Robert Waldinger: “A solidão mata. É tão forte quanto o vício em cigarros ou álcool.

Cientistas decidem mapear as vidas de 268 estudantes da instituição, buscando compreender as relações entre saúde física e mental, entre saúde e felicidade. Dentre os participantes, estavam nomes como John F. Kennedy e o editor do Washington Post, Ben Bradley.

Foram quase oito décadas de acompanhamento. A pesquisa, chamada de Harvard Study of Adult Development, tornou-se o mais amplo estudo já realizado sobre a felicidade humana.

Ao longo dos anos, a pesquisa foi estendida aos filhos dos participantes. Há uma década, também às mulheres dos participantes*. Durante todo este tempo, foram analisados fracassos e sucessos pessoais, registros médicos, qualidade dos casamentos e muitas outras questões que interligavam dados de saúde física a percepções emocionais.

(*Mulheres não participaram do estudo original, pois, em 1938, Harvard era exclusiva para homens)

A conclusão foi surpreendente para todos: “descobrimos que a felicidade que sentimos nos nossos relacionamentos tem um poder incrível sobre nossa saúde”, explicou Robert Waldinger, diretor do estudo.

Waldinger é um caso à parte e merece um espaço para conhecer seu trabalho.

Quem é Robert Waldinger?

Professor de Medicina de Harvard, este psiquiatra, psicanalista e professor Zen ganhou o mundo após a publicação de sua palestra no projeto TED, uma das 10 TED Talks mais assistidas de todos os tempos.

Na palestra, ele responde as perguntas mais básicas que movem os seres humanos: o que nos mantém felizes e saudáveis durante a vida? Waldinger reúne as conclusões do estudo aos seus aprendizados práticos na psiquiatria e no Zen Budismo em três lições fundamentais para construir uma vida repleta de sentido.

Resultado: 23 milhões de pessoas assistiram à fala de Waldinger.
(Vídeo legendado: escolha a língua de sua preferência)

Relacionamentos íntimos, mais do que fama ou dinheiro, são a fonte da felicidade através da vida. Estes laços protegem as pessoas das frustrações, ajudam a retardar doenças degenerativas físicas e mentais e são parâmetros mais eficientes na análise da longevidade – mais do que classe social, QI ou até mesmo a genética.

Os pesquisadores analisaram uma infinidade de dados: centenas de relatórios médicos, entrevistas e questionários encontraram uma forte correlação entre o florescimento da vida destes homens e de seus relacionamentos com família, amigos e comunidade. Muitos estudos descobriram que o nível de satisfação com seus relacionamentos, na idade de 50 anos, foi mais importante para avaliar a saúde física do que níveis de colesterol por exemplo.

Quando reunimos tudo que tínhamos sobre os participantes aos 50 anos, vimos que não eram as taxas de colesterol que previam quantos anos eles viveriam. Era muito mais sobre a satisfação destas pessoas em suas vidas pessoais. As pessoas mais satisfeitas aos 50 anos eram os mais saudáveis aos 80”, explicou o professor Waldinger.

Os pesquisadores também descobriram que a felicidade no casamento tem um poder de proteção sobre a saúde mental. Pessoas que tiveram casamentos felizes, aos 80 anos, relataram que nem mesmo dores físicas eram capazes de abalá-los. Aqueles que tinham casamentos infelizes sofriam de mais dores físicas e emocionais.

Aqueles que mantêm relacionamentos calorosos vivem mais e com mais felicidade, disse Waldinger, e aqueles que se sentem solitários morrem mais cedo.

“A solidão mata. É tão forte quanto o vício em cigarros ou álcool.”

Os pesquisadores também avaliaram que a força dos relacionamentos reduzia a necessidade destes vícios. Ainda, que os laços sociais eram capazes de frear a degeneração mental durante a velhice. Atualmente, o estudo prossegue com os familiares dos participantes originais e aproveita tecnologias não disponíveis em 1938 para refinar as conclusões com testes de sangue e ressonância magnética.

O psiquiatra e psicanalista George Vaillant, que entrou na equipe da pesquisa em 1966, liderou o estudo de 1972 até 2004. Ele também enfatiza o papel dos relacionamentos para vidas mais saudáveis e longevas: “Quando o estudo começou, ninguém ligava para empatia ou laços. Mas, a chave para a velhice saudável são os relacionamentos, os relacionamentos e os relacionamentos”, argumenta Vaillant. Em sua obra, Ageing Well, escrito com base na pesquisa de Harvard, Vaillant descreve lições extraídas dos “homens de Harvard”.

Os seis fatores da longevidade:

– atividade física
– redução de álcool
– parar de fumar
– desenvolver mecanismos maduros para lidar com as adversidades
– manter um peso saudável
– ter um casamento estável

O estudo mostrou que o papel da genética e de ancestrais longevos se provou menos importante para conquistar uma vida longa e saudável do que os níveis de satisfação aos 50 anos, atualmente reconhecidos como fatores preditivos para a qualidade de vida na velhice. A pesquisa também desmistificou a ideia de que vidas não saudáveis na juventude prejudicariam a velhice. “Aqueles que eram trens descarrilados aos 20 ou 25 anos se tornaram ótimos octogenários. Mas, por outro lado, alcoolismo e depressão pode sim levar pessoas que começaram suas vidas maravilhosamente bem a um fim desastroso.”, explica Vaillant.

Perguntado sobre as lições que extraiu do estudo, Waldinger diz que passou a praticar mais meditação e a investir tempo e energia em seus relacionamentos. “É tão fácil se isolar, se afundar no trabalho e esquecer dos amigos”, diz o professor. “Então, apenas presto mais atenção aos meus relacionamentos.”

Em entrevista, Robert Waldinger compartilha algumas de suas lições sobre relacionamentos e fala de sua própria viagem em direção à felicidade e à resiliência.

Qual é o grande segredo para uma vida repleta de significado e felicidade?

Robert Waldinger: É tudo sobre relacionamentos. A mensagem final é que relacionamentos nos farão felizes. Porém, a mensagem completa é que precisamos aprender a trabalhar dentro destes relacionamentos – e há muito trabalho a ser feito. Nunca chegaremos a um lugar em que poderemos dizer “Ok, minha relação está boa. É isso. Não preciso fazer mais nada.” As pessoas estão sempre mudando, nós estamos sempre mudando. Portanto, as relações também sempre mudam. Cuidar dos relacionamentos é um projeto contínuo, mas que vale a pena. Vale o investimento.

Então, como podemos manter um relacionamento forte e saudável?

Robert Waldinger: A primeira lição é prestar atenção. Isso vem da minha base Zen. Estamos constantemente distraídos. Estamos com os outros, mas estamos ligados aos nossos smartphones. Quantas vezes você se sentou com alguém para tomar um drinque e todos ao redor estavam no telefone? Meus alunos, nos seminários que ministro, precisam desligar seus smartphones e devem levar este ensinamento para suas vidas.

A solução é simples: observe o outro com atenção. Se você fizer isso, sempre saberá onde o outro está – como é sua vida, seu dia enfim. Você precisa saber que é este tempo de atenção a alguém que mantém a relação saudável.

Como esta lição sobre relacionamentos afeta nossa cultura de trabalho?

Robert Waldinger: Tenho um filho que é um típico membro da geração Millenial e que trabalha em uma típica empresa Millenial. Nestas empresas, há muito mais ênfase na qualidade da vida profissional e na comunidade. É mais importante criar um espaço e uma cultura em que as pessoas se sintam engajadas umas com as outras. Esta conexão fará com que as pessoas queiram ficar nas empresas, queiram ir trabalhar diariamente e cada vez mais; elas não se sentirão isoladas, mas sim conectadas e lutando por uma causa comum. Sim, há muito falatório sobre como as empresas investem na qualidade das relações dos trabalhadores, mas creio que há sim mais atenção real a isso hoje em dia. Desenvolver ambientes de trabalho e horários de trabalho que promovam mais este laço é algo que vejo como muito positivo.

Como um professor Zen, com grande prática meditativa – alguém que está especialmente atento e focado – como você enxerga o complicado equilíbrio entre trabalho e vida pessoal?

Robert Waldinger: É um projeto em constante progresso. Estou sempre encontrando equilíbrio e perdendo equilíbrio. A minha experiência me mostra que você nunca alcança um lugar de perfeito equilíbrio, onde poder ficar para sempre – a harmonia é um ato de calibração.

Eu não era um grande adepto da meditação ou até mesmo muito envolvido com o Zen quando meus filhos eram jovens. Mas, quando eles foram para a escola e não se importavam mais onde eu estava, comecei a ter liberdade de ir a diversos lugares. Participei de retiros e meus filhos nem notavam que eu não estava em casa! Mas, quando eles eram pequenos, foi crucial que eu estivesse lá para eles, tão disponível quanto fosse possível.

Claro, sua ideia de equilíbrio depende da fase da vida em que você se encontra. Para mim, agora, eu e minha esposa adoramos trabalhar, então, trabalhamos muito. Talvez, até demais, mas temos muito prazer no que fazemos. Como disse, a ideia de equilíbrio está sempre mudando – é isso que você precisa saber.

E como suas práticas lhe ajudam atualmente?

Robert Waldinger: Estar atento é parte do meu equilíbrio: me obriga a parar e observar. É como um marcador de cada dia analisar exatamente onde estou naquele momento. Grande parte de nós não para por isso. A ideia de fazer nada é radical nesse sentido, é a ideia de não agir, de apenas observar onde estamos naquele momento.

Saúde, longevidade, produtividade e, claro, felicidade. A conquista dos pilares da qualidade de vida foi tema da conferência da psicóloga canadense Susan Pinker no Fronteiras do Pensamento. A fala, intitulada O efeito aldeia, teve base em seu livro, The village effect, em que apresenta suas pesquisas sobre o poder das relações presenciais.

A partir de seus estudos, a psicóloga pontuou dois fatores cruciais para o desenvolvimento de uma vida próspera: relações próximas, as pessoas em quem podemos confiar; e a integração social, ou seja, os laços mais frágeis, as pessoas com quem cruzamos todos os dias.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

“A educação está sendo vitimada pela cultura do imediatismo”, por Zygmunt Bauman

Zygmunt Bauman foi o grande pensador da modernidade. Perspicaz analista de temas contemporâneos, deixou vasta obra – com destaque para o best-seller Amor líquido, fundamental para a compreensão das relações afetivas hoje.

Sociólogo e filósofo, soube se comunicar diretamente com seus leitores, levando milhares de pessoas a pensar a sociedade atual através do conceito de liquidez. Professor emérito das universidades de Varsóvia e Leeds, tem cerca de quarenta livros publicados no Brasil pela Zahar, com enorme sucesso de público. Bauman nasceu na Polônia e morreu na Inglaterra, onde vivia desde a década de 1970.

No vídeo abaixo, trecho de entrevista concedida pelo filósofo, Bauman alerta para os prejuízos que o crescente desenvolvimento tecnológico pode representar em relação à educação. Em sua opinião, o conjunto disperso de informações ao qual temos acesso e a cultura imediatista em que estamos inseridos comprometem certas capacidades psicológicas, como a concentração.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

6 indicativos de que você é um livre pensador

Pensamento livre, ou Livre Pensamento é o ponto de vista, filosófico ou não, que sustenta que os fenômenos e todas as coisas devem ser formados a partir da ciência, da lógica e da razão e não devem ser influenciados por nenhuma tradição, autoridade ou qualquer dogma, cujo adepto se proclama livre pensador e cuja aplicação por vezes é chamada de livre pensar.

A maioria das pessoas tem o que é chamado de “mentalidade de rebanho”. A Wikipedia define o termo “mentalidade de rebanho” como pessoas adotando “certos comportamentos em uma base emocional, em vez de racional”. Vários estudos confirmaram – e re-confirmaram – a presença de uma mentalidade de rebanho. Considere este estudo de pesquisadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido, apropriadamente intitulado “Ovelhas em roupas humanas – cientistas revelam nossa mentalidade de rebanho”:

Os cientistas instruíram todos os participantes do estudo a simplesmente andar pelos corredores da escola sem falar ou gesticular uns com os outros. Os pesquisadores então instruíram secretamente alguns alunos a agir com confiança e caminhar em uma determinada direção, como se soubessem para onde estavam indo. O resultado: aqueles que não receberam “instruções especiais” seguiram – todos eles – instintivamente.

Por que nós apenas seguimos o rebanho?

Psicólogos e outros especialistas têm suas teorias sobre por que as pessoas preferem seguir. Primeiro, não gostamos da ideia de estar errado, especialmente quando estamos em um grupo grande. Em segundo lugar, receamos ficar de fora. Afinal de contas, somos animais sociais – e preferimos “seguir em frente para nos darmos bem”. Terceiro, é muito mais fácil para nossos recursos cognitivos. A tomada de decisão é exaustiva, e nosso cérebro preferiria tomar um atalho em vez de ter que vasculhar as informações e encontrar uma solução.
Ser um livre pensador

“Livres pensadores … estão dispostos a usar suas mentes sem preconceito e sem temer entender coisas que colidem com seus próprios costumes, privilégios ou crenças. Esse estado de espírito não é comum, mas é essencial para o pensamento correto. ”- Leo Tolstoy

Ser um pensador livre não é fácil, especialmente hoje em dia. Embora as razões para tal sejam numerosas demais para serem listadas, podemos confiantemente apontar para o establishment político, a academia, as mídias sociais e os grupos religiosos super-zelosos como não apenas catalisadores da mentalidade de rebanho, mas proponentes dela.

Aqui listamos 6 características comuns às pessoas que são pensadoras livres. Talvez alguma delas (ou todas) descreva o seu modo de ser e enxergar o mundo, as pessoas e as coisas. Confira:

1- Entende que há sempre mais de uma perspectiva para qualquer coisa

Como um pensador livre, você deve saber que a perspectiva é tudo e que, tanto quanto é tudo, pode mudar em um piscar de olhos. Você poderia ter uma opinião forte sobre algo e mudá-la depois de passar por uma determinada situação que abriria seus olhos para fatos diferentes. Você também sabe que sua perspectiva tem o poder de determinar seu humor. Que toda situação ruim pode ser vista de uma perspectiva mais positiva. Um livre pensador entende que o que se pode considerar um problema, outro poderia chamar uma solução.

2 – Entende que a criatividade é a chave para a vida

A criatividade não se restringe apenas a Picasso e Van Gogh, apesar de as pessoas lhe dizerem o contrário. É um direito de nascimento para todos os pensadores humanos, especialmente os livres. Embora as escolas possam tirar a maioria de nós de nossa característica criativa, tentando constantemente nos dizer o que fazer e o que pensar, não há dúvida de que um livre pensador consegue manter sua criatividade apesar dos esforços resilientes da sociedade para livrá-lo. disso.

3- Um pensador livre “sabe que nada sabe”

OK, estou definitivamente citando Sócrates neste. Mas o que posso dizer? Ele descreveu perfeitamente. Um pensador livre sempre reconheceria que qualquer conhecimento que ele ou ela tenha agora, pode ser mudado ou falsificado. Que não existe a palavra “tenho certeza disso ou daquilo”. Nada neste mundo é certo e o mundo tem muito a nos ensinar, apenas se mantivermos uma mente aberta e reconhecermos o quanto nos falta conhecimento.

4. Um pensador livre não tem medo de ser chamado de “diferente”

De fato, ser um não-conformista é um dos fatores-chave para ser um pensador livre. No final do dia, eles não querem as mesmas coisas na vida que as outras pessoas. Eles não querem um trabalho diário chato ou um comprometimento vitalício cheio de dívidas e dor. Você os encontraria desafiando todas as probabilidades e indo contra todas as normas sociais às quais nos acostumamos. Eles são aqueles que passam suas vidas viajando pelo mundo, se voluntariando no exterior ou defendendo princípios que estão condenados pela sociedade e cultura.

5. O livre pensador questiona a autoridade

Eles sabem que quanto mais conhecimento ou poder uma pessoa possui, não precisa de forma alguma que ela tenha um sistema de crenças superior. Eles aprenderam com a história que, só porque as pessoas com autoridade são poderosas, isso não significa que elas são as pessoas certas para seguir ou confiar. Hitler foi eleito pelo povo e ele foi uma das pessoas mais inteligentes do mundo, mas ele conseguiu danificar metade do mundo!

6. Eles são curiosos!

Há uma certa idade que todos nós passamos onde estávamos constantemente pedindo explicações para cada pequena coisa que vimos. E enquanto nós crescemos fora disso, é seguro dizer que um pensador livre nunca fez. Pensadores livres nunca param de perguntar por quê. A vida os fascina genuinamente, e eles estão destinados a explorar e entender cada pequeno aspecto disso.

Então, você acha que é um livre pensador?

 

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Tese de Guerdjef – 20 regras para uma vida boa!

A Tese de Guerdjef, pensador russo que há mais de cem anos falava do “Auto conhecimento e da importância de se saber viver”, diz que:

”Uma boa vida tem como base o sentido do que queremos para nós em cada momento e daquilo que realmente vale como principal”.

Definiu vinte regras de vida. Especialistas no estudo do comportamento afirmam que quem já conseguiu assimilar dez delas, com certeza aprendeu a viver com qualidade.

As vinte regras de vida:

1) Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em você, analisando suas atitudes;

2) Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme;

3) Planeje seu dia, sim, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você;

4) Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure;

5) Esqueça, de uma vez por todas, que você é imprescindível no trabalho, no lar ou nos grupos habituais. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, exceto você mesmo;

6) Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimônias.

7) Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas;

8) Diferencie problemas reais de problemas imaginários. Elimine estes, porque são pura perda de tempo e ocupam espaço mental precioso para coisas mais importantes;

9) Tente descobrir o prazer dos fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho sem, no entanto, achar que são o máximo a se conseguir na vida;

10) Evite se envolver na ansiedade e tensão dos outros, enquanto ainda ansiedade e tensão. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação;

11) Família não é você; está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade;

12) Entenda que princípios e convicções fechados podem ser um grande peso, a trave do movimento e da busca;

13) É preciso ter sempre alguém em quem se possa confiar e falar abertamente ao menos num raio de cem quilômetros. Não adianta estar mais longe;

14) Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância sutil de uma saída discreta;

15) Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental. Escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento;

16) Competir no lazer, na vida a dois, é ótimo….para quem quer ficar esgotado e perder o melhor;

17) A rigidez é boa na pedra, não no homem. A ele cabe firmeza, o que é muito diferente;

18) Uma hora de intenso prazer substitui, com folga, três horas de sono. O prazer repõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de se divertir;

19) Não abandone suas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé e

20) Entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente, que você é o que se fizer ser.

Agora meus queridos e queridas, como diz meu coach Sr. Adib Fadel (aproveito por agradecê-lo, por mais esse texto), façam a lição de casa, coloquem no papel, invistam tempo em vocês e reflitam à respeito. Espero que os ajude!

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*Fonte: esquenta / Marcelo Balerone

Zygmunt Bauman: “As redes sociais são uma armadilha”

O polonês (Poznan, 1925) era criança quando sua família, judia, fugiu para a União Soviética para escapar do nazismo, e, em 1968, teve que abandonar seu próprio país, desempossado de seu posto de professor e expulso do Partido Comunista em um expurgo marcado pelo antissemitismo após a guerra árabe-israelense. Renunciou à sua nacionalidade, emigrou a Tel Aviv e se instalou, depois, na Universidade de Leeds (Inglaterra), onde desenvolveu a maior parte de sua carreira. Sua obra, que arranca nos anos 1960, foi reconhecida com prêmios como o Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades de 2010, que recebeu junto com Alain Touraine.

Bauman é considerado um pessimista. Seu diagnóstico da realidade em seus últimos livros é sumamente crítico. Em A riqueza de poucos beneficia todos nós?, explica o alto preço que se paga hoje em dia pelo neoliberalismo triunfal dos anos 80 e a “trintena opulenta” que veio em seguida. Sua conclusão: a promessa de que a riqueza acumulada pelos que estão no topo chegaria aos que se encontram mais abaixo é uma grande mentira. Em Cegueira moral, escrito junto com Leonidas Donskis, Bauman alerta sobre a perda do sentido de comunidade em um mundo individualista. Em seu novo ensaio, Estado de crise, um diálogo com o sociólogo italiano Carlo Bordoni, volta a se destacar. O livro da editora Zahar, que já está disponível para pré-venda no Brasil, trata de um momento histórico de grande incerteza.

Bauman volta a seu hotel junto com o filósofo espanhol Javier Gomá, com quem debateu no Fórum da Cultura, evento que terá sua segunda edição realizada em novembro e que traz a Burgos os grandes pensadores mundiais. Bauman é um deles.

Pergunta. Você vê a desigualdade como uma “metástase”. A democracia está em perigo?

Resposta. O que está acontecendo agora, o que podemos chamar de crise da democracia, é o colapso da confiança. A crença de que os líderes não só são corruptos ou estúpidos, mas também incapazes. Para atuar, é necessário poder: ser capaz de fazer coisas; e política: a habilidade de decidir quais são as coisas que têm ser feitas. A questão é que esse casamento entre poder e política nas mãos do Estado-nação acabou. O poder se globalizou, mas as políticas são tão locais quanto antes. A política tem as mãos cortadas. As pessoas já não acreditam no sistema democrático porque ele não cumpre suas promessas. É o que está evidenciando, por exemplo, a crise de migração. O fenômeno é global, mas atuamos em termos paroquianos. As instituições democráticas não foram estruturadas para conduzir situações de interdependência. A crise contemporânea da democracia é uma crise das instituições democráticas.

“Foi uma catástrofe arrastar a classe media ao precariat. O conflito já não é entre classes, mas de cada um com a sociedade”

P. Para que lado tende o pêndulo que oscila entre liberdade e segurança?

R. São dois valores extremamente difíceis de conciliar. Para ter mais segurança é preciso renunciar a certa liberdade, se você quer mais liberdade tem que renunciar à segurança. Esse dilema vai continuar para sempre. Há 40 anos, achamos que a liberdade tinha triunfado e que estávamos em meio a uma orgia consumista. Tudo parecia possível mediante a concessão de crédito: se você quer uma casa, um carro… pode pagar depois. Foi um despertar muito amargo o de 2008, quando o crédito fácil acabou. A catástrofe que veio, o colapso social, foi para a classe média, que foi arrastada rapidamente ao que chamamos de precariat (termo que substitui, ao mesmo tempo, proletariado e classe média). Essa é a categoria dos que vivem em uma precariedade contínua: não saber se suas empresas vão se fundir ou comprar outras, ou se vão ficar desempregados, não saber se o que custou tanto esforço lhes pertence… O conflito, o antagonismo, já não é entre classes, mas de cada pessoa com a sociedade. Não é só uma falta de segurança, também é uma falta de liberdade.

P. Você afirma que a ideia de progresso é um mito. Por que, no passado, as pessoas acreditavam em um futuro melhor e agora não?

R. Estamos em um estado de interregno, entre uma etapa em que tínhamos certezas e outra em que a velha forma de atuar já não funciona. Não sabemos o que vai a substituir isso. As certezas foram abolidas. Não sou capaz de profetizar. Estamos experimentando novas formas de fazer coisas. A Espanha foi um exemplo com aquela famosa iniciativa de maio (o 15-M), em que essa gente tomou as praças, discutindo, tratando de substituir os procedimentos parlamentares por algum tipo de democracia direta. Isso provou ter vida curta. As políticas de austeridade vão continuar, não podiam pará-las, mas podem ser relativamente efetivos em introduzir novas formas de fazer as coisas.

P. Você sustenta que o movimento dos indignados “sabe como preparar o terreno, mas não como construir algo sólido”.

R. O povo esqueceu suas diferenças por um tempo, reunido na praça por um propósito comum. Se a razão é negativa, como se indispor com alguém, as possibilidades de êxito são mais altas. De certa forma, foi uma explosão de solidariedade, mas as explosões são muito potentes e muito breves.

P. E você também lamenta que, por sua natureza “arco íris”, o movimento não possa estabelecer uma liderança sólida.

R. Os líderes são tipos duros, que têm ideias e ideologias, o que faria desaparecer a visibilidade e a esperança de unidade. Precisamente porque não tem líderes o movimento pode sobreviver. Mas precisamente porque não tem líderes não podem transformar sua unidade em uma ação prática.

P. Na Espanha, as consequências do 15-M chegaram à política. Novos partidos emergiram com força.

“O 15-M, de certa forma, foi uma explosão de solidariedade, mas as explosões são potentes e breves”

R. A mudança de um partido por outro não vai a resolver o problema. O problema hoje não é que os partidos estejam equivocados, e sim o fato de que não controlam os instrumentos. Os problemas dos espanhóis não estão restritos ao território nacional, são globais. A presunção de que se pode resolver a situação partindo de dentro é errônea.

P. Você analisa a crise do Estado-nação. Qual é a sua opinião sobre as aspirações independentistas da Catalunha?

R. Penso que continuamos com os princípios de Versalhes, quando se estabeleceu o direito de cada nação baseado na autodeterminação. Mas isso, hoje, é uma ficção porque não existem territórios homogêneos. Atualmente, todas as sociedades são uma coleção de diásporas. As pessoas se unem a uma sociedade à qual são leais, e pagam impostos, mas, ao mesmo tempo, não querem abrir mão de suas identidades. A conexão entre o local e a identidade se rompeu. A situação na Catalunha, como na Escócia ou na Lombardia, é uma contradição entre a identidade tribal e a cidadania de um país. Eles são europeus, mas não querem ir a Bruxelas por Madri, mas via Barcelona. A mesma lógica está emergindo em quase todos os países. Mantemos os princípios estabelecidos no final da Primeira Guerra Mundial, mas o mundo mudou muito.

P. As redes sociais mudaram a forma como as pessoas protestam e a exigência de transparência. Você é um cético sobre esse “ativismo de sofá” e ressalta que a Internet também nos entorpece com entretenimento barato. Em vez de um instrumento revolucionário, como alguns pensam, as redes sociais são o novo ópio do povo?

R. A questão da identidade foi transformada de algo preestabelecido em uma tarefa: você tem que criar a sua própria comunidade. Mas não se cria uma comunidade, você tem uma ou não; o que as redes sociais podem gerar é um substituto. A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas. Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que as habilidades sociais não são necessárias. Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo. O papa Francisco, que é um grande homem, ao ser eleito, deu sua primeira entrevista a Eugenio Scalfari, um jornalista italiano que é um ateu autoproclamado. Foi um sinal: o diálogo real não é falar com gente que pensa igual a você. As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.

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*Fonte / texto: brasil.elpais

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