Uma nova abordagem bactericida: será que a luz pode substituir os antibióticos?

A descoberta dos antibióticos a partir da Penicilina em 1928 revolucionou o mundo da medicina no tratamento contra infecções bacterianas. Com os estudos ao longo dos anos, novos antibióticos foram surgindo e com eles foi se compreendendo melhor os seus mecanismos de ação, que acabariam por inviabilizar a multiplicação dessas colônias bacterianas, levando-as a morte. Porém, as bactérias possuem aparatos que lhe conferem uma adaptação à presença de antibióticos, com isso, estes micro-organismos se tornam resistentes a esses medicamentos.

Nos últimos anos, o número de bactérias que desenvolveram resistência a maior parte dos antibióticos existentes cresceu exponencialmente, dificultando o tratamento quimioterápico em pacientes que apresentam infecções bacterianas. Devido a isso, os cientistas buscam meios de combater esses organismos por outras abordagens. A partir desta, surge então, uma técnica inovadora, que utiliza a luz como um fator atuante na eliminação e inibição do crescimento das colônias bacterianas.

Basicamente, as bactérias possuem em seu interior, estruturas moleculares chamadas cromóforos, que são capazes de absorver determinados comprimentos de ondas da luz. Essas estruturas, são moléculas que quando excitadas, podem gerar compostos á base de oxigênio, conhecidos como espécies reativas de oxigênio (ERO’s), que tem uma alta capacidade de reagir com outros componentes intracelulares, podendo alterar a estrutura de proteínas, do material genético e da membrana celular, causando a morte do organismo.

Estudos realizados na Universidade Nacional de Chonnam na Coréia do sul mediram os efeitos bactericidas de diferentes comprimentos de onda em três modelos bacterianos patogênicos in vitro¹. Os comprimentos de onda utilizados eram 425 nm (azul), 525 nm (verde) e 625 nm (vermelho) que foram emitidos através de lâmpadas especiais conhecidas como LED (Lighting-Emitting Diode). As bactérias usadas como modelo eram Porphyromonas gengivalis; Escherichia coli e Staphylococcus aureus. Como resultado, os pesquisadores encontraram que o comprimento de onda do azul foi capaz de eliminar as três espécies, enquanto que o verde eliminava S. aureaus, mas diminuía a viabilidade das outras duas espécies. Já o LED vermelho, não apresentava efeitos bactericidas nas três espécies estudadas.

Esse tipo de resultado demonstra a capacidade bactericida do LED azul, sendo viável empregá-lo em terapias de tratamento dentário, por exemplo. Onde se poderia substituir o uso de antibióticos, ou combiná-los para se aperfeiçoar sua eficácia do tratamento. Os trabalhos realizados com esse tipo de terapia, conhecido como Fototerapia, envolvem diversos fatores que podem influenciar no resultado final. Pode-se citar como exemplo: o tipo de comprimento de onda utilizado, fluência, potência, tempo de exposição, área de irradiação e modelo celular empregado.

Diferentes bactérias, também podem reagir de forma diferente na presença da luz. Um estudo realizado na Universidade Nacional de Cingapura decidiu avaliar os efeitos bactericidas do LED azul e verde e analisar o papel de um cromóforo na molécula de coproporfirina nesse processo, onde neste estudo, foram utilizadas seis bactérias, das quais três eram gram-positivas e três gram-negativas, todas patogênicas².

A diferenciação das bactérias gram-positivas e gram-negativas está principalmente na constituição de sua membrana celular. Segundo os autores constatou-se que: as bactérias gram-positivas são mais susceptíveis à luz azul em comparação às gram-negativas, muito provavelmente, pela maior presença de coproporfirinas que absorvem a luz azul, gerando ERO’s e levando a morte celular. As gram-negativas também demonstraram sensibilidade, porém menor. Com relação à luz verde, esta se mostrou menos eficaz que a luz azul para efeitos bactericidas.

Vale ressaltar que, o mecanismo de ação da luz no efeito bactericida ainda não é muito bem elucidado, a hipótese mais aceita é justamente a presença de cromóforos em moléculas, como flavinas, porfirinas e coproporfirinas presentes no interior desses organismos que acabam por formar espécies reativas de oxigênio que ocasionam a morte celular. Por conta disso, estudos mais investigativos in vitro e in vivo devem ser realizados, para que se possa compreender melhor o mecanismo de ação da luz em modelos bacterianos, na qual poderá se cogitar com mais seguridade a substituição de antibióticos por luz. Esses resultados se mostram promissores, onde, talvez, em um futuro não muito distante, estaremos, realizando tratamentos fototerápicos, no combate a infecções bacterianas.

*Por Rickson Ribeiro

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*Fonte: ciencianautas

Descoberta dos EUA pode decretar o fim da quimioterapia

Uma nova descoberta pode fazer com que a quimioterapia esteja com os dias contados!

Muitas pessoas são diagnosticadas com câncer todos os anos e, consequentemente, sofrem uma grande mudança em sua qualidade de vida. Logo começam os tratamentos exaustivos, que afetam não só os pacientes, mas também os familiares e amigos, que os acompanham a cada passo de sua jornada.

A quimioterapia, apesar de fundamental para combater a doença, também tem muitos efeitos colaterais que exigem muito dos pacientes. Durante o tratamento, essas pessoas podem sofrer de indisposição, náuseas, sensibilidade na pele, queda de cabelo, das unhas, descamação nas solas dos pés e das mãos. Enfim, é um período extremamente delicado, que exige muita força, determinação e apoio das pessoas amadas.

Pesquisadores da Northwestern University, em Illinois, descobriram que todas as células do corpo humano contêm um “código de matar”, que pode ser acionado para causar sua própria autodestruição.

Eles acreditam que essa pode ser uma grande ferramenta no combate ao câncer. Para os pesquisadores, as células malignas, que se contaminam com a doença, podem de alguma maneira ser estimuladas a se autodestruírem por conta própria, através desse código, não havendo assim necessidade de produtos químicos tóxicos serem colocados no organismo. A prática desse processo poderia por fim ao exaustivo tratamento de quimioterapia.

Os cientistas ainda acreditam que o poder desses “guarda-costas internos” da célula podem ser ainda mais eficientes, se forem duplicados sinteticamente, porque diminuiriam ainda mais a necessidade da quimioterapia e todos os seus efeitos colaterais no organismo.

“Agora que sabemos o código de morte, podemos ativar o mecanismo, sem ter que usar quimioterapia e sem mexer com o genoma”, explicou Marcus E. Peter, professor de Metabolismo do Câncer de Tomas D. Spies da Northwestern University Feinberg School of Medicine e principal autor do estudo.

“Podemos usar esses pequenos RNAs diretamente, introduzi-los em células e acionar o interruptor de matar (…) Meu objetivo não era criar uma nova substância tóxica artificial (…) Eu queria seguir o exemplo da natureza. Eu quero utilizar um mecanismo que a natureza tenha projetado.”

A descoberta está deixando os pesquisadores muito motivados para combater o desenvolvimento do câncer:

“Com base no que aprendemos nesses dois estudos, podemos agora projetar microRNAs artificiais, que são muito mais poderosos em matar células cancerosas do que as desenvolvidas pela natureza.”

Mas todo esse trabalho não será realizado tão rapidamente. Alguns anos de estudos serão necessários para que possibilidade de um novo tipo de terapia seja realmente considerada.

Ainda que possa exigir algum tempo, essa é uma descoberta muito animadora, que pode aliviar a situação de milhares de pessoas ao redor do mundo!

Por Luiza Fletcher

 

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*Fonte: osegredo

Caroline Herschel, a astrônoma que descobriu 8 cometas, mas ficou à sombra do irmão

A alemã Caroline Hershel (1750-1848) descobriu oito cometas, e um deles foi batizado em homenagem a ela.

Também descobriu uma galáxia e uma nebulosa.

Herschel foi a primeira mulher na Inglaterra a receber dinheiro por suas contribuições científicas.

Mas seu trabalho como astrônoma é menos conhecido que o de seu irmão William (1738-1822), que descobriu Urano.

Caroline passou muito tempo catalogando o trabalho do irmão em vez de se concentrar no seu.

Juntos, eles descobriram 2,4 mil objetos astronômicos.

Ela estava determinada a ser reconhecida por seu trabalho ainda em vida.

Então, ao achar seu oitavo cometa, ela viajou 48km até o Observatório Real em Greenwich para reivindicar a autoria do feito.

 

 

 

 

 

 

 

 

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*Fonte: bbc-brasil

 

Circuito baseado no cérebro fez Inteligência Artificial processar muito mais rápido

Assumimos como certo o vasto poder de computação do nosso cérebro. Mas os cientistas ainda estão tentando levar os computadores ao nível do cérebro.

Foi assim que acabamos parando nos algoritmos de inteligência artificial (ou IA) que aprendem através de neurônios virtuais — a rede neural.

Agora, uma equipe de engenheiros deu mais um passo para emular os computadores em nossos crânios: eles construíram uma rede neural física, com circuitos que se assemelham ainda mais aos neurônios. Quando eles testaram um algoritmo de IA no novo tipo de circuito, descobriram que ele funcionava tão bem quanto as redes neurais convencionais já em uso. Mas o novo sistema integrado de redes neurais completou a tarefa com 100 vezes menos energia do que um algoritmo IA convencional.

Se esses novos circuitos baseados em neurônios decolarem, os pesquisadores de inteligência artificial poderão em breve fazer muito mais computação com muito menos energia. Como usar um estanho para comunicar-se com um telefone real, os chips de computador e os algoritmos de rede neural simplesmente falam línguas diferentes e, como resultado, trabalham mais devagar. Mas no novo sistema, o hardware e o software foram criados para funcionar perfeitamente em conjunto. Assim, o novo sistema IA completou as tarefas muito mais rapidamente do que um sistema convencional, sem qualquer queda na precisão.

Este é um passo adiante em relação às tentativas anteriores de criar redes neurais baseadas em silício. Geralmente, os sistemas de inteligência artificial baseados nesses tipos de chips inspirados em neurônios não funcionam tão bem quanto a inteligência artificial convencional. Mas a nova pesquisa modelou dois tipos de neurônios: um voltado para cálculos rápidos e outro projetado para armazenar memória de longo prazo, explicaram os pesquisadores à MIT Technology Review .

Há boas razões para ser cético em relação a qualquer pesquisador que alega que a resposta à inteligência artificial e à consciência verdadeira é recriar o cérebro humano. Isso porque, fundamentalmente, sabemos muito pouco sobre como o cérebro funciona. E as chances são de que existem muitas coisas em nossos cérebros que um computador acharia inúteis.

Mas, mesmo assim, os pesquisadores por trás do novo hardware neural artificial foram capazes de colher lições importantes de como nosso cérebro funciona e aplicá-lo à ciência da computação. Nesse sentido, eles descobriram como aumentar a inteligência artificial selecionando o que nosso cérebro tem a oferecer sem se sobrecarregar tentando reconstruir toda a maldita coisa.

À medida que a tecnologia suga mais e mais energia, a melhoria de cem vezes para a eficiência energética neste sistema de IA significa que os cientistas serão capazes de realizar grandes questões sem deixar uma pegada tão grande no meio ambiente.

 

 

 

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*Fonte: socientifica

Nasa lança sonda que vai ‘tocar o Sol’ e deve marcar a história da ciência

A missão da Nasa, a agência espacial americana, em direção ao sol finalmente foi iniciada na madrugada deste domingo, depois de ser adiada três vezes.

O objetivo da sonda que decolou sem imprevistos nesta madrugada é inédito: a nave Parker Solar Probe (PSP) será o primeiro objeto construído por um humano a “tocar” o Sol.

O “tocar”, aqui e nos cuidadosos comunicados da Nasa, vai sempre entre aspas porque a engenhoca vai, tecnicamente, apenas se aproximar muito da corona solar. Trata-se da parte mais externa da atmosfera do Sol, que começa a 2,1 mil quilômetros da superfície da estrela do Sistema Solar – e não tem um limite preciso. A corona é aquela aura, composta de plasma e com temperatura que chega a 2 milhões de graus Celsius, que a gente consegue ver quando há um eclipse.

“Chegará mais perto do Sol do que qualquer outra missão anterior”, diz o astrofísico Adam Szabo, um dos cientistas que integram a missão, em conversa com a BBC News Brasil. De acordo com o cronograma da agência espacial americana, daqui a sete anos, a PSP estará no ponto mais próximo da estrela já alcançado por uma espaçonave terrestre: 6,3 milhões de quilômetros da superfície solar.

Se o número parece grande, é preciso pensar nas escalas astronômicas. A distância entre a Terra e o Sol, por exemplo, é de 150 milhões de quilômetros. Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, está a 58 milhões de quilômetros do astro. A atual recordista, a nave Helios 2, chegou, em 1976, a 43,5 milhões de quilômetros do Sol.

Para que servirá a missão

A ousada missão espacial, uma das mais complexas de toda a história de seis décadas da Nasa, deve custar cerca de US$ 1,5 bilhão e, esperam os cientistas, ajudar a responder uma série de dúvidas astronômicas.
Direito de imagem Johns Hopkins University Applied Physics Laborator
Image caption A nave Parker Solar Probe (PSP) será o primeiro objeto construído por um ser humano a “tocar” no Sol

Com os dados obtidos pela PSP, os pesquisadores querem conseguir compreender melhor a origem do vento solar – em termos práticos, essa informação pode ajudar a proteger o funcionamento dos nossos satélites artificiais, tão afetados por tais fenômenos. Vento solar é o nome que se dá para o fluxo de partículas com carga elétrica, como prótons, elétrons e íons, que o Sol irradia pelo Sistema Solar.

“Esta será a primeira vez que vamos estudar, de perto, nossa estrela Sol. Entender como funciona a corona e o vento solar vai nos ajudar a proteger nossa civilização, cada vez mais dependente de tecnologia e satélites de comunicação”, contextualiza o físico e engenheiro brasileiro Ivair Gontijo, cientista da Nasa, à BBC News Brasil. “Variações no vento solar podem causar sérios danos a esses satélites.”

“Esperamos com essa missão entender como a corona acelera o vento solar. Quem sabe poderemos no futuro prever quando o vento solar coloca nossos satélites em risco”, completa Gontijo.

Os cientistas também querem entender por que a corona, mesmo mais distante do núcleo solar, é tão mais quente do que a superfície – 2 milhões de graus Celsius, contra uma variação de 3,7 mil a 6,2 mil graus.

A PSP ainda deve trazer avanços à astrofísica. Com uma observação tão próxima do Sol, deseja-se obter dados que ajudem a compreender melhor como as estrelas funcionam.

“De forma mais geral, entendendo o Sol, estaremos também entendendo como funcionam as outras estrelas”, ressalta Gontijo. “Por isso esta missão trará resultados tanto práticos, para protegermos nossos satélites, quanto científicos, na área de astrofísica estelar.”

Objetivamente, conforme enfatiza o astrofísico Szabo, são três as questões que a missão deve responder. “Um: por que a corona é significativamente mais quente do que a superfície do Sol. Dois: por que o vento solar se afasta do sol a velocidades supersônicas. Três: como as partículas energéticas do sol se aceleram à velocidade próxima à da luz”, pontua.

Como funcionará a aproximação do Sol

“A missão Parker Solar vai se aproximar do Sol como nenhuma outra antes e um escudo protetor de quase 12 centímetros de espessura, feito de composto de carbono, vai protegê-la do intenso calor e da radiação presente”, explica o físico brasileiro.

De acordo com informações da Nasa, a nave PSP pesa 612 quilos e mede 3 metros de comprimento por 2,3 metros de largura. O tal escudo térmico mede 1,3 centímetro de espessura e foi feito com um composto de altíssima tecnologia. E, de acordo com o cientista Szabo, o desenvolvimento dessa proteção foi um dos pontos mais difíceis de todo o projeto. A nave será lançada pelo foguete Delta IV Heavy.

O segredo da aproximação solar da PSP está em Vênus. Na realidade, segundo o projeto dos cientistas, é a gravidade do planeta vizinho que irá “arremessar” a nave, que deve desenvolver uma órbita em espiral, aproximando-se cada vez mais do Sol.

Esse primeiro empurrãozinho de Vênus irá ocorrer em 3 de outubro, quando a PSP se aproximar do planeta. Então, no dia 6 de novembro, a nave vai realizar a primeira aproximação do Sol: estará a 24 milhões de quilômetros do astro, ou seja, já terá batido o recorde de artefato humano que mais se acercou do Sol em toda a história.

Essas órbitas vão se tornar recorrentes. E, então, conforme o cronograma desenvolvido pelos cientistas da Nasa, entre dezembro de 2024 e junho de 2025, em suas últimas voltas ao redor do Sol, é que a nave chegará aos pontos de maior aproximação.

E vai bater ainda outro recorde: terá embalado a 700 mil quilômetros por hora e se tornará o objeto mais rápido já fabricado pelo ser humano – para efeitos de comparação, o planeta Terra viaja a 1 milhão de quilômetros por hora.

O nome da nave

A Parker Solar Probe recebeu esse nome em homenagem ao astrofísico americano Eugene Parker, hoje com 91 anos. Ele foi o primeiro cientista a prever a existência do vento solar.

Em 1958, ele apresentou uma teoria mostrando como as altas temperaturas da corona solar acabavam disseminando partículas energéticas, formando o fenômeno, depois comprovado.

*Por Edison Veiga

 

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*Fonte: bbc

Como as bactérias que você carrega podem estar afetando seu estado de espírito

Se há algo que nos torna humanos são nossas mentes, pensamentos e emoções.

Um novo conceito controverso que está surgindo, contudo, aponta que as bactérias do intestino também têm um papel importante nisso: elas agiriam como uma espécie de mão invisível em nossos cérebros.

É nesse campo que pesquisadores estão trabalhando ao investigar como os trilhões de micróbios que sobrevivem em nós e nos habitam – o que é chamado de nosso microbioma – afetam a nossa saúde física.

Até mesmo transtornos como depressão, autismo e doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson, podem de alguma forma estar relacionadas a essas pequenas criaturas.

Nós sabemos há séculos que o modo como nos sentimos afeta o nosso intestino – apenas pense no que acontece com você antes de uma prova ou de uma entrevista de emprego -, mas agora isso está sendo visto como uma via de mão dupla.

Grupos de pesquisadores acreditam estar à beira de uma revolução que usa “micróbios do humor” ou “psicobióticos” para melhorar a saúde mental.

O estudo que deu a partida para esse conceito foi realizado na Universidade de Kyushu, no Japão, em 2004.

Cientistas demonstraram que camundongos “livres de germes” – aqueles que nunca tiveram contato com micróbios – produziram duas vezes a quantidade de hormônio do estresse quando afligidos do que os camundongos normais.

Os animais eram idênticos, exceto pelos micróbios. Isso foi considerado um forte indício de que a diferença era resultado de seus micro-organismos. E o trabalho se tornou a primeira pista do impacto que a medicina microbiana teria na saúde mental.

“Todos nós voltamos sempre àquele primeiro artigo, à primeira leva de neurocientistas japoneses que estudaram os micróbios”, diz Jane Foster, neuropsiquiatra da Universidade McMaster, no Canadá. “Foi realmente muito importante para nós que estavámos estudando depressão e ansiedade.”

Há agora uma rica corrente de pesquisa relacionando camundongos sem germes a mudanças no comportamento e até mesmo na estrutura do cérebro.

Mas a vida completamente estéril deles não é nada parecida ao mundo real. Estamos constantemente entrando em contato com micróbios em nosso meio ambiente – nenhum de nós é livre de germes.

No Hospital Universitário de Cork na Irlanda, o professor Ted Dinan está tentando descobrir o que acontece com o microbioma de seus pacientes deprimidos.

Para os médicos, um microbioma saudável é um microbioma diverso, que contém uma grande variedade de espécies diferentes de micro-organismos.

“Se você comparar alguém que está clinicamente deprimido com alguém que está saudável, há uma diminuição na diversidade da microbiota (flora intestinal)”, diz Dinan.

“Não estou sugerindo que esta seja a única causa da depressão, mas acredito que, para muitos indivíduos, ela contribui para o surgimento da doença.”

O pesquisador argumenta ainda que alguns estilos de vida que enfraquecem nossas bactérias intestinais, como uma dieta pobre em fibras, pode nos tornar mais vulneráveis.

 

Uma pesquisa recente mostra que as pessoas são mais micróbios do que humanas – se você contar todas as células do seu corpo, apenas 43% pertencem à espécie humana.

O resto é o microbioma e inclui bactérias, vírus, fungos e arquea (organismos que eram classificados de forma equivocada como bactérias, mas que têm características genéticas e bioquímicas diferentes).

Isto é conhecido como o “segundo genoma” e também está sendo associado a doenças como Mal de Parkinson, doença inflamatória intestinal, depressão, autismo e ao funcionamento de drogas contra o câncer.

O mistério da depressão

A possível relação de um desequilíbrio no microbioma intestinal com a depressão também é um conceito intrigante.

Para testar esta hipótese, os cientistas do centro de microbiomas APC, na Universidade College Cork, começaram a transplantar o microbioma de pacientes deprimidos para animais. O procedimento é conhecido como transplante fecal.

Ele mostrou que, se você transfere as bactérias, também transfere o comportamento.

“Ficamos muito surpresos com a possibilidade de, apenas pegando amostras de microbioma, reproduzir muitas das características de um indivíduo deprimido em um rato”, diz o professor John Cryan à BBC.

Estas características incluíam, por exemplo, a anedonia – o modo como a depressão pode levar as pessoas a perderem o interesse pelo que normalmente consideram prazeroso.

Para os ratos, esse prazer era obtido com uma água com açúcar que eles queriam beber cada vez mais, mas com a qual passaram a não se importar quando receberam o microbioma de um indivíduo deprimido, diz Cryan.

Evidências semelhantes da relação entre o microbioma, o intestino e o cérebro também estão emergindo em relação ao mal de Parkinson.

A doença é claramente um distúrbio cerebral. Os pacientes perdem o controle de seus músculos à medida que as células cerebrais morrem, e isso os leva a apresentar um tremor característico.

Agora, o professor Sarkis Mazmanian, microbiologista médico do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), tem argumentado que as bactérias intestinais parecem ter um papel nisso.

“Os neurocientistas clássicos considerariam uma heresia pensar que é possível entender os eventos no cérebro pesquisando o intestino”, diz ele, que no entanto encontrou diferenças “muito fortes” entre os microbiomas de pessoas com Parkinson e daquelas sem a doença.

Estudos em animais geneticamente programados para desenvolver o Parkinson mostram que as bactérias intestinais estão ligadas ao surgimento da doença.

E quando as fezes foram transplantadas de pacientes com Parkinson para ratos, estes desenvolveram sintomas “muito piores” do que quando foram usadas fezes provenientes de um indivíduo saudável.

Mazmanian diz à BBC que “as mudanças no microbioma parecem estar induzindo os sintomas motores do Parkinson.”

“Estamos muito animados com isso porque nos permite apontar o microbioma como um caminho para novas terapias”, afirma.

Ainda que fascinante, a evidência que liga o microbioma ao cérebro é, por enquanto, preliminar.

Os pioneiros desse campo de pesquisa veem, entretanto, uma perspectiva interessante no horizonte – uma maneira totalmente nova de influenciar nossa saúde e bem-estar.

Se os micróbios influenciam nossos cérebros, então talvez possamos mudar nossos micróbios para melhor.

Mais estudos necessários

Mas será que alterar as bactérias no intestino de pacientes de Parkinson pode mudar o curso da doença?

Fala-se de psiquiatras que prescrevem micróbios do humor ou psicobióticos – efetivamente um coquetel probiótico de bactérias saudáveis – para impulsionar nossa saúde mental.

A pesquisadora Kirsten Tillisch, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, questiona: “Se mudarmos as bactérias, podemos mudar o modo como reagimos?”.

Ela diz, entretanto, que são necessários estudos muito maiores que realmente investiguem quais espécie e até subespécies de bactérias podem estar exercendo efeito sobre o cérebro e o que elas estão produzindo no intestino.

“Há conexões claras aqui. Acho que nosso entusiasmo e nossa empolgação se explicam porque não tivemos, até agora, tratamentos ótimos (para males como Parkinson). Então é muito empolgante pensar que há um caminho totalmente novo que podemos estudar e com o qual podemos ajudar as pessoas, talvez até para prevenir doenças.”

O microbioma – nosso segundo genoma – está abrindo uma maneira inteiramente nova de se fazer medicina, e seu papel está sendo investigado em quase todas as doenças que se pode imaginar, incluindo alergias, câncer e obesidade.

Impressiona o quão maleável esse segundo genoma é e como isso está em contraste com o nosso próprio DNA.

A comida que comemos, os animais de estimação que temos, os medicamentos que tomamos, como nascemos – tudo modifica nossos habitantes microbianos.

“Prevejo que nos próximos cinco anos, quando você for ao médico fazer seu exame de colesterol, por exemplo, você também vai ter o seu microbioma avaliado. O microbioma é o futuro fundamental da medicina personalizada”, afirma John Cryan.

*Por: James Gallagher

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*Fonte: bbc

Eis o motivo por que você perde tanto tempo no Facebook

Você abre o Facebook só para dar uma espiadinha e, quando se dá conta, está ali há horas. Como isso aconteceu? Psicólogos da Universidade de Kent, no Reino Unido, fizeram uma pesquisa e descobriram que, quando pessoas navegam na internet ou usam a rede social, elas têm uma “percepção prejudicada do tempo”. E mais: a criação de Mark Zuckerberg é quem mais causa isso.

No estudo, intitulado de Internet and Facebook Related Images Affect the Perception of Time, cientistas tentaram entender como a “atenção” e a “excitação”, sentimentos que permanecem em primeiro plano durante os períodos em que estamos conectados, influenciam a nossa percepção das horas.

A conclusão foi que o Facebook faz com que as pessoas percam a noção do tempo – muito mais do que o resto da internet. Mas ambos são capazes de distorcer o tempo.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores monitoraram 44 pessoas. Elas foram expostas a 20 imagens: cinco fotos eram associadas ao Facebook (como imagens do dia a dia de alguém, de casamentos, de viagens etc), outras cinco eram de coisas genéricas da internet (como sites de interesse específico) e as demais eram neutras. Os participantes tinham que auto-avaliar o tempo que passaram olhando para cada uma das fotos.

A pesquisa mostrou que as pessoas subestimaram o tempo em que ficaram olhando para as imagens do Facebook – ou seja, elas acreditavam que o momento tinha sido breve, mas não foi. Isso significa que as imagens que retratam as relações sociais causam excitação e, consequentemente, prendem mais a nossa atenção. Isso também explica por que perdemos tanto tempo olhando para a telinha azul – nosso cérebro simplesmente não consegue medir a passagem do tempo quando estamos nas redes sociais.

O próximo passo, segundo os pesquisadores, é estudar como essa percepção do tempo acaba criando um comportamento viciante. Será que vai rolar uma desintoxicação para quem é “Facebook addicted”?

 

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*Fonte: superinteressante

Cientistas afirmam que internet Wi-fi pode trazer riscos graves para a saúde

Um desequilíbrio metabólico causado pela radiação dos nossos dispositivos sem fio pode ter ligação com alguns riscos para a saúde, tais como várias doenças neurodegenerativas e até mesmo câncer, sugere um estudo publicado recentemente.

Esse desequilíbrio, também conhecido como estresse oxidativo, é definido pelo coautor Igor Yakymenko como “um desequilíbrio entre a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) e de defesa antioxidante”.

Yakymenko explica que o estresse oxidativo devido a exposição à radiofrequência poderia explicar não só casos de câncer, mas também outras doenças menores, tais como dor de cabeça, fadiga e irritação da pele, o que pode ocorrer depois de uma exposição a longo prazo.

“Estes dados são um sinal claro dos riscos reais que este tipo de radiação apresenta para a saúde humana”, alerta.

 

Cuidado com o Wi-fi

O artigo explica que as ROS, que são muitas vezes produzidas nas células devido a ambientes agressivos, também podem ser provocadas pela “radiação sem fio comum”.

Pesquisas recentes demonstram possíveis efeitos cancerígenos da radiofrequência (RFR) e da radiação de microondas. Em 2011, a Agência Internacional de Investigação do Câncer classificou a RFR como um possível agente cancerígeno para os seres humanos. Mas a falta de explicação para mecanismos moleculares claros de tais efeitos de RFR não ajudaram na aceitação de uma realidade de risco. O artigo demonstra que os efeitos perigosos de RFR poderiam se desenvolver através dos “mecanismos clássicos” de imparidades oxidativas em células vivas.

Yakymenko e seus colegas alertam para uma abordagem de precaução no uso de tecnologias sem fio, como telefones celulares e internet wireless. [Science Daily]

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*Fonte: hypescience

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Inventor do café em cápsulas se arrepende da criação ao perceber os danos ambientais que as embalagens trarão ao planeta!

Com o surgimento do café em cápsulas muitas pessoas acreditam que se trata de “evolução” do café e que agora todos devem encontrar uma maneira de adquirir uma máquina daquelas. No entanto, as embalagens combinadas ao aquecimento têm deixado cientistas e médicos bastante preocupados.

Embora essa “novidade” seja recente, nos Estados Unidos, um em cada cinco pessoas já beberam o café ou chá em cápsulas – K-Cups, como é conhecido internacionalmente. O que fez com que o produto ocupasse o segundo lugar como o mais popular do país, perdendo apenas para o método de café tradicional.

Só em 2013, 8 milhões de cápsulas descartáveis foram produzidas e o número de cápsulas descartadas já era suficiente para dar a volta ao mundo 11 vezes. Com versões mais baratas de máquinas e cápsulas lançadas nos últimos dois anos, além do incentivo fiscal anunciado pelo governo brasileiro esse ano, o número de pessoas consumindo e descartando cápsulas de café aumentou ainda mais no Brasil.  A crescente demanda pelo novo método levantou preocupações de críticos e cientistas sobre a composição do material usado pela na fabricação das cápsulas, pois poderiam ser prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

O grande problema, além do uso de matérias primas, é que as cápsulas de café são recicláveis na teoria, mas na prática é trabalhoso demais e não vale a pena o investimento. As cápsulas descartáveis são feitas de plástico, alumínio e um tipo de material orgânico e a reciclagem exigiria a separação desses materiais, isso sem falar que, no Brasil, apenas 3% do lixo reciclável é realmente reciclado.

A  longo prazo, não se sabe o tamanho dos efeitos  ambientais negativos vindos dessas embalagens. Inclusive, John Sylvan, o criador do produto diz estar arrependido em tê-lo criado devido ao imenso impacto gerado por sua criação. “Não importa o que digam, as cápsulas nunca serão recicláveis”, afirmou ele ao jornal The Atlantic.

A preocupação levou a cidade de Hamburgo, segunda maior da Alemanha, ser a primeira do mundo a proibir a compra de cápsulas de café por repartições públicas. A medida introduzida em janeiro de 2016 faz parte de um grande esforço da gestão pública para reduzir a quantidade de resíduos sólidos lançados ao meio ambiente. O documento afirma que “essas pequenas embalagens causam gastos desnecessários e geram resíduos que, geralmente, contêm alumínio poluente”.

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*Fonte: diariodebiologia

cafe789

O livre-arbítrio não existe

Você se interessou pelo tema desta reportagem e, por isso, resolveu dar uma lida. Certo? Errado! Muito antes de você tomar essa decisão, a sua mente já havia resolvido tudo sozinha – e sem lhe avisar.

Uma experiência feita no Centro Bernstein de Neurociência Computacional, em Berlim, colocou em xeque o que costumamos chamar de livre-arbítrio: a capacidade que o homem tem de tomar decisões por conta própria. As escolhas que fazemos na vida são mesmo nossas. Mas não são conscientes.

Voluntários foram colocados em frente a uma tela na qual era exibida uma seqüência aleatória de letras. Eles deveriam escolher uma letra e apertar um botão quando ela aparecesse. Simples, não?

Acontece que, monitorando o cérebro dos voluntários via ressonância magnética, os cientistas chegaram a uma descoberta impressionante. Dez segundos antes de os voluntários resolverem apertar o botão, sinais elétricos correspondentes a essa decisão apareciam nos córtices frontopolar e medial, as regiões do cérebro que controlam a tomada de decisões.

“Nos casos em que as pessoas podem tomar decisões em seu próprio ritmo e tempo, o cérebro parece decidir antes da consciência”, afirma o cientista John Dylan-Haynes.

Isso porque a consciência é apenas uma “parte” do cérebro – e, como a experiência provou, outros processos cerebrais que tomam decisões antes dela. Agora os cientistas querem aumentar a complexidade do teste, para saber se, em situações mais complexas, o cérebro também manda nas pessoas.

“Não se sabe em que grau isso se mantém para todos os tipos de escolha e de ação”, diz Haynes. “Ainda temos muito mais pesquisas para fazer.”

Se o cérebro deles deixar, é claro.
>> A pessoa decide
O voluntário precisa tomar uma decisão bem simples: escolher uma letra. Enquanto ele faz isso, seu cérebro é monitorado pelos cientistas

1. Observa a tela…
O voluntário olha para uma seqüência de letras, que vai passando em ordem aleatória numa tela e muda a cada meio segundo.

2. Escolhe uma letra…
Na mesa, existem dois botões: um do lado esquerdo e outro do lado direito. O voluntário deve escolher uma letra – e, quando ela passar na tela, apertar um desses dois botões.

3. E aperta o botão.
Pronto. A experiência terminou. O voluntário diz aos pesquisadores qual foi a letra que escolheu e em que momento tomou a decisão.

>> Mas o cérebro já resolveu
Bem antes de a pessoa apertar o botão, ele toma as decisões sozinho

10 segundos antes
Os córtices medial e frontopolar, que controlam a tomada de decisões, já estão acesos – isso indica que o cérebro está escolhendo a letra.

5 segundos antes
Os córtices motores, que controlam os movimentos do corpo, estão ativos. Olhando a atividade deles, é possível prever se a pessoa vai apertar o botão direito ou o esquerdo.

>>E já é possível prever pensamentos

Além de provar que o livre-arbítrio não existe, a neurociência acaba de fazer outro enorme avanço: pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, construíram um computador capaz de ler pensamentos. Ou quase isso.

Cada voluntário recebeu uma lista de palavras sobre as quais deveria pensar. Enquanto ele fazia isso, um computador analisava sua atividade cerebral (por meio de um aparelho de ressonância magnética). O software aprendeu a associar os termos aos padrões de atividade cerebral – e, depois de algum tempo, conseguia adivinhar em quais palavras as pessoas estavam pensando.

O sistema ainda tem uma grande limitação – ele só consegue ler a mente de uma pessoa se ela estiver totalmente concentrada. O que nem sempre é fácil. “Às vezes, no meio da experiência, o estômago de um voluntário roncava, ele pensava ‘estou com fome’”, e isso embaralhava o computador, conta o cientista americano Tom Mitchell, responsável pelo estudo.

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*Fonte: superinteressante

livrearbitrio1