Vídeo da Nasa revela ilhas de lixo no planeta

A garrafa vazia, a embalagem de comida, o bola que furou. Depois de um lindo dia na praia, muitas pessoas esquecem de recolher o lixo que ficou jogado ali na areia. Mas quando a maré sobe, todos estes dejetos acabam sendo levados para o mar. Assim como os banhistas, embarcações que navegam pelos mares também usam a água do mar como lixeira. E a cada novo resíduo descartado no oceano, aumentam ainda mais as imensas ilhas de lixo do planeta.

Recentemente, a Agência Espacial Americana (Nasa) divulgou um vídeo impressionante. Ele mostra como estas gigantescas lixeiras foram se formando em cinco pontos do oceano, ao longo dos últimos 35 anos. Estas áreas concentram uma quantidade enorme de detritos, que vão gradualmente aumentando sua extensão.

O que acreditava-se até pouco tempo era que estas ilhas eram móveis. Todavia, os pesquisadores sabem agora é que estão localizadas em cinco regiões subtropicais, onde as correntes marinhas se encontram. Nelas, o que há é principalmente resíduos de plásticos, micropartículas que já foram parcialmente decompostas pelos raios do sol.

ILHAS DE LIXO

Um estudo internacional, realizado no ano passado pela organização não-governamental 5 Gyres, denunciou que há mais de 5 trilhões de pedaços – grande e pequenos – de plásticos flutuando pelos oceanos do planeta. Seriam cerca de 269 mil toneladas de resíduos, que foram jogadas em nossos mares.

Segundo a pesquisa, que envolveu cientistas de seis países e coletou dados de 24 expedições ao redor do mundo, o plástico encontrado em maior quantidade é de redes de pesca e restos de boias. Mas os pesquisadores acharam também toneladas de garrafas, plásticos, escovas de dentes e uma série de outros detritos.

Além de matar peixes e outras espécies marinhas, o lixo acumulado nos mares contamina a água e acaba afetando também a qualidade do que comemos. É um grande círculo vicioso, já que estamos todos conectados. Por isso, evite usar embalagens plásticas e quando o fizer, sempre descarte no lugar certo.

*Por Suzana Camargo

 

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*Fonte: conexaoplaneta

Mar de plástico

A notícia de que a Grande Mancha de Lixo do Pacífico já ocupa uma área 16 vezes maior do que se estimava aumenta a urgência de uma solução para o problema dos resíduos plásticos, os principais poluidores dos mares

O Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico no mundo, alcançando 11,3 milhões de toneladas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (70,8 milhões), China (54,7 milhões) e Índia (19,3 milhões). E o pior: o país só recicla 1,28% do total produzido, um dos menores índices da pesquisa e bem abaixo da média global de reciclagem plástica que é de 9%. O brasileiro descarta, em média, aproximadamente 1 quilo de plástico a cada semana.

Esses são alguns dos dados do relatório do WWF (Fundo Mundial para a Natureza) publicado na terça (05/03), realizado com base em números do Banco do Mundial e que analisou a relação de mais de 200 países com o plástico. O levantamento “Solucionar a Poluição Plástica – Transparência e Responsabilização” reforça a urgência de um acordo global para conter a poluição por plásticos.

O estudo destaca como é crucial que os líderes globais se comprometam em uma ação coordenada internacionalmente a reduzir a poluição do meio ambiente por esse material. Na próxima semana (de 11 a 15 de março), um acordo sobre a poluição dos plásticos marinhos será votado durante a Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-4), em Nairóbi, Quênia.

O texto do estudo lembra que o material plástico em si não é um problema. Ao contrário, ele trouxe vantagens para a sociedade. Mas a forma voraz com que está sendo consumido e a maneira irresponsável como está sendo tratado após seu uso – em sua maioria único – é que estão causando um desastre ambiental. “Aproximadamente metade de todos os produtos plásticos que poluem o mundo hoje foram criados após 2000. Este problema tem apenas algumas décadas e, ainda assim, 75% de todo o plástico já produzido já foi descartado”, descreve o relatório.

Segundo o estudo do WWF, mais de 104 milhões de toneladas de plástico irão poluir nossos ecossistemas até 2030 se nenhuma mudança acontecer na nossa relação com o material. E está atrelado a uma petição da ONG que circula desde fevereiro para pressionar os líderes globais a defenderem um acordo legalmente vinculante na próxima semana. Até agora, já são cerca de 200.000 assinaturas em todo o mundo. Para assiná-la, acesse: http://bit.ly/OceanoSemPlastico

O volume de plástico que vaza para os oceanos todos os anos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, o que equivale a 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos os anos – são mais de 60 por dia. Nesse ritmo, até 2030, encontraremos o equivalente a 26 mil garrafas de plástico no mar a cada km2.

“Nosso método atual de produzir, usar e descartar o plástico está fundamentalmente falido. É um sistema sem responsabilidade, e atualmente opera de uma maneira que praticamente garante que volumes cada vez maiores de plástico vazem para a natureza”, afirmou em comunicado Marco Lambertini, Diretor-Geral do WWF-Internacional.

*Por Evanildo da Silveira

 

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*Fonte: revistaplaneta

Primeiros navios cargueiros elétricos do mundo começarão a operar na Bélgica e Holanda

No próximo verão europeu, o porto de Antuérpia, na Bélgica, vai se tornar uma atração internacional. É que o primeiro navio cargueiro elétrico do mundo, o Port-Liner, entrará em operação ali.

Já sendo chamado de “Tesla dos Canais”, o novo barco foi desenvolvido graças a uma parceria entre o governo da Antuérpia e a Comunidade Europeia, em um investimento total de pouco mais de 200 milhões de euros. O objetivo do projeto é reduzir o tráfego de caminhões nas estradas do país.

Port-Liner é apenas um dos navios que estão em construção. No total, serão cinco barcos pequenos, com 52 metros de comprimento e 6,7 de largura, e outros seis grandes, com 110 metros de comprimento e capacidade para carregar até 270 contêineres. Os menores poderão acomodar 24 contêineres com um peso total de 425 toneladas.

Os barcos foram projetados pela empresa holandesa de arquitetura naval Omega. Os menores conseguirão viajar por 15 horas e os maiores por 35 horas, utilizando somente a eletricidade proveniente das baterias instaladas no deck.

A recarga completa da bateria dos navios cargueiros de 52 mt leva quatro horas e quando necessário, ela pode ser substituída por outras existentes no porto.

Os barcos de grande porte serão utilizados nos trajetos entre os portos de Rotterdam, Amsterdam, Antuérpia e Duisburg. Todos os onze cargueiros estarão prontos no segundo semestre de 2019. Depois disso, a empresa Port-Liner, responsável pela construção dos barcos, pretende encomendar mais quatro.

“Todos eles já estão totalmente alugados para companhias de transporte marítimo e grandes empresas de contêineres. Caso contrário, não começaríamos a construí-los”, afirmou Ton van Meegen, CEO da Port-Liner.

O custo dos cargueiros menores é de 1,5 milhão de euros e os maiores, 3,5 milhões. Meegen garante que o valor não é mais alto do que o de um barco movido a diesel.
Fim da era do diesel

O diesel é um dos combustíveis fósseis mais poluentes que existe. Sua queima libera uma quantidade enorme de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, um gás apontado como sendo um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.

Diversos países ao redor do mundo já anunciaram a proibição, para os próximos anos, de veículos movidos a diesel, em uma iniciativa para combater a poluição nas grandes cidades, provocando milhares de mortes (leia mais aqui).

Além disso, estudos mostram que o barulho causado pelo trânsito marítimo nos oceanos pertuba a vida marinha, afetando a maneira como peixes e demais espécies se comportam debaixo d’água e muitas vezes, comprometendo sua sobrevivência.

Navios elétricos, assim como carros, são mais silenciosos, tendo assim, menor impacto sobre o meio ambiente.

*Por Suzana Camargo

 

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*Fonte: conexaoplaneta

Fazendeiros investem em agricultura orgânica após adoecerem com uso de agrotóxicos

Para aqueles que ainda duvidam de que, além de mais saudável (tanto para o ser humano quanto para o meio ambiente), a agricultura orgânica é também mais eficiente (e, portanto, mais lucrativa) do que a tradicional – que utiliza fertilizantes artificiais, aditivos e agrotóxicos –, apresentamos Blaine Schmaltz, fazendeiro no estado de Dakota do Norte, nos Estados Unidos.

No ano de 1993, ele estava aplicando herbicida no campo, quando parou para checar o nível do tanque de pulverização e acabou desmaiando. Após o episódio, ele foi hospitalizado por meses com dificuldades respiratórias, dores e coceiras musculares e insônia. Seu diagnóstico? Asma ocupacional! “O médico pediu para eu abandonar a agricultura e avisou que, caso eu não o fizesse, não viveria por mais 10 anos”, revela Schmaltz.

Durante a recuperação, Blaine começou a ler sobre a agricultura orgânica e começou a transição para continuar com sua profissão. Após iniciar o cultivo de trigo, grãos e linhos de maneira 100% orgânica, seus sintomas desapareceram.

Segundo o diretor da Associação de Produtores Orgânicos, Kate Mendenhall, essa é uma história comum para muitos fazendeiros que tiveram que escolher entre seu ganha pão e a saúde. Alguns passaram pela perda de membros da família antes de tomarem essa decisão. E a pergunta que não quer calar é: precisa chegar a esse ponto?

*Por Jessica Miwa

 

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*Fonte: thegreenestpost

Costa Rica: o país mais limpo do mundo. Até 2021 Zero Plástico e Zero Carbono

Não é de hoje – que, como alguns dizem, está na moda a questão ambiental – que a Costa Rica se dedica a explorar alternativas para o uso de recursos renováveis.

O pequeno país centro-americano vem sendo um grande exemplo ambiental no mundo, já que, desde 2014, 99% da energia do país é oriunda de fontes renováveis e há dois meses tem conseguido chegar a 100% de aproveitamento, segundo informou o Intelligent Living.

Há dois anos, o país decidiu, também, eliminar o plástico – o primeiro país do mundo a tomar tal atitude. Em 2018, a Costa Rica anunciou que, até 2021, pretende tornar-se o primeiro país do mundo também a ficar livre do carbono.

O Instituto de Eletricidade da Costa Rica (ICE) emitiu um comunicado argumentando que: “basear [a geração de eletricidade] em recursos renováveis permite que o país alcance uma das menores proporções de emissões de gases do efeito estufa para o consumo de eletricidade no planeta”.

O governo da Costa Rica, desde a década de 1980, é consciente de que a natureza é o seu principal ativo e vem fazendo desde então esforços para protegê-la: incluindo, entre outros, fechamento de parques zoológicos, reflorestamento e estabelecimento de áreas protegidas (25% da superfície total do país ).

A Costa Rica é abrigo de uma enorme biodiversidade e, por causa dela, o país vem demonstrado uma liderança ambiental ao buscar o reflorestamento, designando um terço do país de reservas naturais protegidas e retirando quase toda a eletricidade de energia hidrelétrica limpa.

No ano passado, no Dia Mundial do Meio Ambiente, o país anunciou seu novo plano nacional para erradicar todos os plásticos de uso único até 2021. O plástico já está sendo substituído por alternativas 100% recicláveis ou biodegradáveis e não à base de petróleo. Isso tem sido feito com o apoio técnico e financeiro do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

A economista Mónica Araya, especialista em sustentabilidade da Costa Rica e diretora da Costa Rica Limpia, que promove energia renovável e transporte elétrico, explica que:

“Livrar-se dos combustíveis fósseis é uma grande ideia vinda de um pequeno país. Essa é uma ideia que está começando a ganhar apoio internacional com o surgimento de novas tecnologias. Em um país que já está se afastando rapidamente dos combustíveis fósseis, concentrar-se nos transportes – um dos últimos grandes desafios – poderia enviar uma mensagem poderosa ao mundo ”.

O presidente eleito este ano, Carlos Alvarado Quesada, está disposto a reduzir a carbonização, ao anunciar que a Costa Rica irá banir os combustíveis fósseis e tornar-se a primeira sociedade descarbonizada do mundo. Em um discurso, ele disse:

“A descarbonização é a grande tarefa de nossa geração e a Costa Rica deve ser um dos primeiros países do mundo a realizá-la, se não a primeira”.

A Costa Rica Faz faz parte da Wellbeing Economies Alliance, uma coalizão que inclui Escócia, Nova Zelândia e Eslovênia, que, em vez de enfatizar o PIB dos países, “procura assegurar que a política pública avance o bem-estar dos cidadãos no sentido mais amplo, promovendo a democracia, a sustentabilidade e crescimento inclusivo ”, informa uma recente coluna do economista Joseph Stiglitz.

Naturalmente a Costa Rica, por ser um país pequeno, mais facilmente consegue colocar em prática ações que asseguram o desenvolvimento sustentável, as quais são um modelo importante e fundamental para servir de experiência a países maiores e com necessidades energéticas mais robustas.

*Por Gisella Meneguelli

 

 

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*Fonte: greenme

Sumiço das nuvens é a nova ameaça do fim do mundo como o conhecemos

Há 50 milhões de anos, período conhecido como Eoceno, o Ártico não era coberto de gelo como hoje. Com a Terra cerca de 13ºC mais quente, a paisagem no extremo norte do planeta era ocupada por florestas pantanosas repletas de crocodilos, semelhantes às encontradas hoje ao sul dos EUA.

Para buscar entender o que deixou o planeta tão quente no passado— e o que pode acontecer com o clima no futuro —, cientistas usam modelagens matemáticas que fundem dados observados e projeções computadorizadas. A estimativa da pesquisa é que a concentração de CO² na atmosfera teria que ser de 4 mil partes por milhão (ppm) para que a temperatura ficasse tão quente. Isso é muito carbono; para se ter uma ideia, a concentração atual do elemento químico na atmosfera é de 410 ppm.

Ainda não se sabe exatamente o que causou o calorão de 50 milhões de anos atrás, mas uma nova pesquisa publicada na Nature Geoscience indica que a resposta pode estar nas nuvens.

Cerca de 20% dos oceanos subtropicais são cobertos por uma baixa e fina camada de nuvens, chamadas de estrato-cúmulos. Elas refletem a luz do sol de volta para o espaço e resfriam a Terra, sendo fundamentais para a regulação do clima no planeta.

O problema é que os movimentos turbulentos do ar que sustentam essas nuvens são muito pequenos para serem precisamente calculados, e acabam ficando de fora das idealizações climáticas globais.

Para contornar essa limitação, os pesquisadores criaram um modelo em pequena escala de uma seção atmosférica representativa acima de um oceano subtropical, simulando em supercomputadores as nuvens e seus movimentos turbulentos sobre este pedaço do mar.

Nas projeções, quando a concentração de CO² excedia os 1.200 ppm, as nuvens começavam a desaparecer. Sem a cobertura delas, o calor do Sol, antes refletido, era absorvido pela terra e pelo oceano, representando um aquecimento local 10ºC. Globalmente, a temperatura subiria 8ºC rapidamente, o que significaria o fim da vida como conhecemos.

Uma vez que as nuvens sumiram, elas não voltaram a aparecer até os níveis de CO² caírem a taxas substancialmente abaixo de quando a primeira instabilidade ocorreu. De acordo com os cientistas, se a emissão de carbono pela humanidade mantiver a tendência atual, chegaríamos à concentração catastrófica do elemento químico em meados do próximo século.

“Acredito e espero que as mudanças tecnológicas desacelerem as emissões de carbono para que não alcancemos concentrações tão altas de CO². Mas nossos resultados mostram que há limites perigosos de mudança climática dos quais não tínhamos conhecimento”, disse o líder do estudo, Tapio Schneider, professor de Ciências Ambientais e Engenharia da Caltech e pesquisador sênior no Jet Propulsion Laboratory, da NASA.

O pesquisador, no entanto, aponta para a necessidade de novos estudos e ressalta que a concentração limite de 1.200 ppm na atmosfera é apenas um número aproximado. As nuvens e a humanidade podem desaparecer em níveis menores ou maiores.

“Esta pesquisa aponta para um ponto cego na modelagem climática”, afirmou Schneider, líder atual do Climate Modeling Alliance (CliMA). O consórcio usará ferramentas de assimilação de dados e de aprendizado de máquina para fundir observações da Terra e simulações de alta resolução em um modelo que representa nuvens e outros recursos importantes, mas com cálculos em menor escala e maior precisão do que os atuais.

 

 

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*Fonte: revistagalileu

Robert Downey Jr. cria organização de inteligência artificial para limpar nossa ‘pegada de carbono’ em dez anos

Parece que o ator americano foi bastante influenciado – e anda fascinado – pela tecnologia e pela Inteligência Artificial (IA) que cercam seu personagem Tony Starck, em Iron Man, no cinema. Na abertura da Conferência re: MARS (abreviatura de Machine learning, Automation, Robotics and Space), realizada pela Amazon na semana passada, em Las Vegas, ele anunciou a criação da organização The Footprint Coalition (Coalizão Pegada Ecológica, em tradução livre) criada para ajudar a reduzir ou eliminar o impacto das “pegadas de carbono” humanas no meio-ambiente.

O anúncio foi feito por ele depois de mais de 20 minutos de conversa – com Alexa, assistente de IA da Amazon, e o ator Matt Damon, que se juntou a eles por vídeo – sobre inteligência artificial, o Universo Marvel, sua carreira e a evolução do personagem de Iron Man.

“Utilizando os princípios da robótica e da nanotecnologia, podemos provavelmente limpar o planeta de forma significativa – se não inteiramente – em uma década”, afirmou ele, animado. Downey Jr. revelou que teve esse insight há algumas semanas, durante uma mesa-redonda com especialistas. “Deus, eu amo especialistas. Eles são como a Wikipedia com defeitos de caráter ”, brincou.

Ele não revelou detalhes de como sua organização poderá ajudar a reduzir nossa pegada no planeta, mas lembrou que pesquisadores e empreendedores estudam há muito tempo como usar a IA para mitigar uma série de questões ambientais.

No momento, o que existe de palpável é o site da organização, em construção, que já recebe assinaturas de sua newsletter por meio de um formulário, e a ideia de fazer seu lançamento oficial em abril de 2020.

É bom lembrar que esta não é a primeira vez que o ator demonstra grande apreço pela IA e outras tecnologias avançadas, muito além do papel do bilionário super-herói no cinema. Junto com sua esposa, a produtora Susan Downey, no ano passado, produziu uma série de documentários sobre o tema para a plataforma YouTube Red (por assinatura). A série de oito episódios, de uma hora de duração cada, explora o impacto que essa inteligência terá na vida das pessoas a partir de conversas com filósofos, cientistas e outros especialistas, e deve ser lançada este ano.

Na conferência, Downey Jr. – que, segundo a Forbes, tem um patrimônio líquido de US $ 81 milhões – não revelou quem está envolvido na sua organização. Nem Jeff Bezos, CEO da Amazon, que organizou o encontro, revelou qualquer interesse. Mas, pela urgência de Bezos em mudar a imagem de sua empresa, pode-se suspeitar que um dos homens mais ricos do planeta faça parte do sonho do ator.

Com re : MARS, Bezos procurou reuniu mentes que podem ajuda-lo a criar uma “era de ouro da inovação” com “o que há de mais recente em ciência prospectiva com aplicações práticas”. Sim, muito ambicioso, o moço, mas este encontro surgiu num momento em que sua empresa está sendo criticada por suas políticas nada sustentáveis em relação ao meio ambiente e às mudanças climáticas.

Recentemente, cerca de 8 mil funcionários assinaram carta aberta para apoiar proposta apresentada em recente assembléia de acionistas, que exigem que o conselho de administração prepare um plano público para aderir à luta contra os efeitos das mudanças do clima e, também, para reduzir sua dependência dos combustíveis fósseis. A Amazon tem se comprometido com metas ambientais – como ter zero carbono líquido para 50% de todos os embarques até 2030 -, mas, ao que tudo indica, seus esforços não são suficientes para alcança-las.

*Por Mônica Nunes

 

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*Fonte: conexaoplaneta

Solarino Beach Cleaner, o robô coletor de lixo de praias

Este é o Solarino Beach Cleaner Robot, um robô coletor de lixo de praia que funciona mais ou menos como um roomba, mas ele é controlado por um controle remoto.

Ele resolve de forma mais prática e rápida um quesito importante na manutenção das praias: a mão de obra. Em vez de usar um exército de funcionários para vasculhar, varrer, coletar lixo da praia, as pessoas podem controlar alguns desses robôs, preferencialmente na sombra, para retirar o lixo do local.

Ele é feito de duas partes: A primeira é o próprio robô que fornece a mobilidade e a segunda parte é peneira de areia e sistema de coleta de detritos que recolhe o lixo, úmido ou seco.

Há um sistema de reboque atrás do robô que pode armazenar cerca de uma tonelada de lixo atrás dele.

O Solarino é equipado com trilhos de borracha para se movimentar por terrenos de areia e é totalmente elétrico, alimentado por uma combinação de baterias GEL e energia solar.

Ele também pode ser usado para remover algas e pode ser usado para transportar pequenos barcos, além de nivelar a areia para prática de vôlei de praia.

*Por Fabio Croffi

 

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*Fonte: geekness

Estudo: civilização humana pode colapsar até 2050

Uma nova análise da mudança climática feita por um grupo australiano nos trouxe uma péssima notícia: a civilização humana pode entrar em colapso até 2050 se ações sérias de mitigação não forem tomadas na próxima década.

O relatório, publicado pela organização Breakthrough National Centre for Climate Restoration, é de autoria do próprio diretor da organização, o pesquisador do clima David Spratt, e de Ian Dunlop, ex-executivo da indústria do combustível fóssil.

O documento conclui que a mudança climática é “um risco de segurança” que “ameaça a extinção prematura da vida inteligente” ou a “permanente e drástica destruição de seu potencial para o desenvolvimento de um futuro desejável”.

É mais complexo do que pensávamos

A tese central do relatório é que os cientistas estão muito restritos em suas previsões de como a mudança climática afetará o planeta no futuro próximo. A atual crise climática seria maior e mais complexa do que qualquer outra coisa com a qual a humanidade já tenha lidado antes.

Modelos gerais – como o que o Painel das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC) usou em 2018 para prever que um aumento de temperatura global de 2 graus Celsius poderia colocar centenas de milhões de pessoas em risco – falham em explicar a enorme complexidade dos muitos processos geológicos interligados da Terra, de forma que não conseguem prever adequadamente a escala das consequências potenciais.

E como seria uma imagem precisa do pior cenário possível do futuro do planeta? Bom, se os governos mundiais “ignorarem educadamente” o conselho dos cientistas e a vontade do público de descarbonizar a economia (encontrando fontes de energia alternativas), isso pode resultar em um aumento de temperatura global de 3 graus Celsius até o ano de 2050.

Neste ponto, as camadas de gelo do mundo desaparecem, secas brutais matam muitas das árvores na floresta amazônica (removendo uma das maiores compensações de carbono do mundo), e o planeta mergulha em um ciclo vicioso de condições cada vez mais quentes e cada vez mais mortíferas.

Catastrófico

Ou seja, em 2050, os sistemas humanos poderiam chegar a um “ponto sem retorno” no qual “a perspectiva de uma Terra praticamente inabitável levaria ao colapso das nações e da ordem internacional”.

No caso, 35% da área terrestre global e 55% da população global estariam sujeitos a mais de 20 dias por ano de condições letais de calor, além do limiar da sobrevivência humana.

Enquanto isso, secas, enchentes e incêndios florestais regularmente assolariam o planeta. Quase um terço da superfície terrestre do mundo se transformaria em deserto. Ecossistemas inteiros entrariam em colapso, começando pelos recifes de coral, as florestas tropicais e os lençóis de gelo do Ártico.

Os trópicos seriam os mais atingidos por esses novos extremos climáticos, destruindo a agricultura da região e transformando mais de 1 bilhão de pessoas em refugiados.

Esse movimento em massa de refugiados – juntamente com o encolhimento das costas e as severas quedas na disponibilidade de comida e água – poderiam levar a conflitos armados sobre recursos, talvez culminando em guerra nuclear.

O resultado, de acordo com a análise, é “caos total” e talvez “o fim da civilização humana como a conhecemos”.

Como essa visão catastrófica do futuro pode ser evitada?

De acordo com os autores do relatório, a raça humana tem cerca de uma década para agir e limitar o aquecimento global a apenas 1,5 graus Celsius, ao invés de 3 graus Celsius.

Para isso, será necessário um movimento global de transição da economia mundial para um sistema de emissão zero de carbono. Alcançar emissões zero requer ou não emitir mais carbono ou equilibrar as emissões com a remoção de carbono.

O esforço para isso “seria semelhante em escala à mobilização de emergência da Segunda Guerra Mundial”, de acordo com os pesquisadores.

*Por Natasha Romanzotti

 

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*Fonte: hypescience

Só um terço dos rios do mundo permanece como “rio de curso livre”

Apenas um terço – cerca de 37% – dos 246 grandes rios do mundo ainda pode ser considerado um “rio de curso livre”, que é o status de conservação em que mais oferece benefícios ambientais e serviços ecossistêmicos, mostra um estudo publicado nesta quinta-feira, dia 9, na revista cientifica Nature.

Esse estudo, feito por um grupo de 34 cientistas do WWF, da McGill University, do Canadá, e de outras instituições, é resultado de um trabalho de compilação e organização de dados e informações que vem sendo feito desde 2015.

Foram analisados aproximadamente 12 milhões de quilômetros de rios de todo o mundo, construindo o primeiro mapeamento a respeito do local e extensão dos grandes rios de curso livre existentes no planeta.

Entre outros achados, os pesquisadores detectaram: apenas 21 dos 91 grandes rios do mundo –com mais de 1 mil quilômetros de extensão- que correm para o oceano mantém uma conexão direta de sua nascente até o mar.

Além disso, a maior parte dos rios de curso livre remanescentes estão localizados em regiões específicas, como o Ártico, a Bacia Amazônica e a Bacia do Congo.

Importância dos rios

Um “rio de curso livre” é um rio no qual as funções e serviços ecossistêmicos não foram afetados por mudanças em sua conectividade (como com a construção de hidrelétricas ou com a exploração mineral) e preservam suas características naturais de vazão, biodiversidade e qualidade de água. Via de regra, eles são considerados rios “íntegros” e “saudáveis”.

Rios íntegros fornecem estoques pesqueiros que promovem a segurança alimentar de milhões de pessoas, transportam sedimentos que mantém os deltas dos rios acima do nível do mar, mitigam os impactos de secas e alagações extremas, evitam a erosão e possibilitam a existência de flora e fauna saudáveis.

Interromper a conectividade dos rios diminui, ou por vezes até elimina, esses serviços ecossistêmicos. Proteger os rios de curso livre remanescentes é crucial também para manter a biodiversidades dos rios de água doce.

O Relatório Planeta Vivo 2018, mostrou que, das 16.704 espécies analisadas em todo o planeta, os vertebrados que vivem nas bacias de rios de água doce sofreram o mais vertiginoso declínio dos últimos 50 anos, com redução de até 83% de suas populações desde 1970.

Descobertas

Atualmente, as hidrelétricas e seus reservatórios são algumas das piores ameaças aos grandes rios, reduzindo drasticamente os diversos benefícios que eles fornecem para as pessoas e a natureza ao redor do globo.

O estudo mostra que existem cerca de 60 mil hidrelétricas no mundo e mais 3,7 mil delas estão planejadas ou em construção. Normalmente, elas são planejadas e construídas uma a uma, o que dificulta a avaliação dos impactos acumulados que elas trazem a uma bacia hidrográfica.

Contribuição brasileira

Uma das autoras do estudo é a especialista de conservação do WWF-Brasil e Doutora em Ecologia Paula Hanna Valdujo. De acordo com ela, o WWF-Brasil apoiou o refinamento dos conceitos do estudo apresentado hoje a partir de sua experiência em bacias na Amazônia e no Pantanal.

“Nós auxiliamos no desenvolvimento de um protocolo para identificar o que seria um rio de curso de livre. Analisamos as cargas de sedimento e poluição para saber se eram excessivas ou não, a existência de hidrelétricas e barramentos e a existência de estradas que interferissem ou não no fluxo dos rios. Nosso conhecimento ajudou a elaborar o modelo que está sendo apresentado”, explicou.

Alto Paraguai e Amazônia

A cientista afirmou ainda que, de maneira geral, foram identificados poucos rios íntegros e saudáveis também no Brasil. “A maior parte dos nossos rios estão fragmentados ou têm sua vazão regulada por reservatórios de hidrelétricas. Muitos sofrem o impacto do desmatamento e da ocupação de suas margens com pastagens, mineração e plantações, que aumentam a quantidade de poluentes e sedimentos e afetam a qualidade da água e a saúde do ecossistema”, afirmou Paula.

Atualmente, o WWF-Brasil se dedica a aplicar o modelo deste estudo para fazer uma análise mais profunda da bacia Amazônica e da bacia do Alto Paraguai. “Este primeiro estudo é global, então você não consegue entrar muito nos detalhes de cada bacia hidrográfica. O que estamos fazendo agora é um estudo mais focado e que nos permite ver com mais detalhes uma região específica”, explicou Paula.

Ameaça ao turismo

Ambas as regiões estão altamente ameaçadas por iniciativas que comprometem a vazão natural dos rios. Na bacia do Tapajós, na Amazônia, existem mais de 100 projetos hidrelétricos de pequeno ou grande porte, que ameaçam a integridade dos rios.

Tais projetos podem trazer graves consequências para as espécies de peixes que se reproduzem nas lagoas que se formam nas margens dos rios e para os peixes que vivem nas corredeiras. Além disso, eles também impedem a migração de espécies importantes para a pesca, que sustenta as comunidades ribeirinhas.

A regulação da vazão dos rios que formam o Tapajós ameaça ainda a existência de um dos mais importantes pontos turísticos da Amazônia, que são as praias de Alter do Chão.

Ausência de avaliações

No Alto Paraguai, o problema é a instalação de pequenas centrais hidrelétricas – que ameaçam tanto os rios barrados, em função do isolamento, quanto o regime de inundações do Pantanal, que depende dos pulsos naturais de seca e cheias dos rios. Além de perda de conectividade, a interrupção dos fluxos naturais dos rios ameaça todo o ecossistema que existe abaixo, na Planície Pantaneira.

A ausência de avaliações ambientais estratégicas, que levem em consideração o impacto cumulativo de múltiplos empreendimentos nas bacias, assim como a transferência da responsabilidade do licenciamento dos órgãos federais para os estaduais, dificulta ainda mais o planejamento adequado para a manutenção dos poucos trechos remanescentes de rios livres no país.

*Por WWF, Jorge Eduardo Dantas

 

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*Fonte: thegreenestpost

Admirar a natureza é essencial para felicidade, diz pesquisa

Talvez você já tenha experienciado ao chegar no topo de uma montanha e perceber lá de cima o quão pequeno é diante de tanta beleza e magnitude ou quando observava o céu estrelado, imaginando a vastidão de planetas, estrelas e galáxias sem fim. Talvez tenha sido durante o dia a dia, dentro de um ônibus lotado, quando viu alguém ceder o lugar pra outra pessoa.

Esse sentimento se chama “admiração” e alguns psicólogos chegaram a conclusão que ele desempenha um papel importante no fortalecimento da nossa felicidade, saúde e interações sociais – e pode ter desempenhado também um papel importante no desenvolvimento da espécie humana.

Um estudo realizado em 2018 por Amie Gordon, principal pesquisadora do Laboratório de Emoção, Saúde e Psicofisiologia da Universidade da Califórnia-San Francisco e Jennifer Stellar, professora assistente do Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto descobriu que indivíduos que relataram sentir admiração com mais frequência em suas vidas diárias foram classificados como mais humildes por seus amigos.

Uma importante distinção entre a admiração e outras emoções (como a inspiração ou surpresa) é que a admiração nos faz sentir menores – ou talvez sentimos uma sensação de “auto-diminuição” e isso é bom para nós, explica Stellar.

“Gastamos muito do nosso tempo olhando para nosso próprio umbigo e para o que está nos afetando diretamente. A experiência do admirar muda isso, nós faz enxergar que somos apenas um pequeno pedaço de algo maior.”

Sentir-se pequeno diante de algo grandioso nos traz um certo sentimento de “humilhação” (diminuindo assim tendências egoístas, como a arrogância e o narcisismo). Sentir-se pequeno e “humilhado” nos faz querer nos envolver mais e nos sentir mais conectados aos outros, acrescenta Gordon.

 

A admiração pode ajudar a proteger a saúde física

Outra pesquisa da equipe de Stellar e Gordon descobriu que as pessoas que relataram sentir mais admiração também pareciam ter melhor saúde imunológica. Em um grupo de 94 estudantes, aqueles que relataram mais regularmente sentir emoções mais positivas do que emoções negativas apresentaram níveis mais baixos de citocinas pró-inflamatórias crônicas.
As citocinas pró-inflamatórias podem ser úteis em certos cenários, se o corpo estiver lesionado ou doente, mas níveis cronicamente elevados dessas moléculas foram associados a várias condições crônicas, como diabetes, doenças cardíacas e depressão.

Como experimentar mais admiração no dia a dia

Não existe uma fórmula perfeita para experimentar a admiração (até porque ela é diferente para todos), mas há algumas coisas que você pode fazer para ajudá-lo a encontra-lá mais frequentemente:

1.Tenha mais contato com a natureza

Pesquisas mostram que as pessoas classificam consistentemente a natureza como uma das principais maneiras pelas quais experimentam admiração, diz Gordon. Faça mais trilhas, tente chegar a um lugar onde você possa obter uma visão ampla do seu ambiente (como escalar uma montanha ou até mesmo chegar ao andar superior de um edifício alto), diz ela. Ou simplesmente dê um passeio em qualquer ambiente natural que esteja ao seu redor e tente procurar por algo que você nunca viu antes, diz.

2. Saia da sua zona de conforto

A novidade é uma grande parte da admiração. Visite algum lugar em sua cidade ou viaje para uma cidade que você nunca esteve. Tente algo Novo. Leia sobre alguém que você não conhece muito ou uma biografia de alguém que o inspira, sugere Gordon.

3. Ouse mais

Claro, você pode experimentar o sentimento de admiração assistindo um filme que mostra a montanha mais alta do mundo ou ouvindo gravação de uma sinfonia. Mas esses encontros provavelmente são bem menos intensos em comparação com a magnitude do que você sentiria se tivesse tido essas experiências na vida real, afirma Anderson. “Em seu smartphone nunca será tão intenso quanto estar lá pessoalmente.”

4. Tenha uma mente aberta

Parte da experiência de admiração é aquela sensação de pequenez que faz com que você se redimensione – ou se vê em uma luz diferente, diz Beau Lotto, PhD , um neurocientista e fundador do laboratório de pesquisa experimental, o Lab of Misfits .
Recentemente, Lotto e seus colegas fizeram uma parceria com o Cirque du Soleil Entertainment Group para observar como as performances ao vivo da empresa provocam admiração e como ela muda a atividade cerebral de quem as assiste.

 

Nada de plástico! Maratona de Londres distribui água em cápsulas de algas

Todos os anos cerca de 40 mil pessoas participam da maratona de Londres. Na edição de 2018, a organização do evento distribuiu 920 mil garrafas de plástico aos participantes. Cada garrafa de plástico pode levar entre 450 e 1.000 anos para se decompor. Além disso, segundo uma pesquisa publicada na revista Science Advances em 2017, apenas 9% de 8.300 milhões de toneladas métricas de plástico já produzidas foram recicladas, 12% foram queimados em incineradores e o restante foi enviado para aterros, descartados de forma inadequada ou encontrados nos oceanos.

Pensando nos impactos negativos ao meio ambiente, a organização decidiu apostar em alternativas mais sustentáveis para a maratona deste ano, realizada no último domingo, 28 de abril. Por meio de uma parceria com uma startup chamada Skipping Rocks Lab, a maratona distribuiu bolsas de água que são comestíveis, feitas de algas marinhas e que levam em média 4 a 6 semanas para se decompor. As Oohos, como são chamadas essas bolsas, não apresentam nenhum sabor. Com a distribuição das bolsas para os corredores durante a 23ª milha, a iniciativa permitiu a redução de 920 mil garrafas para 704 mil, uma queda de 23%. Essa foi a primeira vez que a cápsula foi utilizada em uma maratona.

“A maratona é um marco. Esperamos demonstrar que ela pode ser usada em escala no futuro”, disse Rodrigo Garcia Gonzalez, um dos fundadores da startup. A Skipping Rocks Lab foi criada em 2013 por Rodrigo Garcia Gonzalez e Pierre Paslier enquanto estudava Engenharia de Projetos de Inovação no Imperial College London e no Royal College of Art. Ao criar o produto, o objetivo da startup foi oferecer ao mercado uma opção de embalagem que não deixe nenhum plástico para trás. Além disso, as algas chegam a crescer até 1 metro por dia e não precisam de água doce ou fertilizante, e contribuem ativamente para a desacidificação dos oceanos.

Recentemente, o projeto da startup foi expandido e agora está usando a mesma técnica para armazenar molhos. A equipe também está planejando criar redes para armazenar frutas e legumes, filmes termosseláveis ??e saquinhos para produtos não alimentícios, como parafusos, pregos ou ferragens.

*Por Fernanda Umlauf

 

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*Fonte: megacurioso

Por que a maioria das pessoas não se importa com problemas ambientais?

As pessoas se importam com questões de sustentabilidade? Como educadora e engenheira ambiental, essa é uma pergunta recorrente em minha cabeça. E tenho certeza que se você está lendo este artigo, já se perguntou isso também.

Fazendo uma rápida busca por pesquisas realizadas sobre o tema, vemos indícios que sim, as pessoas se importam com questões relacionadas ao meio ambiente no Brasil. Uma pesquisa realizada em 2012 pelo Ministério do Meio Ambiente aponta, por exemplo, que 82% das pessoas discordam da seguinte frase: “O conforto que o progresso traz para as pessoas é mais importante do que preservar a natureza” e esse índice veio crescendo desde 1997, quando eram apenas 67%. Em 2018, o “meio ambiente e riquezas naturais” apareceu como maior orgulho nacional para o brasileiro em pesquisa realizada pelo IBOPE e WWF.

Porém, existe uma diferença clara entre o discurso e a prática. Falar que se importa é uma coisa, mas de fato ter uma mudança de comportamento é outra história. Somos um dos países com maiores índices de desmatamento, reciclamos menos de 5% dos nossos resíduos e elegemos governos com claro descaso por questões ambientais.

Se as pessoas dizem se importar, por que não agem e cobram devidamente?

O ser humano prioriza problemas imediatos.

As mudanças climáticas, por exemplo, parecem algo muito distante do presente e acabam não representando uma ameaça factível para muitos.

Desconexão com a natureza.

Cuidamos apenas daquilo que conhecemos e temos vínculo. Quanto mais distantes do meio natural, menos as pessoas se importam com sua preservação e conservação.

A população não tem conhecimento suficiente.

Conhecimento é diferente de informação. Enquanto a informação está cada vez mais acessível, ainda não está claro para muitos os reais desafios, causas, consequências e possibilidades de soluções.

Muitos não sofrem ou percebem diretamente as consequências.

O problema do plástico no oceano, por exemplo, despertou incômodo nas pessoas quando começaram a literalmente ver o lixo na praia e nas ruas de sua cidade.
Poluição praia

É mais trabalhoso sair da zona de conforto.

Como seres vivos otimizamos ao máximo nosso gasto de energia e por isso priorizamos aquilo que nos é mais fácil e cômodo.

Sistema baseado em crenças e valores insustentáveis.

Ganância, individualismo, egoísmo, medo, impotência e desconexão ainda são valores presentes em nossa sociedade e base para nosso modo de vida, gerando crenças, comportamentos e culturas insustentáveis.

Consumismo

O desafio é complexo, mas um dos principais papéis da educação para sustentabilidade é, justamente, compreender as causas da distância entre o discurso e a prática e traçar estratégias para minimizá-las. Também é papel da educação para sustentabilidade aproximar as pessoas da natureza; facilitar práticas e soluções para que as pessoas se desafiem a sair de sua zona de conforto; fortalecer valores humanos como cooperação, respeito e solidariedade; levar a informação de maneira mais clara e convidativa; e gerar mais empatia e conexão entre aqueles que causam e os que hoje começam a sofrer as consequências.

 

 

 

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*Fonte: autossustentavel

Vietnamita usa capim para fabricar canudos compostáveis

O cerco está fechando para a indústria de plásticos. Ao passo que as legislações se tornam mais rigorosas, soluções das mais diversas empresas, especialmente as de pequeno porte, surgem para mostrar que é possível sim gerarmos menos resíduos plásticos. Exemplo disso, é a companhia Ống Hút Cỏ, que está fazendo canudinhos compostáveis com um tipo de grama selvagem local, similar ao junco, que já tem o formato de tubo.

Liderada pelo jovem empresário Tran Minh Tien, a ideia da empresa é aproveitar de um material abundante na região, o capim que cresce selvagemente ao longo do Delta do Rio Mecom, uma região no Vietnã. O produto ainda gera renda a um grupo de mulheres artesãs que residem na província de Long An.

Para produzir o acessório ecológico e seguro para alimentos, a espécie é colhida, lavada e cortada em tubos do tamanho de um canudinho normal. O passo seguinte é usar uma barra de ferro para limpar a parte interna dos canudos e finalmente passá-los por uma última lavagem. O produto final é vendido para restaurantes e pode ser comercializado de duas formas: seco ou verde.

Na versão fresca, o lote é vendido em um pacote de 100 canudos, que é apenas colhido e embrulhado em folhas de bananeira. Sem passar pelo processo mencionado acima. Estes, geralmente, duram cerca de duas semanas na geladeira, mas é possível aumentar a vida útil fervendo os canudinhos em casa com um pouco de sal, deixando-os secar e depois guardando em local fresco e seco.

Já no lote vendido seco, após a lavagem final, os canudos são deixados ao sol por dois ou três dias e depois assados ​​no forno. Isso faz com que o tempo de vida útil do produto seja prolongado em até seis meses, se deixado em temperatura ambiente.

Secos ou frescos, os canudinhos são comestíveis, compostáveis, livres de produtos químicos e conservantes. Melhor que isso, só se deixar de usá-los mesmo. Especialmente no Brasil, que é o quarto maior produtor de lixo plástico no mundo e recicla apenas 1,28% do total produzido. Mas sabemos que os canudos podem ser úteis e são de grande ajuda em muitos casos.

Por enquanto, os canudinhos de grama são vendidos somente no Vietnã, mas já está em estudo e testes a possibilidade de ampliar o negócio para outros países.

*Por Marcia Sousa

 

 

 

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*Fonte: ciclovivo

Eles criaram paletes de coco que podem economizar 200 milhões de árvores por ano

Coqueiros são essenciais para a vida na Índia peninsular. Eles os usam para fazer itens para a casa e até mesmo para suas criações culinárias. Mas, apesar de ser imprescindível para a comunidade, também gera uma grande quantidade de resíduos que acabam nas ruas, cobrindo inclusive a drenagem e contribuindo com a poluição do ar quando a queimam. É um problema sério.

Mesmo o governo local não cuidou do problema, mas um projeto poderia ajudar, usando os restos de coco para uma causa positiva.

CocoPallet faz paletes de transporte 100% biológicas da casca de coco, que substitui as de madeira. O lado positivo desta iniciativa é que impede a derrubada de árvores e o transporte de milhões de árvores.

1.700 milhões de paletes de madeira são produzidas anualmente para os exportadores asiáticos, causando o uso desnecessário de aproximadamente 200 milhões de árvores por ano, de acordo com o projeto em seu site. Definitivamente, essas árvores podem ser salvas.

Este projeto não requer tratamentos prejudiciais e caros. Os paletes contêm apenas fibras naturais e lignina, sem resinas sintéticas. Além disso, sua produção gera renda adicional para os agricultores locais.

Michiel Vos, fundador do projeto, improvisou com a tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Wageningen. Ele desenvolveu a ideia e completou o negócio.

A Ásia produz mais de um bilhão de paletes por ano. Eles exigem madeiras moles que importam do Canadá, Nova Zelândia ou Europa Oriental em larga escala. Isso é sinônimo de exportar florestas inteiras para a Ásia, o que gera um enorme custo de transporte, sem contar no impacto ao meio ambiente.

 

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*Fonte: contioutra

Os insetos estão desaparecendo e isso é péssimo para todos nós

De acordo com a primeira análise científica global, publicada na revista Biological Conservation, a população de insetos está a caminho da extinção no mundo todo, ameaçando um “colapso catastrófico dos ecossistemas da natureza”.

Mais de 40% das espécies de insetos estão em declínio e um terço está ameaçada. Segundo a revisão, a taxa de aniquilamento é oito vezes mais rápida que a dos mamíferos, aves e répteis.

Baseado nos melhores dados que temos disponíveis, a massa total de insetos está caindo 2,5% ao ano, sugerindo que eles poderiam desaparecer dentro de um século.

Por que isso é péssimo?

O planeta está no início da sexta extinção em massa em sua história, com enormes perdas animais já relatadas.

No entanto, os insetos são de longe os mais variados e abundantes animais, superando a humanidade em 17 vezes. Eles são “essenciais” para o funcionamento adequado de todos os ecossistemas, servindo como alimento para outras criaturas, como polinizadores e recicladores de nutrientes.

Essa tendência de declínio dos insetos está impactando profundamente as formas de vida em nosso planeta. Uma das maiores consequências é vista nos muitos pássaros, répteis, anfíbios e peixes que comem insetos. Se essa fonte de alimento é levada embora, todos esses animais morrem de fome. Tais efeitos em cascata já foram vistos em Porto Rico, onde um estudo recente revelou uma queda de 98% nos insetos no solo ao longo de 35 anos.

Colapso de insetos: “Estamos destruindo nossos sistemas de suporte à vida”, diz cientista

“Se as perdas de espécies de insetos não puderem ser interrompidas, isso terá consequências catastróficas tanto para os ecossistemas do planeta quanto para a sobrevivência da humanidade”, disse Francisco Sánchez-Bayo, da Universidade de Sydney, na Austrália.

Os mais afetados

A maioria dos estudos analisados foi realizado na Europa Ocidental e nos EUA, com alguns feitos da Austrália à China e do Brasil à África do Sul.

A pesquisa selecionou os 73 melhores estudos feitos até hoje para avaliar o declínio de insetos. Borboletas e mariposas estão entre os mais atingidos. Por exemplo, o número de espécies de borboletas generalizadas diminuiu 58% em terras cultivadas na Inglaterra entre 2000 e 2009. O Reino Unido sofreu a maior queda de insetos em geral, embora isso seja provavelmente um resultado de ser mais intensamente estudado do que a maioria dos lugares.

As abelhas também foram gravemente afetadas, com apenas metade das espécies de abelhas encontradas em Oklahoma nos Estados Unidos em 1949 estando presentes em 2013. O número de colônias de abelhas nos EUA era de 6 milhões em 1947, mas 3,5 milhões foram perdidas desde então.

Existem mais de 350.000 espécies de besouros e acredita-se que muitos tenham diminuído, especialmente os escaravelhos. Mas também há grandes lacunas no nosso conhecimento, com pouquíssima informação sobre muitas moscas, formigas, pulgões e grilos, por exemplo. Especialistas dizem que não há razão para pensar que eles estão se saindo melhor do que outras espécies estudadas.

10 espécies extremas de insetos

De quem é a culpa?

A análise afirma que a agricultura intensiva é o principal motor dos declínios, particularmente o uso pesado de pesticidas. A urbanização e as mudanças climáticas também são fatores significativos.

“A principal causa do declínio é a intensificação agrícola”, disse Sánchez-Bayo. “Isso significa a eliminação de todas as árvores e arbustos que normalmente cercam os campos, por isso há campos nus que são tratados com fertilizantes sintéticos e pesticidas”.

O pesquisador crê que o desaparecimento de insetos parece ter começado no alvorecer do século 20, acelerado durante os anos 1950 e 1960 e atingido “proporções alarmantes” nas últimas duas décadas.

Ele acredita que novas classes de inseticidas introduzidos nos últimos 20 anos, incluindo neonicotinóides e fipronil, foram particularmente prejudiciais à medida que são usados rotineiramente e persistem no ambiente, inclusive alcançando reservas naturais nas proximidades. 75% de perdas de insetos registradas na Alemanha foram em áreas protegidas.

O mundo deve mudar a forma como produz alimentos, uma vez que as fazendas orgânicas tinham mais insetos e que o uso ocasional de pesticidas no passado não causou o nível de declínio observado nas últimas décadas. “A agricultura intensiva em escala industrial é a que está matando os ecossistemas”, argumenta Sánchez-Bayo.

Nos trópicos, onde a agricultura industrial muitas vezes ainda não está presente, acredita-se que o aumento das temperaturas devido às mudanças climáticas seja o fator mais expressivo do declínio. As espécies são adaptadas a condições muito estáveis e têm pouca capacidade de mudar, como foi observado em Porto Rico.

Sem exagero

Sánchez-Bayo afirma que a linguagem extraordinariamente forte usada na revisão não é alarmista. “Queríamos realmente acordar as pessoas. Quando você considera que 80% da biomassa de insetos desapareceu em 25 a 30 anos, é uma grande preocupação”.

Outros cientistas concordam. “Deve ser uma grande preocupação para todos nós, pois os insetos estão no centro de toda teia alimentar, eles polinizam a grande maioria das espécies de plantas, mantêm o solo saudável, reciclam nutrientes, controlam as pragas e muito mais. Ame-os ou deteste-os, nós humanos não podemos sobreviver sem insetos”, disse o professor Dave Goulson, da Universidade de Sussex, no Reino Unido.

Outros pesquisadores mencionam que a análise, apesar de excelente, falha em incluir fatores que podem desempenhar um papel nesse declínio, como poluição luminosa, superpopulação humana e o consumo excessivo, bem como minimiza a influência da mudança climática.

A conclusão, entretanto, é uma só: “É cada vez mais óbvio que a ecologia do planeta está desmoronando e há uma necessidade de um esforço intenso e global para deter e reverter essas tendências terríveis”, resume Matt Shardlow, da instituição de caridade de conservação Buglife. [TheGuardian]

*Por Natasha Romanzoti

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*Fonte:

Empresa lança lápis que vira planta depois de usado

Quando um lápis vai acabando e chega ao famoso “toquinho”, é comum que não reste a ele outro destino a não ser jogado fora.

Não para os da marca Sprout, empresa dinamarquesa que criou um lápis “plantável”, que, se colocado em terra, vira nada menos que uma planta.

Funciona assim: cada lápis contém uma pequena cápsula com sementes. Assim, quando o lápis acaba, basta colocar sua extremidade na terra. A partir daí, pronto, os brotos começaram a surgir conectados ao lápis.

A ideia veio de alunos do MIT (Massachussets Institute of Technology), que criaram o primeiro lápis do tipo em 2013. O grupo criou o lápis plantável ao receber o desafio “Desenhe o utensílio de escritório sustentável do amanhã”.

Hoje, cinco anos depois, a empresa já vendeu 10 milhões de unidades dos lápis plantáveis em mais de 60 países.

Michael Stausholm, um dos fundadores, lembra que 135 milhões de canetas plásticas são feitas por dia. Por isso, em mensagem no site da empresa, ele aponta que, se cada lápis Sprout virar uma planta, o planeta agradece.

“Se pudermos substituir apenas uma pequena parcela das canetas de plástico com lápis plantáveis, já temos uma boa razão para existir”, diz Stausholm.

Além das sementes, os lápis da Sprout também são feitos com madeira certificada e materiais renováveis.

Na Amazon dos Estados Unidos, por exemplo, uma caixa com cinco lápis sai por cerca de US$ 12 (cerca de R$ 44).

Os clientes podem escolher qual tipo de semente querem em seu lápis. Há diferentes tipos de planta, como flores, pé de tomate ou manjericão. Também há a opção de personalizar o lápis, com frases gravadas na madeira.

Além dos lápis para escrita, a Sprout também lançou uma linha de lápis de maquiagem com o mesmo princípio.

“Dez milhões de novas plantas como tomate, manjericão e girassol crescendo do lixo — essa é a humilde contribuição da Sprout para o planeta”, diz uma mensagem no site da empresa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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*Fonte: revistapequenasempresasgrandesnegocios

Brasileiros não sabem quais agrotóxicos estão na água que consomem

A produção agrícola responde por nada menos do que 70% do consumo mundial de água. Mas, ao mesmo tempo que depende desse recurso vital, a atividade também contribui para sua degradação. A poluição hídrica causada por práticas agrícolas insustentáveis, marcadas pelo abuso de​ agrotóxicos que escoam para rios, lagos e reservas subterrâneas, é um problema crescente em todo o mundo.

O Brasil, uma potência em agricultura industrial, é um dos maiores consumidores de agrotóxicos no mundo. Só em 2017, cerca de 540 mil toneladas de ingredientes ativos desses produtos foram consumidas.

Hoje (22) é Dia Mundial da Água. Água potável segura é um direito humano, o que inclui o direito de as pessoas saberem o que tem na água que estão bebendo. A legislação brasileira define que os fornecedores de água – sejam eles empresas estatais, privadas ou governos municipais – são responsáveis por testar 27 agrotóxicos específicos, a cada seis meses, nos sistemas que gerenciam e devem relatar esses resultados ao governo federal.

Para a professora da Faculdade de Tecnologia da Unicamp, Gisela de Aragão Umbuzeiro, “a quantidade de agrotóxicos que hoje consta nesta portaria é pequena e não é representativa dos agrotóxicos que estão sendo usados no Brasil e poderiam causar algum efeito adverso”, levando em conta que o número de ingredientes ativos registrados no Brasil, 306, é 11 vezes maior do que os 27 analisados na água para consumo.

Outro ponto importante é a periodicidade dessas análises que ocorrem semestralmente, “elas são feitas muitas vezes fora ou distante da época do uso do agrotóxico na cultura, isso pode contribuir para que os resultados encontrados não correspondam à real situação da presença de agrotóxico na água”, acredita a médica sanitarista Telma Nery.

A atrazina está banida da União Europeia desde 2004, mas aqui é o sexto pesticida mais comercializado com quase 29 mil toneladas, apenas em 2017. Ela também é o contaminador mais comumente encontrado na água. “A atrazina tem um importante efeito no sistema hormonal do ser humano, como também nos sistemas endócrino, reprodutor e neurológico. Quando em uma exposição crônica, ela pode trazer efeitos [negativos] nesses sistemas”, diz Nery.

Resistência

Um desafio complexo como a poluição hídrica pela agricultura requer múltiplas respostas. Segundo a FAO, organização ligada a Nações Unidas, em sua publicação “Mais pessoas, mais alimentos, água pior?”, a maneira mais eficaz de reduzir a pressão sobre ecossistemas aquáticos é atenuar a poluição na fonte.

São apontadas políticas de instrumentos regulatórios tradicionais, como padrões de qualidade da água, licenças de descarga de poluição, avaliações de impacto ambiental para certas atividades agrícolas e limites à comercialização e venda de produtos perigosos, entre outras intervenções.

“As grandes corporações são as que mais consomem água. Todo mundo sabe que quase 70% de toda a água disponível é usada para o agronegócio, e a contrapartida do ponto de vista de geração de emprego, de garantia de alimentos saudáveis é inversamente proporcional”, comenta Edson Aparecido da Silva, secretário executivo do Observatório Nacional dos Direitos a Água e ao Saneamento (ONDAS) e assessor de Saneamento da Fundação Nacional dos Urbanitários (FNU).

Silva esteve presente no Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), criado em 2018, que reuniu organizações e movimentos sociais que lutam mundialmente em defesa da água como direito elementar à vida. Este Fórum se contrapõe ao autodenominado Fórum Mundial da Água (FMA), um encontro promovido pelos grandes grupos econômicos que defendem a privatização das fontes naturais e dos serviços públicos de água. Entre as corporações interessadas na apropriação desse recurso e que patrocinaram o evento, estavam Ambev, Nestlé e Coca-Cola.

“Esse modelo de desenvolvimento da lógica do capital se sobrepõe a lógica da garantia dos direitos humanos e da preservação dos bens comuns. As articulações dos movimentos populares dos atingidos por grandes empreendimentos, como o caso do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), ou da luta do Movimentos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que garantem uma produção sustentável sem agrotóxico e que dá condições dignas de vida para a população do campo, têm que ser cada vez mais fortalecidos”, afirmou Aparecido da Silva.

*Por: Aline Carijo / Nadine Nascimento

 

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*Fonte: brasildefato

A Noruega tem um esquema insanamente eficaz que recicla 97% das garrafas plásticas utilizadas no país

Quando se trata de reciclagem de resíduos plásticos, a Noruega está à frente do mundo todo: a nação escandinava criou um esquema que a permite reciclar 97% de todas as suas garrafas plásticas, com menos de 1% acabando no meio ambiente.

Além disso, 92% das garrafas recicladas produzem material de alta qualidade e podem ser utilizadas novamente como embalagens de bebidas.

Em alguns casos, o sistema já reutilizou o mesmo material mais de 50 vezes.

Infinitum

Por meio de uma organização chamada Infinitum, a Noruega criou uma das formas mais eficientes e ambientalmente corretas de reciclar garrafas plásticas.

Essa é uma conquista notável, especialmente considerando que o resto do mundo vai na contramão: em todo o globo, 91% do plástico produzido não é reciclado e 8 milhões de toneladas acabam no oceano anualmente.

A título de comparação, os EUA possuem uma taxa de reciclagem de cerca de 30%, enquanto o Reino Unido tem uma entre 20 e 45%.

Então, o que a Noruega está fazendo diferente?

 

 

 

 

 

Recicle e ganhe

Para simplificar, a nação deu à reciclagem um valor que ela não tem na maioria dos lugares.

Hoje em dia, é geralmente mais barato criar plástico novo do que reciclar plástico velho. Sem um incentivo financeiro, empresas e consumidores não costumam se preocupar em fazer a coisa certa pelo meio ambiente.

O modelo da Noruega é baseado em um esquema de empréstimos: quando um consumidor compra uma garrafa de plástico, uma pequena taxa adicional equivalente a cerca de 13 a 30 centavos de dólar é cobrada.

Esta taxa pode então ser resgatada de várias maneiras. Os consumidores podem levar sua garrafa a uma “máquina de retorno automática”, que devolve dinheiro depois de escanear o código de barras da embalagem depositada. Também podem devolvê-la a várias pequenas lojas e postos de gasolina em troca de dinheiro ou crédito.

Os donos de lojas também recebem uma pequena taxa por cada garrafa que reciclam, e alguns argumentam que isso aumentou seus negócios.

“Queremos chegar ao ponto em que as pessoas percebam que estão comprando o produto, mas apenas tomando emprestada a embalagem”, disse Kjell Olav Maldum, diretor executivo da Infinitum, ao The Guardian.

Imposto

Ao mesmo tempo, o país também impôs uma taxa ambiental aos produtores de plástico, que pode ser reduzida com melhorias na reciclagem.

Se a reciclagem estiver acima de 95% em todo o país, então todos os produtores são isentos do imposto.

França é o primeiro país a proibir copos, talheres e pratos de plástico

Embora essa possa soar como uma meta difícil de ser alcançada, já foi pelos últimos sete anos.

Mirem-se no exemplo da Noruega

Desde o advento deste esquema único, a Infinitum tem sido visitada por representantes de muitos países, incluindo a Escócia, Índia, China e Austrália, todos interessados em seguir o exemplo da nação.

A Alemanha e a Lituânia são alguns dos únicos países que podem competir com a Noruega, e ambos usam sistemas semelhantes.

No entanto, mesmo na Noruega, ainda há espaço para progresso. Este ano, a Infinitum estima que 150 mil garrafas não serão devolvidas e, se tivessem sido, teriam economizado energia suficiente para alimentar 5,6 mil residências no ano.

Quando posto nesses números, parece uma ótima razão para reciclar, não? [ScienceAlert]

*Por Natasha Romanzoti

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*Fonte: hypescience

Plástico nos oceanos pode superar os peixes até 2050

O plástico representa hoje uma grande ameaça para os oceanos. Material onipresente na vida moderna, um novo relatório afirma que, se as tendências atuais continuarem, até 2050 o lixo plástico nos oceanos vai superar em número os peixes.

O relatório foi feito pela Fundação Ellen MacArthur e divulgado no Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, na Suíça, recentemente.

Toneladas nocivas

95% das embalagens de plástico são “perdidas” todos os anos após uso único, custando cerca de US$ 80 a 120 milhões para a economia mundial. Enquanto apenas 5% é reciclada de forma eficaz, em torno de 40% é enterrada em aterros sanitários, e um terço de todo plástico produzido a cada ano vai parar nos oceanos.

Isso é equivalente a despejar o conteúdo de um caminhão de lixo a cada minuto no ambiente marinho.

Desde 1964, a produção de plástico aumentou em um fator de 20, e atualmente está em cerca de 311 milhões de toneladas por ano. O relatório estima que este número dobre nos próximos 20 anos, e quadruplique até 2050, conforme as nações em desenvolvimento passem a consumir mais plástico.

O lixo que hoje vai parar nos mares já causa impactos nocivos na vida selvagem. Por exemplo, plásticos são frequentemente encontrados nos estômagos de aves marinhas, sacolas são comumente ingeridas por tartarugas e focas, e microplástico que não podemos sequer ver é constantemente ingerido pelos peixes que, em seguida, nós consumimos.

Revisão completa

As desvantagens do plástico não se concentram apenas na quantidade de lixo que acaba nos oceanos. Outro grande problema é o uso de combustíveis fósseis necessários para criar o material.

Atualmente, a produção de plásticos utiliza cerca de 6% do consumo mundial de petróleo – em 2050, esse número pode subir 20%.

O relatório pede uma revisão completa da forma como nós fabricamos plásticos e, em seguida, como lidamos com as montanhas de lixo que o material produz.

Esperança ambiental: fungo amazônico que come plástico pode solucionar problemas de lixo

“Este relatório demonstra a importância de desencadear uma revolução no ecossistema industrial e é um primeiro passo para mostrar como transformar a maneira que os plásticos se movem através de nossa economia”, explicou Dominic Waughray no Fórum Econômico Mundial. “Para passar de uma visão para a ação em larga escala, é claro que ninguém pode trabalhar sozinho. O público, o setor privado e a sociedade civil todos precisam se mobilizar para capturar a oportunidade de uma nova economia circular de plásticos”.

Economia circular

Esse é o conceito o qual a Fundação Ellen MacArthur defende. De acordo com seu website, o modelo econômico “extrair, transformar, descartar” da atualidade depende de grandes quantidades de materiais de baixo custo e fácil acesso, além de energia, mas está atingindo seus limites físicos.

A economia circular é uma alternativa atraente e viável que as empresas já começaram a explorar: uma economia regenerativa e restaurativa, cujo objetivo é manter produtos, componentes e materiais em seu mais alto nível de utilidade e valor o tempo todo.

Hoje, nos EUA, o preço do petróleo está tão baixo que significa que a reciclagem de plásticos sai muito mais cara do que fabricar novos produtos. A Fundação acredita que parte da solução é repensar a forma como usamos plásticos, reduzindo a sua utilização em embalagens, por exemplo. Os fabricantes poderiam ajudar através da produção de artigos de plástico que possam ser reutilizados. [IFLS, FEM]

*Por Natasha Romanzoti

 

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*Fonte: hypescience

Por que a pasta de dente vem dentro de uma caixa?

A pasta de dente, ou creme dental, é usada diariamente por dois terços da população mundial. Recentemente uma pergunta se espalhou nas redes sociais. Por que a pasta de dente vem embalada em uma caixa? Se o conteúdo fica dentro de um tubo, para que colocá-lo dentro de outra caixa de papelão? E a resposta é: para que fique bonita na prateleira.

Tudo começou após um vídeo de um canal chamado Alan’s Theory ter viralizado na web. Alan questiona a razão de se produzir um invólucro praticamente inútil, que faz o produto ficar mais caro tanto para a indústria, como para o consumidor. A única coisa que acontece com a caixa, após aberta, é ser descartada.

Segundo Alan, são cerca de 900 milhões de caixas por ano somente nos Estados Unidos (considerando 3 tubos por pessoa). No brasil, onde temos o hábito de escovar os dentes de duas a três vezes ao dia, esse número é ainda maior.

Um exemplo de que é possível reverter esse desperdício foi aplicado na Islândia. Lá, as mesmas marcas que estão presentes no mundo inteiro, vendem seus produtos sem caixa. Isso porque o governo e a população fizeram diversas exigências para a indústria com relação às embalagens. Isso significa que a mudança é perfeitamente possível de ser replicada mundialmente.

Esse é um ótimo exemplo de como as pessoas podem começar a questionar todo o excesso de embalagens extras e itens inúteis que consomem nossos recursos naturais, e as redes sociais são grandes aliadas nesse sentido.

“Às vezes parece que vivemos em uma sociedade que está fora de nosso controle, mas a verdade é que grandes mudanças começam com ideias e motivação. Aqui está uma ideia, vamos nos livrar das caixas de pasta de dente. Está dentro?”, disse Alan na página de uma petição que ele criou para pressionar indústria e governos.

O que fazer então para aderir à campanha?

Compre apenas cremes dentais que vêm sem caixa -, já existem alguns no mercado.

Divulgue notícias, mande e-mails para o SAC das empresas, assine petições, fale com vereadores para criação de leis nesse sentido.

Outras alternativas para higiene bucal

Evite cremes dentais que contenham esferas microplásticas. Além de contaminar o meio ambiente, parte desse material acaba sendo ingerido.

Prefira cremes dentais menos agressivos para à saúde e livres de metais pesados e químicos cancerígenos. Já existem diversas opções de marcas naturais, veganas e até mesmo receitas para você produzir seu próprio creme dental.

Experimente pastas de dente sólidas livres de embalagens plásticas, elas já são vendidas no Brasil. Há também cremes dentais em pastilhas (conheça aqui).

E lembre-se de colocar o tubo para a reciclagem. No Brasil, esse material costuma virar uma chapa plástica, mas o fato é que reciclamos apenas 3% de todos nossos resíduos gerados, então, simplesmente eliminá-los é a melhor opção. Já o papelão da caixinha também pode ser reciclado, porém, muitas embalagens possuem diversas aplicações de tintas metalizadas e camadas de plástico, o que dificulta ainda mais sua reciclagem.

 

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*Fonte: ciclovivo

Nada de jogar no lixo! Descartáveis feitos de coroas de abacaxi podem ser plantados após o uso para florir jardim

Na mesma linha dos pratos biodegradáveis em formato de folhas que se decompõem em 28 dias, esses novos pratos e talheres propõe um destino muito mais nobre do que a lixeira aos utensílios descartáveis. Feitos a partir de cascas de milho e coroas de abacaxi, os produtos podem ser plantados após seu uso e viram grama, flores e ervas.

Criada pela startup Lifepack e batizada de Papelyco, a linha de pratos e talheres ainda pode ser reciclada, caso o usuário não queira plantá-la. Mas… se a escolha for plantar, o fabricante garante: em poucos dias já é possível ver resultados bacanas no jardim.

Assim como as xícaras que são feitas a partir de pó de café, a proposta do produto é utilizar materiais que seriam jogados fora como matérias-primas para suas mercadorias. A sacada foi do casal de colombianos, Claudia Barona e Andrés Benavides, que arrecadaram US$ 50 mil via financiamento coletivo para criar a empresa e dar vida à tecnologia que idealizavam.

O engenheiro industrial e a advogada ficavam incomodados por não encontrar alternativas aos plásticos e papéis descartáveis que ficam nas estantes dos supermercados. “Nós nos consideramos ecológicos e nos preocupamos com a contaminação causada por produtos descartáveis, especialmente o plástico”, explicam.

A startup fica localizada na Colômbia. Por lá, os talheres e pratos que viram plantas já são comercializados nos supermercados locais. A ideia agora é expandir a iniciativa para os EUA. Para tanto, Claudia e Andrés fizeram as malas e se mudaram para St. Louis, em Missouri.

E o mais bacana: a empresa também se preocupa com a responsabilidade social: 25 mães sustentam seus filhos graças ao emprego que mantém na startup na Colômbia.

 

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*Fonte: thegreenestpost

Tiros para plantar ao invés de matar

Que tal usar tiros para plantar? Este é o conceito da Flower Shell, que são balas de calibre 12 com sementes dentro, ao invés de atirar para matar, a ideia é atirar para criar vida.

Ao ser usada com uma escopeta, essas sementes podem ser usadas em formas de tiro para adentrar a terra e serem plantadas. Uma forma poética e interessante de criar novos tipos de vida por meio da terra.

O conceito foi criado por Per Cromwell, do The Nordic Society for Invention and Discovery, um estúdio de inovação da Suécia.

*Por Flávio Croffi

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*Fonte: geekness

Vídeo da NASA mostra como a Floresta Amazônica é fertilizada pelo Deserto do Saara

Uma grande quantidade de poeira do Saara “viaja” mais de 2.000 km para chegar à Amazônia, o fenômeno é mostrado em um vídeo divulgado recentemente pela National Aeronautics and Space Administration (NASA).

Os dados que fora coletado entre 2007 e 2013 pela NASA, mostram a relação entre o deserto e a floresta. Apesar de ser um fenômeno já conhecido pelos cientistas há anos, somente agora temos informações mais precisas deste comportamento ambiental.

Como a poeira do deserto do Saara fertiliza a Amazônia

Estima-se que aproximadamente 182.000 toneladas de poeira do Saara atravessem o Oceano Atlântico para chegar à América. Desse total, cerca de 27,7 milhões de toneladas de poeira precipitam a cada ano na bacia amazônica, sendo 0,08% correspondente ao fósforo (importante nutriente para as plantas), segundo pesquisadores da Universidade de Maryland (EUA), que é igual a 22.000 toneladas.

Essa quantidade de fósforo, de acordo com o estudo, é suficiente para suprir as necessidades nutricionais que a floresta amazônica perde com as fortes chuvas e inundações na região.

Todo o ecossistema da Amazônia depende do pó do Saara para reabastecer suas reservas de nutrientes perdidos”, diz o coordenador do estudo, Dr. Hongbin Yu. Confirma o que muitos, mesmo sem base científica, conhecem há muito tempo: “este é um mundo pequeno e estamos todos conectados”.

O pó que é rico em nutrientes, vem principalmente de uma região conhecida como Depressão Bodele, localizada no país africano Chade, formada após o maior lago da África ter secado há aproximadamente 1.000 anos.

No entanto, a maior parte da poeira permanece suspensa no ar, enquanto 43 milhões de toneladas viajam para o Mar do Caribe. O estudo, que só foi possível graças à coleta de dados do satélite CALIPSO, NASA, foi publicado na revista científica Geophysical Research Letters.

Aqui você pode ver uma animação 3D para ver o fenômeno de uma maneira mais didática:

Obs: o vídeo está em inglês.

*Por Arthur Oliveira

 

 

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*Fonte: florestalbrasil

Por que há cada vez mais moscas e baratas e menos borboletas e abelhas

Uma nova análise científica sobre o número de insetos no mundo sugere que 40% das espécies estão experimentando uma “dramática taxa de declínio” e podem desaparecer. Entre elas, abelhas, formigas e besouros, que estão desaparecendo oito vezes mais rápido que espécies de mamíferos, pássaros e répteis. Já outras espécies, como moscas domésticas e baratas, devem crescer em número.

Vários outros estudos realizados nos últimos anos já demonstraram que populações de algumas espécies de insetos, como abelhas, sofreram um grande declínio, principalmente nas economias desenvolvidas. A diferença dessa nova pesquisa é ter uma abordagem mais ampla sobre os insetos em geral. Publicado no periódico científico Biological Conservation, o artigo faz uma revisão de 73 estudos publicados nos últimos 13 anos em todo o mundo.

Os pesquisadores descobriram que o declínio nas populações de insetos vistos em quase todas as regiões do planeta pode levar à extinção de 40% dos insetos nas próximas décadas. Um terço das espécies está classificada como ameaçada de extinção.

“O principal fator é a perda de habitat, devido às práticas agrícolas, urbanização e desmatamento”, afirma o principal autor do estudo, Francisco Sánchez-Bayo, da Universidade de Sydney.

“Em segundo lugar, está o aumento no uso de fertilizantes e pesticidas na agricultura ao redor do mundo, com poluentes químicos de todos os tipos. Em terceiro lugar, temos fatores biológicos, como espécies invasoras e patógenos. Quarto, mudanças climáticas, particularmente em áreas tropicais, onde se sabe que os impactos são maiores.”

Os insetos representam a maioria dos seres vivos que habitam a terra e oferecem benefícios para muitas outras espécies, incluindo humanos. Fornecem alimentos para pássaros, morcegos e pequenos mamíferos; polinizam em torno de 75% das plantações no mundo; reabastecem os solos e mantêm o número de pragas sob controle.

Os riscos da redução do número de insetos

Entre destaques apontados pelo estudo estão o recente e rápido declínio de insetos voadores na Alemanha e a dizimação da população de insetos em florestas tropicais de Porto Rico, ligados ao aumento da temperatura global.

Outros especialistas dizem que as descobertas são preocupantes. “Não se trata apenas de abelhas, ou de polinização ou alimentação humana. O declínio (no número de insetos) também impacta besouros que reciclam resíduos e libélulas que dão início à vida em rios e lagoas”, diz Matt Shardlow, do grupo ativista britânico Buglife.

“Está ficando cada vez mais claro que a ecologia do nosso planeta está em risco e que é preciso um esforço global e intenso para deter e reverter essas tendências terríveis. Permitir a erradicação lenta da vida dos insetos não é uma opção racional”.

Os autores do estudo ainda estão preocupados com o impacto do declínio dos insetos ao longo da cadeia de produção de comida. Já que muitas espécies de pássaros, répteis e peixes têm nos insetos sua principal fonte alimentar, é possível que essas espécies também acabem sendo eliminadas.

Baratas e moscas podem proliferar

Embora muitas espécies de insetos estejam experimentando uma redução, o estudo também descobriu que um menor número de espécies podem se adaptar às mudanças e proliferar.

“Espécies de insetos que são pragas e se reproduzem rápido provavelmente irão prosperar, seja devido ao clima mais quente, seja devido à redução de seus inimigos naturais, que se reproduzem mais lentamente”, afirma Dave Goulson, da Universidade de Sussex.

Segundo Goulson, espécies como moscas domésticas e baratas podem ser capazes de viver confortavelmente em ambientes humanos, além de terem desenvolvido resistência a pesticidas.

“É plausível que nós vejamos uma proliferação de insetos que são pragas, mas que percamos todos os insetos maravilhosos de que gostamos, como abelhas, moscas de flores, borboletas e besouros”.

O que podemos fazer a respeito?

Apesar dos resultados do estudo serem alarmantes, Goulson explica que todos podem tomar ações para ajudar a reverter esse quadro. Por exemplo, comprar comida orgânica e tornar os jardins mais amigáveis aos insetos, sem o uso de pesticidas.

Além disso, é preciso fazer mais pesquisas, já que 99% da evidência do declínio de insetos vêm da Europa e da América do Norte, com poucas pesquisas na África e América do Sul.

Se um grande número de insetos desaparecer, diz Goulson, eles provavelmente serão substituídos por outras espécies. Mas esse é um processo de milhões de anos. “O que não é um consolo para a próxima geração, infelizmente”.

*Por Matt McGrath

 

 

 

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*Fonte: bbc-brasil

Adeus aos insetos da sua infância

Há quanto tempo você não vê um gafanhoto no seu passeio de domingo no campo, ouve os grilos da varanda ou vê um vaga-lume numa caminhada noturna em uma estrada rural? A sensação de estar perdendo essa fauna que tantas gerações associam à sua infância é mais do que isso, é uma realidade. E o que é pior, juntamente com esses animais também estão desaparecendo elementos básicos para o sustento de muitos ecossistemas dos quais todos os seres vivos dependem.

“Não é apenas uma sensação popular, é algo percebido por todos os entomologistas que fazem trabalhos e pesquisas de campo; a diminuição do número de indivíduos de praticamente todos os insetos é brutal”. Isso é confirmado por Juan José Presa, professor de Zoologia da Universidade de Murcia, na Espanha, e coautor de um dos muitos relatórios e estudos recentes que fornecem números sobre o declínio dos artrópodes.

Esse estudo, do começo deste ano, resultado da colaboração entre a União Europeia e a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), destaca que quase um terço das espécies de ortópteros avaliadas (gafanhotos, grilos e cigarras, entre outras) está ameaçado, algumas em perigo de extinção.

Wolfgang Wägele, diretor do Instituto Leibniz de Biodiversidade Animal (Alemanha), juntamente com outros colegas, fala na revista Science do “fenômeno do para-brisa”, no qual os motoristas passam menos tempo removendo de seus carros os inúmeros insetos que antes se espatifavam contra qualquer ponto da carroceria. Os pesquisadores citados no artigo estão cientes do declínio generalizado, apesar de reconhecerem, como o resto da comunidade científica, que é muito difícil estabelecer dados mais precisos sobre o declínio das populações devido à variedade de espécies, distribuição e número de indivíduos.

Na Science é citado o caso da Sociedade de Entomologia de Krefeld, na Alemanha, cujas pesquisas de campo constataram que a biomassa de insetos que fica presa em seus diferentes dispositivos de captura diminuiu 80% desde 1989. Juan José Presa leva a constatação ao terreno de suas observações de campo, na província de Pontevedra: “Antes conseguíamos atrair uma enorme quantidade de mariposas com armadilhas de luz, agora muito poucas entram na armadilha”.

“Cerca de três quartos das espécies de borboletas da Catalunha, e isso pode ser extrapolado para o resto da Espanha, estão em declínio e isso é incontestável”. Constantin Stefanescu, do Centro de Pesquisas Ecológicas e Aplicações Florestais e do Museu de Ciências Naturais de Granollers (Barcelona) chegou a essa conclusão depois de mais de duas décadas de trabalhos de campo e de ter estudado, com outros pesquisadores, 66 das 200 espécies presentes na Catalunha. “A redução é alarmante e aumenta a cada ano. Também assustam os dados de 2015 e 2016, os mais baixos desde 1994”, diz Stefanescu.

Ignacio Ribera, do Instituto de Biologia Evolutiva, um centro conjunto do CSIC e da Universitade Pompeu Fabra, especialista em entomofauna de habitats subterrâneos e aquáticos, menciona duas outras espécies que estiveram presentes na infância de muitas gerações: libélulas e percevejos, estes últimos são hemípteros de pernas longas que deslizam sobre a superfície da água. “Quando um rio é canalizado, secam um açude ou cobrem um córrego” – diz o pesquisador – “e esses insetos, entre outros, desaparecem”. Há dez anos, a UICN já advertia que “as libélulas ameaçadas da bacia do Mediterrâneo precisam de medidas urgentes para melhorar sua situação”.

A transformação e a destruição do habitat é sistematicamente apontada, em todos os estudos, como a principal causa dessa hecatombe que afeta muito diretamente as pessoas. Isso pode ser comprovado pelo efeito provocado por certos inseticidas (neonicotinóides) nas populações de abelhas, responsáveis pela polinização de muitas plantas, inclusive 30% das que nos servem de alimento. Em geral, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, “cerca de 84% das culturas para consumo humano precisam de abelhas ou de outros insetos para polinizá-las e aumentar seu rendimento e qualidade”.

Quase um terço das espécies de ortópteros avaliadas está ameaçado, algumas em perigo de extinção

As consequências sobre as redes tróficas que sustentam todos os tipos de ecossistemas, também os agrícolas, de pecuária e florestais, podem ser fatais. É necessário pensar que a fauna de invertebrados também atua como controle de pragas e é fonte de alimento essencial para o resto dos animais. Stefanescu lembra que “muitas aves se alimentam das lagartas de borboletas que estão precisamente em declínio e numerosas vespas e moscas também dependem da fase larval e de crisálida dos lepidópteros”.

Mas a destruição do habitat (urbanização, agricultura intensiva, turismo…) não age sozinha como elemento de distorção, mas também o abandono da zona rural e a mudança climática contribuem para essa situação perigosa. Os cientistas citam, por exemplo, a alteração dos períodos de sincronia entre a floração das plantas e a chegada ou a eclosão dos insetos.

A Sociedade de Entomologia de Krefeld, na Alemanha, constatou que a biomassa de insetos que fica presa em seus diferentes dispositivos de captura diminuiu 80% desde 1989

O problema é que o ritmo de proteção é muito mais lento do que o do declínio, devido à falta de conhecimento mais preciso sobre as populações e à menor relevância, aparente, que os insetos têm. O catálogo nacional de espécies ameaçadas inclui apenas 90 espécies de invertebrados, das quais 35 são insetos e apenas 17 (oito vulneráveis e nove em perigo de extinção) possuem uma categoria de ameaça que permite a ativação de planos de recuperação. A Comunidade Virtual de Entomologia estima em 38.311 o número de espécies de insetos na península Ibérica.

O Atlas e Livro Vermelho dos Invertebrados Ameaçados da Espanha aponta como vulneráveis 69 espécies de insetos na Península Ibérica, 30 em perigo de extinção e 3 em perigo crítico. Enquanto isso, Juan José Presa alerta: “É muito possível que, neste exato momento, depois de um incêndio ou uma fumigação intensiva de culturas, estejamos perdendo espécies que já estavam muito prejudicadas”.

E OS PARDAIS, LAGARTIXAS, RÃS E SALAMANDRAS?

J. R.

O efeito é generalizado. Qualquer conversa com pessoas da zona rural sobre a biodiversidade que as rodeia geralmente contém a frase “aqui antes se viam mais pássaros”. E também eram encontradas – e capturadas com todo tipo de engenhoca – lagartixas, se ouvia com mais frequência o coaxar das rãs, e era possível apreciar o andar das vistosas salamandras em poças, lagoas e valas. Até o outrora muito abundante e onipresente pardal comum está em falta. A Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO/BirdLife) constatou em seus censos as diminuições de aves comuns como pardais, andorinhas, perdizes e rolas, todas elas protagonistas de verões com mais biodiversidade.

Os incêndios, a seca e o fenômeno que multiplica esses dois efeitos, a mudança climática, estão por trás do declínio de répteis, como as lagartixas, e de anfíbios, como a rã comum e a salamandra. Uma análise de 539 estudos científicos nos quais participaram pesquisadores do Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN/CSIC) concluiu que 65% das 313 espécies avaliadas desses dois grupos sofrem os efeitos negativos da mudança climática. Em 2013, um estudo da mesma instituição científica confirmou que o aquecimento global diminui a eficácia dos sinais sexuais da lagartixa carpetana, uma espécie considerada em perigo de extinção.

*Por Javier Rico

 

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*Fonte: elpais

O clã dos Leões Mapogo

“Nascidos para Reinar” (Brothers in Blodd: The Lions of Sabi Sand) acompanhou por desesseis anos os leões Mapogo, nome dado ao bando. O extenso material captado deu origem a este especial com duas horas de duração. As imagens revelam comportamentos surpreendentes – e por vezes “humanos” – das feras africanas em seu habitat natural e são comentadas por especialistas em felinos.

Essa foto em particular registrou um momento um tanto quanto raro, onde cinco dos seis leões da coalizão aparecem bebendo água um ao lado dom outro.

 

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*Fonte: @fotocracia

Derretimento na Antártica é 6 vezes maior do que há 40 anos

A perda anual de massa de gelo na Antártica aumento em seis vezes entre 1979 e 2017. A informação é de um estudo publicado na revista Proceedings of National Academy of Sciences semana passada. Glaciologistas da Universidade da Califórnia, Irvine, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa e da Universidade Utrecht, na Holanda, ainda descobriram que o derretimento acelerado fez com que os níveis globais do mar subissem mais do que um centímetro durante esse período.

“Isso é apenas a ponta do iceberg, por assim dizer”, disse o principal autor do estudo, Eric Rignot. “À medida que o manto de gelo da Antártida continua a derreter, acreditamos que nos próximos séculos ocorra uma elevação de vários metros no nível do mar”.

Pesquisa

Este estudo abrange quatro décadas e a equipe de pesquisa examinou 18 regiões, 176 bacias, bem como ilhas vizinhas.

Entre as técnicas usadas, eles compararam o acúmulo de neve nas bacias interiores e locais onde o gelo começa a flutuar no oceano e se soltar da “cama”. Os dados foram obtidos a partir de fotografias aéreas de alta resolução tiradas a uma distância de cerca de 350 metros através da Operação IceBridge da NASA; interferometria de radar por satélite de múltiplas agências espaciais; e a série de imagens de satélite Landsat, iniciada no início dos anos 70.

A equipe chegou a conclusão que entre 1979 e 1990, a Antártica perdeu uma média de 40 gigatoneladas de massa de gelo por ano. (Um gigaton é 1 bilhão de toneladas.) De 2009 a 2017, cerca de 252 gigatoneladas por ano foram perdidas.

O ritmo de derretimento aumentou dramaticamente ao longo do período de quatro décadas. De 1979 a 2001, foi uma média de 48 gigatoneladas anuais por década. A taxa subiu 280% para 134 gigatoneladas de 2001 a 2017.

Pontos mais preocupantes

O principal autor do estudo afirma que uma das principais conclusões do projeto é a contribuição da Antártida Oriental para o quadro de perda total de massa de gelo nas últimas décadas.

“O setor da ‘Terra de Wilkes’ na Antártica Oriental, em geral, sempre foi participante importante na perda de massa, mesmo nos anos 80, como nossa pesquisa mostrou”, explica ele. “Esta região é provavelmente mais sensível ao clima [mudança] do que tradicionalmente se supôs e isso é importante saber, porque detém ainda mais gelo do que a Antártida Ocidental e a Península Antártica juntas”.

Ele acrescentou que os setores que perdem mais massa de gelo são adjacentes à água quente do oceano. “À medida que o aquecimento do clima e o esgotamento do ozônio envia mais calor oceânico para esses setores, eles continuarão contribuindo para o aumento do nível do mar da Antártida nas próximas décadas”, conclui Rignot.

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*Fonte: ciclovivo

60% das espécies de café correm risco de extinção

Estudo de cientistas do Royal Botanic Gardens destaca que mais da metade das espécies de café selvagem estão em risco de extinção. Isso deve-se ao desmatamento, às mudanças climáticas e à disseminação e ao aumento de pragas e fungos patogênicos.

Foi a primeira vez, que o estudiosos avaliaram detalhadamente as espécies de café incluídas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). E o resultado, de mais de 20 anos de pesquisa, foi de preocupação com o futuro da produção global de café. Lista inclui o Coffea arabica, o café preferido e mais amplamente comercializado no mundo.

Grande parte do trabalho foi realizado em locais selvagens, principalmente nas florestas remotas da África e na ilha de Madagascar. Em 2012, pesquisadores já revelaram uma imagem sombria para o arábica selvagem. Usando modelagem por computador, eles puderam projetar como mudanças climáticas afetariam as espécies na Etiópia, mostrando que o número de locais onde o arábica cresce poderia diminuir em até 85% até 2080. Em 2017, a equipe voltou sua atenção à influência das mudanças climáticas na cafeicultura, mostrando que até 60% da terra usada para a produção de café da Etiópia pode se tornar inadequada para uso até o final do século.

Esta pesquisa mais recente afirma que entre os 60% sob ameaça de extinção estão espécies que podem ser fundamentais para o futuro da produção de café. Atualmente, o comércio global de café depende de apenas duas espécies – Arábica (cerca de 60%) e Robusta (cerca de 40%) -, mas devido às ameaças emergentes e agravantes, outras espécies de café provavelmente serão necessárias.

“Entre as espécies ameaçadas de extinção estão aquelas que têm potencial para serem usadas no desenvolvimento dos cafés do futuro, incluindo aquelas resistentes a doenças e capazes de resistir à piora das condições climáticas. O uso e o desenvolvimento dos recursos do café silvestre podem ser fundamentais para a sustentabilidade a longo prazo do setor cafeeiro”, afirma Dr Aaron Davis, líder de pesquisa de café do Royal Botanic Gardens.

O estudo “Alto risco de extinção de espécies de café silvestre e implicações para a sustentabilidade do setor cafeeiro” pode ser consultado [ AQUI ] .

*Por Marcia Sousa

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*Fonte: ciclovivo

Atacama em flor. A extraordinária florada no deserto mais árido do mundo.

O Deserto do Atacama é um dos lugares mais mágicos, bonitos e insólitos do mundo. Fui visitá-lo algumas vezes, e sempre me surpreendi com a sua beleza. Mas era sempre uma beleza seca, pois o Atacama, com seus 105 mil quilômetros quadrados de imensidão vazia entre o Chile e o Peru, é regado por uma média de apenas 15 milímetros de chuva ao ano. Isso faz dele um dos lugares mais áridos e inóspitos do planeta. No entanto, até no Atacama, onde areia, rochas e minas de sal são os elementos dominantes, é possível assistir, uma vez a cada 6-7 anos, um milagre da natureza. O céu de repente se enche de nuvens, aguaceiros banham a terra e, alguns dias depois, uma florada espetacular transforma essa paisagem lunar numa colorida pradaria alpina.

Normalmente, esta é a aparência do Deserto do Atacama: seco, desolado, todo tingido com a mais completa paleta dos ocres, amarelos e marrons.

O mérito pertence às precipitações do início da primavera, que periodicamente se manifestam com excepcional abundância e permitem, naquelas raras ocasiões, que as sementes de mais de 200 espécies de flores desabrochem ao mesmo tempo, como se tocadas por alguma varinha mágica.

Este ano, o espetáculo da florada do Atacama se manifestou com muita antecipação e atraiu ao deserto milhares de turistas armados com celulares e máquinas fotográficas.

A florada deste ano é excepcional não apenas pelo período anômalo em que ocorre, mas porque segue a menos de 24 meses a florada precedente, que aconteceu em 2015. Confira abaixo uma pequena galeria de fotos dessa florada, e não deixe de ver o belo vídeo que encerra a matéria. Para viajar Nas Asas do Tempo – a nova rubrica deste site.

*Por: Luis Pellegrini

Chilenos criam sacos plásticos solúveis em água e que não poluem

Com uma mudança sutil na fórmula do plástico, que permite substituir o petróleo pela pedra calcária, um grupo de empreendedores chilenos conseguiu fabricar sacos plásticos e de tecido reutilizáveis solúveis em água e que não contaminam.

Roberto Astete e Cristian Olivares, os dois artífices deste produto, começam a fazer experimentos para fabricar um detergente biodegradável, mas acabaram encontrando a fórmula química à base de PVA (álcool polivinílico, solúvel em água) e que substitui os derivados do petróleo, responsáveis pela alta durabilidade dos plásticos que se integrou à cadeia alimentar de animais marinhos e responsáveis pela deterioração do meio ambiente.

“Nosso produto deriva de uma pedra calcária que não causa danos ao meio ambiente”, assegurou Astete, diretor-geral da empresa SoluBag, que espera comercializar seus produtos a partir de outubro no Chile, um dos primeiros países da América Latina a proibir o uso de sacos plásticos convencionais em estabelecimentos comerciais.

“É como fazer pão”, acrescenta. “Para fazer pão é preciso farinha e outros ingredientes. Nossa farinha é de álcool de polivinil e outros componentes, aprovados pela FDA (agência americana reguladora de alimentos, medicamentos, cosméticos, aparelhos médicos, produtos biológicos e derivados sanguíneos), que nos permitiu ter uma matéria-prima para fazer diferentes produtos”.

Diante de jornalistas, os dois demonstraram a solubilidade imediata de suas sacolas plásticas em água fria ou de bolsas de tecido reutilizáveis em água quente.

“O que fica na água é carbono”, assegura Astete, o que os exames médicos realizados demonstraram que “não tem nenhum efeito no corpo humano”.

Para demonstrar que a água turva resultante da dissolução é “inócua” e potável, eles bebem alguns copos.

Reciclagem doméstica

“A grande diferença entre o plástico tradicional e o nosso é que aquele vai estar entre 150 e até 500 anos no meio ambiente e o nosso demora apenas cinco minutos. A gente decide quando o destrói”, afirma Astete, antes de acrescentar que “hoje em dia a máquina recicladora pode ser a panela de casa ou a máquina de lavar”.

A fórmula encontrada permite “fazer qualquer material plástico”, razão pela qual já estão trabalhando na produção de materiais como talheres, pratos e embalagens.

Os tecidos solúveis na mesma água quente que serve, por exemplo, para preparar um chá ou um café, podem ser usados para produzir sacolas de compras reutilizáveis e produtos hospitalares como os protetores de macas, batas e gorros do pessoal médico e de pacientes que costumam ter um único uso, explica Olivares.

E quando chove, como as compras chegam em casa? Os fabricantes podem programar a temperatura à qual tanto os sacos plásticos como os de lixo se dissolvem no contato com a água.

Outra vantagem das sacos é que são antiasfixia, uma causa importante de mortalidade infantil, pois se dissolve em contato com a língua ou as lágrimas.

Com a produção maciça, que pode ser feita nas mesmas empresas que fabricam os plásticos convencionais – basta apenas alterar a fórmula -, o preço de seus produtos pode ser similar ao dos atuais, garantem.

Em um mundo onde em 2014 foram fabricadas 311 milhões de toneladas de plástico e se nada mudar, em 2050, serão produzidas 1,124 bilhão de toneladas, Astete e Olivares esperam dar ao cliente o “empoderamento de ajudar a descontaminar o meio ambiente” porque “a grande vantagem é que o usuário decide quando destruí-la”, assegura.

A iniciativa ganhou o prêmio SingularityU Chile Summit 2018 como empreendimento catalizador de mudança, o que rendeu aos inventores um estágio no Vale do Silício a partir de setembro.

Chilenos criam sacos plásticos solúveis em água e que não poluem.

Com uma mudança sutil na fórmula do plástico, que permite substituir o petróleo pela pedra calcária, um grupo de empreendedores chilenos conseguiu fabricar sacos plásticos e de tecido reutilizáveis solúveis em água e que não contaminam.

Roberto Astete e Cristian Olivares, os dois artífices deste produto, começam a fazer experimentos para fabricar um detergente biodegradável, mas acabaram encontrando a fórmula química à base de PVA (álcool polivinílico, solúvel em água) e que substitui os derivados do petróleo, responsáveis pela alta durabilidade dos plásticos que se integrou à cadeia alimentar de animais marinhos e responsáveis pela deterioração do meio ambiente.

“Nosso produto deriva de uma pedra calcária que não causa danos ao meio ambiente”, assegurou Astete, diretor-geral da empresa SoluBag, que espera comercializar seus produtos a partir de outubro no Chile, um dos primeiros países da América Latina a proibir o uso de sacos plásticos convencionais em estabelecimentos comerciais.

“É como fazer pão”, acrescenta. “Para fazer pão é preciso farinha e outros ingredientes. Nossa farinha é de álcool de polivinil e outros componentes, aprovados pela FDA (agência americana reguladora de alimentos, medicamentos, cosméticos, aparelhos médicos, produtos biológicos e derivados sanguíneos), que nos permitiu ter uma matéria-prima para fazer diferentes produtos”.

Diante de jornalistas, os dois demonstraram a solubilidade imediata de suas sacolas plásticas em água fria ou de bolsas de tecido reutilizáveis em água quente.

“O que fica na água é carbono”, assegura Astete, o que os exames médicos realizados demonstraram que “não tem nenhum efeito no corpo humano”.

Para demonstrar que a água turva resultante da dissolução é “inócua” e potável, eles bebem alguns copos.

Reciclagem doméstica

“A grande diferença entre o plástico tradicional e o nosso é que aquele vai estar entre 150 e até 500 anos no meio ambiente e o nosso demora apenas cinco minutos. A gente decide quando o destrói”, afirma Astete, antes de acrescentar que “hoje em dia a máquina recicladora pode ser a panela de casa ou a máquina de lavar”.

A fórmula encontrada permite “fazer qualquer material plástico”, razão pela qual já estão trabalhando na produção de materiais como talheres, pratos e embalagens.

Os tecidos solúveis na mesma água quente que serve, por exemplo, para preparar um chá ou um café, podem ser usados para produzir sacolas de compras reutilizáveis e produtos hospitalares como os protetores de macas, batas e gorros do pessoal médico e de pacientes que costumam ter um único uso, explica Olivares.

E quando chove, como as compras chegam em casa? Os fabricantes podem programar a temperatura à qual tanto os sacos plásticos como os de lixo se dissolvem no contato com a água.

Outra vantagem das sacos é que são antiasfixia, uma causa importante de mortalidade infantil, pois se dissolve em contato com a língua ou as lágrimas.

Com a produção maciça, que pode ser feita nas mesmas empresas que fabricam os plásticos convencionais – basta apenas alterar a fórmula -, o preço de seus produtos pode ser similar ao dos atuais, garantem.

Em um mundo onde em 2014 foram fabricadas 311 milhões de toneladas de plástico e se nada mudar, em 2050, serão produzidas 1,124 bilhão de toneladas, Astete e Olivares esperam dar ao cliente o “empoderamento de ajudar a descontaminar o meio ambiente” porque “a grande vantagem é que o usuário decide quando destruí-la”, assegura.

A iniciativa ganhou o prêmio SingularityU Chile Summit 2018 como empreendimento catalizador de mudança, o que rendeu aos inventores um estágio no Vale do Silício a partir de setembro.

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*Fonte: revistapazes

Plantar árvores nas cidades devia ser visto como uma medida de saúde pública, diz cientista

E se as cidades conseguissem, com uma só medida, reduzir a obesidade e a depressão, aumentar a produtividade e o bem-estar e diminuir a incidência de asma e doenças cardíacas nos seus habitantes? As árvores urbanas oferecem todos estes benefícios e muito mais: filtram o ar, ajudando a remover as partículas finas emitidas pelos carros e fábricas, retêm a água da chuva e diminuem as despesas com o aquecimento.

Num novo relatório, realizado pela organização The Nature Conservancy, os cientistas defendem que as árvores urbanas são uma importante estratégia para a melhoria da saúde pública nas cidades, devendo ser financiadas como tal.

“Há muito tempo que vemos as árvores e os parques como artigos de luxo; contudo, trazer a natureza de volta para as cidades é uma estratégia crítica para se melhorar a saúde pública”, disse Robert McDonald, cientista da The Nature Conservancy e coautor do relatório.

Todos os anos, entre três e quatro milhões de pessoas morrem, em todo o mundo, devido à poluição atmosférica e aos seus impactos na saúde humana. A poluição do ar aumenta o risco de doenças respiratórias crónicas, havendo estudos que a associam ainda às doenças cardiovasculares e ao cancro. As ondas de calor nas zonas urbanas também fazem milhares de vítimas, por ano. Vários estudos têm demonstrado que o arvoredo urbano pode ser uma solução eficaz em termos de custos para ambos estes problemas.

Apesar de todos os estudos que documentam os benefícios dos espaços verdes, muitas cidades ainda não veem a ligação entre a saúde dos moradores e a presença de árvores no ambiente urbano.
Robert McDonald defende a necessidade da cooperação entre diferentes departamentos e a inclusão da natureza nos debates sobre ordenamento urbano.

“Não é suficiente falar-se apenas das razões que tornam as árvores tão importantes para a saúde. Temos de começar a discutir as razões sistemáticas por que é tão difícil para estes sectores interagirem – como o sector florestal pode começar a cooperar com o de saúde pública e como podemos criar ligações financeiras entre os dois”, disse o investigador.

“A comunicação e a coordenação entre os departamentos de parques, florestas e saúde pública de uma cidade são raras. Quebrar estas barreiras pode revelar novas fontes de financiamento para a plantação e gestão de árvores.”

O cientista dá como exemplo a cidade de Toronto, onde o departamento de saúde pública trabalhou em conjunto com o florestal para fazer frente à ilha de calor urbano. Como muitos edifícios em Toronto não possuem ar condicionado, os dois departamentos colaboraram de forma a colocarem, estrategicamente, árvores nos bairros onde as pessoas estão particularmente vulneráveis ao calor, devido ao seu estatuto socioeconómico ou idade.

O relatório diz ainda que o investimento na plantação de novas árvores – ou até na manutenção das existentes – está perpetuamente subfinanciado, mostrando que as cidades norte-americanas estão a gastar menos, em média, no arvoredo do que nas décadas anteriores. Os investigadores estimaram que despender apenas $8 (7€) por pessoa, por ano, numa cidade dos EUA, poderia cobrir o défice de financiamento e travar a perda de árvores urbanas e dos seus potenciais benefícios.

Outros trabalhos também têm mostrado que o arvoredo urbano tem um valor monetário significativo. Segundo um estudo do Serviço Florestal dos EUA, cada $1 gasto na plantação de árvores tem um retorno de cerca de $5,82 em benefícios públicos.

Num outro estudo, uma equipa de investigadores da Faculdade de Estudos Ambientais da Universidade do Estado de Nova Iorque concluiu que os benefícios das árvores para as megacidades tinham um valor médio anual de 430 milhões de euros (505 milhões de dólares), o equivalente a um milhão por km2 de árvores. Isto deve-se à prestação de serviços como a redução da poluição atmosférica, dos custos associados ao aquecimento e arrefecimento dos edifícios, das emissões de carbono e a retenção da água da chuva.

Com demasiada frequência, a presença ou ausência de natureza urbana, assim como os seus inúmeros benefícios, é ditada pelo nível de rendimentos de um bairro, o que resulta em desigualdades dramáticas em termos de saúde. De acordo com um estudo da Universidade de Glasgow, a taxa de mortalidade entre os homens de meia-idade que moram em zonas desfavorecidas com espaços verdes é inferior em 16% à dos que vivem em zonas desfavorecidas mais urbanizadas.

Para Robert McDonald, a chave é fazer-se a ligação entre as árvores urbanas e os seus efeitos positivos na saúde mental e física. “Um dos grandes objetivos deste relatório é fazer com que diversos serviços de saúde vejam que deviam estar a participar na discussão para tornar as cidades mais verdes”, declarou. “As árvores urbanas não podem ser consideradas um luxo, dado que constituem um elemento essencial para uma comunidade saudável e habitável e uma estratégia fundamental para a melhoria da saúde pública.”

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*Fonte: theuniplanet

Milhares de estorninhos em voo tomam forma de ave gigante no céu

O britânico Guy Benson captou em vídeo o voo de um bando de milhares de estorninhos sobre a Reserva Natural de Attenborough, em Nottingham, no Reino Unido. O vídeo mostra a espantosa “dança” das aves no ar, durante a qual o grupo parece assumir diferentes formas, entre as quais a de uma enorme ave.

“Estava com a minha esposa, Anita, ao entardecer, quando um bando de estorninhos apareceu sobre nós. Durante cerca de 20 minutos, estiveram todos a dançar no céu”, contou o britânico ao jornal The Independent.

“A dada altura, o bando tomou a forma de uma ave enorme no céu. É uma forma bem invulgar e acho que foi causada pelos quatro gaviões que estavam continuamente a mergulhar sobre as aves para as separarem e capturarem. Foi uma das cenas mais impressionantes que já vi na natureza.”

“Há cerca de 20 anos, viam-se 40 mil aves num bando, mas, hoje em dia, é mais provável encontrarem-se entre 10 e 20 mil”, explicou Guy Benson, aludindo ao declínio verificado nas populações de aves do continente europeu.

Desde que se reformou, o britânico de 60 anos passa muito do seu tempo a viajar para observar pássaros raros, juntamente com a sua esposa, Anita Benson.

“Nunca vi nada assim”, disse esta. “Ficava-se parado e de boca aberta; foi tão fantástico. Há centenas de milhares de pessoas a viver perto, mas elas não sabem que este tipo de coisas acontece.”

O voo sincronizado dos estorninhos já chamou a atenção muitas vezes, tanto pela sua elegância como pelas imagens impressionantes que, por vezes, as aves parecem formar.

 

 

 

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Confira o vídeo:

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*Fonte: theuniplanet

A árvore que sempre se inclina em direção ao equador – não importando onde esteja

Originário da Nova Caledônia, um arquipélago tropical no sudoeste do oceano Pacífico, o pinheiro-de-cook pode ser visto hoje em diferentes partes do mundo.

A espécie, da família das coníferas, é conhecida por seu formato estreito e alongado – ela chega a alcançar 60 metros de altura. Mas não é sua aparência delgada que tem chamado a atenção de cientistas, e sim a curiosa inclinação de seu tronco.

Pesquisadores já haviam notado que essa árvore se inclina a um peculiar ângulo de 8,55°. Agora, porém, descobriram algo ainda mais interessante: a direção depende do hemisfério em que o exemplar se encontra.

Os pinheiros-de-cook do hemisfério Norte, por exemplo, pendem para o sul, enquanto os do hemisfério Sul fazem exatamente o contrário.

A descoberta se deu por acaso, quando o biólogo Matt Ritter, professor da Universidade Politécnica do Estado da Califórnia, nos EUA, estava redigindo uma breve descrição da espécie para um livro.

Durante esse trabalho, ele procurou um de seus colegas na Austrália para confirmar se as árvores daquele país se inclinavam da mesma forma.

A resposta foi surpreendente: ali os pinheiros se voltavam para a direção contrária.

“Isso nos fez pensar na possibilidade de que a árvore se inclinasse para o equador (linha imaginária que divide o mundo entre os hemisférios Norte e Sul), seu lugar de origem”, conta Ritter.

Caso único

O cientista e seus colegas então estudaram o comportamento de mais de 250 pinheiros-de-cook em 18 lugares espalhados pelos cinco continentes, e em diferentes latitudes.

Uma das conclusões foi de que, em média, o ângulo de fato é de 8,55°.

Mas eles também notaram que, quanto mais afastadas as árvores estavam da linha do equador, maior era a inclinação.

Em um dos espécimes estudados na Austrália, por exemplo, chegava-se a um ângulo de 40°.

Inédito em árvores

É verdade, no entanto, que muitas árvores se inclinam em direção ao sol durante seu desenvolvimento e, ao chegar a uma idade madura, corrigem essa assimetria.

Apesar disso, Steve Warren, pesquisador do Serviço Florestal dos EUA que não está vinculado ao estudo, afirmou à revista científica New Scientist que mesmo que algumas plantas também se inclinem de forma semelhante à do pinheiro-de-cook, “esta é a primeira vez que escuto isso a respeito de uma árvore”.

De acordo com os cientistas responsáveis pelo estudo, é possível que o comportamento peculiar dessa espécie seja explicado por sua genética ou se trate de uma adaptação para que a planta possa aproveitar ao máximo a luz do sol em regiões com latitudes mais elevadas.

Eles ressaltam que é preciso investigar mais para se chegar a uma conclusão sobre a causa do fenômeno.

Para os pesquisadores, uma análise profunda do comportamento do pinheiro-de-cook pode ajudar a desvendar os mecanismos com que as plantas respondem aos estímulos do ambiente, sobre os quais ainda se sabe muito pouco.

Getty Images

 

 

 

 

 

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*Fonte: bbc-brasil

Não estamos ficando doentes. Estamos sendo envenenados

Nas últimas semanas, duas grandes organizações médicas emitiram avisos separados sobre substâncias químicas tóxicas nos produtos que nos rodeiam. As substâncias não estão regulamentadas, dizem eles, e estão ligadas ao câncer de mama e próstata, deformidades genitais, obesidade, diabetes e infertilidade.
“A ampla exposição a produtos químicos tóxicos ambientais ameaçam a reprodução humana saudável”, diz a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, advertiu em um comunicado no mês passado. Os avisos são um lembrete de que a indústria química herdou o manto da indústria do tabaco, minimizando a ciência e a resistência à regulação de maneira que causam danos devastadores para os cidadãos inocentes.

Na década de 1950, os pesquisadores achavam que os cigarros causavam câncer, mas o sistema político demorava a dar uma resposta. Agora, o mesmo está acontecendo com produtos químicos tóxicos. O foco da federação ginecológica é sobre os produtos químicos que imitam os hormônios sexuais e muitas vezes confundem o corpo. Desreguladores endócrinos são encontrados em pesticidas, plásticos, cosméticos, xampus e recibos dos registo de dinheiro, alimentos e inúmeros outros produtos.

“A EXPOSIÇÃO A PRODUTOS QUÍMICOS TÓXICOS DURANTE A GRAVIDEZ E LACTAÇÃO É ONIPRESENTE”, disse a organização, acrescentando que as mulheres
grávidas quase em todos nos Estados Unidos tem pelo menos 43 contaminantes químicos diferentes em seu corpo. Um relatório do Instituto Nacional do Câncer constata que “UMA QUANTIDADE PREOCUPANTE DE BEBÊS NASCEM PRÉ-POLUÍDOS”.

Este aviso foi escrito por especialistas do Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, a Organização Mundial de Saúde, o Royal College de Obstetras e Ginecologistas da Grã-Bretanha e outros grupos similares. Estes profissionais médicos estão na linha de frente. Eles são aqueles que tratam as mulheres com cancro da mama. Ambas são condições associadas à exposição precoce aos desreguladores endócrinos. Casos crescentes de hipospadia, um defeito de nascença em que as crianças nascem com uma abertura uretral no lado do pênis.

A outra grande organização emitiu recentemente um aviso, a Endocrine Society, a associação internacional de médicos e cientistas que trabalham com o sistema hormonal. “Novas evidências ligam distúrbios endócrinos a exposição de químicos, e estão entre as maiores ameaças à saúde pública enfrentados pela sociedade – DIABETES E OBESIDADE”, disse ele a Endocrine Society ao anunciar um relatório de 150 páginas.

Ele acrescentou que há “evidência crescente” que os produtos tóxicos geram a infertilidade, câncer de próstata, testicular, da mama, uterino, do ovário e problemas neurológicos. Às vezes, esses problemas surgem aparentemente em adultos por causa de exposições décadas anteriores em fases fetais.

“A AMEAÇA É PARTICULARMENTE GRANDE QUANDO EXPOSTOS NASCITUROS”, disse o Endocrine Society. Tracey J. Woodruff, da Universidade da Califórnia, San Francisco diz: “Um mito sobre produtos químicos é que o governo dos EUA garante que eles são seguros antes de entrar no mercado.” Na verdade, a maioria são considerados seguros, a menos que se prove o contrário.

Dos 80.000 ou mais produtos químicos em produção hoje no comércio mundial, apenas uma pequena parte foi analisado de forma rigorosa para a segurança. Mesmo quando uma substância foi removida por razões de saúde, o produto de substituição pode ser tão ruim quanto antes. “É frustrante ver a mesma história uma e outra vez”, disse o professor Woodruff. “Os estudos em animais, in vitro e estudos em humanos testes iniciais mostram que os produtos químicos causam efeitos adversos A indústria química diz.” Esses estudos não são bons, e pedem para ser exibido com a evidência humana. A evidência humana leva anos e exige que as pessoas fiquem doentes. “Nós não devemos ter que usar o público como cobaias”.

Europa está se movendo para testar produtos químicos antes de entrar no mercado, mas nos Estados Unidos é muito lento por causa do poder do lobby químico. A legislação de segurança química depende do Senado que exigiria a EPA para iniciar uma avaliação da segurança de produtos químicos apenas 25 nos primeiros cinco anos – e legislação da Câmara não é muito melhor. “Há quase infinita o paralelismo com a indústria do cigarro”, diz Andrea Gore, professor de farmacologia na Universidade do Texas em Austin e editor da revista Endocrinology.

Por agora, os especialistas dizem que a melhor abordagem é que as pessoas tentam se proteger. Especialmente as mulheres que estão grávidas ou podem se tornar grávidas e para as crianças jovens, tentem comer alimentos orgânicos, reduzir o uso de plásticos, recibos de caixa registadora toque tão pouco quanto possível, tentar evitar retardadores de chama sofás e ver as guias para consumidor http://www.ewg.org.

O Lobby químico lançou o equivalente a U$D 121.000 para cada membro do Congresso no ano passado, por isso esperam que as empresas químicas ganhem muito dinheiro, enquanto que mais meninos nascem com hipospádia e mais mulheres morrem desnecessariamente de câncer de mama.

 

 

 

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*Fonte: vivagreen

5 produtos do cotidiano que são uma ameaça ao meio ambiente – e alguns, à sua saúde

Palau se tornou o primeiro país a proibir o uso de protetores solares para proteger seus vulneráveis ​​recifes de coral.

Para muitos consumidores, os efeitos nocivos do produto talvez sejam uma novidade.

Mas pesquisadores acreditam que os 10 ingredientes químicos encontrados na composição dele são altamente tóxicos para a vida marinha e podem tornar os corais mais suscetíveis à descoloração.

O protetor solar, porém, está longe de ser o único produto do cotidiano com impactos negativos sobre o meio ambiente.

A seguir, confira outros cinco, que poderão lhe surpreender. Alguns deles, com riscos inclusive à saúde:

As pílulas anticoncepcionais

Um estudo realizado em 2016 na Suécia encontrou evidências de uma desvantagem incomum nas pílulas anticoncepcionais.

Lina Nikoleris, autora do estudo, descobriu que o hormônio etinilestadiol (EE2), uma versão sintética do estrogênio encontrado em algumas pílulas, estava mudando o comportamento e a genética de alguns peixes.

Quando liberado na água como um resíduo, o EE2 demonstrou ser a causa de mudanças no equilíbrio genético de peixes como o salmão e a truta, que têm mais receptores de estrogênio que os humanos.

O estudo também identificou que esse hormônio torna mais difícil para os peixes capturar alimentos.

“Estudos anteriores mostraram que os peixes também desenvolvem problemas para procriar”, disse Nikoleris.

“Isso pode levar à extinção de toda uma população de peixes, assim como a outras consequências para ecossistemas inteiros.”

Abacates

Também há más notícias para os amantes do abacate. Este alimento também é prejudicial ao meio ambiente.

A organização holandesa Water Footprint Network, que faz campanha pelo uso mais eficiente da água, calculou que, para cultivar um único abacate, são necessários cerca de 272 litros de água.

Os efeitos disso são devastadores para as regiões onde a fruta é cultivada.

Em 2011, uma investigação conduzida pelas autoridades de água no Chile encontrou pelo menos 65 plantações de abacate que desviam ilegalmente rios e outras fontes de água para irrigação.

Há quem culpe esses esses agricultores por uma forte seca que atingiu a região e forçou moradores a escolherem entre usar a água para beber ou tomar banho.

Abacaxis

Outro alimento popular também engrossa a lista dos que impactam o meio ambiente: o abacaxi.

A chamada “rainha das frutas” é cultivada a um ritmo que em algumas partes do mundo está afetando negativamente o planeta.

Na Costa Rica, um dos maiores produtores mundiais de abacaxis, milhares de hectares de florestas foram desmatados para dar lugar a essas frutas.

A Federação de Conservação da Costa Rica diz que florestas inteiras desapareceram da noite para o dia, causando danos irreversíveis.

Os abacaxis são produzidos em grandes monoculturas – a produção intensiva de um único cultivo – e exigem uma grande quantidade de pesticidas, que também podem ser prejudiciais ao meio ambiente.

Xampus

O óleo de palma é um dos óleos vegetais mais eficientes e versáteis do planeta, mas seu uso generalizado levou a um desmatamento expressivo.

Em um relatório de 2018, o grupo de conservação WWF alertou que a transformação de florestas tropicais e turfeiras em plantações de óleo de palma liberou “enormes quantidades de dióxido de carbono, alimentando mudanças climáticas e destruindo o habitat de espécies como os orangotangos”.

Enquanto muitos estão cientes da presença de óleo de palma em produtos comestíveis, como chocolate, margarina, sorvete, pão e biscoitos, menos gente conhece o seu papel em diversos produtos para o lar.

No xampu, por exemplo, o óleo de palma é usado como uma forma de condicionador.

O mesmo óleo é encontrado em produtos como batons, detergentes para a roupa, sabonetes e pastas de dente.

Aromatizantes

Não é apenas com a poluição do ar que as pessoas devem tomar cuidado.

A má qualidade do ar dentro de casa, causada por produtos domésticos do dia-a-dia, como os aromatizantes, é tão ou mais preocupante.

Os aromatizantes muitas vezes contêm uma substância química chamada limoneno, comumente usada para dar um perfume cítrico ao ambiente, e também é usado em alimentos.

Não é o fato de conter um produto químico, por si só, que faz dele um grande perigo para a saúde.

Mas uma vez liberado no ar ele pode se tornar um problema.

Um experimento realizado pela BBC identificou que quando o limoneno reage com o ozônio presente no ar, produz formaldeído – um dos produtos químicos de uso atual mais comuns e cercados de riscos.

De acordo com informações publicadas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a exposição a altas concentrações desse produto pode causar falta de ar, salivação excessiva, espasmos musculares, coma e eventualmente a morte.

O formaldeído também é considerado cancerígeno para humanos.

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*Fonte: bbc-brasil

Tecnologia permite destruir Amazônia mais rápido do que fizemos com a Mata Atlântica

Em 2005, então recém-formado na faculdade de Biologia da USP, o botânico Ricardo Cardim teve a ideia de percorrer áreas desflorestadas da Mata Atlântica atrás de árvores gigantes que haviam sobrevivido isoladas no meio de plantações e pastagens.

A pesquisa ganhou corpo ao longo dos últimos 13 anos e se transformou numa das maiores investigações sobre a história da destruição de uma das regiões mais biodiversas do planeta.

Em “Remanescentes da Mata Atlântica: As Grandes Árvores da Floresta Original e Seus Vestígios” (ed. Olhares), livro lançado em novembro, Cardim documenta a vertiginosa expansão econômica sobre o bioma, que, em pouco mais de um século, o fez perder 90% de sua vegetação original e dividiu as áreas sobreviventes em 245 mil fragmentos.

Ao lado do fotógrafo Cássio Vasconcellos e do botânico Luciano Zandoná, Cardim também elaborou um inventário de tesouros que resistiram às derrubadas – entre os quais exemplares centenários de figueiras, perobas e paus-brasil, retratados em expedições por seis Estados das regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

A árvore mais alta identificada, numa antiga fazenda de cacau em Camacã (BA), foi um jequitibá com 58 metros de altura e tronco com 13,6 metros de circunferência – dimensões extraordinárias, mas aquém das árvores gigantes do bioma no passado, como um jequitibá na região de Campinas (SP) cujo caule alcançava 19,5 metros de circunferência no início do século 20.

Em entrevista à BBC News Brasil, Cardim diz que as condições que permitiram o desenvolvimento das árvores gigantes da Mata Atlântica não existem mais. Compartimentadas e cercadas por lavouras, muitas áreas de floresta sobreviventes se despovoaram de animais – essenciais para a renovação das plantas – e sofrem com a invasão de espécies exóticas e alterações climáticas.

Ele diz acreditar, porém, que as próximas gerações conseguirão reconectar os fragmentos da floresta e trazer os bichos de volta, garantindo a sobrevivência do bioma, ainda que sem a mesma riqueza original.

Cardim não nutre o mesmo otimismo em relação à Amazônia – que, segundo ele, vive hoje, passo a passo, o mesmo roteiro da destruição da Mata Atlântica. Segundo o botânico, enquanto o desflorestamento da Mata Atlântica parece ter sido contido, a Amazônia sofre com a ação “de um arco de aventureiros que são incontroláveis” e fragmentarão o bioma antes que a sociedade se conscientize sobre sua importância. “Hoje a tecnologia permite que a gente faça a destruição da Amazônia com a mesma velocidade, ou até mais rápido, do que fizemos na Mata Atlântica. Com nossas estradas, caminhões, motosseras, o ganho de escala é absurdo”.

Confira os principais trechos da entrevista.

BBC News Brasil – O livro mostra que, ao contrário do que muitos pensam, a destruição da Mata Atlântica foi um processo bem recente. Como o bioma foi aniquilado tão rapidamente?

Ricardo Cardim – Até 1890, o que estava mexido no Brasil era um pedacinho de Pernambuco, por causa do ciclo do açúcar no século 17, e do Rio de Janeiro, por causa das fazendas de café. O resto era mata fechada, com índios dentro.

Parece incrível, mas a destruição da Mata Atlântica se deu mesmo no século 20. A grande cobiça era pelos húmus que fertilizaram o solo da Mata Atlântica ao longo de milênios. A madeira era muito mais um empecilho do que um benefício. Só no final do processo, quando já tínhamos muito caminhão e transporte facilitado pelas ferrovias, que a madeira começou a ser aproveitada. Mesmo assim, o índice de aproveitamento da madeira foi de cerca de 3% de tudo o que foi derrubado.

A ordem era “limpa logo para a gente começar a colher o ouro verde”, que era o café. Fizemos como aquele cara que herda uma fortuna e na mesma noite vai gastar tudo em farra, e acorda pobre. Demoramos milhares de anos para formar aquele solo, criar aquelas condições perfeitas, e em cinco ou dez anos, aquilo não existia mais. Os solos que a gente cultiva hoje só são cultiváveis por causa da tecnologia, porque já foram exauridos.

BBC News Brasil – Você destaca no livro a destruição das matas de araucárias, na porção sul da Mata Atlântica. O que houve de peculiar nesse processo?

Cardim – A velocidade com que ocorreu. Essa é uma floresta que passa do século 19 ao 20 praticamente intacta. Brincava-se que era possível atravessar os Estados do Paraná e de Santa Catarina nos galhos das araucárias, de tão grudadinhas que elas estavam.

Até a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o Brasil importava madeira – o que era surreal para um país que estava destruindo florestas adoidado para plantar café. Mas, quando a Primeira Guerra impede esse comércio, o mercado começa a lembrar a araucária – um pinheiro maravilhoso, muito fácil de cortar. Começa um saque da floresta voltado para a madeira como se nunca viu.

A araucária vira uma grande divisa. Todo mundo que quer ficar rico vai para a floresta de araucária montar sua serrraria. Isso chega no auge nos anos 1950 e 1960. Cortavam tanta madeira que boa parte dela apodrecia antes de ser escoada para o mercado. Nos anos 1970, a floresta acabou. Houve uma quebradeira geral nas serrarias. Famílias que eram riquíssimas ficaram pobres.

A araucária simplesmente acabou. O que temos hoje são araucárias rebrotando, pequenas. O que sobrou hoje é uma sombra.

BBC News Brasil – O quão virgem era a Mata Atlântica antes de 1500?

Cardim – (O antropólogo) Darcy Ribeiro falava que havia entre 4 e 6 milhões de índios vivendo aqui no território. Acho possível, mas não acho que o impacto deles na floresta foi tão grande quanto o historiador americano Warren Dean falou em “A ferro e fogo: a história da devastação da Mata Atlântica brasileira” (1996). Ele diz que não existia floresta intocada, porque os índios já tinham cortado aquilo pelo menos uma vez em um milênio.

Eu acredito que os índios tinham capacidade de alterar o meio, mas com ferramentas muito primitivas – machados de pedra, fogo -, e também tinham populações muito pulverizadas. As coivaras que eles faziam para queimar e plantar roças não eram suficientes para gerar uma extensa derrubada. Acho que os índios deixavam as árvores grandes no meio da coivara e plantavam embaixo delas. E não acho que tenham conseguido trabalhar todo o território a ponto de alterá-lo.

BBC News Brasil – Qual o cenário hoje para as árvores gigantes remanescentes da Mata Atlântica?

Cardim – É terrivelmente ameaçado. A Mata Atlântica virou uma colcha de retalhos. Sobrou um décimo do que ela era, e ainda por cima esse décimo é formado por vegetação secundária – por florestas que já foram queimadas, exploradas, derrubadas – e dividido em 245 mil fragmentos de diferentes tamanhos. As árvores gigantes que sobraram nesses pedacinhos, especialmente nos menores, estão superameaçadas.

O clima local altera quando se derrubam florestas – basta lembrar que São Paulo era a terra da garoa, e hoje não temos mais garoa porque sumiu o verde dentro e no entorno da cidade. Os ventos, alterações ecológicas como a infestação de cipós, uma série de desequilíbrios ecológicos causados pela invasão do homem na floresta estão colocando em risco as poucas árvores gigantes que sobreviveram no bioma – tanto dentro da floresta quanto aquelas que estão isoladas em pastos, plantações, meios urbanos.

Nossa geração talvez seja uma das últimas a conseguir enxergar essas árvores gigantes, porque elas estão desaparecendo. E acho difícil que novas árvores desse porte surjam se a gente não reconectar os fragmentos de floresta.

BBC News Brasil – É viável reconectar esses fragmentos, considerando as forças econômicas e políticas atuais? As paisagens na região parecem estar muito consolidadas.

Cardim – Nasci em 1978 e cresci numa casa que tinha telefone de disco, uma TV com bombril espetado em cima e meu pai assinando jornal. O mundo mudou muito, e não só em tecnologia, em visão do planeta, sociedade. As crianças estão vindo com outro olhar sobre a natureza. Tenho muita fé de que elas vão causar uma revolução, e a tecnologia vai resolver muitos problemas, produzindo muito alimento sem precisar de grandes territórios. Vai chegar o momento em que vamos conseguir ter a harmonia entre o conforto moderno e o modo de produção econômico, e conseguiremos restabelecer parte do território natural.

Em 2100, teremos a Mata Atlântica reconectada, sobrevivendo, em harmonia com as cidades e as atividades agrícolas. Sou otimista.

BBC News Brasil – A Mata Atlântica será capaz de se regenerar sozinha?

Cardim – Se o ser humano desaparecesse da Terra neste instante, a Mata Atlântica iria recompor todo seu espaço. O que a atrapalharia são as plantas invasoras. Trouxemos muitas plantas estrangeiras. Quando você traz algo de fora, isso pode prejudicar enormemente quem já estava aqui antes. Vemos isso no parque Trianon (em São Paulo) e na Floresta da Tijuca (no Rio de Janeiro).

A floresta abandonada, sem ser manejada, iria virar um híbrido de Mata Atlântica com Pinus elliotti (pinheiro nativo da América do Norte), com palmeira seafortia (espécie australiana), com jaqueiras (oriundas da Ásia), e isso poderia comprometer grande parte da bidiversidade até chegar num ponto de equilibrio. Teríamos uma floresta mais pobre do que aquela que os portugueses encontraram em 1500.
Direito de imagem Ricardo Cardim
Image caption Balsas usadas para escoar madeira no rio Uruguai, na região Sul; mesma técnica é usada atualmente para transportar madeira pelos rios amazônicos.

BBC News Brasil – O geógrafo Altair Sales costuma dizer que os trechos remanescentes de Cerrado são como fotografias do passado, porque muitas das interações entre insetos, plantas e animais que permitiram o desenvolvimento daquelas paisagens deixaram de existir à medida que o bioma foi sendo degradado – e que no futuro aquelas paisagens desaparecerão. Isso se aplica à Mata Atlântica?

Cardim – Sim. Temos hoje na Mata Atlântica florestas que são relíquias, restos de uma era quando tínhamos macacos muriquis andando de galho em galho do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, quando tínhamos antas, varas de queixadas e catetus, onças em todos os lugares.

Os bichos são fundamentais para plantar e polinizar a floresta. Nos anos 1930, o homem chegou à mata metralhando os bichos, caçava tudo o que via por ali. A vegetação tropical é intimamente ligada a seus bichos, uma evoluiu com o outro, com complexas interações que a gente nem imagina ainda.

Na Mata Atlântica, temos hoje a figura da floresta vazia, da floresta zumbi, como a do Parque Trianon, que não tem como se renovar. Para que a semente de um jatobá germine, ela tem de ter a dormência quebrada pelo intestino da anta. Sem anta, isso não acontece mais, a semente cai no chão e não germina. Os mecanismos estão profundamente comprometidos tanto no Cerrado quanto na Mata Atlântica.

Por isso, quando formos investir para reconectar os fragmentos, precisamos procriar os bichos para que eles possam voltar a transitar e reabilitar a floresta.

BBC News Brasil – Em vez de homogênea, a Mata Atlântica é descrita no livro como um bioma com múltiplas faces. O quão diversa é a formação?

Cardim – As pessoas tendem a pensar que a Mata Atlântica é aquele tapetão de floresta, como na Serra do Mar. Pensam que só ocorre no litoral, sem saber que ela vai até o Paraguai. Ela era realmente extensa. Outra coisa interessante é a diversidade de paisagens.

Na Mata Atlântica, podemos encontrar desde a restinga arenosa, um areial com ilhas de bromélias, cactos, pequenos arbustos, pitangueiras, verdadeiros jardins prontos – não é à toa que Burle Marx se inspirava nessas paisagens -, a campos de altitude, como em Itatiaia, ou na Serra dos Órgãos, que são campos com plantinhas no topo, até florestas monstruosas como as que existiram no norte do Paraná e no sul da Bahia.

Ela tem maior biodiverisade, comparativamente, do que a Amazônia, porque ela concentra diversas paisagens e espécies num território relativamente pequeno, graças à proximidade do oceano em alguns pontos e do relevo, que é bastante movimentado e cria diferentes condições para a vegetação.

BBC News Brasil – Já tivemos perdas irreparáveis de espécies de árvores gigantes na Mata Atlântica?

Cardim – Suspeito que sim. Por exemplo, a peroba-rosa encobria centenas de quilômetros de florestas. Ela foi tão cortada, sobrou tão pouco, que nos faz questionar o quanto sofreu de ersoão genética a ponto de se tornar viável. Uma doença talvez seja capaz de matar todas as restantes. São os últimos moicanos. Tenho a sensação de que muitas árvores da Mata Atlântica são os últimos moicanos.

Nas expedições que fiz durante a produção do livro, tinha o objetivo de ver a floresta original, mas acho que não consegui. A grande verdade é essa. Eu vi florestas que podem ter sido próximas daquilo, mas fiquei com a sensação de que não existe mais a floresta original, que meu tataravô possa ter visto quando estavam abrindo as fazendas.
Direito de imagem Remanescentes da Mata Atlântica
Image caption Caçada de onças pintadas em Santa Catarina, no começo do século 20; quando despovoada de animais, Mata Atlântica se torna incapaz de renovar a vegetação original.

BBC News Brasil – Quando se critica o desmatamento no Brasil, alguns representantes do agronegócio costumam citar a destruição das florestas na Europa e reivindicar o direito de fazer o mesmo por aqui. Como seria nossa sociedade se a Mata Atlântica não tivesse sido destruída?

Cardim – Esse argumento é tão hediondo como falar que, já que houve o Holocausto na Alemanha, podemos fazer um aqui também. A Europa hoje está preocupadíssima em restabelecer suas florestas e nunca mais vai restabelecer do jeito que era, porque as matas lá vêm sendo derrubadas desde a época romana.

Se tivéssemos encontrado outros meios de produzir riqueza, através da educação, da tecnologia, teríamos agora um patrimônio maravilhoso. Não sou contra a exploração de madeira. Sem a madeira, não teríamos orquestras, por exemplo. Eu adoro móveis de madeira nobre. Mas, se tivéssemos explorado de forma sustentável, poderíamos ter móveis de jacarandá pelo resto da vida.

Teríamos um potencial gastronômico inacreditavelmente grande, como alguns já começaram a perceber, como (o chef) Alex Atala. Teríamos muito potencial no ramo da biotecnologia, de medicamentos. E também de turismo, pois é impossível ficar indiferente diante dessas árvores gigantes. É como alguém diante da pirâmide de Queóps.

BBC News Brasil – O processo de destruição da Mata Atlântica é comparável ao que hoje enfrenta a Amazônia?

Cardim – A grande sacada desse livro é mostrar que fizemos uma coisa na Mata Atlântica nos últimos 100 ou 150 anos que é exatamente igual ao que estamos fazendo hoje na Amazônia. O que muda é a proporção, por causa da extensão da Amazônia e a tecnologia. Hoje a tecnologia permite que a gente faça a destruição da Amazônia com a mesma velocidade, ou até mais rápido, do que fizemos na Mata Atlântica. Com nossas estradas, caminhões, motosseras, o ganho de escala é absurdo.

BBC News Brasil – Quais foram as etapas da destruição da Mata Atlântica que agora se repetem na Amazônia?

Cardim – Primeiro, criar uma motivação econômica para um acesso à floresta. Na época (dos presidentes) Costa e Silva e Médici, nos anos 1970, começa a surgir a ideia da terra sem homens da Amazônia para o homem sem terras do Nordeste. Esse caminho para o interior da Amazônia, que começa com a rodovia Transamazônica, tem como paralelo a entrada das ferrovias no seio da Mata Atlântica por causa do café. A ferrovia entrava e rasgava a Mata Atlântica – vem o eixo de penetração, saem estradas vicinais para saquear a floresta e aproveitar a terra.

É o que está ocorrendo hoje na Amazônia: primeiro vem o cara saquear madeira, depois se faz a queimada para aproveitar o solo, o fogo fertiliza aquela terra e planta-se capim para que o gado pisoteie os entulhos da floresta. Com dois ou três anos, aquela floresta desaparece e vira carbono, e aí entra a soja. No nosso caso, era o café que entrava. Temos registros em Campinas (SP), em 1840, da presença do gado entre ruínas de árvores colossais da Mata Atlântica. Era um modo de domar a terra para o café.

BBC News Brasil – Seremos capazes de frear o desmatamento na Amazônia?

Cardim – Sou otimista quanto à Mata Atlântica, mas não quanto à Amazônia. Acho que não vai dar tempo. A Amazônia vai ser fragmentada antes que as gerações futuras consigam entender a importância dela.

Existe lá um arco de aventureiros -políticos, grileiros – que são incontroláveis. Eles vão fragmentar a floresta antes que a gente consiga mudar a sociedade.

BBC News Brasil – As tecnologias e a legislação para evitar o desmatamento também não avançaram?

Cardim – Com certeza, mas ainda acho que são fracas perante o que está acontecendo lá. O que houve em Rondônia é emblemático. A floresta do Estado sumiu em dez anos. E hoje a última fronteira é o Estado do Amazonas, porque o Pará já foi muito detonado.

Estão derrubando por mais que coloquemos multas. Tem muita gente lá que não tem nada a perder e vai fazer isso acontecer. Talvez, daqui a 40 anos, alguém faça um livro como este que eu fiz contando como a Amazônia foi destruída.

*Por João Fellet

 

 

 

 

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*Fonte: bbc-brasil