Moto Trip Atacama 2018 – Vanâncio Aires | Pampa ao Pacífico

Hoje para mi é um dia especial. Há exatamente um ano atrás, na madrugada do feriado de Finados eu e meus amigos André, Vladimir e Fabiana, partimos em uma aventura em duas rodas da modesta Venâncio Aires (RS), até a Argentina, passando por Santa Fé, Mendoza para então cruzarmos a Cordilheira dos Andes e depois descermos, já no Chile, até a capital Santiago. Depois subimos a costa chilena até Antofagasta, quando tomamos a direção do deserto em San Pedro de Atacama. Na sequência novamente tínhamos a gigante cordilheira em nossa frente no caminho já de volta e ultrapassada essa barreira, cruzamos a Argentina e retornamos ao Brasil /Rio grande do Sul, chegando em casa depois de 18 dias de viagem e cerca de 6.500km rodados de moto.

É claro que foi uma viagem bastante emocionante e divertida, sem dúvida também a parceria de bons amigos, o que é importante nessas viagens e obviamente, inúmeras histórias e lembranças guardadas para sempre na memória. Foram momentos fantásticos, nem consigo descrever a sensação de estar de moto na cordilheira, poder parar, caminhar na beira da estrada e sentir, apreciar toda aquela imensa paisagem. Cara! Sem palavras. Me emociono agora só de lembrar. E o mesmo vale para o interior da Argentina e seus campos, as cidades pequenas e o horizonte reto em qualquer direção, sem montanhas. Depois claro, a medida em que nos aproximávamos da Cordilheira tudo vai mudando e o coração começa já a bater diferente de pura ansiedade.

Depois teve a cordilheira em si, daí entramos no Chile, com um clima totalmente diferente e a Cordilheira sempre ao fundo na paisagem. Um belo mar azul e as estradas muito boas o tempo todo, raríssimos foram os momentos de estrada ruim. e Assim sempre seguindo em frente rumo a mão do deserto, que era – digamos assim, o nosso ponto e objetivo maior dessa viagem. Chegar lá! Claro que a viagem toda é o que conta, na real. Depois seguimos para o deserto do Atacama e a cada dia a situação era completamente diferente da do dia anterior, o relevo, clima e temperatura, as paisagens – até poderia ser deserto, mas o próprio deserto tinha outras cores, uma hora vegetação, outra nenhuma, montanhas perto, depois somente ao longe. E o bom de tudo isso é que não tivemos nenhum grande problema, tudo transcorreu numa boa, as motos que eram duas Honda XRE 300 e uma Yamaha Teneré 250, aguentaram o tranco legal – e olha que estavam “carregadas”. Acontece que o nosso plano inicial era de acamparmos em algumas cidades para baratear os custos da trip, então levamos barracas, sacos de dormir e outras equipamentos que no final nem chegamos a utilizar em momento algum. Os preços de hotéis e pousadas eram super em conta, não valia a pena montarmos acampamento. O que até iria atrasar bastante a nossa viagem.
Então costumo dizer que levamos nossos equipamentos de camping para dar uma volta pela América do Sul.

 

 

 

 

 

Mas tudo bem, apesar de termos planejado tantas coisas, essa foi uma das que não saíram lá muito bem (não levar essas tralhas teria sido um alívio e tanto). Mas o planejamento prévio em nossos eventuais encontros nos dois anos anteriores a essa viagem acontecer, foram muito bons e essenciais eu diria. Estávamos bem preparados para o que viria pela frente em vários momentos e situações. Foram raros os momentos em que nos perdemos ou saímos de rota, até mesmo quando resolvemos improvisar alguma coisa. O problema maior que encontramos foi rodar dentro de grandes cidades, quando tudo é muito rápido, cheio de carros ao redor, um movimento intenso, muita gente e uma muvuca geral, justo na hora em que tu mais precisa prestar bastante atenção não só no trânsito mas também em alcançar os seus objetivos naquele momento. Mas deu tudo certo!

Aliás, cabe aqui mencionar de que fomos via de regra muito bem tratados pelos argentinos e chilenos, quando lhes solicitávamos alguma informação ou auxílio. Inúmeras foram as demonstrações ao longo do caminho de amizade, carinho, respeito e solidariedade para com a gente. Nos ajudaram, deram dicas além de solicitarem fotos com a gente, explicações de nossas motos, dicas sobre o Brasil além de ótimas conversas. Não tivemos perrengue algum com polícia rodoviária, tudo tranquilo. Aliás, o melhor dessa viagem foram os tantos momentos de horas e horas rodando por uma estrada com bem pouco movimento e a retidão e calma serena do gigante deserto ao redor.
E isso não tem preço! Uma paz incrível. Quando não faz vento forte!…rsrsrsrs

Teve vez em que até chegou a me dar uma preocupação de estarmos tão isolados, em meio ao nada literalmente por tantos quilômetros de alguma cidade mais próxima. Mas era uma coisa ao mesmo tempo também desafiadora, o que naturalemnte caracteriza isso como uma aventura, que tem lá os seus riscos (faz parte), e ao mesmo tempo de uma sensação estranhamente muito boa também.

Assim a cada dia de viagem o cenário mudava completamente, até mesmo em dias consecutivos de deserto ao redor, ele era diferente. Não pegamos chuva na estrada, tivemos sorte de que a chuva veio justamente em dias em que estávamos de folga curtindo alguma cidade grande ou então apenas durante a noite.

Em determinadas cidades grandes optamos por ficarmos de bobeira , turistando mesmo, curtindo o local, passeando e aproveitando o rolê dentro da grande viagem. Mas o melhor para mim mesmo era estar de moto na estrada. E a volta de San Pedro do Atacama, quando então cruzamos novamente a Cordilheira (em outro local – óbvio), com um cenário complemente diferente, também foi um dos altos momentos dessa trip. Foi mágico! Apesar de um sol brilhante, estávamos entrochados de roupas para o frio e por causa da altitude, que fez as nossas motos andarem no máximo à 40km/h….. rsrsrsrsrs. Foi muito engraçado.

Poderia ficar aqui contando mil coisas e mesmo ao escrever agora já me veio mais uma porção de outras memórias dessa viagem. Mas o que importa de verdade aqui é agradecer aos meus amigos e parceiros de viagem por esse grande momento, também agradecer por não termos sofrido nenhum perrengue forte ou algum acidente sequer (Gracias!), e termos realizado um sonho que inúmeras vezes foi conversado em meio a jantas, bebedeiras e conversas – mas que em um determinado dia de feriado de Finados teve seu início e ACONTECEU MESMO!

O resumo disso é: faça você também a sua viagem dos sonhos!
Não deixe poara depois ou desista. Vai lá fazer a sua trip, seja para onde for, junte seus amigos, o seu amor, parentes, ou sei lá quem, mas vá.

*Abaixo selecionei algumas imagens dessa viagem. As fotos estão na sequência dos fatos, mas claro que alguns dias foram mais importantes ou diferentes do que outros. São apenas algumas de milhares de fotos dessa empreitada. Não contam toda a história, mas dão pistas de alguns momentos do que foi essa aventura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Oktober

Agora com a notícia de que o meu amigo Pretto já está melhor de seu pós operatório no joelho e de que tem condições de andar de moto (desde que não forçando a barra), o sábado játomou novas cores. Aliás, que belo sábado de sol foi esse. com cara de verão.

De manhã cedo já tinha mensagens do Rafa querendo saber se eu iria andar hoje. Mas claro meu chapa! Combinado o local e horário, a rapaziada apareceu e decidimos o roteiro.Tudo ficou mais em conta com Pretto, já que estava voltando do depto médico, então ele é que iria determinar se andaríamos longe o ou perto. Veio com a notícia do encontro do Oktobermoto em Santa Cruz do Sul, que aliás, eu nem lembrava.

Acontece que há tempos eu não curto mais esses encontros de motociclistas, gosto daquele de Carlos Barbosa e olhe lá. Mas tudo bem, hoje eu estava de sangue doce, vamos lá então, já que o pessoal estava afim.

Então o roteiro foi esse, dar um chego no Oktobermoto em Santa Cruz do Sul, mas combinamos de que seria jogo rápido, porque a intenção na real era “andar de moto”, seguindo em frente na estrada. Fomos até lá, tudo tranquilo na viagem, é perto daqui, então meio que vai no automático. Chegamos, arrumamos um bom lugar para estacionar, o calor pegando, tivemos de tomar uma água (cerveja só na volta – em casa). Uma olha aqui e ali, uma bate papo com esse e aquele amigo da estrada e pimba! Vamos em frente. Já nas mtos ligadas para irmos embora chega o amigo Ideraldo, ex-gerente da Valecross aqui de V. Aires e grande parceiro da turma. Deu um grande apoio para mim e o Pretto, quando ano passado fizemos a nossa trip pela Argentina e Chile de Honda XRE, cruzando as Cordilheiras e depois o Atacama. Baita parceiro.

Seguimos o caminho, resolvemos dar uma espiada no track day de motos que estava rolando no autódromo local. Uma parada, novamente procuramos uma boa sombr, já na área dos boxes e mais uma vez, uma água para acalmar com o calor que estava fazendo. Mas foi de boas. Muita conversa fiada e seguimos em frente novamente.

De volta para Santa Cruz do Sul,  uma passada pelo centro, Grasel e para casa. Nessa hora, em meio a trajeto já no caminho, o Ideraldo aparece novamente a se junta ao grupo voltando conosco para V. Aries. E daí sim chega o momento tão esperado de uma cerveja bem gelada no final de tarde, da turma com o amigo de POA. A conversa se alonga, mais cerveja e o sábado está bem resolvido no quesito estrada. Convite para nos encontrarmos em POA e darmos uma volta por lá, já agendado. E segue o baile. Duas rodas é tudo de bom, com certeza.
A viagem foi curta mas bem produtiva. Mais uma vez – valeu!

Algumas imgs da trip de hoje: