Óleo de cozinha: Qual é a diferença entre os óleos vegetais

Se alguém lhe pedisse para ir ao mercado comprar óleo de cozinha, provavelmente, você compraria óleo de soja, certo? Esse é o óleo mais popular e consumido no Brasil. Contudo, isso não significa que ele seja o único óleo que existe ou o mais indicado para as frituras.

Na verdade, existem muitas opções de óleos comestíveis. Alguns são mais caros, outros são considerados mais saudáveis e existem óleos que estão na moda, como o óleo de coco. Para evitar que você escolha o produto errado, vamos listar essas opções e indicar as suas principais características, mas antes, precisamos entender o que é o ponto de fumaça.

O que é ponto de fumaça?

O ponto de fumaça, também conhecido por “ponto de queima”, ocorre quando o óleo aquecido começa a queimar, soltando fumaça. Além de ficar com um gosto amargo, esse óleo começa a liberar acroleína, um composto químico que, com o passar do tempo, pode fazer mal à saúde. E não é só a acroleína: o óleo em ponto de queima libera compostos polares, também considerados nocivos.

Para evitar esse problema, é importante evitar que o óleo aqueça até a sua temperatura de ponto de fumaça. Até o óleo mais saudável se torna ruim quando atinge esse nível, não se esqueça disso.

Óleo de palma ou óleo de dendê
Esse é o óleo mais usado no planeta. Só em 2020, foram usadas 73 milhões de toneladas desse produto no mundo todo. No Brasil, o conhecemos como óleo de dendê. Além da culinária, ele é usado em diversas indústrias, como a de cosméticos. Rico em vitamina E, seu ponto de fumaça é aos 235 °C.

O óleo de palma tem níveis elevados de ácidos graxos, semelhantes ao da margarina. Sendo assim, ele não é considerado uma opção saudável para usarmos no dia a dia, como no tempero de saladas — é melhor deixá-lo para o preparo de pratos especiais, como a moqueca ou o acarajé.

Um outro problema do óleo de dendê é que por ele ser muito usado, seu cultivo está associado ao desmatamento de florestas. Por isso, alguns produtos vêm com o selo “livre de óleo de palma”. Isso não significa que sejam mais saudáveis, apenas que usam outro óleo.

Óleo de coco
Está na moda como uma opção saudável, embora não existam estudos que comprovem essa hipótese. Isso significa que o óleo de coco deve ser consumido com moderação, como qualquer outro tipo de gordura. Além disso, ele não pode ser a única fonte de gordura da dieta de uma pessoa.

Por outro lado, ele é um excelente hidratante para pele e cabelos. Usá-lo em processos de hidratação pode ser uma boa saída, inclusive mais barata, que o uso de determinados produtos. No entanto, lembre-se de ser cuidadoso para evitar excessos, pois eles podem obstruir os poros e gerar acne. Na dúvida, é sempre melhor conversar com dermatologistas antes, fugindo das receitas caseiras.

Seu ponto de fumaça é de apenas 175 °C, o que o torna pouco viável para uso em preparos culinários quentes, mas pode ser usado desde que você não o queime. É um bom produto para molhos de salada.

Óleo de soja
O mais usado no Brasil. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, ele tem gorduras boas em sua composição, mas seu consumo deve ser moderado, pois, como todos os óleos, ele é muito calórico. Seu ponto de fumaça é de 234 °C.

Por si só, o óleo de soja não faz mal à saúde. O problema é o excesso de consumo, como em frituras. Ele é rico em vitamina E — isso significa que, se usado com moderação, como em molhos de salada ou na hora de refogar os alimentos, pode ajudar em dietas nutritivas.

Óleo de canola
Outro óleo famoso por ser considerado mais saudável do que os outros. A canola é uma planta “melhorada” a partir do desenvolvimento genético de um outro vegetal, a colza. De fato, esse óleo tem menos quantidade de gordura saturada que os demais, incluindo o azeite de oliva.

O óleo de canola também é fonte de ômega 3, gordura considerada boa para o corpo. Contudo, isso não significa que deva ser usado de forma exagerada, pois ainda é um óleo.

Tem ponto de fumaça elevado — 220 °C —, por isso é comum em cozinhas profissionais de outros países, em que seu preço seja mais competitivo frente a outros óleos. Praticamente não tem sabor, o que faz com que seja uma espécie de coringa nas receitas.

Óleo de semente de linhaça e óleo de cártamo
Ambos têm ponto de fumaça baixo: apenas 107 °C. Embora a linhaça tenha ganhado espaço em dietas devido ao seu valor nutricional, o óleo ainda não é tão popular. Ele é rico em gorduras boas, como o ômega 3, sendo considerado uma opção mais saudável do ponto de vista nutricional.

Contudo, para que o óleo de linhaça seja rico nutricionalmente, ele precisa ser feito de forma profissional e com ingredientes de qualidade. Se a produção não for adequada, ele não se torna mais saudável do que outros óleos vegetais.

Já o óleo de cártamo tem sido usado como suplemento alimentar, consumido em cápsulas, pois também é rico em nutrientes. Alguns estudos sugerem que esse óleo pode ajudar a controlar a diabetes e o colesterol alto.

Ademais, esse óleo não libera radicais livres ao ser superaquecido, ainda que tenha ponto de fumaça baixo. Por isso, ele é considerado mais saudável que outros óleos.

Independentemente do óleo que você escolha para a sua dieta, lembre-se que ele perderá nutrientes ao ser aquecido. Por isso, é mais saudável consumi-lo em saladas e outros pratos frios. Alguns liberam radicais livres ao serem esquentados e todos eles não devem ser consumidos caso tenham atingido o ponto de fumaça.

*Por Everton Lima
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*Fonte: megacurioso

Estudantes brasileiras criam solução com fibra de coco para vazamentos de óleo no mar

Um desafio em sala de aula virou um projeto, depois um sonho, e agora pode se transformar em negócio. A professora Patrícia Carbonari Pantojo, da Escola Técnica Estadual (Etec) de Caraguatatuba, estava incomodada com o volume de cascas de coco verde que vão para o lixo todo ano, especialmente no litoral.

Pensando em proposta para esta situação, ela desafiou seus estudantes do curso técnico de Logística a apresentarem sugestões. As alunas Nubia Marques da Silva e Aline Faustino Soares conseguiram enxergar naquela matéria-prima o que pode ser uma solução para vazamentos de óleo no mar.

O produto que as estudantes esperam lançar no mercado é um dos 210 projetos de alunos de Etecs, Faculdades de Tecnologia do Estado (Fatecs), além de outras instituições públicas nacionais e internacionais que serão apresentados durante a Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), nos dias 19, 20 e 21 de outubro.

Com a proposta da professora em mente, as alunas fizeram uma visita técnica ao Porto de São Sebastião. Lá conheceram a turfa canadense, um pó usado para absorver o óleo que os navios despejam nos oceanos. “Na hora, eu percebi que aquele produto era muito parecido com a fibra de coco”, conta Nubia.

O próximo passo foi conseguir o óleo para realizar os testes. Em um tanque com água do mar foram colocados tanto óleo quanto a borra do petróleo, uma substância bem grossa, em estágio anterior à destilação para se chegar a combustíveis. A fibra do coco absorveu tudo.

Penas

Nubia e Aline testaram acrescentar penas de aves à fibra e concluíram que o resultado é ainda melhor. “As penas puxam o óleo para a fibra do coco”, descreve Nubia. “Os resultados são melhores que os da fibra canadense.” Para garantir que o que foi visto em laboratório tinha mesmo validade, as estudantes solicitaram a ajuda de um professor de Química, que encaminhou amostras da água para análise na Sabesp. De fato, a água estava limpa.

Após o uso da fibra de coco para recolher o óleo, forma-se uma biomassa, que pode ser usada como substituta do carvão, por exemplo. “Não adiantaria jogarmos a fibra suja no lixo. Por isso, testamos como usá-la até o fim, sem deixar resíduos”, conta Nubia.

Sonho

Como tudo deu certo, o que era um projeto se transformou no sonho de um empreendimento. “No Brasil só se usa essa fibra canadense e acredito que poderíamos oferecer um produto mais barato”, diz Nubia. A professora Patrícia também acredita no potencial do projeto. “É um produto único, uma ideia inovadora, totalmente sustentável”, afirma. O trabalho foi registrado em cartório e as autoras trabalham com a Agência Inova Paula Souza no processo para garantir a patente do produto.

Nubia se formou em 2015, mas segue estudando para aprimorar a ideia. Ela até já imaginou um equipamento que trituraria melhor o coco e melhoraria a qualidade da matéria-prima. “Se eu tiver oportunidade, gostaria de estudar engenharia e construir essa máquina.”

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*Fonte: ciclovivo

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