Adeus Paolo Rossi

Como já ficou por diversas vezes bem evidente aqui no blog, sou um torcedor fanático do tricolor gaúcho, o Grêmio. Mas por incrível que pareça, a minha maior tristeza de todos os tempos em termos de futebol, foi aquela fatídica derrota da seleção brasileira para a Itália, na Copa da Espanha, no estádio Sarriá, em 1982.

Me lembro até hoje desse jogo! A família reunida naquela tarde em frente a TV para assistir a esse grande e importante jogo de nossa seleção – diga-se “a melhor seleção de futebol do Brasil, que já vi jogar”). O jogo começa e logo as coisas não saem tão bem como o esperado ou imaginado, estamos atrás no placar, golkde Paolo Rossi. Empatamos em seguida com um gol de Sócrates. Agora vai! Mas um balde de água fria vem, outro gol de Paolo Rossi, seu segundo na partida. É um jogo duro e difícil, o que não se imaginava (se imaginava sim, que o grande rival dessa Copa seria enfrentar a Seleção da Alemanha…). Mas paciência, vamos virar, ainda havia tempo no relógio e esperança nos pés de nossos jogadores da canarinho. Ah! Tinha sim!

O jogo prossegue com esse placar adverso e assim mesmo o nosso time metendo pressão o tempo todo sobre o adversário, afinal era um festival de craques brazucas em campo – já disse, nunca me empolguei tanto com a nossa seleção como com a dessa Copa. Mas a tensão era grande mesmo assim. Aí o inusitado. Um pouco antes do intervalo do jogo, com o placar ainda no tenso 2×1 para a Itália acontece uma falta de energia elétrica na minha região. Putz!

Lembro de todo mundo na casa ficar tenso. Era um pensamento só…. vai voltar logo a luz! Vai voltar logo. quase rezando. Não era sequer possível perder de assistir a esse jogo. E a energia não voltava. Seguimos então acompanhando o jogo pelo rádio do meu pai. Vem o intervalo. Ufa! Temos mais 15 minutos para a tal energia então voltar. Vão arrumar essa falha. Meu pai liga para a casa do seu irmão, que ficava na outra ponta da cidade. Lembro dele sorridente avisando de que lá havia luz. Pimba, ele e meu irmão resolvem ir de carro até lá para continuarem assistindo ao jogo. Sei lá porque, resolvo ficar em casa com minha mãe, na esperança da energia voltar e poder continuar assistindo a partida. O tempo passa e nada.

O segundo tempo recomeça. E nada de voltar a luz. E eu grudado no som do rádio, que lembro bem, estava em cima da mesa da sala e eu deitado no tapete, ao chão. Não sei se as gerações atuais sabem o que é isso, mas escutar uma partida de futebol no rádio tem uma emoção muito mais intensa, qualquer lateral vira quase uma batida de pênalti. Foi muito tenso, acho que até fiquei um pouco traumatizado depois disso (rsrsrs), aliás, desde então foram poucas vezes em que escutei com calma e tranquilidade alguma partida de futebol pelo rádio. O jogo segue, a luz finalmente retorna, dá tempo de ver o golaço do Falcão – sem dúvida alguma, para mim essa é a imagem mais emblemática que tenho do futebol (não, não é a da Batalha dos Aflitos, nem a do título do Grêmio em Tóquio em 1983, ou alguma outra de campeão do meu time), é essa expressão dele correndo e comemorando depois de ter feito o gol. Felicidade total. Ufa! Agora ninguém mais nos segura, foi o que pensei. Depois desse aperto seremos campeões. Agora vai!

Só que não foi. O destino ainda nos reservava uma grande desilusão, mais um gol do Paolo Rossi. Fim de jogo e o placar fecha num amargo 3×2. Lembro de uma sensação de velório tomar conta do ambiente, das ruas, da minha cidade. O noticiário foi triste naquelka noite. O futebol perdeu a graça por alguns dias, depois disso. Tristeza geral. Chorei, não tinha como segurar. Eu mesmo criança já tinha noção de que era termos uma baita seleção em campo, que eliminada de uma forma inesperada. Mas isso faz parte, é coisa da história e da magia do futebol. Tantos sentiram os abro da derrota ou então da vitória antes, nesse esporte. Não era a primeira nem a última vez.

Duas grande lições eu tirei dessa partida. Uma delas foi a de que jamais senti ou sequer tive ódio de nosso carrasco, o Paolo Rossi. O cara meteu 3 buchas na gente, mas nunca o vi como um vilão. Foi sem dúvida um herói para a sua seleção e país, ganharam limpo, no jogo, em campo e na bola. Não podemos sequer reclamar. Parabéns! Grandes jogos são assim. Nem sempre se ganha.
E a segunda lição, foi a de que outro Paulo, só que esse, Roberto Falcão, ídolo do Internacional, o eterno time rival do meu, me fez vibrar como nunca com seu gol. enfim, coisas na vida que me marcaram e jamais irei me esquecer. Perdemos, é verdade, mas foi um grande momento e um inesquecível jogo. Depois dessa Copa, é verdade, poucas vezes me emocionei com a nossa seleção. Tenho muitos amigos amigos que falam com fervor sobre o título de 1994… pfffff. Ok. Estão perdoados, isso é só porque não viram ao vivo essa seleção de 1982 jogando.

Descanse em paz Paolo Rossi.
Sempre foi um jogador respeitoso para com o Brasil, mesmo com sua façanha daquele fatídico dia do embate no Estádio Sarriá, na Copa de 1982. Aliás, esses tempos assisti a um documentário sobre essa seleção de 1982 e o Rossi aparecia aqui no Brasil. E era muito bem tratado por todos com quem cruzava no caminho e vários solicitavam fazer um foto com o craque italiano. Me passou ser um sujeito muito simpático e acima de tudo, muito respeitoso com o nosso futebol.
Seria então ele um algóz, vilão, nosso carrasco? Nah! Longe disso. Apenas um atleta fazendo bem o seu serviço. Que nos sirva de lição.

 

Adeus Maradona (R.I.P.)

E hoje nos deixou um dos grandes craques do futebol, o argentino Diego Armando Maradona (60 anos), cedo é verdade, mas cumpriu a sua missão. Eu não tenho ranço algum com o craque argentino e essa rivalidade besta, que tenta incutir na gente, coisa que nunca me contaminou. Pelé ou Maradona? Cara, isso pouco importa, os dois foram grandes sem dúvida e em épocas bem distintas, com um futebol jogado de modo técnico/tático, bem diferente.

Aliás, sempre foi bom ver a nossa seleção enfrentar esse grande rival nos gramados. Grandes conquistas dependem de grandes vitórias, principalmente quando são sobre adversários igualmente grandes. Eu gosto de futebol e como tal, gosto de ver um futebol atrevido, jogado por quem tem habilidade nos pés e não treme na hora do pênalti nem de decisão justamente o caso do Maradona.

Sei, teve lá seus problemas de indisciplina, drogas e tal, mas qual a grande personalidade volta e meia não os tem? Nem vou entrar aqui nesse mérito, não é a minha intenção no momento. Aliás, o que vale para mim é arte no futebol desse digno camisa 10 (aliás, hoje em franca extinção – não se faz mais 10 como antigamente). Ele foi carrasco do Brasil naquela Copa de 90, mas também foi nossa vítima em 82. Coisas da gangorra do futebol. Foi também grande parceiro do nosso craque Careca, no Napoli. Foi dele também aquela cena da Copa dos EUA, em 94, correndo em comemoração de forma “alucinada” em frente a câmera de TV. Mas foi também um cara que se entregou, deixou tudo dentro de campo, seu esforço, batalhas, glórias e mágoas. Ali teve total entrega, teve empenho como poucos na história desse esporte bretão da bola redonda.
Vai Maradona, descanse em paz. Agora seu toque divino vai de encontro com a mão de Deus.

Muito obrigado pela sua arte, suas jogadas, seus inúmeros fantásticos dribles e acima de tudo, por sua grande demonstração de como é que se joga com paixão, seja pela camisa de seu time ou da seleção.

Grato Dieguito!

Pelé / 80 anos!

Um de meus ídolos do futebol ontem completou 80 anos – Pelé, o brasileiro que é tido como o rei do futebol, um dos maiores nomes do esporte mundial. Felicidades ao mestre e que seus feitos fiquem para sempre como uma lição de como se joga bonito, mas com resultado.

Felicidade eternas ao Rei Pelé!

Técnica sueca da seleção feminina de futebol cantando Alceu Valença

Uma das coisas mais bonitas que vi nesse final de semana foi a técnica sueca da nossa seleção de futebol feminino – Pia Sundhage, comentando e tocando ao violão um música do Alceu Valença. Assista o vídeo abaixo com legendas que você vai compreender o contexto.

E desde já todo respeito pela Pia, que nos mostra de uma forma simples e sutil o que é ter conhecimento e cultura.
>> Sensacional Pia. Que cena linda!!!!

Novas camisetas do Grêmio – 2020

O time de Grêmio e a Umbro, seu fornecedor de material esportivo, anunciaram ontem as duas novas camisetas oficiais de jogo para a temporada 2020. Como de costume a tradicional tricolor (que agora vem com alguns grafismos) e a segunda camisa, que é branca. Em setembro devem lançar ainda mais um modelo. Em tempo, eu gostei muito dessa branca – parece a tricolor desbotada (curti justamente esse efeito).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Valdir Espinosa

Um dos grandes símbolos do time do Grêmio e de suas conquistas, seja como jogador, técnico ou então da Comissão Técnica, tem em sua história marcas do empenho e da dedicação de Valdir Espinosa, que lamentavelmente veio a falecer no dia de hoje.

Decanse em paz mestre Espinosa!
Como torcedor do Grêmio, só tenho a lhe agradecer.

 

 

E se o futebol não fosse popular no Brasil?

O esporte de Pelé reúne a receita perfeita para ser amado pelas massas: sabe ser emocionante, tem regras fáceis de entender e, principalmente, precisa de pouco para acontecer. Na ausência de bola, qualquer coisa minimamente redonda serve. Faltou um par de traves? Chinelos podem facilmente assumir o posto. Não à toa, a Fifa tem mais países-membros que a ONU (211 a 193).

No Brasil, a prática do futebol foi importada da Inglaterra – mas nunca item de luxo. Os primeiros fãs de futebol em território nacional eram operários britânicos, trabalhando na construção de ferrovias. Habituados a gritar gol em sua terra natal, eles fizeram o futebol virar o esporte do trabalhador, e ganhar o país pelos trilhos do trem ainda no final do século 19.

Os primeiros clubes nacionais ainda tinham DNA da rainha: fundados por ingleses, frequentados por ingleses, eles foram os primeiros a profissionalizar o futebol brasileiro. Surgiram os campeonatos oficiais e as regras se firmaram de vez. Amadores viraram atletas, que se tornaram craques, que faziam sucesso. Era o início de um processo de ascensão social que vale até hoje: sendo bom com a bola nos pés, pobre podia jogar ao lado de membro da elite.

O futebol emplacou de cara no Brasil – mas poderia ter perdido essa chance exatamente aí, caso chutar a bola de couro fosse coisa de rico. Em grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo, movimentos de elitização do futebol tentaram, a princípio, impedir o acesso do povão aos gramados oficiais. As primeiras ligas teimavam em barrar analfabetos – 65% da população no começo do século 20. Os clubes também não aceitavam negros que, até 1923, só podiam assistir.

Foi mais ou menos esse o caminho percorrido por outros esportes, como o rúgbi e o críquete – modalidades também queridas por Charles Miller, brasileiro que, após passar uma temporada na Inglaterra, disseminou as regras do futebol no Brasil. Além de restritivo, o rúgbi ainda pegava mal com os brasileiros: era considerado muito violento. Por aqui, nenhum desses esportes fez mais do que reafirmar a identidade da colônia inglesa.

Se esses impeditivos tivessem vingado, o futebol ficaria mais restrito à várzea, perdendo o potencial de espetáculo. Afinal, é preciso movimentar grana pesada para justificar grandes investimentos dos clubes. O futebol dependia da adesão de um público fiel – demanda impossível de suprir apenas com os mais abastados. É só comparar o tamanho da Premier League ao também britânico torneio de Wimbledon.

A existência de menos arquibancadas para se ocupar aos domingos faria outras formas de entretenimento ganharem mais destaque. O cinema, tão popular quanto o futebol na primeira metade do século 20, poderia ter permanecido como refúgio no fim de semana. Salas em bairros, assim, resistiriam por mais tempo à popularização dos shoppings.

No âmbito esportivo, competiríamos de perto com países do Leste Europeu no polo aquático. Com sorte, veríamos uma versão made in Brazil de Michael Phelps acumular medalhas. Isso porque os esportes aquáticos, naturais candidatos a tirar proveito do nosso clima, também nasceriam com mais destaque.

A primeira grande confederação esportiva nacional foi a Federação Brasileira de Sociedades de Remo, que na primeira década do século 20 organizava também polo aquático e natação. Em um país sem futebol, clubes de regatas como Botafogo, Flamengo e Vasco da Gama seguiriam sua vocação original – e só chegariam à fama se revelassem remadores de elite.

“O remo foi uma verdadeira febre em certo momento: os remadores passaram a ser conhecidos como nossos jogadores de futebol são hoje. Fortes, saudáveis, bonitos, eles eram assunto nos jornais, os heróis da época”, diz Victor Melo, professor de história comparada da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Por falar em heróis, sem Ronaldos e Ronaldinhos competindo pelo apreço dos narradores, o peso de nomes como Ayrton Senna e Emerson Fittipaldi seria ainda maior – bem como a paixão nacional por automobilismo.

É possível que o futebol brasileiro tentasse se desenvolver tardiamente, como se vê hoje na China e na Índia. A popularidade da ideia dependeria inicialmente de investidores cheios da grana, capazes de trazer jogadores consagrados em final de carreira para abrilhantar a liga nacional. Cenas como o francês David Trezeguet, com 36, vestindo as cores do Atlético Mineiro e o italiano Alessandro Del Piero fazendo gols pela Chapecoense aos 40 se tornariam comuns. Ambos foram reforços de peso da Superliga Indiana em 2014. Poderiam ter brilhado aqui – pelo menos, até que as pratas da casa despontassem.

O impacto na economia também seria brutal: em 2010, o futebol era responsável por 1,1% do PIB nacional, segundo estimativas da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Daríamos adeus aos R$ 5 bilhões em receitas que o Brasileirão movimenta por ano entre transferências, patrocínios e direitos de transmissão.

A cultura também seria menos rica: perderíamos as contribuições de Nelson Rodrigues, Mario Filho e João Saldanha à crônica esportiva. As redações jornalísticas no rádio, que começam a se estruturar com as transmissões de futebol, só nasceriam anos mais tarde.

É certo também que a língua portuguesa ficaria um pouco mais pobre. Dos 228,5 mil verbetes listados no Dicionário Houaiss, 502 possuem a palavra “futebol” em suas explicações. Mandando para escanteio esses termos, escritores e poetas precisariam entrar de sola para marcar seus gols na literatura.

*Por Guilherme Eler

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*Fonte: superinteressante

Oficina ensina a fazer redes de futebol com garrafas pet

Integrar o futebol com ações sustentáveis é a melhor maneira mostrar ao mundo a paixão dos brasileiros pelo esporte. Pensando nisso, o Ginga.Fc surgiu com a missão de unir pessoas e experiências relacionadas ao esporte e interligadas com atividades dentro das áreas do turismo, moda, sustentabilidade, arte e cultura.

Durante o Programa Rua da Gente, que acontece neste sábado, 19, no bairro Capela do Socorro, o Ginga.Fc ensinará, na prática, todo o processo para reciclagem de garrafas pet, transformando o material em uma rede para o gol. Além disso, o bairro contará com diversas atividades de lazer durante todo o dia.

A ideia da ação surgiu na Amazônia e começou a ser colocada em prática durante a conclusão do projeto #FutebolNoTapajós na comunidade de Suruacá, no Pará. As iniciativas de conscientização, capacitação e prototipagem para o desenvolvimento deste trabalho que integra futebol e reciclagem resultou em dois novos pares de redes para o campinho local e uma comunidade pronta para dar continuidade ao processo de trabalho.

Sobre o Rua da Gente
O Programa Rua da Gente é um projeto em parceria de três secretarias: Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de São Paulo (SEME), Secretaria de Cultura e Secretaria de Relações Socias, cujo objetivo é estimular a ocupação de espaços públicos com atividades esportivas e culturais gratuitas aos sábados e domingos, nos quatro cantos da cidade. Com investimento para fornecer equipamentos, profissionais e toda infraestrutura necessária, até 2020 serão realizadas 320 edições, em diversas ruas da cidade e com uma expectativa de 125 mil pessoas atendidas.

Sobre a Ginga.Fc
Um movimento social que surgiu em 2015 na Amazônia e que tem como principal missão usar o futebol como ferramenta para gerar impacto social positivo e contribuir com o desenvolvimento sustentável de comunidades espalhadas pelo Brasil. Saiba mais em gingafc.com.br

*Por Mayra Rosa

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*Fonte: ciclovivo

Jorge Luis Borges: “O futebol é popular porque a estupidez é popular”

À primeira vista, o animus do escritor argentino em relação ao “jogo bonito” parece refletir a atitude do odiador típico de hoje em dia, cujo citações quase se tornaram um refrão: futebol é entediante. Existem muitas pontuações de empate. Eu não suporto as falsas lesões.

E é verdade: Borges chamou o futebol de “esteticamente feio”. Ele disse: “O futebol é um dos maiores crimes da Inglaterra”. E aparentemente ele até programou uma de suas palestras para o mesmo dia e horário em que aconteceria o primeiro jogo da Argentina na Copa de 1978.

Mas a aversão de Borges pelo esporte resultou de algo muito mais preocupante do que a estética. Seu problema era com a cultura dos fãs de futebol, que ele ligava ao tipo de apoio popular cego que sustentava os líderes dos movimentos políticos mais horripilantes do século 20. Em sua vida, ele viu elementos do fascismo, peronismo e até mesmo anti-semitismo emergirem na esfera política argentina, então sua intensa suspeita de movimentos políticos populares e cultura de massa – cujo apogeu, na Argentina, é o futebol – faz muito sentido.

(“Existe uma idéia de supremacia, de poder [no futebol] que me parece horrível”, escreveu ele certa vez.) Borges se opunha ao dogmatismo em qualquer forma, por isso ele naturalmente desconfiava da devoção incondicional de seus compatriotas a qualquer doutrina ou religião – até mesmo para sua querida seleção “albiceleste”.

O futebol está inextricavelmente ligado ao nacionalismo, outra das objeções de Borges ao esporte. “O nacionalismo só permite afirmações, e toda doutrina que descarta a dúvida, a negação, é uma forma de fanatismo e estupidez”, disse ele. Equipes nacionais geram fervor nacionalista, criando a possibilidade de um governo inescrupuloso usar um astro como porta-voz para se legitimar. Na verdade, foi exatamente isso que aconteceu com um dos maiores jogadores de todos os tempos: Pelé. “Mesmo com seu governo arrebatando dissidentes políticos, também produziu um cartaz gigante de Pelé esforçando-se para cabecear a bola através do gol, acompanhado pelo slogan” Ninguém segura este país”, escreve Dave Zirin em seu livro, O Brasil Dança Com o Diabo.

Governos, como a ditadura militar brasileira, podem aproveitar o vínculo que os torcedores compartilham com suas seleções para angariar apoio popular, e é isso que Borges temia – e se ressentia – sobre o esporte.

Seu conto, “Esse Est Percipi” , também pode explicar seu ódio ao futebol. Mais ou menos na metade da história, é revelado que o futebol na Argentina deixou de ser um esporte e entrou no reino do espetáculo. Neste universo fictício, o simulacro reina supremo: a representação do esporte substituiu o esporte atual. “Esses [esportes] não existem fora dos estúdios de gravação e dos jornais”, diz um presidente do clube de futebol. O futebol inspira um fanatismo tão profundo que os torcedores acompanharão jogos inexistentes na TV e no rádio sem questionar nada:

“Os estádios há muito que foram condenados e estão caindo aos pedaços. Hoje em dia tudo é encenado na televisão e no rádio. A falsa emoção do locutor esportivo nunca te fez suspeitar de que tudo é uma farsa? A última vez que uma partida de futebol foi disputada em Buenos Aires foi em 24 de junho de 1937. A partir desse momento exato, futebol, juntamente com toda a gama de esportes, pertence ao
gênero do drama, realizado por um único homem em uma cabine ou por atores uniformizados diante das câmeras de TV”.

Esta história remonta ao desconforto de Borges com movimentos de massa: ‘Para ser capaz de perceber que’ efetivamente acusa a mídia de cumplicidade na criação de uma cultura de massa que reverencia futebol, e, como resultado, deixa-se aberta à demagogia e manipulação.

De acordo com Borges, os seres humanos sentem a necessidade de pertencer a um plano universal grande, algo maior do que nós mesmos. Religião faz isso para algumas pessoas, futebol para os outros. Personagens do universo borgesiano muitas vezes lidam com esse desejo, voltando-se para ideólogos ou movimentos para efeito desastroso: O narrador da história ” Um Requiem Alemão” torna-se um nazista, enquanto que em “A Loteria da Babilônia” e “O Congresso”, organizações aparentemente inócuas transformam-se rapidamente em vastas burocracias totalitárias que distribuem punições corporais ou queimam livros.

Queremos ser parte de algo maior, tanto que nos cegamos para as falhas que se desenvolvem nesses grandes planos – ou as falhas que eram inerentes a eles o tempo todo. E, no entanto, como o narrador de “O Congresso”” nos lembra, o fascínio dessas grandes narrativas muitas vezes prova demais:”o que realmente importa é ter sentido que o nosso plano, que mais de uma vez fizemos piada, realmente e secretamente existiu e foi o mundo e nós mesmos. ”

Essa frase poderia descrever com precisão como milhões de pessoas na Terra se
sentem em relação ao futebol.

*Artigo escrito por Shaj Mathew originalmente publicado em TheNewRepublic

 

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Filha de Bob Marley patrocinou seleção feminina da Jamaica

A seleção da Jamaica está empolgada para enfrentar o Brasil amanhã pela Copa do Mundo de futebol feminino. Poucos sabem, mas a seleção jamaicana está em seu primeiro mundial graças a ajuda da filha da lenda do reggae, Bob Marley. Cedella Marley, de 51 anos, decidiu patrocinar a seleção feminina de seu país, após um pedido especial de seu filho. Ela é a nova embaixadora global do futebol feminino em seu país.

A ideia de apoiar o futebol feminino surgiu depois de seu filho mais novo chegar em casa com um panfleto de apoio às Reggae Girlz (Seleção Jamaicana de Futebol Feminino): “Decidi me envolver depois que vi que elas eram um grupo de jovens atletas talentoso, com a paixão pelo futebol. E eu acredito que todos têm o direito de lutar por seus sonhos”, disse em entrevista à imprensa jamaicana.

Depois de descobrir que o time já estava sem jogar há mais de 3 anos por falta de apoio e patrocínio, Cedella colocou a Fundação Bob Marley como principal patrocinadora do time. Aos poucos, elas foram ganhando mais patrocínios e estrutura, garantindo a tão sonhada vaga na Copa do Mundo de Futebol Feminino.

A inspiração não poderia ser outra, senão seu próprio pai – o rei do reggae, que se não fosse músico teria sido jogador de futebol: “Meu pai amava futebol. Ele sempre me dizia que se não fosse músico, teria sido jogador. Eu acredito que ele esteja feliz e ansioso para ver as Reggae Girlz fazendo história, e orgulhoso da sua família e sua fundação, por serem responsáveis por isso”.

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*Fonte: darioonline

Nova camiseta da Seleção Brasileira de Futebol

Confira a nova camiseta da Seleção Brasileira de Futebol, que foi apresentada na posse do novo Presidente da CBF, Rogério Caboclo, assim como também uma nova identidade visual do logotipo. Uma nova camiseta de cor branca também foi apresentada na ocasião, um referência em homenagem à primeira vitória brasileira na Copa América, em 1919. A seleção brasileira utilizou a camiseta branca até 1953, quando então passou a usar a amarela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Incêndio no C.T. do Flamengo

Eram só garotos… com muitos sonhos!

Por vezes ficamos com a sensação de que as notícias ruins não param de chegar. Outra triste fatalidade, como se não bastasse toda aquela lama em Brumadinho.

Nossos sentimentos aos familiares e amigos.

“Não é só pelo futebol”

Rede Globo transmitirá Copa do Mundo Feminina pela primeira vez

Demorou! Demorou muito, mas chegou! A Copa do Mundo Feminina de futebol será transmitida pela Rede Globo pela primeira vez na história.

O campeonato mundial feminino existe desde 1991 e, assim como o torneio masculino, acontece de quatro em quatro anos. Mas por muito tempo a copa feminina foi totalmente ignorada pela maioria dos veículos tradicionais da mídia: Só em 2015, última edição da competição, a SporTV e a TV Brasil transmitiram os jogos – e apenas daseleção brasileira.

Para 2019 a promessa é de uma cobertura bem maior no Brasil, mas ainda em um nível inferior ao da copa masculina. Enquanto a Rede Globo e o site do Globoesporte.com transmitirão apenas os jogos da Seleção Brasileira, a SporTV passará todas as partidas da Copa.

A próxima Copa do Mundo Feminina acontece na França, entre 7 de junho e 7 de julho de 2019. O sorteio dos grupos aconteceu no último sábado (8), com o Brasil ficando no Grupo C ao lado de Austrália, Itália e Jamaica.

Sobre a trajetória da seleção feminina na competição, o Brasil nunca chegou a ganhar a Copa do Mundo, tendo como melhores resultados as participações em 2007, quado disputou a final e perdeu para a Alemanha por 2 a 0, e 2003, quando ficou terceiro lugar.

*Por Soraia Alves

 

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*Fonte: b9

Após derrota, japoneses limpam vestiário e deixam mensagem de agradecimento

A traumática derrota para a Bélgica por 3 a 2, com direito a virada nos acréscimos do segundo tempo, na última segunda-feira, culminou com a eliminação do Japão da Copa do Mundo da Rússia. Mas isso não foi o suficiente para que os asiáticos não cumprissem com seu já tradicional ritual de deixar o vestiário limpo após os jogos. E, desta vez, os nipônicos foram além: deixaram também uma mensagem de “obrigado” escrita em russo, agradecendo à hospitalidade do povo local, e alguns origamis.

Os japoneses presentes na arquibancada também limparam seu setor no estádio após a eliminação. A conta oficial da Fifa em francês elogiou: “Apesar da decepção da eliminação, os torcedores japoneses aproveitam para limpar as arquibancadas do estádio. Mais uma vez: respeito!”

*Vestiário do Japão após a derrota (Foto: ESPN)

 

 

 

 

 

 

 

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*Fonte: