É um hábito secular culpar os jovens por estarem”arruinando tudo”

Recentemente, surgiu uma discussão na internet sobre o que é considerado “cringe” pela geração Z que os millennials fazem. No entanto, já é antigo para os “velhos” que os jovens são responsáveis por estragarem as coisas que eles gostam.

Tornou-se comum para os millennials culparem os Z por tudo estar tão “chato e problematizado”. Por isso muitos consideram os que nasceram a partir da década de 1990 como uma geração preguiçosa, superficial, disruptiva e “insuportável”.

Em contraponto, os Z se enxergam como mais engajados politicamente e em questões estruturais que permaneceriam enrijecidas na sociedade se eles não tivessem a visão visionária o suficiente para fazerem a mudança acontecer.

Raízes passadas

Apesar de a ideia de que os jovens estão arruinando a sociedade pareça uma discussão recente, já é antigo o desejo de culpá-los. Isso já ficava claro na poesia do autor medieval Geoffrey Chaucer, que viveu e trabalhou em Londres na década de 1380.

Em seu trabalho The House of Fame, ele retrata uma falha massiva na comunicação de ambos os lados da sociedade, em que verdades e mentiras circulam de maneira indiscriminada em uma casa de vime que gira. A casa, na verdade, é uma metáfora para a representação da Londres medieval, que crescia em tamanho e complexidade política de maneira espantosa para a época.

Chaucer reafirma de maneira mais direta a culpa dos jovens em poemas como Troilus and Criseyde, em que ele demonstra sua preocupação com relação às gerações futuras que destruiria sua poesia devido à mudança de linguagem — o que hoje poderia ser considerado como linguagem informal.

No século XIV, cresceu na Inglaterra o medo de que uma nova classe considerada “mais burocrática” estivesse destruindo a própria ideia da verdade. Richard Firfth Green, no livro A Crisis of Truth, pontua que a centralização do governo inglês mudou a verdade que passava de uma pessoa a outra para uma realidade objetiva localizada em documentos. As pessoas da época não aceitavam que promessas verbais não eram mais o suficiente, e que era preciso declarar tudo por escrito. Hoje, a documentação é um processo naturalizado.

O fim do que era bom

Como se a política não fosse o bastante, o romancista inglês Thomas Malory, do final do século XV, também ressaltou que os jovens destruíram o sexo. Em A Morte de Arthur, um livro sobre o Rei Arhur e a Távola Redonda, ele reclama que os jovens amantes são rápidos demais para “pular na cama”, escrevendo que antes o amor não costumava ser assim.

Esse tipo de questionamento serviu para aglutinar a ansiedade existencial que existia no final da Idade Média, e que hoje em dia pode parecer ridículo para os millennials que criticam tudo o que está sendo “corrompido”.

Enquanto aqueles tempos são lidos como repleto de fanatismo religioso, sofrimento, tortura e loucura para autores como Chaucer e Malory, era o futuro moderno que representava a catástrofe e sua influência sobre o presente.

De acordo com Eric Weiskott, professor especializado em poesia inglesa da Universidade de Boston: “a ansiedade com relação aos jovens é equivocada, não porque nada muda, mas porque a mudança histórica não pode ser prevista”. E a maneira como os millennials se posicionam do outro lado dessa “placa tectônica” social é mesma resposta secular dos mesmos sentimento de mudança que querem evitar.

O mundo continuará mudando de maneiras imprevisíveis ou inexplicáveis, porque o status quo é algo móvel, para melhor ou pior. E, no final das contas, sempre haverá uma geração para culpar a outra.

*Por Julio Cezar de Araujo
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*Fonte: megacurioso

De espelho quebrado ao número 13: Veja 4 Superstições Famosas e suas origens

Ao longo dos anos algumas superstições tomaram conta do imaginário popular e se tornaram uma espécie de crença e tradição em algumas culturas ao redor do mundo.

Portanti, provavelmente, você já deve ter escutado que quebrar o espelho dá azar, que o número 13 é sinônimo de falta de sorte e muito mais. Mas afinal, você sabe ao certo quais sãos as origens das superstições mais famosas do mundo?

Pensando nisso, o site Aventuras na História selecionou 4 superstições amplamente conhecidas e as histórias por trás delas.

Confira abaixo.

1. Espelho quebrado
De acordo com o site Superinteressante, a arte de fazer supostas advinhações, utilizando espelhos e o reflexo na água, era muito comum na Antiguidade. No entanto, se o objeto quebrasse ou caísse na água, era sinal de azar. Já os sete anos de falta de sorte foi incorporado pelos romanos, que acreditavam que corpo humano se renovava dentro deste período.

2. Chinelo virado
Considerada uma das superstições mais famosas do Brasil, a crença de que o chinelo virado traria a morte da matriarca, ganhou força no país por volta da década de 1960, quando o calçado se popularizou nacionalmente. O objetivo era fazer com que os filhos não deixassem seus chinelos espalhados de qualquer jeito pela casa.

3. Passar debaixo da escada
Assim como boa parte das outras supertições, passar sob a escada também está associada a crenças religiosas. Reza a lenda, que andar debaixo deste objeto traz azar. Contudo, a origem está diretamente ligada ao triângulo que a escada faz ao estar aberta. Segundo a Superinteressante, para a Igreja Católica, tal fato representa uma ameaça ao equilíbrio entre o Pai, Filho e Espírito Santo.

4. Número 13
Ao longo dos séculos, o número 13 foi visto como algo ruim em diversas crenças. Na cultura nórdica, por exemplo, 12 divindades estariam participando de um banquete, quando Loki — símbolo da trapaça — teria aparecido de forma inesperado e causado desconforto entre as divindades, tornando-se o 13º membro no banquete — que terminou em tragédia.

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*Fonte: aventurasnahistoria

Morreu Lou Ottens (94), o inventor da música portátil

Provavelmente você nunca tinha ouvido falar no Lou Ottens, mas todos nós, amantes da boa música, devemos MUITO a ele. O engenheiro da Philips inventou a fita cassete em 1963, abrindo a possibilidade de você andar por aí enquanto escuta música.

Ou seja, assim como outros gênios como Steve Jobs, o Lou Attens inventou um novo hábito, uma nova maneira de consumir música, principalmente depois que surgiu o Walkman. E também inventou uma maneira de criarmos nossa própria seleção musical (quem viveu essa época de gravar as fitas sabe do que estou falando).

Alguns anos depois, Lou Ottens esteve novamente à frente de uma grande invenção da Philips: o CD, com uma qualidade sonora inédita.

Fico feliz em saber que teve uma vida longa, morreu aos 94 anos de idade (06/03/21). E chegou a acompanhar o surgimento da música por stream.

A música lhe deve muito, Lou Ottens. R.I.P.

*Por Wagner Brenner

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*Fonte: updateordie

Apocalipse em cores: o curioso vídeo da CNN para o fim do mundo

Em meados de 1980, os Estados Unidos viviam sob o contexto do período que foi chamado de Segunda Guerra Fria. Na época, as tensões entre o país norte-americano e a União Soviética, duas potências com enorme poder militar, eram ainda maiores.

Por isso, inclusive, as populações de ambas as nações temiam uma possível destruição do mundo que conheciam. Em resumo, havia a teoria de que, se as coisas piorassem, os humanos teriam de enfrentar um verdadeiro apocalipse nuclear.

Tendo fundado a conceituada emissora CNN, TedTurner sabia que deveria preparar alguma coisa para transmitir em seu último dia na Terra, caso o fim realmente chegasse. Assim, ele criou um vídeo misterioso, que permaneceu em segredo por décadas.

Uma ideia repentina

Em entrevista à revista New Yorker feita em 1988, Ted explicou de onde veio sua ideia, que só foi revelada e amplamente divulgada em 2015. “Normalmente, quando um canal de TV inicia e encerra as transmissões do dia, ele toca o hino nacional”, contou.

Com sua emissora, no entanto, a abordagem teria de ser um pouco diferente. “Com a CNN, um canal 24 horas, nós só sairíamos do ar uma única vez, e eu sabia o que isso significaria”, narrou Ted, fazendo referência ao temido fim do mundo.

Foi assim que ele pensou em uma forma digna de fazer a última transmissão da história da CNN. Com apenas 60 segundos, o emblemático vídeo foi produzido pela emissora e guardado a sete chaves, para que fosse exibido somente uma vez.
Fotografia de Ted Turner, o fundador da CNN / Crédito: Wikimedia Commons

Um vídeo especial

A ideia de Ted era simples: ele faria um vídeo clássico, com direito ao hino nacional para homenagear seu país antes do fim. Por se tratarem das supostas últimas imagens transmitidas pela CNN no caso do fim do mundo, contudo, elas deveriam ser especiais.

“Nós reunimos as bandas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica e as levamos até a sede da CNN, para que tocassem o hino nacional”, narrou, em 1988. A música, no entanto, ainda não estava definida, já que precisava ser algo único.

Foi então que Ted se lembrou da versão instrumental do hino composto por Sarah FlowerAdams, no século 19. “Perguntei se elas [as bandas] poderiam tocar Nearer My God, to Thee, para ter em videotape, caso o mundo acabasse”, lembrou-se. “Seria a última coisa que a CNN transmitiria antes de… antes de sair do ar.”

Imagens trágicas

Uma vez gravado, o vídeo foi guardado nos arquivos da emissora, pronto para ser transmitido a qualquer momento. Mas esse dia nunca chegou. A Guerra Fria acabou e, apesar de bem produzido, o clipe nunca foi ao ar, segundo a Superinteressante.

Durante anos, então, ele foi mantido em segredo pelos representantes da emissora, já que não existia mais a necessidade de deixar as imagens preparadas para uma possível transmissão. Longe do público, então, ele passou despercebido por décadas.

Foi só em 2015 que as curiosas imagens se tornaram públicas. Naquela época, um ex-funcionário da emissora conseguiu encontrar uma cópia do vídeo e, com um computador ao seu dispor, publicou o clipe que tinha apenas um minuto na internet.

Décadas em silêncio

Mesmo que sem querer, o funcionário que revelou o curioso vídeo para o mundo acabou trazendo à tona imagens que, na verdade, nunca seriam vistas por ninguém. Isso porque, com o tempo, as filmagens tornaram-se um arquivo esquecido.

Acontece que, em 1996, Ted vendeu os direitos da sua emissora para o grupo Time Warner. Com a mudança de rumo e de diretoria, então, o vídeo foi jogado para escanteio e, mesmo se o fim do mundo chegasse, ele provavelmente não seria transmitido.

Hoje, o famoso clipe do fim do mundo criado pela CNN é uma das narrativas mais misteriosas da internet, protagonizando diversas teorias da conspiração. Isso tudo apesar das afirmações do próprio TedTurner sobre a origem e o objetivo das imagens.

*Por Pamela Malva

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*Fonte: aventurasnahistoria

Ocasião malvista: O polêmico dia em que os Beatles conheceram a Rainha Elizabeth II

Rock, estrelato e quatro amigos. Na década de 1960, a banda inglesa The Beatles chegou ao auge e, sem querer, criou um movimento ao redor do mundo: o Beatlemania. Do fã a mídia, todos queriam saber de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

Considerada a banda mais influente de todos os tempos, os ‘garotos de Liverpool’ – como ficaram conhecidos devido à origem dos integrantes – emplacaram como primeiro hit ‘Love me do’, em 1962.

Com tanta repercussão, os Fab Four conquistaram também a joia da Família Real Britânica, a Rainha Elizabeth II. Na época, segunda metade do século 20, a monarca já era responsável por modernizar o estilo de vida da nobreza, com encontros não tão formais e eventos acessíveis.

Foi assim que o grande encontro aconteceu. Conforme repercutido pela Rolling Stone, o então primeiro-ministro Harold Wilson, também representante do subúrbio de Huyton, Liverpool, deu um passo para que tudo finalmente acontecesse.

De acordo com o Express UK, Wilson sugeriu que a premiação Member of the Order of the British Empire (MBE), do ano de 1965, fosse dedicada aos integrantes dos Beatles.

Essa homenagem, em tradução Membro da Ordem do Império Britânico, é concedida diante do impacto positivo que seu trabalho tenha causado no mundo. Em 2017, o sortudo foi o cantor britânico Ed Sheeran.

Então, graças ao ministro, a rainha Elizabeth recebeu o quarteto no Palácio de Buckingham, em outubro de 1965. Além da banda, outras 189 pessoas estavam presentes.

Em entrevista ao Anthology, Paul McCartney contou como havia sido a experiência. “Um guarda oficial da rainha nos levou para um canto e nos mostrou o que tínhamos que fazer. ‘Aproxime-se da Sua Majestade assim e nunca dê as costas. E não fale com ela a não ser que ela fale com você’”, relembrou.

“Todas essas coisas, para quatro rapazes de Liverpool, foi: ‘Uau!’. Foi bem engraçado. Mas ela era doce”, disse o astro.
Os Beatles se preparando para a foto famosa na Abbey Road. Crédito: Linda McCartney

Para ele, outro lado da rainha foi revelado naquele dia. “Eu acho que ela pareceu um pouco maternal para nós, porque éramos jovens garotos e ela era um pouco mais velha”, afirmou.

Nesse tempo, Elizabeth tinha apenas 39 anos. Segundo McCartney, os quatro receberam as honrarias como manda o figurino e, ainda, o baterista Ringo Starr conseguiu fazer a rainha rir.

Contudo, a cerimônia não foi vista da mesma maneira por todos. Se de um lado havia muita comemoração, de outro houve repúdio. O coronel Frederick Wagg não gostou de que os músicos tivessem ganhado uma homenagem desse tipo.

Em forma de ‘protesto’, Wagg devolveu as doze medalhas que ganhou servindo pelo exército britânico, e atuando nas duas guerras mundiais.

Pós-evento

Com exceção do sucesso dos Beatles, muita coisa não permaneceu atemporal. Os títulos recebidos por eles, através da família real, foram contestados – por eles mesmos – enquanto a Guerra do Vietnã e a Guerra Civil da Nigéria aconteciam.

Descontente com o envolvimento do país nos conflitos políticos, John Lennon devolveu seu prêmio, que havia ganhado em 1965. Na ocasião, apenas ele tomou essa atitude.

Após a morte de Lennon, McCartney recebeu outro título e se tornou ‘Sir’ da cavalaria real, em 1997. Já Ringo, conquistou o mesmo posto somente vinte anos depois, em 2018.

*Por Larissa Lopes
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*Fonte: aventurasnahistoria

As lendas sobre esta constelação podem ser as histórias mais antigas do mundo

No céu do norte em dezembro está um belo aglomerado de estrelas conhecido como Plêiades, ou as “sete irmãs”. Olhe com atenção e provavelmente contará seis estrelas. Então, por que dizemos que há sete delas?

Muitas culturas ao redor do mundo se referem às Plêiades como “sete irmãs” e também contam histórias bastante semelhantes sobre elas. Depois de estudar de perto o movimento das estrelas, acreditamos que essas histórias podem remontar a 100.000 anos, numa época em que a constelação era bem diferente.

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As irmãs e o caçador

Na mitologia grega, as Plêiades eram as sete filhas do Titã Atlas. Ele foi forçado a segurar o céu por toda a eternidade e, portanto, foi incapaz de proteger suas filhas.

Para salvar as irmãs de serem estupradas pelo caçador Órion, Zeus as transformou em estrelas. Mas a história diz que uma irmã se apaixonou por um mortal e se escondeu, e é por isso que vemos apenas seis estrelas.

Uma história semelhante é encontrada entre os grupos aborígenes em toda a Austrália. Em muitas culturas aborígenes australianas, as Plêiades são um grupo de meninas e são frequentemente associadas a cerimônias e histórias sagradas de mulheres.

As Plêiades também são importantes como um elemento dos calendários aborígines e da astronomia tribal, e para vários grupos seu primeiro nascer ao amanhecer marca o início do inverno.

Perto das Sete Irmãs no céu está a constelação de Órion. Na mitologia grega, Órion é um caçador. Essa constelação também costuma ser um caçador nas culturas aborígines, ou um grupo de jovens fortes.

A escritora e antropóloga Daisy Bates relatou que as pessoas na Austrália central consideravam Órion um “caçador de mulheres”, e especificamente das mulheres nas Plêiades. Muitas histórias aborígines dizem que os meninos, ou o homem, na Constelação de Órion estão perseguindo as sete irmãs – e uma das irmãs morreu, ou está se escondendo, ou é muito jovem, ou foi abduzida, então por isso, novamente, apenas seis são visíveis.
Uma interpretação aborígene australiana da constelação de Órion do povo Yolngu do norte da Austrália. As três estrelas do cinturão de Orion são três jovens que foram pescar em uma canoa e pegaram um peixe-rei proibido, representado pela Nebulosa de Órion. (Créditos: Ray Norris baseou-se em relatos orais e escritos yolngu)

A irmã perdida

Histórias semelhantes de uma “Plêiade perdida” são encontradas nas culturas europeia, africana, asiática, indonésia, nativo-americana e australiana aborígene. Muitas culturas consideram o aglomerado como tendo sete estrelas, mas reconhecem que apenas seis são normalmente visíveis e têm uma história para explicar porque a sétima é invisível.

Por que as histórias dos aborígenes australianos são tão semelhantes às gregas? Os antropólogos costumavam pensar que os europeus poderiam ter trazido a história grega para a Austrália, onde foi adaptada pelo povo aborígine para seus próprios fins.

Mas as histórias aborígines parecem ser muito, muito mais antigas do que o contato europeu. E houve pouco contato entre a maioria das culturas aborígenes australianas e o resto do mundo por pelo menos 50.000 anos. Então, por que eles compartilham as mesmas histórias?

Barnaby Norris e eu sugerimos uma resposta em um paper a ser publicado pela Springer no início do ano que vem em um livro intitulado Advancing Cultural Astronomy, cuja pré-impressão está disponível aqui.

Todos os humanos modernos descendem de pessoas que viveram na África antes de iniciarem suas longas migrações para os cantos mais distantes do globo, cerca de 100.000 anos atrás. Será que essas histórias das sete irmãs são tão antigas? Todos os humanos carregaram essas histórias com eles enquanto viajavam para a Austrália, Europa e Ásia?

Estrelas em movimento

Medidas cuidadosas com o telescópio espacial Gaia e outros mostram que as estrelas das Plêiades estão se movendo lentamente no céu. Uma estrela, Pleione, está agora tão perto da estrela Atlas que parece uma única estrela a olho nu.

Mas se pegarmos o que sabemos sobre o movimento das estrelas e retroceder 100.000 anos, Pleione estava mais longe de Atlas e teria sido facilmente visível a olho nu. Então, 100.000 anos atrás, a maioria das pessoas realmente teria visto sete estrelas no aglomerado.

Acreditamos que esse movimento das estrelas pode ajudar a explicar dois quebra-cabeças: a semelhança das histórias gregas e aborígines sobre essas estrelas, e o fato de tantas culturas chamarem o aglomerado de “sete irmãs”, embora vejamos apenas seis estrelas hoje.

É possível que as histórias das Sete Irmãs e de Órion sejam tão antigas que nossos ancestrais contavam essas histórias uns para os outros em torno de fogueiras na África, 100.000 anos atrás? Será esta a história mais antiga do mundo?

Reconhecimento

Reconhecemos e prestamos nossos respeitos aos membros e anciãos tradicionais, tanto do passado quanto do presente, de todos os grupos indígenas mencionados neste documento. Todo o material indígena foi encontrado em domínio público.

*Traduzido por Julio Batista
Original de Ray Norris para o The Conversation

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*Fonte: universoracionalista

Guerra das Correntes: a batalha entre Edison e Tesla que mudou a história

A rivalidade entre Nikola Tesla e Thomas Alva Edison era notória. Antigos parceiros, eles acabaram se tornando praticamente inimigos mortais. A competitividade entre os dois está por trás de um dos episódios mais fascinantes da história das invenções: a “Guerra das Correntes”.

A história começou em 1879, quando Edison buscava inventar a lâmpada incandescente. Após vários anos de testes, ele conseguiu substituir o vapor pela corrente contínua como fonte de energia, obtendo sucesso de curto alcance, já que o sistema tinha algumas desvantagens: a energia fluía em uma direção e os cabos derretiam.

Buscando soluções, em 1884, Edison contratou Nikola Tesla, que havia chegado recentemente a Nova York. Após um ano e meio trabalhando com ele, o jovem Tesla encontrou uma solução alternativa à corrente contínua de Edison: um sistema de geração e transmissão de corrente alternada que permitia transportar energia a grandes distâncias.

No entanto, Edison desestimulou a ideia, menosprezou o trabalho de Tesla e, inclusive, se negou a pagar-lhe o dinheiro prometido por cumprir o trabalho. Enquanto isso, muitos investidores se mostraram interessados na ideia do jovem europeu, e a comercialização do novo sistema deu início à famosa “Guerra das Correntes” entre ambos. Enquanto Edison defendia a utilização da corrente contínua para distribuição de eletricidade, Tesla pregava o uso da corrente alternada.

De acordo com o Departamento de Energia dos EUA, Edison não queria perder os royalties que ganhava com suas patentes de corrente contínua, então tentou desacreditar Tesla por meio de uma campanha de desinformação que pregava os supostos perigos da corrente alternada. Durante os primeiros anos de fornecimento de eletricidade, a corrente contínua foi usada como padrão nos Estados Unidos, mas, com o tempo, a corrente alternada de Tesla acabou predominante. Atualmente, ela é usada para alimentar a maior parte da eletricidade do mundo.

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*Fonte: history

Como o trigo ‘domesticou’ a humanidade – e vice-versa

Do pãozinho de cada dia ao macarrão de domingo, o trigo é um dos alimentos mais consumidos no mundo atual. Mas o que não paramos para pensar entre um bocado e outro é que esse cereal, em suas variedades contemporâneas, é praticamente artificial.

Não fosse a ação do Homo sapiens, o trigo não seria assim.

Não fosse a evolução provocada pelo ser humano, esses tipos de trigo simplesmente não existiriam.

Mas, para muitos pesquisadores, o inverso também é verdade: não fosse o trigo ter conquistado nossos ancestrais, o homem não teria se tornado sedentário, não teria feito a chamada Revolução Agrícola, não teria se aglomerado em cidades.

O trigo domesticou a humanidade de tal forma que não é exagero dizer que ele acabou sendo o combustível – até mesmo literalmente, em forma de calorias ingeridas – para que as civilizações fossem criadas.
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Era só mato

Por volta de 18 mil anos atrás, com o fim da última Era Glacial, o aquecimento global provocou um período de fortes e intensas chuvas. Essa mudança climática favoreceu uma gramínea na região do Oriente Médio.

Era trigo, mas não como o conhecemos hoje. As sementinhas eram ralas e pequenas. O vento conseguia espalhá-las – e, assim, a planta se multiplicava. Os ancestrais humanos daquela época viviam em bandos nômades. Eram caçadores-coletores – alimentavam-se basicamente de carne e frutas.
homem colhe trigo

Em algum momento dessa história – ou em vários momentos, já que uma descoberta assim não ocorre de forma tão linear -, os Homo sapiens perceberam que havia animais que se alimentavam de gramíneas. E decidiram experimentar.

Conforme relata o historiador Heinrich Eduard Jacob (1889-1967) em seu livro Seis Mil Anos de Pão – A Civilização Humana Através de Seu Principal Alimento, começaram colocando sementes na carne. E viram que suavizava o sabor. Caía bem.

“As pessoas começaram a comer mais trigo e, sem querer, favoreceram seu crescimento e difusão”, afirma o historiador Yuval Noah Harari, no best-seller Sapiens: Uma Breve História da Humanidade. “Como era impossível comer grãos silvestres sem antes escolhê-los, moê-los e cozinhá-los, as pessoas que coletavam esses grãos os carregavam a seus acampamentos temporários para processá-los.”

Mas os grãos de trigo eram pequenos e numerosos. “Alguns deles inevitavelmente caíam a caminho do acampamento e se perdiam”, pontua Harari. “Com o tempo, cada vez mais trigo cresceu perto dos acampamentos e dos caminhos preferidos pelos humanos.”

Jacob frisa que, naquele tempo, trigo era só mato. Ou gramíneas. “Todos os cereais eram primitivamente plantas herbáceas selvagens”, escreve. “Todos os cereais foram originariamente herbáceas cujas sementes tinham um sabor de que o homem primitivo gostava. Mas o homem tinha, para além dos insetos, um rival bem mais temível que lhe estragava a colheita dessas plantas. Era o grande criador do tapete verde de ervas. O vento.”

Se o vento espalhava as sementes – e isto garantia a perpetuação do trigo -, ele atrapalhava o homem: afinal, não era possível colher o cereal maduro, este “voava” embora antes.

Seleção artificial: a domesticação do trigo

Sem entender nada de genética, nossos ancestrais acabaram interferindo na evolução do trigo. “O primeiro objetivo do homem teve de ser portanto o de conseguir fazer com que as espécies que eram mais do seu agrado não perdessem os grãos com tanta facilidade. E foi o que efetivamente sucedeu, já que o homem ao longo de milhares de anos foi cultivando apenas aqueles exemplares que guardavam os grãos durante mais tempo na espiga”, diz Jacob.

“Nasceram assim, a partir das herbáceas selvagens, devidamente protegidos pelos seus elmos, os heróis da nossa epopeia da alimentação”, completa o historiador, referindo-se às versões do cereal que, evoluídas, “têm frutos que se fixam tão bem ao eixo da espiga que só se desprendem com golpes ou sob pressão, ou seja, por intermédio de uma ação voluntária, aquilo a que chamamos a debulha.”

Como efeito disso, o trigo contemporâneo não sobrevive sem a mão humana. “A questão é precisamente o campo de batalha entre a robustez da espiga e o desejo que o homem tem de obter a farinha”, sintetiza Jacob. “Os ‘cereais domésticos’ morreriam amanhã se o homem desaparecesse.”

Harari conta que os acampamentos daqueles nômades começaram a se fixar ao redor de locais onde havia mais trigo. Para facilitar, eles “limpavam” o entorno, derrubando árvores e promovendo queimadas. Sem conhecer nem os rudimentos da agricultura, acabavam favorecendo justamente as gramíneas: que podiam crescer sem concorrência, livres das sombras das grandes árvores.

Foi o início do sedentarismo. O princípio da chamada Revolução Agrícola. “No começo, talvez eles acampassem por quatro semanas durante a colheita. Na geração seguinte, com a multiplicação e o alastramento do trigo, o acampamento da colheita talvez durasse cinco semanas, depois seis, até que se tornou um assentamento permanente”, conta Harari. “Evidências de tais acampamentos foram encontradas em todo o Oriente Médio, sobretudo no Levante, onde a cultura natufiana floresceu de 12,5 mil a.C. a 9,5 mil a.C.”

Os natufianos ainda eram caçadores-coletores, mas viviam em assentamentos permanentes. Inventaram ferramentas – como pilões de pedra para moer trigo -e armazenavam os cereais para épocas de necessidade.

Seus descendentes descobriram que podiam semear. Além disso, se enterrassem os grãos sob o solo, tinham resultados mais interessantes do que se simplesmente os espalhassem pela superfície.

Descobertas recentes apontam para a provável localização geográfica em que primeiro aconteceu esse fenômeno. Por meio de análises genéticas, cientistas descobriram que pelo menos a variedade Triticum monococcum começou a ser domesticada na região de Karaca Dag, no leste da atual Turquia, há cerca de 9 mil anos.

“À medida que dedicavam mais esforços ao cultivo de cereais, havia menos tempo para coletar e caçar espécies silvestres”, relata Harari. “Os caçadores-coletores se tornavam agricultores.”

No ano de 8,5 mil a.C., o Oriente Médio estava cheio de povoados fixos. O excedente de alimentos fez com que a população crescesse.

E o homem também acabou domesticado

No livro Sapiens, Harari apresenta uma visão interessante sobre essa evolução concomitante homem-trigo. Para ele, se a Revolução Agrícola aumentou o total de alimentos à disposição da humanidade, isso não se refletiu em uma dieta melhor – tampouco em uma vida melhor. “Em média, um agricultor trabalhava mais que um caçador-coletor e obtinha em troca uma dieta pior. A Revolução Agrícola foi a maior fraude da história”, diz ele.

“Quem foi o responsável? Nem reis, nem padres, nem mercadores”, completa. “Os culpados foram um punhado de espécies vegetais, entre as quais o trigo, o arroz e a batata. As plantas domesticaram o Homo sapiens, e não o contrário.”

Antes da descoberta do trigo, o ser humano se alimentava de carne e frutas

O historiador afirma que, para passar de gramíneas insignificantes a cereais onipresentes, o trigo “manipulou” o ser humano “a seu bel-prazer”. “Esse primata vivia uma vida confortável como caçador-coletor até por volta de 10 mil anos atrás, quando começou a dedicar cada vez mais esforços ao cultivo do trigo. Em poucos milênios”, ressalta, “os humanos em muitas partes do mundo estavam fazendo não muito mais do que cuidar de plantas de trigo do amanhecer ao entardecer.”

“Nós não domesticamos o trigo; o trigo nos domesticou”, enfatiza. “A palavra domesticar vem do latim ‘domus’, que significa casa. Quem é que estava vivendo em uma casa? Não o trigo. Os sapiens.”

Pesquisador do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o bioquímico Juliano Lindner corrobora a tese: para ele o trigo foi o principal motivo que levou a humanidade a se tornar sedentária.

“Quando o Homo sapiens deixou de ser coletor e passou a domesticar plantas e animais, o trigo foi um dos primeiros cultivos a serem controlados e se tornou uma das plantas mais prósperas na história do planeta”, diz ele, em entrevista à BBC News Brasil. “Esse momento da evolução, pelo simples efeito que a domesticação de animais e plantas gerou na possibilidade da sociedade se organizar sem a necessidade vital do nomadismo, ocasionou o grande salto da civilização humana.”

Tal tipo de relação entre homem e trigo, em que ambas as espécies sofrem um processo de transformação resultante da relação entre elas, é abordado pela médica e escritora Alice Roberts no livro Tamed – Ten Species That Changed Our World (Domesticadas – Dez Espécies que Mudaram O Nosso Mundo, em tradução livre). Além do trigo, a pesquisadora aponta que fenômenos semelhantes ocorreram com a vaca, o cachorro, o milho e a maçã, entre outras espécies.

Onipresença x pouca variedade

Saltemos para o século 20. A civilização humana, alimentada com derivados de trigo, chegou a um estágio de desenvolvimento industrial e científico intenso. O cultivo do estimado cereal, aliás, desde então cobre 2,25 milhões de quilômetros quadrados do globo – nove vezes o tamanho do Estado de São Paulo.

Harari conclui que o trigo “não ofereceu nada para as pessoas enquanto indivíduos, mas concedeu algo ao Homo sapiens enquanto espécie”. “O cultivo de trigo proporcionou muito mais alimento por unidade de território e, com isso, permitiu que o Homo sapiens se multiplicasse exponencialmente”, afirma o historiador.

A população da humanidade, atualmente na casa dos 7,7 bilhões de habitantes, confirma isso. E, sozinho, o trigo fornece 15% do consumo calórico global. De acordo com informações relatadas pelo pesquisador Juliano Lindner, da UFSC, mais de 75% das calorias ingeridas pela humanidade hoje são resultantes de plantas domesticadas milhares de anos atrás – além do trigo, o milho, o arroz, a batata, entre outros.
diferentes tipos de trigo

Mas ao mesmo tempo em que é onipresente, o trigo representa pouca variedade. Estudo publicado na quarta-feira (29) pelo periódico Science Advances analisou geneticamente 4506 amostras de trigo de todo o mundo – incluindo cepas regionais -, recolhidas em 105 países diferentes.

Os cientistas constataram que, se por um lado o trigo ajuda a traçar os antigos caminhos migratórios humanos, da Ásia para a Europa e, mais tarde, para a América, por outro lado a transformação do cereal em commodity dizimou sua variedade.

Sobretudo no período seguinte à Segunda Guerra Mundial, quando a chamada Revolução Verde passou a empregar tecnologia para incrementar a produção agrícola mundial, o chamado pool genético do trigo acabou modificado: atualmente, praticamente toda a produção em escala de trigo remonta a variedades que se desenvolveram na Europa – nas regiões sudeste, mediterrânea e ibérica.

“Nossa pesquisa traz novos olhares sobre a difusão e a diversidade genética mundial do trigo”, afirma à BBC News Brasil um dos autores do estudo, o geneticista François Balfourier, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas da França. “Recentes seleções e disseminações levaram a um germoplasma moderno que é altamente desequilibrado em comparação com os ancestrais.”

Do ponto de vista da produção de trigo, seria estratégico entender e caracterizar as pouco exploradas comercialmente versões asiáticas do trigo, afirma o cientista. “Caracterizar melhor esses recursos genéticos podem resultar em exploração eficiente dos mesmos em programas de melhoramento, obtendo benefícios de sua resistência natural a estresses bióticos e abióticos”, comenta Balfourier.

*Por Edison Veiga

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*Fonte: bbc-brasil

10 lições de Marco Aurélio que podem ensinar você

Ele foi um dos últimos “bons imperadores” de Roma – que genuinamente se importavam com o bem-estar de seus cidadãos.

Marco Aurélio viveu em uma época em que a morte prevalecia – e o caos estava em toda parte. Ele escreveu um manual (para si mesmo), que hoje conhecemos como as “Meditações.” Não se sabe se a intenção dele fosse a de um dia publicar tais escritos. Provavelmente ele possa ter escrito para si mesmo – para lidar com seus próprios demônios internos.

Mesmo que ele tenha escrito essas palavras há cerca de 2.000 anos, seus insights ainda têm um peso forte hoje.

Como podemos aplicar sua filosofia à nossa vida cotidiana? Abaixo estão alguns insights que você pode aplicar à sua própria vida:

1. Ignore o que os outros estão fazendo

“Não desperdice o que resta da sua vida ao especular sobre seus vizinhos. Qualquer coisa que o distraia da fidelidade ao Governante dentro de você significa uma perda de oportunidade para alguma outra tarefa. ”- Marco Aurélio

Nós temos um tempo limitado na terra. Por que desperdiçar nossa preciosa energia se preocupando com nossos vizinhos? Por que nos importamos com o que eles estão fazendo e o que pensam de nós?

O que precisamos fazer é nos concentrar em nossa tarefa. Qual é a nossa tarefa? Seja qual for a nossa vocação na terra – quer isso signifique criar arte, capacitar outras pessoas ou ser um pai amoroso.

Com as mídias sociais, somos viciados no que os outros estão fazendo. Nós desperdiçamos nossa energia mental invejando os outros. Nós nos comparamos a eles – nos sentimos frustrados por não sermos tão bem-sucedidos quanto nossos colegas. Nós olhamos para os outros com carros de luxo, câmeras sofisticadas e casas de luxo.

E se passássemos toda a nossa vida ignorando o que os outros estão fazendo – e apenas focados em nós mesmos?

2. A realidade é moldada pela sua opinião

Não existe uma realidade “objetiva” – moldamos nossa própria realidade.

Por exemplo, você pode ser um bilionário com todas as posses materiais que deseja e ainda se sentir como um “fracasso” (você pode se comparar a outros bilionários que são ainda mais ricos do que você).

Você pode ser pobre e viver em uma favela, mas pode ser extremamente feliz – porque seu coração está cheio de gratidão.

Marco Aurélio nos diz:

“A vida é apenas o que você julga.”

Ele também nos lembra:

“A vida é opinião.”

Sempre que se trata de qualquer coisa em nossa vida, depende da nossa própria opinião sobre nós mesmos. Nós julgamos o que é bom e ruim em nossa vida.

Nós moldamos nossa própria percepção do mundo com nossos pensamentos. Nenhuma “realidade” externa existe fora de nossas percepções.

A maneira prática pela qual você pode aplicar esse modo de pensar em sua vida é esta: veja tudo em uma luz positiva .

Por exemplo, digamos que alguém fala merda sobre você na sua cara. Ao invés de se sentir frustrado, você pode dizer a si mesmo: “Fico feliz que alguém está falando merda sobre mim, isso significa que eu não sou chato – e fazendo algo interessante.”

Além disso, quando as pessoas nos insultam, tentam nos prejudicar ou nos criticam – não é o insulto que nos fere. É nossa interpretação do que eles estão dizendo que nos fere. Marco Aurélio nos diz:

“Se eu não vejo a coisa como um mal, não me importo.”

Se interpretarmos as ações dos outros como irrelevantes, como podemos nos sentir magoados?

Marco Aurélio também nos diz:

“Rejeite sua sensação de lesão e a própria lesão desaparece.”

Qualquer “dano” que recebemos na vida é apenas a nossa opinião.

Uma metáfora que eu amo é esta: imagine que você está em um barco no meio de um lago. Está nebuloso e escuro. De repente, você é atingido por outro barco e bate com a cabeça. Você está com raiva e frustrado, e quer amaldiçoar a outra pessoa que acabou de esbarrar em você. Mas quando a neblina clareia, você percebe que o outro barco estava vazio. Agora você não sente mais raiva, porque percebe que o outro barco estava vazio. Perceba que todo mundo que tenta nos prejudicar é apenas um barco vazio.

3. Faça menos

Em uma das meditações de Marco Aurélio para si mesmo, ele se lembra da importância de fazer menos na vida – e cortar as ações supérfluas de sua vida:

Se queres conhecer o contentamento, deixa que os teus feitos sejam poucos – disse o sábio. Melhor ainda, limite-os estritamente aos que são essenciais.”

Quais são os benefícios de se ater a algumas ações e apenas fazer o essencial? Marco Aurélio diz a si mesmo: somos mais felizes quando fazemos poucas coisas, mas as fazemos bem:

“Isso traz o contentamento que vem de fazer algumas coisas, mas fazê-las bem. A maior parte do que dizemos e fazemos não é necessária, e sua omissão economizaria tempo e problemas. A cada passo, um homem deve perguntar a si mesmo: “Essa é uma das coisas que são supérfluas?” Não haverá ação desnecessária.

Muitas de nossas ações e palavras são desnecessárias. Ao não fazer ações supérfluas, ficaremos menos estressados.

Devemos sempre nos perguntar: “Isso é supérfluo?”

Precisamos cortar as coisas desnecessárias em nossas vidas. As ações, palavras, pensamentos e emoções menos supérfluos – mais foco teremos para o que é realmente importante para nós na vida. Pode ser o tempo com sua família, o tempo para fazer seu trabalho criativo ou a chance de ajudar os outro

4. A morte está batendo na sua porta

Eu penso muito sobre a morte. Muitas pessoas esquecem a frase: “memento mori” – lembre-se, você estará morto em breve.

Quando sabemos que a morte está próxima, não perdemos nosso tempo. Nós não perdemos nosso precioso tempo de lazer assistindo TV ou outras formas de entretenimento passivo. Nós nos apressamos a fazer o que somos apaixonados e o trabalho que é significativo para nós. Passamos mais tempo com nossos entes queridos e omitimos pessoas e ações supérfluas de nossas vidas.

Lembrar-nos da morte nos dá foco.

Pense em todas as pessoas que descobrem que têm câncer ou alguma outra doença. Uma vez que eles descobrem isso, deixam de lado toda a merda que não gostam de fazer na vida – e só se concentram no que é importante para eles.

No entanto, todos nós temos a capacidade de apenas fazer o que é importante para nós. Ao meditar sobre a morte diariamente, não desperdiçaremos nem uma gota do nosso tempo.

Até mesmo Marco Aurélio dizia a si mesmo:

“Muito em breve você estará morto; mas mesmo assim você não é obstinado ”.

Precisamos ser sinceros para a tarefa da nossa vida.

Um exercício simples que podemos fazer para nos lembrarmos da vida e da morte é este:

“Considere que você morreu hoje e a história da sua vida acabou; e, a partir de agora, considere o tempo adicional que pode ser dado como excedente não coberto. “- Marco Aurelio

Sempre que vou dormir, imagino que seja a última vez que vou dormir. Eu considero minha vida inteira, meu dia, e se eu fiz tudo ao meu alcance para ajudar a capacitar aqueles ao meu redor. Só procrastino em coisas que não me importaria de ser desfeito se estivesse morto.

E quando acordo na manhã seguinte, jogo minhas mãos para o alto e digo a mim mesmo: “É incrível estar vivo! Eu me pergunto como posso usar melhor hoje para ajudar os outros.”

Todos nós precisamos nos lembrar da morte batendo à nossa porta – ou então nunca teremos foco em nossas vidas.

5. Você é mais forte do que pensa

Se você quer ser um boxeador de classe mundial, você terá que lutar contra adversários difíceis. Você será espancado, quebrará alguns ossos, sangrará e, como resultado, ficará mais forte.

Sempre que alguém tentar prejudicá-lo, pense nessas palavras de Marco Aurélio:

“Que sorte eu tenho, que me deixou sem amargura; inabalável pelo presente, e desanimada pelo futuro. A coisa poderia ter acontecido com qualquer um, mas nem todos teriam surgido sem serem remexidos.

Que sorte eu tenho, que me deixou sem amargura; inabalável pelo presente e não afetado pelo futuro. A coisa poderia ter acontecido com qualquer um, mas nem todos teriam ficado imperturbáveis

Você é mais forte do que pensa. Você não pode impedir que outras pessoas joguem merda em você. Mas você pode mudar sua interpretação da situação.

A vida é muito difícil. Como os sábios disseram: “Às vezes, viver é um ato de coragem”.

E não nos esqueçamos do que nos ensina Marco Aurélio:

“A arte de viver é mais como lutar do que dançar.”

6. Você se levanta para o trabalho da humanidade

Ninguém gostaria de viver na Terra se ninguém mais existisse. A sociedade é a cola que nos mantém unidos e é a razão pela qual estamos vivos e a razão pela qual vivemos.

Há dias em que a vida é difícil. Nós não queremos sair da cama. Nós não temos motivação ou inspiração.

Até mesmo Marco Aurélio (o imperador do império romano) freqüentemente se sentia assim. A meditação que ele se deu para encorajar a si mesmo foi esta:

“Na primeira luz do dia temos em disposição, contra a falta de vontade de deixar a cama, o pensamento de que ‘estou me levantando para o trabalho do homem’. Devo resmungar quando saio para fazer o que eu nasci para fazer, e para o bem de ter sido trazido ao mundo, este é o propósito de minhas criações estarem aqui debaixo de cobertores e se aquecerem? “Ah, mas é muito melhor! Foi por prazer, então, que você nasceu e não para o trabalho, não para o esforço?

Nós não somos colocados na terra apenas para sentir prazer. A maior parte da vida consiste em esforço, em luta. Ficar numa manhã gelada debaixo das cobertas é sim muito mais agradável que sair à luta enfrentando o frio, mas o resultado é apenas um prazer momentâneo. Quem se atreve a sair ao frio terá resultados melhores no futuro.

O que nos traz a verdadeira felicidade na vida? Não é apenas se encher de prazer. Pelo contrário, está ajudando os outros e fazendo o que nos foi feito:

“O verdadeiro prazer de um homem é fazer as coisas para as quais ele foi feito.” – Marcus Aurelius

Para que você foi projetado? Depende.

Qual é o seu presente? Pode ser sua capacidade de socializar, fazer os outros se sentirem amados, sua habilidade de ler ou escrever, sua habilidade de pesquisar, sua habilidade de sintetizar informações e dados, sua habilidade de fazer imagens visuais, sua habilidade de capacitar os outros, sua habilidade para ensino, ou sua habilidade para tornar o mundo um lugar mais bonito.

7. Nunca reclame

“Seu pepino está amargo? Jogue fora. Há espinhos em seu caminho? ache um desvio. Isso é o suficiente. ”- Marcus Aurelius

Por que devemos reclamar do mundo?

Se há alguém que te incomoda – simplesmente ignore-os. Deixar de seguir as mídias sociais ou apenas cortar seus laços sociais com elas.

Você odeia o seu trabalho? Saia do seu emprego ou descubra uma maneira de torná-lo menos doloroso ou miserável.

Muitas vezes não podemos mudar nossas situações externas no mundo – mas sempre podemos mudar nossa atitude em relação a isso.

E não apenas isso, mas a vida é toda sobre fazer o melhor daquilo que temos.

Uma boa meditação para pensar a nós mesmos de Marco Aurélio é esta:

“Qual é o melhor que pode ser dito ou feito com os materiais à sua disposição?”

A maioria de nós não tem muito tempo, energia ou dinheiro. Ainda assim, considerando nossos meios limitados, como podemos aproveitar ao máximo o que temos?

8. Você pode viver feliz em qualquer lugar

“Que fique claro para você que o ritmo dos campos verdes sempre pode ser seu, nisto ou em qualquer outro lugar; e que nada é diferente aqui do que seria nas colinas, ou no mar, ou em qualquer outro lugar que você quiser. ”- Marco Aurélio

O que causa muita miséria para muitos de nós é nosso lar, onde vivemos e o desejo de estar em outro lugar.

Podemos morar nos subúrbios e desejamos que vivêssemos na cidade. Podemos morar na cidade e preferir morar no campo. Vivemos no campo, podemos desejar viver na praia. Nós vivemos na praia, nós desejamos que vivêssemos em uma ilha. Se vivêssemos em uma ilha, talvez pudéssemos preferir a conveniência de morar em um subúrbio

Se você estivesse feliz com o local onde morava e com a casa em que vivia – e não desejasse morar em outro lugar, ou em um lar maior ou melhor, quanto mais energia, dinheiro e atenção você poderia ter por coisas melhores na vida?

Mesmo morando onde você mora, você pode encontrar pontos positivos nele.

Se você mora em um lugar “chato”, isso o forçará a ser mais criativo para encontrar coisas interessantes para fazer. E pode ser uma oportunidade para você começar algo interessante.

Você é o mestre do seu próprio destino – nunca reclame onde mora. Em vez disso, colha todos os benefícios do bairro, da cidade ou do lugar em que você mora.

9. Ajudar o bem comum

Aquele que vive para si mesmo está verdadeiramente morto para os outros.

Como você encontra seu propósito e senso de missão na vida? Simples – pense em como você pode ajudar melhor o “bem comum”. Marcus Aurelius lembra a si mesmo:

“Evite todas as ações que são casuais ou sem propósito; e, em segundo lugar, que toda ação vise unicamente o bem comum ”.

Ser um ser humano honrado e decidido é ajudar os outros. Para ajudar os outros não tão afortunados como nós. Para compartilhar nosso dom, nosso conhecimento e nossos recursos para nós. Significa continuar fazendo bem aos outros, mesmo que eles nos odeiem. Como Marcus Aurelius diz:

“Empilhando boas ações em boas ações até que não haja fendas ou entalhes entre elas.”

É difícil. Precisamos aprender a fazer o bem para os outros, sem esperar qualquer tipo de recompensa. O bom ato em si é bom o suficiente. Ser humano é ajudar a servir os outros:

“Depois de ter feito um serviço a um homem, o que mais você teria? Não é suficiente ter obedecido às leis de sua própria natureza, sem esperar ser pago por isso? Isso é como o olho exigindo uma recompensa por ver, ou os pés por andar. É para esse propósito que eles existem; e eles têm o devido em fazer o que eles foram criados para fazer. Similarmente; o homem nasce por atos de bondade; e quando ele fez uma ação gentil, ou de outra forma serviu o bem-estar comum, ele fez o que ele foi feito, e recebeu sua quitação. ”- Marcus Aurelius

E uma vez que você ajuda os outros, esqueça. Melhor ainda – nem mesmo esteja consciente de que você está ajudando os outros. Marco Aurélio nos diz para não ter “consciência de tudo o que ele fez, como a videira que produz um cacho de uvas não parece mais agradecer do que um cavalo que correu sua raça”.

O prazer de ter ajudado os outros é bom o suficiente.

10. Seja grato por suas bênçãos

“Não se envolva em sonhos de ter o que você não tem, mas considere como bênção o que possui e, então, felizmente, lembre-se de como você gostaria de tê-los se não fossem seus.” – Marcus Aurelius

Não importa o quanto somos ricos ou bem-sucedidos, nunca conseguimos obter tudo o que queremos.

Felicidade não é ter tudo no mundo. Pelo contrário, a felicidade é ser grato por todas as bênçãos que já temos.

 

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Vídeo em 3D mostra como seriam os Jardins Suspensos da Babilônia

Uma das sete maravilhas do mundo antigo, os chamados Jardins Suspensos da Babilônia fazem hoje parte do imaginário popular, misturando mito, história e magnificência aos olhos das pessoas. Os famosos jardins, construídos pelo rei Nabucodonosor II para a sua rainha Amitis no século VI a.C., têm fascinado indivíduos desde o historiador grego Heródoto. A imagem colossal de um poderoso complexo de plantas e vegetação exuberante já serviu de inspiração para muitos escritores e artistas, especialmente por uma de suas características mais peculiares: ninguém sabe como eles realmente eram! Existem poucas evidências arqueológicas que comprovem a existência desses “suspensos” jardins na antiga Mesopotâmia. Contudo, um pouco de imaginação criativa, combinada aos registros factuais, pôde oferecer uma visão interessante de como essa incrível maravilha deveria ser. Foi o que a equipe da Lumion 3D fez, num vídeo de aproximadamente 3 minutos, que apresenta ao observador esse monumento mítico. O resultado ficou de tirar o fôlego! Confira:

O status mítico dos Jardins Suspensos deriva de uma lenda envolvendo rei Nabucodonosor II (632-562 a.C.) e sua esposa, rainha Amitis da Média. Segundo a estória, a rainha Amitis vivia constantemente triste, com saudades de seu lar e das belezas naturais entre as quais ela cresceu e havia deixado para trás para se casar com Nabucodonosor. Compadecido do estado da esposa, o rei então ordenou a construção de um complexo de jardins suspensos, no coração da Mesopotâmia, que evocassem a beleza da terra da Média (que atualmente corresponde à parte noroeste do Irã). Os vales verdejantes e a fauna variada foi então recriadas no coração da Babilônia, para deleite da rainha Amitis, que desde então ficou bastante feliz. A perspectiva histórica, porém, aponta pra outro lado.

As descrições de um jardim colossal, “suspenso”, na antiga Mesopotâmia aparecem primeiramente nos relatos de um certo Beroso, sacerdote caldeu que viveu na Babilônia entre o século IV e o século III a.C. Assim como ele, outros autores gregos também forneceram descrições sobre o monumento, muitos deles utilizando o trabalho de Beroso como referência, entre outras fontes talvez mais antigas. Diodoro da Sicília, famoso historiador grego que viveu no século I a.C ., por exemplo, supostamente baseou-se em quatro textos antigos para a seguinte descrição:

Havia também, ao lado da acrópole, o Jardim Suspenso, como era chamado, que foi construindo, não por Semíramis, mas por um posterior rei Sírio para agradar uma de suas concubinas. Por ela ser, eles dizem, da raça persa e ter saudades dos prados e das montanhas, pediu ao rei que imitasse, pelo artifício de um jardim plantado, a distinta paisagem da Pérsia. O parque tinha quatro pletras¹ de cada lado, e uma vez que se aproxima do jardim, inclinado como uma colina, várias partes de sua estrutura aumentam de uma camada a outra, aparentando a estrutura de um teatro. Quando os terraços ascendentes foram feitos, foi construído embaixo deles galerias que suportavam todo o peso do jardim plantado e suspendiam-se pouco a pouco, uma sobre a outra, aproximando-se ao longo. A galeria superior, que tinha cinco côvados de altura, suportava a maior superfície do parque, feita ao mesmo nível do circuito de muralhas da cidade.

Além disso, as paredes, construídas com grandes despesas, tinham vinte e dois pés de espessura, enquanto a passagem entre cada duas delas tinham dez pés de largura. O teto acima das vigas tinha primeiramente uma camada de juncos com grandes quantidades de betume, sobre os quais haviam tijolos cozidos ligados por cimento, e uma terceira camada de revestimento de chumbo, para que a umidade do solo não penetrasse por baixo. Sobre tudo isso novamente a terra tinha sido pilada até uma profundidade suficiente para as raízes das árvores maiores; o chão, quando foi nivelado, foi densamente arborizado com todo tipo de árvore, devido ao seu grande tamanho e para encantar, dando prazer a quem visse. E uma vez que as galerias, projetando-se uma acima da outra, receberam luz, continham muitos alojamentos reais de cada descrição; havia galerias que continham aberturas que conduziam até a superfície e máquinas para fornecer água do rio em abundância aos jardins, embora ninguém de fora pudesse ver como isso era feito.

Entretanto, apesar dessas descrições, existem poucas evidências factuais concretas que dão suporte à existência dessa estrutura gigante, alimentada pelas águas do rio Eufrates. O monumento teria sido construído para imitar uma montanha coberta por vegetação exuberante. De acordo com a descrição póstuma de Diodoro, a estrutura apresentava uma arranjo de vários terraços, dispostos um sobre o outros como se fossem andares, sustentados por colunas de tijolos de argila, já que a região da Mesopotâmia carecia de pedras próprias para essa finalidade. Os engenheiros teriam preenchido essas colunas com argamassa de betume, para facilitar o crescimento das plantas e das árvores. Estudiosos da engenharia, porém, argumentam que a construção do monumento nas proporções em que foi descrito teria exigido todo um complexo sistema de bombas, tanques e shadufs (espécie de aparelho manual para elevação de água), para transpor a água do rio para os Jardins.

Ao longo dos anos, o crescimento da grande variedade de espécimes de fauna e flora em diversos níveis certamente apresentou um resultado fascinante aos olhos de quem visse, dando a aparência de uma montanha artificial. Diodoro da Sicília, em seu relato, também menciona a utilização de lajes de pedra, com plataformas cobertas por camadas de cana, asfalto e telhas, possivelmente para impedir que a umidade da água penetrasse os tijolos das colunas. Porém, conjecturas arquitetônicas à parte, as evidências arqueológicas apontam para o fato de que, ao contrário do que sugere os textos gregos antigos, os famosos Jardins Suspensos da Babilônia não ficavam próximos das margens do rio Eufrates, apesar de existirem ali perto ruínas de uma superestrutura de 82 pés de paredes sobrepostas, possivelmente construída nos tempos antigos. Mas, infelizmente, não há como afirmar que se tratavam dos míticos jardins construídos pelo rei Nabucodonosor.

Na opinião do Dr. Stephanie Dalley, pesquisador honorário do Instituto Oriental da Universidade Oxford, os Jardins Suspensos eram reais, mas não estavam localizados na Babilônia. Ao analisar textos cuneiformes antigos, Dalley concluiu que o monumento teria sido construído no século VII a.C., 300 milhas ao norte da Babilônia, na cidade real assíria de Nínive. Esses mesmo textos refutam Nabucodonosor II como o responsável pela edificação dos Jardins e apontam o rei assírio Senaqueribe como o ordenante da construção, como parte do seu próprio complexo de palácios. Algumas fontes assírias mencionam, inclusive, o uso de parafusos para elevação da água, feitos em bronze e que poderiam ter funcionado de maneira similar ao famoso “parafuso de Arquimedes”. Essa hipótese encontra evidência arqueológica nas ruínas de um sistema de aquedutos encontradas ao redor de Nínive, na atual região de Mossul, utilizados para transpor água das montanhas.

Com efeito, também existem certas imagens pictóricas em baixo-relevo em Nínive que retratam um exuberante jardim, com arcos ornamentais e plantas suspensas, alimentado pelas águas do referido aqueduto. Não obstante, é preciso considerar que o terreno montanhoso ao redor de Nínive teria tornado muito mais fácil o transporte de água do que as planícies da Babilônia. De acordo com a pesquisa de Stephanie Dalley, os “Jardins Suspensos de Nínive”, eram compostos por uma série de terraços sobrepostos como se fossem um anfiteatro, banhados por um lago artificial na base. Certas imagens de satélite mostram os restos de uma estrutura nas dimensões sugeridas, com 300 pés de largura e 60 de profundidade, nas proximidades da cidade. Para o pesquisador, os historiadores gregos antigos se equivocaram na localização dos Jardins, uma vez que em 689 a.C. os assírios conquistaram a Babilônia e passaram a chamar sua cidade real de Nínive de “Nova Babilônia”. Esse aspecto poderia ter confundido os historiadores, que só escreveram sobre o monumento dois séculos após a sua construção.

*Por Renato D. Tapioca Neto

 

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*Fonte: rainhastragicas

Pandemias do passado, velhas quarentenas e novos ensinamentos

As doenças existem desde que o mundo é mundo, mas as epidemias, como a que vivemos atualmente, ou algo parecido, ocorrem em populações que passam certo tempo sob circunstâncias anormais, por exemplo, sob o desgaste de uma guerra, quando os campos deixam de ser cultivados e a fome se espalha. Mas e agora, por que as andanças do coronavírus em uma cidade do Oriente ocasionou tamanha letalidade mundo afora? Quando foram inventadas as quarentenas? Os Governos se aproveitam das pandemias? Quais são os bodes expiatórios? O medo é manipulado? Ana María Carrillo Farga é historiadora da Medicina, especialista em pandemias e professora do departamento de Saúde Pública da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Conversar com ela é como participar de um jogo de perguntas e respostas sobre a história da ciência.

Os dias no deserto

Quem acha que vivemos algo excepcional atualmente deveria saber que as quarentenas existem desde a época dos Estados venezianos do século XIV. Na época se desconhecia o período de incubação das doenças (e muitas outras coisas de caráter científico e sanitário), de modo que se estabeleceu um isolamento arbitrário de 40 dias, um número bíblico, de fato, os que Jesus Cristo passou na sua travessia espiritual pelo deserto. A peste era o demônio da época. As quarentenas não só isolavam ao doente do saudável como também impediam o desembarque de navios que chegassem ao porto, e mesmo assim a população se contagiava misteriosamente… Só no final do século XIX, com o desenvolvimento da bacteriologia (os vírus ainda eram pequenos demais para serem detectados com a tecnologia disponível), o campo do conhecimento saltou da Bíblia para a ciência.

A infância da globalização: duas teorias

Marinheiros e exploradores estenderam os limites do mundo e levaram o comércio além dos estreitos horizontes então vislumbrados. As epidemias naquele tempo eram uma ferramenta de conquista ―por exemplo, a varíola no processo de colonização da Mesoamérica. E tiveram um papel determinante na drástica queda da população ocorrida nos séculos XVI e XVII. Mas quando não foram úteis, buscou-se uma forma de combatê-las. No final do século XVIII havia duas posições a respeito, duas escolas: uns acreditavam na teoria do contágio entre pessoas e defendiam o isolamento (chamado com razão de sequestro). Estes eram os conservadores, os que não queriam mexer em nada, só controlar. Os espanhóis eram destes, para proteger o comércio das suas colônias.

No outro grupo estavam os que defendiam a teoria miasmática, os ingleses entre eles. Acreditavam que os corpos em decomposição, o lixo e as águas residuais emanavam eflúvios que adoeciam a população ao serem inalados. Estes se inclinavam pelo saneamento das cidades e pela melhoria das condições trabalhistas e domésticas como medidas mais eficazes para a saúde pública. Ambos tinham parte da razão; os segundos, se não na causa, pelo menos a respeito das consequências de viver em cidades insalubres. Mas algo continuava escapando ao entendimento: se a tripulação de um navio permanece isolada e não há contato entre pessoas nem circunstâncias ambientais, por que a população em terra acabava se contagiando? Faltava um terceiro elemento: os vetores, geralmente insetos, mosquitos, pulgas…

Uma estratégia internacional

A saúde começou oficialmente a ser um assunto de todos em 1851, na primeira reunião internacional sobre ela realizada em Paris, ainda com uma aparência muito europeia. Em 1881 o evento ocorreu em Washington. “As primeiras convenções sanitárias buscavam proteger os países e regiões da chegada de epidemias, mas tratando de interferir o mínimo possível no livre comércio e no trânsito de pessoas”, diz Ana María Carrillo.

A pauta daqueles encontros tinha outros objetivos secundários, como impulsionar a criação de organismos de saúde nos Governos de cada país ou insistir em que, em caso de pandemia, o conveniente era informar com transparência à comunidade internacional, assim como a pertinência do saneamento de portos e cidades. Preocupavam especialmente naqueles anos o cólera e a peste, que causavam estragos desde meados do século XIX e que foram o estopim destas cúpulas sanitárias. Depois seria a febre amarela.

As duas Guerras Mundiais deixaram seus respectivos avanços neste campo. Depois da Primeira, criou-se a Liga das Nações, com sua respectiva área sanitária, e em 1948 surgiu a Organização Mundial da Saúde (OMS). México, Estados Unidos, Guatemala, Costa Rica e Uruguai já tinham fundado em 1902 a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) que, com o tempo, se tornaria uma filial da OMS. Todos estes organismos procuram respostas coordenadas em tempos de pandemia. Em 1969 foi redigido um primeiro regulamento sanitário internacional que insistia na não interrupção do trânsito de pessoas de forma radical. “É semelhante ao que faz o México hoje em dia. Aquele documento dizia que parar o comércio não detém as epidemias”, afirma Carrillo.

O peso do comércio

O equilíbrio entre a proteção da saúde e a estabilidade econômica, buscado de forma tão desesperada por muitos países atualmente, tem séculos de tradição. Naquelas reuniões internacionais de sanitaristas e higienistas do século XIX tinham muito peso as intervenções políticas e empresariais, a diplomacia comercial. “Os comerciantes sempre tratavam de ocultar as epidemias, e os Governos também preferiam evitar certo pânico, assim que os alarmes chegavam tarde para o controle efetivo da doença, que se espalhava cada vez mais. Foi preciso convencê-los de que a transparência ajudava o controle e, portanto, a economia.”

O comércio já estava globalizado, e a América Latina e o Caribe se incorporavam a esse negócio internacional quando se atravessava a segunda revolução industrial. O México, por sua vez, começa um intercâmbio de mercadorias muito desigual, mas intenso, com os Estados Unidos. Como nos tempos da conquista espanhola, as epidemias também se transformaram nesse período em uma ferramenta, neste caso de controle comercial, para fechar fronteiras e estigmatizar certos países. “O Texas mantinha o México sob quarentena permanente para atrapalhar o comércio, enquanto os Estados Unidos olhavam para o outro lado argumentando que cada um de seus Estados era soberano”, conta a professora da UNAM.

O vírus como estilingue

A política clássica da OMS condena que países sejam estigmatizados por serem identificados como a origem de uma pandemia. Recrimina, assim, denominações como cólera asiática, vírus chinês, gripe mexicana, gripe espanhola… Há duas boas razões para isso. A primeira é que os vírus não são de ninguém, pois “é difícil determinar onde começa uma pandemia e possivelmente onde acaba”. Em segundo lugar, apontar um povo como o causador da desgraça não contribui para sua erradicação, porque “se alguém se sente marcado ou perseguido se esconderá, certo? E isso impede um melhor controle e um freio na transmissão da doença”.

Mas os direitos humanos não costumam estar em primeiro lugar na pauta, e poucos resistiram a utilizar as pandemias em benefício próprio. O México, por exemplo, tem uma triste historia de discriminação com a população chinesa em seu território, que não só contribuiu para a construção de ferrovias e outras obras públicas como também se integrou plenamente e se transformou em uma comunidade próspera dentro do país. Eis aí o pecado. “Sempre foram acusados de transmitir doenças. Inclusive a cor da sua pele acabou sendo associada à febre amarela, quando [o nome da doença] só tinha a ver com a icterícia que causa”. Também se atribuía a eles a peste que o México sofreu em 1092/1903, quando esse grupo étnico se mostrou imune.

Também o nome atribuído à mortífera gripe espanhola escondia certos interesses. “Tratava-se de evitar que o pânico se espalhasse entre as tropas [na Primeira Guerra Mundial], assim era muito mais simples circunscrevê-la à Espanha, ausente na luta”. Sempre houve bodes expiatórios ―os gays no caso do HIV, ou as prostitutas em tempos de sífilis. O H1N1 que circulou pelo México em 2009 foi fatal para o comércio da carne suína no país, que precisou de exibições públicas dos políticos comendo tacos para esconjurar os temores.

Manipular o medo

Esta pandemia que o mundo atravessa atualmente viaja de avião, o que se reflete num primeiro contágio entre pessoas ricas e uma segunda fase de contágio local que cedo ou tarde afetará em maior medida os mais pobres, como todas. “Nem sempre as pandemias têm sua origem nas classes superiores para passar depois às mais desfavorecidas. Houve um tempo em que chegavam de ferrovia ou de navio com o deslocamento da classe operária, os migrantes”. Por suas condições de vida e profissionais, os pobres sempre acabam sofrendo mais contágios e ficam em pior situação quanto à cura. E isso os torna bodes expiatórios como os que vimos anteriormente, porque a origem e a propagação da epidemia acabam sendo atribuídas a ele. Isto também se deve a interesses. Ana María Carrillo cita o exemplo do México. “No final do século XIX ocorreu a chamada peste cinza, transmitida por um piolho, e, embora houvesse infectados de todas as classes, manipulou-se o medo contra os pobres, que certamente foram mais afetados. Conseguiu-se expulsá-los do centro de várias cidades e se estabeleceram colônias [bairros] de ricos, como as hoje famosas e acomodadas colônias Condesa e Roma, na Cidade do México, enquanto as classes baixas foram deslocadas para a periferia.”

As pandemias são muito eficazes também para direcionar ou controlar o comércio. A professora Carrillo vê com receio a “insistência atual em criminalizar os chineses”, que circulou não só nas redes sociais com humor mais ou menos ácido, mas também pela boca de líderes políticos como Donald Trump, em cujos discursos não deixava de citar o “vírus chinês”. A insistência com a China, opina a professora, teria neste caso a ver “com a expansão do comércio nesse país, muito poderoso nos últimos anos. Não me atrevo a apontar a origem da pandemia, mas vejo pressões comerciais na denominação que lhe foi dada. Historicamente, as pandemias foram usadas para frear comércios florescentes. Os Estados Unidos já tinham feito isso com a febre amarela, por exemplo”.

Ensinamentos para o futuro

Dizia-se no princípio deste artigo que as epidemias surgem quando uma sociedade está passando por um mau momento ―fome, guerras, fragilidade ou tudo junto. Mas o que está acontecendo agora para que a Covid-19 esteja ceifando uma população aparentemente sã e em perfeito desenvolvimento? A professora Carrillo se soma aos que opinam que “o neoliberalismo político” teve muito a ver com a transmissão e expansão do vírus.

“Por um lado, as sociedades estão mais empobrecidas devido às crises econômicas recentes, e isso é um caldo de cultivo para os contágios, como dizíamos. Em segundo lugar, os sistemas sanitários públicos sofreram com estas políticas durante muito tempo, foram privatizados, tiveram recursos cortados.” São fatores que não deixam de ser recordados nos países europeus e que alimentam a disputa política nas últimas semanas. Além disso, leva-se em conta que haverá os mesmos contágios em quase todos os países, e o que estes fazem então é tratar de que seus hospitais, tão carentes de recursos, não fiquem sobrecarregados.

Carrillo Farga cita em terceiro lugar as comorbidades que se destacam como um fator de risco acrescentado na letalidade do vírus. Todas essas doenças que agravam o risco de morrer de Covid-19 estão relacionadas com um mundo onde as classes pobres, sobretudo, foram perdendo a dieta tradicional para se integrar ao mercado das calorias vazias, dos refrigerantes borbulhantes no café da manhã, almoço e jantar. Obesidade, diabetes e hipertensão serão a gota d’água para muitos destes doentes que sucumbiram a necessidades geradas antes que o produto lhes fosse oferecido. “Acho que esta pandemia resultará em uma melhora dos sistemas sanitários públicos. O ensinamento que deixará será que é preciso reforçar os Estados nos recursos e serviços para a saúde pública”.

*Por Carmen Morán Breña

 

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*Fonte: elpais-brasil

Drogas, depressão e controvérsias: há 26 anos, Kurt Cobain tirava a própria vida

O vocalista da banda Nirvana cometeu suicídio em 1994. No entanto, um documentário lançado em 2015 tenta provar o contrário

Em 8 de abril de 1994, Gary Smith, funcionário da companhia VEC Electric havia sido chamado para instalar uma iluminação noturna de segurança na casa de Kurt Cobain, vocalista da banda Nirvana. Ao entrar na residência, Gary não imaginou que seria surpreendido com uma cena trágica.

Na estufa, o funcionário encontrou Cobain deitado no chão. Inicialmente, pensou que o astro estava dormindo. Entretanto, a espingarda em cima do corpo e o sangue espalhado no chão logo confirmaram o inevitável: um dos cantores mais emblemáticos do rock’n’roll havia falecido.

Segundo a perícia, Cobain cometeu suicídio ao apontar a arma para sua cabeça no dia 5 de abril de 1994 e seu corpo ficou exposto durante dois dias. Além disso, o cantor deixou uma carta de despedida presa num vaso de flores que estava ao seu lado.

Antes mesmo de ser considerado um dos maiores nomes do rock, Kurt já apresentava sinais de depressão. O vício em drogas e a carta de suicídio, escrita à mão, confirmam o laudo da perícia em 1994. Antes disso, durante a turnê da Nirvana na Europa em 1991, o cantor descobriu um problema estomacal que o fez perder a cabeça – além da sua luta contra os transtornos bipolares.

25 anos após o trágico episódio, algumas dúvidas ainda são alvo de teorias da conspiração. No documentário Soaked In Bleach (2015), dirigido por Benjamin Statler, o ex-detetive Tom Grant, na época contratado por Courtney Love para procurar Kurt – que havia fugido de um centro de reabilitação alguns dias antes de Gary encontrá-lo sem vida – revela algumas teorias.

Impressões digitais

A investigação concluiu que não foram encontradas impressões digitais na arma utilizada por Kurt – e muito menos nas balas. Uma vez que o cadáver não foi encontrado com luvas, e o objeto era segurado pelo cantor, os peritos deveriam ter encontrado as impressões.

Heroína

Grant explicou que com a grande quantidade de heroína encontrada no sangue de Kurt (1,52 miligrama por litro) ele não seria capaz de puxar o gatilho da arma – a dose seria letal. No entanto, um estudo realizado pela revista Dateline indicou a possibilidade do próprio vício ter provocado uma tolerância à droga.

Cartão de crédito

As investigações também identificaram que no dia 6 de abril foram realizadas duas transações no cartão de crédito de Cobain. Ou seja, um dia depois do cantor ter cometido suicídio, uma segunda pessoa havia utilizado o seu cartão.

Divórcio

O ex-detetive também revelou que Kurt havia pedido alterações em seu testamento. Courtney Love, esposa do cantor, seria excluída do espólio. Isso porque o casamento não ia bem e Cobain queria o divórcio. Grant acredita que Love teria envolvimento com o possível homicídio. Entretanto, ela nunca interferiu nas investigações da polícia ou do próprio profissional contratado por ela.

Carta de suicídio

Grant explica que a primeira parte da carta foi escrita por Kurt. No entanto, ele teria apenas anunciado as suas intenções de deixar Courtney e o mundo da música. Por outro lado, os últimos parágrafos, que indicavam o suicídio, teriam sido redigidos por outra pessoa. Já a investigação da Dateline NBC concluiu que o bilhete foi escrito apenas pelo cantor.

Courtney Love tentou impedir a exibição de Soaked In Bleach. Os advogados da cantora enviaram uma carta para os principais cinemas dos EUA. “Essa carta deve servir como aviso de que o filme traz um retrato falso da senhora Cobain e tem declarações difamatórias. Estamos pedindo que você desista imediatamente de infringir os direitos de Courtney de qualquer maneira, incluindo, mas não apenas limitando, a desistência total da exibição e promoção do filme.”

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*Fonte: aventurasnahistoria

Vídeos mostram como as frutas eram antigamente

Este é um fascinante documentário em vídeo de três partes que mostra como as frutas eram antigamente, criado pelo pessoal por Earth Titan do Titan Top List.

Eles discorrem sobre a origem de algumas frutas e vegetais, de como eles eram nos tempos antigos até os dias de hoje. Basicamente, como a “domesticação” desses alimentos mudaram suas formas, texturas e gosto.

Você já se perguntou quais são as origens dos alimentos comuns que comemos hoje? A maioria dos alimentos encontrados no supermercado em um ponto era muito menor, amargo, azedo ou desagradável.

Como as frutas eram antigamente

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*Por Flácio Croffi / Fonte: geekness

 

Criatividade sem limites: 10 fotografias históricas recriadas em lego

Algumas das imagens mais icônicas de toda a História são simplesmente inconfundíveis. Ver uma fotografia antiga como essa pode ser extremamente nostálgico. Outra coisa com um grandioso pode para despertar lembranças são brinquedos, as pecinhas de lego, por exemplo, encantaram gerações inteiras.

O fotógrafo inglês Mike Stimpson, famoso por criar belíssimas imagens a partir do lego, resolveu fazer uma releitura de fotografias que marcaram a História. Usando algumas peças de lego e muita criatividade, ele recriou diversos cenários históricos em um trabalho magnífico. Confira:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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*Fonte: historiailustrada

 

Resíduos de testes atômicos da Guerra Fria ainda estão na Antártida

Durante a Guerra Fria, o Oceano Pacífico foi palco de diversos testes nucleares. Lugares como as Ilhas Marshall até hoje guardam profundas marcas daquela época – os atóis de Bikini e Enewetak são hoje mais radioativos que Chernobyl e Fukushima, embora tenham se passado mais de 60 anos desde o fim dos testes nucleares.

Essas bombas não deixaram rastros somente nos locais onde explodiram: os diversos elementos químicos liberados reagiram com outros elementos presentes no ar. Isso gerou altas concentrações de isótopos radioativos, como o cloro-36.

Agora, cientistas da base russa Vostok, na Antártida, descobriram que esse isótopo foi mais longe do que se imaginava: viajou o globo pela estratosfera e chegou até a Antártica, onde se depositou no gelo e está até hoje.
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Na verdade, a descoberta aconteceu por acaso. Os pesquisadores estavam examinando as concentrações em diferentes partes da Antártica, para tentar entender melhor como o cloro se comporta ao longo do tempo em áreas onde a queda de neve anual é alta versus áreas em que a queda de neve é ​​baixa. Isso é útil porque os cientistas usam isótopos como o cloro-36 para determinar as idades de amostras de gelo que estavam em grandes profundidade.

Apesar de radioativo e instável, uma baixa concentração desse isótopo é produzido naturalmente, quando o gás argônio reage com os raios cósmicos na atmosfera da Terra. Só relembrando: isótopos radioativos são versões de átomos que tem uma quantidade de nêutrons muito grande, que os desestabiliza. Eles liberam radiação para alcançar estados mais estáveis.

Para o estudo, os pesquisadores coletaram amostras de gelo de um poço de neve em Vostok, uma estação de pesquisa russa na Antártida Oriental que recebe pouca acumulação de neve, e de gelo do Talos Dome, uma grande cúpula de gelo a aproximadamente 1400 quilômetros de distância que recebe muita acumulação de neve todos os anos.

Os pesquisadores testaram a concentração de cloro-36 no gelo de ambos os locais, baseando-se em amostras recolhidas anteriormente nos locais. Os resultados foram claros: enquanto em Talos Dome a concentração diminuiu gradualmente ao longo do tempo, o gelo de Vostok apresentou níveis muito altos de cloro-36, com o topo da o poço de neve atingindo até 10 vezes a concentração natural esperada.

Isso sugere que o bloco de neve Vostok ainda está liberando cloro radioativo armazenados durante os testes nucleares das décadas de 1950 e 1960. Hoje, essa quantidade de radioatividade é muito pequena para afetar o meio ambiente, mas os resultados são surpreendentes porque os cientistas esperavam que as concentrações desse gás já tivessem normalizado. Os resultados dessa análise foram publicados no periódico Journal of Geophysical Research: AG Atmos.

*Por Ingrid Luisa

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*Fonte: superinteressante

Avião kamikaze: a história do Zero, o melhor caça da 2ª Guerra

De onde não se esperava nada, veio o Zero. Um caça leve, com alto poder de manobra e autonomia de voo, ele foi a maior surpresa do ataque japonês a Pearl Harbor em 1941. Os americanos, seus aliados e até seus inimigos ficaram bestas: como o Japão – isolado e atrasado – tinha conseguido fazer o melhor avião da Segunda Guerra? Ninguém ignorava que o Império do Sol Nascente era uma potência ascendente: começou o século 20 anexando Coreia e Taiwan, e agora atacava a China continental. O que poucos sabiam era que o Japão tinha tecnologia para produzir algo tão avançado.

Na verdade, o Mitsubishi A6M Zero era um ponto fora da curva. Assim como seu criador, Jiro Horikoshi. Pequenino, de rosto afilado e sempre de óculos, o engenheiro era conhecido pela paixão por aviões e pela inovação obsessiva. A maior bilheteria do Japão em 2013 foi uma animação inspirada na vida de Horikoshi: Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki, indicado ao Oscar – que o diretor venceu em 2002 com A Viagem de Chihiro. Além de sucesso, o filme criou polêmica: um inventor de aviões de guerra ter alma de artista?

Jiro nasceu em 1903, numa cidadezinha a 120 quilômetros de Tóquio, quando o Império do Japão estava em plena expansão pelo Pacífico. O menino sonhava em ser um ás da aviação, mas um severo problema de visão redirecionou o sonho: não queria mais pilotar, mas criar aviões.

Ele sempre foi um aluno obstinado: passava horas estudando, devorando livros e revistas, inclusive em idiomas estrangeiros. “Eu mergulhava em revistas que vinham repletas de histórias das batalhas aéreas e dos aviões da grande guerra da Europa”, escreveu Jiro Horikoshi em sua autobiografia (sintomaticamente, o título do livro desvia o foco do criador para a criação: Zero Fighter – o registro de seu nascimento e glória. Não se sabe quase nada sobre sua vida pessoal).

Depois da formatura, em 1927, Horikoshi entrou no braço da Mitsubishi no setor de aviação. As empresas japonesas disputavam a tapa os pedidos da Aeronáutica, principal cliente da época. Dois anos após a admissão, foi enviado para conhecer concorrentes pelo mundo. Nos EUA, decifrou os segredos da linha de montagem. Na Alemanha, foi estagiário no projeto de um cargueiro – que acabou servindo de base para um bombardeiro no Japão.

Enquanto os chefes celebravam a transferência tecnológica, Horikoshi comemorava outro discreto contrabando. Em sua bagagem estava o elemento fundamental dos aviões do futuro.

Rumo ao Zero

Duralumínio. Parece nome de marca de persiana, mas era uma liga metálica levíssima e hiperresistente, da qual poucos tinham ouvido falar em 1930, quando Horikoshi trouxe o material para o Japão. Numa época em que aviões ainda tinham peças de madeira e compensado, e sua fuselagem era coberta de tecido, fazer um avião todo de metal era o sonho de Horikoshi. Com o duralumínio, esse sonho se tornava possível.

A primeira parte desse sonho é uma aeronave que, na opinião dos especialistas, é aquela que melhor define o seu criador. O Mitsubishi A5M trazia as marcas do que ficou conhecido como “Design Horikoshi”: a fuselagem como uma peça única, do nariz até a cauda, que vai se afunilando; as asas dianteiras que surgem com a perfeição de uma pluma; o estabilizador vertical e a cauda que evoluem a partir de uma linha central. Foi um sucesso.

Até que surgiu uma nova encomenda: um avião ultraleve com artilharia pesada. Numa sociedade em que experiência é o maior cartão de visitas, é surpreendente que Jiro, com 37 anos, tenha sido escolhido para tocar o projeto. Ou nem tanto: “Os militares queriam alguém que pensasse diferente, que pudesse produzir algo completamente novo”, conta Shinji Suzuki, historiador do Departamento de Aeronáutica e Astronáutica do Japão. Horikoshi trabalhou incansavelmente no projeto durante dois anos. Virava noites na prancheta, ficou doente, de cama. Até que chegou o primeiro voo, em 1939. A nova máquina cumpria todos os requisitos: leveza, agilidade, alcance, poder. Era feita de zicral, uma evolução do duralumínio. E ganhou o nome de Mitsubishi A6M Zero, ou simplesmente Zero, referência ao ano de lançamento, 1940 – ou 2600 na contagem da Era Imperial.

A chegada do Zero garantiu ao Japão a conquista da China. “Com duas metralhadoras e dois canhões de 20 mm, os Zeros estavam mais bem armados que qualquer outro avião que os enfrentasse”, descreve Masatake Okumiya, ex-piloto da Marinha Imperial. Sua velocidade de 480 km/h permitia alcançar qualquer aeronave inimiga. Em dois meses e 22 ataques, o Japão venceu o conflito sem que nenhum dos 153 Zeros usados tivesse sido abatido.

Soberba e legado

As vitórias arrasadoras dos Zeros encorajaram as lideranças da Marinha Imperial Japonesa a dar um passo mais arriscado. “Nossa inteligência garantia que, na batalha, o Zero seria equivalente a cinco caças inimigos”, diz Okumiya. Foi com essa confiança que os japoneses escalaram a aeronave para liderar o famoso ataque a Pearl Harbor, que jogou os EUA na guerra.

Hoje há consenso de que os japoneses não esperavam vencer os americanos. A ideia era atacar primeiro para depois buscar uma saída diplomática. Só que a diplomacia nunca veio. “Fomos convencidos de que o conflito seria encerrado antes que a situação ficasse catastrófica para o Japão”, registrou Horikoshi em seu diário. “Agora, desprovidos de qualquer movimento firme do governo, estamos sendo conduzidos para a ruína. O Japão está sendo destruído.” Em 1945, os nazistas foram derrotados na Europa e os Estados Unidos se voltaram para o Pacífico – com novos e modernos aviões.

Quando as bombas atômicas caíram sobre Hiroshima e Nagazaki, a bela criação de Horikoshi já não cruzava os ares. Os últimos Zeros foram usados como munição nas missões suicidas dos tokkotai, conhecidos no Ocidente como kamikazes.

A derrota acabou com a indústria aeronáutica japonesa. Mas seus avanços foram parar em carros e até trens-bala. Numa época em que o Japão ainda engatinhava na tecnologia, a obsessão por inovação de Horikoshi, falecido em 1982, marcou. Se ele criou o maior símbolo de força do Japão Imperial, por outro lado, nunca foi entusiasta da guerra. Se depender da animação Vidas ao Vento, Jiro vai ser lembrado como um homem que, antes de qualquer coisa, só queria fazer um belo avião.

Vidas ao vento

Animação indicada ao Oscar gerou polêmica no JapãoVidas ao Vento, cinebiografia de Jiro Horikoshi, gerou polêmica. A animação foi atacada por historiadores (que criticaram a invenção de uma esposa para Jiro) e nacionalistas. As críticas de Miyazaki à guerra colocaram o diretor e seu novo filme sob o fogo de uma pequena mas barulhenta claque a favor da remilitarização do Japão. Curiosamente, na China e na Coreia do Sul, detratores acusam o diretor de fazer um filme de guerra. No meio do fogo cruzado, Miyazaki preferiu não responder às críticas. Ele só anunciou que, infelizmente, esse deve ser seu último filme.

*Por Roberto Maxwell

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*Fonte: revistasuperinteressante

Como a cerveja criou as civilizações

Até cerca de 12 mil anos atrás, os seres humanos viviam basicamente de frutas que caíam e dos bichos que caçavam. Por isso, eram chamados de caçadores-coletores. Isso mudou quando eles começaram a domesticar as primeiras plantas e criaram a agricultura. Ao manipular a natureza, não precisavam mais andar para cima e para baixo o tempo inteiro à procura de comida. Podiam se estabelecer, e nesses assentamentos surgiram as cidades. Com mais tempo livre, desenvolveram linguagens, ferramentas e tudo mais que evoluiria até hoje. Foi a chamada Revolução do Neolítico.

A evolução das religiões também seria uma consequência, já que quem não podia parar quieto em um lugar para viver não se daria o luxo de erguer um templo para chamar de seu. Mas um sítio arqueológico no sul da Turquia, perto da fronteira com a Síria, está questionando isso. Descoberto há duas décadas, Göbekli Tepe é um dos mais antigos templos de que se tem notícia, com pilares e altares de 11.600 anos. Em um cantinho desse templo, os arqueólogos acharam recipientes com resíduos microscópicos de gazelas e auroques, além de oxalato, um composto químico que indica a mistura de grãos e água. Em outras palavras, carne e cerveja, um belo de um churrasco em que esse álcool pré-histórico serviria para lubrificar o contato das pessoas com o plano espiritual (como outras bebidas e drogas fizeram e fazem em outras culturas).

 

 

 

 

 

Göbekli Tepe, Turquia (Divulgação/Divulgação)

Além disso, segundo os cientistas, a festança teria motivos pragmáticos: motivar a própria construção do templo. Os caçadores-coletores labutavam para trabalhar essas pedras de até 16 toneladas e seriam recompensados com a comilança – da mesma forma que você ajuda um amigo a pintar a casa dele e é pago em cerveja. Göbekli Tepe, concluíram os estudiosos, levou as pessoas a se estabelecerem na região para se congregar mais vezes (e aumentar o templo, consequentemente). Ou seja, a religião teria sido um dos motivadores para homens e mulheres se assentarem, e não uma consequência desse novo estilo de vida.

A segunda suspeita que o sítio sustenta é que não foi o pão que liderou a Revolução da Agricultura. Mas a cerveja. Uma das evidências mais antigas de grãos domesticados, um trigo chamado einkorn, foi encontrada a poucos quilômetros de Göbekli Tepe. Não há nada conclusivo, até porque o oxalato não garante que houve fermentação dos grãos (o que indicaria a produção de cerveja). Mas é bem possível. Por volta de 7.000 a.C., em Jiahu, na China, havia bebidas fermentadas de arroz, frutas e mel. Na mesma época, os habitantes da região passaram da fase caçador-coletor para a fazendeiro. Isso reforça a teoria da cerveja ser anterior ao pão, algo que começou a ser discutido já nos anos 1950. Se diferentes povos em lugares distantes uns dos outros têm experiências semelhantes, é porque, provavelmente, tem algo a mais nessa história. Pesquisas no México mostraram que o antepassado do milho usado lá servia muito bem para fazer cerveja, mas não para pão ou outras comidas.

Os humanos já conheciam o álcool obtido da fermentação natural. A chicha de batata, na América do Sul, e o vinho de palma, na África e na Ásia, têm cerca de 15 mil anos. Ao aprofundar esse conhecimento de produção de bebidas, e de como ela poderia deixar a vida menos difícil, faz sentido acreditar que a cerveja é tão antiga assim. O que seria mais útil para o florescimento das artes e das religiões? Pão? Acho que não.

“Primeiro a gente bebe, depois a gente vê”, teriam pensado nossos ancestrais. E aí a cerveja nos fez humanos.

*Por Felipe van Deursen

 

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*Fonte: superinteressante

12 mentiras da história que engolimos sem chiar

Imaginação e a épica maquiaram alguns dos episódios mais famosos. Falamos com historiadores e especialistas que desmentem essas tergiversações

O poder de persuasão de Hollywood, rumores que com o passar dos anos foram tomados por verdades absolutas e manipulações históricas com interesses políticos e econômicos fizeram com que muitos episódios da trajetória do ser humano tenham passado à história de maneira distorcida. A imaginação e a épica maquiaram alguns episódios da história ao longo dos anos e nós acreditamos naquilo que ao longo de nossa vida nos ensinaram os livros de texto, as obras de arte e o cinema, sem questionar. Falamos com historiadores e especialistas que nos ajudaram a desmentir doze dessas tergiversações.

Não, Walt Disney não está congelado

O que nos contaram. Que Walt Disney (1901-1966, EUA), criador do rato mais famoso do mundo e de um império de entretenimento infantil, está há 52 anos congelado como um filé de peixe esperando a chegada do momento em que os avanços científicos permitirão devolvê-lo à vida.

O que realmente aconteceu. “A única verdade é que esse homem se transformou em pó, literalmente. Em 1966, Disney foi reduzido a três quilos de cinzas três dias depois de sua morte por câncer de pulmão”, afirma a especialista Nieves Concostrina na seção Pretérito Imperfecto, em La Ventana, programa da rádio espanhola La Ser. “A história do congelamento foi uma balela desde o começo”, afirma. Por que então continuamos acreditando que está congelado? O fato de seu funeral ter sido íntimo não ajudou a acabar com os rumores. Muitos viram esse funeral como uma ação secreta em vez de algo íntimo. A família não desmentiu e não confirmou. Simplesmente deixou que o rumor sobre o congelamento de Disney crescesse para alimentar a lenda. Mas um dos grandes responsáveis por acreditarmos ainda hoje em sua criogenização foi Salvador Dalí. O pintor catalão, que acreditou na história do começo ao fim, disse publicamente que ele queria ser congelado como seu amigo Walt Disney. E o mundo deu como certo que, efetivamente, o criador de Mickey Mouse descansava em um congelador.
Apesar de a maioria acreditar que 52 anos após sua morte Walt Disney permanece congelado, a única verdade é que foi cremado em 1966
Apesar de a maioria acreditar que 52 anos após sua morte Walt Disney permanece congelado, a única verdade é que foi cremado em 1966 (Getty)
De acordo com os acadêmicos alemães Hans Kaufmann e Rita Wildegans, Gauguin cortou parte do lóbulo esquerdo de Van Gogh com uma espada. Na imagem, Kirk Douglas interpreta o pintor em ‘ Sede de Viver’ (1958)
De acordo com os acadêmicos alemães Hans Kaufmann e Rita Wildegans, Gauguin cortou parte do lóbulo esquerdo de Van Gogh com uma espada. Na imagem, Kirk Douglas interpreta o pintor em ‘ Sede de Viver’ (1958)

Van Gogh não arrancou a orelha

O que nos contaram. A história, repetida até a saturação, afirma que em 1888 o pintor holandês Vincent Van Gogh, em um momento de loucura após discutir com seu amigo, o também pintor Gauguin, arrancou com uma lâmina de barbear a orelha esquerda. Orelha que, mais tarde, envolta em um pedaço de pano, o autor de quadros tão famosos como A Noite Estrelada entregou a uma prostituta chamada Raquel.

O que realmente aconteceu. A verdade supera uma épica ficção que até mesmo deu nome a um grupo espanhol de música pop. De acordo com os acadêmicos alemães Hans Kaufmann e Rita Wildegans em uma reportagem da BBC publicada em 2009, foi Gauguin que, em plena discussão, cortou parte do lóbulo esquerdo de Van Gogh com uma espada. Para proteger seu (apesar de tudo) colega, Van Gogh contou à polícia a popular versão da autolesão. Ou seja, Van Gogh não ficou sem uma orelha – perdeu só uma parte do lóbulo – e não foi ele mesmo que se cortou por sua instabilidade mental.

A tumba de Tutancâmon não foi descoberta pelo menino da água

O que nos contaram. Em 1922, o arqueólogo Howard Carter – descobridor da tumba de Tutancâmon – contou durante uma palestra que deu nos EUA que o primeiro degrau da tumba foi encontrado por um menino egípcio que levava água aos trabalhadores da escavação. A partir desse momento o menino começou a ser conhecido como o menino da água.

O que realmente aconteceu. Por que Carter inventou esse menino? “Provavelmente para dar um toque romântico à história. Mas o descobridor não imaginava que isso acabaria saindo de seu controle e que, apesar da falta de provas, após sua palestra a notícia foi tomada como real. Hoje o menino da água aparece até mesmo em livros acadêmicos”, diz Nacho Ares, apresentador do programa de rádio Ser História. A família de Abd El Rassul, filho de um dos capatazes egípcios que trabalhava para Carter, aproveitou que a lenda do menino da água se espalhou para afirmar que Rassul era esse menino. “Existem dezenas de entrevistas desse homem falando da descoberta e jamais contou nada do menino da água e muito menos que fosse ele. Quando morreu, entretanto, seus filhos inventaram que seu pai era o menino da água. Hoje têm um restaurante em Luxor (Egito), e está repleto de entrevistas de seu pai em que ele só diz que foi a última testemunha viva da descoberta”, diz Ares.

A salada russa não é russa e a omelete francesa não vem da França

O que nos contaram. A lógica, implacável, nos fez acreditar que esses pratos cujos nomes fazem referência a certos pontos geográficos do planeta vinham desses lugares. Comíamos salada russa acreditando que sua origem vinha da terra de Sharapova, Irina Shayk e Leon Tolstói, entre outros russos ilustres; e pedíamos omelete francesa com a convicção de que sua história estava ligada à França. A lógica nos dizia que não podia ser de outra forma.

O que realmente é. Que a omelete francesa é tão francesa quanto os crepes congelados que você compra no supermercado. O sobrenome francês vem do assédio das tropas napoleônicas à cidade de Cádiz em 1810. A escassez de alimentos e de batatas para preparar a típica omelete espanhola fez com que as pessoas precisassem cozinhar o ovo batido sem condimentos. Com o passar dos anos essa omelete continuou sendo feita e chamada de “omelete dos franceses” em referência aos assediadores franceses. De modo que hoje essa omelete se chama omelete francesa. De acordo com o Institut Français, para os franceses a única omelete autóctone é a que leva queijo. Com a salada russa acontece algo parecido. É russa por obra e graça do acaso. Esse prato foi criado em 1860 por Lucien Olivier, um belga de origem francesa radicado em Moscou. O chef elaborou pela primeira vez essa receita no Hermitage, o restaurante dirigido por ele no centro da cidade russa. O furor que a salada causou fez com que ficasse popularmente conhecida por salada russa. Na Rússia, entretanto, se chama salada Olivier.

Se sabemos que a Terra gira em volta do Sol não é graças a Copérnico

O que nos contaram. Que Nicolau Copérnico, após um estudo exaustivo do movimento dos corpos terrestres, chegou à conclusão de que a Terra girava sobre seu eixo e que esta e o restante dos planetas giravam, por sua vez, em volta do Sol. E não ao contrário, como se acreditava até esse momento. Dessa forma criou a Teoria Heliocêntrica recebendo o ataque da Igreja, fiel defensora da teoria geocêntrica (isso é, que era o Sol – e o restante dos planetas – que giravam em torno da Terra). A Inquisição chegou a censurar a teoria de Copérnico, já que colocava em dúvida a onipotência de Deus, reafirmando a imobilidade da Terra.

O que realmente aconteceu. Foi o astrônomo e matemático grego Aristarco de Samos o primeiro a perceber que nosso planeta girava em torno do Sol. Assim o explicou no tratado De Revolutionibus Caelestibus mil anos antes de ser mencionado por Copérnico. “Aristarco de Samos viveu no século III antes de nossa era. Foi ele quem propôs o modelo heliocêntrico que dezoito séculos mais tarde Copérnico mencionou em sua obra”, diz o professor da Universidade Autônoma de Madri Javier Ordoñez. Apesar de Aristarco já a estudar no século III a.C., a Teoria Heliocêntrica não foi vista como uma teoria consistente até ser formulada por Copérnico no século XVI.

Não está claro que Cervantes fosse maneta

O que nos contaram. Que o autor de Dom Quixote perdeu a mão esquerda enquanto combatia na batalha de Lepanto, um dos confrontos navais mais sangrentos da história. A batalha ocorreu em 7 de outubro de 1571, no golfo de Lepanto. Lá se enfrentaram turcos otomanos e a coalizão cristã Liga Santa, integrada pelo Papa, a República de Veneza e a monarquia de Felipe II.

O que realmente aconteceu. Uma interpretação linguística errônea é a culpada de que Cervantes tenha passado à história como o maneta de Lepanto. No século XVII era considerado maneta não só quem havia perdido a mão e sim qualquer um que tivesse inutilizado um braço parcial ou totalmente. “Não se sabe realmente se Cervantes perdeu uma mão. É provável que só tenha perdido um dedo ou parte dela pelos disparos que recebeu durante a batalha de Lepanto”, diz ao ICON o historiador José Carlos Rueda Laffond.

A Espanha não é o país mais antigo da Europa

O que nos contaram. Que a Espanha é a nação mais antiga da Europa. Essa afirmação se transformou em um mantra de alguns partidos políticos conservadores. “A Espanha goza de ótima saúde, é a nação mais antiga da Europa”, disse Mariano Rajoy em março, quando ainda era primeiro-ministro do país.

O que realmente é. “[o ex-chefe do Governo espanhol, Mariano] Rajoy situa o nascimento do Estado espanhol na época dos Reis Católicos (final do século XV e início do XVI) e alimenta o mito de que em 1492 –com Isabel e Fernando, o fim da reconquista, a expulsão dos judeus e a descoberta da América– a Espanha foi fundada. Parece uma maravilhosa conjunção astral, mas é falsa. O casamento de Fernando e Isabel não implicou na fusão dos dois reinos. Mais do que isso, até o século XIX as coroas de Aragão e Castela tiveram moedas diferentes, afirma a este jornal José Carlos Rueda, professor de História Contemporânea da Universidade Complutense de Madri. Rueda diz que na Europa é impossível começar a falar em nações antes do século XIX. As declarações dadas por José Álvarez Junco, professor de História do Pensamento da Universidade Complutense, ao EL PAÍS coincidem com a teoria de Rueda. “Rajoy confunde os conceitos de nação e Estado e projeta seus próprios desejos no passado. O que define uma nação é um elemento subjetivo: grupos de indivíduos que acreditam compartilhar certas características culturais e vivem em um território que consideram próprio, enquanto os Estados modernos são estruturas político-administrativas que controlam um território e a população que o habita.” Segundo José Carlos Rueda, se tivermos que apontar alguma nação como a mais antiga da Europa, seria a França. “Com mil ressalvas, podemos considerar que a França tem uma estrutura estatal unificada mais antiga do que a Espanha (até o fim do século XVII, Monarquia Hispânica). O mesmo ocorre em relação aos seus limites fronteiriços. Ou sobre sua capital (Paris), que existe como tal desde a Idade Média. A unidade linguística também é historicamente muitíssimo mais intensa que na Espanha”, diz o historiador.

Júlio César nunca disse: “Até tu Brutus, meu filho”

O que nos contaram: No dia 15 de março de 44 antes de Cristo, um grupo de senadores, entre os quais estava Brutus (filho de Servília, amante de César, que sempre gozou da proteção e da simpatia de Júlio César), apunhalou o ditador romano até a morte. Momentos antes de morrer por causa dos graves ferimentos, Júlio César, que não podia acreditar na traição de Brutus, pronunciou uma das frases mais famosas da história: “Até tu Brutus, meu filho”.

O que realmente aconteceu. De fato, Júlio César foi apunhalado várias vezes nas escadarias do Senado romano. No entanto, nunca articulou a frase que o mundo se esforça em lhe atribuir. Por que então se acredita que essa foi a última coisa que disse antes de morrer? Provavelmente, o fato de Shakespeare tê-la reproduzido em sua obra Júlio César (que data de 1599) ajudou que o mundo o considerasse um fato histórico verídico. Por outro lado, Plutarco (que nasceu no ano 45 depois de Cristo) afirma em sua obra que César não disse tal coisa. Segundo o filósofo grego, a única coisa que o ditador fez antes de morrer foi cobrir a cabeça com a toga ao ver Brutus entre seus assassinos. “Ao ver Brutus com a espada desembainhada, colocou a roupa sobre a cabeça e se deixou golpear”, diz Plutarco no volume V de Vidas Paralelas. A frase se tornou hoje um símbolo que representa a traição máxima.

O Velcro não foi inventado pela NASA

O que nos contaram. Que esse sistema de adesão baseado em uma fita com pequenos ganchos de plástico e outra fita de fibras sintéticas que ficam unidas quando se juntam e se separam de uma só vez foi inventado pela NASA. O objetivo da agência do Governo dos EUA responsável pelo programa espacial civil era contornar a falta de gravidade no espaço oferecendo aos astronautas uma maneira simples e cômoda de colocar e tirar o traje espacial.

O que realmente aconteceu? O engenheiro suíço Georges de Mestral, que não tinha nada a ver com a NASA, criou o velcro em 1948 depois de passar um dia caçando no campo. Durante sua caminhada pela natureza, notou como as sementes das flores aderiam às suas roupas. Ao observá-las de perto com um microscópio, descobriu que suas pontas eram minúsculos ganchos, por isso era difícil retirá-las das roupas. Mestral decidiu inventar um sistema que reproduzisse o comportamento dessas sementes e criou as populares fitas adesivas que hoje fazem parte de dezenas de peças de vestuário e de quase todos os calçados infantis. Nos anos 60, a NASA decidiu incorporá-lo ao equipamento dos astronautas e o sistema começou a se popularizar. O repentino uso generalizado, tanto para fins domésticos quanto esportivos (os macacões de pilotos de corrida e de esquiadores o incorporaram), ajudou a difundir a crença de que os engenheiros da NASA eram os criadores do velcro.

Elvis pode ser o rei, mas não criou o rock

O que nos contaram. Nos livros didáticos, nas enciclopédias, em palestras, em artigos de imprensa… A frase pode ser lida e ouvida em muitos lugares: “Elvis Presley inventou o rock and roll”.

O que realmente aconteceu. “É uma teoria muito parcial essa que diz que Elvis inventou o rock, principalmente nos anos 50 e 60, quando a indústria do rock explodiu e havia muito dinheiro em jogo. Elvis era branco, bonito, patriota, de origem humilde… em outras palavras, o sonho americano feito carne. Ele era o único que podia convencer os pais a comprar essa música do diabo aos filhos, além das poderosas emissoras de rádio e televisão. Elvis era uma marca branca de algo muito satânico, como o rock and roll. Mas não, o rock, como quase todos os gêneros musicais duradouros, foi inventado pelos afro-americanos. Músicos negros como Joe Turner e sua Shake, Rattle and Roll, Lloyd Price com Lawdy Miss Clawdy, Fats Domino com The Fat Man ou a grande Big Mama Thornton e sua Hound Dog (que logo Elvis gravaria). Anos mais tarde chegariam Chuck Berry, Little Richards e Elvis. O que fez Elvis em 1954 com sua canção That’s All Right foi popularizar o rock and roll e levá-lo a todos os lugares, o que não é pouco”, explica o crítico de música Carlos Marcos.

Os imperadores romanos não condenavam os gladiadores à morte baixando o dedo

O que nos contaram. Vimos Joaquin Phoenix (no papel do imperador Cômodo) fazer esse gesto no oscarizado Gladiador (Riddley Scott, 2000) e o tomamos como verdade absoluta. Por seu lado, livros, quadros, o cinema e a televisão se encarregaram de alimentar a lenda fazendo o espectador acreditar que quando um imperador baixava o polegar no circo romano o que estava fazendo era condenar à morte o gladiador que estivesse em desvantagem na arena.

O que realmente aconteceu. Todo o contrário do que o cinema nos mostrou. Se o imperador levantava o polegar, estava incitando o gladiador vitorioso a matar o gladiador derrotado. Quando o imperador queria salvar a vida do gladiador, introduzia o polegar no punho fechado da mão oposta. “Acreditar que os imperadores condenavam à morte baixando o polegar é um erro que nos transmitiram via Hollywood. Realmente a sentença de morte se dava quando o imperador romano levantava o polegar para cima”, explica a historiadora María F. Canet.

Os signos do zodíaco não são 12

O que nos disseram. Que os signos do zodíaco –as constelações zodiacais que a linha imaginária que une o nosso planeta ao Sol aponta ao longo de um ano– são doze. E que todos nós, dependendo do mês de nosso nascimento, temos um que define nossa personalidade e até nosso destino.

O que realmente é. Há 3.000 anos, a civilização da Babilônia dividiu o zodíaco em doze partes, atribuindo uma constelação a cada uma delas. Conscientes de que a divisão zodiacal não resultava em doze partes exatas, elas a adaptaram para obter um calendário prático. Sabiam que havia uma décima terceira constelação chamada Ofiúco e a excluíram deliberadamente. Em 2016, a NASA fez cálculos e explicou que o eixo da Terra nem sequer aponta na mesma direção de 3.000 anos atrás. Atualmente, a linha imaginária entre a Terra e o Sol aponta para Virgem durante 45 dias e apenas 7 para Escorpião. Ou seja, quem faz aniversário em 25 de março seu signo do zodíaco era Áries até agora, mas os novos cálculos da NASA revelam que hoje seria Peixes.

*Por Sara Navas

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*Fonte: elpais

7 maiores mitos sobre castelos que você aprendeu com os filmes

Os castelos começaram a ser construídos por volta do ano de 800. Os primeiros castelos eram estruturas de madeira, protegidas por paliçadas. A madeira foi sendo substituída por pedras somente mais tarde. A mudança ocorreu no fim do Império Romano. Com as crescentes invasões nórdicas, vieram os muros de pedras e rochas, erguidas sobre ruínas de construções e fortificações romanas. As fortificações localizavam-se sempre na parte mais alta do terreno. Geralmente, sempre no topo das maiores colinas. O motivo? Facilitar a vigilância.

Os muros cresceram, passaram a ter enormes muralhas, onde os cavaleiros e soldados podiam circular em caso de ataque. Além de servir como defesa, os castelos também aumentavam a autoridade do senhor feudal sobre seu feudo.

Muitos de nós pensamos nessas famosas fortificações como lugares obscuros, cinzentos e frios. Claro, é o que vemos nos filmes e nas séries, não é verdade? Porém, nem tudo que ocorre nas produções audiovisuais deve ser considerado como verdade absoluta. Por isso, separamos aqui, uma lista super interessante sobre essas incríveis construções.

1 – Ali não vivia um grande exército

Quando pensamos em castelos, os imaginamos como prédios militares. Os vemos como locais fortemente vigiados. Mas não é bem assim. Um castelo não era, assim, tão bem vigiado como pensamos. Nos tempos medievais, os castelos, que eram mais bem defendidos, eram os que ficavam ao longo das fronteiras. Mesmo assim, esses castelos raramente tinham mais de 200 oficiais para defendê-los.

2 – O grande salão não era utilizado somente para festas

Outro motivo pelo qual os castelos costumavam ter oficiais, era porque simplesmente não havia espaço suficiente para abrigá-los. Os soldados e funcionários, que viviam em um castelo, geralmente, dormiam no grande salão. O senhor feudal e sua família dormiam ali também. Por serem donos, dormiam separados, em um grande cama, que era separada do ambiente por apenas uma cortina. Por esse motivo, o grande salão não era um local exclusivo para banquetes. Era também o centro da vida do castelo. Era também o lugar onde os conselhos eram realizados. Foi somente depois, que os castelos passaram a ter um conjunto de aposentos privados para o senhor e sua família.

3 – Os castelos eram dos cavaleiros

Muitos castelos eram propriedade da Coroa. Particularmente em áreas de importância estratégica, os castelos eram usados ??como instalações militares. Essa era a melhor maneira que o rei tinha para garantir sua proteção.

4 – Lordes tinham permissão para construí-los

Qualquer proprietário de terras que decidisse construir um castelo, de repente, passava a ser visto para o monarca como ameaça. Por causa disso, a Coroa decidiu que aquele que tivessem interesse em fortificar uma residência, precisaria de uma necessária Licença para Crenellate. Geralmente, somente os lordes possuíam.

5 – Masmorras

Uma das características mais aterrorizantes de um castelo medieval é a presença da masmorra. No entanto, nas masmorras, ficavam detidos apenas aqueles que tinham dinheiro. Ricos, capturados em tempos de guerra, que precisavam ser mantidos como reféns, iam direto para lá. Por quê? Porque era a sala mais difícil de escapar.

6 – Os primeiros castelos foram feitos com madeiras

Os castelos que sobreviveram são feitos de pedra, claro. No entanto, os primeiros foram feitos com madeiras. Quem começou esse tipo de construção, foram os proprietários de terras mais pobres. O castelo de madeira era a solução mais prática, rápida e barata de se construir. E ofereciam semelhante segurança.

7 – Fortificações frias

A pedra era um bom isolante térmico. Os castelos, como eram construídos nas partes mais altas das terras, eram alvos de ventos fortes. Por isso, a maioria tinha grandes lareiras.

*Por Arthur Porto

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*Fonte: fatosdesconhecidos

Por que Santos Dumont não é reconhecido no exterior?

Esta é uma questão que gera debates bizantinos – mas só no Brasil. Para o resto do planeta, os irmãos Orvile e Wilbur Wright, americanos, inventaram o avião. Sim, inclusive a França.

Estamos sendo injustiçados pelo resto do planeta? Ou será um caso de verdade alternativa nacional – mais ou menos, guardadas as devidas diferenças, como na Turquia, único lugar do mundo onde o genocídio armênio não aconteceu?

Vejamos. Os que acusam a humanidade não brasileira de incurável estupidez costumam reduzir a disputa entre dois voos. Em 12 de novembro de 1906, em Paris, o 14-Bis voou 220 m em 21,5 segundos. Em 17 de dezembro de 1903, na Carolina do Norte, o Flyer I teria voado 260 m em 59 segundos.

 

 

 

 

Mesmo se fosse uma farsa o voo do Flyer – por razão da forma da decolagem -, a verdade é que ambos os voos não são tão importantes assim: os aparelhos voaram em linha reta, a baixa altitude e curta distância. Enfim, foram apenas testes bem-sucedidos de protótipos.

E, nisso de protótipo, já em 1890 o francês Clément Ader deu um pulinho de 50 m a 20 cm do chão, com uma máquina motorizada. E o alemão Otto Lilenthal fez mais de 2 mil voos com seu planador. E esses são apenas dois dos muitos candidatos a primeiros humanos a voar: os turcos afirmam que Hezârfen Ahmed Çelebi voou por mais de 3 km através do Estreito do Bósforo no século 17.

Mas um avião não é uma máquina que voa em linha reta. É um aparelho cujo voo é (e necessariamente tem de ser) controlado: ele sobe, desce, faz curvas, permanece no ar enquanto o piloto quiser ou o combustível durar. Nem o 14-Bis, nem o Flyer I, nem nada que veio antes foram capazes disso.

Primeiro avião de verdade

O mérito real dos irmãos Wright não foi o Flyer I, mas o Flyer III. Em 5 de outubro de 1905, Wilbur voou por 39 longos minutos e 38,5 km, com diversas voltas sobre um campo em Dayton, Ohio. Isso foi antes do 14-Bis, mas aí a coisa já está muito além de uma prioridade em voos de protótipos – o que o Flyer III marca é a construção do primeiro avião de verdade, capaz de voo controlado.

 

 

 

Como a demonstração não foi pública (ainda que fotografada e com testemunhas), os Wright ganharam fama de picaretas. Para desfazer dúvidas, em maio de 1908, Wilbur levou seu avião à França, onde fez mais de 200 voos de demonstração, o maior deles de quase duas horas. Os europeus se curvaram aos irmãos Wright e a FAI (Féderation Aéronautique Internationale) tomou a taça de Dumont. Em 2003, a instituição celebrou os 100 anos do Flyer I na França.

Mesmo se você acha que os irmãos Wright tiraram o Flyer III do bolso do casaco em 1908, que 1903 e 1905 são farsas, é impossível negar que o Flyer III foi o primeiro avião de verdade, enquanto o 14-Bis foi um dos últimos protótipos.

Mas há um prêmio de consolação – ou talvez até bem mais. Dumont não criou o primeiro avião real, mas criou o segundo – e esse talvez seja mais importante que o primeiro. Porque o Flyer não deu em nada: os Irmãos Wright passaram o resto da vida em disputas (eventualmente perdidas) de patentes, tentando evitar que os outros fizessem aviões sem pagar royalties para eles.

 

O Demoiselle de Dumont foi o primeiro avião a ser produzido em massa, com mais de 100 unidades criadas por entusiastas em todo o mundo. Era totalmente copyleft – o brasileiro fez questão de não patentear nada. E isso foi um imenso impulso à aviação, que se desenvolveu mais rapidamente na Europa, sem os entraves criados pelos Wright.

Dumont, assim, não inventou o (primeiro) avião, mas talvez mereça mesmo ser chamado de Pai da Aviação.

*Por Fábio Marton

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*Fonte: aventurasnahistoria

Como David Bowie criou o astronauta trágico Major Tom e mudou sua carreira com a música “Space Oddity”

Nove dias depois da Apollo 11 realizar um pouso bem-sucedido na Lua, em 20 de julho de 1969, David Bowie lançava também seu primeiro grande hit, com o qual estreava nas paradas britânicas. No dia 10 daquele mesmo, na despedida da década de 1960 e tudo o que ela representava, um homem dentro da cultura pop já olhava para o espaço de outra maneira.

Há 50 anos, em 11 de julho de 1969, Bowie dava vida a Major Tom em “Space Oddity”, canção do seu segundo disco, lançado em novembro daquele ano com o nome David Bowie (anos mais tarde, seria repaginado sob nome de Space Oddity devido ao sucesso comercial da faixa, a primeira do álbum).

Existe uma clara conexão mercadológica entre a corrida espacial e a data de lançamento de “Space Oddity”, obviamente. Fazia sentido que David Bowie, em sua corrida pela fama como artista (fosse como músico ou ator) naquele início de carreira, acertasse o timing dessa faixa. Mas não foram as seguidas missões da NASA responsáveis por inspirar Bowie a olhar para as estrelas.

Para entender o que Bowie quis fazer com “Space Oddity” e a triste e melancólica odisseia do Major Tom na canção, é preciso voltar no tempo. David era um jovem aspirante a artista que largou o ensino médio para se desenvolver como performer.

Ele ainda era conhecido pelo nome de Davy Jones e se juntou a alguns outros grupos, como King Bees, Manish Boys e The Lower Third, sem obter muito sucesso. Em 1966, contudo, ele descobriu que um outro Davy Jones estava fazendo sucesso como integrante do The Monkees e decidiu sair em carreira solo, com o nome de David Bowie.

Dois anos antes de “Space Oddity”, Bowie lançou um disco de estreia, que levava no título a nova persona artística, pela Deram Records, uma subsidiária da grande Decca Records, embora sem muito sucesso.

Foi quando ele conheceu Angela, sua futura esposa. Ela, na ocasião, era namorada de um olheiro da Mercury Records que recusou trabalhar com Bowie. Angela usou sua influência e conseguiu um contrato para o futuro marido. Em alguns meses, ele havia gravado “Space Oddity”.

“Nós nunca nos sufocamos”, contou Bowie à Rolling Stone, anos depois. “Não, eu não acho que nos apaixonamos. Eu nunca estive apaixonado, graças a Deus. O amor é uma doença que gera ciúmes, ansiedade e raiva brutal. Tudo menos amor. É um pouco como o cristianismo. Isso nunca aconteceu comigo e com Angie. Ela é uma garota incrivelmente agradável para se voltar e, para mim, sempre será. Quer dizer, não tem ninguém … eu sou muito exigente às vezes. Não fisicamente, mas mentalmente. Eu sou muito intenso sobre qualquer coisa que faço. Eu afasto a maioria das pessoas com quem vivi. ”

Inspiração em Stanley Kubrick

Os relatos contam que Bowie passou os anos 1960 desesperadamente tentando se tornar um músico famoso. Era uma década na qual a música psicodélica tomava forma e Bowie tentou se juntar à onda, até lançando a música “The Laughing Gnome” (cujo título em tradução livre pode ser “O gnomo risonho”.

Foi quando, com o contrato com a Mercury Records, ele conheceu Gus Dudgeon, produtor de Elton John, e gravou “Space Oddity”, a canção hit que ele tanto buscava.

A balada folk sobre o personagem imaginário Major Tom que encontra um fim trágico no espaço sideral teve seu lançamento apressado pela gravadora para coincidir com a chegada da Apollo 11 na Lua. A emissora britânica BBC tocou a canção durante a cobertura do acontecimento histórico, o que gerou uma popularidade nacional para Bowie.

“Na Inglaterra, sempre presumiram que essa música foi escrita sobre a chegada da humanidade à Lua, porque a música saiu quase simultaneamente, mas na verdade, não foi isso”, ele contou à Performing Songwriter, certa vez.

“Eu escrevi porque fui assistir a 2001: Uma Odisseia no Espaço e achei maravilhoso. Eu estava meio fora de mim, fiquei muito chapado e então fui assisti-lo várias vezes seguidas. Foi uma revelação. Isso fez a música fluir.”

Bowie, inclusive, tirava sarro do fato da música ser usada na trilha sonora da cobertura do pouso da Apollo 11, já que o final de Major Tom, na canção, é extremamente trágico. “Tenho certeza de que eles não estavam ouvindo a letra”, disse ele, “Mas, claro, fiquei muito feliz que eles usaram a música.”

A história de Major Tom

Há algo de fascinante na narrativa de Bowie em “Space Oddity”. Havia espaço, na música pop, para canções com construções mais literárias. Entre o folk e o espacial, Bowie criou Major Tom como o protagonista solitário dessa viagem espacial. Do início, ainda em solo, até seu fim, quando tenta voltar à órbita terrestre e vê sua espaçonave falhar.

Major Tom tem apenas uma conexão com o mundo terrestre, é a segunda voz da canção, quem conversa com ele por rádio, o “ground control”, ou “controle terrestre”. É essa segunda voz que avisa Tom sobre o sucesso que ele se tornou ao alcançar o espaço: “Os jornais querem saber quais roupas você usa”, diz ela.

Tom decide deixar a cápsula espacial. Major Tom vive um momento existencialista ao se desconectar e flutuar pelo espaço, é quando a canção entra em um momento mais trágico. Tom percebe a sua e a nossa insignificância diante de um universo tão vasto.

“Diga a minha esposa que eu a amo muito”, diz ele, “ela sabe”, grita a voz do outro lado da linha. É a despedida de Major Tom, que, ao final da canção, de pouco mais de 5 minutos, segue em um flutuar sem rumo pelo espaço sideral.

Especialistas em David Bowie constantemente relacionam o personagem à própria personalidade de Bowie, uma imagem da própria desconexão do artista com relação ao restante do mundo.

Foi o seu primeiro sucesso, também, algo que ele almejou por aqueles anos todos de Davy Jones. É um momento interessante e metafórico na carreira e vida artísitca de Bowie. A partir daí, ele não foi mais um tipo só.

Talvez Major Tom fosse essa primeira – e mais autêntica – personalidade daquele depois conhecido por Camaleão do Rock. Bowie deixou-o flutuar para ser quem ele quisesse nos anos seguintes, como o Ziggy Stardust, Thin White Duke, dois dos seus personagens mais célebres, até a Blackstar, a estrela extinta, do seu último disco em vida, lançado dois dias antes da sua morte, em 10 de janeiro de 2016.

O fim de Major Tom

O próprio David Bowie chegou a interpretar o personagem Major Tom em um vídeo promocional de pouco menos de 30 minutos chamado Love You Till Tuesday. O média-metragem, que pode ser encontrado na internet, mostra Bowie interpretando várias das suas músicas lançadas até 1969, como uma forma de divulgar seu catálogo criado até ali e suas habilidades.

Mesmo depois de “Space Oddity”, contudo, Bowie não deixou o personagem ir embora. De tal forma, 11 anos depois, em “Ashes to Ashes”, outro sucesso estrondoso do músico inglês, trouxe Major Tom de volta.

Se em “Space Oddity”, o personagem se desligou da humanidade para flutuar pelo espaço, em uma metáfora à visão do mundo de Bowie, em “Ashes to Ashes”, do disco Scary Monsters (And Super Creeps), de 1980, Major Tom volta como um “junkie”, um viciado em heroína.

O próprio Bowie havia passado por um momento de crise com o vício em drogas no início dos anos 1970, o que o levou a “fugir” para Berlim, no final daquela década, e onde ele gravou uma tríade respeitadíssima de discos – Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979).

Scary Monsters (And Super Creeps), portanto, vem depois desse período de tentativa de desintoxicação em solo alemão. “Ashes to Ashes” colocou Major Tom e Bowie, inclusive, no topo das paradas de mais tocadas do Reino Unido na época.

De forma direta ou indiretamente, Major Tom esteve presente em outras canções de Bowie, como em “Hallo Spaceboy”, do disco Outside, embora o nome do personagem não seja exatamente citado.

Na música “Blackstar”, responsável por dar nome ao último álbum de Bowie, de 2016, parece que finalmente descobrimos o que aconteceu com o personagem. Um astronauta morto é descrito na narrativa, seu esqueleto é levado por uma alienígena. “Para mim, aquele era 100% o Major Tom”, chegou a dizer Johan Renck, diretor do clipe da música, em um documentário da BBC.

*Por Pedro Antunes

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*Fonte: rollingstone

12 mulheres mais importantes da Ciência

Há muitas mulheres que ajudaram muito a ciência, mesmo que elas no passado não tenham tido as mesmas oportunidades dos homens para entrar nesses segmentos, algumas conseguiram não somente atuar como cientistas, como ainda se destacaram na história da tecnologia.

1 – Ada Lovelace
Filha do poeta ícone do romantismo, Lord Byron. Ele abandonou Ada e sua mãe, quando a menina nasceu, pois ele não queria uma filha e sim um filho. Ela aprendeu com sua mãe a matemática desde de muito nova, ela não queria que Ada desenvolvesse a “insanidade” do pai.

Ada é conhecida por ser a primeira programadora do mundo por sua pesquisa em motores analíticos – a ferramenta que baseou a invenção dos primeiros computadores. Suas observações sobre os motores são os primeiros algoritmos conhecidos.

2 – Marie Curie
Conhecida como a “mãe da Física Moderna”. Marie Curie é famosa por sua pesquisa pioneira sobre a radioatividade, pela descoberta dos elementos polônio e rádio e por conseguir isolar isótopos destes elementos. Foi a primeira mulher a ganhar um Nobel e a primeira pessoa a ser laureada duas vezes com o prêmio: a primeira vez em Química, em 1903, e a segunda em física, em 1911.

3 – Edith Clarke
Edith Clarke inicialmente se graduou em matemática e astronomia (1908), onde lecionou matemática por 3 anos. Mas sua paixão pelas exatas fez com que em 1911, se matriculasse em engenharia mecânica na Universidade de Wisconsin em Nova York.

Ela foi a primeira mulher a ganhar um diploma nessa área no MIT. Após sua formação, Clarke trabalhou como engenheira da General Electric, onde desenvolveu uma “calculadora gráfica”. Este dispositivo foi usado para resolver problemas da linha de transmissão de energia elétrica.

4 – Hipátia de Alexandria
Foi a primeira mulher a realizar uma grande contribuição no desenvolvimento da matemática. Ela é essencial nessa lista por ser uma precursora feminina na ciência. Ela nasceu no ano 370, na Alexandria (Egito) e faleceu em 416, quando suas pesquisas em filosofia, física e astronomia foram consideradas como uma heresia por um grupo de cristãos. Devido a isso foi assassinada brutalmente. Desde então, Hipátia foi considerada um símbolo da ciência contra a irracionalidade da religião.

5 – Maria Gaetana Agnesi
A matemática espanhola descobriu uma solução para equações que, até hoje, é usada. É ela a autora do primeiro livro de álgebra escrito por uma mulher. Também foi a primeira a ser convidada para ser professora de matemática em uma universidade.

6 – Florence Sabin
Florence é conhecida como “a primeira-dama da ciência americana” – ela estudou os sistemas linfático e imunológico do corpo humano. Tornou-se a primeira mulher a ganhar uma cadeira na Academia Nacional de Ciência dos EUA e, além disso, militava pelo direito de igualdade das mulheres.

7 – Marie-Sophie Germain
Foi uma estudiosa da matemática nascida em 1776 que, na época da Revolução Francesa, ficou confinada em casa, começou a ler os livros de seu pai sobre matemática e se apaixonou pelos números.

Ela teve que convencer seus pais para continuar seus estudos, pois naquela época matemática não era para mulheres. Sozinha, contribuiu com a teoria da elasticidade e com a resolução do Último Teorema de Fermat, desenvolvido por Pierre Fermat em 1637, mas que só foi aprovado em 1993 com o nome de “Números Primos de Sophie Germain”.

8 – Amalie Emmy Noether
Pode ser considerada a mulher mais importante na história da matemática, até Einstein a considerava. Ela foi muito importante para o desenvolvimento da física teoria e a álgebra abstrata. Ao longo de sua vida, realizou aproximadamente 40 publicações de grande relevância para a ciência.

9 – Rosalinda Franklin
Nasceu em 1920 em Londres e morreu em 1958, foi biofísica e cristalógrafa, com participação crucial na compreensão da estrutura do DNA. Graças a seus estudos, foi possível observar a estrutura do DNA mediante imagens conseguidas através de Raio X e não foi reconhecida por suas descobertas.

10 – Gertrude Belle Elion
A americana criou medicações para suavizar sintomas de doenças como Aids, leucemia e herpes, usando métodos inovadores de pesquisa – seus remédios matavam ou inibiam a produção de patógenos, sem causar danos às células contaminadas. Ganhou o prêmio Nobel de medicina em 1988.

11 – Elizabeth Arden
A enfermeira começou sua carreira criando cremes para queimaduras em sua própria cozinha, usando leite e gordura. Logo, passou a buscar a receita do creme hidratante perfeito. E assim nascia a Elizabeth Arden, uma das mais valiosas empresas de cosméticos da atualidade.

12 – Hildegard de Bingen
Hildegard de Bingen escreveu livros sobre botânica e medicina. Suas habilidades de médica eram conhecidas e frequentemente confundidas com milagres. Seus feitos se tornaram tão famosos que um asteroide foi batizado em sua homenagem: o 898 Hildegard.

*Por Any Karolyne Galdino

 

 

 

Gertrude Belle Elion, Marie Curie, Ada Lovelace e Edith Clarke

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*Fonte: engenhariae

Ruínas da Guerra Fria revelam áreas nucleares secretas na Polônia

Durante a década de 1960, o conflito político e ideológico entre União Soviética e Estados Unidos atingiu seu ápice quando mísseis com capacidade nuclear foram instalados em Cuba: entre os dias 16 e 28 de outubro de 1962, o mundo sofreu a possibilidade real de enfrentar uma guerra com armas de destruição em massa.

As negociações conduzidas pelos líderes das duas potências que amenizaram a tensão de um conflito, entretanto, não impediram que norte-americanos e soviéticos proseguissem com seus planos de expandir seu arsenal nuclear e instalar mísseis estratégicos em diferentes partes do planeta.

Após a dissolução da União Soviética, em 1991, e a queda dos governos liderados pelos Partidos Comunistas no Leste Europeu, muitas instalações militares foram abandonadas e suas ruínas ficaram como testemunhas silenciosas dos anos de Guerra Fria. Para resgatar essa memória, o arqueólogo polonês Grzegorz Kiarszys realizou uma investigação em antigas bases soviéticas instaladas na Polônia e descobriu que o Exército Vermelho operava diferentes abrigos que tinham capacidade para realizar ataques com mísseis nucleares.

Antigo território que fazia parte do Império Russo, a Polônia conquistou sua independência após a Primeira Guerra Mundial, em 1918. Com o avanço do nazismo na Alemanha a partir da década de 1930, entretanto, os poloneses viram seu país ser invadido pelas tropas de Adolf Hitler em 1º de setembro de 1939, dando início à Segunda Guerra Mundial. Semanas após o início do conflito, os soviéticos também ingressaram no território polonês e realizaram sua definitiva ocupação em 1945, após a vitória do Exército Vermelho contra o nazismo.

Com um governo pró-soviético instalado após a Segunda Guerra Mundial, a Polônia foi uma das signatárias do Pacto de Varsóvia — assinada em 1955 pelos países liderados por Partidos Comunistas do Leste Europeu, o tratado estabelecia cooperação militar sob a liderança da União Soviética. Situada no centro da Europa, a Polônia tinha uma localização estratégica e era considerada essencial para a realização de operações militares no caso de uma guerra entre os soviéticos e os países da Europa Ocidental e dos Estados Unidos.

Por conta disso, os soviéticos instalaram diferentes fortificações secretas ao longo do território polonês: oficialmente, os comissários militares políticos de Moscou afirmavam que essas instalações eram “centros de comunicações” e negavam que armas nucleares transitavam pela Polônia. O trabalho de pesquisadores da atualidade, no entanto, diz o contrário: Grzegorz Kiarszys, professor do Instituto de História e de Relações Internacionais da Polônia, realizou um trabalho de investigação de três fortificações soviéticas a partir da análise prévia de imagens de satélite e de documentos da época que ficaram disponíveis para a consulta.

Ao inspecionar essas instalações, o arqueólogo observou que os locais foram construídos para abrigarem ogivas nucleares de ataque rápido: de acordo com Kiarszys, os mísseis seriam utilizados no caso de um ataque vindo da Dinamarca ou da Alemanha Ocidental. A Polônia ajudou a financiar as instalações e após a conclusão do trabalho, em 1969, transferiu a administração da operação dessas fortificações para o Exército Vermelho.

Ao utilizar ferramentas que realizam a detecção de radiação nesses locais, o pesquisador afirmou que nenhum tipo de contaminação foi detectada. Isso indicaria um alto nível de padrão de segurança ou então que os mísseis não chegaram a ser instalados pelos soviéticos. Caso as ogivas de fato estiveram armazenadas na fortificação, não é possível saber seu destino após o final da União Soviética: assim como os arquivos norte-americanos, boa parte dos documentos soviéticos do período ainda não foram revelados para o público.

 

 

 

 

 

 

 

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*Fonte: revistagalileu