Doação bilionária à causa ambiental

Antes de mais nada, houve surpresa geral. Yvon Chouinard, dono da marca Patagonia, entregou todas as ações da empresa avaliada em nada menos que 3 bilhões de dólares e, além disso, com lucro anual de cerca de US$ 100 milhões, para lutar contra as mudanças climáticas e proteger áreas naturais. Um doação bilionária. A notícia foi manchete em todo o mundo. O icônico New York Times publicou Billionaire No More: Patagonia Founder Gives Away the Company. Ou seja, Ex-bilionário, Fundador da Patagonia doa a empresa, em 14 de setembro de 2022.

A doação de Yvon Chouinard, segundo o New York Times
‘Em vez de vender a empresa ou torná-la pública, Chouinard, sua esposa e dois filhos transferiram a propriedade da Patagonia, avaliada em cerca de US$ 3 bilhões. A doação foi para um fundo e uma ONG, criados para preservar a independência da empresa garantindo que seus lucros serão usados ​​para combater as mudanças climáticas e proteger terras não desenvolvidas em todo o mundo.’

Aos 83 anos, Chouinard deu uma entrevista ao NYT: “Esperamos que isso influencie uma nova forma de capitalismo que não produza apenas algumas pessoas ricas e um monte de pessoas pobres. Vamos doar o máximo para as pessoas que trabalham para salvar o planeta.”

‘A Terra é agora nosso único acionista’
O ex-bilionário publicou uma carta-aberta no site da empresa, cujo título copiamos acima, onde diz: ‘Eu nunca quis ser um empresário. Comecei como artesão, fazendo equipamentos de escalada para meus amigos e para mim, depois entrei no vestuário.’

‘À medida que começamos a testemunhar a extensão do aquecimento global e da destruição ecológica, e nossa própria contribuição, a Patagonia se comprometeu a usar a empresa para mudar a forma como os negócios eram feitos.’

…Começamos com nossos produtos, utilizando materiais que causavam menos danos ao meio ambiente. Doamos 1% das vendas a cada ano…Embora estejamos fazendo o nosso melhor para enfrentar a crise ambiental, não é suficiente…Precisávamos encontrar uma maneira de investir mais dinheiro no combate à crise, mantendo intactos os valores da empresa.’

Então, entre vender a empresa e correr o risco do novo proprietário ‘não manter nossos valores’, diz, optou pelo doação.

Como a Patagonia vai funcionar?
É Yvon quem responde: ‘Funciona assim: 100% do capital votante é transferido para o Patagonia Purpose Trust, criado para proteger os valores da empresa. Enquanto isso, 100% das ações sem direito a voto foram doadas ao Holdfast Collective, organização sem fins lucrativos dedicada a combater a crise ambiental e defender a natureza.’

‘O financiamento virá da Patagônia. A cada ano, o dinheiro que ganhamos após o reinvestimento no negócio será distribuído como dividendo para ajudar a combater a crise.’

E conclui: ‘Apesar de sua imensidão, os recursos da Terra não são infinitos e está claro que ultrapassamos seus limites. Mas também é resistente. Podemos salvar nosso planeta se nos comprometermos com isso.’

Ou seja, foi um ato de amor ao planeta, e ao mesmo tempo, de imenso desapego. O New York Times explica que ‘o fundo será supervisionado por membros da família e seus conselheiros mais próximos.’ E ‘visa garantir que a Patagonia cumpra seu compromisso de administrar um negócio socialmente responsável e doar seus lucros.’

Doação bilionária custou US$ 17 mi em impostos
Só em impostos pela doação, informa o NYT, ‘a família pagará cerca de US$ 17,5 milhões em impostos sobre o presente.’ E diz também que ‘a família não recebeu nenhum benefício fiscal por sua doação.

O NYT diz ainda que ‘Ao doar a maior parte de seus bens durante a vida, os Chouinards – Yvon, sua esposa Malinda e seus dois filhos, Fletcher e Claire, ambos na casa dos 40 anos – se estabeleceram como uma das famílias mais caridosas do país.’

Que o ato de desapego da família gere muitos frutos.

*Por João Lara Mesquita
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*Fonte: marsemfim

Dados revelam ser possível o fim do desmatamento

O ser humano destruiu as florestas por diversos motivos. Segundo o Our World In Data, nos últimos 10 mil anos, destruímos 1/3 das florestas do mundo. Mas isso irá, obviamente se voltar contra nós, já que degradamos a natureza de uma maneira muito feroz. Será que poderíamos expandir as florestas novamente?

A madeira é um dos itens mais fundamentais extraídos da natureza nos últimos milhares de anos. Com a madeira, o ser humano ergueu alguns dos primeiros pilares dos vilarejos e cidades das civilizações humanas. A pedra também era utilizada, mas a madeira, junto ao barro, é muito mais fácil de ser trabalhada. A madeira se tornou moradia, ferramentas, combustível, equipamentos, carroças, móveis. Além disso, a agricultura contribuiu imensamente para o desflorestamento.

Mas antes de conversar sobre expandir as florestas, precisamos abordar alguns pontos.

O desflorestamento
No início deste texto, eu disse que nos últimos 10 mil anos, o ser humano destruiu um terço das florestas do mundo, correto? Mas há mais um detalhe nessa história: cerca de metade desse desflorestamento ocorreu apenas no século XX. Ou seja, metade do desmatamento de 10 mil anos feito pelo ser humano ocorreu em apenas 100 anos.

Há dez mil anos, 57% das terras habitáveis do planeta Terra estavam cobertas por florestas – o equivalente a 6 bilhões de hectares. Hoje, há a apenas 4 bilhões de hectares. Então, com uma simples regra de três podemos chegar a uma conclusão. Aquele valor que correspondia a 57%, hoje corresponde a apenas 38%. Essa diferença de 2 bilhões de hectares (a área desmatada) corresponde a 2,3 vezes o tamanho do Brasil — o quinto maior país.

Em uma conta simples, vamos realizar mais uma conclusão. Se no século 20 o ser humano desmatou metade da área citada, então somente nesses cem anos, foi desmatada uma área do tamanho do Brasil.

Declínio no desmatamento
Fritz Haber foi um químico alemão laureado com o prêmio Nobel em 1918 por realizar a descoberta que foi, possivelmente, uma das descobertas mais importantes da humanidade. Embora Haber seja um criminoso de guerra, sua descoberta salvou a humanidade como conhecemos hoje.

O principal motivo do desmatamento é a agropecuária. A população do planeta crescia, então a área de plantio também precisava aumentar. No entanto, a área que se precisava para plantar para fornecer alimento para uma pessoa no século 19 era muito maior do que a área necessária para tal nos dias de hoje.

No final do século XIX, crises agrícolas traziam a iminência de uma crise alimentar. O mundo já não daria mais conta de produzir alimentos para a crescente população. No entanto, em 1900, o último ano do século 19, havia cinco vezes menos pessoas no mundo do que hoje. Como é possível produzir tanto alimento hoje? A resposta é o amoníaco.

Haber descobriu como sintetizar o nitrato de amônio. A substância é essencial para se fornecer nitrogênio às plantas. A descoberta aumentou a produtividade agrícola de maneira muito intensa. Antes disso, utilizava-se principalmente o salitre e o guano (fezes de aves) para o fornecimento de nitrogênio às plantas.

O ponto dessa história toda é: o desenvolvimento da ciência e da tecnologia permitem uma ótima produtividade agrícola. Dessa maneira, um dos principais motivos do desmatamento tem as necessidades de desmatamento diminuídas. Desde os anos 1960, as terras agrícolas per capita caíram em mais da metade.

O pico no desmatamento ocorreu nos anos 1980. Desde então, o desmatamento está em declínio. Isso de deve não só a melhora na produtividade da agricultura, mas à redução da necessidade da madeira como combustível e na utilização de outros materiais como matéria-prima.

O reflorestamento: como expandir as florestas?
O desmatamento já não é tão necessário para a agricultura, embora ainda ocorra. A criação de gado, no entanto, ainda é motivo de grande, já que estamos falando de animais. É até possível diminuir o espaço utilizado pela pecuária, mas o extremo confinamento dos animais é extremamente desumano.

No entanto, a melhora na produtividade agrícola já causou um enorme impacto na redução do desmatamento. Além disso, digamos que no futuro seja possível sintetizar a carne. Animais não sofrem, pessoas podem consumir carne e extensos pastos que destroem a Amazônia e outras importantes florestas pelo mundo não são mais necessárias.

Reflorestar o planeta e expandir as florestas é, como a história nos mostra, possível. Isso pode ser feito com o desenvolvimento da ciência focada na melhoria da produtividade agropecuária. Agricultura e meio ambiente não precisam ser inimigas. A produção agropecuária pode ser conciliada, sim, com o reflorestamento.

*Por Felipe Miranda
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*Fonte: socientifica

Queimadas na Amazônia em 2022 já superam todo o ano de 2021

O ano não chegou ao fim. Faltam mais de 3 meses para que 2022 termine e já temos mais um recorde de destruição na Amazônia: no último domingo, 18 de setembro, o número de queimadas floresta, desde o início de 2022, superou os focos registrados no ano anterior.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram registrados 75.592 focos de incêndio em apenas oito meses, enquanto em 2021 houve 75.090 focos de calor. Pará segue sendo o Estado recordista de queimadas, com 24.304 focos de calor registrados, representando 32,2% do total, seguido por Mato Grosso (17.480), Amazonas (15.772), Rondônia (8.232) e Acre (7.875).

Esta escalada no número de queimadas já era prevista, considerando que no início de setembro, o número de queimadas, em apenas quatro dias, foi o maior do ano, com o Inpe registrando, em um único dia, 3.393 focos de incêndio, superando, inclusive, o Dia do Fogo, ocorrido em 11 de agosto de 2019, em que na ocasião agropecuaristas do Pará combinaram a data para colocar fogo em áreas de pasto e recém-desmatadas, chegando a 2.366 focos.

Este avanço das queimadas acontece apesar do Decreto Nº 11.100 que, desde o dia 23 de junho deste ano, proíbe o uso do fogo na Amazônia e Pantanal. Infelizmente, o que se assiste são recordes alarmantes de queimadas pelo Bioma: “Para conter esse aumento avassalador de queimadas em nossas florestas é necessário uma política que promova um real avanço no combate às queimadas e que defenda os povos da floresta”, finaliza André Freitas, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil.

Em uma época conhecida no Brasil como “verão amazônico”, pelo período seco na região, a Amazônia vem registrando desde 2018 recordes de áreas queimadas entre os meses de agosto a outubro. Para André, o aumento de queimadas na floresta amazônica está associado com desmatamento e grilagem de terras, estimulados por uma política anti-ambiental.

“O fogo é uma tragédia anunciada! E após quase quatro anos de uma clara e objetiva política anti-ambiental por parte do governo federal, vemos que na iminência de encerramento deste mandato – que está sendo um dos períodos mais sombrios para o meio ambiente brasileiro – grileiros e todos aqueles que têm operado na ilegalidade, viram um cenário perfeito para avançar sobre a floresta”, alerta André.

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*Fonte ciclovivo

Inventaram um painel solar que vai transformar janelas em geradores de energia

Em um mundo que enfrenta uma crises ambientais e de energia tão drásticas quanto o atual, toda a luz do sol que nos ilumina diariamente pode ser vista como um imenso desperdício – de uma fonte de energia incessante e limpa, que é pouquíssima aproveitada e que poderia resolver tais crises com um pouco de tecnologia e principalmente vontade política. Um dilema funcional sobre o aproveitamento da energia solar, que há anos vinha sendo enfrentado por pesquisadores e desenvolvedores, foi finalmente resolvido – com a criação de painéis solares completamente transparentes.

A novidade foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual do Michigan, nos EUA e, por conseguir coletar energia sem afetar a passagem da luz, poderá ser aplicada em larga escala sobre superfícies variadas – como em janelas, edifícios inteiros ou mesmo automóveis. A tecnologia se vale de moléculas orgânicas, capazes de absorver ondas infravermelhas e ultravioletas, invisíveis ao olhar humano, e sua aplicação sobre prédios e carros poderá se dar sem alterar em nada a aparência e a funcionalidade dos vidros atuais.

“Se as células puderem ser feitas de forma a durarem muito tempo, estes dispositivos poderão ser integrados em janelas de modo relativamente barato, já que grande parte do custo da energia fotovoltaica convencional não é da própria célula solar, mas dos materiais em que é aplicada, como o alumínio e o vidro”, afirmou uma reportagem do New York Times sobre a invenção. “O revestimento de estruturas existentes com células solares eliminaria parte desse custo de material”, diz o texto.

Se a tecnologia se mostrar comercialmente viável, poderá ser uma novidade revolucionária para o consumo em residências e edifícios comerciais, além de significar mais um passo importante para amenizar o uso de fontes poluentes de energia.

*Por Welliton
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Fonte: deolhonaengenharia

Causas e efeitos da destruição da camada de ozônio

Entender as causas e efeitos da destruição da camada de ozônio nos ajuda a compreender as consequências climáticas pelas quais o planeta está passando hoje.

A camada de ozônio é uma cobertura na estratosfera feita de uma alta concentração de ozônio. Como resultado de sua composição química, o ozônio é um tipo especial de oxigênio que contém três moléculas de oxigênio (O3), ao invés de duas (O2).

A camada de ozônio circula a Terra e é um fenômeno natural, encontrando-se entre 15 e 30 km acima do solo. Ela age como um escudo contra os raios ultravioleta emitidos pelo Sol.

A camada é constantemente gerada e quebrada devido aos diversos processos atmosféricos e reações químicas que ocorrem. Isso faz com que sua espessura varie em termos geográficos e sazonais.

Causas e efeitos da destruição da camada de ozônio

As causas
Gases que emitem efeito estufa são prejudiciais à atmosfera. O aumento dos raios UV, com a destruição da camada de ozônio, amplia esse problema.
As causas e efeitos da destruição da camada de ozônio se originam da atividade humana. Ao contrário da poluição, que tem várias causas, há um composto químico específico que é responsável pela destruição da camada de ozônio.

Esses compostos químicos estão presentes em muitos produtos industriais e aerossóis. Eles estão listados abaixo.

Clorofluorcarbonos (CFCs)
Os clorofluorcarbonos (CFCs) são a causa primária da destruição da camada de ozônio. Produtos industriais como solventes, aerossóis em spray, espumas isolantes, recipientes, sabões e objetos de refrigeração, como geladeiras e ar-condicionado usam CFCs.

Ao longo do tempo, essas substâncias se acumulam na atmosfera e são levadas pelo vento até a estratosfera. Quando na estratosfera, as moléculas dos CFCs são quebradas pela radiação ultravioleta, o que libera átomos de cloro. Os átomos de cloro reagem com o ozônio, iniciando um ciclo químico que destrói o “ozônio bom”.

Substâncias que destroem a camada de ozônio
Há outras substâncias químicas que destroem a camada de ozônio, conhecidas na sigla em inglês como Ozone Depleting Substances (ODS). Exemplos incluem o brometo de metila usado em pesticidas, o clorofórmio de metila usado na fabricação de solventes industriais e os halons usados em extintores de incêndio.

Essas substâncias também reagem quimicamente com o ozônio, iniciando um ciclo químico que destrói o ozônio bom.

Outros químicos
Outros químicos que apresentam reações similares com o ozônio bom incluem o Clx, Hox e Noy, que pertencem, respectivamente, às famílias do cloro, hidrogênio e nitrogênio.

Os efeitos
As causas e os efeitos da destruição da camada de ozônio originam problemas e consequências sérias à saúde humana, das plantas, assim como aos ecossistemas marinhos e os ciclos biogeoquímicos. Vejamos os efeitos abaixo.

Efeitos na saúde humana
Com a destruição da camada de ozônio, a espécie humana fica mais exposta aos raios UV que alcançam a superfície terrestre. Estudos sugerem que esses altos níveis causam câncer de pele, além do desenvolvimento de catarata, uma patologia ocular.

Exposição contínua aos raios UV também pode reduzir a resposta do sistema imunológico, e até causar danos permanentes em alguns casos. Além disso, os raios UV envelhecem a pele, acelerando esse processo.

Efeito nas plantas
As plantas também são atingidas pelos efeitos dos raios UV. Os processos fisiológicos e de desenvolvimento das plantas são afetados de maneira severa, além do crescimento. Outras mudanças incluem a maneira que as plantas se formam, o tempo do desenvolvimento e crescimento, assim como a distribuição de nutrientes na planta, seu metabolismo, etc.

Efeitos nos ecossistemas marinhos
Os raios UV também afetam os ecossistemas marinhos. O efeito é negativo nos plânctons, que formam a base das cadeias alimentares aquáticas. O fitoplâncton cresce próximo à superfície d’água, e desempenha um papel vital na cadeia alimentar e no ciclo oceânico do carbono.

Mudanças nos níveis dos raios UV afetam a orientação e motilidade dos fitoplanctons, o que reduz sua sobrevivência e taxa de crescimento. Os raios UV também afetam o desenvolvimento de peixes, camarões, caranguejos, anfíbios e outros animais marinhos.

Quando isso ocorre, toda a cadeia alimentar é afetada.

Efeitos nos ciclos biogeoquímicos
O aumento na radiação UV altera tanto as fontes quanto os sumidouros dos gases de efeito estufa na biosfera, como o dióxido de carbono, monóxido de carbono, sulfeto de carbonila, ozônio e possivelmente outros gases.

Mudanças nos níveis de UV contribuem para reações na biosfera e atmosfera que mitigam ou amplificam as concentrações atmosféricas desses gases.

*Por Dominic Albuquerque
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*Fonte: socientifica

10 razões para parar com o desmatamento

Há diversas razões para parar com o desmatamento, que persiste como um dos grandes desafios ambientais do mundo. Em muitas partes do planeta, a cobertura original de áreas florestais foi reduzida em mais de 20%, e algumas regiões foram completamente desmatadas.

As mudanças climáticas e a destruição da vida selvagem são apenas alguns dos vários problemas atribuídos ao desmatamento. Assim, listamos aqui algumas razões para parar com com o desmatamento.

Razões para parar com o desmatamento

1. As árvores são necessárias para a nossa respiração
Sem as árvores, não seríamos capazes de respirar. É através do processo da fotossíntese que as árvores tomam o dióxido de carbono da atmosfera e liberam oxigênio, que sustenta nossa respiração. Todas as criaturas vivas precisam de oxigênio para sobreviver, e como as florestas desempenham um papel importante em disponibilizá-lo, protegê-las é muito importante.

2. As árvores produzem água
As árvores são uma parte integral do ciclo da água. Pesquisas apontam que 75% da água doce do planeta se origina das florestas. As árvores prosseguem com o ciclo da água através do processo chamado de evapotranspiração.

Em suma, elas absorvem a água e a liberam no ambiente na forma de gotas, que sobem e se resfriam, formando nuvens e trazendo chuvas.

As árvores possuem uma importância inestimável para os ciclos naturais, dos quais a espécie humana também faz parte.

3. Florestas ajudam a reduzir os riscos de enchentes
As florestas oferecem uma imensa cobertura do solo, reduzindo a velocidade da água da chuva. Ao mesmo tempo, também absorve o excesso d’água. Por isso, as florestas podem ajudar a reduzir os riscos de enchentes, pois elas diminuem a velocidade do fluxo d’água que escorre pelas colinas e montanhas em direção aos rios, sendo essa uma das razões para parar com o desmatamento.

4. As árvores são reguladoras do clima
As árvores podem ser consideradas como os ventiladores natural do planeta. Elas ventilam o ambiente e os arredores de uma forma que contribui para a regulação das temperaturas globais. Também agem como isolantes ao absorver e refletir parte do calor emitido pelo Sol, reduzindo o calor e o efeito da radiação solar.

5. As florestas ajudam a combater as mudanças climáticas
As florestas são muito importantes no combate às mudanças climáticas, sendo essa outra das razões para parar com o desmatamento. Elas armazenam em torno de 2,8 bilhões de toneladas de carbono ao ano. Quando desmatadas, o carbono é liberado de volta ao meio ambiente, e sobram menos recursos para absorver o gás do efeito estufa.

6. As florestas protegem a biodiversidade
Cerca de 80% de todas as espécies de plantas e animais vive nas florestas. O desmatamento e o dano ao habitat natural é o principal contribuidor à extinção de inúmeras espécies em todo o planeta.

7. Florestas tropicais são ótimas fontes medicinais
A maior parte dos produtos farmacêuticos são retirados de florestas tropicais. Foi relatado que a vida animal e vegetal das florestas abriga 1/4 dos remédios do planeta. 70% de 3000 plantas com ingredientes inibidores do câncer se encontram em florestas tropicais.

8. Interromper o desmatamento tem um bom custo-benefício
Depois de muitas análises, especialistas e analistas ambientais concluíram que a forma mais barata de combater as mudanças climáticas e reduzir a emissão dos gases de efeito estufa é parar com o desmatamento. Os analistas demonstram que essa redução é bem mais barata comparada com a redução da combustão de combustíveis fósseis.

9. As florestas possuem uma função econômica
Diversas funções econômicas se atribuem às florestas. Elas fornecem alimentos, óleos, borracha, ervas, remédios, assim como ecoturismo. A lista é contínua, e uma das razões para parar com o desmatamento é reconhecer a importância econômica da vida natural.

10. O desmatamento aumenta o conflito social em comunidades florestais
O desmatamento sem a aprovação das comunidades locais pode originar conflitos sociais e violência. Essas comunidades dependem da floresta para sobreviver, e desmatá-las sem seu conhecimento ou consentimento pode trazer ataques em retaliação, algo comum no Brasil e no Sudeste Asiático.

Além disso, as florestas também fornecem heranças culturais insubstituíveis. Algumas delas sequer foram encontradas, e muitas não estão presentes em outros habitats. Há milhões de povos indígenas que mantiveram seus estilos tradicionais e configurações sociais. Uma das razões para parar com o desmatamento é preservar essas culturas — e até descobrir novas.

*Por Dominic Albuquerque
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*Fonte: socientifica

Amazônia e Pampa lideram queimadas de janeiro a julho de 2022

O Brasil queima no Norte e no Sul de seu território. Dados do MapBiomas mostram que 2.932.972 hectares foram consumidos por queimadas nos primeiros sete meses do ano. Embora maior que o estado de Alagoas, essa área é 2% menor do que a que foi consumida pelo fogo no ano passado.

Na Amazônia e no Pampa, no entanto, a situação é diferente: esses são os únicos biomas com aumento na área afetada pelo fogo. Na Amazônia o fogo atingiu uma área de 1.479.739 hectares, enquanto que no Pampa foram 28.610 hectares queimados entre janeiro e julho de 2022. Nesse período, foi registrado um aumento de 7% (ou mais de 107 mil hectares) na Amazônia e de 3372% no Pampa (27.780 ha).

Esses dados fazem parte da nova versão do Monitor do Fogo, que o MapBiomas lança nesta quinta-feira, 18 de agosto, em sua plataforma.

Esta versão usa imagens do satélite europeu Sentinel 2, que tem duas importantes características para esse tipo de mapeamento: ele passa a cada cinco dias sobre o mesmo ponto, aumentando a possibilidade de observação de queimadas e incêndios florestais; além disso, tem resolução espacial de 10 metros.

Isso acrescenta cerca de 20% a mais na área queimada em relação aos dados do Mapbiomas Fogo coleção 1, que traz o histórico de fogo anualmente desde 1985. Também permite que a partir de agora os dados sejam divulgados mensalmente.

Monitor do Fogo
O Monitor do Fogo do MapBiomas difere e complementa o monitoramento do INPE porque avalia as cicatrizes do fogo, e não os focos de calor. O motivo é simples: dados de focos de calor representam a ocorrência de fogo (e potencialmente contribuem para seu combate) mas não permitem avaliar a área queimada.

O Monitor de Fogo, por sua vez, revela em tempo quase real (diferença de um mês) a localização e extensão das áreas queimadas, facilitando assim a contabilidade da destruição que é apontada pelos focos de calor da plataforma do INPE.

“Este produto é o único nessa frequência e resolução a fornecer esses dados mensalmente, o que facilitará muito a prevenção e combate aos incêndios, indicando áreas onde o fogo tem se adensado”, explica Ane Alencar, coordenadora do Monitor do Fogo do MapBiomas. “Além do poder público, é uma ferramenta de grande utilidade para a iniciativa privada, como o setor de seguros, por exemplo”, completa.

Fogo em 2022
Os dados dos sete primeiros meses de 2022 mostram que três em cada quatro hectares queimados foram de vegetação nativa, sendo a maioria em campos naturais. Porém, um quinto de tudo que foi queimado no período foi em florestas. Metade das cicatrizes deixadas pelo fogo localizam-se no bioma Amazônia, onde 16% da área queimada corresponderam a incêndios florestais, ou seja, áreas de floresta que não deveriam queimar.

O Mato Grosso foi o estado que mais queimou nos sete primeiros meses de 2022 (771.827 hectares), seguido por Tocantins (593.888 hectares) e Roraima (529.404 hectares). Esses três estados representaram 64% da área queimada afetada no período.

No Cerrado, a área queimada entre janeiro e julho de 2022 (1.250.373 hectares) foi 9% menor que no mesmo período do ano passado, porém 5% acima do registrado em 2019 e 39% maior que em 2020. O mesmo padrão foi identificado na Mata Atlântica, onde houve uma queda de 16% em relação a 2021 (ou 14.281 hectares), porém um crescimento de 11% em relação a 2019 e 8% na comparação com 2020.

O Pantanal, por sua vez, apresentou a menor área queimada nos últimos quatro anos (75.999 hectares), com 19% de redução de 2022 para 2021 em relação a área queimada de janeiro a julho

Dentre os tipos de uso agropecuário das áreas afetadas pelo fogo, as pastagens se destacaram com 14% da área queimada nos sete primeiros meses de 2022.

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*Fonte: ciclovivo

Estamos perdendo nossos habitats marinhos — e agora?

O ser humano utiliza da natureza para o seu desenvolvimento. Isso é natural, ocorre desde sempre, e é necessário. No entanto, a exploração não significa necessariamente a degradação da natureza. Por essa confusão, estamos, rapidamente, perdendo nossos habitats marinhos.

A exploração da natureza é necessária para nosso desenvolvimento, até porque embora nos distanciemos dela ao citar “a natureza”, ainda fazemos parte dela. Somos animais e estamos na natureza, muito embora tenhamos a degradado para construir cidades. A natureza nos fornece os materiais e a energia para o desenvolvimento, então precisamos explorá-la de maneira sustentável.

O tamanho dos habitats marinhos
Três quartos da superfície da Terra são cobertos por água. Dessa água, 97% são oceanos, e apenas os 3% restantes da água doce. Agora, deixe-me enunciar uma coisa assustadora: Conhecemos mais sobre o universo do que sobre o oceano. No início dos anos 2000, possuíamos um mapa mais detalhado da superfície de Vênus do que do relevo oceânico. No pós-Segunda Guerra, nos anos 1940, a exploração mais profunda do oceano não chegava nem a 1 km, e o ponto mais profundo dos oceanos está a mais de 10 km de profundidade – mais profundidade do que o monte Everest tem de altura.

A importância dos oceanos é tremenda e a biodiversidade marinha é muito maior do que a biodiversidade terrestre. Majoritariamente, as algas nos fornecem o oxigênio – as florestas consomem quase todo oxigênio que produzem.

“O oceano é uma parte integral de nossas vidas. Nós estamos vivos por conta do ar puro, da água e de outros serviços que ele oferece”, disse Ken Norris, da Sociedade de Zoologia de Londres, à World Wide Fund for Nature (WWF)

Eles são um ambiente tão complexo, que dentro dos oceanos há, ainda, outros habitats por si só. Um exemplo são os recifes de corais. Eles são como um condomínio multiespécie. Plantas, animais e microrganismos convivendo em sintonia, em um ambiente simbiótico (onde todos se ajudam). 25% da biodiversidade vive nos recifes de corais. Esses recifes de corais são um dos habitats oceânicos em maior risco.

Os problemas para os habitats marinhos
A poluição desenfreada da atmosfera é o que inicia o principal problema que aflige os oceanos e os habitats marinhos. Com a elevação nos teores de gases de efeito estufa na atmosfera, temos diversos problemas que surgem.

1. A água possui uma capacidade de absorção de gases. Portanto, o teor de gases tóxicos nas águas aumenta.

2. A elevação na temperatura atmosférica ocasiona, também, um aumento de temperatura nas águas oceânicas.

“O aquecimento dos oceanos projetado para o futuro pode modificar a densidade da água e fazer com que menos alimento chegue ao fundo, o que coloca corais dessas regiões em risco”, disse à Revista Pesquisa Fapesp o biólogo Rodrigo da Costa Portilho-Ramos.

3. A elevação de temperatura na atmosfera e nos oceanos ocasiona o derretimento de geleiras. Esse derretimento faz o nível e as temperaturas dos oceanos e elevar ainda mais.

4. O lançamento de resíduos e lixos para os oceanos contamina a sua água. Microplásticos são o principal problema da poluição oceânica.

Fibra de microplástico sob visão microscópica. Imagem: M.Danny25 / Wikimedia Commons
5. Boa parte da pesca que ocorre nos oceanos é ilegal. Por isso, há um descontrole na predação de animais marinhos, causando risco de extinção para diversas espécies marinhas, além dos transtornos que os barcos de pesca causam nos oceanos.

Soluções
As soluções para diminuir o nosso impacto nos habitats marinhos devem partir de políticas públicas — não necessariamente governamentais. Falo da união das iniciativas públicas e privadas de todo o planeta. Há diversos acordos ambientais fechados junto à ONU, e assinados por quase todos os países do mundo. Mas estes devem ser cumpridos.

A maior valorização de acordos climáticos e a visão de que o desenvolvimento sustentável não só são possíveis, como são melhores e mais lucrativos devem ser mais presentes. É mais barato prevenir do que trabalhar na recuperação de habitats destruídos.

Tudo deve partir da educação. Mudar a base.

Em um futuro não muito distante, é importante que a pesca e caça nos oceanos seja toda regulada. É importante que sejam bruscamente diminuídas, com uma tendência para zero, as pegadas e carbono e outros diversos tipos de poluição presentes no mundo. Só assim salvaremos os habitats marinhos, tão importantes para a preservação da vida no planeta Terra.

*Por Felipe Miranda
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*Fonte: socientifica

Estudo mostra que a Terra perdeu 60% de área florestal desde 1960

Em 59 anos, a área florestal global per capita caiu de 1,4 hectares para apenas 0,5 hectares por pessoa

A perda de áreas florestais em todo o mundo foi o tema de um novo estudo, publicado na Environmental Research Letters. Infelizmente, os dados são alarmantes, como a diminuição da área florestal global per capita de 1,4 hectares para apenas 0,5 hectares por pessoa, entre os anos de em 1960 e 2019 – um declínio de 60%.

A pesquisa liderada por Ronald Estoque do Centro de Biodiversidade e Mudanças Climáticas, Instituto de Pesquisa de Produtos Florestais e Florestais (FFPRI) encontrou um declínio total da floresta em 81,7 milhões de hectares, desde 1960.

De acordo com o estudo, a perda total de floresta bruta no período (1960 a 2019) atingiu 437,3 milhões de hectares, o que superou o ganho total bruto de floresta de 355,6 milhões de hectares durante o mesmo período.

Essa perda florestal combinada com uma população crescente de cerca de 3 bilhões de pessoas em 1960 para 7,7 bilhões de pessoas em 2019 levou a uma diminuição de 60% na área florestal per capita.

Brasil política crise climática

Os pesquisadores afirmam que esta escala na diminuição de área de floresta per capita vai afetar milhões de pessoas. “A contínua perda e degradação das florestas afetam a integridade dos ecossistemas florestais, reduzindo sua capacidade de gerar e fornecer serviços essenciais e sustentar a biodiversidade”, disseram os autores do estudo, conforme relatado pela IOP Publishing.

Ainda segundo os cientistas, este cenário impacta a vida de pelo menos 1,6 bilhão de pessoas em todo o mundo, predominantemente em países em desenvolvimento, que dependem das florestas para diversos fins.

As florestas cobrem atualmente quase um terço do planeta e são essenciais para a biodiversidade. Globalmente, as florestas abrigam mais de 60 mil espécies de árvores e fornecem habitat para cerca de 80% de todas as espécies de anfíbios, 75% das espécies de aves e 68% das espécies de mamíferos, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente .

O fim das florestas ou a sua fragmentação dignificam uma grave ameaça para estas espécies. Existem inclusive espécies desconhecidas que podem ser extintas antes mesmo de serem estudadas.

Espécie perigosa
Os seres humanos alteraram quase 75% da superfície da Terra, o que inclui as florestas, o que, além de ameaçar a biodiversidade, torna ainda mais difícil o combate às mudanças climáticas.

As florestas são fundamentais para o equilíbrio da vida na Terra, incluindo a vida humana. É importante lembrar ainda que o desmatamento e outras formas de degradação de ecossistemas estão relacionados ao aumento de casos de doenças zoonóticas e podem provocar outras pandemias no futuro.

Causas do desmatamento
A principal causa do desmatamento é a agropecuária. Muitos casos de desmatamento ilegal estão ligados a terras que são devastadas para o cultivo de monoculturas ou para a criação de gado. Mais monitoramento, preservação e reflorestamento globalmente são necessários para manter as terras florestadas e evitar grandes perdas de biodiversidade.

“Hoje, o monitoramento das florestas do mundo é parte integrante de várias iniciativas ambientais e sociais globais, incluindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Acordo Climático de Paris e o Quadro Global de Biodiversidade Pós-2020”, disseram os autores.

“Para ajudar a alcançar os objetivos dessas iniciativas, há uma profunda necessidade de reverter, ou pelo menos achatar, a curva global de perda líquida de florestas, conservando as florestas remanescentes do mundo e restaurando e reabilitando paisagens florestais degradadas”, conclui o estudo.

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*Fonte: ciclovivo

Plataforma flutuante gera energia através da movimentação das ondas

Desenvolvida na Austrália, a plataforma gera energia com o movimento das ondas superou as expectativas.

A empresa australiana de energia limpa, Wave Swell Energy, desenvolveu um equipamento capaz de capturar a energia das ondas. Batizado de UniWave 200, a plataforma instalada em uma ilha isolada na Tasmânia tem se mostrado extremamente eficiente, gerando muito mais energia das ondas do mar do que outras tecnologias semelhantes.

O UniWave 200 é um equipamento que, como uma balsa flutuante, pode ser rebocado para o destino desejado em qualquer lugar do oceano. Uma vez instalado, o dispositivo pode ser conectado à rede local, onde distribui a eletricidade gerada.

A empresa construiu uma plataforma de teste que gera 20 quilowatts na Ilha King, uma ilha isolada da Tasmânia. A plataforma resistiu com sucesso às ondas ferozes do Estreito de Bass e fornece energia continuamente à rede da ilha nos últimos 12 meses.

Plataforma flutuante gera energia através da movimentação das ondas
O equipamento UniWave 200 na ilha King, costa da Tasmânia, Austrália | Foto: Wave Swell
Embora muitos dispositivos tenham sido desenvolvidos anteriormente para aproveitar a energia das ondas, o UniWave 200 opera de maneira diferente e mais eficiente. A tecnologia de “coluna de água oscilante” (OWC), que a empresa comparou a um “espiráculo artificial”, funciona usando ondas para produzir ar de alta pressão, que é convertido em eletricidade por uma turbina.

Espiráculo ou gêiser marinhos acontecem quando existem cavernas subterrâneas que sobem em direção à superfície. Com o movimento da maré, a água é espirrada para fora com muita pressão, criando um grande spray de água. Quando a maré baixa, o ar é sugado de volta para o orifício com muita força.

O UniWave 200 usa uma metodologia semelhante, o volume da maré entra por uma câmara de concreto especialmente construída através de um canal. Quando a maré recua, cria um enorme vácuo que suga o ar para dentro, fazendo a turbina se movimentar.

Superando as expectativas
O projeto marca a primeira demonstração da tecnologia no mundo real, após extensos testes em uma ampla gama de condições simuladas no Australian Maritime College em Launceston, Tasmania.

“Em alguns casos, o desempenho de nossa tecnologia no oceano superou as expectativas devido às lições que aprendemos com o projeto, melhorias tecnológicas e refinamentos que fizemos ao longo do ano.” disse o CEO da WSE, Paul Geason, em um comunicado à imprensa.

O cofundador e CEO da WSE, Tom Denniss, disse à RenewEconomy que a empresa estava particularmente empolgada com o potencial da última aplicação da tecnologia, como uma solução climática para nações insulares que buscam reduzir o uso de combustível fóssil e se preparar contra elevação do nível do mar e erosão costeira que está sendo acelerada por eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

Projeção de como a tecnologia poderia ser utilizada para proteger áreas costeiras | Imagens: Wave Swell
“Lugares como as Maldivas… são muito vulneráveis e, eventualmente, nas próximas décadas, provavelmente precisarão de muros marítimos construídos em cada metro de cada ilha. Por que não torná-los um quebra-mar ou paredão de produção de energia e obter benefícios duplos”, disse Denniss à RenewEconomy.

“Já estamos discutindo com dois grupos diferentes em outras partes do mundo [sobre essa aplicação do Uniwave] porque eles também podem ver o benefício nisso.”

*Por Mayra Rosa
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*Fonte: ciclovivo

Os 10 países mais ecológicos do mundo

O Índice de Desempenho Ambiental (IDA) é um fator chave para indicar a vitalidade do ecossistema de um país e sua saúde ambiental, podendo assim determinar os países mais ecológicos do mundo. 23 indicadores são analisados, dentre 11 questões envolvendo qualidade do ar, saneamento e água potável, metais pesados, biodiversidade e habitat, serviços de ecossistema, pesca, mudança climática, emissores de poluição, recursos d’água, agricultura e gestão de resíduos. A lista abaixo inclui os 10 países mais ecológicos do mundo, de acordo com o IDA.

Os países mais ecológicos do mundo

10. Islândia
green1A Islândia é admirada há um bom tempo por suas políticas ambientais. Com pontuação de 62.80 no IDA de 2002, é um dos países mais ecológicos do mundo. Os setores bem desenvolvidos de energia hidro e geotérmica fornecem a energia às indústrias da nação. O país promove um estilo de vida ecológico, inclusive com ecoturismo. O governo também incentiva o desenvolvimento de produtos com tecnologia verde.

9. Suíça
green2A Suíça teve pontuação de 65.9 em 2022, descendo 6 posições do ranking de 2021, onde ocupava a terceira posição. O país tem alta pontuação em termos de recursos d’água, limpeza da água, sustentabilidade e saúde ambiental.

Itens ecológicos estão se tornando cada vez mais comuns e necessários no setor público da Suíça. Além disso, é um dos países que mais recicla no mundo. A Suíça também usa todas as formas disponíveis de energia geotérmica e solar, assim como turbinas eólicas. A energia hidrelétrica amonta cerca de 56% das fontes renováveis de energia do país.

8. Áustria
A Áustria tem pontuação de 66.5 na escala do IDA, o que a torna um dos países mais ecológicos do mundo. Uma das maneiras pelas quais mantém esse índice é a preservação contínua das condições naturais do seu meio ambiente. O país tomou vários passos significativos, inclusive integrando a preservação ambiental dentre os seus objetivos sociais e econômicos. Na Áustria, viver em harmonia com o meio ambiente é um estilo de vida. Muitos prédios em Vienna, por exemplo, são ecológicos, e as cidades são ricas em parques. Além disso, a agricultura e silvicultura do país se baseiam na sustentabilidade, e têm feito avanços nesses campos recentemente.

7. Eslovênia
Com pontuação de 67.30, a Eslovênia é um dos países mais ecológicos do mundo. Os esforços nos tempos recentes para proteger a herança natural do país é uma das principais razões pela colocação da Eslovênia no ranking. O país protege mais de 30% do seu território.

6. Luxemburgo
green4Essa pequena nação tem ótimos índices nas áreas de biodiversidade, habitat e recursos aquáticos. A pontuação total é 72.3, com um ranking de destaque na conservação da biodiversidade e no gerenciamento da acidificação. O país está modernizando o seu sistema de transporte público, como forma de aliviar o trânsito, e tem aumentado sua dependência de energias renováveis nos últimos cinco anos, dobrando sua energia solar e triplicando sua energia eólica.

5. Suécia
green5A Suécia vem em quinto lugar dentre os países mais ecológicos do mundo, com pontuação de 72.70 no IDA. A Suécia é reconhecida pelo uso de energias renováveis e pela emissão mínima de dióxido de carbono. A utilização de energia renovável ajuda a reduzir significativamente a quantidade de carbono no ar, criando um ambiente mais limpo e seguro na Suécia. Além disso, o país recebeu notas de 100% nas categorias de qualidade do ar e recursos hídricos na exposição de PM2,5. Também se saiu muito bem na proteção de áreas marinhas e na prevenção da perda de pastagens e áreas úmidas. A Suécia continua sendo um país verde porque possui um dos melhores sistemas de governança ambiental do mundo.

4. Malta
A nação insular de Malta ficou em quarto lugar no EPI de 2022 com uma pontuação de 75,20. O país obteve a primeira colocação em várias categorias avaliadas pelo EPI, especialmente biodiversidade e gestão de serviços ecossistêmicos. Também teve um bom desempenho no controle da taxa de acidificação, na redução dos poluentes que causam as mudanças climáticas e no fornecimento de água potável para seus cidadãos.

3. Finlândia
green6Com índice de 76.50, a Finlândia é o terceiro dentre os países mais ecológicos do mundo. O país recebeu as melhores pontuações em gerenciamento de perda de pastagens, controle de acidificação, tratamento de águas residuais, saneamento e provisão de água potável e várias outras áreas. A Finlândia obtém mais de 35% de sua energia de fontes renováveis, e proteger suas florestas e biodiversidade é uma das principais prioridades do país.

2. Reino Unido
O Reino Unido ficou em primeiro lugar em gestão de combustíveis sólidos domésticos, saneamento e água potável e políticas de mudanças climáticas, o que o ajudou a ficar em segundo lugar com uma pontuação de 77,70 na escala EPI. Atualmente, o Reino Unido abriga 8.879 turbinas eólicas que fornecem ao país energia sustentável e limpa. A nação tem grande dedicação em deixar o meio ambiente em melhores condições do que o encontrou. O núcleo deste compromisso é a agricultura sustentável.

1. Dinamarca
green7A Dinamarca, dentre os países mais ecológicos do mundo, ocupa o primeiro lugar, com IDA de 77.90. A Dinamarca se destaca por ter excelentes classificações nas categorias de “biodiversidade e habitat” e “qualidade do ar”. O governo dinamarquês implementou medidas ecológicas para incentivar as pessoas a utilizar o transporte público com mais frequência e reduzir o uso de veículos particulares, o que contribui para diminuir a poluição do ar. Inúmeras ciclovias também foram construídas para incentivar o uso de bicicletas. Além disso, a Dinamarca tem uma longa história de criação e utilização de energia renovável. A Dinamarca há muito prioriza a sustentabilidade, defendendo produtos limpos como hotéis ecologicamente corretos, barcos movidos a energia solar e alimentos orgânicos, além de promulgar algumas das legislações mais eficazes do mundo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e impedir as mudanças climáticas.

*Por Dominic Albuquerque
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*Fonte: socientifica

Salamandras da Califórnia aprenderam a “cair de paraquedas”

Animais que vivem em copas de sequoias, conhecidas por serem as árvores mais altas do mundo, foram observadas por pesquisadores planando no ar; veja vídeo

Salamandras moradoras das copas das árvores mais altas do mundo — as sequoias da costa da Califórnia — desenvolveram habilidades impressionantes de “paraquedismo”. O dom inusitado das criaturas foi flagrado por pesquisadores em vídeo e relatado na revista Current Biology em 23 de maio.

De acordo com as gravações feitas pelos especialistas, os animais adquiriram um comportamento adaptado para planar e manobrar no ar. A habilidade, segundo a equipe, é um modo de se mover pelas árvores, evitando predadores terrestres. A capacidade permite até que as salamandras fiquem de cabeça para baixo — e sem perder a postura.

“Elas são capazes de manter aquela postura de paraquedismo e meio que bombear sua cauda para cima e para baixo para fazer manobras horizontais” descreve Christian Brown, primeiro autor do estudo sobre os anfíbios, em comunicado. “O nível de controle é simplesmente impressionante.”

Algumas salamandras Aneides vagrans, coletadas por biólogos em sequoias, passaram por uma simulação de queda livre dentro de um túnel de vento na Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos. As habilidades de “paraquedismo” delas foram comparadas com as de três outras espécies nativas do Norte da Califórnia.

A A. vagrans, que provavelmente passa toda a vida em uma única árvore, se mostrou como a paraquedista mais habilidosa. A A. lugubris, que vive em árvores mais baixas, como carvalhos, foi quase tão eficaz em “paraquedismo” e planagem quanto a espécie anterior. Veja no vídeo as salamandras realizando os saltos:

Por outro lado, salamandras menos arborícolas, como a moradora do chão da floresta, Ensatina eschscholtzii, e a criatura da espécie A. flavipunctatus, que ocasionalmente sobe em árvores, foram ineficazes ao se debaterem no túnel de vento, conseguindo ficar nele somente por poucos segundos.

Todas as salamandras foram filmadas com uma a câmera de vídeo a 400 quadros por segundo. As que realizaram paraquedismo reduziram sua velocidade de queda livre em cerca de 10%. Os anfíbios normalmente caíam em um ângulo acentuado, apenas 5 graus da vertical, o que era suficiente para poderem alcançar um galho ou tronco antes de atingirem o solo.

O comportamento impressionou Robert Dudley, especialista em voo animal, que participou do estudo. Segundo ele, o fenômeno é algo enraizado na resposta motora das salamandras e deve ocorrer em frequências razoavelmente altas para afetar a seleção de tal habilidade. “E não é apenas um paraquedismo passivo, elas não estão apenas saltando de paraquedas. Também estão claramente fazendo o movimento lateral, que é o que chamaríamos de planar”, destaca.

Os pesquisadores ainda querem descobrir em pesquisas futuras se existem muitos outros animais com dons semelhantes e saber como é possível que as salamandras consigam saltar mesmo sem terem adaptações anatômicas óbvias para planar.

A divulgação das habilidades extraordinárias das criaturas pode também contribuir para salvar as sequoias, visto que as árvores estão ameaçadas pela extração de madeira. “Talvez isso ajude não apenas os esforços de conservação de sequoias, mas também a restauração das sequoias, para que possamos realmente ter ecossistemas de copa de árvores”, afirma Brown.

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*Fonte: revistagalileu

Crise climática pode causar pior extinção em massa nos oceanos desde o fim dos dinossauros

A vida nos oceanos enfrenta o maior risco desde que um asteroide atingiu a Terra há cerca de 66 milhões de anos e provocou a extinção dos dinossauros, segundo estudo publicado na última quinta-feira (28) pela revista Science.

O artigo, feito pelos pesquisadores Justin L. Penn e Curtis Deutsch, ambos das universidades Princeton e Washington (EUA), afirmam que, se os níveis atuais de emissões de carbono não forem controlados, as zonas tropicais sofrerão perda de biodiversidade e as polares passarão por uma extinção em massa. Isso se dará à medida que a vida nos oceanos fica sem oxigênio e nutrientes, sendo restrita a uma água muito quente.

“À medida que as emissões de gases-estufa continuam a aquecer os oceanos do mundo, a biodiversidade marinha pode despencar nos próximos séculos para níveis não vistos desde a extinção dos dinossauros”, afirma a dupla de cientistas, em comunicado à imprensa.

Para sedimentar a análise, os pesquisadores estudaram períodos de grandes extinções da história terrestre como a “Great Dying” (a grande morte, em português), ocorrida há 252 milhões de anos. Neste evento, também conhecido como a extinção do Permiano-Triássico, 95% das espécies marinhas e 70% das espécies terrestres desapareceram.

Se as emissões não cessarem, é possível, na análise dos cientistas, que a Terra alcance níveis parecidos até 2300. Isso porque, à medida que as temperaturas aumentam, a riqueza das espécies irá diminuir próxima dos trópicos, com alguns animais migrando para latitudes mais altas. As espécies polares são as que mais estão em risco diante de um “nicho climático em extinção”, explica a pesquisa.

Ainda há, porém, tempo para mudanças
Por outro lado, há notícias levemente boas: segundo os pesquisadores, ainda há tempo para evitar os piores cenários de extinção.

“O lado bom é que o futuro não está escrito em pedra”, diz Penn. “Ainda há tempo suficiente para mudar a trajetória das emissões de CO2 e evitar a magnitude do aquecimento [dos oceanos] que causaria essa extinção em massa.”

Trabalhos anteriores da equipe por trás da pesquisa revelaram que o aquecimento global descontrolado e a perda de oxigênio nos oceanos teriam sido a causa da extinção do Permiano-Triássico. Os resultados do modelo foram combinados com padrões obtidos por paleontólogos nos registros fósseis do período, dando-lhe credibilidade.

Anteriormente, cientistas sabiam, a partir de dentes fossilizados de antigos animais, que as temperaturas da superfície na Grande Morte subiram cerca de 10 ºC nos trópicos, levando muitos animais marinhos à extinção. Eles acreditam que erupções vulcânicas desencadearam as mudanças climáticas nesta época.

*Por Lucas Berredo
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*Fonte: olhardigital

Proteção de 30% do alto-mar fracassa na ONU

Os países membros da ONU não chegaram a um acordo sobre um tratado para proteger o alto-mar da exploração, com cientistas, ambientalistas e organizações de conservação culpando países que estavam “arrastando os pés” pelo “ritmo glacial” das negociações. Venceu a pesca industrial inescrupulosa, e muitas vezes ilegal que domina este espaço considerado, no direito internacional, ‘res communis usus’, ou ‘área de uso comum a todos’. É a parte dos oceanos que pode ser livremente utilizada. Trata-se de cerca de 60% dos 364 milhões de Km2 de oceanos globais. Proteção de 30% do alto-mar fracassa na ONU.

Alto-mar continuará a ser saqueado
Por definição o alto-mar é um conceito definido como sendo todas as partes não incluídas no mar territorial e na zona econômica exclusiva de um estado costeiro, nem nas águas arquipelágicas de um estado insular. Mas o alto-mar continuará a ser saqueado apesar do assunto ser preocupação mundial.

O tema já foi discutido no Fórum Econômico Mundial, em 2015. Uma das conclusões foi esta:

A pesca no alto mar também é injusta – as grandes empresas de pesca multinacionais podem efetivamente pescar fora das águas nacionais das nações mais pobres, deixando-as com menos peixes para pegar. Pesquisas publicadas recentemente na Nature Scientific Reports mostram que o fechamento do alto-mar para a pesca ajudaria a proteger as unidades populacionais de peixes e tornar a pesca mais justa.

Alto-mar é uma ‘dor de cabeça’
O alto-mar é uma dor de cabeça para as pessoas que gerenciam a pesca. A biomassa ali existente é de recursos comuns, acessíveis por qualquer pessoa e não sujeitos aos mesmos controles que se aplicam à pesca nas águas nacionais. Historicamente, isso levou à sobre-exploração.

2018, ONU aprova resolução 72/249
Por estas razões, em 2018 a ONU aprovou a resolução 72/249 que permitiu iniciar negociações sobre a adoção de acordos para assegurar a conservação e uso sustentável da biodiversidade marinha em águas internacionais. Em outras palavras, a esperada criação de áreas marinhas protegidas em alto-mar.

Aumento das frotas pesqueiras de alto-mar de 1950 para 2020
O aumento insustentável das frotas pesqueiras de alto-mar de 1950 para 2020. Imagem, http://www.seaaroundus.org.

De lá para cá, cerca de trinta chefes de Estado e de governo de todo o mundo comprometeram-se em colocar a defesa e a proteção dos mares como uma prioridade na agenda europeia e internacional. O compromisso foi assumido na cidade de Brest, durante o último dia da cúpula “One Ocean”.

Enquanto os países que depredam o alto-mar faziam lobby, outros levaram o tema adiante. Mas a ONU não conseguiu chegar a um entendimento sobre um acordo global para proteção. As negociações, a quarta rodada desde 2018, terminaram em março de 2022 e sem cronograma definido para novas discussões.

Segundo o jornal The Guardian, ‘agora cabe à Assembleia Geral das Nações Unidas dar luz verde para outra rodada de negociações. Os observadores esperam que um acordo seja alcançado antes do final deste ano e pediram aos líderes políticos que trabalhem com a ONU para que isso aconteça’.

Fevereiro de 2022
No mês passado, diz o Guardian, quase 50 países formaram uma “ coalizão de alta ambição ” em uma cúpula francesa em Brest com o objetivo de concluir o acordo rapidamente. Mas o lobby dos países que saqueiam esta área prevaleceu.

Rena Lee, a presidente de Cingapura da conferência BBNJ, comentou ao site da Oceanographic Magazine: “Acredito que, com compromisso, determinação e dedicação contínuos, seremos capazes de construir pontes e fechar as lacunas restantes”.

Já o chefe de oceanos do Greenpeace, Will McCallum, disse: “O ritmo glacial das negociações na ONU nas últimas duas semanas e a falta de acordo sobre uma série de questões-chave simplesmente não refletem a urgência da situação. O colapso climático está transformando nossos oceanos. As populações de vida selvagem estão diminuindo.”

Oceanos em crise
“E à medida que a pesca industrial esvazia os mares de vida, as comunidades costeiras de todo o mundo estão vendo seus meios de subsistência e segurança alimentar ameaçados. Não são hipóteses, nossos oceanos estão em crise agora e precisam urgentemente de um plano de resgate.”

E acrescentou: “As promessas do governo de proteger pelo menos um terço dos oceanos do mundo até 2030 já estão saindo dos trilhos. Está claro que nossos oceanos estão em crise e, se não conseguirmos o forte Tratado Global dos Oceanos de que precisamos em 2022, não há como criar santuários oceânicos em águas internacionais para permitir que eles alcancem essa meta de 30×30. Este tratado é crucial porque todos nós dependemos dos oceanos: do oxigênio que eles oferecem aos meios de subsistência e segurança alimentar que eles fornecem.”

Segundo o Greenpeace, ‘O Canadá faz parte da High Ambition Coalition de 47 membros que se comprometeram a garantir um Tratado Global do Oceano que entregue 30% de proteção, mas estamos preocupados que a delegação não tenha sido encarregada de negociar a partir de uma posição de ambição ousada. O Canadá deve desempenhar um papel de liderança para superar a falta de consenso sobre questões-chave do tratado e trabalhar com países progressistas sobre o assunto para garantir que o melhor cenário para nossos oceanos seja acordado’.

Já o Guardian diz que ‘Alguns países, incluindo a Rússia e a Islândia, pediram que a pesca fosse excluída do acordo’. Como assim, a ideia não era de proteção de 30% do alto-mar?

Por aí se notam as dificuldades em conseguir o apoio necessário para que o saque ao alto-mar seja detido.

Sandices praticadas em alto-mar
Atirar com armas de fogo em baleias dentadas que ‘roubam’ as presas do espinhel; cortar os bicos de albatrozes que usam este mesmo artifício e jogá-los ao mar para morrerem de fome; decepar barbatanas de tubarões e de novo atirá-los ao mar para morrerem; ou prosseguir com subsídios insustentáveis que atingem o montante de US$ 35 BILHÕES de dólares ao ano são apenas algumas delas.

Subsídios mundiais à pesca
A indecência insustentável e escancarada.
Para saber mais sobre as sandices praticadas em alto-mar recomendamos o livro do jornalista Ian Urbina, do New York Times, traduzido e publicado no Brasil. O nome antecipa: “Oceanos Sem Lei“, da editora Intrínseca. A história das baleias dentadas se parecem a contos da carochinha perto das que ele conta no livro.

Também recomendamos o filme já comentado nestas páginas, Seaspiracy, um chocante, ainda que superficial, documentário que mostra a pesca nos oceanos (pode ser visto na Netflix).

Assista à animação sobre o aumento das frotas pesqueiras, enquanto a proteção de 30% do alto-mar segue nos ‘porões’ dos navios pesqueiros.

*Por João Lara Mesquita
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*Fonte: marsemfim

Alerta de desmatamento na Amazônia bate recorde em fevereiro

Com 199 km² desmatados, Deter 2022 registra o pior fevereiro da série histórica.

Dados do sistema Deter, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta sexta-feira (11), reafirmam que o desmatamento na maior floresta tropical do planeta segue fora de controle. Entre os dias 1º e 28 de fevereiro, os alertas apontam para um total de 199 km² desmatados.

O desmatamento em fevereiro aponta um aumento de 62% em relação ao mesmo mês de 2021. É a maior área com alertas para o mês desde 2016, quando foram iniciadas as medições do Deter-B. Os alertas de desmatamento se concentram principalmente nos estados de Mato Grosso, Pará e Amazonas.

“Os dois primeiros meses deste ano tiveram áreas recordes da série histórica, no acumulado já são 629 km² mais do que o triplo do que foi observado no ano passado, 206 km² desmatados. Isso tudo em um período no qual o desmatamento costuma ser mais baixo por conta do período chuvoso na região. Este aumento absurdo demonstra os resultados da falta de uma política de combate ao desmatamento e dos crimes ambientais na Amazônia, impulsionados pelo atual governo. A destruição não para”, afirma o porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, Rômulo Batista.

Amazônia fevereiro
Área dos alertas de desmatamento do programa DETER-B do mês de fevereiro | Fonte: INPE
Publicado na última segunda-feira (7), um estudo da Universidade de Exeter revelou que a floresta amazônica está perdendo sua capacidade de manutenção, chegando em um “ponto de não retorno”. De acordo com o estudo, três quartos da floresta estão apresentando uma resiliência cada vez menor contra secas e outros eventos climáticos adversos e, portanto, estão menos capazes de se recuperar.

A previsão é de que grandes áreas irão começar a se transformar em um bioma mais parecido com uma área de floresta degradada e mais seca, gerando riscos para a biodiversidade e para o clima em escala global e intensificando a ocorrência de eventos climáticos extremos.

“Na mesma semana em que milhares de pessoas se reuniram em Brasília, no Ato pela Terra, para exigir que o governo e o Congresso parem com o Pacote da Destruição, esse estudo publicado, a aprovação de urgência do PL da mineração em terras indígenas e os recordes dos alertas de desmatamento nos levam a refletir sobre o destino da Amazônia e seus povos”, ressalta Batista.

Segundo ele, quanto mais desmatamento, maior é a contribuição do país com a emissão de gases do efeito estufa, “agravando ainda mais a crise climática e acelerando os eventos extremos como as chuvas torrenciais que vimos esse ano no Brasil. Os dados de fevereiro apontam para mais um ano em que o Brasil caminha na contramão do combate à destruição ambiental e dos direitos dos povos indígenas”, finaliza.

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*Fonte: ciclovivo

Cientistas revelam locais que precisamos preservar para evitar caos climático

Pequena proporção da Terra hospeda toneladas de carbono em vegetação e solos irrecuperáveis até 2050

Um novo mapeamento detalhado identificou as florestas e turfeiras ricas em carbono que a humanidade não pode destruir se quiser uma catástrofe climática. A pesquisa foi publicada na revista Nature Sustainability e traz informações fundamentais.

Os cientistas identificaram 139 bilhões de toneladas (139 Gt) de carbono em árvores, plantas e solos como “irrecuperáveis”, o que significa que a regeneração natural não poderia substituir sua perda até 2050, data em que as emissões globais líquidas de carbono devem terminar para evitar os piores impactos de aquecimento global.

Entre as áreas que precisam ser preservadas estão as vastas florestas e turfeiras da Rússia, Canadá e Estados Unidos e as florestas tropicais na Amazônia, no Congo e no sudeste da Ásia. Pântanos de turfa no Reino Unido e manguezais e florestas de eucalipto na Austrália também estão na lista.

Só na última década, a agricultura, a extração de madeira e os incêndios florestais causaram a liberação de pelo menos 4 Gt de carbono irrecuperável, disseram os pesquisadores.

Além de combater o uso de combustíveis, acabar com o desmatamento é crucial para enfrentar a crise climática. Ao mesmo tempo em que o compromisso assumido na COP26 por grandes nações Brasil, China e Estados Unidos, em fazer isso até 2030 traz esperança, existe o receio em saber que uma promessa semelhante foi feita em 2014 e nunca foi cumprida.

“A PROTEÇÃO DO CARBONO IRRECUPERÁVEL, JUNTAMENTE COM A DESCARBONIZAÇÃO GENERALIZADA DAS ECONOMIAS MUNDIAIS, TORNARÁ MAIS PROVÁVEL UM CLIMA SEGURO, AO MESMO TEMPO QUE CONSERVA ÁREAS IMPORTANTES PARA A BIODIVERSIDADE.”

O carbono irrecuperável da Terra é altamente concentrado, mostraram os pesquisadores. Metade dela é encontrada em apenas 3,3% das terras do mundo, tornando os projetos de conservação focados altamente eficazes.

Segundo a pesquisa, apenas metade do carbono irrecuperável está atualmente em áreas protegidas, mas incluir 5,4% das terras do mundo nestas áreas de proteção a garantiria 75% do carbono irrecuperável.


Indígenas: os melhores guardiões

Os povos indígenas foram reconhecidos pela ONU como os melhores protetores da terra, mas apenas um terço do carbono irrecuperável é armazenado em seus territórios reconhecidos. Os estoques irrecuperáveis ​​de carbono se sobrepõem fortemente às áreas de rica vida selvagem, portanto, sua proteção significa a preservação em massa da vida selvagem.

“Essas são as áreas que realmente não podem ser recuperadas em nossa geração – é o carbono de nossa geração que deve ser protegido. Mas com o carbono irrecuperável concentrado em uma área relativamente pequena de terra, o mundo poderia proteger a maioria desses lugares essenciais para o clima até 2030”, explica a principal autora do estudo, Monica Noon, da Conservation International.

“DEVEMOS PROTEGER ESSE CARBONO IRRECUPERÁVEL PARA EVITAR UMA CATÁSTROFE CLIMÁTICA – DEVEMOS MANTÊ-LO ENTERRADO.”

A pesquisa descobriu que 57% do carbono irrecuperável estava em árvores e plantas e 43% em solos, principalmente turfa. As turfeiras globais armazenam mais carbono do que as florestas tropicais e subtropicais, concluiu.

Segundo os cientistas, a proteção do carbono irrecuperável deve envolver o fortalecimento dos direitos dos povos indígenas, encerrando as políticas que permitem a destruição e ampliação das áreas protegidas.

Carbono irrecuperável em áreas ameaçadas

A Rússia, fortemente atingida por incêndios florestais nos últimos anos, abriga o maior estoque de carbono irrecuperável com 23%. O Brasil está em segundo lugar e os índices de desmatamento do país vem batendo recordes sucessivos desde a eleição de Jair Bolsonaro. O Canadá e os EUA ocupam o terceiro e quinto lugares – juntos, os países que também vêm sendo palco de grandes incêndios florestais, acumulam 14% do carbono irrecuperável do mundo. As áreas úmidas do sul da Flórida são outro importante depósito de carbono irrecuperável.

A Austrália abriga 2,5% do carbono irrecuperável do mundo, em seus manguezais costeiros e ervas marinhas, bem como florestas no sudeste e sudoeste, que foram também foram atingidas por grandes incêndios em 2019 e 2020. No Reino Unido, as turfeiras cobrem 2 milhões de hectares e armazenam 230 milhões de toneladas de carbono irrecuperável há milênios, mas a maioria está em más condições.

As turfeiras e os manguezais são focos de carbono irrecuperável, devido à sua alta densidade de carbono e ao longo período que precisariam para se recuperar, que podem chegar a séculos.

As florestas tropicais são menos densas em carbono e crescem relativamente rápido, mas permanecem críticas por causa das áreas muito grandes que cobrem.

*Por Natasha Olsen
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*Fonte: ciclovivo

Por que há cada vez mais moscas e baratas e menos borboletas e abelhas

Uma nova análise científica sobre o número de insetos no mundo sugere que 40% das espécies estão experimentando uma “dramática taxa de declínio” e podem desaparecer. Entre elas, abelhas, formigas e besouros, que estão desaparecendo oito vezes mais rápido que espécies de mamíferos, pássaros e répteis. Já outras espécies, como moscas domésticas e baratas, devem crescer em número.

Vários outros estudos realizados nos últimos anos já demonstraram que populações de algumas espécies de insetos, como abelhas, sofreram um grande declínio, principalmente nas economias desenvolvidas. A diferença dessa nova pesquisa é ter uma abordagem mais ampla sobre os insetos em geral. Publicado no periódico científico Biological Conservation, o artigo faz uma revisão de 73 estudos publicados nos últimos 13 anos em todo o mundo.

Os pesquisadores descobriram que o declínio nas populações de insetos vistos em quase todas as regiões do planeta pode levar à extinção de 40% dos insetos nas próximas décadas. Um terço das espécies está classificada como ameaçada de extinção.

“O principal fator é a perda de habitat, devido às práticas agrícolas, urbanização e desmatamento”, afirma o principal autor do estudo, Francisco Sánchez-Bayo, da Universidade de Sydney.

“Em segundo lugar, está o aumento no uso de fertilizantes e pesticidas na agricultura ao redor do mundo, com poluentes químicos de todos os tipos. Em terceiro lugar, temos fatores biológicos, como espécies invasoras e patógenos. Quarto, mudanças climáticas, particularmente em áreas tropicais, onde se sabe que os impactos são maiores.”

Os insetos representam a maioria dos seres vivos que habitam a terra e oferecem benefícios para muitas outras espécies, incluindo humanos. Fornecem alimentos para pássaros, morcegos e pequenos mamíferos; polinizam em torno de 75% das plantações no mundo; reabastecem os solos e mantêm o número de pragas sob controle.

Os riscos da redução do número de insetos
Entre destaques apontados pelo estudo estão o recente e rápido declínio de insetos voadores na Alemanha e a dizimação da população de insetos em florestas tropicais de Porto Rico, ligados ao aumento da temperatura global.

Outros especialistas dizem que as descobertas são preocupantes. “Não se trata apenas de abelhas, ou de polinização ou alimentação humana. O declínio (no número de insetos) também impacta besouros que reciclam resíduos e libélulas que dão início à vida em rios e lagoas”, diz Matt Shardlow, do grupo ativista britânico Buglife.

“Está ficando cada vez mais claro que a ecologia do nosso planeta está em risco e que é preciso um esforço global e intenso para deter e reverter essas tendências terríveis. Permitir a erradicação lenta da vida dos insetos não é uma opção racional”.

Os autores do estudo ainda estão preocupados com o impacto do declínio dos insetos ao longo da cadeia de produção de comida. Já que muitas espécies de pássaros, répteis e peixes têm nos insetos sua principal fonte alimentar, é possível que essas espécies também acabem sendo eliminadas.


Baratas e moscas podem proliferar

Embora muitas espécies de insetos estejam experimentando uma redução, o estudo também descobriu que um menor número de espécies podem se adaptar às mudanças e proliferar.

“Espécies de insetos que são pragas e se reproduzem rápido provavelmente irão prosperar, seja devido ao clima mais quente, seja devido à redução de seus inimigos naturais, que se reproduzem mais lentamente”, afirma Dave Goulson, da Universidade de Sussex.

Segundo Goulson, espécies como moscas domésticas e baratas podem ser capazes de viver confortavelmente em ambientes humanos, além de terem desenvolvido resistência a pesticidas.

“É plausível que nós vejamos uma proliferação de insetos que são pragas, mas que percamos todos os insetos maravilhosos de que gostamos, como abelhas, moscas de flores, borboletas e besouros”.


O que podemos fazer a respeito?

Apesar dos resultados do estudo serem alarmantes, Goulson explica que todos podem tomar ações para ajudar a reverter esse quadro. Por exemplo, comprar comida orgânica e tornar os jardins mais amigáveis aos insetos, sem o uso de pesticidas.

Além disso, é preciso fazer mais pesquisas, já que 99% da evidência do declínio de insetos vêm da Europa e da América do Norte, com poucas pesquisas na África e América do Sul.

Se um grande número de insetos desaparecer, diz Goulson, eles provavelmente serão substituídos por outras espécies. Mas esse é um processo de milhões de anos. “O que não é um consolo para a próxima geração, infelizmente”.

*Por Matt McGrath
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*Fonte: bbc-brasil

Poluição por plástico está perto de ser irreversível, diz estudo

A poluição global por resíduos plásticos está a caminho de um “ponto irreversível”, de acordo com um estudo publicado nesta sexta-feira (02/07) na revista científica Science. Ano a ano, a geração mundial de lixo plástico só aumenta, e resíduos já podem ser encontrados nos locais mais inóspitos da Terra, como nos desertos, nos picos de montanhas, nas profundezas dos oceanos e até no Ártico.

Os pesquisadores apelaram para uma mudança de comportamento. Politicamente, a União Europeia (UE) deu um passo inicial: a partir de sábado, diversos produtos feitos de plástico estão proibidos no bloco comunitário europeu, entre eles canudos, talheres, pratos e copos descartáveis.

De acordo com os pesquisadores do estudo, a poluição anual de plásticos em águas e na terra pode quase dobrar de 2016 a 2025, caso a população mundial mantenha os hábito atuais.


A equipe de pesquisa foi composta por cientistas da Alemanha, Suécia e Noruega. Ela divulgou a estimativa de que entre 9 e 23 milhões de toneladas de resíduos plásticos poluíram rios, lagos e oceanos em 2016. Uma quantidade similar – entre 13 e 25 milhões de toneladas – acabou no meio ambiente terrestre naquele ano.

Apesar do alarme mundial disparado pelas imagens chocantes de rios e mares inundados com lixo plástico, o problema pode já estar próximo de um ponto sem volta, alertam os pesquisadores. Eles afirmam que “as taxas de emissões de plástico em todo o mundo podem desencadear efeitos que não seremos capazes de reverter”.

“O plástico está profundamente enraizado em nossa sociedade e se infiltra no meio ambiente em todos os lugares, mesmo em países com boa infraestrutura de tratamento de resíduos”, diz Matthew MacLeod, da Universidade de Estocolmo e o autor principal do estudo.


Segundo o relatório, as emissões tendem a aumentar, ainda que a consciência sobre a poluição do plástico na ciência e na população tenha aumentado significativamente nos últimos anos.

“Reciclagem de plásticos tem muitas restrições”
Do lado alemão, participaram do estudo pesquisadores do Instituto Alfred Wegener (Centro Helmholtz de Pesquisa Polar e Marinha – AWI, na sigla em alemão), localizado em Bremerhaven, e do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ, na sigla em alemão), situado em Leipzig.

A pesquisadora Mine Tekman, do AWI, alerta contra a impressão de que tudo pode ser reciclado “magicamente” caso o lixo seja separado corretamente. “Tecnologicamente falando, a reciclagem de plásticos tem muitas restrições e os países com boa infraestrutura exportam seus resíduos plásticos para países com instalações mais precárias”, explica.

Os governos da Malásia e das Filipinas estão entre os que nos últimos anos devolveram – com declarações públicas de irritação – carregamentos de lixo despachados de países como Canadá e Coreia do Sul.

Tekman diz que a produção de “plástico virgem” deve ser limitada e pleiteou por medidas drásticas, como a proibição da exportação de resíduos plásticos, a menos que ela seja feita para um país com uma melhor infraestrutura de reciclagem.

Além disso, há um problema fundamental com materiais não biodegradáveis. Áreas remotas são particularmente ameaçadas por resíduos plásticos, conforme explica a pesquisadora Annika Jahnke, do UFZ.

Nestas regiões, os resíduos plásticos não podem ser removidos por equipes de limpeza. E o desgaste de grandes pedaços de plástico também causa inevitavelmente a liberação de um grande número de micro e nanopartículas e à lixiviação de produtos químicos que foram deliberadamente adicionados ao plástico na produção.

Desequilíbrio da bomba biológica
A equipe de pesquisa também alerta que, combinado com outros danos ambientais imediatos, o lixo plástico pode ter efeitos de longo alcance ou até mesmo globais mesmo em áreas remotas.

É possível que os resíduos plásticos causem uma influência na biodiversidade do mar e na climaticamente tão importante bomba biológica. O termo se refere ao processo através do qual o carbono liberado na atmosfera é armazenado nas profundezas oceânicas por meio de processos biológicos.

A biologia marinha possui um papel muito importante no chamado “sequestro de carbono” – os oceanos armazenam aproximadamente 50 vezes mais carbono que a atmosfera. E o plástico atua como um estressor adicional, que pode causar um desequilíbrio nos oceanos.

“O custo de ignorar o acúmulo de poluição persistente de plástico no meio ambiente pode ser enorme”, diz MacLeod. “A coisa mais sensata que podemos fazer é agir o mais rápido possível para reduzir a quantidade de plástico que polui o meio ambiente.”


Alguns produtos fabricados com plástico descartável estarão proibidos a partir deste sábado na UE. A regulamentação afeta itens para os quais existem alternativas, como canudos e talheres e pratos descartáveis. Certos copos e recipientes descartáveis de isopor também não poderão mais ser produzidos ou colocados no mercado. Os bens existentes e previamente adquiridos ainda podem ser vendidos.


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*Fonte: dw

A receita de 50 cientistas para resolver a crise climática e a perda de biodiversidade

Mudanças sem precedentes no clima e na biodiversidade, impulsionadas pelas atividades humanas, ameaçam cada vez mais a natureza, as vidas humanas, os meios de subsistência e o bem-estar em todo o mundo. A perda de biodiversidade e as mudanças climáticas são impulsionadas pelas atividades econômicas humanas e se reforçam mutuamente. Nenhum dos dois será resolvido com sucesso, a menos que ambos sejam enfrentados conjuntamente. A crise climática e a perda de biodiversidade são duas faces da mesma moeda. Um desafio não pode ser solucionado sem atacar ao mesmo tempo as causas do outro.

Esta é a principal mensagem de um relatório produzido por 50 dos maiores especialistas mundiais em biodiversidade e clima, reunidos em um workshop virtual de quatro dias ocorrido em dezembro, cujo objetivo era examinar as sinergias entre a proteção da biodiversidade e a mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

O workshop e o relatório, divulgado em 10 de junho, foram promovido em conjunto pela IPBES (Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos) e pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) das Nações Unidas. O relatório IPBES-IPCC Co-Sponsored Workshop Report on Biodiversity and Climate Change pode ser baixado, em inglês, do site da IPBES.

“As mudanças climáticas causadas pelo homem estão ameaçando cada vez mais a natureza e sua contribuição para as pessoas, incluindo sua capacidade de ajudar a mitigar as mudanças climáticas”, observa Hans-Otto Pörtner, co-presidente do comitê científico que coordenou o trabalho do seminário. “As mudanças na biodiversidade afetam o clima, principalmente por meio dos impactos nos ciclos do nitrogênio, carbono e água. Quanto mais quente o mundo fica, há cada vez menos comida e água potável em muitas regiões do planeta”.

Esta mensagem se assemelha bastante àquela repetida com frequência pelo secretário-geral da ONU, António Guterres: a crise climática e a crise da biodiversidade estão intimamente ligadas, aspectos distintos da mesma “guerra à natureza” declarada pela humanidade.

De acordo com Pörtner: “A evidência é clara: um futuro global sustentável para as pessoas e a natureza ainda é alcançável, mas isso requer uma mudança transformadora, com ações rápidas e amplas nunca antes tentadas, com base em reduções de emissões de CO2 ambiciosas”.

Para os especialistas, é necessário reverter a degradação de ecossistemas ricos em carbono (florestas, turfeiras, pântanos, manguezais, …), focar fortemente em práticas sustentáveis ​​de agricultura e manejo de recursos florestais, multiplicar iniciativas de conservação e cancelar subsídios para atividades prejudicial aos ecossistemas.

Entre os autores da publicação estão os brasileiros Maria de Los Angeles Gasalla, professora do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP); Aliny Patrícia Flausino Pires, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Bernardo Strassburg, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), e Adalberto Luís Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

“O relatório aponta que o clima e a biodiversidade se reforçam e, portanto, devem ser vistos como um todo. Para que qualquer uma dessas questões seja resolvida de forma satisfatória deve-se levar em conta a outra”, diz Gasalla, em entrevista à Agência Fapesp.

A cientista brasileira Thelma Krug, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e vice-presidente do IPCC, participou como observadora do encontro.

“O relatório incluiu, além dos aspectos procedimentais, uma síntese das discussões científicas que ocorreram durante os quatro dias de duração do workshop. É a primeira iniciativa conjunta entre o IPCC e a IPBES e buscou identificar as sinergias e os potenciais pontos negativos entre a proteção da biodiversidade e a mitigação e adaptação à mudança do clima”, diz Krug.

Já de acordo com Carlos Joly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que participou como revisor do relatório, “A comunidade científica vem fazendo pressão, há bastante tempo, para que a biodiversidade e o clima sejam discutidos conjuntamente, mas, infelizmente, há países, como o Brasil, que são muito reticentes em reunir essas duas agendas sob o pretexto de que as discussões e resoluções que envolvam essas duas áreas críticas acabem sendo utilizadas para criação de barreiras para a exportação de produtos agropecuários pelo país”, explica.

A mudança delineada pelos 50 cientistas é profunda e deve acontecer rapidamente. Envolverá “uma profunda mudança coletiva de valores individuais e compartilhados em relação à natureza, como o afastamento da concepção de progresso econômico baseado exclusivamente no crescimento do PIB”, conclui Pörtner.

 

*por Peter Moon
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*Fonte: oeco

35% do plástico descartado foi usado por apenas 20 minutos

Anualmente são produzidas 250 milhões de toneladas de plástico e cerca de 35% desse montante são usados apenas uma vez e por, aproximadamente, 20 minutos. Para piorar, 10% de tudo o que é descartado tem como destino o mar. Os dados foram apresentados pelo chefe da expedição suíça Race for Water Odyssey, Marco Simeoni, na ocasião do lançamento da campanha “Mar sem Lixo. Mar da Gente.”, das iniciativas suíças swissnex Brazil e swissando, de promoção da parceria entre os dois países.

Simeoni, que passou oito meses realizando o primeiro levantamento global de lixo nos oceanos com a expedição, explica que 80% do plástico encontrado no mar têm origem em atividades em terra e que se concentram em cinco regiões específicas nos oceanos: Atlântico Norte, Atlântico Sul, Pacífico Norte, Pacífico Sul e Índico.

“O problema dos plásticos nos oceanos é que o material se quebra em micro partículas que são ingeridas por peixes e pássaros”, explica Simeoni. “Os animais confundem isso com comida. No Havaí, por exemplo, 87% dos pássaros mapeados no local tinham plástico no estômago. O pior de tudo é que tudo é essas partículas são tão pequenas que é inviável fazer uma limpeza disso no mar.”

Uma da maiores surpresas que o chefe da expedição relata ter encontrado na pesquisa foi lixo plástico em regiões remotas, foras das áreas de sujeira no oceano. O velejador explica que uma das primeiras conclusões que o time de pesquisadores chegou foi que o plástico está em toda parte.

Uma das primeiras conclusões que o time de pesquisadores chegou foi que o plástico está em toda parte.

“Visitamos Koror, uma ilha paradisíaca em Palau (Micronésia), no Oceano Índico, onde é área de preservação. Vimos garrafas plásticas, sapatos, isqueiros, entre outros tipos de materiais plásticos. Isso nos deixou muito surpresos”, comenta.

Com a ingestão de plástico, a fauna contamina-se com substâncias químicas liberadas pelo material no organismo. Atualmente, metade da população mundial, estimada em sete bilhões de pessoas aproximadamente, consome peixes e animais marinhos. Segundo as previsões da equipe de cientistas da Race for Water, se nada for feito na próxima década, haverá um quilo de plástico para cada três quilos de peixes nos oceanos.

Resultados preliminares, obtidos nas primeiras paradas, nas ilhas de lixo do Atlântico Norte e do Pacífico Sul, indicam que o lixo está amplamente espalhado em paisagens oceânicas remotas. Entre redes de pesca e cordas, o plástico representou 84% do material colhido nos Açores, 70% em Bermuda e 91% na Ilha de Páscoa. Outros materiais, como espuma, cápsulas, filmes e filtros de cigarro, também foram encontrados nesses locais. As análises estão sendo realizadas pelo Laboratório de Meio Ambiente da Escola Politécnica Federal de Lausanne (CEL/EPFL).

As cinco áreas de lixo pelas quais a expedição Race for Water passou totaliza 15,9 milhões de quilômetros quadrados, equivalente a quase duas vezes o território do Brasil. A mancha mais próxima ao território brasileiro, no Atlântico Sul, tem 1,3 milhão de quilômetros quadrados, área equivalente a quase 30 vezes o Estado do Rio de Janeiro.

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*Fonte: ciclovivo

Árvores conseguem absorver mais da metade da poluição do ar

Pesquisadores da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, realizaram experiências para comprovar a eficiência das árvores em retirar a poluição do ar, e constataram que as folhas conseguem absorver mais da metade do material particulado presente na atmosfera, principal responsável pela poluição do ar nos grandes centros urbanos.

O experimento foi realizado numa movimentada avenida de Lancaster, sem árvores e nem canteiros verdes. Durante cinco dias, a equipe rastreou os níveis de poeira e material particulado que se acumulavam nas residências e estabelecimentos do local, e a quantidade coletada foi analisada posteriormente. Também foram utilizados lenços umedecidos para retirar a poeira de telas LED e outros equipamentos do interior das residências.

Depois do primeiro período de testes, os pesquisadores colocaram árvores e plantas na fachada de algumas das construções, formando uma barreira, que ficou no local por 13 dias. Logo após este segundo experimento, os resultados mostraram que as árvores reduziram entre 52% e até 65% da concentração de material particulado na frente das residências e estabelecimentos.

Coordenado pela pesquisadora Barbara A. Maher, o estudo contou com uma série de exames realizados com um microscópio eletrônico, o qual confirmou que as folhas retiveram, em suas estruturas, boa parte das partículas de poluição, emitidas pela queima de combustíveis e pelo desgaste dos freios no trânsito.

Não é novidade que as árvores exercem papel fundamental na captura de poluição da atmosfera, mas a pesquisa trouxe animadores resultados, já que comprovou que os vegetais também podem eliminar os metais presentes no ar contaminado – como o chumbo e o ferro.

Além disso, a comprovada captura das partículas de poluição eleva o padrão de saúde da população da zona urbana, uma vez que, quanto menor a concentração de material particulado na atmosfera, também diminuem-se os riscos de doenças cardiorrespiratórias, do estresse e da ansiedade.

*Por Mayra Rosa

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*fonte: ciclovivo

Empresa suga gás carbônico da atmosfera e o transforma em combustível

A empresa canadense Carbon Engineering publicou um estudo onde afirma poder retirar CO2 da atmosfera um custo mais barato do que outras tecnologias já desenvolvidas. Eles estimam que a cada tonelada de carbono capturada, o custo gasto é de $100 dólares canadenses.

A tecnologia que a empresa patrocinada pelo bilionário americano Bill Gates desenvolveu é parecida com a técnica utilizada pela empresa suíça Climeworks. O maior diferencial entre as duas é o valor do processo. Quando foi inaugurada um ano atrás, o custo do processo feito pela empresa suíça era de $600 dólares por tonelada, com previsão de barateamento para $100 dólares apenas em 2025, valor este que é o inicial da técnica da Carbon Engineering.

Carbono vira combustível sintético

Outro diferencial é o modo como o CO2 retirado da atmosfera é utilizado. A empresa canadense usa o gás para transformá-lo em combustíveis líquidos sintéticos. A primeira planta funcional da empresa foi inaugurada em 2015 e retira e suga uma tonelada de carbono por dia. O gás puro é combinado com hidrogênio de água por meio de energia renovável, transformando-se em combustível sintético. Em média, a empresa consegue produzir de um barril de combustível por dia.

Em entrevista à BBC, David Keith, professor da Universidade Harvard e cofundador da Carbon Engineering, disse que “o plano de longo prazo é de (produzir) cerca de 2 mil barris por dia”.

Políticas governamentais

A Carbon Egineering está procurando investidores para construir uma nova usina e expandir a captura e transformação do carbono em combustível. No entanto, os observadores do setor afirmaram que a empresa vai ter dificuldade na expansão por falta de subsídios e incentivos governamentais.

Edda Sif Aradóttir, da empresa Reykjavik Energy, parceira da Climeworks no projeto islandês que transforma CO2 em rochas, disse à BBC que a falta de políticas governamentais para incentivar trabalho como estes é um grande problema. “As soluções técnicas para (combater) as mudanças climáticas já estão disponíveis, mas as legislações dos países não oferecem incentivos ou obrigações suficientes para que eles sejam usados em larga escala”, explicou.

Apesar disso, e de saber que pode haver outros vários motivos que atrapalhe o desenvolvimento do trabalho feito pela Carbon Engineering, David Keith afirmou que há muito a se fazer para reduzir o CO2 na atmosfera e para oferecer opções para meios de transportes que não podem utilizar eletricidade como fonte de combustível. “Para combustíveis líquidos, o caminho é essa abordagem, de CO2 do ar mais hidrogênio obtido de fontes renováveis”, afirmou ele para a BBC News.

*Por: Emily Santos

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*Fonte: ciclovivo

Duas em cada cinco espécies de planta podem estar ameaçadas de extinção

“Plantas precisam ser namoradas,” cita a Dra. Marli Pires Morim, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A paráfrase, atribuída à botânica Graziela Maciel Barroso, veio como parte da resposta a uma pergunta que jamais canso de fazer a todos os colegas envolvidos com a conservação de espécies vegetais: “Porque é mais fácil envolver as pessoas com a conservação de animais do que com a conservação de plantas?”

“Isso ocorre porque os animais se movimentam, emitem sons, e fazem despertar em nós sentimentos de ternura, companheirismo ou mesmo medo,” explica Morim. “Já as plantas, mesmo que presentes no nosso dia a dia, nas mais diferentes formas – roupa, comida, remédio, artefatos e etc., – são totalmente silenciosas e imóveis, e requerem que agucemos nossa sensibilidade para perceber seus odores, as matizes de cores muitas vezes presentes em uma só flor, o néctar que delas goteja e tantas outras belas nuances.”

A resposta de Morim parece ecoar o sentimento manifestado por diversos outros profissionais. “Nós nos importamos mais com o que podemos nos relacionar com mais facilidade, como mamíferos, ou identificar como belos, como aves,” diz a Dra. Eimear Nic Lughadha, pesquisadora Sênior do Grupo de Avaliação de Análise e Conservação do Royal Botanical Gardens (Kew). “Quando eu converso com alguém sobre uma espécie de planta ameaçada, ouço perguntas utilitárias, como: ‘ela serve como comida ou remédio?’ Às vezes eu tento chocar as pessoas respondendo: ‘você me perguntaria isso se estivéssemos falando de um beija-flor?’”

Compreender essa frustração se torna ainda mais fácil quando percebemos que esse tipo de viés repercute severamente no mundo da conservação. “Para vertebrados, dados sobre riscos de extinção de espécies são gerados há décadas,” continua Morim, “o que propicia que recursos financeiros para projetos de pesquisa e conservação em certos grupos de animais sejam mais facilmente obtidos. Em plantas estas avaliações são muito mais deficientes, e para fungos, quase inexistentes.”

Morim e Lughadha fazem parte da equipe internacional de cientistas que, em outubro de 2020, produziram o mais completo relatório sobre o estado de conservação de plantas e fungos da atualidade. Liderado pelo Kew, o ‘Estado das Plantas e Fungos do Mundo’ contou com a participação de 210 pesquisadores distribuídos através de 97 instituições e 42 países. Além do relatório, a iniciativa foi também responsável por uma edição especial da revista científica Plants, People, Planet, que contém artigos detalhando dados, análises e referências de informações contidas no documento original.

Toda a atenção e energia empregada por essa aliança internacional para aprimorar nosso conhecimento são há muito tempo necessárias. Enquanto a descoberta de novas espécies de grupos animais bem estudados (como os já mencionados mamíferos e aves) são hoje eventos relativamente incomuns, apenas em 2019, 1.942 espécies de plantas e 1.886 espécies de fungo foram descritas pela primeira vez.

“As pessoas com frequência pensam que todas as espécies já foram localizadas e classificadas,” diz o Dr. Martin Cheek, pesquisador Sênior da equipe da África e Madagascar do Kew, no próprio relatório. “Ainda existe um vasto número de espécies no mundo sobre as quais nós não sabemos nada, e para as quais sequer demos um nome.”

O Brasil tem sido o constante líder em número de espécies novas de plantas descritas há mais de duas décadas, contribuindo mais de 200 espécies por ano (216 em 2019), seguido por países como China (com 195 espécies descritas em 2019), Colômbia (121), Equador (91) e Austrália (86). O fato de que essa taxa de descoberta não tem declinado ao longo dos anos é testemunha da riqueza de espécies que a ciência ainda desconhece. Espécies que podem ter potencial utilidade farmacêutica, gastronômica, indumentária, madeireira ou em qualquer outra indústria humana, e que mesmo antes de serem registradas, já podem estar ameaçadas de extinção.

Dentre as cerca de 350.000 espécies de plantas já identificadas em todo mundo, estima-se que 39,4% delas — mais de 137.000 — sofram algum grau de ameaça de acordo com os critérios da União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN). Uma situação que parece estar lentamente se agravando. Além de tentar determinar quantas espécies correm o risco de desaparecer, um grupo de pesquisadores da iniciativa utilizaram dados de 400 espécies de monocotiledôneas (plantas com apenas uma folha embrionária – ou cotilédone – por semente, como gramas, orquídeas e palmeiras) e leguminosas (membros da família Fabaceae, como ervilhas e feijões) para tentar entender como o risco de extinção dessas espécies tem mudado ao longo do tempo. A técnica utilizada – o Índice da Lista Vermelha (Red List Index) – mostrou que existe uma leve tendência das espécies analisadas se moverem para categorias progressivamente mais ameaçadas, ou seja, em direção à extinção.

Os cientistas também estão atentos ao processo de débito de extinção. A relação direta entre a área de determinado ecossistema e o número de espécies que o mesmo comporta (ou simplesmente relação espécies-área) é um fenômeno conhecido pela biologia há muitas décadas. Essa relação dita que uma redução na área de determinado ambiente é seguida pela extinção local de um certo número de espécies. Estas perdas – causadas por reduções de recursos espaciais (como tocas e refúgios) e energéticos (alimento) associadas à diminuição do habitat, que acabam levando algumas espécies a números populacionais muito pequenos e instáveis – não ocorrem imediatamente. Estes desaparecimentos podem se estender por décadas, o que torna o cenário atual ainda mais preocupante.

Estima-se que cerca de 600 espécies de planta tenham desaparecido globalmente em tempos modernos, mas este número é muito menor que o esperado com base na perda de habitat observada em todo mundo. Isso significa que muito mais espécies provavelmente estão nos trilhos da extinção. Segundo Lughadha, isso torna imprescindível que medidas de manejo e conservação sejam tomadas o mais rápido possível. Mesmo que nosso conhecimento sobre o status de conservação de cada grupo seja imperfeito, ferramentas úteis para amenizar o problema já são bem conhecidas.

“Aprimorar a conectividade entre manchas de vegetação natural pode ajudar a mitigar algumas das consequências do débito de extinção,” diz a pesquisadora. “No entanto, o melhor a se fazer é manter a vegetação nativa em primeiro lugar, uma vez que mesmo projetos de restauração bem sucedidos raramente atingem níveis de biodiversidade encontrados em comunidades existentes há centenas ou milhares de anos.“

Estratégias de conservação denominadas ex-situ – fora do habitat natural onde essas plantas e fungos ocorrem, como o cultivo dos mesmos em jardins botânicos e armazenamento em bancos de semente – também oferecem alguma proteção à espécies ameaçadas. O número de espécies que estão depositadas nesses refúgios artificiais, no entanto, é limitado.

“Em termos globais, no mínimo 723 espécies de plantas medicinais deveriam estar conservadas ex situ em jardins botânicos do mundo,” diz Morim, ”assim como suas sementes armazenadas em bancos de sementes, uma vez que em seus ambientes naturais já estão expostas a algum grau de ameaça. Este quantitativo corresponde a 13% das 5.411 espécies de plantas avaliadas na Lista Vermelha da IUCN, embora o total de plantas documentadas como medicinais chegue a 25.791 espécies.”

Muitos estudos ainda continuarão a ser realizados para prover informações cada vez mais precisas a respeito da identidade e do status de conservação de plantas e fungos ao redor de todo o mundo, especialmente em lugares como o Brasil, onde ainda existe uma vasta biodiversidade a ser descoberta. Mas ainda que exista alguma incerteza a respeito da quantidade de espécies existentes e seu grau de ameaça, as medidas mais efetivas para a sua preservação já são bem conhecidas há décadas.

“Áreas protegidas são um dos mais importantes meios de assegurar a sobrevivência de espécies num futuro próximo,” conclui Lughadha. “Proteger espécies nessas áreas é quase sempre preferível à protegê-las fora de seu habitat natural, porque: (I) é mais custo-efetivo; (II) mais indivíduos podem ser protegidos, o que garante a manutenção de mais diversidade genética; (III) sua relação ecológica com outras espécies pode ser mantida; (IV) processos de seleção natural podem continuar a acontecer; e (V) a proteção efetiva de uma área pode proteger muitas outras espécies que também estão presentes naquele habitat, mas as quais ainda sequer conhecemos.”

*Por Bernardo Araújo

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*Fonte: oeco

Plástico recolhido das praias vira embalagem de protetor solar

Resíduos plásticos recolhidos das praias do litoral de São Paulo são reciclados e voltam para as praias, mas desta vez em forma de embalagens de protetor solar. Este é o objetivo do projeto Seaside, uma frente da área de Pesquisa & Desenvolvimento do Grupo Boticário.

Em parceria com cooperativas de catadores de material reciclável das cidades do Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente, no litoral sul de São Paulo, o projeto já recolheu 265 toneladas de plástico que vão ser processadas, transformadas em resina e darão origem a protetores solares e outros itens do portfólio do Grupo Boticário. A Globalpet, é outra parceira do projeto e realiza a captação junto às cooperativas.
Embalagem de protetor solar fabricada com plástico recolhido nas praias de SP. Foto: Divulgação

Com foco em sustentabilidade, economia circular, redução do impacto ambiental e social, o Seaside vai beneficiar 316 famílias de trabalhadores de cooperativas de sete cidades litorâneas paulistas

“O trabalho com reciclagem é fundamental também para a preservação ambiental e com este projeto aliamos a necessidade de limpeza das praias à ajuda a famílias e cooperativas que vivem dessa coleta. Todos saem ganhando”, conta Daniele Medeiros, pesquisadora do Grupo Boticário responsável pelo projeto.

Há mais de 10 anos a empresa mantém em todas as lojas uma área de coleta de embalagens vazias que também recebem a destinação correta para a reciclagem. Chamado “Boti Recicla”, o projeto incentiva consumidores a darem um destino correto aos seus produtos.

*Por Natasha Olsen
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*Fonte: ciclovivo

Futuro do planeta Terra está mais ameaçado do que se imagina

As próximas décadas serão complicadas para o planeta Terra, que vem aguardando desastres provocados pelas mudanças climáticas já anunciados há um bom tempo. Agora, de acordo com um novo estudo, a situação está ainda pior do que imaginamos.

O grupo de 17 pesquisadores da Austrália, Estados Unidos e México descreve no estudo, citando mais de 150 outras pesquisas, três grandes crises que vão ameaçar a vida na Terra nos próximos anos: distúrbios climáticos, redução da biodiversidade e consumo humano excessivo, além do aumento excessivo da população.

De acordo com o estudo, desde o início da agricultura, há 11 mil anos, a Terra já perdeu cerca de 50% de suas plantas terrestres e aproximadamente 20% da sua biodiversidade animal. Se a tendência continuar, pelo menos um milhão de espécies de plantas e de animais serão extintas em um futuro próximo.

Com a redução da biodiversidade, os principais ecossistemas do planeta serão prejudicados, existindo menos insetos para polinizar as plantas, sobrando poucas para fazer a filtragem do ar, água e solo, e consequentemente resultando em poucas florestas que protegeriam os humanos de enchentes e outros desastres naturais.

Devido às alterações climáticas, esses desastres naturais virão com ainda mais força e frequência até o ano de 2050, elevando o nível do mar e forçando pessoas de diversos países a se tornarem refugiadas, o que vai colocar mais vidas em risco e ainda provocar uma disrupção da sociedade. A estimativa é que, dentro deste prazo, a população chegue a 9,9 bilhões, aumentando a cada vez mais ao longo do século.

A superpopulação e a migração irão trazer problemas sociais graves, como instabilidade de moradia e alimentação, aumento do desemprego e desigualdade social. Além disso, quanto mais os humanos invadirem as áreas selvagens, maiores as chances de surgirem novas doenças zoonóticas, que podem ser mortais.

Os pesquisadores afirmam, no entanto, que não está garantido que os desastres vão acontecer, mas, para evitá-los, será preciso que líderes mundiais comecem a enfrentar as ameaças com mais seriedade. Então, assim que eles aceitarem a gravidade do que espera a humanidade, poderão começar a aplicar medidas de conservação do planeta.

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*Fonte: canaltech

25% das espécies de abelhas conhecidas não aparecem em registros públicos desde a década de 1990

Pesquisadores do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) na Argentina descobriram que, desde a década de 1990, até 25% das espécies de abelhas relatadas não estão mais sendo encontradas em registros globais, apesar de um grande aumento no número de registros disponíveis. Embora isso não signifique que essas espécies estejam todas extintas, pode indicar que essas espécies se tornaram raras o suficiente para que ninguém as esteja observando na natureza.

Os resultados foram publicados na revista One Earth.

“Com a ciência cidadã e a capacidade de compartilhar dados, os registros estão aumentando exponencialmente, mas o número de espécies relatadas nesses registros está diminuindo”, diz o primeiro autor Eduardo Zattara, biólogo do Grupo de Ecologia da Polinização do Instituto de Pesquisa em Biodiversidade e Meio Ambiente (CONICET-Universidad Nacional del Comahue). “Ainda não é um cataclismo de abelhas, mas o que podemos dizer é que as abelhas selvagens não estão exatamente prosperando.”

Embora existam muitos estudos sobre o declínio das populações de abelhas, eles geralmente se concentram em uma área específica ou um tipo específico de abelha. Esses pesquisadores estavam interessados ​​em identificar tendências globais mais gerais na diversidade das abelhas.

“Descobrir quais espécies estão vivendo onde e como cada população está usando conjuntos de dados agregados complexos pode ser muito confuso”, diz Zattara. “Queríamos fazer uma pergunta mais simples: quais espécies foram registradas, em qualquer lugar do mundo, em um determinado período?”

Para encontrar a resposta, os pesquisadores mergulharam no Global Biodiversity Information Facility (GBIF), uma rede internacional de bancos de dados que contém registros de mais de três séculos de museus, universidades e cidadãos particulares, contabilizando mais de 20.000 espécies de abelhas conhecidas de em todo o mundo.

Além de descobrir que um quarto do total de espécies de abelhas não está mais sendo registrado, os pesquisadores observaram que esse declínio não está uniformemente distribuído entre as famílias de abelhas. Os registros de abelhas halictid – a segunda família mais comum – diminuíram 17% desde a década de 1990. Aqueles para Melittidae – uma família muito mais rara – caíram até 41%.

“É importante lembrar que ‘abelha’ não significa apenas abelhas, embora as abelhas sejam as espécies mais cultivadas”, diz Zattara. “A pegada de nossa sociedade também afeta as abelhas selvagens, que fornecem serviços ecossistêmicos dos quais dependemos.”

Embora este estudo forneça um olhar mais atento sobre o status global da diversidade das abelhas, é uma análise muito geral para fazer quaisquer afirmações sobre o status atual das espécies individuais.

“Não se trata realmente de quão certos os números estão aqui. É mais sobre a tendência”, diz Zattara. “Trata-se de confirmar que o que está acontecendo localmente está acontecendo globalmente. E também, sobre o fato de que muito mais certeza será alcançada à medida que mais dados forem compartilhados com bancos de dados públicos.”

No entanto, os pesquisadores alertam que esse tipo de certeza pode não chegar até que seja tarde demais para reverter o declínio. Pior ainda, pode não ser possível.

“Algo está acontecendo com as abelhas e algo precisa ser feito. Não podemos esperar até termos certeza absoluta porque raramente chegamos lá nas ciências naturais”, diz Zattara. “O próximo passo é estimular os legisladores a agir enquanto ainda temos tempo. As abelhas não podem esperar.”

*Por Ademilson Ramos

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*Fonte: engenhariae

Biodiversidade de aves e índices de felicidade humana estão ligados

Quanto maior a biodiversidade de pássaros, mais felizes são as pessoas nesta região. Esta é a conclusão de uma estudo publicado pelo German Center for Integrative Biodiversity Research. Os cientistas mostram que a conservação da natureza é tão importante para o bem estar das pessoas quanto a segurança financeira.

O estudo foi publicado na Ecological Economics (Economia Ecológica, em português) e, com dados de moradores de cidades europeias, determinou que os índices de felicidade estão relacionado a um número mínimo de espécies de pássaros.

“De acordo com nossas informações, os europeus mais felizes são justamente os que tem contato com um número maior de espécies de pássaros na sua rotina diária, ou aqueles que vivem perto de áreas verdes que abrigam muitas destas espécies”, explica o Dr. Joel Methorst, da Universidade Goethe, em Frankfurt, que liderou o estudo.

De acordo com os cientistas, estar Cercado de 14 espécies de pássaros tem o mesmo efeito no bem estar das pessoas do que uma aumento mensal de US$ 150.

Mais de 26 mil pessoas foram entrevistadas para a pesquisa. Foram usados dados da pesquisa sobre qualidade de vida realizada em 2021, European Quality of Life Survey, para explorar a conexão entre a diversidade de espécies no entorno de casas, bairros e cidades, e como esta informação está relacionada com índices de satisfação.

Os autores afirmam que os pássaros são um dos melhores indicadores de biodiversidade nas mais diversas áreas, porque estes animais podem ser vistos e ouvidos nos seus ambientes naturais, mas também em centros urbanos. No entanto, uma variedade maior de pássaros é encontrada em áreas verdes mais conservadas, regiões afastadas ou próximo de cursos de água.

Nos Estados Unidos, a observação de pássaros se tornou um hobby mais comum neste ano de pandemia. Apesar de não ser uma atividade nova, ela vem atraindo cada vez mais pessoas. Milhares de observadores de pássaros, entre experts e amadores, participaram de uma atividade anual de 3 semanas em Nova Iorque que reúne amantes da natureza para uma contagem de pássaros em áreas específicas, divididas por grupos.

“Conservar a natureza não garante apenas as nossas necessidades básicas para uma vida saudável, é um investimento no bem estar de todos.”

*Por Natasha Olsen

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*Fonte: ciclovivo

97% das garrafas plásticas da Noruega são recicladas por causa do programa ambiental do país

O programa de reciclagem radical da Noruega está fornecendo resultados inacreditáveis: até 97% das garrafas plásticas do país são recicladas.

O sucesso do plano ambiental é graças aos impostos ambientais do governo norueguês, que recompensam as empresas que são ambientalmente amigáveis. Desde 2014, todos os produtores e importadores de plásticos estão sujeitos a uma taxa ambiental de cerca de 40 centavos por garrafa. No entanto, quanto mais a empresa reciclar, menor o imposto. Se a empresa conseguiu reciclar mais de 95% de seu plástico, o imposto é descartado.

Os clientes também pagam uma pequena “hipoteca” em cada produto engarrafado que compram. Para recuperar seu dinheiro, eles precisam depositar suas garrafas usadas em uma das 3.700 “máquinas hipotecárias” encontradas em supermercados e lojas de conveniência em todo o país, que lê o código de barras, registra a garrafa e devolve um cupom.

O esquema é liderado pela Infinitum, uma organização sem fins lucrativos de propriedade das empresas e organizações da indústria de bebidas que produzem plástico. Qualquer importador internacional que registre um produto plástico para venda na Noruega deve assinar um contrato com a Infinitum e entrar para a cooperativa.

Programas semelhantes existem na Alemanha e em vários estados americanos, como a Califórnia, mas a Noruega afirma que seu sistema é o mais sintonizado com a escala da epidemia plástica do século XXI. Em 2017, a Infinitum coletou mais de 591 milhões de garrafas plásticas. Kjell Olav Meldrum, CEO da Infinitum, disse ao The Guardian em 2018 que o sistema é tão eficaz que muitas garrafas agora em circulação em todo o país possui material que já foi reciclado mais de 50 vezes.

“Nós somos o sistema mais eficiente do mundo”, disse à Positive News Sten Nerland, diretor de logística e operações da Infinitum. “Como uma empresa ambiental, você pode pensar que devemos tentar evitar o plástico, mas se você o tratar de forma eficaz e reciclá-lo, o plástico é um dos melhores produtos para usar: leve, maleável e barato.”

Enquanto isso, a epidemia do plástico continua. Por ano, cerca de 8 milhões de toneladas de plástico entram nos oceanos. Em 2050, se as tendências atuais continuarem, estima-se que o lixo plástico no oceano será que maior que o número de peixes.

Como o modelo norueguês mostra claramente, nem toda a esperança está perdida.

Nos últimos anos, vários países enviaram representantes ao Infinitum na esperança de aprender com o modelo norueguês, incluindo Escócia, Inglaterra, China, Índia, Cazaquistão, Croácia, França, Holanda, Austrália e Estados Unidos. O Reino Unido, por exemplo, procurou definir um esquema semelhante que recompensará os consumidores pela reciclagem de embalagens.

*Por Giovane Almeida
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*Fonte: ciencianautas

Canadá anuncia compromisso de emissões zero até 2050

O Canadá acaba de se juntar a um número crescente de grandes economias, incluindo Japão e Coréia do Sul, que se comprometem a atingir emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até 2050. A notícia foi dada pelo governo liberal de Justin Trudeau a partir da introdução de uma nova lei que ainda precisa ser aprovada no legislativo.

O anúncio canadense segue de perto uma tendência global. O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu que o país será zero líquido até 2050, e antes a China já havia anunciado que será neutra em carbono até 2060.

Mas outros países, incluindo Nova Zelândia, Dinamarca e Reino Unido, têm uma legislação que torna obrigatórios os objetivos de redução de emissões de curto e longo prazos, enquanto a legislação canadense apresentada agora mira apenas em metas tardias.

E há outras diferenças: as emissões do Reino Unido diminuíram em 45% desde 1990 e mais acentuadamente desde que a Lei de Mudança Climática do país foi aprovada em 2008, enquanto as emissões do Canadá aumentaram em 21% no mesmo período.

Metas vazias

O Canadá tem um histórico de estabelecimento de metas ausentes. Desde o início dos anos 90, o país ainda não cumpriu uma única meta de redução de emissões. Por isso, os ambientalistas canadenses deram boas-vindas a esta nova legislação, mas apontam a falta de elementos-chave, incluindo um objetivo intermediário para 2025.

“O Canadá deu um passo significativo na quebra de seu ciclo de estabelecimento de metas climáticas vazias que não consegue cumprir, mas há muito trabalho a ser feito.” avalia Catherine Abreu, Diretora Executiva da Climate Action Network Canada.

“Em particular, há trabalho a ser feito para garantir que este projeto de lei impulsione a ambição climática canadense no curto prazo, em vez de simplesmente retroceder todo o trabalho sobre a mudança climática para décadas mais recentes.”
Catherine Abreu

“Os marcos de cinco anos do projeto de lei começam em 2030, mas é necessário que haja um marco intermediário em 2025.” avalia Marc-André Viau, Diretor de Relações Governamentais da ONG Équiterre.

“Os próximos anos são cruciais para lidar com a emergência climática e não podemos nos dar ao luxo de esperar. A prestação de contas deve começar agora, não em 2030.”
Marc-André Viau

Para Jamie Kirkpatrick, Gerente de Programas da coalizão Blue Green Canada (uma aliança de sindicatos e organizações ambientais e da sociedade civil) os canadenses precisam de um caminho mais claro para avançar. “As metas abstratas de mudança climática provaram ser ineficazes. A responsabilidade do governo precisa acontecer hoje. A legislação de responsabilidade climática deve proporcionar uma transição de baixo carbono com segurança e bons empregos para todos.”

Contradições

A atitude mista sobre o clima tem marcado a postura do Canadá nos últimos cinco anos, sob o comando do Liberal Justin Trudeau. Embora o primeiro-ministro fale repetidamente sobre a importância da ação climática, ele também tem defendido as areias petrolíferas de Alberta.

E como parte dos esforços de recuperação econômica da Covid-19, o governo prometeu destinar ao menos US$ 14,3 bilhões para apoiar os combustíveis fósseis, em comparação com US$ 7,95 milhões para a energia limpa. Mesmo antes da pandemia, de todos os países do G20, o Canadá gastou o máximo por PIB em finanças públicas aplicadas em energia fóssil.

Sophie Price, membro da Sustainabiliteens, uma rede de estudantes do ensino médio de Vancouver que exigem ação climática das autoridades, diz que o que foi apresentado pelo governo não é suficiente. “O Canadá precisa de uma meta para 2025. E não podemos nos tornar um zero líquido a menos que acabemos com o uso e a produção de combustíveis fósseis”, afirma.

“Se estamos falando sério sobre a rede zero, por que o governo canadense ainda está promovendo o gasoduto Keystone XL?.”

A jovem ativista se refere ao investimento público feito no oleoduto Keystone XL, que transportaria areias petrolíferas brutas para os Estados Unidos. Em sua primeira conversa com o presidente eleito Joe Biden, o primeiro ministro Trudeau discutiu mudança climática, mas também tratou de uma parceria para concretizar o projeto, que é alvo de fortes críticas no país.

No Canadá, entre 1990 e 2018, o setor de petróleo e gás foi a fonte de poluição de carbono que mais cresceu, em grande parte devido ao aumento da produção intensiva de areias petrolíferas com carbono. Em 2017, o petróleo e o gás foram responsáveis por 27% das emissões de gases de efeito estufa do país.

“É encorajador ver o Canadá, a China, o Japão e a Coréia do Sul que também anunciaram recentemente metas net-zero. Se entregues, elas nos dão uma chance de lidar com o pior impacto da mudança climática”, avalia Dale Marshall, gerente do Programa Climático Nacional na área de Defesa Ambiental do Canadá.

“Mas a legislação introduzida hoje infelizmente tem grandes buracos que, na melhor das hipóteses, responsabilizarão somente os futuros governos federais pelos compromissos climáticos.”
Dale Marshall

Brianne Whyte, da For Our Kids Toronto – uma rede de pais e avós que exige ação climática – também esperava mais. “Devemos a nossos filhos a melhor chance possível de um futuro habitável, mas a nova legislação não acrescenta medidas firmes de responsabilidade.”

Com o aniversário de Acordo de Paris no horizonte (12/12), dentro das próximas semanas espera-se que o Canadá faça múltiplos anúncios sobre o clima, incluindo um novo plano climático e investimentos de recuperação verde. Há ainda a possibilidade de o país anunciar uma atualização de suas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas).

*Por Natasha Olsen

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*Fonte: ciclovivo

Utensílios de bambu e bagaço da cana se decompõem em 60 dias

O bagaço da cana-de-açúcar, subproduto do processo de extração, pode ser matéria-prima para plásticos biodegradáveis. Adicionando bambu na composição, chega-se a uma combinação ecológica, eficiente e barata. É o que sugere pesquisadores da Universidade do Nordeste, nos Estados Unidos, em artigo à revista Matter.

Em laboratório, os estudiosos testaram o uso dos dois materiais para criar bandejas, copos e tigelas. O objetivo era encontrar potenciais substitutos para os descartáveis. Afinal, a comodidade de “usar e jogar fora” foi popularizada há poucas décadas, mas foi tempo suficiente para tornar-se um dos grandes desafios ambientais.
plástico de bagaço

“É difícil proibir as pessoas de usar contêineres descartáveis ​​porque são baratos e convenientes”, afirma Hongli (Julie) Zhu, professora e coautora do artigo. “Mas acredito que uma das boas soluções é usar materiais mais sustentáveis”.

De origem chinesa, Hongli afirma que a primeira vez que pisou nos Estados Unidos, em 2007, ficou chocada com a quantidade de itens plásticos descartáveis disponíveis nos supermercados. Tempos depois passou a focar seus estudos na identificação de materiais naturais e tecnologias que ajudem a reduzir nossa dependência do petróleo.

Plástico de bambu e açúcar

Hongli e seus colegas da Universidade do Nordeste moldaram recipientes enrolando fibras de bambu longas e finas com fibras curtas e grossas de bagaço de cana – formando uma rede estável. O resultado é um material forte, limpo, não tóxico, eficiente para reter líquidos e o melhor: começa a se decompor após 30 a 45 dias no solo. Em 60 dias, perde completamente sua forma.

A composição do “plástico” alternativo leva também AKD (Dímero Alquil Ceteno) – um produto químico seguro para a indústria alimentícia – para aumentar a resistência ao óleo e à água.

De acordo com os pesquisadores, o novo produto emite 97% menos CO2 do que os recipientes de plástico e 65% menos CO2 do que produtos de papel e plástico biodegradável disponíveis no mercado. Por aproveitar de resíduos, o custo também é favorável – sobretudo em comparação aos biodegradáveis. O próximo passo é baixar ainda mais para competir com os copos plásticos tradicionais.

Agora, imagine o potencial do Brasil, que é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo. Não à toa, o bagaço da cana já é estudado para diversas finalidades e esta pode ser mais uma delas.

O artigo, em inglês, você confere aqui.

*Por Marcia Sousa

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*Fonte: ciclovivo

Empresa imprime móveis personalizados usando resíduos agrícolas

Uma empresa de móveis sob demanda, customizada e ecológica está nascendo nos Estados Unidos. Trata-se da “Model No.”, uma companhia que usa resíduos agrícolas de palha de milho, cana-de-açúcar, beterraba e uma impressora 3D para fabricar móveis.

A proposta da empresa é dar a possibilidade dos consumidores adquirirem peças de mobília exatamente do tamanho que desejam. Para quem compra, a vantagem é óbvia, mas quem ganha também é o planeta, uma vez que nenhuma matéria-prima será retirada da natureza sem necessidade.

A produção sob demanda ainda aproveita subprodutos da safra de alimentos – mais uma vez trocando a extração de recursos pela utilização do que já está disponível.

Uma linha de produtos 3D lançada pela companhia inclui mesa, criado mudo e mesinha de centro. O design básico já é predefinido para cada peça, mas elas podem ser personalizadas em suas formas, dimensões e cores. A ideia também é que as peças possam ser entregues em poucas semanas, diferente do mercado de móveis planejados tradicional.

Além das resinas vegetais, a empresa também fabrica peças com madeira certificada FSC, aço e alumínio – que podem ser reciclados.

Olhando para o futuro

Para a Model No., a indústria de móveis precisa urgentemente ser repensada. “As peças são construídas com materiais que não são sustentáveis ou ecológicos. O processo de fabricação é um desperdício, desde o impacto ambiental negativo da manufatura em massa até o excesso de estoque não vendido feito de materiais que não são biodegradáveis”, afirma a companhia. Nesta lacuna, ela surge para abrir os caminhos.

A próxima meta, já em fase de desenvolvimento, é permitir que cada móvel possa ser retornado para a companhia após o fim de sua vida útil. Cada produto devolvido pelo cliente poderá ser transformado em algo novo. Aliás, não é à toa, que todas as peças são numeradas, pois cada uma delas é única.

Comprar móveis sob medida é a melhor forma de aproveitar cada espacinho do lar, sobretudo para quem mora em apartamentos pequenos. Mas, hoje ter móveis planejados é uma escolha onerosa. O que pode mudar, se o futuro da mobília for mais consciente. Este é o “novo normal” possível.

*Por Marcia Sousa

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*Fonte: ciclovivo

Paul McCartney lança clipe inédito em apoio à luta pelo clima

O legendário músico Paul McCartney acaba de lançar um novo clipe para a música Wine Dark Open Sea. A ação é uma parceria com a ONG Surfistas pelo Clima (Surfers For Climate) e vídeo foi elaborado pelo premiado cineasta de surf Jack McCoy.

O novo clipe de Wine Dark Open Sea apresenta a ex-campeã surfista e co-fundadora da Surfers For Climate, Belinda Baggs. McCoy diz que o vídeo leva os espectadores em uma viagem e apela para que eles abram seus corações para o oceano.

“Estou entusiasmado por apoiar Surfers For Climate. O trabalho deles é algo que realmente me atrai, pois todos nós temos a responsabilidade de fazer nossa parte e esta é uma ótima maneira de reunir pessoas com uma paixão compartilhada pelos mares e oceanos de todo o mundo por uma ação climática positiva”.

Paul McCartney

“É uma honra trabalhar novamente com o artista mais influente do mundo moderno e tê-lo apoiando uma causa tão grande para aumentar a consciência sobre a importância de agir agora na luta contra a mudança climática”, diz McCoy. “É nosso dever proteger nosso meio ambiente e limitar o impacto que fazemos como seres humanos”.

McCartney e McCoy já trabalharam juntos no passado, na criação do clipe da música Blue Sway, que ganhou vários ‘Best Music Video Awards’ nos principais festivais de cinema ao redor do mundo.

Conexão pelos oceanos

“As filmagens impressionantes da longboarder Belinda Baggs e sua dança na água são um poderoso lembrete de como nossos oceanos são incríveis e que eles precisam de nossa ajuda para protegê-los e preservar suas maravilhas para as gerações vindouras”, diz McCartney.

“Acreditamos que as pessoas se conectarão com o vídeo para fazer um esforço consciente para apoiar nossa luta contra a mudança climática”, diz Baggs.

É possível ver a estreia do vídeo no Epicentre.tv com uma doação de US$ 5 dólares que serão destinados a duas organizações parceiras: Surfrider Foundation Australia e Seed Mob.

Um aperitivo do vídeo de Wine Dark Open Sea pode ser conferido aqui.

“Para os surfistas, o oceano é vida. A mudança climática, alimentada por combustíveis fósseis, ameaça o modo de vida de todos. Nosso objetivo é simples, queremos passar um oceano saudável para as gerações vindouras”.
Belinda Baggs

Surfistas pelo clima

Surfers for Climate é uma instituição de caridade australiana que promove alianças com cientistas climáticos, ativistas, comunidades surfistas em todo o mundo e outros grupos ambientais, incluindo Climate Council, Surfrider Australia, Seed, Sea Trees, Sea Shepherd, Surfers Against Sewage and Plastic Pollution Coalition.

Os objetivos da ONG são:

Fornecer ferramentas e idéias para que os surfistas reduzam suas próprias emissões e restabeleçam ecossistemas locais;
Criar um núcleo para discutir as ameaças costeiras e gerar soluções;
Enfrentar novos desenvolvimentos de carvão, petróleo e gás.

Embalagem de ovos pode ser plantada após uso

Uma pesquisa do Ibope, divulgada em junho de 2018, revelou que quatro em cada 10 brasileiros não separam o lixo orgânico do reciclável. Mas o índice mais desesperador está na gestão: somente 3% de todo o lixo produzido no Brasil é reciclado. Diante destes fatos, além de cobrar melhorias dos munícipios, é preciso reduzir a geração de resíduos e optar, sempre que possível, pela compra de materiais menos impactantes ambientalmente. Neste sentido, o designer grego George Bosnas propõe uma embalagem plantável para embalar os ovos.

Batizada de Biopack, a caixa de ovos tem o formato mais arredondado do que as embalagens comuns. Ela é feita com pasta de papel, farinha, amido e sementes de leguminosas. Após usar os ovos, o consumidor rega (ou pode plantar em um vaso) e, em cerca de 30 dias, as primeiras sementes são germinadas. Zero complicações. O interessante é que, apesar de não ser uma novidade, ainda não se vê o uso industrial de papel semente em grande escala.

A escolha por sementes de leguminosas é fruto de sua pesquisa onde o designer descobriu que o cultivo de leguminosas aumenta a fertilidade do solo devido à sua capacidade de fixar o nitrogênio atmosférico através do nódulo da raiz.

Trata-se de uma solução simples. Tão simples que até pode fazer alguém se perguntar: por que ninguém pensou nisso antes? Não é à toa que ele se concentra em resolver problemas cotidianos com um toque estético. Pelo desenvolvimento do produto, George venceu um concurso de design circular.

*Por Marcia Sousa

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*Fonte: ciclovivo

Zepelin solar poderia fazer transporte mais sustentável de cargas

As imagens de Zepelins remetem ao passado distante e, muito provavelmente, as novas gerações nem saibam o que eram os dirigíveis que cruzavam os céus. Mas, os ingleses da Varialift Airships apostam em um zepelin movido a energia solar como alternativa para o transporte mais sustentável de cargas.

A empresa está desenvolvendo este projeto e, segundo o diretor geral da companhia, Alan Handley, a aeronave poderá fazer viagens entre a Inglaterra e os Estados Unidos consumindo apenas 8% do combustível usado por uma avião comum.

O Zepelin terá a propulsão de um par de motores solares e dois motores convencionais e pode ser usado para o transporte internacional de cargas com baixas emissões.

A ausência de uma bateria limitaria as viagens ao período diurno e a velocidade seria aproximadamente a metade da que atinge um Boeing 747. Mas, para o transporte de mercadorias, o dirigível pode ser uma boa opção. Segundo a empresa, a aeronave será capaz de transportar até 250 toneladas, mas já existe um projeto para desenvolver modelos maiores com capacidade de carga de 3 mil toneladas.

Ainda segundo os fabricantes, é possível realizar o transporte de cargas mais volumosas na parte de baixo, usando cabos. OU seja, haveria um limite de peso, mas não um limite de tamanho para os itens transportados.

O fato das decolagens e pousos de dirigíveis serem mais similares aos de um balão do que de um avião, também pode ser um atrativo, já que dispensa pistas de aeroportos para deixar e voltar ao solo e chegaria a locais menos acessíveis.

A Varialift ainda não começou a construir o modelo definitivo, mas já começou a construir o primeiro protótipo de 140 metros de comprimento, 26 metros de largura e 26 metros de altura – a previsão é que o protótipo do zepelim solar seja finalizado em 9 meses.

*Por Natasha Olsen

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*Fonte: ciclovivo

As piores previsões da mudança climática estão se concretizando neste instante

As camadas congeladas da Antartica e Groelândia, que poderiam elevar o oceano mais 65 metros caso derretessem completamente, acompanham os piores cenários previstos pela ONU da elevação do nível do mar, afirmaram cientistas na segunda-feira, alertando sobre as falhas nos atuais modelos do aquecimento global.

O artigo científico publicado na revista Nature Climate Change informa que o derretimento acompanhou as piores previsões — de derretimento mais extremo das duas camadas de gelo — entre 2007 e 2017 o que levará ao aumento de 40 centímetros no nível do mar até 2100.

Disparidade

A perda de gelo constatada reflete aproximadamente três vezes as previsões médias do maior relatório recente do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) de 2014.

Há uma grande disparidade entre as previsões do IPCC e a realidade observada.

“Precisamos descobrir a um novo “pior cenário” para os mantos de gelo, porque eles já estão derretendo a uma taxa que condiz com o nosso atual. As projeções do nível do mar são essenciais para ajudar os governos a planejarem políticas climáticas, estratégias de mitigação e adaptação”, afirmou o autor principal do estudo, Thomas Slater, para a AFP. Slater é pesquisador do Centro de Observação e Modelagem Polar da Universidade de Leeds, na Inglaterra.

“Se subestimarmos o aumento futuro do nível do mar, essas medidas podem ser inadequadas e deixar as comunidades costeiras vulneráveis.”
Thomas Slater

O imenso custo da elevação do oceano

A capacidade destrutiva das tempestades aumentará drasticamente nas regiões costeiras, em que centenas de milhões de pessoas hoje vivem, por causa de tal aumento no nível do mar.

Mais de U$ 70 bilhões em gastos seriam necessários para proteger áreas costeiras com um metro do aumento do mar.

Modelos climáticos são complicados e pode haver vários motivos que expliquem porque as previsões da ONU erraram.

Segundo Slater precisamos entender melhor estes fatores para ajustar os modelos e fazer previsões mais precisas do aumento do nível do mar.

Até poucas décadas atrás os mantos de gelo da Antártica e da Groelândia perdiam a mesma quantidade de gelo que recebiam em forma de neve, mas o aumento gradual nas temperaturas quebrou esse equilíbrio.

Em 2019 a Groenlândia derreteu 532 bilhões de toneladas de gelo devido ao um verão extremamente quente o que causou 40% da elevação do oceano do ano todo.

De acordo com o cientista o próximo grande relatório do IPCC, que deve ser publicado em 2021, está sendo elaborado através de modelos que refletirão melhor o comportamento da atmosfera, mantos de gelo e mares; levando a previsões mais precisas.

*Por Marcelo Ribeiro

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*Fonte: hypescience

Árvores conseguem absorver mais da metade da poluição do ar

Pesquisadores da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, realizaram experiências para comprovar a eficiência das árvores em retirar a poluição do ar, e constataram que as folhas conseguem absorver mais da metade do material particulado presente na atmosfera, principal responsável pela poluição do ar nos grandes centros urbanos.

O experimento foi realizado numa movimentada avenida de Lancaster, sem árvores e nem canteiros verdes. Durante cinco dias, a equipe rastreou os níveis de poeira e material particulado que se acumulavam nas residências e estabelecimentos do local, e a quantidade coletada foi analisada posteriormente. Também foram utilizados lenços umedecidos para retirar a poeira de telas LED e outros equipamentos do interior das residências.

Depois do primeiro período de testes, os pesquisadores colocaram árvores e plantas na fachada de algumas das construções, formando uma barreira, que ficou no local por 13 dias. Logo após este segundo experimento, os resultados mostraram que as árvores reduziram entre 52% e até 65% da concentração de material particulado na frente das residências e estabelecimentos.

Coordenado pela pesquisadora Barbara A. Maher, o estudo contou com uma série de exames realizados com um microscópio eletrônico, o qual confirmou que as folhas retiveram, em suas estruturas, boa parte das partículas de poluição, emitidas pela queima de combustíveis e pelo desgaste dos freios no trânsito.

Não é novidade que as árvores exercem papel fundamental na captura de poluição da atmosfera, mas a pesquisa trouxe animadores resultados, já que comprovou que os vegetais também podem eliminar os metais presentes no ar contaminado – como o chumbo e o ferro.

Além disso, a comprovada captura das partículas de poluição eleva o padrão de saúde da população da zona urbana, uma vez que, quanto menor a concentração de material particulado na atmosfera, também diminuem-se os riscos de doenças cardiorrespiratórias, do estresse e da ansiedade.

*Por Mayra Rosa

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*Fonte: ciclovivo

Sistema transforma plástico do oceano em combustível

Todos os anos milhões de toneladas de resíduos plásticos entram nos oceanos. Se nada for feito, até 2050 a quantidade de plástico pode ser maior do que a de peixes, segundo a Fundação Ellen MacArthur. Para a startup alemã Biofabrik, a solução está em reaproveitar o lixo marinho para a produção de combustível.

Com a Biofabrik, um quilograma de lixo plástico vira um litro de combustível e cada litro de combustível fornece cerca de 3,5 kWh de energia elétrica. Isso é possível graças ao processo de pirólise, ou seja, na decomposição por meio do calor. Os compostos de hidrocarbonetos dos resíduos plásticos são quebrados por altas temperaturas com a exclusão de oxigênio. O resultado do processo é um plástico transformado em líquido ou gasoso, que pode ser usado no motor marítimo. Também o combustível em geradores ou turbinas pode ser convertido em energia elétrica.

Biofabrik

O sistema de pirólise plástica da startup foi batizado de “WASTX”. A técnica passou por seis anos de desenvolvimento para chegar à versão atual, mas, para chegar até aqui, diferentes reatores foram testados e descartados, sendo o manuseio de plásticos não puros, comuns no gerenciamento de resíduos, o maior desafio encontrado. Hoje, a Biofabrik, que é totalmente automatizada, afirma que é capaz de reciclar tipos de plásticos que antes não eram possíveis.

A fábrica compacta está localizada na cidade de Dresden, capital do estado da Saxónia, às margens do rio Elba, e deve começar a produção em breve. “Estamos orgulhosos de ter chegado a este ponto depois de mais de seis anos de desenvolvimento. Nosso objetivo foi desenvolver uma solução rentável para o problema dos resíduos plásticos que pode ser implantada remotamente”, afirma Oliver Riedel, fundador da startup. O próximo passo é processar até uma tonelada de resíduos plásticos por dia.

*Por Marcia Sousa

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*Fonte: ciclovivo

Países podem ser 100% alimentados por energia limpa, segundo IRENA

Segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), é possível alcançar um setor elétrico mundial movido apenas por fontes de energia renováveis.

Para isso, a instituição lista dezenas de inovações e políticas que os países devem adotar para direcionar as suas matrizes elétricas longe dos combustíveis fósseis.

Como exemplos de sucesso, são citados casos de países ocidentais que já obtém toda ou boa parte da sua energia por fontes limpas, como a Islândia (100%) e o Reino Unido (33%).

“A energia renovável é agora tão competitiva que em muitas regiões é a opção preferida para geração de eletricidade”, informa Francisco Boshell, analista de padrões e mercados de energia renovável na IRENA.

E é exatamente nos preços que se encontra um dos principais fatores para a expansão das tecnologias de energia limpa, como o painel solar.

De acordo com a IRENA, os custos da energia solar fotovoltaica e eólica costeira, líderes mundiais das renováveis, caíram 82% e 39%, respectivamente, desde 2010.

No entanto, a intermitência dessas fontes é um dos obstáculos que os países precisam solucionar para que possam aumentar a sua dependência nessas tecnologias.

“Ainda há um grande desafio: a integração dos sistemas de energia renovável variável. Isso requer muita inovação para desbloquear o que é chamado de flexibilidade” disse Boshell.

Cerca de 30 inovações tecnológicas existentes e políticas de incentivo foram citadas pela IRENA como capazes de permitir a transição global para longe dos combustíveis fósseis.

Como ressalta a agência, isso é imprescindível para reduzir as emissões de carbono que estão ligadas ao aquecimento global e padrões climáticos mais extremos, como furacões e secas.

A principal inovação apontada são as baterias de armazenamento de grande escala, que permitem aos operadores da rede elétrica armazenar energia e implantá-la em épocas de alta demanda.

Segundo a IRENA, os custos dessa tecnologia caíram 85% nos últimos 10 anos.

A agência também defende o uso de algoritmos de inteligência artificial para melhor prever a demanda e geração, bem como otimizar as funções de grandes redes de transmissão em tempo real.

Ao mesmo tempo, espera-se que a tecnologia blockchain facilite as transações e ajude os consumidores de energia a pagar e receber pagamentos por devolver energia à rede a partir das baterias de seus veículos elétricos ou de painéis solares em seus telhados, a chamada “flexibilidade do lado da demanda”.

Para isso, a IRENA afirma serem necessárias políticas para criação de um sistema que forneça incentivos financeiros para que os consumidores devolvam energia para a rede.

“Todas essas ações terão que ser feitas com contratos inteligentes automatizados e o blockchain ajudaria nisso”, alega Boshell.

Alguns especialistas do mercado dizem que o custo de toda essa inovação pode ser alto, especialmente para os países em desenvolvimento.

Mas Boshell diz que as ações de eficiência, como a substituição de usinas de energia reserva por sistemas de armazenamento, irão incentivar as operadoras de baixo custo a entrar no mercado e manter um controle sobre a conta que os consumidores têm de pagar.

“A ideia é que não precisamos que o sistema seja mais caro”, disse Boshell. “Precisamos apenas dos incentivos certos para direcionar os fluxos de receita aos atores certos”.

*Por Ruy Fontes

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*Fonte: thegreenestpost