Europa vive onda de calor sem precedentes

Reino Unido bate recorde de temperatura; Espanha e Portugal chegam a mil mortes.

Dois aeroportos em Londres, na Inglaterra, fecharam na última segunda-feira (18) após as altas temperaturas danificarem a pista de pouso. O ocorrido é parte de uma série de acontecimentos em decorrência da forte onda de calor que atinge a Europa.

Órgãos de saúde da Espanha e Portugal apontam o calor como responsável por ao menos mil mortes. Os dois países, mais a França, estão enfrentando incêndios florestais de grandes proporções. Em algumas regiões da França, moradores e turistas tiveram que ser evacuados às pressas de residências e acampamentos.

De acordo com o presidente francês, Emmanuel Macron, o ano de 2022 já contabiliza três vezes mais área de floresta queimada em comparação com 2020.

Na Espanha, os termômetros chegaram a bater 45,7ºC. Com dados do Instituto de Saúde Carlos III, a agência de notícias Reuters informa que a onda de calor causou pelo menos 360 mortes.

Já na cidade de Lousã, em Portugal, alcançou 46,3°C na última quarta-feira (13). O Ministério da Saúde português afirma que 659 pessoas, a maioria idosas, morreram devido ao calor.

Calor no Reino Unido
De todos as regiões que mais sofrem neste momento, o Reino Unido é o que mais vem chamando atenção. O recorde de temperatura britânico era de 38,7°C – registrado em 2019 – porém, nesta terça-feira (19), os termômetros nos arredores do Aeroporto de Heathrow, em Londres, marcaram 40,2°C. É a maior temperatura da história.

Pela primeira vez na história, o serviço de meteorologia britânico (UK Met Office, em inglês) emitiu um alerta vermelho para calor excepcional. Isso significa que há um risco potencial de vida. Também pudera, a estimativa dos cientistas britânicos era de que só em 2050 o país chegaria a 40ºC no verão.

No comunicado, publicado na segunda-feira (18), o órgão britânico e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) deixam claro que o calor extremo é consequência das mudanças climáticas. O texto explica que eventos como este até podem acontecer dentro de uma variação natural climática, por causa das transformações em padrões globais de temperatura, no entanto, o aumento, frequência, duração e intensidade desses eventos, em décadas recentes, estão claramente associados ao aquecimento do planeta e à atividade humana.

A situação que teve início há uma semana está se estendendo e possivelmente atingirá novos recordes. A previsão era de que as temperaturas em Paris, capital da França, também ultrapassassem os 40ºC nesta terça-feira – o que ainda não foi confirmado.

Em mensagem gravada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que metade da humanidade já está sofrendo com inundações, secas, tempestades e incêndios florestais oriundos das condições extremas. Porém, ainda assim, “as nações continuam jogando o jogo da culpa em vez de assumir a responsabilidade por nosso futuro coletivo”, declarou.

Segundo a ONU, a área de alta pressão atualmente sobre o Reino Unido deve se mover para o centro-norte da Europa e alcançar os Bálcãs até meados da próxima semana, elevando as temperaturas também nestas regiões.

*por Marcia Sousa
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*Fonte: ciclovivo

ISLÂNDIA: Projeto de redução para 4 dias de trabalho é um sucesso

A discussão sobre os modelos de trabalho talvez nunca tenha estado tão em voga como agora. Muita gente está se questionando se há realmente a necessidade de trabalhar dos modos que fizemos até agora, com cargas exaustivas de 8 horas diárias e cumprindo jornadas específicas.

Trata-se de um movimento global, que tem envolvido vários países, a partir de um lema sobre “trabalhar menos, viver mais”. É o caso da Islândia, que está experimentando diminuir a jornada de trabalho para quatro dias na semana mantendo o salário dos empregados. E, pelo que foi constatado até agora, a experiência tem sido um “sucesso esmagador”.

Os estudos sobre a nova jornada de trabalho

Um relatório produzido pela Association for Sustainability and Democracy (Alda) e pelo think tank britânico Autonomy trouxe o resultado da análise feita entre 2015 e 2019 na Islândia, que realizou o maior projeto piloto do mundo até agora. Neste período, 2.500 pessoas (correspondendo a 1% da população do país) tiveram sua semana de trabalho reduzida para 35 ou 36 horas (ao invés das 40 horas tradicionais), sem corte em seus salários.

Segundo os pesquisadores, o que se descobriu é que a produtividade dos trabalhadores permaneceu a mesma ou até melhorou. Além disso, houve uma redução drástica de níveis de estresse nessa população e um maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

O sucesso do experimento levou que sindicatos se mobilizassem para renegociar os contratos de trabalho, e agora 86% da população ativa na Islândia deve mudar para este novo modelo.

Will Stronge, diretor de pesquisa da Autonomy, declarou à BBC: “este estudo mostra que o maior teste do mundo de uma semana de trabalho mais curta no setor público foi, sob todos os aspectos, um sucesso esmagador. Isso mostra que o setor público está maduro para ser pioneiro em reduzir as semanas de trabalho – e as lições podem ser aprendidas por outros governos”.

Experiências em outros países

Outros países também estão sinalizando a possíveis mudanças nas jornadas trabalhistas. A pandemia de covid-19, que mostrou que muito do trabalho também é possível de ser realizado em casa, pode ter acelerado este processo.

O Reino Unido acabou de lançar um projeto que visa estudar a redução da jornada de trabalho. Até o momento, 70 empresas, totalizando 3.000 funcionários, já se inscreverem para participar da pesquisa, encabeçada por cientistas das Universidades de Cambridge e Oxford e Boston College, além do think tank Autonomy e dos grupos 4 Day Week Global e 4 Day Week UK Campaign.

A Escócia planeja entrar em um modelo semelhante em 2023, quando os trabalhadores terão suas horas reduzidas em 20%, sem perda de salário. O Partido Nacional Escocês está apoiando financeiramente as empresas privadas que quiserem participar.

Na Nova Zelândia, a gigante Unilever está experimentando uma redução de 20% das horas de trabalho dos funcionários sem mudar os seus salários. Já a Alemanha, que tem a jornada semanal de trabalho mais curta da Europa (com 34,2 horas semanais), estuda a possibilidade de diminuir a carga para 4 dias, com o apoio dos sindicatos.

*Por Maura Martins
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*Fonte: megacurioso

Desfazendo a utopia escandinava: nem tudo é tão ‘cool’ como parece

Pelo mesmo motivo que subir em um avião da Norwegian Airlines dá mais confiança do que fazer o mesmo em outras companhias de baixo custo, acrescentar o adjetivo “nórdico” a qualquer coisa faz com que pareça, e se venda, melhor: estilo nórdico, design nórdico, sujeito nórdico. O jornalista britânico Michael Booth, como qualquer outro ocidental, estava ciente dessa boa reputação quase universal de todo o escandinavo, mas tinha mais conhecimento de causa que a média. Casado com uma dinamarquesa, viveu durante quase duas décadas no país da família de sua mulher, com o qual tem uma relação de amor e ódio – na qual o ódio pesa um pouquinho mais que o amor. Esse foi seu ponto de partida para escrever Almost Nearly Perfect People (Gente Quase Perfeita), um ensaio muito premiado e polêmico, um livro em que se propôs destruir com machadadas vikings “o mito da utopia escandinava”.

Para isso fez uma ampla pesquisa de campo. Viajou pela Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia e Islândia, se reuniu com antropólogos, filósofos, jornalistas e pescadores, torrou os genitais em uma sauna finlandesa, se inscreveu em um acampamento de canto coral para adultos – os dinamarqueses são doidos para cantar em corais – e bebeu muitas latas de cerveja gasosa demais.

Durante alguns anos, Booth convenceu sua mulher e seus dois filhos a viverem no Reino Unido, mas voltaram para a Dinamarca há coisa de quatro anos, quando a febre nórdica havia alcançado seu pico. O sucesso de Stieg Larsson e Henning Mankel tinha aberto as portas do mercado editorial a qualquer autor de romance policial com domicílio fiscal ao norte da Alemanha. As séries The Killing, The Bridge e Borgen triunfavam na televisão. Lars von Trier e Thomas Vinterberg encontravam sucessores em Susanne Bier e Nicolas Winding Refn nos festivais de cinema. Arquitetos dinamarqueses como Bjarke Ingels eram requisitados para grandes obras internacionais, Olafur Eliasson iluminava a Turbine Hall da Tate Modern, Rene Redzepi, do restaurante Noma, de Copenhague, era coroado o melhor chef do mundo na capa da Time, Skype e Spotify se consolidavam e, claro IKEA e H&M uniformizavam nossas vidas. No final das contas, se alguém quer distinguir-se um pouco, sempre tem COS, &Other Stories ou Ganni. Este site mesmo nos alertou várias vezes que as escandinavas estão entre as mulheres mais estilosas do mundo.

No tempo transcorrido, a febre nórdica não diminuiu o mínimo que fosse. Todos, absolutamente, todos os hits do pop norte-americano continuam sendo fabricados em estúdios da Suécia, pelas mãos de superprodutores como Max Martin. Além disso, no último inverno europeu ficaram na moda os livros sobre o hygge, o conceito dinamarquês de bem-estar à base de unir-se aos seres queridos e adotar pequenos gestos domésticos. The Book of Hygge: The Danish Art of Living Well (O Livro do Hygge: A Arte Dinamarquesa de Viver Bem), de Louisa Thomsen Brits. El Secreto de los Daneses, de Louisa Thomsen Brits e Meik Wiking, nada menos que o diretor do Instituto da Felicidade, de Copenhague, assina Hygge. O famoso hygge é um dos cavalos de batalha de Booth em Almost Nearly Perfect People, onde faz um retrato com humor, como um inglês cínico que não consegue entender a ingenuidade nórdica. Segundo Booth, a glorificação dos prazeres simples conduz à “satisfação autocomplacente, cômoda e pequeno burguesa” e atua como mordaça social. Além disso, tanta insistência no recolhimento em comunidade tem um aspecto xenófobo.

O Antropólogo Jeppe Trolle Linnet concorda que “o hygge atua como veículo para o controle social, estabelece sua própria hierarquia de atitudes e resulta em uma estereotipação negativa dos grupos sociais percebidos como incapazes de criar hygge”. Booth traduz isso assim: “A inferência consiste em que, como só os dinamarqueses conhecem realmente a maneira de passar um tempo huggelig, sentem pena dos pobres estrangeiros com seus pretensiosos coquetéis, com seus jantares onde se chega a discutir com veemência e com suas festas e planos sofisticados”. Ele aprendeu, depois de ficar mal em dezenas de reuniões sociais (sua explicação do complicado calendário de feriados dinamarqueses também tem profundidade), que a zona de conforto dos nórdicos em uma festa passa pelo consenso: “Preferem se conter em grande medida a falar sobre a vida e o milagres de onde se comprou certa garrafa de vinho, o pouco que custou e se a que estão bebendo agora é melhor que a anterior”.

Na realidade, há um motivo pelo qual os países do Norte – Booth admite que usa “nórdicos” e “escandinavos” como sinônimos embora não sejam: tecnicamente nem os finlandeses nem os islandeses são “scandi” – costumam encabeçar as listas de países mais felizes do mundo. E não tem tanto a ver com as velas aromáticas e os bolos de açafrão feitos no forno de casa, mas com a democracia e o sistema tributário que produziu o milagre nórdico nos anos sessenta. Aí o autor passa a expor suas tendências neoliberais (reconhece que crescer na Inglaterra de Thatcher pode tê-lo estragado para sempre) quando afirma que, no seu entender, alargar tanto a base da classe média, mais a tendência cultural de “não se destacar”, desativou a excelência e gerou trabalhadores pouco produtivos.

O país da família de sua mulher, acrescenta, tem um segredo mais obscuro que “o que fez o tio-avô Olof na guerra”: sua dívida privada. “Os dinamarqueses devem, em média, 310% de sua renda anual, mais que o dobro do que devem os portugueses ou os espanhóis, e o quádruplo dos italianos”, afirma o autor de Almost Nearly Perfect People. Ora, e isso com os laboriosos vikings.

Em sua viagens, Booth se dedica a olhar debaixo dos tapetes e apontar o isolacionismo norueguês que beira, segundo ele, o ultranacionalismo, o sisu finlandês (o espírito de resistência e virilidade, que, na realidade, ele traduz como machismo puro e duro) e o lagom sueco, a obsessão por ser moderado, razoável e modesto de tal modo que a mediocridade é a única coisa aceitável, assim como o racismo e o alcoolismo em diferentes partes da região. Claro, ele cruza com pessoas maravilhosas que o convidam para comer arenques e caranguejos e se detém em reconhecer os pequenos milagres da vida nórdica, como o fato de que (isto não é um mito) persigam você para entregar a sua carteira se ela cair ou que deixem os bebês nos terraços das cafeterias sem medo algum de que algo de ruim lhes aconteça. Almost Nearly Perfect People não evitará que a mídia do resto da Europa continue emitindo com periodicidade também nórdica reportagens sobre o modelo educacional finlandês ou publicando artigos sobre as invejáveis licenças paternidade dos suecos. Diante de tudo, o importante é não reagir a esse material, nem ao próprio livro de Booth, à maneira de Ana Rosa Qintana, que depois da transmissão de Salvados, em Helsinque, tuitou:

“Tremenda a educação na Finlândia, mas, e o frio e os suicídios, e não poder se sentar para comer uns petiscos e tomar umas cervejas?”

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*Fonte: elpais

Dinamarca – o primeiro país que, por lei, só terá agricultura orgânica

A Dinamarca está se preparando para ter uma agricultura totalmente sustentável. Este é um dos projetos que o atual governo tem intenção de por em prática a de transformar a agricultura dinamarquesa em 100% orgânica.

A primeira meta, a ser alcançada até 2020 é a de se duplicar a quantidade atual de terra cultivada organicamente. Atualmente, a Dinamarca já é o país com maior desenvolvimento e amplitude do comércio de produtos orgânicos. E em 2015 pretende investir mais de 53 milhões de euros para ampliar a agricultura biológica.

A agricultura biológica na Dinamarca está à frente de seu tempo. São já quase 25 anos de existência e aplicação de leis sérias de proteção à natureza, às águas, ao uso de defensivos e outros produtos agrícolas, sendo que 97% da população conhece o seu significado e importância. É um verdadeiro recorde, assim como o fato de que a despesa total de alimentos do país é composta por 8% apenas de produtos certificados. E desde 2007, a exportação de produtos orgânicos na Dinamarca aumentou em 200%.

Com essa ótica, a Dinamarca hoje se propõe trabalhar em duas frentes diferentes: uma delas visa aumentar a quantidade de terras agrícolas que usem agricultura biológica e o outro, estimular uma maior demanda para os produtos de origem comprovadamente orgânica e sustentável.
Assim, serão privilegiados os produtores que quiserem investir na conversão de suas terras, da agricultura convencional para a orgânica e biodinâmica e os projetos que visem o desenvolvimento de novas tecnologias para a promoção da sustentabilidade no campo.
Neste contexto já está em marcha, nas prefeituras locais, a ocupação de áreas antes baldias, com produção de hortaliças sazonais, de forma orgânica.

Como primeiro objetivo, o país pretende oferecer às escolas, cantinas e hospitais, até um 60% de alimentos de origem orgânica. Atualmente essas instituições públicas nacionais servem 800 mil refeições por dia. A mesma política, de servir só refeições de origem orgânica, já está sendo ampliada para os ministérios dinamarqueses em suas cantinas.

Na educação já está sendo prevista uma reforma do sistema atual para incluir cursos de nutrição, alimentação saudável e agricultura natural.

Em suma, o país inteiro, com todas suas instituições, marcha junto para transformar-se em uma região livre de agrotóxicos, onde a alimentação saudável é assunto de estado.Um bom exemplo, desde que a realidade no campo não seja “apagada” pela propaganda enganosa da indústria alimentícia.

*Fonte: Greenme