Amigo ou comida? Estudo busca compreender como os humanos enxergam outros animais

Como nós, os humanos, enxergamos os outros animais com os quais dividimos o planeta – e com os quais criamos amizades ou dos quais nos alimentamos? Quais animais vemos como amigos, e quais entendemos que vale a pena defender? Foram essas questões que um estudo recente buscou responder, para principalmente compreender a diferença do olhar sobre outros animais a partir de grupos humanos diversos –vegetarianos e ativistas pelos direitos dos animais e pessoas que não se enquadram nessas categorias.

Realizado em Cingapura e publicado na revista CABI Human-Animal Interactions, o estudo trabalhou com a classificação de 16 animais, como tubarão, jacaré, porco, cachorro, polvo, coelho, vaca e orangotango, utilizando o Modelo de Conteúdo Estereotipado (SCM) para uma bateria de entrevistas e questionários.

Curiosamente, apesar das aguardadas diferenças entre os vegetarianos e/ou ativistas – referidos na pesquisa como “absolutistas” – e quem não se enxerga em tal grupo – intitulados “neutros” no estudo –, o resultado mostrou que os dois grupos são muito mais próximos do que eles próprios pensam.

O que mais chamou a atenção dos pesquisadores, segundo comunicado, foi o fato de “absolutistas” e “neutros” enquadrarem de modo geral os animais não humanos nos mesmos estereótipos, divididos entre classificações de “Calor” e “Competência”, nas categorias “Piedade”, “Desprezo”, “Inveja” e “Admiração” – a curiosa exceção foi a galinha, único animal classificado de forma diferente pelos grupos. Os animais, no entanto, não caíram, de acordo com o resultado da pesquisa, em quadrantes claros e, por isso, é necessário um estudo maior com mais espécies envolvidas no futuro.

A galinha foi o único animal visto de forma diferentes pelos dois grupos de pessoas da pesquisa

“Nós obviamente ‘amamos’ o cão ou o orangotango, que são altamente calorosos e competentes e ‘temos pena’ dos animais ruminantes agradáveis, mas indefesos, que usamos como fonte de alimento, como a vaca ou o cordeiro”, diz o artigo que apresenta a pesquisa. “As descobertas atuais sugerem que sentimentos humanos gerais sobre animais não humanos podem ser originados de atalhos mentais de julgamentos e permutações de valores sociais adaptativos”, afirmou Paul Patinadan, principal autor do estudo.

O orangotango foi posicionado junto do cachorro, como um animal amado e amigo na visão dos humanos

“As ideologias éticas das pessoas sobre animais não humanos não parecem afetar as permutações sociais que concedem às diferentes espécies”, diz Patinadan. “Entender o lugar de nossos próprios julgamentos morais entre os animais não humanos pode ajudar a finalmente definir a natureza nebulosa da interação humana com os seres que compartilham nosso mundo conosco”, conclui o comunicado.

*Por Vitor Paiva
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*Fonte: hypeness

Os oceanos produzem oxigênio, você sabe como?

Os oceanos produzem oxigênio, você sabe como?
Desde que as florestas tropicais ganharam a mídia pelos maus tratos impostos pela desnorteada política ambiental atual é comum ver ou ouvir na mídia que elas seriam os ‘pulmões do planeta’. As florestas tropicais são importantes para o clima no mundo, não resta dúvida. Mas não são os ‘pulmões da Terra’. A maior parte do oxigênio que respiramos vem dos oceanos. E os mais importantes produtores são alguns dos menores organismos da Terra. Os oceanos produzem oxigênio, você sabe como?

Os oceanos produzem oxigênio, você sabe como?
Matéria do Woods Hole Oceanographic Institution é quem explica: ‘O ar que respiramos é 78% nitrogênio e 21% oxigênio. O resto é composto de gases muito menos comuns, incluindo dióxido de carbono. Mas nem sempre foi assim’.

‘Até 600 milhões de anos atrás, a atmosfera da Terra tinha menos de 5% de oxigênio. Era principalmente uma mistura de nitrogênio e dióxido de carbono. As plantas terrestres não existiam até 470 milhões de anos atrás. As árvores não foram responsáveis ​​pelo aumento do oxigênio no planeta. Então, de onde isso veio?’

Os Oceanos
Plantas, algas e cianobactérias criam oxigênio. Elas fazem isso por meio da fotossíntese. Usando a energia da luz solar elas transformam dióxido de carbono e água em açúcar e oxigênio. E usam os açúcares para se alimentar. Algum oxigênio é liberado na atmosfera.

Mas o oxigênio também se esgota. A maioria das células vivas o usa para produzir energia em um processo chamado respiração celular.

Quando os organismos morrem, eles se decompõem. A decomposição também usa oxigênio. A maior parte do oxigênio produzido é consumido por esses dois processos.

Ao longo de milhões de anos, minúsculas algas unicelulares e cianobactérias bombearam oxigênio. Muito disso foi usado na respiração ou decomposição.

Mas alguns desses organismos mortos não se decompuseram. Eles afundaram profundamente no oceano e se estabeleceram no fundo. Isso deixou um pouquinho de oxigênio para trás. Em vez de se esgotar, ficou no ar.

Foi desse modo que os oceanos lentamente acumularam oxigênio em nossa atmosfera. Ao mesmo tempo, diminuíram a quantidade de dióxido de carbono (a fotossíntese usa dióxido de carbono).

Hoje o processo continua
Agora sabemos que mais da metade do oxigênio do planeta vem do oceano, diz o texto do Woods Hole. Não todo o oceano – apenas os primeiros 200 metros de profundidade mais ou menos.

Isso é o máximo que a luz solar pode viajar através da água para alimentar a fotossíntese. Nesta zona fótica, encontramos todos os tipos de organismos fotossintéticos.

Para o site da NOAA ‘os cientistas estimam que 50-80% da produção de oxigênio na Terra vêm do oceano. A maior parte dessa produção é de plâncton – plantas à deriva, algas e algumas bactérias que podem fotossintetizar’.

Algumas algas, como os kelps, também chamadas florestas de algas, ou macroalgas, crescem em enormes filamentos semelhantes a plantas terrestres.

Na Califórnia estas florestas de algas estão morrendo devido ao aquecimento do planeta, em compensação, uma startup do Maine se projetou ao cultivar as florestas de algas para mitigar o aquecimento.

Para o site do Woods Hole, ‘A maioria das algas existem como células únicas que constituem o que chamamos de fitoplâncton. Diatomáceas são algas unicelulares importantes. Os cientistas estimam que o oxigênio, em uma de cada cinco respirações que fazemos, vem das diatomáceas’.

O texto acrescenta que ‘um organismo ainda menor desempenha um papel igualmente grande. As bactérias Prochlorococcus são tão pequenas que cerca de 20.000 delas cabem em uma única gota de água do mar. Elas vivem em uma ampla faixa dos oceanos do mundo’.

Bactéria produz porcentagem mais alta de oxigênio que todas as florestas tropicais combinadas
‘Cientistas calculam que ao todo existam algo em torno de 3 bilhões de bilhões de bilhões de células de Prochlorococcus. Juntas, produzem de 5 a 10 por cento do oxigênio que respiramos’, diz o Woods Hole.

Enquanto isso, o site da NOAA vai além sobre a bactéria Prochlorococcus: ‘Mas essa pequena bactéria produz até 20% do oxigênio em toda a nossa biosfera. Essa é uma porcentagem mais alta do que todas as florestas tropicais em terra combinadas’.

Já sobre a diferença entre as cifras dos dois sites, a NOAA explica: ‘Calcular a porcentagem exata de oxigênio produzido no oceano é difícil porque as quantidades mudam constantemente. Os cientistas podem usar imagens de satélite para rastrear o plâncton fotossintetizante e estimar a quantidade de fotossíntese que ocorre no oceano, mas as imagens de satélite não podem contar toda a história’.

Curiosamente, a matéria do Woods Hole Oceanographic Institution não comenta a importância de outra planta marinha fundamental na produção de oxigênio, os manguezais do planeta.

Assista ao vídeo The Ocean is Earth’s Oxygen Bank e saiba mais

*por Joao Lara Mesquita
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Fonte: marsemfim

2022 foi o quinto ano mais quente da história

Novos dados revelam mais um ano de extremos climáticos com recordes de alta temperatura, secas e inundações

O ano de 2022 foi o quinto ano mais quente já registrado no mundo, segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, programa de observação da Terra da União Europeia. Um resumo dos dados aponta que vários recordes de alta temperatura foram quebrados na Europa e em todo o mundo, enquanto outros eventos extremos, como secas e inundações, afetaram grandes regiões.

Divulgado na última segunda-feira (9), o relatório da Copernicus afirma que os últimos oito anos foram os mais quentes. Em 2022, em específico, as temperaturas no mundo ficaram 1,2ºC acima dos níveis pré-industriais (1850-1900).

As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono também aumentaram cerca de 2,1 ppm, semelhante às taxas dos últimos anos. Já as concentrações de metano na atmosfera aumentaram cerca de 12 ppb, acima da média, mas abaixo dos recordes dos últimos dois anos.

Situação global
Os dados reunidos pela Copernicus evidencia que as mudanças climáticas podem ser sentidas em nível global. A Europa, por exemplo, viveu seu verão mais quente, além do continente ter sido afetado por várias ondas de calor intensas e prolongadas, sobretudo, na parte oeste e norte. Também baixos níveis persistentes de chuva, em combinação com altas temperaturas e outros fatores levaram a condições de seca generalizada. Paralelamente, aumentaram as emissões poluentes relacionadas a incêndios. França, Espanha, Alemanha e Eslovênia tiveram as maiores emissões de incêndios florestais no verão nos últimos 20 anos.

O relatório também destaca as grandes inundações enfrentadas pelo Paquistão em agosto, em consequência de chuvas extremas. O país também foi afetado por ondas de calor prolongadas, assim como o norte da Índia na primavera.

A Antártida viu condições de gelo marinho excepcionalmente baixas ao longo do ano. Em março, a Antártida experimentou um período de calor intenso com temperaturas bem acima da média. Na estação Vostok, no interior da Antártica Oriental, por exemplo, a temperatura registrada chegou a -17,7°C, a mais quente já registrada em seus 65 anos de registro.

Rio secou
Uma seca recorde fez com que partes do rio Yangtze – o mais importante da China – secassem. Tal situação afetou a energia hidrelétrica, rotas de navegação, limitou o abastecimento de água potável e fez ressurgir estátuas budistas anteriormente submersas. As chuvas no verão chinês foram 45% abaixo do normal.

Os principais destaques do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus sobre 2022 podem ser lidos detalhadamente (em inglês) aqui.

*por Marcia Sousa

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*Fonte: ciclovivo

Comemore! As baleias jubarte já não são mais consideradas em extinção

Apopulação de baleias jubarte do Atlântico Sul não estão mais na lista de risco de extinção e dão reviravolta nas pesquisas ao aumentar em escala o número de sua população.

Consideradas até então com risco de extinção, as baleias saltaram de 450 para 25 mil membros, mostrando assim que a espécie já não é mais considerada ameaçada.

É um motivo para comemorar, pois, diante de tantas tragédias ambientais, tantos crimes ecológicos e tantas espécies sofrendo ameaças, ter as baleias jubarte longe dessa lista é uma vitória.

As baleias jubarte podem chegar a medir 19 metros, classificadas como um cetáceo, da ordem Cetartiodactyla e da família Balaenopteridae.

O gênero mais característico dessas baleias é o Megaptera, com a espécie Megaptera novaeanglieae como a mais comum.

São animais que frequentam o topo de cadeia, que chegam a pesar 30 toneladas e viver por mais de 4 décadas.

Desde o surgimento da indústria baleeira, em 1900, essas baleias corriam risco.

Contudo, em 1960, medidas de proteção a esses animais começaram a ser implantadas e os cientistas passaram a perceber o declínio crítico do número de indivíduos.

Mas foi na década de 80 que a Comissão Internacional da Baleia emitiu uma moratória sobre todas as baleias que se encaixavam na categoria comercial, oferecendo mais segurança para a população em dificuldade.

Recentemente o Japão volto a permitir tais caças às baleias, de modo restrito e consciente, mas qualquer tipo de caça humana é um risco para esses animais, pois sua gestação demora cerca de 11 meses para ser encerrada e os filhotes passam anos para amadurecerem e se tornarem férteis.

Entretanto, o estudo que revelou a saída da lista de extinção das baleias jubarte foi publicado na Escola de Ciências Aquáticas e da Pesca da Universidade de Washington. Segundo o estudo a nova estimativa está mais próxima dos números anteriores à caça às baleias e hoje a população de baleias jubarte cresceu consideravelmente.

Agora são cerca de 25 mil baleias jubarte do Atlântico Sul, livrando a espécie da lista de ameaça a extinção.

*Por Ademilson Ramos
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*Fonte: engenhariae

Agrotóxicos: ‘estamos todos participando de uma experiência química global

“O ser humano é parte da natureza, e sua guerra contra a natureza é inevitavelmente uma guerra contra si mesmo.”

A citação é de Rachel Carson, a bióloga e conservacionista americana que causou comoção em seu país ao publicar seu famoso livro Primavera Silenciosa em 1962. O trabalho começa com um convite: imagine uma cidade em que os pássaros sumiram, vítimas do uso excessivo de compostos químicos como agrotóxicos.

Carson não era contra a aplicação seletiva de agrotóxicos e inseticidas, mas era contra seu uso indiscriminado, comum em uma época marcada por uma fé cega no poder da ciência.

A obra teve tanta repercussão que foi uma das catalisadoras do movimento ambientalista nos EUA. Carson não só escrevia com precisão científica como também comunicava com beleza poética o que chamava de “tecido intrincado da vida”, no qual tudo está interligado e do qual todos fazemos parte.

Sessenta anos depois da publicação de Primavera Silenciosa, quão preocupante é a atual proliferação de compostos químicos? E qual seria a mensagem de um livro como o de Carson hoje?

A BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC) conversou com Joan Grimalt, professor de Química Ambiental do Conselho Superior de Pesquisa Científica da Espanha e integrante do Painel Intergovernamental de Poluição Química (IPCP). O IPCP é um grupo de cientistas que reivindica a criação de um organismo internacional para monitorar agrotóxicos.

BBC: Rachel Carson alertou sobre “a contaminação do ar, da terra e do mar com materiais perigosos e até letais”. Esta mensagem é relevante na atualidade?

Joan Grimalt: Sim, com certeza. É verdade que o uso em alguns lugares não é mais permitido. Mas, em geral, o uso de compostos químicos aumentou e o despejo desses compostos no meio ambiente também aumentou.

Existem atualmente cerca de 350 mil compostos fabricados pela indústria. Na época de Carson, eu diria que esse número não passava de 30 mil.

BBC: Em seu livro, Carson falou especialmente de um composto, o DDT.

Grimalt: O DDT foi importante. Mas o problema é que muitos compostos foram criados. Outro problema é a sua ampla utilização, que é o que gerou mais problemas ainda.

O DDT já era conhecido desde o final do século 19. Mas na década de 1940 havia um médico, Paul Müller, que propôs usar o DDT para eliminar os mosquitos do gênero Anopheles (mosquito-prego) que transmitem a malária.

E isso levou à disseminação do DDT em todo o mundo. Deve-se lembrar que isso rendeu o Prêmio Nobel de Medicina a Paul Müller, porque esse composto eliminou o mosquito Anopheles em praticamente todos os lugares, exceto nas zonas tropicais, e a incidência de malária caiu drasticamente.

E também é preciso dizer que desde 2005 a Organização Mundial da Saúde recomenda o uso do DDT para combater o mosquito Anopheles em lugares onde a malária ainda é endêmica.

Às vezes o que acontece é que uma coisa não é branca nem preta; depende do uso que se dá a ela.

BBC: Quais foram impactos negativos do DDT?

Grimalt: Concretamente, um primeiro efeito foi que nas aves expostas ao DDT, as cascas dos ovos ficaram muito mais finas e, por isso, durante a incubação, muitas ninhadas foram perdidas porque os ovos não aguentavam o peso dos adultos que os chocavam. Isso resultou no desaparecimento de muitos pássaros.

O DDT quase extinguiu a águia-americana, por exemplo, a águia símbolo dos Estados Unidos, e muitas outras espécies.

Além disso, se observou que em humanos o DDT também causava problemas. Há imagens onde você pode ver soldados dos Estados Unidos de cuecas sendo pulverizados com DDT (para matar pulgas e piolhos), porque se acreditava que o DDT não os afetava. Não sabemos como esses soldados estão agora. O DDT é neurotóxico e dentro das células dos organismos, incluindo os humanos, as células que mais se reproduzem são as células nervosas, por isso o dano causado ao sistema neurológico é mais permanente.

BBC: Você poderia nos dar alguns exemplos de compostos que são usados ​​hoje e são especialmente preocupantes para você? Fala-se muito sobre os produtos químicos “forever chemicals” ou compostos “eternos” (fluorosurfactantes).

Grimalt: Ao falar de compostos ou contaminantes químicos, devemos diferenciar aqueles que possuem importantes propriedades de estabilidade química. Estes seriam o que se chama de produtos químicos eternos, que são compostos persistentes.

A persistência existe por causa de dois fatores. Primeiro, porque quimicamente as moléculas são muito estáveis. No meio ambiente não há muitas reações que conseguem degradá-las, e a atividade dos organismos, sejam eles bactérias ou organismos superiores, as degrada muito pouco.

A outra propriedade que esses compostos costumam apresentar é serem hidrofóbicos, o que significa que se dissolvem mais em matéria orgânica do que em água. Por isso eles tendem a se acumular em organismos vivos, o que é chamado de bioacumulação. Toda vez que hum corpo bebe ou come algo que os contém, ele os acumula e não os excreta, porque nosso sistema de excreção mais normal é a urina, e eles não são solúveis na urina.

Além disso, na medida em que vamos subindo na cadeia alimentar, os organismos superiores se acumulam cada vez mais porque comem coisas que também continham esses compostos. Isso é o que é chamado de biomagnificação. Mamíferos marinhos, por exemplo, focas, baleias, acumulam mais [compostos] do que peixes. E os peixes que são predadores de outros peixes acumulam mais do que peixes que comem algas e zooplâncton.

BBC: Você pode nos dar um exemplo desses compostos persistentes?

Grimalt: Isso está no DDT. Todos nós carregamos DDT e seus metabólitos em nosso sangue.

Mas um composto que me preocupa muito é o mercúrio. Alguns tipos de carvão têm um certo nível de mercúrio e quando grandes quantidades desse carvão são queimadas, isso solta o mercúrio na atmosfera. A partir daí, isso passa para a água e também vai se acumulando em organismos.

Outra fonte de mercúrio é o fato de que em reservas tropicais, tanto na América quanto na África, há pessoas que se dedicam a procurar ouro, e são pessoas muito pobres com técnicas muito primitivas. Uma delas é amalgamar ouro com mercúrio.

BBC: Você pode nos lembrar de quão tóxico é o mercúrio?

Grimalt: Ele é neurotóxico nessas concentrações de que estamos falando, porque afeta tudo — o fígado, os rins. Também leva a deformidades nas crianças quando as mães grávidas são expostas.

Infelizmente, na Baía de Minamata, no Japão, isso foi perfeitamente documentado, porque havia uma indústria que despejava derivados de mercúrio no rio, e esses derivados entravam na cadeia alimentar e nos peixes que os habitantes locais comiam, e isso foi um desastre.

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BBC: Quais outras substâncias o preocupam? Muito se fala sobre os microplásticos, que em estudos recentes foram detectados até na placenta humana.

Grimalt: Os microplásticos também são importantes, mas ainda não sabemos quais efeitos eles têm. Mas cuidado, o plástico é uma invenção da humanidade que provou ser muito útil.

O plástico é inerte e a priori não tem nenhum efeito negativo. Se isso acontecesse, estaríamos acabados, porque embalamos comida em plástico e colocamos remédios em nossas veias com tubos de plástico e nada acontece.

Isso não significa dizer que estamos usando de forma correta o plástico.

É preciso investigar quais são os efeitos dos microplásticos na saúde. Mas não é preciso esperar pesquisas para tratar adequadamente os resíduos e as águas urbanas. Já podemos retirar muito plástico do meio ambiente. Por outro lado, com o mercúrio, quando você já o descartou, não existe mais remédio.

BBC: Antes da entrevista, você me disse que “estamos todos participando de uma experiência química global”. Por quê?

Grimalt: Digo isso porque estamos jogando muitos compostos no meio ambiente e alguns deles não voltam para nós. Mas a maioria deles sim, e colocamos tudo isso dentro do nosso corpo.

Em outras palavras, pensar que podemos ter uma saúde perfeita quando estamos cercados por água poluída, ar poluído e solo ou alimentos contaminados é uma bobagem.

BBC: E existem possíveis interações desses compostos entre si que ainda são desconhecidas?

Grimalt: Estamos falando de 350 mil compostos. Ainda há muitas coisas para entendermos.

Os compostos persistentes, uma vez ingeridos, como eu disse, permanecem dentro do corpo e começam a fazer efeito. E no caso daqueles que não são persistentes e o corpo os elimina principalmente na urina, se depois que os eliminamos voltamos a comer algo com eles, então estamos sendo sempre expostos.

BBC: Você pode nos dar um exemplo desses compostos não persistentes aos quais podemos estar sendo permanentemente expostos?

Grimalt: Por exemplo, os pesticidas que são usados ​​na agricultura em pequenas doses e que voltamos a comer. Ou os bisfenóis que são aditivos plásticos. Existem muitos tipos de plástico que possuem muitos aditivos para modificar as propriedades do polímero ou dar cor. Se esses microplásticos são ingeridos, todos os compostos vão para dentro de nosso corpo.

Se olharmos para os resíduos plásticos em uma praia que não foi limpa, há plásticos de todas as cores e isso já revela que são plásticos diferentes com propriedades diferentes.

BBC: E quem regula todos esses 350 mil compostos? Existe uma organização internacional?

Grimalt: No nível internacional não existe nada. É por isso que nós do mundo científico, os membros do Painel Intergovernamental de Poluição Química, publicamos uma carta na revista Science solicitando um painel internacional para monitorar e aconselhar sobre compostos e resíduos químicos para reduzir a exposição a esses compostos.

BBC: A regulação dos milhares de compostos é feita por cada país?

Grimalt: No nível europeu, existem leis diferentes, como por exemplo o REACH [Registration, Evaluation, Authorisation and Restriction of Chemicals, uma lei da Comunidade Europeia de 2006], mas isso é apenas na Europa. Nos EUA, existe a Agência de Proteção Ambiental (EPA), que também é um órgão de referência em toda essa questão. Mas em muitos outros países, nada é feito. Não existe nada.

Além disso, outra coisa que eu pessoalmente acho uma vergonha é que muitos países desenvolvidos enviam resíduos para países subdesenvolvidos. Já se pode imaginar que o que acontece é que esses resíduos são despejados no meio ambiente ou tratados de forma totalmente inadequada.

Além disso, parte desses resíduos e dos compostos que contidos neles retornarão ao meio ambiente, serão distribuídos por todo o planeta e, portanto, também é do interesse de todos que esse tipo de coisa não aconteça.

BBC: Existem produtos que são proibidos em alguns países europeus, mas são vendidos na América Latina, como os pesticidas chamados neonicotinoides.

Grimalt: O que se tem feito muito é imitar as plantas, que, por não conseguirem se mexer, travam uma guerra química contra os insetos.

O tabaco produz nicotina não para os humanos fumarem, mas para matar insetos, para se defenderem. A nicotina foi tomada e suas moléculas modificadas para produzir derivados de nicotina ainda mais fortes para matar insetos. Com os neonicotinoides, existe a questão de saber se eles estão matando, por exemplo, abelhas.

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BBC: Com essa enorme quantidade de compostos no meio ambiente, o que nós consumidores podemos fazer?

Grimalt: No nível do consumidor, certamente podemos fazer coisas. Uma delas é tentar minimizar o uso de plásticos, por exemplo, ir ao mercado com uma cesta ou embrulhar produtos em papel.

Os consumidores também podem reciclar ao máximo, o que facilita a gestão dos resíduos de forma menos poluente.

BBC: E para tentar proteger a saúde?

Grimalt: Nesse caso, é mais difícil de se dizer. Obviamente existem produtos ecológicos ou orgânicos que foram cultivados sem agrotóxicos. Isso também é positivo, mas sinceramente ainda acho que isso precisa ser mais estudado.

BBC: Por quê?

Grimalt: Para verificar se realmente existe um benefício para o consumidor. Se meu vizinho está usando agrotóxicos, não sei até que ponto meus produtos estão contaminados ou não. É importante deixar claro que isso é positivo. Não quero dizer que não é bom. Mas deveria ser mais estudado.

BBC: Voltando agora ao livro de Rachel Carson. Ela alertou que pássaros e outras espécies corriam risco. Mas agora temos a crise do clima e da biodiversidade, com um milhão de espécies em perigo de extinção, segundo a ONU. Qual seria a mensagem de um livro como Primavera Silenciosa hoje?

Grimalt: Primavera Silenciosa foi um sucesso em parte porque os pesticidas que poderiam afetar mais as aves foram alterados. O DDT foi proibido em muitos países e onde ele ainda é usado para combater o mosquito Anopheles, isso é feito para proteger as pessoas. Ele não pode mais ser usado na agricultura.

Agora estamos discutindo outras coisas preocupantes, sobre uma grande diminuição da população de insetos em muitos lugares. E muitos desses insetos são polinizadores. Eles são necessários para as plantações, para que as plantas se reproduzam. O fato de haver muito menos insetos é preocupante. Eu diria que devemos passar da preocupação com os pássaros para a preocupação com os insetos, especialmente aqueles que vão de flor em flor — os voadores. E isso tem muito a ver com o uso de agrotóxicos.

BBC: É o que você estava falando sobre as abelhas…

Grimalt: As abelhas e todos. Lembro que quando pegava meu carro há vinte anos aqui na Catalunha ficava com a janela do carro cheia de insetos mortos. Hoje em dia há bem menos. Isso é uma observação pessoal. Mas se você ler artigos publicados em revistas científicas onde o nível de insetos em muitas áreas florestais foi monitorado, verá que houve uma queda.

BBC: Antes de terminar, eu queria perguntar sobre a figura de Carson. Ela escreveu seu livro quando lutava contra um câncer que tirou sua vida dois anos depois. Para você, pessoalmente, o que significa a figura de Carson?

Grimalt: Acho que Carson foi uma daquelas pessoas que tem uma visão que vai além do dia a dia de todos nós aqui no planeta. Ela percebeu o perigo do uso indiscriminado de agrotóxicos em geral e especificamente do DDT, quando todos estavam convencidos de que o DDT era uma coisa muito boa.

Em grande parte, o movimento ambientalista começou a partir da repercussão do livro de Carson, porque ela sugeriu que um dia poderá haver silêncio na primavera porque teremos matado todos os pássaros.

Naquela época, parecia que a natureza era imensamente poderosa diante da atividade humana. Mais tarde foi visto que não é bem assim. Agora somos muitos, temos muita atividade e o que estamos vendo é que a natureza é como se fosse um jardim, que se não cuidarmos, acabaremos destruindo.

Talvez, graças a Carson, muitas espécies de pássaros foram salvas. E o trabalho não acabou, porque temos que nos preocupar com insetos voadores.

BBC: Você fala de Carson como uma visionária. Você também destacaria sua grande determinação? Porque ela foi constantemente alvo de representantes da indústria de agrotóxicos.

Grimalt: Claro que sim. O mais fácil é tentar destruir a pessoa em vez de discutir as ideias que ela traz e ver se estão corretas ou não. Carson foi uma mulher super corajosa porque enfrentou todo status quo dos EUA. Por trás da fabricação de pesticidas e inseticidas, há muitos interesses econômicos. Muitas empresas se viram ameaçadas e pagaram a outras pessoas para que a atacassem.

E, além disso, ela sofreu com tudo isso quando estava com câncer, o que torna tudo muito mais doloroso e difícil. Porque estar bem de saúde não é o mesmo que estar muito doente e morrendo — na época, o câncer era praticamente uma sentença de morte — e ela tinha que se defender e continuar mantendo suas ideias. Eu acho que nesse sentido Carson é uma figura de referência mundial.

BBC: Você recomenda a leitura de Primavera Silenciosa para as novas gerações?

Grimalt: Claro que sim. Foi a primeira vez em que se disse que podemos causar um impacto irreversível na natureza.

*Por Alejandra Martins
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*Fonte: bbc-brasil

Incrível peixe-robô criado para filtrar microplásticos do oceano recebe prêmio

O Concurso de Robôs Naturais da Universidade de Surrey concedeu o primeiro lugar da premiação a um peixe-robô que filtra partículas microplásticas da água enquanto nada. O evento recebeu várias sugestões de robôs inspirados em animais e plantas capazes de realizar atividades que ajudariam o planeta. Após um processo de seleção, feito por palestrantes de vários institutos de pesquisa europeus, foi escolhido o melhor conceito para ser transformado em um protótipo funcional.

O peixe vencedor foi projetado pela graduanda em química Eleanor Mackintosh. O projeto vitorioso é um peixe-robô que ao nadar mantém sua boca aberta para coletar água e, posteriormente, filtrar o microplástico em uma cavidade interna. Quando a cavidade fica cheia, o dispositivo fecha a boca e empurra a água através das fendas em seu corpo. Uma malha fina presa às fendas da “brânquia” permite que a água passe, mas captura as partículas plásticas, como uma espécie de filtro.

O peixe-robô tem 50 centímetros de comprimento e coleta partículas de até 2 milímetros. Além disso, ele conta com sensores a bordo que monitoram a turbidez e níveis de luz subaquática, além de utilizar uma IMU (unidade de medição inercial) para rastrear seus movimentos dentro da água. E para completar, ele brilha no escuro.

No futuro, modelos desse robô podem ser ainda mais precisos, capazes de capturar partículas ainda menores, além de outras melhorias na sua forma corporal que poderiam tornar o peixe mais rápido e dinâmico. Um ponto muito importante está na forma como o protótipo é controlado. Atualmente, ele funciona com controle ligado ao peixe, seria interessante que o próximo pudesse ser direcionado remotamente.

Não é só o oceano que sofre com a poluição, rios, córregos, lagos e lagoas também são acometidos por esse mal. Com isso, Mackintosh declarou que o objetivo de seu projeto era que o robô fosse versátil. “Que criatura melhor para resolver os problemas em corpos d’água do que uma que vive neles?”, questionou a graduanda. “Os peixes são adaptados ao seu ambiente, e as brânquias são um mecanismo incrível na natureza que são especializados para filtrar oxigênio na corrente sanguínea – então adaptei meu design a partir disso, com o objetivo de criar um filtro para microplásticos”, finalizou a futura química.

*por Isabela Valukas Gusmão
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*Fonte: olhardigital

Espécies brasileiras estão entre as mais ameaçadas do planeta

Será que o Brasil e a comunidade global conseguirão conter a crise de biodiversidade?

Novas análises publicadas a cada dois anos mostram um declínio médio de 69% nos animais silvestres em todo o planeta Terra nas últimas 4 décadas, sendo a principal causa da crise de biodiversidade.

Como os olhos do mundo tendem a se concentrar nos danos causados pelo homem, incluindo a crise de biodiversidade e climática que ameaça nossa própria espécie, outros animais enfrentam um duplo desafio: as consequências de nossas ações, assim como os efeitos de eventos climáticos extremos que pioram seus habitats naturais.

O relatório bianual Living World Report da WWF mostra que nas últimas quatro décadas, as populações de vida selvagem diminuíram em média 69% em todo o mundo. As regiões tropicais foram as que sofreram maiores danos. Entre 1970 e 2018, a população monitorada na América Latina e no Caribe diminuiu em aproximadamente 94%.

Crise de biodiversidade
No Brasil, várias das espécies famosas do país permanecem entre as espécies afetadas pela crise de biodiversidade, como o boto, a onça-pintada do Pantanal, o tatu bola, o gato palheiro, o lagarto da Bahia e até mesmo os recifes de corais. O boto do rio Amazonas (Inia geoffrensis) destaca-se como um dos golfinhos que mais diminuiu nas últimas décadas.

Além da poluição por mercúrio, os golfinhos são vítimas de redes e alvos não intencionais e os ataques são pagos para grupos de pescadores e a captura é usada como isca na pesca pirata. Entre 1994 e 2016, o número de botos cor-de-rosa observados na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, na Amazônia, diminuiu em 65%. A área do Vale do Javari, onde pescadores ilegais mataram o indígena Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, também foi reduzida.

Mesmo o mascote da Copa do Mundo FIFA 2014 no Brasil, o tatu-bola, não escapou da crise de biodiversidade. A espécie viu sua população diminuir em 50% no Cerrado até 2020. Além disso, “em cinco anos, o cultivo da soja Armadillo na região de Matopiba aumentou 9%”, acrescenta Mariana Napolitano, diretora científica da WWF Brasil.

Outra espécie de savana ameaçada é Pyrrhura pfrimeri, um parente de papagaios e araras, que só é encontrada nos estados de Goiás e Tocantins e já é considerada extinta pelo governo brasileiro. A principal razão é o avanço das atividades agrícolas em áreas com a vegetação original do Cerrado: a perda da principal área natural do Tiriba foi de 70% em quatro décadas.

O jaguar, o maior gato dos Estados Unidos, também reflete a crise de biodiversidade. No Pantanal, a espécie sofre com a perda de habitat, represamento de rios na bacia do Elevado Paraguai e incêndios cada vez mais intensos e frequentes, incluindo o incêndio de 2020 que atingiu 28 habitats. Esses fenômenos e ocupações influenciam a dinâmica das enchentes e favorecem a expansão das pastagens. Segundo o MapBiomas, durante seis meses entre 1985 e 2021, o Pantanal experimentou uma redução de 82% nas enchentes.

Nos Pampas, o Leopardus munoai experimenta o mesmo drama da crise de biodiversidade e do desmatamento da vegetação de pastagem original: entre 1985 e 2021, quase 30% da vegetação original remanescente desapareceu, devido à pressão sobre o habitat da espécie. Além disso, houve um aumento no abate desses animais em situações onde há problemas com avicultores, a propagação de doenças através de animais de criação e acidentes de trânsito.

Descrito pela ciência em 2006, o lagarto-baiano da Caatinga já está criticamente ameaçado devido ao desmatamento, aos incêndios e ao aquecimento global. Mariana aponta que a espécie depende da temperatura do ambiente para manter a capacidade de funcionamento do corpo humano. Segundo o Painel Intergovernamental sobre o Aquecimento Global (IPCC), a Caatinga poderá sofrer uma diminuição de até 22% na precipitação e um aumento da temperatura nos próximos anos. “Isto testa a resiliência natural da biota, expondo sua fauna e flora a condições cada vez mais extremas, aumentando a probabilidade de extinção”, adverte.

De acordo com o relatório, os recifes de coral, que abrigam cerca de 25% das espécies marinhas, e são de grande importância sócio-econômica, estão em um estado alarmante. O aquecimento dos oceanos devido à crise climática é a principal ameaça. As águas quentes causam um fenômeno chamado branqueamento, que em muitos pontos está relacionado ao enfraquecimento do coral, que pode até levar à sua morte.

“No Brasil, as ondas de calor em 2019 e 2020 causaram uma perda de 18,1% da cobertura de corais no município de Maragogi, a maior área marinha protegida do Brasil, da APA Costa dos Corais. O impacto também é sentido em Abrolhos, na Bahia, onde o aumento da temperatura causou mais de 89% das populações da espécie de coral Millepora alcicornis”, disse Mariana Napolitano.

Emergência global
O relatório analisou 32.000 animais de 5.230 espécies de diferentes partes do mundo. As populações remanescentes de gorilas da planície oriental listadas diminuíram cerca de 80% entre 1994 e 2019 no Parque Nacional Kahuzi-Biega, República Democrática do Congo. A população de leões marinhos da Austrália diminuiu em 64% entre 1977 e 2019. Em geral, as populações animais diminuíram 66% na África e 55% na região da Ásia-Pacífico.

“Enfrentamos uma dupla crise antropogênica no mundo: aquecimento global e perda de biodiversidade, ameaçando a paz das gerações passadas e futuras”, disse Marco Lambertini, diretor geral da WWF Internacional, no relatório. Os principais motores do declínio populacional são a degradação e perda do habitat, a exploração, a propagação de espécies invasoras, a poluição, o aquecimento global e as doenças.

“Os motores da perda da biodiversidade são complexos e multidisciplinares, e é importante reconhecer que não existe uma solução única e simples. Isto torna ainda mais importante que o planeta tenha um objetivo universal comum, guiado e impulsionado pela natureza…”. Entre as ações dos governos, das organizações e da sociedade” oferece uma análise.

Portanto, as expectativas são altas para a Conferência de Biodiversidade da COP15, que acontecerá no último mês do ano no Canadá. A iniciativa é para que os governos cheguem a um enorme consenso sobre a conservação da biodiversidade para enfrentar a crise da perda de espécies, assim como o Acordo de Paris foi concebido para enfrentar a crise climática.

*Por Joaldo Idowneé
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*Fonte: socientifica

Cientistas tornam a água do mar potável em apenas 30 minutos graças à luz solar

O problema da escassez global de água está longe de terminar, mas as coisas podem finalmente mudar. Uma equipe de cientistas, usando a luz solar, conseguiu tornar a água do mar potável em apenas 30 minutos.

Os cientistas usaram estruturas metal-orgânicas (MOFs) e luz solar para filtrar a água e gerar 139,5 litros de água potável por quilograma de MOF por dia em seu experimento . Uma técnica que se provou mais precisa e eficaz do que outras práticas de dessalinização, com eficiência energética, baixo custo e sustentável .

O processo de dessalinização ocorre graças a um filtro Mof capaz de absorver o sal da água sem consumir energia. O filtro é então colocado à luz do sol para se regenerar e leva cerca de 4 minutos para ser reutilizado para o mesmo fim.

Água potável de qualidade, segundo a Organização Mundial de Saúde, deve ter um TDS, total de sólidos dissolvidos, de <600 partes por milhão (ppm). Bem, os pesquisadores conseguiram obter água com um TDS <500 ppm em apenas meia hora.

O professor Huanting Wang, principal autor da pesquisa, do departamento de engenharia química da Monash University, Austrália, disse:

“A dessalinização tem sido usada para lidar com a escassez de água em todo o mundo. Devido à disponibilidade de água salobra e do mar e porque os processos de dessalinização são confiáveis, a água tratada pode ser integrada aos sistemas aquáticos existentes com riscos mínimos para a saúde ”.

Ele também especificou que o uso da luz solar para regeneração representa uma solução de dessalinização com eficiência energética e ecologicamente sustentável. Ao contrário de outros processos de dessalinização que consomem muita energia ou que, em outros casos, envolvem o uso de produtos químicos.

Resumindo, pode ser uma técnica verdadeiramente revolucionária para todo o mundo!

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*Fonte: sabersaude

Doação bilionária à causa ambiental

Antes de mais nada, houve surpresa geral. Yvon Chouinard, dono da marca Patagonia, entregou todas as ações da empresa avaliada em nada menos que 3 bilhões de dólares e, além disso, com lucro anual de cerca de US$ 100 milhões, para lutar contra as mudanças climáticas e proteger áreas naturais. Um doação bilionária. A notícia foi manchete em todo o mundo. O icônico New York Times publicou Billionaire No More: Patagonia Founder Gives Away the Company. Ou seja, Ex-bilionário, Fundador da Patagonia doa a empresa, em 14 de setembro de 2022.

A doação de Yvon Chouinard, segundo o New York Times
‘Em vez de vender a empresa ou torná-la pública, Chouinard, sua esposa e dois filhos transferiram a propriedade da Patagonia, avaliada em cerca de US$ 3 bilhões. A doação foi para um fundo e uma ONG, criados para preservar a independência da empresa garantindo que seus lucros serão usados ​​para combater as mudanças climáticas e proteger terras não desenvolvidas em todo o mundo.’

Aos 83 anos, Chouinard deu uma entrevista ao NYT: “Esperamos que isso influencie uma nova forma de capitalismo que não produza apenas algumas pessoas ricas e um monte de pessoas pobres. Vamos doar o máximo para as pessoas que trabalham para salvar o planeta.”

‘A Terra é agora nosso único acionista’
O ex-bilionário publicou uma carta-aberta no site da empresa, cujo título copiamos acima, onde diz: ‘Eu nunca quis ser um empresário. Comecei como artesão, fazendo equipamentos de escalada para meus amigos e para mim, depois entrei no vestuário.’

‘À medida que começamos a testemunhar a extensão do aquecimento global e da destruição ecológica, e nossa própria contribuição, a Patagonia se comprometeu a usar a empresa para mudar a forma como os negócios eram feitos.’

…Começamos com nossos produtos, utilizando materiais que causavam menos danos ao meio ambiente. Doamos 1% das vendas a cada ano…Embora estejamos fazendo o nosso melhor para enfrentar a crise ambiental, não é suficiente…Precisávamos encontrar uma maneira de investir mais dinheiro no combate à crise, mantendo intactos os valores da empresa.’

Então, entre vender a empresa e correr o risco do novo proprietário ‘não manter nossos valores’, diz, optou pelo doação.

Como a Patagonia vai funcionar?
É Yvon quem responde: ‘Funciona assim: 100% do capital votante é transferido para o Patagonia Purpose Trust, criado para proteger os valores da empresa. Enquanto isso, 100% das ações sem direito a voto foram doadas ao Holdfast Collective, organização sem fins lucrativos dedicada a combater a crise ambiental e defender a natureza.’

‘O financiamento virá da Patagônia. A cada ano, o dinheiro que ganhamos após o reinvestimento no negócio será distribuído como dividendo para ajudar a combater a crise.’

E conclui: ‘Apesar de sua imensidão, os recursos da Terra não são infinitos e está claro que ultrapassamos seus limites. Mas também é resistente. Podemos salvar nosso planeta se nos comprometermos com isso.’

Ou seja, foi um ato de amor ao planeta, e ao mesmo tempo, de imenso desapego. O New York Times explica que ‘o fundo será supervisionado por membros da família e seus conselheiros mais próximos.’ E ‘visa garantir que a Patagonia cumpra seu compromisso de administrar um negócio socialmente responsável e doar seus lucros.’

Doação bilionária custou US$ 17 mi em impostos
Só em impostos pela doação, informa o NYT, ‘a família pagará cerca de US$ 17,5 milhões em impostos sobre o presente.’ E diz também que ‘a família não recebeu nenhum benefício fiscal por sua doação.

O NYT diz ainda que ‘Ao doar a maior parte de seus bens durante a vida, os Chouinards – Yvon, sua esposa Malinda e seus dois filhos, Fletcher e Claire, ambos na casa dos 40 anos – se estabeleceram como uma das famílias mais caridosas do país.’

Que o ato de desapego da família gere muitos frutos.

*Por João Lara Mesquita
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*Fonte: marsemfim

Causas e efeitos da destruição da camada de ozônio

Entender as causas e efeitos da destruição da camada de ozônio nos ajuda a compreender as consequências climáticas pelas quais o planeta está passando hoje.

A camada de ozônio é uma cobertura na estratosfera feita de uma alta concentração de ozônio. Como resultado de sua composição química, o ozônio é um tipo especial de oxigênio que contém três moléculas de oxigênio (O3), ao invés de duas (O2).

A camada de ozônio circula a Terra e é um fenômeno natural, encontrando-se entre 15 e 30 km acima do solo. Ela age como um escudo contra os raios ultravioleta emitidos pelo Sol.

A camada é constantemente gerada e quebrada devido aos diversos processos atmosféricos e reações químicas que ocorrem. Isso faz com que sua espessura varie em termos geográficos e sazonais.

Causas e efeitos da destruição da camada de ozônio

As causas
Gases que emitem efeito estufa são prejudiciais à atmosfera. O aumento dos raios UV, com a destruição da camada de ozônio, amplia esse problema.
As causas e efeitos da destruição da camada de ozônio se originam da atividade humana. Ao contrário da poluição, que tem várias causas, há um composto químico específico que é responsável pela destruição da camada de ozônio.

Esses compostos químicos estão presentes em muitos produtos industriais e aerossóis. Eles estão listados abaixo.

Clorofluorcarbonos (CFCs)
Os clorofluorcarbonos (CFCs) são a causa primária da destruição da camada de ozônio. Produtos industriais como solventes, aerossóis em spray, espumas isolantes, recipientes, sabões e objetos de refrigeração, como geladeiras e ar-condicionado usam CFCs.

Ao longo do tempo, essas substâncias se acumulam na atmosfera e são levadas pelo vento até a estratosfera. Quando na estratosfera, as moléculas dos CFCs são quebradas pela radiação ultravioleta, o que libera átomos de cloro. Os átomos de cloro reagem com o ozônio, iniciando um ciclo químico que destrói o “ozônio bom”.

Substâncias que destroem a camada de ozônio
Há outras substâncias químicas que destroem a camada de ozônio, conhecidas na sigla em inglês como Ozone Depleting Substances (ODS). Exemplos incluem o brometo de metila usado em pesticidas, o clorofórmio de metila usado na fabricação de solventes industriais e os halons usados em extintores de incêndio.

Essas substâncias também reagem quimicamente com o ozônio, iniciando um ciclo químico que destrói o ozônio bom.

Outros químicos
Outros químicos que apresentam reações similares com o ozônio bom incluem o Clx, Hox e Noy, que pertencem, respectivamente, às famílias do cloro, hidrogênio e nitrogênio.

Os efeitos
As causas e os efeitos da destruição da camada de ozônio originam problemas e consequências sérias à saúde humana, das plantas, assim como aos ecossistemas marinhos e os ciclos biogeoquímicos. Vejamos os efeitos abaixo.

Efeitos na saúde humana
Com a destruição da camada de ozônio, a espécie humana fica mais exposta aos raios UV que alcançam a superfície terrestre. Estudos sugerem que esses altos níveis causam câncer de pele, além do desenvolvimento de catarata, uma patologia ocular.

Exposição contínua aos raios UV também pode reduzir a resposta do sistema imunológico, e até causar danos permanentes em alguns casos. Além disso, os raios UV envelhecem a pele, acelerando esse processo.

Efeito nas plantas
As plantas também são atingidas pelos efeitos dos raios UV. Os processos fisiológicos e de desenvolvimento das plantas são afetados de maneira severa, além do crescimento. Outras mudanças incluem a maneira que as plantas se formam, o tempo do desenvolvimento e crescimento, assim como a distribuição de nutrientes na planta, seu metabolismo, etc.

Efeitos nos ecossistemas marinhos
Os raios UV também afetam os ecossistemas marinhos. O efeito é negativo nos plânctons, que formam a base das cadeias alimentares aquáticas. O fitoplâncton cresce próximo à superfície d’água, e desempenha um papel vital na cadeia alimentar e no ciclo oceânico do carbono.

Mudanças nos níveis dos raios UV afetam a orientação e motilidade dos fitoplanctons, o que reduz sua sobrevivência e taxa de crescimento. Os raios UV também afetam o desenvolvimento de peixes, camarões, caranguejos, anfíbios e outros animais marinhos.

Quando isso ocorre, toda a cadeia alimentar é afetada.

Efeitos nos ciclos biogeoquímicos
O aumento na radiação UV altera tanto as fontes quanto os sumidouros dos gases de efeito estufa na biosfera, como o dióxido de carbono, monóxido de carbono, sulfeto de carbonila, ozônio e possivelmente outros gases.

Mudanças nos níveis de UV contribuem para reações na biosfera e atmosfera que mitigam ou amplificam as concentrações atmosféricas desses gases.

*Por Dominic Albuquerque
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*Fonte: socientifica

10 razões para parar com o desmatamento

Há diversas razões para parar com o desmatamento, que persiste como um dos grandes desafios ambientais do mundo. Em muitas partes do planeta, a cobertura original de áreas florestais foi reduzida em mais de 20%, e algumas regiões foram completamente desmatadas.

As mudanças climáticas e a destruição da vida selvagem são apenas alguns dos vários problemas atribuídos ao desmatamento. Assim, listamos aqui algumas razões para parar com com o desmatamento.

Razões para parar com o desmatamento

1. As árvores são necessárias para a nossa respiração
Sem as árvores, não seríamos capazes de respirar. É através do processo da fotossíntese que as árvores tomam o dióxido de carbono da atmosfera e liberam oxigênio, que sustenta nossa respiração. Todas as criaturas vivas precisam de oxigênio para sobreviver, e como as florestas desempenham um papel importante em disponibilizá-lo, protegê-las é muito importante.

2. As árvores produzem água
As árvores são uma parte integral do ciclo da água. Pesquisas apontam que 75% da água doce do planeta se origina das florestas. As árvores prosseguem com o ciclo da água através do processo chamado de evapotranspiração.

Em suma, elas absorvem a água e a liberam no ambiente na forma de gotas, que sobem e se resfriam, formando nuvens e trazendo chuvas.

As árvores possuem uma importância inestimável para os ciclos naturais, dos quais a espécie humana também faz parte.

3. Florestas ajudam a reduzir os riscos de enchentes
As florestas oferecem uma imensa cobertura do solo, reduzindo a velocidade da água da chuva. Ao mesmo tempo, também absorve o excesso d’água. Por isso, as florestas podem ajudar a reduzir os riscos de enchentes, pois elas diminuem a velocidade do fluxo d’água que escorre pelas colinas e montanhas em direção aos rios, sendo essa uma das razões para parar com o desmatamento.

4. As árvores são reguladoras do clima
As árvores podem ser consideradas como os ventiladores natural do planeta. Elas ventilam o ambiente e os arredores de uma forma que contribui para a regulação das temperaturas globais. Também agem como isolantes ao absorver e refletir parte do calor emitido pelo Sol, reduzindo o calor e o efeito da radiação solar.

5. As florestas ajudam a combater as mudanças climáticas
As florestas são muito importantes no combate às mudanças climáticas, sendo essa outra das razões para parar com o desmatamento. Elas armazenam em torno de 2,8 bilhões de toneladas de carbono ao ano. Quando desmatadas, o carbono é liberado de volta ao meio ambiente, e sobram menos recursos para absorver o gás do efeito estufa.

6. As florestas protegem a biodiversidade
Cerca de 80% de todas as espécies de plantas e animais vive nas florestas. O desmatamento e o dano ao habitat natural é o principal contribuidor à extinção de inúmeras espécies em todo o planeta.

7. Florestas tropicais são ótimas fontes medicinais
A maior parte dos produtos farmacêuticos são retirados de florestas tropicais. Foi relatado que a vida animal e vegetal das florestas abriga 1/4 dos remédios do planeta. 70% de 3000 plantas com ingredientes inibidores do câncer se encontram em florestas tropicais.

8. Interromper o desmatamento tem um bom custo-benefício
Depois de muitas análises, especialistas e analistas ambientais concluíram que a forma mais barata de combater as mudanças climáticas e reduzir a emissão dos gases de efeito estufa é parar com o desmatamento. Os analistas demonstram que essa redução é bem mais barata comparada com a redução da combustão de combustíveis fósseis.

9. As florestas possuem uma função econômica
Diversas funções econômicas se atribuem às florestas. Elas fornecem alimentos, óleos, borracha, ervas, remédios, assim como ecoturismo. A lista é contínua, e uma das razões para parar com o desmatamento é reconhecer a importância econômica da vida natural.

10. O desmatamento aumenta o conflito social em comunidades florestais
O desmatamento sem a aprovação das comunidades locais pode originar conflitos sociais e violência. Essas comunidades dependem da floresta para sobreviver, e desmatá-las sem seu conhecimento ou consentimento pode trazer ataques em retaliação, algo comum no Brasil e no Sudeste Asiático.

Além disso, as florestas também fornecem heranças culturais insubstituíveis. Algumas delas sequer foram encontradas, e muitas não estão presentes em outros habitats. Há milhões de povos indígenas que mantiveram seus estilos tradicionais e configurações sociais. Uma das razões para parar com o desmatamento é preservar essas culturas — e até descobrir novas.

*Por Dominic Albuquerque
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*Fonte: socientifica

Amazônia e Pampa lideram queimadas de janeiro a julho de 2022

O Brasil queima no Norte e no Sul de seu território. Dados do MapBiomas mostram que 2.932.972 hectares foram consumidos por queimadas nos primeiros sete meses do ano. Embora maior que o estado de Alagoas, essa área é 2% menor do que a que foi consumida pelo fogo no ano passado.

Na Amazônia e no Pampa, no entanto, a situação é diferente: esses são os únicos biomas com aumento na área afetada pelo fogo. Na Amazônia o fogo atingiu uma área de 1.479.739 hectares, enquanto que no Pampa foram 28.610 hectares queimados entre janeiro e julho de 2022. Nesse período, foi registrado um aumento de 7% (ou mais de 107 mil hectares) na Amazônia e de 3372% no Pampa (27.780 ha).

Esses dados fazem parte da nova versão do Monitor do Fogo, que o MapBiomas lança nesta quinta-feira, 18 de agosto, em sua plataforma.

Esta versão usa imagens do satélite europeu Sentinel 2, que tem duas importantes características para esse tipo de mapeamento: ele passa a cada cinco dias sobre o mesmo ponto, aumentando a possibilidade de observação de queimadas e incêndios florestais; além disso, tem resolução espacial de 10 metros.

Isso acrescenta cerca de 20% a mais na área queimada em relação aos dados do Mapbiomas Fogo coleção 1, que traz o histórico de fogo anualmente desde 1985. Também permite que a partir de agora os dados sejam divulgados mensalmente.

Monitor do Fogo
O Monitor do Fogo do MapBiomas difere e complementa o monitoramento do INPE porque avalia as cicatrizes do fogo, e não os focos de calor. O motivo é simples: dados de focos de calor representam a ocorrência de fogo (e potencialmente contribuem para seu combate) mas não permitem avaliar a área queimada.

O Monitor de Fogo, por sua vez, revela em tempo quase real (diferença de um mês) a localização e extensão das áreas queimadas, facilitando assim a contabilidade da destruição que é apontada pelos focos de calor da plataforma do INPE.

“Este produto é o único nessa frequência e resolução a fornecer esses dados mensalmente, o que facilitará muito a prevenção e combate aos incêndios, indicando áreas onde o fogo tem se adensado”, explica Ane Alencar, coordenadora do Monitor do Fogo do MapBiomas. “Além do poder público, é uma ferramenta de grande utilidade para a iniciativa privada, como o setor de seguros, por exemplo”, completa.

Fogo em 2022
Os dados dos sete primeiros meses de 2022 mostram que três em cada quatro hectares queimados foram de vegetação nativa, sendo a maioria em campos naturais. Porém, um quinto de tudo que foi queimado no período foi em florestas. Metade das cicatrizes deixadas pelo fogo localizam-se no bioma Amazônia, onde 16% da área queimada corresponderam a incêndios florestais, ou seja, áreas de floresta que não deveriam queimar.

O Mato Grosso foi o estado que mais queimou nos sete primeiros meses de 2022 (771.827 hectares), seguido por Tocantins (593.888 hectares) e Roraima (529.404 hectares). Esses três estados representaram 64% da área queimada afetada no período.

No Cerrado, a área queimada entre janeiro e julho de 2022 (1.250.373 hectares) foi 9% menor que no mesmo período do ano passado, porém 5% acima do registrado em 2019 e 39% maior que em 2020. O mesmo padrão foi identificado na Mata Atlântica, onde houve uma queda de 16% em relação a 2021 (ou 14.281 hectares), porém um crescimento de 11% em relação a 2019 e 8% na comparação com 2020.

O Pantanal, por sua vez, apresentou a menor área queimada nos últimos quatro anos (75.999 hectares), com 19% de redução de 2022 para 2021 em relação a área queimada de janeiro a julho

Dentre os tipos de uso agropecuário das áreas afetadas pelo fogo, as pastagens se destacaram com 14% da área queimada nos sete primeiros meses de 2022.

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*Fonte: ciclovivo

Estamos perdendo nossos habitats marinhos — e agora?

O ser humano utiliza da natureza para o seu desenvolvimento. Isso é natural, ocorre desde sempre, e é necessário. No entanto, a exploração não significa necessariamente a degradação da natureza. Por essa confusão, estamos, rapidamente, perdendo nossos habitats marinhos.

A exploração da natureza é necessária para nosso desenvolvimento, até porque embora nos distanciemos dela ao citar “a natureza”, ainda fazemos parte dela. Somos animais e estamos na natureza, muito embora tenhamos a degradado para construir cidades. A natureza nos fornece os materiais e a energia para o desenvolvimento, então precisamos explorá-la de maneira sustentável.

O tamanho dos habitats marinhos
Três quartos da superfície da Terra são cobertos por água. Dessa água, 97% são oceanos, e apenas os 3% restantes da água doce. Agora, deixe-me enunciar uma coisa assustadora: Conhecemos mais sobre o universo do que sobre o oceano. No início dos anos 2000, possuíamos um mapa mais detalhado da superfície de Vênus do que do relevo oceânico. No pós-Segunda Guerra, nos anos 1940, a exploração mais profunda do oceano não chegava nem a 1 km, e o ponto mais profundo dos oceanos está a mais de 10 km de profundidade – mais profundidade do que o monte Everest tem de altura.

A importância dos oceanos é tremenda e a biodiversidade marinha é muito maior do que a biodiversidade terrestre. Majoritariamente, as algas nos fornecem o oxigênio – as florestas consomem quase todo oxigênio que produzem.

“O oceano é uma parte integral de nossas vidas. Nós estamos vivos por conta do ar puro, da água e de outros serviços que ele oferece”, disse Ken Norris, da Sociedade de Zoologia de Londres, à World Wide Fund for Nature (WWF)

Eles são um ambiente tão complexo, que dentro dos oceanos há, ainda, outros habitats por si só. Um exemplo são os recifes de corais. Eles são como um condomínio multiespécie. Plantas, animais e microrganismos convivendo em sintonia, em um ambiente simbiótico (onde todos se ajudam). 25% da biodiversidade vive nos recifes de corais. Esses recifes de corais são um dos habitats oceânicos em maior risco.

Os problemas para os habitats marinhos
A poluição desenfreada da atmosfera é o que inicia o principal problema que aflige os oceanos e os habitats marinhos. Com a elevação nos teores de gases de efeito estufa na atmosfera, temos diversos problemas que surgem.

1. A água possui uma capacidade de absorção de gases. Portanto, o teor de gases tóxicos nas águas aumenta.

2. A elevação na temperatura atmosférica ocasiona, também, um aumento de temperatura nas águas oceânicas.

“O aquecimento dos oceanos projetado para o futuro pode modificar a densidade da água e fazer com que menos alimento chegue ao fundo, o que coloca corais dessas regiões em risco”, disse à Revista Pesquisa Fapesp o biólogo Rodrigo da Costa Portilho-Ramos.

3. A elevação de temperatura na atmosfera e nos oceanos ocasiona o derretimento de geleiras. Esse derretimento faz o nível e as temperaturas dos oceanos e elevar ainda mais.

4. O lançamento de resíduos e lixos para os oceanos contamina a sua água. Microplásticos são o principal problema da poluição oceânica.

Fibra de microplástico sob visão microscópica. Imagem: M.Danny25 / Wikimedia Commons
5. Boa parte da pesca que ocorre nos oceanos é ilegal. Por isso, há um descontrole na predação de animais marinhos, causando risco de extinção para diversas espécies marinhas, além dos transtornos que os barcos de pesca causam nos oceanos.

Soluções
As soluções para diminuir o nosso impacto nos habitats marinhos devem partir de políticas públicas — não necessariamente governamentais. Falo da união das iniciativas públicas e privadas de todo o planeta. Há diversos acordos ambientais fechados junto à ONU, e assinados por quase todos os países do mundo. Mas estes devem ser cumpridos.

A maior valorização de acordos climáticos e a visão de que o desenvolvimento sustentável não só são possíveis, como são melhores e mais lucrativos devem ser mais presentes. É mais barato prevenir do que trabalhar na recuperação de habitats destruídos.

Tudo deve partir da educação. Mudar a base.

Em um futuro não muito distante, é importante que a pesca e caça nos oceanos seja toda regulada. É importante que sejam bruscamente diminuídas, com uma tendência para zero, as pegadas e carbono e outros diversos tipos de poluição presentes no mundo. Só assim salvaremos os habitats marinhos, tão importantes para a preservação da vida no planeta Terra.

*Por Felipe Miranda
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*Fonte: socientifica

Mar Mediterrâneo mais quente e a perda de biodiversidade

Mar Mediterrâneo mais quente significa perda irreversível para a vida marinha

No dia Mundial dos Oceanos de 2021 o WWF mostrou como as alterações climáticas já transformaram – de forma irreversível – alguns dos mais importantes ecossistemas marinhos do Mediterrâneo. Com as temperaturas subindo 20% mais rápido do que a média global, diz o WWF, o aumento do nível do mar deve ultrapassar um metro até 2100. Desse modo, o Mediterrâneo está se tornando o mar de aquecimento mais rápido, além do mais salgado do planeta.

O drama do Mediterrâneo
Antes de mais nada, trata-se de um mar quase completamente fechado. O Estreito de Gibraltar, ligando-o ao Atlântico, tem apenas 14 km de extensão. Em outras palavras, tudo que acontece no Mediterrâneo é naturalmente em escala maior que nos outros oceanos e mares europeus. Por este motivo o Mediterrâneo já é considerado o mais poluído da Europa.

Olivia Gérigny, pesquisadora do Instituto Francês de Exploração do Mar (Ifremer), autora do estudo de 20 anos sobre poluição no Mediterrâneo foi categórica: “Na década de 1990, havia cerca de 100 resíduos por quilômetro quadrado. Em 2012, o número havia subido para cerca de 200. Por último, em 2015 atingiu seu pico com cerca de 300 resíduos por quilômetro quadrado.”

Recorde de 30,7°C no final de julho
Enquanto isso, segundo o http://www.france24.com, ‘A temperatura da superfície do Mar Mediterrâneo atingiu um recorde de 30,7°C no final de julho. As ondas de calor estão se tornando cada vez mais comuns com consequências dramáticas para a biodiversidade’.

“É inédito”, disse o pesquisador Jean-Pierre Gattuso. A temperatura do Mediterrâneo é geralmente entre 21° e 24°C nesta época do ano.

O http://www.france24.com também ouviu igualmente a oceanógrafa Carole Saout-Grit, do instituto de pesquisa CNRS de Paris. ‘Quando falamos de aquecimento global, temos que lembrar que 90% do calor desde a era pré-industrial tem sido absorvido pelo oceano.’

Esta mudança súbita não dá tempo aos ecossistemas, assim como à vida marinha, de se adaptarem. Segundo o Guardian, ‘Os cientistas descobriram que as ondas de calor marinhas no Mediterrâneo entre 2015 e 2019 causaram mortes em massa em espécies marinhas, branqueamento de corais, além de proliferação de algas nocivas’.

Durante um episódio de muito calor os seres humanos sentem desconforto, então buscam se refrescar. Contudo, se as temperaturas forem quentes demais, podem morrer. Do mesmo modo acontece com criaturas que vivem debaixo d’água.

Mediterrâneo um “hotspot” de biodiversidade
Com menos de 1% da superfície dos oceanos, o Mediterrâneo abriga cerca de 10% de todas as espécies marinhas. No entanto, o ecossistema está ameaçado pelo aquecimento das águas, que se soma a pressões humanas pré-existentes, como pesca predatória, poluição ou o excesso do transporte marítimo.

Corais, diminuição entre 80 a 90%
Simultaneamente, o phys.org destacou um estudo liderado por equipes do Instituto de Pesquisa em Biodiversidade (IRBio) da Universidade de Barcelona revelando que as ondas de calor marinhas associadas à crise climática estão aniquilando as populações de coral no Mediterrâneo, cuja biomassa em alguns casos foi reduzida em 80 a 90%.

Populações de corais quase extintas depois da primeira onda de calor marinha
O mesmo estudo destacou que a onda de calor de 2003 na área marinha protegida de Scandola (Corsega) mostrou que, 15 anos após o evento, as populações sobretudo da gorgônia vermelha (Paramuricea clavata) e coral vermelho (Corallium rubrum) estão praticamente extintas do ponto de vista funcional.

Por último, ‘Como esperamos que o número e a intensidade das ondas de calor marinhas aumentem nas próximas décadas devido à crise climática, a viabilidade de muitas populações de corais pode ser seriamente ameaçada’.

*Por João Lara Mesquita
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*Fonte: marsemfim

Estudo mostra que a Terra perdeu 60% de área florestal desde 1960

Em 59 anos, a área florestal global per capita caiu de 1,4 hectares para apenas 0,5 hectares por pessoa

A perda de áreas florestais em todo o mundo foi o tema de um novo estudo, publicado na Environmental Research Letters. Infelizmente, os dados são alarmantes, como a diminuição da área florestal global per capita de 1,4 hectares para apenas 0,5 hectares por pessoa, entre os anos de em 1960 e 2019 – um declínio de 60%.

A pesquisa liderada por Ronald Estoque do Centro de Biodiversidade e Mudanças Climáticas, Instituto de Pesquisa de Produtos Florestais e Florestais (FFPRI) encontrou um declínio total da floresta em 81,7 milhões de hectares, desde 1960.

De acordo com o estudo, a perda total de floresta bruta no período (1960 a 2019) atingiu 437,3 milhões de hectares, o que superou o ganho total bruto de floresta de 355,6 milhões de hectares durante o mesmo período.

Essa perda florestal combinada com uma população crescente de cerca de 3 bilhões de pessoas em 1960 para 7,7 bilhões de pessoas em 2019 levou a uma diminuição de 60% na área florestal per capita.

Brasil política crise climática

Os pesquisadores afirmam que esta escala na diminuição de área de floresta per capita vai afetar milhões de pessoas. “A contínua perda e degradação das florestas afetam a integridade dos ecossistemas florestais, reduzindo sua capacidade de gerar e fornecer serviços essenciais e sustentar a biodiversidade”, disseram os autores do estudo, conforme relatado pela IOP Publishing.

Ainda segundo os cientistas, este cenário impacta a vida de pelo menos 1,6 bilhão de pessoas em todo o mundo, predominantemente em países em desenvolvimento, que dependem das florestas para diversos fins.

As florestas cobrem atualmente quase um terço do planeta e são essenciais para a biodiversidade. Globalmente, as florestas abrigam mais de 60 mil espécies de árvores e fornecem habitat para cerca de 80% de todas as espécies de anfíbios, 75% das espécies de aves e 68% das espécies de mamíferos, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente .

O fim das florestas ou a sua fragmentação dignificam uma grave ameaça para estas espécies. Existem inclusive espécies desconhecidas que podem ser extintas antes mesmo de serem estudadas.

Espécie perigosa
Os seres humanos alteraram quase 75% da superfície da Terra, o que inclui as florestas, o que, além de ameaçar a biodiversidade, torna ainda mais difícil o combate às mudanças climáticas.

As florestas são fundamentais para o equilíbrio da vida na Terra, incluindo a vida humana. É importante lembrar ainda que o desmatamento e outras formas de degradação de ecossistemas estão relacionados ao aumento de casos de doenças zoonóticas e podem provocar outras pandemias no futuro.

Causas do desmatamento
A principal causa do desmatamento é a agropecuária. Muitos casos de desmatamento ilegal estão ligados a terras que são devastadas para o cultivo de monoculturas ou para a criação de gado. Mais monitoramento, preservação e reflorestamento globalmente são necessários para manter as terras florestadas e evitar grandes perdas de biodiversidade.

“Hoje, o monitoramento das florestas do mundo é parte integrante de várias iniciativas ambientais e sociais globais, incluindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Acordo Climático de Paris e o Quadro Global de Biodiversidade Pós-2020”, disseram os autores.

“Para ajudar a alcançar os objetivos dessas iniciativas, há uma profunda necessidade de reverter, ou pelo menos achatar, a curva global de perda líquida de florestas, conservando as florestas remanescentes do mundo e restaurando e reabilitando paisagens florestais degradadas”, conclui o estudo.

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*Fonte: ciclovivo

Plataforma flutuante gera energia através da movimentação das ondas

Desenvolvida na Austrália, a plataforma gera energia com o movimento das ondas superou as expectativas.

A empresa australiana de energia limpa, Wave Swell Energy, desenvolveu um equipamento capaz de capturar a energia das ondas. Batizado de UniWave 200, a plataforma instalada em uma ilha isolada na Tasmânia tem se mostrado extremamente eficiente, gerando muito mais energia das ondas do mar do que outras tecnologias semelhantes.

O UniWave 200 é um equipamento que, como uma balsa flutuante, pode ser rebocado para o destino desejado em qualquer lugar do oceano. Uma vez instalado, o dispositivo pode ser conectado à rede local, onde distribui a eletricidade gerada.

A empresa construiu uma plataforma de teste que gera 20 quilowatts na Ilha King, uma ilha isolada da Tasmânia. A plataforma resistiu com sucesso às ondas ferozes do Estreito de Bass e fornece energia continuamente à rede da ilha nos últimos 12 meses.

Plataforma flutuante gera energia através da movimentação das ondas
O equipamento UniWave 200 na ilha King, costa da Tasmânia, Austrália | Foto: Wave Swell
Embora muitos dispositivos tenham sido desenvolvidos anteriormente para aproveitar a energia das ondas, o UniWave 200 opera de maneira diferente e mais eficiente. A tecnologia de “coluna de água oscilante” (OWC), que a empresa comparou a um “espiráculo artificial”, funciona usando ondas para produzir ar de alta pressão, que é convertido em eletricidade por uma turbina.

Espiráculo ou gêiser marinhos acontecem quando existem cavernas subterrâneas que sobem em direção à superfície. Com o movimento da maré, a água é espirrada para fora com muita pressão, criando um grande spray de água. Quando a maré baixa, o ar é sugado de volta para o orifício com muita força.

O UniWave 200 usa uma metodologia semelhante, o volume da maré entra por uma câmara de concreto especialmente construída através de um canal. Quando a maré recua, cria um enorme vácuo que suga o ar para dentro, fazendo a turbina se movimentar.

Superando as expectativas
O projeto marca a primeira demonstração da tecnologia no mundo real, após extensos testes em uma ampla gama de condições simuladas no Australian Maritime College em Launceston, Tasmania.

“Em alguns casos, o desempenho de nossa tecnologia no oceano superou as expectativas devido às lições que aprendemos com o projeto, melhorias tecnológicas e refinamentos que fizemos ao longo do ano.” disse o CEO da WSE, Paul Geason, em um comunicado à imprensa.

O cofundador e CEO da WSE, Tom Denniss, disse à RenewEconomy que a empresa estava particularmente empolgada com o potencial da última aplicação da tecnologia, como uma solução climática para nações insulares que buscam reduzir o uso de combustível fóssil e se preparar contra elevação do nível do mar e erosão costeira que está sendo acelerada por eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

Projeção de como a tecnologia poderia ser utilizada para proteger áreas costeiras | Imagens: Wave Swell
“Lugares como as Maldivas… são muito vulneráveis e, eventualmente, nas próximas décadas, provavelmente precisarão de muros marítimos construídos em cada metro de cada ilha. Por que não torná-los um quebra-mar ou paredão de produção de energia e obter benefícios duplos”, disse Denniss à RenewEconomy.

“Já estamos discutindo com dois grupos diferentes em outras partes do mundo [sobre essa aplicação do Uniwave] porque eles também podem ver o benefício nisso.”

*Por Mayra Rosa
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*Fonte: ciclovivo

Infraestrutura natural reduz efeitos de mudanças climáticas nas cidades

O crescimento e adensamento populacional tem se mostrado um fenômeno irreversível no mundo todo. O último relatório das Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre a população global projetou que, em 2100, a quantidade de pessoas no planeta pode chegar a 10,9 bilhões, levantando preocupações quanto à pressão sobre as cidades, em especial em áreas sensíveis como o acesso à água.

Uma das alternativas que têm avançado nos últimos anos para ajudar a enfrentar o problema é a chamada infraestrutura natural, que consiste na incorporação de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) para resolver questões relacionadas à segurança hídrica e à resiliência.

Por meio da implantação de áreas verdes em pontos estratégicos das cidades, cria-se um sistema natural capaz de absorver a água da chuva, filtrar sedimentos do solo e reduzir custos com saneamento e saúde pública.

O projeto de telhado verde mais conhecido de Blumenau está situado na sede da Cia. Hering e foi idealizado por Burle Marx, um dos principais paisagistas que já atuaram no país.

“Muitas cidades estão pensando em seus sistemas de drenagem porque as tubulações que existem hoje, feitas décadas atrás, não dão conta de escoar o volume atual de água durante grandes tempestades, que acaba provocando enchentes e invadindo edificações. Isso é especialmente importante num cenário de crise climática, em que as chuvas estão cada vez mais intensas e concentradas em curtos períodos, criando uma sobrecarga sobre esses sistemas”, explica o gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, André Ferretti.

“ADOTAR ESTRATÉGIAS QUE USAM A PROTEÇÃO DA NATUREZA COMO SOLUÇÃO ELEVA OS MUNICÍPIOS AO QUE CHAMAMOS DE CIDADES BASEADAS NA NATUREZA.”

A aplicação prática da infraestrutura natural acontece por meio de soluções como jardins de infiltração, parques e telhados verdes, que juntos podem reduzir a quantidade de água que chega aos sistemas de drenagem, gerando ao mesmo tempo benefícios socioeconômicos.

Saúde e economia
“Ao absorverem a água da chuva e diminuírem sua velocidade de escoamento até chegarem às tubulações, essas áreas verdes, com solo altamente permeável, ajudam a prevenir a ocorrência de enchentes e alagamentos, o que evita muitos prejuízos. Esses espaços também servem como áreas de lazer e bem-estar para a população.”

Um estudo do World Resources Institute (WRI Brasil), publicado em 2018 em parceria com diversas entidades, mostrou que o aumento da cobertura florestal em 8% no Sistema Cantareira, na capital paulista, poderia reduzir em 36% a sedimentação.

“Ao impedir que mais sedimentos cheguem aos rios e, consequentemente, às estações de tratamento, a infraestrutura verde também alivia os cofres públicos, reduzindo o custo de tratamento da água que abastece as cidades”, completa André.

Para se ter uma ideia do impacto que isso pode gerar, a Estação de Tratamento de Água do Guandu, a maior do mundo, que fica no Rio de Janeiro, gasta 140 toneladas de sulfato de alumínio, 30 toneladas de cloreto férrico e mais 25 toneladas de cal diariamente para retirar impurezas da água que abastece a Região Metropolitana do Rio.

Ferretti cita ainda o exemplo do movimento Viva Água, que reúne diversos atores para proteger e recuperar ecossistemas naturais e incentivar o empreendedorismo com impacto socioambiental positivo na Bacia do Rio Miringuava, em São José dos Pinhais (PR), minimizando a sedimentação do rio e contribuindo com a segurança hídrica da região.

Entre as principais ações de urbanismo que as grandes cidades estão colocando em prática estão os jardins de infiltração. Também conhecidos como jardins de chuva, são espaços ao longo do território urbano que servem como esponjas, ajudando na absorção da água.

Além do aspecto funcional, contribuem para a valorização do espaço público e das propriedades em seu entorno. O ideal é que sejam instalados em partes mais baixas do terreno, que tendem a ser mais impactados por fortes chuvas.

Opção já bastante conhecida, mas com aplicação ainda pouco disseminada, é o telhado verde. Esse tipo de recurso auxilia na regulação microclimática das edificações e ajuda a acumular a água da chuva, sobretudo quando usado em conjunto com cisternas.

“Essa água pode ser usada para a limpeza das áreas comuns, reduzindo o consumo de água potável. Isso é ainda mais importante nos períodos de seca”, diz Ferretti.

Outra aplicação da infraestrutura natural acontece por meio dos parques e áreas verdes em geral, que além dos benefícios similares de filtragem de sedimentos e retenção de água, geram impacto positivo sobre a saúde e o bem-estar das pessoas, à medida que se tornam espaços de lazer e relaxamento para a população e atuam na redução da poluição sonora e atmosférica.

Além disso, as árvores também reduzem a velocidade de escoamento da água, impedindo que o sistema de drenagem se sobrecarregue rapidamente.

Políticas públicas
“Evitar alagamentos é igual reduzir grandes despesas, desde o tratamento da água até o sistema de saúde. Em um cenário de mudanças climáticas, com chuvas intensas seguidas por longos períodos de estiagem, ter controle sobre a disponibilidade da água é uma questão de sobrevivência”, afirma o gerente da Fundação Grupo Boticário.

De acordo com o DataSUS, em 2018, foram registradas mais de 230 mil internações por doença de veiculação hídrica, provocadas principalmente por falta de saneamento básico ou pelo contato com água suja em enchentes. Entre as doenças estão diarreia, leptospirose e hepatite A. Os gastos com internações com estas enfermidades no Sistema Único de Saúde (SUS) chegou a R$ 90 milhões no mesmo ano, segundo o Painel Saneamento Brasil, do Instituto Trata Brasil.

“O PODER PÚBLICO PRECISA PERCEBER QUE ISSO TEM VALOR. E AGORA, NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS, O ELEITOR PODE AVALIAR E COBRAR DOS CANDIDATOS ESSE TIPO DE COMPROMISSO”, FINALIZA ANDRÉ.

*Por Natasha Olsen
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*Fonte: ciclovivo

Chegamos ao Dia da Sobrecarga da Terra

Uma conta que não fecha: no dia 28 de julho já consumimos os recursos naturais renováveis que deveríamos usar em 2022

“A natureza pode suprir todas as necessidades do homem, menos a sua ganância”. Esta afirmação de Mahatma Gandhi faz muito sentido, principalmente no dia de hoje. Hoje, 28 de julho de 2022, chegamos ao Dia da Sobrecarga da Terra – uma data criada para nos lembrar dos recursos naturais que temos no planeta e do uso que estamos fazendo deles.

Desde 1970, Global Footprint Network calcula o momento em que o nosso consumo anual de serviços e recursos naturais ultrapassa o que a Terra pode regenerar naquele mesmo ano. Em 2021, esta data chegou em 29 de julho. Em 2022, no dia 28 de julho, o que mostra que novamente entramos “no cheque especial” do planeta um pouco depois da metade do ano.

Como já consumimos todos os recursos naturais que deveríamos consumir até o último dia de 2022, a partir de hoje estamos usando aquilo que já não pode ser regenerado. Para piorar, além de consumir mais recursos e serviços naturais do que o planeta é capaz de suprir, devolvemos para o lugar onde vivemos poluição na forma de resíduos, gases de efeito estufa numa quantidade muito maior do que a que pode ser absorvida.

Como é feito o cálculo?
Para calcular o Dia da Sobrecarga da Terra a Global Footprint Network divide a biocapacidade do planeta (a quantidade de recursos que a Terra é capaz de regenerar por ano) pela pegada ecológica da humanidade (nossa demanda de recursos naturais por ano) e multiplica o valor por 365 (número de dias em um ano), chegando a um resultado que vem piorando desde 1971, quando começou a contagem — na época, a data caiu em 25 de dezembro.

A situação é ruim e vem piorando ano a ano, com o Dia da Sobrecarga da Terra chegando cada vez mais cedo. A única vez em que houve um retrocesso foi em 2020, quando a pandemia desacelerou a economia e a data recuou 3 semanas e chegou em 22 de agosto.

Existem pequenos “vitórias” em relação à 2022. A primeira é que a antecipação de apenas um dia em relação ao ano anterior pode ser considerada mais lenta do que em anos anteriores quando o Dia da Sobrecarga da Terra se antecipou em até 10 dias. Esta desaceleração tem a ver com um crescimento de 0,4% da biocapacidade do planeta e ao fato de que a economia mundial ainda não se recuperou.

Ou seja, não temos muito o que comemorar, mas sim pensar em como podemos reverter uma conta “simples”: para manter nosso padrão de vida, precisaríamos de 1,75 planeta. Como não temos mais de um planeta, é preciso repensar e mudar a maneira como vivemos na Terra.

Voltamos ao que disse Gandhi: a natureza é capaz de dar tudo o que precisamos ara viver, mas não pode mais alimentar uma ganância sem limites. E quando pensamos na quantidade de pessoas que sobrevivem sem acesso ao que deveria ser um direito universal, como alimentação e água potável, vemos que a ganância humana gera uma dívida ambiental que está sendo deixada para as próximas gerações e também uma desigualdade desumana.

O que podemos fazer?
“Ainda que a antecipação em ‘apenas’ um dia possa ser vista de forma positiva, precisamos entender que há muito a ser feito. É urgente a necessidade de novos modelos de produção e de consumo para reduzirmos as emissões de gases de efeito estufa e a demanda por recursos naturais para conseguirmos ‘jogar’ o Dia da Sobrecarga da Terra para mais adiante”, afirma Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, que trabalha com a sensibilização e a mobilização para o consumo consciente

A mudança precisa ser proporcional ao tamanho do impacto que a humanidade está provocando no planeta – ou seja, enorme! Além das ações individuais, é necessário cobrar de empresas e governos um rumo diferente. Se as ações individuais podem fazer a diferença, decisões de quem nos governa e de quem produz em grande quantidade têm um impacto fundamental.

Individualmente podemos votar em pessoas e partidos que nos representem e estejam comprometidos com um desenvolvimento sustentável, em que a preservação do meio ambiente seja prioridade. Podemos também escolher produtos e marcas responsáveis, que tenham compromisso com uma produção ambientalmente e socialmente correta, além de darem o destino adequado à poluição que gera, antes, durante e depois da geração de seus produtos.

Faça a sua parte!
A boa notícia é que também podemos contribuir para adiar o dia da Sobrecarga da Terra. Todos os anos o Instituto Akatu traz algumas dicas, com escolhas e atitudes que estão ao nosso alcance. Estas são as orientações

Proteja as florestas tropicais
Restaurar e proteger as florestas tropicais, como a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica, pode atrasar o Dia da Sobrecarga da Terra em 7 dias. Denuncie queimadas e desmatamento, apoie instituições que protegem o meio ambiente e têm projetos de reflorestamento e priorize empresas comprometidas com a defesa da biodiversidade e com a preservação da natureza.

Combata o desperdício de alimentos
Cortar o desperdício de alimentos pela metade em todo o mundo traria um alívio de 13 dias na conta da Sobrecarga da Terra. Dê o exemplo em casa: prepare só a quantidade necessária de alimento, faça o uso integral de frutas, legumes e vegetais, congele o que sobrou para comer no dia seguinte ou reutilize as sobras criando novas receitas.

Diminua o consumo de carne
Uma redução de 50% no consumo global de carne, substituindo essas calorias por uma dieta vegetariana, é capaz de mudar o Dia da Sobrecarga da Terra em 17 dias. Comece reduzindo o consumo de carne aos poucos, encontrando alternativas como proteínas vegetais (soja, grão-de-bico, tofu, quinoa, lentilha e outras).

Economize e reutilize a água
As tecnologias comerciais já existentes para edifícios, processos industriais e produção de eletricidade podem atrasar o Dia da Sobrecarga da Terra em 21 dias. Verifique vazamentos, feche a torneira e evite o desperdício de água nas atividades do dia a dia, como ao lavar a louça, escovar os dentes e tomar banho. Se possível, reutilize a água da máquina de lavar para limpar o chão e a calçada.

Prefira casas inteligentes e sustentáveis
A popularização de casas inteligentes e sustentáveis, que utilizam tecnologias, processos industriais e produção de eletricidade já existentes, pode atrasar o Dia da Sobrecarga da Terra em 21 dias. Na hora de morar ou construir, por exemplo, evite o desperdício de materiais e prefira ambientes com boa iluminação natural, buscando sempre uma eficiência no consumo de água, energia e materiais.

Priorize fontes renováveis de energia
Estima-se que a geração de 75% da eletricidade a partir de fontes de baixo carbono, acima dos 39% atuais, atrasaria o Dia de Sobrecarga da Terra em 26 dias. Se possível, utilize a geração de energia solar ou dê preferência a empresas que usem ou estimulem o uso de fontes de energia renováveis.

Quer saber qual a sua pegada ecológica? No site Footprint Calculator é possível calcular quantos planetas seriam necessários se todos no mundo vivessem como você.

*Por Natasha Olsen
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*Fonte: ciclovivo

Como os animais sabem quem são seus predadores?

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. A natureza é um mundo selvagem onde todos os dias diversas espécies precisam batalhar por suas chances de sobrevivência. Isso quer dizer que, enquanto predadores precisam de técnicas mirabolantes para capturar suas vítimas, as presas precisam encontrar maneiras de fugir dessas ameaças.

Porém, como é que um animal consegue identificar quem são seus predadores e entender que ele representa um risco? Em termos gerais, as espécies de presas podem identificar seus inimigos com base numa mistura de instinto e experiência. Entenda mais sobre como essas interações acontecem nos próximos parágrafos!

Questão de instinto

Para conseguir escapar da morte iminente, muitas espécies dependem de algumas pistas sensoriais para saber que um predador está por perto. E o que isso significa? Esses sinais são divididos em quatro grandes categorias: pistas visuais, táteis, auditivas e químicas. Algumas criaturas podem apresentar comportamentos de mais de uma categoria ao mesmo tempo, mas tendem a se basear em um predominante.

Normalmente, diferentes tipos de presa conseguem reagir a um objeto próximo por conta de sua visão — identificando movimentos súbitos e entendo eles como uma ameaça. Algumas aranhas e lagartos, por sua vez, conseguem sentir as vibrações dos passos de um predador que esteja por perto.

Os caracóis aquáticos, principalmente as lapas antárticas, podem distinguir o toque e assinatura química de uma estrela-do-mar predadora em qualquer pequeno resquício. Porém, as pistas não dependem só dos predadores. Muitas espécies são programadas para receber o alarme de outras presas ameaçadas, criando um comportamento de proteção em grupo para aumentar as chances de sobrevivência.

Distinguindo ameaças

Para alguns animais, entretanto, é preciso um pouco mais de prática para reconhecer um predador. Principalmente entre espécies que não costumam compartilhar espaço com um grande carnívoro, identificá-lo como uma ameaça torna-se mais difícil e é comum que essas presas não temam seus inimigos tanto assim.

Quando os lobos foram reintroduzidos ao Parque Nacional Grand Teton, nos Estados Unidos, em 1998, os alces da região demoraram para aprender que isso era uma ameaça — achando que o animal poderia ser simplesmente um coiote maior. Foi preciso uma grande quantia de mortes até que o comportamento da espécie mudasse por completo e eles entendessem o que estava acontecendo.

Espécies presas em locais sem predadores demonstram comportamento menos vigilante e menor probabilidade de se mudar para um lugar diferente para se defender. Portanto, esses instintos só se tornam realmente mais aguçados quando a situação mostra que é necessário.

Esse é um problema que faz com que espécies invasoras consigam tomar conta de um território rápido demais, uma vez que os outros animais do ecossistema não estão preparados para tal perigo. As relações predador-presa são complicadas, especialmente quando envolve atividade humana no meio, mas a natureza parece se moldar às condições que surgem com o tempo.

*Por Pedro Freitas
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*Fonte: megacurioso

Ursos polares estão comendo mais lixo por causa das altas temperaturas

Aquecimento do Ártico e derretimento do gelo marinho faz os animais passarem fome e encontrarem outras maneiras de se alimentar em lixões

O aquecimento do Ártico continua a causar efeitos desastrosos para a vida selvagem da região, principalmente para os ursos polares. Atualmente, em vez de caçar focas no gelo marinho, os animais passam mais tempo jejuando ou vasculhando lixões, que aparecem com o aumento da atividade humana no norte.

A denúncia é de um artigo publicado na revista Oryx no dia 20 de julho, que compartilha histórias de seis comunidades no Ártico que tiveram interações negativas entre humanos e ursos polares no Canadá, Rússia, Alasca e Noruega. “É surpreendente quantos lugares que nunca tiveram problemas com ursos polares agora estão tendo problemas emergentes”, disse o Andrew Derocher, biólogo da Universidade de Alberta, em entrevista à Reuters.

Para os ursos pretos e marrons, que tiveram seus habitats ocupados por humanos há muito tempo, essa é uma situação normal, sendo comum ver vídeos dos bichanos invadindo casas e carros em busca de lanches. Os autores do artigo afirmam que essa é a primeira análise ampla do problema entre os ursos polares.

O Oceano Ártico está aquecendo quatro vezes mais rápido que o resto do mundo e, como resultado, o gelo marinho do Ártico está derretendo mais cedo a cada primavera e se formando mais tarde a cada outono. Com menos gelo marinho, os ursos não têm como caçar, passam mais fome e acabam ficando mais tempo em terra.

Os ursos vão atrás de lixões, uma tendência que é perigosa para ambos animais e humanos. Durante esse processo, os ursos também ingerem embalagens plásticas de alimentos, madeira, metal e outros materiais não comestíveis que são extremamente nocivos à saúde deles.

Os pesquisadores relatam ainda que, com outros tipos de ursos, quando o acesso a alimentos e lixo é cortado, os animais retornam às suas estratégias naturais de alimentação. Por isso, acreditam que com os ursos polares possa acontecer o mesmo, desde que as comunidades das regiões árticas se mobilizem para resolver o problema.

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*Fonte: revistagalileu

Os 10 rios mais poluídos do Brasil

Os rios mais poluídos do Brasil são reservatórios d’água que foram contaminados com resíduos químicos, biológicos e até físicos, o que origina danos ao solo, fauna, flora e à vida humana de maneira geral. A qualidade da água é representada por um conjunto de fatores que se medem a termos químicos, físicos e biológicos. Essas características precisam se manter a certos níveis, dentro dos padrões da Origanização Mundial da Saúde estabelecidos para os valores da qualidade da água.

Os rios contêm tanto poluentes orgânicos quanto inorgânicos. Pesticidas e fertilizantes escorrem dos pátios residenciais para os rios. Os poluentes biológicos, tais como resíduos de animais domésticos, sedimentos e resíduos agrícolas também são encontrados em águas poluídas de rios. Nitratos e fosfatos também são contaminantes comuns encontrados nos rios mais poluídos do Brasil. Os resíduos industriais, devido à falta de fiscalização, também são grandes componentes da destruição dos nossos rios.
Problemas de saúde associados à poluição dos rios
Os problemas de saúde podem ser causados pela exposição a algas tóxicas de várias maneiras diferentes. Nadar em água contaminada, lavar as mãos nela ou bebê-la pode causar problemas de saúde leves a graves. Alguns dos problemas mais comuns são problemas estomacais, problemas hepáticos, problemas neurológicos, erupções cutâneas e problemas respiratórios.

Os rios mais poluídos do Brasil
Os rios listados abaixo já estão poluídos e espera-se que a lista cresça à medida que as leis e a fiscalização minimizem práticas ilícitas realizadas por empresas e grandes corporações, que ignoram as preocupações e as leis ambientais. O ecossistema continuará a degenerar nestas áreas fluviais até que sejam tomadas medidas como: melhorar o saneamento básico das cidades; aumentar a limpeza dos rios; proibir e fiscalizar a liberação de mais lixos e toxinas neles.

A lista a seguir foi formulada a partir dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do IBGE.

1. Rio Tietê, São Paulo
Rio Tietê, São PauloO Rio Tietê tem 1.135 km de extensão, e passa pelo estado de São Paulo de leste a oeste. Na capital, o rio corre de maneira adjacente à Marginal Tietê, por onde dois milhões de carros passam ao dia. É uma área economicamente importante, mas que chama atenção devido aos problemas ambientais em torno do rio. Projetos que visam sua limpeza foram feitos desde 1992, sem sucesso. Partes do rio são consideradas como mortas, devido à falta de oxigênio na água.

2. Rio Iguaçu, Paraná
Rio Iguaçu, ParanáO Rio Iguaçu é um rio afluente que começa no Paraná, sendo o maior rio do estado. Tem 1.320km de extensão, e compartilha uma borda com a Argentina. Na cidade de Foz do Iguaçu se encontram as maiores cachoeiras do mundo, em termos de volume d’água, as Cataratas do Iguaçu.
Em 2000, a Petrobrás vazou 4 milhões de litros de petróleo no rio, causando um grande desastre ambiental.

3. Rio Ipojuca, Pernambuco
Rio Ipojuca, PernambucoIpojuca significa “água de raízes podres”, na língua nativa tupi. O rio corre por mais de 12 municípios, que liberam grandes quantidades de poluidores industriais nele. Essa alta quantidade de detritos domésticos e industriais tornam o Ipojuca um dos rios mais poluídos do Brasil.

4. Rio dos Sinos, Rio Grande do Sul

Rio dos Sinos, Rio Grande do SulO Rio dos Sinos sustenta mais de 1.3 milhão de habitantes. A maior parte da sua poluição advém da negligência humana com o lixo e esgoto, mas grande parte de resíduos industriais e irrigações agrícolas também se abastecem com o rio. Em 2006, um desastre ambiental matou pelo menos 1 milhão de peixes durante a época reprodutiva. Esse foi o maior desastre ambiental do Rio Grande do Sul nos últimos 40 anos.

5. Rio Gravataí, Rio Grande do Sul
Rio Gravataí, Rio Grande do SulO Rio Gravataí é responsável por manter o abastecimento de água, irrigação dos campos de arroz, diluição do esgoto doméstico e efluentes industriais. Tem 34km de extensão, e 1 milhão de pessoas dependem dele. Essa fonte d’água é o que impulsiona o desenvolvimento de toda a região.

6. Rio das Velhas, Minas Gerais
Rio das Velhas, Minas GeraisO Rio das Velhas foi usado historicamente na época em que o Brasil era colônia, para o transporte de ouro entre as cidades. Hoje, parte da água é usada para as estações de tratamento, enquanto o resto recebe grande parte do esgoto. A degradação ambiental, combinada com a grande quantidade de minério de ferro transformaram uma seção do rio no que é conhecido como as “águas vermelhas”, onde quase não há vida.

7. Rio Capibaribe, Pernambuco
Rio Capibaribe, PernambucoUm dos rios mais poluídos do Brasil, cujo nome vem da língua nativa tupi, e significa “rio das capivaras”. Tem 240km de extensão. A região baixa do rio foi onde se estabeleceram as primeiras lavouras de cana-de-açúcar.

8. Rio Caí, Rio Grande do Sul
Rio Caí, Rio Grande do SulSua cobertura d’água ocupa 1,79% da superfície do estado. A maior parte da poluição se origina da grande presença de indústrias na área, especialmente o ramo da metalurgia e as companhias mecânicas.

9. Rio Paraíba do Sul, estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais
Rio Paraíba do Sul, estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas GeraisO Rio Paraíba do Sul tem 1.120 km de extensão, e passa pela importante região do Vale do Paraíba, que é uma importante região econômica do país, responsável por grande parte do PIB nacional. Dentre os poluidores se encontram os resíduos industriais, a criação de gado e a exploração agropecuária. Há também os danos causados pela mineração de areia, que altera o curso do rio e rebaixa as matas ciliares, causando sedimentação e contribuindo para uma menor navegabilidade.

10. Rio Doce, Minas Gerais
Rio Doce, Minas GeraisO Rio Doce tem 853 km de extensão, e é um dos rios mais poluídos do Brasil. As degradações se devem às contaminações químicas oriundas das indústrias, e aos pesticidas e herbicidas usados nas fazendas, o que ameaça a saúde dos cidadãos locais.

*Por Dominic Albuquerque e Damares Alves
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*Fonte: socientifica

Os 10 países mais ecológicos do mundo

O Índice de Desempenho Ambiental (IDA) é um fator chave para indicar a vitalidade do ecossistema de um país e sua saúde ambiental, podendo assim determinar os países mais ecológicos do mundo. 23 indicadores são analisados, dentre 11 questões envolvendo qualidade do ar, saneamento e água potável, metais pesados, biodiversidade e habitat, serviços de ecossistema, pesca, mudança climática, emissores de poluição, recursos d’água, agricultura e gestão de resíduos. A lista abaixo inclui os 10 países mais ecológicos do mundo, de acordo com o IDA.

Os países mais ecológicos do mundo

10. Islândia
green1A Islândia é admirada há um bom tempo por suas políticas ambientais. Com pontuação de 62.80 no IDA de 2002, é um dos países mais ecológicos do mundo. Os setores bem desenvolvidos de energia hidro e geotérmica fornecem a energia às indústrias da nação. O país promove um estilo de vida ecológico, inclusive com ecoturismo. O governo também incentiva o desenvolvimento de produtos com tecnologia verde.

9. Suíça
green2A Suíça teve pontuação de 65.9 em 2022, descendo 6 posições do ranking de 2021, onde ocupava a terceira posição. O país tem alta pontuação em termos de recursos d’água, limpeza da água, sustentabilidade e saúde ambiental.

Itens ecológicos estão se tornando cada vez mais comuns e necessários no setor público da Suíça. Além disso, é um dos países que mais recicla no mundo. A Suíça também usa todas as formas disponíveis de energia geotérmica e solar, assim como turbinas eólicas. A energia hidrelétrica amonta cerca de 56% das fontes renováveis de energia do país.

8. Áustria
A Áustria tem pontuação de 66.5 na escala do IDA, o que a torna um dos países mais ecológicos do mundo. Uma das maneiras pelas quais mantém esse índice é a preservação contínua das condições naturais do seu meio ambiente. O país tomou vários passos significativos, inclusive integrando a preservação ambiental dentre os seus objetivos sociais e econômicos. Na Áustria, viver em harmonia com o meio ambiente é um estilo de vida. Muitos prédios em Vienna, por exemplo, são ecológicos, e as cidades são ricas em parques. Além disso, a agricultura e silvicultura do país se baseiam na sustentabilidade, e têm feito avanços nesses campos recentemente.

7. Eslovênia
Com pontuação de 67.30, a Eslovênia é um dos países mais ecológicos do mundo. Os esforços nos tempos recentes para proteger a herança natural do país é uma das principais razões pela colocação da Eslovênia no ranking. O país protege mais de 30% do seu território.

6. Luxemburgo
green4Essa pequena nação tem ótimos índices nas áreas de biodiversidade, habitat e recursos aquáticos. A pontuação total é 72.3, com um ranking de destaque na conservação da biodiversidade e no gerenciamento da acidificação. O país está modernizando o seu sistema de transporte público, como forma de aliviar o trânsito, e tem aumentado sua dependência de energias renováveis nos últimos cinco anos, dobrando sua energia solar e triplicando sua energia eólica.

5. Suécia
green5A Suécia vem em quinto lugar dentre os países mais ecológicos do mundo, com pontuação de 72.70 no IDA. A Suécia é reconhecida pelo uso de energias renováveis e pela emissão mínima de dióxido de carbono. A utilização de energia renovável ajuda a reduzir significativamente a quantidade de carbono no ar, criando um ambiente mais limpo e seguro na Suécia. Além disso, o país recebeu notas de 100% nas categorias de qualidade do ar e recursos hídricos na exposição de PM2,5. Também se saiu muito bem na proteção de áreas marinhas e na prevenção da perda de pastagens e áreas úmidas. A Suécia continua sendo um país verde porque possui um dos melhores sistemas de governança ambiental do mundo.

4. Malta
A nação insular de Malta ficou em quarto lugar no EPI de 2022 com uma pontuação de 75,20. O país obteve a primeira colocação em várias categorias avaliadas pelo EPI, especialmente biodiversidade e gestão de serviços ecossistêmicos. Também teve um bom desempenho no controle da taxa de acidificação, na redução dos poluentes que causam as mudanças climáticas e no fornecimento de água potável para seus cidadãos.

3. Finlândia
green6Com índice de 76.50, a Finlândia é o terceiro dentre os países mais ecológicos do mundo. O país recebeu as melhores pontuações em gerenciamento de perda de pastagens, controle de acidificação, tratamento de águas residuais, saneamento e provisão de água potável e várias outras áreas. A Finlândia obtém mais de 35% de sua energia de fontes renováveis, e proteger suas florestas e biodiversidade é uma das principais prioridades do país.

2. Reino Unido
O Reino Unido ficou em primeiro lugar em gestão de combustíveis sólidos domésticos, saneamento e água potável e políticas de mudanças climáticas, o que o ajudou a ficar em segundo lugar com uma pontuação de 77,70 na escala EPI. Atualmente, o Reino Unido abriga 8.879 turbinas eólicas que fornecem ao país energia sustentável e limpa. A nação tem grande dedicação em deixar o meio ambiente em melhores condições do que o encontrou. O núcleo deste compromisso é a agricultura sustentável.

1. Dinamarca
green7A Dinamarca, dentre os países mais ecológicos do mundo, ocupa o primeiro lugar, com IDA de 77.90. A Dinamarca se destaca por ter excelentes classificações nas categorias de “biodiversidade e habitat” e “qualidade do ar”. O governo dinamarquês implementou medidas ecológicas para incentivar as pessoas a utilizar o transporte público com mais frequência e reduzir o uso de veículos particulares, o que contribui para diminuir a poluição do ar. Inúmeras ciclovias também foram construídas para incentivar o uso de bicicletas. Além disso, a Dinamarca tem uma longa história de criação e utilização de energia renovável. A Dinamarca há muito prioriza a sustentabilidade, defendendo produtos limpos como hotéis ecologicamente corretos, barcos movidos a energia solar e alimentos orgânicos, além de promulgar algumas das legislações mais eficazes do mundo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e impedir as mudanças climáticas.

*Por Dominic Albuquerque
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*Fonte: socientifica

Como saber se uma ave é macho ou fêmea

Observadores de aves comumente desejam ir além da simples identificação das espécies que assistem com tanta dedicação. Mas como eles fazem para saber se uma ave é macho ou fêmea? Desvendar essa diferença necessita de uma observação minuciosa e atenta, pois, ainda que nem todas as espécies tenham diferenças visíveis de gênero, é frequente a chance de determinar, através de sua aparência ou comportamento, o sexo da ave.

Como saber se uma ave é macho ou fêmea pela aparência

Muitas espécies de aves apresentam dimorfismo — ou seja, exibem características visíveis de acordo com seu gênero. Geralmente, os machos possuem cores brilhantes e chamativas, que servem para atrair a atenção das fêmeas. As fêmeas, por sua vez, normalmente têm uma coloração simplória, com menos marcas distintas, servindo para facilitar sua camuflagem no ambiente enquanto elas tomam conta do ninho ou protegem os filhotes.

As diferenças físicas entre os gêneros das aves ficam mais aparentes durante a primavera e verão, no período reprodutivo, quando as cores intensas atraem parceiros de maneira mais eficaz. Cores fortes também são menos perigosas durante os meses do verão, quando aves coloridas também podem misturar-se às flores e folhagens brilhantes. Para algumas espécies, os machos mudam para uma plumagem menos brilhante e mais camuflada a cada outono, mas retornam às cores normais quando chega a primavera. Outra diferença comum entre os gêneros é o tamanho. Em muitos casos, as fêmeas são maiores que os machos, ainda que, para a maioria dos passeriformes — ou seja, as aves canoras —, essa diferença só seja visível quando ficam lado a lado. Espécies maiores de aves de rapina, como a águia dourada, tipicamente possuem diferenças de tamanho bem mais proeminentes entre machos e fêmeas.

Mesmo que o tamanho geral das aves não seja tão diferente, pode haver diferenças de tamanho no comprimento do bico ou em penas específicas, como cristas mais altas ou serpentinas de cauda mais longa.

Como saber se é macho ou fêmea pelo comportamento
Infelizmente, muitas espécies de aves não exibem facilmente as diferenças entre macho e fêmea. Isso ocorre com espécies de gaivotas, chapins e muitos pardais. Mas uma observação atenta do comportamento das aves pode, contudo, oferecer pistas sobre o gênero de cada um.

Machos podem migrar mais cedo do que fêmeas, em vista de demarcar e defender territórios. Essas mesmas aves frequentemente são bem vocais e cantoras talentosas, usando suas canções para atrair companheiras, assim como para alertar sua presença e marcar um território que possa estar sendo disputado. As fêmeas podem se unir ao canto, mas são bem mais silenciosas de maneira geral, especialmente quando no ninho.

Em muitas espécies, durante o cortejo, os machos alimentam as fêmeas da mesma forma que alimentarão os filhotes enquanto elas cuidam dos recém-nascidos. Machos também realizam danças mais elaboradas, posando ou fazendo outras coisas para seduzir as fêmeas que assistem suas performances. Frequentemente, também são mais agressivos que as fêmeas, caçando intrusos ou até mesmo entrando em combates contra outras aves, ou predadores de outros tipos.

Dicas finais
Para saber se uma ave é macho ou fêmea com precisão, o primeiro passo é identificar a espécie. Se a espécie tiver dimorfismo, a tarefa é mais fácil. Se o macho e a fêmea são semelhantes, tome cuidado, pois uma observação mais longa pode ser necessária antes de determinar qual o gênero. Em alguns casos, pode ser quase impossível dizer com certeza qual ave é macho ou fêmea. Mas mesmo que o gênero não possa ser confirmado, uma observação cuidadosa de interações entre os parceiros ajudarão a melhorar essa habilidade de identificação, além de melhorar a experiência de observar essas criaturas.

*Por Elisson Amboni
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*Fonte: socientifica

Brasileiros mal compreendem os serviços dos oceanos

Uma nova pesquisa ‘Oceano Sem Mistérios: A Relação dos Brasileiros com o Mar’ realizada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em parceria com a Unesco e a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), entrevistou 2.000 pessoas entre homens e mulheres. As idades variaram de 18 até 64 anos. Entrevistados de todas as classe sociais nas cinco regiões do País. Resultados? Nada alentadores. A pesquisa será apresentada na Conferência dos Oceanos, da ONU.

Oceano Sem Mistérios: A Relação dos Brasileiros com o Mar
Para começar, apenas 34% dos brasileiros entendem que suas ações podem afetar os oceanos. E, além disso, desconhecem que os oceanos são o pulmão do planeta.

A maior biodiversidade da Terra
Não sabem, igualmente, que os oceanos abrigam a maior biodiversidade da Terra. Estes, entre outros tópicos, reforçam dois problemas entre os muitos que temos: os brasileiros deram as costas para o mar. Isso, entretanto, não é novidade. E nosso ensino, que nunca foi suficientemente adequado, depois do atual governo ficou muito pior, embora não tenha sido o único período de mediocridade em Brasília.

Presidentes perderam a vergonha
Acima de tudo, há muito que nossos presidentes perderam a vergonha. Ao contrário, eles se gabam publicamente de seu obscurantismo. Depois do intelectual Fernando Henrique Cardoso, tivemos 13 anos de analfabetismo no poder, com Lula et caterva.

Em seguida, dois anos de alívio com Michel Temer; para mais quatro de pura burrice disseminada indiscriminadamente pelo mandatário e seu exército de brucutus nas redes sociais.

Cavalgaduras no ministério da Educação
Por exemplo, quem de nós (não jornalistas) seria capaz de, de bate-pronto, citar os nomes das cavalgaduras que sentaram-se na cadeira do ministério da Educação desde que Bolsonaro assumiu?

Um deles, mal falava o português. Outro, escrevia impressionante com a letra cê. E o penúltimo, recebia ‘pastores’ que cobravam propinas de prefeitos para liberar verbas para a…educação.

Logo, os resultados não poderiam ser diferentes, infelizmente.

A pesquisa e seus resultados
Segundo a Folha de S. Paulo, ‘Uma pesquisa inédita divulgada nesta terça-feira (28) indica que apenas 34% dos brasileiros entendem que suas próprias ações têm influência direta no oceano. Para 40% dos entrevistados, as atitudes individuais não têm qualquer impacto nos mares. Enquanto isso, 24% consideram haver repercussão indireta’.

Já o jornal O Globo destacou que ‘Quando mencionam qual o impacto direto dos oceanos, 14% da amostra se referem à poluição. Em segundo lugar, os entrevistados pensam em alimentação (12%) e 8% em mudança climática. Entretanto, só 4% citam oxigênio – apesar de os oceanos responderem por 50% do oxigênio que respiramos’.

O Globo ainda destacou que sobre a consulta a respeito das ações dos entrevistados e os impactos nos oceanos, para 34% sim, afetam diretamente.

Mas, ao mesmo tempo, 40% indicaram acreditar que não afetavam em nada a vida marinha. Contudo, para 45% dos entrevistados, o descarte incorreto do lixo é a maior ameaça. Enquanto isso, a poluição é apontada dessa mesma forma por 21% dos ouvidos. Outros 2% também citam a compra de produtos’.

Mudança de hábitos
Em quase todas as pesquisas sobre o meio ambiente a disposição para mudanças de hábitos é definitivamente das mais difíceis. Impera o comodismo até mesmo para aqueles que conhecem os problemas ambientais do País. Já comentamos diversas vezes a questão da Amazônia, por exemplo, tão conhecida e debatida.

Ao mesmo tempo, quase ninguém, mesmo os que se dizem ‘ambientalistas’, se preocupa com a origem da madeira ao comprar o material. Não por outro motivo, muitas espécies de madeira em extinção são vendidas facilmente nos maiores mercados nacionais.

Desta vez surgiu uma diferença
Porém, desta vez surgiu uma diferença destacada por O Globo: ‘De uma resposta que variava de zero a dez, sendo zero em nada dispostos a mudar hábitos pelo bem dos oceanos, a resposta foi alta. Uma média de 8,3 para alterar comportamentos em prol da saúde da vida marinha’.

Esta é, definitivamente, uma das boas novidades. Ao mesmo tempo, a revista Exame destaca outro ponto semelhante: a pergunta era se os entrevistados priorizam com frequência compras com menor impacto na natureza e no oceano, como embalagens de plástico, por exemplo.

Para 48% dos entrevistados a resposta foi positiva. Mas, para 22% a prática ocorre somente às vezes e, além disso, para 11% apenas raramente. Enquanto isso, o porcentual de pessoas que nunca se preocupam com a questão foi de 18%.

Plásticos de uso único
Segundo a Exame, apenas 35% dos brasileiros afirmam sempre evitar o uso de canudinhos e copos plásticos descartáveis, enquanto 12% evitam a maioria das vezes e 20% somente às vezes.

Não nos surpreende. Apesar da pandemia de plástico nos oceanos, a mídia raramente aborda a questão. Enquanto isso, tudo que vem da ciência é demonizado desde 2019. E tem sido a ciência a maior voz a alertar sobre estes problemas e suas consequências.

*Por Ubiratan Moreno Soares
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*Fonte: marsemfim

Copo compostável é feito de borra de café

Sua composição é resistente ao calor e projetada para manter o café quente por mais tempo.

Reaproveitando a borra de café, um casal nos Estados Unidos desenvolveu um copo compostável e reutilizável. A ideia é que o produto substitua os utensílios plásticos usados em cafeterias “para viagem”.

O copo compostável, batizado de Kreis Cup, é fabricado com borra de café e materiais à base de plantas, sendo totalmente livre de plásticos. A borra é seca, tratada e depois suspensa em um polímero natural seguro para alimentos.

Sua composição é resistente ao calor e projetada para manter o café quente por mais tempo. Por ser durável, o copo ecológico pode ser aplicado em programas retornáveis em que o cliente ganha desconto quando leva sua própria caneca.

Fabricação sustentável e boa durabilidade já seriam grandes vantagens do Kreis Cup frente aos copos de plástico, comumente usados. Entretanto, este copo ainda é compostável, o que significa que, ao chegar ao fim de sua vida útil, se desintegra facilmente no solo – em condições adequadas.

Neste momento, o produto está angariando verba na plataforma de crowdfunding Kickstarter para chegar ao mercado. A menos de 24 horas para o fim da campanha, já foram arrecadados mais do que o dobro da meta de financiamento.

Outra companhia na Alemanha criou um produto similar, confira aqui.

Impacto do café
Sendo a bebida mais consumida no mundo, depois da água, o café gera toneladas de resíduos. De acordo com o Akatu, em 2017, consumimos 1,29 milhão de toneladas deste produto no Brasil e, com isso, geramos 838 mil toneladas de borra.

Ao ser reaproveitada, evita-se que a borra de café seja despejada no lixo e, posteriormente, seja enviada para aterros – onde vão emitir metano. Tal gás é 28 vezes mais nocivo do que o CO2 para o aquecimento global.

Além da necessária responsabilidade empresarial pelos resíduos, individualmente, também é possível aproveitar os nutrientes da borra de café para fertilizar o solo e fortalecer suas plantinhas ou até para limpar suas folhas. Confira ainda 9 maneiras de reaproveitar o pó de café.

*Por Marcia Sousa
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*Fonte: ciclovivo

Cientistas anunciam peixe-robô que limpará microplásticos dos oceanos

O problema dos microplásticos nos oceanos é algo que vem sendo tratado com urgência por pesquisadores. Então, foi uma boa notícia para o mundo a publicação de um estudo na revista Nano Letters na última quarta-feira (22).

Um grupo de pesquisadores conseguiu desenvolver um peixe-robô que pode resolver um pouco da poluição dos oceanos. Assim, o autômato, que possui 13 milímetros de comprimento e nada com a velocidade de um plâncton, é capaz de absorver microplásticos (que são aquelas partículas de plástico muito pequenas), que flutuam na água. Assim, a invenção limpa o ecossistema aquático desse males.

O robô de peixe foi feito com o uso de nanotecnologia, o que permite que seja feito de um material elástico e macio. Dessa forma, o robô pode ser torcido, suporta até cinco quilos de lixo e também é capaz de auto regeneração, de acordo com o The Guardian.

“Depois que o robô coleta os microplásticos na água, os pesquisadores podem analisar ainda mais a composição e a toxicidade fisiológica dos microplásticos”, explicou Yuyan Wang, um dos líderes do estudo.


A junção da tecnologia com a ecologia

Porém, é importante ressaltar que o autômato projetado para limpar os microplásticos dos oceanos é apenas um protótipo inicial. Sendo assim, ainda é necessário realizar mais pesquisas para que seja possível construir versões mais avançadas, capacitadas, por exemplo, a alcançarem águas mais profundas.

“Acho que a nanotecnologia é uma grande promessa para adsorção de traços, coleta e detecção de poluentes, melhorando a eficiência da intervenção e reduzindo os custos operacionais”, concluiu Wang, ainda segundo o The Guardian.

Microplásticos nos oceanos
Microplásticos são pedaços minúsculos de plásticos que podem ter um tamanho de 5mm. Dessa forma, dentre os problemas envolvidos, temos o impacto ambiental. Isso porque muitos animais aquáticos fazem a ingestão do microplástico, o que pode resultar na asfixia.

Quando não causa asfixia, a ingestão dos plásticos leva a lesões em órgãos internos e ao bloqueio do trato gastrointestinal. Além disso, os microplásticos alteram a composição dos mares e prejudicam o ecossistema.

De acordo com Raquel Neves, bióloga responsável pela pesquisa que aponta a alta quantidade de microplásticos no litoral do Rio, a poluição por plásticos dos oceanos e outros ecossistemas são de enorme preocupação.

“Não só pelos resíduos que causam mal ao organismo, mas também porque esses resíduos vão se degradando e formando micropartículas chamadas de microplásticos”, disse.

Além disso, ela explicou que as partículas não fazem mal apenas aos oceanos e animais marinhos, como também afetam a saúde humana. “Esses microplásticos podem ocasionar diversos prejuízos à saúde dos organismos e também à saúde humana. (…) Nós encontramos microplásticos em diversas praias cariocas. Não só na praia, na água ou na areia, mas também nos organismos, principalmente os consumidos por nós”, completou.

Os culpados
Assim sendo, um levantamento, feito em parceria com a Comlurb, revelou que o lixo encontrado nas praias do Rio não deriva do mar, mas sim das bolsas e isopores de banhistas.

Dessa forma, antes da pandemia, coletava-se entre 80 e 82 mil toneladas de lixo das areias, segundo a companhia de limpeza urbana, na Praia de Copacabana. Já durante o isolamento total, era 20 mil toneladas de lixo. No isolamento parcial, 35 mil toneladas na areia.

“Através de uma parceria realizada com a Comlurb, nós pudemos observar que durante o fechamento total das praias durante a pandemia da COVID-19 houve uma redução de 70% na quantidade total de resíduos sólidos coletados na Praia de Copacabana. Conforme as medidas foram sendo flexibilizadas, foi havendo um aumento na quantidade de resíduos coletados pela Comlurb, o que nos indica que a maior parte dos resíduos sólidos encontrados na praia de Copacabana são deixados pelos frequentadores”, finalizou Raquel ao G1.

*Por Maria Luiza Valeriano
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*Fonte: fatosdesconhecidos

Turismo espacial pode ser nova ameaça à camada de ozônio, diz estudo

Publicado na revista Earth’s Future, um estudo fruto da colaboração entre cientistas da University College London (UCL), University of Cambridge e o Massachusetts Institute of Technology (MIT), projeta os potenciais danos do turismo espacial para a camada de ozônio, e a contribuição desse novo seguimento para o aquecimento global.

Emissão de gases, lixo espacial, aquecimento na reentrada. Esses foram alguns dos dados analisados pelos pesquisadores para tentar prever quais seriam os impactos dos lançamentos de foguetes para o turismo espacial.

Ao analisarem os dados de 103 lançamentos, que ocorreram ao redor do mundo, no ano de 2019, o modelo 3D de química atmosférica apontou alguns dados alarmantes.

Os resíduos liberados pelos lançamentos dos foguetes são 500 vezes mais eficientes em manter o calor na atmosfera do que todas as outras fontes de fuligem e gases somados, inclusive os da indústria da aviação.

Outro fator observado, é que esses resíduos são liberados diretamente na estratosfera, durante o desacoplamento dos estágios dos foguetes, afetando a camada de ozônio.

Desde 1987, com a implementação do Protocolo de Montreal, a emissão de gases e fuligem tem sido amplamente discutidas, a fim de manter e recuperar a camada de ozônio.

Esse tratado internacional tem obtido sucesso em seu objetivo, mas caso não haja uma regulamentação para a indústria do turismo espacial, pode haver uma regressão nessas conquistas.

Com investimentos crescentes, o turismo espacial não está mais apenas no mundo das ideias. Empresas como a SpaceX, Blue Origin e Virgin Galatic, têm projetos bastante audaciosos no seguimento.

Mesmo que atualmente as emissões e impactos sejam mínimos, devido ao cenário eminente, os pesquisadores discutem sobre a importância da criação de uma regulamentação, para que os danos sejam minimizados, desde já, evitando que os avanços conquistados, como a recomposição da camada de ozônio, por exemplo, não sejam perdidos.

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*Fonte: tecmundo

Árvores conversam entre si, detectam perigos ao redor e ajudam as plantas mais velhas a se alimentar, garante estudo

As árvores têm amigos, sentem-se solitárias, gritam de dor e se comunicam por debaixo da terra via woodwide web. É o que afirma o engenheiro florestal Peter Wohlleben, no livro The Hidden Life of Trees (A Vida Oculta das Árvores, em português).

Segundo Wohlleben, algumas árvores agem como pais das outras e como boas vizinhas. Outras fazem mais do que projetar sombras: elas são verdadeiras defensoras contra espécies rivais. As mais novas correm riscos na ingestão de líquidos e na queda das folhas – e então mais tarde se lembram dos erros cometidos.

Certamente, sua próxima caminhada no parque será diferente, se você imaginar que embaixo dos seus pés as raízes das árvores estão crepitando com um bate-papo cheio de energia! O autor acredita que nós não sabemos nem metade do que está acontecendo debaixo da terra e das cascas das árvores: “Nós estamos olhando para a natureza há mais de 100 anos como se ela fosse uma máquina”, argumenta.

Wohlleben – sobrenome que, coincidentemente, quer dizer “viver bem” – desenvolveu seu pensamento ao longo da última década, enquanto observava o poderoso, e interessante sistema de sobrevivência da floresta de faia antiga, que ele gerencia nas montanhas Eifel, na Alemanha. “A coisa que mais me surpreendeu é quão sociais as árvores são. Eu tropecei em um velho toco um dia e vi que ainda estava vivo, embora tivesse 400 ou 500 anos, sem qualquer folha verde. Todo ser vivo precisa de nutrição. A única explicação é que ele foi mantido com uma solução de açúcar dada pelas árvores vizinhas, a partir de suas raízes. Como engenheiro florestal, eu aprendi que as árvores são concorrentes que lutam umas contra as outras, pela luz, pelo espaço, e ali eu vi que acontece o contrário. As árvores são muito interessadas em manter todos os membros de sua comunidade vivos”.

A chave para isso, ele acredita, é a chamada woodwide web (numa alusão à rede mundial de computadores, a worldwide web). Quando estão sob ataque, as árvores comunicam sua angústia para as outras a seu redor emitindo sinais elétricos a partir de suas raízes e de redes formadas por fungos (algo que se assemelha ao nosso sistema nervoso). Pelos mesmos meios, elas alimentam árvores atingidas, alimentam algumas mudas (seus “filhos mais amados”) e restringem outras para manter a comunidade forte.

“As árvores podem reconhecer com suas raízes quem são suas amigas, quem são seus familiares e onde estão seus filhos. Elas também podem reconhecer árvores que não são tão bem-vindas”, ele explica. Na análise de Wohlleben, é quase como se as árvores tivessem sentimentos e caráter. “Nós pensamos que as plantas são robóticas, seguindo um código genético. Plantas e árvores sempre têm uma escolha sobre o que fazer. As árvores são capazes de decidir, ter memórias e até mesmo personas diferentes. É possível que existam os mocinhos do bem e os do mau”, completa.

O livro The Hidden Life of Trees, What They Feel, How They Communicate, de Peter Wohlleben, foi publicado pela editora Greystone Books e está disponível em alemão e inglês.

*Por Eco Rede Social
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*Fonte: thegreenestpost

Estudante irlandês cria “imã” que atrai microplásticos

Na busca por limpar as praias que frequentava, Fionn criou um método inédito e recebeu um prêmio do Google

Depois do brasileiro Gabriel Fernandes Mello Pereira ser premiado no Stockholm Junior Water Prize 2021, outro jovem estudante recebeu um prêmio internacional por uma solução para combater a poluição por microplásticos. O irlandês Fionn Ferreira venceu a Feira Internacional de Ciências do Google criando uma espécie de “imã” que coleta microplásticos.

Fionn vive no sul da Irlanda e tem uma forte ligação com a natureza. Adora remar em seu caiaque e, nestes passeios, observa a grande quantidade de plástico, em diferentes tamanhos, presente na água e no solo. A quantidade crescente de poluição plásticas nas praias que ele frequentava desde criança despertou no jovem de 18 anos a vontade de resolver problema.

“Eu estava em nossa praia e vi uma rocha com resíduos de derramamento de óleo e partículas de plástico presas a esse óleo”, disse Fionn em uma apresentação de vídeo para a Fundação Sopa de Plástico.

“Eu me perguntei por que isso está acontecendo. Descobri que as partículas de plástico são o que chamamos de apolares, e o óleo também é apolar e, então, eles se atraem”, explica ele.

Depois, ele ouviu falar de algo chamado ferrofluido, que era uma espécie de água magnética combinando óleo vegetal com pó de óxido de ferro magnetizado.

Com esta informação, ele decidiu misturar óxido de ferro magnetizado e óleo vegetal e criou uma substância que atrai as partículas de plástico. Este “ímã líquido” coleta microplásticos que podem ser removidos da água por magnetismo. Na mesma apresentação em vídeo, ele mostra que o óleo atraiu os microplásticos, e a imersão de um ímã sugou tudo.

Fionn desenvolveu sua pesquisa em casa, criando seu próprio laboratório. Foto: Reprodução | YouTube
“Comecei como um inventor solitário”, disse Ferreira à BBC . “Depois da Feira de Ciências do Google, de repente pude falar com os cientistas – eles me deram crédito pelo que fiz. Minha ideia não era mais um brinquedo inventado por uma criança.”

De fato, depois de 5 mil testes, foi comprovado que o método criado por Fionn é capaz de limpar de 87% a 93% dos microplásticos da água.

Ele demonstrou seu método na Google Science Fair de 2019 e ganhou uma bolsa de US$ 50 mil que usou para estudar química na Universidade de Groningen, na Holanda.

Fionn agora está tentando encaixar seu método em um dispositivo que ser conectado a dutos de água domésticos, ou aos canos de uma estação de tratamento de esgoto, permitindo que o ferrofluido limpe continuamente a água que passa por ele. O dispositivo também pode ser instalado em uma máquina que seria montada em barcos.

“Sua invenção, baseada em componentes muito simples, é inovadora. Ele tem um potencial poderoso para fornecer soluções que contribuirão para o esforço mundial de remoção de microplásticos do meio ambiente”, comemora Larissa Kelly, ex-professora de ciências de Ferreira no Schull Community College.

No vídeo abaixo, em inglês, Fionn explica como desenvolveu sua ideia:

*Por Natasha Olsen
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*Fonte: ciclovivo

UE decide impor carregador único para dispositivos portáteis a partir de 2024

A norma será a entrada USB-C para todos os dispositivos; o objetivo é limitar os resíduos tóxicos gerados por milhares de cabos de vários formatos

Os países da União Europeia (UE) e os negociadores do Parlamento Europeu anunciaram nesta terça-feira, 7, um acordo para impor um carregador único e universal para smartphones, tablets e dispositivos portáteis no bloco até o outono boreal de 2024.

A norma será uma entrada USB-C para todos estes dispositivos com o objetivo de limitar os resíduos tóxicos de milhares e milhares de cabos de vários formatos, e defender o direito dos consumidores, obrigados a acumular vários carregadores.

O projeto enfrentou forte oposição da gigante de tecnologia Apple, que defende sua conexão e tecnologia de carregamento Lightning.

O comissário europeu da Indústria, Thierry Breton, saudou o acordo e mencionou no Twitter que “o interesse geral da União Europeia prevaleceu”.

O acordo significa “mais economia para os consumidores da UE e menos resíduos para o planeta”.

Em um comunicado à imprensa, o Parlamento Europeu observou que o projeto “faz parte de um esforço mais amplo da UE para tornar os produtos mais sustentáveis, reduzir o lixo eletrônico e facilitar a vida dos consumidores”.

Assim, “os consumidores não precisarão mais de um dispositivo e cabo de carregamento diferentes toda vez que comprarem um novo dispositivo e poderão usar um carregador para todos os seus dispositivos eletrônicos portáteis de pequeno e médio porte”, acrescentou a nota.

O Parlamento destacou ainda que a velocidade de carregamento será “harmonizada para dispositivos que suportam carregamento rápido, permitindo aos utilizadores carregarem os seus dispositivos à mesma velocidade com qualquer carregador compatível”.

O eurodeputado conservador búlgaro Andrey Kovatchev, um dos principais negociadores do acordo, destacou que “este novo regulamento facilitará a vida dos consumidores europeus e também será melhor para o meio ambiente”.

“Chegou a hora de acabar com as gavetas de cabos que todos temos e reduzir cerca de 11 mil toneladas de lixo eletrônico por ano”, disse.

De acordo com a UE, os consumidores europeus gastam um total de cerca de 2,4 bilhões de euros (cerca de 2,8 bilhões de dólares) anualmente em cabos e adaptadores para carregar seus dispositivos móveis.

Em 2009, a Comissão Europeia promoveu um acordo de adoção voluntária com a indústria para reduzir o enorme custo dos cabos, mas não conseguiu convencer a Apple a aderir. A empresa alega que a adoção de um único carregador é um freio à inovação.

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*Fonte: exame

Cientistas conseguem cultivar madeira em lab sem cortar uma única árvore

Em um mundo onde 15 bilhões de árvores são cortadas todos os anos, uma equipe de pesquisadores do MIT afirma que é possível cultivar madeira em laboratório a fim de substituir os produtos que impulsionam o desmatamento florestal.

Para realizar isso, eles desenvolveram uma técnica em que a madeira pode ser produzida em qualquer formato e tamanho dentro de um laboratório sem cortar uma única árvore. A nova descoberta promete ajudar a reduzir o desmatamento e permitir que as pessoas criem móveis de madeira sem afetar a natureza.

Como foi possível cultivar madeira em laboratório?
No estudo, os pesquisadores do MIT pegaram células das folhas de zínia comum e as mantiveram em um líquido por alguns dias. Após isso, eles trataram as células vegetais em um meio à base de gel repleta de nutrientes e hormônios.

As células eventualmente deram origem a novas células vegetais. Os pesquisadores também descobriram que poderiam alterar as características físicas e mecânicas das células recém-geradas, modificando os níveis hormonais no meio do gel. O material vegetal com altas concentrações de hormônio endureceu ao longo do teste.

Sobre o papel dos hormônios no crescimento das células vegetais, a pesquisadora Ashley Beckwith explicou que “no corpo humano, você tem hormônios que determinam como suas células se desenvolvem e como surgem certas características. Da mesma forma, alterando as concentrações hormonais no caldo nutriente, às células vegetais respondem de forma diferente. Apenas manipulando essas pequenas quantidades químicas, podemos provocar mudanças bastante dramáticas em termos de resultados físicos”.

Usando um processo de bioimpressão 3D, Beckwith e seus colegas também conseguiram imprimir em 3D estruturas personalizadas a partir das células cultivadas no gel. O material vegetal impresso em laboratório foi nutrido no escuro por três meses, e os resultados foram surpreendentes. Não só a madeira do laboratório sobreviveu, mas também cresceu o dobro da taxa de uma árvore normal.

A descoberta também é livre de resíduos
De acordo com uma estimativa, o atual método de fabricação de móveis resulta em um desperdício de quase 30% de toda a quantidade de madeira. Surpreendentemente, a técnica de bioimpressão 3D para cultivar madeira em laboratório não produz resíduos e pode ser usada para produzir material vegetal de qualquer forma ou tamanho.

“A ideia é que você possa cultivar esses materiais vegetais exatamente na forma que você precisa, então você não precisa fazer nenhuma fabricação subtrativa após o fato, o que reduz a quantidade de energia e desperdício”, disse Beckwith.

Por enquanto, os cientistas demonstraram que é possível cultivar madeira em laboratórioe que suas propriedades mecânicas podem ser manipuladas. No entanto, a pesquisa ainda está em seus estágios iniciais, o que indica que mais pesquisas e testes serão necessários antes que a técnica possa ser desenvolvida e usada para produzir móveis 3D em um ambiente comercial.

*Por Leticia Silva Jordao
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*Fonte: socientifica

Salamandras da Califórnia aprenderam a “cair de paraquedas”

Animais que vivem em copas de sequoias, conhecidas por serem as árvores mais altas do mundo, foram observadas por pesquisadores planando no ar; veja vídeo

Salamandras moradoras das copas das árvores mais altas do mundo — as sequoias da costa da Califórnia — desenvolveram habilidades impressionantes de “paraquedismo”. O dom inusitado das criaturas foi flagrado por pesquisadores em vídeo e relatado na revista Current Biology em 23 de maio.

De acordo com as gravações feitas pelos especialistas, os animais adquiriram um comportamento adaptado para planar e manobrar no ar. A habilidade, segundo a equipe, é um modo de se mover pelas árvores, evitando predadores terrestres. A capacidade permite até que as salamandras fiquem de cabeça para baixo — e sem perder a postura.

“Elas são capazes de manter aquela postura de paraquedismo e meio que bombear sua cauda para cima e para baixo para fazer manobras horizontais” descreve Christian Brown, primeiro autor do estudo sobre os anfíbios, em comunicado. “O nível de controle é simplesmente impressionante.”

Algumas salamandras Aneides vagrans, coletadas por biólogos em sequoias, passaram por uma simulação de queda livre dentro de um túnel de vento na Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos. As habilidades de “paraquedismo” delas foram comparadas com as de três outras espécies nativas do Norte da Califórnia.

A A. vagrans, que provavelmente passa toda a vida em uma única árvore, se mostrou como a paraquedista mais habilidosa. A A. lugubris, que vive em árvores mais baixas, como carvalhos, foi quase tão eficaz em “paraquedismo” e planagem quanto a espécie anterior. Veja no vídeo as salamandras realizando os saltos:

Por outro lado, salamandras menos arborícolas, como a moradora do chão da floresta, Ensatina eschscholtzii, e a criatura da espécie A. flavipunctatus, que ocasionalmente sobe em árvores, foram ineficazes ao se debaterem no túnel de vento, conseguindo ficar nele somente por poucos segundos.

Todas as salamandras foram filmadas com uma a câmera de vídeo a 400 quadros por segundo. As que realizaram paraquedismo reduziram sua velocidade de queda livre em cerca de 10%. Os anfíbios normalmente caíam em um ângulo acentuado, apenas 5 graus da vertical, o que era suficiente para poderem alcançar um galho ou tronco antes de atingirem o solo.

O comportamento impressionou Robert Dudley, especialista em voo animal, que participou do estudo. Segundo ele, o fenômeno é algo enraizado na resposta motora das salamandras e deve ocorrer em frequências razoavelmente altas para afetar a seleção de tal habilidade. “E não é apenas um paraquedismo passivo, elas não estão apenas saltando de paraquedas. Também estão claramente fazendo o movimento lateral, que é o que chamaríamos de planar”, destaca.

Os pesquisadores ainda querem descobrir em pesquisas futuras se existem muitos outros animais com dons semelhantes e saber como é possível que as salamandras consigam saltar mesmo sem terem adaptações anatômicas óbvias para planar.

A divulgação das habilidades extraordinárias das criaturas pode também contribuir para salvar as sequoias, visto que as árvores estão ameaçadas pela extração de madeira. “Talvez isso ajude não apenas os esforços de conservação de sequoias, mas também a restauração das sequoias, para que possamos realmente ter ecossistemas de copa de árvores”, afirma Brown.

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*Fonte: revistagalileu

Físicos preveem que a Terra pode se tornar um mundo caótico em breve

A espécie humana está tornando a Terra não apenas mais quente, mas caótica, sugere um novo estudo.

Uma nova pesquisa, publicada no dia 21 de abril na base de dados arXiv, traz um panorama geral sobre o potencial total do impacto da atividade humana no clima – um panorama desagradável e preocupante.

Ainda que o estudo não demonstre uma simulação completa de um modelo climático, ele apresenta um panorama geral de para onde estaremos indo se não alterarmos nosso curso atual nesse impacto das mudanças climáticas e no uso de combustíveis fósseis, segundo os autores do estudo, cientistas do Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Porto, em Portugal.

“As implicações das mudanças climáticas são bem conhecidas (secas, ondas de calor, fenômenos extremos, etc.)”, disse o pesquisador Orfeu Bertolami. “Se o Sistema Terrestre adentrar na região de comportamento caótico, poderemos toda a esperança de resolver o problema de alguma maneira”.

As mudanças no clima da Terra
A Terra passa periodicamente por grandes mudanças nos seus padrões climáticos, indo de um ponto de equilíbrio a outro. Essas mudanças normalmente ocorrem devido a fatores externos, como mudanças na orbita terrestre, ou um aumento massivo de atividade vulcânica.

Contudo, pesquisas prévias sugerem que estamos agora entrando numa nova fase, dirigida pela atividade humana. A medida que os humanos lançam mais carbono na atmosfera, criamos uma nova era, o Antropoceno, um período em que os sistemas climáticos são influenciados pelo homem, algo que o planeta nunca viveu antes.

No novo estudo, os pesquisadores modelaram a introdução do Antropoceno como uma nova fase de transição. Assim como as fases de transição num material, que passam de um estado a outro, como líquido para gasoso, outros sistemas podem passar por fases de transição – nesse caso, o sistema do clima terrestre.

Um determinado ponto de equilíbrio no clima terrestre gera estações e climas previsíveis pelo planeta, enquanto que uma fase de transição leva a um novo padrão nessas estações e climas. Quando o clima terrestre passa por uma fase de transição, significa que a Terra está passando por uma mudança repentina e rápida em seus padrões climáticos.

A logística da ordem e do caos no clima terrestre
Se a atividade humana está originando uma fase de transição no clima terrestre, isso significa que estamos fazendo o planeta desenvolver um novo conjunto de padrões climáticos. E definir que padrões são esses é um dos maiores problemas na ciência climática.

Para onde se encaminha o clima da Terra? Isso depende significativamente da nossa atividade nas próximas décadas. Os cientistas usaram uma ferramenta matemática chamada de mapa logístico para analisar a questão, onde usam variáveis que podem crescer até certo limite, medindo seus efeitos.

Nossa influência no meio-ambiente está crescendo, algo que ocorre há mais de um século. Mas isso terá um limite, segundo os pesquisadores, como no aumento da população humana, ou no nível máximo de atividades emissoras de carbono. Num certo ponto, a emissão de carbono no futuro vai chegar a um limite, e os pesquisadores encontraram um mapa logístico que pode capturar a trajetória futura dessa emissão.

Eles exploraram diferentes formas de evolução nesse mapa logístico, analisando variáveis como a população humana, a introdução de estratégias redutoras de carbono e tecnologias melhores e mais eficientes.

Quando descobriram como a emissão de carbono pelo homem poderia evoluir com o tempo, eles usaram a informação para examinar como o clima terrestre evoluiria através dessa fase de transição causada por nossa espécie.

No melhor dos casos, quando a humanidade atingisse esse limite na emissão de carbono, o clima se estabilizaria numa nova temperatura, que seria mais alta, mas ainda assim estável. Essa temperatura alta, de maneira geral, é ruim para a espécie humana, porque aumenta o nível do mar, assim como eventos climáticos extremos.

Seca devido às mudanças climáticas.
Todavia, pelo menos é estável: o Antropoceno se pareceria com outras épocas climáticas que vieram antes, sendo apenas mais quente, e teria padrões climáticos regulares e previsíveis.

No pior dos casos, os pesquisadores descobriram que o clima da Terra chega a um estado caótico – um caos inclusive matemático. Nesse sistema caótico, não há equilíbrio, nem padrões previsíveis.

Um clima caótico teria estações que mudariam rapidamente a cada década (ou a cada ano). Tornar-se-ia impossível determinar para onde o clima do planeta estaria indo.

“Um comportamento caótico significa que vai ser impossível prever o comportamento do Sistema Terrestre no futuro, mesmo que tenhamos certeza absoluta do seu estado atual”, disse Bertolami. “Vai significar que qualquer capacidade de controlar e dirigir o Sistema Terrestre a um estado de equilíbrio que favoreça a habitabilidade da biosfera será perdida”.

O que preocupa ainda mais é que os pesquisadores descobriram que, ao ultrapassar um certo ponto crítico na temperatura da Terra, um ciclo de feedback pode ter início, tornando o resultado caótico algo inevitável.

Há sinais de que talvez já tenhamos passado desse ponto, mas ainda não é tarde demais para evitar o desastre total.

*Por Dominic Albuquerque
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*Fonte: socientifica

4 Mentiras sobre a Reciclagem do Plástico que você sempre ouviu

De acordo com Plastic Pollution Facts, estima-se que o mundo produza mais de 380 milhões de toneladas de plástico todos os anos, dos quais 50% dele é para uso único, ou seja, utilizado por apenas alguns momentos antes de ser descartado.

Desse número, pelo menos 14 milhões de toneladas de plástico acabam no oceano todos os anos, sendo que o material leva cerca de 150 anos para se decompor na natureza, causando enchentes, matando animais e destruindo ecossistemas naturais.

Visando reduzir os impactos no meio ambiente, desde a década de 1970 campanhas de reciclagem de plástico foram disseminadas por empresas e ambientalistas pelo mundo todo, estabelecendo programas como o de coleta seletiva para conscientização em massa.

No entanto, existe muita coisa que você, provavelmente, sempre acreditou sobre esse processo de reciclagem, que gera uma folha de pagamento anual de quase US$ 37 bilhões, faturando mais de US$ 236 bilhões anuais. Essas são quatro mentiras disseminadas pela indústria de reciclagem do plástico:

1. Todos os plásticos são recicláveis

Você sabe que o símbolo com as três setas em forma de triângulo significa que o plástico é reciclável, e provavelmente já o confundiu com esse da imagem acima. Isso é comum por ser quase igual ao de reciclagem, exceto pelo meio do triângulo que contém um número entre 1 e 7, o Código de Identificação de Resina (RIC), indicando o tipo de plástico que estamos lidando — e que não tem em nada a ver com reciclagem.

Essa confusão foi criada de propósito em 1988 pela Society of Plastics Insititute (SPI) como uma fachada para a indústria de petróleo e plástico evitarem que seus negócios fossem afetados por movimentos anti-plástico e pró-reciclagem.

2. Todos os países reciclam seu plástico

Segundo a Environmental Protection Agency, 69% dos plásticos usados nos Estados Unidos acabam em aterros sanitários porque se enquadram no tipo 3 a 7 de matéria, sendo que dos 31% restantes, as empresas só conseguem reciclar 8,4%. Em fevereiro de 2020, um relatório divulgado pelo Greenpeace descobriu que apenas garrafas plásticas são recicladas regularmente nas 367 instalações de recuperação de materiais espalhadas pelos EUA.

Ou seja, os demais tipos de plásticos, como tubos de detergentes e embalagens de produtos de limpeza, eram exportados para a China, que em 2018 baniu sua entrada devido às altas taxas de contaminantes presentes no lixo americano. No entanto, pelo tempo em que o plástico entrou no país por centenas de contêineres, os chineses recicladores simplesmente os despejaram em aterros sanitários, no oceano ou incineraram.

Após a proibição, os EUA, Canadá, Austrália e Coreia do Sul recorreram à Malásia, Tailândia, Vietnã, Indonésia e Filipinas para depositarem seu lixo plástico, aumentando em 362% os níveis de importações dos resíduos. As usinas desses países não conseguem lidar com a quantidade do lixo, recorrendo ao mesmo destino que a China.

3. Reciclar é a melhor opção

Para os especialistas, o problema na reciclagem está nas falhas de iniciativas, visto que, infelizmente, são unilaterais. Para Emmanuel Katrakis, secretário-geral da Confederação das Indústrias de Reciclagem Europeia (EuRIC), o processo tem grandes benefícios econômicos porque, quando reciclamos, é altamente intensivo em empregos.

No entanto, toda a ênfase no setor é equivocada, porque em vez de facilitar a reutilização e a reciclagem de algumas coisas, as pessoas devem pensar se precisam de fato consumir aquilo, saindo de um comportamento cíclico de encorajamento à minimização do nosso impacto negativo no meio ambiente, como os programas de reciclagem fazem.

Além disso, o meio ambiente é imediatamente afetado por essa indústria de conscientização, porque os caminhões e navios usam combustível para transportar plástico para os países asiáticos que sofrem para reciclar o próprio material, sendo que 20% a 70% dos plásticos que despejam contêm contaminantes, impedindo todo o processo de reciclagem. No final das contas, esses lotes são carregados para aterros sanitários, despejados no oceano ou queimados, gerando mais poluição no processo.

E você se engana também se pensar que a situação melhora um pouco com os plásticos que conseguem ser reciclados, porque são usados muito combustível e produtos químicos durante o processo de reciclagem, liberando poluentes que contaminam a água e o ar.

4. É possível reciclar infinitamente

Muito diferente do que a indústria de reciclagem faz a população acreditar, o plástico não pode ser reciclado infinitamente, porque o processo enfraquece sua composição química. Por isso a maioria dos plásticos é transformada em um produto de qualidade inferior e menos útil para as pessoas, ganhando mais espaço em prateleiras e recebendo o mesmo destino, no final das contas.

As garrafas de refrigerante são um bom exemplo para isso. Ao serem recicladas, podem se tornar até canos de esgoto porque não são fortes o suficiente para comporem outra garrafa. Os plásticos dos tipos 3, 4 e 6 podem ser reciclados apenas uma vez, mas, geralmente, são jogados em aterros sanitários. Enquanto os do tipo 5, que pode ser reciclado até 4 vezes, tem apenas 1% reciclado.

*Por Julio Cezar de Araujo
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*Fonte: megacurioso 

Como os animais conseguem sobreviver ao frio?

O clima do inverno pode ser bastante imprevisível e trazer sérias ameaças a vários tipos de vida. Por esse motivo, nós costumamos passar boa parte da temporada de temperaturas baixas dentro de casa ou de baixo de muita roupa e cobertores. Na natureza, entretanto, essa não é exatamente uma opção.

Se aguentar temperaturas geladas pode ser um verdadeiro pesadelo para os seres humanos, os animais selvagens desenvolveram-se para conseguir suportar as temperaturas congelantes do inverno com seus próprios corpos. São três estratégias principais: migrar, resistir ao frio por conta própria ou reduzir a taxa metabólica para entrar em um estado de torpor. Vamos entender mais sobre elas!

Migração
Em geral, uma mesma espécie pode desenvolver estratégias mútuas de sobrevivência ao frio. Um grande exemplo disso são os mamíferos e os pássaros, que possuem sangue quente como estratégia de resistência ao frio, mas podem combinar isso com outros tipos de ação.

Algumas dessas criaturas tendem a misturar a migração com o torpor. Morcegos e aves de alta latitude, por exemplo, locomovem-se de uma região para outra durante períodos do ano para escapar do frio e encontrar alimento. Depois dessa fase, podem entrar em hibernação ou em estado de dormência para conversar energia.

As andorinhas, os beija-flores e as toutinegras são clássicas amostras de como esse processo funciona. Ao fim do inverno, essas espécies voltam ao seu habitat natural e recomeçam suas vidas.

Hibernação
A hibernação é uma estratégia bem comum na natureza para criaturas que desejam aumentar as taxas de sobrevivência no frio congelante e garantir o futuro de sua espécie. Nessa estratégia, o corpo desses animais se desenvolveu para reduzir todas as taxas metabólicas e entrar em um estado completo de conservação de energia.

Isso não necessariamente significa que a criatura estará em um sono profundo como a Bela Adormecida, mas sim que ela está se mantendo segura sem gastar recursos desnecessários em um período de escassez. Exemplos disso são os esquilos orientais, que alteram entre um estado de torpor e de atenção total dependendo do estoque de alimento.

Caso tenham conseguido uma boa reserva de comida no frio em seus esconderijos, esses pequenos roedores se manterão acordados por mais tempo. Porém, logo mudarão a chave de seus organismos quando sentirem que a situação está ficando crítica.

Resistência natural
É difícil encontrar um padrão na natureza quando o assunto é resistência ao frio. Porém, podemos dizer que certas espécies simplesmente foram feitas para suportar baixas temperaturas muito melhor do que outras. Nesses casos, a única proteção contra o clima gelado é peitar o frio de frente.

O pinguim-imperador talvez seja o maior exemplo de todos e a única criatura no mundo capaz de se reproduzir em temperaturas beirando os -40 °C. Com meros 1,20 metro de altura e singelos 35 kg, essas pequenas aves da Antártica possui a maior densidade de penas em toda a natureza.

Isso faz com que consigam reter 90% do calor corporal para se manter quente o tempo todo. Eles levantam suas penas quanto estão em terra firme, retendo ar nesse espaço e usando-o como isolante térmico. Além disso, o comportamento de colônia ajuda bastante no clima gelado. Grupos de pinguins podem se ajudar bastante na hora de se esquentar e sobreviver ao inverno extremo.

*Por Pedro Freitas
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*Fonte: megacurioso

Os 10 animais mais perigosos do mundo

Os animais estão por toda parte, e há milhões de diferentes espécies em todo o planeta. Devido á proximidade de alguns, às vezes nos esquecemos de como certas espécies e grupos podem ser perigosos.
Nesse artigo, listamos os animais mais perigosos do mundo, de acordo com o número de mortes anuais pelas quais são responsáveis, assim como os percentuais de agressividade e ataques fatais, bem como fatores similares.

10. Tubarões
Os tubarões possuem uma grande fama como animais perigosos, mas ficam na última colocação na lista dos animais mais perigosos do mundo. Anualmente, os tubarões são responsáveis por apenas seis ou sete mortes, um número menor do que se poderia esperar devido a sua reputação.

Nos Estados Unidos, os tubarões causam uma morte a cada dois anos. As espécies responsáveis pelos percentuais mais altos de ataques fatais são o tubarão branco , o tubarão-touro e o tubarão-tigre.

9. Elefantes
Imaginamos os elefantes como criaturas amigáveis e inteligentes, e eles de fato possuem uma inteligência e estrutura social complexas. Contudo, eles são os maiores animais terrestres hoje em dia, e há um potencial de risco que se associa a esse fator.

Elefantes em cativeiro são capazes de retaliar contra humanos, e os que se encontram na natureza podem ser territoriais e muito protetores em relação a seus grupos. Cerca de 500 pessoas por ano são mortas em encontros com elefantes.

8. Hipopótamos
Os hipopótamos ficam em terceiro lugar em termos de tamanho dentre os animais terrestres, ficando atrás dos rinocerontes e elefantes, e são responsáveis por cerca de 500 encontros fatais com humanos a cada ano. Contudo, eles ocupam uma posição mais alta que os elefantes devido à sua reputação como criaturas agressivas e violentas, e por serem extremamente territoriais.

7. Mosca tsé-tsé
A mosca tsé-tsé é apenas um dos vários insetos presentes na lista. Mas não é a picada em si da mosca que mata humanos, e sim a infecção que se origina dela. A mosca tsé-tsé habita nas regiões tropicais da África, e sua picada infecta o hospedeiro com um parasita que causa a doença do sono.

Devido à falta de recursos na área, é difícil tratar a doença, e ela pode ser fatal. As estimativas de mortalidade variam entre 500.00 a 10.000 ao ano.

6. Insetos assassinos (barbeiros)
Os insetos assassinos são um coletivo de 150 espécies de insetos que possuem um tipo específico de probóscide. Eles usam o probóscide como uma ferramenta de defesa ou caça, e a propensão desses animais de atingirem as regiões macias em torno da boca humana é o que lhes deu a fama, em alguns países, de “insetos beijadores”.

Além de uma mordida muito dolorosa, eles podem transmitir a doença de Chagas, uma infecção com 5% de fatalidade que causa entre 12.000 a 15.000 mortes por ano.

5. Crocodilos
Além de ser um predador alfa, o crocodilo é responsável por entre 1.000 a 5.000 mortes anualmente, e é um dos animais mais perigosos do mundo. Eles podem pesar até 90kg, possuindo uma mordida forte e fatal. O crocodilo é o único animal da lista que caça ativamente humanos, e o que habita pelo Nilo é a espécie mais perigosa do animal.

4. Caramujos de água doce
Os caramujos de água doce não são perigosos por si, mas pela doença que transmitem. Segundo a Organização Mundial de Saúde, milhões de pessoas são diagnosticadas com uma doença parasitária chamada esquistossomose todo ano, e entre 20.000 a 200.000 dos casos são fatais.

A esquistossomose causa dor abdominal e sangue na urina, e costuma ser fatal em países subdesenvolvidos.

3. Cães/lobos
O melhor amigo do homem também é uma das maiores ameaças a ele. Contudo, mortes fatais causadas por cães e lobos são raras quando comparadas ao número de mortes oriundas de infecções de raiva transmitidas pelos cães.

A maioria das mortes, contudo, ocorre em países com poucos recursos, onde não há as maneiras apropriadas de se lidar com a infecção.

2. Cobras
As cobras são responsáveis por mais de 100.000 mortes todo ano, segundo estimativas. A escassez em escala mundial de soro antiofídico, assim como as localidades remotas onde habitam algumas das espécies venenosas, contribuem para esse número alto.

Ainda que as pessoas tenham mais medo das cobras grandes, como a anaconda, as cobras responsáveis pelo maior número de mortes são as víboras do gênero echis, presentes na África, Oriente Médio e Índia.

A víbora pode soltar uma neurotoxina que causa um grande número de amputações nas vítimas que ela não mata instantaneamente.

1. Mosquitos
O mosquito é o animal mais perigoso do mundo, e um dos menores. Os mosquitos são responsáveis por entre 750.000 e 1 milhão de mortes ao ano, e são vetores de muitas doenças, como a malária, a dengue e o vírus zika.

A malária por si conta por quase metade as infecções fatais ao ano. Alguns cientistas estimam que metade das mortes humanas desde o surgimento da nossa espécie são causadas por doenças transmitidas pelos mosquitos.

Com o avanço da ciência e a melhoria econômica e de recursos nos países, é possível que o número de mortes causadas por alguns animais dessa lista diminua com o tempo.

*Por Dominic Albuquerque
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*Fonte: socientifica

Crise climática pode causar pior extinção em massa nos oceanos desde o fim dos dinossauros

A vida nos oceanos enfrenta o maior risco desde que um asteroide atingiu a Terra há cerca de 66 milhões de anos e provocou a extinção dos dinossauros, segundo estudo publicado na última quinta-feira (28) pela revista Science.

O artigo, feito pelos pesquisadores Justin L. Penn e Curtis Deutsch, ambos das universidades Princeton e Washington (EUA), afirmam que, se os níveis atuais de emissões de carbono não forem controlados, as zonas tropicais sofrerão perda de biodiversidade e as polares passarão por uma extinção em massa. Isso se dará à medida que a vida nos oceanos fica sem oxigênio e nutrientes, sendo restrita a uma água muito quente.

“À medida que as emissões de gases-estufa continuam a aquecer os oceanos do mundo, a biodiversidade marinha pode despencar nos próximos séculos para níveis não vistos desde a extinção dos dinossauros”, afirma a dupla de cientistas, em comunicado à imprensa.

Para sedimentar a análise, os pesquisadores estudaram períodos de grandes extinções da história terrestre como a “Great Dying” (a grande morte, em português), ocorrida há 252 milhões de anos. Neste evento, também conhecido como a extinção do Permiano-Triássico, 95% das espécies marinhas e 70% das espécies terrestres desapareceram.

Se as emissões não cessarem, é possível, na análise dos cientistas, que a Terra alcance níveis parecidos até 2300. Isso porque, à medida que as temperaturas aumentam, a riqueza das espécies irá diminuir próxima dos trópicos, com alguns animais migrando para latitudes mais altas. As espécies polares são as que mais estão em risco diante de um “nicho climático em extinção”, explica a pesquisa.

Ainda há, porém, tempo para mudanças
Por outro lado, há notícias levemente boas: segundo os pesquisadores, ainda há tempo para evitar os piores cenários de extinção.

“O lado bom é que o futuro não está escrito em pedra”, diz Penn. “Ainda há tempo suficiente para mudar a trajetória das emissões de CO2 e evitar a magnitude do aquecimento [dos oceanos] que causaria essa extinção em massa.”

Trabalhos anteriores da equipe por trás da pesquisa revelaram que o aquecimento global descontrolado e a perda de oxigênio nos oceanos teriam sido a causa da extinção do Permiano-Triássico. Os resultados do modelo foram combinados com padrões obtidos por paleontólogos nos registros fósseis do período, dando-lhe credibilidade.

Anteriormente, cientistas sabiam, a partir de dentes fossilizados de antigos animais, que as temperaturas da superfície na Grande Morte subiram cerca de 10 ºC nos trópicos, levando muitos animais marinhos à extinção. Eles acreditam que erupções vulcânicas desencadearam as mudanças climáticas nesta época.

*Por Lucas Berredo
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*Fonte: olhardigital

Do deserto à floresta: entenda como o Saara beneficia a Amazônia

O deserto do Saara, na África, está há milhares de quilômetros de distância da América do Sul e, mesmo assim, os dois continentes continuam completamente conectados. Na realidade, a floresta amazônica só sobrevive por conta do deserto e, há alguns anos, cientistas conseguiram entender a importância dessa união.

Os cientistas sabiam que os ventos levavam poeira do Saara para diversas regiões do mundo, mas foi graças a um estudo publicado em 2015 que foi possível entender a importância dessa viagem transatlântica. Pesquisadores descobriram que a poeira possui quantidades significativas de fósforo, um nutriente extramente relevante para a sobrevivência da floresta da Amazônia.

Poeira que alimenta a Amazônia

Em um estudo publicado na revista científica Geophysical Research Letters, cientistas usaram o satélite CALIPSO (Cloud-Aerosol Lidar and Infrared Pathfinder Satellite Observation) para quantificar em três dimensões a quantidade de poeira que faz a viagem intercontinental. Os dados foram obtidos entre 2007 e 2013.

O satélite usa a tecnologia LIDAR para descobrir a quantidade de material e distinguir a poeira de outras partículas. Assim, eles descobriram que o fósforo também faz a viagem intercontinental junto com a poeira e, assim, ajuda a nutrir a Amazônia.

De acordo com o principal cientista do estudo, professor da Universidade de Maryland e colaborador da NASA, Hongbin Yu, parte da poeira foi coletada na depressão africana de Bodelé, no Chade, um lugar repleto de minerais rochosos compostos de microorganismos mortos carregados com fósforo — também coletaram o material em Miami e Barbados. Assim, eles conseguiram entender a estimativa da quantidade de fósforo presente na poeira.

“Primeiro temos que tentar responder a duas perguntas básicas. Quanta poeira é transportada? E qual é a relação entre a quantidade de poeira transportada e os indicadores climáticos?”, disse Yu.

É estimado que a bacia amazônica receba 27,7 mil toneladas de poeira do Saara por ano e cerca de 22 mil toneladas de fósforo caem nos solos amazônicos. Os dados também mostram que, anualmente, os ventos e o clima carregam em média 182 milhões de toneladas de poeira para diferentes regiões — equivalente a cerca de 689 mil caminhões cheios.

Alimento para o planeta
O cientista Chip Trepte, do projeto CALIPSO, disse que a observação da poeira levada pelo vento é importante para entender se existem padrões nessa movimentação. Assim, os pesquisadores podem tentar compreender se esses padrões serão usados em cenários climáticos futuros.

No estudo, os cientistas conseguiram detectar a poeira sendo transportada do Saara, através do Oceano Atlântico, até a América do Sul. Outra quantidade de poeira também acabou sendo levada até o Mar do Caribe.

“As correntes de vento são diferentes em diferentes altitudes. Este é um passo à frente para fornecer a compreensão de como é o transporte de poeira do Saara em três dimensões e, em seguida, comparar com esses modelos que estão sendo usados para estudos climáticos”, disse Trepte.

Os solos amazônicos são escassos em nutrientes e a maioria deles são encontrados em processos de decomposição de matéria orgânica da própria floresta. Contudo, é muito comum que as chuvas “lavem” os solos e levem embora nutrientes como o fósforo.

Então, as 22 mil toneladas de fósforo que atingem a Amazônia todos os anos são muito importantes para alimentar a floresta. Inclusive, a quantidade é aproximadamente a mesma de fósforo perdido durante as chuvas e inundações na área.

“Sabemos que a poeira é muito importante em muitos aspectos. É um componente essencial do sistema terrestre. A poeira afetará o clima e, ao mesmo tempo, as mudanças climáticas afetarão a poeira. Se você não tiver esse transporte de poeira africana para a Amazônia, em 10 anos, ou em 100 anos, a Amazônia terá perdido muito fósforo”, afirma Yu.

*Por Lucas Vinícius Santos
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*Fonte: tecmundo