5 coisas que você não sabia sobre ‘O Pequeno Príncipe’

Muito já foi dito sobre Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe. Conheça alguns fatos curiosos sobre a vida dele e os trabalhos que produziu:

1. Saint-Exupéry jamais ficava satisfeito com o que escrevia. A célebre frase “On ne voit bien qu’avec le cœur. L’essentiel est invisible pour les yeux”, que pode ser traduzida como “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”, foi reescrita mais de dez vezes antes de alcançar sua forma final. Os manuscritos originais de O Pequeno Príncipe foram editados pelo próprio autor incontáveis vezes. No processo, páginas inteiras foram concentradas em uma única frase, reduzindo a obra a metade de seu tamanho original.

2. O autor costumava trabalhar na madrugada, e acordava seus amigos sem constrangimento para pedir conselhos e sugestões sobre as passagens mais difíceis. Era comum que começasse a trabalhar às duas da manha e fosse dormir no nascer do sol, quando sua secretária chegava e digitava seu trabalho com ele dormindo no sofá. Ele adorava receber amigos nas refeições, mas era comum que os convidados chegassem à uma da tarde à sua casa e precisassem acordar o anfitrião exausto.

3. Saint-Exupéry era aviador, e morreu servindo a força aérea francesa no final da Segunda Guerra Mundial . Decolou da da ilha da Córsega, às 8h45 do dia 31 de julho de 1944, para uma missão de reconhecimento sobre o território francês ocupado pelo exército nazista. Ele coletava informações para preparar um desembarque dos aliados em Provença. Seu avião foi abatido pelo piloto alemão Horst Rippert, que admitiu, arrependido, aos 88 anos, ser o autor dos disparos. Os destroços do caça P-38 foram encontrados só 60 anos depois da data de seu desaparecimento, no litoral da Marselha. A insígnia do esquadrão de reconhecimento GR I/33, um dos quais o autor fez parte, leva uma ilustração do Pequeno Príncipe em sua insígnia, e hoje é operado com drones.

4. A primeira tradução brasileira de O Pequeno Príncipe foi feita pelo monge beneditino Dom Marcos Barbosa em 1954, e publicada pela Editora Agir. Durante 60 anos ela foi a única disponível no mercado, e eternizou uma interpretação questionável. Na frase “Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé” , traduzida como “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, a palavra apprivoisé não significa cativar na acepção mais delicada e emocional da palavra, mas sim algo como “domesticar” ou “domar”, como se faz com um bicho de estimação.

5. O Pequeno Príncipe foi traduzido para uma série de línguas inusitadas. Uma delas foi o Toba, um idioma indígena do norte da Argentina que até então só possuía uma tradução do Novo Testamento da Bíblia. Outra versão curiosa é em Latim. Até o Esperanto, idioma artificial criado com a intenção de ser uma língua franca internacional, ganhou sua versão. Há 47 traduções coreanas para a obra, e mais de 50 versões chinesas. Essa imensa variedade de versões torna o livro um objeto frutífero para estudos tradutórios comparativos.

*Com supervisão de Isabela Moreira
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*Fonte: revistagalileu

8 frases incríveis de Bob Dylan para explodir seu cérebro

A única pessoa do mundo que foi premiada com um Oscar, um Grammy, o Globo de Ouro, o pulitzer e o Nobel, Bob Dylan é considerado por muitos, e por mim, o compositor mais importante dos tempos modernos. E por mais que receber alguns desses prêmios não queira dizer muita coisa, ser a única pessoa do mundo a receber todos eles tem lá sua importância.

Mas, independentemente disso, muito antes de receber essa coleção de prêmios, Bob Dylan já impactava a vida de milhões de pessoas com as suas músicas e a mensagem que ele passava pelas suas letras.

Quase nada que Bob Dylan diz é preto no branco ou tem uma interpretação
exatamente definida. Ele sempre fez questão de não explicar o significado das letras para a imprensa e, quando possível, confundir ainda mais.

Mas já vamos entender isso melhor com oito frase geniais que vão: ou mudar a sua vida, ou explodir a sua cabeça ou… se você tiver sorte, os dois.

  1. Não existe sucesso como fracasso e o fracasso não é sucesso de forma alguma.

Hoje em dia uma das dicas mais propagadas , seja por escritores,
empreendedores ou qualquer um que tenha alcançado o sucesso é que ninguém chega lá sem fracassar várias e várias vezes, mas nessa frase Bob Dylan nos lembra do que a maioria se esquece de dizer: fracassar em si não é sucesso de forma alguma. Só quando aprendemos com o fracasso é que seguimos em direção ao sucesso.

A definição de insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar
resultados diferentes , mas tem mais: essa frase do Bob Dylan vai alem, vivemos numa sociedade que valoriza o fracasso, onde ter sucesso é condenável. Independentemente da forma como esse sucesso se manifesta, as pessoas têm vergonha de mostrar o que alcançaram, se orgulham de ter pouco dinheiro, poucas conquistas, etc, e a população no geral apoia esse comportamento.
Vamos pensar naquele caso clássico de um cara que adora uma banda
desconhecida e, quando ela estoura e fica famosa, ele para de ouvir porque a banda virou “modinha”. A banda só era boa enquanto era fracassada, assim que alcançou o sucesso, perdeu o seu valor. Então fracassando você é
considerado bom, mas sabemos que o fracasso não é sucesso, é simplesmente fracasso, por mais glamourizado que seja.

  1. Aquele que não está se ocupando em nascer, está se ocupando em morrer

Essa é sem dúvida uma das frases mais famosas de Bob Dylan. Ao primeiro
olhar muitos interpretam o que parece óbvio, mas que mesmo assim surpreende que a partir do momento em que nascemos estamos começando a morrer, o que não parece muito bom, principalmente considerando o medo de morte que isso traz à tona e que muita gente compartilha. Mas, e se na verdade ela tiver um significado muito mais engrandecedor?

No momento em que paramos de nos reinventar, ou seja, renascer, começamos a morrer. Não é da morte que devemos ter medo, é do comodismo, da estagnação. Não podemos ficar parados, devemos estar sempre nos ocupando em nascer de novo, mudar, evoluir, crescer ou então estaremos nos ocupando em morrer.

  1. Você não precisa de um meteorologista para saber para que lado o vento sopra

Você não precisa de ninguém para te dizer o óbvio ou o que você pode
descobrir por si mesmo. Ainda assim muitas pessoas buscam nos outros uma forma de aprovação e esperam que os outros os apontem as direções e
decidam os caminhos que elas podem e devem decidir sozinhas.

E essa frase tem uma relação direta com uma das músicas mais famosas de
Bob Dylan, Blowin in the Wind, que foi o primeiro grande sucesso logo no
começo da sua carreira, trazendo uma explosão repentina de fama quando
começaram a vê-lo como um novo profeta, um porta-voz da sua geração.

Em Blowin in the Wind ele faz vários questionamentos sobre a condição humana e diz que as respostas estão soprando no vento, mas ele sempre recusou os títulos de profeta, d e porta-voz da suia geração. Então, quando ele diz que você não precisa de um meteorologista para saber para que lado o vento sopra, ele diz que você tem que achar as respostas soprando no vento por conta própria e não esperar que ele ou qualquer outro grupo místico, como vemos muito hoje em dia, tragam as respostas para você.

  1. Roube um pouco e eles te jogam na cadeia, roube muito e eles te fazem rei

Não é exatamente isso que temos vividos agora, ou melhor, que temos vividos desde sempre? essa frase atemporal de Bob Dylan é simples e crua: ou você rouba o suficiente para mandar em quem vai te julgar, ou você paga pelos seus crimes.

Temos quase um réu julgado em segunda instância da Lava Jato sendo solto por semana, pelo simples fato que eles reinam sobre quem determina as suas próprias sentenças. É a forma como a sociedade opera e ainda que a palavra rei seja usada no sentido figurado, podemos transferir essa mesma máxima para o poder do estado e para cada vez que temos que pagar impostos.

  1. Eu era tão mais velho antes, eu sou mais jovem agora

A frase é de cara totalmente contraditória e a ideia é justamente essa. Bob Dylan se deu conta que não envelheceu com o tempo, mas sim, rejuvenesceu, deixando para trás velhas ideias e absorvendo, cultivando e desenvolvendo ideias novas.

Podemos quebrar o feitiço do tempo vivendo assim, sem ficarmos presos no
passado, sem nos apegarmos a ideias que já são ultrapassadas por orgulho,
aceitando que as derrotas não são nada além de aprendizados.

Vivemos uma constante mudança, não somos o que éramos ontem e muito
menos o que éramos ano passado, mas não somos necessariamente mais
velhos. Se simplesmente levarmos em conta que com o tempo deixamos o que era antigo para trás e nos abrimos para o novo, podemos ficar cada vez mais jovens.

  1. Para viver fora da lei você deve ser honesto

Aqui podemos entender que Bob Dylan fez um trocadilho com viver fora da lei no sentido jurídico e no sentido social. Quando tantas coisas que discordamos são impostas como leis pela sociedade, só alguém muito desonesto, com seus próprios princípios consegue viver bem com isso. Só alguém muito hipócrita engole todas as convenções e age de acordo com que os outros esperam, e mesmo assim isso representa a grande maioria das pessoas. São extremamente raras as que têm coragem de ser honestas o suficiente para viver fora da lei e desafiar o meio em que vive, ir além das fronteiras do que é aceitável e quebrar barreiras que até então impedem o crescimento. São esses foras da lei honestos que impulsionam o mundo para frente

  1. Atrás de qualquer coisa bonita existe algum tipo de dor

Eu me lembro da primeira vez em que ouvi essa frase, eu pensei que ela não podia estar certa, que era pessimista demais, mas aí eu comecei a pensar, e quanto mais eu pensava, mais verdadeira a frase parecia. Eu não conseguia encontrar nenhuma exceção, então eu entendi que o pessimismo de Bob Dylan tava certo, realmente atrás de qualquer coisa bonita existe algum tipo de dor.

Mas foi só depois de rever essa frase mil vezes que eu me dei conta que sim, ela é a mais pura verdade, mas não é necessariamente pessimista. É só a verdade sobre de onde nascem as coisas mais bonitas do mundo, sobre o fato de que o sofrimento, mesmo que inevitável, não determina o resultado. Do sofrimento mais horrível pode nascer a vitória mais deliciosa, a arte mais maravilhosa e, como exemplo, temos a própria música de onde essa frase foi retirada: Not Dark Yet.

  1. Não critique o que você não consegue entender

A definição perfeita de um hater, aquele que critica o que não consegue
entender, todo mundo lida com gente assim. Só que mesmo que o termo seja novo, esse tipo de pessoas sempre existiu e Bob Dylan lidou com eles a vida inteira. Sempre foi questionado pelo seu sucesso, pelas suas letras, pelas suas habilidade vocais, pela sua constante mudança de estilo musical , mas deixou essa resposta simples e direta: Não critique aquilo que você não consegue entender.

Isso é uma coisa que devemos levar para a vida toda. Sempre que somos
confrontados com algo desconhecido, novo, que desafia os nossos
conhecimentos, nos vemos cara a cara com a nossa própria ignorância e isso pode ser doloroso, então a nossa tendência é atacar, mas podemos ser
maiores do que isso, principalmente nos tempos de extremismos que vivemos hoje. Se não entendemos o discurso que vem do outro lado, tudo bem, não precisamos conhecer tudo, podemos assumir a própria ignorância ao invés de criticar o desconhecido, essa é a única forma de aprender.

E por mais que tenhamos chegados ao fim, nada começa nem termina quando se trata de Bob Dylan, então eu vou finalizar com uma frase do próprio, que nos mostra que provavelmente não ouvimos e nunca ouviremos nem metade do que ele realmente teria a nos dizer:

“E se meus sonhos e pensamentos pudessem ser vistos, eles provavelmente
colocariam a minha cabeça em uma guilhotina”

Mas, sorte a nossa que o que ele pode nos mostrar sem perder a cabeça, nós já temos o suficiente para uma vida de aprendizado.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Como David Bowie criou o astronauta trágico Major Tom e mudou sua carreira com a música “Space Oddity”

Nove dias depois da Apollo 11 realizar um pouso bem-sucedido na Lua, em 20 de julho de 1969, David Bowie lançava também seu primeiro grande hit, com o qual estreava nas paradas britânicas. No dia 10 daquele mesmo, na despedida da década de 1960 e tudo o que ela representava, um homem dentro da cultura pop já olhava para o espaço de outra maneira.

Há 50 anos, em 11 de julho de 1969, Bowie dava vida a Major Tom em “Space Oddity”, canção do seu segundo disco, lançado em novembro daquele ano com o nome David Bowie (anos mais tarde, seria repaginado sob nome de Space Oddity devido ao sucesso comercial da faixa, a primeira do álbum).

Existe uma clara conexão mercadológica entre a corrida espacial e a data de lançamento de “Space Oddity”, obviamente. Fazia sentido que David Bowie, em sua corrida pela fama como artista (fosse como músico ou ator) naquele início de carreira, acertasse o timing dessa faixa. Mas não foram as seguidas missões da NASA responsáveis por inspirar Bowie a olhar para as estrelas.

Para entender o que Bowie quis fazer com “Space Oddity” e a triste e melancólica odisseia do Major Tom na canção, é preciso voltar no tempo. David era um jovem aspirante a artista que largou o ensino médio para se desenvolver como performer.

Ele ainda era conhecido pelo nome de Davy Jones e se juntou a alguns outros grupos, como King Bees, Manish Boys e The Lower Third, sem obter muito sucesso. Em 1966, contudo, ele descobriu que um outro Davy Jones estava fazendo sucesso como integrante do The Monkees e decidiu sair em carreira solo, com o nome de David Bowie.

Dois anos antes de “Space Oddity”, Bowie lançou um disco de estreia, que levava no título a nova persona artística, pela Deram Records, uma subsidiária da grande Decca Records, embora sem muito sucesso.

Foi quando ele conheceu Angela, sua futura esposa. Ela, na ocasião, era namorada de um olheiro da Mercury Records que recusou trabalhar com Bowie. Angela usou sua influência e conseguiu um contrato para o futuro marido. Em alguns meses, ele havia gravado “Space Oddity”.

“Nós nunca nos sufocamos”, contou Bowie à Rolling Stone, anos depois. “Não, eu não acho que nos apaixonamos. Eu nunca estive apaixonado, graças a Deus. O amor é uma doença que gera ciúmes, ansiedade e raiva brutal. Tudo menos amor. É um pouco como o cristianismo. Isso nunca aconteceu comigo e com Angie. Ela é uma garota incrivelmente agradável para se voltar e, para mim, sempre será. Quer dizer, não tem ninguém … eu sou muito exigente às vezes. Não fisicamente, mas mentalmente. Eu sou muito intenso sobre qualquer coisa que faço. Eu afasto a maioria das pessoas com quem vivi. ”

Inspiração em Stanley Kubrick

Os relatos contam que Bowie passou os anos 1960 desesperadamente tentando se tornar um músico famoso. Era uma década na qual a música psicodélica tomava forma e Bowie tentou se juntar à onda, até lançando a música “The Laughing Gnome” (cujo título em tradução livre pode ser “O gnomo risonho”.

Foi quando, com o contrato com a Mercury Records, ele conheceu Gus Dudgeon, produtor de Elton John, e gravou “Space Oddity”, a canção hit que ele tanto buscava.

A balada folk sobre o personagem imaginário Major Tom que encontra um fim trágico no espaço sideral teve seu lançamento apressado pela gravadora para coincidir com a chegada da Apollo 11 na Lua. A emissora britânica BBC tocou a canção durante a cobertura do acontecimento histórico, o que gerou uma popularidade nacional para Bowie.

“Na Inglaterra, sempre presumiram que essa música foi escrita sobre a chegada da humanidade à Lua, porque a música saiu quase simultaneamente, mas na verdade, não foi isso”, ele contou à Performing Songwriter, certa vez.

“Eu escrevi porque fui assistir a 2001: Uma Odisseia no Espaço e achei maravilhoso. Eu estava meio fora de mim, fiquei muito chapado e então fui assisti-lo várias vezes seguidas. Foi uma revelação. Isso fez a música fluir.”

Bowie, inclusive, tirava sarro do fato da música ser usada na trilha sonora da cobertura do pouso da Apollo 11, já que o final de Major Tom, na canção, é extremamente trágico. “Tenho certeza de que eles não estavam ouvindo a letra”, disse ele, “Mas, claro, fiquei muito feliz que eles usaram a música.”

A história de Major Tom

Há algo de fascinante na narrativa de Bowie em “Space Oddity”. Havia espaço, na música pop, para canções com construções mais literárias. Entre o folk e o espacial, Bowie criou Major Tom como o protagonista solitário dessa viagem espacial. Do início, ainda em solo, até seu fim, quando tenta voltar à órbita terrestre e vê sua espaçonave falhar.

Major Tom tem apenas uma conexão com o mundo terrestre, é a segunda voz da canção, quem conversa com ele por rádio, o “ground control”, ou “controle terrestre”. É essa segunda voz que avisa Tom sobre o sucesso que ele se tornou ao alcançar o espaço: “Os jornais querem saber quais roupas você usa”, diz ela.

Tom decide deixar a cápsula espacial. Major Tom vive um momento existencialista ao se desconectar e flutuar pelo espaço, é quando a canção entra em um momento mais trágico. Tom percebe a sua e a nossa insignificância diante de um universo tão vasto.

“Diga a minha esposa que eu a amo muito”, diz ele, “ela sabe”, grita a voz do outro lado da linha. É a despedida de Major Tom, que, ao final da canção, de pouco mais de 5 minutos, segue em um flutuar sem rumo pelo espaço sideral.

Especialistas em David Bowie constantemente relacionam o personagem à própria personalidade de Bowie, uma imagem da própria desconexão do artista com relação ao restante do mundo.

Foi o seu primeiro sucesso, também, algo que ele almejou por aqueles anos todos de Davy Jones. É um momento interessante e metafórico na carreira e vida artísitca de Bowie. A partir daí, ele não foi mais um tipo só.

Talvez Major Tom fosse essa primeira – e mais autêntica – personalidade daquele depois conhecido por Camaleão do Rock. Bowie deixou-o flutuar para ser quem ele quisesse nos anos seguintes, como o Ziggy Stardust, Thin White Duke, dois dos seus personagens mais célebres, até a Blackstar, a estrela extinta, do seu último disco em vida, lançado dois dias antes da sua morte, em 10 de janeiro de 2016.

O fim de Major Tom

O próprio David Bowie chegou a interpretar o personagem Major Tom em um vídeo promocional de pouco menos de 30 minutos chamado Love You Till Tuesday. O média-metragem, que pode ser encontrado na internet, mostra Bowie interpretando várias das suas músicas lançadas até 1969, como uma forma de divulgar seu catálogo criado até ali e suas habilidades.

Mesmo depois de “Space Oddity”, contudo, Bowie não deixou o personagem ir embora. De tal forma, 11 anos depois, em “Ashes to Ashes”, outro sucesso estrondoso do músico inglês, trouxe Major Tom de volta.

Se em “Space Oddity”, o personagem se desligou da humanidade para flutuar pelo espaço, em uma metáfora à visão do mundo de Bowie, em “Ashes to Ashes”, do disco Scary Monsters (And Super Creeps), de 1980, Major Tom volta como um “junkie”, um viciado em heroína.

O próprio Bowie havia passado por um momento de crise com o vício em drogas no início dos anos 1970, o que o levou a “fugir” para Berlim, no final daquela década, e onde ele gravou uma tríade respeitadíssima de discos – Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979).

Scary Monsters (And Super Creeps), portanto, vem depois desse período de tentativa de desintoxicação em solo alemão. “Ashes to Ashes” colocou Major Tom e Bowie, inclusive, no topo das paradas de mais tocadas do Reino Unido na época.

De forma direta ou indiretamente, Major Tom esteve presente em outras canções de Bowie, como em “Hallo Spaceboy”, do disco Outside, embora o nome do personagem não seja exatamente citado.

Na música “Blackstar”, responsável por dar nome ao último álbum de Bowie, de 2016, parece que finalmente descobrimos o que aconteceu com o personagem. Um astronauta morto é descrito na narrativa, seu esqueleto é levado por uma alienígena. “Para mim, aquele era 100% o Major Tom”, chegou a dizer Johan Renck, diretor do clipe da música, em um documentário da BBC.

*Por Pedro Antunes

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*Fonte: rollingstone

Você sabia que a letra J foi a última a entrar no alfabeto?

Você já parou para pensar que talvez a ordem das letras do nosso alfabeto não corresponda exatamente à ordem de surgimento das mesmas?

Pois é. O óbvio seria pensar que a última letra, Z, foi de fato a última a ser inserida. Mas não. A última, na verdade, foi o J.

Durante muito tempo, as letras I e J eram a mesma coisa. Por exemplo: a frase “Isso é muito intrigante” poderia ser escrita de outra forma. Assim: “Jsso é mujto jntrjgante”. Isso porque o J, antes, era tido como uma “letra caudal”, ou seja, como se fosse um I, só que mais elegante e cheio de enfeites.

Gian Giorgio Trissino, humanista, filósofo, poeta e linguista do Renascimento italiano, foi o primeiro a distringuir o I do J, no ano de 1525.

Aí, então, o J foi finalmente incluso no alfabeto – praticamente na mesma época da letra V.

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Fonte: updateordie | Mariana Toledo

Belchior – III

“A Palo Seco”
Belchior

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi:
Amigo, eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português

Tenho vinte e cinco anos
De sonho e de sangue
E de América do Sul
Por força deste destino
Um tango argentino
Me vai bem melhor que um blues
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês

 

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“Velha Roupa Colorida”
Belchior

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era novo jovem
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer

Nunca mais meu pai falou: She’s leaving home
E meteu o pé na estrada, Like a Rolling Stone
Nunca mais eu convidei minha menina
Para correr no meu carro (loucura, chiclete e som)
Nunca mais você saiu a rua em grupo reunido
O dedo em V, cabelo ao vento, amor e flor, quê de um cartaz

No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem novo
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer

Como Poe, poeta louco americano
Eu pergunto ao passarinho: Black bird, Assum-preto, o que se faz?
Haven never haven never haven never haven never haven
Assum-preto, passáro preto, black bird, me responde, tudo já ficou atrás
Haven never haven never haven never haven never haven
Black bird, passáro preto, passáro preto, me responde
O passado nunca mais

Você não sente não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era jovem novo
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
E precisamos rejuvenescer
E precisamos rejuvenescer

 

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“Como Nossos Pais”
Belchior

Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa

Por isso cuidado, meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado pra nós
Que somos jovens

Para abraçar meu irmão
E beijar minha menina na rua
É que se fez o meu lábio
O meu braço e a minha voz

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova estação
E eu sinto tudo na ferida viva
Do meu coração

Já faz tempo
E eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Esta lembrança
É o quadro que dói mais

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências, as aparências
Não enganam, não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer
Que eu estou por fora
Ou então
Que eu estou enganando

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem

E hoje eu sei, eu sei
Que quem me deu a ideia
De uma nova consciência
E juventude
Está em casa
Guardado por Deus
Contando o seus metais

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais

 

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“Divina Comédia Humana”
Belchior

Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol
Quando você entrou em mim como um Sol no quintal
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou ser feliz direito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um encontro casual
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou viver satisfeito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um transa sensual
Deixando a profundidade de lado
Eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia
Fazendo tudo de novo e dizendo sim à paixão morando na filosofia
Eu quero gozar no seu céu, pode ser no seu inferno
Viver a divina comédia humana onde nada é eterno
Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso
Eu vos direi no entanto:
Enquanto houver espaço, corpo e tempo e algum modo de dizer não
Eu canto

Após várias tentativas, Academia Sueca desiste de notificar Dylan sobre o Nobel

A Academia Sueca desistiu de comunicar diretamente ao cantor e compositor norte-americano Bob Dylan que ele foi premiado com o Nobel de Literatura deste ano, depois de quatro dias de tentativas infrutíferas de contatá-lo. Foi o que admitiu nesta segunda-feira à rede pública Radio da Suécia Sara Danius, a secretária permanente da instituição que anualmente elege o ganhador do Nobel dessa categoria.

Os representantes da Academia Sueca falaram com o agente do músico e com outras pessoas próximas, mas não conseguiram falar com Dylan, que também não deu nenhuma declaração pública nem fez qualquer comentário a respeito do assunto nos shows que apresentou nos últimos dias. Ele se apresentou em Las Vegas algumas horas depois do anúncio do prêmio e não fez nenhuma menção, durante todo o espetáculo, à mais prestigiosa distinção do mundo das letras.

Danius disse não estar preocupada com isso, embora ainda não se saiba se o músico irá aceitar o prêmio e se irá a Estocolmo para recebê-lo no próximo dia 10 de dezembro.

“Tenho o pressentimento de que Bob Dylan pode vir. Posso estar enganada e claro que seria uma pena se não viesse, mas de todo modo o prêmio é dele e não podemos nos responsabilizar por aquilo que acontecerá agora. Se ele não quiser vir, não tem problema, a festa será a mesma”, afirmou Danius.

Apenas duas pessoas recusaram o Nobel de Literatura em mais de um século de história: o escritor russo Boris Pasternak, em 1958, obrigado a isso pelas autoridades soviéticas, embora o tenha aceitado mais tarde; e o francês Jean-Paul Sartre, em 1964, devido à sua política de recusar qualquer tipo de premiação.

A Academia Sueca premiou Dylan por ele ter criado “novas expressões poéticas dentro da grande tradição da canção norte-americana”, segundo a decisão divulgada na última quinta-feira.

A escolha surpreendeu por se tratar da primeira vez que o Nobel de Literatura é concedido a um cantor e compositor.

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Fonte: elpais

bob-dylan-2016