Cientistas enviam sementes ao espaço em experimento inédito para obter cultivos mais resistentes às mudanças climáticas

Duas agências da ONU – a Aiea, Agência Internacional de Energia Atômica, e a FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura – se uniram para uma iniciativa inédita em todo o mundo: enviar sementes ao espaço, a fim de colocá-las em condições extremas que ajudem a desenvolver novas culturas mais resistentes às mudanças climáticas.

As duas primeiras espécies eleitas para o experimento foram a planta Arabidopsis, já amplamente utilizada em testes genéticos devido às suas características, e o grão Sorgo, que possui grande variedade de nutrientes e já é muito usado para alimentação humana e também nos processos de produção de ração animal e etanol.

As sementes das duas espécies ficarão expostas por cerca de três meses a ambientes internos e externos da Estação Espacial Internacional em condições de microgravidade – “uma mistura complexa de radiação cósmica e temperaturas extremamente baixas”, segundo a Aiea.

Após esse período, as sementes retornarão à Terra e serão monitoradas de perto pelos cientistas das duas agências da ONU, a fim de identificar possibilidades de mutação para novas variedades de suas espécies.

“Milhões de pequenos agricultores em todo o mundo lidam, diariamente, com condições de cultivo cada vez mais desafiadoras. Esse experimento pretende dar luz à capacidade da ciência nuclear em contribuir nesse cenário de enfrentamento às mudanças climáticas, a partir do fornecimento de sementes resilientes e de alta qualidade que vão ajudar esses agricultores a se adaptar ao clima e aumentar seu suprimento de alimentos”, explicou Rafael Grossi, diretor-geral da Aiea.

Ainda segundo ele, apesar de este ser o primeiro experimento feito no espaço, a Aiea e a FAO já atuam há quase 60 anos, de forma conjunta, na indução de mutações em plantas, visando desenvolver novas variedades de culturas agrícolas. A parceria já criou cerca de 3,4 mil novas variedades de mais de 210 espécies de plantas diferentes, que já foram liberadas oficialmente para uso comercial em 70 países pelo mundo.

“Este é um caminho promissor para melhores processos agrícolas, melhor nutrição e, consequentemente, melhor qualidade de vida para toda a população mundial”, finalizou Grossi.

*Por Débora Spitzcovsky
……………………………………………………………….
*Fonte: thegreenestpost

Nave da NASA colide com asteroide na missão DART

Finalmente, quase um ano após o lançamento, a nave da missão DART, da NASA, finalmente colidiu com o asteroide Dimorphos na noite desta segunda-feira (26), enquanto voava a 22.500 km/h. O Olhar Digital transmitiu ao vivo a colisão; confira.

Apesar de a explosão de uma nave parecer um acidente, dessa vez o ato foi intencional. O motivo: defesa especial. A NASA quis testar a capacidade da Terra em lidar com ameaças caso um dia um asteroide perigoso entre em rota de colisão com a Terra. Dados mais concretos sobre a colisão devem sair nas próximas semanas.

“Estamos mudando o movimento de um corpo celeste natural no espaço. A humanidade nunca fez isso antes”, disse Tom Statler, cientista do programa DART da NASA. “Isso é coisa de livros de ficção científica e episódios realmente bregas de ‘Star Trek’ de quando eu era criança, e agora é real.”

Entenda a missão DART da NASA

Lançada no dia 24 de novembro do ano passado, a bordo de um foguete SpaceX Falcon 9, a missão DART (sigla em inglês para Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo) tinha  por objetivo atingir um sistema binário composto por dois asteroides: Didymos, com 780 metros de diâmetro, e sua “lua” Dimorphos, quase cinco vezes menor.

*Por Lucas Soares
…………………………………………………………………….
*Fonte: olhardigital

Por que Microsoft deixou 855 computadores no fundo do oceano por dois anos

Dois anos atrás, a Microsoft colocou um centro de dados no fundo do mar na costa de Orkney, um arquipélago no norte da Escócia, em um experimento radical.

Esse centro de dados agora foi recuperado do fundo do oceano, e os pesquisadores da Microsoft estão avaliando agora como tem sido seu desempenho durante esse tempo e o que podem aprender com ele sobre eficiência energética.

A primeira conclusão deles é que o cilindro forrado de servidores teve uma taxa de falha menor do que um centro de dados convencional.

Quando o contêiner foi retirado do fundo do mar, a cerca de 800 metros da costa, após ser colocado lá em maio de 2018, apenas oito dos 855 servidores a bordo falharam.

Isso é um bom índice quando comparado com um centro de dados convencional.

“Nossa taxa de falhas dentro da água foi um oitavo do que temos em terra”, disse Ben Cutler, que liderou o que a Microsoft chama de Projeto Natick.

A equipe levantou a hipótese de que o desempenho melhor pode estar ligada ao fato de que não havia humanos a bordo e que nitrogênio, em vez de oxigênio, foi bombeado para a cápsula.

“Achamos que tem a ver com essa atmosfera de nitrogênio que reduz a corrosão e é fria, e sem as pessoas mexendo em tudo”, diz Cutler.

Orkney foi escolhida para o teste pela Microsoft em parte porque era um centro de pesquisa de energia renovável em um lugar de clima temperado — um pouco frio até. A hipótese central é de que o custo do resfriamento dos computadores é menor quando estão debaixo d’água.

O cilindro branco emergiu das águas frias com uma camada de algas, cracas e anêmonas após um dia de operação de retirada.

Porém, por dentro, o centro de dados estava funcionando bem — e agora está sendo examinado de perto pelos pesquisadores.

Na medida em que mais e mais dados nossos são armazenados em “nuvem” hoje em dia, existe uma preocupação crescente com o vasto consumo de energia por centros de dados.

Mais ecológico

O Projeto Natick tratava em parte de descobrir se os clusters de pequenos centros de dados subaquáticos para uso de curto prazo poderiam ser uma proposta comercial, mas também uma tentativa de aprender lições mais amplas sobre eficiência energética na computação em nuvem.

Toda a eletricidade de Orkney vem de energia eólica e solar, mas não houve problemas em manter o centro de dados subaquático alimentado com energia.

“Conseguimos funcionar muito bem em uma rede que a maioria dos centros de dados baseados em terra considera não confiável”, disse Spencer Fowers, um dos membros da equipe técnica do Projeto Natick.

“Estamos com esperança de poder olhar para nossas descobertas e dizermos que talvez não precisemos ter tanta infraestrutura focada em energia e confiabilidade.”

Os centros de dados subaquáticos podem parecer uma ideia estranha. Mas David Ross, que é consultor do setor há muitos anos, diz que o projeto tem um grande potencial.

Ele acredita que eles podem ser uma opção atraente para organizações que enfrentarem um desastre natural ou um ataque terrorista: “Você poderia efetivamente mover algo para um local mais seguro sem ter todos os enormes custos de infraestrutura de construir um edifício. É flexível e econômico.”

A Microsoft é cautelosa ao dizer quando um centro de dados subaquático poderá ser um produto comercial, mas está confiante de que a ideia tem valor.

“Achamos que já passamos do ponto de experimento científico”, diz Ben Cutler. “Agora é simplesmente uma questão de o que queremos projetar — seria algo pequeno ou grande?”

O experimento em Orkney terminou. Mas a esperança é que ele ajude a encontrar uma forma mais ecológica de armazenamento de dados tanto em terra quanto debaixo d’água.

*Por Rory Cellan-Jones
Correspondente de Tecnologia

……………………………………………………………………………
*Fonte: bbc-brasil