata. Se a cena fosse iluminada perfeitamente, você poderia ver o fio dourados, mas o drama da luz refletida ganha vida no escuro.
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Os arquitetos japoneses estão sempre pensando nas sombras e na posição da luz do sol. A posição das janelas é muito importante nas casas japonesas.

Shige me disse para visitar os jardins Sankeien, parecia mais arte que arquitetura.
Sim, os arquitetos calculavam cada mês do ano, assim podiam pintar a paisagem usando sombras, luz e as estações. Não é só com tatuagens. Mesmo quando você olha o oceano e vê o reflexo da lua nas ondas, parece misterioso e lindo, mas quando você vai à praia durante o dia o mar é brilhante, mas não transmite mistério.

Chefe da Yakuza tatuado com um peixe koi. Segundo o folclore japonês, o peixe koi pode subir cachoeiras e nadar contra correntezas fortes.

Por que você se recusa a ser chamado de artista?
Não vou negar. Sou um artesão e se as pessoas querem chamar isso de arte isso é assunto delas. Sou um artesão. Tem uma escultura famosa chamada gato dormindo — nemuri neko . Eles chamam isso de uma grande obra de arte, mas não sei se o escultor queria que fosse arte. Ele era um artesão; tenho certeza que ele nunca disse que era um artista.
Horiyoshi III.

As pessoas sempre me perguntam o que eu acho que é arte. Não sei onde a fica a fronteira para arte padrão. Nos pergaminhos tradicionais japoneses, a forma de arte definitiva para o meio é quando não há pintura no pergaminho. Há beleza no espaço e o espectador deve imaginar o que é arte.

Considerando arte moderna, se alguém coloca pedras que achou na calçada numa galeria, isso é considerado arte. Castelos, espadas, cerâmica — é tudo arte. Onde estão as fronteiras? Acho pessoalmente que a cerimônia do chá japonesa é arte. Não sei mais o que é arte. Isso depende de quem escolhe? Quem tem valor hoje em dia? O que tem valor?

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*Fonte: vice

Quatro músicos e um motorhome: como fazer uma série para o Rock in Rio

O processo criativo por trás da série “Na Rota do Rock”, produzida pela La Casa de la Madre para a SKY | (por Camila Anfilo)

O desafio era enorme: budget reduzido, equipe reduzida, projeto megalomaníaco. O cenário perfeito para dar tudo errado.

A série, com 5 episódios de até 6 minutos, nasceu de uma ideia concebida pelo time de criação da agência Ampfy para a SKY, patrocinadora do festival Rock in Rio. O objetivo era acompanhar a jornada de quatro jovens músicos a caminho da Cidade do Rock. Ninguém se conhecia, nenhum deles sabia o que estava por vir. A única coisa que os unia era a paixão pela música.
Roteiro

A agência queria que documentássemos a viagem dos músicos até o festival Rock in Rio. A partir desta premissa, começamos uma extensa pesquisa de personagens, entre mais de 60 músicos. Foi fundamental o trabalho de encontrar traços de personalidades que se cruzassem e possibilitassem o desenvolvimento de uma narrativa fluida.

Com os personagens selecionados e aprovados, o diretor Jorge Brivilati e o roteirista André Castilho elaboraram juntos várias situações fictícias para acontecer “espontaneamente” no decorrer da viagem, sem que os músicos soubessem, para que suas reações genuínas fossem registradas. Então, ora o pneu do ônibus furava, ora tínhamos o Supla pedindo carona ou o Rogério Flausino aparecendo de sopetão dentro de um barco, em Paraty.

Além disso, foi preparado um roteiro documental de perguntas a serem feitas para os músicos – influências musicais, família, sentimentos, sonhos, receios, etc. -, o que foi essencial não apenas para criar uma dinâmica entre eles, mas para levar o espectador às camadas mais profundas dos personagens.

>> Confira mais [ AQUI ] nesse link.

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Uma escola que produz analfabetos

Da população brasileira, entre 15 e 64 anos, 75% é analfabeta funcional. São quase 110 milhões de pessoas. É o equivalente à soma das populações da Argentina, da Colômbia e da Venezuela. Trata-se da chamada “população potencialmente ativa”. E nossa população potencialmente ativa é composta em 75 por cento de analfabetos funcionais.

Quem é analfabeto funcional? Segundo a Unesco: “uma pessoa funcionalmente analfabeta é aquela que não pode participar de todas as atividades nas quais a alfabetização é requerida para uma atuação eficaz em seu grupo e comunidade, e que lhe permitem, também, continuar usando a leitura, a escrita e o cálculo a serviço de seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento de sua comunidade”.

O analfabeto funcional é diferente do analfabeto pleno. O analfabeto pleno nunca teve nenhum contato sistemático com a leitura, a escrita e o cálculo, nunca frequentou a escola e, por isso, não domina essas habilidades. Pelas últimas sondagens, o Brasil contaria com 8% de analfabetos plenos.

 

Receita de sucesso garantido

O analfabeto funcional, por outro lado, frequentou a escola, pode até mesmo ter chegado ao final de alguns dos níveis do sistema escolar, pode ter concluído o ensino fundamental, por exemplo, mas não se apoderou plenamente das habilidades da leitura e da escrita (e também do cálculo).

As pesquisas revelam, além disso, que 38% dos estudantes universitários podem ser classificados de analfabetos funcionais. Para muitos analistas, isso se deve à multiplicação vertiginosa de faculdades particulares a partir dos anos 1990, as quais, como toda empresa privada, visam primordialmente o lucro e não a qualidade do serviço que prestam. Já se tornou folclórico o caso de um pedreiro plenamente analfabeto que foi aprovado no vestibular de Direito de uma universidade particular do Rio de Janeiro.

Diante desses números, temos de perguntar: se o analfabeto funcional frequentou a escola, que escola é essa? Uma escola que, depois de quatro ou cinco anos, é incapaz de alfabetizar plenamente as pessoas que a frequentam é uma escola que, pura e simplesmente, produz analfabetos funcionais. Essa é a realidade da educação pública no Brasil, uma educação pública que não cumpre com sua tarefa primordial: promover a cidadania ao promover o acesso das pessoas à leitura, à escrita e ao cálculo. Darcy Ribeiro disse que “a crise na educação não é uma crise, é um projeto”. E tudo o que o atual desgoverno instaurado por um golpe de Estado pretende é transformar esse projeto numa realidade ainda mais cruel do que já é.

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*Fonte: carosamigos/ Por Marcos Bagno