Como David Bowie criou o astronauta trágico Major Tom e mudou sua carreira com a música “Space Oddity”

Nove dias depois da Apollo 11 realizar um pouso bem-sucedido na Lua, em 20 de julho de 1969, David Bowie lançava também seu primeiro grande hit, com o qual estreava nas paradas britânicas. No dia 10 daquele mesmo, na despedida da década de 1960 e tudo o que ela representava, um homem dentro da cultura pop já olhava para o espaço de outra maneira.

Há 50 anos, em 11 de julho de 1969, Bowie dava vida a Major Tom em “Space Oddity”, canção do seu segundo disco, lançado em novembro daquele ano com o nome David Bowie (anos mais tarde, seria repaginado sob nome de Space Oddity devido ao sucesso comercial da faixa, a primeira do álbum).

Existe uma clara conexão mercadológica entre a corrida espacial e a data de lançamento de “Space Oddity”, obviamente. Fazia sentido que David Bowie, em sua corrida pela fama como artista (fosse como músico ou ator) naquele início de carreira, acertasse o timing dessa faixa. Mas não foram as seguidas missões da NASA responsáveis por inspirar Bowie a olhar para as estrelas.

Para entender o que Bowie quis fazer com “Space Oddity” e a triste e melancólica odisseia do Major Tom na canção, é preciso voltar no tempo. David era um jovem aspirante a artista que largou o ensino médio para se desenvolver como performer.

Ele ainda era conhecido pelo nome de Davy Jones e se juntou a alguns outros grupos, como King Bees, Manish Boys e The Lower Third, sem obter muito sucesso. Em 1966, contudo, ele descobriu que um outro Davy Jones estava fazendo sucesso como integrante do The Monkees e decidiu sair em carreira solo, com o nome de David Bowie.

Dois anos antes de “Space Oddity”, Bowie lançou um disco de estreia, que levava no título a nova persona artística, pela Deram Records, uma subsidiária da grande Decca Records, embora sem muito sucesso.

Foi quando ele conheceu Angela, sua futura esposa. Ela, na ocasião, era namorada de um olheiro da Mercury Records que recusou trabalhar com Bowie. Angela usou sua influência e conseguiu um contrato para o futuro marido. Em alguns meses, ele havia gravado “Space Oddity”.

“Nós nunca nos sufocamos”, contou Bowie à Rolling Stone, anos depois. “Não, eu não acho que nos apaixonamos. Eu nunca estive apaixonado, graças a Deus. O amor é uma doença que gera ciúmes, ansiedade e raiva brutal. Tudo menos amor. É um pouco como o cristianismo. Isso nunca aconteceu comigo e com Angie. Ela é uma garota incrivelmente agradável para se voltar e, para mim, sempre será. Quer dizer, não tem ninguém … eu sou muito exigente às vezes. Não fisicamente, mas mentalmente. Eu sou muito intenso sobre qualquer coisa que faço. Eu afasto a maioria das pessoas com quem vivi. ”

Inspiração em Stanley Kubrick

Os relatos contam que Bowie passou os anos 1960 desesperadamente tentando se tornar um músico famoso. Era uma década na qual a música psicodélica tomava forma e Bowie tentou se juntar à onda, até lançando a música “The Laughing Gnome” (cujo título em tradução livre pode ser “O gnomo risonho”.

Foi quando, com o contrato com a Mercury Records, ele conheceu Gus Dudgeon, produtor de Elton John, e gravou “Space Oddity”, a canção hit que ele tanto buscava.

A balada folk sobre o personagem imaginário Major Tom que encontra um fim trágico no espaço sideral teve seu lançamento apressado pela gravadora para coincidir com a chegada da Apollo 11 na Lua. A emissora britânica BBC tocou a canção durante a cobertura do acontecimento histórico, o que gerou uma popularidade nacional para Bowie.

“Na Inglaterra, sempre presumiram que essa música foi escrita sobre a chegada da humanidade à Lua, porque a música saiu quase simultaneamente, mas na verdade, não foi isso”, ele contou à Performing Songwriter, certa vez.

“Eu escrevi porque fui assistir a 2001: Uma Odisseia no Espaço e achei maravilhoso. Eu estava meio fora de mim, fiquei muito chapado e então fui assisti-lo várias vezes seguidas. Foi uma revelação. Isso fez a música fluir.”

Bowie, inclusive, tirava sarro do fato da música ser usada na trilha sonora da cobertura do pouso da Apollo 11, já que o final de Major Tom, na canção, é extremamente trágico. “Tenho certeza de que eles não estavam ouvindo a letra”, disse ele, “Mas, claro, fiquei muito feliz que eles usaram a música.”

A história de Major Tom

Há algo de fascinante na narrativa de Bowie em “Space Oddity”. Havia espaço, na música pop, para canções com construções mais literárias. Entre o folk e o espacial, Bowie criou Major Tom como o protagonista solitário dessa viagem espacial. Do início, ainda em solo, até seu fim, quando tenta voltar à órbita terrestre e vê sua espaçonave falhar.

Major Tom tem apenas uma conexão com o mundo terrestre, é a segunda voz da canção, quem conversa com ele por rádio, o “ground control”, ou “controle terrestre”. É essa segunda voz que avisa Tom sobre o sucesso que ele se tornou ao alcançar o espaço: “Os jornais querem saber quais roupas você usa”, diz ela.

Tom decide deixar a cápsula espacial. Major Tom vive um momento existencialista ao se desconectar e flutuar pelo espaço, é quando a canção entra em um momento mais trágico. Tom percebe a sua e a nossa insignificância diante de um universo tão vasto.

“Diga a minha esposa que eu a amo muito”, diz ele, “ela sabe”, grita a voz do outro lado da linha. É a despedida de Major Tom, que, ao final da canção, de pouco mais de 5 minutos, segue em um flutuar sem rumo pelo espaço sideral.

Especialistas em David Bowie constantemente relacionam o personagem à própria personalidade de Bowie, uma imagem da própria desconexão do artista com relação ao restante do mundo.

Foi o seu primeiro sucesso, também, algo que ele almejou por aqueles anos todos de Davy Jones. É um momento interessante e metafórico na carreira e vida artísitca de Bowie. A partir daí, ele não foi mais um tipo só.

Talvez Major Tom fosse essa primeira – e mais autêntica – personalidade daquele depois conhecido por Camaleão do Rock. Bowie deixou-o flutuar para ser quem ele quisesse nos anos seguintes, como o Ziggy Stardust, Thin White Duke, dois dos seus personagens mais célebres, até a Blackstar, a estrela extinta, do seu último disco em vida, lançado dois dias antes da sua morte, em 10 de janeiro de 2016.

O fim de Major Tom

O próprio David Bowie chegou a interpretar o personagem Major Tom em um vídeo promocional de pouco menos de 30 minutos chamado Love You Till Tuesday. O média-metragem, que pode ser encontrado na internet, mostra Bowie interpretando várias das suas músicas lançadas até 1969, como uma forma de divulgar seu catálogo criado até ali e suas habilidades.

Mesmo depois de “Space Oddity”, contudo, Bowie não deixou o personagem ir embora. De tal forma, 11 anos depois, em “Ashes to Ashes”, outro sucesso estrondoso do músico inglês, trouxe Major Tom de volta.

Se em “Space Oddity”, o personagem se desligou da humanidade para flutuar pelo espaço, em uma metáfora à visão do mundo de Bowie, em “Ashes to Ashes”, do disco Scary Monsters (And Super Creeps), de 1980, Major Tom volta como um “junkie”, um viciado em heroína.

O próprio Bowie havia passado por um momento de crise com o vício em drogas no início dos anos 1970, o que o levou a “fugir” para Berlim, no final daquela década, e onde ele gravou uma tríade respeitadíssima de discos – Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979).

Scary Monsters (And Super Creeps), portanto, vem depois desse período de tentativa de desintoxicação em solo alemão. “Ashes to Ashes” colocou Major Tom e Bowie, inclusive, no topo das paradas de mais tocadas do Reino Unido na época.

De forma direta ou indiretamente, Major Tom esteve presente em outras canções de Bowie, como em “Hallo Spaceboy”, do disco Outside, embora o nome do personagem não seja exatamente citado.

Na música “Blackstar”, responsável por dar nome ao último álbum de Bowie, de 2016, parece que finalmente descobrimos o que aconteceu com o personagem. Um astronauta morto é descrito na narrativa, seu esqueleto é levado por uma alienígena. “Para mim, aquele era 100% o Major Tom”, chegou a dizer Johan Renck, diretor do clipe da música, em um documentário da BBC.

*Por Pedro Antunes

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*Fonte: rollingstone

Rolf Lislevand plays A.Stradivari Sabionari, 1679 guitar – Santiago de Murcia – Tarantela

O legendário luthier italiano Antonio Stradivari é geralmente considerado o mais importante e mais importante artesão em sua área, construindo os melhores violinos do mundo que hoje são vendidos por milhões de dólares.

Em sua vida, ele (e a família Stradivari) produziu mais de 1.000 instrumentos, dos quais 960 eram violinos; no entanto, um pequeno número de guitarras também foi criado. Hoje, apenas um permanece jogável.

Stradivari fez o violão “Sabionari” em 1679; no entanto, no início do século XIX, (como muitas outras guitarras barrocas), foi ampliado para seguir o estilo dos instrumentos mais modernos da época.

Daniel Sinier e Françoise de Ridder restauraram a sua configuração barroca original (documentada na edição de outono de 2014 da American Luthier), com quatro cordas duplas de categute (A D G B) e uma única corda E. Lorenzo Frignani, veterano luthier, mantém o instrumento agora e mantém-se em condições de uso.

O “Sabionari” é de propriedade de um colecionador particular e pode ser considerado uma peça de museu. Mas no clipe abaixo, podemos ouvir em ação. Este é o guitarrista de concerto Rolf Lislev e interpretando Tarantela de Santiago de Murcia usando a guitarra Stradivarius. Aprecie!

 

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*Fonte: guitarworld

Quando David Bowie criou uma lista de suas canções favoritas de David Bowie

Em 2008, David Bowie criou uma coletânea que reuniu 12 de suas canções favoritas de seu extenso catálogo.

Inicialmente, o CD foi lançado como uma coleção de favoritos pessoais e foi disponibilizado exclusivamente como um presente gratuito com uma edição do The Mail on Sunday. No entanto, devido à demanda popular, o jornal rapidamente esgotou e o CD se tornou um item de colecionador.

Com os fãs de Bowie nos EUA decepcionados com a impossibilidade de colocar as mãos no disco, a Virgin / EMI lançou o CD em formato idêntico ao que apareceu no The Mail on Sunday. A diferença, no entanto, foi que foi lançado com um livreto que continha comentários de música por música que originalmente apareciam no jornal. Além disso, o lançamento nos EUA e no Canadá foi incluído em uma embalagem padrão.

Nos últimos anos, em 2015, para ser específico, uma versão em vinil vermelho de edição limitada foi lançado para celebrar a abertura da exposição David Bowie Is, que mostrou na Philharmonie de Paris, na França.

A compilação se tornou um grande sucesso entre os fãs porque Bowie decidiu evitar a maioria de seus sucessos mais populares. Na verdade, Bowie incluiu apenas três singles oficiais; “Life on Mars?”, “Loving the Alien” e “Time Will Crawl”. Além disso, o último foi uma versão remixada pelo engenheiro Mario J. McNulty, que contou com várias partes recém-gravadas.

Em outro lugar, Bowie escolheu incluir a raridade “Some Are”, uma música que se tornou indisponível depois que ele a retirou do 11º álbum de estúdio Low.

David Bowie’s favourite David Bowie songs:

1. ‘Life On Mars?’ (from the album Hunky Dory)
2. ‘Sweet Thing/Candidate/Sweet Thing’ (from the album Diamond Dogs)
3. ‘The Bewlay Brothers’ (from the album Hunky Dory)
4. ‘Lady Grinning Soul’ (from the album Aladdin Sane)
5. ‘Win’ (from the album Young Americans)
6. ‘Some Are’ (currently exclusive to this compilation)
7. ‘Teenage Wildlife’ (from the album Scary Monsters)
8. ‘Repetition’ (from the album Lodger)
9. ‘Fantastic Voyage’ (from the album Lodger)
10. ‘Loving The Alien’ (from the album Tonight)
11. ‘Time Will Crawl (MM Remix)’ (new remix by David Bowie)
12. ‘Hang On To Yourself [live]’ (from the album Live Santa Monica ’72)

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*Fonte: faroutmagazine

Meg Myers – “Running Up That Hill”

*A vocalista Meg Myers e o diretor Jo Roy recrutaram 2.130 crianças de todos os Estados Unidos e do Canadá para ajudar a criar um vídeo exclusivo para a capa da música clássica de Kate Bush, “Running Up That Hill”. A stop-motion resultante foi animada com molduras coloridas à mão com giz de cera.

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