Jorge Luis Borges: “O futebol é popular porque a estupidez é popular”

À primeira vista, o animus do escritor argentino em relação ao “jogo bonito” parece refletir a atitude do odiador típico de hoje em dia, cujo citações quase se tornaram um refrão: futebol é entediante. Existem muitas pontuações de empate. Eu não suporto as falsas lesões.

E é verdade: Borges chamou o futebol de “esteticamente feio”. Ele disse: “O futebol é um dos maiores crimes da Inglaterra”. E aparentemente ele até programou uma de suas palestras para o mesmo dia e horário em que aconteceria o primeiro jogo da Argentina na Copa de 1978.

Mas a aversão de Borges pelo esporte resultou de algo muito mais preocupante do que a estética. Seu problema era com a cultura dos fãs de futebol, que ele ligava ao tipo de apoio popular cego que sustentava os líderes dos movimentos políticos mais horripilantes do século 20. Em sua vida, ele viu elementos do fascismo, peronismo e até mesmo anti-semitismo emergirem na esfera política argentina, então sua intensa suspeita de movimentos políticos populares e cultura de massa – cujo apogeu, na Argentina, é o futebol – faz muito sentido.

(“Existe uma idéia de supremacia, de poder [no futebol] que me parece horrível”, escreveu ele certa vez.) Borges se opunha ao dogmatismo em qualquer forma, por isso ele naturalmente desconfiava da devoção incondicional de seus compatriotas a qualquer doutrina ou religião – até mesmo para sua querida seleção “albiceleste”.

O futebol está inextricavelmente ligado ao nacionalismo, outra das objeções de Borges ao esporte. “O nacionalismo só permite afirmações, e toda doutrina que descarta a dúvida, a negação, é uma forma de fanatismo e estupidez”, disse ele. Equipes nacionais geram fervor nacionalista, criando a possibilidade de um governo inescrupuloso usar um astro como porta-voz para se legitimar. Na verdade, foi exatamente isso que aconteceu com um dos maiores jogadores de todos os tempos: Pelé. “Mesmo com seu governo arrebatando dissidentes políticos, também produziu um cartaz gigante de Pelé esforçando-se para cabecear a bola através do gol, acompanhado pelo slogan” Ninguém segura este país”, escreve Dave Zirin em seu livro, O Brasil Dança Com o Diabo.

Governos, como a ditadura militar brasileira, podem aproveitar o vínculo que os torcedores compartilham com suas seleções para angariar apoio popular, e é isso que Borges temia – e se ressentia – sobre o esporte.

Seu conto, “Esse Est Percipi” , também pode explicar seu ódio ao futebol. Mais ou menos na metade da história, é revelado que o futebol na Argentina deixou de ser um esporte e entrou no reino do espetáculo. Neste universo fictício, o simulacro reina supremo: a representação do esporte substituiu o esporte atual. “Esses [esportes] não existem fora dos estúdios de gravação e dos jornais”, diz um presidente do clube de futebol. O futebol inspira um fanatismo tão profundo que os torcedores acompanharão jogos inexistentes na TV e no rádio sem questionar nada:

“Os estádios há muito que foram condenados e estão caindo aos pedaços. Hoje em dia tudo é encenado na televisão e no rádio. A falsa emoção do locutor esportivo nunca te fez suspeitar de que tudo é uma farsa? A última vez que uma partida de futebol foi disputada em Buenos Aires foi em 24 de junho de 1937. A partir desse momento exato, futebol, juntamente com toda a gama de esportes, pertence ao
gênero do drama, realizado por um único homem em uma cabine ou por atores uniformizados diante das câmeras de TV”.

Esta história remonta ao desconforto de Borges com movimentos de massa: ‘Para ser capaz de perceber que’ efetivamente acusa a mídia de cumplicidade na criação de uma cultura de massa que reverencia futebol, e, como resultado, deixa-se aberta à demagogia e manipulação.

De acordo com Borges, os seres humanos sentem a necessidade de pertencer a um plano universal grande, algo maior do que nós mesmos. Religião faz isso para algumas pessoas, futebol para os outros. Personagens do universo borgesiano muitas vezes lidam com esse desejo, voltando-se para ideólogos ou movimentos para efeito desastroso: O narrador da história ” Um Requiem Alemão” torna-se um nazista, enquanto que em “A Loteria da Babilônia” e “O Congresso”, organizações aparentemente inócuas transformam-se rapidamente em vastas burocracias totalitárias que distribuem punições corporais ou queimam livros.

Queremos ser parte de algo maior, tanto que nos cegamos para as falhas que se desenvolvem nesses grandes planos – ou as falhas que eram inerentes a eles o tempo todo. E, no entanto, como o narrador de “O Congresso”” nos lembra, o fascínio dessas grandes narrativas muitas vezes prova demais:”o que realmente importa é ter sentido que o nosso plano, que mais de uma vez fizemos piada, realmente e secretamente existiu e foi o mundo e nós mesmos. ”

Essa frase poderia descrever com precisão como milhões de pessoas na Terra se
sentem em relação ao futebol.

*Artigo escrito por Shaj Mathew originalmente publicado em TheNewRepublic

 

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Filha de Bob Marley patrocinou seleção feminina da Jamaica

A seleção da Jamaica está empolgada para enfrentar o Brasil amanhã pela Copa do Mundo de futebol feminino. Poucos sabem, mas a seleção jamaicana está em seu primeiro mundial graças a ajuda da filha da lenda do reggae, Bob Marley. Cedella Marley, de 51 anos, decidiu patrocinar a seleção feminina de seu país, após um pedido especial de seu filho. Ela é a nova embaixadora global do futebol feminino em seu país.

A ideia de apoiar o futebol feminino surgiu depois de seu filho mais novo chegar em casa com um panfleto de apoio às Reggae Girlz (Seleção Jamaicana de Futebol Feminino): “Decidi me envolver depois que vi que elas eram um grupo de jovens atletas talentoso, com a paixão pelo futebol. E eu acredito que todos têm o direito de lutar por seus sonhos”, disse em entrevista à imprensa jamaicana.

Depois de descobrir que o time já estava sem jogar há mais de 3 anos por falta de apoio e patrocínio, Cedella colocou a Fundação Bob Marley como principal patrocinadora do time. Aos poucos, elas foram ganhando mais patrocínios e estrutura, garantindo a tão sonhada vaga na Copa do Mundo de Futebol Feminino.

A inspiração não poderia ser outra, senão seu próprio pai – o rei do reggae, que se não fosse músico teria sido jogador de futebol: “Meu pai amava futebol. Ele sempre me dizia que se não fosse músico, teria sido jogador. Eu acredito que ele esteja feliz e ansioso para ver as Reggae Girlz fazendo história, e orgulhoso da sua família e sua fundação, por serem responsáveis por isso”.

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*Fonte: darioonline

Nova camiseta da Seleção Brasileira de Futebol

Confira a nova camiseta da Seleção Brasileira de Futebol, que foi apresentada na posse do novo Presidente da CBF, Rogério Caboclo, assim como também uma nova identidade visual do logotipo. Uma nova camiseta de cor branca também foi apresentada na ocasião, um referência em homenagem à primeira vitória brasileira na Copa América, em 1919. A seleção brasileira utilizou a camiseta branca até 1953, quando então passou a usar a amarela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Incêndio no C.T. do Flamengo

Eram só garotos… com muitos sonhos!

Por vezes ficamos com a sensação de que as notícias ruins não param de chegar. Outra triste fatalidade, como se não bastasse toda aquela lama em Brumadinho.

Nossos sentimentos aos familiares e amigos.

“Não é só pelo futebol”

Rede Globo transmitirá Copa do Mundo Feminina pela primeira vez

Demorou! Demorou muito, mas chegou! A Copa do Mundo Feminina de futebol será transmitida pela Rede Globo pela primeira vez na história.

O campeonato mundial feminino existe desde 1991 e, assim como o torneio masculino, acontece de quatro em quatro anos. Mas por muito tempo a copa feminina foi totalmente ignorada pela maioria dos veículos tradicionais da mídia: Só em 2015, última edição da competição, a SporTV e a TV Brasil transmitiram os jogos – e apenas daseleção brasileira.

Para 2019 a promessa é de uma cobertura bem maior no Brasil, mas ainda em um nível inferior ao da copa masculina. Enquanto a Rede Globo e o site do Globoesporte.com transmitirão apenas os jogos da Seleção Brasileira, a SporTV passará todas as partidas da Copa.

A próxima Copa do Mundo Feminina acontece na França, entre 7 de junho e 7 de julho de 2019. O sorteio dos grupos aconteceu no último sábado (8), com o Brasil ficando no Grupo C ao lado de Austrália, Itália e Jamaica.

Sobre a trajetória da seleção feminina na competição, o Brasil nunca chegou a ganhar a Copa do Mundo, tendo como melhores resultados as participações em 2007, quado disputou a final e perdeu para a Alemanha por 2 a 0, e 2003, quando ficou terceiro lugar.

*Por Soraia Alves

 

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*Fonte: b9

Após derrota, japoneses limpam vestiário e deixam mensagem de agradecimento

A traumática derrota para a Bélgica por 3 a 2, com direito a virada nos acréscimos do segundo tempo, na última segunda-feira, culminou com a eliminação do Japão da Copa do Mundo da Rússia. Mas isso não foi o suficiente para que os asiáticos não cumprissem com seu já tradicional ritual de deixar o vestiário limpo após os jogos. E, desta vez, os nipônicos foram além: deixaram também uma mensagem de “obrigado” escrita em russo, agradecendo à hospitalidade do povo local, e alguns origamis.

Os japoneses presentes na arquibancada também limparam seu setor no estádio após a eliminação. A conta oficial da Fifa em francês elogiou: “Apesar da decepção da eliminação, os torcedores japoneses aproveitam para limpar as arquibancadas do estádio. Mais uma vez: respeito!”

*Vestiário do Japão após a derrota (Foto: ESPN)

 

 

 

 

 

 

 

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*Fonte:

I’ve Got Some Things to Say

Com o objetivo de dar aos jogadores espaço para contarem detalhes íntimos de sua história pessoal e profissional, o The Players Tribune ficou conhecido no mundo todo. Hoje você confere a história impressionante e comovente de Romelu Lukaku.

>> Você confere o texto original, em inglês, aqui

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Eu lembro exatamente do momento em que estávamos sem dinheiro. Eu consigo visualizar o rosto da minha mãe olhando para a geladeira.

Eu tinha 6 anos, quando cheguei em casa para almoçar durante o intervalo na escola. Minha mãe tinha a mesma coisa no cardápio todo dia: pão e leite. Quando você é criança, você nem pensa nisso. Mas eu acho que é o que poderíamos pagar.

Então, em um determinado dia, eu cheguei em casa, entrei na cozinha e vi minha mãe com uma caixa de leite perto da geladeira, como normalmente. Mas, dessa vez, ela estava misturando algo com isso. Eu não entendi o que estava acontecendo.

Então, ela trouxe meu almoço e sorriu para mim como se tudo estivesse bem, mas eu percebi logo que o que estava acontecendo.Ela estava misturando água com leite. Nós não tínhamos dinheiro suficiente para o leite durar a semana toda.

Nós não tínhamos nada. Não éramos só pobres, não tínhamos nada.

Meu pai foi um jogador profissional de futebol, mas ele estava no fim da carreira, e o dinheiro já tinha acabado. A primeira coisa a “ir embora” foi a TV a cabo. Acabou o futebol, acabou o “Match of the day” (programa sobre futebol). Sem sinal.

Então, eu chegaria em casa à noite e as luzes estavam apagadas. Sem eletricidade por duas ou três semanas às vezes.

Aí eu queria tomar um banho, e não tinha água quente. Minha mãe pegava uma chaleira com água, aquecia no fogão e eu ficava com uma caneca para derrubar a água quente em mim e poder tomar banho.

Algumas vezes, a minha mãe precisava pagar fiado o pão da padaria da rua. Os padeiros conheciam eu e meu irmão, então eles deixavam pegar um pouco do pão na segunda-feira e pagar na sexta-feira.

EU SABIA QUE ESTÁVAMOS COM DIFICULDADES. MAS QUANDO ELA ESTAVA MISTURANDO ÁGUA COM LEITE, EU PERCEBI QUE JÁ ERA, ENTENDE O QUE EU DIGO? ESSA ERA A NOSSA VIDA.

Eu não disse uma palavra. Eu não queria vê-la estressada. Eu só comi meu almoço. Mas eu juro por Deus, que fiz uma promessa a mim mesmo. Foi como se alguém tivesse estalado os dedos e me acordasse. Eu sabia exatamente o que tinha que fazer e o que ia fazer.

Eu não poderia ver minha mãe vivendo assim. Não, não, não. Não poderia ver isso.

As pessoas no futebol adoram falar sobre “força mental”. Bem, eu sou o cara mais durão que você vai conhecer. Porque eu lembro de sentar no escuro com meu irmão e minha mãe fazendo a nossa prece e pensando, acreditando, sabendo… que ia acontecer.

Eu guardei minha promessa só para mim por algum tempo. Mas alguns dias eu chegaria em casa da escola e via minha mãe chorando. Então, finalmente, um dia, eu contei a ela.

“MÃE, AS COISAS VÃO MUDAR. VOCÊ VAI VER. EU VOU JOGAR FUTEBOL PELO ANDERLECHT, E VAI ACONTECER LOGO. EU E MEU IRMÃO VAMOS NOS DAR BEM. VOCÊ NÃO VAI PRECISAR SE PREOCUPAR”.

Eu tinha seis anos. Perguntei ao meu pai “Quando você pode começar a jogar futebol profissionalmente?”. Ele disse: “16 anos”. Eu disse: “Ok, 16 anos então, isso vai acontecer, ponto.

Deixa eu te dizer uma coisa – todo jogo que eu jogava era uma final. Quando eu jogava no parque era uma final. Quando eu jogava no intervalo do jardim de infância, era uma final. Eu estou falando isso muito sério.

Eu costumava arrancar o couro da bola toda vez que chutava. Força total. A gente não apertava R1, não, cara. Eu não tinha o novo FIFA. Não tinha Playstation. Eu não estava jogando por jogar. Eu estava tentando acabar com você.

Quando eu comecei a ficar alto, alguns professores e pais começavam a me irritar. Nunca vou esquecer da primeira vez que ouvi adultos falando para mim, “Ei, quantos anos você tem? Em que ano você nasceu?”.

Eu falava: “Sério? Você está falando sério?”.

Quando eu tinha 11 anos, estava jogando na base do Lièrse, e um dos pais do time adversário literalmente tentou me impedir de entrar no campo. Ele estava “Quantos anos esse garoto tem? Cadê a identidade dele? De onde ele é?”.

Eu pensei “De onde eu sou? Quê? Eu sou da Antuérpia. Eu sou da Bélgica”.

Meu pai não estava lá porque ele não tinha carro para me levar aos jogos fora de casa.

Eu estava sozinho e tinha que me defender sozinho. Eu fui, peguei minha identidade na mochila e mostrei a todos os pais presentes. Ele passavam meu documento um a um para inspecionar e lembro o sangue subindo à cabeça deles. Aí eu pensava:

“Ah, eu vou acabar com o seu filho ainda mais agora. Eu já ia acabar com ele, mas vou acabar com ele ainda mais. Você vai levar seu filho chorando para casa”.

 

O maior arrependimento

Eu queria ser o melhor jogador da história da Bélgica. Aquele era meu objetivo. Não um jogador bom. Não um ótimo jogador. O melhor. Eu jogava com tanta raiva por causa de tanta coisa. Pelos ratos que entravam no nosso apartamento, porque eu não poderia assistir a Champions League, por causa de como os pais dos outros garotos me olhavam.
Eu tinha uma missão. Quando eu tinha 12 anos, marquei 76 gols em 34 jogos.

Eu marquei todos usando as chuteiras do meu pai. Quando nossos pés eram do mesmo tamanho, passamos a dividir. Um dia eu fui conversar com meu avô, o pai da minha mãe. Ele era uma das pessoas mais importantes da minha vida.

Ele era a minha relação com o Congo, país que meus pais nasceram. Então, um dia, eu liguei para ele e disse “Eu vou me dar bem. Marquei 76 gols e vencemos o campeonato. Os grandes times estão de olho em mim”. E, como sempre, ele falava que queria ouvir sobre o meu futebol. Mas dessa vez foi estranho. Ele disse: “Sim, Rom, que ótimo, mas você pode me fazer um favor?”.

Eu disse: “Claro, o que é?”

Ele falou: “Pode cuidar da minha filha, por favor?”

Eu lembro de estar muito confuso, pensando “o que o vovô tá falando?”.Eu falei: “Minha mãe? Estamos bem, está tudo bem”.

Ele disse: “Não, me prometa. Você pode me prometer? Cuida da minha filha por mim, ok?”

Eu falei: “Ok, vô, pode deixar. Eu prometo”.

Cinco dias depois, ele faleceu.

Aí eu entendi o que ele quis dizer.

Eu fico muito triste quando penso nisso porque eu queria que vivesse mais quatro anos para me ver jogar no Anderlecht. Para ver que eu cumpri minha promessa, sabe? Ver que tudo ia ficar bem.

Eu disse para a minha mãe que ia conseguir isso aos 16 anos. Eu errei a previsão por 11 dias.

24 de maio de 2009. A final entre Anderlecht e Standard Liège. Foi o dia mais louco da minha vida. Mas temos que voltar um minuto porque no começo da temporada, eu mal estava jogando pelo sub-19 do time.

Ele estava sempre me colocando para jogar saindo do banco de reservas. Eu ficava pensando “Como vou conseguir assinar meu contrato profissional no meu aniversário de 16 anos se sou reserva do sub-19 do time?”

Então eu apostei com o técnico. Eu disse a ele “Eu te prometo uma coisa. Se você me colocar para jogar, vou marcar 25 gols até dezembro”. Ele riu. Ele literalmente riu de mim.

Eu disse a ele: “Então faremos uma aposta”

Ele respondeu: “Ok, se você não fizer 25 gols até dezembro, você volta ao banco”.

Eu respondi a ele: “Tudo bem, mas se eu vencer, você vai mandar limpar as minivans que levam os jogadores do treino”.

Ele disse: “Ok, estamos em acordo”.

Eu ainda disse: “Ah, tem mais uma coisa. Você vai fazer panquecas para o time todo dia”.

Ele falou: “Ok, tudo bem”.

Aquela foi a aposta mais burra que aquele cara já fez. Eu marquei 25 gols e ainda estávamos em novembro. Nós estávamos comendo panquecas antes do Natal, cara. Que isso vire uma lição. Você não pode brincar com um garoto que está com fome!

Romelu Lukaku lembra do seu primeiro gol

Eu assinei meu contrato profissional no dia do meu aniversário, 13 de maio. Fui direto comprar o novo Fifa e um pacote de TV paga.

Já era o final da temporada então eu estava tranquilo em casa. Mas o Campeonato Belga estava louco naquele ano porque Anderlecht e Standard Liège terminaram a competição com a mesma pontuação. Então, precisaram de dois jogos para definir o campeão.

No primeiro jogo, eu estava em campo vendo TV como um torcedor. Um dia antes da segunda partida, eu recebo uma ligação do técnico do time reserva.

“Alô?”

“Oi, Lukaku, o que você está fazendo?”

“Vou jogar bola no parque”.

“Não, não, não, arrume suas coisa. Agora mesmo”

“O que? O que eu fiz?”

“Não, não, não, você precisa vir ao estádio agora. O time principal precisa de você agora”.

“Cara… que?! Eu?!”

“É, você mesmo. Venha pra cá agora”

Eu simplesmente corri para o quarto do meu pai e estava como “Cara, vem para cá agora, você tem que vir”.

Ele disse: “O quê? Onde? Ir para que lugar?”

Eu disse: “ANDERLECHT, CARA”

Eu nunca vou esquecer, eu apareci no estádio e corri para o vestiário. O roupeiro me perguntou: “E aí, garoto, qual número você quer?”

Eu disse: “Me dá o número 10”.

O roupeiro disse: “Ok, garoto, que número você quer?”. Eu voltei a responder: “Me dá a 10”. Hahahaha Eu não sei, eu era muito novo para ficar assustado.

Ele disse: “Jogadores da base precisam escolher números acima de 30”.

Eu disse: “Ok, bem, 3 + 6 = 9. Esse é um número legal, então me dá a 36”.

Naquela noite no hotel, os jogadores mais velhos me fizeram cantar uma música para eles no jantar. Eu não lembro qual escolhi. Minha cabeça estava girando.

Na manhã seguinte, meu amigo bateu na porta da minha casa para saber se eu queria jogar futebol com ele, e a minha mãe respondeu. “Ele saiu para jogar”.

“Jogar onde?”

Minha mãe respondeu: “A final”.
Nós saímos do ônibus para o estádio, e cada jogador entrava com uma roupa muito legal. Menos eu. Eu saí do ônibus com uma roupa horrível, e todas as câmeras de TV filmavam meu rosto.

O caminho até o vestiário era de 300 metros. Quando eu coloquei meu pé no vestiário, meu telefone começou a tocar sem parar. Todos me viram na TV. Eu tive 25 mensagens em 3 minutos. Meus amigos estavam loucos.

“Cara! VOCÊ ESTÁ NO JOGO?!””Lukaku, o que está acontecendo? Por que você está na TV?”

A única pessoa que eu respondi foi meu melhor amigo. Eu disse “Cara, eu não sei se vou jogar. Eu não sei o que está acontecendo. Mas fica ligado na TV”.

No minuto 63, o técnico me colocou no jogo. Eu entrei no gramado pela primeira vez como jogador profissional do Anderlecht aos 16 anos e 11 dias.

Nós perdemos a final aquele dia, mas eu estava no paraíso. Eu cumpri minha promessa com minha mãe e meu avô. Aquele foi o momento em que eu soube que tudo ia ficar bem.

A temporada seguinte eu estava terminando o último ano do colégio e jogando a Europa League ao mesmo tempo. Eu levava uma mochila grande para a escola para poder pegar um voo à tarde. Nós vencemos o campeonato com folga, e eu terminei em segundo como o melhor jogador africano do ano. Aquilo foi…loucura.

Eu realmente esperava que tudo isso ia acontecer, mas talvez não tão rápido. De uma hora para outra, a mídia estava falando de mim e colocando todas essas expectativas sobre mim. Especialmente em relação à seleção belga. Não sei por qual razão, mas eu não estava jogando bem pela Bélgica. Não estava dando certo.

Mas, cara, vamos lá. Eu tinha 17! 18! 19!

 

Quando as coisas estavam caminhando bem, eu li as reportagens dos jornais e eles estavam me chamando de Romelu Lukaku, o atacante belga.

Quando as coisas não estavam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga de origem congolesa.

Se você não gosta do jeito que eu jogo, tudo bem. Mas eu nasci na Bélgica. Eu cresci na Antuérpia, Liège e Bruxelas. Eu sonhei em jogar pelo Anderlecht. Eu sonhei em ser Vincent Kompany. Eu consigo começar uma frase em francês e terminar em holandês, e posso jogar umas palavras em espanhol ou português ou Lingala, dependendo do bairro onde eu estava.

Eu sou belga.

Todos somos belgas. É isso que faz esse país legal, sabe?

Eu não sei porque algumas pessoas no meu país querem me ver fracassar. Eu não sei mesmo. Quando eu fui para o Chelsea eu não estava jogando e ouvia rirem de mim. Quando eu fui emprestado ao West Brom, eu ouvi rirem de mim.

Mas tudo bem. Aquelas pessoas não estavam comigo quando a minha família estava colocando água no meu cereal. Se você não estava comigo quando eu não tinha nada, então você não pode me entender.

Você sabe o que é engraçado? Eu perdi 10 anos de Champions League quando criança. Não podíamos pagar. Eu ia para a escola e as crianças falavam da final, e eu não tinha ideia do que tinha acontecido. Lembro que, em 2002, o Real Madrid enfrentou o Bayer Leverkusen, e todos estavam reagindo: “Nossa, aquele voleio! Meu deus, aquele voleio”

Eu tinha que fingir que estava tudo bem.

Duas semanas depois, estávamos na sala de computadores da escola, e um dos meus amigos baixou um vídeo da Internet, e eu finalmente pude ver o voleio de Zidane com a perna esquerda.

Naquele verão, eu fui até a casa dele para ver o Ronaldo Fenômeno jogar a final da Copa do Mundo. Tudo o que aconteceu antes no Mundial eu só tinha ouvido dos garotos e garotas da escola.

Hahaha, eu lembro que tinham grandes buracos nos meus tênis em 2002. Grandes buracos.

Doze anos depois, eu ESTAVA na Copa do Mundo.

Agora vou jogar outra Copa do Mundo, e meu irmão Jordan Lukaku está comigo dessa vez. Dois garotos da mesma casa, da mesma situação adversa e que conseguiram superar.

Você quer saber? Eu vou lembrar de me divertir dessa vez. A vida é muito curta para estresse e drama. As pessoas podem dizer o que quiser sobre o nosso time e eu.

Cara, me escuta – quando éramos crianças, não podíamos ver Thierry Henry no programa Match of the Day. Agora estamos aprendendo com ele, que faz parte da comissão técnica da Bélgica.

Eu estou com uma lenda e ele está me ensinando a correr no espaço como ele mesmo fazia.

Ele pode ser o único cara do mundo que assiste mais futebol que eu. Nós falamos sobre tudo. Nós estamos juntos falando sobre a Segunda Divisão da Alemanha.

“Thierry, você viu o Fortuna Düsseldorf?”

“Claro, Rom, não seja bobo, eu vi sim”.

Essa é a coisa mais legal do mundo para mim.

Eu gostaria muito, muito mesmo, que meu avô pudesse testemunhar isso.

Não estou falando de jogar a Premier League. No Manchester United. Jogar a Champions League. A Copa do Mundo.

Não é isso que eu falo. Eu só gostaria que ele estivesse aqui para ver a vida que temos agora. Eu gostaria de ter mais um telefonema com ele e eu poderia dizer…

“Viu? Eu te disse. Sua filha está bem. Nada de ratos no nosso apartamento. Nada de dormir no chão. Nada de preocupação. Estamos bem agora. Estamos bem…Eles não precisam checar meus documentos agora. Agora, eles sabem meu nome”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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*Fonte: plbrasil

Presença ilustre ontem no GRE-NAL – Tom Brady

E essa hein! Tom Brady, que está de férias no Brasil, esteve ontem na Arena do grêmio para assistir o jogo de futebol (com os pés), do clássico GRE-NAL e recebeu do Presidente Romildo Bolzan Jr. uma camisa do tricolor gaúcho. Explica-se, é o time do coração do mozão dele. Sua esposa é a modelo gaúcha Gisele Bündchen.

Mazáh! Quem diria, Tom Brady, um dos astros americanos do mundo dos esportes, que joga como quarterback no time do New England Patriots, um dos times americano com mais títulos de Super Bowl nas últimas décadas – aqui com a camisa do Grêmio. Ele é sem dúvida um dos maiores e melhores atletas da história do futebol americano (só para deixar claro – aquele jogado com as mãos e de bola oval). E detalhe, ele ainda está na ativa e jogando em alto nível.

Isso é foto de colocar no hall do estádio, hein!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fábio Koff – descanse em paz Presidente

Aos 86 anos faleceu hoje pela manhã o ex-presidente do Grêmio, Fábio Koff, que comandou o clube nos títulos da Libertadores e do Mundial de Clubes em 1983 e no bi da Libertadores, em 1995. O dirigente ainda presidiu o Clube dos 13 de 1996 até sua dissolução, em 2011.

A idade e o tempo passam para todos nós, parece que foi ontem que esse Sr. de fala rouca mas exaltada, quando proferia palavras de apoio ao time do tricolor gaúcho em suas declarações nos veículos de comunicação gerava uma empatia instantânea com os seus torcedores. Um presidente firme mas que sabia ouvir também.

Foi responsável pela época de ouro e mais marcante (ao menos para mim e talvez a minha geração) do time do Grêmio, que juntamente com o seu vice Cacalo (100% empolgação e coração) e o técnico Luiz Felipe Scolari com seu time, que na década de 90, nos deram grandes glórias e os mais altos títulos alcançados pelo clube até então. Sem desprezar esse momento mágico que o clube vivencia nos tempos atuais sob o comando do treinador Renato Portaluppi, que diga-se, foi um dos atletas da época de Koff em sua primeira gestão pelo clube. Portanto, sou muito grato ao Sr. Fábio Koff, um presidente com muito carisma, visão de futuro, garra, estrela, SORTE e sem que foi dúvida o mais emblemático de todos até então.

Fica aqui essa triste nota, mas lá de cima sei que agora teremos ainda mais força espiritual na torcida pelo tricolor gaúcho.

Descanse em PAZ, Fábio Koff.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Nova camisa do Grêmio (segunda camisa – 2018)

Novo manto do tricolor gaúcho – GRÊMIO. Esta é a segunda camisa do time, modelo 2018, lançada essa semana pela Umbro. Está sendo chamada de modelo: “alma charrua”.

*Mas aqui, como de costume, deve custar uma fortuna, então nem quero saber o preço. Uma pena, quando será que os times irão se ligar de que a torcida compraria mais seguido camisas de seus clubes se fossem de um preço bem mais acessível?