Não há como ler bem textos antigos em tradução para o português

A educação clássica não é um museu como muitas vezes é não só vista, mas até mesmo idealizada, por alguns. Ninguém tem de aprender latim para conservar certas citações de autores célebres em um canto da memória. A língua oficial da república literária ajuda-nos a viver com liberdade e com autonomia, pois temos para onde recorrer para dirimir nossas dúvidas.

Por que é mais importante estudar latim e grego do que línguas modernas? NÃO HÁ COMO LER BEM textos antigos em traduções para o português! Ou inglês, ou espanhol, ou francês, ou italiano. Em alemão, teria sido possível se essa língua tivesse tomado um rumo diferente ao longo de sua história, mas isso é questão para um artigo focado mais em filologia. Dou-vos um exemplo simples propondo seguinte exercício:

Leia este verso da Seqüência de Corpus Christi, Lauda Sion, de Santo Tomás de Aquino: Noctem lux eliminat.

Sempre que lemos uma frase, uma série daquilo que o filósofo chamou de fantasmas aparece em nossa imaginação na mesma ordem em que os vocábulos estão dispostos. Na frase noctem lux eliminat temos noite e luz. Tente imaginar essas duas realidades, porém em ordens diferentes: imagine a noite. Agora, imagine a luz. Agora faça o contrário, imagine a luz e depois a noite.

A questão é: Santo Tomás quis que, quando lêssemos esse verso, pensássemos na noite antes de pensarmos na luz. Assim, o verbo eliminat é praticamente é desnecessário. Quando traduzimos para o português, o melhor que temos é A luz elimina a noite. A luz vem antes, e aí temos um problema, pois o autor não quis que nós víssemos o fantasma da noite antes do da luz. Mas e a voz passiva? Como diz o nome, é passiva. Se disser A noite é eliminada pela luz, está suavizando o sujeito, que em gramática não se chama mais sujeito e sim agente da passiva, e acabamos dando maior valor à noite do que à luz.

A luz, no verso de Santo Tomás, é Cristo, e a noite é o pecado. O que é mais importante, o pecado ou Cristo? Certamente Cristo! Mas por que devemos ler (e imaginar) o pecado primeiro? Muito simples: o pecado antecede a Cristo tanto historicamente quanto espiritualmente. Assim, não só na eucaristia, que vem eliminar a escuridão do pecado, como também nos demais sacramentos, onde Cristo sempre se faz presente, primeiro tens o pecado, depois vem Cristo e o elimina.

Podemos entender isso lendo a frase em português? Sim, claro, pois é uma frase curta e simples, que trata de uma realidade simples como o próprio cristianismo. Mas os textos antigos são sempre assim, e se não puser os fantasmas na ordem certa, talvez acabe por não entender o texto. Portanto, a posição das palavras diz muito sobre o conteúdo de uma frase, e numa língua sem declinações de substantivos e adjetivos, não temos todos os recursos para que o leitor ou ouvinte crie os fantasmas na ordem que queremos e precisamos.

Em português, é preciso um post gigante para explicar um verso que deveria ser entendido à primeira vista. Em latim, o próprio verso é autoexplicativo.

É preciso, portanto, ler no original, coisa muito elementar e evidente até poucos anos, até o dia em que passamos a encarar a cultura ocidental como um museu e deixamos de estudar a língua que era o principal veículo de nosso culto.

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*Fonte: scholaclassica

5 coisas que você não sabia sobre ‘O Pequeno Príncipe’

Muito já foi dito sobre Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe. Conheça alguns fatos curiosos sobre a vida dele e os trabalhos que produziu:

1. Saint-Exupéry jamais ficava satisfeito com o que escrevia. A célebre frase “On ne voit bien qu’avec le cœur. L’essentiel est invisible pour les yeux”, que pode ser traduzida como “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”, foi reescrita mais de dez vezes antes de alcançar sua forma final. Os manuscritos originais de O Pequeno Príncipe foram editados pelo próprio autor incontáveis vezes. No processo, páginas inteiras foram concentradas em uma única frase, reduzindo a obra a metade de seu tamanho original.

2. O autor costumava trabalhar na madrugada, e acordava seus amigos sem constrangimento para pedir conselhos e sugestões sobre as passagens mais difíceis. Era comum que começasse a trabalhar às duas da manha e fosse dormir no nascer do sol, quando sua secretária chegava e digitava seu trabalho com ele dormindo no sofá. Ele adorava receber amigos nas refeições, mas era comum que os convidados chegassem à uma da tarde à sua casa e precisassem acordar o anfitrião exausto.

3. Saint-Exupéry era aviador, e morreu servindo a força aérea francesa no final da Segunda Guerra Mundial . Decolou da da ilha da Córsega, às 8h45 do dia 31 de julho de 1944, para uma missão de reconhecimento sobre o território francês ocupado pelo exército nazista. Ele coletava informações para preparar um desembarque dos aliados em Provença. Seu avião foi abatido pelo piloto alemão Horst Rippert, que admitiu, arrependido, aos 88 anos, ser o autor dos disparos. Os destroços do caça P-38 foram encontrados só 60 anos depois da data de seu desaparecimento, no litoral da Marselha. A insígnia do esquadrão de reconhecimento GR I/33, um dos quais o autor fez parte, leva uma ilustração do Pequeno Príncipe em sua insígnia, e hoje é operado com drones.

4. A primeira tradução brasileira de O Pequeno Príncipe foi feita pelo monge beneditino Dom Marcos Barbosa em 1954, e publicada pela Editora Agir. Durante 60 anos ela foi a única disponível no mercado, e eternizou uma interpretação questionável. Na frase “Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé” , traduzida como “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, a palavra apprivoisé não significa cativar na acepção mais delicada e emocional da palavra, mas sim algo como “domesticar” ou “domar”, como se faz com um bicho de estimação.

5. O Pequeno Príncipe foi traduzido para uma série de línguas inusitadas. Uma delas foi o Toba, um idioma indígena do norte da Argentina que até então só possuía uma tradução do Novo Testamento da Bíblia. Outra versão curiosa é em Latim. Até o Esperanto, idioma artificial criado com a intenção de ser uma língua franca internacional, ganhou sua versão. Há 47 traduções coreanas para a obra, e mais de 50 versões chinesas. Essa imensa variedade de versões torna o livro um objeto frutífero para estudos tradutórios comparativos.

*Com supervisão de Isabela Moreira
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*Fonte: revistagalileu

Tsundoku: A mania de comprar e acumular mais livros do que pode ler

Se isso soa como você, você pode estar involuntariamente envolvido em tsundoku – um termo japonês usado para descrever uma pessoa que possui uma grande quantidade de literatura não lida.

O Prof Andrew Gerstle ensina textos japoneses pré-modernos na Universidade de Londres.

Ele explicou à BBC que o termo pode ser mais antigo do que você pensa – pode ser encontrado na imprensa já em 1879, o que significa que provavelmente já estava em uso antes disso.

A palavra “doku” pode ser usada como verbo para significar “ler”. Segundo o Prof Gerstle, o “tsun” em “tsundoku” tem origem em “tsumu” – uma palavra que significa “empilhar”.

Então, quando colocado junto, “tsundoku” tem o significado de comprar material de leitura e empilhá-lo.

“A frase ‘tsundoku sensei’ aparece no texto de 1879 de acordo com o escritor Mori Senzo”, explicou o professor Gerstle. “O que é provavelmente satírico, sobre um professor que tem muitos livros, mas não os lê.”

Tsundoku é nada mais que a intenção de ler livros e eventualmente ir criando uma coleção. Qualquer pessoa que tenha em casa livros (empoeirados e nunca abertos) comprados na melhor das intenções vai entender.

Mas o que leva a esse comportamento? Compulsão?

Sentida em várias partes do mundo, mas por que só os japoneses definiram?

A definição original só se aplica a livros físicos e suas empoeiradas pilhas, que vão se amontoando à espera de leitura, ou às estantes abarrotadas pelas obras aguardando por atenção.

Mas,Tiro por mim, que esse termo já pode ser perfeitamente usado no mundo virtual. Tenho no tablet uma série de downloads nunca explorados ou sites e conteúdos salvos que provavelmente não serão lidos.

Há uma série de fatores que podem justificar esse fenômeno: a escassez de tempo cada vez mais sentida. Não podemos desprezar a concorrência desleal com as comunicações urgentes em nosso cotidiano, como: whatsapp, e-mails e mídias sociais. Difícil disputar com os conteúdos imediatistas como: a venda do Neymar, o novo clip do Justin Bieber ou a pegadinha do momento… Isso sem menosprezar o velho aliado do consumismo, a publicidade, que cria em nós uma necessidade de comprar maior do que a capacidade de consumir. Hoje isso ainda vem potencializado pelo filho mais velho, o marketing, e o caçula marketing digital

Para a urgência do capitalismo editorial pouco importa o destino que terão as obras nas mãos de seus consumidores, daí a ausência ou pouca divulgação de pesquisas qualitativas sobre a assimilação deste conteúdo editorial. Nada contra a quantidade de vendas, geram divisas, empregos para toda uma cadeia editorial. Maravilha!

O que você pode fazer para mudar isso? Primeiro, se você ainda não acumulou tantos livros quanto gostaria aproveite para refletir sobre a necessidade de cada desejo literário. Será que aquele livro que você tanto quer não está disponível online? Será que não há uma biblioteca em seu bairro onde você poderia pegá-lo emprestado? Aliás, essa dica também vale para o caso de você já ter uma quantidade razoável de livros em casa: empreste. Esqueça a besteira de ter ciúmes de livros. Conhecimento está aí para isso mesmo, ser compartilhado. Aqueles livros que você nunca leu e nem tem a intenção de ler, nem pense duas vezes: doe.

Aprenda a viver mais leve. Disponha as publicações organizadas e visíveis (será mais fácil se ela for menor). E por fim, sinta o prazer de ter uma biblioteca pequena, mas que é realmente usada. Afinal, pior que ter centenas de livros entulhados em caixas é deixá-los sem uso pegando pó.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

O famoso poema ‘Carpe diem’, do poeta romano Horácio

“Carpe diem”
– por Antônio Cícero*

UM DOS poemas mais famosos do poeta romano Horácio é a ode 1.11. Nela, dirigindo-se a uma personagem feminina, Leucônoe, o poeta lhe diz que não procure adivinhar o futuro:

Não interrogues, não é lícito saber a mim ou a ti
que fim os deuses darão, Leucônoe. Nem tentes
os cálculos babilônicos. Antes aceitar o que for,
quer muitos invernos nos conceda Júpiter, quer este último
apenas, que ora despedaça o mar Tirreno contra as pedras
vulcânicas. Sábia, decanta os vinhos, e para um breve espaço de tempo
poda a esperança longa. Enquanto conversamos terá fugido despeitada
a hora: colhe o dia, minimamente crédula no porvir.

[Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques, et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.]

A frase “carpe diem” tornou-se um aforismo epicurista e um tema poético a que inúmeros poetas recorrem. No Brasil, por exemplo, Gregório de Matos, imitando um famoso poema de Góngora, diz, em soneto dedicado a uma “discreta e formosíssima Maria“:

Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca o Sol, e o Dia:

Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata a toda ligeireza
E imprime em toda flor sua pisada.

Ó não aguardes que a madura idade
Te converta essa flor, essa beleza,
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

O soneto mencionado de Góngora, uma obra-prima, é o seguinte:

Mientras por competir con tu cabello,
oro bruñido al sol relumbra en vano;
mientras con menosprecio en medio el llano
mira tu blanca frente el lilio bello;

mientras a cada labio, por cogello,
siguen más ojos que al clavel temprano;
y mientras triunfa con desdén lozano
del luciente cristal tu gentil cuello;

goza cuello, cabello, labio y frente,
antes que lo que fue en tu edad dorada
oro, lilio, clavel, cristal luciente,

no sólo en plata o viola troncada
se vuelva, mas tú y ello juntamente
en tierra, en humo, en polvo, en sombra, en nada.

O poeta Mário Faustino escreveu o seguinte belíssimo soneto chamado “Carpe Diem“:

Que faço deste dia, que me adora?
Pegá-lo pela cauda, antes da hora
Vermelha de furtar-se ao meu festim?
Ou colocá-lo em música, em palavra,
Ou gravá-lo na pedra, que o sol lavra?
Força é guardá-lo em mim, que um dia assim
Tremenda noite deixa se ela ao leito
Da noite precedente o leva, feito
Escravo dessa fêmea a quem fugira
Por mim, por minha voz e minha lira.

(Mas já de sombras vejo que se cobre
Tão surdo ao sonho de ficar — tão nobre.
Já nele a luz da lua — a morte — mora,
De traição foi feito: vai-se embora.)

Mas Horácio, em outra ode igualmente famosa, a 3.30, afirma que suas Odes sobreviverão às milenàrias pirâmides:

Erigi um monumento mais duradouro que o bronze,
mais alto do que a régia construção das pirâmides
que nem a voraz chuva, nem o impetuoso Áquilo
nem a inumerável série dos anos,
nem a fuga do tempo poderão destruir.
Nem tudo de mim morrerá, de mim grande parte
escapará a Libitina: jovem para sempre crescerei
no louvor dos vindouros, enquanto o pontífice
com a tácita virgem subir ao Capitólio.
Dir-se-á de mim, onde o violento Áufido brama,
onde Dauno pobre em água sobre rústicos povos reinou,
que de origem humilde me tornei poderoso,
o primeiro a trazer o canto eólio aos metros itálicos.
Assume o orgulho que o mérito conquistou
e benévola cinge meus cabelos,
Melpómene, com o délfico louro.

[Exegi monumentum aere perennius
regalique situ pyramidum altius,
quod non imber edax, non aquilo impotens
possit diruere aut innumerabilis
annorum series et fuga temporum.
non omnis moriar multaque pars mei
vitabit Libitinam: usque ego postera
crescam laude recens, dum Capitolium
scandet cum tacita virgine pontifex:
dicar, qua violens obstrepit Aufidus
et qua pauper aquae Daunus agrestium
regnavit populorum, ex humili potens
princeps Aeolium carmen ad Italos
deduxisse modos. sume superbiam
quaesitam meritis et mihi Delphica
lauro cinge volens, Melpomene, comam.]

A própria admiração que a ode continua a suscitar, parecendo confirmar o vaticínio de Horácio, aumenta essa admiração.

Ou seja, enquanto na ode 1.11 o poeta recomenda ignorar o futuro, na ode 3.30 ele exalta o futuro dos seus poemas. Que haja uma contradição aqui não é nenhum problema. Diferentemente dos textos teóricos, os poéticos podem contradizer-se, ainda que sejam do mesmo autor, sem que, com isso, sofram o menor arranhão.

Se ambos forem bons, então, ao ler o primeiro, concordamos inteiramente com ele; ao ler o segundo, é com este que concordamos inteiramente, sem deixar de continuar a concordar com o primeiro. Ambos podem ser profundamente verdadeiros ou reveladores. Um poema é capaz de contradizer a si próprio e ser uma obra-prima: ele pode até ter que se contradizer, como o “Odeio e Amo” (“Odi et amo”), de Catulo, para vir a ser uma obra-prima.

De todo modo, o poeta Haroldo de Campos escreveu um magnífico poema, intitulado “Horácio Contra Horácio”, que diz:

ergui mais do que o bronze ou que a pirâmide
ao tempo resistente um monumento
mas gloria-se em vão quem sobre o tempo
elusivo pensou cantar vitória:
não só a estátua de metal corrói-se
também a letra os versos a memória
— quem nunca soube os cantos dos hititas
ou dos etruscos devassou o arcano?
o tempo não se move ou se comove
ao sabor dos humanos vanilóquios —
rosas e vinho — vamos! — celebremos
o instante a ruína a desmemória

Não só, portanto, aos poetas é lícito contradizerem-se uns aos outros ou a si próprios, tanto em diferentes poemas quanto no mesmo poema, como tais contradições podem constituir o motivo de um poema.

Observo, porém, que a ode 1.11 pode também ser lida de modo que não necessariamente contradiga a ode 3.30. Digamos que a concepção de poesia subjacente à ode 3.30 seja que, dado que o grande poema vale por si, ele é, em princípio, indiferente às contingências do tempo. Sendo assim, não se concebe um tempo em que tal poema venha a caducar.

Logo, mesmo reconhecendo a possibilidade de que os textos se percam, talvez a verdadeira razão do orgulho de Horácio seja o fato de que suas odes intrinsecamente merecem existir. Isso quer dizer que elas merecem existir AGORA.

E merecem existir agora, seja quando for agora: seja quando for que alguém diga ou pense: “agora”. É desse modo que, precisamente ao celebrar “o instante a ruína a desmemória”, o poema se faz eterno agora. Nesse sentido, apreciá-lo é colher o dia: “carpere diem”.

*Artigo do poeta Antônio Cicero foi originalmente publicado 6 de fevereiro de 2010, na coluna do autora na “Ilustrada”, da Folha de São Paulo. Está disponível no blog Acontecimentos.

Poeta romano Horácio

Quinto Horácio Flaco (latim: Quintus Horatius Flaccus – 65 a.C.-8 a.C.). Poeta lírico, satírico e filósofo latino. Horácio nasceu em Venúsia, Itália, no ano 65 a. C. Filho de um escravo liberto que exercia a função de cobrador de impostos, fez seus estudos em Roma onde foi aluno de Lucio Orbílio Pupilo. Aperfeiçoou seus estudos literários em Atenas.

Estabeleceu-se em Roma como escriba de questores. Foi amigo do poeta Virgílio, que o apresentou a Caio Mecenas que o levou para integrar os círculos literários, tornando-se o primeiro literato profissional romano. Cultivou diversos gêneros literários principalmente a ode, em que utilizou os moldes gregos. Procurou sempre imprimir um cunho nacional às suas produções.

Seu primeiro livro conhecido foi “Sátiras” (35 a.C.). Sua obra prima, são os três livros de poemas líricos, “Odes” (23 a.C.), complementados por um quarto volume escrito em 13 a.C. Gozou de grande prestígio junto ao imperador Augusto e para ele compôs “Carmem Saeculare” (20 a.C.), um hino epistolar de caráter litúrgico dedicado a Apolo e Diana. Sua poesia escrita em forma de sentença teve muitas delas transformadas em provérbios. Faleceu em Roma, Itália, no ano 8 a.C.

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*Fonte: revistaprosaversoearte

As doze mentes mais brilhantes da história da literatura de ficção científica

A ficção científica é um gênero literário tão fácil de amar quanto difícil de definir. O mundo da ficção científica é uma experiência única, pois, ao contrário de outros gêneros, permite ao autor levar sua imaginação a novos limites e, assim, proporcionar uma experiência surreal para seus leitores.

Uma das principais características da grande ficção científica é sua capacidade de evocar alguns universos incrivelmente criativos e, em seguida, relacioná-los com a vida real para fazer uma declaração sobre a condição humana. Os melhores autores de ficção científica são frequentemente descritos como algumas das mentes mais criativas do mundo. Em vez de apenas inventar uma história, eles criam universos inteiros, dimensões de tempo, tecnologias alienígenas – é realmente incrível.

Através de seus trabalhos árduos, os maiores autores da história da literatura de ficção científica deram aos leitores inúmeras horas de prazer e matéria para debates. Eles merecem nosso respeito, nosso afeto e, para a intenção deste artigo, alguns momentos de nossa atenção enquanto percorremos sua história para explorar os fatores e forças que os forjaram nas estrelas que se tornaram. Seria injusto classificar esses nomes em ordem de importância e, portanto, todos foram ordenados cronologicamente.

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Júlio Verne (1828-1905)

O pai de Júlio Verne, um advogado, provavelmente não aprovava que seu filho não seguisse a mesma profissão que o pai. Mas graças a rebeldia do jovem Verne, o mundo hoje é um lugar melhor. Considerado o “Pai da Ficção Científica”, as realizações literárias de Verne eram comercialmente populares, embora fossem rejeitadas pela crítica por seus contemporâneos avarentos, que sentiam que ele era apenas um escritor de gênero cujas obras não mereciam uma reflexão séria. Ninguém se lembra dos nomes desses críticos. Mas o trabalho e a influência de Verne perduraram, despertando a imaginação de incontáveis ​​leitores de todas as idades e gêneros. Exibindo humildade na afirmação de que era perito em prever o futuro, Verne descartou todas essas alegações como “coincidência” ou como um subproduto natural de sua extensa pesquisa sobre os tópicos sobre os quais estava escrevendo.

HG Wells (1866-1946)

HG Wells é frequentemente referido como o “pai da ficção científica” ao lado de Júlio Verne. Ele escreveu em muitos gêneros e, como muitos outros grandes autores, foi um crítico social e escreveu sobre política. Futurista renomado e “visionário”, Wells previu o advento de aeronaves, tanques, viagens espaciais, armas nucleares, televisão por satélite e algo parecido com a World Wide Web. Seu primeiro romance foi A Máquina do Tempo, um conto de ficção científica sobre um cavalheiro inventor que vive na Inglaterra, que atravessa primeiro milhares de anos e depois milhões no futuro, antes de trazer de volta o conhecimento da grave degeneração da raça humana e do planeta. Mais de um século depois de serem escritos, os livros de HG Wells ainda são recentes e fortes o suficiente para serem transformados em filmes de Hollywood. Wells definiu o padrão para todos os outros escritores e lançou as bases para garantir que a ficção científica estaria muito viva e bem no século XX e além.

Hugo Gernsback (1884-1967)

O termo “ficção científica” hoje evoca imagens de monstros com olhos esbugalhados, armas de raios e naves estelares. Mas nas primeiras décadas do século XX, o que ainda não era chamado de “ficção científica” consistia em uma série de práticas concretas, todas voltadas para o acerto de contas com as revoluções no tecido da vida cotidiana. Antes de ser um tipo particular de história ou enredo, a ficção científica era uma forma de pensar e interagir com a mídia emergente. Hugo Gernsback é lembrado hoje como o editor fundador da primeira revista de ficção científica, a Amazing Stories, lançada em 1926. A revista deu um nome à ficção tratando do especulativo e do sobrenatural através das lentes da cientificidade, e também estabeleceu um fórum para fãs do gênero debaterem e influenciarem o futuro de seu desenvolvimento. Em reconhecimento a este legado, o nome de Gernsback adorna os prêmios atribuídos a cada ano aos melhores trabalhos do gênero, o Hugo Awards. Muitos estudiosos tratam o lançamento da Amazing Stories em 1926 como a invenção da ficção científica moderna.

Robert Heinlein (1907-1988)

O terceiro dos “Três Grandes” da ficção científica, Robert Heinlein é considerado o “Decano dos Escritores de Ficção Científica” por suas inúmeras contribuições para o campo. Na verdade, suas obras foram consideradas tão importantes que ele recebeu prêmios retroativamente. General da Guarda Nacional, o libertário Heinlein trabalhou em vários empregos antes de finalmente se estabelecer como escritor em tempo integral. Devido a vários problemas de saúde dele e de sua esposa, Heinlein e sua esposa, ambos engenheiros, também trabalharam em seu tempo livre para redesenhar sua casa a fim de “tornar a vida mais fácil”. Suas inovações foram apresentadas na Popular Mechanics. Mas foi sua aplicação de seu conhecimento científico à literatura, combinado com seu forte desejo de comentar sobre muitas questões sociais polêmicas, que impactou seus romances inovadores. O próprio Asimov declarou Heinlein o “melhor escritor de ficção científica que já existiu”. Sem se intimidar em fazer grandes perguntas sobre vida, política, raça e sexo, Heinlein praticamente reinventou o subgênero de “ficção científica social”, dentro do qual residem outras obras-primas como 1984, Admirável Mundo Novo, A Máquina do Tempo e As Viagens de Gulliver.

Arthur C. Clarke (1917-2008)

Outro dos “Três Grandes” dos maiores autores de ficção científica, Arthur C. Clarke nasceu com os olhos nas estrelas. Ele era um dos membros mais jovens da Sociedade Interplanetária Britânica, da qual mais tarde se tornaria presidente. Elogiado por “popularizar” a ciência, Sir Clarke (ele foi nomeado cavaleiro em 1998) tinha uma vasta experiência técnica que inspirou seus romances. De sua experiência como técnico de radar na Força Aérea Real até seus diplomas no King’s College em matemática e física, seus conceitos científicos se provaram quando ele propôs utilizar satélites para fins de telecomunicações, uma ideia que levou à renomeação da órbita geoestacionária para “Órbita Clarke”. Vivendo os últimos momentos de sua vida no Sri Lanka, Clarke abriu uma escola de mergulho e tornou-se apresentador de um programa de TV, enquanto escrevia algumas das melhores obras de ficção científica do mundo, 2001: Uma Odisseia no Espaço. Em uma reviravolta incomum, Kubrick solicitou que o conto fosse expandido em um romance (também intitulado 2001: Uma Odisseia no Espaço) antes de começar a escrever um roteiro. Ele até ajudou Clarke na versão final do romance, embora não tenha recebido crédito formal. De fato, os dois se desentenderam e dizem que Clarke deixou a estreia do filme em lágrimas.

Frank Herbert (1920-1986)

Frank começou a escrever como jornalista antes de ser desviado para passar alguns meses como fotógrafo da Segunda Guerra Mundial. Após a alta, ele voltou a escrever jornais e revistas que amava. Foi durante a fase de pesquisa para um artigo sobre as dunas de areia do Oregon que Herbert percebeu que havia mergulhado demais e gerado um grande excedente de material. Tendo crescido sem dinheiro, ele sabia o valor das sobras e, assim, reciclou os dados em seu primeiro romance. Duna era, na melhor das hipóteses, uma perspectiva arriscada, e 20 editoras aceitaram. Viciados em drogas parasitas e casas feudais intergalácticas? De um desconhecido? Mas Chilton, uma editora de pequeno porte na Filadélfia, arriscou e Duna, desde então, tornou-se o romance de ficção científica mais vendido de todos os tempos. Cobrindo uma ampla gama de tópicos, da ecologia à natureza da liderança, religião e até mesmo sanidade, as obras de Herbert vão muito além da simples narração de histórias. E depois de sua morte, o vasto universo criado por Herbert deixou um vazio tal que seu filho Brian, junto com Kevin J. Anderson, assumiu o manto de Duna para criar vários romances originais para continuar a franquia.

Isaac Asimov (1920-1992)

Um dos autores mais prolíficos que já existiram, independentemente do gênero, Isaac Asimov é universalmente reconhecido como o maior escritor de ficção científica de todos os tempos. Na verdade, ele e seus colegas escritores Robert Heinlein e Arthur C. Clarke ficaram conhecidos como os “Três Grandes” escritores da ficção científica. Um trabalhador compulsivo confesso, Asimov passava literalmente cada momento livre que tinha escrevendo, com vários projetos acontecendo ao mesmo tempo. O famoso professor de bioquímica também orgulhosamente serviu como presidente da American Humanist Association e como vice-presidente da Mensa, a mais antiga e mais famosa organização de alto QI do mundo. Suas obras complexas foram consideradas difíceis de criticar porque ele expõe tudo de forma coerente, explicando tudo e não deixando nada para interpretação. Talvez seja por isso que elas se tornaram atemporais.

Ray Bradbury (1920-2012)

Isaac Asimov pode ter escrito a maioria dos livros, e Arthur C. Clarke pode ter tornado a ciência mais acessível, mas Bradbury é o maior responsável por trazer a ficção científica para o mainstream. Influenciado pelos mestres – HG Wells, Júlio Verne e Edgar Allan Poe – Bradbury fez uma espécie de estágio no Wilshire Players Guild de Laraine Day e começou durante esse período a finalmente receber por suas histórias. Mas o destino sempre tem um papel a desempenhar na descoberta da grandeza. Bradbury encontrou o renomado crítico Christopher Isherwood e entregou uma cópia de seu agora famoso As Crônicas Marcianas. Isso provou ser um ponto crucial na carreira de Bradbury. Como a maioria dos outros autores de grande sucesso, Bradbury trabalhou em seu ofício todos os dias. Na verdade, ele certa vez deu o seguinte conselho: “Escreva mil palavras por dia e em três anos você será um escritor”. Ele também era um leitor ávido e gostava de afirmar que se formou em “biblioteca”.

Philip K. Dick (1928-1982)

Um homem desconfortável em seu próprio tempo, Dick tornou-se cada vez mais paranoico ao longo de sua difícil vida como um dos maiores autores de ficção científica, um gênero que ele sentia que seu trabalho estava fora dos limites. Em grande parte não reconhecido durante sua carreira, seu estilo único de ficção encontrou asas mais largas após sua morte, com várias histórias e romances sendo escolhidos para o cinema. É uma prova de sua dedicação ao ofício o fato de ele ter continuado a escrever romances de baixo custo durante toda a sua vida atribulada, muitas vezes vivendo à beira da linha da pobreza. Mas para Dick, escrever não era uma opção; era uma obsessão, um meio de canalizar seus sentimentos frequentemente erráticos e dar forma a seu próprio elaborado sistema de crenças. Filósofo e metafísico americano, suas obras foram quase sempre influenciadas por suas teorias em constante evolução sobre a natureza da realidade, existência e identidade.

Ursula K. Le Guin (1929-2018)

Ursula Le Guin passou sua vida franca como defensora dos direitos das mulheres e do meio ambiente. Ela criou alguns dos trabalhos mais desafiadores socialmente e influenciou gerações de futuros autores. Como Philip K. Dick, Le Guin considerou a ficção científica o único gênero viável que oferecia a flexibilidade de que ela precisava para contar as histórias que queria contar e para explorar questões de psicologia, sociologia, sexualidade e antropologia. Embora alguns tenham rotulado seu trabalho de ficção científica “soft”, isso não significa que ela não incluiu ciência e tecnologia em seus trabalhos. Significa simplesmente que ela preferia o toque mais humanístico – uma qualidade venerável que ela compartilha com vários dos escritores desta lista. Ursula foi a autora de ficção científica mais condecorada de todos os tempos. Em 2016, ela foi descrita pelo The New York Times como “a maior escritora viva de ficção científica dos Estados Unidos”, e não obstante, foi por vezes aclamada como uma “lenda viva” nos últimos anos de sua vida e carreira.

William Gibson (1948)

Em 1984, cinco anos antes de Tim Berners-Lee apresentar a Internet ao mundo, William Gibson cunhou o termo “ciberespaço” (sua versão da World Wide Web) em seu conto Burning Chrome, e posteriormente popularizou o conceito em seu romance de estreia e obra mais conhecida, Neuromancer. A descrição do romance da total confiança e obsessão da humanidade pela tecnologia era muito presciente. 33 anos após sua publicação, o retrato da dependência tecnológica de Neuromancer é um tanto análogo à dependência das pessoas de computadores, smartphones e da Internet hoje. Gibson é um dos mais conhecidos escritores de ficção científica norte-americana, tendo escrito mais de vinte contos e nove romances aclamados pela crítica e colaborado bastante com performances de artistas, cineastas e músicos. Seu pensamento deu uma contribuição indelével à literatura, à cultura e até mesmo às nossas concepções e interações com a tecnologia. Para ele, não se trata de como as tecnologias funcionam, mas o que elas fazem conosco.

Leia mais artigos da série doze mentes brilhantes:
A série doze mentes brilhantes celebra a memória e o legado dos maiores cientistas, filósofos e comunicadores científicos de todos os tempos. O mundo hoje habita na morada do avanço científico em diferentes setores da ciência por causa dessas personalidades.

*Por Ruan Bitencourt Silva

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*Fonte: universoracionalista

‘Quem ama, cuida’, uma belíssima crônica da escritora Lya Luft

Somos uma geração perplexa, somos uma geração insegura, somos uma geração aflita — mas, como tudo tem seu lado bom, somos uma geração questionadora.

O que existe por aí não nos satisfaz. Sofremos com a falta de uma espinha dorsal mais firme que nos sustente, com a desmoralização generalizada que contamina velhos e jovens, com uma baixa auto-estima e descaso que, penso eu, transpareceram em nossa equipe de futebol na Copa do Mundo.

Algum remédio deve ser buscado na realidade, sem desprezar a força da imaginação e a raiz das tradições — até no trato com as crianças.

Uma duradoura influência em minha vida, meu trabalho e arte, foram os contos de fadas: antiquíssimas histórias populares revistas e divulgadas por Andersen e pelos Irmãos Grimm, para povoar e enriquecer alma de milhões de crianças — e adultos.

Esses relatos, plenos de fantasia, falam de realidades e mitos arcaicos que transcendem linguagem, raça e geografia, e nos revelam.

Nessa literatura infantil reúnem-se dois elementos que me apaixonam: o belo e o sinistro. Ela abre, através da imaginação, olhos e medos para a vida real, tecida de momentos bons e ameaças sinistras, experiências divertidas e outras dolorosas — também na infância.

Na realidade, nem sempre os fortes vencem e os frágeis são anulados: a força da inteligência de pessoas, grupos, ou povos ditos “fracos”, inúmeras vezes derrota a brutalidade dos “fortes” menos iluminados. Porém o mal existe, a perversão existe, atualmente a impunidade reina neste país nosso, confundindo critérios que antes nos orientavam. Cabe à família, à escola, e a qualquer pessoa bem intencionada, reinstaurar alguns fundamentos de vida e instaurar novos.

Não vejo isso em certa — não generalizada — tendência para uma educação imbecilizante de nossas crianças, segundo a qual só se deve aprender brincando, a escola passou a ser quase um pátio tumultuado, e a falta de respeito reproduz o que acontece tanto em casa quanto em alguns altos escalões do país.

Essa mesma corrente de pensamento quer mutilar histórias infantis arcaicas como a do Chapeuzinho Vermelho: agora o Lobo acaba amigo da Vovó… e nada de devorar a velha, nada de abrir a barriga da fera e retirá-la outra vez. Tudo numa boa, todos na mais santa paz, tudo de brincadeirinha — como não é assim a vida.

Modificam-se textos de cantigas como “Atirei o pau no gato”, transformando-a em um ridículo “Não atire o pau no gato” e outras bobajadas, porque o gato é bonzinho e nós devemos ser idem, no mais detestável politicamente correto que já vi.

O mundo não é assim. Coisas más e assustadoras acontecem, por isso nossas crianças e jovens devem ser preparados para a realidade. Não com pessimismo ou cinismo, mas com a força de um otimismo lúcido.

Medo faz parte de existir, e de pensar. Não precisa ser terror da violência doméstica, física ou verbal, ou da violência nas ruas — mas o medo natural e saudável que nos faz cautelosos, pois nem todo mundo é bonzinho, adultos e mesmo crianças podem ser maus, nem todos os líderes são modelos de dignidade. Uma dose de realismo no trato com crianças ajudará a lhes dar o necessário discernimento, habilidade para perceber o positivo e o negativo, e escolher melhor.

Temos muitos adolescentes infantilizados pelo excesso de proteção paterna ou pela sua omissão, na gravíssima crise de autoridade que nos assola; temos jovens adultos incapazes porque quase nada lhes foi exigido, nem na escola, nem em casa. Talvez tenha lhes faltado a essencial atenção e interesse dos pais, na onda de “tudo numa boa”.

Dar a volta por cima significará mudar algumas posturas e opções, exigir mais de nós mesmos e de nossos filhos, de professores e alunos, dos governos, das instituições. Ou vamos transformar as novas gerações em fracotes despreparados, vítimas fáceis das armadilhas que espreitam de todos os lados, no meio do honrado e do amoroso — que também existem e precisam se multiplicar.

Não prego desconfiança básica, mas uma perspectiva menos alienada: duendes de pesadelo aparecem em nosso cotidiano. Nem todos os amigos, vizinhos, parentes, professores ou autoridades nos amam e nos protegem. Nem todos são boas pessoas, nem todos são preparados para sua função, nem todos são saudáveis.

Para construir de forma mais positiva nossa vida, é preciso, repito, dispor da melhor das armas, que temos de conquistar sozinhos, duramente, quando não a recebemos em casa nem na escola: discernimento. Capacidade de analisar, argumentar, e escolher para nosso bem — o que nem sempre significa comodidade ou sucesso fácil.

Quem ama, cuida: de si mesmo, da família, da comunidade, do país — pode ser difícil, mas é de uma assustadora simplicidade, e não vejo outro caminho.

*Por: Lya Luft (no livro “Em outras palavras”)
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*Fonte: revistaprosaeverso

A carta mais linda do mundo escrita por José Saramago para sua avó

No ano de 1968, José Saramago publicou no jornal A Capital, de Lisboa, a crônica Carta a Josefa, minha avó. Anos mais tarde, ela seria publicada no livro Deste Mundo e do Outro. Abaixo segue a reprodução da página do jornal A Capital em que foi originalmente publicado o texto. Confira a carta na íntegra:

*Optamos por manter a grafia do português de Portugal*

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Carta para Josefa, minha avó

‘Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo — e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água.

Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira — sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.

Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja.(Contaste-mo tu, ou terei sonhado que o contavas?)

Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém. Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrugada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos — e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Quem to roubou? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti — e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava. Não teremos, realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas — e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, por que te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: «O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!»

É isto que eu não entendo — mas a culpa não é tua.’

*Por Luiz Antonio Ribeito

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*Fonte: notaterapia

Universidade divulga ilustrações da Terra Média feitas por J.R.R. Tolkien

Além de acolher a exposição “Tolkien: Maker of Middle-Earth”, a Universidade de Oxford, no Reino Unido, acaba de lançar um livro homônimo sobre a vida e a produção de J.R.R. Tolkien.

A obra conta com os detalhes de suas ilustrações, mapas, correspondências com amigos e fãs, fotos de família e primeiros manuscritos. O material passou pela curadoria de Catherine McIlwaine, arquivista da Bodleian Libraries, editora da principal biblioteca da institutição.

Com mais de 300 imagens e seis ensaios, o livro aborda os principais temas que atravessaram a vida e obra de Tolkien, como a influência de línguas nórdicas e da literatura medieval que inspiraram seus trabralhos.

“Emergindo dos arquivos das coleções de Tolkien da Bodleian Libraries, Oxford, e da Marquette University, Milwaukee, assim como de coleções particulares, esse catálogo delicadamente produzido reúne os mundos de J. R. R. Tolkien, oferecendo uma compreensão rica e detalhada deste extraordinário autor”, descrevem os editores.

O produto importado pode ser adquirido em duas versões, a paperback (£ 25) e a de capa dura (£ 40).

Confira abaixo algumas ilustrações divulgadas pela editora Bodleian Libraries.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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*Fonte: revistagalileu

Jack Kerouac, o porta-voz da Geração Beat

Uma aventura libertária sobre rodas é o que o icônico escritor Jack Kerouac (1922-1969) ofereceu a uma geração inteira de leitores. Criador da famosa dupla Dean Moriarty e Sal Paradise, o escritor foi um marco para a prosa selvagem e experimental. Sua vida foi uma verdadeira montanha russa, que com certeza deu fôlego aos livros. O mais famoso de todos, “On the road“, foi lançado em 1957 – após ser rejeitado por quase 10 anos por editoras. Inspirado pelo jazz e andanças na costa oeste do país, Kerouac escreveu em três semanas a primeira versão do que seria a bíblia da contracultura norte-americana, a base de muita benzedrina e café.

Na trama, o autor captou a sonoridade das ruas, das planícies e das estradas americanas para criar uma obra que influenciou a arte e o comportamento da juventude na segunda metade do século XX. Embora seja um livro de ficção, todos os personagens são reais, inspirados nos amigos de Jack, mas em versões romantizadas. Kerouac retratou a si mesmo no papel de Sal Paradise, um personagem neutro e de segundo plano, fascinado por Dean Moriarty, que na vida real era o ícone dos poetas da época, Neal Cassady. O livro foi adaptado para o cinema pelo cineasta brasileiro Walter Salles, em 2012 e, no Brasil, recebeu impecável tradução e introdução de Eduardo Bueno para a L&PM Pocket.
A história completa

Após o grande sucesso, Kerouac ganhou um enorme protagonismo – diferente do livro – que foi evidenciando algumas incongruências entre sua história e seu estilo de vida. O início do descompasso entre os hippies e o autor, se deu quando Kerouac iniciou um discurso antissemita, apoiou a Guerra do Vietnã e a apresentou sua tendencia reacionária de direita.

Em meio à liberdade sexual e ao uso deliberado das drogas, o escritor já era um modelo ultrapassado, o que o fez enveredar, sem volta, num martírio alcoólico enclausurado na casa de sua mãe, onde viveu até morrer. Na biografia: Jack Kerouac – King of the beats, o autor Barry Miles conta muitos detalhes dessa história. Miles foi um dos maiores pesquisadores da Geração Beat e amigo pessoal de Allen Ginsberg (1926-1997). Na década de 1970, escreveu também as biografias de Ginsberg e de William Burroughs – também representados em On the road, como Carlo Marx e Old Bull Lee.

Ao todo, Jack Kerouac escreveu 20 livros de prosa sendo Visões de Cody, considerado por muitos o melhor e mais radical livro, esse só foi publicado integralmente em 1972, três anos pós sua morte em St. Petersburg, Flórida, aos 47 anos, de cirrose hepática.

Mulheres da geração beat

A partir de um olhar mais distanciado da obra, é possível ter uma visão menos romantizada sobre o estilo de vida do grupo de Sal. E essa crítica é sentida pelo próprio Paradise, ao narrar as situações absurdas que as companheiras dos jovens eram submetidas, inclusive, acompanhadas dos filhos.

Ainda além das narrativas, dentro do próprio movimento literário, as escritoras beats foram deixadas ao ostracismo ou lembradas apenas como as namoradas dos escritores. O poeta beat Gregory Corso deu uma declaração sobre o fato no livro “A Geração Beat”, de Cláudio Willer:

Houve mulheres, estiveram lá, eu as conheci, suas famílias as internaram , elas receberam choques elétricos. Nos anos de 1950, se você era homem, podia ser um rebelde, mas se fosse mulher, sua família mandava trancá-la. Houve casos, eu as conheci, algum dia alguém escreverá a respeito.”

Mas não é preciso esperar alguém escrever a respeito delas. Há livros traduzidos para o português das beatniks. Um exemplo é a escritora, Diane Di Prima com o autobiográfico “Memórias de uma beatnik”, de 1969.

*Por Natália Figueiredo

 

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*Fonte: estantevirtual

Muito obrigado e boa viagem Robert Pirsig

O filósofo e escritor americano Robert M. Pirsig, que faleceu na madrugada dessa segunda-feira, aos 88 anos, precisou apenas de dois livros para marcar toda uma geração. O mais famoso deles, “Zen e a arte da manutenção de motocicletas”, vendeu milhões de cópias e popularizou a filosofia pelo mundo.

Recusado por mais de cem editoras até ser lançado, em 1974, “Zen e a arte da manutenção de motocicletas” é um road trip existencial em duas rodas, que dura 17 dias entre o Minnesota e a California. O título é enganoso: embora a paixão pela moto esteja presente, não se trata de um manual sobre mecânica, mas um relato possivelmente autobiográfico (é difícil saber onde começa a ficção e onde termina a realidade) sobre a reflexão, a loucura e a reconciliação com a vida. O autor, um professor de escrita criativa, viaja com seu filho enquanto relembra o seu passado, discute a história da filosofia (que ele chama de “chautauqua”), e a busca pela “Qualidade” . Alternando lembranças e análises, o autor divide duas formas de apreensão do real: os valores “clássicos” – como os que constroem máquinas – e os “românticos” – como experimentar a beleza da paisagem na estrada.

Logo o leitor descobre que o autor tem transtornos mentais e que foi tratado com eletrochoques. A viagem do pai com o filho acaba se tornando uma forma de se reconciliar com o passado e com a própria paternidade.

Além de “Zen e a arte…”, Pirsig escreveu “Lila, uma investigação sobre a moral”. Como o seu personagem, ele foi uma criança superdotada que entrou rápido demais na universidade, apaixonou-se por motocicletas e acabou diagnosticado com esquizofrenia.

Depois de superar o ceticismo editorial, “Zen e a arte…”, que demorou cinco anos para ser concluído, se tornou um dos maiores sucessos da década de 1970. Publicado no crepúsculo da contracultura, o livro parecia feito na medida para sua geração, que buscava uma nova voz de revolta para preencher o vácuo deixado pelo movimento hippie, que começava a perder força. Ao juntar “clássico” e “romântico”, Pirsig trouxe poesia a um mundo cada vez mais tecno-científico.

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*Fonte: oglobo

 

*Banjomanbold:
Apesar de cultuar esse livro desde garoto, confesso que não o tenho em minha estante. e olha, que livro é coisa que não falta por aqui. Mas pretendo em breve dar um jeito nisso através do site Estante Virtual. Faço questão de que seja uma edição usada e com a capa original de suas primeiras impressões aqui no Brasil (aquela com a ilustração do capacete e um motor meio psicodélico).
*Este livre aqui já teve três versões diferentes de capas e essa da primeira leva continua sendo a minha preferida, as outras são feias prá cacete.

Mas em tempo, já li o livro sim, mas apenas em uma versão em PDF (free) que o meu amigo Pretto me deu há alguns anos atrás.

>> baixe ou leia AQUI:
https://pedropeixotoferreira.files.wordpress.com/2014/03/robert-pirsig-zen-e-a-arte-da-manutenc3a7c3a3o-de-motocicletas.pdf


Desde pequeno eu tenho o gosto pela leitura, coisa incentivada em minha casa pela minha mãe que foi professora primária. Não foram poucas as oportunidades em que em minha adolescência eu estive em livrarias – ah…. taí uma coisa que curto MUITO até hoje – com esse livro em minhas mãos. Mas sei lá, por algum motivo qualquer no final das contas acabava mesmo levando algum outro livro – (bocaberta).

Mesmo lendo a sua versão em PDF, já nos começo do livro me passou uma sensação muito boa. Sim, tem também algumas partes um pouco chatas mas que de forma alguma o torna um livro ruim. Não é como um “On The Road” do Jack Keruac, mas é legal. Tem um sutil toque filosófico mas passa longe de ser uma obra religiosa ou então sobre meditação transcendental. Nada disso. É uma ficção mas também de modo algum sob o aspecto de um Hell’s Angels….rsrsrs

Não vou comentar muito sobre o livro, mas espero que de alguma forma alguém que leia aqui o blog se sensibilize e acabe por lê-lo também. Tenho certeza de que se você for uma pessoa de espírito livre, vai curtir.

Talvez esse livro na realidade separe os “motociclistas de verdade”, daqueles que só pensam em acelerar e mesmo de capacete tem a cabeça “vazia”…

 

Abaixo separei dois pequenos trechos só para dar um aperitivo da leitura:

“Quando a gente passa as férias viajando de moto, vê as coisas de um jeito completamente diferente. De carro a gente está sempre confinada, e como já estamos acostumados, nem notamos que tudo que vemos pela janela não passa de mais um programa de televisão. Sentimo-nos como um espectador, a paisagem fica passando monotonamente na tela, fora do nosso alcance.”

“Já na motocicleta, não há limites. Fica-se inteiramente em contato com a paisagem. A gente faz parte da cena, não fica só assistindo, e a sensação de estar presente é esmagadora. Aquele concreto zunindo a uns quinze centímetros da sola dos pés é real, é o chão onde se pisa, está bem ali, tão indistinto devido à velocidade que nem se pode fixar a vista nele; e, no entanto, para tocá-lo basta esticar o pé. A gente nunca se desliga daquilo que está acontecendo.”

 

E lembre-se, por causa de livros como esse que várias pessoas do mundo todo resolveram subir em uma motocicleta e saírem por aí, mundo afora em sentimento de liberdade.

Tenha uma boa viagem Robert Pirsig.
Thanks! Meu muito obrigado. Sua obra foi uma grande influência para mim, com certeza. Nosa vida é feita de uma coletânea de momentos e novas experiências, não de acúmulo de dinheiro…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

11 livros infantojuvenis que todos deveriam ler ao longo da vida

1 – O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder:
“Nenhum outro livro explica aos jovens de forma tão simples as principais linhas de pensamentos filosóficos. Sem contar que o enredo da história de Sofia prender o leitor até o final, que é arrasador!”

2 – Ponte para Terabítia, Katherine Paterson:
“Porque a vida pode ser simples, nossa imaginação pode ser incrível e também porque nem sempre os finais são felizes”.

3 – O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry:
“É um lindo clássico”.

4 – O Mágico de Oz, L. Frank Baum:
“É indispensável”.

5 – Desventuras em Série, Lemony Snicket:
“É uma série de treze volumes, então podem ser lidos aos poucos ao longo da vida.”

6 – Ei! Tem Alguém Ai?, Jostein Gaarder:
“Livro que abre reflexões, distrai e ainda pode mudar suas percepções da vida com simplicidades”.

7 – Meu Pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos:
“O livro narra a visão de uma criança sobre os problemas sociais que a cercam. A pureza é contrastada pela dureza da vida. É uma imersão nos valores humanos através da perspectiva de alguém jovem e com quem podemos nos identificar de imediato”.

8 – Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll:
“É uma das obras primas de toda cultura pop, servindo de inspiração/referência para inúmeras obras posteriores. Logo, conhecer esta obra é conseguir intertextualizar com muitas outras (desde Matrix a Batman v Superman). É um texto de várias camadas, podemos interpretar tudo como apenas uma viagem de imaginação ou teoria de multiversos, visto que Lewis Carroll era matemático também. Ou mesmo relevando esta parte matemática, é uma bela história que deixa o antropocentrismo de lado e mostra outro mundo!”.

9 – O Senhor dos Aneis, J. R.R. Tolkien:
“Eu li quando era adolescente e me apaixonei. Tem gente que leu quando adulto e discorda. Mas acho que a ficção encanta a todos”.

10 – Aruá, o Boi Encantado, Luís Jardim:
“Um livro maravilhoso que traz uma reflexão linda sobre ser humilde”.

11 – Harry Potter, J.K. Rowling:
“Além dos exemplos morais seu estilo é leve, fluido e viciante enquanto inocula sua poesia vibrante e mágica”.

 

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*Fonte: revistagalileu

5 coisas que você não sabia sobre ‘O Pequeno Príncipe’

Conheça alguns fatos curiosos sobre Antoine de Saint-Exupéry e da criação de “O Pequeno Príncipe”

1. Saint-Exupéry jamais ficava satisfeito com o que escrevia. A célebre frase “On ne voit bien qu’avec le cœur. L’essentiel est invisible pour les yeux”, que pode ser traduzida como “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos“, foi reescrita mais de dez vezes antes de alcançar sua forma final. Os manuscritos originais de O Pequeno Príncipe foram editados pelo próprio autor incontáveis vezes. No processo, páginas inteiras foram concentradas em uma única frase, reduzindo a obra a metade de seu tamanho original.

2. O autor costumava trabalhar na madrugada, e acordava seus amigos sem constrangimento para pedir conselhos e sugestões sobre as passagens mais difíceis. Era comum que começasse a trabalhar às duas da manha e fosse dormir no nascer do sol, quando sua secretária chegava e digitava seu trabalho com ele dormindo no sofá. Ele adorava receber amigos nas refeições, mas era comum que os convidados chegassem à uma da tarde à sua casa e precisassem acordar o anfitrião exausto.

3. Saint-Exupéry era aviador, e morreu servindo a força aérea francesa no final da Segunda Guerra Mundial . Decolou da da ilha da Córsega, às 8h45 do dia 31 de julho de 1944, para uma missão de reconhecimento sobre o território francês ocupado pelo exército nazista. Ele coletava informações para preparar um desembarque dos aliados em Provença. Seu avião foi abatido pelo piloto alemão Horst Rippert, que admitiu, arrependido, aos 88 anos, ser o autor dos disparos. Os destroços do caça P-38 foram encontrados só 60 anos depois da data de seu desaparecimento, no litoral da Marselha. A insígnia do esquadrão de reconhecimento GR I/33, um dos quais o autor fez parte, leva uma ilustração do Pequeno Príncipe em sua insígnia, e hoje é operado com drones.

4. A primeira tradução brasileira de O Pequeno Príncipe foi feita pelo monge beneditino Dom Marcos Barbosa em 1954, e publicada pela Editora Agir. Durante 60 anos ela foi a única disponível no mercado, e eternizou uma interpretação questionável. Na frase “Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé” , traduzida como “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, a palavra apprivoisé não significa cativar na acepção mais delicada e emocional da palavra, mas sim algo como “domesticar” ou “domar”, como se faz com um bicho de estimação.

5. O Pequeno Príncipe foi traduzido para uma série de línguas inusitadas. Uma delas foi o Toba, um idioma indígena do norte da Argentina que até então só possuía uma tradução do Novo Testamento da Bíblia. Outra versão curiosa é em Latim. Até o Esperanto, idioma artificial criado com a intenção de ser uma língua franca internacional, ganhou sua versão. Há 47 traduções coreanas para a obra, e mais de 50 versões chinesas. Essa imensa variedade de versões torna o livro um objeto frutífero para estudos tradutórios comparativos.

 

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*Fonte: portalraizes

 

Os 10 livros ocultistas mais influentes da história

O LIVRO DA LEI (Liber AL vel Legis)
AUTOR: Aleister Crowley
PUBLICAÇÃO: 1904

Essa obra explica os conceitos básicos da Thelema, uma religião criada pelo ocultista britânico Aleister Crowley. Mas o livro não é escrito a partir do ponto de vista do autor, mas de três entidades da mitologia egípcia, Nuit, Hadit e Ra-Hoor-Khuit. Talvez seja a obra ocultista mais importante do século 20 e Crowley afirmava ter escrito o texto em apenas três dias, ditado das palavras de Aiwass, outra entidade, cuja voz ele dizia escutar. A obra e Crowley viraram ícones culturais, citados por Beatles, Led Zeppelin, David Bowie e Ozzy Osbourne, além, claro, de ter influenciado Raul Seixas e sua Sociedade Alternativa.
TRÊS LIVROS DE FILOSOFIA OCULTA (De Occulta Philosophia Libri Tres)
AUTOR: Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim
PUBLICAÇÃO: Século 16

Escrita por um famoso ocultista medieval, o teólogo e astrólogo alemão Agrippa, essa obra foi essencial para discutir a relação entre ocultismo e religião no século 16. A obra mistura conceitos místicos, tirados da cabala, astrologia e alquimia, com ideias cristãs, analisando os vários nomes que a Bíblia utiliza para denominar Deus, além da existência de anjos. Embora aborde ensinamentos mágicos, a obra traz discussões acadêmicas sobre ocultismo, relevantes mesmo cinco séculos depois de publicada.
LIVRO DAS SOMBRAS (Book of Shadows)
AUTOR: Gerald Gardner
PUBLICAÇÃO: 1949

Texto fundador de uma das religiões modernas mais populares, a Wicca, foi escrito pelo próprio fundador, o ocultista britânico Gerald Gardner. Segundo o autor, o livro lhe foi dado por bruxas e se trata, na verdade, de um manuscrito antigo. Entre outros elementos da Wicca, o livro explica como preparar os rituais, as cerimônias de iniciação e como construir um altar, equipado com velas, incenso, bolos e vinho. Praticantes da Wicca costumam ter seus próprios exemplares do livro, muitas vezes copiado manualmente, com possíveis variações no conteúdo.
O MAGO (The Magus)
AUTOR: Francis Barrett
PUBLICAÇÃO: 1801

Logo no prefácio, o ocultista britânico Francis Barrett cita uma extensa lista de profetas, filósofos, alquimistas e feiticeiros que o influenciaram, como Paracelso, Zaratustra, Agrippa e Hermes Trismegisto. Entre os temas tratados, estão o poder contido em cada planeta, as propriedades mágicas dos quatro elementos, as virtudes dos números e como fazer poções e amuletos. O livro foi importante por resgatar conceitos antigos sobre magia e divulgar essas ideias para os magos europeus da época. Com isso, ajudou a reavivar a prática do ocultismo, que ganhou popularidade na Europa do século 19.
A BÍBLIA SATÂNICA (The Satanic Bible)
AUTOR: Anton LaVey
PUBLICAÇÃO: 1969

Uma obra ambiciosa, a Bíblia Satânica é a fundadora da seita moderna conhecida como satanismo, ou Igreja de Satã. Escrita pelo americano Anton LaVey, explica os fundamentos dessa sociedade, que defende o egoísmo como filosofia de vida. LaVey escreve contra, por exemplo, o altruísmo dos mandamentos cristãos e a ideia de que uma pessoa deve fazer o bem para receber o bem. Os termos do livro podem assustar, pois utiliza a palavra “Deus” para falar de Satã e tem seus capítulos nomeados em homenagem a entidades demoníacas: Satã, Lúcifer, Belial e Leviatã.
LIVRO DAS SOMBRAS DE HONORIUS (Liber Juratus)
AUTOR: desconhecido
PUBLICAÇÃO: Séculos 13 e 14

Assim como muitos grimórios eram atribuídos a Salomão, a lenda conta que esse livro teria sido escrito por Honório de Tebas, um mágico da Antiguidade que provavelmente não existiu, mas foi muito popular na Idade Média. O livro tem uma premissa curiosa: condensa os ensinamentos produzidos numa convenção de magos, incluindo palavras e rituais místicos. Honório também teria criado um sistema de escrita próprio, o alfabeto tebano, composto de símbolos misteriosos, desenhados a partir das formas angulares das letras M, N, V e W.
DOGMA E RITUAL DE ALTA MAGIA (Dogme et Rituel de la Haute Magie)
AUTOR: Eliphas Levi
PUBLICAÇÃO: 1854-1856

Composta de dois volumes, essa obra explica teorias e rituais mágicos. O livro ganhou fama por ser mais honesto do que os títulos de outros autores ocultistas da época, que tentavam convencer o leitor que estaria envolvido em alguma sociedade sobrenatural ou tentavam vender produtos e cursos. Ao focar na magia, Levi influenciou sociedades secretas, como a Ordem Hermética da Aurora Dourada, e mestres ocultistas, como Aleister Crowley. Também ajudou a popularizar as cartas do tarô na Europa, por incluir o baralho nos rituais do livro.
ENCICLOPÉDIA MAÇÔNICA REAL DE HISTÓRIA, RITOS, SIMBOLISMO E BIOGRAFIA (The Royal Masonic Cyclopaedia of History, Rites, Symbolism, and Biography)
AUTOR: Kenneth Mackenzie
PUBLICAÇÃO: 1877

Especialista em maçonaria, o britânico Kenneth Mackenzie é responsável pelo tratado mais famoso sobre essa sociedade. O livro traz explicações detalhadas sobre rituais maçônicos (como a ablução, uma cerimônia de purificação) e símbolos utilizados pela ordem. Publicada no final do século 19, a enciclopédia também traz histórias da ordem, biografias de famosos e elementos da arquitetura das lojas maçônicas
A DOUTRINA SECRETA (The Secret Doctrine)
AUTORA: Helena Blavatsky
PUBLICAÇÃO: 1888

Como conciliar a ciência do século 19 e as ideias ocultistas que começaram a surgir naquele período? Essa foi a missão da russa Helena Blavatsky nos dois volumes que compõem A Doutrina Secreta, publicados originalmente nos EUA e na Inglaterra, em 1888. Fundadora da teosofia, Blavatsky emprestou conceitos de religiões orientais, como ao explicar o surgimento do Universo por meio das ideias hindus de fluxos constantes e ciclos infinitos. A russa também descreveu o início da humanidade, que teria evoluído de seres sem forma, com períodos evolutivos em regiões como Lemúria e Atlântida.
A CHAVE DE SALOMÃO (Clavicula Salomonis)
AUTOR: desconhecido
PUBLICAÇÃO: Séculos 14 e 15

Chave de Salomão é um grimório, nome pelo qual apostilas mágicas medievais são conhecidas. A lenda diz que a obra foi escrita pelo próprio Salomão, filho de Davi e rei de Israel, que viveu entre os séculos 11 e 10 a.C. Mas indícios revelam que o livro deve ter sido escrito na Itália renascentista. Dividida em dois volumes, a obra traz desenhos, códigos e diagramas que explicam como realizar vários rituais e magias. Para conseguir algum resultado positivo, os aspirantes a magos precisariam seguir as receitas à risca e realizar os feitiços no período astrológico correto.

 

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*Fonte: mundoestranho

O Dia Nacional da Poesia

O dia nacional da poesia era em 14 de março, no aniversário de Castro Alves.

A partir de 2015, foi sancionada a lei 13.131, que mudou a data para o aniversário de Carlos Drummond de Andrade em 31 de outubro.
Ou seja, agora o dia nacional da poesia é em 31 de outubro.

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*Ano que vem mudam de novo para a data de nascimento de outro escritor…

Elogio da Sombra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Elogio da Sombra

A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)
pode ser o tempo de nossa felicidade.
O animal morreu ou quase morreu.
Restam o homem e sua alma.
Vivo entre formas luminosas e vagas
que não são ainda a escuridão.
Buenos Aires,
que antes se espalhava em subúrbios
em direção à planície incessante,
voltou a ser La Recoleta, o Retiro,
as imprecisas ruas do Once
e as precárias casas velhas
que ainda chamamos o Sul.
Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;
Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;
o tempo foi meu Demócrito.
Esta penumbra é lenta e não dói;
flui por um manso declive
e se parece à eternidade.
Meus amigos não têm rosto,
as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,
as esquinas podem ser outras,
não há letras nas páginas dos livros.
Tudo isso deveria atemorizar-me,
mas é um deleite, um retorno.
Das gerações dos textos que há na terra
só terei lido uns poucos,
os que continuo lendo na memória,
lendo e transformando.
Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte
convergem os caminhos que me trouxeram
a meu secreto centro.
Esses caminhos foram ecos e passos,
mulheres, homens, agonias, ressurreições,
dias e noites,
entressonhos e sonhos,
cada ínfimo instante do ontem
e dos ontens do mundo,
a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,
os atos dos mortos,
o compartilhado amor, as palavras,
Emerson e a neve e tantas coisas.
Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro,
a minha álgebra e minha chave,
a meu espelho.
Breve saberei quem sou.

 

Jorge Luis Borges

“El poema que Borges nunca escribió”

“Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito,
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.

Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.

Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia
a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e,
se voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo”

 

Você conhece esse poema?
Provavelmente já o leu ou alguém quem sabe, o tenha comentado algum dia com você. Se não o conhece, bem vale a leitura, é bom.
Mas acontece que erroneamente é considerado por muitos (há muitos anos), como sendo da autoria do escritor Jorge Luis Borges, mas na realidade não é. Nem se sabe ao certo o porque de atribuírem a ele, sua autoria.

Confira o texto abaixo de Elizabeth Lorenzotti que esclarece o assunto.

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Desvendado o enigma. Esta matéria saiu no jornal espanhol El Pais, de 10/5/99.
A autora da poesia é uma senhora americana, Nadine Stair.  Quem está brava é a Maria Kodama, mas acho que brava demasiado.  Afinal, essa poesia rodou o mundo, de repente. Eu  fiquei procurando nas obras completas de Borges e nunca encontrei. Se ela rodou o mundo, é porque alguma função há de ter. E a poesia, como diz Anónio Scarmeta (O carteiro e o poeta) é para quem precisa dela.
  Um abraço
                                    Elizabeth

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“El poema que Borges nunca escribió”

Una poetisa norteamericana es la autora de unos versos falsamente atribuidos al insigne argentino Jorge Luis Borges.
FRANCISCO PEREGIL, Madrid

El siguiente poema ha sido inscrito hasta en camisetas y tazas de porcelana; algunos lectores de Jorge Luis Borges, como Alfonso Guerra, ex vicepresidente del Gobierno, lo han reproducido en su última felicitación navideña, aunque se cubrió las espaldas sobre la autoría del mismo atribuyéndoselo a un “anónimo borgiano”. E incluso un anuncio de una compañía de seguros que se ve estos días en televisión parafrasea su comienzo:

“Si pudiera vivir nuevamente mi vida,  
en la próxima trataría de cometer más errores.  
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.  
Sería más tonto de lo que he sido;  
de hecho tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Correría más riesgos, haría más viajes,  
contemplaría más atardeceres,  
subiría más montañas,
nadaría más ríos.  

Iría a más lugares a donde nunca he ido,  
comería más helados y más habas,  
tendría más problemas reales y menos imaginarios
(…)”.
Pero también el anuncio en cuestión omite referirse al autor, que, según la creencia de la calle, sería Borges. Craso error, porque la verdadera
autora del apócrifo es una desconocida poetisa norteamericana llamada Nadine Stair, que lo publicó en 1978, ocho años antes de que Borges muriera, en Ginebra, a los 86 años.
La bola de nieve había comenzado a rodar en 1983. Aquel año, el escritor de best sellers Leo Buscaglia reproduce el citado poema en su libro Living,
loving & learning. Se lo atribuía a un hombre que sabía que iba a morir.  En 1986, el estadounidense Harold Kushner, autor de libros como ¿Quién
necesita a Dios?, publica Cuando nada te basta, cómo dar sentido a tu vida, libro de la editorial Emecé en cuya página 162 se lee: “Recuerdo haber leído un reportaje sobre una mujer de los montes de Kentucky, en el cual se le pedía que pasara revista a su vida y reflexionara sobre todo lo que había aprendido. Con el típico toque de nostalgia que tiñe toda evolución del pasado, la anciana respondió: ‘Si pudiera vivir nuevamente mi vida (…) He sido de esas que nunca iban a ninguna parte sin un termómetro, una bolsa de agua caliente, un paraguas y un paracaídas”.

Después de muerto Borges, la revista argentina Uno Mismo, especializada en psicología, publicó el poema bajo el título Instantes y se lo atribuyó al poeta argentino. María Kodama, viuda del escritor, consiguió que Uno Mismo rectificara y que el Ministerio de Cultura y Educación publicara  una gacetilla donde se aclarase quién fue la autora del poema. Pero en eso tardó ocho años.

Nadie sabía al principio de dónde procedían aquellas palabras. “Tardé demasiado tiempo en descubrir que ese poema fue publicado originariamente en inglés”, afirma Kodama. Cuando consiguió reparar el entuerto, el poema se había expandido a base de fotocopias por los
institutos y universidades de medio mundo.

El año pasado, en la librería de Alfonso Guerra en Sevilla, una mujer próxima al ex vicepresidente le confesó a María Kodama su admiración por esos versos, su identificación con el contenido. A lo cual, Kodama contestó: “Si Borges hubiera escrito eso yo habría dejado de estar enamorada de él en ese momento”.

“El poema, sin ningún valor literario”, ha escrito Kodama, “desvirtúa el mensaje de la obra de Borges. Amparándose en una firma famosa, se
intenta transmitir un sentido de la vida completamente materialista, sin ninguna busca de perfección espiritual ni inquietud intelectual”. 

 

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*Fonte: jornaldapoesia

Os 11 livros mais polêmicos da história

PRODÍGIO DA POLÊMICA
Livro: Sarah (1999)
Autor: Jeremiah “Terminator” LeRoy

É um romance supostamente baseado na infância do autor, representado por um garoto de 12 anos, chamado Cherry Vanilla, que deseja virar uma mulher famosa. Com forte carga de prostituição e abuso sexual infantil, a história caiu no gosto até de celebridades. Em 2006, o autor foi desmascarado e revelou-se que a pessoa que se passava por LeRoy era uma modelo contratada. A real autora era uma ex-operadora de telessexo. A farsa contribuiu ainda mais para seu sucesso

BLASFÊMIA LUCRATIVA
Livro: Deus, um Delírio (2006)
Autor: Richard Dawkins

O biólogo britânico expõe argumentos para provar a inexistência de Deus, faz apologia ao ateísmo e aponta a religião, de modo geral, como principal causa dos males modernos: guerras, ignorância, intolerância etc. Sucesso de vendas, a obra inflamou a discussão entre religiosos e ateus no meio acadêmico e gerou dezenas de artigos e até livros contrários a suas ideias. Dawkins virou ícone do ateísmo

SENTENÇA DE MORTE
Livro:Versos Satânicos (1989)
Autor: Salman Rushdie

A obra conta a aventura de dois muçulmanos que sobrevivem a um atentado a bomba em um avião. Depois da queda, um deles desenvolve chifres, cascos e um rabo. O outro cria uma auréola. Recheado de ironias e críticas ao Alcorão e ao islamismo, o livro culminou na busca pela cabeça do autor – líderes religiosos ofereceram US$ 6 milhões como recompensa pelo seu assassinato. Rushdie teve que se manter no anonimato durante muitos anos

AMOR NÃO TEM IDADE
Livro: Lolita (1955)
Autor: Vladimir Nabokov

Rejeitado por várias editoras, que o taxaram de pornografia pura, Lolita é um romance escrito em primeira pessoa que conta a história de Humbert Humbert, professor de poesia francesa quarentão que se apaixona por sua enteada de 12 anos e vive com ela uma relação amorosa e erótica. Humbert se define como um pervertido e atribui seus atos a um romance malsucedido da juventude. Inspirou dois filmes, também controversos

MALDIZENDO A MADAME
Livro: Madame Bovary (1857)
Autor: Gustave Flaubert

Avançada para os padrões da época, a fictícia madame Bovary comete adultério e se entrega ao consumismo desenfreado (e às dívidas que vêm junto) para dar sentido à sua vida carente de aventuras. Acaba tendo um final trágico e meio moralista. Por fazer críticas ao clero e à burguesia, o romance causou furor na época, com o autor sendo levado a julgamento por ofender a moral e a religião. Absolvido, Flaubert declarou no tribunal: “Emma Bovary sou eu”

O SONHO ACABOU?
Livro: A Interpretação dos Sonhos (1900)
Autor: Sigmund Freud

Obra em que o pai da psicanálise relaciona os sonhos às projeções do inconsciente. Para o médico austríaco, qualquer sonho pode ser explicado, diferentemente do que alguns estudiosos acreditavam. Mal recebido, o livro causou polêmica por contrariar as teorias da época, que diziam que os sonhos não eram inteligíveis. As interpretações sexuais foram um dos motivos de maior escândalo

MIL E UMA PERVERSÕES
Livro: Os 120 Dias de Sodoma (1785)
Autor: Marquês de Sade

Não é à toa que o nome do autor deu origem à palavra “sadismo”: o livro tem escatologia (uma cena narra um banquete com pratos com fezes), incesto, tortura (inclusive de crianças), orgias e assassinato. Uma leitura mais atenta aponta que a violência foi o recurso do escritor para afrontar as instituições da Igreja, da família e do Estado. Preso diversas vezes e perseguido ao longo da vida pelo comportamento libertino, Sade morreu em um hospício

AO ALTO E ALÉM
Livro: Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos (1584)
Autor: Giordano Bruno

Precursor da filosofia moderna, o livro se baseia na teoria do astrônomo e matemático Copérnico, que afirmava que a Terra não era o centro do Universo. Para o autor, o Universo seria infinito e com um número infinito de mundos, todos em sistemas heliocêntricos (ou seja, que têm um Sol como centro), com seres inteligentes. O autor acabou executado como herege pela Inquisição

TÁ DE MACAQUICE?
Livro: A Origem das Espécies (1859)
Autor: Charles Darwin

Um dos livros mais importantes da história da ciência, apresenta a Teoria da Evolução, cujos preceitos se tornaram a base da biologia moderna. Na obra, Darwin analisa a luta pela sobrevivência e a seleção natural entre as espécies. Mas foram as teorias de que o homem veio do macaco que geraram comoção, principalmente porque contradizem totalmente o livro do Gênesis, na Bíblia, que trata da suposta criação do mundo por Deus

MANIFESTO DO MAL
Livro: Minha Luta (1925/1926)
Autor: Adolf Hitler

A “cartilha do nazismo” expressava as ideias antissemitas e racistas do ditador, que escreveu o primeiro dos dois volumes na prisão. Foi meio que uma sementinha da 2a Guerra Mundial e do Holocausto, já que, em suas páginas, Hitler persuadia os alemães a combater os judeus, que, segundo ele, pretendiam dominar o país. O livro caiu em domínio público em 2016, provocando polêmica no mundo todo

A OBRA DA DISCÓRDIA
Livro: Bíblia (ano indeterminado)
Autor: vários (mais de 40)

Fiéis, cientistas, ateus e diversos outros grupos levantam dúvidas sobre autoria, idiomas e datas. Além disso, seu conteúdo sempre gerou incertezas e muitas análises, principalmente as partes sobre o pecado original, o Apocalipse e a criação divina. Trechos sobre penas de morte, sacrifícios, violência contra crianças, bebedeiras e sexo sempre são trazidos à tona por seus detratores. A Bíblia também é muito analisada por seguidores de outras crenças além da cristã, o que contribui para que gere polêmicas

 

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*Fonte: mundoestranho /

 

 

Lou Reed – Transformer

O livro da biografia de Lou Reed, Transforme: A História Completa de Lou Reed, narra a trajetória e as transformações do líder da emblemática banda The Velvet Underground, ao longo de 40 anos de sua carreira.

O autor, Victor Bockris, relata desde o tratamento de eletrochoque ao qual Lou foi submetido na adolescência – último recurso da tentativa frustrada de seus pais de barrar sua rebeldia e sua homossexualidade – até os sucessos e as polêmicas de sua carreira solo, passando pelas relações conflituosas com suas musas e pelos problemas com drogas. A obra também traz relatos de quem o conheceu de perto, como John Cale, Andy Warhol, Nico, Laurie Anderson, William S. Burroughs e David Bowie.

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O Escaravelho do Diabo

Já está nos cinemas o filme nacional baseado na adaptação-infanto juvenil da obra “O Escaravelho do Diabo”, de Lúcia Machado de Almeida. Não vou me extender sobre o assunto, até porque já foi uma ou duas vezes post aqui no blog. O recado é de que esse filme já está em cartaz nos cinemas. Li uma crítica e não foi lá muito boa, mas enfim, como sou curioso, vou tentar assistir assim mesmo.

 

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João Ubaldo Ribeiro

Sem querer fazer deste blog um obituário, mas com pesar se noticia a morte do escritor João Ubaldo Ribeiro, um dos escritores nacionais preferidos aqui da diretoria.

Prêmios:
– Prêmio Golfinho de Ouro, do Estado do Rio de Janeiro, conferido, em 1971, pelo romance Sargento Getúlio;
– Dois prêmios Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1972 e 1984, respectivamente para o Melhor Autor e Melhor Romance do Ano, pelo romances Sargento Getúlio e Viva o povo brasileiro;
– Prêmio Altamente Recomendável – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil,1983, para Vida e Paixão de Pandonar, o Cruel;
– Prêmio Anna Seghers, em 1996 (Mogúncia, Alemanha);
– Prêmio Die Blaue Brillenschlange (Zurique, Suíça);
– Detém a cátedra de Poetik Dozentur na Universidade de Tubigem, Alemanha (1996).
– Prêmio Lifetime Achievement Award, em 2006;
– Prêmio Camões, em 2008.

Romances:
– Setembro não tem sentido – 1968
– Sargento Getúlio – 1971
– Vila Real – 1979
– Viva o povo brasileiro – 1984
– O sorriso do lagarto – 1989
– O feitiço da Ilha do Pavão – 1997
– A Casa dos Budas Ditosos – 1999
– Miséria e grandeza do amor de Benedita (primeiro livro virtual lançado no Brasil) – 2000
– Diário do Farol – 2002
– O Albatroz Azul12 – 2009

Contos:
– Vencecavalo e o outro povo – 1974
– Livro de histórias – 1981. Reeditado em 1991, incluindo os contos “Patrocinando a arte” e “O estouro da boiada”, sob o título de Já podeis da pátria filhos

Crônicas:
– Sempre aos domingos – 1988
– Um brasileiro em Berlim – 1995
– Arte e ciência de roubar galinhas – 1999
– O Conselheiro Come – 2000
– A gente se acostuma a tudo – 2006
– O Rei da Noite – 2008

Ensaios:
– Política: quem manda, por que manda, como manda – 1981

Literatura infanto-juvenil:
– Vida e paixão de Pandonar, o cruel – 1983
– A vingança de Charles Tiburone – 1990
– Dez bons conselhos de meu pai – 2011

joao ubaldo ribeiro

Bio de Dave Grohl

Aquele cara que ficou muito famoso como o baterista maluquinho (bem, quem não era naquela banda!?), do Nirvana, que mais tarde vio a criar uma das maiores bandas da atualidade , o Foo Fighters e responde pelo nome de Dave Grohl, agora vai lançar a sua biografia. O livro com lançamento previsto para este mês, leva o título de “Dave Grohl – Nada a Perder” (Edições Ideal, 200 pág.), foi escrito por Michael Heatley, um veterano no assunto bio de rockstars. Eu já estou interessado, e você?

*Fonte: Clic RBS

Nei Lisboa é Foch!

Como o tempo está correndo, mesmo contra a minha vontade, último dia do ano aquela coisa e tal, este é o livro que estou terminando de ler quase no apagar das luzes de 2009. Semana passada fui trocar um vale presente de Natal na livraria Iluminura e encontrei este livro do Nei Lisboa de cantinho. Fiz a minha troca mas levei este de contrapeso. Uma vez eu li uma parte do seu primeiro livro – Um Morto Pula a Janela, mas não consegui ler todo o livro porque tive de devolver antecipadamente (era emprestado e o dono do livro não foi lá muito paciente – sabe, aquela típica gentileza germânica, eu diria), agora não disperdicei a oportunidade. Adquiri o “É Foch” e vai ser esta a minha leitura final de 2009. Outras virão, a lista de espera é grande aqui na estante, mesmo que isso não valha como uma daquelas tradicionais resolução de final de ano, prometo me esforçar mais nas leituras nesse 2010. Tenho lido frequentemente, mas pode ser melhor, sei disso! Voltando ao Nei Lisboa, ele prá mim nunca foi um escritor, mas sim um músico muito importante em minha vida e de meus amigos na adolescência e porque não dizer, até hoje. Tenho vários de seus discos (sim,  em LP mesmo), mas prefiro os clássicos dos 80’s: Carecas da Jamaica (1987) e o Hein!? (1988), que guardo como se fosse um tesouro. Tá, os do Vitor Ramil também. Agora estou lendo o Nei, mas suas músicas ainda me são mais importantes. Os discos que já mencionei foram trilha sonora de vários momentos em minha vida, ele lançou vários outros mais tarde, mas acontece que meu lado birrento gosta é desses dois e pronto!

A curiosidade bateu? Quer saber mais do Nei Lisboa, faz aquela conferida básica AQUI.