Mãe e filha criam editora para lançar livros de autoras brasileiras

Divórcio, educação de mulheres, feminismo. Esses são alguns dos temas já abordados por autoras brasileiras que publicaram livros nos séculos 19 e 20. Muitos desses livros não chegaram a ter espaço no mercado editorial e acabaram no esquecimento. Para resgatar essas obras, a jornalista Ana Maria Leite Barbosa e a filha, Carol Engel, formada em marketing e com experiência no mercado editorial, criam a Janela Amarela Editora.

Criada em plena pandemia, em 2020, a editora, além de publicar autores independentes, conta hoje com sete títulos, todos escritos por mulheres, entre os anos de 1801 e 2000, nos formatos físico e digital. “Muitas delas já estavam discutindo nessa época assuntos que discutimos atualmente”, diz Carol.

Carol trabalhava em uma editora quando veio a pandemia de covid-19. Ela teve o salário e a carga horária reduzidos. Ao mesmo tempo, a mãe, Ana Maria, desligou-se da empresa onde trabalhava. Com tempo livre disponível e em busca de uma atividade para recompor o orçamento, juntas, fundaram a Janela Amarela Editora. O nome surgiu, inicialmente, por conta da sonoridade. A partir daí, Carol e Ana Maria foram entendendo que combinava tanto a ideia de que pelas janelas entram e saem notícias, ideias e conversas, quanto o amarelo da luz e da energia, que geram criatividade.

“Eu estava lendo muitos clássicos ingleses e me perguntando: ‘Estou lendo as inglesas todas que escreveram por volta de 1800, e cadê as brasileiras? Ninguém escrevia nessa época?”, diz Carol. Foi a partir desse questionamento que veio a ideia de buscar autoras brasileiras que publicaram nos séculos 19 e 20.

Há 200 anos, o Brasil, recém independente de Portugal, vivia um regime imperial. A escravidão era legal e institucionalizada e assim foi até 1888. No século 19, a gestão do lar e a educação dos filhos cabia às mulheres. Os homens brancos dominavam o mercado de trabalho nas cidades e ocupavam as posições de poder. Segundo a publicação do Senado Federal Escritoras do Brasil, o Censo realizado em 1872, apurou que 23,4% dos homens eram alfabetizados, enquanto 13,4% das mulheres sabiam ler e escrever, sendo que elas eram, praticamente, a metade da população, 48%.

Escolha das autoras
Feito o recorte temporal, Carol e Ana Maria precisavam, então, escolher uma primeira autora, para dar início aos trabalhos da Janela Amarela. Como se trata de uma editora pequena, a ideia foi começar com obras de domínio público, ou seja, obras que podem ser reproduzidas e distribuídas sem necessidade de autorização. “A gente queria que fosse domínio público, mas não queria que fosse o domínio público que todo mundo tem, como Memórias Póstumas de Brás Cubas [de Machado de Assis] ou O Cortiço [de Aluísio Azevedo]. A gente queria uma coisa nova”, conta Carol.

Julia Lopes de Almeida veio em um sonho. O livro A Árvore, escrito por ela, era o livro de cabeceira da mãe de Ana Maria, avó de Carol. Quando ela faleceu, Ana Maria ficou com a obra, mas nem sequer a folheou. Até que um dia, sonhou com o livro. “Quando ela olhou o livro, viu que era de uma mulher, e uma mulher que estava em domínio público. Na época, eu estava justamente lendo A Falência [da mesma autora]. Ela chegou na sala e falou: ‘Já sei quem vamos publicar’”.

A carioca Julia Lopes de Almeida viveu entre 1862 e 1934. É autora de contos, peças teatrais, novelas e romances. Ocupou as primeiras páginas de jornais da época, espaço então reservado para os escritores homens. Republicana, defensora da abolição do regime escravocrata, do divórcio e da educação feminina, escreveu por 30 anos no jornal O Paiz e teve textos publicados na Gazeta de Campinas, Jornal do Commercio, Tribuna Liberal, A Mensageira, A Família, Kosmos, entre outros veículos.

Julia Lopes de Almeida foi também a única mulher a participar das reuniões que deram início a Academia Brasileira de Letras (ABL), mas, como conta Ana Maria, apesar de trabalhar tanto pela instituição, não pode fazer parte simplesmente por ser uma mulher. A autora tem títulos já publicados, mas tem também outros desconhecidos. E eles viraram o foco da editora.

Divórcio e educação
As autoras escolhidas têm características comuns, todas são consideradas de alguma forma revolucionárias e abordam temas que eram tabus na época em que viveram, como o divórcio, que só foi instituído oficialmente no Brasil em 1977. Outro tema era a educação feminina. A publicação feita pelo Senado Federal mostra que, em 1853, o país contava com uma população de aproximadamente 9 milhões de habitantes, entre os quais somente 55,5 mil estavam matriculados nas escolas, sendo que apenas 8.443 eram mulheres. Foi no século 19 que as mulheres passaram a poder trabalhar como professoras, mas ainda sem poder ocupar cargos superiores, como o de diretora de escola.

“Já se falava muito na educação feminina, a maioria das autoras foca nisso. Não sei se por acaso, mas a gente pegou autoras que estão preocupadas com isso, que falam que as mulheres tinham que estudar. Dizendo, dentro do contexto da época que as mulheres tinham que cuidar do lar, mas nada impedia que tivessem suas publicações. Quantos homens não escreviam seus livros e eram advogados e jornalistas?”, diz Carol.

Em Cruel Amor, segundo a editora, Júlia Lopes de Almeida trabalha com personagens femininas e questiona por que não pode casar com o homem que quer e, se for do seu desejo, por que não casar inclusive por dinheiro?

Pesquisa
As obras da Janela Amarela são impressas sob demanda e enviadas para todo o país. Por meio de parcerias, a editora consegue também imprimir obras no exterior, também sob demanda. A divulgação é toda feita na internet e é também pela internet, por meio das redes sociais, que mãe e filha recebem indicações de autoras. Um dos livros da editora, A Divorciada, de Francisca Clotilde, veio de uma indicação no Instagram.

“Uma das leitoras, pelo Instagram, nos falou dela. Foi difícil de achar, porque a edição que encontramos estava incompleta. Ana Amelia Mota, que estuda Francisca Clotilde, que tinha a obra, nos mandou fotos da edição dela e a gente conseguiu completar”, diz. Francisca fazia parte da Academia Cearense de Letras, instituição que segundo Carol, as cumprimentou pela publicação.

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Fonte: revistapnge

Brasil perdeu quase 800 bibliotecas públicas em 5 anos

Entre 2015 e 2020, o Brasil perdeu ao menos 764 bibliotecas públicas, segundo dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), mantido pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo.

Em 2015, a base de dados contava 6.057 bibliotecas públicas no Brasil, número que caiu para 5.293 em 2020, dado mais recente disponível no site do SNBP.

Para especialistas em biblioteconomia, a queda no número de bibliotecas revela um descaso do poder público com a população mais vulnerável, que não tem acesso a livrarias.

Eles também alertam que o número de bibliotecas fechadas pode ser ainda maior, devido à atual fragilidade do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, após a extinção do Ministério da Cultura, e da falta de controle efetivo pelos sistemas estaduais, cujos dados alimentam o sistema nacional.

Bibliotecas públicas são aquelas mantidas pelos municípios, Estados, Distrito Federal ou governo federal, que atendem a todos os públicos. São consideradas equipamentos culturais e, portanto, estão no âmbito das políticas públicas do governo federal — antes, sob o Ministério da Cultura e atualmente, com a extinção da pasta, sob a Secretaria Especial da Cultura.

Não entram nessa conta as bibliotecas escolares e universitárias, que têm como público-alvo alunos, professores e funcionários das instituições de ensino.

Procurada pela BBC News Brasil, a Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo não respondeu a questionamento sobre o que explica o fechamento de centenas de bibliotecas públicas nos últimos anos, nem qual a política do governo Jair Bolsonaro (PL) para bibliotecas.

O Plano Nacional de Cultura, conjunto de objetivos para o setor em vigência desde 2010 cuja validade foi prorrogada por Bolsonaro até 2024, tem como uma das metas “garantir a implantação e manutenção de bibliotecas em todos os municípios brasileiros”.

A perda de mais de 700 bibliotecas nos últimos anos deixa o país cada vez mais distante desta meta. Bibliotecas públicas no Brasil. País perdeu 764 bibliotecas entre 2015 e 2020.

SP e MG foram os que mais fecharam bibliotecas
Das 764 bibliotecas públicas fechadas em cinco anos, 698 (ou 91% do total) estavam localizadas nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo em sua maioria bibliotecas municipais.

São Paulo tinha 842 bibliotecas públicas em 2015, segundo o SNBP, número que caiu para 304 em 2020, com a perda de 538 unidades em cinco anos. O montante representa 70% de todas as bibliotecas fechadas no país no período.

A SP Leituras, organização social atualmente responsável pela gestão do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB), confirmou que os números registrados no sistema nacional estão corretos e foram fornecidos pelo SisEB, ponderando, porém, que podem tratar-se de dados intermediários e não do recadastramento oficial feito ao final de cada ano.

Segundo a organização, parte da queda no número de bibliotecas é explicada pela pandemia, que levou ao fechamento provisório ou permanente de diversas unidades.

Questionada sobre os motivos dos fechamentos desde 2015, antes da pandemia, a SP Leituras remeteu o questionamento à Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo.

“É difícil concluir o motivo da variação (ou queda) de número de instituições. Sabemos que, infelizmente, muitas bibliotecas foram sendo fechadas ano após ano, mas não podemos afirmar, com certeza absoluta que estes são os números finais”, respondeu a pasta, por e-mail.

Minas Gerais, por sua vez, somava 888 bibliotecas públicas em 2015, número que caiu para 728 em 2020, uma perda de 160 bibliotecas em cinco anos, conforme os dados do SNBP.

Procurada para comentar a queda no número de bibliotecas, a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais respondeu que “o Governo de Minas se responsabiliza pelos dados do cadastro estadual, sendo que em Minas Gerais, o número de bibliotecas públicas cadastradas no Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, no dia de hoje [12/7] é de 752 equipamentos”.

Ainda conforme a pasta, a atualização é realizada a cada quatro anos e o novo recadastramento será feito em dezembro de 2022. “Outros cadastros são de responsabilidade dos entes pelos quais são gerados e, cabe aos municípios participarem ou não dos mesmos”, completou a secretaria.

O fechamento de bibliotecas entre 2015 e 2020 no país reverte tendência de anos anteriores.

De 2004 a 2011, período em que durou o Programa Livro Aberto do governo federal em parceria com municípios, 1.705 novas bibliotecas foram criadas no Brasil e 682 modernizadas, segundo informações do próprio site do SNBP.

A BBC News Brasil solicitou ao SNBP a série histórica do cadastro de bibliotecas públicas em funcionamento no Brasil ano a ano, mas não obteve resposta.

O levantamento foi feito então comparando os dados referentes a 2015 disponíveis no antigo site do SNBP arquivado pelo projeto Internet Archive e os dados referentes a 2020, disponíveis atualmente no site do Ministério do Turismo.

‘Descaso com os mais vulneráveis’
Fábio Cordeiro, presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), avalia que o fechamento de bibliotecas no Brasil nos últimos anos é explicado por uma série de fatores.

“Bibliotecas são equipamentos culturais e, durante esse último período, tivemos a eliminação do Ministério da Cultura e uma falta de valorização desses equipamentos”, afirma Cordeiro. “O fechamento das bibliotecas públicas revela a falta de investimento e de interesse do governo.”

Ele cita ainda um descaso com a população de baixa renda, que depende mais das bibliotecas.

“Há uma falta de políticas voltadas para a parte mais vulnerável da população, que não tem acesso a livrarias, não tem renda para poder comprar livros. Justamente quem mais precisa de bibliotecas são as pessoas mais vulneráveis, que não tem o acesso tão fácil ao livro.”

As vendas de livros no Brasil caem ano após ano. Em 2013, ano de melhor desempenho do mercado livreiro nacional na última década, as vendas das editoras para livrarias somaram 279,7 milhões de exemplares, segundo levantamento realizado pela Nielsen BookData para a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).

No ano passado, foram 191 milhões de livros vendidos, uma queda de 1% em relação aos 193 milhões de livros vendidos em 2020 e recuo de 32% em relação ao pico de 2013.

Também em 2021, o rendimento médio mensal dos brasileiros caiu ao menor patamar desde 2012, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), para R$ 1.353.

Ainda conforme o IBGE, o percentual de municípios brasileiros com bibliotecas públicas caiu de 97,7% em 2014, para 87,7% em 2018, segundo a edição mais recente da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) que incluiu este tema. O percentual subia ano a ano até 2014, quando passou a cair.

Cordeiro cita ainda o avanço das novas tecnologias como um fator que tem reduzido o público das bibliotecas.

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro, em 2019, 68% dos brasileiros diziam nunca frequentar bibliotecas.

Mas o fechamento de unidades parece também influenciar nisso, já que, naquele ano, 45% dos entrevistados diziam não existir biblioteca pública em sua cidade ou bairro, acima dos 20% que davam essa mesma resposta em 2007.

Adriana Ferrari, diretora técnica da Biblioteca Florestan Fernandes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e vice-presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (Febab), avalia que há uma fragilidade nos dados disponibilizados pelo SNBP, porque não há uma coleta efetiva de informações.

Atualmente, segundo o SNBP, a coleta é feita em parceria com os Sistemas Estaduais e Distrital de Bibliotecas Públicas.

“Alguns Estados têm um controle mais eficaz sobre seus sistemas estaduais, outros têm um controle mais frágil. Então essa queda maior na região Sudeste pode ser um resultado da qualidade da coleta de dados”, afirma.

“Não me sinto segura em assumir que foram só essas [764] bibliotecas que fecharam. Acredito que esse número pode ser ainda maior, porque vemos um sucateamento há anos de todo o sistema de acesso à informação, à leitura, à cultura e das bibliotecas em si”, diz Ferrari.

A bibliotecária observa que o Plano Nacional de Cultura nunca foi cumprido. E, mesmo após a aprovação da Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE), conhecida como Lei Castilho (Lei 13.696/18), sancionada por Michel Temer (MDB), o objetivo de “universalização do direito ao acesso ao livro, à leitura, à escrita, à literatura e às bibliotecas” em nada avançou.

“Não temos nenhuma política pública em pé, não temos o Ministério da Cultura, que é a pasta que gerencia o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas. Então, o sistema existe, mas com uma estrutura extremamente fragilizada. Por isso, não avançamos. Pelo contrário, a gente vem retrocedendo”, afirma.

“A biblioteca não é só um espaço do livro e da leitura, ela é uma porta de infinitas possibilidades, de abertura de repertórios culturais. São espaços de encontros, de pertencimento, então elas vão além das coleções”, diz Ferrari, que defende o fortalecimento das políticas públicas para reverter esse cenário de retrocessos.

Durante a Bienal do Livro, realizada neste mês de julho em São Paulo, a CFB lançou a campanha #SouBibliotecaEscolar, que busca o cumprimento da Lei nº 12.244/2010 (Lei da Universalização das Bibliotecas Escolares), que determinou que todas as instituições públicas e privadas de ensino do país passem a contar com bibliotecas, com acervo mínimo de um título por aluno matriculado.

O prazo de cumprimento da lei se esgotou em 2020, sem que a meta fosse atingida.

Já a Febab lança em breve uma plataforma com o objetivo de mapear todas as bibliotecas, de todos os tipos (públicas, escolares, universitárias e comunitárias) do país. A ideia é poder monitorar e ajudar os sistemas estaduais a ter dados mais consistentes sobre esses equipamentos públicos.

– Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62142015

*Por Thais Carrança
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*Fonte: bbc-brasil

Caetano Veloso vai lançar livro para comemorar seus 80 anos

Livro Letras, que será editado pela Companhia das Letras, trará todas as composições do artista baiano. O poeta e ensaísta Eucanaã Ferraz ficará responsável pela organização do projeto.

O cantor e compositor Caetano Veloso lançará, ainda este ano, pela Companhia das Letras, o livro “Letras”, que trará todas as composições já realizadas pelo artista baiano. Caetano, que completa 80 anos em 7 de agosto, entregará este presente a todos os seus fãs e admiradores.

De acordo com o colunista Guilherme Amado, do Metrópoles, que divulgou a informação, o livro trará todas as composições de Caetano, incluindo as mais recentes, do álbum Meu Coco, lançado por ele em outubro do ano passado e que já é sucesso de crítica e de público. A organização do material ficará a cargo do ensaísta e poeta Eucanaã Ferraz.

Vale lembrar que o novo álbum do artista baiano, Meu Coco, foi eleito pelo jornal americano Washington Post o 3º melhor lançamento no mundo em 2021. O novo disco de Caetano chegou nove anos após o último trabalho de inéditas, Abraçaço, de 2012. Confira outras notícias conosco.

Vale destacar ainda que, em comemoração aos 80 anos de Caetano, o Mundo Bita lançou, no início de fevereiro, um clipe bastante animado de O Leãozinho , para homenagear os 80 anos deste gênio da Música Popular Brasileira.

No clipe de O Leãozinho, Caetano é apresentado como um ser mágico que, ao tocar o seu violão, faz com que o mundo ao redor vire um espaço lúdico e poético. Uma casa é transformada em montanhas divertidas; um poste é convertido em um picolé gigante; um carro muda para um bichinho engraçado. Assim, os leõezinhos Lila, Dan e Tito embarcam em uma aventura pela imaginação, até se depararem com um obstáculo um tanto ranzinza: um muro de concreto, bem careta e cinza. É aí que eles pedem a ajuda do Bita, que os incentiva a desenhar uma floresta no muro, transformando-o em um portal cheinho de natureza. Saiba todos os detalhes da participação de Caetano Veloso junto ao Mundo Bita.

Quanto ao livro Letras, que trará todas as composições de Caetano Veloso, ainda não há data para seu lançamento, que ocorrerá pela Companhia das Letras.

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*Fonte: versoseprosas

Primeiro livro de Dave Grohl ganha trailer oficial

Dave Grohl, líder do Foo Fighters, prepara a chegada ao mercado de seu próximo livro, The Storyteller: Tales of Life and Music, no qual compartilhará o que descreveu como “uma coleção de memórias de uma vida vivida em voz alta”.

“Desde meus primeiros dias crescendo nos subúrbios de Washington, DC, até pegar a estrada aos 18 anos, e toda a música que se seguiu, agora posso compartilhar essas aventuras com o mundo, como visto e ouvido por trás do microfone”, explicou.

O livro The Storyteller: Tales of Life and Music tem lançamento agendado para 5 de outubro e está disponível para pré-venda AQUI.

Para acompanhar o anúncio, as redes sociais do Foo Fighters disponibilizaram o trailer oficial do livro, no qual Grohl aparece narrando trechos de sua história com imagens de infância. Confira no player abaixo:

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*Fonte: radiorock89

O que ocorre em nosso cérebro ao ler um romance

Arealidade das férias de verão no Hemisfério Norte, e o fato de termos sido inundados por literatura factual, convidam-nos a querer mergulhar na ficção dos romances e “descobrir mediterrâneos”, como dizia Unamuno − ainda mais agora, na pandemia, que nos mantém presos na crueza de sua realidade. Entre meus mergulhos recentes estão os seis contos macabros de P. D. James em Sleep No More (“não durma mais”), salpicados com “o doce aroma de sangue” da tinta de sua autora, e os Testimonios (“testemunhos”) de Victoria Ocampo − o de Cocteau en Nueva York (“Cocteau em Nova York”) captura a magia da transposição da primeira pessoa, de modo que eu mesmo “senti a vertigem que invariavelmente nos dá o passado quando o olhamos da torre crescente dos anos. Peguei o telefone e liguei para o St. Regis, onde Cocteau estava hospedado. Combinamos de tomar chá lá, nessa mesma tarde. Cheguei. Subi até o apartamento dele. Que deslocado me pareceu aquele francês, precioso objeto de luxo da Rue de la Paix, naquele ambiente! Nós nos olhamos. E nos abraçamos (pensaríamos a mesma coisa?) como depois de um naufrágio”.

Por que lemos romances? Como entender o apego que nos causam?

Estamos constantemente aprendendo a ler, a compreensão e o prazer da leitura são um processo de aprendizagem por toda a vida. Em seu artigo “Livros que me influenciaram”, publicado no The British Weekly em 1887, Robert Louis Stevenson, autor de A Ilha do Tesouro, diz que os livros mais decisivos e de influência mais duradoura são os romances, porque “não impõem ao leitor um dogma que mais tarde se revela inexato, nem lhe ensinam nenhuma lição que depois deva ser desaprendida. Eles repetem, reestruturam, esclarecem as lições da vida; separam-nos de nós mesmos, obrigando-nos a nos familiarizar com o nosso próximo; e mostram a trama da experiência, não como aparece diante dos nossos olhos, mas singularmente transformada, toda vez que nosso ego monstruoso e voraz é momentaneamente suprimido”.

Além de ser fonte de prazer, a ficção permite ao leitor simular e aprender com a experiência ficcional. Segundo Keith Oatley, professor de Psicologia da Universidade de Toronto e especialista na psicologia da ficção, um dos usos da simulação é que, para aprender a pilotar um avião, é útil passar um tempo em um simulador de voo. Apesar de ser essencial a prática em um avião real, na maior parte do tempo não acontece muita coisa no ar. Já no ambiente seguro de um simulador, é possível enfrentar uma ampla gama de experiências e ensaiar como responder a situações críticas − e as habilidades aprendidas são transferidas ao pilotar um avião. Da mesma forma, quando nos envolvemos nas simulações da ficção, o que aprendemos é transferido para nossas interações cotidianas.

A pesquisa de Oatley confirma o que Stevenson disse: ao compartilhar indiretamente as sutilezas e atribulações da história, e ao fazer inferências sobre o desenvolvimento da trama, o leitor expande sua empatia. Ou seja, alinhamos nossas emoções e pensamentos com os dos personagens. Com imagens de ressonância magnética funcional, comprovou-se que quando as pessoas leem que descrevem uma ação, como “subindo as escadas”, a leitura leva à simulação do conteúdo motor e emocional no cérebro, acompanhada por mudanças nas regiões cerebrais que provocam a ação, como se o leitor a estivesse realizando.

Nosso inconsciente é um leitor infatigável que está continuamente aprendendo − quem lê, interpreta a partir de seu inconsciente. O que está em jogo é que damos àquilo que está escrito uma leitura diferente daquilo que a obra significava originalmente. Entendida desse modo, é uma forma de interpretar − é uma leitura das diferenças que residem na linguagem. Em seu ensaio Romances Familiares, Freud especula que cada um é, ao mesmo tempo, autor e herói de um “romance familiar”, do qual se poderia dizer que somos o único leitor. Essa obra privada, na qual contamos a nós mesmos histórias derivadas de fantasias inconscientes, é uma condição necessária para a vida em sociedade.

Como se deve ler um livro? Qual é a forma correta de fazer isso? São muitas e muito variadas. “Para ler bem um livro, você deve lê-lo como se o estivesse escrevendo. Comece não se sentando ao lado dos juízes, fique de pé ao lado do acusado. Seja seu colega de trabalho, transforme-se em seu cúmplice”, recomenda Virginia Woolf em uma conferência dada em 1926 para alunas de uma escola em Kent. “Cada um pode pensar o que quiser a respeito da leitura, mas ninguém vai impor leis sobre isso. Aqui, nesta sala, entre livros, mais do que em qualquer outro lugar, respiramos um ar de liberdade. Aqui, simples e doutos, o homem e a mulher são iguais. Porque, embora a leitura pareça coisa simples − uma mera questão de conhecer o alfabeto −, ela na verdade é tão complexa que é duvidoso que alguém saiba o que realmente é.”


*Por David Dorenbaum
é psiquiatra e psicanalista
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*Fonte: elpais-brasil

Obras científicas inestimáveis de Stephen Hawking serão preservadas em um arquivo especial

O legado de uma das estrelas mais brilhantes do campo da física foi garantido.

Cerca de 10.000 páginas dos ensaios e estudos do lendário físico teórico Stephen Hawking serão preservadas em um arquivo especial da Biblioteca da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Isso incluirá um projeto de digitalização, a ser disponibilizado gratuitamente online.

Além disso, o escritório e itens pessoais de Hawking foram adquiridos pelo Museu da Ciência do Reino Unido.

As duas aquisições foram feitas como parte de um acordo financeiro, no qual os herdeiros de uma propriedade podem compensar seu imposto sobre herança doando itens significativos para o país. Nesse caso, os estudos foram avaliados em £ 2,8 milhões (quase R$ 20,5 milhões) e o escritório em £ 1,4 milhão.

Claro, essas quantias são amplamente excedidas pelo valor cultural inestimável do trabalho do professor Hawking. Nenhum cientista opera no vácuo, mas Hawking é amplamente considerado uma das maiores mentes científicas da história.

Ter acesso a seus documentos pessoais – incluindo um primeiro rascunho de seu livro de ciência popular, Uma Breve História do Tempo – nos dá um vislumbre íntimo de como essa mente surpreendente funcionava.

Rascunho original da primeira página do primeiro capítulo do livro Uma Breve História do Tempo. Crédito: Universidade de Cambridge.
“O arquivo nos permite entrar na mente de Stephen e viajar com ele pelo cosmos para, como ele disse, ‘entender melhor nosso lugar no Universo’”, disse a bibliotecária da Universidade de Cambridge, Jessica Gardner.

“Ele dá uma visão extraordinária sobre a evolução da vida científica de Stephen, desde a infância até o estudante de pesquisa, desde ativista da prevenção a deficiência e da proteção dos direitos das pessoas com deficiência até o cientista mundialmente renomado”.

A coleção de itens pessoais, a ser abrigada no Museu da Ciência, inclui sintetizadores de voz, seis cadeiras de rodas personalizadas, livros de referência, memorabilia de Star Trek e uma jaqueta de remo que um jovem Hawking estava usando quando caiu em um rio (na época em que estava sendo acometido pela doença).

O Museu da Ciência planeja colocar alguns desses itens em exibição e, eventualmente, reconstruir o escritório do jeito que Hawking usava.

“Ao preservar o escritório de Hawking e seu conteúdo histórico como parte da Coleção do Grupo do Museu da Ciência, as gerações futuras poderão mergulhar a fundo no mundo de um físico teórico líder mundial que desafiou as leis da medicina para reescrever as leis da física e tocar o coração de milhões”, disse Sir Ian Blatchford, diretor do Grupo do Museu da Ciência.

Um quadro negro no antigo departamento do professor Hawking. Crédito: Universidade de Cambridge.
A papelada inclui correspondências, rascunhos de ensaios e estudos científicos, fotografias de Hawking com figuras notáveis ​​e roteiros de Os Simpsons (no qual Hawking atuou como ator convidado quatro vezes).

Ela ficará guardada ao lado dos arquivos de Isaac Newton e Charles Darwin, cujo entre os túmulos as cinzas de Hawking foram enterradas, após sua morte aos 76 anos de idade em 2018.

“Nossa esperança é que a carreira científica de nosso pai continue a inspirar gerações de futuros cientistas a encontrar novas perspectivas sobre a natureza do universo, com base no trabalho notável que ele produziu em sua vida”, disseram os filhos de Hawking, Lucy, Tim e Robert, em um comunicado.

“Por décadas, nosso pai fez parte da trama da vida na Universidade de Cambridge e foi um membro notável do Museu da Ciência, então parece certo que essas relações, tão queridas para ele e para nós, continuarão por muitos anos mais”.

Quem sabe o que as gerações futuras conseguirão alcançar ficando em pé nos ombros deste gigante.
*site da Universidade de Cambridge.

*Por Michelle Starr / Publicado na ScienceAlert
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*Fonte: universoracionalista

5 coisas que você não sabia sobre ‘O Pequeno Príncipe’

Muito já foi dito sobre Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe. Conheça alguns fatos curiosos sobre a vida dele e os trabalhos que produziu:

1. Saint-Exupéry jamais ficava satisfeito com o que escrevia. A célebre frase “On ne voit bien qu’avec le cœur. L’essentiel est invisible pour les yeux”, que pode ser traduzida como “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”, foi reescrita mais de dez vezes antes de alcançar sua forma final. Os manuscritos originais de O Pequeno Príncipe foram editados pelo próprio autor incontáveis vezes. No processo, páginas inteiras foram concentradas em uma única frase, reduzindo a obra a metade de seu tamanho original.

2. O autor costumava trabalhar na madrugada, e acordava seus amigos sem constrangimento para pedir conselhos e sugestões sobre as passagens mais difíceis. Era comum que começasse a trabalhar às duas da manha e fosse dormir no nascer do sol, quando sua secretária chegava e digitava seu trabalho com ele dormindo no sofá. Ele adorava receber amigos nas refeições, mas era comum que os convidados chegassem à uma da tarde à sua casa e precisassem acordar o anfitrião exausto.

3. Saint-Exupéry era aviador, e morreu servindo a força aérea francesa no final da Segunda Guerra Mundial . Decolou da da ilha da Córsega, às 8h45 do dia 31 de julho de 1944, para uma missão de reconhecimento sobre o território francês ocupado pelo exército nazista. Ele coletava informações para preparar um desembarque dos aliados em Provença. Seu avião foi abatido pelo piloto alemão Horst Rippert, que admitiu, arrependido, aos 88 anos, ser o autor dos disparos. Os destroços do caça P-38 foram encontrados só 60 anos depois da data de seu desaparecimento, no litoral da Marselha. A insígnia do esquadrão de reconhecimento GR I/33, um dos quais o autor fez parte, leva uma ilustração do Pequeno Príncipe em sua insígnia, e hoje é operado com drones.

4. A primeira tradução brasileira de O Pequeno Príncipe foi feita pelo monge beneditino Dom Marcos Barbosa em 1954, e publicada pela Editora Agir. Durante 60 anos ela foi a única disponível no mercado, e eternizou uma interpretação questionável. Na frase “Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé” , traduzida como “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, a palavra apprivoisé não significa cativar na acepção mais delicada e emocional da palavra, mas sim algo como “domesticar” ou “domar”, como se faz com um bicho de estimação.

5. O Pequeno Príncipe foi traduzido para uma série de línguas inusitadas. Uma delas foi o Toba, um idioma indígena do norte da Argentina que até então só possuía uma tradução do Novo Testamento da Bíblia. Outra versão curiosa é em Latim. Até o Esperanto, idioma artificial criado com a intenção de ser uma língua franca internacional, ganhou sua versão. Há 47 traduções coreanas para a obra, e mais de 50 versões chinesas. Essa imensa variedade de versões torna o livro um objeto frutífero para estudos tradutórios comparativos.

*Com supervisão de Isabela Moreira
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*Fonte: revistagalileu

Tsundoku: A mania de comprar e acumular mais livros do que pode ler

Se isso soa como você, você pode estar involuntariamente envolvido em tsundoku – um termo japonês usado para descrever uma pessoa que possui uma grande quantidade de literatura não lida.

O Prof Andrew Gerstle ensina textos japoneses pré-modernos na Universidade de Londres.

Ele explicou à BBC que o termo pode ser mais antigo do que você pensa – pode ser encontrado na imprensa já em 1879, o que significa que provavelmente já estava em uso antes disso.

A palavra “doku” pode ser usada como verbo para significar “ler”. Segundo o Prof Gerstle, o “tsun” em “tsundoku” tem origem em “tsumu” – uma palavra que significa “empilhar”.

Então, quando colocado junto, “tsundoku” tem o significado de comprar material de leitura e empilhá-lo.

“A frase ‘tsundoku sensei’ aparece no texto de 1879 de acordo com o escritor Mori Senzo”, explicou o professor Gerstle. “O que é provavelmente satírico, sobre um professor que tem muitos livros, mas não os lê.”

Tsundoku é nada mais que a intenção de ler livros e eventualmente ir criando uma coleção. Qualquer pessoa que tenha em casa livros (empoeirados e nunca abertos) comprados na melhor das intenções vai entender.

Mas o que leva a esse comportamento? Compulsão?

Sentida em várias partes do mundo, mas por que só os japoneses definiram?

A definição original só se aplica a livros físicos e suas empoeiradas pilhas, que vão se amontoando à espera de leitura, ou às estantes abarrotadas pelas obras aguardando por atenção.

Mas,Tiro por mim, que esse termo já pode ser perfeitamente usado no mundo virtual. Tenho no tablet uma série de downloads nunca explorados ou sites e conteúdos salvos que provavelmente não serão lidos.

Há uma série de fatores que podem justificar esse fenômeno: a escassez de tempo cada vez mais sentida. Não podemos desprezar a concorrência desleal com as comunicações urgentes em nosso cotidiano, como: whatsapp, e-mails e mídias sociais. Difícil disputar com os conteúdos imediatistas como: a venda do Neymar, o novo clip do Justin Bieber ou a pegadinha do momento… Isso sem menosprezar o velho aliado do consumismo, a publicidade, que cria em nós uma necessidade de comprar maior do que a capacidade de consumir. Hoje isso ainda vem potencializado pelo filho mais velho, o marketing, e o caçula marketing digital

Para a urgência do capitalismo editorial pouco importa o destino que terão as obras nas mãos de seus consumidores, daí a ausência ou pouca divulgação de pesquisas qualitativas sobre a assimilação deste conteúdo editorial. Nada contra a quantidade de vendas, geram divisas, empregos para toda uma cadeia editorial. Maravilha!

O que você pode fazer para mudar isso? Primeiro, se você ainda não acumulou tantos livros quanto gostaria aproveite para refletir sobre a necessidade de cada desejo literário. Será que aquele livro que você tanto quer não está disponível online? Será que não há uma biblioteca em seu bairro onde você poderia pegá-lo emprestado? Aliás, essa dica também vale para o caso de você já ter uma quantidade razoável de livros em casa: empreste. Esqueça a besteira de ter ciúmes de livros. Conhecimento está aí para isso mesmo, ser compartilhado. Aqueles livros que você nunca leu e nem tem a intenção de ler, nem pense duas vezes: doe.

Aprenda a viver mais leve. Disponha as publicações organizadas e visíveis (será mais fácil se ela for menor). E por fim, sinta o prazer de ter uma biblioteca pequena, mas que é realmente usada. Afinal, pior que ter centenas de livros entulhados em caixas é deixá-los sem uso pegando pó.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Na Islândia a tradição do Natal é trocar livros

Além de evitar o consumismo exacerbado, a prática incentiva a leitura e promove a cultura.

E se os presentes de natal fossem apenas livros? Essa é uma tradição na Islândia. O país tem o costume de comemorar o natal com troca de livros. Além de evitar o consumismo exacerbado, a prática incentiva a leitura e promove a cultura.

Chamada também de “Terra do Gelo”, a Islândia está localizada no hemisfério norte, o que significa que a estação do natal é o inverno. O frio é um incentivo extra para que as famílias passem a noite de natal trocando e lendo seus novos livros, enquanto estão aquecidos dentro de suas casas.

Mas, como a leitura é bem-vinda em qualquer época do ano, independente das condições do clima, essa é uma tradição que poderia ser replicada em qualquer lugar do mundo, inclusive no Brasil. Os pontos positivos desta prática são muitos, desde a economia financeira e a sustentabilidade até a promoção de hábitos simples e prazerosos que estão cada vez mais esquecidos. O melhor de tudo é que, ao presentear alguém com um livro, não é necessário comprar um exemplar novo. Basta escrever uma dedicatória, escolher uma edição que tem em casa ou adquirida em um sebo e permitir que um novo leitor aproveite todo prazer que essas páginas podem proporcionar.

A leitura tem papel fundamental na cultura islandesa. Um artigo publicado pela BBC em 2013 apresentava uma pesquisa sobre a relação entre os islandeses e os livros, mostrando que uma em cada dez pessoas do país são leitores tão ávidos que acabam se tornando escritores.

Apesar de ter uma média de apenas 329 mil habitantes, a Islândia tem uma relação tão forte com a leitura que o país possui mais leitores, mais escritores, mais livros publicados e lidos do que qualquer outro país no mundo, de acordo com a BBC.

Promover a leitura é muito simples, basta incentivá-la. Que tal começar isso também no Brasil para que a troca de livros vire uma tradição apreciada e valorizada por todos?

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*Fonte: ciclovivo

As doze mentes mais brilhantes da história da literatura de ficção científica

A ficção científica é um gênero literário tão fácil de amar quanto difícil de definir. O mundo da ficção científica é uma experiência única, pois, ao contrário de outros gêneros, permite ao autor levar sua imaginação a novos limites e, assim, proporcionar uma experiência surreal para seus leitores.

Uma das principais características da grande ficção científica é sua capacidade de evocar alguns universos incrivelmente criativos e, em seguida, relacioná-los com a vida real para fazer uma declaração sobre a condição humana. Os melhores autores de ficção científica são frequentemente descritos como algumas das mentes mais criativas do mundo. Em vez de apenas inventar uma história, eles criam universos inteiros, dimensões de tempo, tecnologias alienígenas – é realmente incrível.

Através de seus trabalhos árduos, os maiores autores da história da literatura de ficção científica deram aos leitores inúmeras horas de prazer e matéria para debates. Eles merecem nosso respeito, nosso afeto e, para a intenção deste artigo, alguns momentos de nossa atenção enquanto percorremos sua história para explorar os fatores e forças que os forjaram nas estrelas que se tornaram. Seria injusto classificar esses nomes em ordem de importância e, portanto, todos foram ordenados cronologicamente.

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Júlio Verne (1828-1905)

O pai de Júlio Verne, um advogado, provavelmente não aprovava que seu filho não seguisse a mesma profissão que o pai. Mas graças a rebeldia do jovem Verne, o mundo hoje é um lugar melhor. Considerado o “Pai da Ficção Científica”, as realizações literárias de Verne eram comercialmente populares, embora fossem rejeitadas pela crítica por seus contemporâneos avarentos, que sentiam que ele era apenas um escritor de gênero cujas obras não mereciam uma reflexão séria. Ninguém se lembra dos nomes desses críticos. Mas o trabalho e a influência de Verne perduraram, despertando a imaginação de incontáveis ​​leitores de todas as idades e gêneros. Exibindo humildade na afirmação de que era perito em prever o futuro, Verne descartou todas essas alegações como “coincidência” ou como um subproduto natural de sua extensa pesquisa sobre os tópicos sobre os quais estava escrevendo.

HG Wells (1866-1946)

HG Wells é frequentemente referido como o “pai da ficção científica” ao lado de Júlio Verne. Ele escreveu em muitos gêneros e, como muitos outros grandes autores, foi um crítico social e escreveu sobre política. Futurista renomado e “visionário”, Wells previu o advento de aeronaves, tanques, viagens espaciais, armas nucleares, televisão por satélite e algo parecido com a World Wide Web. Seu primeiro romance foi A Máquina do Tempo, um conto de ficção científica sobre um cavalheiro inventor que vive na Inglaterra, que atravessa primeiro milhares de anos e depois milhões no futuro, antes de trazer de volta o conhecimento da grave degeneração da raça humana e do planeta. Mais de um século depois de serem escritos, os livros de HG Wells ainda são recentes e fortes o suficiente para serem transformados em filmes de Hollywood. Wells definiu o padrão para todos os outros escritores e lançou as bases para garantir que a ficção científica estaria muito viva e bem no século XX e além.

Hugo Gernsback (1884-1967)

O termo “ficção científica” hoje evoca imagens de monstros com olhos esbugalhados, armas de raios e naves estelares. Mas nas primeiras décadas do século XX, o que ainda não era chamado de “ficção científica” consistia em uma série de práticas concretas, todas voltadas para o acerto de contas com as revoluções no tecido da vida cotidiana. Antes de ser um tipo particular de história ou enredo, a ficção científica era uma forma de pensar e interagir com a mídia emergente. Hugo Gernsback é lembrado hoje como o editor fundador da primeira revista de ficção científica, a Amazing Stories, lançada em 1926. A revista deu um nome à ficção tratando do especulativo e do sobrenatural através das lentes da cientificidade, e também estabeleceu um fórum para fãs do gênero debaterem e influenciarem o futuro de seu desenvolvimento. Em reconhecimento a este legado, o nome de Gernsback adorna os prêmios atribuídos a cada ano aos melhores trabalhos do gênero, o Hugo Awards. Muitos estudiosos tratam o lançamento da Amazing Stories em 1926 como a invenção da ficção científica moderna.

Robert Heinlein (1907-1988)

O terceiro dos “Três Grandes” da ficção científica, Robert Heinlein é considerado o “Decano dos Escritores de Ficção Científica” por suas inúmeras contribuições para o campo. Na verdade, suas obras foram consideradas tão importantes que ele recebeu prêmios retroativamente. General da Guarda Nacional, o libertário Heinlein trabalhou em vários empregos antes de finalmente se estabelecer como escritor em tempo integral. Devido a vários problemas de saúde dele e de sua esposa, Heinlein e sua esposa, ambos engenheiros, também trabalharam em seu tempo livre para redesenhar sua casa a fim de “tornar a vida mais fácil”. Suas inovações foram apresentadas na Popular Mechanics. Mas foi sua aplicação de seu conhecimento científico à literatura, combinado com seu forte desejo de comentar sobre muitas questões sociais polêmicas, que impactou seus romances inovadores. O próprio Asimov declarou Heinlein o “melhor escritor de ficção científica que já existiu”. Sem se intimidar em fazer grandes perguntas sobre vida, política, raça e sexo, Heinlein praticamente reinventou o subgênero de “ficção científica social”, dentro do qual residem outras obras-primas como 1984, Admirável Mundo Novo, A Máquina do Tempo e As Viagens de Gulliver.

Arthur C. Clarke (1917-2008)

Outro dos “Três Grandes” dos maiores autores de ficção científica, Arthur C. Clarke nasceu com os olhos nas estrelas. Ele era um dos membros mais jovens da Sociedade Interplanetária Britânica, da qual mais tarde se tornaria presidente. Elogiado por “popularizar” a ciência, Sir Clarke (ele foi nomeado cavaleiro em 1998) tinha uma vasta experiência técnica que inspirou seus romances. De sua experiência como técnico de radar na Força Aérea Real até seus diplomas no King’s College em matemática e física, seus conceitos científicos se provaram quando ele propôs utilizar satélites para fins de telecomunicações, uma ideia que levou à renomeação da órbita geoestacionária para “Órbita Clarke”. Vivendo os últimos momentos de sua vida no Sri Lanka, Clarke abriu uma escola de mergulho e tornou-se apresentador de um programa de TV, enquanto escrevia algumas das melhores obras de ficção científica do mundo, 2001: Uma Odisseia no Espaço. Em uma reviravolta incomum, Kubrick solicitou que o conto fosse expandido em um romance (também intitulado 2001: Uma Odisseia no Espaço) antes de começar a escrever um roteiro. Ele até ajudou Clarke na versão final do romance, embora não tenha recebido crédito formal. De fato, os dois se desentenderam e dizem que Clarke deixou a estreia do filme em lágrimas.

Frank Herbert (1920-1986)

Frank começou a escrever como jornalista antes de ser desviado para passar alguns meses como fotógrafo da Segunda Guerra Mundial. Após a alta, ele voltou a escrever jornais e revistas que amava. Foi durante a fase de pesquisa para um artigo sobre as dunas de areia do Oregon que Herbert percebeu que havia mergulhado demais e gerado um grande excedente de material. Tendo crescido sem dinheiro, ele sabia o valor das sobras e, assim, reciclou os dados em seu primeiro romance. Duna era, na melhor das hipóteses, uma perspectiva arriscada, e 20 editoras aceitaram. Viciados em drogas parasitas e casas feudais intergalácticas? De um desconhecido? Mas Chilton, uma editora de pequeno porte na Filadélfia, arriscou e Duna, desde então, tornou-se o romance de ficção científica mais vendido de todos os tempos. Cobrindo uma ampla gama de tópicos, da ecologia à natureza da liderança, religião e até mesmo sanidade, as obras de Herbert vão muito além da simples narração de histórias. E depois de sua morte, o vasto universo criado por Herbert deixou um vazio tal que seu filho Brian, junto com Kevin J. Anderson, assumiu o manto de Duna para criar vários romances originais para continuar a franquia.

Isaac Asimov (1920-1992)

Um dos autores mais prolíficos que já existiram, independentemente do gênero, Isaac Asimov é universalmente reconhecido como o maior escritor de ficção científica de todos os tempos. Na verdade, ele e seus colegas escritores Robert Heinlein e Arthur C. Clarke ficaram conhecidos como os “Três Grandes” escritores da ficção científica. Um trabalhador compulsivo confesso, Asimov passava literalmente cada momento livre que tinha escrevendo, com vários projetos acontecendo ao mesmo tempo. O famoso professor de bioquímica também orgulhosamente serviu como presidente da American Humanist Association e como vice-presidente da Mensa, a mais antiga e mais famosa organização de alto QI do mundo. Suas obras complexas foram consideradas difíceis de criticar porque ele expõe tudo de forma coerente, explicando tudo e não deixando nada para interpretação. Talvez seja por isso que elas se tornaram atemporais.

Ray Bradbury (1920-2012)

Isaac Asimov pode ter escrito a maioria dos livros, e Arthur C. Clarke pode ter tornado a ciência mais acessível, mas Bradbury é o maior responsável por trazer a ficção científica para o mainstream. Influenciado pelos mestres – HG Wells, Júlio Verne e Edgar Allan Poe – Bradbury fez uma espécie de estágio no Wilshire Players Guild de Laraine Day e começou durante esse período a finalmente receber por suas histórias. Mas o destino sempre tem um papel a desempenhar na descoberta da grandeza. Bradbury encontrou o renomado crítico Christopher Isherwood e entregou uma cópia de seu agora famoso As Crônicas Marcianas. Isso provou ser um ponto crucial na carreira de Bradbury. Como a maioria dos outros autores de grande sucesso, Bradbury trabalhou em seu ofício todos os dias. Na verdade, ele certa vez deu o seguinte conselho: “Escreva mil palavras por dia e em três anos você será um escritor”. Ele também era um leitor ávido e gostava de afirmar que se formou em “biblioteca”.

Philip K. Dick (1928-1982)

Um homem desconfortável em seu próprio tempo, Dick tornou-se cada vez mais paranoico ao longo de sua difícil vida como um dos maiores autores de ficção científica, um gênero que ele sentia que seu trabalho estava fora dos limites. Em grande parte não reconhecido durante sua carreira, seu estilo único de ficção encontrou asas mais largas após sua morte, com várias histórias e romances sendo escolhidos para o cinema. É uma prova de sua dedicação ao ofício o fato de ele ter continuado a escrever romances de baixo custo durante toda a sua vida atribulada, muitas vezes vivendo à beira da linha da pobreza. Mas para Dick, escrever não era uma opção; era uma obsessão, um meio de canalizar seus sentimentos frequentemente erráticos e dar forma a seu próprio elaborado sistema de crenças. Filósofo e metafísico americano, suas obras foram quase sempre influenciadas por suas teorias em constante evolução sobre a natureza da realidade, existência e identidade.

Ursula K. Le Guin (1929-2018)

Ursula Le Guin passou sua vida franca como defensora dos direitos das mulheres e do meio ambiente. Ela criou alguns dos trabalhos mais desafiadores socialmente e influenciou gerações de futuros autores. Como Philip K. Dick, Le Guin considerou a ficção científica o único gênero viável que oferecia a flexibilidade de que ela precisava para contar as histórias que queria contar e para explorar questões de psicologia, sociologia, sexualidade e antropologia. Embora alguns tenham rotulado seu trabalho de ficção científica “soft”, isso não significa que ela não incluiu ciência e tecnologia em seus trabalhos. Significa simplesmente que ela preferia o toque mais humanístico – uma qualidade venerável que ela compartilha com vários dos escritores desta lista. Ursula foi a autora de ficção científica mais condecorada de todos os tempos. Em 2016, ela foi descrita pelo The New York Times como “a maior escritora viva de ficção científica dos Estados Unidos”, e não obstante, foi por vezes aclamada como uma “lenda viva” nos últimos anos de sua vida e carreira.

William Gibson (1948)

Em 1984, cinco anos antes de Tim Berners-Lee apresentar a Internet ao mundo, William Gibson cunhou o termo “ciberespaço” (sua versão da World Wide Web) em seu conto Burning Chrome, e posteriormente popularizou o conceito em seu romance de estreia e obra mais conhecida, Neuromancer. A descrição do romance da total confiança e obsessão da humanidade pela tecnologia era muito presciente. 33 anos após sua publicação, o retrato da dependência tecnológica de Neuromancer é um tanto análogo à dependência das pessoas de computadores, smartphones e da Internet hoje. Gibson é um dos mais conhecidos escritores de ficção científica norte-americana, tendo escrito mais de vinte contos e nove romances aclamados pela crítica e colaborado bastante com performances de artistas, cineastas e músicos. Seu pensamento deu uma contribuição indelével à literatura, à cultura e até mesmo às nossas concepções e interações com a tecnologia. Para ele, não se trata de como as tecnologias funcionam, mas o que elas fazem conosco.

Leia mais artigos da série doze mentes brilhantes:
A série doze mentes brilhantes celebra a memória e o legado dos maiores cientistas, filósofos e comunicadores científicos de todos os tempos. O mundo hoje habita na morada do avanço científico em diferentes setores da ciência por causa dessas personalidades.

*Por Ruan Bitencourt Silva

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*Fonte: universoracionalista

Cheiro de livro: perfume traz fragrância com aroma de 1 milhão de livros

Durante a pandemia, os clientes da Powell’s Books, rede de livrarias de Portland, no estado americano de Oregon, relataram que sentiam falta do cheiro da loja de livros no dia a dia em quarentena. Para agradar seus clientes (e, é claro, aproveitar uma oportunidade de negócios), o estabelecimento anunciou o lançamento em edição limitada de uma fragrância especial: um perfume com o cheiro de livro.

O Eau de bookstore (“eau de livraria”, em tradução livre) vem em uma caixa que parece um livro de capa dura. Depois de aberto, você pode inclusive guardá-lo na estante como se fosse um livro como qualquer outro.

“Este perfume contém a vida de incontáveis heróis e heroínas. Aplique nos pontos de pulso ao buscar socorro sensorial ou uma pincelada da imortalidade”, diz o texto de divulgação da Powell’s. A livraria afirma que a essência “cheira a um milhão de livros” e que “captura o perfume dos livros com toques sutis de madeira e violeta”.

O perfume está disponível em pré-venda pelo site e começa a ser vendido na loja física em 27 de novembro. O preço é de US$ 24,99, cerca de R$ 132,92 na cotação atual.

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*Fonte: hypeness

‘Quem ama, cuida’, uma belíssima crônica da escritora Lya Luft

Somos uma geração perplexa, somos uma geração insegura, somos uma geração aflita — mas, como tudo tem seu lado bom, somos uma geração questionadora.

O que existe por aí não nos satisfaz. Sofremos com a falta de uma espinha dorsal mais firme que nos sustente, com a desmoralização generalizada que contamina velhos e jovens, com uma baixa auto-estima e descaso que, penso eu, transpareceram em nossa equipe de futebol na Copa do Mundo.

Algum remédio deve ser buscado na realidade, sem desprezar a força da imaginação e a raiz das tradições — até no trato com as crianças.

Uma duradoura influência em minha vida, meu trabalho e arte, foram os contos de fadas: antiquíssimas histórias populares revistas e divulgadas por Andersen e pelos Irmãos Grimm, para povoar e enriquecer alma de milhões de crianças — e adultos.

Esses relatos, plenos de fantasia, falam de realidades e mitos arcaicos que transcendem linguagem, raça e geografia, e nos revelam.

Nessa literatura infantil reúnem-se dois elementos que me apaixonam: o belo e o sinistro. Ela abre, através da imaginação, olhos e medos para a vida real, tecida de momentos bons e ameaças sinistras, experiências divertidas e outras dolorosas — também na infância.

Na realidade, nem sempre os fortes vencem e os frágeis são anulados: a força da inteligência de pessoas, grupos, ou povos ditos “fracos”, inúmeras vezes derrota a brutalidade dos “fortes” menos iluminados. Porém o mal existe, a perversão existe, atualmente a impunidade reina neste país nosso, confundindo critérios que antes nos orientavam. Cabe à família, à escola, e a qualquer pessoa bem intencionada, reinstaurar alguns fundamentos de vida e instaurar novos.

Não vejo isso em certa — não generalizada — tendência para uma educação imbecilizante de nossas crianças, segundo a qual só se deve aprender brincando, a escola passou a ser quase um pátio tumultuado, e a falta de respeito reproduz o que acontece tanto em casa quanto em alguns altos escalões do país.

Essa mesma corrente de pensamento quer mutilar histórias infantis arcaicas como a do Chapeuzinho Vermelho: agora o Lobo acaba amigo da Vovó… e nada de devorar a velha, nada de abrir a barriga da fera e retirá-la outra vez. Tudo numa boa, todos na mais santa paz, tudo de brincadeirinha — como não é assim a vida.

Modificam-se textos de cantigas como “Atirei o pau no gato”, transformando-a em um ridículo “Não atire o pau no gato” e outras bobajadas, porque o gato é bonzinho e nós devemos ser idem, no mais detestável politicamente correto que já vi.

O mundo não é assim. Coisas más e assustadoras acontecem, por isso nossas crianças e jovens devem ser preparados para a realidade. Não com pessimismo ou cinismo, mas com a força de um otimismo lúcido.

Medo faz parte de existir, e de pensar. Não precisa ser terror da violência doméstica, física ou verbal, ou da violência nas ruas — mas o medo natural e saudável que nos faz cautelosos, pois nem todo mundo é bonzinho, adultos e mesmo crianças podem ser maus, nem todos os líderes são modelos de dignidade. Uma dose de realismo no trato com crianças ajudará a lhes dar o necessário discernimento, habilidade para perceber o positivo e o negativo, e escolher melhor.

Temos muitos adolescentes infantilizados pelo excesso de proteção paterna ou pela sua omissão, na gravíssima crise de autoridade que nos assola; temos jovens adultos incapazes porque quase nada lhes foi exigido, nem na escola, nem em casa. Talvez tenha lhes faltado a essencial atenção e interesse dos pais, na onda de “tudo numa boa”.

Dar a volta por cima significará mudar algumas posturas e opções, exigir mais de nós mesmos e de nossos filhos, de professores e alunos, dos governos, das instituições. Ou vamos transformar as novas gerações em fracotes despreparados, vítimas fáceis das armadilhas que espreitam de todos os lados, no meio do honrado e do amoroso — que também existem e precisam se multiplicar.

Não prego desconfiança básica, mas uma perspectiva menos alienada: duendes de pesadelo aparecem em nosso cotidiano. Nem todos os amigos, vizinhos, parentes, professores ou autoridades nos amam e nos protegem. Nem todos são boas pessoas, nem todos são preparados para sua função, nem todos são saudáveis.

Para construir de forma mais positiva nossa vida, é preciso, repito, dispor da melhor das armas, que temos de conquistar sozinhos, duramente, quando não a recebemos em casa nem na escola: discernimento. Capacidade de analisar, argumentar, e escolher para nosso bem — o que nem sempre significa comodidade ou sucesso fácil.

Quem ama, cuida: de si mesmo, da família, da comunidade, do país — pode ser difícil, mas é de uma assustadora simplicidade, e não vejo outro caminho.

*Por: Lya Luft (no livro “Em outras palavras”)
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*Fonte: revistaprosaeverso

Negros e negras brasileiros que deveriam ser mais estudados nas escolas

Apesar de obrigatória no currículo escolar, história de negros brasileiros ainda é deixada de lado nos livros e nas aulas, segundo ativistas

“Parece que os negros não têm passado, presente e futuro no Brasil. Parece que sua história começou com a escravidão, sendo o antes e o depois dela propositalmente desconhecidos.”

Quem afirma é o antropólogo Kabengele Munanga, professor do Centro de Estudos Africanos da Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências e Humanidades da USP. Não à toa, o Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, é baseado na história envolta em mistérios e lendas de Zumbi dos Palmares, escravo que liderou um quilombo em Alagoas no século 17.

Considerado o maior herói do movimento negro brasileiro, Zumbi teria sido assassinado em 20 de novembro de 1695. A data, porém, só foi descoberta em 1970 e só em 2003 foi incluída no calendário escolar.

Ainda assim, é constante a reclamação, por parte de ativistas, de que negros e negras proeminentes na história brasileira continuam sendo deixados de lado nas aulas de História. Conheça alguns deles.

Zumbi dos Palmares

No século 17, Zumbi foi capturado por bandeirantes ainda bebê e entregue ao padre Antônio Melo, em Porto Calvo, região do Rio São Francisco. Sabe-se que ele foi batizado pelo padre com o nome de Francisco, mas a data exata de seu nascimento não é conhecida.

Com 15 anos, Zumbi conseguiu fugir para o Quilombo dos Palmares, atual região de Alagoas. No quilombo – uma das comunidades livres fundadas por escravos que conseguiram fugir dos seus senhores -, o adolescente adotou o nome de Zumbi, que significa “espectro, fantasma ou deus” no idioma quimbundo.

O Quilombo dos Palmares foi o maior das Américas, abrigando cerca de 20 mil habitantes em 11 povoados.

“Zumbi liderou a luta contra a escravidão e reuniu não apenas muitos negros que fugiam das senzalas, mas também indígenas e brancos insatisfeitos com o regime escravista”, disse Kabengele Munanga à BBC Brasil.

Zumbi foi o último líder do Quilombo dos Palmares e chefiou a luta de resistência contra os portugueses, que durou 14 anos e terminou com sua morte, em 1695.

Mesmo carente de armas, o Quilombo dos Palmares tinha uma eficiente organização militar. A comunidade resistiu a 15 expedições oficiais da Coroa.

Na décima sexta expedição, depois de 22 dias de luta, Zumbi foi capturado, morto e esquartejado por bandeirantes. Sua cabeça foi enviada para o Recife, onde ficou exposta em praça pública até se decompor.

Dandara dos Palmares

Assim como Zumbi, não há registros do local nem da data de nascimento Dandara. Acredita-se que ela foi levada para o Quilombo dos Palmares ainda criança. Lá teria aprendido a caçar, lutar capoeira e manusear armas. Foi uma das líderes do exército feminino em Palmares e mulher de Zumbi, com quem teve três filhos.

Depois que o Quilombo foi tomado pelos portugueses,em fevereiro de 1694, Dandara cometeu suicídio para não ser capturada e voltar à escravidão.

Milton Santos

Milton Santos nasceu em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, na Bahia. Filho de dois professores primários, ele tornou-se um dos geógrafos negros mais conhecidos no mundo.
Sua formação, no entanto, não era em Geografia, e sim em Direito, pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Santos foi o precursor da pesquisa geográfica na Bahia e, na década de 1990, tornou-se o único pesquisador brasileiro a ganhar o Prêmio Vautrin Lud, considerado o Nobel de Geografia. No mesmo período, ganhou um Prêmio Jabuti, o mais importante da literatura brasileira, pelo livro A Natureza do Espaço.

Após o golpe militar de 1964, o baiano foi perseguido e preso pelo regime, por ter sido representante da Casa Civil na Bahia durante o curto governo de Jânio Quadros. Com ajuda do consulado da França, conseguiu asilo político na Europa.

O geógrafo deu aulas e fundou laboratórios na França, na Inglaterra, na Nigéria, na Venezuela, no Peru, na Colômbia e no Canadá. Ele conseguiu retornar ao Brasil somente nos anos 1980.

Apelidado de “Cidadão do mundo”, Milton Santos recebeu vinte títulos de Doutor Honoris Causa de universidades da América Latina e da Europa, publicou mais de 40 livros e mais de 300 artigos científicos. Morreu em 24 de junho de 2001.

Machado de Assis

Filho de um mulato pintor de paredes e de uma imigrante portuguesa que trabalhava como lavadeira, Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro. A escravidão foi abolida somente 49 anos após o seu nascimento.

Por causa do preconceito racial, ele teve acesso limitado ao ensino e se tornou autodidata. No seu primeiro trabalho, em uma padaria, aprendeu com a patroa a ler e traduzir em francês.

Aos 17 anos, se tornou tipógrafo na Imprensa Nacional. Passou a colaborar para diversas revistas aos 19 anos e, pouco depois, trabalhou para jornais como Correio Mercantil e Diário do Rio de Janeiro.

Machado de Assis só se tornou um escritor conhecido a partir de 1872, com a publicação do romance Ressurreição. Ele foi eleito o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. O livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em 1881, é considerado sua maior obra e uma das mais importantes em língua portuguesa.

O romancista morreu em 29 de setembro de 1908.

Lima Barreto

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em 13 de maio de 1881, no Rio de Janeiro, neto de escravos e filho de professores.

Em 1897, menos de dez anos após o fim da escravidão, ele foi aceito na importante escola de Engenharia do Rio de Janeiro – o único negro da sala. No entanto, ele abandonou a universidade em 1902 para cuidar do pai, que sofria de uma doença mental.

Lima Barreto tornou-se funcionário público para sustentar a família e, nas horas vagas, escrevia reportagens para o jornal carioca Correio do Amanhã, denunciando o racismo e a desigualdade social no Rio de Janeiro.

Um dos principais romances brasileiros, O Triste Fim de Policarpo Quaresma, foi o segundo romance publicado por Barreto.

Ele morreu em 1922, aos 41 anos, considerado louco. Deixou uma obra de dezessete volumes e nunca recebeu nada para escrever nenhum deles.

Seu reconhecimento como escritor veio somente após a morte. Em 2017, foi o homenageado da Feira Literária de Paraty, um dos maiores eventos da literatura brasileira.

Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus nasceu em 1914, em Sacramento, Minas Gerais. De família pobre, ela cursou somente os primeiros anos do primário, e se mudou para São Paulo em 1937, onde trabalhou como doméstica e catadora de papel.

Nesse período, ela mantinha consigo inúmeros diários onde relatava o seu dia a dia como moradora da favela do Canindé.

Em 1958, ao fazer uma reportagem no Canindé, o jornalista Audálio Dantas conheceu Carolina e leu seus 35 diários. Dois anos depois, ele publicou um dos diários com o título de Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada. A obra vendeu mais de 100 mil exemplares em 40 países e foi traduzida em 13 línguas.

Em 1961, Carolina de Jesus lançou Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada e, no ano seguinte, publicou Pedaços da Fome, seu único romance.

Depois de desentendimentos com editores, em 1969, a escritora saiu de São Paulo e mudou-se para um sítio. Morreu em 1977, aos 62 anos, de volta à pobreza.

Abdias do Nascimento

Neto de escravos, Abdias do Nascimento nasceu em uma família em 1914, na cidade de Franca, em São Paulo. Ele começou a trabalhar aos 9 anos e, para conseguir se mudar para São Paulo, se alistou no Exército.

Nascimento teve que abandonar a instituição, no entanto, ao entrar para o movimento da Frente Negra Brasileira, que realizava protestos em locais públicos contra o racismo.

Em 13 de outubro de 1944, ele criou o Teatro Experimental do Negro, junto com outros artistas brasileiros. Escritores da época, como Nelson Rodrigues, escreveram peças teatrais especialmente para o grupo, que também se dedicou a alfabetizar ex-escravos e transformá-los em atores.

Durante a ditadura militar, Nascimento foi preso e enviado ao exílio. Ele retornou ao Brasil somente em 1981.

Além de ator, teatrólogo e ativista, Abdias Nascimento foi deputado federal pelo Rio de Janeiro logo após o final do regime militar. Na década de 1990, foi eleito senador, sempre com a plataforma da luta contra o racismo.

Ele faleceu em 24 de maio de 2011, aos 97 anos.

Teodoro Sampaio

Quem passa pela movimentada rua Teodoro Sampaio, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, geralmente não sabe a importância do homem que dá nome à via. Filho de uma escrava e de um padre, Teodoro Sampaio nasceu em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em 1855.

Seu pai, o padre Manoel Sampaio, o levou para o Rio de Janeiro criança e o matriculou no regime de internato no Colégio São Salvador. Em 1877, ele se formou engenheiro.

Por anos, ele trabalhou como professor de matemática e desenhista do Museu Nacional para poupar dinheiro e comprar a alforria de sua mãe e irmãos.

Em 1879, Sampaio participou da expedição científica ao Vale do São Francisco para estudar os portos do Brasil e a navegação interior. Ele ajudou a fundar o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em 1894, e a Escola Politécnica da USP, em 1930.

Morreu no Rio de Janeiro em 1937.

Sueli Carneiro

Aparecida Sueli Carneiro Jacoel nasceu em São Paulo, em junho de 1950. É a mais velha dos sete filhos de uma costureira e de um ferroviário. Doutora em filosofia pela USP, foi a única negra no curso de graduação da Universidade, na década de 1970.

Hoje, ela é uma das mais importantes pesquisadoras sobre feminismo negro do Brasil. Seu nome e ativismo foram relacionados à formulação da política de cotas e à lei antirracismo.

Em 1988, Sueli fundou o Geledés – Instituto da Mulher Negra, uma organização política de mulheres negras contra o racismo e sexismo. É uma das maiores ONGs de feminismo negro do país. Entre os vários serviços prestados pelo instituto, está o de assistência jurídica gratuita a vítimas de discriminação racial e violência sexual.

Ainda em 1988, Carneiro foi convidada para integrar o Conselho Nacional da Condição Feminina. É vencedora de três importantes prêmios sobre feminismo e direitos humanos: Prêmio Benedito Galvão, Prêmio Direitos Humanos da República Francesa e Prêmio Bertha Lutz.

André Rebouças

Neto de uma escrava alforriada e filho de Antônio Pereira Rebouças, um advogado autodidata que se tornou conselheiro de D. Pedro 2º, André Rebouças nasceu em 1838, em Cachoeira, Bahia, em uma família classe média negra em ascensão no Segundo Reinado.

Por causa da posição atípica de sua família para a época, André e seus seis irmãos receberam uma boa educação. O menino e um de seus irmãos, Antônio Rebouças, se tornaram importantes engenheiros e abolicionistas.

Como engenheiro, seu maior projeto foi o da estrada de ferro que liga Curitiba ao porto de Paranaguá, considerado, até hoje, uma realização arrojada.

Como abolicionista, ele criou, junto de Machado de Assis, Joaquim Nabuco e outros abolicionistas importantes da época, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão.

Após o fim da escravidão, no entanto, a monarquia também chegou ao fim. Com a proclamação da República, em 1889, a família de D. Pedro 2º e pessoas ligadas a ele, como a família Rebouças, tiveram que partir para o exílio.

André nunca mais retornou ao Brasil. Em 09 de maio de 1898, deprimido com o exílio, o engenheiro se jogou de um penhasco perto de onde vivia, em Funchal, na Ilha da Madeira.

Algumas capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Curitiba, têm avenidas e túneis chamados de Rebouças em homenagem ao engenheiro negro.

*Por Lais Modelli

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*Fonte: bbc-brasil

3 poemas selecionados do livro “Tradutor de Chuvas” – de Mia Couto

A Editora Caminho assim apresenta o livro do qual os poemas abaixo foram selecionados: “O primeiro livro que Mia Couto publicou – Raiz de Orvalho, 1986 – era (e) um livro de poesia. Depois disso publicou 21 livros em prosa em vários gêneros – romance, conto, crônica, ensaio – sem nunca sair da poesia, que e onde se sente bem .

Em 2007 voltou a poesia propriamente dita com Idades, Cidades, Divindades, e agora volta lá de novo com este Tradutor de Chuvas. Livro que tem muito de autobiográfico, permite aos leitores mais atentos de Mia Couto descobrir as pontes da sua extraordinária obra literária.”

Seguem 3 poemas selecionados:

DANOS E ENGANOS
Aquele que acredita ter visto o mundo,
não aprendeu a escutar-se no vento.
Aquele que se deitou na terra,
vestiu sonhos como se fossem vidas
e tudo o mais fossem regressos.
Mas aquele que tocou o fruto
provou a inicial doçura do tempo.
E quando tombou
de si mesmo se fez semente.

POEMA DIDÁTICO
Já tive um país pequeno,
tão pequeno
que andava descalço dentro de mim.
Um país tão magro
que no seu firmamento
não cabia senão uma estrela menina,
tão tímida e delicada
que só por dentro brilhava.
Eu tive um país
escrito sem maiúscula.
Não tinha fundos
para pagar a um herói.
Não tinha panos
para costurar bandeira.
Nem solenidade
para entoar um hino.

Mas tinha pão e esperança
para os viventes
e sonhos para os nascentes.
Eu tive um país pequeno,
tão pequeno
que não cabia no mundo.

TRADUTOR DE CHUVAS
Um lenço branco
apaga o céu.
A fala da asa
vai traduzindo chuvas:
não há adeus
no idioma das aves.
O mundo voa
e apenas o poeta
faz companhia ao chão.

*Por Mia Couto

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*Fonte: revistapazes

Quando a única coisa que evolui é o atraso: para incentivar a leitura no Brasil, governo quer aumentar o preço dos livros

A literatura, definitivamente, não é o entretenimento que mais seduz o brasileiro. Com a concorrência da internet e de serviços de streaming como a Netflix, a leitura fica relegada a um terceiro ou quarto plano na preferência dos que aqui têm a sorte de serem letrados — e, sim, no Brasil, isso é um privilégio. Como se não fosse suficiente esse cenário desanimador, o mercado literário atravessa ainda uma crise vinda desde antes da pandemia, o que pode ser percebido claramente pelo pedido de recuperação judicial das duas maiores livrarias do país, a Cultura e a Saraiva. É partindo desses pressupostos que se chega à conclusão de que o novo tributo proposto pelo governo é absurdo, podendo representar a pá de cal que faltava para destruir o mercado brasileiro de livros.

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil confirma algo que se percebe no cotidiano: o brasileiro lê pouco. Apesar de uma melhora dos índices em relação à mostra anterior, dados revelam que 44% da população não têm o hábito da leitura e 30% sequer compram livros. O patamar de 4,96 livros lidos anualmente por pessoa, em média — sendo apenas metade deles lidos até o fim —, demonstra que estamos longe de ser uma pátria preocupada com a educação de seu povo. Diferente de lugares como Buenos Aires, por exemplo, onde há basicamente uma livraria em cada esquina, por aqui parece reinar a indiferença com relação ao incentivo da leitura para a população. Há quem diga que enobrecer o espírito crítico do cidadão seria um tiro no pé para os dirigentes políticos, já que poderia ser prejudicial aos fins eleitoreiros dos governantes em um país cuja taxa de analfabetismo ainda está em quase 7%. Faz um pouco de sentido.

Reflexo disso e de outros fatores, a indústria literária passa por uma crise profunda. Além da quebra das grandes empresas, a alteração do perfil do leitor com a adoção de novas tecnologias fez surgir um período de adaptação no setor. Em meio a tudo isso, é evidente que escrever no Brasil é verdadeiramente um ato de amor. O mercado editorial não permite que os autores façam dinheiro como em outras profissões, mas ainda assim o objeto final acaba encarecido. O livro, no país, é consideravelmente caro. Por causa do mercado consumidor pequeno, as vendas seguem a mesma proporção, mas a confecção dos exemplares não custa menos por isso. Existem gastos fixos que, devido à tiragem tradicionalmente baixa, fazem com que o preço final acabe pesando para o consumidor.

Esse panorama, que já é lamentável em todo o seu ciclo, agora pode se tornar ainda mais insustentável. Apesar de a Constituição prever imunidade tributária para livros, não havendo, portanto, incidência de impostos sobre eles, um projeto de lei visa instituir uma contribuição que, no fim das contas, implicará uma taxação das obras literárias. É que, apesar de imunes a tributos, eles não são isentos de contribuições sociais, e essa manobra interpretativa resultaria no encarecimento de seu valor final. Seria uma quebra na tradição nacional de favorecer o conhecimento por intermédio da isenção tributária de bens que promovam a disseminação de conhecimentos, num retrocesso tão absurdo quanto desarrazoado.

É importante lembrar que em outros países essa imunidade tributária se faz presente justamente graças à sua fundamental importância para o crescimento intelectual da sociedade. O barateamento dos livros é de interesse de qualquer nação que valorize a leitura como método transformador, uma vez que ler é o caminho mais prático para se desenvolver uma comunidade culturalmente forte e plural. Com a criação da contribuição sobre os livros, o Brasil apenas demonstra que ser uma pátria educadora não está entre suas prioridades. A devastação no setor será grande, mas os reflexos em uma sociedade de evolução intelectual já notoriamente precária serão ainda piores.

O país das prioridades invertidas subverte sempre a lógica, e dá inveja a qualquer enredo trágico de livro. Ou de série da Netflix, que é uma alternativa mais barata e politicamente mais aceitável.

*Por Matheus Conceição

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*Fonte: revistabula

Biografia de Chris Cornell será lançada na próxima semana

O saudoso Chris Cornell ganhará uma biografia, chamada Total F * cking Godhead: The Biography of Chris Cornell. O lançamento nos Estados Unidos está previsto para o próximo dia 28 de julho (terça), pela Post Hill Press. Para garantir na pré-venda, acesse este link.

O livro com 384 páginas, assinado pelo jornalista Corbin Reiff, promete reviver a trajetória de Cornell com o Soundgarden, que dominou o movimento grunge ao lado do Pearl Jam, Nirvana e Alice in Chains. A obra também terá capítulos sobre projetos como Audioslave, Temple of the Dog e a carreira solo de Cornell.

Reiff entrevistou o lendário produtor de Seattle Jack Endino, além do crítico musical Dawn Anderson. No entanto, não foi possível reunir depoimentos da família de Cornell e dos antigos parceiros de Soundgarden.

O autor também buscou mostrar o lado bem humorado do artista pouco conhecido. “Ele adorava tirar sarro das coisas. Eu queria ter certeza de que, quando as pessoas leem o livro, ficam com uma imagem tão completa de quem ele era”, declarou Reiff à Variety.

Cornell foi encontrado morto em um quarto de hotel em Detroit aos 52 anos em 18 de maio de 2017, logo após uma apresentação com o Soundgarden. O laudo médico confirmou o suicídio por enforcamento.

*Por Marcos Chapeleta

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*Fonte: ligadoamusica

Livro “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho”

Será lançada na sexta (31/7), ainda dentro das comemorações do dia mundial do rock, a campanha de financiamento coletivo com o objetivo de captar recursos para a publicação do livro 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho. O projeto, que é idealizado pelo jornalista e escritor Cristiano Bastos (um dos autores de Gauleses Irredutíveis – Causos e Atitudes do Rock Gaúcho; e das biografias Júpiter Maçã: A Efervescente Vida & Obra; Julio Reny – Histórias de Amor & Morte; e Nelson Gonçalves – O Rei da Boemia), terá projeto gráfico do designer Rafael Cony.

Os 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho serão eleitos por meio de um corpo de jurados (músicos, jornalistas, produtores) do RS e também do Brasil. Será colocada em votação a produção discográfica produzida no Rio Grande do Sul desde anos 1950 (quando se tem o registro da primeira música “rock” feita no Estado: Stupid Cupid, com o Conjunto Farroupilha) até os dias hoje.

Segundo Bastos, que tem passagens por revistas como a Rolling Stone Brasil, Bizz, entre outros veículos da imprensa musical, ainda que o nome “rock” intitule o livro, outros gêneros musicais – do pop ao soul, do metal ao punk, do funk ao samba rock – não ficarão de fora.

Ao corpo de jurados será fornecido uma listagem com a sugestão de centenas álbuns de bandas e artistas para auxiliá-los na escolha. A previsão de lançamento do livro100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho (que terá formato de luxe e a dimensão de um disco de vinil: capa dura, papel couchê, colorido) é em meados de 2021. Objeto de colecionador, a tiragem da obra, cujo objetivo é que tenha mais de um volume, será de mil cópias.

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*Fonte: rogerlerina

Into The Wild: ônibus icônico é removido de local no Alasca por segurança

Se você é fã de música e cinema muito provavelmente conhece o lendário ônibus do filme Na Natureza Selvagem (“Into The Wild”).

O veículo tornou-se símbolo do filme, baseado na história real de Chris McCandless, que se desconectou do mundo para viver no meio da natureza selvagem, no Alasca, e documentou o processo de idas e vindas.

Além de tudo isso, a trilha sonora de Into The Wild ainda foi assinada pelo incrível Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, e serviu como uma espécie de estreia solo do cara, como seu primeiro disco longe da banda realizado após convite do diretor e ator Sean Penn.

Como resultado, o álbum conta com 11 faixas entre composições próprias e a belíssima cover de “Hard Sun”, som entoado pelo músico até hoje desde o lançamento do longa em 2007.

Acontece que o famigerado ônibus que aparece no filme e tem um papel fundamental na trama estava localizado no meio de um lugar de difícil acesso no Alaska, causando uma série de problemas para as autoridades locais e gerando custos para a população.

Isso porque, para chegar até ele, os fãs do filme, de Eddie Vedder ou de ambos tinham que atravessar um rio e se jogar na floresta, e isso nem sempre saía bem. Para piorar, a cidade mais próxima fica a cerca de 50 quilômetros do local original do veículo.

Como a BBC aponta, em 2019 uma mulher da Bielorrússia que havia acabado de se casar morreu afogada na tentativa de chegar até o ônibus.

Outros casos que chamaram a atenção dão conta de um brasileiro que foi resgatado enquanto estava perdido em Abril, e um grupo de cinco italianos encontrados em Fevereiro, sendo que um deles teve sérios problemas com a baixa temperatura.

Segundo as autoridades, entre 2009 e 2017 foram 15 operações de busca relacionadas ao ônibus de Na Natureza Selvagem, e agora ele foi removido do local, como pode ser visto no vídeo acima.

Clay Walker, político local responsável pela área, disse que o ônibus havia se tornado “uma atração perigosa”, e afirmou que sabe como o símbolo é uma peça importante da cultura local, então há um sentimento “agridoce” por conta da sua remoção.

Ele ainda disse que o ônibus dos Anos 40 foi levado ao local há cerca de 60 anos e ainda não há informações a respeito do seu destino, já que as autoridades apenas disseram que ele será mantido “em um lugar seguro” até que uma decisão seja tomada.

Que triste!

*Por Tony Alex

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*Fonte: tenhomaisdiscosqueamigos

Você cheira os livros também? O motivo está na … química!

Conforme publicado pela Revista GreenMe, existe uma explicação muito especial para o cheirinho que tanto fascina os leitores de todo o mundo: o cheiro do livro.

Esse prazer tem se perdido com a proliferação cada vez maior das leituras digitais, contudo, o verdadeiro amante dos livros impressos dificilmente abdicará por um longo espaço de tempo desse prazer tão singular.

Quando o leitor contumaz pega em suas mãos um livro impresso, seja ele novo ou antigo, raro deixará de observar o seu cheiro.

Isso seria loucura? Não exatamente: como em todos os aromas, as origens dos cheiros dos livros também podem ser rastreadas até vários componentes químicos , tanto que Andy Brunning, um cientista inglês, examinou em seu blog os processos e compostos que podem contribuir para ambos. os tipos de cheiro.

Quanto ao cheiro de livros novos, de acordo com o químico, é realmente muito difícil identificar compostos específicos, sobretudo porque existem literalmente centenas de compostos envolvidos e, portanto, a atribuição a uma pequena seleção de substâncias químicas se torna complicada.

Segundo Brunning, certamente a maior parte do cheiro do novo livro possa ser atribuída a três fontes principais : o próprio papel (e os produtos químicos usados ​​em sua fabricação), as tintas usadas e os adesivos usado para encadernação dos próprios livros.

Segundo afirma o site: “Na prática, se a celulose e a lignina contidas no papel se desgastarem ao longo do tempo com o resultado do amarelecimento do papel e da liberação de compostos orgânicos, o cheiro típico de livros antigos surge dessa reação. Segundo Brunning, os componentes desse aroma são baunilha, benzaldeído (quase um perfume de amêndoa), odores doces produzidos pelo etilbenzeno e etilhexanol, provenientes do cheiro de flores. É isso mesmo, senhores, uma boa mistura de produtos químicos! Os livros publicados hoje, no entanto, são produzidos com um papel de melhor qualidade do que no passado. E isso, se por um lado, leva a menos degradação das páginas, por outro, também leva a menos capacidade de liberar um cheiro específico.”

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*Fonte: revistapazes

Billy F Gibbons: Rock + Roll Gearhead (Edição comemorativa)

Expandido por ocasião do 50º aniversário do ZZ Top, Billy F Gibbons: Rock + Roll Gearhead (publicado pela primeira vez em 2005) abre amplas portas de garagem e estúdio da Gibbons para um olhar exclusivo sobre as guitarras vintage requintadas e exclusivas e os influentes hot rods e carros personalizados do redutor de grau A do Texas.

Do quase mítico raio de sol de Les Paul de 59, conhecido como “Pearly Gates” e o “Furry One” da MTV, reconhecidos por carros como o Eliminator, CadZZilla e Kopperhed, todos estão aqui – mais de sessenta guitarras e quinze veículos impressionantes , todos expostos pelo próprio BFG e mostrados em cores encomendadas e fotografia artística em preto e branco. Carros e guitarras que apareceram desde a primeira publicação estão incluídos:

Carros:

Mexican Blackbird 1958 Thunderbird
Quintana ’50 Ford Custom
El Camino Grocery-Getter custom
Whiskey Runner ’34 Ford Coupe
’51 Willys Wagon

Guitarras:

Party Peelers John Bolin Customs
Neiman Marcus BFG SG
Nacho Telecaster
1929 National Resonator
1929 Dixie Ukelele
1939 Rickenbacker Frying Pan

…e mais!

Enquanto os carros e as guitarras da BFG são lendas, não menos intrigantes são os contos por trás de sua incrível carreira musical. Do adolescente roqueiro de Houston ao Hall da Fama do Rock and Roll, toda a história está entre essas capas, contada nas próprias palavras do bom reverendo Willie G. e ilustrada com fotos e recordações de seu arquivo pessoal.

Como em muitos roqueiros, o estilo de Billy F Gibbons para hot rods e costumes é coisa de lenda. Mas além desse domínio genuíno do bluesman sobre o amor impenitente e de seis cordas pela combustão interna, há um colecionador notável, cujos próprios projetos se manifestaram em centenas de carros e guitarras alucinantes. Este é o registro definitivo e oficial desse gênio.

Desafio melhores livros do século 21: você leu no máximo 4 desses 50 livros

A Revista Bula realizou duas enquetes — em 2018 e 2019 — para descobrir quais são, na opinião dos leitores, os melhores livros publicados no século 21. As consultas foram feitas a colaboradores, assinantes — a partir da newsletter —, e seguidores da página da revista no Facebook e no Twitter. Os 50 livros mais lembrados pelos leitores foram reunidos em uma lista, composta, predominantemente, por obras de ficção. A seleção abrange livros nacionais e estrangeiros, que foram publicados a partir do dia 1 de janeiro de 2001, sendo que todas elas tiveram tradução para o português. De acordo com um levantamento prévio feito pelos editores da Bula, pouquíssimas pessoas já leram mais do que quatro livros presentes na lista. Para descobrir se você é uma exceção, basta contabilizar quantas obras você já leu dentre as 50 listadas.

1 — Reparação (2001), de Ian McEwan

2 — Não me Abandone Jamais (2005), de Kazuo Ishiguro

3 — A Estrada (2006), de Cormac McCarthy

4 — A Amiga Genial (2011), de Elena Ferrante

5 — Pornopopeia (2009), de Reinaldo Moraes

6 — Complô Contra a América (2004), de Philip Roth

7 — A Visita Cruel do Tempo (2012), de Jennifer Egan

8 — O Filho Eterno (2007), de Cristóvão Tezza

9 — A Vegetariana (2007), de Han Kang

10 — Plataforma (2001), de Michel Houellebecq

11 — As Correções (2001), de Jonathan Franzen

12 — 1Q84 (2009), Haruki Murakami

13 — Cinzas do Norte (2005), de Milton Hatoum

14 — A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao (2007), de Junot Díaz

15 — Meio Sol Amarelo (2006), de Chimamanda Ngozi Adichie

16 — 2666 (2004), de Roberto Bolaño

17 — Austerlitz (2001), de W—G— Sebald

18 — O Pintassilgo (2013), de Donna Tartt

19 — Wolf Hall (2009), de Hilary Mantel

20 — Argonautas (2015), de Maggie Nelson

21 — Os Possessos (2012), de Elif Batuman

22 — O Vendido (2017), de Paul Beatty

23 — Gilead (2004), Marilynne Robinson

24 — Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios (2005), de Marçal Aquino

25 — Esboço (2014), de Rachel Cusk

26 — O Ano do Pensamento Mágico (2005), de Joan Didion

27 — A Morte do Pai (2009), Karl Ove Knausgård

28 — Outras Vidas que não a Minha (2010), de Emmanuel Carrère

29 — Estação Atocha (2016), de Ben Lerner

30 — Middlesex (2002), de Jeffrey Eugenides

31 — O Livro do Sal (2003), de Monique Truong

32 — Garota Exemplar (2012), de Gillian Flynn

33 — Na Ponta dos Dedos (2002), de Sarah Waters

34 — Os Lança-Chamas (2014), de Rachel Kushner

35 — O Mundo Conhecido (2003), de Edward P— Jones

36 — O Simpatizante (2015), de Viet Thanh Nguyen

37 — Barba Ensopada de Sangue (2012), de Daniel Galera

38 — NW (2012), de Zadie Smith

39 — A Longa Caminhada de Billy Lynn (2012), Ben Fountain

40 — O Drible (2013), de Sérgio Rodrigues

41 — A Linha da Beleza (2006), de Alan Hollinghurst

42 — O Sentido de um Fim (2011), de Julian Barnes

43 — A Peculiar Tristeza Guardada num Bolo de Limão (2013), de Aimee Bender

44 — Ossos do Inverno (2006), de Daniel Woodrell

45 — O Ódio que Você Semeia (2017), de Angie Thomas

46 — Uma História de Amor Real Supertriste (2011), de Gary Shteyngart

47 — Como ser as Duas Coisas (2014), de Ali Smith

48 — Nove Noites (2002), de Bernardo Carvalho

49 — Americanah (2013), de Chimamanda Ngozi Adichie

50 — Suíte Francesa (2004), de Irène Némirovsky

*Por Mariana Felipe

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*Fonte: revistabula

Artista argentino cria tanque de guerra munido da arma mais poderosa: livros

Já dizia Nelson Mandela: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Talvez esta frase tenha inspirado o artista argentino Raul Lemesoff, o responsável pela criação de uma arma que pode mudar a vida de muitas pessoas: ele transformou um antigo carro Ford Falcon, de 1979, em um tanque de guerra. Mas, ao invés de disparar balas, o veículo dispara livros.

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O veículo funciona como uma verdadeira biblioteca itinerante. O formato é de tanque de guerra e tem até um canhão, mas toda a lateral é repleta de prateleiras, em que são dispostos até 900 livros, com os mais diversos temas e estilos.

Com a munição de livros pronta, o artista percorre as ruas de Buenos Aires, na Argentina, disparando livros por todos os lados e para todas as pessoas que cruzam o seu caminho. Não é necessário pagar nada pelos exemplares, apenas se comprometer com a leitura:

O projeto em que Lemesoff trabalhou nos últimos anos dá um novo significado a um dos principais símbolos de guerra, que foi batizado de “Arma de Instrução em Massa”.

*Por Vicente Carvalho

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*Fonte: razoesparaacreditar

Café Dua Rodas – A cultura biker nas mídas

Ontem no Café Castelo, em Venâncio Aires (RS), foi dia de uma conversa pilotada por mim e pelo amigo Thiago Nelsis, onde o tema central eram os filmes e livros clássicos da cultura biker. Como fica evidente nas imagens, o evento não teve nenhum grande público…rsrsrsr, e na real nem era mesmo essa a ideia ou o objetivo do evento na livraria. Já era esperado esse efeito, talvez pela própria chucreza cultural da cidade para com esse tipo de atividade. Aliás, o local – a livraria Castelo, é ainda novo nesse estilo de acontecimento – uma de troca de ideias, um bate-papo descontraído e muitas histórias. E o centro das atenções dessa vez foram as motocicletas e seus pilotos através da ótica da telona e das páginas dos livros.

A conversa rodou sobre os clássicos filmes do cinema, que vem lá das míticas jaquetas de couro do Marlon Brando (The Wild One), passando pelo Jack Nicholson e sua gangue até o lendário Easy Rider, que óbvio, foi um dos mais comentados. Depois seguindo em frente com alguns filmes muito trash sobre o universo das duas rodas – “O Motoqueiro Fantasma”,  “Harley Davidson e Marlboro Man”, “Biker Boyz” e até comédias como:  “Motoqueiros Selvagens” (Wild Hoghs – com John Travolta). Lembramos também de alguns filmes que mesmo não sendo da temática motociclista, continham cenas e passagens marcantes com moto, como é o caso de “Fugindo do Inferno” – com a cena de Steve McQueen saltando a cerca com sua Triumph  travestida de BMW da segunda guerra; “Tron” – a corrida dos feixes de linha reta; “Matrix”, “Top Gun”, “Missão Impossível”, “Mad Max”, “James Bond”, “O Exterminador do Futuro” – a perseguição no túnel com a caminhão e duas duas bikes, dentre outros filmes.

Indo ainda adiante também focamos em filmes biográficos, como a vida de Evel Knievel, Burt Munro (“Indian – O Grande Desafio”); Tchê Guevara e Alberto Granado em “Diários de Motocicleta” – esse com a participação fundamental da
Potira nos comentários. Falamos também de documentários que se encontram facilmente nas redes sociais (viagens, grandes trips, aventuras, motoclubes, Hells Angels, etc). E por fim, não poderíamos deixar de fora os seridos mais evidentes como “Sons of Anarchy” e “Ride With Norman Reedus” (com o ator de Walking Dead).

Depois a conversa mudou o foco para os livros, onde passamos comum foco mais apurado por: “Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas” (Robert Pirsig); “Hells Angels” (Hunter Thompson); “Hells Angels – A Vida e a Época de Sonny Barger” e comentamos também das diversas obras do baterista do Rush, Neil Peart (7 livros).

Ou seja, uma bela noite quente de verão, regada com cerveja gelada e uma ótima conversa entre amigos e novos amigos. Mais ou menos foi essa função da noite de ontem. Creio que em breve teremos novos encontros desse tipo.

Flw

*Veja algumas imgs de evento

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A biblioteca de Helsinque que quer sanar os medos contemporâneos com informação

A Finlândia conquistou seu lugar no mundo como um dos países mais avançados no âmbito social, econômico, político e educativo. Tommi Laitio, diretor executivo de cultura e lazer de Helsinque, capital do país, explicou porque a Finlândia investe tanto em educação e cultura:

“O progresso de um dos países mais pobres da Europa para um dos mais prósperos não foi um acidente. É com base nessa ideia que, quando há tão poucos de nós – apenas 5,5 milhões de pessoas –, todos têm que viver todo o seu potencial”. “Nossa sociedade é fundamentalmente dependente de as pessoas poderem confiar na bondade de estranhos”.

Nem o país mais feliz do mundo é ileso às ansiedades do século 21 sobre mudança climática, imigração, tecnologia disruptiva e outras forças que alimentam movimentos populistas de direita em toda a Europa.

E se a raiva é reflexo do medo, uma biblioteca de Helsinque foi fundada para resistir à onda de mal-estar que avança pelo mundo com a arma mais letal: informação.

“Quando as pessoas têm medo, elas se concentram em soluções egoístas de curto prazo”, disse Laitio. “Eles também começam a procurar bodes expiatórios”.

A biblioteca Oodi foi construída para servir como uma espécie de fábrica de cidadania, um espaço destinado aos antigos e novos residentes para aprenderem sobre o mundo, a cidade e sobre eles próprios. Ela está localizada no coração de Helsinque, em frente ao Parlamento finlandês com o qual compartilha uma praça pública.

O prédio abriga uma coleção de 100.000 revistas, jornais, partituras, filmes, jogos e livros – com diferentes materiais em 17 idiomas destinados a crianças, jovens e adultos.

Oodi é um lugar amplamente popular comprometido com a recepção de todos os públicos e “acolhimento sem julgamento”. A ideia foi proposta pela primeira vez em 1998 por Claes Anderson, ministro da cultura na época. O Conselho da Cidade aprovou sua construção em janeiro de 2015.

“Oodi fornece a seus usuários conhecimento, novas habilidades e histórias, e é um local fácil de acessar para aprendizado, imersão em histórias, trabalho e relaxamento. É uma biblioteca de uma nova era, um local de encontro vivo e funcional aberto a todos.”, diz a descrição do site.

Se estima que, neste ano, ela recebeu 3 milhões de visitantes – “muito para uma cidade de 650.000 habitantes”, explica Laitio. Em seu primeiro mês, 420.000 residentes de Helsinque foram à biblioteca.

“É provavelmente o lugar mais diverso da nossa cidade, de várias maneiras”, diz Laitio.

*Por Raquel rapini

 

 

 

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*Fonte: geekness

A mitologia de Tolkien explicada em 10 minutos

A mitologia de Tolkien compreende uma bagagem de histórias densas e abundantes: mitos, épicos, linguagens (com seus próprios alfabetos) e incontáveis personagens. O genial escritor britânico foi capaz de criar um dos universos ficcionais mais extensos e consistentes da história da literatura.

Durante décadas este produto da imaginação do autor inspirou escritores e leitores do mundo todo. A Terra Média criada por sua mente incansável abrange um universo de histórias complexas, repletas de reviravoltas e personagens cuidadosamente desenvolvidos.

O Youtuber CGP Gray sintetizou os elementos mais importantes dessas histórias em dois vídeos que servem com uma breve introdução para os livros O Hobbit, a trilogia Senhor dos Anéis e O Silmarillion. É preciso ressaltar que nada se compara a mergulhar dentro da narrativa destas obras.

As legendas automáticas para português podem ser ativadas no ícone de configurações de cada vídeo.

No primeiro, é narrado o surgimento da Terra Média desde os seres sobrenaturais que deram vida aos magos, homens, elfos, anões e hobbits. Mitos que podem (e devem) ser explorados com mais profundidade no livro O Silmarillion, uma coleção de textos de Tolkien publicados postumamente pelo seu filho.

*Por raquel Rapini

 

 

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*Fonte: geekness

Biblioteca que passou 200 anos oculta é descoberta na Bélgica!

Um especialista em arte descobriu uma sala repleta de livros do século XVII e XIX que havia permanecido intacta. Na biblioteca, havia livros de geografia, velhos atlas, obras que falavam sobre cultura, povos e regiões. Todos datam da mesma época e ficaram trancados durante os últimos 200 anos em uma biblioteca particular em Bouillon, um pequeno município belga, próximo da fronteira com a França.

A coleção conta com 182 livros, incluindo um velho atrás de Abraham Ortelius. O cartógrafo e geógrafo, conhecido como o Ptolomeu do século XVI, foi um padre da cartografia flamenca junto com Gerardus Mercator. O livro descoberto data de 1575 e é considerado o primor do atás moderno.

E como esta biblioteca ficou oculta por tanto tempo? Não se sabe. O que se sabe é que, de um dia para o outro, os descendentes da família decidiram abrir seu acervo que está aos pés de um dos castelos mais imponentes de sua época, o Castelo de Bouilon, o exemplo mais antigo de arquitetura feudal da Bélgico, construído no século VIII, por onde de Caros Martel. Todos os livros da coleção serão colocados a venda logo após uma exposição que aconteceu no Hotel de Ventes Horta de Bruxelas.

“A primeira vez que abri a porta da biblioteca fiquei surpreso pela autenticidade da atmosfera que prevalecia no século XVIII. Estive dois dias para fazer um inventário completo. Segurei cada livro em minhas mãos, com muito cuidado para evitar danos”, disse Godts a Le Vif, responsável por cuidar do acervo.

Mais informações:
https://soybibliotecario.blogspot.com/2017/06/la-biblioteca-que-paso-200-anos-oculta.html?fbclid=IwAR38qJqMhs7fWEsuloiljwNRjxpb7q7LksQ4BH6LtzkJvWQj_N4JNdJI4nM

*Por Luiz Antônio Ribeiro

 

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*Fonte: notaterapia

As pessoas que leem muitos livros são muito mais educadas, gentis e empáticas, mostra o estudo

Ser um rato de biblioteca é compreensivelmente considerado um hobby solitário. Afinal, ao contrário de assistir televisão, seria muito difícil ler um livro com um grupo ou mesmo com outra pessoa. As pessoas livrescistas têm sido estereotipadas como solitárias e introvertidas.

Bem, a ciência está nos dizendo que esses rótulos podem ser falsos. Segundo a pesquisa, as pessoas que leem mais especificamente ficção tendem a exibir comportamentos mais sociáveis ​​e são mais empáticas.

Esta conclusão é baseada em um estudo britânico da Kingston University, em Londres. Os pesquisadores perguntaram a 123 pessoas sobre seus hábitos de leitura ou televisão. Eles também notaram que gêneros gostavam – comédia, não-ficção, romance ou drama.

Os pesquisadores então testaram suas habilidades sociais, fazendo perguntas como: Com que frequência você considera os pontos de vista de outras pessoas em comparação com os seus? Ou você sai do seu caminho para ajudar ativamente os outros?

Pode-se pensar que aqueles que preferem assistir à televisão exibem um comportamento mais sociável. Isso faria sentido. Devido ao enorme fluxo de livros, é mais provável que duas pessoas tenham assistido ao mesmo programa do que lido o mesmo livro.

No entanto, os resultados mostraram o contrário. Em leitores de livros versus espectadores de TV, os leitores de livros ficaram no topo ao exibir um comportamento mais empático. Eles também descobriram que aqueles que assistiam principalmente à televisão na verdade exibiam um comportamento mais antissocial.

O que é interessante, como observou a pesquisadora Rose Turner, foi que “todas as formas de ficção não eram iguais”. Os leitores de ficção mostraram as melhores habilidades sociais. Especificamente, quando divididos por gênero, eles viram que os leitores de comédia eram os melhores em se relacionar com as pessoas. Os amantes de romance e drama eram os mais empáticos e mais habilidosos em ver as coisas através dos olhos dos outros.

Estes resultados são fascinantes (para não mencionar um impulso do ego para nós, os leitores); no entanto, eles levantam a antiga questão “galinha ou ovo”. É que ler ficção pode ajudar uma pessoa a tornar-se mais empática ou pessoas com empatia simplesmente leem mais ficção?

Talvez os telespectadores que acham que poderiam usar um pouco mais de empatia possam fazer sua própria experiência. Pegue um pouco de ficção e observe as mudanças dentro de você.

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*Fonte: revistapazes

Hard to Handle: The Life and Death of the Black Crowes

Finalmente foi lançada uma biografia da banda The Black Crowes. E já não era sem tempo, em meio a essa verdadeira enxurrada de bios de bandas e artistas nos últimos anos. Eu mesmo já li inúmeras, mas parece que sempre fica faltando alguma outra ainda a ser devorada. Há tempos estava ansioso por uma notícia dessas. E o lado bom dessa história é que foi escrita por ninguém menos que o próprio baterista do grupo, Steve Gorman – digamos que seja um cara “do meio”, na tal história das eternas disputas entre os irmãos Robinson.

Bem, agora posso ficar tranquilo, uma das bandas de rock que eu mais gosto (caralho! É essa é a que eu MAIS GOSTO! – tudo bem, Beatles e Stones não contam – seria covardia, e tem ainda o Led Zep e mais algumas outras…), agora tem uma bio e de respeito. Afinal, teremos suas histórias narradas por quem viveu e presenciou realmente os fatos. A questão é que o livro até o momento, existe somente na versão original, em inglês (vide link abaixo). E nem sei dizer se algum dia ainda será lançada por alguma editora, aqui no Brasil. Entonces é o que temos…

 

>> Abaixo, o texto de apresentação da biografia que diz o seguinte:

Por mais de duas décadas, The Black Crowes liderou as paradas e reinou supremo sobre as ondas de rádio, mesmo quando bandas de cabelo, grunge e hip-hop ameaçaram destroná-los. Com hits como “Hard to Handle”, “She Talks to Angels” e “Remedy”, seu enorme sucesso lançou-os ao estrelato no início dos anos 90, ganhando-lhes um lugar entre a realeza do rock. Eles estavam na capa da Rolling Stone, a MTV exibia seus vídeos 24 horas por dia, 7 dias por semana, e o Generation X redescobriu o poder do rock clássico e do blues ao mergulhar em clássicos multi-platina como Shake Your Money Maker e The Southern Harmony and Musical Companion.

Mas o estrelato pode ser fugaz. Para os Black Crowes, o sucesso lentamente diminuiu à medida que os membros da banda se envolviam no mundo das estrelas do rock e perdiam de vista sua ambição musical. Apesar das bebedeiras, drogas e lutas incessantes entre Chris e Rich Robinson – os irmãos mais bravos do rock and roll, com todo o respeito ao Oasis e ao Kinks – a banda continuou a fazer turnê até 2013. Em qualquer noite, eles podiam seja a melhor banda que você já viu. (Ou o mais combativo.) Então, uma última falha causada por Chris Robinson se mostrou intransponível para a banda sobreviver. Depois disso, as Black Crowes não voariam mais.

O membro fundador Steve Gorman estava lá por tudo isso – a cocaína e as excursões movidas a ervas daninhas; as sessões de gravação tumultuada; os bastidores estão repletos de lendas como Robert Plant, Jimmy Page e os Rolling Stones. Como o baterista da banda e voz da razão, ele tentou manter os Crowes Negros juntos musicalmente – e de uma forma emocional. Em sua história em primeira pessoa dos Black Crowes, Hard To Handle – o primeiro relato sobre o início, meio e fim da grande banda de rock americano – Gorman deixa claro o quão impossível era esse trabalho. Felizmente, Gorman conta a história com grande discernimento, franqueza e humor. Eles não fazem mais bandas como os Black Crowes: loucos, brilhantes, autodestrutivos, inspiradores e, no final das contas, não construídos para durar. Mas, cara, que passeio foi enquanto durou.

 

*Links para compra do livro no site do Amazon: [ AQUI ]

Melhor amigo de Bob Dylan escreve biografia sobre o cantor

Antes do Bob Dylan subir ao palco para o O Último Concerto de Rock, em novembro de 1976, ele procurou Bill Graham, e disse que só tocaria se a equipe do Martin Scorsesse concordasse em filmar duas das quatro músicas que ele planejava tocar durante a sua apresentação. “Vou colocar Louie no palco ao lado de você e Marty”, disse Dylan. “Ele vai te dizer quando você pode me filmar.”

O Louie em questão, era Louie Kemp. O melhor amigo de Dylan desde que se conheceram no acampamento de verão em 1953. Kemp havia cruzado a América com Dylan sendo o produtor do Rolling Thunder Revue, documentário dirigido por Scorsese sobre a turnê de Dylan, e agora ele documentou como foi ser o promotor de shows mais famoso da história ao lado de um maiores diretores da indústria cinematográfica.

Há décadas, os momentos insanos do O Último Concerto de Rock Last Waltz é uma das muitas histórias que Kemp tem contado para os amigos próximos, mas desta vez, ele finalmente documentou tudo em seu novo livro, Dylan & Me: 50 Years of Adventures, que será lançado no dia 15 de agosto.

“Este livro mostra o lado realista de Dylan”, diz Kemp. “Para mim, ele sempre foi Bobby Zimmerman e essas são todas as histórias de Bobby Zimmerman. Bob Dylan é seu lado comercial. Eu queria mostrar uma perspectiva totalmente diferente sobre ele do que qualquer um já ouviu antes. ”

Vários escritores tentaram se aproximar de Kemp nos últimos anos para tentar contar as histórias de Dylan, mas ele recusou todos. “Eu sempre tive no fundo da minha mente de que, um dia, eu escreveria meu próprio livro compartilhando todas essas histórias que eram tão interessantes e significativas para nós”, conta. “Mas sempre empurrei isso pra frente.”

Kemp decidiu publicar o livro para evitar interferências externas. Friedman escreveu a introdução e o ajudou a editar os primeiros capítulos, mas Kemp que escreveu a maioria do livro.

A obra começa com seu primeiro encontro com Dylan no acampamento. “Nós dois viemos do norte de Minnesota”, diz ele. “Nós dois viemos de famílias judias de classe média no mesmo ambiente”. Kemp também fala sobre o momento em que ele considera ser a primeira apresentação pública de Dylan: em 1954, quando ele interpretou “Annie Had a Baby”, do Hank Ballard no Talent Night.

Eles permaneceram juntos durante a faculdade, mas perderam contato em janeiro de 1961, quando Dylan se mudou para Nova York. Em 1974, Kemp foi convidado a se juntar a Dylan na turnê de 1974 com a banda. O músico gostava de viajar pelo país com seu velho amigo e, em determinado momento, pediu para que ele produzisse o Rolling Thunder Revue em 1975. “Você é um homem de negócios de sucesso”, disse Dylan. “Você não pode negar que viu tudo de dentro. Se existe alguém que pode juntar tudo isso, essa pessoa é você.”

Grande parte do livro se concentra em suas aventuras no Rolling Thunder Revue, mas os fãs de Dylan ficarão fascinados com o relato de Kemp sobre a conversão religiosa de Dylan no final dos anos 1970 e seu retorno às raízes judaicas na década seguinte.

“Como a maioria dos amigos, nós temos os nossos desentendimentos”, escreve Kemp no livro. “Nós resolvermos a maioria deles, e ultimamente eles fizeram a nossa amizade ser mais forte.”

“Nós ainda somos amigos, mas não somos ligados como éramos antes”, ele conta. “Já passaram mais de dez anos [desde que eu vi ele pessoalmente]. “[O que aconteceu] é algo que eu não gostaria de falar sobre. Isso é entre Bob e eu.”

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*Fonte: revistarollingstone