Relógio do Juízo Final agora marca 100 segundos para o fim do mundo

Nova escalada militar, mudanças climáticas e novas tecnologias de desinformação colocam a humanidade mais próxima da extinção do que nunca, segundo pesquisadores

A humanidade está mais próxima do que nunca da destruição total do planeta. É o que concluíram os membros do Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim de Cientistas Atômicos), que ajustaram o Relógio do Juízo Final para 100 segundos para a meia-noite, o que coloca os humanos 20 segundos metafóricos mais próximos da extinção.

O Relógio do Juízo Final foi criado em 1947 e é atualizado regularmente como uma forma de representação dos riscos enfrentados pela humanidade e o quão iminentes podem ser os impactos. Antigamente, ele representava principalmente a escalada da tecnologia nuclear bélica, mas de lá para cá ele também representa outros riscos, em especial as mudanças climáticas enfrentadas pelo planeta.

Ao longo dos últimos dois anos, o relógio teve seu horário definido em 2 minutos para a meia-noite (sendo a meia-noite a representação da extinção humana). No entanto, houve alguns fatores recentes que motivaram os cientistas a avançarem o relógio 20 segundos para frente. Isso inclui as tensões militares entre Estados Unidos e Irã, o fim da cooperação entre EUA e Rússia sobre desarmamento nuclear e a decisão da Coreia do Norte em retomar os testes nucleares. Além disso, a questão climática não foi ignorada, com incêndios generalizados na Amazônia e na Austrália citados como parte de uma resposta inadequada contra as mudanças do clima mundial.

Há um outro fator que contribui para a aproximação do juízo final que é a guerra de informação e desinformação vista em boa parte do planeta e o descrédito de cientistas e da mídia sob acusação de “fake news”. Para piorar, o comitê ainda nota a ascensão do “deepfake”, a tecnologia que usa inteligência artificial para criar montagens ultrarrealistas, o que permite, na prática, fazer com que qualquer pessoa famosa fale o que o autor quiser em frente à câmera.

Em 2018, que havia sido a última vez que o relógio teve seu horário modificado, a preocupação dos cientistas era direcionada principalmente à escalada nuclear em países como Coreia do Norte, Paquistão, Índia, Rússia e, claro, os Estados Unidos. Na ocasião, o relógio foi adiantado em 30 segundos e definido em 2 minutos para a meia-noite, o que já sinalizava um nível de preocupação alto. Afinal de contas, esse horário só havia sido atingido em 1953, no auge da Guerra Fria, quando EUA e União Soviética testavam seu armamento termonuclear.

Também vale lembrar, no entanto, que, por mais assustador que o Relógio do Juízo Final pareça, ele é só um artifício utilizado para demonstração da preocupação em relação aos rumos do planeta, por mais que seja embasado por pesquisa científica e geopolítica séria. A peculiaridade do relógio é que os cientistas podem, sim, em algum momento, retroceder os ponteiros, mantendo a meia-noite mais distante. Para isso, são necessárias mudanças positivas: em 1991, o relógio chegou a 17 minutos para o fim do mundo quando EUA e União Soviética assinaram o Start I (Tratado de Redução de Armamentos Estratégicos), marcando uma cooperação entre as duas potências que afastava consideravelmente o risco de extinção por uma guerra nuclear. Foi o mais longe que já estivemos do fim do mundo, na visão dos cientistas.

*Por Renato Santino

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*Fonte: olhardigital

Sumiço das nuvens é a nova ameaça do fim do mundo como o conhecemos

Há 50 milhões de anos, período conhecido como Eoceno, o Ártico não era coberto de gelo como hoje. Com a Terra cerca de 13ºC mais quente, a paisagem no extremo norte do planeta era ocupada por florestas pantanosas repletas de crocodilos, semelhantes às encontradas hoje ao sul dos EUA.

Para buscar entender o que deixou o planeta tão quente no passado— e o que pode acontecer com o clima no futuro —, cientistas usam modelagens matemáticas que fundem dados observados e projeções computadorizadas. A estimativa da pesquisa é que a concentração de CO² na atmosfera teria que ser de 4 mil partes por milhão (ppm) para que a temperatura ficasse tão quente. Isso é muito carbono; para se ter uma ideia, a concentração atual do elemento químico na atmosfera é de 410 ppm.

Ainda não se sabe exatamente o que causou o calorão de 50 milhões de anos atrás, mas uma nova pesquisa publicada na Nature Geoscience indica que a resposta pode estar nas nuvens.

Cerca de 20% dos oceanos subtropicais são cobertos por uma baixa e fina camada de nuvens, chamadas de estrato-cúmulos. Elas refletem a luz do sol de volta para o espaço e resfriam a Terra, sendo fundamentais para a regulação do clima no planeta.

O problema é que os movimentos turbulentos do ar que sustentam essas nuvens são muito pequenos para serem precisamente calculados, e acabam ficando de fora das idealizações climáticas globais.

Para contornar essa limitação, os pesquisadores criaram um modelo em pequena escala de uma seção atmosférica representativa acima de um oceano subtropical, simulando em supercomputadores as nuvens e seus movimentos turbulentos sobre este pedaço do mar.

Nas projeções, quando a concentração de CO² excedia os 1.200 ppm, as nuvens começavam a desaparecer. Sem a cobertura delas, o calor do Sol, antes refletido, era absorvido pela terra e pelo oceano, representando um aquecimento local 10ºC. Globalmente, a temperatura subiria 8ºC rapidamente, o que significaria o fim da vida como conhecemos.

Uma vez que as nuvens sumiram, elas não voltaram a aparecer até os níveis de CO² caírem a taxas substancialmente abaixo de quando a primeira instabilidade ocorreu. De acordo com os cientistas, se a emissão de carbono pela humanidade mantiver a tendência atual, chegaríamos à concentração catastrófica do elemento químico em meados do próximo século.

“Acredito e espero que as mudanças tecnológicas desacelerem as emissões de carbono para que não alcancemos concentrações tão altas de CO². Mas nossos resultados mostram que há limites perigosos de mudança climática dos quais não tínhamos conhecimento”, disse o líder do estudo, Tapio Schneider, professor de Ciências Ambientais e Engenharia da Caltech e pesquisador sênior no Jet Propulsion Laboratory, da NASA.

O pesquisador, no entanto, aponta para a necessidade de novos estudos e ressalta que a concentração limite de 1.200 ppm na atmosfera é apenas um número aproximado. As nuvens e a humanidade podem desaparecer em níveis menores ou maiores.

“Esta pesquisa aponta para um ponto cego na modelagem climática”, afirmou Schneider, líder atual do Climate Modeling Alliance (CliMA). O consórcio usará ferramentas de assimilação de dados e de aprendizado de máquina para fundir observações da Terra e simulações de alta resolução em um modelo que representa nuvens e outros recursos importantes, mas com cálculos em menor escala e maior precisão do que os atuais.

 

 

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*Fonte: revistagalileu