Bauman e a dificuldade de amar – Anna Carolina Pinto

Zygmunt Bauman é autor de inúmeras obras com a palavra líquido em seu título. A noção de liquidez proposta pelo filósofo e sociólogo polonês, falecido no começo desse mês, é aplicada aos mais variados temas como a modernidade, o amor, o medo, a vida e o tempo, expressando a fluidez, isto é, a imensa facilidade com que estes elementos escorrem pelas mãos do homem moderno. A ideia, extraída de “O Manifesto Comunista” de Marx e Engels, vem da célebre afirmação de que tudo que é sólido se desmancha no ar e de que tudo que é sagrado é profanado: assim é a modernidade e sua essência que se alastra pela vida do homem moderno transformando-o não só como indivíduo, mas também como ser relacional.

O primeiro livro do Bauman que li foi “Amor Líquido” o qual, carinhosamente, valendo-me das palavras de Caetano, defino como “um sopapo na cara do fraco”, que me fez e faz, já que essa sorte de questionamento é constante, pensar na forma como nos relacionamos hoje em dia. Um ponto alto do livro, aos meus olhos, é o capítulo no qual Bauman fala sobre a dificuldade de amar o próximo destacando o modo como lidamos com os estranhos. Penso que nessa dificuldade é que se encontra a raiz de tantos dos nossos problemas seja na esfera pessoal ou pública. E é sobre isso que eu gostaria de refletir conjuntamente hoje.

Vivemos em uma sociedade fortemente marcada pelo conflito ser x ter na qual o homem passa a se expressar pelas suas posses, elementos definidores de sua própria identidade, o que reflete na busca por certa conformidade que ceifa a pluralidade de existências e segrega o que é diferente, estranho. O modo como as cidades se dividem é exemplo disso, os nichos considerados seguros são aqueles onde todos se parecem, exacerbando a nossa dificuldade em lidar com os estranhos que passam a ser evitados através de sistemas de segurança, muros, priorização de espaços que assegurem a conformidade de seus freqüentadores como os shoppings e etc. Evitar a todo custo o incômodo de estar na presença de estranhos, começar a enxergar naquele que sequer se sabe o nome um inimigo em potencial e desconfiar de tudo e de todos só é possível graças ao desengajamento e ruptura de laços para o sociólogo polonês.

Se levarmos em conta que amar outra pessoa não é amar o que projetamos nela e sim a sua humanidade e singularidades, não será difícil compreender que o amor é um desafio nos tempos de modernidade líquida. A busca pela felicidade individual nos transforma em tribunais individuais e, na disputa pela sentença a ser proferida, não raro, o que se vê é sair vencedor aquele que se recusa a ouvir o outro. Facilmente, pois, livramo-nos dos compromissos e de tudo aquilo que nos pareça incômodo. Ainda que tão agarrados a nós mesmos, paradoxalmente, é bastante comum que a solidão seja companhia (e problema) constante de quem vive a descartar.

Os muros que construímos ao nosso redor, físicos ou emocionais, têm mesmo esse condão de isolar e criar dois mundos em cada um de seus dois lados: o de dentro e o de fora. O último, espaço cativo dos que nos incomodam- aqui incluídos tanto quem nos relacionamos de forma íntima, quanto aqueles que preferimos distantes, inviabilizados de estar perto, enfim, aniquilados ao prender, matar, limitar a circulação, fixar em zonas periféricas e etc. É que Narciso acha feio tudo que não é espelho, já diria, mais uma vez, o sempre genial Caetano Veloso.

Dessas reflexões que vão (muito) longe e que, por ora, encerro aqui fica sempre uma mensagem muito clara para mim: amar (mesmo) é um ato revolucionário e só ama quem tem coragem o bastante pra lidar com esse desafio porque sabe que, por mais que nem tudo sejam flores, esse amor “sólido” é que nos impulsiona a querermos ser melhores seja como pessoa ou sociedade. Parece distante e utópico, mas está dentro de nós: ame profunda e verdadeiramente. Até quem você não conhece.


*Por Anna Carolina Cunha Pinto
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*Fonte: revistaprosaversoearte

Você não vê a realidade objetiva de forma objetiva: a neurociência alcança a filosofia

Alguns pensadores propõem que é impossível para nós interagirmos diretamente com a realidade objetiva. Estudos sugerem que nossos cérebros distorcem os dados sensoriais assim que os coletamos. No final, talvez seja melhor lembrar que você não tem informações perfeitas.

*ative as legendas

Tudo o que vemos é apenas um sonho dentro de um sonho?

Grandes pensadores há muito se perguntam se a realidade objetiva realmente existe e, em caso afirmativo, se nossos sentidos físicos podem interpretá-la com precisão. Pode ser que nossos sentidos consigam capturar apenas uma pequena e distorcida lasca do mundo como ele realmente é. Como o problema continua a ser debatido na ciência e filosofia modernas, os avanços da neurociência estão oferecendo novos insights sobre o assunto.

A realidade é uma ilusão?
Você morde uma maçã e percebe um gosto agradavelmente doce. Essa percepção faz sentido do ponto de vista evolucionário: frutas açucaradas são densas em energia, então evoluímos para apreciar o sabor das frutas em geral. Mas o sabor de uma maçã não é uma propriedade da realidade externa. Ele existe apenas em nossos cérebros como uma percepção subjetiva.

O cientista cognitivo Donald Hoffman disse ao Big Think:

“Cores, odores, sabores e assim por diante não são reais nesse sentido de realidade objetiva. Eles são reais em um sentido diferente. São experiências reais. Sua dor de cabeça é uma experiência real, embora não pudesse existir sem que você percebesse. Portanto, existe de uma maneira diferente da realidade objetiva de que falam os físicos. ”

O professor de neurociência Beau Lotto explicou à Big Think que o mundo que você vê não é necessariamente o mundo que é, porque evoluímos para ver o mundo de uma forma que é mais útil do que precisa:

“Existe realidade externa? Claro que existe uma realidade externa. O mundo existe. Só que não o vemos como é. Nunca podemos ver como é. Na verdade, é até útil não ver como é. E a razão é porque não temos acesso direto a esse mundo físico a não ser por meio de nossos sentidos. E porque nossos sentidos combinam vários aspectos desse mundo, nunca podemos saber se nossas percepções são de alguma forma precisas. Não é tanto: nós vemos o mundo da maneira que ele realmente é, mas nós realmente o vemos com precisão? E a resposta é não, nós não … Portanto, neste nível mais básico, não representamos nem mesmo as informações que obtemos de forma precisa. E a razão é porque foi útil ver as coisas desta forma. Então, o que você está vendo [é] a utilidade dos dados, não os dados. ”

Essa tendência de nossa mente distorcer os dados sensoriais de maneiras úteis pode ser vista em vários casos. Um deles é o conhecido Efeito Thatcher , em que a imagem de um rosto (originalmente da ex-primeira-ministra britânica Margret Thatcher) é virada de cabeça para baixo e apresenta algumas características, como olhos e boca, também invertidas. Embora as características alteradas sejam claras para nós quando o rosto é feito de cima para baixo novamente, muitas vezes é impossível dizer quando o rosto está de cabeça para baixo.

As razões para isso ainda são objeto de investigação, mas parecem estar relacionadas a como nossos cérebros lidam com informações relacionadas ao reconhecimento facial – isto é, eles são ajustados para processar informações para rostos que estão do lado direito e não para nada outro.

Alguns pensadores usam essa ideia – que nossos cérebros distorcem as informações sensoriais assim que as obtemos e as colocamos em uso – para questionar o quão real é nossa visão da realidade. O cientista cognitivo Donald Hoffman chegou ao ponto de sugerir que a consciência é a realidade primária e que o mundo físico é secundário a ela.

Uma defesa (tímida) da objetividade
Muitos filósofos acreditam que a realidade objetiva existe, se “objetivo” significa “existindo como é independentemente de qualquer percepção dela.” No entanto, as idéias sobre o que essa realidade realmente é e com quanto dela podemos interagir variam dramaticamente .

Aristóteles argumentou, em contraste com seu professor Platão , que o mundo com o qual interagimos é tão real quanto possível e que podemos ter conhecimento dele, mas ele pensou que o conhecimento que poderíamos ter sobre ele não era totalmente perfeito. O Bispo Berkeley pensava que tudo existia como idéias nas mentes – ele argumentou contra a noção de matéria física – mas que havia uma realidade objetiva, uma vez que tudo também existia na mente de Deus. Immanuel Kant, um filósofo iluminista particularmente influente, argumentou que, embora “a coisa em si” – um objeto que existe independentemente de ser subjetivamente observado – seja real e existe, você não pode saber nada sobre ela diretamente.

Hoje, vários realistas metafísicos afirmam que a realidade externa existe, mas também sugerem que nossa compreensão dela é uma aproximação que podemos melhorar. Existem também realistas diretos que argumentam que podemos interagir com o mundo como ele é, diretamente. Eles sustentam que muitas das coisas que vemos quando interagimos com objetos podem ser conhecidas objetivamente, embora algumas coisas, como a cor, sejam traços subjetivos.

Embora se possa admitir que nosso conhecimento do mundo não é perfeito e pelo menos às vezes é subjetivo, isso não significa que o mundo físico não existe. O problema é como podemos saber qualquer coisa que não seja subjetiva, se admitirmos que nossa informação sensorial não é perfeita.

A ciência vai parar com essa briga, certo?
Acontece que essa é uma grande questão.

A ciência aponta para uma realidade que existe independentemente de como qualquer observador subjetivo interage com ela e nos mostra o quanto nossos pontos de vista podem atrapalhar a compreensão do mundo como ele é. A questão de como a ciência objetiva é em primeiro lugar também é um problema – e se tudo o que obtivermos for uma lista muito refinada de como as coisas funcionam dentro de nossa visão subjetiva do mundo?

Experimentos físicos como o teste Wigner’s Friend mostram que nossa compreensão da realidade objetiva se quebra sempre que a mecânica quântica se envolve, mesmo quando é possível fazer um teste. Por outro lado, muita ciência parece sugerir que existe uma realidade objetiva sobre a qual o método científico é muito bom em capturar informações.

O biólogo evolucionário e autor Richard Dawkins argumenta:

“A crença da ciência na verdade objetiva funciona. A tecnologia de engenharia baseada na ciência da verdade objetiva alcança resultados. Consegue construir aviões que decolam. Consegue enviar pessoas à lua e explorar Marte com veículos robóticos em cometas. A ciência funciona, a ciência produz antibióticos, vacinas que funcionam. Portanto, qualquer pessoa que escolher dizer: ‘Oh, não existe verdade objetiva. É tudo subjetivo, é tudo construído socialmente. ‘ Diga isso a um médico, diga isso a um cientista espacial, manifestamente a ciência funciona, e a visão de que não existe verdade objetiva, não. ”

Embora isso tenda um pouco a ser um argumento das consequências, ele tem um ponto: grandes sistemas complexos que supõem a existência de uma realidade objetiva funcionam muito bem. Qualquer tentativa de jogar fora a ideia de realidade objetiva ainda precisa explicar por que essas coisas funcionam.

Um caminho intermediário pode ser ver a ciência como a coleção sistemática de informações subjetivas de uma forma que permita um acordo intersubjetivo entre as pessoas. Com esse entendimento, mesmo que não possamos ver o mundo como ele é, poderíamos obter um acordo intersubjetivo universal ou quase universal sobre algo como a velocidade com que a luz viaja no vácuo. Isso pode ser o melhor que pode acontecer ou pode ser uma forma de restringir o que podemos saber objetivamente. Ou talvez seja algo totalmente diferente.

A verdade objetiva sobre objetividade
Embora a realidade objetiva provavelmente exista, nossos sentidos podem não ser capazes de acessá-la bem. Somos seres limitados com pontos de vista e cérebros limitados que começam a processar dados sensoriais no momento em que os adquirimos. Devemos sempre estar cientes de nossa perspectiva, como isso afeta os dados aos quais temos acesso e que outras perspectivas podem ter um pouco de verdade.

O filósofo Daniel Schmachtenberger disse ao Big Think:

“Não existe uma perspectiva abrangente que me dê todas as informações sobre quase todas as situações. O que isso significa é que a própria realidade é transperspectiva. Não pode ser capturado em nenhuma perspectiva. Portanto, várias perspectivas devem ser tomadas. Tudo isso terá alguma parte da realidade, algum sinal. ”

É justo, mas você pode ter que se preocupar se está realmente obtendo as informações corretas sobre essas perspectivas.

*Por Scotty Hendricks / Big Think
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*Fonte: pensarcontemporaneo

5 aulas de Sêneca para aproveitar ao máximo seu tempo

“Quando chegarem ao fim, vão entender que estavam muito ocupados sem fazer nada ”, advertiu Sêneca séculos atrás. O filósofo estoico deixou claro que o tempo é o bem mais valioso que possuímos, mas ainda assim o desperdiçamos sem pensar nele.

Apesar do peso da mortalidade continuamente pairando sobre nossas cabeças, muitas vezes vivemos como se fôssemos imortais. Preferimos não pensar no fim para exorcizar nossos medos mais atávicos. No entanto, se quisermos aproveitar o tempo e fazer algo significativo em nossa vida, devemos ter em mente a frase latina que nos lembra de nossa mortalidade: memento mori .

Dicas para aproveitar o tempo, segundo Sêneca

1. Faça agora, não deixe a vida passar

“Adiar as coisas é o maior desperdício de nossa vida: tira cada dia que chega e nos nega o presente, prometendo-nos o futuro”, escreveu Sêneca. Ao que ele acrescentou: “enquanto perdemos nosso tempo duvidando e procrastinando, a vida acelera”.

Todos nós procrastinamos em algum ponto. No entanto, quando se torna a norma, quando continuamente adiamos planos importantes que poderiam mudar nossas vidas para melhor, temos um problema porque a vida não espera.

A procrastinação pode ser devida à preguiça, mas na maioria dos casos está enraizada no medo da incerteza. É por isso que Sêneca nos lembra que “a fortuna tem o hábito de se comportar como lhe agrada ”, de modo que a espera não costuma aumentar nossas chances de sucesso, mas muitas vezes serve apenas para acumular mais obstáculos pelo caminho.

A solução é eliminar do nosso vocabulário a frase: “Vou fazer amanhã” para começar a trabalhar agora. Só precisamos dar o primeiro passo. Quebre a inércia. Como Sêneca aconselhou: ” segure a lição de casa de hoje e você não terá que depender tanto da lição de amanhã .”

2. Valorize seu tempo mais do que suas posses

Se víssemos uma pessoa queimando dinheiro, pensaríamos que ela era louca. Porém, todos os dias perdemos minutos e horas, mas não pensamos que somos loucos, mesmo que o tempo seja o nosso bem mais valioso.

Ao contrário do dinheiro, que pode ser gasto e recuperado, o tempo é um recurso precioso que nunca podemos recuperar. Sêneca disse: “ As pessoas são frugais na proteção de seus bens pessoais; mas quando se trata de perder tempo, eles são os que mais perdem, a única coisa em que é normal ser avarento . “

Redefinir o valor do tempo tendo consciência de sua finitude é o primeiro passo para utilizá-lo com inteligência, administrá-lo melhor e, sobretudo, dedicá-lo àquilo que realmente vale a pena ou é significativo em nossas vidas. Uma estratégia para começar a valorizar o tempo sobre as posses é nos perguntar: quanto tempo da minha vida devo gastar comprando isso?

3. Reduza a agitação inútil

“ Uma pessoa preocupada não consegue realizar nenhuma atividade com sucesso … Para um homem preocupado, viver é a atividade menos importante. No entanto, não há nada mais importante e difícil de aprender do que viver ” , disse Sêneca.

Suas palavras assumem uma relevância especial hoje, em um momento em que somos submetidos a um fluxo incessante de estímulos externos que exigem nossa atenção. Pendentes compromissos sociais, telas, notícias, mensagens, trabalho … nossa agenda se enche e não temos um minuto livre.

Isso cria a sensação de estarmos muito ocupados fazendo coisas muito importantes, mas se equilibrarmos no final do dia, podemos descobrir que fizemos poucas coisas que nos deixam felizes ou que nos aproximam de nossos objetivos significativos na vida .

Essa tontura diária pode nos prender por anos, fazendo a vida escapar de nós. Por isso é importante que repensemos o nosso dia a dia e procuremos eliminar todas as distrações e ocupações supérfluas que não nos trazem nada enquanto abrimos espaço na nossa agenda para aquelas atividades que realmente contribuem para o nosso bem-estar ou nos fazem sentir. mais cheio e mais vivo.

4. Seja implacável com o que não lhe traz nada

Se quiser aproveitar ao máximo o seu tempo, você precisa aprender a dizer “não”. Sêneca advertiu: “ O quanto você devastou sua vida porque não sabia o que estava perdendo, o quanto você desperdiçou em dores sem sentido, alegria tola, desejo ganancioso e diversões sociais. Você vai perceber que estava morrendo antes do tempo! ”.

Para fazer bom uso do tempo, precisamos aprender a estabelecer limites. Alguns desses limites são dirigidos a outros, a todas as pessoas que acreditam ter o direito de usar o nosso tempo, recarregando-nos com responsabilidades que não nos pertencem. Então, isso significa dizer “não” a muitas das coisas que estamos fazendo pelos outros que eles poderiam fazer por si mesmos, bem como a todos aqueles compromissos, convites e obrigações sem sentido.

No entanto, também devemos aprender a dizer “não” a nós mesmos. Estabeleça limites para não perder tempo precioso. Trata-se de dizer “não” a estados emocionais que nos prejudicam e tiram momentos de felicidade enquanto nos permitimos ser consumidos pela culpa, raiva ou ressentimento. Se não tomarmos cuidado, tanto as imposições sociais quanto esses estados emocionais acabam se expandindo até consumirem grande parte de nossa vida.

5. Não subordine a felicidade à realização de seus objetivos

“ É inevitável que a vida não seja apenas muito curta, mas também muito infeliz para quem adquire com muito esforço o que deve manter com esforço ainda maior. Eles atingem meticulosamente o que desejam; eles possuem avidamente o que realizaram; e enquanto isso passa um tempo que nunca mais voltará. Novas preocupações tomam o lugar das antigas, as expectativas geram mais expectativas e a ambição, mais ambição ” , disse Sêneca.

Em uma cultura que recompensa o esforço constante e metas cada vez mais ambiciosas, essa mensagem estóica pode ser contra-intuitiva. No entanto, a busca contínua de novos objetivos, nunca satisfeita com as conquistas, apenas leva a um estado de permanente ansiedade e infelicidade.

Em vez disso, uma das dicas de Sêneca para aproveitar ao máximo seu tempo é não ser muito ambicioso. À medida que buscamos novos objetivos, o tempo está se esvaindo de nós. Uma meta sempre leva a outra e nos leva a pensar que a felicidade está na conquista de cada uma delas. A solução é reajustar nossas expectativas e nos perguntar como podemos levar uma vida mais significativa no aqui e agora, enquanto trabalhamos para alcançar certos objetivos.

Em todo caso, Sêneca também alertou “ não se deve pensar que um homem viveu muito porque tem cabelos brancos e rugas: ele não viveu muito, só existe há muito tempo … a parte da vida que a gente realmente vive é pequeno. Porque todo o resto da existência não é vida, mas simplesmente tempo ”. A chave para fazer bom uso do tempo é transformar minutos vazios em minutos significativos.

*Adaptado de Rincón de la Psicología
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*Fonte:

Epifenomenalismo: uma das idéias mais perturbadoras da filosofia

E se você não importa? E se todos os seus pensamentos, sentimentos preciosos, grandes sonhos e medos terríveis forem completamente, totalmente, espetacularmente irrelevantes? Será que toda a sua vida mental é apenas um espectador inútil, olhando enquanto seu corpo faz as coisas importantes para mantê-lo vivo e correndo? Qual é realmente o objetivo de um pensamento?

Essa é a visão do “epifenomenalismo” e pode ser apenas uma das idéias mais perturbadoras de toda a filosofia.


O toque inútil do relógio

Em qualquer dia, tomaremos milhares de decisões e realizaremos inúmeras ações. Movemos nossas pernas para andar, abrimos nossas bocas para comer, sorrimos para nossos amigos, beijamos nossos entes queridos e assim por diante. Hoje, sabemos o suficiente sobre neurociência e fisiologia para dar um relato completo e completo de como isso acontece. Podemos apontar as partes do cérebro que são ativadas, a rota que os sinais nervosos percorrerão para cima e para baixo no corpo, a forma como os músculos se contraem e como o corpo reagirá. Podemos, em resumo, dar um relato físico completo de tudo o que fazemos.

A questão, então, é: qual é o objetivo de nossa consciência? Se pudermos explicar todo o nosso comportamento de maneira bastante feliz (ou “suficientemente”, como os filósofos gostam de dizer) com causas físicas, o que resta para nossos pensamentos fazerem?

O antropólogo Thomas Huxley argumentou que nossos pensamentos são um pouco como o carrilhão de um relógio a cada hora. Faz um som, mas não faz nenhuma diferença na hora. Da mesma forma, nossos pensamentos e sentimentos subjetivos podem ser muito agradáveis ​​e parecer muito especiais para nós, mas são completamente alheios.

O problema do dualismo mente-corpo
Tudo isso se origina de um problema fundamental do dualismo, que é a ideia filosófica de que a mente e o corpo são coisas diferentes. Há algo intuitivo nessa ideia. Quando imagino um dragão voador com hálito de fogo e asas coriáceas, isso é totalmente diferente do mundo físico dos lagartos, velas e morcegos. Ou, dito de outra forma, você não pode tocar com o dedo ou cortar com uma faca o que acontece na sua cabeça. Mas não gostamos de acreditar que nossos pensamentos não existem. Então, quais são eles?

O problema no dualismo é entender como algo mental, não físico e subjetivo pode afetar o mundo físico e especialmente meu corpo físico. No entanto, isso acontece claramente. Por exemplo, se eu quiser um cupcake, movo minha mão em sua direção.

Então, como o imaterial pode afetar o material? Este “problema de interação causal” não é facilmente resolvido, e por isso alguns filósofos preferem a resposta epifenomenalista: “Talvez nossas mentes não façam nada.” Se quisermos manter a ideia de que nossas mentes existem, mas de uma maneira completamente diferente do mundo físico, então seria mais palatável descartar a ideia de que elas fazem qualquer coisa.

Teoria da informação integrada
Então, qual é o objetivo da consciência? Existem alguns, como o neurocientista Daniel De Haan e os filósofos Giulio Tononi e Peter Godfrey-Smith, que argumentam que a consciência pode ser melhor explicada pela “teoria da informação integrada”.

Nessa teoria, consciência é algo que emerge da soma de nossos processos cognitivos – ou, mais especificamente, da “capacidade de um sistema de integrar informações”, como escreve Tononi . Em outras palavras, a consciência é um produto líquido de todas as outras coisas que nossa mente está fazendo, como sincronizar entradas sensoriais, concentrar-se em objetos específicos, acessar vários tipos de memória e assim por diante. A mente é um supervisor no centro de uma enorme teia e é o resultado ou subproduto de todas as coisas incrivelmente complexas que precisa fazer.

Mas esse tipo de teoria “emergentista” (uma vez que a mente “emerge” de suas operações) nos deixa com algumas questões epifenomenais. Parece sugerir que a mente existe, mas pode ser totalmente explicada e explicada por outros processos físicos. Por exemplo, se supomos que nossa consciência é o produto de nossas entradas sensoriais complexas e variadas, como Godfrey-Smith oferece, então o que o pensamento consciente realmente adiciona à equação de que nossa visão, cheiro, interocepção e assim por diante já não estão fazendo ? Por analogia, se “engarrafamento” é apenas o termo para uma coleção de carros e caminhões parados, o que o conceito de “engarrafamento” acrescenta que todos esses veículos ainda não oferecem? Um engarrafamento não tem um papel causal a desempenhar.

Isso não quer dizer que a consciência seja um erro ou não tenha valor. Afinal, sem ele, eu não seria eu e você não seria você. O prazer não existiria. Não haveria mundo algum. Não podemos nem imaginar uma vida sem consciência. E o epifenomenalismo acredita que eventos físicos, como nossas faíscas sinápticas e interações neuronais, causam nossos eventos mentais.

Mas se o epifenomenalismo estiver correto, isso significa que nossos pensamentos não acrescentam nada ao mundo físico que ainda não esteja em andamento. Isso significa que estamos trancados em nossas cabeças. Todos os pensamentos e sentimentos são, em última análise, sem sentido ou sem sentido. Somos como crianças fingindo que dirige um carro – pode ser muito divertido, mas realmente não estamos no comando.

*Por Jonny Thomson  (ensina filosofia em Oxford. Ele administra uma conta popular no Instagram chamada Mini Philosophy (@ philosophia ).
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*Fonte: pensarcontemporaneo

4 reflexões que vão te introduzir ao pensamento de Nietzsche

Apesar de ter morrido em 1900, os pensamentos do filósofo Friedrich Nietzsche se mostram tão atuais e úteis para compreendermos a humanidade de hoje quanto os memes da internet. Escrever seu nome sem a ajuda do Google e pronunciá-lo da forma correta (que é Níti, com ênfase no pimeiro “i”) pode ser uma aventura.

Mas suas ideias estão tão enraizadas na sociedade que, às vezes, sequer percebemos que estamos filosofando — se você já cantou “what doesn’t kill you makes you stronger” (“o que não te mata te fortalece”), da Kelly Clarkson, você já conhece, pelo menos, uma ideia do filósofo. Conheça um pouco das outras:

O conceito do Super Homem
É tentador relacionar o Super Homem (“übermensch”) de Nietzsche com o Super-Homem da DC. Mas, apesar de Henry Cavill responder a todos os quesitos estéticos da sociedade moderna, ele não tem nada a ver com as ideias nietzschianas. Segundo o filósofo especialista em Nietzsche Oswaldo Giacóia, da USP, o Super Homem (ou Além do Homem) poderia ser representado por aquele que encarara a vida sem as muletas que o homem usou até hoje para poder suportar a existência, como a religião ou a moral, por exemplo. Segundo Nietzsche, essas muletas seriam uma negação da morte. E seria por causa dessa negação que as pessoas acreditariam em falsas promesas como o paraíso. Portanto, o Super Homem seria um ser superior, uma ideia melhorada de nós mesmos: não na força, mas no âmbito psicológico.

Se você achou essa ideia de “ser superior” um pouco nazista, saiba que Hitler também. Durante muito tempo, as ideias do filósofo foram usadas como justificativa para os horrores da Segunda Guerra Mundial. Grande parte por conta da má interpretação de alguns estudiosos — que também contou com uma ajudinha da irmã de Nietzsche, Elizabeth.

O Eterno Retorno
Não é raro levantar cedo para ir ao trabalho, encostar a cabeça no vidro do ônibus e pensar: “Que m#$@% eu estou fazendo com a minha vida?”. E se você tivesse seguido o sonho de abrir um bar na praia em vez de estar sendo sugado por uma empresa que nem paga tão bem assim? Você realmente está aproveitando a existência na Terra ou só está vendo ela passar pela janela do busão?

Na obra A Gaia Ciência, Nietzsche nos presenteia com um exercício mental intrigante: “E se um dia um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: ‘Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nada de novo, cada dor e cada prazer (…) há de retornar (…). Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que que lhe responderias: ‘Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!’”.

A forma como você reagiria à proposta do demônio diz muito sobre o modo como você leva a vida e faz questionar (muito) sobre o rumo que dá a ela e como toma suas decisões.

Deus está morto
Nietzsche não gostava muito da Igreja Católica. A afirmação que fez na obra O Anticristo, de que “Deus está morto”, apavora os cristãos até hoje. A principal ideia que o filósofo atacava era a da moral cristã. Para ele, os cristãos não são bons (ou tentam ser) porque se preocupam com o próximo. Eles são bons porque têm medo de queimar no inferno. Não é uma bondade genuína. Segundo ele, é nesse medo da punição em que se baseia toda a fé cristã. Por isso, ele propôs uma ideia de ética que dependia simplesmente da própria pessoa — que não deveria acreditar em recompensas além da vida ou em deuses que o tratassem como gado. Ou seja, a pessoa seria boa simplesmente porque assim ela se sentiria bem consigo mesma e não porque uma entidade superior e vingativa puxaria seu pé à noite.

Ele não via sentido em negar o sexo, o corpo e o amor. O filósofo se perguntava: “Que validade tem, afinal de contas, ser cristão se este vive ameaçado pela terrível punição de ser excluído da presença de Deus se não se comportar ‘bem’?”. Isso sem falar na noção de culpa que vem de brinde. Por isso, Nietzsche defendia o fim da moral cristã, atacando sua principal incentivadora: a Igreja. Mas, diferentemente de Marx, por exemplo, ele não achava que seria preciso uma revolução para isso. Mas, sim, um questionamento individual que faria cada um perceber que ser cristão era entregar sua vida a uma ilusão sem sentido.

Niilismo de Nietzsche
(Muito) Basicamente, o niilismo é a descrença total nos valores impostos pela sociedade. Para os niilistas, a vida não deve ser regida por nenhum tipo de padrão que nos foi ensinado pela escola, pelos pais ou assistindo à TV Cultura. Deus? Não acredito. Pecado? Não acredito. Lady Gaga como a nova Madonna? Faça-me o favor…

Não é a toa que Nietzsche era um verdadeiro hater da moral cristã. E o que acontece quando se deixa de acreditar no sentido das coisas? A pessoa cai no vazio absoluto. Restaria apenas esperar pela morte. Mas Niezsche não acreditava nisso como saída, para ele, quando se mata Deus, a pessoa se torna responsável por criar suas próprias regras, usando o conceito de Eterno Retorno como guia.

*Por Nathan Fernandes
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*Fonte: revistagalileu

Inveja: tendência a perceber com desprazer o bem dos outros

Voltando ao tempo dos gregos antigos, inúmeros filósofos têm contemplado a natureza da inveja, ou o que Immanuel Kant descreveu como a “tendência a perceber com desprazer o bem dos outros”. (Immanuel Kant)

Aqueles que escreveram sobre a inveja, seja Aristóteles, Tomás de Aquino, Adam Smith, Schopenhauer ou Nietzsche, chegaram a uma conclusão semelhante – a inveja é um estado de espírito destrutivo e doente que prejudica não apenas o invejoso, mas aqueles a quem inveja. direcionado para a sociedade como um todo.

Mas hoje o vício pessoal da inveja foi transformado em virtude pelos políticos. Ao manipular a tendência humana à inveja, os políticos tropeçaram em um meio muito eficaz de ganhar poder e controle sobre populações desprevenidas. Neste artigo, examinaremos esse fenômeno enquanto analisamos a natureza da inveja em geral, como as tentativas de impor a uniformidade só exacerbam ironicamente a inveja e como os aflitos de inveja devem, para seu próprio bem-estar, se livrar dela .

A inveja é uma emoção dirigida, em outras palavras, pressupõe a coexistência de duas ou mais pessoas – o invejoso que experimenta a emoção e o invejado que é o alvo da emoção. Uma boa definição de inveja é encontrado no dicionário alemão do século de Grimm:

“A inveja expressa aquele estado de espírito vingativo e interiormente atormentador, o desprazer com que se percebe a prosperidade e as vantagens dos outros, inveja-os dessas coisas e, além disso, deseja que alguém seja capaz de destruir ou possuir a si mesmo.” (Grimm’s German Dictionary )

Um equívoco comum é confundir inveja com indignação. Na obra Retórica de Aristóteles, ele enfatiza a diferença entre os dois conceitos que escrevem:

“A pessoa indignada sente raiva da prosperidade daqueles que não a merecem e da inveja de todos.” (Retórica, Aristóteles)

Ou como ele coloca de maneira mais simples:

“A indignação é sentida no bem-estar das pessoas más, enquanto a inveja é da felicidade das boas.” (Retórica, Aristóteles)

Em contraste com a inveja, a indignação não é vice-versa, pois está enraizada em um desejo de justiça. A inveja, por outro lado, como observou Schopenhauer, está enraizada na

“A inevitável comparação entre a nossa própria situação e a dos outros” (Ensaios e Aforismos, Arthur Schopenhauer)

Quando comparado a outros desperta a consciência de nossas inferioridades – seja em termos de riqueza, posses, características mentais ou físicas – isso pode gerar inveja se acreditarmos que o que nos falta em comparação a outros explica nossa relativa infelicidade.

Indivíduos tomados pela inveja vêem aqueles superiores a eles como inimigos. Em vez de se concentrar em melhorar a si mesmos, os invejosos acreditam que seu caminho para a felicidade está ligado ao destino daqueles que invejam. Em outras palavras, eles acreditam que de alguma forma a felicidade deles será aumentada se eles puderem puxar os outros para baixo.

O desejo de ver outros derrubados não alimenta uma sociedade próspera, mas impede o progresso social. Aqueles que são devorados pela inveja provavelmente não se tornarão os grandes inventores, artistas, escritores, empreendedores ou cientistas que ajudam a promover uma sociedade. Pelo contrário, eles desprezam indivíduos de grande talento, pois sua existência apenas torna mais óbvias as inferioridades da inveja.

A natureza destrutiva da inveja tem feito o uso de instituições e práticas para inibir seu impacto extremamente comum ao longo da história. Como Helmut Schoeck afirma em seu livro Envy: A Theory of Social Behavior

“… nenhuma sociedade pode existir na qual a inveja é elevada ao status de uma virtude normativa … Mesmo a superstição de sociedades simples, vê a inveja como uma doença, o homem invejoso como perigosamente doente – um câncer do qual o indivíduo e o grupo deve ser protegido – mas nunca como um caso normal de comportamento e empreendimento humano. Em nenhum lugar, com pouquíssimas exceções, encontramos a crença de que a sociedade deve se adaptar ao homem invejoso, mas sempre deve procurar proteger-se contra ele. ”(Inveja: Uma Teoria do Comportamento Social, Helmut Schoeck)

Mas, desconcertantemente, uma perversão perigosa parece estar ocorrendo no mundo moderno. Em vez de confiar em práticas e instituições para inibir os efeitos da inveja, Gonzalo Fernández de la Mora, em seu livro Igualitarian Envy, adverte que as sociedades ocidentais estão sendo moldadas por políticos que estão alimentando as chamas da inveja com o propósito de ganhar poder e controle. .

Este é um fenômeno relativamente recente, que remonta ao final do século 19 e ao surgimento das tecnologias de comunicação de massa. Antes do surgimento dessas tecnologias, a inveja era direcionada, quase exclusivamente, para os membros da própria comunidade. Alguém que vive na Europa no século 17, por exemplo, dificilmente invejaria as riquezas de um imperador de uma terra distante, como condição para o surgimento da inveja a observação da felicidade de outra. No entanto, a ascensão da mídia de massa mudou essa situação. Agora podemos observar intimamente a vida de pessoas com quem não temos contato pessoal e, assim, fazer julgamentos sobre sua felicidade. de La Mora explica o significado desta situação, afirmando:

“As pessoas contemporâneas estão sujeitas a um fornecimento maciço de informações através da mídia de massa; consequentemente, as pessoas podem ter opiniões sobre a felicidade daqueles que nunca conheceram ou grupos de pessoas às quais não pertencem; e, como resultado desses sentimentos, eles podem invejar. Essa possibilidade torna-se uma probabilidade se, como é habitual nos meios de comunicação, a informação é distribuída já “focalizada” por uma seleção parcial, uma edição intencional, mistificadora ou simplesmente um preconceito que, no nosso caso, é direcionado para ressaltar as diferenças. entre os indivíduos. . . Ninguém inveja esta ou aquela pessoa, mas uma abstração, como “os ricos” ou “os elitistas”. ”(Gonzalo Fernández de la Mora, Inveja Igualitária)

Ao promover e apelar para essa inveja, os demagogos podem desencadear conflitos e tornar potenciais vítimas fora de todos nós – pois quem não se achará inferior a um grupo idealizado de pessoas. Mas aqueles que invejam dessa forma coletiva, e especialmente aqueles que a promovem, nunca admitirão seus verdadeiros motivos, ao contrário do que afirma La Mora em uma passagem extremamente relevante para os dias modernos:

“Um disfarce contemporâneo da inveja coletiva é o que é chamado de“ justiça social ”. Como essa argumentação ideológica… é executada? Estabelece-se um postulado fundamental de que, quanto mais justa a sociedade, mais iguais seus membros são em oportunidades, posição e riqueza; e imediatamente fica estabelecido que o partido lutará sem descanso para alcançar tal “justiça”. ”(Gonzalo Fernández de la Mora, Egalitarian Envy)

Mas a justiça social, ou a tentativa de nos tornar mais iguais usando a força do Estado, não trará uma sociedade menos propensa à inveja. De fato, à medida que essa uniformidade antinatural é imposta a uma sociedade, novas fontes de inveja surgirão e serão muito mais perniciosas. Por exemplo, se de alguma forma todos fossem feitos iguais em termos de riqueza material, isso não livraria o mundo da inveja. Pelo contrário, isso só significaria que aqueles propensos à inveja iriam direcionar sua atenção para outras formas de desigualdade, como as desigualdades nas características físicas e mentais. Schopenhauer alertou sobre esse tipo de inveja, escrevendo que a inveja

“Dirigido contra as qualidades pessoais é o mais insaciável e venenoso, porque o invejoso fica sem esperança; é também o tipo mais baixo de inveja, pois odeia o que deveria amar e respeitar. ”(Arthur Schopenhauer)

Além de trazer à tona formas mais perigosas de inveja, as sociedades que são vítimas do apelo demagógico por mais igualdade, ironicamente, vêem o crescimento da forma mais insidiosa de desigualdade possível – uma vasta desigualdade de poder entre a elite dominante e o resto da população. Para cumprir sua promessa de trazer cada vez mais justiça ao mundo e cada vez mais igualdade, os governos devem ter poderes imensos para refazer a sociedade.

Mas com tudo isso dito, podemos escolher não sermos vítimas desse estratagema político. Em vez de ver nossas inadequações como razões para derrubar os outros, podemos escolher reações mais construtivas, como emulação e auto-aperfeiçoamento. A emulação ocorre quando o reconhecimento de suas inferioridades os leva a ver o superior não como inimigos, mas exemplos para aprender e figuras de motivação. Em vez do desejo de nivelar tudo, a emulação leva a pessoa a elevar-se ao nível dos melhores, ou mesmo a superar aqueles que uma vez procuraram. Kierkegaard observou que “a inveja é uma admiração oculta” e, portanto, a emulação pode ser vista como a reação positiva ao que leva os indivíduos mais fracos à inveja.

Reagir às inferioridades da pessoa com o desejo de melhorar a si mesmo não é apenas bom para o indivíduo, mas para a sociedade como um todo. Isso significa que mais pessoas se concentrarão na criação do novo e do melhor, em vez de na destruição de outros. Mas, por outro lado, se a nossa sociedade continua a percorrer um caminho conduzido pela inveja que alimenta a retórica dos demagogos, chegaremos a um ponto, segundo Nietzsche, em que as pessoas ficarão tão ressentidas com outras que até mesmo o feliz entre nós começará a questionar se tem direito a sua felicidade:

Todas essas pessoas ressentidas são fisiologicamente distorcidas e alimentam o verme da inveja em seu intimo, em muitos casos não se contentando apenas em deturpar a imagem do seu invejado, mas planejando derrubá-lo e destitui-lo da posição vista e entendida como superior. Como disse Nietzsche: “É uma pena ser feliz! Há muita miséria!” (Sobre a Genealogia da Moralidade, Nietzsche)

Esse artigo foi transcrito e traduzido a partir do vídeo (Em Inglês) The Psychology of Envy and Social Justice

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Os humanos estão evoluindo mais rápido do que nunca. O motivo não é genético, afirma o estudo

À mercê da seleção natural desde o início da vida, nossos ancestrais se adaptaram, se acasalaram e morreram, transmitindo minúsculas mutações genéticas que acabaram por tornar os humanos o que somos hoje.

Mas a evolução não está mais ligada estritamente aos genes, sugere um novo estudo. Em vez disso, a cultura humana pode estar conduzindo a evolução mais rápido do que as mutações genéticas podem funcionar.

Nessa concepção, a evolução não requer mais mutações genéticas que conferem uma vantagem de sobrevivência, sendo transmitidas e disseminadas. Em vez disso, os comportamentos aprendidos transmitidos pela cultura são as “mutações” que fornecem vantagens de sobrevivência.

Essa chamada evolução cultural pode agora moldar o destino da humanidade de forma mais forte do que a seleção natural, argumentam os pesquisadores.

“Quando um vírus ataca uma espécie, ele normalmente se torna imune a esse vírus por meio da evolução genética”, disse ao Live Science o co-autor do estudo Zach Wood, pesquisador de pós-doutorado na Escola de Biologia e Ecologia da Universidade do Maine.

Essa evolução funciona lentamente, pois aqueles que são mais suscetíveis morrem e apenas aqueles que sobrevivem passam seus genes.

Mas hoje em dia, a maioria dos humanos não precisa se adaptar geneticamente a essas ameaças. Em vez disso, nos adaptamos desenvolvendo vacinas e outras intervenções médicas, que não são o resultado do trabalho de uma pessoa, mas sim de muitas pessoas construindo sobre as “mutações” acumuladas do conhecimento cultural.

Ao desenvolver vacinas, a cultura humana melhora seu ” sistema imunológico ” coletivo , disse o co-autor do estudo Tim Waring, professor associado de modelagem de sistemas sócio-ecológicos da Universidade do Maine.

E às vezes, a evolução cultural pode levar à evolução genética. “O exemplo clássico é a tolerância à lactose”, disse Waring ao Live Science. “Beber leite de vaca começou como um traço cultural que impulsionou a evolução [genética] de um grupo de humanos.”

Nesse caso, a mudança cultural precedeu a mudança genética, não o contrário.

O conceito de evolução cultural começou com o próprio pai da evolução , disse Waring. Charles Darwin compreendeu que os comportamentos podem evoluir e ser transmitidos aos filhos da mesma forma que os traços físicos, mas os cientistas de sua época acreditavam que as mudanças nos comportamentos eram herdadas. Por exemplo, se uma mãe tinha uma característica que a inclinava a ensinar uma filha a procurar comida, ela passaria essa característica herdada para sua filha. Por sua vez, sua filha teria maior probabilidade de sobreviver e, como resultado, essa característica se tornaria mais comum na população.

Waring e Wood argumentam em seu novo estudo, publicado em 2 de junho na revista Proceedings of the Royal Society B , que em algum ponto da história humana, a cultura começou a arrancar o controle evolucionário de nosso DNA . E agora, dizem eles, a mudança cultural está nos permitindo evoluir de uma forma que a mudança biológica por si só não poderia.

Eis o porquê: a cultura é orientada para o grupo e as pessoas nesses grupos conversam, aprendem e imitam umas às outras. Esses comportamentos de grupo permitem que as pessoas transmitam as adaptações que aprenderam através da cultura mais rápido do que os genes podem transmitir benefícios de sobrevivência semelhantes.

Um indivíduo pode aprender habilidades e informações com um número quase ilimitado de pessoas em um pequeno período de tempo e, por sua vez, espalhar essas informações para muitas outras pessoas. E quanto mais pessoas disponíveis para aprender, melhor. Grandes grupos resolvem problemas mais rápido do que grupos menores, e a competição entre grupos estimula adaptações que podem ajudar esses grupos a sobreviver.

À medida que as ideias se espalham, as culturas desenvolvem novos traços.

Em contraste, uma pessoa só herda a informação genética de dois pais e causa relativamente poucas mutações aleatórias em seus óvulos ou espermatozoides, o que leva cerca de 20 anos para ser transmitido a seu pequeno punhado de filhos. É apenas um ritmo de mudança muito mais lento.

“Esta teoria já existe há muito tempo”, disse Paul Smaldino, professor associado de ciências cognitivas e da informação na Universidade da Califórnia em Merced, que não era afiliado a este estudo. “As pessoas vêm trabalhando há muito tempo para descrever como a biologia evolutiva interage com a cultura.”

É possível, sugerem os pesquisadores, que o surgimento da cultura humana represente um marco evolutivo fundamental.

“O grande argumento deles é que a cultura é o próximo estado de transição evolutiva”, disse Smaldino ao Live Science.

Ao longo da história da vida, os principais estados de transição tiveram enormes efeitos no ritmo e na direção da evolução. A evolução das células com DNA foi um grande estado de transição e, então, quando células maiores com organelas e estruturas internas complexas chegaram, o jogo mudou novamente. A fusão das células em plantas e animais foi outra grande mudança radical, assim como a evolução do sexo, a transição para a vida na terra e assim por diante.

Cada um desses eventos mudou a forma como a evolução agia, e agora os humanos podem estar no meio de outra transformação evolutiva. Podemos ainda evoluir geneticamente, mas isso pode não controlar muito a sobrevivência humana.

“No longo prazo, sugerimos que os humanos estão evoluindo de organismos genéticos individuais para grupos culturais que funcionam como superorganismos, semelhantes a colônias de formigas e colmeias”, disse Waring em um comunicado.

Mas a genética impulsiona as colônias de abelhas, enquanto o superorganismo humano existirá em uma categoria própria. Não está claro como será esse superorganismo em um futuro distante, mas provavelmente será preciso muita gente para descobri-lo.

*Por ScienceAlert

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*Fonte: pensarcontemporaneo

10 coisas que roubam sua energia positiva segundo Dalai Lama

Existem muitas coisas que “roubam” as nossas boas energias ao longo do dia. Sejam pessoas, situações ou mesmo ações que tomamos sem pensar nas consequências.

Para ajudar a guiar as pessoas rumo a um equilíbrio, o atual Dalai Lama (Tenzin Gyatso) enumerou o que chama de os “10 Ladrões da Energia”. Saiba reconhecê-los e proteja a sua positividade!

1. Se afaste das pessoas tóxicas
Deixe ir as pessoas que somente chegam para compartilhar queixas, problemas, histórias desastrosas, medo e julgamentos dos demais. Se alguém busca uma lixeira para deixar seu lixo, não deixe que seja a sua mente.

Dalai Lama

Elas são verdadeiras “vampiras” e irão sugar toda a energia que estiver ao seu redor, até deixá-lo fraco e sem forças.

As “pessoas tóxicas” normalmente são aquelas que vivem reclamando sobre a vida e nunca conseguem enxergar a positividade das situações. Nunca estão felizes ou satisfeitas pelas suas conquistas, mas são as primeiras na hora de apontar todos os defeitos e críticas sobre você e o resto do mundo.

Não existe crucifixo, água benta ou alho contra esses “vampiros de energia”, portanto o nosso melhor conselho é: SE AFASTE!

2. Pague a quem você deve
Pague suas contas a tempo. Ao mesmo tempo, cobre a quem te deve ou escolha deixa-lo ir, se já for impossível cobrar.

Dalai Lama

Sem perceber, você estará “pagando” as suas dívidas com a sua própria energia, pois definitivamente dever alguém é uma das coisas mais desgastantes que há! Honre os seus compromissos e evite se comprometer com responsabilidades que você não garante cumprir.

3. Cumpra suas promessas
Se não cumpriu suas promessas, se pergunte por que tem resistência. Sempre tem direito a mudar de opinião, a se desculpar, a compensar, a renegociar e a oferecer alternativa ante uma promessa não cumprida. Ainda não como de costume. A forma mais fácil de evitar o não cumprir com algo que não quer fazer, é dizer NÃO desde o princípio.

Dalai Lama

Novamente, não prometa algo que você sabe que não poderá cumprir, pois uma das coisas que contribui para baixar drasticamente a sua energia é a quebra de promessas.

Por outro lado, ao cumprir as promessas somos reabastecidos com um sentimento de satisfação que, consequentemente, aumenta a nossa energia positiva.

4. Dedique o seu tempo fazendo algo que goste
Elimine onde é possível e delegue aquelas tarefas que não prefere fazer e dedique seu tempo a fazer as coisas que gosta.

Dalai Lama

Calma, isso não significa que você deve fugir das suas responsabilidades e obrigações. Por vezes, somos obrigados a desempenhar uma atividade, por exemplo, que sabemos não ser de nosso agrado, mas devemos cumpri-la, pois é um dever.

Para não desperdiçar suas boas energias com tarefas que não te dão satisfação, busque construir ao seu redor aquilo que você gosta. Caso sinta que não é capaz de fazer algo, seja verdadeiro e peça para que outra pessoa mais qualificada assuma esse trabalho. Mas atenção, não faça disso uma desculpa para fugir dos desafios ou responsabilidades!

5. Descanse e aja
Se dê permissão para descansar se estiver em um momento no qual necessita e se dê permissão para agir se estiver em um momento de oportunidade.

Dalai Lama

Saber parar e descansar é essencial para garantir que suas energias não se percam por aí. Se não tiver encontrando a resposta que tanto procura, simplesmente pare e tente relaxar. Recarregue as suas forças e, principalmente, as suas energias positivas na companhia de pessoas que você ama. Mas, assim que surgir um novo caminho rumo aos seus objetivos e planos, não perca tempo e saiba agir!

6. Arrume e reorganize
Tire, arrume e organize, nada te toma mais energia que um espaço desordenado e cheio de coisas do passado que já não precisa.

Dalai Lama

Não precisa de muitas explicações, não é mesmo? E é a pura verdade. Quando estamos em um ambiente desorganizado nos sentimos desorientados e desanimados. Tente pôr uma ordem na sua bagunça, e não estamos falando apenas de coisas materiais.

7. Cuide de sua saúde
Dê prioridade a sua Saúde, sem a maquinaria de seu corpo trabalhando ao máximo, não pode fazer muito. Tire alguns momentos para descansar.

Dalai Lama

Não apenas a nossa energia mental e espiritual deve ser preservada, mas principalmente a energia física. Todas estão conectadas, então você deve estar atento a sua saúde e evitar que a falta de vitalidade consuma a sua positividade.

8. Enfrente as situações
Enfrente as situações tóxicas que está tolerando, desde resgatar um amigo ou um familiar, até tolerar ações negativas de um companheiro ou um grupo. Tome a ação necessária.

Dalai Lama

Todos enfrentamos situações tóxicas ao longo da vida. Não deixe que elas te dominem, mas seja você a tomar as rédeas dessas situações!

Você pode ter medo, insegurança ou não saber como agir, mas uma coisa é certa: não pode ficar passivo ao que te faz mau e rouba sua energia e vitalidade. Resista, reivindique e mude todos os cenários que forem tóxicos para a sua vida!

9. Aceite
Aceite. Não é resignação, mas nada te faz perder mais energia que resistir e brigar contra uma situação que não pode mudar.

Dalai Lama

Ter humildade e saber reconhecer aquilo que não podemos mudar. Não somos donos do mundo e nem tudo será do jeito que gostaríamos que fosse. Em muitos momentos a única coisa que nos resta é aceitar a vida como ela é.

10. Perdoe
Perdoe, deixe ir uma situação que esteja causando dor, sempre pode escolher deixar a dor ir embora.

Dalai Lama

O ressentimento, a raiva e o desejo de vingança são sentimentos que consomem muita energia e, definitivamente, não dão espaço para que a sua energia positiva irradie.

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*Fonte: equilibrioemvida

Os sonhos refletem várias memórias e antecipam eventos futuros

Os sonhos resultam de um processo que muitas vezes combina fragmentos de múltiplas experiências de vida e antecipa eventos futuros, de acordo com novas evidências de um novo estudo.

Os resultados mostram que 53,5% dos sonhos foram atribuídos a uma memória, e quase 50% dos relatos com uma fonte de memória foram conectados a várias experiências passadas.

O estudo também descobriu que 25,7% dos sonhos estavam relacionados a eventos iminentes específicos e 37,4% dos sonhos com uma fonte de eventos futuros estavam adicionalmente relacionados a uma ou mais memórias específicas de experiências passadas.

Os sonhos orientados para o futuro tornaram-se proporcionalmente mais comuns no final da noite.

“Os humanos têm lutado para entender o significado dos sonhos há milênios”, disse a principal investigadora Erin Wamsley, que tem um doutorado em neurociência cognitiva e é professora associada no departamento de psicologia e programa de neurociência na Furman University em Greenville, Carolina do Sul.

“Apresentamos novas evidências de que os sonhos refletem uma função de processamento de memória. Embora se saiba há muito tempo que os sonhos incorporam fragmentos de experiências passadas, nossos dados sugerem que os sonhos também antecipam eventos futuros prováveis. ”

O estudo envolveu 48 alunos que passaram a noite no laboratório para avaliação do sono noturno por meio de polissonografia. Durante a noite, os participantes foram acordados até 13 vezes para relatar suas experiências durante o início do sono, sono REM e sono não-REM. Na manhã seguinte, os participantes identificaram e descreveram as fontes de vida desperta para cada sonho relatado na noite anterior. Um total de 481 relatórios foram analisados.

“Esta é uma nova descrição de como os sonhos são derivados simultaneamente de várias fontes da vida em vigília, utilizando fragmentos de experiências passadas para construir novos cenários, antecipando eventos futuros”, disse Wamsley.

De acordo com Wamsley, o aumento proporcional de sonhos orientados para o futuro no final da noite pode ser impulsionado pela proximidade temporal dos eventos que se avizinham. Embora esses sonhos raramente representem eventos futuros de forma realista, a ativação e a recombinação de fragmentos de memória relevantes para o futuro podem, no entanto, servir a uma função adaptativa.

O resumo da pesquisa foi publicado recentemente em um suplemento online da revista Sleep e será apresentado como um pôster a partir de 9 de junho durante o Virtual SLEEP 2021. SLEEP é o encontro anual das Associações Profissionais de Sono, uma joint venture da Academia Americana de Sono Medicine and the Sleep Research Society.

*Por
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*Fonte: pensarcontemporaneo

“Pessoas felizes não precisam consumir”, a afirmação brutal do filósofo Serge Latouche

O ideólogo do decrescimento analisa como nossa sociedade criou uma religião em torno do crescimento e do consumismo.

Nascido em Vannes (França) há 70 anos, diante de uma platéia que escutava sentada nos corredores de acesso ao salão do Colegio Larraona de Pamplona, ​​salientando que o ritmo atual de crescimento da economia global é tão insustentável como a deterioração e a falta de recursos no planeta.

Convidados pelo coletivo Dale Vuelta-Bira Beste Aldera, sob o título de sua palestra “A diminuição, uma alternativa ao capitalismo?”, Ele afirmou que a sociedade estabelecesse uma autolimitação do seu consumo e exploração ambiental. Do seu ponto de vista, não se trata de propor uma involução, mas de acoplar a velocidade do gasto dos recursos naturais com a sua regeneração.

Especialista em relações econômicas Norte/Sul, o prêmio europeu de sociologia e ciências sociais Amalfi, seu movimento decrescentista, nascido nos anos 70 e estendido na França, defende a sobriedade na vida e a preservação dos recursos naturais antes de sua exaustão.

Em sua opinião, se a queda não for controlada, “a queda que já estamos experimentando” será o resultado do colapso de uma forma insustentável de capitalismo, e também será excessiva e traumática.

Uma bomba semântica. Serge Latouche afirma que o termo decrescimento é um slogan, “uma bomba semântica causada para neutralizar a intoxicação do chamado desenvolvimento sustentável”, uma forma de pensar, sustentabilidade, estendida pelo economismo liberal dos anos 80, e que favorece o pagamento de tudo.

“Por exemplo, no caso do trigo, obriga-nos a pagar pelo excedente, pelo seu armazenamento e também temos de pagar para destruir o excedente.”

“Devemos falar sobre o A-crescimento”, ele disse como um convite para refletir sobre nosso estilo de vida, incluindo a exibição do supérfluo e do enriquecimento excessivo.

Do seu ponto de vista “vivemos fagotizados pela economia da acumulação que leva à frustração e a querer o que não temos e não precisamos”, o que, diz ele, leva a estados de infelicidade.

“Detectamos um aumento de suicídios na França em crianças”, acrescentou ele, para referir-se à concessão por bancos de empréstimos ao consumidor para pessoas sem salários e ativos, como aconteceu nos Estados Unidos no início da crise econômica global. . Para o professor Latouche, “pessoas felizes geralmente não consomem”.

Seus números como economista dizem que ele está certo: todos os anos há mais habitantes no planeta, enquanto os recursos estão diminuindo, sem esquecer que consumir significa produzir resíduos e que o impacto ambiental de uma pessoal equivale a 2,2 hectares, e que a cada ano 15 milhões de hectares de floresta são consumidos “essenciais para a vida”.

“E se vivemos nesse ritmo, é porque a África permite isso”, enfatizou. Para o professor Latouche, qualquer tipo de escassez, alimentos ou petróleo, levará à pobreza da maioria e ao maior enriquecimento das minorias representadas nas grandes empresas petrolíferas ou agroalimentares.

Trabalhe menos e produza de forma inteligente.

Tachado de ingênuo por seus detratores, postulou trabalhar menos e distribuir melhor o emprego, mas trabalhar menos para viver e cultivar mais a vida, insistiu.

A partir de um projeto qualificado como “ecossocialista”, além de consumir menos, a sociedade deve consumir melhor, para qual propos que se produzisse perto de onde mora e de forma ecológica evitar que por qualquer fronteira entre Espanha e França circule até 4 mil caminhões uma semana “com tomates da Andaluzia cruzando com tomates holandeses”.

Ele terminou com um louvor ao estoicismo representada em Espanha por Seneca: “A felicidade não é alcançada se não podemos limitar nossos desejos e necessidades.”

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Argumento de autoridade, o recurso de quem não tem argumentos

Todos nós, em algum ponto, sucumbimos ao argumentum ad verecundiam ou argumento de autoridade. Não é difícil, pois em nossa sociedade muitas vezes se dá mais atenção à fonte do discurso do que à sua veracidade. Achamos que se alguém “importante” disse isso, será verdade. Infelizmente, essa é uma armadilha relativamente comum na qual caímos sem perceber. Assim, acabamos aceitando ideias falsas ou incorretas sem questioná-las.

Qual é o argumento da autoridade?

O argumento ad verecundiam, também conhecido como argumentum ad auctoritatem, consiste em defender que uma ideia só é verdadeira porque quem a cita é uma autoridade na matéria que nos inspira respeito. Na verdade, mais do que um argumento, é uma falácia. Falácias são aparentemente razões válidas para provar ou refutar uma ideia, embora na realidade essas razões não tenham fundamento lógico.

Muitas pessoas usam falácias intencionalmente para tentar persuadir ou manipular os outros, embora tenham plena consciência de que seus argumentos carecem de rigor e veracidade. O problema é que algumas dessas falácias podem ser muito persuasivas, portanto nem sempre são fáceis de detectar. Esse é o caso do argumento da autoridade.

As 2 armadilhas que o argumento ad verecundiam contém

O argumento ad verecundiam é um recurso que se baseia em depoimentos ou citações de pessoas, geralmente famosas ou de reconhecido prestígio ou autoridade, ou mesmo especialistas no assunto. Basicamente, sua lógica é a seguinte:

• Tudo o que X diz é verdade
• Se X disse “isso”,
• Portanto, “isso” é verdade.

No entanto, esse argumento aparentemente lógico começa com um erro, já que “tudo o que X diz” não precisa ser necessariamente verdade. Não apenas porque X pode mentir, mas também porque pode estar errado ou ter uma visão tendenciosa.

Apesar disso, o argumento de autoridade é frequentemente usado para dois propósitos:

1. Antecipar possíveis opiniões contrárias , desmontando-as de antemão simplesmente porque não provêm de uma fonte de autoridade, para que se feche qualquer possibilidade de diálogo.

2. Reforçar a ideia ou tese que pretende defender , baseando-se não em argumentos, razões e explicações mas sim numa pessoa que goza de algum respeito ou prestígio na sociedade.

Poder do referente, o fenômeno psicológico que sustenta essa falácia

A falácia ad verecundiam não é um fenômeno novo. Dizem que os pitagóricos costumavam recorrer a ela para apoiar seus conhecimentos. Quando alguém pediu que se explicassem, eles simplesmente responderam que “o professor disse isso”. É por isso que essa falácia também é conhecida pela frase latina “magister dixit”.

Na época medieval, a expressão ” Roma locuta, causa finita “, que significava ” Roma falou, a questão está resolvida “, também se baseava nesta falácia. Ele estava se referindo ao fato de que uma vez que a Igreja Católica definiu uma verdade, ela automaticamente se tornou um dogma que não aceitava questionamentos. Portanto, não era necessário explicar esta “verdade” ou procurar as suas causas, bastava recorrer à Igreja para silenciar qualquer tentativa de discussão ou crítica construtiva .

Infelizmente, a ciência também carece de exemplos de argumentos de autoridade. No ensino que se ministrava nas universidades medievais, não podiam ser questionadas as ideias reunidas nos manuais dos antigos escritores, como no caso do conhecimento de Galeno na Medicina ou de Ptolomeu na Astronomia.

Obviamente, o recurso ao argumento da autoridade impede uma discussão construtiva que leve à mudança ou melhoria da ideia original. Embora tenhamos deixado a Idade Média para trás, essa falácia continua a nos acompanhar. E caímos nessa toda vez que pensamos que algo é verdade só porque uma autoridade governamental, um especialista ou mesmo uma figura famosa o disse.

Na verdade, é a estratégia que muitas campanhas de marketing usam quando usam pessoas importantes em seus anúncios, que são uma referência para determinados grupos de compradores. É implicitamente assumido que, se essa pessoa alegar que aquele produto ou serviço é bom, isso será verdade.

Na realidade, esse fenômeno se baseia em uma tendência humana profundamente arraigada de buscar referências externas para orientar nossos comportamentos ou decisões. Quando somos jovens, por exemplo, e não sabemos como reagir a uma nova situação, procuramos em nossos pais sinais que nos dizem o que fazer.

Como adultos, embora tenhamos adquirido mais experiência de vida, continuamos a procurar esses pontos de referência, principalmente quando passamos por momentos de grande incerteza ou nos encontramos em situações inéditas. Porém, é precisamente nesses momentos que devemos estar mais atentos do que nunca, porque qualquer um pode tornar-se “referência” sem ser um ponto de referência confiável.

Na verdade, em certos sistemas de organização social, como as ditaduras, o argumento da autoridade pode se tornar o único argumento existente, de modo que uma única visão de como as coisas devem ser impostas é imposta. Esse mesmo fenômeno é replicado em famílias autoritárias. Nesses casos, os filhos não recebem uma explicação lógica das normas e regras que se impõem em casa, mas sim ouvem: “Porque eu falei, ponto final!”

O argumento ad verecundiam é sempre falso?

Existem diferentes tipos de argumentos de autoridade e nem todos são falsos. É importante aprender a distinguir afirmações verdadeiras daquelas que não são, mesmo que sejam apoiadas pelo poder do referente.

Podemos dizer, por exemplo, que pi (π) é 3,14 porque Arquimedes o disse usando o típico “magister dixit”. A afirmação de que pi é igual a 3,14 é verdadeira, mas o argumento que usamos para sustentá-la não é válido. Na verdade, teríamos que explicar o método usado para calcular pi.

Claro, vale esclarecer que não se trata de desacreditar os especialistas nos diversos campos de ação, pois em muitos casos eles podem ter um conhecimento mais amplo e sólido do que o nosso. No entanto, aceitar certas ideias só porque alguém importante as disse, sem tentar compreendê-las, não é dialético nem inteligente.

Einstein disse que ” se você não consegue explicar de maneira simples, não entende bem “. Todas as ideias, mesmo as mais complexas em Física Quântica ou Engenharia Social, podem ser explicadas de forma simples para que todos possam entendê-las. Usar o argumento da autoridade para fugir dessas explicações implica manter-nos nas sombras da ignorância.

As seis perguntas críticas de Walton para desmascarar o argumento de autoridade

O filósofo Douglas Walton explicou que o argumento da autoridade envolve o uso do “poder” como arma, em vez de recorrer à razão e à cognição. Afirmou que se trata de “ mau uso do recurso a uma autoridade como fonte para tentar prevalecer injustamente ou ‘silenciar a oposição’ em uma discussão ”.

Para evitar cair nessa falácia, Walton ofereceu uma lista de seis questões críticas para avaliar o argumento de autoridade apresentado pela pessoa “A” usando o poder do referente de “X”:

Experiência – Quão confiável X é como fonte especializada?
Campo – X é um especialista no campo de que A está falando?
Opinião – O que A está implicando no que X disse?
Confiabilidade – X é uma fonte confiável e honesta ou pode ser tendencioso?
Consistência – A é consistente com o que outros especialistas dizem?
Provas – A afirmação de X é baseada em provas?

Com essas questões em mente, poderíamos analisar se uma ideia é válida ou, pelo contrário, é apenas uma falácia baseada na potência do referente ou mesmo se quem está nos transmitindo essa ideia a está deformando a seu bel-prazer. Sem dúvida, nestes tempos, existem seis perguntas que devemos nos colocar com frequência.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Síndrome de Procusto: Eu quero que você esteja bem, mas não melhor que eu

A síndrome de Procusto significa que as pessoas desprezam alguém mais talentoso ou qualificado do que elas. Eles discriminam e até os incomodam.

Há pessoas que nunca progridem ou fazem outros progredir. Eles são frustrados, mas mesmo assim se acham sempre melhores.

Talvez você tenha um nome em mente. Também temos que acrescentar que essa caricatura – infelizmente existente – tem sido uma grande fonte de inspiração para vários livros e filmes.

Eles são, em outras palavras, o antagonista clássico . No nosso trabalho, na sala de aula e na nossa família. E não estamos falando apenas de um “alpinista”.

Procustes:
“Se você é muito alto, vou cortar seus pés.
Se você se provar melhor do que eu, então vou cortar a sua cabeça “. – mito grego –

Mesmo que você não encontre a síndrome de Procusto em nenhum livro de diagnóstico e não tenha uma base médica, ela resume perfeitamente o que os psicólogos chamam de “comportamento cotovelo”. Ou seja: eliminar as pessoas mais brilhantes de maneira hostil e livrar-se da pessoa mais inteligente, puramente por intolerância e ego. Pois não há nada pior para eles do que de alguma forma ser superado, por menor que seja.

O mito de Procrustes

Mesmo que esse mito não seja muito conhecido, é sem dúvida um dos mais tristes e terríveis. Segundo a mitologia grega , o personagem era um estalajadeiro que dirigia uma taverna nas colinas mais altas da Ática.

Ele também ofereceu acomodação para viajantes lá. Mas sob este telhado amigável que trazia paz e conforto, havia um terrível segredo escondido.

Procrustes tinha uma cama onde ele convidava os viajantes a relaxar. À noite, quando dormiam, ele as amordaçava e amarrava.

Se a vítima era mais longa e seus pés, mãos ou cabeça saíam da cama, Procrustes cortava-as. Se a pessoa fosse menor, ele quebrava seus ossos para obter o tamanho certo.

Este personagem sombrio realizou suas ações arrepiantes por anos até que um homem muito especial visitou sua estalagem: Teseu.

Como já sabemos, este herói ganhou fama ao derrotar o Minotauro da ilha de Creta e se tornar o rei de Atenas.

Dizem que quando Teseu descobriu o que este sádico estava fazendo à noite, decidiu dar a Procrustes um biscoito de sua própria massa.

É daí que vem a expressão ‘cama de Procusto”, quando se trata de alertar alguém que possa ser vítima de de outra pessoa que não admite que ninguém seja ou pareça ser mais qualificada que ela em qualquer aspecto.

Como as pessoas com síndrome de Procusto se comportam?
Não há dúvida de que em nossas vidas diárias ninguém se comporta com a mesma violência que Procrustes. Mas o que vemos é a mesma agressividade oculta – nos esportes, na política, nos negócios, etc.

Todos sabemos, é claro, que as pessoas que têm os cargos mais altos em uma organização nem sempre são as pessoas mais capazes ou qualificadas.

Assim, quando uma pessoa brilhante, proativa ou criativa é capaz de derrotá-los, eles usam suas técnicas horríveis para tirá-los, humilhá-los e colocá-los em um canto onde eles não são mais uma ‘ameaça’.

Características das pessoas com síndrome de Procusto
– Há pessoas que vivem com frustração constante ou que não têm controle.
– Uma autoconfiança extremamente baixa ou excepcionalmente alta .
– Eles são emocionalmente muito sensíveis. Quando eles veem que alguém está fazendo algo muito bem, sentem isso como um grave insulto.
– Eles também tentam nos “vender” a ideia de que são muito empáticos, um jogador de equipe. Mas, na realidade, é apenas um grande ego e um modo de pensar rígido e extremamente hostil.
– Eles vão monopolizar tudo. Sua competitividade tem apenas um objetivo: ser melhor do que todos ao seu redor.
– Medo de mudança. Isso geralmente ocorre em modelos de negócios tradicionais.
– Eles também emitem julgamentos irracionais. Por exemplo, se fizermos algo no trabalho que a empresa possa se beneficiar, eles verão isso como um erro, uma ideia totalmente inútil.

Uma pessoa com síndrome de Procusto usa toda a sua energia para limitar as habilidades de outras pessoas. Elas são assassinas de sonhos e esperança, manipuladoras psicológicos e mestres da agressão oculta.

Finalmente, devemos também acrescentar que eles manipulam as pessoas ou abusam de sua confiança para “colocar um fim” às pessoas bem-sucedidas.

Quando estamos cercados de pessoas difíceis, é melhor sempre “compreendê-las primeiro e depois administrá-las”.

“Toda pessoa se destacará em centenas de talentos e habilidades inesperadas simplesmente obtendo a oportunidade de fazer isso.”
– Doris Lessing-

Quando se trata dos piores casos da síndrome de Procusto, é melhor dissociar-se. Lembre-se de que o talento não combina bem com ameaças ou com um poder rígido e prejudicial.

“O comportamento dos cotovelos” vai muito além da simples competição . Quando se transforma em um ataque, quando seu chefe ou irmão faz tudo para humilhá-lo e derrotá-lo, feche a porta.

Finalmente, aconselhamos que você procure lugares e pessoas que lhe permitam abrir suas asas.

Nunca se deixe enganar pelos Procrustos em sua vida. Somos todos nascidos para se destacar, de que alguma maneira.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

A sabedoria de Platão sobre como viver uma boa vida

Um mapa para a jornada da vida

Como seres humanos, quando temos nosso leme pronto para fazer a coisa certa, não importa o que aconteça, há um efeito colateral surpreendente: o benefício da paz interior. Quando fazemos a coisa certa, ou fazemos as pazes quando deixamos de fazer a coisa certa, descobrimos que podemos dormir à noite – nossas más ações não assombram nossos sonhos ou nos mantêm de pé, com os olhos arregalados e suando, horas. Um contentamento caloroso torna-se nosso querido amigo. Todos e cada um de nós podem viver uma vida melhor e mais feliz, lutando pela excelência humana.

Platão, o antigo filósofo grego clássico, cujas idéias ainda são ensinadas e debatidas nas universidades de hoje, tem muito a dizer sobre a excelência humana. Sua influente Academia de pesquisa e aprendizado, fundada em 380 aC, foi a ancestral das universidades modernas de hoje. Na República, a obra mais conhecida de Platão e uma das obras de filosofia e teoria política mais influentes do mundo, ele lista as quatro virtudes cardeais da excelência humana como sendo: sabedoria, temperança, coragem e justiça, dizendo que eles refletem a verdadeira natureza da alma. Numerosos outros filósofos, como Aristóteles, Santo Agostinho e São Tomas de Aquino, expandiram as virtudes cardeais de Platão, todos citando-os como essenciais para o bem-estar humano.
As quatro virtudes cardeais da excelência humana: fortaleza, temperança, prudência e justiça.

Esses pilares de justiça, relacionamento humano, sabedoria e consciência superiores são vitais em um mundo que parece estar perdido. São ferramentas úteis para nos fundamentar na excelência e podem até ser a chave para uma felicidade maior. Esforçar-se pela distinção é algo incrível, e traz à tona nosso verdadeiro caráter; desenvolvendo nossas forças, abrindo nossa sabedoria e sintonizando nossa grandeza inata.

O quarteto de virtudes cardeais de Platão forma a base sobre a qual todas as outras virtudes repousam e, como tal, representa o fundamento da moralidade natural. O filósofo erudito falou muito sobre ética e acreditou que a felicidade, ou bem-estar, era o objetivo mais elevado do pensamento e da conduta moral. Portanto, essas virtudes agem como um mapa prático para alcançar a felicidade.

Sabedoria / Prudência
A sabedoria é a capacidade de discernir nosso bem maior e a ação correta em cada momento. Muitas vezes é atribuída aos anciãos, e aos antigos ensinamentos e mestres, mas a sabedoria é eterna, atemporal e sem rosto: uma magia que todos nós sentimos e conhecemos quando a experimentamos. Sabedoria é verdade. Ela flui da boca de crianças pequenas e pode ser vista na natureza, nos animais e nas qualidades inatas do coração. Uma pessoa sábia não tem nada a provar e nada a perder.

Justiça
Justiça é a capacidade de ser justo, respeitar os direitos dos outros e dar-lhes o devido. Pode ser visto na vida cotidiana como relações harmoniosas e respeitosas baseadas na integridade. A justiça informa a ética, está ligada aos direitos humanos básicos e é a base da justiça, igualdade e respeito pelas diferenças. Como tal, essa virtude ajuda a unir pessoas e evitar conflitos.

Coragem / Fortitude
A coragem é a capacidade de vencer o medo e ter força diante das dificuldades. É a capacidade de ter a resolução interior de resistir às tentações e superar os obstáculos. Temos coragem quando escolhemos a estrada mais alta e, por exemplo, somos capazes de sacrificar nossos próprios desejos por uma causa justa. Ter coragem sustenta grande parte da excelência humana e viver uma vida excelente. Pode trazer uma tremenda liberdade e crescimento; quando damos esse salto corajoso, o universo se abre para nós. Sem coragem, estamos à deriva no mar. Enquanto aproveitamos o dia, tudo é possível.


Temperança / Moderação

A temperança é o domínio da vontade sobre os instintos e se manter equilibrado e honesto. Ela pode ser visto no dia a dia, como a capacidade de controlar nossos apetites/desejos para o excesso de qualquer coisa. Nós podemos definitivamente a despertar os sentidos, e ser abundante, mostrando moderação, disciplina e restrição. A comida, a bebida e o sexo são todos necessários para a nossa sobrevivência, mas um excesso de desejo para qualquer um destes pode ter terríveis consequências. O extremismo em qualquer coisa é problemático. A temperança é um pouco como o “caminho do meio” budista. Ela pode proteger contra o excesso e o desequilíbrio, e requer simplicidade, presença e consciência.


Abraçando a jornada do herói
Há tantas histórias de grandes seres humanos vencendo obstáculos e situações graves e devastadores na vida. Todos nós amamos essas histórias e as achamos profundamente inspiradoras. Incorporadas nas jornadas destes heróis estão as quatro virtudes cardeais. É preciso muita coragem para começar a busca da excelência humana, recusar-se a desistir e tomar o caminho mais alto, ou continuar em território desconhecido. Então é preciso força incrível para persistir diante da oposição, do desastre e dos problemas. A crença na justiça e a disciplina que a temperança proporciona tornam-se a base desta busca e nasce um herói.

Todos os dias lemos as histórias de pessoas comuns que superaram as chances incríveis de ter sucesso. Penso em Tony Robbins, que se levantou de uma situação de abuso infantil e pobreza para ser o maior e mais bem-sucedido treinador de vida internacional; Anne Frank e tantos outros sobreviventes e heróis do holocausto; Nick Vujicic, nascido sem braços e pernas; e Oprah Winfrey e Maya Angelou, que sofreram terríveis abusos sexuais quando crianças. Pessoas como alpinista, Joe Simpson, que apesar do frio e uma perna quebrada, resgatou-se de uma profunda fenda. E muitas outras histórias simples, mas profundas, de sobrevivência, esperança e resiliência, de heróis comuns, que ocorrem todos os dias – comuns a todas essas histórias – são o fio dessas quatro virtudes de uma forma ou de outra.

Todos nós podemos lutar pela excelência humana e usar as virtudes cardeais de Platão como um mapa para a jornada da vida. Quando nos sentimos como um fracasso, ou como se não pudéssemos continuar, precisamos recorrer à nossa coragem, pois é mais necessário na hora mais sombria. Lembrar-se de fazer uma pausa, ser grato, temperar nosso excesso durante os tempos em que o excesso acena, colocar a vida na perspectiva rígida e abraçar a justiça, traz grande clareza em relacionamentos e situações complexas. Podemos permitir que os outros vivam suas próprias vidas, enquanto damos compaixão, e podemos assumir totalmente as nossas responsabilidades sem interferir no que não é nosso para mudar ou interferir. Tomando tempo para ficar quieto, para nutrir nosso relacionamento conosco e com um poder superior, podemos cultivar a sabedoria, nossa melhor amiga, no caminho da vida. Uma vez que confiamos em nossa própria sabedoria, temos tudo de que precisamos, e nossa vida pode fluir em sintonia com o propósito mais elevado de cada um de nós.

*Artigo traduzido de UPLIFT

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Por que o 6 é um número perfeito, mas o 7 definitivamente não é

Nem todos podem ser, mas o 6 é um número perfeito.

Sabemos disso há 2,3 mil anos, muito tempo antes de tomarmos conhecimento da grande maioria dos outros 50 membros deste clube exclusivo.

A criativa maneira como se contava até 9.999 nos dedos na Idade Média
Como a Índia revolucionou a matemática séculos antes do Ocidente

Mas por que ele é perfeito?

Porque 6 = 1 + 2 + 3

Os números perfeitos são iguais à soma de seus divisores: 6 pode ser dividido por 1, 2 e 3 e, quando você soma esses números, o resultado é 6.

O 28 é outro número perfeito porque a soma dos números que podem dividi-lo é 28

A história dos números perfeitos faz parte de um dos ramos mais antigos e fascinantes da matemática: a teoria dos números.

O primeiro a se referir a eles foi ninguém menos que o matemático grego Euclides, em sua influente obra Os Elementos, publicada em 300 a.C.

Ele havia descoberto quatro números perfeitos e, em seu livro, revelou uma maneira eficaz de encontrar outros. Eficaz, mas difícil e demorada.

Se você está curioso para saber qual era a fórmula, prossiga a leitura. Do contrário, pule o trecho que está entre as linhas verdes.

Isto é, passo a passo, o que ele disse:

“Se qualquer série de números for colocada continuamente em dupla proporção…”

Ou seja, por exemplo, 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64…

“… (começando) de uma unidade, até que a soma de todos seja um número primo…”

Então vamos somar até chegar a um número primo (divisível apenas por 1 e ele mesmo):

1 + 2 + 4 + 8 + 16 = 31

“… e se (o total) da soma for multiplicada pelo último (número da sequência), então o produto (resultado) será (um número) perfeito.”

Portanto, a soma deve ser multiplicada pelo último número da sequência: 31 x16 = 496 … e o resultado deve ser um número perfeito.

Será que é?

496 pode ser dividido por 1, 2, 4, 8, 16, 31, 62, 124 e 248. E, se somarmos todos, o resultado é 496. Trata-se, efetivamente, de um número perfeito.

Euclides não apenas nos presenteou com quatro desses números seletos — 6, 28, 496 e 8128 — como também inspirou as gerações seguintes de matemáticos a continuar a busca.

Uma longa busca. Levaria mais de 1750 anos até outro número perfeito ser identificado.

Antes disso, outro matemático grego, o neopitagórico Nicômaco de Gerasa deu a eles um caráter mais místico.

Divinos

Em sua Introdução à Aritmética, Nicômaco fez uma classificação dos números que incluía os perfeitos, e colocava os outros em seu devido lugar.

Os perfeitos já haviam sido definidos por Euclides, mas se a soma dos divisores dava um número maior, eles eram abundantes; se dava um número menor, deficientes.

Mas ele não se limitou a dar nomes a eles: os números talvez tenham sido criados iguais, mas para Nicômaco alguns eram mais iguais do que outros.

Quando há demasiado, disse ele, “se produz excesso, superfluidade, exageros e abusos; no caso de muito pouco, se produz desejos, inadimplência, privações e insuficiências”.

O contraste com estar em igualdade era abissal.

“Se produz virtude, medidas justas, decoro, beleza e coisas do gênero, das quais a mais exemplar é aquele tipo de número que se chama perfeito.”

Sua classificação deixou uma marca. Os números perfeitos se tornaram, pelo menos por um tempo, divinos.

Milhares de cálculos depois…

Em 1456, alguém registrou outro número perfeito em um manuscrito medieval: 33550336.

E em 1588, o matemático italiano Pietro Antonio Cataldi encontrou dois outros: 8589869056 e 137438691328.

Você pode imaginar quanto trabalho eles devem ter tido para conseguir isso sem um computador!

É impressionante… e o oitavo número perfeito que seria descoberto dois séculos depois, ainda mais.
2305843008139952128

Ele foi identificado por ninguém menos que o grande Leonhard Euler em 1772, tinha 19 dígitos e, de acordo com o matemático inglês do século 19 Peter Barlow, era “provavelmente o maior que seria descoberto”.

Ele estava enganado.

Duas décadas após sua morte, foi encontrado o nono número perfeito, graças aos avanços da tecnologia e da teoria dos números. Os intervalos de tempo entre uma descoberta e outra foram encurtados ao ponto que neste milênio, foram identificados quase um por ano.

Hoje conhecemos um total de 51 números perfeitos. O mais recente tem 49.724.095 dígitos.

O evasivo ímpar

Se você visse todos, notaria que, sem exceção, são pares.

Isso deu origem a um dos mistérios mais antigos da matemática: a conjectura sobre os números perfeitos ímpares.

Uma conjectura é uma regra que nunca foi comprovada, neste caso seria algo como “todos os números perfeitos são pares”.

Isso é algo que não poderemos afirmar até que seja respondida a grande pergunta que os matemáticos fazem desde René Descartes no século 17 até o norueguês Øystein Ore no século 20: existem números perfeitos ímpares?

Várias mentes brilhantes avançaram em busca da resposta.

Porém, a única coisa que sabemos até agora é que, se existirem, devem ser maiores que 10³⁰⁰, uma vez que a conjectura foi verificada computacionalmente até esse valor sem encontrar nenhum.

Mas afinal de contas…
Para que servem?

Dados a dimensão e a quantidade de mentes brilhantes no mundo matemático que dedicaram tempo e massa cinzenta aos números perfeitos, talvez seja natural se perguntar qual é sua importância.

E nada mais gratificante do que encontrar uma resposta magnífica, como a que David E. Joyce, professor de Matemática e Computação da Clark University, nos EUA, deu no portal Quora.

“Os critérios tradicionais de importância na teoria dos números são estéticos e históricos. O que as pessoas consideram importante é o que interessa a elas. Isso difere de pessoa para pessoa”, afirma.

Em outras palavras, são importantes porque são interessantes… quer razão melhor? E se você leu até aqui, provavelmente concorda.

Além disso, uma das coisas mais fascinantes em relação à matemática é que ela frequentemente nos revela maravilhas que só com o tempo passamos a entender.

*Por Dalia Ventura

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*Fonte: bbc-brasil

Ensine as crianças a pensar não o que pensar

Um professor sufi tinha o hábito de contar uma parábola ao final de cada aula, mas os alunos nem sempre entendiam a mensagem dela.

– Professor – um de seus alunos disse desafiadoramente um dia – você sempre nos conta uma história, mas nunca explica seu significado mais profundo.

– Peço desculpas por ter realizado essas ações – o professor pediu desculpas – me permita reparar o meu erro, vou lhe oferecer meu delicioso pêssego.

– Obrigado professor.

– No entanto, gostaria de lhe agradecer como merece. Você pode me deixar descascar o pêssego?

– Sim, muito obrigado – o estudante ficou surpreso, lisonjeado com a gentil oferta do professor.

– Você gostaria que, já que eu tenho a faca na minha mão, eu corte em pedaços para ficar mais confortável para você?

– Eu adoraria, mas eu não gostaria de abusar da sua generosidade, professor.

– Não é um abuso se eu ofereço a você. Eu só quero agradar você em tudo que puder. Deixe-me mastigar antes de dar a você também.

– Não professor, eu não gostaria que você fizesse isso! – o aluno reclamou surpreso e aborrecido.

O professor fez uma pausa, sorriu e disse:

– Se eu explicasse o significado de cada uma das histórias para meus alunos, seria como dar-lhes a comer frutas mastigadas.

Infelizmente, muitos professores e pais acham que é melhor dar às crianças frutas cortadas e mastigadas perfeitamente. Na verdade, a sociedade e as escolas estão estruturadas de tal forma que se focam mais na transferência de conhecimentos, de verdades mais ou menos absolutas, que em ensinar as crianças a pensar por si mesmas e tirar suas próprias conclusões.

Os pais, educados neste esquema, também o repetem em casa, já que todos nós temos a tendência de reproduzir com nossos filhos as diretrizes educacionais que eles usaram conosco, embora nem sempre estejamos conscientes disso.

Entretanto, ensinar uma criança a acreditar cegamente em supostas verdades sem questioná-las, ensiná-las sobre o que pensar implica tirar delas uma de suas habilidades mais valiosas: a capacidade de se autodeterminar.

Educar não é criar, mas ajudar as crianças a criarem a si mesmas

A autodeterminação é a garantia de que, se escolhermos o que escolhemos, seremos os protagonistas de nossas vidas. Nós podemos cometer erros. De fato, é muito provável que o façamos, mas aprenderemos com o erro e continuaremos em frente, enriquecendo nosso kit de ferramentas para a vida toda.

Educar não é criar, senão ajudar as crianças a criarem a si mesmas

A autodeterminação é a garantia de que, se escolhermos o que escolhemos, seremos os protagonistas de nossas vidas. Nós podemos cometer erros. De fato, é muito provável que o façamos, mas aprenderemos com o erro e continuaremos em frente, enriquecendo nosso kit de ferramentas para a vida toda.

Do ponto de vista cognitivo, não há nada mais desafiador do que problemas e erros, já que eles não apenas exigem esforço, mas também um processo de mudança ou adaptação. Quando enfrentamos um problema, todos os nossos recursos cognitivos são colocados em ação e, muitas vezes, essa solução implica uma reorganização do esquema mental.

Portanto, se em vez de dar verdades absolutas às crianças, colocamos desafios para elas pensarem, estaremos fortalecendo a capacidade de observar, refletir e tomar decisões. Se ensinarmos as crianças a aceitar sem pensar, essa informação não será significativa, não produzirá uma grande mudança em seu cérebro, mas será simplesmente armazenada em algum lugar em sua memória, onde gradualmente desaparecerá.

Pelo contrário, quando pensamos em resolver um problema ou tentamos entender o que estamos errados, há uma reestruturação que dá origem ao crescimento. Quando as crianças se acostumam a pensar, questionar a realidade e encontrar soluções para si mesmas, elas começam a confiar em suas habilidades e encaram a vida com maior segurança e menos medo.

As crianças devem encontrar seu próprio jeito de fazer as coisas, devem conferir significado ao seu mundo e formar seus valores centrais.

Como conseguir isso?

Uma série de experimentos desenvolvidos na década de 1970 na Universidade de Rochester nos dá algumas pistas. Esses psicólogos trabalharam com diferentes grupos de pessoas e descobriram que as recompensas podem melhorar a motivação e a eficácia até certo ponto quando se trata de tarefas repetitivas e chatas, mas podem ser contraproducentes quando se trata de problemas que exigem reflexão e compreensão. pensamento criativo

Curiosamente, as pessoas que não receberam prêmios externos obtiveram melhores resultados na resolução de problemas complexos. De fato, em alguns casos, essas recompensas fizeram com que as pessoas procurassem atalhos e assumissem comportamentos antiéticos, já que o objetivo não era mais resolver o problema, mas obter a recompensa.

Esses resultados levaram o psicólogo Edward L. Deci a postular sua Teoria da Autodeterminação, segundo a qual motivar pessoas e crianças a dar o seu melhor, não é necessário recorrer a recompensas externas, mas apenas fornecer um ambiente adequado. que atenda a esses três requisitos:

1. Sentir que temos certo grau de competência, para que a tarefa não gere uma frustração e ansiedade exageradas.

2. Desfrutar de um certo grau de autonomia, para que possamos procurar novas soluções e implementá-las, sentindo que temos controle.

3. Manter uma interação com os outros, para se sentir apoiado e conectado.

Finalmente, encorajo-vos a desfrutar deste curta da Pixar, que se refere precisamente à importância de deixar as crianças encontrarem o seu próprio caminho e não lhes darem respostas e soluções predeterminadas.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

O negócio do medo, de acordo com Zygmunt Bauman

“ A economia de consumo depende da produção dos consumidores, e os consumidores que devem ser produzidos para o consumo de produtos ‘anti-medo’ devem ser amedrontados e amedrontados, enquanto também esperam que os perigos que eles tanto temem possam ser forçados a que se retirem e que eles próprios sejam capazes de forçá-los a tal, com a ajuda paga do bolso, obviamente ” , escreveu o sociólogo Zygmunt Bauman.

No cenário moderno, onde a “ luta contra os medos acabou se tornando uma tarefa para toda a vida, enquanto os perigos que desencadeiam esses medos passaram a ser vistos como companheiros permanentes e inseparáveis ​​da vida humana ”, temos que examinar nossos medos com um senso crítico extraordinário ou, caso contrário, acabaremos sendo seus reféns, engolidos e manipulados por aqueles monstros das sombras que parecem surgir por toda parte.

Em uma sociedade hiperconectada, os medos se multiplicam

No passado, a notícia se espalhava muito lentamente. Muitas vezes foram até mesmo relegados ao local onde ocorreram. Hoje, com a Internet, sabemos imediatamente o que aconteceu do outro lado do mundo. Esse imediatismo e interconexão são positivos, mas também contêm uma armadilha. A armadilha de ver perigos em todos os lugares. Sentindo-se permanentemente inseguro. Sempre esperando que o que aconteceu do outro lado do mundo seja replicado em nosso ambiente mais próximo.

Dessa forma, acabamos mergulhando no que Bauman chamou de ” uma batalha prolongada e invencível contra o efeito potencialmente incapacitante dos medos contra os perigos genuínos e putativos que nos fazem temer “. Tememos não apenas os perigos reais que nos ameaçam em nossa vida diária, mas também perigos mais difusos e distantes que podem nunca chegar.

Nas garras daquele sentimento de apreensão que nos condena a um estado de alarme permanente em que sentimos que não podemos baixar a guarda por um minuto, não temos escolha a não ser mergulhar em uma ” busca contínua e prova perpétua de estratagemas e recursos que permitir afastar, mesmo que temporariamente, a iminência de perigos; ou melhor, que nos ajudem a deslocar a preocupação em nós mesmos para um canto de nossa consciência de modo que permaneça esquecido o resto do tempo ”.

Para isso recorremos a todo o tipo de estratagemas. No entanto, existe a contradição de que quanto ” mais profundos eles são, mais ineficazes e menos conclusivos são seus efeitos “. Porque, na realidade, as estratégias que aplicamos para afastar nossos medos têm apenas um efeito muito limitado: elas ocultam os medos por um tempo, até que a próxima notícia os reative.

Quando o medo é difuso, incerto e se estende a praticamente qualquer esfera de nossa vida, ele se torna um inimigo difícil de vencer. Então se torna o “negócio do medo”.

Preso no labirinto de medos improváveis

Sabemos que o futuro será diferente, embora não saibamos bem como ou em que medida. Também sabemos que a qualquer momento pode ser rompida a frágil continuidade entre o presente e o futuro que nos faz sentir tão seguros.

A incerteza do futuro faz com que ” nos preocupemos apenas com as consequências das quais podemos tentar nos livrar “. Concentramo-nos apenas nos riscos que podemos prever e calcular. E esses riscos são freqüentemente aqueles que a mídia enfatiza ad nauseam.

Como disse Milan Kundera, “ o palco de nossas vidas está envolto em uma névoa – não na escuridão total – na qual não vemos nada e não somos capazes de nos mover. No nevoeiro você está livre, mas essa é a liberdade de quem está nas trevas ”.

Podemos ver 30 passos e reagir ao que temos bem na frente de nossos narizes, mas não vemos além. Assim, tentamos prever os perigos mais próximos, conhecidos e próximos. Mas os maiores e mais perigosos, provavelmente os que mais podem nos afetar, não os vemos. Dessa forma, acabamos marginalizando as principais preocupações.

“ Focados no que podemos fazer algo, não temos tempo para nos ocuparmos em refletir sobre coisas sobre as quais nada poderíamos fazer, mesmo que quiséssemos. Isso nos ajuda a preservar nossa sanidade, a remover pesadelos e insônia. O que ela não pode conseguir, no entanto, é que estamos mais seguros ” , disse Bauman.

Assim, acabamos caçando monstros inexistentes, dedicando todos os nossos esforços e energias para nos proteger de riscos improváveis, enquanto nossa mente se desgasta em uma batalha que se perde de antemão. E enquanto mergulhamos nesses medos líquidos, nossa mente racional se desconecta. Porque quando o velho cérebro assume o controle, ocorre um sequestro emocional total que nos impede de ver claramente o que está acontecendo e de compreender que a maioria dos medos que nos dominam são irracionais ou o resultado de um medo derivado .

Nesse estado, é mais fácil vender soluções para “nos proteger” desses medos, soluções que não se limitam ao nível comercial mas vão muito além do sistema de alarme que instalamos em casa para nos sentirmos seguros ou de medicamentos para ansiedade ou insônia. que nos permitem esquecer por um momento a nossa angústia, mas antes ” aparecem-nos sob a máscara da protecção ou salvaguarda das comunidades “, para sustentar um status quo que convenientemente nos mantém dentro dos estreitos limites impostos pelo medo.

E assim caímos no ciclo do medo líquido referido por Bauman, um medo que está em toda parte, convenientemente nutrido, mas impossível de erradicar porque se autoperpetua. A menos que façamos um ato de consciência e compreendamos que esses medos são tão irracionais e seus riscos tão pequenos que podemos nos libertar deles para viver plenamente a única vida que temos.

Artigo do site Rincón de la Psicología

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Como ser feliz? Os 11 conselhos de Aristóteles

Quando se trata de alcançar a felicidade, a maioria das pessoas se pergunta: “O que devo fazer?” Não é estranho, imbuído como estamos na cultura do fazer e da plena ocupação do tempo até que não haja mais um minuto. Os grandes filósofos, no entanto, se perguntavam: “Que tipo de pessoa devo ser?”

O segredo está no equilíbrio

Muitos grandes pensadores costumavam recorrer à ética da virtude em busca de respostas. Aristóteles, um dos filósofos mais influentes de todos os tempos, desenvolveu um sistema integral de virtude que podemos perfeitamente pôr em prática nos tempos modernos para alcançar um estado de equilíbrio emocional e paz interior no qual a felicidade naturalmente floresce.

De fato, seu sistema de ética da virtude é especialmente projetado para nos ajudar a alcançar a “eudaimonia”, uma palavra muito interessante que geralmente é traduzida como “felicidade” ou “bem-estar”, mas que na verdade significa “floração humana”.

Isso significa que Artistóteles pensava que a felicidade é o resultado de um modo de vida e um modo de ser, que surge quando somos capazes de desenvolver nosso potencial como pessoa e construir um sólido “eu”. O que é esse modo de viver?

Aristóteles pensava que o segredo estava em equilíbrio, uma ideia relacionada a outros sistemas filosóficos como o budismo. Este filósofo pensava que uma vida de abstinência, privação e repressão não leva à felicidade ou a um “eu” completo. Mas uma vida hedonista também não é o caminho, uma vez que os excessos geralmente geram uma forma de escravidão ao prazer, gerando no final um vazio existencial.

“A virtude é uma posição intermediária entre dois vícios, um por excesso e o outro por padrão”, escreveu ele. E para desenvolver a virtude, devemos simplesmente aproveitar todas as oportunidades que surgem, uma vez que não se trata de conceitos teóricos, mas de atitudes, decisões e comportamentos que devem guiar nossas vidas.

As 10 virtudes aristotélicas para alcançar eudaimonia

Em Nicomachean Ethics, o livro mais conhecido de Aristóteles escrito no século IV aC. C., elenca as virtudes que devemos desenvolver para alcançar eudaimonia:

1. Elegibilidade.
É a capacidade de controlar nosso temperamento e as primeiras reações. A pessoa paciente não fica muito zangada, mas também não pára de ficar com raiva quando tem razões para isso.

2. Força.
É o ponto intermediário entre a covardia e a imprudência. A pessoa forte é aquela que enfrenta perigos por estar ciente dos riscos e tomar as precauções necessárias. Trata-se de não correr riscos desnecessários, mas também de evitar os riscos necessários para crescer.

3. Tolerância.
É o equilíbrio entre o excesso de indulgência e intransigência. Aristóteles pensava que é importante perdoar, mas sem cair no extremo de passar tudo, deixando que os outros atropelem nossos direitos ou deliberadamente nos machuquem sem responder. Tão negativo é ser extremamente tolerante como extremamente intolerante.

4. Generosidade.
É o ponto intermediário entre a mesquinhez e a prodigalidade, trata-se de ajudar os outros, mas não de nos dar tanto que nosso “eu” seja diluído.

5. Modéstia.
É a virtude que está no ponto intermediário entre não se dar crédito suficiente pelas conquistas feitas devido à baixa auto-estima e ter um ego excessivo que nos faz pensar que somos o centro do universo. Trata-se de reconhecer nossos erros e virtudes, assumindo as responsabilidades que nos correspondem, nem mais nem menos.

6. Veracidade.
É a virtude da honestidade, que Aristóteles coloca em um ponto justo entre a mentira habitual e a falta de tato para dizer a verdade, para que a pessoa se torne um camicaze da verdade. Trata-se de avaliar o alcance de nossas palavras e dizer o que é necessário, nem mais nem menos.

7. Graça.
É o ponto médio entre ser um palhaço e ser tão hostil que somos rudes. É um saber ser, para que outros gostem da nossa empresa.

8. Sociabilidade.
Muito antes de os neurocientistas descobrirem que temos que escolher nossos amigos com cuidado, pois nossos cérebros acabarão se assemelhando aos seus, Aristóteles já nos advertiu do perigo de sermos sociáveis demais com muitas pessoas, bem como da incapacidade de fazer amigos. O filósofo acreditava que deveríamos escolher nossos amigos com cuidado, mas também cultivar esses relacionamentos.

9. Decoro.
É o ponto médio entre ser muito tímido e ser sem vergonha. Uma pessoa decente respeita a si mesma e não tem medo de cometer erros, mas não cai em insolência ou impertinência tentando passar sobre os outros. Ele está ciente de que todos merecem ser tratados com respeito e exigem o mesmo respeito por si mesmos.

10. Justiça.
É a virtude de lidar de forma justa com os outros, a meio caminho entre o egoísmo e o total desinteresse. Consiste em levar em conta tanto as necessidades dos outros quanto as próprias, para encontrar o meio termo que nos permita tomar decisões mais justas para todos.

A coisa mais interessante sobre a proposta de Aristóteles é que há espaço para erro, para cometer erros, aprender e melhorar sem sentir que somos pessoas más ou que não conseguiremos alcançá-lo. O que você acha?

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*Fonte: pensarcontemporaneo

‘Falta de privacidade mata mais que terrorismo’: alerta professora de Oxford

Em Privacy Is Power, a professora Carissa Véliz fez um levantamento chocante de quantos dados íntimos estamos entregando. Mas ela tem um plano para quem quer se livrar disso.

“Praticamente tudo o que fazemos é espionado e controlado por empresas que, por sua vez, compartilham todas essas informações pessoais entre si e com vários governos.”

Não se trata apenas de venderem os seus dados pessoais, mas do imenso poder de influenciar que isso lhes confere.

“Se você está lendo este livro, provavelmente já sabe que seus dados pessoais estão sendo coletados, armazenados e analisados”, começa Carissa Véliz, em Privacy Is Power. Seu desafio, como escritora e defensora da privacidade, é nos livrar de nossa complacência; para nos persuadir a ver isso não como um sacrifício necessário na era digital, mas uma invasão intolerável. Pelo medo crescente que senti ao ler Privacidade é poder, eu diria que ela teve sucesso.

Antes mesmo de você sair da cama ou desligar o alarme do seu celular, muitas organizações já sabem a que horas você vai acordar, onde dormiu e até com quem.

Desde o momento em que você acorda e verifica seu telefone pela primeira vez, aos profissionais de marketing que inferem seu humor a partir de suas escolhas musicais, ao alto-falante inteligente que compartilha suas conversas privadas ou à televisão que as escuta (a partir dos termos e condições de um Smart TV Samsung : “Esteja ciente de que se suas palavras faladas incluírem informações pessoais ou outras informações confidenciais, essas informações estarão entre os dados capturados”), não há nenhum lugar para se esconder – ou mesmo apenas estar – nesta paisagem infernal hiperconectada. As empresas podem rastreá-lo tanto pelo seu rosto quanto pela sua pegada digital, seus registros médicos podem ser entregues à Big Tech e os anunciantes podem saber de sua separação antes de você.

Esses assuntos são abordados em Privacy is Power (ou Privacidade é poder), o livro que acaba de ser publicado no Reino Unido pela filósofa mexicana-espanhola Carissa Véliz, professora do Instituto de Ética e Inteligência Artificial da Universidade de Oxford.

Em seu livro, Véliz, muitas vezes se volta para a segunda pessoa, habilmente enfatizando seu ponto: é impossível não se imaginar navegando cegamente nesse horror, então você se lembra – você já está nele.

Seus dados podem já estar sendo usados ​​contra você, diz Véliz, com implicações de longo alcance para a confiança, igualdade, justiça e democracia. “Não importa se você acha que não precisa de privacidade”, diz ela. “Sua sociedade precisa de privacidade.”

Nascida no México em uma família espanhola que teve que deixar a Espanha após a Guerra Civil e encontrar refúgio naquele país, Véliz se interessou por privacidade quando começou a investigar a história de seus parentes em arquivos da Espanha.

Em 2013, enquanto pesquisava a história de sua família, ela descobriu alguns detalhes surpreendentes sobre seu falecido avô que ela só poderia supor que ele não queria que ela descobrisse. “Comecei a me perguntar se tinha o direito de saber todas essas coisas que meus avós não me contaram.”

Hoje ela é uma especialista em privacidade e no imenso poder que nossos dados pessoais conferem a empresas e governos.

Preocupado com sua privacidade online? Algumas etapas fáceis que você pode seguir

• Pense duas vezes antes de compartilhar. Antes de postar algo, pense em como isso pode ser usado contra você.

• Respeite a privacidade dos outros. Peça consentimento antes de postar uma foto nas redes sociais. O reconhecimento facial pode identificar você e outras pessoas com ou sem uma etiqueta.

• Não autorize a coleta de seus dados pessoais em sites e aplicativos. Suponha que todas as configurações de produtos e serviços sejam hostis à privacidade por padrão e altere-as.

• Bloqueie cookies em seu navegador, especialmente cookies de rastreamento entre sites.

• Não use o e-mail comercial para fins não relacionados ao trabalho. Procure a criptografia, considere o país no qual o provedor está baseado.

• Pare de usar o Google como seu mecanismo de pesquisa principal. As opções de privacidade incluem DuckDuckGo e Qwan

• Use navegadores diferentes para atividades diferentes. Os navegadores não compartilham cookies entre eles. Brave é um navegador projetado com privacidade em mente. Firefox e Safari, com os complementos apropriados, também são boas opções.

Privacy is Power (ou Privacidade é poder) é um livro fino sobre um assunto vasto e complexo, que se tornou mais poderoso quando Véliz aceitou seus limites. (“O Facebook violou nosso direito à privacidade tantas vezes que uma conta abrangente mereceria um livro em si”, escreve ela.) É altamente legível, mostrando claramente um problema que muitos de nós já perdemos de vista. “Quando as empresas coletam seus dados, não dói, você não sente a ausência, não os vê fisicamente”, diz Véliz. “Temos que aprender porque temos experiências ruins.”

Ela escreve sobre uma espanhola, vítima de roubo de identidade, que passou anos sendo puxada para dentro e para fora de delegacias de polícia e tribunais por crimes cometidos em seu nome. “Minha vida foi arruinada”, diz a mulher, apenas um entre quase 225.000 casos registrados no Reino Unido no ano passado.

No mês passado, um homem de Detroit foi preso por engano com base em um algoritmo de reconhecimento facial. (“Acho que o computador errou”, disse um detetive.) No Japão no ano passado, um homem agrediu sexualmente uma estrela pop, alegando que havia identificado sua localização analisando os reflexos em seus olhos em fotos que ela postou online. E Véliz descreve um cientista de dados em treinamento com a tarefa de investigar um estranho, simplesmente pelo exercício: “Ele acabou estudando a fundo um cara em Virginia , que, ele soube, tinha diabetes e estava tendo um caso. ”

O problema é difícil de administrar mesmo dentro de nossas instituições cívicas, que olham para a tecnologia como resposta para tudo, mesmo quando não é totalmente compreendido (o fiasco do resultado do exame é um exemplo recente). “Quando alguém diz que a IA é ‘vanguarda’, muitas vezes o que está dizendo é: ‘Não testamos o suficiente para saber se funciona’”, diz Véliz. “Não deve ser testado em uma população inteira sem nosso conhecimento, consentimento ou compensação … Estamos sendo tratados como cobaias.”

Privacy is Power foi lançado no momento em que o governo do Reino Unido lançou seu novo aplicativo de rastreamento de contatos. Véliz diz que há poucos indícios de que será eficaz – e certamente não sem o acompanhamento de testes em massa – porque, quando as pessoas forem alertadas de que entraram em contato com um caso confirmado, já terão infectado outros.

“O primeiro aplicativo foi um fiasco total e todos sabiam que seria”, diz Véliz. Resta saber se o segundo é uma melhoria, mas os riscos de privacidade e segurança são uma certeza. Pesquisadores do Imperial College estimam que rastreadores instalados nos telefones de apenas 1% da população de Londres podem ser responsáveis ​​pela localização em tempo real de mais da metade da cidade.

Como a história mostra, é mais fácil para os governos minar as liberdades civis em tempos de convulsão social, e muitos não podem ser confiáveis ​​com as informações que coletam; apenas neste mês, 18.000 pessoas tiveram informações pessoais publicadas online por engano pela Public Health Wales. “É muito caro obter a tecnologia certa e a maioria dos governos não tem dinheiro ou experiência … estamos fornecendo dados muito confidenciais a instituições que não são capazes de mantê-los seguros”, diz Véliz. “Parece que não estamos prontos para esse tipo de poder.”

Mas o uso indevido de nossos dados não é a única ameaça à nossa privacidade. Cooperação entre órgãos públicos e empresas – como o contrato de controle de fronteira concedido à Palantir, a empresa de tecnologia que auxilia o governo Trump na deportação de migrantes dos Estados Unidos; ou o apoio da polícia do Reino Unido para que o Uber receba uma licença em troca de seus dados – deve ser motivo de preocupação constante. “É uma instituição pública de apoio à tecnologia que pode, no geral, ser prejudicial à sociedade”, afirma Véliz.

Um especialista em tecnologia pode ter ficado tentado a se concentrar nos porquês e comos de nossa vigilância estrutural, ao fazê-lo (mesmo inadvertidamente), afirmando a necessidade dela. Enquadrada por um filósofo como uma questão ética, é obviamente intolerável. “Isso não é publicidade: isso me mantém acordada à noite”, diz ela.

Ainda assim, Véliz insiste em que há motivos para ter esperança. “As pessoas não achavam que o GDPR seria possível, achavam que a privacidade estava morta, era uma coisa do passado – e obviamente não é. Estou muito otimista de que este nível de intrusão não é sustentável. ”

O que ela deseja é que mais pessoas exerçam seu arbítrio sobre como seus dados são usados, tanto para se proteger quanto para enviar um extrato maior. Mesmo as maiores empresas de tecnologia dependem da cooperação das pessoas, ela ressalta: “Se buscarmos alternativas amigáveis ​​à privacidade, elas irão prosperar”.

Ela apresenta etapas práticas para retomar o controle, como trocar o Google por mecanismos de pesquisa amigáveis ​​à privacidade, como o DuckDuckGo, gravar sua webcam quando não estiver em uso, pedir permissão às pessoas antes de postar sobre elas online, usando gerenciadores de senha e VPNs para ocultar seu endereço IP e escolher dispositivos “burros” em vez de dispositivos “inteligentes”. (Privacy Is Power me convenceu de que o Amazon Alexa não oferece nenhum benefício suficiente para justificar sua presença sinistra. Verifique a previsão você mesmo.)

“É uma coisa difícil de fazer se você fizer tudo e perfeitamente – mas você não precisa fazer nada para fazer uma grande diferença”, diz Véliz. Embora a regulamentação continue a ser necessária, é revigorante ver soluções práticas para uma situação sobre a qual é difícil não se sentir impotente – bem como um lembrete de que isso continuará a menos que deixemos claro que é inaceitável.

“Devíamos estar indignados. As empresas estão muito preocupadas com o que as pessoas pensam. Se as pessoas tweetarem sobre isso, falarem sobre isso, escolherem produtos melhores, as coisas podem mudar em questão de poucos anos ”, diz Véliz. Pode ser falso, mas um anúncio recente da Apple alardeando a importância da privacidade é a prova de que, pelo menos, eles sabem que o público está preocupado.

O primeiro passo para a revolução pode ser simplesmente tornar-se mais consciente da liberdade com que você entrega seus dados e para quem. Você precisa clicar em “sim” para o pop-up de cookies? Você deveria contar a todo o Twitter onde você está? A sua geladeira realmente precisa estar conectada à internet? Quando questionada sobre seu endereço de e-mail, Véliz costuma dar noneofyourbusiness@privacy.com, “para deixar claro”.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

“Cuidado com políticos que fazem dos nossos sentimentos um instrumento de poder”, por Zygmunt Bauman

“Os vínculos se despedaçam, o espírito de solidariedade enfraquece, a separação e o isolamento tomam o lugar do diálogo e da cooperação”, afirma o sociólogo polonês Zygmunt Bauman.

A reportagem é de Giulio Azzolini, publicada no jornal La Repubblica, 05-08-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista:

Professor Bauman, passaram-se 10 anos desde que o senhor escreveu “Medo líquido” (Ed. Laterza). O que mudou desde então?

O medo ainda é o sentimento predominante do nosso tempo. Mas, acima de tudo, é preciso que nos entendamos sobre que tipo de medo se trata. Muito semelhante à ansiedade, a uma incessante e generalizada sensação de alerta, é um medo multiforme, exagerado na sua imprecisão. É um medo difícil de se captar e, por isso, difícil de combater, que pode arranhar até os momentos mais insignificantes da vida cotidiana e afeta quase todas as camadas da convivência.

Para o filósofo e psicanalista argentino Miguel Benasayag, a nossa época é a das “paixões tristes.” O que acontece quando o medo abraça a desconfiança?

Acontece que os laços humanos se despedaçam, que o espírito de solidariedade enfraquece, que a separação e o isolamento tomam o lugar do diálogo e da cooperação. Da família à vizinhança, do local de trabalho à cidade, não há ambiente que permaneça hospitaleiro. Instaura-se uma atmosfera sombria, em que cada um alimenta suspeitas sobre quem está ao seu lado e é, por sua vez, vítima das suspeitas alheias. Nesse clima de desconfiança exagerada, basta pouco para que o outro seja percebido como um potencial inimigo: será considerado culpado até que se prove o contrário.

Contudo, a Europa já conheceu e derrotou a hostilidade e o terror: o político das Brigadas Vermelhas na Itália e da RAF na Alemanha, o étnico-nacionalista do ETA na Espanha e do IRA na Irlanda. O nosso passado ainda pode nos ensinar algo, ou o perigo de hoje é incomparável?

Os precedentes certamente existem. No entanto, poucos mas decisivos aspectos tornam as atuais formas de terrorismo muito diferentes dos casos que você lembrava. Estes últimos se aproximavam a uma revolução (visando, como as Brigadas Vermelhas ou a RAF, a uma subversão do regime político) ou a uma guerra civil (apontando, como o ETA ou o IRA, à autonomia étnica ou à libertação nacional), mas sempre se tratava de fenômenos essencialmente domésticos. Pois bem, os atos terroristas atuais não pertencem a nenhuma dessas duas situações: a sua matriz, de fato, é completamente diferente.

Qual é a peculiaridade do terrorismo atual?

A sua força deriva da capacidade de corresponder às novas tendências da sociedade contemporânea: a globalização, por um lado, e a individualização, por outro. Por um lado, as estruturas que promovem o terrorismo se globalizam muito além das capacidades de controle dos Estados territoriais. Por outro lado, o comércio de armas e o princípio de emulação alimentado pela mídia global fazem com que quem empreenda ações de natureza terrorista sejam indivíduos isolados, movidos talvez por vinganças pessoais ou desesperados por um destino infeliz. A situação que brota da combinação desses dois fatores torna quase totalmente invencível a guerra contra o terrorismo. E é bastante improvável que ele abdique de dinâmicas já autopropulsivas. Em suma, repropõe-se, sob novas formas, o mítico problema do nó górdio, que ninguém sabe desfazer: e são muitos os chamados herdeiros de Alexandre Magno, que, enganando, juram que as suas espadas conseguiriam cortá-lo.

Para muitos políticos e muitos comentaristas, as raízes do terrorismo devem ser buscadas no aumento descontrolado dos fluxos migratórios. Quais são, na sua opinião, as principais razões da violência contemporânea?

Como é evidente, os ganhos eleitorais que são obtidos estabelecendo um nexo de causa-efeito entre imigração e terrorismo são muito alentadores para que os concorrentes no jogo de poder renunciem a eles. Para quem decide, é fácil e conveniente participar de um leilão sobre o meio mais eficaz para abolir a chaga da precariedade existencial, propondo soluções falsas, como fortificar as fronteiras, parar as ondas migratórias, ser inflexível com os requerentes de asilo… E, para a mídia, é igualmente fácil dar visibilidade à polícia que invade os campos de refugiados ou difundir as imagens fixas e detalhadas de um ou dois homens-bomba em ação. A verdade é que é malditamente complicado tocar com a mão as raízes autênticas de uma violência que cresce em todo o mundo, em volume e em intensidade. E, dia após dia, torna-se ainda mais difícil, senão precisamente impossível, demonstrar que os governos identificaram aquelas raízes e estão trabalhando realmente para erradicá-las.

Isso significa que os políticos ocidentais também utilizam o medo como instrumento política?

Exatamente. Assim como as leis do marketing impõem que os comerciantes proclamem incessantemente que o seu objetivo é a satisfação das necessidades dos consumidores – embora estando eles plenamente conscientes de que, ao contrário, a insatisfação é o verdadeiro motor da economia consumista –, assim também os empresários políticos dos nossos dias declaram, sim, que o seu objetivo é garantir a segurança da população, mas, ao mesmo tempo, fazer todo o possível, e até mais, para fomentar a sensação de perigo iminente. O núcleo da atual estratégia de dominação, portanto, consiste em acender e em manter viva a centelha de insegurança…

E qual seria o propósito dessa estratégia?

Se há algo que muitos líderes políticos não viam a hora de aprender, é o estratagema de transformar as calamidades em vantagens: reacender a chama da guerra é uma receita infalível para desviar a atenção dos problemas sociais, como a desigualdade, a injustiça, a degradação e a exclusão, e fortalecer o paco de comando-obediência entre os governantes e a sua nação. A nova estratégia de dominação, fundamentada no deliberado impulso à ansiedade, permite que as autoridades estabelecidas não cumpram a promessa de garantir coletivamente a segurança existencial. Deveremos nos contentar com uma segurança privada, pessoal, física.

O senhor acredita que, desse modo, as instituições correm o risco de perder o caráter democrático?

Certamente, a constante sensação de alerta afeta a ideia de cidadania, além das tarefas a ela ligadas, que acabam sendo liquidadas ou remodeladas. O medo é um recurso muito convidativo para substituir a demagogia com a argumentação e a política autoritária com a democracia. E os apelos cada vez mais insistentes à necessidade de um Estado de exceção vão nessa direção.

O Papa Francisco parece ser o único líder disposto a desfazer aquilo que o senhor, em outro lugar, chamou de “o demônio do medo”.

O paradoxo é que é precisamente aquele que os católicos reconheçam como o porta-voz de Deus na terra que nos diz que o destino de salvação está nas nossas mãos. A estrada é um diálogo voltado a uma melhor compreensão recíproca, em uma atmosfera de respeito mútuo, em que estejamos dispostos a aprender uns com os outros.

Escutamos Francisco muito pouco, mas a sua estratégia, embora de longo prazo, é a única capaz de resolver uma situação que se assemelha cada vez mais a um campo minado, saturado de explosivos materiais e espirituais, salvaguardados pelos governos para manter a tensão em alta. Enquanto as relações humanas não tomarem o caminho indicado por Francisco, é mínima a esperança de limpar um terreno que produzirá novas explosões, mesmo que não saibamos prever com exatidão as coordenadas.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar

“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar”, disse Rubem Alves, sobre o endereço de onde nossa alma ficou e de onde ela não quer sair. É que a alma gosta mesmo é de aconchego, de coisas gostosas, de sensação boa. Ela tem o velho hábito de voltar aonde foi feliz, mesmo que isso tenha sido décadas atrás. A casa da alma é na saudade, onde o “para sempre” sempre encontra seu lugar.

A saudade às vezes é uma avó carinhosa: braços abertos, colo perfumado e macio. E lá a gente pode repousar, com pouca pressa e sorriso bonito, revivendo um pedacinho de história bom demais pra ser esquecido e deixado pra lá.

Saudade parece uma lamparina, que a gente acendeu para procurar uma felicidadezinha que ficou lá no canto, escondidinha, e que agora quer ver de novo, dar mais um abraço e sentir o conforto bom que só aquela memória sabe trazer.

A verdade é que tem coisa feita pra fazer falta. O olhar iluminado da pessoa amada, a primeira amizade de verdade, uma voz no pé do ouvido, algumas pessoas. Aliás, pessoas são nossos maiores motivos. Tem gente que dá uma saudade danada!

Outras vezes, a saudade parece uma dor bem fininha, que dói sem hora marcada e que às vezes dói até sem causa sensata. E ninguém sabe quando vai doer, mas que vai, vai sim. E quando doer, talvez você precise de algumas lágrimas, talvez de um cobertor e uma caneca de chá quentinho. Mas é coisa que logo passa, é coisa de saudade mesmo.

Ou não, talvez nem passe. Talvez ela seja eterna, amarrada no peito e bem presa, pra não correr o risco de ser esquecida. Às vezes ela é permanente, fazer o quê? Acontece também!

Algumas coisas constituem saudade imediata, coisa que o coração mal experimentou e já quer viver de volta. Que remédio poderia haver para essa saudade, não é?

Algumas coisas irão nos fazer falta a vida inteira: saudade das doces vantagens da infância, de quando as nuvens ainda pareciam algodão; saudade do tempo em que a gente ainda não tinha dado adeus pra nada, nem pra ninguém. Que tempo bom foi aquele!

É nesses dias de saudade apertada, que a alma faz suas malas e vai pra casa. Pra casa da saudade, sabe? Porque é lá que a alma encontra sua verdadeira morada.

Ah, Rubem Alves também disse que “aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno.” Parece mesmo que ele tinha razão. Que agenda, que nada! Tem coisa que fica marcada. Acho que é daí que vem a saudade, afinal.

*Por Alessandra Piassarollo

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*Fonte: provocacoesfilosoficas

8 frases incríveis de Bob Dylan para explodir seu cérebro

A única pessoa do mundo que foi premiada com um Oscar, um Grammy, o Globo de Ouro, o pulitzer e o Nobel, Bob Dylan é considerado por muitos, e por mim, o compositor mais importante dos tempos modernos. E por mais que receber alguns desses prêmios não queira dizer muita coisa, ser a única pessoa do mundo a receber todos eles tem lá sua importância.

Mas, independentemente disso, muito antes de receber essa coleção de prêmios, Bob Dylan já impactava a vida de milhões de pessoas com as suas músicas e a mensagem que ele passava pelas suas letras.

Quase nada que Bob Dylan diz é preto no branco ou tem uma interpretação
exatamente definida. Ele sempre fez questão de não explicar o significado das letras para a imprensa e, quando possível, confundir ainda mais.

Mas já vamos entender isso melhor com oito frase geniais que vão: ou mudar a sua vida, ou explodir a sua cabeça ou… se você tiver sorte, os dois.

  1. Não existe sucesso como fracasso e o fracasso não é sucesso de forma alguma.

Hoje em dia uma das dicas mais propagadas , seja por escritores,
empreendedores ou qualquer um que tenha alcançado o sucesso é que ninguém chega lá sem fracassar várias e várias vezes, mas nessa frase Bob Dylan nos lembra do que a maioria se esquece de dizer: fracassar em si não é sucesso de forma alguma. Só quando aprendemos com o fracasso é que seguimos em direção ao sucesso.

A definição de insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar
resultados diferentes , mas tem mais: essa frase do Bob Dylan vai alem, vivemos numa sociedade que valoriza o fracasso, onde ter sucesso é condenável. Independentemente da forma como esse sucesso se manifesta, as pessoas têm vergonha de mostrar o que alcançaram, se orgulham de ter pouco dinheiro, poucas conquistas, etc, e a população no geral apoia esse comportamento.
Vamos pensar naquele caso clássico de um cara que adora uma banda
desconhecida e, quando ela estoura e fica famosa, ele para de ouvir porque a banda virou “modinha”. A banda só era boa enquanto era fracassada, assim que alcançou o sucesso, perdeu o seu valor. Então fracassando você é
considerado bom, mas sabemos que o fracasso não é sucesso, é simplesmente fracasso, por mais glamourizado que seja.

  1. Aquele que não está se ocupando em nascer, está se ocupando em morrer

Essa é sem dúvida uma das frases mais famosas de Bob Dylan. Ao primeiro
olhar muitos interpretam o que parece óbvio, mas que mesmo assim surpreende que a partir do momento em que nascemos estamos começando a morrer, o que não parece muito bom, principalmente considerando o medo de morte que isso traz à tona e que muita gente compartilha. Mas, e se na verdade ela tiver um significado muito mais engrandecedor?

No momento em que paramos de nos reinventar, ou seja, renascer, começamos a morrer. Não é da morte que devemos ter medo, é do comodismo, da estagnação. Não podemos ficar parados, devemos estar sempre nos ocupando em nascer de novo, mudar, evoluir, crescer ou então estaremos nos ocupando em morrer.

  1. Você não precisa de um meteorologista para saber para que lado o vento sopra

Você não precisa de ninguém para te dizer o óbvio ou o que você pode
descobrir por si mesmo. Ainda assim muitas pessoas buscam nos outros uma forma de aprovação e esperam que os outros os apontem as direções e
decidam os caminhos que elas podem e devem decidir sozinhas.

E essa frase tem uma relação direta com uma das músicas mais famosas de
Bob Dylan, Blowin in the Wind, que foi o primeiro grande sucesso logo no
começo da sua carreira, trazendo uma explosão repentina de fama quando
começaram a vê-lo como um novo profeta, um porta-voz da sua geração.

Em Blowin in the Wind ele faz vários questionamentos sobre a condição humana e diz que as respostas estão soprando no vento, mas ele sempre recusou os títulos de profeta, d e porta-voz da suia geração. Então, quando ele diz que você não precisa de um meteorologista para saber para que lado o vento sopra, ele diz que você tem que achar as respostas soprando no vento por conta própria e não esperar que ele ou qualquer outro grupo místico, como vemos muito hoje em dia, tragam as respostas para você.

  1. Roube um pouco e eles te jogam na cadeia, roube muito e eles te fazem rei

Não é exatamente isso que temos vividos agora, ou melhor, que temos vividos desde sempre? essa frase atemporal de Bob Dylan é simples e crua: ou você rouba o suficiente para mandar em quem vai te julgar, ou você paga pelos seus crimes.

Temos quase um réu julgado em segunda instância da Lava Jato sendo solto por semana, pelo simples fato que eles reinam sobre quem determina as suas próprias sentenças. É a forma como a sociedade opera e ainda que a palavra rei seja usada no sentido figurado, podemos transferir essa mesma máxima para o poder do estado e para cada vez que temos que pagar impostos.

  1. Eu era tão mais velho antes, eu sou mais jovem agora

A frase é de cara totalmente contraditória e a ideia é justamente essa. Bob Dylan se deu conta que não envelheceu com o tempo, mas sim, rejuvenesceu, deixando para trás velhas ideias e absorvendo, cultivando e desenvolvendo ideias novas.

Podemos quebrar o feitiço do tempo vivendo assim, sem ficarmos presos no
passado, sem nos apegarmos a ideias que já são ultrapassadas por orgulho,
aceitando que as derrotas não são nada além de aprendizados.

Vivemos uma constante mudança, não somos o que éramos ontem e muito
menos o que éramos ano passado, mas não somos necessariamente mais
velhos. Se simplesmente levarmos em conta que com o tempo deixamos o que era antigo para trás e nos abrimos para o novo, podemos ficar cada vez mais jovens.

  1. Para viver fora da lei você deve ser honesto

Aqui podemos entender que Bob Dylan fez um trocadilho com viver fora da lei no sentido jurídico e no sentido social. Quando tantas coisas que discordamos são impostas como leis pela sociedade, só alguém muito desonesto, com seus próprios princípios consegue viver bem com isso. Só alguém muito hipócrita engole todas as convenções e age de acordo com que os outros esperam, e mesmo assim isso representa a grande maioria das pessoas. São extremamente raras as que têm coragem de ser honestas o suficiente para viver fora da lei e desafiar o meio em que vive, ir além das fronteiras do que é aceitável e quebrar barreiras que até então impedem o crescimento. São esses foras da lei honestos que impulsionam o mundo para frente

  1. Atrás de qualquer coisa bonita existe algum tipo de dor

Eu me lembro da primeira vez em que ouvi essa frase, eu pensei que ela não podia estar certa, que era pessimista demais, mas aí eu comecei a pensar, e quanto mais eu pensava, mais verdadeira a frase parecia. Eu não conseguia encontrar nenhuma exceção, então eu entendi que o pessimismo de Bob Dylan tava certo, realmente atrás de qualquer coisa bonita existe algum tipo de dor.

Mas foi só depois de rever essa frase mil vezes que eu me dei conta que sim, ela é a mais pura verdade, mas não é necessariamente pessimista. É só a verdade sobre de onde nascem as coisas mais bonitas do mundo, sobre o fato de que o sofrimento, mesmo que inevitável, não determina o resultado. Do sofrimento mais horrível pode nascer a vitória mais deliciosa, a arte mais maravilhosa e, como exemplo, temos a própria música de onde essa frase foi retirada: Not Dark Yet.

  1. Não critique o que você não consegue entender

A definição perfeita de um hater, aquele que critica o que não consegue
entender, todo mundo lida com gente assim. Só que mesmo que o termo seja novo, esse tipo de pessoas sempre existiu e Bob Dylan lidou com eles a vida inteira. Sempre foi questionado pelo seu sucesso, pelas suas letras, pelas suas habilidade vocais, pela sua constante mudança de estilo musical , mas deixou essa resposta simples e direta: Não critique aquilo que você não consegue entender.

Isso é uma coisa que devemos levar para a vida toda. Sempre que somos
confrontados com algo desconhecido, novo, que desafia os nossos
conhecimentos, nos vemos cara a cara com a nossa própria ignorância e isso pode ser doloroso, então a nossa tendência é atacar, mas podemos ser
maiores do que isso, principalmente nos tempos de extremismos que vivemos hoje. Se não entendemos o discurso que vem do outro lado, tudo bem, não precisamos conhecer tudo, podemos assumir a própria ignorância ao invés de criticar o desconhecido, essa é a única forma de aprender.

E por mais que tenhamos chegados ao fim, nada começa nem termina quando se trata de Bob Dylan, então eu vou finalizar com uma frase do próprio, que nos mostra que provavelmente não ouvimos e nunca ouviremos nem metade do que ele realmente teria a nos dizer:

“E se meus sonhos e pensamentos pudessem ser vistos, eles provavelmente
colocariam a minha cabeça em uma guilhotina”

Mas, sorte a nossa que o que ele pode nos mostrar sem perder a cabeça, nós já temos o suficiente para uma vida de aprendizado.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

A Filosofia da Amizade de Aristóteles ainda é importante hoje

Aristóteles é amplamente considerado um dos mais brilhantes e prolíficos entre os filósofos ocidentais. É impossível dizer o quanto ele escreveu, mas a fração de seu trabalho ainda hoje é impressionante. Todos os campos, da astronomia e física à ética e economia, foram influenciados por seu pensamento. Por mais de 2.000 anos, ele continua sendo um dos pensadores mais lidos e citados da história.

Enquanto o impacto de Aristóteles ainda pode ser sentido em muitas disciplinas, uma de suas observações mais duradouras diz respeito à amizade. Ele via a amizade como uma das verdadeiras alegrias da vida e achava que uma vida bem vivida deveria incluir amizades realmente significativas e duradouras. Em suas palavras:

“Na pobreza, assim como em outros infortúnios, as pessoas supõem que os amigos são seu único refúgio. E a amizade é uma ajuda para os jovens, para salvá-los do erro, assim como é para os idosos, com vistas ao cuidado de que necessitam e à capacidade diminuída de ação decorrente de sua fraqueza; é uma ajuda também para aqueles em seu auge na realização de ações nobres, pois ‘dois juntos’ são mais capazes de pensar e agir.”

As amizades acidentais

Aristóteles descreveu dois tipos comuns de amizades que são mais acidentais do que intencionais. Muitas vezes caímos nesse tipo de amizade sem perceber.

A primeira é uma amizade de utilidade. Nessa relação, duas partes não estão nela por afeição. Em vez disso, elas estão para o benefício que cada um recebe do outro. Essas relações são temporárias: sempre que o benefício termina, o mesmo acontece com o relacionamento. Aristóteles observou que essas relações de utilidade eram mais comuns entre os idosos.

Pense em uma relação comercial ou profissional, por exemplo. Você pode aproveitar o tempo que passa juntos, mas quando a situação muda, a natureza da sua conexão também muda.

O segundo tipo de amizade acidental de Aristóteles baseia-se no prazer. Esse tipo de relacionamento, ele descobriu, era mais comum entre pessoas mais jovens. Pense em seus amigos de faculdade ou pessoas que jogam na mesma liga esportiva. Seu relacionamento é fundamentado na emoção que sentem em um determinado momento ou durante uma determinada atividade.

Essas amizades são frequentemente as relações de vida mais curta de nossas vidas. E tudo bem, desde que as duas partes tenham prazer por meio de um interesse mútuo em algo externo. Mas essas amizades terminam inevitavelmente quando os gostos ou preferências das pessoas mudam. Muitos jovens passam por fases do que gostam. Muitas vezes, seus amigos mudam ao longo do caminho.

A maioria das amizades se enquadra nessas duas categorias acidentais e, embora Aristóteles não as visse tão mal, sentia que sua falta limitava em muito sua qualidade. É bom, e até necessário, ter amizades acidentais – mas há muito mais por aí.

A amizade do bem

A forma final de amizade de Aristóteles parece ser a mais preferida. Em vez de utilidade ou prazer, esse tipo de relacionamento baseia-se em uma apreciação mútua das virtudes que a outra pessoa considera cara. Nesse tipo de amizade, as próprias pessoas e as qualidades que elas representam fornecem o incentivo para as duas partes estarem na vida umas das outras.

Amizades de virtude levam tempo e confiança para construir. Elas dependem do crescimento mútuo.


Ao invés de ser de curta duração, tal relacionamento perdura ao longo do tempo, e geralmente há um nível básico de bondade exigido em cada pessoa para que ela exista em primeiro lugar.

As pessoas que não têm empatia e a capacidade de cuidar dos outros raramente desenvolvem esse tipo de relacionamento porque sua preferência tende ao prazer ou à utilidade. Além do mais, amizades de virtude levam tempo e confiança para construir. Eles dependem do crescimento mútuo.

É muito mais provável que nos conectemos a esse nível com alguém quando os vemos no pior e os observamos crescer – ou se enfrentamos dificuldades mútuas com eles.

Além de sua profundidade e intimidade, a beleza dessas relações está em como elas incluem as recompensas dos outros dois tipos. Eles são benéficos e prazerosos. Quando você respeita uma pessoa e cuida dela, você fica feliz em passar tempo com ela. Se eles são uma pessoa boa o suficiente para justificar tal relacionamento, também há utilidade. Eles ajudam a manter sua saúde mental e emocional.

Essas relações requerem tempo e intenção, mas quando elas florescem, elas o fazem com confiança e admiração. Eles trazem consigo algumas das alegrias mais doces que a vida tem para oferecer.

O legado de Aristóteles

Há uma boa razão para o trabalho de Aristóteles continuar a ser lido cerca de 2.000 anos após sua morte. Nem tudo o que ele escreveu é relevante hoje, é claro, e muitas de suas suposições foram contestadas. Ele nos ensinou a examinar o mundo empiricamente e inspirou gerações de pensadores e filósofos a considerar o papel e o valor da ética na conduta cotidiana de nossas vidas, incluindo nossos relacionamentos.

A vida é muito curta para amizades superficiais.
Enquanto ele via o valor de amizades acidentais baseadas no prazer e na utilidade, sentia que sua impermanência diminuía seu potencial. Eles não tinham profundidade e uma base sólida.

Em vez disso, ele defendeu o cultivo de amizades virtuosas construídas com intenção e baseadas em uma apreciação mútua de caráter e bondade. Ele sabia que essas amizades só poderiam ser fortalecidas com o tempo – e se elas prosperassem, elas durariam por toda a vida.

Nós somos, e nós vivemos, as pessoas com quem passamos tempo. Os laços que forjamos com aqueles que nos rodeiam moldam diretamente a qualidade de nossas vidas. A vida é muito curta para amizades superficiais.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

“A educação está sendo vitimada pela cultura do imediatismo”, por Zygmunt Bauman

Zygmunt Bauman foi o grande pensador da modernidade. Perspicaz analista de temas contemporâneos, deixou vasta obra – com destaque para o best-seller Amor líquido, fundamental para a compreensão das relações afetivas hoje.

Sociólogo e filósofo, soube se comunicar diretamente com seus leitores, levando milhares de pessoas a pensar a sociedade atual através do conceito de liquidez. Professor emérito das universidades de Varsóvia e Leeds, tem cerca de quarenta livros publicados no Brasil pela Zahar, com enorme sucesso de público. Bauman nasceu na Polônia e morreu na Inglaterra, onde vivia desde a década de 1970.

No vídeo abaixo, trecho de entrevista concedida pelo filósofo, Bauman alerta para os prejuízos que o crescente desenvolvimento tecnológico pode representar em relação à educação. Em sua opinião, o conjunto disperso de informações ao qual temos acesso e a cultura imediatista em que estamos inseridos comprometem certas capacidades psicológicas, como a concentração.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

10 lições de Marco Aurélio que podem ensinar você

Ele foi um dos últimos “bons imperadores” de Roma – que genuinamente se importavam com o bem-estar de seus cidadãos.

Marco Aurélio viveu em uma época em que a morte prevalecia – e o caos estava em toda parte. Ele escreveu um manual (para si mesmo), que hoje conhecemos como as “Meditações.” Não se sabe se a intenção dele fosse a de um dia publicar tais escritos. Provavelmente ele possa ter escrito para si mesmo – para lidar com seus próprios demônios internos.

Mesmo que ele tenha escrito essas palavras há cerca de 2.000 anos, seus insights ainda têm um peso forte hoje.

Como podemos aplicar sua filosofia à nossa vida cotidiana? Abaixo estão alguns insights que você pode aplicar à sua própria vida:

1. Ignore o que os outros estão fazendo

“Não desperdice o que resta da sua vida ao especular sobre seus vizinhos. Qualquer coisa que o distraia da fidelidade ao Governante dentro de você significa uma perda de oportunidade para alguma outra tarefa. ”- Marco Aurélio

Nós temos um tempo limitado na terra. Por que desperdiçar nossa preciosa energia se preocupando com nossos vizinhos? Por que nos importamos com o que eles estão fazendo e o que pensam de nós?

O que precisamos fazer é nos concentrar em nossa tarefa. Qual é a nossa tarefa? Seja qual for a nossa vocação na terra – quer isso signifique criar arte, capacitar outras pessoas ou ser um pai amoroso.

Com as mídias sociais, somos viciados no que os outros estão fazendo. Nós desperdiçamos nossa energia mental invejando os outros. Nós nos comparamos a eles – nos sentimos frustrados por não sermos tão bem-sucedidos quanto nossos colegas. Nós olhamos para os outros com carros de luxo, câmeras sofisticadas e casas de luxo.

E se passássemos toda a nossa vida ignorando o que os outros estão fazendo – e apenas focados em nós mesmos?

2. A realidade é moldada pela sua opinião

Não existe uma realidade “objetiva” – moldamos nossa própria realidade.

Por exemplo, você pode ser um bilionário com todas as posses materiais que deseja e ainda se sentir como um “fracasso” (você pode se comparar a outros bilionários que são ainda mais ricos do que você).

Você pode ser pobre e viver em uma favela, mas pode ser extremamente feliz – porque seu coração está cheio de gratidão.

Marco Aurélio nos diz:

“A vida é apenas o que você julga.”

Ele também nos lembra:

“A vida é opinião.”

Sempre que se trata de qualquer coisa em nossa vida, depende da nossa própria opinião sobre nós mesmos. Nós julgamos o que é bom e ruim em nossa vida.

Nós moldamos nossa própria percepção do mundo com nossos pensamentos. Nenhuma “realidade” externa existe fora de nossas percepções.

A maneira prática pela qual você pode aplicar esse modo de pensar em sua vida é esta: veja tudo em uma luz positiva .

Por exemplo, digamos que alguém fala merda sobre você na sua cara. Ao invés de se sentir frustrado, você pode dizer a si mesmo: “Fico feliz que alguém está falando merda sobre mim, isso significa que eu não sou chato – e fazendo algo interessante.”

Além disso, quando as pessoas nos insultam, tentam nos prejudicar ou nos criticam – não é o insulto que nos fere. É nossa interpretação do que eles estão dizendo que nos fere. Marco Aurélio nos diz:

“Se eu não vejo a coisa como um mal, não me importo.”

Se interpretarmos as ações dos outros como irrelevantes, como podemos nos sentir magoados?

Marco Aurélio também nos diz:

“Rejeite sua sensação de lesão e a própria lesão desaparece.”

Qualquer “dano” que recebemos na vida é apenas a nossa opinião.

Uma metáfora que eu amo é esta: imagine que você está em um barco no meio de um lago. Está nebuloso e escuro. De repente, você é atingido por outro barco e bate com a cabeça. Você está com raiva e frustrado, e quer amaldiçoar a outra pessoa que acabou de esbarrar em você. Mas quando a neblina clareia, você percebe que o outro barco estava vazio. Agora você não sente mais raiva, porque percebe que o outro barco estava vazio. Perceba que todo mundo que tenta nos prejudicar é apenas um barco vazio.

3. Faça menos

Em uma das meditações de Marco Aurélio para si mesmo, ele se lembra da importância de fazer menos na vida – e cortar as ações supérfluas de sua vida:

Se queres conhecer o contentamento, deixa que os teus feitos sejam poucos – disse o sábio. Melhor ainda, limite-os estritamente aos que são essenciais.”

Quais são os benefícios de se ater a algumas ações e apenas fazer o essencial? Marco Aurélio diz a si mesmo: somos mais felizes quando fazemos poucas coisas, mas as fazemos bem:

“Isso traz o contentamento que vem de fazer algumas coisas, mas fazê-las bem. A maior parte do que dizemos e fazemos não é necessária, e sua omissão economizaria tempo e problemas. A cada passo, um homem deve perguntar a si mesmo: “Essa é uma das coisas que são supérfluas?” Não haverá ação desnecessária.

Muitas de nossas ações e palavras são desnecessárias. Ao não fazer ações supérfluas, ficaremos menos estressados.

Devemos sempre nos perguntar: “Isso é supérfluo?”

Precisamos cortar as coisas desnecessárias em nossas vidas. As ações, palavras, pensamentos e emoções menos supérfluos – mais foco teremos para o que é realmente importante para nós na vida. Pode ser o tempo com sua família, o tempo para fazer seu trabalho criativo ou a chance de ajudar os outro

4. A morte está batendo na sua porta

Eu penso muito sobre a morte. Muitas pessoas esquecem a frase: “memento mori” – lembre-se, você estará morto em breve.

Quando sabemos que a morte está próxima, não perdemos nosso tempo. Nós não perdemos nosso precioso tempo de lazer assistindo TV ou outras formas de entretenimento passivo. Nós nos apressamos a fazer o que somos apaixonados e o trabalho que é significativo para nós. Passamos mais tempo com nossos entes queridos e omitimos pessoas e ações supérfluas de nossas vidas.

Lembrar-nos da morte nos dá foco.

Pense em todas as pessoas que descobrem que têm câncer ou alguma outra doença. Uma vez que eles descobrem isso, deixam de lado toda a merda que não gostam de fazer na vida – e só se concentram no que é importante para eles.

No entanto, todos nós temos a capacidade de apenas fazer o que é importante para nós. Ao meditar sobre a morte diariamente, não desperdiçaremos nem uma gota do nosso tempo.

Até mesmo Marco Aurélio dizia a si mesmo:

“Muito em breve você estará morto; mas mesmo assim você não é obstinado ”.

Precisamos ser sinceros para a tarefa da nossa vida.

Um exercício simples que podemos fazer para nos lembrarmos da vida e da morte é este:

“Considere que você morreu hoje e a história da sua vida acabou; e, a partir de agora, considere o tempo adicional que pode ser dado como excedente não coberto. “- Marco Aurelio

Sempre que vou dormir, imagino que seja a última vez que vou dormir. Eu considero minha vida inteira, meu dia, e se eu fiz tudo ao meu alcance para ajudar a capacitar aqueles ao meu redor. Só procrastino em coisas que não me importaria de ser desfeito se estivesse morto.

E quando acordo na manhã seguinte, jogo minhas mãos para o alto e digo a mim mesmo: “É incrível estar vivo! Eu me pergunto como posso usar melhor hoje para ajudar os outros.”

Todos nós precisamos nos lembrar da morte batendo à nossa porta – ou então nunca teremos foco em nossas vidas.

5. Você é mais forte do que pensa

Se você quer ser um boxeador de classe mundial, você terá que lutar contra adversários difíceis. Você será espancado, quebrará alguns ossos, sangrará e, como resultado, ficará mais forte.

Sempre que alguém tentar prejudicá-lo, pense nessas palavras de Marco Aurélio:

“Que sorte eu tenho, que me deixou sem amargura; inabalável pelo presente, e desanimada pelo futuro. A coisa poderia ter acontecido com qualquer um, mas nem todos teriam surgido sem serem remexidos.

Que sorte eu tenho, que me deixou sem amargura; inabalável pelo presente e não afetado pelo futuro. A coisa poderia ter acontecido com qualquer um, mas nem todos teriam ficado imperturbáveis

Você é mais forte do que pensa. Você não pode impedir que outras pessoas joguem merda em você. Mas você pode mudar sua interpretação da situação.

A vida é muito difícil. Como os sábios disseram: “Às vezes, viver é um ato de coragem”.

E não nos esqueçamos do que nos ensina Marco Aurélio:

“A arte de viver é mais como lutar do que dançar.”

6. Você se levanta para o trabalho da humanidade

Ninguém gostaria de viver na Terra se ninguém mais existisse. A sociedade é a cola que nos mantém unidos e é a razão pela qual estamos vivos e a razão pela qual vivemos.

Há dias em que a vida é difícil. Nós não queremos sair da cama. Nós não temos motivação ou inspiração.

Até mesmo Marco Aurélio (o imperador do império romano) freqüentemente se sentia assim. A meditação que ele se deu para encorajar a si mesmo foi esta:

“Na primeira luz do dia temos em disposição, contra a falta de vontade de deixar a cama, o pensamento de que ‘estou me levantando para o trabalho do homem’. Devo resmungar quando saio para fazer o que eu nasci para fazer, e para o bem de ter sido trazido ao mundo, este é o propósito de minhas criações estarem aqui debaixo de cobertores e se aquecerem? “Ah, mas é muito melhor! Foi por prazer, então, que você nasceu e não para o trabalho, não para o esforço?

Nós não somos colocados na terra apenas para sentir prazer. A maior parte da vida consiste em esforço, em luta. Ficar numa manhã gelada debaixo das cobertas é sim muito mais agradável que sair à luta enfrentando o frio, mas o resultado é apenas um prazer momentâneo. Quem se atreve a sair ao frio terá resultados melhores no futuro.

O que nos traz a verdadeira felicidade na vida? Não é apenas se encher de prazer. Pelo contrário, está ajudando os outros e fazendo o que nos foi feito:

“O verdadeiro prazer de um homem é fazer as coisas para as quais ele foi feito.” – Marcus Aurelius

Para que você foi projetado? Depende.

Qual é o seu presente? Pode ser sua capacidade de socializar, fazer os outros se sentirem amados, sua habilidade de ler ou escrever, sua habilidade de pesquisar, sua habilidade de sintetizar informações e dados, sua habilidade de fazer imagens visuais, sua habilidade de capacitar os outros, sua habilidade para ensino, ou sua habilidade para tornar o mundo um lugar mais bonito.

7. Nunca reclame

“Seu pepino está amargo? Jogue fora. Há espinhos em seu caminho? ache um desvio. Isso é o suficiente. ”- Marcus Aurelius

Por que devemos reclamar do mundo?

Se há alguém que te incomoda – simplesmente ignore-os. Deixar de seguir as mídias sociais ou apenas cortar seus laços sociais com elas.

Você odeia o seu trabalho? Saia do seu emprego ou descubra uma maneira de torná-lo menos doloroso ou miserável.

Muitas vezes não podemos mudar nossas situações externas no mundo – mas sempre podemos mudar nossa atitude em relação a isso.

E não apenas isso, mas a vida é toda sobre fazer o melhor daquilo que temos.

Uma boa meditação para pensar a nós mesmos de Marco Aurélio é esta:

“Qual é o melhor que pode ser dito ou feito com os materiais à sua disposição?”

A maioria de nós não tem muito tempo, energia ou dinheiro. Ainda assim, considerando nossos meios limitados, como podemos aproveitar ao máximo o que temos?

8. Você pode viver feliz em qualquer lugar

“Que fique claro para você que o ritmo dos campos verdes sempre pode ser seu, nisto ou em qualquer outro lugar; e que nada é diferente aqui do que seria nas colinas, ou no mar, ou em qualquer outro lugar que você quiser. ”- Marco Aurélio

O que causa muita miséria para muitos de nós é nosso lar, onde vivemos e o desejo de estar em outro lugar.

Podemos morar nos subúrbios e desejamos que vivêssemos na cidade. Podemos morar na cidade e preferir morar no campo. Vivemos no campo, podemos desejar viver na praia. Nós vivemos na praia, nós desejamos que vivêssemos em uma ilha. Se vivêssemos em uma ilha, talvez pudéssemos preferir a conveniência de morar em um subúrbio

Se você estivesse feliz com o local onde morava e com a casa em que vivia – e não desejasse morar em outro lugar, ou em um lar maior ou melhor, quanto mais energia, dinheiro e atenção você poderia ter por coisas melhores na vida?

Mesmo morando onde você mora, você pode encontrar pontos positivos nele.

Se você mora em um lugar “chato”, isso o forçará a ser mais criativo para encontrar coisas interessantes para fazer. E pode ser uma oportunidade para você começar algo interessante.

Você é o mestre do seu próprio destino – nunca reclame onde mora. Em vez disso, colha todos os benefícios do bairro, da cidade ou do lugar em que você mora.

9. Ajudar o bem comum

Aquele que vive para si mesmo está verdadeiramente morto para os outros.

Como você encontra seu propósito e senso de missão na vida? Simples – pense em como você pode ajudar melhor o “bem comum”. Marcus Aurelius lembra a si mesmo:

“Evite todas as ações que são casuais ou sem propósito; e, em segundo lugar, que toda ação vise unicamente o bem comum ”.

Ser um ser humano honrado e decidido é ajudar os outros. Para ajudar os outros não tão afortunados como nós. Para compartilhar nosso dom, nosso conhecimento e nossos recursos para nós. Significa continuar fazendo bem aos outros, mesmo que eles nos odeiem. Como Marcus Aurelius diz:

“Empilhando boas ações em boas ações até que não haja fendas ou entalhes entre elas.”

É difícil. Precisamos aprender a fazer o bem para os outros, sem esperar qualquer tipo de recompensa. O bom ato em si é bom o suficiente. Ser humano é ajudar a servir os outros:

“Depois de ter feito um serviço a um homem, o que mais você teria? Não é suficiente ter obedecido às leis de sua própria natureza, sem esperar ser pago por isso? Isso é como o olho exigindo uma recompensa por ver, ou os pés por andar. É para esse propósito que eles existem; e eles têm o devido em fazer o que eles foram criados para fazer. Similarmente; o homem nasce por atos de bondade; e quando ele fez uma ação gentil, ou de outra forma serviu o bem-estar comum, ele fez o que ele foi feito, e recebeu sua quitação. ”- Marcus Aurelius

E uma vez que você ajuda os outros, esqueça. Melhor ainda – nem mesmo esteja consciente de que você está ajudando os outros. Marco Aurélio nos diz para não ter “consciência de tudo o que ele fez, como a videira que produz um cacho de uvas não parece mais agradecer do que um cavalo que correu sua raça”.

O prazer de ter ajudado os outros é bom o suficiente.

10. Seja grato por suas bênçãos

“Não se envolva em sonhos de ter o que você não tem, mas considere como bênção o que possui e, então, felizmente, lembre-se de como você gostaria de tê-los se não fossem seus.” – Marcus Aurelius

Não importa o quanto somos ricos ou bem-sucedidos, nunca conseguimos obter tudo o que queremos.

Felicidade não é ter tudo no mundo. Pelo contrário, a felicidade é ser grato por todas as bênçãos que já temos.

 

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Tem gente que é tão pobre que só tem dinheiro

Rico é quem faz aquilo de que gosta, sentindo-se realizado ao trabalhar e tendo certeza de que o que produz é útil não somente a si mesmo.

Rico é quem faz aquilo de que gosta, quem está junto à pessoa que ama, sentindo-se amado todos os dias, quem tem ao menos um amigo com quem possa contar, quem consegue ser grato à vida, à família, aos amigos, quem preza, acima de tudo, o amor por si mesmo e por quem caminha ali juntinho.

Hoje, em época de valores invertidos, o status conferido à riqueza material é um chamariz que promove a ostentação desmedida e a busca pelo sucesso a qualquer preço. Na ânsia de transparecer posses monetárias, perdem-se, em muito, os traços de humanidade de que deveriam se revestir as atitudes e comportamentos em sociedade. Confunde-se, assim, posses com virtude, salário alto com realização pessoal, conforto material com felicidade plena, o que nem sempre corresponde à realidade dos fatos.

Tem gente que é tão pobre que só tem dinheiro

Rico é quem faz aquilo de que gosta, sentindo-se realizado ao trabalhar e tendo certeza de que o que produz é útil não somente a si mesmo. Quem acorda feliz por ter o emprego em que as horas não se arrastarão, quem sente prazer com aquilo que faz. Pobre é quem trabalha com cara amarrada, sem olhar para o lado, sem saber o nome de ninguém das mesas ao lado, por maior que sejam os seus proventos.

Rico é quem está junto à pessoa que ama, sentindo-se amado todos os dias, sorrindo ao olhar nos olhos do amor de sua vida, sempre encontrando as mãos certas para entrelaçar as suas. Quem valoriza e é valorizado pelo companheiro, quem encontra em casa o bálsamo diário às atribulações que a vida traz. Pobre é quem conquista alguém em razão de sua conta bancária, tendo que sustentar aparências pelo resto de seus dias.

Rico é quem tem ao menos um amigo com quem possa contar, alguém que jamais se negará a ajudar, a escutar, apoiar, ou seja, um amigo de verdade. Quem também é esse amigo para o outro, dispondo-se sempre a acolher junto a si tudo a pessoa traz, aconselhando, compartilhando alegrias que se multiplicam e tristezas que se tronam então mais leves. Pobre é quem vive rodeado de pessoas interesseiras e vazias, com quem não troca nada de útil.

Rico é quem consegue ser grato à vida, à família, aos amigos, quem valoriza o que já alcançou na vida, sem se comparar com ninguém. Quem leva a gratidão no coração, valorizando cada passo dado, a saúde, os amores em sua vida, de forma a bastar-se a si mesmo, sem ter tempo para invejar a vida alheia. Quem não tem tempo para prestar atenção naquilo que não lhe diz respeito, pois se encontra ocupado em ser e em fazer gente feliz. Pobre é quem tem tempo de sobra para deturpar a vida de todo mundo.

Rico é quem preza, acima de tudo, o amor por si mesmo e por quem caminha ali juntinho. Quem não se deixa abalar por miudezas, quem não sucumbe aos tombos, nem perde a fé e as esperanças que motivam a sua jornada. Quem emana energia positiva, pois sabe que devemos trocar positividade com gente do bem, afastando-nos de pessoas negativas e mesquinhas. Pobre é quem semeia o ódio e a desesperança.

Infelizmente, muitas amizades, casamentos e relacionamentos em geral vêm se pautando pela valorização dos bens e do que o outro possa oferecer em troca em termos monetários. Na verdade, o que torna tudo melhor é o amor que carregamos enquanto vivemos e nos relacionamos, pois tudo o mais pouco durará, caso não seja construído sobre sentimentos verdadeiros. Porque será sempre o amor que nos sustentará e nos dará a força necessária ao ir em frente, mesmo que de ônibus, a pé, não importa. Quem ama e é amado, afinal, já encontrou o maior tesouro de sua vida.

*Por Marcel Camargo

 

 

 

 

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*Fonte: caminhoseu

O filósofo Alan Watts: “Por que a educação moderna é uma farsa”

Explore a visão de um filósofo lendário sobre como a sociedade falha em nos preparar para a educação e o progresso.

Um prolífico orador, escritor e filósofo, Alan Watts foi uma das primeiras figuras contemporâneas no início do século XX a levar a filosofia e o pensamento Zen Oriental a um grande público ocidental. Ele foi uma figura instrumental na revolução da contracultura dos anos 60 e continuou a escrever e filosofar até sua morte em 1973. Suas palestras e escritos hoje parecem estar vendo um ressurgimento da popularidade.

Com incontáveis horas de suas extensas palestras online, testadas na música dos sonhos do chillwave e na similaridade de sua voz, ele até aparece como um I.A avançado no filme Her, parece que Alan Watts ainda tem muito a nos dizer.

O conselho de Alan Watts sobre educação é mais presciente agora do que nunca

Em nossa era atual de ansiedade industrializada em massa, tanto estudantes quanto educadores estão trabalhando em horas mais extenuantes e improdutivas, enquanto, ao mesmo tempo, ainda estão com desempenho ruim quando comparados a sistemas educacionais mais relaxados e produtivos, como os da Escandinávia.

Aqui está um pronunciamento de Alan Watts que resume uma grande parte de sua perspectiva filosófica.

“Se a felicidade sempre depende de algo esperado no futuro, estamos perseguindo um fogo-fátuo que jamais alcançaremos, até o futuro, e nós mesmos desapareceremos no abismo da morte.”

Levando em conta algumas das filosofias de Watts, podemos mudar nossos pontos de vista sobre o tema da vida, aprendizagem e educação através de um ponto de vista mais inspirado e caprichoso.

O ciclo interminável da escola para nos preparar para o que está por vir

Para a grande maioria de nós, nossos primeiros anos de vida foram definidos pelas escalas sempre crescentes que progredimos, desde o ensino fundamental até o ensino médio e assim por diante. Estes eram os nossos símbolos internos de classificação e status à medida que avançávamos nas grandes mudanças biológicas e mentais de nossa vida, mudando de um degrau bem colocado para outro e seguindo as ordens de nosso professor, se quiséssemos acompanhar o caminho já estabelecido para nos tornarmos um membro de sucesso da sociedade.

Alan Watts achava essa ideia uma progressão estranha e antinatural de nossos primeiros anos de vida, e algo que indicava uma questão muito mais profunda em como vemos a natureza da mudança e da realidade. Watts diz:

“Vamos fazer a educação. Que farsa. Você tem uma criança, você vê, e você a coloca em uma armadilha e a envia para a creche. E na creche, você diz à criança: ‘Você está se preparando para ir adiante. E então vem o primeiro grau, e segundo, e terceiro grau ‘. Você está gradualmente subindo a escada em direção ao progresso, e então, quando chega ao final dessa etapa, você diz: ‘agora você está realmente indo em frente’. Certo? Errado.”

Quer conscientemente reconheçamos isso ou não, essa natureza progressiva e expectante da realidade que fomentamos durante nossos anos de escola é algo que se torna um tecido inegável da maneira como vivemos e pensamos. Ela fica conosco toda a nossa vida.

Estamos constantemente avançando para uma meta que está fora de alcance – nunca no agora, sempre mais tarde, ou depois disso ou daquilo que foi alcançado.

Watts acreditava que essa mesma lógica se aplica a nós quando deixamos o sistema escolar em camadas. Ele continua dizendo:

“Mas na direção dos negócios, você vai sair para o mundo e ter a sua pasta e seu diploma. E então você vai para sua primeira reunião de vendas, e eles dizem ‘Agora saia e venda essas coisas’, porque então você está subindo a escala nos negócios, e talvez você consiga uma boa posição, e você a vende e aumenta sua cota.

“E então, por volta dos 45 anos, você acorda certa manhã como vice-presidente da empresa e diz para si mesmo olhando no espelho: ‘Eu cheguei. Mas me sinto um pouco enganado porque eu sinto o mesmo que sempre senti…’”

Já cheguei?

Aqui, Alan Watts aborda um pouco da filosofia budista clássica – a ideia de que realmente não há de fato nada para se esforçar e desejar. Watts vincula esse aspecto ao desejo de superação do sistema educacional que penetra em nossas vidas profissionais. Este é um exemplo do enfado interminável da busca materialista de alguma forma ou de outra.

Alan Watts continua dizendo:

“Alguma coisa está faltando. Eu não tenho mais um futuro.” “Uh uh” diz o vendedor de seguros: “Eu tenho um futuro para você. Esta apólice permitirá que você se aposente confortavelmente aos 65 anos, e você será capaz de esperar por isso.” E você está encantado, e você compra a apólice e, aos 65 anos, se aposenta pensando que essa é a realização do objetivo da vida, exceto que você tem problemas de próstata, dentes falsos e pele enrugada.

“E você é um materialista. Você é um fantasma, você é um abstracionista, você não está em nenhum lugar, porque nunca lhe disseram, e nunca percebeu que a eternidade é agora.”

Agora, ao invés de cair em um niilismo passivo (que é onde o pensamento budista pode levar), Alan Watts, ao contrário, argumenta por estar dentro do aqui e agora. Aprenda por aprender! A eternidade é agora … isto é, tornar-se parte integral do processo – seja o que for – e não se concentrar em um objetivo final sempre ilusório.

Não nos amarrarmos ao resultado final é algo que a maioria das pessoas nunca entenderá porque é contra-intuitivo. Este ideal foi um foco central da filosofia de Alan Watts.

No capítulo de abertura de seu livro The Wisdom of Insecurity, ele cunhou o termo “lei reversa”, da qual ele diz:

“Quando você tenta ficar na superfície da água, você afunda; mas quando você tenta afundar você flutua.”

Este koan dele ilustra que quando colocamos muita pressão em nós mesmos para encontrar algum ideal ou objetivo no futuro espectral, nós diminuímos o processo de trabalho em questão. Isso nunca será alcançado porque o que precisa ser feito não é nosso foco central.

Por outro lado, por estar completamente envolvido no presente, essas metas ilusórias no futuro poderiam um dia vir a ser concretizadas. É aí que o conceito fica confuso para alguns.

Mas isso pode ser resumido da seguinte maneira: não olhar para o futuro irá prepará-lo para isso.

Um sistema falho desde o início

Alan Watts comparou a educação compulsória ao sistema penal.

Alan Watts sentia que o sistema educacional falhava conosco, da mesma forma que nos preparava para esperar pelo resto de nossas vidas. Uma versão idealizada que ele inventou em sua cabeça sobre a aparência de uma grande educação educacional pode ser extraída dessa passagem:

“Quando trazemos crianças para o mundo, jogamos jogos terríveis com elas. Em vez de dizer: ‘Como você está? Bem-vindo à raça humana. Agora, meu querido, estamos jogando alguns jogos muito complicados, e essas são as regras de o jogo que estamos jogando, eu quero que você os entenda, e quando você os aprender quando ficar um pouco mais velho, você poderá pensar em algumas regras melhores, mas, por enquanto, quero que você jogue segundo nossas regras.

“Em vez de sermos diretos com nossos filhos, dizemos: ‘Você está aqui em liberdade condicional, e você deve entender isso. Talvez, quando crescer um pouco, você seja aceitável, mas até então você deve ser visto e não ouvido. Você é uma porcaria, e você tem que ser educado e instruído até que você seja humano. ‘”

Ele chegou a comparar o sistema educacional compulsório com fortes ressonâncias religiosas.

“‘Olhe, você está aqui sofrendo. Você está em liberdade condicional. Você ainda não é um ser humano.’ Então, as pessoas sentem isso bem na velhice e imaginam que o universo é presidido por esse terrível Deus-pai ”.

Muito disso ainda ressoa conosco hoje. Os sábios conselhos de Alan Watts sobre educação podem ser a coisa que precisamos rever se quisermos escapar da realidade monótona da educação moderna.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

As lendas: o “rico por merecimento” e as “pessoas são só números”

Você já conheceu alguém que conseguiu ser feliz sozinho por toda vida? Já viu alguém sozinho gerir um negócio por completo e alcançar grandes resultados? O que faz um ser humano se desenvolver é a vida em comunidade. Um negócio só cresce com uma equipe alinhada e consumidores interessados. Se está cansado de ouvir lendas, conviver com crenças limitantes e quer um Brasil melhor, pare de se comportar como um número nulo. Seja um empreendedor e/ou consumidor consciente! Se cada um fizer a sua parte o Brasil pode entrar na lista dos países mais desenvolvidos. Mas tem que optar por isso agora!

O Brasil deveria ser o país dos legendários, mas, infelizmente, é o país dos lendários. Em 2017, o Brasil era o 5º colocado no ranking dos países com menos noção da realidade. Isso é grave! Quer dizer que acreditamos em muitas mentiras.

O problema é que essas lendas contadas de geração em geração é o que norteia o desenvolvimento ou retrocesso da sociedade. Seguindo esse caminho, nós (brasileiros) somos um povo desinformado da própria história. Porque até hoje o episódio da escravidão no Brasil não teve o devido valor do desastre que causou e ainda causa.

Durante o tempo da escravidão, os senhores donos de terras eram, na verdade, exploradores humanos. Muitas famílias que enriqueceram ao longo da história não eram ricos porque nasceram ricos ou ganharam com o suor do próprio rosto, eles ganharam dinheiro escravizando os negros, não compartilharam os ganhos igualmente.

É por esse começo da história do Brasil que afirmo que “rico por merecimento” é uma lenda urbana. Mas, daí alguém pode dizer “hoje é diferente, existem pessoas ricas por merecimento”. Infelizmente, não existiu e nunca existirá! O ser humano não é capaz de viver de forma saudável sozinho no mundo. Esse é um dos motivos de vivermos em comunidade, precisamos uns dos outros para nos desenvolvermos.

Geralmente, uma pessoa que é rica ela poupa dinheiro, ela tem controle de seus gastos e é um ótimo estrategista. Ela deve gerir um ou vários negócios, liderar uma equipe alinhada e oferecer produtos de qualidade para que seus consumidores queiram comprar. Sendo assim, ninguém enriquece sozinho, porque precisa de várias pessoas para que o produto exista e precisa ter pessoas interessadas em comprar. Tudo na vida segue um ciclo. Nada acontece por acaso. Não existe milagre no mundo dos negócios. Se alguém está fazendo milagres é bom verificar como é o processo desse negócio, provavelmente, é de exploração.

Outro motivo para repensar na afirmação “rico por merecimento”, são os incentivos fiscais e financeiros oferecidos pelo Governo às empresas, com o objetivo de que sejam desenvolvidos projetos para que tenham mais oportunidades de emprego a diversidade humana, projetos sociais e ambientais.

O Governo é um representante do povo, então, quem está contribuindo com os incentivos é o povo, que paga os impostos. A obrigação das empresas é dar continuidade a esse ciclo. As empresas que não estão retribuindo com a sociedade estão quebrando o ciclo de melhorias e enriquecendo as custas do povo. É possível haver pessoas ricas por ter bons projetos que incluam ótimos profissionais, mas rico que fez riqueza sozinho não existi!

É nesse momento que é importante sabermos, como consumidores, a maneira que devemos agir para desconstruir a frase “as pessoas são só números”. As empresas que exploram seus funcionários só agem dessa maneira porque a fiscalização do nosso país é frouxa. Na Europa, por exemplo, uma empresa não pode demitir um funcionário sem uma explicação plausível.

A maior dificuldade atualmente é identificar as empresas que enriquecem de maneira ilícita. Com a missão de desmascarar as empresas que exploram seus colaboradores, no mundo da moda, foi criado o Movimento Fashion Revolution. Onde eles incentivam os consumidores a postarem uma foto com um produto da sua marca preferida nas redes sociais, questionando como as marcas produzem seus produtos, quem são os funcionários por trás daquelas roupas, calçados e acessórios.

O Brasil da Ordem e Progresso só será real quando tivermos um olhar sincero para as dores da atualidade, entendendo a raiz de toda a injustiça.

Já compartilhei em outros artigos que o Brasil é o país dos sem direitos porque ignoramos a realidade e acreditamos em lendas. Porque não estamos focados em entender nossas necessidades e prioridades, apenas seguimos o que está na moda ou é tendência.

O Brasil precisa resgatar suas raízes, precisamos descobrir a nossa identidade como brasileiros. Isso só será possível aceitando a realidade. Quem está preparado para mudanças?

Reflita e seja a mudança que quer ver no mundo. Hoje. Agora.

*Por Michele Cruz

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*Fonte: obvious

Quando é que vamos achatar a curva do pensamento crítico?

Ao estudar filosofia, alguns filósofos foram classificados como “pensadores livres”. Outros não. Os primeiros recebiam atenção superficial. Os segundos detalhados. E isso disparou meus alarmes. Porque se você não é um livre pensador, não pensa.

Se o pensamento está ligado a regras e deve seguir um roteiro, torna-se dogmático. E nesse exato momento paramos de pensar. Ipso facto.

Parar de pensar é altamente perigoso. Tornamo-nos suscetíveis à manipulação. Corremos o risco de desenvolver posições extremas que alguém diligentemente se encarregará de capitalizar a seu favor. Então nos tornamos autômatos que seguem ordens.

O falso dilema: podemos nos unir mesmo que pensemos de maneira diferente

O coronavírus transformou o mundo em um enorme reality show que joga com as emoções. O rigor e a objetividade são evidentes por sua ausência quando nos arrastam para a infoxicação. Quanto mais informações contraditórias nosso cérebro recebe, mais difícil é colocar ordem e pensar. Estamos no caos. É assim que embota nosso pensamento. E assim o medo vence o jogo.

Nestes tempos, falamos sobre a importância da empatia e de podermos nos colocar no lugar do outro, aceitar nossa vulnerabilidade e nos adaptar à incerteza. Falamos de altruísmo e heroísmo, de compromisso e coragem. Essas são habilidades e qualidades louváveis, sem dúvida, mas o que não foi discutido é o pensamento crítico.

Ao usar eufemismos de todos os tipos, uma mensagem implícita se tornou tão clara que se tornou explícita: é hora de confiar, não criticar. O pensamento foi devidamente selado e estigmatizado, para que não haja dúvida de que não é desejável, exceto em doses tão pequenas que são completamente inócuas e, portanto, completamente inúteis.

Essa crença introduziu um falso dilema, porque o apoio não está em desacordo com o pensamento. Ambas as ações não são exclusivas. Pelo contrário. Podemos unir forças, mesmo que não pensemos da mesma forma. E esse pacto é muito mais forte porque vem de pessoas autoconfiantes que pensam e decidem livremente.

Obviamente, esse pacto exige um trabalho intelectual mais árduo. Exige que nos abramos a posições diferentes das nossas. Vamos refletir juntos. Vamos encontrar pontos de encontro. E todos nós cedemos para alcançar um objetivo comum.

Porque não estamos em uma guerra na qual é exigida obediência cega aos soldados. A narrativa de guerra apaga o pensamento crítico. Condenar quem discordar. E subjugar com medo.

Este inimigo, pelo contrário, conquista com inteligência. Com a capacidade de olhar para o futuro e antecipar eventos. Com a capacidade de projetar planos de ação eficazes com base em uma visão global. E com flexibilidade mental para se adaptar às novas circunstâncias. Tão achatada a curva do pensamento crítico é a pior coisa que podemos fazer.

Pensar pode nos salvar

“Projetar e implementar as vacinas culturais necessárias para evitar desastres, respeitando os direitos daqueles que precisam da vacina, será uma tarefa urgente e extremamente complexa”, escreveu o biólogo Jared Diamond. “Expandir o campo da saúde pública para incluir a saúde cultural será o maior desafio do próximo século”.

Essas “vacinas culturais” passam a parar de assistir ao lixo, a fim de desenvolver uma consciência crítica contra a manipulação da mídia. Eles buscam encontrar um ponto comum entre interesse individual e coletivo. Passam a assumir uma atitude ativa em relação à busca de conhecimento. E passam a pensar. Livremente, se possível.

Infelizmente, o pensamento crítico parece ter se tornado o inimigo público número um, justamente quando mais precisamos dele. Em seu livro “On Liberty”, o filósofo inglês John Stuart Mill argumentou que silenciar uma opinião é “uma forma peculiar do mal”.

Se a opinião estiver correta, não teremos “a oportunidade de mudar o erro pela verdade”; e se estiver errada, somos privados de uma compreensão mais profunda da verdade em seu “choque com o erro”. Se apenas conhecemos o nosso lado do argumento, dificilmente sabemos o seguinte: fica murcho, torna-se algo que é aprendido de cor, não passa por testes e acaba sendo uma verdade pálida e sem vida.

Em vez disso, precisamos entender que, como o filósofo Henri Frederic Amiel disse: “Não é por ser útil que a crença é verdadeira.”. Uma sociedade de pessoas de pensamento livre pode tomar melhores decisões, individual e coletivamente. Que a sociedade não precisa ser vigiada para cumprir as regras ditadas pelo senso comum. Na verdade, você nem precisa dessas regras porque segue o bom senso.

Uma sociedade pensante pode tomar melhores decisões. É capaz de pesar mais variáveis. Dar voz às diferenças. Antecipar-se aos problemas. E, é claro, encontrar melhores soluções para todos e cada um de seus membros.

*Por Rincon de la psicologia


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*Fonte: pensarcontemporaneo

O amor é mais falado do que vivido e por isso vivemos um tempo de secreta angústia

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.

O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.

Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.

Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Chomsky: “coronavírus é algo sério o suficiente, mas há algo mais terrível se aproximando”

Do Dossiersul – Acompanhe, entrevista do filósofo e linguista americano Noam Chomsky. Hoje com 92 anos e tendo vivido como testemunha muitos dos grandes fatos que marcaram o século XX e o início do XXI, ele analisa o cenário da crise do coronavírus e traça um quadro nada animador para os próximos anos. No entanto, cita que o isolamento social destes tempos deve ser usado para fortalecer os laços sociais e desenvolver projetos de resistência. A entrevista foi concedida no fim de março de 2020, uma conversa com o filósofo e co-fundador do DiEM25, Srecko Horvat. Acompanhe.

Srecko Horvat: Você nasceu em 1928 e escreveu seu primeiro ensaio quando tinha 10 anos de idade sobre a Guerra Civil Espanhola, após a queda de Barcelona em 1938, o que parece bem distante. Sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, testemunhou Hiroshima e muitos eventos históricos e políticos importantes, da Guerra do Vietnã, a crise do preço do petróleo, a queda do muro de Berlin, Chernobyl, testemunhou o momento histórico que levou ao 11 de setembro e o crash financeiro de 2007/2008. Com esse background e sendo um ator da maioria desses processos, como vê a atual crise do coronavírus, algo sem precedente histórico. Surpreende você? Como observa isso tudo?

Noam Chomsky: Devo dizer que as memórias mais tenras que me assombram agora são dos anos 1930, o artigo que você mencionou sobre a queda de Barcelona foi sobre, aparentemente, a inexorável propagação da praga fascista sobre a Europa e como chegou ao fim. Descobri muito mais tarde, quando os documentos internos vieram à publico que os analistas do governo americano, na época e nos anos seguintes esperavam que a guerra terminasse com mundo dividido entre regiões dominadas pelos EUA e uma região dominada pela Alemanha.

Meus medos infantis não estavam completamente errados. E essas memórias voltam agora. Quando era criança, posso lembrar, ouvindo comício de Hitler em Nuremberg no rádio, podia não compreender as palavras, mas podia facilmente entender o clima daquilo tudo, e tenho que dizer que quando escuto os discursos de Trump hoje, soa algo parecido. Não que ele seja fascista, não tem muito de uma ideologia, é apenas um sociopata, um indivíduo preocupado consigo mesmo, mas o clima e o medo é similar e a ideia de que o destino do país e do mundo está nas mãos de um sociopata bufão é chocante.

O coronavírus é algo sério o suficiente, mas vale lembrar que há algo muito mais terrível se aproximando, estamos correndo para o desastre, algo muito pior que qualquer coisa que já aconteceu na história da humanidade e Trump e seus lacaios estão à frente disso, na corrida para o abismo. De fato, há duas ameaças imensas que estamos encarando. Uma é a crescente ameaça de guerra nuclear, exacerbada pela tensão dos regimes militares e claro pelo aquecimento global. Ambas podem ser resolvidas, mas não há muito tempo e o coronavírus é terrível e pode ter péssimas consequências, mas será superado, enquanto as outras não serão. Se nós não resolvermos isso, estaremos acabados. As memórias da infância continuam voltando para me assustar, mas em uma dimensão diferente. A ameaça de guerra nuclear não fazia sentido com o mundo onde está, mas olhando para o passado recente, em janeiro, o relógio do juízo final é ajustado a cada ano com os ponteiros dos minutos a uma certa distância da meia noite, que seria o fim. Desde que Trump foi eleito, o ponteiro tem se movido para mais perto da meia noite. Ano passado estava a dois minutos da meia noite. O mais próximo já alcançado. Esse ano os analistas retiraram os “minutos” e movem agora o ponteiro em segundos, 100 segundos para a meia noite, o mais próximo que já estivemos. Observando três questões: A ameaça da guerra nuclear, a ameaça do aquecimento global e a deterioração da democracia, essa última que não está tendo espaço aqui, mas é a única esperança que temos para a superação da crise. Para que as pessoas tenham controle sobre seu destino, se isso não acontecer, estamos condenados.

Se deixarmos nosso destino com sociopatas bufões, será o fim. E isso está próximo, Trump é o pior, por causa do poder dos EUA, que é esmagador. Estamos falando do declínio dos EUA, mas você olha para o mundo e não vê quando os EUA impõem sanções, assassinatos, sanções devastadoras, é o único país que pode fazer isso, mas todo mundo tem de segui-lo. A Europa pode não gostar das ações odiosas contra o Irã, mas tem que acompanhar, deve seguir o mestre, ou será chutada do sistema financeiro internacional. Não é uma lei da natureza, é uma decisão na Europa estar subordinada ao mestre em Washington, outros países não tem nem tem mesmo como escolher. Voltando ao coronavírus, um dos mais chocantes e severos aspectos disso, é o uso de sanções para maximizar a dor, intencionalmente, o Irã está em uma zona com enormes problemas internos pelo estrangulamento do arrocho das sanções, que são intencionalmente desenhadas, para fazer sofrer mais e mais agora. Cuba vem sofrendo, desde o momento em que ganhou sua independência, mas é surpreendente que tenha sobrevivido, mas ficaram resilientes e um dos elementos mais irônicos desta crise do vírus, é que Cuba está ajudando a Europa. Quero dizer, isso é tão chocante, que você não sabe como descrevê-lo. Que a Alemanha não pode ajudar a Grécia, mas Cuba pode ajudar a Europa. Se você parar pra pensar sobre o que significa isso, todas as palavras não servirão. Quando você vê milhares de pessoas morrendo no Mediterrâneo, fugindo de uma região que foi devastada por séculos e sendo enviadas para morrrer ali, você não sabe que palavras usar. A crise civilizacional do ocidente neste ponto é devastadora, pensar nisso e trazer memórias de infância de ouvir Hitler no radio enrouquecer as multidões, faz você pensar se esta espécie é mesmo viável.

Você mencionou a crise da democracia. Neste momento acho que devemos nos encontrar em um momento sem precedentes no sentido de que cerca de 2 bilhões de pessoas estão de uma forma ou de outra confinadas em casa, em isolamento, auto-isolamento ou quarentena. Ao mesmo tempo o que nós podemos observar é que a Europa, mas também outros países perto de suas fronteiras, internas ou externas, há um estado de exceção em todos os países em que possamos pensar, em regressão em lugares como França, Servia, Espanha, Itália e outros, exército nas ruas… e quero perguntar a você como linguista. A linguagem que circula nesse momento: Ouvindo não apenas Trump, se você ouvir Macron ou alguns outros políticos europeus, constantemente escutará que eles falam sobre Guerra. Mesmo na mídia se fala sobre “frontliners” e o vírus sendo tratado como inimigo. O que me lembra também Victor Klemperer em “Lingua Tertii Imperii”, livro em que falou da linguagem do Terceiro Reich e como a linguagem e a ideologia foram impostas. Sob sua perspectiva , o que esse discurso sobre guerra representa, para legimitar um estado de exceção, ou algo mais profundo neste discurso?

Eu penso que não é exagero. O significado é se nós lidamos com a crise, estamos nos movendo para uma mobilização como as de tempos de guerra. Se você pensar, pegue um país rico, como os Estados Unidos que tem recursos para superar a questão econômica de imediato. A mobilização para a 2ª guerra Mundial deixou o país com uma grande dívida que está completamente saldada hoje e a mobilização foi bem sucedida, praticamente quadruplicou a indústria dos Estados Unidos, acabou com a depressão e deixou o país com mais capacidade para crescer.

Isso é menos do que precisamos provavelmente, não naquela escala, isso não é uma guerra mundial, mas nós precisamos da mentalidade desse movimento, nessa crise que essa é severa aqui nós também podemos lembrar da epidemia da gripe suína em 2009, originada nos Estados Unidos. Centenas de milhares de pessoas se recuperaram do pior, mas tem que lidar com isso em um país rico como os Estados Unidos.

Agora dois bilhões de pessoas, a maioria está na Índia. O que acontece para os indianos, eles vivem “da mão para a boca”, estão isolados e morrem de fome. O que irá acontecer? Em um mundo civilizado os países ricos dariam assistência, aqueles que estivessem em necessidade ao invés de estrangulá-los, que é o que estamos fazendo particularmente na Índia e em muitos dos países no mundo.

Se a atual tendência persiste no sul da Ásia, se tornará inabitável em poucas décadas. A temperatura alcançou 50 graus no Rajastão, neste verão está aumentando. A questão das águas agora pode piorar, há dois núcleos de poder que irão lutar por recursos reduzidos de água. Eu digo que que o coronavírus é muito sério, nós não podemos subestima-lo, mas nós temos que lembrar que isso é uma pequena fração da crise que está vindo. Pode talvez não ameaçar a vida o que o coronavírus faz hoje mas, (tais fatos) irão perturbar a vida ao ponto de tornar a espécie inviável em um futuro não muito distante.

Então nós temos que lidar com muitos problemas, problemas imediatos, o coronavírus é sério, como muitos outros maiores, vastamente maiores, e que são eminentes. Agora há uma crise civilizacional, temos que ver o lado bom do coronavírus, o que pode fazer as pessoas pensarem sobre que tipo de mundo nós queremos? Nós queremos um mundo que nos leva a isso? Devemos pensar sobre a origem desta crise, por quê há uma crise do coronavírus? É uma falha colossal do mercado, leva direto a essência dos mercados exacerbados pelo neoliberalismo selvagem, a intensificação neoliberal, os problemas socioeconômicos. Isso era sabido há muito tempo, que a pandemia era muito provável, entendemos muito bem a probabilidade da pandemia do coronavírus, uma modificação epidemia da SARS, que foi superado há 15 anos atrás, o vírus foi identificado, sequenciado, vacinas estavam disponíveis, laboratórios ao redor do mundo poderiam trabalhar diretamente em desenvolver uma proteção para uma potencial pandemia do coronavírus.

Por que não fizeram isso? As companhias farmacêuticas. Nós temos entregado nosso destino a tiranias privadas, corporações, que são inexplicadas para o público, nesse caso, o Big Farma. Para eles fazer novos cremes corporais é mais lucrativo do que encontrar uma vacina que proteja as pessoas da destruição total. É possível para o governo entrar nisso, voltar às mobilizações dos tempos de guerra, foi o que o que aconteceu com a pólio naquele tempo, eu posso me lembrar muito bem, a terrível ameaça que foi extinta pela descoberta da vacina Salk, por uma instituição do governo, apoiada pela administração Roosevelt. Sem patentes, disponível a todos. Que pode ser feito agora, mas a praga neoliberal bloqueia isso. Estamos vivendo sobre uma ideologia para qual os economistas tem uma boa parte de responsabilidade, que vem do setor corporativo. Uma ideologia que é tipificada por aquilo que Ronald Reagan colocou no script, pelo seu Mestres corporativos com seus sorrisos reluzentes, dizendo que governo é o problema. Vamos nos livrar do governo que quer dizer “vamos deixar as decisões nas mãos das tiranias privadas que não tem responsabilidade com o público”. Do outro lado do Atlântico Margaret Thatcher nos mostra que há uma sociedade, em que apenas indivíduos jogados dentro do mercado podem sobreviver de alguma forma e para além disso não há alternativa. O mundo tem sofrido sob o poder dos ricos por anos, e agora é o ponto onde as coisas podem estar acabadas. Com intervenção direta do governo no escopo da invenção da vacina salk, mas que é bloqueado por razões ideológicas da praga neoliberal e o ponto é que essa epidemia de coronavírus poderia ter sido prevenida.

A informação estava ali para ser lida era bem conhecida em outubro de 2019 logo antes do surto. Houve uma grande simulação em escala nos Estados Unidos para uma possível pandemia Mundial deste tipo. Nada foi feito, agora a crise ficou bem pior pela traição do sistema político. Nós não prestamos atenção a informação que estavam cientes em 31 de dezembro, a China informou À OMS sobre uma pneumonia com sintomas com etiologia desconhecida. Uma semana depois eles identificaram, alguns cientistas chineses, como um coronavírus, também sequenciaram e deram a informação ao mundo pelos seus virologistas, outros que ficaram incomodados em ler o report da OMS. Os países naquela área, China, Coreia do Sul, Taiwan, Singapura começaram a fazer algo e contiveram o surgimento da crise. Na Europa o que aconteceu, Alemanha foi capaz de agir de maneira egoísta, não ajudando os outros. Outros países apenas ignoraram. Um dos piores deles o Reino Unido e o pior de todos, os Estados Unidos, que disseram um dia que não havia crise, diziam “ser apenas uma gripe”, e no dia seguinte era uma terrível crise, que sabiam de tudo. No dia seguinte: “nós temos que tratar de negócios, porque tenho que vencer a eleição…”

A ideia de que o mundo está nessas mãos é chocante, mas, o ponto é que começou com uma, novamente, colossal falha do mercado ao ponto fundamental da ordem econômico-social deixada muito pior pela praga neoliberal e ela continua por causa do colapso nas estruturas institucionais que poderiam lidar com isso, se estivessem funcionando.

Esses são os pontos que nós temos que pensar seriamente e pensando mais profundamente digo, em que tipo de mundo nós queremos viver? Se superarmos de qualquer forma haverá opções. O alcance das opções vão da instalação de Estados altamente autoritários por todas as partes até a reconstrução da sociedade em termos mais humanos, preocupados com as necessidades humanas ao invés do lucro privado. Isso é o que nós devemos ter em mente, que estados altamente autoritários e viciados são bastante compatíveis com o neoliberalismo, os teóricos do neoliberalismo como Hayek e o resto eram perfeitamente felizes com o estado massivo de violência apoiada pela economia. O neoliberalismo tem suas origens em 1920 em Viena.. no estado proto fascista austríaco que esmagou a união dos trabalhadores e a social-democracia austríaca e fez parte do governo proto fascista e louvou o fascismo e sua economia protecionista. Quando Pinochet instalou ditadura assassina brutal no Chile eles amaram, eles lutaram lá, auxiliando esse “milagre maravilhoso”, que que trouxe “solidez da economia”, grandes lucros, para uma pequena parte da população.

Não é errado pensar que sistema neoliberal selvagem pode ser reinstalado por auto-proclamados liberais por forte violência do Estado, um pesadelo que pode vir. mas é necessário a possibilidade de que as pessoas se organizem, se tornem engajados para um mundo muito melhor, que também enfrentará os enormes problemas que estamos lidando… Problema da guerra nuclear que está mais próximo do que nunca esteve, o problema da catástrofe ambiental do qual pode não haver retorno uma vez que chegamos em tal estágio e não está em uma distância tão grande, a menos que nós arranjamos decisivamente. Então é um momento crítico da história humana não apenas por causa do coronavírus, mas deve nos trazer a consciência das profundas falhas, de forma mais profunda, as características disfuncionais de todo sistema sócio-econômico. Pode ser um sinal de alerta em uma lição para nos prevenir de uma explosão, mas pensando sobre isso e como essas vai nos levar a mais crises piores que essas com um preço extra a se pagar.

Como se dará a resistência em tempos de distanciamento social e o que se esperar de um futuro pós-coronavírus?

Primeiro de tudo nós devemos ter em mente que há, desde poucos anos atrás, uma forma de isolamento social que é muito danosa. Você vai ao McDonald’s e vê adolescentes sentados ao redor da mesa comendo hambúrguer e o que você vê é uma conversa rasa de uns ou alguns outros mexendo no seu próprio celular com algum indivíduo remoto, isso tem atomizado e isolado as pessoas em uma extensão extraordinária. As redes sociais tem tornado as criaturas muito isoladas, especialmente os jovens. Atualmente, as universidades nos Estados Unidos onde os passeios tem placas dizendo “olhe para frente” porque cada jovem ali está grudado em si mesmo, essa é uma forma de isolamento social auto-induzido, o que é muito prejudicial. Estamos agora em situação real de isolamento social. Que deve ser superada com recreação, laços sociais e tudo que puder ser feito. Qualquer coisa que puder ajudar as pessoas em necessidades, desenvolvendo organizações, expandindo análises… Fazendo planos para o futuro trazendo as pessoas para perto… Procurando soluções para os problemas que encaram e trabalhar neles. Estender e aprofundar atividades, pode não ser fácil, mas os humanos tem encarado seus problemas. Soberania para todas as pessoas em português.

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*Fonte: dialogosdosul

 

Cientistas afirmam que o DNA pode ser reprogramado por nossas próprias palavras

Cientistas russos provam que o DNA pode ser reprogramado apenas por nossas palavras e outras frequências externas

O DNA HUMANO É UMA INTERNET BIOLÓGICA e pode ser reprogramado.

A pesquisa científica russa explica os fenômenos sobrenaturais humanos, como clarividência, intuição, atos espontâneos e remotos de cura, autocura, técnicas de afirmação, luz / auras incomuns em torno de pessoas (ou seja, mestres espirituais), influência da mente nos padrões climáticos e muito mais. Além disso, há evidências de todo um novo tipo de medicamento em que o DNA pode ser influenciado e reprogramado por palavras e frequências SEM cortar e substituir genes únicos.

Apenas 10% do nosso DNA está sendo usado para a construção de proteínas. É esse subconjunto de DNA que interessa aos pesquisadores ocidentais e está sendo examinado e categorizado. Os outros 90% são considerados “DNA lixo”.

Os pesquisadores russos, no entanto, convenceram que a natureza não era burra, juntou linguistas e geneticistas em um empreendimento para explorar esses 90% do “DNA lixo”. Seus resultados, descobertas e conclusões são simplesmente revolucionárias! Segundo eles, o nosso DNA não é apenas responsável pela construção do nosso corpo, mas também serve como armazenamento de dados e na comunicação. Os lingüistas russos descobriram que o código genético, especialmente nos 90% aparentemente inúteis, segue as mesmas regras que todas as nossas línguas humanas.

Para esse fim, eles compararam as regras de sintaxe (a maneira como as palavras são reunidas para formar frases e sentenças), semântica (o estudo do significado nas formas de linguagem) e as regras básicas da gramática. Eles descobriram que os alcalinos do nosso DNA seguem uma gramática regular e estabelecem regras como as nossas línguas. Portanto, as línguas humanas não apareceram por coincidência, mas são um reflexo do nosso DNA inerente.

O biofísico russo e biólogo molecular Pjotr ​​Garjajev e seus colegas também exploraram o comportamento vibracional do DNA. A conclusão era: “Os cromossomos vivos funcionam como computadores solitônicos / holográficos usando a radiação laser de DNA endógena”. Isso significa que eles conseguiram, por exemplo, modular certos padrões de frequência em um raio laser e, com ele, influenciaram a frequência do DNA e, portanto, a própria informação genética. Como a estrutura básica dos pares DNA-alcalinos e da linguagem (como explicado anteriormente) são da mesma estrutura, nenhuma decodificação de DNA é necessária.

Pode-se simplesmente usar palavras e frases da linguagem humana! Isso também foi comprovado experimentalmente! A substância viva do DNA (no tecido vivo, e não in vitro) sempre reagirá aos raios laser com linguagem modulada e até às ondas de rádio, se as frequências adequadas estiverem sendo usadas.

Isso finalmente e cientificamente explica por que afirmações, treinamento autógeno, hipnose, mediação, oração e outras formas de foco podem ter efeitos tão fortes nos seres humanos e em seus corpos. É inteiramente normal e natural que o nosso DNA reaja à linguagem. Enquanto os pesquisadores ocidentais cortam genes únicos das cadeias de DNA e os inserem em outros lugares, os russos trabalharam com entusiasmo em dispositivos que podem influenciar o metabolismo celular através de frequências de rádio e luz moduladas adequadas e, assim, reparar defeitos genéticos.

O grupo de pesquisa de Garjajev conseguiu provar que com esse método os cromossomos danificados por raios-x, por exemplo, podem ser reparados.
Eles até capturaram padrões de informação de um DNA em particular e o transmitiram para outro, reprogramando as células para outro genoma. Assim, eles conseguiram transformar, por exemplo, embriões de sapo em embriões de salamandra simplesmente transmitindo os padrões de informação do DNA! .

Professores esotéricos e espirituais sabem há séculos que nosso corpo é programável por linguagem, palavras e pensamentos. Isso já foi comprovado e explicado cientificamente. Claro que a frequência tem que estar correta. E é por isso que nem todos são igualmente bem-sucedidos ou podem fazê-lo sempre com a mesma força. A pessoa individual deve trabalhar nos processos internos e na maturidade, a fim de estabelecer uma comunicação consciente com o DNA. Os pesquisadores russos trabalham em um método que não depende desses fatores, mas SEMPRE funcionará, desde que se use a frequência correta.

Na natureza, a hipercomunicação foi aplicada com sucesso por milhões de anos. O fluxo organizado da vida nos estados de insetos prova isso de maneira dramática. O homem moderno sabe disso apenas em um nível muito mais sutil como “intuição”. ?? Mas nós também podemos recuperar o uso total dela.

Um exemplo da natureza: quando uma formiga rainha é espacialmente separada de sua colônia, a construção ainda continua fervorosamente e de acordo com o plano. Se a rainha for morta, no entanto, todo o trabalho na colônia será interrompido. Nenhuma formiga sabe o que fazer. Aparentemente, a rainha envia os “planos de construção” também de longe, através da consciência de grupo de seus súditos.

Ela pode estar tão longe quanto ela quiser, enquanto estiver viva. No homem, a hipercomunicação é mais frequentemente encontrada quando de repente se obtém acesso a informações que estão fora da base de conhecimento. Essa hipercomunicação é então experimentada como inspiração ou intuição. O compositor italiano Giuseppe Tartini, por exemplo, sonhou uma noite que um demônio estava sentado ao seu lado tocando violino. Na manhã seguinte, Tartini conseguiu anotar exatamente a peça de memória, que chamou de Sonata do Diabo.

No livro “Vernetzte Intelligenz” (Inteligência em Rede), Grazyna Gosar e Franz Bludorf explicam essas conexões de maneira precisa e clara. Os autores também citam fontes presumindo que em épocas anteriores a humanidade estivera, assim como os animais, muito fortemente conectada à consciência do grupo e agia como um grupo.

Para desenvolver e experimentar a individualidade, nós humanos, no entanto, tivemos que esquecer a hipercomunicação quase completamente. Agora que estamos razoavelmente estáveis ​​em nossa consciência individual, podemos criar uma nova forma de consciência de grupo, a saber, aquela em que obtemos acesso a todas as informações através do nosso DNA sem ser forçado ou controlado remotamente sobre o que fazer com essas informações.

Agora sabemos que, assim como na Internet, nosso DNA pode alimentar seus dados apropriados na rede, pode acessar dados da rede e estabelecer contato com outros participantes na rede. Cura remota, telepatia ou “sensoriamento remoto” ?? sobre o estado dos parentes etc. pode ser explicado. Alguns animais também sabem de longe quando seus donos planejam voltar para casa. Isso pode ser recentemente interpretado e explicado através dos conceitos de consciência de grupo e hipercomunicação. Qualquer consciência coletiva não pode ser sensatamente usada durante qualquer período de tempo sem uma individualidade distinta. Caso contrário, voltaríamos a um instinto primitivo de manada que é facilmente manipulado.

Isso pode ser recentemente interpretado e explicado através dos conceitos de consciência de grupo e hipercomunicação. Qualquer consciência coletiva não pode ser sensatamente usada durante qualquer período de tempo sem uma individualidade distinta. Caso contrário, voltaríamos a um instinto primitivo de manada que é facilmente manipulado. Isso pode ser recentemente interpretado e explicado através dos conceitos de consciência de grupo e hipercomunicação. Qualquer consciência coletiva não pode ser sensatamente usada durante qualquer período de tempo sem uma individualidade distinta. Caso contrário, voltaríamos a um instinto primitivo de manada que é facilmente manipulado.

A hipercomunicação no novo milênio significa algo bem diferente: os pesquisadores pensam que, se os seres humanos com plena individualidade recuperassem a consciência de grupo, teriam um poder divino para criar, alterar e moldar as coisas na Terra!

Mais e mais crianças clarividentes estão nascendo. Algo nessas crianças está se esforçando cada vez mais em direção à consciência de grupo do novo tipo, e não será mais suprimida.

Quando um grande número de pessoas se reúne através da oração ou meditação, todas focadas no mesmo resultado, podemos mudar o mundo. O conceito de mudarmos nosso próprio DNA, através de nossas palavras e vibrações, agora é um FATO CONHECIDO. Estamos recebendo uma atualização.

 

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Zygmunt Bauman: “As redes sociais são uma armadilha”

Zygmunt Bauman acaba de completar 90 anos de idade e de tomar dois voos para ir da Inglaterra ao debate do qual participa em Burgos (Espanha). Está cansado, e admite logo ao começar a entrevista, mas se expressa com tanta calma quanto clareza. Sempre se estende, em cada explicação, porque detesta dar respostas simples a questões complexas. Desde que colocou, em 1999, sua ideia da “modernidade líquida” – uma etapa na qual tudo que era sólido se liquidificou, e em que “nossos acordos são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso” –, Bauman se tornou uma figura de referência da sociologia. Suas denúncias sobre a crescente desigualdade, sua análise do descrédito da política e sua visão nada idealista do que trouxe a revolução digital o transformaram também em um farol para o movimento global dos indignados, apesar de que não hesita em pontuar suas debilidades.

O polonês (Poznan, 1925) era criança quando sua família, judia, fugiu para a União Soviética para escapar do nazismo, e, em 1968, teve que abandonar seu próprio país, desempossado de seu posto de professor e expulso do Partido Comunista em um expurgo marcado pelo antissemitismo após a guerra árabe-israelense. Renunciou à sua nacionalidade, emigrou a Tel Aviv e se instalou, depois, na Universidade de Leeds (Inglaterra), onde desenvolveu a maior parte de sua carreira. Sua obra, que arranca nos anos 1960, foi reconhecida com prêmios como o Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades de 2010, que recebeu junto com Alain Touraine.

Bauman é considerado um pessimista. Seu diagnóstico da realidade em seus últimos livros é sumamente crítico. Em A riqueza de poucos beneficia todos nós?, explica o alto preço que se paga hoje em dia pelo neoliberalismo triunfal dos anos 80 e a “trintena opulenta” que veio em seguida. Sua conclusão: a promessa de que a riqueza acumulada pelos que estão no topo chegaria aos que se encontram mais abaixo é uma grande mentira. Em Cegueira moral, escrito junto com Leonidas Donskis, Bauman alerta sobre a perda do sentido de comunidade em um mundo individualista. Em seu novo ensaio, Estado de crise, um diálogo com o sociólogo italiano Carlo Bordoni, volta a se destacar. O livro da editora Zahar, que já está disponível para pré-venda no Brasil, trata de um momento histórico de grande incerteza.

Bauman volta a seu hotel junto com o filósofo espanhol Javier Gomá, com quem debateu no Fórum da Cultura, evento que terá sua segunda edição realizada em novembro e que traz a Burgos os grandes pensadores mundiais. Bauman é um deles.

Pergunta. Você vê a desigualdade como uma “metástase”. A democracia está em perigo?

Resposta. O que está acontecendo agora, o que podemos chamar de crise da democracia, é o colapso da confiança. A crença de que os líderes não só são corruptos ou estúpidos, mas também incapazes. Para atuar, é necessário poder: ser capaz de fazer coisas; e política: a habilidade de decidir quais são as coisas que têm ser feitas. A questão é que esse casamento entre poder e política nas mãos do Estado-nação acabou. O poder se globalizou, mas as políticas são tão locais quanto antes. A política tem as mãos cortadas. As pessoas já não acreditam no sistema democrático porque ele não cumpre suas promessas. É o que está evidenciando, por exemplo, a crise de migração. O fenômeno é global, mas atuamos em termos paroquianos. As instituições democráticas não foram estruturadas para conduzir situações de interdependência. A crise contemporânea da democracia é uma crise das instituições democráticas.

“Foi uma catástrofe arrastar a classe media ao precariat. O conflito já não é entre classes, mas de cada um com a sociedade”

P. Para que lado tende o pêndulo que oscila entre liberdade e segurança?

R. São dois valores extremamente difíceis de conciliar. Para ter mais segurança é preciso renunciar a certa liberdade, se você quer mais liberdade tem que renunciar à segurança. Esse dilema vai continuar para sempre. Há 40 anos, achamos que a liberdade tinha triunfado e que estávamos em meio a uma orgia consumista. Tudo parecia possível mediante a concessão de crédito: se você quer uma casa, um carro… pode pagar depois. Foi um despertar muito amargo o de 2008, quando o crédito fácil acabou. A catástrofe que veio, o colapso social, foi para a classe média, que foi arrastada rapidamente ao que chamamos de precariat (termo que substitui, ao mesmo tempo, proletariado e classe média). Essa é a categoria dos que vivem em uma precariedade contínua: não saber se suas empresas vão se fundir ou comprar outras, ou se vão ficar desempregados, não saber se o que custou tanto esforço lhes pertence… O conflito, o antagonismo, já não é entre classes, mas de cada pessoa com a sociedade. Não é só uma falta de segurança, também é uma falta de liberdade.

P. Você afirma que a ideia de progresso é um mito. Por que, no passado, as pessoas acreditavam em um futuro melhor e agora não?

R. Estamos em um estado de interregno, entre uma etapa em que tínhamos certezas e outra em que a velha forma de atuar já não funciona. Não sabemos o que vai a substituir isso. As certezas foram abolidas. Não sou capaz de profetizar. Estamos experimentando novas formas de fazer coisas. A Espanha foi um exemplo com aquela famosa iniciativa de maio (o 15-M), em que essa gente tomou as praças, discutindo, tratando de substituir os procedimentos parlamentares por algum tipo de democracia direta. Isso provou ter vida curta. As políticas de austeridade vão continuar, não podiam pará-las, mas podem ser relativamente efetivos em introduzir novas formas de fazer as coisas.

P. Você sustenta que o movimento dos indignados “sabe como preparar o terreno, mas não como construir algo sólido”.

R. O povo esqueceu suas diferenças por um tempo, reunido na praça por um propósito comum. Se a razão é negativa, como se indispor com alguém, as possibilidades de êxito são mais altas. De certa forma, foi uma explosão de solidariedade, mas as explosões são muito potentes e muito breves.

P. E você também lamenta que, por sua natureza “arco íris”, o movimento não possa estabelecer uma liderança sólida.

R. Os líderes são tipos duros, que têm ideias e ideologias, o que faria desaparecer a visibilidade e a esperança de unidade. Precisamente porque não tem líderes o movimento pode sobreviver. Mas precisamente porque não tem líderes não podem transformar sua unidade em uma ação prática.

P. Na Espanha, as consequências do 15-M chegaram à política. Novos partidos emergiram com força.

“O 15-M, de certa forma, foi uma explosão de solidariedade, mas as explosões são potentes e breves”

R. A mudança de um partido por outro não vai a resolver o problema. O problema hoje não é que os partidos estejam equivocados, e sim o fato de que não controlam os instrumentos. Os problemas dos espanhóis não estão restritos ao território nacional, são globais. A presunção de que se pode resolver a situação partindo de dentro é errônea.

P. Você analisa a crise do Estado-nação. Qual é a sua opinião sobre as aspirações independentistas da Catalunha?

R. Penso que continuamos com os princípios de Versalhes, quando se estabeleceu o direito de cada nação baseado na autodeterminação. Mas isso, hoje, é uma ficção porque não existem territórios homogêneos. Atualmente, todas as sociedades são uma coleção de diásporas. As pessoas se unem a uma sociedade à qual são leais, e pagam impostos, mas, ao mesmo tempo, não querem abrir mão de suas identidades. A conexão entre o local e a identidade se rompeu. A situação na Catalunha, como na Escócia ou na Lombardia, é uma contradição entre a identidade tribal e a cidadania de um país. Eles são europeus, mas não querem ir a Bruxelas por Madri, mas via Barcelona. A mesma lógica está emergindo em quase todos os países. Mantemos os princípios estabelecidos no final da Primeira Guerra Mundial, mas o mundo mudou muito.

P. As redes sociais mudaram a forma como as pessoas protestam e a exigência de transparência. Você é um cético sobre esse “ativismo de sofá” e ressalta que a Internet também nos entorpece com entretenimento barato. Em vez de um instrumento revolucionário, como alguns pensam, as redes sociais são o novo ópio do povo?

R. A questão da identidade foi transformada de algo preestabelecido em uma tarefa: você tem que criar a sua própria comunidade. Mas não se cria uma comunidade, você tem uma ou não; o que as redes sociais podem gerar é um substituto. A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas. Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que as habilidades sociais não são necessárias. Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo. O papa Francisco, que é um grande homem, ao ser eleito, deu sua primeira entrevista a Eugenio Scalfari, um jornalista italiano que é um ateu autoproclamado. Foi um sinal: o diálogo real não é falar com gente que pensa igual a você. As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.

*Por Ricardo De Querol

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*Fonte: elpais

Por que as pessoas gritam?

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:

Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?
Questionou novamente o pensador.
Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar:
Então não é possível falar-lhe em voz baixa?

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.
Então ele esclareceu:
Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecida?
O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito.

Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.

Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.

Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?

Elas não gritam. Falam suavemente.

E por quê?

Porque seus corações estão muito perto.

A distância entre elas é pequena.

Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram.

E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.

Seus corações se entendem.

É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador conclui, dizendo:
Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.”

*Mahatma Gandhi

 

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*Fonte: naterradosbudas

 

Stephen Hawking: Ganância e estupidez são o que acabará com a raça humana

O físico e cosmólogo de renome mundial, Stephen Hawking (1942-2018) deixou para trás uma trilha de citações famosas, palavras sábias e ditados inspiradores antes de sua morte.

Em 2016, durante uma entrevista com Larry King, do programa de entrevistas Larry King Now , Hawking disse que a humanidade sempre foi seu maior problema. Estamos conscientemente nos aproximando demais de um momento em que as mudanças climáticas seriam irreversíveis e, infelizmente, não há avanços à vista.

“Certamente não nos tornamos menos gananciosos ou menos estúpidos”, disse Hawking. “ Seis anos atrás eu estava preocupado com poluição e superlotação. Isso piorou desde então. A população cresceu meio bilhão desde a nossa última reunião [seis anos antes], sem fim à vista. Nesse ritmo, serão onze bilhões até 2100.

Em outra entrevista à BBC , Hawking disse: “Estamos perto do ponto crítico em que o aquecimento global se torna irreversível. A ação de Trump poderia levar a Terra à beira do abismo, para se tornar como Vênus, com uma temperatura de duzentos e cinquenta graus e chovendo ácido sulfúrico. ”…

“A mudança climática é um dos grandes perigos que enfrentamos e podemos evitar se agirmos agora.”

Realocação interplanetária como a única solução plausível

Embora ainda possa haver uma chance de salvar a Terra, Hawking estava convencido de que a humanidade nunca veria razões para tomar ações sólidas, unidas e bem direcionadas. Nas suas palavras, “[…] a evolução incorporou ganância e agressão ao genoma humano. Não há sinal de diminuição de conflitos, e o desenvolvimento de tecnologia militarizada e armas de destruição em massa pode tornar isso desastroso. ”

A única maneira de preservar nossa espécie seria garantir algum tipo de planeta reserva por um tempo em que a Terra se tornasse completamente habitável.

“A melhor esperança para a sobrevivência da raça humana pode ser colônias independentes no espaço.”

Sobre poluição e abuso de IA

Hawking mencionou que a poluição do ar estava ficando rapidamente fora de controle, pois a curva de crescimento havia subido constantemente nos últimos cinco anos.

” A poluição do ar aumentou nos últimos cinco anos” , disse ele. ” Mais de 80% dos habitantes das áreas urbanas estão expostos a níveis inseguros de poluição do ar”.

A poluição do ar é o maior contribuinte para o clima. Hoje, a principal causa da poluição do ar é a combustão de combustíveis fósseis, um subproduto da industrialização e, como a humanidade a governou, não há como voltar atrás dos avanços da era moderna.

Hawking também discutiu a inteligência artificial com King, afirmando que os governos mundiais estão se envolvendo perigosamente em ” uma corrida armamentista da IA”.

“Pode ser difícil parar uma IA desonesta ” , disse o físico. ” Precisamos garantir que a IA seja projetada eticamente com as salvaguardas em vigor”.

A inteligência artificial tem muitos benefícios, mas quando usada para cumprir a agenda errada, pode se tornar uma ferramenta de invasão e destruição em massa.

De acordo com a pesquisadora Kate Crawford em 2017, “Assim como estamos vendo uma função de etapa aumentar na disseminação da IA, algo mais está acontecendo: a ascensão do ultra-nacionalismo, autoritarismo de direita e fascismo “, disse ela ao The Guardian

Stephen Hawking (QI-162 estimado) era mais conhecido por suas contribuições aos campos da cosmologia, relatividade geral e gravidade quântica, especialmente no contexto de buracos negros . O cientista formado em Cambridge e Oxford foi diagnosticado com uma forma de progressão lenta da esclerose lateral amiotrófica ou da doença de Lou Gehrig, uma doença da motoneurona que o deixou paralisado por grande parte de sua vida.

Ele causou um impacto permanente no mundo da ciência e da física, deixando inúmeros livros de autoria e citações inspiradoras em seu nome.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

O conselho de Nietzsche: que a pressa de fazer não nos impeça de ser

“As pessoas vivem para o presente, com pressa e de uma maneira irresponsável: e isso é chamado de ‘liberdade’”, escreveu Friedrich Nietzsche no final do século 19. Se o filósofo tivesse testemunhado a pressa contemporânea, provavelmente teria dito que somos loucos – secos – e que teríamos se retirado para viver na floresta, como Thoreau, para recuperar a calma necessária exigida pela reflexão e pela introspecção.

A verdade é que a pressa tornou-se uma condição sine qua non da modernidade, de modo que nossa vida geralmente acontece num frenesi de atividades supostamente irrefreáveis, inescapáveis e inalienáveis. Nesse mundo, a pausa é um luxo. Atraso, uma virtude perdida nos recessos da memória. E enquanto nos concentramos em fazer, nos esquecemos de ser.

A pressa nos afasta de nós mesmos

A velocidade com que vivemos nada mais é do que uma ilusão baseada na crença de que nos poupa tempo quando, na verdade, a pressa e a velocidade aceleram. Vivemos em um estado perene de “estimulação violenta e complexa dos sentidos, que nos torna progressivamente menos sensíveis e, portanto, mais necessitados de estimulação ainda mais violenta. Ansiamos por distração, um panorama de visões, sons, emoções e excitações em que o maior número possível de coisas deve ser acumulado no menor tempo possível […] E apesar da tensão nervosa, estamos convencidos de que o sonho é um perda de tempo valioso e continuamos a perseguir essas fantasias até tarde da noite ”, escreveu Alan Watts.

Nós não percebemos que enquanto corremos de um lugar para outro, perdemos nossas vidas. Assim, caímos em uma contradição: quanto mais pretendemos agarrar a vida através da aceleração, mais ela nos escapa. Vítimas de pressa, não temos tempo para olhar para dentro, desdobramos para operar de modo automático e poder com tudo. E esse modo de vida se torna um hábito tão arraigado que logo nos desconectamos do nosso “eu”.

Nietzsche resumiu com maestria: “a pressa é universal porque todos estão fugindo de si mesmos”. Qualquer tentativa de reconectar, impulsionada pela calma e pelo atraso, nos assusta, por isso procuramos refúgio às pressas, inventamos coisas novas para fazer, novos compromissos a cumprir, novos projetos para se inscrever, na esperança de que devolva-nos ao estado de sonolência pré-consciente, porque não sabemos o que vamos encontrar naquele exercício de introspecção, não sabemos se a pessoa que nos tornamos vai gostar de nós. E isso assusta. Muito.

Introspecção exige atraso

Não é fácil desaprender alguns dos hábitos que desenvolvemos. Vítimas de impaciência, consumidas pelo incessante tique-taque do relógio, aprendemos a preencher nossa agenda e nos orgulhar disso. Nós condensamos experiências no menor tempo possível para fazer mais, como se a vida fosse resumida a uma competição na qual quem completa mais tarefas ganha.

No entanto, se pararmos apenas um segundo e pensarmos sobre isso, a pressa em que vivemos quase nunca responde a coisas realmente importantes e urgentes, mas é devido às exigências de um modo de vida que tenta por todos os meios nos manter distraído e ocupado o máximo de tempo possível. A pressa atual é encher nossas vidas com atividades febris e velocidade, de modo que não há tempo para enfrentar os problemas reais, o essencial.

Qual é o antídoto?

Nietzsche, que chegou a classificar a pressa como “indecorosa”, disse que os pilares essenciais para estabelecer as bases que nos permitem viver com mais calma e plenitude, transformando a vida em uma obra de arte que é apreciada com cuidado e lentidão.

Em “O crepúsculo dos ídolos” disse: “Você tem que aprender a ver e você tem que aprender a pensar […] Aprender a ver significa ficar de olho na calma, paciência, deixando as coisas chegarem perto de nós ; aprenda a adiar o julgamento, a cercar e cobrir o caso particular de todos os lados ”.

Nietzsche explicou que devemos aprender a “não responder imediatamente a um estímulo, mas controlar os instintos que põem obstáculos, que nos isolam”, para poder adiar decisões e ações. No extremo oposto localizavam-se aqueles que não conseguiam resistir a um estímulo, aqueles que reagiam e seguiam os impulsos, considerando que a pressa em responder “é um sintoma de doença, decadência e exaustão”.

Com essas linhas, Nietzsche nos convida a fazer as pausas necessárias para refletir, de maneira tranquila, permitindo que a realidade se revele pouco a pouco, sabendo que a razão exige desmembramento enquanto a correria funciona baseada em preconceitos e idéias preconcebidas.

Embora o raciocínio rápido possa ser adaptativo em certas circunstâncias, a falta de reflexão e tranqüilidade nos leva à irracionalidade e a decisões erradas. Precisamente por isso, a lentidão pode tornar-se tremendamente subversiva no mundo de hoje: precisamos desacelerar para viver, a fim de pensar, para decidir por nós mesmos o que queremos – e o que não queremos.

É nesses momentos de calma e paciência que o sentido da vida emerge. Que “deixar as coisas se aproximarem de nós”, a que Nietzsche se refere, é um precioso intervalo de tempo entre o fato e nossa reação, entre pensamento e ato, uma espécie de “vazio” que pode ser preenchido inesperadamente com a plena existência. Então, e somente então, podemos fazer as pazes conosco mesmos. Aprenderemos a desfrutar da companhia daquele “eu” que havíamos negligenciado e não precisaremos mais fugir de nós mesmos.

*Adaptação de Rincón de La Psicologia

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*Fonte: pensarcomtemporaneo

A humanidade e seus lobos

Homo hominis lupus. A frase em destaque significa “o homem é o lobo do homem” em latim. Tal sentença foi criada por Plauto, um dramaturgo romano que viveu no período republicano de Roma entre 230 – 180 a.C., aparecendo pela primeira vez em sua obra conhecida como “Asinaria”. Nessa obra, a variação escrita por Plauto se encontra da seguinte forma: “o homem não é homem, mas sim um lobo para com um estranho.” Aqui, interpretando-se homem como sendo toda a sociedade humana (homens e mulheres), o autor tenta exprimir um comportamento antropológico característico— a capacidade que nós temos de julgar e excluir aqueles que não fazem parte de nosso grupo.

Thomas Hobbes, um filósofo inglês e um dos fundadores da filosofia política, utilizou-se da frase citada acima em sua obra “De Cive” (Sobre o Cidadão, em tradução livre). Nela, o mesmo fundamento lógico é usado para endereçar o mesmo problema: nós, humanos, gostamos de fazer parte de grupos sociais e no momento em que reconhecemos a presença de estranhos, inicialmente os tratamos não da forma com que rotineiramente tratariamos aqueles pertencentes a nossa sociedade, mas de uma forma diferente. Envolvido em uma teia de argumentos ratificando o resultado do ser humano sem uma entidade intermediadora, algo que conhecemos como estado, Hobbes concordava com o fato do ser humano não compactuar com indivíduos de grupos diferentes que o seu e colocou como sendo importante o estabelecimento de tal entidade. Nesse contexto, esse é o significado da frase “o homem é o lobo do homem”.

Mas eu quero seguir em um caminho diferente no que diz respeito ao significado de tal sentença. Um caminho que pode se desviar um pouco daquele percorrido por Hobbes e Plauto, mas que vale a pena ser refletido e analisado. É possível encontrarmos diversos exemplos na curta vida da civilização de nossa espécie — alguns meros milhares de anos — que sugerem uma característica peculiar sobre nós mesmos: a habilidade que temos de dar significado aquilo que nos rodeia. Por toda a natureza, consegue-se localizar uma gigantesca dose de impessoalidade. Supernovas, imensas explosões que marcam de uma estrela em seus últimos dias de vida e que podem devastar vários mundos que estiverem perto demais pela liberação de letais raios-X e raios gama; buracos negros, que devido a sua imensa gravidade consegue capturar até mesmo a luz, não deixando sair, portanto, nenhuma outro objeto físico (pelo menos não por onde entraram); e, em uma escala mais local, olhemos os terremotos e furacões, nos quais os primeiros são ocasionados pelo encontro de ventos fortes que se chocam em direções específicas, transformando a energia cinética de seus gases em momento angular, girando sem parar e podendo causar grande dano, além do segundo causar igual ou até maior estrago, sendo originado pela movimentação contínua do magma abaixo da crosta terrestre, e, especificamente, pela colisão dessas — as conhecidas placas tectônicas. Todos esses eventos acontecem em todo o lugar no Universo, a todo momento. Alguns desses, como no caso das supernovas, foram essenciais para a evolução do Cosmos como conhecemos hoje, apesar dos aparentes estragos que eles podem ocasionar.

Esses eventos são produtos das leis da física presentes no Universo ao nosso redor. Eles simplesmente acontecem. Porém, pode-se perguntar, será que os acontecimentos naturais ao nosso redor são categoricamente bons ou ruins? Somente a partir da ascensão da consciência é que essas questões começam a fazer algum sentido. E, devido a isso, cabe aos seres que possuem tal consciência determinarem o significado de eventos que, sem aquela, são indiferentes para a realidade física. Creio que essa habilidade é tanto uma benção quanto uma maldição. Uma vez que temos a capacidade de estabelecer significados para eventos, categorizando-os como coisas boas ou ruins, estamos fadados a possibilidade de não possuir sabedoria suficiente para discernir entre um e outro. Diferentemente dos eventos naturais que acontecem independente de nossa vontade, mas sim em decorrência de leis físicas do mundo em que vivemos, cabe a nós escolhermos cuidadosamente nossas ações com relação ao ambiente que nos circunda. É bem verdade que nós, seres humanos, possuímos incríveis qualidades. Porém, como a história de nossa espécie mostra, e o século XX ratifica, podemos ser capazes de coisas inimaginavelmente terríveis. Essa dualidade — em que podemos fazer coisas incríveis e, ao mesmo tempo, realizar atrocidades inimagináveis — pode se tornar, se não é que já se tornou, algo danoso para a sobrevivência da nossa espécie no longo prazo.

Um exemplo claro disso é a jornada mais bem-sucedida já embarcada por nós: a ciência. Através dela, fomos capazes de dizimar diversas doenças antes consideradas incuráveis, aumentar a expectativa e a qualidade de vida, minimizar o tempo de locomoção entre locais, conectar todo globo em uma rede de comunicação mundial, além de criar indústrias antes inimagináveis e, a partir dessas, garantir o desenvolvimento econômico do mundo, só para citar algumas. Incríveis conquistas para uma espécie de primatas com um cérebro mais desenvolvido que os demais e que anda em suas duas pernas. Com tal método, conseguimos avançar tecnologicamente a escalas nunca pensadas antes, desde colocarmos os pés em outro mundo até enviar robôs para outros planetas e sóis. Porém, com essa mesma ferramenta, guerras foram iniciadas, armas foram desenvolvidas, matando um incontável número de pessoas no processo. Bombas de destruição em massa acabaram, no dia 6 de abril de 1945 na cidade de Hiroshima, com dezenas de milhares de vidas em questão de segundos, além de outras centenas de milhares em Nagasaki, no dia 9 de agosto do mesmo ano. Enquanto estamos tentando desenvolver a cura de doenças hoje incuráveis como o câncer, o mal de Alzheimer e a AIDS, buscando acabar com o sofrimento de incontáveis pessoas ao redor do planeta, hoje possuímos o poder destrutivo de dizimar toda a população mundial com bombas atômicas e outras armas de alta destruição. Somado a este fato, estamos destruindo a nossa casa planetária que chamamos de Terra, liberando imensas quantidades de gases do efeito estufa na atmosfera sem entender, ou em parte simplesmente negligenciando, o impacto que essa decisão acarretará para as próximas gerações. Assim como outras áreas do conhecimento, a ciência também está refém de decisões políticas que são tomadas por um pequeno grupo de indivíduos, sendo muitas vezes resultado de investidas econômicas por parte desses agentes. Faz sentido perguntar, logo, se possuímos a sabedoria suficiente para tomar uma decisão para, no mínimo, não causarmos danos maiores a nós mesmos e ao que está ao nosso redor.

Mesmo não possuindo o mesmo sentido utilizado por Houbes e Plauto, às vezes percebemos que, realmente, nós podemos ser nossos próprios “lobos”. A humanidade pode ser inimiga de si própria quando coloca sentimentos extremistas e imediatos na frente do pensamento crítico e de uma visão holística e de longo prazo. Devemos pensar mais sobre esta fase de nossa civilização. Estamos com uma ferramenta (o método científico) que possui capacidades exponenciais, porém se não utilizado de maneira correta mais se parece com uma arma na mão de uma criança. Mesmo parecendo pensamentos caracteristicamente filosóficos, são ideias que valem a pena serem consideradas. É o nosso papel como cidadãos conscientes entender sobre a contribuição que a ciência possui em nossa sociedade, não apenas em nosso país, mas em uma escala global — e isso inclui quem colocamos no poder e as políticas que possuem nesse sentido. Cabe a nós a escolha de fazermos desse um período de aprendizagem por meio dos inúmeros erros já cometidos. Caso negativo, talvez este seja o último erro de uma espécie que, mesmo tendo tido uma infância humilde, tantas qualidades e prospecções, tantos sonhos e objetivos, não conseguiu superar sua adolescência tecnológica e as suas perigosas crises.

*Por Weslley Victos

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*Fonte: ciencianautas

Falta de horas de descanso faz com que nossa melancolia se torne raiva ou depressão

Joke J. Hermsen (Middenmeer, Holanda, 1961), doutora em Filosofia e especialista na vida e na obra das filósofas Hannah Arendt e Lou Andreas-Salomé, analisa em seu último livro – La Melancolía en Tiempos de Incertidumbre – um sentimento humano que, diz ela, explica em parte a ascensão da extrema direita. Defende que a epidemia de depressão que assola o mundo se deve ao fato de que não soubemos deter a melancolia em sua versão insana, o que leva o ser humano a cair no lado escuro, na ira e no medo.

Pergunta. De que maneira os políticos influenciam em nossa melancolia?

Resposta. Neste momento temos muitos políticos que semeiam mais o medo do que a esperança. E isso é perigoso. Nossa melancolia precisa de esperança, de amor, de luz, de amizade… e quando a cercamos de medo corremos o risco de transformá-la em depressão. A responsabilidade desses políticos é grande. Existe o perigo, como dizia Hannah Arendt, de cair de novo em um sistema totalitário. Nunca devemos pensar que isso não vai acontecer conosco.
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P. E o que podemos fazer para ir nessa direção?

R. Apontar a responsabilidade desses políticos. Tudo o que podemos fazer é criticá-los e fazer propostas esperançosas. Todos nós sofremos de fadiga parlamentar, não acreditamos mais em nossa democracia. Não acreditamos mais que os políticos vão consertar as coisas, temos que inventar outros instrumentos. E o que eu proponho são comitês de cidadãos. Pessoas escolhidas de modo rotativo por sorteio que tenham dias pagos por todos para se informar, debater e tomar decisões. A principal vantagem é que as pessoas se sentiriam mais responsáveis e representadas. Sentiriam de novo sua liberdade política, porque não devemos esquecer que também somos seres políticos. Temos que repensar nossa democracia, experimentar. Não temos nada a perder.

P. A senhora diz que a dificuldade que temos hoje para encontrar a calma é uma das causas da epidemia de depressão no Ocidente.

R. Tento readaptar a distinção feita por Aristóteles entre a melancolia criativa e solidária, a melancolia zen e a melancolia que se transforma em uma depressão muito séria, uma melancolia insana. Existem várias causas para essa evolução; uma delas é a falta de esperança que torna a melancolia cada vez mais escura e que faz com que nos sintamos ameaçados. E outra é a falta de horas de descanso, de calma, de ataraxia, que faz com que nossa melancolia se transforme em cólera ou em medo, em depressão. E este é um problema generalizado.

“Quando crescemos, é importante reaprender a ser aquela criança que fomos, que se sentia una com o mundo”

 

P. Outra causa de nossa melancolia, como a senhora diz, está na nostalgia que sentimos por nossos primeiros anos de vida, de que não nos lembramos porque não tínhamos desenvolvido a linguagem.

R. Escrevi minha tese em parte sobre Lou Andreas-Salomé, que descobri através de Nietzsche. Ela elaborou a ideia de que durante a primeira infância temos a impressão de sermos unos, uma unidade com tudo o que nos rodeia. As crianças dizem sempre nós, nunca eu. Se você se olhar no espelho com um bebê nos braços, ele não verá diferenças entre ambos. Nascemos em algo que nos transcende. Por isso é tão importante quando crescemos e nos tornamos esse eu, ou esse ego completamente angustiado, reaprender a ser aquela criança que fomos, que era mais do que apenas ela mesma. É uma forma de pensar sobre a transcendência do eu para o nós. Sempre sentiremos melancolia por aquela criança que fomos, por esse nós.

P. Em que momento começou a falar sobre depressão?

R. Em praticamente todas as culturas encontramos esse estado de alma melancólico ao qual cantamos descrito na poesia, na literatura, na arte… Mas a partir de Freud passou a se chamar depressão. E o que lamento é que percamos o lado positivo da melancolia. A melancolia não é alegria nem tristeza, é algo que combina essas duas sensações. Quando queremos alcançar uma verdade profunda, precisamos das ambivalências, elas nos aproximam melhor da verdade de nossa existência como seres humanos. A condição humana se desenvolve em uma ambivalência maior do que supomos nesses momentos. Mas suportamos cada vez menos as ambivalências. Quando vemos no cinema que todo mundo chora ou todo mundo ri… Pode ser muito divertido, mas existe algo no fundo da alma que não se comove. Muitas vezes o que nos chega realmente é algo melancólico, uma tristeza que sorri ou uma alegria por estar triste.

“Sofremos de fadiga parlamentar. Proponho criar comitês de cidadãos, pessoas escolhidas de modo rotativo por sorteio”

 

P. A senhora acredita que para tratar a atual epidemia de depressão o mundo precisa de uma aproximação às pessoas afetadas que integre o tratamento filosófico. Pode explicar melhor?

R. Não proponho isso como remédio. Quero ir mais longe. Nosso estado de alma é melancólico porque estamos conscientes de nossas perdas, estamos conscientes de que um dia morreremos e estamos conscientes dos anos e de tudo o que vamos deixando para trás. E o que é importante é que criemos horizontes de esperança em torno dessas nuvens, à sombra da melancolia. A melancolia precisa de esperança, amor, música, amizade, luz, dança… para não se tornar escura. Não é uma terapia, o que proponho é que percebamos que necessitamos, além da calma, também do amor. Não apenas com relacionamentos românticos, também o amor mundi, o amor pelo mundo mencionado por Hannah Arendt. Que nos sintamos em comunhão com o mundo e que sintamos esse amor compartilhado com ele. Necessitamo-nos mutuamente.

P. As pessoas com depressão são párias do sistema neoliberal?

R. Sim, elas são. O neoliberalismo é quem as deixa doentes. O que é necessário para que a melancolia seja saudável? Descanso, e no capitalismo isso não existe. O sistema faz com que as pessoas fiquem deprimidas e, além disso, essas pessoas não são cuidadas. Ele as afasta. A terapia que proponho não custa dinheiro, mas tempo, entretanto o tempo se tornou o produto de luxo por excelência.

*Por Carmen Pérez-Lanzac

 

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*Fonte: el-pais

Gilles Lipovetsky: A identidade na era Facebook

Quais crenças fundamentam sua existência? Quais sistemas de governo você defende? Esqueça estas perguntas.

Atualmente, para reafirmar (ou até formar) sua identidade, o que importa é saber o que você gosta de fazer, de ouvir, de ver… E compartilhar tudo isso, é claro. Na era das mídias sociais, os elementos que definem quem você é se transformaram e têm nos seus gostos culturais.

Os incontáveis posts sobre nosso cotidiano são a base da explicação do filósofo francês Gilles Lipovetsky, que explica como nossos murais revelam mais sobre nós do que pensamos e clamam por um reconhecimento questionável.

Teórico da hipermodernidade e da pós-modernidade, o francês Gilles Lipovetsky é professor de Filosofia na Universidade de Grenoble e autor de best-sellers como O império do efêmero – A moda e seu destino nas sociedades modernas e A era do vazio – Ensaios sobre o individualismo contemporâneo.

O intelectual francês defende que a consagração do bem-estar triunfa na sociedade pós-moderna. Em seu mais recente livro, Da leveza – Rumo a uma civilização sem peso, ele aborda o culto contemporâneo à felicidade em contraposição à rotina veloz e exigente que enfrentamos, temas também tratados no texto que você confere logo abaixo.

Gilles Lipovetsky | A identidade na era Facebook

Anteriormente, havia uma relação de face a face na construção identitária. Essa dimensão continua existindo, mas agora também existe, graças às redes sociais, a possibilidade de mostrar aos outros coisas que você não pode mostrar na vida, quando encontra alguém no restaurante, na rua ou no trabalho.

Parece-me que hoje, quando observamos as redes sociais, constatamos que a identidade passa muito menos pelas questões graves que definiam a identidade anteriormente: a política e a religião, por exemplo. É cada vez mais por meio de atividades e gostos culturais que os indivíduos afirmam sua identidade individual. Eles dizem o que fazem na vida pessoal, o que apreciam, seus gostos. “Eu fui ver tal filme, eu tirei tal fotografia.” A partir daí as pessoas postam suas mensagens, suas fotos, e recebem “curtidas”.

No Facebook e em outras redes sociais não existe o “não curti”. Isso foi objeto de uma grande discussão interna na plataforma, aliás, e tiveram a intuição de que não deveriam tornar possível o “não curti” para que fosse, no fundo, simplesmente um lugar de reconhecimento e de gratificação. Você pode receber mensagens desagradáveis, mas isso não está inscrito na formatação da rede. E agora estudamos tudo isso de perto.

As pessoas postam uma foto, por exemplo, que tiraram no passeio do domingo, quando viram alguma coisa em geral um pouco original. A gente gosta de postar coisas um pouco originais, e colocamos a foto, talvez acompanhada de um pequeno texto. E aí a questão se coloca: “Por que postei essa foto?”. O que acontece na cabeça? Não é sua profissão, você não é jornalista, não existe razão alguma.

Bem, muitas pesquisas mostram que as pessoas esperam, em relação a essas postagens, um retorno simbólico e afetivo. As pessoas esperam “curtidas”. E existe uma contrariedade quando ninguém reage a uma postagem que você fez no Facebook.

Você se sente excluído ou mal-amado e, consequentemente, a identidade aqui é construída na aprovação, no reconhecimento dos outros, que me dizem: “Sim, é formidável, adorei sua foto etc”, e os indivíduos recebem diariamente uma espécie de alimentação simbólica, que lhes dá certa satisfação: “Eu sou apreciado pelos meus amigos. Tenho um pequeno valor, pois as pessoas gostam daquilo que faço”. Então, eu me afirmo nas redes sociais, no fundo, sobre bases hedonistas.

 

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Estar bem consigo mesmo é melhor do que estar bem com todos

«Um jovem e notável discípulo de artes marciais estava aprendendo sob a tutela de um professor famoso.

Um dia, o professor estava observando uma sessão de prática no quintal e percebeu que a presença dos outros alunos estava interferindo nas tentativas do jovem de aperfeiçoar sua técnica.

O professor podia perceber o desejo do jovem de ficar bem diante dos outros e sua frustração por não conseguir. Ele se aproximou e deu um tapa no ombro dele.

– Qual é o problema? – ele perguntou.

– Não sei – disse o jovem visivelmente tenso. – Por mais que eu tente, não consigo executar os movimentos corretamente.

-Venha comigo, eu explico para você – respondeu o professor.

O professor e o aluno deixaram o prédio e caminharam até um riacho. O professor permaneceu em silêncio na praia por um tempo. Então ele falou.

– Olhe para o riacho. Há pedras no seu caminho. Tenta impressioná-las? Golpea-se contra elas por frustração? Simplesmente flui e segue em frente. Seja como a água.

O jovem tomou nota do conselho do professor e, em poucos dias, mal notou a presença de outros alunos ao seu redor. Nada poderia afetar sua maneira de executar os movimentos, cada vez mais perfeitos ».

Essa história maravilhosa nos fala sobre a necessidade de encontrar equilíbrio e paz interior, em vez de tentar impressionar os outros e obter sua aprovação. De fato, quando aguardamos a aceitação dos outros, ocorre uma contradição: quanto mais a procuramos, mais ilusória ela se torna e menos valorizamos os outros.

A parábola usa a água como um recurso, pois na filosofia budista ela tem um simbolismo especial porque encerra perfeitamente seus ensinamentos. A água flui constantemente, se adapta às formas dos recipientes e levanta todos os tipos de obstáculos. É sua capacidade de se adaptar sem perder sua essência que a torna tão especial.

Os riscos de buscar a aprovação de outras pessoas

1 – Estamos cada vez mais nos afastando de nossa essência. Quando buscamos a aceitação de outros, assumimos que algumas de nossas características não serão bem recebidas, por isso tentamos escondê-las. Colocamos uma máscara social que nos afasta da autenticidade e nos “força” a interpretar um personagem. Obviamente, viver naquele “teatro” é cansativo, porque precisamos estar cientes de reprimir muitos dos pensamentos, atitudes e emoções que experimentamos naturalmente.

2 – Vivemos em uma montanha-russa emocional. Quando a opinião dos outros se torna a bússola que dita nossos passos, subimos por conta própria a uma montanha-russa emocional, porque nosso humor começará a depender diretamente de avaliações externas. Ficaremos felizes se nos lisonjearem ou profundamente infelizes e frustrados se nos criticarem ou nos rejeitarem. Nesse ponto, paramos de possuir nossas emoções e damos controle aos outros. Tornamo-nos pessoas reativas à mercê da opinião de outras pessoas.

3 – Esquecemos nossos sonhos. É algo terrível, tão terrível que normalmente afastamos isso da mente, mas quando nossa vida gira em torno da aprovação de outros, abandonamos nossos sonhos e planejamos adaptar e adotar os objetivos dos outros. Dessa maneira, acabamos perdendo a motivação intrínseca, que é o nosso motor de direção, e ficamos sem paixão. Assim, acabamos vivendo a vida que os outros querem, não a vida que queremos.
É possível sermos nós mesmos sem “prejudicar” os outros?

Um dos obstáculos que para as pessoas no caminho da autenticidade e da libertação pessoal é o medo de prejudicar pessoas importantes. No entanto, o fato de crescer, perseguir nossos sonhos, ser independente e se sentir bem consigo mesmo não deve ser um problema para os outros. Pelo contrário, se eles realmente nos amam, devem se sentir felizes pelo nosso crescimento.

O problema é que, quando criamos um relacionamento de dependência com alguém, buscando sua aprovação antes de tomar decisões, do mais inconseqüente ao mais importante, estamos conferindo um enorme poder sobre nós. Muitas pessoas se sentem confortáveis nesse papel, gostam do poder que têm sobre nossas vidas e não querem romper esse vínculo. No entanto, muitas vezes essas pessoas se tornam cada vez mais exigentes, tentam nos amarrar mais rapidamente e suas demandas de controle se tornam desproporcionais. Nesses casos, cortar o laço é uma questão de sobrevivência psicológica.

É claro que, quando nos tornamos independentes, ousamos desejar coisas diferentes e começar a tomar nossas próprias decisões, essas pessoas estarão “magoadas” porque desejam manter esse vínculo de dependência. De certa forma, a dor é uma forma de manipulação emocional. No entanto, devemos lembrar que muitas vezes os laços que nos mantêm unidos também são os que mais nos amarram.

Nesses casos, não devemos ter medo de “prejudicar” essa pessoa porque não estamos realmente machucando-a, mas estamos dando ao relacionamento uma chance de amadurecer. O que estamos fazendo é elevar o relacionamento a um nível superior, onde não há dependência, mas duas pessoas maduras que gostam de estar juntas a partir de sua individualidade, sem dependências tóxicas.
Não seja você mesmo, seja a melhor versão de você

Um dos piores conselhos de auto-ajuda que podem nos dar é incentivar-nos a ser nós mesmos. Devemos ter em mente que muitas pessoas conseguiram ser elas mesmas, mas muitas outras falharam miseravelmente. Muitas pessoas foram felizes por serem elas mesmas, mas outras foram profundamente infelizes.

O conselho mais sábio é: seja a melhor versão de você. Isso não significa que devemos renunciar à nossa essência, mas que devemos aprender a tirar o melhor de nós mesmos. Por exemplo, ser uma pessoa raivosa no final só nos trará problemas, além de nos fazer sentir mal. Isso não significa que devemos esconder nossa decepção ou descontentamento, mas que devemos expressá-la de forma assertiva. O objetivo não é agradar aos outros, mas ser capaz de gerenciar nossas emoções porque acumular ressentimento, ódio e ressentimento acabará nos prejudicando.

O segredo para ser a melhor versão de nós mesmos é muito simples: quando desenvolvemos um bom equilíbrio interno, sabemos exatamente o que queremos na vida e estamos em paz consigo mesmos; Tudo isso se traduz em cada um de nossos atos e nos permite relacionar de forma mais assertiva e autentica.

De fato, ser autêntico não significa explodir quando nos sentimos zangados e frustrados ou dizemos a primeira coisa que vem à mente sem refletir sobre suas conseqüências, que é simplesmente um comportamento infantil.

Nas palavras de Jean Paul Sartre: “Quem é autêntico assume responsabilidade pelo que é e se reconhece livre de ser o que é”.

A pessoa autêntica pratica a congruência, é ela quem expressa o que sente e pensa assertivamente. No entanto, a autenticidade não se limita à congruência, não é simplesmente “seja você mesmo”, mas também implica um profundo conhecimento interior, assumindo responsabilidade e uma sólida auto-estima que não depende das opiniões dos outros.

A pessoa autêntica é sensível às emoções e opiniões dos outros, não pode ser diferente, mas decide não subordinar suas decisões aos julgamentos e críticas dos outros. O mais interessante é que, quando estamos bem conosco, quando somos autênticos de maneira madura e com um profundo autoconhecimento, os outros percebem isso e conquistamos seu respeito e admiração, mesmo que esse não seja o objetivo final.

*Adaptado de Rincon de la psicologia

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*Fonte: pensarcontemporaneo