Tédio social ou por que não vamos mais com a cara de ninguém depois da pandemia

Já sabemos que a pandemia impactou em mais áreas da nossa vida, além da nossa saúde. Obviamente, também o fez em nossa economia e em nossas perspectivas de curto prazo. Mas também o fez em nossas relações pessoais. Com amigos, parceiros ou familiares. Mas se déssemos uma olhada nas redes sociais, poderíamos dizer que o fenômeno é um pouco maior, algo mais generalizado. Existe um tédio social. Algo como se depois da pandemia fôssemos um pouco menos com a cara de todo mundo do que antes. Como se estivéssemos decepcionados com a sociedade.

“As consequências sociais da pandemia foram variadas, marcadas pela ambivalência entre o positivo e o negativo”, explica Juan Antonio Roche Cárcel, presidente do Comitê de Sociologia das Emoções da Federação Espanhola de Sociologia (FES). O sociólogo, que publicou vários estudos sobre as consequências sociais do coronavírus, insiste que houve uma “tensão entre as forças individualizantes e comunitárias”. Em outras palavras, “existem aspectos de maior egoísmo individual e aspectos de maior sentido comunitário”. Mas parece que, no final das contas, alguns nos impactaram mais do que outros.

Os confrontos não aconteceram apenas nas varandas dos bares ou nas reuniões familiares. Tampouco apenas nos grupos de WhatsApp. Toda a sociedade parece ter se polarizado na hora de opinar sobre novos assuntos, como o uso correto ou não das máscaras ou a aplicação das vacinas. Cada um com seus argumentos. “Houve uma polarização do político que também afeta a esfera privada”, insiste Juan Antonio Roche Cárcel. Pois o debate de nossos políticos passou das discussões nos meios de comunicação às nossas videoconferências. Mas principalmente às nossas discussões no Twitter, com muitos desconhecidos. “As redes sociais serviram, por um lado, para conectar famílias ou amigos, mas também para gerar fake news, uma exacerbação das emoções, uma intensificação dos ódios, o desrespeito pelo diferente. Esta situação gerou medo e solidariedade, que são duas das grandes respostas sociais que estiveram presentes nestes meses”, insiste o sociólogo.

Tudo isso impactou também nos meios de comunicação. No início da pandemia, nos aferrávamos às imagens dos aplausos para os profissionais da saúde, das comunidades de moradores fazendo compras para os idosos ou dos restaurantes distribuindo refeições gratuitas aos mais necessitados. A estas alturas, as imagens predominantes da pandemia são as de festas ilegais, as frases com desculpas impossíveis para desrespeitar as restrições ou as pessoas que chegaram a enfrentar até mesmo a polícia. Ambas as realidades representam apenas grupos de pessoas e nem sempre as maiorias. No entanto, onde o foco da atenção é colocado, marca a nossa forma de entender a sociedade em seu conjunto.

Amplificação das emoções
Para além de todos os fatores externos, o tédio social também tem a ver com o cansaço emocional que implicou ver nossas vidas transtornadas durante um tempo tão longo. Como exemplo, o estudo da Ipsos Digital para a Unilever concluiu que 61% dos espanhóis consideram que seu bem-estar mental diminuiu.

“Depois deste longo período de pandemia, embora pareça que finalmente começamos a ver a luz e deveríamos ter muita vontade de nos relacionarmos, existe um estado de apatia social generalizada”, reflete a psicóloga Eli Soler. “A situação de confinamento minou o moral de muitas pessoas. Algumas até se acostumaram com o pouco contato social e afirmam que têm preguiça de voltar a se relacionar”.

A especialista acrescenta que a pandemia trouxe uma maior suscetibilidade e uma amplificação das emoções. Ficamos trancados, com uma rotina restrita. Algo parecido com o que aconteceu nas primeiras edições do Big Brother, em que os participantes repetiam que “aqui dentro tudo se intensifica”. “Esta semelhança é um exemplo muito bom, principalmente a primeira edição. Nós, como sociedade, também não esperávamos um confinamento tão longo nem tão estrito. Depois da primeira fase de euforia e da sensação de aproveitar o tempo que nos era dado, com o passar das semanas veio o desespero e o desgaste. Veio aquilo de ficar em casa usando um eterno pijama, como os participantes desse reality show, e de não ter vontade de fazer nada além de comer e assistir Netflix”.

O ambiente de polarização e a sensação de desgaste individual também marcaram a forma como nos comunicamos e nos entendemos. Ou melhor, a forma de gerar mal-entendidos. Principalmente nas redes sociais, onde a falta de linguagem não verbal, de expressões e entonações muitas vezes leva a perverter as mensagens.

“Estivemos muito mais irritáveis, tensos e tudo isso nos levou a discutir mais com nossa família ou com nosso parceiro”, insiste Eli Soler a respeito dos casos que continua atendendo em seu consultório. “As redes sociais foram uma janela externa para a vida social, mas em muitas ocasiões foram usadas mais como via de escape do que como ferramenta social funcional.” Acontece que em um momento que socializávamos, o fazíamos justamente com os assuntos que mais nos levavam a discutir. Tudo isso levou a que nos fechássemos mais em nós mesmos e em nossas opiniões, a que perdêssemos o contato e a confiança com algumas pessoas próximas e, definitivamente, que perdêssemos a perspectiva sobre algo fundamental: a empatia. Porque nem todo mundo atravessava a mesma situação, nem tinha as mesmas circunstâncias familiares ou financeiras ou não sabia administrar suas emoções da mesma forma.

“Mas está terminando, pouco a pouco”, acrescenta como um raio de luz a psicóloga, tendo em vista a realidade europeia. Ela insiste que agora que as vacinas estão chegando para proteger nossa saúde física é um bom momento para abordar nossa saúde mental. “Por isso, para sair desse estado cinza, a melhor coisa a fazer é se ativar, entrar em movimento. Obrigar-se a reencontrar os amigos, voltar a fazer as atividades que antes nos motivavam e obrigar-se a seguir uma rotina regular. Porque cuidar das nossas emoções é cuidar da nossa saúde mental”, conclui a especialista.

*Por Silvia C. Carpallo
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*Fonte: elpais

Pandemia criará tsunami de desmotivação e faltas ao trabalho, alerta psicóloga

“Há muitas reclamações de esgotamento porque achávamos que a pandemia seria uma corrida de velocidade, não uma maratona.”

É assim que Elke Van Hoof, professora de Psicologia da Saúde na Universidade de Vrije, em Bruxelas, e especialista em estresse e trauma, define a pandemia do coronavírus.

Van Hoof conversou inicialmente com a BBC News Mundo quase um ano atrás, quando disse que o mundo viveria “o maior experimento psicológico da história”, devido ao confinamento causado pela pandemia da covid-19. O resultado, porém, é que demonstramos “mais resiliência do que imaginávamos”, agrega ela agora.

Mas a pesquisadora alerta que essa resiliência está em declínio e que o absenteísmo (falta de funcionários no trabalho) é esperado no longo prazo, embora ainda haja esperança de contê-lo.

BBC News Mundo – Quase um ano atrás, você disse que o confinamento seria o maior experimento psicológico da história e que pagaríamos o preço. Nós pagamos? Ainda estamos pagando?

Elke Van Hoof – Acho que uma das principais descobertas é que nós, como humanos, temos muito mais capacidade de resiliência do que imaginávamos.

Portanto, o que vemos na população em geral é que permanecemos firmes.

Claro, há muitas reclamações por cansaço porque todos pensávamos que a pandemia global seria uma corrida de velocidade e agora parece uma maratona sem fim.

Estamos todos nos exaurindo lentamente e isso se mostra em pesquisas com queixas relacionadas ao estresse, incluindo sentimentos de depressão e ansiedade por causa do medo de possíveis problemas de longo prazo relacionados à covid-19 que as pessoas sentem.

Existem altos níveis de languidez (diminuição do ânimo). Mas quem está pagando um preço ainda maior são aqueles que tinham algum tipo de vulnerabilidade antes da pandemia. Seja porque tiveram um diagnóstico psiquiátrico ou outro problema, eles estão realmente sofrendo.

BBC – Como as pessoas responderam psicologicamente a um ano de pandemia?

Hoof – A população em geral continua firme.

Antes da pandemia, em 2019, vimos que 1 em cada 3 pessoas estava indo bem, e agora, em março de 2021, vemos que apenas 1 em cada 5 pessoas ainda pode ir bem. Isso significa que há uma redução na resiliência.

Mas também nos mantemos firmes porque as faltas ao trabalho ainda não estão aumentando, o que é surpreendente.

Em nossa pesquisa, vemos que existem mais fatores de risco que uma pessoa pode enfrentar quando sofre de algum tipo de transtorno relacionado ao estresse e doença de longa duração.

Os profissionais de saúde estão realmente pagando o preço de estar na linha de frente há mais de um ano. Mas não só porque estão lá, mas também porque não se sentem mais amparados pela população em geral, que tem dificuldade em manter as medidas, que podem ser bastante restritivas.

É de se esperar que todo mundo esteja começando a se cansar dessa pandemia global, mas os profissionais de saúde precisam continuar trabalhando duro, e não se sentem tão apoiados. Essa é uma carga emocional que aumenta a exaustão.

Existem outros fatores de risco: as pessoas temem a covid-19. Falamos, por exemplo, de pais solteiros e de pessoas que possuem sistemas familiares complexos, além daqueles que já tiveram algum tipo de diagnóstico psicológico ou psiquiátrico prévio.

Também tendemos a ver que, quanto mais fatores de risco uma pessoa tem, maior a chance de ela sofrer de transtornos relacionados ao estresse e ter experiências traumáticas, mesmo a longo prazo.

Nosso conselho é que devemos abordar os fatores de risco porque eles são o que chamamos de cumulativos e multiplicativos. Por isso, é importante detectá-los e gerenciá-los.

Então, se você me perguntar, estamos pagando um preço? Sim, estamos e há mais por vir, porque ainda estamos na pandemia.

O que expliquei há um ano é que haverá alguns problemas de resposta tardia que ainda não são visíveis, mas eles virão.

Embora haja alguns sinais de alerta, eles ainda são bastante controláveis ​​no momento, mas sabemos disso por experiências anteriores.

Por exemplo, uma grande crise econômica no início dos anos 2000 nos mostrou que a resposta tardia é inevitável e que ainda não aconteceu.

BBC – Quais seriam essas respostas tardias que ainda podemos enfrentar?

Hoof – Acredito que um dos principais problemas que esperamos é a falta ao trabalho a longo prazo.

As pessoas cairão devido ao esgotamento e transtornos relacionados ao estresse, que chamamos de languidez ou esgotamento do coronavírus (coronavirus burnout), em alguns países.

As empresas também estão sofrendo com isso. Estão ficando sem maneiras criativas de inspirar as pessoas novamente e recarregar sua resiliência para enfrentar aquele enorme aumento do absenteísmo que vimos no passado e que sabemos que vai acontecer novamente.

Mas já que sabemos que isso acontecerá, há esperança. Podemos antecipar esse tsunami de faltas ao trabalho.

Meu conselho para as empresas é que se preparem para quando as pessoas começarem a se ausentar por longos prazos.

Certifique-se de ter um plano de respaldo para manter a continuidade do trabalho, mas também que você já criou um bom plano de retorno ao trabalho. Porque vemos na pesquisa que, a nível social, se existem políticas que incluem um retorno sólido ao trabalho, há menos absenteísmo no trabalho após uma crise.

Agora é a hora de investir em uma política de retorno ao trabalho muito boa, a fim de estar preparado para aquela ausência prolongada que aparecerá em todos os lugares.

BBC – O que aprendemos sobre nossa saúde mental neste momento especial e crítico de nossas vidas?

Hoof- Acredito que a saúde mental ainda seja considerada um luxo, uma mercadoria para poucos.

Se eu analisar a gestão global desta pandemia, ainda sinto que não estamos tratando da saúde mental como deveríamos.

As pessoas estão sofrendo para manter as medidas rígidas que todos devemos seguir para vencer e enfrentar esta pandemia. Claro, isso reduz a motivação delas.

Mas isso também se deve ao fato de que não estamos lidando com saúde mental. Não estamos investindo em inspirar as pessoas a tentarem dar-lhes ferramentas para manter sua saúde mental.

Para mim, a ideia mais importante de um ano neste enorme experimento psicológico, é que pensei que já estávamos entrando em um modelo biopsicossocial de abordagem de problemas. Mas acho que não.

Esta pandemia é tratada de uma perspectiva médica muito mais do que de uma perspectiva de saúde mental e isso vai nos custar caro.

BBC – Que oportunidades a pandemia nos oferece?

Hoof – A maior oportunidade é dar importância à saúde mental e também enfatizar a efetiva qualidade de vida.

O lado positivo está no fato de que sempre podemos mudar a maneira como lidamos com essa pandemia.

Acho que também podemos refletir sobre como queremos que seja o futuro.

Já estamos fartos, mas se conseguirmos manter essa flexibilidade do home office, temos uma grande oportunidade de termos uma sociedade muito mais inclusiva.

Existe a oportunidade de uma maior participação das pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo essas pessoas que estão em casa há muito tempo.

Vejo muitas oportunidades para definir esse grande “Novo Mundo”, em que todos queremos viver. Mas também vejo sinais de que alguns países não estão levando isso muito a sério.

Eles ainda estão vendo a saúde mental como um luxo, como um bem para quando têm tempo de sobra, e não acho que seja um bom caminho a seguir.

BBC – Há algo positivo com que você, como psicóloga, tenha se surpreendido neste ano?

Hoof – Acho que o ponto positivo foi durante a primeira fase do confinamento em vários países.

Muitos trabalhadores romantizaram o trabalho remoto e conseguiram respirar um pouco de ar fresco porque o mundo ficou mais lento.

Pessoas que de repente disseram: “Uau, tenho mais tempo com meus filhos, posso começar um novo hobby.”

Achei que as pessoas ficariam muito mais estressadas e, nas primeiras fases do confinamento, estavam mais relaxadas do que nunca.

Claro, devido à grande persistência desta pandemia, perdemos essa vantagem.

Acredito que os governos perderam essa oportunidade. Perdemos a motivação, mas também o empenho das pessoas porque não as incluímos, não as ouvimos.

Também algo que realmente me surpreendeu, e que é negativo, é o medo da morte.

Perdemos tantas vidas para a covid-19 que muitos não conseguiram dizer adeus. Na maior parte das vezes, isso só foi possível por meio de smartphones, devido aos riscos de contágio.

Muitas pessoas morreram sozinhas. Muitas famílias que perderam alguém não conseguiram viver o luto como deveriam.

Meu conselho a todos os países é que instalem monumentos para lembrar todos aqueles que morreram, onde as pessoas possam refletir e que as famílias saibam que seus entes queridos não são esquecidos.

Não sabia que tínhamos medo da morte assim e que, na verdade, estamos relatando as perdas, mas não estamos reconhecendo a dor que as acompanha.

BBC – Parece que ainda temos um longo caminho a percorrer nesta pandemia. Algum conselho para nossa futura saúde mental?

Hoof – Acho que um bom conselho para nossa saúde mental é cuidar de nós mesmos e ter um bom estilo de vida, incluindo níveis suficientes de exercício.

Mas uma das principais dicas que quero compartilhar é ajudarmos uns aos outros.

Se você encontrar alguém e disser “olá”, reserve um tempo para perguntar: “Como vai você?” Higienize as mãos e pegue nas mãos das pessoas. Seja gentil e atencioso. Envie cartões para alguém. Faça algum trabalho voluntário em sua comunidade.

Se você tiver um momento de sobra, ligue para os centros de idosos e pergunte se você pode falar com alguém que não recebe visitas. É para eles que realmente precisamos mostrar que estamos cuidando uns dos outros.

Não cuide apenas de si mesmo, mas invista no cuidado das outras pessoas porque isso também nos ajuda.

Isso dará nossos níveis de bem-estar de uma forma muito mais sustentável.

*Por Analia Llorente

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*Fonte: bbc-brasil

Fertilidade de homens pode ser significativamente afetada por Covid-19

Um novo estudo publicado na revista científica Reproduction sugere que a Covid-19 pode afetar o esperma e reduzir a fertilidade masculina. A pesquisa indica que a infecção pelo novo coronavírus pode intensificar a morte de espermatozoides, além da inflamação e do estresse oxidativo.

Essas descobertas fornecem a primeira evidência experimental direta de que o sistema reprodutor masculino pode ser afetado e danificado pelo Sars-CoV-2 e sugerem que a função reprodutiva dos homens deve ser avaliada após a infecção para detectar e evitar mais problemas de fertilidade.

O estudante de doutorado e pesquisador Behzad Hajizadeh Maleki e sua equipe da Universidade Justus-Liebig, na Alemanha, investigaram o efeito da Covid-19 na fertilidade dos homens avaliando marcadores de inflamação, estresse oxidativo, morte de espermatozoides e qualidade do sêmen. Ao longo de 60 dias, 84 homens infectados pelo novo coronavírus e 105 voluntários saudáveis foram examinados a cada 10 dias.

Um especialista em urologia determinou que todos os homens eram férteis. Aqueles que estavam com a Covid-19 tiveram um aumento de mais de 100% nos marcadores de inflamação e estresse oxidativo nas células espermáticas em comparação aos que não haviam sido contaminados. As vias que facilitam a morte das células espermáticas foram ativadas e a concentração de espermatozoides foi reduzida em 516%, a mobilidade em 209% e a forma da célula do esperma foi alterada em 400%.

“Esses efeitos nas células espermáticas estão associados a uma qualidade inferior do esperma e ao potencial de fertilidade reduzido. Embora esses efeitos tendam a melhorar ao longo do tempo, eles permaneceram significativa e anormalmente mais altos nos pacientes com a Covid-19, e a magnitude dessas mudanças também foi relacionada à gravidade da doença ”, comenta Maleki, em nota.

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*Fonte: revistagalileu

Saiba quando uma pessoa com covid-19 deixa de ser contagiosa

Uma das grandes dúvidas que temos quanto à covid-19 é saber quando uma pessoa contaminada já não é capaz de contaminar outras pessoas com a doença.

A BBC publicou uma matéria esclarecedora na qual discorre com muita precisão a esse respeito.

Pesquisas atestam que o novo coronavírus, Sars-Cov-2, pode permanecer contagioso mesmo após o desaparecimento dos sintomas. Contudo, resta- nos saber: por quanto tempo ainda pode haver o contágio? Essa dúvida é ainda maior quando a pessoa infectada teve sintomas leves ou foi assintomática, e sequer percebeu que havia contraído o vírus.

Um ponto importante é saber qual é o tempo de incubação, ou seja, quando o vírus pode estar no corpo de uma pessoa sem manifestar qualquer sintoma. Cientistas da universidade Johns Hopkins, nos Estados unidos, e publicado no jornal científico Annals of Internal Medicine em maio, estimou que o período médio de incubação para o novo coronavírus é de 5,1 dias (BBC).

“A capacidade de infectar outras pessoas, de transmitir esse vírus a outras pessoas, dura de 7 a 10 dias mais a partir do aparecimento dos sintomas”, explica o infectologista Vicente Soriano, professor da Universidade Internacional de La Rioja, na Espanha, e ex-conselheiro da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Já com relação às pessoas assintomáticas, o marco inicial torna-se de difícil definição. Contudo, estudos apontam que os assintomáticos possuem a mesma carga viral dos sintomáticos e assim permanecem pelo mesmo espaço de tempo, sendo que poderão infectar outras pessoas pelo mesmo intervalo de temporal que os sintomáticos (de 7 a 10 dias), sendo que, neste caso, fica quase impossível dizer quando essa pessoa passa a infectar.

Diante disso, especialistas recomendam, enfaticamente, o uso de máscaras e da observação do distanciamento social. Essas duas medidas podem ajudar a reduzir o risco de que uma pessoa com covid-19 e sem sintomas infecte outras pessoas.

Para lerem a matéria completa, cliquem AQUI.

*Por

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*Fonte: revistapazes

O Brasil finalmente encontrou a solução para a pandemia: ligar o foda-se

Bares lotados, praias abarrotadas e uma vida cotidiana tocada como se nada estivesse acontecendo. Excetuadas as poucas almas que insistem em permanecer em suas casas e em usar máscaras ao sair, seria impossível notar que o Brasil atravessa a maior crise de saúde de sua história. Ora, após quase cinco meses de um isolamento fictício, não há dúvida de que a fadiga e a necessidade de sair em busca do ganha-pão iriam forçar a população engaiolada a voltar às ruas e retomar ostensivamente sua liberdade.

Bastante conhecida no teatro e no cinema, a solução deus ex machina — que, em uma tradução livre, seria algo como “deus que surge da máquina” — é antiga e remete à falta de criatividade em um roteiro. Ao surgirem problemas cujas soluções seriam extremamente complexas, por haver “pontas soltas” no enredo, uma força externa aparece, do nada, e resolve as questões da maneira mais improvável. A expressão em latim vem do teatro clássico grego, que frequentemente usava esse recurso: quando as histórias pareciam não ter mais como serem resolvidas, um mecanismo no teto fazia descer ao palco, repentinamente, um deus que milagrosamente sanava todos os conflitos.

Um exemplo bastante evidente do recurso no cinema está em “Superman: o filme”, de 1978. Quando tudo parece perdido e Lois Lane é morta, o Homem de Aço começa a girar em volta da Terra, fazendo o tempo voltar e, assim, salvando o dia — e sua amada — de uma maneira fantástica e aleatória, nada convencional. O mesmo ocorre na franquia “Senhor dos Anéis”, na qual, em um dos momentos mais tensos da trilogia, Gandalf surge com águias gigantescas, nunca antes mencionadas no enredo, em uma cena bem conveniente e que aparenta não fazer muito sentido (se eles tinham essa alternativa, por que já não foram voando de águia desde o começo para a região de Mordor?). Poderíamos citar ainda as inúmeras histórias que terminam com o protagonista acordando e vendo que tudo não passava de um sonho.

Pois não foi outra a resposta tupiniquim para extirpar de vez o mal que assombra seus filhos. Mátria frátria, como um dia desejou Caetano, a nação acostumada a dar jeitinho em tudo não iria decepcionar no enfrentamento à pandemia. A solução homeopática, com ares de seriedade, é a flexibilização com base na ocupação dos leitos de UTI. Sensato, mas insuficiente. Andar sem máscara e promover aglomerações é mais emocionante do que a tediosa fórmula de se precaver e aguardar pelo socorro da ciência. No imaginário popular, incentivado por muitos blogueiros e gurus do caos, o fim do isolamento ocorre como se a doença tivesse simplesmente desaparecido. As festas clandestinas eclodem país afora e a espantosa maneira de o brasileiro lidar com o vírus é simplesmente tocar o foda-se para a sua existência. Deus ex machina: por ignorância popular, o vírus ficou no passado.

Não é preciso dizer que esse “novo normal” à brasileira contribui fortemente para a estabilização e o prolongamento da alta taxa de mortalidade do país. Mas quem se importa? Apesar do número estratosférico de infectados, as perdas são diminutas em comparação com as vidas salvas, e o povo precisa mesmo é tocar a vida. Viver no foda-se é a solução deus ex machina que o brasileiro encontrou para não ter que suportar o tédio de encarar de forma séria uma crise mundial. Segue o jogo.

Já dizia Mario Quintana: “ser lembrado é como evocar-se um fantasma”. O fantasma brasileiro, pois, é seu próprio senso de empatia com o próximo. Ou a falta disso.

*Por Matheus Conceição

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*Fonte: revistabula

‘Os egoístas vão ficar ainda piores’, prevê Ricardo Darín sobre futuro pós pandemia

Para o renomado ator argentino, o “novo normal” apenas acentua problemas com os quais sempre convivemos. “O egoísmo ao qual nos acostumaram nos fez acreditar que o individualismo é a salvação. É um grande equívoco.

Muito têm se falado atualmente sobre as lições que a humanidade pode tirar deste momento de crise que vivemos em 2020. Para alguns, a pandemia trouxe à tona um maior senso de coletividade, o que pode ser interpretado como um prenúncio de que a sociedade esteja caminhando para uma convivência mais harmoniosa e solidária entre as pessoas.

Para muitas outras pessoas, no entanto, a realidade que nos espera quando a pandemia tiver seu fim é igual ou pior do que a de antes. Uma das vozes proeminentes deste pensamento é o renomado ator argentino Ricardo Darín. Em recente entrevista ao programa “Conversa com Bial”, ele disse que percebe sim que as pessoas estão mais solidárias neste momento, mas ressaltou que a maioria segue pensando somente em si mesma: “os egoístas vão ficar ainda piores”.

“O egoísmo ao qual nos acostumaram nos fez acreditar que o individualismo é a salvação. É um grande equívoco. O momento que estamos vivendo no mundo é uma demonstração drástica e muito contundente de como os seres humanos dependem uns dos outros.”, opinou o ator.

Darín é um dos atores argentinos mais famosos e premiados do cinema. Ele esteve em produções de grande sucesso de público e crítica, como “Relatos Selvagens”, “Um Conto Chinês” e o vencedor do Oscar “O Segredo dos Seus Olhos”.

A entrevista com Ricardo Darín, exibida na edição de 10 de agosto do programa comandado por Pedro Bial, está disponível na íntegra no Globoplay.

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*Fonte:
Redação CONTI outra. Com informações de GShow
Ricardo Darín é o convidado do ‘Conversa com Bial’ — Foto: Reprodução/TV Globo

Para prevenir novas pandemias é preciso investir na natureza

Economia mundial registra 2,6 trilhões de dólares gastos com o combate à Covid-19. Combater o desmatamento e o tráfico de animais silvestres são as medidas essenciais.

Um estudo publicado na revista científica Science, em julho, sobre o impacto da pandemia do novo coronavírus na economia mundial, reafirma a necessidade de combatermos o tráfico de animais silvestres (ou selvagens). Segundo os pesquisadores, se quisermos impedir o surgimento de novas zoonozes é necessário também controlar o desmatamento das florestas tropicais.

O artigo avalia quanto nos custa não investir em ações ecológicas. “Atualmente, investimos relativamente pouco na prevenção do desmatamento e na regulamentação do comércio de animais silvestres”. O estudo mostra que que os custos associados ao combate à Covid-19 por países e empresas em esforços preventivos “seriam substancialmente inferiores aos custos econômicos e de mortalidade”.

As regiões bordas (fronteiras) das florestas tropicais são potenciais territórios para o surgimento de novas doenças transmitidas ao homem por animais. E quanto mais desmatamos e retiramos a fauna silvestre de seu habitat natural e invadimos seus territórios, mas estaremos expostos. Segundo os autores, nas regiões onde 25% ou mais da vegetação original foi queimada ou desmatada, o risco de novos focos de transmissão por vírus aumenta. A redução destes índices é fundamental para evitar este ciclo.

Os pesquisadores acreditam que o desenvolvimento desordenado dos centros urbanos, a migração, a guerra, a monocultura de animais e, também, agrícola levaram ao surgimento do que chamam de “transbordamento” de novos vírus. A taxa de transmissão de uma zoonose depende da densidade de seres humanos e animais domésticos em ambientes não urbanos ou rurais. Quanto mais construirmos e nos desenvolvemos a partir de um sistema não ecologicamente sustentado, mais aumentamos o risco de colapsos ambientais, econômicos e sociais como o que estamos assistindo com a pandemia.

Investir para prevenir
Os dados apresentados no periódico revelam que seriam necessários 22 bilhões de dólares para preservar o ambiente no planeta. Parece um valor muito alto, mas ainda assim é bem menor do que os 2,6 trilhões de dólares que já foram perdidos pela economia mundial no combate à Covid-19, que já tirou a vida de quase 700 mil pessoas, até o momento.
Os pesquisadores dizem que adiar uma estratégia global para reduzir o risco de pandemia levará a humanidade a gastos crescentes contínuos. E pedem para que fundos dos países para a recuperação da economia pós-pandemia reservem recursos suficientes para desenvolver estratégias que incluam o combate ao desmatamento e ao tráfico de animais para evitar novos desastres sanitários e humanos como o que estamos vivendo.

*Por Manuella Soares

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*Fonte: animalcare

John Fogerty (Creedence): “eu não vou morrer pelo Donald Trump”

John Fogerty, lendário músico americano e fundador do Creedence Clearwater Revival, não está nem um pouco tranquilo em meio à crise do Coronavírus.

Justamente por isso, o ícone deu uma declaração em que garante que não irá se arriscar e muito menos “morrer pelo Donald Trump“, se referindo por nome ao atual presidente americano. Ele também destacou que “não vai morrer pela economia” e você pode ler tudo que ele falou a seguir (via Rolling Stone):

O Coronavírus é tão real e assustador e ameaçador. Eu ainda não vi uma solução que irá funcionar enquanto procuramos uma vacina. Eu acho que sou mais paciente do que alguns. Eu continuo dizendo à minha família, se fossem leões e tigres andando por aí, você poderia vê-los, então isso te prepara psicologicamente e você percebe que não quer sair e ser imprudente. Toda essa coisa da reabertura é bem assustadora para mim. Eu estou com medo de provavelmente acabarmos andando pra trás. E eu não quero ser o cara que contribui com isso. Você vai a um show com 10 mil pessoas, e aí descobre depois que alguns deles morreram? Eu não acho que nenhum de nós estará realmente pronto até termos uma vacina e as pessoas se sentirem seguras novamente. Eu sou uma pessoa mais velha, e muitas pessoas da minha idade morreram. Talvez algum outro cara ache que é uma boa ideia, mas eu não vou morrer pelo Donald Trump. Eu não vou morrer pela economia. Como você pode ter qualquer tipo de plateia?

John Fogerty e questões sociais

Além de suas visões sobre a pandemia, Fogerty tem se mostrado antenado nas questões raciais. Em um vídeo recente no qual ele toca um clássico de Bill Withers com seus filhos, o músico declarou seu apoio aos manifestantes que tomaram conta dos EUA nos últimos tempos.

Ele ainda deixou bem claro que não se trata de uma questão política, e sim de “direitos humanos” se posicionar em meio a tudo isso. Você pode conferir tudo, inclusive a linda performance em um visual estonteante, por aqui.

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*Fonte: tenhomaisdiscosqueamigos

Como o coronavírus vai mudar nossas vidas: dez tendências para o mundo pós-pandemia

A Covid-19 mudou nossas vidas. Não estou falando aqui simplesmente da alteração da rotina nesses dias de isolamento, em que não podemos mais fazer caminhadas no Minhocão ou ir aos nossos bares e restaurantes preferidos. Sim, tudo isso mudou nosso cotidiano —e muito. Mas o meu convite para você é para pensarmos nas mudanças mais profundas, naquelas transformações que devem moldar a realidade à nossa volta e, claro, as nossas vidas depois que o novo coronavírus baixar a bola. Por isso talvez seja melhor mudar o tempo verbal da frase que abre este texto e dizer que o coronavírus vai mudar as nossas vidas. Mas como? Que cenários prováveis já começam a emergir e devem se impor no mundo pós-pandemia?

O mundo pós-pandemia será diferente

Entender que mundo novo é esse é importante para nos prepararmos para o que vem por aí. Porque uma coisa é certa: o mundo não será como antes, conforme nos alertou o biólogo Átila Iamarino.

“O mundo mudou, e aquele mundo (de antes do coronavírus) não existe mais. A nossa vida vai mudar muito daqui para a frente, e alguém que tenta manter o status quo de 2019 é alguém que ainda não aceitou essa nova realidade”, disse nesta entrevista para a BBC Brasil Átila, que é doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pela Universidade Yale. “Mudanças que o mundo levaria décadas para passar, que a gente levaria muito tempo para implementar voluntariamente, a gente está tendo que implementar no susto, em questão de meses”, diz ele.

Pandemia marca o fim do século 20

Ainda nessa linha, havia uma visão entre especialistas de que faltava um símbolo para o fim do século 20, uma época altamente marcada pela tecnologia. E esse marco é a pandemia do coronavírus, segundo a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz, professora da Universidade de São Paulo e de Princeton, nos EUA, em entrevista ao Universa. “[O historiador britânico Eric] Hobsbawm disse que o longo século 19 só terminou depois da Primeira Guerra Mundial [1914-1918]. Nós usamos o marcador de tempo: virou o século, tudo mudou. Mas não funciona assim, a experiência humana é que constrói o tempo. Ele tem razão, o longo século 19 terminou com a Primeira Guerra, com mortes, com a experiência do luto, mas também o que significou sobre a capacidade destrutiva. Acho que essa nossa pandemia marca o final do século 20, que foi o século da tecnologia. Nós tivemos um grande desenvolvimento tecnológico, mas agora a pandemia mostra esses limites”, diz Lilia.

Coronavírus, um acelerador de futuros

Vários futuristas internacionais dizem que o coronavírus funciona como um acelerador de futuros. A pandemia antecipa mudanças que já estavam em curso, como o trabalho remoto, a educação a distância, a busca por sustentabilidade e a cobrança, por parte da sociedade, para que as empresas sejam mais responsáveis do ponto de vista social.

Outras mudanças estavam mais embrionárias e talvez não fossem tão perceptíveis ainda, mas agora ganham novo sentido diante da revisão de valores provocada por uma crise sanitária sem precedentes para a nossa geração. Como exemplos, podemos citar o fortalecimento de valores como solidariedade e empatia, assim como o questionamento do modelo de sociedade baseado no consumismo e no lucro a qualquer custo.

“A vida depois do vírus será diferente”, disse ao site Newsday a futurista Amy Webb, professora da Escola de Negócios da Universidade de Nova York. “Temos uma escolha a fazer: queremos confrontar crenças e fazer mudanças significativas para o futuro ou simplesmente preservar o status quo?”

Efeitos do coronavírus devem durar quase dois anos

As transformações são inúmeras e passam pela política, economia, modelos de negócios, relações sociais, cultura, psicologia social e a relação com a cidade e o espaço público, entre outras coisas.

O ponto de partida é ter consciência de que os efeitos da pandemia devem durar quase dois anos, pois a Organização Mundial de Saúde calcula que sejam necessários pelo menos 18 meses para haver uma vacina contra o novo. Isso significa que os países devem alternar períodos de abertura e isolamento durante esse período.

Diante dessa perspectiva, como ficam as atividades de lazer, cultura, gastronomia e entretenimento no centro e em toda a cidade durante esse período? O que mudará depois? São questões ainda em aberto, mas há sinais que nos permitem algumas reflexões.

Para entender essas e outras questões e identificar os prováveis cenários, procurei saber que tendências os futuristas, pesquisadores e bureaus de pesquisas nacionais e internacionais estão traçando para o mundo pós-pandêmico. A partir dessas leituras e também de um olhar para as questões que dizem respeito ao centro de São Paulo e à vida urbana em geral, fiz uma lista com algumas dessas tendências, que você pode ler a seguir.
Confira as 10 tendências para o mundo pós-pandemia

1. Revisão de crenças e valores

A crise de saúde pública é definida por alguns pesquisadores como um reset, uma espécie de um divisor de águas capaz de provocar mudanças profundas no comportamento das pessoas. “Uma crise como essa pode mudar valores”, diz Pete Lunn, chefe da unidade de pesquisa comportamental da Trinity College Dublin, em entrevista ao Newsday.

“As crises obrigam as comunidades a se unirem e trabalharem mais como equipes, seja nos bairros, entre funcionários de empresas, seja o que for… E isso pode afetar os valores daqueles que vivem nesse período —assim como ocorre com as gerações que viveram guerras”.

Já estamos começando a ver esses sinais no Brasil —e no centro de São Paulo, com vários exemplos de pessoas que se unem para ajudar idosos, por exemplo.

2. Menos é mais

A crise financeira decorrente da pandemia por si só será um motivo para que as pessoas economizem mais e revejam seus hábitos de consumo. Como diz o Copenhagen Institute for Futures Studies, a ideia de “menos é mais” vai guiar os consumidores daqui para frente.

Mas a falta de dinheiro no momento não será o único motivo. As pessoas devem rever sua relação com o consumo, reforçando um movimento que já vinha acontecendo. “Consumir por consumir saiu de ‘moda’”, escreve no site O Futuro das Coisas Sabina Deweik, mestre em comunicação semiótica pela PUC e pesquisadora de comportamento e tendências.

O outro lado desse processo é um questionamento maior do modelo de capitalismo baseado pura e simplesmente na maximização dos lucros para os acionistas. “O coronavírus trouxe para o contexto dos negócios e para o contexto pessoal a necessidade de revisitar as prioridades. O que antes em uma organização gerava resultados financeiros, persuadindo, incentivando o consumo, aumentando a produção e as vendas, hoje não funciona mais”, diz Sabina.

“Hoje, faz-se necessário pensar no valor concedido às pessoas, no impacto ambiental, na geração de um impacto positivo na sociedade ou no engajamento com uma causa. Faz-se necessário olhar definitivamente com confiança para os colaboradores já que o home office deixou de ser uma alternativa para ser uma necessidade. Faz-se necessário repensar a sociedade do consumo e refletir o que é essencial.”

3. Reconfiguração dos espaços do comércio

A pandemia vai acentuar o medo e a ansiedade das pessoas e estimular novos hábitos. Assim, os cuidados com a saúde e o bem-estar, que estarão em alta, devem se estender aos locais públicos, especialmente os fechados, pois o receio de locais com aglomeração deve permanecer.

“Quando as pessoas voltarem a frequentar espaços públicos, depois do fim das restrições, as empresas devem investir em estratégias para engajar os consumidores de modo profundo, criando locais que tragam a eles a sensação de estar em casa”, diz um relatório da WGSN, um dos maiores bureaus de pesquisas de tendências do mundo.

Eis um ponto de atenção para bares, restaurantes, cafeterias, academias e coworkings, que devem redesenhar seus espaços para reduzir a aglomeração e facilitar o acesso a produtos de higiene, como álcool em gel. Os espaços compartilhados, como coworkings, têm um grande desafio nesse novo cenário.

4. Novos modelos de negócios para restaurantes

Uma das dez tendências apontadas pelo futurista Rohit Bhatgava é o que ele chama de “restaurantes fantasmas”, termo usado para descrever os estabelecimentos que funcionam só com delivery. Como a possibilidade de novas ondas da pandemia num futuro próximo, o setor de restaurantes deve ficar atento a mudanças no seu modelo de negócios, e o serviço de entrega vai continuar em alta e pode se tornar a principal fonte de receita em muitos casos.

5. Experiências culturais imersivas

Como resposta ao isolamento social, os artistas e produtores culturais passaram a apostar em shows e espetáculos online, assim como os tours virtuais a museus ganharam mais destaque. Esse comportamento deve evoluir para o que se pode chamar de experiências culturais imersivas, que tentam conectar o real com o virtual a partir do uso de tecnologias que já estão por aí, mas que devem se disseminar, como a realidade aumentada e virtual, assistentes virtuais e máquinas inteligentes.

De acordo com o estudo Hype Cycle, da consultoria internacional Gartner, as experiências imersivas são uma das três grandes tendências da tecnologia. Destacamos aqui a área cultural, mas isso também se estende a outros setores, como esportes, viagens a varejo, conforme indica o relatório A Post-Corona World, produzido pela Trend Watching, plataforma global de tendências.

6. Trabalho remoto

O home office já era uma realidade para muita gente, de freelancers e profissionais liberais a funcionários de companhias que já adotavam o modelo. Mas essa modalidade vai crescer ainda mais. Com a pandemia, mais empresas —de diferentes portes— passaram a se organizar para trabalhar com esse modelo. Além disso, o trabalho remoto evita a necessidade de estar em espaços com grande aglomeração, como ônibus e metrôs, especialmente em horários de pico.

7. Morar perto do trabalho

Essa já era uma tendência, e morar no centro de São Paulo se tornou um objeto de desejo para muitas pessoas justamente por conta disso, entre outros motivos. Mas, com o receio de novas ondas de contágio, morar perto do trabalho, a ponto de ir a pé e não usar transporte público, deve se tornar um ativo ainda mais valorizado.

8. Shopstreaming

Com o isolamento social, as lives explodiram, principalmente no Instagram. As vendas pela Internet também, passando a ser uma opção também para lojas que até então se valiam apenas do local físico. Pois pense na junção das coisas: o shopstreaming é isso. Uma versão Instagram do antigo ShopTime.

9. Busca por novos conhecimentos

Num mundo em constante e rápida transformação, atualizar seus conhecimentos é questão de sobrevivência no mercado (além de ser um prazer, né?). Mas a era de incertezas aberta pela pandemia aguçou esse sentimento nas pessoas, que passam, nesse primeiro momento, a ter mais contato com cursos online com o objetivo de aprender coisas novas, se divertir e/ou se preparar para o mundo pós-pandemia. Afinal, muitos empregos estão sendo fechados, algumas atividades perdem espaço enquanto outros serviços ganham mercado.

10. Educação a distância

Se a busca por conhecimentos está em alta, o canal para isso daqui para frente será a educação a distância, cuja expansão vai se acelerar. Neste contexto, uma nova figura deve entrar em cena: os mentores virtuais. A Trend Watching aposta que devem surgir novas plataformas ou serviços que conectam mentores e professores a pessoas que querem aprender sobre diferentes assuntos.

*Por Clayton Melo

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*Fonte: elpais