Por que a MTV Brasil chegou ao fim: uma explicação do vice-presidente Zico Goes

A MTV Brasil, na versão do Grupo Abril, esteve no ar entre os anos de 1990 e 2013. A decisão de dar fim à emissora não chegou a surpreender tanto, devido à progressiva queda de popularidade do canal, mas as razões que explicam tal medida são um tanto curiosas.

Em agosto de 2014, cerca de um ano depois do fim da MTV Brasil, Zico Goes, que foi vice-presidente de programação e conteúdo do canal por anos, realizou uma palestra ao evento CreativeMornings. Por lá, o profissional explicou todas as circunstâncias que levaram ao fim da emissora. As falas foram transcritas por IgorMiranda.com.br.

Vale destacar que a MTV ainda existe no Brasil, mas é totalmente diferente da que esteve no ar no passado. Em 2013, a Abril devolveu a marca à sua dona, a Viacom, que passou a produzir outro tipo de conteúdo.

Fim do videoclipe
Em sua apresentação, Zico Goes, que trabalhou na MTV Brasil durante boa parte da existência do canal, contou que todo o projeto relacionado à emissora era problemático. Os primeiros anos foram muito complicados, pois a audiência era baixa e muito segmentada.

O executivo reconhece, porém, que esse era o charme da MTV – e quando os índices de audiência começaram a subir, a emissora pagou o preço por isso.

“Boa parte do que são as causas da MTV têm a ver com o próprio sucesso. A MTV fez sucesso durante um tempo e pagou o preço desse sucesso por causa da dinâmica do mercado de televisão.”

Os problemas começaram a surgir em 2007, quando, justamente, a emissora abriu mão dos videoclipes. Parecia um caminho óbvio, pois, segundo Zico Goes, música não dá audiência na televisão.

“A partir de 2007, assumimos o fim do ‘Disk MTV’ e a morte do videoclipe. A MTV já percebia que o videoclipe não dá audiência. É natural que seja assim. Música não dá audiência em TV. […] Sempre que alguém cria um programa de variedades, colocam uma banda para encerrar e a audiência sempre cai quando começam a tocar.”

Só que, segundo ele, a decisão não parece ter sido tomada no momento certo, ou da forma devida.

“TV não é o melhor lugar para música e a MTV talvez tenha chegado a essa conclusão tarde demais. Foi polêmico. Queríamos dizer que não queríamos ter uma TV de clipe, mas, sim, uma TV de música, o que também envolve o que não está no videoclipe. Queríamos criar, desenvolver talentos. O clipe não era feito por nós, então, queríamos balancear. Naturalmente, perdemos um pouco a mão, pois rompemos demais, queríamos mais Ibope, mais sucesso.”


Problemas com a internet

Na mesma época, a MTV Brasil deu início a um projeto de tom mais transmidiático, em que conteúdos exclusivos seriam disponibilizados na internet. A emissora trabalhava com o mundo virtual em várias de suas atrações, incluindo chats e votações na web em programas ao vivo, mas também houve um momento em que a emissora “perdeu a mão” nesse sentido.

“Nunca tivemos problema com a internet, não achávamos que seria vilã. Sempre usamos a interatividade. Mas lá fora, a MTV começou a ratear, porque embora fosse um canal moderno, perdeu o passo da internet. Não conseguiu acompanhar. Houve um momento em que o MySpace (rede social) foi oferecido à MTV na gringa, mas a MTV não quis, não sabia o que era uma rede social.”

O executivo apontou que o lançamento do portal MTV Overdrive, que teria conteúdos da emissora que não seriam exibidos na TV – incluindo videoclipes -, foi uma decisão equivocada. O motivo? O site simplesmente não funcionava.

“Nessa ideia de que o videoclipe não era mais um produto televisivo e sim da internet, […] criaram a MTV Overdrive, um site onde todos os videoclipes estariam. O canal de TV era chamado de não-linear, com os programas, às vezes videoclipes, mas a linear, MTV Overdrive, tinha videoclipes. No Brasil, ninguém conseguia acessar. Você chegava nos clientes para tentar vender o comercial, a agência de publicidade não conseguia entrar. Deu tudo errado. Era uma boa intenção, mas chegou tarde e cedo demais ao mesmo tempo, pois no Brasil não engatava.”

Nicho do nicho

Na visão de Zico Goes, o público em si da MTV Brasil também era problemático em termos comerciais. Lidava-se com um nicho, que são os fãs de música – e dentro disso, havia subnichos, devido aos fãs de cada gênero.

“Éramos uma TV nichada para jovens sobre música. Era para poucos. Só que, dentro desse canal, que já era nichado, tinha vários outros nichos da música. Quem não curtia rap, achava uma m*rda assistir programa de rap e pensava a MTV só passava rap. Quem não curtia rock, mesma coisa. Quem tem 15 anos, não vai assistir ao programa de música para mais velhos. E quem é mais velho, vai pensar: ‘pô, é canal de garotada’.”

O diretor aponta que “cada um entendia a MTV de um jeito, pois se relacionava só com um pedaço da MTV”. E isso, em sua visão, “fazia mal” à emissora.

“Quando fizemos aqueles programas de namoro, de auditório, ferrou de vez. Quem curtia só a música, acha que virou uma comédia, uma porcaria, e a MTV começou a sofrer com isso.”

Mais humor, menos música

Como a música ficou em segundo plano, a MTV Brasil passou a investir em programas próprios e muitos deles eram de comédia, gênero que já havia dado certo na emissora com “Hermes e Renato”. Era uma resposta, também, à concorrência que começava a aparecer na TV fechada.

“A partir de 2007, a coisa ficou meio esquizofrênica. O Ibope começou a despencar e o dinheiro começou a fugir porque começou a ter uma mínima concorrência. […] O Multishow começou a levar, a Mix TV por incrível que pareça começou, mesmo sendo só de São Paulo. Atrapalhava a percepção do mercado publicitário.”

Com a aposta no humor, vários talentos foram revelados pela emissora. Um deles, segundo Zico, acabou ficando “maior que a MTV”.

“De 2007 para 2013, aconteceram coisas incríveis. A MTV seguiu lançando novos talentos, ousando. Apareceu esse sujeito que caiu no nosso colo: Marcelo Adnet, que revolucionou a MTV. Dani Calabresa, Tatá Werneck, revolucionaram a MTV. Porém, justamente pelo Adnet ser quem ele é, ele acabou ficando maior que a MTV.”

O retorno em audiência era ótimo, mas o diretor passou a enxergar uma perda de identidade da emissora. Em boa parte deste período, Zico Goes não trabalhava mais para o canal.

“Aconteceu o seguinte: mais humor e menos música. Isso foi muito bom por um lado, pois o Ibope começou a dar sinais de revigoração por esses programas. Só que, de alguma maneira, a MTV começou a perder identidade, e já estava desgastada. Virou a TV do Adnet, do humor, da comédia. Dentro da MTV, quem fazia humor, não falava com quem fazia os musicais e vice-versa. Eles não se aproveitavam uns dos outros.”

Uma curiosidade destacada por Zico: Marcelo Adnet “detesta rock”, o que atrapalhava nessa interconexão entre programas.

“E outra: o Marcelo Adnet detesta rock. Como o cara pode estar na MTV se detesta rock? Mas era o mais brilhante. Talvez a gente não merecia o Adnet, tê-lo por tanto tempo. “Ele pedia mais e mais dinheiro. A MTV começou a pagar. Ele ganhava já como ator global, um salário maior que a Marília Gabriela no GNT, onde trabalhei. Ficávamos amarrados.”

Fator Restart

Um dos pontos mais polêmicos dos anos finais da MTV Brasil foi a relação com a banda Restart, que tinha claro viés pop/adolescente, mas era criticada em nichos por apresentar-se como um grupo de rock – mais especificamente, do subgênero happy rock.

“Outro ponto foi o fator Restart. […] Era uma boy band, nada de mal nisso, mas não tem a ver com música e sim com comportamento. A audiência do ‘Disk MTV’, nosso programa mais pop, era 80% feminina. Já os outros eram masculina. Havia então a piada interna: ‘os meninos gostam de música, as meninas gostam de músico’.”

A presença do Restart se tornou tão massiva na MTV que suas aparições eram frequentes. Era como jogar ainda mais lenha na fogueira dos fãs saudosistas da emissora, que faziam críticas à orientação mais pop da emissora. Ao mesmo tempo, os reflexos em termos publicitários não foram nada bons.

“Essa banda teve tanto marketing que tomou conta da MTV no todo, por toda a programação, não só nos programas como também nos comerciais. O Restart aparecia toda hora, então a MTV passou a ser percebida como um canal muito adolescente. Não é bom ser canal adolescente para o mercado publicitário, pois adolescente não consome tanto quanto alguém um pouco mais velho.”


Fator Sky

Zico Goes apresentou várias boas explicações para o fim da MTV Brasil, porém, na opinião dele, o rompimento com o serviço de TV por assinatura Sky foi “o grande problema”. Em 2008, o canal foi retirado da grade de programação da empresa devido a uma negociação que não deu certo.

“Talvez o grande problema foi o fator Sky. Houve um momento em que o presidente da MTV saiu para tocar outros canais da Abril. O modelo de negócios era o mesmo da MTV: ser distribuído por essas TVs a cabo. Ele disse à Sky que se a empresa quisesse continuar com a MTV, teria de levar esses outros dois canais. O que a Sky falou: ‘um abraço forte para você, tira a MTV já do ar’. Tirou do ar, os canais não entraram e como a Sky era a operadora que mais crescia, a MTV afundava na audiência.”


No fim, licença para “c*g*r”

A atuação inicial de Zico Goes como vice-presidente de programação da MTV Brasil durou de 1998 a 2008 – antes, ele exercia outras funções por lá. Três anos depois, em 2011, o profissional foi convidado para retornar, sob o pretexto de resgatar a identidade da emissora..

“Nos 3 últimos anos, sinal de alerta. A MTV perdia R$ 20 milhões todo ano desde 2008. Voltei para a MTV, pois estava no GNT. Tentei resgatar a identidade da MTV, para ser mais cool, musical, então fizemos a relação: ‘mais Criolo, menos Restart’. O Restart passou a ter toque de recolher: só entrava até às 20h. Depois, era outra TV. Passamos a tocar mais Criolo, mais Emicida, que muitos não conheciam. Resultado? Ibope lá para baixo.”

Era como nadar contra a correnteza: ele afirma que, sem seu conhecimento, o Grupo Abril já havia decidido devolver a marca para a Viacom. O projeto já estava “morto”, ainda que seguisse no ar.

“A Abril já queria se livrar da MTV. Eu não sabia. Voltei achando que queriam recuperar, mas já tinham combinado de devolver para os gringos. Fiquei 3 anos iludido, estava marcado para não dar certo. Fora os boatos de que o canal acabaria, o que espantou o mercado publicitário.”

Foi um dos períodos mais inventivos do canal, segundo o diretor. Havia, em suas palavras, “licença para c*g*r” com diversos experimentos na grade de programação.

“Foi incrível porque, ao mesmo tempo, tínhamos liberdade total, licença para c*g*r. […] Criamos o ‘Comédia ao vivo’, ‘Furo MTV’, ‘Trolalá’ com a Tatá, ‘Rockgol no Morro dos Prazeres’, o último VMB com show dos Racionais que não tocam em lugar nenhum fora da MTV, ‘Último Programa do Mundo’, Wagner Moura com Legião Urbana, ‘Menina Sem Qualidade’.”

A MTV Brasil chegou ao fim, oficialmente, em 30 de setembro de 2013. No dia seguinte, entrou no ar a “nova MTV”, controlada pela Viacom e com linha editorial bem diferente.

“A Viacom não queria a MTV Brasil, pois a Abril pagava royalties para eles. Como eles perderam isso, não queriam saber de nada do que fizemos antes. Fizeram uma programação completamente diferente. Mas conseguimos brincar um pouco com esse fim, chamei os VJs antigos, fizemos uma festa ao vivo no final. A Viacom e a Abril não queriam isso. Queriam que a gente ficasse pianinho, por já estar entregando o canal, e só passasse videoclipe. Falei: ‘que mané videoclipe, vou ter o canal 3 meses para mim, vou fazer o que eu quiser.”

…………………………………………………………………
*Por igormiranda

Curadoria de ouvido, não de algoritmo: conheça o Sleep Tales, selo brasileiro que vem fazendo milagre no sono e ansiedade

O ano é 2022 e não é segredo pra ninguém que o sono de muita gente ao redor do mundo está totalmente afetado pela rotina maluca que tantas pessoas vivem.

Aliás, temos vários exemplos daqueles que até tentam melhorar esses hábitos mas simplesmente não conseguem, por qualquer motivo que seja, e é justamente pensando nessas pessoas que o Sleep Tales tem criado conteúdos incríveis.

Trata-se de um selo de lo-fi, um gênero que vem se popularizando muito nos últimos anos por melhorar a qualidade do sono de pessoas ao redor do planeta — e não apenas isso, mas também favorecendo o relaxamento e a concentração em momentos nos quais estes são requisitados.

Atuando desde Outubro de 2021, o selo brasileiro foi fundado por Daniel Sander, que é conhecido pelo pseudônimo colours in the dark e criou, durante a pandemia, a playlist “lofi sleep, lofi rain” para ajudar pessoas com insônia durante o período de maior crise da COVID-19. A ideia bombou, e hoje tem média de 45 milhões de streams por mês.

Daniel Sander, colours in the dark e a história do Sleep Tales

Como a grande maioria das boas ideias, o Sleep Tales surgiu de uma necessidade própria de Daniel. Conversando com o TMDQA!, ele revelou que tem “muita insônia” e tudo começou quando ele montou a playlist mencionada acima, que surgiu depois que ele “já estava colecionando músicas” para ajudar na hora de dormir.

No entanto, antes de ser fundador do selo, Daniel é artista. E o colours in the dark tem um papel fundamental em toda essa história, que começou de um jeito totalmente inesperado, conforme ele mesmo conta:

Na verdade, eu venho do Rock. Agitei muita coisa para a minha banda de Rock, mas eu sempre amei trilha sonora, música instrumental, desde Rock instrumental até trilha de jogo, que sempre adorei também, e em um certo momento em 2019 resolvi que queria trabalhar com trilha sonora. Então, comecei a procurar cursos, a pesquisar sobre o universo, mas eu sou uma pessoa que aprende na prática. A teoria é importante para a base, mas eu só fixo na prática. Assim, descobri o lo-fi, comecei a ouvir e me apaixonei por vários motivos. Gostei da estética e da liberdade criativa, que é muito grande, mais do que em um projeto de Rock instrumental e até mesmo mais do que uma trilha encomendada. Esse foi o começo do colours in the dark.

Depois de seguir estudando o mercado de lo-fi e compreendê-lo melhor, Daniel entendeu a grande sacada desse meio: as playlists sempre têm um mood, são feitas com músicas que tocam enquanto as pessoas fazem alguma coisa.

Foi aí que ele percebeu que estava, quase sem querer, explorando um nicho que ainda era precário:

Percebi que as minhas músicas tinham uma vibe que quase não era explorada: músicas para dormir. Na época, eu tava divulgando ‘insomnia dream’, que tinha essa pegada e rendeu muitos cliques.

Com tudo isso em mente, Daniel define o Sleep Tales como “uma consequência do trabalho artístico do colours in the dark”, e não algo que “foi criado previamente”. Na verdade, o selo é também uma consequência do rápido crescimento da playlist que foi mencionada, e o artista explica que era a sua própria música que ele usava nos anúncios, que tiveram excelente resultado — tanto que sua primeira compilação, chamada Bedtime Beats, foi lançada ainda sob o nome de seu projeto musical, em Janeiro de 2021.

Três meses depois, veio a segunda compilação, intitulada Broken Heart Beats. Foi nesse momento que duas coisas cruciais aconteceram para a formação do Sleep Tales:

Comecei a receber mensagens de produtores muito agradecidos, dizendo que o que eu estava fazendo estava ajudando muito eles, que isso estava até mexendo na autoestima deles. E recebi também muitas mensagens de ouvintes que estavam dormindo melhor e baixando a ansiedade com essas playlists. Aquilo foi um estalo para mim. Pensei: eu deveria abrir um selo, juntando essas duas pontas — artista de lo-fi e público com insônia, ansiedade, estresse.


Como o lo-fi do Sleep Tales ajuda a combater a ansiedade e o estresse?

Essas duas últimas palavras são fundamentais na história do Sleep Tales. É claro que a insônia também teve um papel importantíssimo, mas se a relação de Daniel era muito ligada a esse lado, o ouvinte Rafael Bressan conversou com o TMDQA! para trazer uma outra perspectiva.

Ele explica que até começou a ouvir lo-fi com outras playlists, mas chegou à Sleep Tales pela indicação de uma amiga e não largou mais ao perceber que, diferentemente de outras playlists, havia encontrado algo que lhe permitia realmente relaxar.

A grande diferença, na visão do ouvinte, é a ausência de beats marcantes e outros elementos que podem distrai-lo; por isso, as playlists curadas por Daniel servem perfeitamente para momentos que são bastante importantes na vida de Rafael:

Mais à noite, eu às vezes preciso de um tempo para relaxar e tentar me concentrar e o lo-fi me ajuda nessas situações — principalmente a Sleep Tales, porque eu gosto muito de um lo-fi menos ‘hiphopzado’, eu gosto de uma coisa mais leve. Eu coloco muito como plano de fundo, pra conseguir ler alguma coisa, focar em outras coisas que não sejam o celular, que não sejam o trabalho; poder ler um livro, brincar com meus gatos, tomar um vinho à noite com calma e tranquilidade, poder cozinhar, poder lavar uma louça, qualquer coisa que eu precise de algum tipo de música de fundo que seja relaxante pra mim.

É curioso que, na conversa conosco, Rafael pede para não perguntarmos os nomes dos artistas — um sinal involuntário e sensacional de que o objetivo da playlist está sendo cumprido, voltando o foco completamente para outro lugar. Aliás, saber o nome dos artistas é o trabalho justamente de Daniel, que já lançou mais de 220 faixas de 100 artistas diferentes no selo.

Curadoria de ouvido, não de algoritmo
No papo conosco, o fundador do selo explica que a sua iniciativa tem “uma relação mais próxima com os artistas do que os outros selos”, e uma grande prova disso é a sua curadoria feita “de ouvido, não de algoritmo”.

Mesmo que hoje já seja o segundo maior do mundo, o Sleep Tales não abre mão de uma relação humanizada, tanto com os artistas quanto com os ouvintes:

Já somos o segundo maior do mundo hoje, mas nenhum grande selo tinha esse contato real com os artistas. Recebo esse feedback dos próprios artistas, alguns são lendas do lo-fi. Isso se reflete em tudo. Isso significa que eles ficam mais inclinados a nos mandar as melhores músicas para serem lançadas pelo Sleep Tales. Isso se reflete também na curadoria feita com muito carinho (de ouvido mesmo, não de algoritmo). A gente atualiza toda semana para que a playlist esteja sempre nova para os nossos ouvintes, sempre com músicas novas.

Com essa visão, é difícil não enxergar o Sleep Tales como uma história à parte de todo o restante do lo-fi. Além de Rafael, um outro feedback marcou muito a vida de Daniel e o fez compreender — e ser capaz de explicar — justamente o motivo de seu selo ser diferente dos demais:

Na época, eu aceitava doação pelo meu trabalho com o colours in the dark. Uma das doações que recebi foi de uma pessoa que eu não conhecia, de outro país, falando que estava doando porque ela estava se sentindo muito melhor ao ouvir aquelas músicas. Ela estava passando por um momento muito difícil, de depressão. Ali eu percebi que não era só mais uma playlist. Foi quando comecei a buscar o que fazer com isso, e o que diferencia o Sleep Tales é exatamente isso.

Nós somos pioneiros, e o nosso estilo é muito próprio. O lo-fi para dormir foi criado por nós. Outras pessoas estão fazendo porque, quando o negócio dá certo, muita gente copia mesmo — mas quem inventou isso fomos nós. E o ponto principal é que a gente tem essa pegada de querer ajudar as pessoas com a música.

Prometendo muitas novidades e a continuidade do pioneirismo ainda em 2022, o Sleep Tales está só começando a sua trajetória. E, nas palavras de Daniel Sander (ou colours in the dark, como preferir), a única regra é continuar ajudando as pessoas:

O Sleep Tales hoje é um selo de lo-fi, em breve pode ter outros tipos de músicas, mas o que mais importa para nós é ajudar as pessoas com insônia, com ansiedade, com estresse. As músicas que a gente lança são voltadas para isso. O nosso lo-fi privilegia a parte terapêutica, de cura, além de ser uma música gostosinha para ouvir, claro. A nossa missão é fazer as pessoas dormirem e viverem melhor.

Continue ligado no TMDQA! para conferir mais novidades sobre o Sleep Tales e não deixe de acessar este link para conferir tudo que o selo tem a oferecer! Em tempo, clique aqui para seguir acompanhando o trabalho de Daniel com o colours in the dark.

Abaixo, você ainda curte a rádio 24h que pode, sem exagero, mudar sua vida pra melhor.

*Por Felipe Ernani
………………………………………………………………………..
*Fonte: tenhomaisdiscosqueamigos

Polêmico livro sobre o rock gaúcho é lançado no Brasil

Em fevereiro de 2021, ou seja, há mais de um ano e meio de sua publicação (prevista para outubro de 2022), o livro “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho” ganhou as páginas do jornal Zero Hora, o maior em circulação no Sul do Brasil. Em sua capa, a exclamativa manchete: “Livros sobre cem grandes discos do rock gaúcho levanta discussões antes de ser lançado”. O assunto, que tomou de assalto as redes sociais tornou-se um dos mais comentados e, de quebra, sacudiu a cena do rock e da música jovem no Estado, por conta dos resultados que elegeram, por meio de uma curadoria formada por cem pessoas, os álbuns resenhados na obra.

O jornalista Alexandre Lucchese, que assinou a matéria em Zero Hora, ainda escreveu: “O rock gaúcho passa por uma fase de agitação e agressividade. E não estamos falando de andamentos rápidos e guitarras cortantes, mas de uma contenda armada longe dos palcos. Nas redes sociais, o projeto “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho” tem sido aclamado e criticado ao tentar sedimentar uma lista com destaques incontornáveis da música jovem destas pradarias. A curadoria, no entanto, tem sido questionada com a mesma paixão que torcedores palpitam sobre a escalação de seu time na véspera de final”. Os resultados despertaram sentimentos os mais diversos em artistas e bandas que não se viram na lista. Alguns dos músicos que ficaram de fora não levaram na esportiva, sugerindo, inclusive, que os livros fossem queimados em praça pública, à la “Fahrenheit 451”, obra clássica de Ray Bradbury.

O projeto é uma iniciativa do designer do jornalista Cristiano Bastos, biógrafo de Júlio Reny, Flávio Basso e Nelson Gonçalves e também um dos autores do livro “Gauleses Irredutíveis – Causos e Atitudes do Rock Gaúcho” e do designer gráfico Rafael Cony, que trabalhou com bandas e artistas como Garotos da Rua, Bebeto Alves e Ratos de Porão. O livro “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho”, lançamento da editora Nova Carne Livros, é uma obra que apresenta, por meio de resenhas, fotos e ilustrações, fatos e curiosidades sobre 100 discos de rock e suas vertentes, lançados durante os últimos 50 anos no Rio Grande do Sul. Possui também, como um de seus objetivos, iniciar um processo de documentação literária de preservação da memória musical do Estado, sendo o ponto de partida para coleção de registros em livro de parte da história fonográfica do RS.

Muita gente também criticou o fato de algumas bandas e artistas, a princípio, terem aparecido repetidamente enquanto outras não eram citadas. A crítica foi aceita pelos criadores, que restringiram a participação a um álbum por grupo ou cantor. A ação abriu espaço para 27 novos discos. Cada álbum citado também conta com uma seção “Ouça também”, além de vários capítulos especiais. Maiores detalhes de como se deu o processo tanto da concepção quanto do pleito e também da realização do trabalho, o autor, Cristiano Bastos, explica em trecho cedido com exclusividade.

Ao final, também exclusivo, um trecho do texto assinado pelo guitarrista Luiz Carlini, que conta a respeito de seu amor e intimidade com o rock gaúcho. E, ainda, informações sobre como adquirir a obra (ainda com um preço mais barato), que tem tiragem limitada (mil exemplares), da qual a maior parte já foi vendida durante a campanha de financiamento.

Introdução do livro
As primeiras palavras escritas para este livro deram-se numa despojada postagem de Facebook. Num domingo de maio de 2020, quando então vivia-se os primeiros dias do isolamento social imposto pela pandemia de coronavírus, a intenção de se fazer uma obra de jornalismo e artes gráficas sobre “100 Grandes Álbuns” de rock gaúcho foi anunciada. Pode-se dizer, sem medo de errar, que o conceito do livro que agora vocês têm em mãos, estimadas leitoras e leitores, nasceu pronto. A ideia primordial (que consistiria, a princípio, em um compilado de resenhas de discos), porém, acabou evoluindo naturalmente com a progressão do trabalho. Na verdade, um processo que só foi dado como encerrado no instante em que se precisou pôr o derradeiro ponto final. Assim, a concepção de 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, sem nunca desvirtuar-se da centelha que lhe deu origem, foi aperfeiçoada e a publicação tomou sua forma final.

Inicialmente, mas não por muito tempo, chegamos a cogitar a possibilidade de nós mesmos, idealizadores do livro, realizarmos a escolha dos álbuns. Fatalmente, isso incorreria numa seleção fundamentada, sobretudo, em critérios pessoais. Ou seja, além de pouco justa e nada democrática, em tal opção teríamos, além de tudo, pecado pela parcialidade. Ainda mais, levando-se em consideração a prolífica produção fonográfica relativa à música jovem no Rio Grande do Sul (que, aliás, não para de crescer).

Para buscar a equidade, decidimos por selecionar um grupo de curadores, os quais participaram de um grande pleito e cujo resultado consagrou os cem grandes álbuns que dão nome ao livro. Ressaltando, antes, que se decidiu pela nomenclatura “grandes”, em vez de “melhores”, já no primeiro dia do projeto. O objetivo foi justamente evitar um juízo de valor em relação às obras, o que teria ocorrido, caso escolhêssemos a enunciação “melhores”.

Embora os títulos resenhados em 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho tenham obtido número de votos, para nós importou apenas o coeficiente que os possibilitou figurar nesta lista. Temos plena consciência de que, não importando se grandes ou melhores, há muito mais do que uma centena de discos que poderiam ser destacados nas páginas dessa publicação.

Quanto aos resultados, cuja divulgação terminou por gerar acaloradas discussões (saudáveis, em sua grande maioria), durante o carnaval de 2021, nunca questionamos as escolhas do corpo de curadores. Uma vez sacramentada a lista, concentramos nosso trabalho, que compreendeu, além de encontrar fontes bibliográficas confiáveis, na apuração de detalhadas informações sobre os álbuns junto aos autores.

Em relação aos procedimentos do pleito, no sentido de auxiliar nas escolhas, disponibilizamos aos curadores um panorama do universo discográfico da música jovem no Rio Grande do Sul. Assim, antes de enviarmos as “cédulas” de votação, empreendemos uma ampla pesquisa com o objetivo de recolher, em todas as épocas, a maior quantidade possível de títulos lançados por bandas e artistas gaúchos. O levantamento resultou num apanhado de cerca de 800 discos, os quais – mais de uma vez foi reiterado à curadoria – serviam apenas ao intuito de lhes “refrescar a memória”. Ou seja, as escolhas dos mesmos, se assim desejassem, poderiam se basear tanto nos títulos elencados por nós quanto naqueles que, porventura, não estivessem entre o montante inventariado pelos idealizadores.

Com a divulgação dos resultados, das redes sociais vieram críticas a respeito da ínfima presença de títulos referentes a grupos em início de carreira ou que ganharam lançamento nos últimos anos. Uma constatação indiscutivelmente legítima, que corroborou, ainda mais, na proposta da seção “Ouça Também”, prevista para complementar cada um dos cem álbuns resenhados, citando três outros como sugestão de audição. Da mesma forma que entendemos o clamor pela presença de bandas e artistas contemporâneos, também constatamos a necessidade de se contemplar, de alguma forma, a produção discográfica vicejada na Grande Porto Alegre e também no interior.

Em consequência disso, tendo como propósito deixar mais participativo o processo de seleção, instituímos, com ampla divulgação, uma campanha para que bandas e artistas enviassem releases, músicas e links para que pudéssemos conhecer seus trabalhos. Infelizmente, menos de dez atenderam ao pedido, o que fez com que os autores se jogassem numa gratificante cruzada de pesquisa e curadoria, que acabou por expandir o panorama fonográfico contemplado no livro, antes restringido aos discos eleitos, para um total de 400 títulos.

Editorialmente, outra significativa mudança, ocorrida quando 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho encontrava-se em avançado processo de redação e editoração, se deu em relação aos boxes com textos que complementam as resenhas sobre os discos principais, em suas respectivas páginas. Faltando pouco mais de um mês para o prazo estabelecido – após terem sido redigidos todos os textos, os quais detinham-se em curiosidades (no jargão jornalístico, o fait divers, ou seja, variedades) –, nos demos conta a tempo de que, dada a natureza específica dessa obra, nas informações contidas nos boxes também deveriam sobressair outros títulos do mesmo artista. Com esse reajuste editorial, a conta saltou de 400 para 600 títulos.

Por sua vez, com os capítulos especiais (enquadrando a produção de compactos, EPs, coletâneas, discos coletivos, ao vivo e, ainda, fitas cassete), pensados logo no início do projeto, tal horizonte multiplicou-se. Ao longo do trabalho, também decidimos pela criação de dois inclusivos capítulos: um sobre a produção fonográfica de mulheres e outro sobre música negra, assinados, respectivamente, pela jornalista Bruna Paulin e pelo músico Edu Meirelles. De última hora, com o livro já bem encaminhado, concluímos que seria pertinente a criação, ainda, de dois outros capítulos, os quais desdobraram o temário “rock gaúcho” em livros e filmes (o primeiro coligindo uma bibliografia selecionada, e o outro, com a assinatura de Carlinhos Carneiro, elencando obras audiovisuais relativas a videoclipes, filmes e documentários). A inclusão desses dois novos itens foi uma decisão natural, uma vez que muitos dos discos retratados em 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, e a mítica envolvendo suas produções, também aparecem em obras literárias, filmes e documentários. Ocupando quatro páginas do livro, cada capítulo resenha 17 títulos (somando, assim, outras 153 obras) que põem em destaque um conjunto de produções notoriamente importantes.

Por fim, somando-se a tudo isso, o capítulo intitulado “Hors-Concours”, cuja decisão dos autores em criá-lo deu-se logo após o processo eletivo dos “100 Grandes”. Os textos presentes em Hors-Concours discorrem sobre obras discográficas de três nomes (Conjunto Farroupilha, Elis Regina e Conjunto Melódico Norberto Baldauf), que foram de fundamental relevância quanto à propagação e popularização, para o Brasil e para o mundo, da música jovem florescida no Rio Grande do Sul. São colaborações assinadas, respectivamente, pelos jornalistas Zeca Azevedo (que também prefacia o livro), Ariel Fagundes e Marcello Campos.

O livro conta, ainda, com três textos-tributo. O primeiro, escrito pela produtora cultural Joana Alencastro, lembra a trajetória de Lory Finocchiaro e o segundo, assinado pelo jornalista Cristiano Bastos, de Luis Vagner. Ambos os compositores são os homenageados desta obra. No terceiro texto, Carlos Gerbase, baterista da banda Os Replicantes, revive antigas e divertidas memórias sobre o produtor Carlos Eduardo Miranda. Os leitores também são coroados com a deferência de Luiz Carlini, um dos fundadores do Tutti Frutti, que partilha conosco sua relação íntima de amizade e afeição pelo rock’n’roll gaudério.

Quase na reta final da empreitada, os autores entenderam que ainda havia a necessidade de incluir textos que propusessem uma reflexão mais robusta sobre temas cujas as abordagens vinham sendo pensadas e debatidas ao longo de todo o processo editorial. No primeiro deles, logo nas páginas iniciais, o jornalista e pesquisador musical Fernando Rosa divide com os leitores preciosos detalhes de sua vivência com o rock do Rio Grande do Sul, desde os anos 60. Intitulado “Esse tal de rock gaúcho”, o texto assinado por Rosa, citando nomes conhecidos e relembrando outros nem tanto, porém essenciais, percorre uma longa trajetória temporal que desemboca nos dias atuais.

Por fim, nas páginas derradeiras, o músico e compositor Marcelo Birck comete o segundo texto de fôlego, em que tece considerações acerca da importância dos fanzines para a consolidação do conceito de “rock gaúcho”, nos anos 80 e 90. Entre outros pontos, Birck analisa a frequência com que o rock feito em Porto Alegre, e seus “estranhamentos”, ganhava destaque em tais publicações.

Inicialmente prometido para novembro de 2021 (e aqui cabe um pedido de desculpas dirigido a quem adquiriu seus exemplares pelo financiamento coletivo), 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho terminou sofrendo o atraso de alguns meses. A todos que, em razão da demora, nos procuraram querendo saber notícias a respeito do lançamento, argumentamos, em tais ocasiões, que “um livro não se faz a ‘toque de caixa’”. Embora um prazo tenha sido estabelecido, a verdade é que, dado o ineditismo do projeto, não sabíamos, na verdade, a real dimensão que tal esforço demandaria em sua realização.

Nesses dois intensos anos de labor, parte importante do trabalho consistiu na apuração de informações (processo jornalístico, por vezes difícil, devido às escassas e muitas vezes pouco confiáveis fontes de pesquisa documental disponíveis) e também em entrevistas realizadas com mais de uma centena de artistas. Depois de tudo, a mais extenuante das etapas: a checagem das informações. E, a despeito disso, no caso de certos discos foram inúmeras as vezes em que as informações constantes em seu respectivo texto tiveram de ser revistas, seja pelos autores ou pelos artistas. Durante a elaboração, inúmeras também foram as remodelações gráficas até que se chegasse à obra que agora, prezadas leitoras e leitores, enfim vocês poderão degustar. Sem contar, ainda, nesse tão minucioso quanto cuidadoso trabalho, o primordial processo de digitalização e restauro ao qual foram submetidas as capas, contracapas e selos dos discos que serviram de matriz para ilustrar as páginas do livro.

Nessa exploração guiada pelos meandros da produção fonográfica do Rio Grande do Sul, a bordo de 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, aproveitamos para agradecer a todos que, de uma forma ou outra, nos ajudaram a tornar isso possível. Curtam a leitura e as audições, tanto quanto nós curtimos o desafio e, sobretudo, a aventura que foi escrever esse livro.

Que venham muitos outros.

Trecho do livro
Nas páginas finais do livro 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, o guitarrista paulistano Luiz Carlini (integrante da banda Tutti Frutti) escreveu sobre sua relação com o rock do Rio Grande do Sul, o impacto causado pelos cabeludos do Liverpool Sound e a importância da música jovem do estado.

Meu primeiro contato com aquilo que, na década seguinte, ganharia o nome de “rock gaúcho”, foi no início dos anos 70, ainda moleque, ou “piá”, como dizem no Sul. Certa noite, em 1971, eu estava ligado na TV, ainda em preto e branco, para ver os Mutantes no “Som Livre Exportação”. Exibido pela Rede Globo, o televisivo era conduzido por Elis Regina e Ivans Lins. Naquela noite, o Som Livre Exportação foi apresentado de Porto Alegre. Lá pelas tantas, se apresentou no programa uma banda local, chamada Liverpool Sound. Uns cabeludos tocando um puta rock’n’roll. Eu era louco, fissurado por rock, e pensei: “Que porra é essa!”. Ali, naquele momento, fui arrebatado. “Entrei na raia e comecei a dançar esse rock’n’roll, xará”. Não tenho dúvidas de que fui o primeiro fã paulista do Liverpool.

Depois que a Rita Lee saiu dos Mutantes, montei o Tutti Frutti para acompanhá-la. Entre 73 e 78, lançamos cinco álbuns e viajamos por todo o Brasil. Meus primeiros shows em Porto Alegre foram em 74, numa breve temporada, de três ou quatro noites, no Teatro Leopoldina, quando lançamos o LP Atrás do Porto Tem Uma Cidade. No ano seguinte, na turnê Fruto Proibido, voltamos para um show no Gigantinho. Quando fui passar o som, percebi que meu amplificador, um Marshall valvulado, havia queimado. Naqueles dias, os equipamentos viajavam de uma cidade para outra de caminhão, aos solavancos. Alguém falou de um guitarrista que tinha um Marshall e fomos na casa dele, buscar o amplificador. Só em Porto Alegre, mesmo, para alguém ter um Marshall naquela época. Quanto mais, emprestá-lo.

A partir dos anos 80, comecei a ir com mais frequência para o Rio Grande do Sul. Toquei com o Erasmo Carlos e com o Guilherme Arantes em shows memoráveis no Araújo Vianna e também em diversos clubes e cidades do interior. Quando acompanhei Neusinha Brizola, no Rio de Janeiro, conheci o Joe Euthanázia. Também no Rio, conheci o Humberto Gessinger. Estávamos no mesmo hotel. Ele me deu uma cópia do primeiro LP dos Engenheiros do Hawaii e ficamos um bom tempo conversando sobre guitarras. Os Garotos da Rua também estavam em alta, aparecendo nos principais programas de TV, como o Cassino do Chacrinha. Uma maré fortíssima vindo do Sul. Nesses dias, também fui sondado para produzir o primeiro álbum dos Cascavelletes, o que não aconteceu. Porém, fiquei amigo do Nei Van Soria e assisti alguns shows de sua banda.

A cultura gaúcha tem raízes muito fortes. Existem CTGs espalhados pelo mundo. Nomes como Teixeirinha, Gaúcho da Fronteira e Conjunto Farroupilha são reconhecidos tanto nacional quanto internacionalmente. Minha aproximação com o rock gaúcho também tem a ver com o som e com as letras. Uma sonoridade que se identifica com o “veneno do rock de São Paulo”. Um rock’n’roll que fala a minha língua. Depois de São Paulo, do bairro da Pompéia e dos palcos, o Rio Grande do Sul e Porto Alegre são minha segunda casa. Me considero o guitarrista paulistano mais gaúcho que existe.

100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho

• 300 páginas coloridas, em papel couchê;
• Formato 30x25cm;
• Capa dura;
• 100 discos resenhados;
• Capítulos especiais (compactos, discos ao vivo, fitas cassete, EPs, coletâneas e álbuns coletivos, música negra, mulheres na música, livros e filmes sobre rock gaúcho);
• Quase mil obras citadas, com informações e capas;
• Garanta seu exemplar diretamente com os autores: Cristiano Bastos: whatsapp 51 982986277; Rafael Cony: whatsapp 51 999196952
• Valor: R$ 250, com frete incluído para todo Brasil.
• Previsão de lançamento: 24 de outubro

*Por Luiz Pimentel
………………………………………………………………….
*Fonte: terra

Filha de Paul McCartney dirige documentário sobre o lendário estúdio Abbey Road

Filha do músico e compositor Paul McCartney, a fotógrafa Mary McCartney cresceu entre as salas de gravação de Abbey Road: assim, para ela foi natural dirigir um documentário sobre o estúdio mais famoso do mundo.

Entre tantas gravações lendárias, foi na Sala 2 de Abbey Road que os Beatles gravaram quase todos os seus discos, mas a ideia por trás de If These Walls Could Sing é ir além do óbvio e explorar, no filme, os muitos artistas que já trabalharam no estúdio londrino.

Afinal, além de boa parte da discografia da maior banda de todos os tempos, diversos outros clássicos foram gravados no estúdio, localizado no número 3 da rua de mesmo nome. Álbuns como “Dark Side of The Moon”, “Wish You Were Here” e praticamente todos os primeiros do Pink Floyd, “All Things Must Pass”, de George Harrison, assim como “Be Here Now”, do Oasis, “The Bend”, do Radiohead, e muitos mais foram todos gravados em Abbey Road.

O filme parte da história do estúdio, mas também das inusitadas memórias pessoais dos artistas e da própria Mary – como de uma foto de seu pai atravessando a famosa faixa puxando um pônei ao lado de sua mãe, Linda McCartney. Além do próprio Paul, participam nomes como Elton John, Jimmy Page, Kate Bush, Roger Waters, David Gilmour e o compositor John Williams, em documentário produzido pelos estúdios Mercury e Ventureland.

O mais importante estúdio do mundo
Anteriormente chamado EMI Recording Studios, o Abbey Road foi fundado em 1931, e imortalizado principalmente pelo disco dos Beatles que o homenageia na capa e no título. Lançado em 1969, “Abbey Road” foi o último álbum gravado pela banda, e traz a mais icônica capa de disco da história do rock, com tirada na faixa de pedestres à frente do estúdio.

Para a capa do disco “Abbey Road”, a banda decidiu posar atravessando a rua do estúdio

A lista de artistas que já gravaram no estúdio se confunde com a própria história da música pop. Passaram por Abbey Road estrelas como Adele, Burt Bacharach, Tony Bennett, Blur, The Black Keys, Nick Cave, Elvis Costello, Miley Cyrus, Depeche Mode, Ella Fitzgerald, Green Day, Iron Maiden, Michael Jackson, Alicia Keys, Lady Gaga, John Mayer, Metallica, Alanis Morissette, Fela Kuti, Frank Ocean, Queen, Red Hot Chilli Peppers, Spice Girls, U2, Kanye West, Amy Winehouse e muitos – muitos! – mais.

Antes mesmo de ser exibido, o documentário If These Walls Could Sing já foi adquirido pela Disney, e em breve terá uma data de estreia anunciada para a plataforma Disney+.

*Por Vitor Paiva
……………………………………………………………….
*Fonte: hypeness

Saiba onde assistir aos shows do Rock in Rio 2022

Apresentações dos palcos Mundo, Sunset, Espaço Favela e New Dance Order serão exibidas em diferentes plataformas do grupo Globo

O Rock in Rio 2022 está marcado para acontecer nos dias 2, 3, 4, 8, 9, 10 e 11 de setembro. Centenas de milhares de fãs passarão pela Cidade do Rock durante esses dias, mas quem não vai ao festival poderá acompanhar os shows pela TV ou internet.

Como habitual, os canais Globo farão a transmissão ao vivo dos vários shows do evento. Na TV, o Multishow será responsável por exibir o Palco Mundo e o Sunset, enquanto o Bis ficará a cargo dos palco Espaço Favela e New Dance Order.

No site e aplicativo do Globoplay, mesmo aqueles que não assinam o serviço (mas estão logados na plataforma) poderão assistir aos shows exibidos ao vivo pelo Multishow – ou seja, esta opção é gratuita. Já os assinantes do pacote “+Canais ao Vivo” da ferramenta de streaming também terão acesso à transmissão do Bis.

Os shows do Palco Mundo e Sunset também serão transmitidos ao vivo gratuitamente pelo site G1.

Por fim, na TV aberta, a Globo exibe ao fim da noite um compilado com os melhores momentos. É a única opção onde não há transmissão ao vivo.

Confira abaixo uma lista com todas as opções de transmissão do Rock in Rio 2022. Depois, veja também um levantamento com todos os shows que têm exibição prevista, com seus respectivos horários.

Onde assistir ao Rock in Rio 2022

Multishow

Transmissão ao vivo dos palcos Mundo e Sunset
Horário: a partir das 15h (com exceção do dia 2, que é a partir de 14h30)

Canal Bis

Transmissão ao vivo dos palcos Espaço Favela e New Dance Order
Horário: Todos os dias a partir de 17h30

Globoplay

Transmissão do Multishow (palcos Mundo e Sunset) para não assinantes logados
Transmissão do Canal Bis (palcos Espaço Favela e New Dance Order) para assinantes do pacote “+Canais ao Vivo”
Clique aqui para acessar o Globoplay

G1

Transmissão ao vivo dos palcos Mundo e Sunset
Shows do Palco Sunset começam às 15h30
Shows do Palco Mundo começam às 18h

TV Globo

Compilado com os melhores momentos do dia
Horários: quintas e sextas-feiras, após “Conversa com Bial”; sábado, após “Altas Horas”; domingo, após o “Vai que Cola”
Shows do Rock in Rio 2022 com transmissão prevista

8 de setembro, quinta

Palco Mundo

Guns N’ Roses – 0h10
Måneskin – 22h20
The Offspring – 20h10
CPM 22 – 18h00
Palco Sunset

Jessie J – 21h15
Corinne Bailey Ray – 19h05
Gloria Groove – 16h55
Duda Beat – 15h30
Espaço Favela

Drenna – 20h55
Th4i convida Lia Clark – 17h55
Izzra – 16h30
New Dance Order

Adriatique 02h00 – 04h00
Zac 01h00 – 02h00
Sarah Stenzel 00h00 – 01h00
Ben Böhmer 22h30 – 00h00
Gui Boratto 21h30 – 22h30
Du Serena Vs Junior C 20h00 – 21h30
Leo Janeiro Vs Nepal 18h30 – 20h00
Marta Supernova 17h00 – 18h30
Nu Azeite Live 16h00 – 17h00

9 de setembro, sexta

Palco Mundo

Green Day – 0h10
Fall Out Boy – 22h20
Billy Idol – 20h10
Capital Inicial – 18h00
Palco Sunset

Avril Lavigne – 21h15
1985: A Homenagem – 19h05
Jão + convidado – 16h55
Di Ferrero & Vitor Kley – 15h30
Espaço Favela

MD Chefe e Domlaike – 20h05
Choice – 17h55
Marvvila – 16h30
New Dance Order

Neelix 02h30 – 04h00
Blazy 01h30 – 02h30
Paranormal Attack 00h00 – 01h30
Vegas 22h30 – 00h00
Rica Amaral 21h30 – 22h30
Aly & Fila 19h00 – 21h30
Antdot 17h30 – 19h00
Meca 16h00 – 17h30

10 de setembro, sábado

Palco Mundo

Coldplay – 0h10
Camila Cabello – 22h20
Bastille – 20h10
Djavan – 18h00
Palco Sunset

Ceelo Green – 21h15
Maria Rita + convidado – 19h05
Gilsons + Jorge Aragão – 16h55
Bala Desejo + convidado – 15h30
Espaço Favela

Ferrugem e Thiaguinho – 20h05
Orochi – 17h55
El Pavuna – 16h55
New Dance Order

Kaskade 02h30 – 04h00
Jetlag 01h00 – 02h30
Curol 23h45 – 01h00
Gabriel Boni 22h30 – 23h45
Makj 21h30 – 22h30
The Fish House 20h00 – 21h30
Chemical Surf 18h30 – 20h00
Bruno Be Vs Fancy Inc 17h00 – 18h30
Alexiz Bcx 16h00 – 17h00

11 de setembro, domingo

Palco Mundo

Dua Lipa – 0h10
Megan Thee Stallion – 22h20
Rita Ora – 20h10
Ivete Sangalo – 18h00
Palco Sunset

Ludmilla – 21h15
Macy Gray – 19h05
Power! Elza Vive – 16h55
Liniker convida Luedji Luna – 15h30
Espaço Favela

Lexa – 20h05
Azzy – 17h55
Ella Fernandes – 16h30
New Dance Order

Anna 02h00 – 04h00
Eli Iwasa 00h00 – 02h00
Blond:Ish 22h30 – 00h00
Ella De Vuono 21h00 – 22h30
Anabel Englund 19h30 – 21h00
Aline Rocha 18h00 – 19h30
Mary Olivetti 16h00 – 18h00

*Palcos Supernova, Rock District, Highway Stage e Rock Street Mediterrâneo não têm transmissão. Atrações da Arena Itaú podem ser conferidas no perfil de TikTok do banco Itaú.

Veja também: Rock in Rio 2022 divulga horários de seus shows

…………………………………………………………
*Fonte: igormiranda

Transforme seu celular em “toca-discos”

O Yamaha Design Lab anunciou um pequeno aparelho que, unido a smartphones, simula a experiência de ouvir um LP em um toca-discos. Chamado TurnT, o equipamento contém caixas de som e um braço, na ponta do qual está a sua “agulha”.

Essa “agulha”, no entanto, não é uma agulha de verdade, muito menos entra em contato com os microrrelevos dos sulcos de um vinil, mas sim com as telas lisa dos celulares. Com um app que cria um “LP” virtual, sincronizado às plataformas de streaming, o usuário consegue ter um pequeno gostinho do que é a experiência analógica.

Isso porque, para dar play nas músicas, ou para trocar de faixa, você precisa (assim como nos discos reais) mudar a posição da agulha. No TurnT, você precisa voltar ou avançar o álbum manualmente.

“O processo de ‘diversão séria’ ajuda você a respeitar a música e ter um tempo precioso com ela”, diz o vídeo de lançamento da Yamaha. Será?

Por aqui, vemos como uma novidade super interessante, mas é certo: não chega aos pés dos LPs de verdade. É apenas uma forma divertida de ouvir música pelo celular. Para curtir o áudio analógico de verdade, você precisa mesmo é de um toca-discos.

*Por Erick Bonder
……………………………………………………………………..
*Fonte: noize

Trilha sonora do documentário oficial de David Bowie é anunciada; ouça remix de “Modern Love”

A trilha sonora do documentário de Brett Morgen, Moonage Daydream, acaba de ser anunciada. Programado para chegar digitalmente em 16 de setembro, o álbum contará com versões inéditas de várias músicas clássicas de David Bowie, faixas ao vivo e mixagens criadas exclusivamente para a produção cinematográfica.

Moonage Daydream é uma representação muito esperada da vida de Bowie. O filme, que será lançado oficialmente um dia antes da chegada da trilha sonora, celebra a jornada criativa, musical e espiritual do falecido músico. Com imagens inéditas ao lado da música original de Bowie, este será o primeiro filme a ser oficialmente sancionado pela família de Bowie. Mais detalhes AQUI.

A trilha sonora oficial combinará material inédito e mixagens únicas criadas para o filme, complementando todas elas com diálogo do próprio Bowie. Os destaques da coleção incluem um medley ao vivo de ‘The Jean Genie/Love Me Do/The Jean Genie’, gravado no último concerto de Ziggy Stardust no Hammersmith Odeon de Londres em 1973, e com Jeff Beck na guitarra. Também estará no disco uma gravação ao vivo inédita de ‘Rock ‘n’ Roll With Me’ da ‘Soul Tour’ de Bowie de 1974.

A versão “Moonage Daydream Mix” do clássico “Modern Lover”, que reformula de forma instrumental o original de 1983, acaba de ser disponibilizada para audição. Confira no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=KfpWP-OUyFs

…………………………………………………………………………
*Fonte: radiorock89

Ouça música de John Lennon sobre paternidade que amoleceu coração de ícone rabugento do rock

Os Beatles são uma inspiração gigantesca na obra do Oasis e a figura de John Lennon é algo muito representativo para Liam Gallagher. Basta dizer que o filho mais velho dele chama-se Lennon.

Recentemente, a UNCUT pediu a vários músicos que indicassem sua faixa favorita de Lennon. O vocalista do Oasis escolheu “Beautiful Boy”, canção que o ex-Beatle fez para seu filho Sean, então com cinco anos, e que faz parte do álbum Double Fantasy, de 1980.

A música, que aborda a alegria da paternidade, tem em sua letra uma das citações mais conhecidas de Lennon: “A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos”.

Essa canção é tão poderosa, que até mesmo um dos ícones mais rabugentos do rock fez uma declaração tocante sobre sua essência. “As pessoas que têm alma perceberão que há um dia em que você vai para casa, deixa tudo para trás e abraça seus filhos. Se alguém critica isso, não têm coração ou não sabe qual é o significado da vida”, disse Liam à revista.

“Beautiful Boy (Darling Boy)”, de John Lennon, está disponível no player abaixo:

A tradução livre de “Beautiful Boy” é esta:

Feche seus olhos
Não tenha medo
O monstro se foi
Ele está correndo e seu papai está aqui
Bonito, bonito, bonito
Menino bonito
Bonito, bonito, bonito
Menino bonito

Antes de dormir
Faça uma pequena oração
Diariamente em todos os sentidos
Está melhorando e melhorando

Bonito, bonito, bonito
Menino bonito
Bonito, bonito, bonito
Menino bonito

Lá fora no oceano que veleja afora
Eu quase não posso esperar
Para te ver mais velho
Mas eu acho que vamos apenas ter que ser paciente
Porque o caminho é longo
Uma vida dura para vencer
Sim é um caminho longo
Mas enquanto isso

Antes que você atravesse a rua
Segure minha mão
Vida é o que acontece a você
Enquanto você está ocupado fazendo outros planos

Bonito, bonito, bonito
Menino bonito
Bonito, bonito, bonito
Menino bonito

Antes de dormir
Faça uma pequena oração
Diariamente em todos os sentidos
Está melhorando e melhorando

Bonito, bonito, bonito
Menino bonito
Bem, bem, bem,
Querido Sean

………………………………………………………………………….
*Fonte: radiorock89

Earth FM: o ‘Spotify’ que reúne paisagens sonoras de todo o mundo

Quando pensamos em paisagens, pensamos em belas imagens. Mas o som é parte importante do lugar onde estamos. Se você vai para o centro de uma grande cidade, como Mumbai ou São Paulo, irá encontrar o barulho de buzinas, carros, comércios, etc.

A proposta do Earth.fm é trazer o som das paisagens, em especial as naturais, para ouvintes em qualquer canto do mundo. A coletânea de sons locais de diversas regiões do mundo podem fazer viajar instantaneamente só com um som nesse site.

Mapa mostra diversos sons da natureza ao redor do mundo; no Brasil, é possível ouvir Mata Atlântica e Amazônia

A proposta do Earth.Fm é reunir sons coletados por diversos especialistas ao redor do mundo. A ideia é mostrar que a diversidade de paisagens ao redor do mundo também se reflete em um som diferente. Ouvir os sons da floresta amazônica e das selvas tropicais do sudeste asiático mostra pontos sonoros em comum entre o Camboja e o Amazonas.

Por outro lado, é possível escutar atentamente paisagens mais áridas, como os desertos subsaarianos ou regiões como os Andes dos nossos companheiros latino-americanos. Todos os continentes – e até o mar – é escutável neste site.

O uso de Earth.fm é completamente gratuito e tem como fim propagandear o trabalho de artistas que fazem coleção de sons ambientes, além de mostrar a potência dessas faixas de áudio que podem nos teletransportar para todos os cantos do planeta.

…………………………………………………………………
*Fonte: hypeness

O velho Winamp está de volta e com versão para o Windows

Você se lembra do velho Winamp, o famoso app de música que fez muito sucesso no final dos anos 90, e no começo da década de 2000? Pois é, na semana passada, após quatro anos de hiato, a Radionomy, que comprou o app da antiga dona AOL em 2014, finalmente lançou uma nova atualização do Winamp para o Windows.

O nome dessa versão é “Winamp 5.9 RC1 Build 1999” e nas notas do lançamento, a empresa belga diz que essa atualização representa quatro anos de trabalho em duas equipes de desenvolvimento separadas. Para justificar a demora, já que ela estava prevista para 2019, a Radionomy citou problemas de logística causados pela pandemia da Covid-19.

Grande parte do trabalho realizado nessa nova fase do Winamp, foi feita em sua base de código, ou seja, que não são visíveis para o usuário. Assim, a modernização foi apenas no funcionamento do app, e ele vai continuar tendo o mesmo visual dos anos 1990. O projeto foi adaptado do Microsoft Visual Studio 2008 para o Visual Studio 2019.

Além disso, grande parte de codecs de áudio foram atualizados para versões mais modernas, além do suporte para fluxos do Windows 11 e melhorias no “https”.

Vale citar que a versão final será a 5.9, mas alguns recursos foram criados para a próxima versão 5.9.1. Além disso, não existem citações sobre a versão 6.0. É importante destacar o aplicativo só é compatível o Windows 7 SP1 ou versões mais recentes.

Breve história do Winamp
O Winamp, como diversos outros aplicativos que eram famosos e tinham influência a partir dos anos 90, acabou ficando na história e na memória dos usuários. Mas, mesmo hoje, quando está totalmente ultrapassado em tempos de Spotify, esse app segue lembrado pelo mercado.

Após anos de má gestão da AOL, o Winamp, em 2013, encerrou de vez as tentativas de renovação. Depois que a Radionomy comprou os direitos da AOL em janeiro de 2014, ela planejou lançar uma nova versão ficou disponível em 2016, mas que acabou ficando pronta em 2018. Existia um grande projeto de atualização para a versão 6.0, que chegaria em 2019, e acabou adiada. Agora, finalmente o Winamp está de volta.

*Por Murilo Benevides
………………………………………………………………….
*Fonte: olhardigital

Aerosmith inicia série de shows no YouTube

O Aerosmith iniciou neste fim de semana a sua série intitulada 50 Years Live!: From The Aerosmith Vaults, na qual oferece aos fãs registros raros e inéditos de concertos de arquivo.

A série teve início com a disponibilização no canal do YouTube do grupo de uma performance clássica realizada em 1977 no Summit de Houston, no Texas.

Como o título sugere, 50 Years Live!: From The Aerosmith Vaults comemora o 50º aniversário da banda e oferecerá shows de uma década diferente a cada semana.

No total, serão 5 concertos com cada um deles liberados pela primeira vez em formato HD a partir das fitas mestras originais. Os filmes ficarão a disposição dos fãs por 10 dias.

Veja abaixo o show de estreia desta nova série do Aerosmith:

……………………………………………………………………..
*Fonte: radiorock89

Mapa do Vinil: 18 indicações de sebos para garimpar LPs

As histórias da música estão nos sebos de LPs. Além das faixas dos lados A e B, cada disco de vinil carrega uma série de informações a respeito do contexto cultural no qual foi produzido. Alguns acervos, portanto, são verdadeiros arquivos documentais, separados por gênero, em ordem alfabética, disponíveis para a consulta rápida e certeira. Dar uma volta pelas lojas de vinil em sua cidade pode ser uma verdadeira aula sobre a história da música.

Para que você saiba onde começar a garimpar bolachas para a sua coleção, separamos alguns pontos conhecidos em cada região do Brasil e montamos um mapa. Em nossa busca, optamos por sebos especializados em discos de vinil porque essas lojas costumam ter acervos construídos de forma mais cuidadosa do que as lojas não especializadas (entretanto, você também pode encontrar ótimos discos nessas lojas)

Mas é importante ressaltar: nossas escolhas foram feitas através de conversas com fontes amigas, em alguns estados, e de muita pesquisa online. Com certeza existem outros sebos excelentes em cada cidade que apontamos (e nas que não apontamos também). Cabe a você procurá-los – nós estamos apenas dando um empurrãozinho.

Vale a pena conversar com seus amigos colecionadores para pedir indicações e usar um dia livre para vasculhar as prateleiras de mais de um sebo, sempre na busca de raridades.

Se você está dando os primeiros passos no mundo do vinil e quer garimpar pela primeira vez, recomendamos que, antes de botar a mão na massa, leia nosso texto sobre como escolher os melhores LPs usados. E se você estiver na dúvida sobre qual título procurar, pode ser legal começar por algum da coleção História da MPB, por exemplo, sobre a qual já falamos aqui no site. Ou, quem sabe, ficar sujeito às aleatoriedades surpreendentes que as prateleiras dos sebos podem proporcionar para você.

Ainda não começou sua coleção de LPs? A melhor maneira é assinando o NOIZE Record Club. Receba em casa todos os nossos kits exclusivos, com discos de vinil e revistas.

Agora, confira o nosso mapa de sebos de discos de vinil nas capitais do Brasil, separadas por região:

MAPA:  https://www.google.com/maps/d/viewer?mid=1Xl2ISoUReaZ60ZvTUwwFuO0MLgG_QIU&ll=-15.623812660909243%2C-51.070288363518216&z=4

CENTRO-OESTE

Brasília, DF – Dom Pedro Discos

Cuiabá, MT – Tchá por Discos

Goiânia, GO – Monstro Discos

NORDESTE

Salvador, BA – Bazar Musical

João Pessoa, PB – Música Urbana

Fortaleza, CE – Botija Discos

Recife, PE – Passa Disco

Teresina, PI – Disco Barato

NORTE

Manaus, AM – Sebo Art Vinil

Belém do Pará, PA – Discos ao Léo

Macapá, AP – Lado B Discos

SUDESTE

São Paulo, SP – Galeria Nova Barão (espaço com mais de um sebo)

Rio de Janeiro, RJ – Maraca Discos

Belo Horizonte, MG – Edifício Maletta (espaço com mais de um sebo)

Vitória, ES – Golias Discos

SUL

Porto Alegre, RS – Boca do Disco

Curitiba, PR – Savarin Music

Florianópolis, SC – Roots Records

*Por Erick Bonder
…………………………………………………………………..
*Fonte: noize

Demanda de discos de vinil é altíssima e preocupa produção

A demanda de discos de vinil no mercado internacional é tão alta que os fabricantes do produto estão enfrentando um grande desafio de dar conta de toda a produção.

Isso acontece precisamente 40 anos depois que o CD tirou o vinil de seu trono na indústria.

Como o CD tomou conta do mercado naquela época, a venda dos bolachões começaram a cair vertiginosamente, obrigando as grandes gravadoras a venderem ou desmontarem suas máquinas de prensagem de vinil. Agora, no atual século, o jogo virou e dezenas de fábricas de prensagem de discos foram criadas ao redor do mundo para tentar corresponder ao alto volume de vendas do formato, que já conta com um faturamento estimado em US$ 1 bilhão. E acreditem: não tem sido suficiente.

Demanda de discos de vinil é altíssima e preocupa produção

O ressurgimento e crescimento do vinil no mercado musical segue firme há uma década e durante a pandemia do coronavírus os aficionados pelos discos passaram a consumir o produto mais ainda, haja visto que as turnês foram canceladas e as pessoas ficaram confinadas em suas residências.

Soma-se a isso a descoberta dos jovens pelo antigo formato e com a música pop se rendendo ao vinil com seus lançamentos especiais. Para se ter uma ideia, um dos discos de vinil mais vendidos na indústria é o álbum Sour da estrela pop Olivia Rodrigo, de apenas 19 anos. Com milhões de fãs em todo o mundo, a jovem artista também contribuiu para a popularização do vinil nesta década.

Declínio do vinil nos anos 1980 e o vilão cassete

O declínio das vendas e do interesse público pelo vinil se deu nos anos 1980 quando as fitas cassetes ganharam um espaço maior naquela década e, com isso, o desempenho comercial dos discos foi severamente agravado, se tornando um “vilão” do antigo formato. Junte isso ao fato do CD ter se tornado uma novidade espetacular, apresentando um som livre de qualquer chiado.

Mark Michaels, CEO e presidente da United Record Pressing, empresa sediada em Nashville e a maior fabricante de discos de vinil dos EUA acredita que a indústria “encontrou uma nova marcha e está acelerando em um novo ritmo”. A empresa iniciou suas atividades em 1949 e jamais parou de fabricar discos. Atualmente, eles estão em um grande processo de expansão de US$ 15 milhões (cerca de R$ 78 milhões no câmbio atual) para triplicar sua capacidade de produção em meados de 2023.

Observando o crescimento do interesse no vinil em estudantes do ensino médio e jovens adultos, Michaels é bastante otimista quanto ao futuro do vinil no novo mercado musical, dominado pelo streaming: “Acredito na música e acredito na importância da música na vida das pessoas. Acho que isso não muda”, concluiu.

*Por Marcelo de Assis
……………………………………………………………..
*Fonte: musicjournal

Pesquisa sugere que ouvir música pode melhorar a memória

Uma pesquisa que acaba de ser publicada na revista Nature encontrou pistas que indicam que a audição de músicas afeta o trabalho de memorização realizado pelo nosso cérebro. Quem conduziu esse estudo foi Psyche Loui, diretora do laboratório de imagens musicais e dinâmica Neural da Northeastern University, em Boston, nos Estados Unidos.

Segundo as análises realizadas por Loui, a conectividade no cérebro aumenta em pessoas mais velhas que ouvem suas músicas favoritas. “Há algo na música que é essa conectividade funcional entre o sistema auditivo e de recompensa. É por isso que a música é tão especial e capaz de explorar essas funções cognitivas aparentemente muito gerais que de repente estão envolvidas em pessoas com demência que estão ouvindo música”.

A ideia de conduzir esta pesquisa surgiu das experiências de Loui tocando música em asilos. Ela lembrou que as pessoas que normalmente não conseguiam terminar um pensamento ou frase tinham a incrível capacidade de cantar junto com uma música que ela estava tocando. “(A música) parece envolver o cérebro de uma maneira que é diferente de tudo o que conhecemos”, ressalta a pesquisadora.

Através de uma equipe composta por musicoterapeutas, neurologistas e psiquiatras geriátricos, Loui analisou as respostas neurológicas de um grupo de pessoas da região de Boston, com idades entre 54 e 89 anos, ouvindo uma playlist por uma hora todos os dias durante oito semanas. As playlists foram altamente personalizadas pela equipe, com uma combinação de músicas em estilos erudito, pop e rock. “A lição mais importante que aprendemos foi que não há um tipo de música que funcione melhor”, diz Loui.

A pesquisa descobriu que a música, de alguma forma, abre um caminho auditivo para o córtex pré-frontal medial, o centro de recompensa do cérebro. “Essa é uma das áreas que perde sua atividade e conectividade funcional em adultos idosos, especialmente em pessoas com demência”. A capacidade da música de acalmar as pessoas – especialmente idosos – é bem documentada, de acordo com Loui, que prepara uma nova fase do estudo para tentar entender como indivíduos com distúrbios cognitivos e neurodegenerativos podem se beneficiar da audição de uma boa música.

…………………………………………………..
*Fonte: radio89