Desde o tempo de Galileu, negação da ciência passou do campo religioso para o político, diz astrofísico

No dia 22 de junho de 1633, o astrônomo Galileu Galilei, considerado por muitos o criador do método científico, recebia sua sentença frente a um tribunal da Inquisição. Pela acusação de defender o modelo de Copérnico, em que a Terra girava em torno do Sol, Galileu foi considerado um herético, forçado a repudiar as ideias heliocêntricas e sentenciado a prisão domiciliar, além de ter sua obra Diálogo incluída no Índice de Livros Proibidos do Vaticano.

Pouco menos de 400 anos após esses acontecimentos, uma pesquisa do Instituto Datafolha realizada em julho de 2019 apontou que 7% dos brasileiros acreditam que a Terra seja plana. O número representa um movimento que ganhou impulso nos últimos anos, o dos chamados terraplanistas, que questionam o formato esférico do planeta, noção que já era consenso inclusive na época de Galileu.

Foi com o intuito de analisar o ressurgimento de movimentos de negação a resultados científicos como esse que o astrofísico romeno Mario Livio lançou no início de maio o livro Galileo and the Science Deniers (Galileu e os negacionistas da ciência, editora Simon & Schuster, a ser lançado em português pela editora Record), no qual faz uma nova leitura da vida e descobertas de Galileu e compara a resistência que enfrentou na época ao negacionismo existente hoje.

Uma das principais diferenças, segundo ele, é que a oposição à ciência deixou de ter cunho prioritariamente religioso.

“Quando falamos sobre a negação das mudanças climáticas hoje ou olhamos para algumas das respostas iniciais à pandemia do Covid-19, fica claro que essas ações são motivadas em grande parte por conservadorismo político”, afirma o autor à BBC News Brasil.

Livio é astrofísico, escritor e palestrante, membro da Associação Americana de Avanço da Ciência, e vive na cidade de Baltimore (EUA). Ele atuou por 24 anos como astrofísico no Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, centro instituído pela Nasa para operar o telescópio Hubble. Também é autor de livros como Por quê? O que nos torna curiosos (Editora Record, 2018) e A equação que ninguém conseguia resolver (Editora Record, 2008).

Confira os principais trechos da entrevista.

BBC News Brasil – Por que é importante neste momento lançarmos um novo olhar sobre a vida de Galileu?

Mario Livio – Em primeiro lugar, é sempre bom analisar a vida de Galileu porque ele era uma pessoa fascinante. Ele foi um dos maiores defensores da liberdade intelectual, uma luta que é sempre relevante. Mas, na verdade, claro que o mais importante de olharmos para esse período em particular é que hoje ainda vemos muito negacionismo em relação à ciência no mundo.

Acredito que isso também seja verdade para o Brasil, pelo pouco que sei sobre a situação política que vocês estão atravessando.

A luta de Galileu foi contra a negação da ciência. Portanto, é importante entender, antes de tudo, que esse não é um fenômeno recente e analisar as semelhanças e diferenças entre a negação da ciência que existia no tempo de Galileu e a que existe no nosso tempo atual.

BBC News Brasil – O que podemos aprender sobre a luta de Galileu que pode ser aplicado à nossa realidade?

Livio – As motivações para se rejeitar as descobertas da ciência no tempo de Galileu e hoje são diferentes. No tempo de Galileu, o principal problema costuma ser descrito como um enfrentamento entre ciência e religião. Isso não é verdade, e ele mesmo nunca enxergou o conflito dessa forma.

Galileu era uma pessoa religiosa. O conflito que ocorria na realidade era entre a ciência e as interpretações literais da Bíblia feitas pela Igreja Católica. Era contra isso que ele lutava. O argumento de Galileu era de que a Bíblia não tinha sido escrita como um livro científico, e sim buscando a nossa salvação. Consequentemente, foi escrita em uma linguagem que possa ser compreendida por pessoas comuns.

Ele apontava que mesmo os planetas não eram nomeados na Bíblia e que a maior parte do conteúdo do livro era dito em metáforas, não deveria ser considerada de forma literal. Ele insistia que a Bíblia não continha erros. O erro era nosso de interpretar de maneira literal.

Quando olhamos para os negacionistas da ciência hoje, vemos que as motivações são diferentes. Quero dizer, existem casos que são parecidos. Por exemplo, há nos Estados Unidos pessoas que insistem em ensinar o criacionismo na escola junto com a teoria da evolução de Darwin. Essas pessoas também são motivadas pela religião.

Porém, quando falamos sobre a negação das mudanças climáticas hoje ou olhamos para algumas das respostas iniciais à pandemia do covid-19, fica claro que essas ações são motivadas em grande parte por conservadorismo político. Estamos em um ano de eleição presidencial nos EUA e existe uma vontade de se satisfazer os apoiadores.

Então as motivações são diferentes, mas o efeito é o mesmo, porque significa que a ciência está sendo posta de lado e os conselhos gerados com base científica não estão sendo levados a sério.

BBC News Brasil – Em 1992, o papa João Paulo 2o finalmente reconheceu que a Igreja Católica errou ao condenar Galileu. Mesmo com um certo atraso, e considerando essas diferenças que o senhor acaba de apontar, isso indica que a religião está deixando de ser a principal força antagonista da ciência e esse papel está passando hoje definitivamente para o campo da política?

Livio – Sim, você está absolutamente certo. Recentemente, o papa Francisco declarou que nem o Big Bang nem a teoria da evolução de Darwin estão em conflito com a fé. Então acho que a Igreja Católica é muito menos negacionista hoje do que era antigamente.

Mesmo aquelas pessoas que, por causa da religião, querem ensinar o criacionismo nas aulas de ciência vão contra as declarações do próprio papa. A motivação religiosa do lado da Igreja é muito menos pronunciada hoje, e é muito mais por causa do conservadorismo político que vemos esse negacionismo.

BBC News Brasil – Por que é importante para líderes populistas como Trump e Bolsonaro confrontar a ciência e disseminar a desinformação dessa maneira?

Livio – Olha, eu gostaria muito de saber a resposta para essa pergunta. Trump quer ser reeleito e claramente tenta agradar sua base eleitoral. Imagino que ele acredite fortemente que seus seguidores compartilham visões semelhantes a essas. Ele também tem levado em consideração questões financeiras e de negócios acima de qualquer tipo de dilema moral ou mesmo, até certo ponto, da preservação de vidas humanas.

Eu não estou totalmente familiarizado com a evolução da covid-19 no Brasil, mas sei que vocês estão enfrentando graves problemas. Nos EUA, a resposta inicial do governo foi dizer: ‘Ah, estamos só com 15 casos agora e logo isso cairá zero. Não precisamos mudar muita coisa, estamos fazendo um bom trabalho’.

Claro que esse pensamento era completamente falso. Sabemos agora, de acordo com modelos matemáticos sérios, que se a resposta inicial tivesse sido mais rápida e clara, muitas vidas teriam sido salvas.

Neste momento, já tivemos no país uma resposta mais robusta para a pandemia, mas agora corremos o risco de uma reabertura apressada da economia. Não acredito que isso seja somente motivado pela necessidade de ajudar os trabalhadores americanos. Enquanto as pessoas não estiverem seguras o suficiente para retomar suas atividades, não importa muito se os negócios estarão abertos ou não. A população precisa se sentir segura para que isso dê certo.

O governo americano emitiu regras segundo as quais os negócios devem reabrir, mas ele não seguiu as próprias diretrizes. Quase 20 Estados começaram a reabrir num momento em que o número de casos estava crescendo constantemente ao longo de duas semanas inteiras.

Então a reeleição e os interesses das grandes corporações parecem ser mais importantes para essa administração do que seguir os conselhos ditados pela ciência, e acredito que algo parecido esteja acontecendo no Brasil neste momento.

BBC News Brasil – O negacionismo é maior hoje em dia do que era algumas décadas atrás?

Livio – Não acredito que esse número tenha aumentado. Uma pesquisa recente do Instituto Gallup mostrou que pouco mais de 30% dos americanos acreditam que os seres humanos foram criados há menos de dez mil anos. Esse dado ainda é incrivelmente alarmante, mas, por outro lado, essa porcentagem está em seu nível mais baixo da história. Então, não temos mais pessoas acreditando nisso do que antes e não acredito que existam mais negacionistas hoje do que em gerações anteriores.

O que acontece, porém, é que os negacionistas atualmente têm muito mais visibilidade. Estão, por exemplo, dentro do governo americano em um número muito maior do que em administrações anteriores. Espero que isso seja apenas uma moda passageira. Quero dizer, que isso seja menos uma ideologia de fato do que uma posição tomada puramente por conveniência política.

BBC News Brasil – Por se tratar de questões de saúde, esse negacionismo hoje acaba tendo um impacto muito mais forte do que na época de Galileu?

Livio – No tempo de Galileu, um dos principais conflitos entre ciência e religião envolvia o sistema de Copérnico, que dizia que todos os planetas, incluindo a Terra, giravam em torno do Sol, em oposição ao de Aristóteles, um sistema em que tudo girava em torno da Terra. A Terra como centro parecia melhor para a ortodoxia católica porque o ser humano estaria no centro da criação divina, numa visão antropocêntrica do universo.

Eu não sou epidemiologista nem médico. Sou astrofísico, então não finjo entender bem a ciência de uma pandemia. Mas, como cientista, sei analisar números. Acredito muito nos números.

Compare o caso dos EUA com o da Coreia do Sul, por exemplo. Olhei os números dos dois países até o dia 14 de maio. A Coreia do Sul tem uma população de 52 milhões de pessoas. Lá, eles tinham uma média de cinco mortes por milhão de habitantes até essa data. Nos EUA, que têm uma população de 322 milhões, a média nessa mesma data era de 264 por milhão.

Por que isso? O que os epidemiologistas me dizem é que desde o começo da pandemia na Coreia houve uma insistência para a criação de medidas de controle de contato físico e de isolamento de casos comprovados da doença, com rastreamento dos infectados. Por isso eles conseguiram controlar. Os EUA não fizeram praticamente nada até o início de março, então muito tempo foi perdido.

Isso é muito perturbador. No tempo de Galileu, claro que houve grandes consequências pessoais para ele devido aos que negavam suas descobertas. Ele ficou em prisão domiciliar durante oito anos e meio e seus livros foram proibidos. Hoje, no entanto, estamos falando de muitas vidas humanas.

É inacreditável que existam pessoas que arrisquem a vida de seus filhos por rejeitarem a aplicação de vacinas. Mesmo considerando a questão das mudanças climáticas, é uma coisa que afeta o futuro da vida na Terra. A vida não vai ser extinta por isso, mas um país como Bangladesh ou mesmo o estado da Flórida podem ficar debaixo d’água.

Nunca foi uma boa ideia apostar contra a ciência. Mas quando vidas humanas e o próprio futuro do planeta estão em jogo, essa aposta fica ainda mais injusta. Essa é uma lição importante que podemos aprender com o caso de Galileu.

BBC News Brasil – Galileu era uma figura complexa. Ele não era apenas versado em ciências, mas também se interessava por artes e era bastante religioso. Para alguns historiadores, a defesa de suas descobertas científicas era inclusive uma tentiva de ajudar a Igreja, impedindo que cometessem um erro ao interpretar a Bíblia de forma literal. Quanto de verdade há nisso?

Livio – Acredito que isso seja verdade. No livro Galileo and the Science Deniers, aponto que Galileu era uma pessoa complexa. Nem sempre era a pessoa mais agradável. Era muito solidário com os membros de sua própria família, mas podia ser bem cruel com os que discordassem dele.

Ele era um homem do Renascimento. Tinha grande interesse por música e era um ótimo tocador de alaúde. Sabia de cor passagens inteiras da obra de Dante, Ariosto e Tasso, e escreveu um ensaio sobre a poesia italiana. Também tinha muitos amigos pintores, como Artemisia Gentileschi.

Não podemos ser ingênuos, Galileu lutou primariamente por aquilo em que acreditava. Ele era muito honesto e acreditava estar o tempo todo certo, e que os outros estavam errados. Mas é verdade também que, ao assumir essa luta, ele pensou estar impedindo a Igreja de cometer um erro grave.

Ele tinha medo de que, se as pessoas interpretassem literamente a Bíblia, acreditariam, por exemplo, que o Sol em determinado momento parou sobre a cidade de Gibeão, como diz o livro de Josué. Como depois seria provado que é a Terra que gira em torno do Sol, as pessoas passariam a crer que havia erros na Bíblia. Galileu queria impedir que isso ocorresse apontando que a Bíblia não deveria ser lida de forma literal. Numa frase que ficou famosa, ele também disse não acreditar que o mesmo Deus que nos deu os sentidos, inteligência e raciocínio fosse nos proibir de usá-los.

BBC News Brasil – Em um dos últimos capítulos do livro, o senhor faz uma comparação entre as visões de Galileu e Einstein sobre religião. Pode falar sobre isso?

Livio – As posições de Galileu e Einstein sobre religião eram bastante diferentes. Galileu era religioso, mas sabia que a Bíblia não era um livro científico. Para ele, a religião tinha mais a ver com comportamento moral e ético.

Einstein, por outro lado, acreditava no Deus de Spinoza. Ele admirava e reverenciava a existência do Universo e das leis que o regiam. Essa era a sua religiosidade. Ele não acreditava em um Deus que interferia nos acontecimentos mundanos e recompensava ou castigava de acordo com o comportamento humano. Então, de certa forma, eles enxergavam a religião de formas opostas.

BBC News Brasil – No livro, o senhor menciona a importância da invenção da imprensa para a disseminação de descobertas científicas e, em determinado ponto, a compara à criação das mídias sociais. É irônico que hoje elas sejam usadas para informação e também para desinformação por meio de fake news?

Livio – Na realidade, não é muito diferente do que aconteceu com a invenção da imprensa. Se é verdade que a imprensa ajudou a difundir livros de ciência, literatura e poesia, mesmo naquela época as pessoas já imprimiam muitas obras que promoviam a desinformação. Claro que não tinham um alcance tão grande quanto a internet hoje, mas a semelhança existia.

A diferença é que, como a internet é tão acessível para todo mundo, essas teorias da conspiração acabam alimentando muito mais os negacionistas. Foi o que aconteceu, por exemplo, com histórias como a de que o coronavírus foi fabricado em um laboratório na China. Uma vez que a história foi divulgada, muitos começaram a repeti-la. O problema é que muito poucos acompanham quando a verdade sobre aquilo é revelada.

O mesmo aconteceu no caso das vacinas. Espalhou-se em certo ponto uma pesquisa científica errada que transmitia a ideia de que certas vacinas podiam causar autismo. Mais tarde, houve a admissão desse erro. Mas, como isso só aconteceu muito tempo depois, ainda há muitas pessoas que acreditam nisso até hoje.

É lamentável, mas não sei exatamente o que se pode fazer. As redes sociais criaram mecanismos para excluir conteúdo de ódio, mas é virtualmente impossível apagar tudo.

BBC News Brasil – Mesmo no tempo de Galileu, já era estabelecida a noção de que a Terra é redonda. No momento, temos um grupo de pessoas que acreditam que ela seja plana, os chamados terraplanistas. Isso representa um passo para trás?

Livio – Isso é algo quase inacreditável. Temos imagens da Terra vista do espaço. Do topo do monte Everest, é possível inclusive enxergar a curvatura da Terra. Então esse é um fenômeno que eu nem sei exatamente como descrever. Acredito que tenha a ver com pessoas querendo se sentir especiais, porque não consigo enxergar uma razão clara para existirem terraplanistas hoje em dia. Por sorte, eles não representam um grupo muito grande, mas um só que acredite nisso talvez seja gente demais.

BBC News Brasil – Para Galileu, era muito importante que toda descoberta científica fosse baseada em evidências. O negacionismo vem de uma falta de compreensão das evidências conseguidas pela ciência, que ainda hoje é distante do dia a dia da população em geral?

Livio – Acredito que o papel da ciência, em grande parte, é também fazer com que as descobertas e o conhecimento científico sejam conhecidos pelo público. Galileu era extremamente bom nisso. Ele escreveu a maioria de seus livros em italiano em vez de latim para que pessoas comuns fossem capazes de lê-los. Ele também enviou telescópios para toda a Europa, com instruções de uso, para que as pessoas pudessem ver com seus próprios olhos aquilo sobre o que ele escrevia.

Claro que há alguns ramos da ciência hoje que podem ser complexos demais e requerem um conhecimento muito detalhado de matemática, mas os conceitos gerais poderiam ser aprendidos por todos. Acredito que os telescópios espaciais, como o Hubble, fizeram um ótimo trabalho em criar imagens incríveis que todos podem apreciar mesmo sem entender completamente a ciência por trás delas.

BBC News Brasil – Essa é uma forma eficaz de lutar contra o negacionismo, explicar com mais afinco conceitos básicos para o público geral, eliminando muitas dessas ideias erradas?

Livio – Sim, e tem sido essa a minha intenção. Até o momento publiquei sete livros com apelo popular sobre ciência, todos voltados para pessoas comuns, que não são versadas em ciências.

BBC News Brasil – Esse problema tem ligação com um ponto que o senhor discute no livro, a respeito da separação entre as ciências e disciplinas de humanidades?

Livio – Sim, essa é uma separação que existe até hoje entre esses dois tópicos. Isso foi apontado pelo químico e escritor C. P. Snow em uma palestra e em seu livro Duas Culturas.

Segundo Snow, um grupo de literatos na Inglaterra, a partir da década de 1930, começou a denominar seus membros de intelectuais, ao mesmo tempo em que excluíam os cientistas desse grupo. Eles não perceberam que, enquanto reclamavam que cientistas não eram familiarizados com trabalhos da área de humanidades, eles mesmos desconheciam completamente o teor de trabalhos científicos.

Uma das coisas que tento fazer ao escrever livros de apelo popular é tentar reduzir um pouco essa distância entre as duas áreas de conhecimento. Galileu não teve esse problema, ele era um cientista e um humanista. Muitas pessoas do Renascimento, como Leonardo da Vinci, também eram assim.

Hoje acredito que esse fenômeno represente uma falha no sistema educacional, porque esse é o lugar onde deveríamos aprender que tanto as humanidades quanto as ciências fazem parte de uma única cultura humana. É preciso que todos conheçam ao menos o básico de ambas para que não continuemos vendo pessoas defendendo absurdos como a Terra plana.

Ao mesmo tempo em que todo mundo deve aprender sobre os trabalhos de Shakespeare, de poetas e artistas como Van Gogh, as pessoas também precisam entender as ciências, conhecer as leis da natureza às quais todo o universo deve obedecer. E, mais do que isso, entender a importância da ciência em nossas vidas. Para se ter uma ideia desse impacto da ciência, basta ver que a expectativa de vida na época de Galileu era aproximadamente a metade do que é hoje.

BBC News Brasil – Alguns defendem que colocar em dúvida conceitos científicos é uma questão de opinião, um exercício de liberdade de pensamento. O que o senhor responderia a isso?

Livio – Para ser honesto, acredito que seja um argumento bobo. Todos têm direito às suas opiniões, claro, mas não têm o direito de negar fatos comprovados. Isso é ingenuidade, não um exercício de liberdade de pensamento nem de expressão. Se você disser hoje que a Terra não gira em torno do Sol, isso não é liberdade de pensamento, já que é um fato que a Terra gira em torno do Sol.

A famosa filósofa Hannah Arendt escreveu um livro sobre as origens do totalitarismo. Nele, ela diz que o principal objetivo do totalitarismo não é convencer nazistas ou comunistas, mas sim aquelas pessoas para quem a distinção entre fato e ficção, verdade ou mentira, já não existe mais.

É uma afirmação muito poderosa, que fala sobre a importância dos fatos, aos quais só se chega por meio de uma observação experimental cuidadosa e paciente, analisando depois as informações conseguidas. Essa é a única maneira.

Hoje estamos vivendo algo que pode ser chamado de morte dos fatos, o que considero extremamente perigoso. Basicamente, a mensagem que nos chega de Galileu é: acredite na ciência. Acho que essa mensagem pode ser interessante também para o Brasil nas circunstâncias atuais.

*Por Leonardo Neiva

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*Fonte: bbc-brasil

O que sonhos eróticos realmente significam, segundo sexólogas

Não sei você, mas quando acordo, raramente lembro meus sonhos eróticos. É uma pena, porque meus parceiros de cama já disseram que costumo gemer e me contorcer dormindo. Falando cientificamente, geralmente temos sonhos eróticos durante o sono REM, a fase do sono ligado a sonhos vívidos – quando o fluxo sanguíneo aumenta nos genitais, o que provoca o tesão.

De muitas maneiras, sonhos ainda são um mistério. Não lembramos muito deles porque nosso cérebro não quer confundi-los com a realidade. Segundo a psicóloga e sexóloga Laura Duranti, a qualidade e conteúdo dos sonhos eróticos depende de quem você é e sua relação com a própria sexualidade. Duranti explicou que nosso cérebro não se separa completamente da realidade durante o sono, mas “integra estímulos internos que recebe”, como a temperatura, o quarto em que você está dormindo ou o que (ou quem) você está tocando.

A posição durante o sono também é importante. “Alguns estudos, como o de Calvin Kai-Ching Yu da Hong Kong Shue Yan University, sugere que dormir de barriga pra baixo encoraja sonhos eróticos”, disse Duranti. Dormir de barriga pra baixo restringe a respiração e coloca pressão nos genitais, basicamente lembrando ao cérebro as sensações durante o sexo.

Quando são intensos o suficiente, esses sonhos podem fazer algumas pessoas gozarem. Algumas mulheres relatam que não conseguem atingir o orgasmo na vida real, mas o experimentam (ou algo similar) em seus sonhos. “Elas podem ser fisicamente capazes de gozar, mas não encontram o estímulo que precisam na vida real, seja com masturbação ou de outra pessoa”, disse Duranti.

A psicóloga e sexóloga Marilena Iasevoli disse que sexo é “uma liberação de energia” tanto no mundo dos sonhos como na realidade. “Nos sonhos é mais fácil se livrar de inibições, e abordar suas necessidades e desejos sem o monitoramento do corpo ou pensamentos – ou do parceiro”, ela disse. Segundo Duranti, isso é especialmente verdade quando nossos sonhos são sobre fantasias que não podemos realizar na vida real – estando num relacionamento ou não.

“Sexo pode ser um jeito de relaxar, e pode compensar ou até reparar assuntos inacabados com um parceiro, um ex ou uma pessoa fora do casal”, disse Iasevoli. Mas também podemos ter sonhos eróticos com pessoas por quem não sentimos atração na vida real. É tentador acreditar que nossos sonhos sempre revelam desejos subconscientes que não estamos prontos pra aceitar, mas é mais provável ser uma questão não resolvida com alguém. Se recentemente você sonhou que estava transando com um amigo querido, alguém de quem você não gosta ou por quem não sentiria atração normalmente, “o sonho também pode representar um laço forte que você tem com essa pessoa, um talento que inveja nela, ou um lado feminino ou masculino dela de que você gostaria de se apropriar”, explicou Iasevoli.

Mas nossos sonhos nem sempre são tão desinibidos quanto gostaríamos. Duranti diz que inseguranças também podem surgir nos sonhos, especialmente pra quem experimenta um profundo bloqueio emocional com sua sexualidade, tem medo de perder poder ou de se soltar. As duas especialistas concordam que o único jeito de viver completamente suas fantasias é descobrir o que está causando o bloqueio na vida real.

É importante lembrar que sonhos eróticos nem sempre são uma expressão dos nossos desejos mais profundos e sombrios. Muitas vezes, é simplesmente o cérebro tentando tirar sentido do que experimentamos naquele dia. Filmes, personagens de um livro ou até músicas que evocam fantasias sexuais enquanto você dorme. Então, dá próxima vez que você sonhar que está se pegando com um alienígena sensual – deixa rolar. Pode não significar nada.

*Tradução do inglês por Marina Schnoor

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*Fonte: vice

Nós estamos cansados

Cobranças demasiadas, expectativas não alinhadas, vergonha de se mostrar vulnerável: o que está te distanciando do próprio eixo? Buscar essa resposta a partir de um mergulho profundo em si mesmo é um caminho para lidar com o estresse que tomou conta dos nossos dias

“Mais um dia, menos um dia”. Esse foi o lema que adotei como meu nas primeiras semanas de quarentena. A cada fim de tarde, imaginava que estava a menos um anoitecer de reencontrar as pessoas que amo e retomar a rotina que levava antes de tudo isso acontecer. Não que ela fosse perfeita, porque a gente sempre está aparando as arestas e isso é reflexo da nossa evolução. Mas, no geral, estava satisfeita.

Acontece que, depois de tanto tempo (já são mais de quatro meses sem sair de casa), percebi que colocar todo o meu foco no momento em que, finalmente, poderíamos nos dizer livres de pandemia não estava me deixando mais calma. Pelo contrário. Essa talvez tenha sido uma estratégia (ou uma fuga?) inconsciente para não precisar me debruçar sobre os meus próprios incômodos. Logo me percebi acumulando: trabalho, expectativas, emoções, frustrações. Não queria deixar a peteca cair, mas, depois, entendi que não é sobre mantê-la sempre no ar. É mais sobre reconhecer que, se eu canalizar toda a minha energia para cuidar da peteca, quem terminará no chão será eu mesma.

As causas também estão dentro da gente

Então, minha sugestão é que a gente busque identificar o porquê de tantos acúmulos. Será que são só as muitas demandas externas as responsáveis por isso? Refletindo sobre o trabalho, por exemplo, me deparei com um trecho de O caminho do artista (Sextante). Nele, a autora Julia Cameron diz que “embora já tenha sido reconhecida como um vício, a obsessão por trabalho ainda recebe certo apoio em nossa sociedade. A verdade é que frequentemente estamos trabalhando para evitar a nós mesmos, nossos cônjuges, nossos verdadeiros sentimentos”.

O livro foi publicado pela primeira vez em 1992, há quase três décadas, mas segue fazendo muito sentido. Sim, a sobrecarga existe e muitas empresas ainda estão descobrindo como se adaptar ao trabalho remoto, mas nós também temos a nossa parcela de responsabilidade ao não saber frear as demandas e limitar nossos espaços. E, talvez, essa dificuldade esteja justamente no fato de que, ao passar horas em frente ao computador, não precisamos ouvir os barulhos que moram dentro da gente ou desatar um nó que vai exigir boas doses de paciência e resiliência.

Muitas dicas são válidas para melhorar a nova relação com o ofício que desempenhamos: buscar um lugar confortável que não seja nossa cama, trocar de roupa ao acordar, fazer pequenas pausas ao longo do dia, cuidar da postura corporal, alimentar-se bem, exercitar-se na medida do possível, beber bastante água, meditar. Mas penso que, além de todas essas alterações práticas, a gente precisa alinhar outras questões um tanto mais subjetivas.

O problema pode estar na cobrança desmedida

O desequilíbrio não é só de atividades e tarefas, é também interno e, especialmente, hormonal. Quando algo não vai bem, o corpo percebe e responde. O estresse, por exemplo, que altera os níveis de cortisol e adrenalina, é uma resposta do nosso organismo à combinação das características do ambiente externo com as particularidades de cada um. É por isso que, mesmo que as condições sejam as mesmas, pessoas reagem de formas distintas aos acontecimentos.

Pode ser que você conheça alguém que esteja lidando muito bem com tudo isso – o que te deixa ainda mais aborrecido. Mas sentir muito não é sinal de fraqueza. Se suas emoções estão mais descompensadas e você está com dificuldade de equilibrar os pratinhos, não significa que não sabe reagir bem às dificuldades que surgem pelo caminho. Quem me explicou isso foi a psiquiatra Andressa Covolan. Ela me disse que o principal é a gente ir com calma.

“Costumo fazer uma analogia com meus pacientes. Em tempos pré-pandemia, quando colocávamos o celular para carregar, assim que o tirávamos da tomada, ele estava com a bateria cheia. Agora, ao tirarmos, por mais que tenha ficado um bom tempo ligado à fonte de energia, ele não ultrapassa os 60% da carga”, afirma a psiquiatra. “O mesmo acontece com o nosso corpo. É difícil restabelecer a mesma energia que tínhamos quando não precisávamos lidar com o que estamos enfrentando agora”, completa. Tem gente que consegue seguir sem muitas adaptações com essa carga reduzida, mas outros precisam de um pouco mais de tempo até se reajustarem.

Tempo de assimilação

De fato, nós sempre estamos suscetíveis a problemas e imprevistos – e os obstáculos fazem parte da vida de todo mundo. Mas é preciso entender que essa é a primeira vez que nossa geração vivencia algo dessa proporção. Não é um problema exclusivamente meu, seu ou dos nossos vizinhos. É de todos nós. E estamos, de alguma forma, reaprendendo a viver. Seja por concentrar todas as tarefas dentro de um mesmo ambiente, seja pelos novos cuidados de higiene, seja por precisar andar acompanhado de um novo acessório no rosto, seja pela ausência dos beijos e abraços, seja por ver nossos planos frustrados, seja por ter que se despedir de pessoas queridas… Tantas adaptações assim pedem um tempo de assimilação – e, vale lembrar, essa medida não é universal. Cada um encontrará a sua.

O que você espera fazer é possível de ser feito?

Outro ponto importante, me conta Andressa, é alinhar as expectativas. Por uma autocrítica exacerbada ou pelo excesso de comparação com a vida alheia, tentarmos ser bons em tudo e, frequentemente, não aceitamos menos do que o ideal de perfeição que preestabelecemos. Sabe aquela história do oito ou oitenta? Pois é. Assim, ao percebermos que o resultado final está distante do que esperávamos, ficamos frustrados e estressados.

Aqui, o segredo está em definir pequenas metas possíveis. Por exemplo, se você quer passar menos tempo conectado às redes sociais, uma mudança brusca pode não ser o melhor caminho. Se você passa cinco horas por dia com o celular na mão, experimente ficar quatro amanhã, três semana que vem, até chegar ao que considera ideal para você.

O mesmo vale se seu desejo é ter uma alimentação mais saudável. Comece fazendo alterações no cardápio de uma das refeições, como o almoço. Não adianta querer que, do dia para a noite, os preparos industrializados do freezer deem lugar aos orgânicos e frescos. Vá fazendo trocas graduais até que as novas práticas se tornem hábitos e estejam incorporados na rotina. Assim, fica mais fácil ser fiel a eles e não colocar tudo a perder na mesma rapidez com quem optou pela transformação.

Lembra-se da nossa conversa sobre trabalho? Aqui também é essencial que a gente redefina o conceito de produtividade. O canadense Chris Bailey, autor de Hiperfoco: Como Trabalhar Menos e Render Mais (Benvirá), afirma que ser produtivo é cumprir o que você se propôs a fazer – e não fazer tudo. Por vezes, a gente assume tarefas que não são nossas por um desejo inconsciente de dar conta de todas as demandas e, assim, mostrar valor. “A gente já faz coisas demais. Temos que aprender a ficar sem produzir nada”, reitera ele.

Seja vulnerável

Por fim, Andressa recomenda que a gente assuma a vulnerabilidade que nos habita. Não daremos conta de tudo, nem sempre acertaremos, deixaremos a desejar em alguns momentos. “É importante falarmos sobre isso com outras pessoas”, diz a médica. “Dá medo, vergonha, mas compartilhar as fraquezas é uma forma de nos fortalecermos, porque reconhecemos que há mais gente enfrentando as mesmas questões”, reconhece. Gosto muito de Super-herói de verdade, poema de Allan Dias Castro. Ele começa dizendo “as pessoas mais fortes não são as que fazem mais força para esconder suas fraquezas. São as que encontram na vulnerabilidade a sua maior defesa”. Está aí: assumir essa nossa condição é um caminho para reduzir a pressão que colocamos sobre nós mesmos.

Allan ainda convida: “vamos trocar essa cobrança de que a gente tem que ser forte o tempo inteiro e não engolir desaforo pelo superpoder de ser feliz de quem não engole o choro. Pra que a gente possa botar para fora tudo, tudo de bom que está aqui dentro, vem dessa leveza a força que é preciso. Ai, de vez em quando, sai até um sorriso”. Desejo que saiam muitos sorrisos de você.

*Por Nara Siqueira

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*Fonte: vidasimples

Você nunca vai agradar a todos. Aprenda a não ligar para isso

A verdadeira liberdade pode residir em conseguir ser feliz sem precisar da aprovação alheia

UM DOS LIVROS mais populares dos últimos anos no Japão reúne as conversas entre um jovem insatisfeito e um filósofo que lhe ensina, entre outras questões, a arte de não agradar aos outros. É um tema sensível numa cultura tão complacente como a nipônica, mas este compêndio de conversações entrou também nas listas de mais vendidos dos Estados Unidos, e no Brasil foi publicado como A Coragem de Não Agradar (Sextante).

O mestre é Ichiro Kishimi, especialista em filosofia ocidental e tradutor de Alfred Adler, um dos três gigantes da psicologia junto com Freud e Jung. E é justamente o pensamento de Adler que articula o diálogo com o jovem Fumitake Koga sobre como se emancipar da opinião alheia sem se sentir marginalizado por causa disso.

O debate socrático que eles mantêm ao longo das mais de 260 páginas do livro parte dessa ideia central: todos os problemas têm a ver com as relações interpessoais. Nas palavras do próprio Adler, “se as pessoas querem se livrar dos seus problemas, a única coisa que pode fazer é viver sozinhas no universo”. Como isso é impossível, sofremos por alguma destas razões ao nos relacionarmos com os outros:

– Sentimos um complexo de inferioridade em relação a quem “conseguido mais” do que nós.

– Sentimo-nos injustamente tratados por pessoas que amamos ou ajudamos e que não nos correspondem como esperamos.

– Tentamos desesperadamente agradar os outros para obtermos sua aprovação.

Este último ponto se transformou em um vício generalizado. Podemos vê-lo claramente nas redes sociais, onde publicamos posts procurando a aprovação dos outros na forma de curtidas e comentários. Quando uma foto ou uma reflexão importante para nós obtém poucas reações, podemos chegar a nos sentir ignorados. Também nas relações analógicas, muitos problemas interpessoais têm a mesma origem: não recebemos do outro o que acreditamos merecer. O fato de não nos agradecerem suficientemente por alguma delicadeza que fizemos, por exemplo, pode desatar o ressentimento e esfriar uma amizade.

Sob este desejo de concessões há uma ânsia de reconhecimento. Se o outro me agradecer, se apreciar o meu trabalho, se corresponder ao meu favor com um ato amável, então me sentirei reconhecido. Se isso não acontecer, interpreto como se eu não tivesse feito nada, como se não existisse para o outro. Essa visão é um poderoso gerador de problemas, já que as relações nunca são totalmente simétricas. Há pessoas que desfrutam dando, e outras que transmitem a impressão, mesmo que incorreta, de que não querem receber nada. Isso provoca muitos mal-entendidos, somado ao fato de que cada indivíduo tem uma forma diferente de expressar seu amor e gratidão. Há pessoas que verbalizam de maneira imediata e direta o que sentem por nós, e outras que nos apreciam igualmente, mas têm menos facilidade para expressar amor, ou o fazem de forma diferida, quando encontram o momento e lugar adequados.

Todas as opções são corretas, sempre que nos liberemos da ânsia por encontra uma compensação imediata e equitativa, como em um comércio no qual será preciso receber imediatamente pela mercadoria entregue.

Conforme afirma o professor Ichiro Kishimi, “quando uma relação interpessoal se alicerça na recompensa, há uma sensação interna que diz: ‘Eu lhe dei isto, então você tem que me devolver aquilo’”, o que é uma fonte inesgotável de conflitos.

Porque, além das diferentes maneiras de expressar afeto, encontraremos pessoas que simplesmente não nos entendem ou inclusive não gostam de nós. Fazer um drama por causa disso transformará nosso dia a dia em um terreno fértil para os desgostos. A verdadeira liberdade inclui não nos importarmos com o fato de algumas pessoas não irem com a nossa cara, porque estatisticamente é impossível agradar a todos. Deixar de nos preocupar com o que os outros acham de nós, especialmente os que não nos entendem, é o caminho para a serenidade.

“Quando desejamos tão intensamente que nos reconheçam, vivemos para satisfazer as expectativas dos outros”, afirma Ichiro Kishimi, e com isso já deixamos de ser livres. Não exigir contrapartidas e se permitir viver à sua maneira, dando-se inclusive o direito de não agradar, é algo que traz liberdade, paz mental e, afinal, melhores relações com demais.

Não leve para o pessoal

– Em Los Cuatro Acuerdos, célebre ensaio publicado em 1998 por Miguel Ruiz, a segunda lei diz: “Não leve nada para o lado pessoal”. O médico mexicano argumenta que para manter o equilíbrio emocional e mental não se pode dar importância ao que ocorre ao nosso redor, já que “quando você encara as coisas de forma pessoal, sente-se ofendido e reage defendendo suas crenças e criando conflitos. Faz uma montanha a partir de um grão de areia”.

– Deixar de lado a necessidade de ter razão. Parar de gastar energia em tentar convencer os outros, que têm suas próprias crenças, é profundamente libertador. Quem anda pelo mundo levando tudo para o lado pessoal vê inimigos por toda parte e nunca consegue ficar verdadeiramente tranquilo, já que sempre tem contas pendentes que circulam por sua mente, causando sofrimento.

– Segundo Miguel Ruiz, nada do que as outras pessoas fizerem ou disserem deveria nos fazer mal se assumimos o seguinte axioma: “Você nunca é responsável pelos atos de outros; só é responsável por si mesmo”.

*Por Francesc Miralles – é escritor e jornalista experiente em psicologia.

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*Fonte: elpais

O filósofo Alan Watts: “Por que a educação moderna é uma farsa”

Explore a visão de um filósofo lendário sobre como a sociedade falha em nos preparar para a educação e o progresso.

Um prolífico orador, escritor e filósofo, Alan Watts foi uma das primeiras figuras contemporâneas no início do século XX a levar a filosofia e o pensamento Zen Oriental a um grande público ocidental. Ele foi uma figura instrumental na revolução da contracultura dos anos 60 e continuou a escrever e filosofar até sua morte em 1973. Suas palestras e escritos hoje parecem estar vendo um ressurgimento da popularidade.

Com incontáveis horas de suas extensas palestras online, testadas na música dos sonhos do chillwave e na similaridade de sua voz, ele até aparece como um I.A avançado no filme Her, parece que Alan Watts ainda tem muito a nos dizer.

O conselho de Alan Watts sobre educação é mais presciente agora do que nunca

Em nossa era atual de ansiedade industrializada em massa, tanto estudantes quanto educadores estão trabalhando em horas mais extenuantes e improdutivas, enquanto, ao mesmo tempo, ainda estão com desempenho ruim quando comparados a sistemas educacionais mais relaxados e produtivos, como os da Escandinávia.

Aqui está um pronunciamento de Alan Watts que resume uma grande parte de sua perspectiva filosófica.

“Se a felicidade sempre depende de algo esperado no futuro, estamos perseguindo um fogo-fátuo que jamais alcançaremos, até o futuro, e nós mesmos desapareceremos no abismo da morte.”

Levando em conta algumas das filosofias de Watts, podemos mudar nossos pontos de vista sobre o tema da vida, aprendizagem e educação através de um ponto de vista mais inspirado e caprichoso.

O ciclo interminável da escola para nos preparar para o que está por vir

Para a grande maioria de nós, nossos primeiros anos de vida foram definidos pelas escalas sempre crescentes que progredimos, desde o ensino fundamental até o ensino médio e assim por diante. Estes eram os nossos símbolos internos de classificação e status à medida que avançávamos nas grandes mudanças biológicas e mentais de nossa vida, mudando de um degrau bem colocado para outro e seguindo as ordens de nosso professor, se quiséssemos acompanhar o caminho já estabelecido para nos tornarmos um membro de sucesso da sociedade.

Alan Watts achava essa ideia uma progressão estranha e antinatural de nossos primeiros anos de vida, e algo que indicava uma questão muito mais profunda em como vemos a natureza da mudança e da realidade. Watts diz:

“Vamos fazer a educação. Que farsa. Você tem uma criança, você vê, e você a coloca em uma armadilha e a envia para a creche. E na creche, você diz à criança: ‘Você está se preparando para ir adiante. E então vem o primeiro grau, e segundo, e terceiro grau ‘. Você está gradualmente subindo a escada em direção ao progresso, e então, quando chega ao final dessa etapa, você diz: ‘agora você está realmente indo em frente’. Certo? Errado.”

Quer conscientemente reconheçamos isso ou não, essa natureza progressiva e expectante da realidade que fomentamos durante nossos anos de escola é algo que se torna um tecido inegável da maneira como vivemos e pensamos. Ela fica conosco toda a nossa vida.

Estamos constantemente avançando para uma meta que está fora de alcance – nunca no agora, sempre mais tarde, ou depois disso ou daquilo que foi alcançado.

Watts acreditava que essa mesma lógica se aplica a nós quando deixamos o sistema escolar em camadas. Ele continua dizendo:

“Mas na direção dos negócios, você vai sair para o mundo e ter a sua pasta e seu diploma. E então você vai para sua primeira reunião de vendas, e eles dizem ‘Agora saia e venda essas coisas’, porque então você está subindo a escala nos negócios, e talvez você consiga uma boa posição, e você a vende e aumenta sua cota.

“E então, por volta dos 45 anos, você acorda certa manhã como vice-presidente da empresa e diz para si mesmo olhando no espelho: ‘Eu cheguei. Mas me sinto um pouco enganado porque eu sinto o mesmo que sempre senti…’”

Já cheguei?

Aqui, Alan Watts aborda um pouco da filosofia budista clássica – a ideia de que realmente não há de fato nada para se esforçar e desejar. Watts vincula esse aspecto ao desejo de superação do sistema educacional que penetra em nossas vidas profissionais. Este é um exemplo do enfado interminável da busca materialista de alguma forma ou de outra.

Alan Watts continua dizendo:

“Alguma coisa está faltando. Eu não tenho mais um futuro.” “Uh uh” diz o vendedor de seguros: “Eu tenho um futuro para você. Esta apólice permitirá que você se aposente confortavelmente aos 65 anos, e você será capaz de esperar por isso.” E você está encantado, e você compra a apólice e, aos 65 anos, se aposenta pensando que essa é a realização do objetivo da vida, exceto que você tem problemas de próstata, dentes falsos e pele enrugada.

“E você é um materialista. Você é um fantasma, você é um abstracionista, você não está em nenhum lugar, porque nunca lhe disseram, e nunca percebeu que a eternidade é agora.”

Agora, ao invés de cair em um niilismo passivo (que é onde o pensamento budista pode levar), Alan Watts, ao contrário, argumenta por estar dentro do aqui e agora. Aprenda por aprender! A eternidade é agora … isto é, tornar-se parte integral do processo – seja o que for – e não se concentrar em um objetivo final sempre ilusório.

Não nos amarrarmos ao resultado final é algo que a maioria das pessoas nunca entenderá porque é contra-intuitivo. Este ideal foi um foco central da filosofia de Alan Watts.

No capítulo de abertura de seu livro The Wisdom of Insecurity, ele cunhou o termo “lei reversa”, da qual ele diz:

“Quando você tenta ficar na superfície da água, você afunda; mas quando você tenta afundar você flutua.”

Este koan dele ilustra que quando colocamos muita pressão em nós mesmos para encontrar algum ideal ou objetivo no futuro espectral, nós diminuímos o processo de trabalho em questão. Isso nunca será alcançado porque o que precisa ser feito não é nosso foco central.

Por outro lado, por estar completamente envolvido no presente, essas metas ilusórias no futuro poderiam um dia vir a ser concretizadas. É aí que o conceito fica confuso para alguns.

Mas isso pode ser resumido da seguinte maneira: não olhar para o futuro irá prepará-lo para isso.

Um sistema falho desde o início

Alan Watts comparou a educação compulsória ao sistema penal.

Alan Watts sentia que o sistema educacional falhava conosco, da mesma forma que nos preparava para esperar pelo resto de nossas vidas. Uma versão idealizada que ele inventou em sua cabeça sobre a aparência de uma grande educação educacional pode ser extraída dessa passagem:

“Quando trazemos crianças para o mundo, jogamos jogos terríveis com elas. Em vez de dizer: ‘Como você está? Bem-vindo à raça humana. Agora, meu querido, estamos jogando alguns jogos muito complicados, e essas são as regras de o jogo que estamos jogando, eu quero que você os entenda, e quando você os aprender quando ficar um pouco mais velho, você poderá pensar em algumas regras melhores, mas, por enquanto, quero que você jogue segundo nossas regras.

“Em vez de sermos diretos com nossos filhos, dizemos: ‘Você está aqui em liberdade condicional, e você deve entender isso. Talvez, quando crescer um pouco, você seja aceitável, mas até então você deve ser visto e não ouvido. Você é uma porcaria, e você tem que ser educado e instruído até que você seja humano. ‘”

Ele chegou a comparar o sistema educacional compulsório com fortes ressonâncias religiosas.

“‘Olhe, você está aqui sofrendo. Você está em liberdade condicional. Você ainda não é um ser humano.’ Então, as pessoas sentem isso bem na velhice e imaginam que o universo é presidido por esse terrível Deus-pai ”.

Muito disso ainda ressoa conosco hoje. Os sábios conselhos de Alan Watts sobre educação podem ser a coisa que precisamos rever se quisermos escapar da realidade monótona da educação moderna.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

A arrogância te fortalece por um dia, humildade para sempre

A arrogância geralmente está ligada a pessoas de caráter forte, seguras de si mesmas, com controle cênico e bom manejo de situações. No entanto, por trás de toda pessoa arrogante, há uma falta de humildade, um grande complexo de inferioridade, que se traduz na necessidade de mostrar a si e aos outros que alguém é superior ao resto.

A humildade é uma das melhores condições do ser humano, por isso não demonstramos fraqueza, rendição ou submissão, simplesmente mostramos nossa natureza humana na expressão mais simples, através do reconhecimento de nossas limitações, de nossos erros, de oportunidades de crescimento e melhoria …

Saber que você não sabe, isso é humildade. Pensar que você sabe o que não sabe, isso é doença. – Lao Tsé

Sendo humildes, somos capazes de apreciar os outros sem inveja, sem ressentimento, somos capazes de aprimorar as virtudes e características positivas dos outros sem nos sentirmos intimidados ou desconfortáveis.
Pelo contrário, a arrogância limita a visão que podemos ter dos outros, enquanto pensamos que ninguém pode fazer melhor do que nós ou que ninguém sabe mais do que nós, simplesmente sentimos falta das coisas que são colocadas em nossos narizes. aprender, complementar nosso conhecimento, ver outras visões de mundo e nos tornar pessoas melhores, com a devida aceitação das pessoas que fazem parte ou que de uma maneira ou de outra afetam nossas vidas.

Onde houver orgulho, haverá ignorância; mas onde houver humildade, haverá sabedoria. – Salomão

Se é verdade que existem muitas pessoas autoconscientes de suas habilidades, conhecimentos, físico ou qualquer aspecto que as caracterize, e elas podem, sozinhas, por causa de sua insegurança, sentirem-se desconfortáveis ​​por qualquer pessoa que considerem ameaçadora e que não É necessário que você encontre alguém arrogante para se sentir desconfortável, também é verdade que a arrogância nos torna seres amargos e gera rejeição nas pessoas ao nosso redor, mesmo quando elas têm sua auto-estima e autoconfiança bem plantadas.

A humildade nos torna grandes, livres, flexíveis e fortes … A humildade é um dom, é cultivada com nossas ações, com nossa percepção da vida, com maturidade, quanto maior for o espírito, mais humildes seremos, mais conscientes de que todos fazemos parte do mesmo, que estamos aqui para aprender individual e coletivamente através de diferentes experiências.

Viver sem apreciar a bondade dos outros, com a arrogância que caracteriza os donos da verdade é uma limitação real, essas pessoas geralmente vivem tentando ou fingindo ser melhores que os outros, em vez de se esforçar para ser a melhor versão de si mesmas.

“Quanto maior a humildade, mais próximos estamos da grandeza” – Rabindranath Tagore

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*Fonte:

Não é o isolamento social que afasta as pessoas. É a indiferença.

São dias difíceis. Sabemos disso. O contato físico está restrito, as demonstrações de afeto precisam ser feitas a distancia e a saudade é o sentimento mais comentado nos últimos meses. Atitudes, aliás, necessárias para conter uma pandemia gravíssima que tomou conta do mundo. O problema é que muitos estão confundindo isolamento social com indiferença e insistido em relacionamentos amorosos que já acabaram há tempos.

Embora a “nova vida” exija novos comportamentos, ser indiferente não é um deles. O fato de estarmos isolados não justifica atitudes frias e apáticas uns com os outros. Já falei isso em outro momento, mas acho oportuno repetir: distância, falta de dinheiro ou aparência não diminuem sentimentos. O que diminui sentimento é a indiferença e a falta de respeito.

Ouso dizer que muitas pessoas aproveitaram esse isolamento social para “sumirem do mapa” jogando a culpa na distância, no vírus e no governo quando na verdade não queriam continuar o relacionamento e não tiveram coragem de terminar. Temos aqui um grande problema: por um lado estão aqueles que se afastaram por opção, mesmo sabendo que poderiam dizer que não queriam continuar a relação e, por outro, temos os que sofrem sem entender o motivo que levou o parceiro a se afastar.

A verdade é que no fundo, bem lá no fundo, sabemos que não é o isolamento social nem a distância que separa as pessoas. É a indiferença, é o descaso, é o tanto faz. Porque como disse Érico Veríssimo: o oposto do amor não é o ódio e sim a indiferença. Mas, frágeis que somos fingimos não acreditar na razão e buscamos desculpas que justifiquem o comportamento alheio.

Entenda que não importa o motivo que fez o outro se afastar, o que importa é como será daqui em diante.

A indiferença dói. Talvez pelo fato de estar associada à insensibilidade e ao desapego, características contrárias às atitudes naturais humanas, a indiferença fere muito e deixa marcas profundas na alma.

Dói saber que o outro cansou, que desistiu, que não nos ama mais. Dói saber que os planos não sairão do papel, que o casamento acabou e que a rotina irá mudar. Claro que dói! A boa notícia é que isso passa e o que parece ser o fim agora é o recomeço de uma nova história.

Então, permita-se viver o novo. Supere o término, seja grato pelo relacionamento e seja livre de sentimentos pesados como a culpa, o medo ou a rejeição. A vida costuma nos surpreender quando estamos com a alma leve e dispostos a viver o inesperado.

*Por Pamela Comocardi

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*Fonte: contioutra

Não tente ser o melhor, apenas seja “bom o suficiente”

Não tente ser o melhor, apenas seja “bom o suficiente”! Colocar demandas impossíveis de nos destacarmos apenas causa estresse e infelicidade!

Você pode optar por cancelar a busca pelo melhor em favor de uma busca por ser bom o suficiente.

Se você estiver cursando um curso universitário, projeto de trabalho ou relacionamento com a intenção de ser o melhor aluno, trabalhador ou parceiro do mundo, considere meu novo herói, Sir Robert Alexander Watson-Watt.

Ele é meu novo herói por causa de sua teoria da imperfeição, que resumiu como:

“Dê a eles o terceiro melhor para continuar; o segundo melhor chega tarde demais, e o melhor nunca chega. ”

Não é o tipo de afirmação que você deve fazer em uma entrevista de emprego – lá, você deve apenas concordar com a fantasia de que todos na sala, incluindo você, são perfeitos.

Mas não é um mau princípio trabalhar com isso.

Watson-Watt foi pioneiro na tecnologia de radar e rádio, particularmente para rastrear aviões inimigos que atacavam a Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial. Seu trabalho ajudou a RAF a vencer a Batalha da Grã-Bretanha e também ajudou a pôr fim ao massacre noturno dos inocentes conhecidos como Blitz.

Se ele estivesse lá, insistindo em encontrar a melhor solução para o problema de detectar aviões inimigos, muitos milhares de vidas, pelo menos, poderiam ter sido perdidas.

Ele teve uma carreira distinta após a guerra. Se você queria um anúncio para o que ele chamou de “o culto do imperfeito”, ele é.

Isso não é um culto à negligência ou à falta de cuidado. É uma questão de não permitir que a melhor busca te impeça de fazer o que você pode fazer nas circunstâncias que se encontra.

Muitos projetos ficam inacabados na busca interminável pela busca constante pelo melhor.

William Babbage, que projetou, mas nunca construiu o que poderia ter sido o primeiro computador há quase 200 anos, desperdiçou uma grande subvenção do governo fazendo infinitas melhorias em uma máquina de calcular anterior que ele nunca terminou. O pobre Babbage disse mais tarde que nunca teve um dia feliz em sua vida. A busca pelo melhor não o fez muito bem.

Depois, há o conceito de “parentalidade boa o suficiente” apresentado pelo psicanalista pioneiro DW Winnicott. Ele acreditava que pais perfeitos seriam ruins para uma criança, cujo desenvolvimento psicológico e emocional seria sufocado. É por isso que é tão triste ver os pais se espancando por não serem perfeitos – seus filhos não estão buscando a perfeição e acabariam se sentindo intimidados por ela.

E que pai ou mãe tem tempo para descobrir a melhor resposta às necessidades da criança? Entrar rapidamente e aplicar a primeira solução disponível geralmente é o melhor possível.

Fonte de infelicidade

Colocar demandas impossíveis sobre nós mesmos há muito tempo é identificado pelos psicólogos, desde Freud, como uma fonte de infelicidade.

Se você está muito estressado como trabalhador, estudante, pai ou filho, esse estresse pode, é claro, ser causado por demandas impossíveis daqueles que estão na autoridade. Mas também pode ser causado por demandas impossíveis impostas a si mesmo.

Se o último for o culpado, você pode optar por cancelar a busca pelo melhor em favor de uma busca pelo bom o suficiente.

Curiosamente, isso não significa padrões ruins. Para dar um exemplo do jornalismo, muitas, talvez a maioria das melhores notícias que você lê são escritas com um padrão “bom o suficiente”. Ninguém tem tempo para escrever a melhor história que poderia ser escrita – isso se chama história.

No entanto, o trabalho “bom o suficiente” dos jornalistas deve atender aos exigentes padrões de precisão, prova de difamação e estilo – se não o fizerem, as consequências podem ser dolorosas, como sabemos.

Quando as pessoas – como o infeliz Babbage – começam a refletir sobre suas vidas até o momento, podem concluir sombriamente que as coisas não saíram tão bem quanto poderiam.

E adivinha? Eles estão certos: em nosso mundo aleatório cercado por numerosas forças conflitantes, uma vida não pode sair tão bem quanto poderia ser.

O mesmo se aplica aos seus projetos, tarefas (se você é estudante), casamento, filhos, pais e tudo mais.

Deixe uma margem para erro e relaxe.

E lembre-se de Robert Alexander Watson-Watt e sua terceira melhor regra.

 

*Por Padraig O’Morain
– Padraig O’Morain (@PadraigOMorain) é credenciado pela Associação Irlandesa de Aconselhamento e Psicoterapia . Seu último livro é Kindfulness. Seu lembrete diário de atenção plena é gratuito por e-mail (pomorain@yahoo.com)

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*Fonte: seuamigoguru

A ansiedade dos excessos

Como descobrir o que é essencial para cada um de nós pode abrir caminhos para uma vida menos ansiosa e com mais propósito

Quando pequena, gostava muito dos jogos de tabuleiro. Sentava com minha mãe no chão da sala e, por alguns deliciosos momentos, entrávamos em um universo paralelo comandado pela nossa imaginação. Ao fim da brincadeira, era hora de partir para outra atividade. Tenho a sensação de que perdemos um pouco dessa noção de uma coisa por vez, de começo e final. O tudo-aqui-e-agora, a um clique de distância, nos colocou em uma zona agitada de excessos.

Isso lembrou-me de uma fala do escritor Greg McKeown. No livro Essencialismo (Sextante), ele afirma que nossa maior prioridade é proteger a capacidade de priorizar. Se todas as coisas se tornam urgentes, perdemos a noção do que é realmente importante. À medida que ocupamos nossos dias – e nossa mente – com tarefas diversas, sem qualquer ordem para executá-las, assumimos mais o papel de apagador de incêndios do que o de protagonista da própria vida. Assim, o sol se põe e estamos exaustos, mas, ao mesmo tempo, carregamos a sensação de não ter conseguido finalizar tarefa alguma – e isso funciona como um gatilho para a ansiedade.

Gosto da analogia do supermercado que me foi apresentada pela psicóloga Jéssica Barbosa. Imagine que você tem uma tarde livre para andar pelos muitos corredores de um supermercado. Decide, então, gastar seu tempo enchendo o carrinho sem muito critério: conforme enxerga algo que o agrade, pega para si. Ao chegar em casa com as sacolas abarrotadas, percebe que, com os produtos escolhidos, não é possível fazer nenhuma receita. Os ingredientes não têm relação entre si. Os armários ficam cheios, mas sua fome não é saciada.

Quando os excessos escondem ausências

Ao andar lado a lado, essas sensações de sobrecarga e de improdutividade, que, a princípio, pareciam excludentes, despertam sentimentos como angústia e irritação. “Sabemos que algo está errado, mas é difícil identificar exatamente o que está acontecendo para nos sentirmos assim. Daí, vem a inquietação”, afirma Jéssica.

E como lidar com esse incômodo interno? Greg McKeown sugere um começo: buscar aquilo que é essencial. Para ele, uma pessoa essencialista rejeita a ideia de dar conta de tudo. Ela sabe que, para realizar aquilo que quer, precisa abrir mão de outras ofertas. É mais ou menos como entrar no supermercado com uma lista de compras e evitar passar pelos corredores que não fazem parte do roteiro, uma vez que você não precisa de nada do que está lá – mesmo que sejam alimentos muito apetitosos.

Saiba escolher

Se trouxermos essa visão para a realidade que enfrentamos hoje, de uma pandemia assolando o mundo sem tantas perspectivas de melhora, fica mais fácil perceber que, mesmo que nossas opções sejam limitadas, como no que diz respeito aos espaços físicos nos quais podemos transitar, ainda assim é preciso fazer escolhas. Não é saudável aceitar todos os acúmulos porque, de alguma forma, há uma espécie de caos instalado do lado de fora.

Essas escolhas passam, primeiro, por uma observação sincera de quem você é e o que deseja. Tente listar tudo aquilo que é importante para você. Não precisa ser nada grandioso, foque nas simplicidades. Por vezes, tomar um banho bem quente e em silêncio é que o te reconforta. Ou fazer uma pausa no meio da tarde para um café com bolo. Ou ainda reservar trinta minutos por dia para estudar. Enfim, não há respostas certas ou erradas, mas aquilo que ressoa em você.

Depois, no mesmo papel, faça uma coluna ao lado com todas as atividades que estão pendentes. Agora, é hora de cruzar as informações: dentro daquilo que precisa ser feito, o que é realmente importante? “Esse exercício faz com que a gente perceba a quantidade de tempo que gastamos com coisas que não fazem o menor sentido para os anseios da nossa essência”, revela a psicóloga. “Por isso, ficamos tão ansiosos. Porque estamos distantes do que verdadeiramente nos alimenta. Cumprimos obrigações dia após dia, mas, na completa ausência de um porquê, a felicidade se esvai e tudo fica mais nebuloso – dentro e fora da gente”, termina.

Você não é o que você faz

A segunda parte do exercício é aprender a postergar. Deixar para depois nem sempre é sinônimo de uma procrastinação patológica. Pelo contrário, é também sinal de que você está alinhado com suas prioridades. Se não deu para lavar os banheiros hoje porque está na hora da sua novela favorita, lave amanhã. Se o livro que pegou para ler estava tão bacana que você nem se deu conta do horário, peça um delivery para jantar ao invés de ir para a cozinha. Faça escolhas conscientes dentro das suas possibilidades.

Um outro passo é o do desapego das tarefas. Se for possível delegar para alguém que está mais tranquilo e pode fazer isso por você, por que não? Abrir mão de determinadas atividades pode nos trazer um desconforto quando acreditamos que nosso valor está diretamente relacionado ao cumprimento delas. É como se, ao deixar que outra pessoa as faça, perdêssemos aquilo que nos tornava necessários para os outros. Nestes casos, é importante procurarmos também por ajuda profissional para lidar com as inseguranças que tornam a nossa autoestima e a percepção que temos de nós mesmos dependente do quanto somos capazes de fazer, produzir ou ofertar.

Ao encontro do propósito

Por fim, Greg McKeown defende que uma boa estratégia contra a ansiedade é a disciplina. Se, todos os dias, você olhar para essa lista de prioridades e buscar segui-la, mesmo que no dia anterior tudo tenha saído do eixo, terá a percepção de que está dedicando seu tempo àquilo que lhe é verdadeiramente útil, ao seu propósito. Aquela sensação de terminar o dia exausto, mas com um vazio no peito, tomará outro rumo para não mais te atormentar. Porque não se trata só de dizer não ao que não importa, mas de se dedicar rotineiramente ao que faz sentido. Essa é a busca pelo seu porquê.

Equilíbrio pela natureza

Além do acompanhamento com um profissional da saúde, outros auxílios externos são de grande valia para os momentos em que percebemos que está difícil recuperar o equilíbrio sozinhos. E, muitas vezes, eles podem ser encontrados na natureza. No século XVIII, o escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, em uma viagem à Itália, trouxe à luz o conceito da planta primordial, uma entidade espiritual, que não pode ser encontrada em nenhum lugar do mundo físico, presente em cada planta. Esse olhar diz respeito a uma dinâmica de forças que existem nos vegetais para além das características que podemos enxergar.

O conceito inspirou o filósofo Rudolf Joseph Lorenz Steiner na criação da antroposofia, uma ciência espiritual moderna, que acredita que os seres humanos compartilham semelhanças com os outros seres do reino mineral, animal e vegetal. É por isso que a interação com a natureza é capaz de nos trazer de volta ao nosso próprio eixo. Quem me explicou isso foi Rodolfo Schleier, especialista técnico-científico da Weleda, marca de cosméticos e medicamentos naturais que tem Steiner como fundador filosófico.

Para acalmar a ansiedade

Um dos gêneros de plantas que a Weleda utiliza em suas formulações é o Bryophyllum, que, na visão antroposófica, está relacionado à energia vital, aquela que reúne as forças responsáveis por todo o princípio da vida. “No nosso corpo, ela estimula os processos de vitalidade e regeneração, seja físico ou mental. Esse reequilíbrio energético faz com que seja possível tratar sintomas como angústia, ansiedade e irritação de maneira natural e orgânica”, diz Rodolfo.

Foi assim que a Weleda criou o Bryophyllum Argento cultum*, um ansiolítico com ingredientes naturais. No entanto, até que o medicamento possa ser consumido, os vegetais são cultivados por três anos em terra enriquecida com prata, um metal capaz de refletir luz. “Nosso cérebro é a imagem viva da prata”, conta Rodolfo. “Ele consegue captar as sensações que nos são externas e refleti-las no corpo”, continua. Ao unir as potencialidades que habitam nos vegetais e minerais, nosso corpo tem um reencontro com sua própria natureza e consegue se recuperar do que está descompensado. Lembre-se de que é muito importante sempre conversar com seu médico e farmacêutico antes de consumir qualquer medicamento.

*Por Nara Siqueira
Esse conteúdo foi produzido pela Vida Simples em parceria com a Weleda.

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*Fonte:

A lei da atração funciona assim: você não atrai o que você quer, você atrai o que você é

Quem nós pensamos que somos está intimamente ligado a como nos consideramos tratados pelos outros. Muitas pessoas se queixam de que não recebem um tratamento bom o bastante.

“Não me tratam com respeito, atenção, reconhecimento, consideração. Tratam-me como se eu não tivesse valor”, elas dizem.

Quando o tratamento é bondoso, elas suspeitam de motivos ocultos. “Os outros querem me manipular, levar vantagem sobre mim. Ninguém me ama.”

Quem elas pensam que são é isto: “Sou um pequeno eu’ carente cujas necessidades não estão sendo satisfeitas.” Esse erro básico de percepção de quem elas são cria um distúrbio em todos os seus relacionamentos. Esses indivíduos acreditam que não têm nada a dar e que o mundo ou os outros estão ocultando delas aquilo de que precisam.

Toda a sua realidade se baseia num sentido ilusório de quem elas são. Isso sabota situações, prejudica todos os relacionamentos. Se o pensamento de falta – seja de dinheiro, reconhecimento ou amor – se tornou parte de quem pensamos que somos, sempre experimentaremos a falta. Em vez de reconhecermos o que já há de bom na nossa vida, tudo o que vemos é carência. Detectarmos o que existe de positivo na nossa vida é a base de toda a abundância.

O fato é o seguinte: seja o que for que nós pensemos que o mundo está nos tirando é isso que estamos tirando do mundo. Agimos assim porque no fundo acreditamos que somos pequenos e que não temos nada a dar.

Se esse for o seu caso, experimente fazer o seguinte por duas semanas e veja como sua realidade mudará: dê às pessoas qualquer coisa que você pense que elas estão lhe negando – elogios, apreço, ajuda, atenção, etc. Você não tem isso? Aja exatamente como se tivesse e tudo isso surgirá.

Logo depois que você começar a dar, passará a receber. Ninguém pode ganhar o que não dá. O fluxo de entrada determina o fluxo de saída. Seja o que for que você acredite que o mundo não está lhe concedendo você já possui. Contudo, a menos que permita que isso flua para fora de você, nem mesmo saberá que tem. Isso inclui a abundância. A lei segundo a qual o fluxo de saída determina o fluxo de entrada é expressa por Jesus nesta imagem marcante: “Dai, e dar-se-vos-á.

Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada, sacudida e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também.” A fonte de toda a abundância não está fora de você. Ela é parte de quem você é. Entretanto, comece por admitir e reconhecê-la exteriormente. Veja a plenitude da vida ao seu redor. O calor do sol sobre sua pele, a exibição de flores magníficas num quiosque de plantas, o sabor de uma fruta suculenta, a sensação no corpo de toda a força da chuva que cai do céu.

A plenitude da vida está presente a cada passo. Seu reconhecimento desperta a abundância interior adormecida. Então permita que ela flua para fora. Só fato de você sorrir para um estranho já promove uma mínima saída de energia. Você se torna um doador. Pergunte-se com frequência: “O que posso dar neste caso?

Como posso prestar um serviço a esta pessoa nesta situação? Você não precisa ser dono de nada para perceber que tem abundância. Porém, se sentir com frequência que a possui, é quase certo que as coisas comecem a acontecer na sua vida. Ela só chega para aqueles que já a têm.

Parece um tanto injusto, mas é claro que não é. É uma lei universal. Tanto a fartura quanto a escassez são estados interiores que se manifestam como nossa realidade. Jesus fala sobre isso da seguinte maneira: “Pois, ao que tem, se lhe dará; e ao que não tem, se lhe tirará até o que não tem.”

(Eckhart Tolle)

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*Fonte: asomadetodososafetos

A felicidade mora nas relações

Os laços que mantemos com os amigos, a família e a comunidade nos tornam mais alegres e saudáveis. A psicóloga canadense Susan Pinker estuda o poder das conexões sociais sobre nós

Encontrar os amigos com regularidade, estar perto da família ou mesmo cultivar breves conversas com o vizinho enquanto levamos o cachorro para passear pode nos trazer mais alegria e mais saúde do que a gente imagina. Na conversa com a psicóloga canadense Susan Pinker sobre o poder que as conexões sociais têm de nos trazer pertencimento e qualidade de vida não há como não se impressionar; isolamento social, ela me diz, é mais perigoso que fumar, ser hipertenso ou nunca praticar atividade física.

Em época de tanta conectividade — afinal, o WhatsApp apita a todo instante, no Instagram curtimos e seguimos a vida de tanta gente —, ela diz que uma conversa olho no olho ainda é essencial. Um abraço, insubstituível. Depois de anos de pesquisa, inclusive nos vilarejos da Sardenha, cheios de pessoas centenárias, Susan colocou no papel todas essas descobertas e publicou The Village Effect: Why Face to Face Contact Matters, ainda sem tradução no Brasil. Ela esteve por aqui para divulgar essas ideias a convide do Fronteiras do Pensamento e também tem viajado o mundo para falar que o que mais importa são mesmo as relações.

Entrevista com Suzana Pinker

Você diz que isolamento social é um problema de saúde. Desde quando isso tem acontecido?

Isolamento social sempre foi um problema porque homens são animais feitos para se desenvolverem e conviverem juntos. Há 10 mil anos vivemos em grupos, e a pior punição possível é Excluir um dos membros. Ainda hoje, quando uma turma quer fazer alguém sofrer, ela o exclui. Nas escolas, não sentam na mesma mesa. Então a exclusão afeta nosso corpo, nosso cérebro, e, agora, vivemos um momento em que as pessoas estão vivendo muito mais sozinhas que 40 anos atrás. Seja por trabalho, seja por estudo, mais gente tem se visto só. E isso influencia nosso risco de estresse e até de ter depressão.

Viver só faz mal à saúde em muitos aspectos?

Sim. Ao longo dos anos essa solidão traz um impacto à saúde. Por exemplo, se você se sente sozinha ou vive sozinha, ou passa muito tempo só, você tem 30% mais chances de morrer em comparação com pessoas com uma vida social ativa. É mais perigoso estar isolado e se sentir sozinho que fumar diariamente um maço de cigarros, ou nunca praticar atividade física. Ou mesmo que ter hipertensão e não tomar remédios. Pessoas que se comprometem a estar com outras aumentam sua expectativa de vida.

De que tipo de relações estamos falando: vizinhos, família, amigos…?

Dois tipos diferentes: seus amigos próximos e família, e pessoas da comunidade. É preciso ter ao menos três pessoas com as quais podemos contar em momentos difíceis, pessoas para quem você pode ligar pedindo ajuda. Essa era a média nos anos 1980, por exemplo; hoje, são duas ou menos. Estamos nos tornando mais solitários. Uma coisa que me surpreendeu é que precisamos de pessoas que achamos não precisar. Conversas com a vizinhança enquanto leva seu cachorro para passear, ou com colegas da igreja, do trabalho voluntário, do time de futebol também são muito importantes. Ter contato com uma diversidade de pessoas é muito benéfico.

E quando a internet é a única forma de comunicação entre amigos que moram longe? Ela não é importante?

Ela é bem importante, e é um jeito de manter o relacionamento vivo até que se possa ver a pessoa novamente. Então você tem essas pessoas, você as conhece. Você não está conversando com estranhos. Vocês já tem um relacionamento à parte disso. Então a internet ajuda a sustentar isso. Mas é importante que vocês se vejam em um determinado tempo, senão a amizade pode morrer. É como uma planta, que precisa de água, senão morre. Contato é necessário para que as coisas continuem.

O legal da internet é que ela faz essa intermediação, só que não serve para repor certas coisas. Se você não pode ver, é uma boa ajuda. Mas não substitui o contato pessoal. Porque a relação não é só sobre o conteúdo do que se diz, também tem o aspecto da presença. É muito mais difícil de transmitir confiança, empatia e solidariedade através da internet. Se alguém está sofrendo de depressão, uma conversa pela internet muitas vezes não vai ser suficiente, mais eficaz que um abraço, por exemplo. O contato físico é essencial, a mensagem que eu transmito face a face, a presença, a sensação de ter alguém ali por você.

Quais efeitos negativos, por exemplo, de manter só relações virtuais?

Acho que há um certo abuso, por exemplo, por parte de pessoas sem habilidades sociais. Elas preferem se comunicar pela internet porque não precisam olhar nos olhos, demonstrar empatia, não precisam ler emoções. É mais fácil porque só precisam digitar. Então é muito comum, ao conhecer uma pessoa depois de teclar com ela, notar que ela é totalmente diferente. E de maneira geral a internet nos dá outra sensação. Por exemplo, eu não sou alta, e já encontrei pessoas que me conheciam pela internet e ficaram surpresas ao verem que sou baixinha. Disseram “Nunca pensei que você fosse tão pequena”. Por quê? Provavelmente porque elas veem minhas opiniões tão fortes, meus posicionamentos, e imaginam alguém fisicamente assim também. Temos diferentes expectativas através das redes.

E é por isso, por exemplo, que aplicativos de paquera podem trazer boas surpresas, mas também podem ser bem mentirosos. Outro desafio é expressar emoções, e sermos lidos da mesma forma com que escrevemos. Nossas próprias emoções influenciam o jeito com que certo conteúdo nos afeta. Às vezes você nem está sendo rude, mas, se quem lê interpreta a partir desse sentimento, a comunicação tem um conflito.

Inclusive pequenas conversas com gente desconhecida, por exemplo?

Sim! Eu nunca estive no Brasil antes, estou aqui há quase uma semana. E o que eu já percebi é que aqui não se tem receio em falar com estranhos. Então, se você está em um restaurante, no ponto de ônibus, no avião, essas conversas acontecem. E elas são muito importantes! Mesmo que você nem veja essas pessoas novamente. São importantes porque nos ajudam a relaxar, e porque essa variedade de visões diferentes, idades, classes sociais, referências culturais também faz a diferença.

Em um momento em que as pessoas estão cada vez mais polarizadas, ter esse contato é muito valioso. Ajuda a proteger o nosso sistema biológico. E tem o benefício da interação, de se sentir de certa maneira aceito. Eu estava no avião indo de Porto Alegre para o Rio de Janeiro. E sentei entre duas pessoas. Minha intenção era aproveitar aquela hora para trabalhar, mas não foi o que aconteceu. Essas pessoas queriam conversar. E, no final do voo, nós estávamos amigas. É revigorante. Mas acho também que a violência tem deixado as pessoas com receio de manter esse contato. Sair nas ruas e falar com estranhos é algo que não fazemos nem tanto por falta de interesse, mas por não sentirmos que é seguro.

Você diz que o contato olho no olho é muito importante. Por quê?

Porque os olhos expressam emoção e também interesse. Então estamos conversando e sou olhada nos olhos, inconscientemente sinto que você está interessada em mim, no que estou falando. E não é só o olhar, mas o jeito que responde a mim fisicamente, a entonação. São sinais que dizem que o falante é importante. Então isso nos traz o sentimento de sermos valorizados e as relações se aprofundam. E, quando alguém te olha nos olhos, isso também traz o sentimento de que você pode confiar nessa pessoa. Imagine que você está conversando comigo, mas eu estou olhando para o lado. O senso de por isso, por exemplo, que aplicativos de paquera podem trazer boas surpresas, mas também podem ser bem mentirosos.

Outro desafio é expressar emoções, e sermos lidos da mesma forma com que escrevemos. Nossas próprias emoções influenciam o jeito com que certo conteúdo nos afeta. Às vezes você nem está sendo rude, mas, se quem lê interpreta a partir desse sentimento, a comunicação tem um conflito. Ainda em relação a doenças, você diz que até mesmo um tratamento contra o câncer pode ser afetado pelas nossas conexões. Sim, o câncer e outras doenças. As relações são importantes durante o tratamento porque o que aprendemos recentemente é que contato social afeta os hormônios, a química que circula no cérebro, no sangue, e isso influencia a imunidade, o sistema imunológico.

Quando eu vejo você, eu toco você, coisas acontecem em meu corpo, em meu sistema. Então isso afeta até o jeito que um tumor cresce. Se mais rápido ou menos rápido. Uma rede de apoio, de fato, ajuda a passar por situações assim. E como você observa isso na medicina, nos cuidados médicos?

É preciso contatos sociais

Hoje em dia é muito comum que os médicos tenham na tela do computador todos os dados sobre o paciente, mas não saibam olhar para ele. Perguntam algo, mas continuam olhando para a tela enquanto você fala. Se estou depressivo, ou tenho marcas de abuso no meu rosto porque apanhei do meu marido… o médico não vai perceber se não me olhar verdadeiramente. Ele perde parte da comunicação que é feita através da minha presença, do meu corpo. Há médicos que fazem diagnósticos errados porque estão olhando só para uma parte do corpo, ou porque escutam o que o paciente diz, mas não investigam, não fazem as perguntas certas.

Como podemos começar a mudar o nosso entorno, a valorizar mais as relações? É uma questão que envolve toda a sociedade, mas precisamos começar de alguma forma, e há coisas básicas que podem ser feitas. Se você está procurando por uma nova casa ou escritório, por exemplo.

Muita gente se preocupa com o tamanho do lugar, a quantidade de quartos, se os armários da cozinha são novos ou velhos, quantos carros comporta a garagem. Nós nos apegamos a coisas muito concretas, mas que tal saber se a vizinhança é gentil, se vizinhos costumam conversar entre si, se tem um lugar próximo no qual possamos nos juntar a mais gente, como um parque, uma praça? Isso afeta nossa qualidade de vida mais do que a gente imagina. Então podemos repensar, por exemplo, qual é o lugar mais desejável para viver.

Existem áreas que são como bolhas. Isoladas, sem cafés, sem mercadinhos, sem vizinhança. Completamente escuras e desertas durante a noite. Você acaba vivendo em seu pequeno espaço privado. E eu entendo isso, moramos em grandes cidades, queremos mais privacidade, mas é preciso pensar que contatos sociais também são importantes para meu dia. Ao trocar ideias com mais gente, coisas boas acontecem.

Políticos também têm papel importante para melhorar o poder das nossas relações e conexões?

Sim, é algo complexo que envolve várias frentes. Inclusive de políticos que olham para isso e enxergam que é importante. É preciso que se destine verba para melhorar o planejamento das cidades. Departamentos municipais precisam cuidar para que tenhamos centros que sejam seguros, em que haja policiamento, e que a polícia não seja corrupta, que vejamos nela alguém em quem confiar. Isso também ajuda nos relacionamentos, porque não ter senso de confiança ou a quem pedir ajuda caso precisemos nos impede de estar em locais públicos.

Aquelas áreas construídas nas calçadas, chamadas parklets, são muito interessantes. São lugares na cidade onde as pessoas podem ficar. Porque hoje vejo que se usam restaurantes para fazer isso. Então não são mais lugares em que você vai para comer, pagar e ir embora. Aqui não, as pessoas continuam nas mesas para terem onde conversar. E isso porque não se sentem seguras em outras partes. Então nos restaurantes estão pessoas lendo, grupos fazendo reuniões de trabalho, amigos jogando conversa fora. As pessoas acabam ficando em locais privados, pois é onde elas se sentem mais seguras. As cidades acabaram construindo isso. Então os políticos precisam prover infraestrutura para que uma mudança possa acontecer.
Internet

E em relação ao uso da internet, principalmente em casa? Podemos limitar o tempo que as crianças passam nas telas. Não permitir que elas fiquem no celular enquanto comem, ou que levem os aparelhos para a cama. É bem difícil controlar isso, inclusive porque nós mesmos temos esse hábito. Ou seja, é mau para meu filho, mas para mim, não… Só que no Vale do Silício, por exemplo, os líderes da tecnologia não permitem que os filhos passem tanto tempo na internet. Constroem casas supertecnológicas e milionárias, mas têm controle do acesso à internet. Assim, ninguém fica online depois de um determinado horário. Por quê? Porque eles sabem que, não só para as crianças mas para eles também, aquilo é viciante, é prejudicial.

*Por Débora Zanelato

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*Fonte: vidasimples

Nada dura para sempre, nem as dores nem as alegrias. Tudo na vida é aprendizado. Tudo na vida se supera

Talvez isso já tenha até ficado óbvio demais, mas é provável que ainda não tenha sido levado tão a sério.

Ou talvez sejam as pressões, surpresas e desencontros os responsáveis por esquecermos que a vida é mesmo assim. Nela, nada é definitivo, nem a tempestade nem a bonança são eternas.

Quiséramos nós que as alegrias fossem permanentes. Quiséramos! Seria magnífico se o passar dos dias não fosse deixando as pequenas alegrias para trás, muito menos as grandes. Ou quiséramos nós que as tristezas durassem apenas uma noite. Certamente adoraríamos poder acordar na manhã seguinte e saber que nossas tempestades internas foram apenas isso e que desaparecerão sem deixar grandes estragos.

Mas é possível que a vida não alcançasse a mesma importância, se fosse assim, ou a mesma graça.

Não lutaríamos tanto para fazer acontecer, se a alegria ficasse ali, todos os dias, certamente nos daríamos por satisfeitos e completos, sem precisar de muito. Do mesmo modo, não teríamos força para seguir em frente, se tudo se resumisse a dores que não tivessem a possibilidade de ser superadas.

A vida é uma mescla de felicidade e dificuldades, é feita de dúvidas, tropeços e arranhões, mas também é preenchida por conquistas, descobertas e realizações.

É certo que nem sempre é 50 a 50, que as porcentagens de um e de outro nem sempre são equivalentes. Não há uma escala perfeita, a vida não segue um plano básico para todos, e o bom e o mal não se intercalam assim, pura e simplesmente.

“Tudo na vida se supera.”

Em algumas ocasiões, as durezas nos enfraquecem e nos deixam sem rumo. É difícil levantar e seguir, quando as dores se derramam sobre nós. Para esses momentos é que se torna indispensável lembrar que “nada dura para sempre, nem as dores nem as alegrias. Tudo na vida é aprendizado. Tudo na vida se supera”. (Caio Fernando Abreu)

Algumas pessoas não se lembram de que as alegrias não são permanentes. A expressão tudo passa define perfeitamente o que a vida tenta, com muito custo, nos ensinar. Há quem viva na soberba por se sentir por cima, sem a consciência de que um dia viverá alguns “baixos” e muito provavelmente não estará suficientemente preparado para lidar com isso. Tudo pelo simples fato de nunca ter admitido tal possibilidade. De outra forma, há quem viva de cabeça baixa e ombros curvados, porque não consegue ver a luz no fim do seu túnel de problemas.

Para os dois casos, é necessário ter em mente que tudo muda, que nada é permanente, que não há bem ou mal que dure para sempre.

É sensatez não esperar que a vida seja previsível, porque ela nunca será; é sabedoria não desanimar diante das derrotas, dificuldades, erros ou decepções. A dor pode nos tirar dos eixos por um tempo, mas ela coloca nossa vida em outro patamar, na medida em que nos ensina e nos torna mais fortes e resistentes.

A vida é, de fato, uma roda-gigante, com a eterna missão de desafiar nossa capacidade de nos tornar flexíveis ao seu movimento. Alguns baixos sempre existirão, é verdade, e isso não se pode evitar, mas quando se está em cima, a vista sempre será bonita e prazerosa.
A vida é um fluxo surpreendente, deixemo-la se agitar; sem medos nem amarras, sigamos, afinal nada dura para sempre. Nada durará!

*Por Alessandra Ferrari Piassarollo

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*Fonte:

Ser resiliente não é ter força para avançar; é avançar, mesmo que não tenha força

Você já se sentiu tão exausto, dividido, desiludido ou desamparado que pensou que não poderia seguir em frente? Você se sentiu à beira do precipício sem escolha a não ser se render ou emocionalmente embaixo ?

Acontece com todos nós: às vezes a vida nos ultrapassa. Por mais que lutemos, não vislumbramos a saída, nos sentimos presos. No entanto, quando passamos por essas situações extremas, é quando descobrimos nossa verdadeira força. Um ditado popular já disse: nenhum mar calmo fez um marinheiro experiente.

A força que vem da adversidade

Maurice Vanderpol, ex-presidente da Sociedade e Instituto Psicanalítico de Boston, analisou um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade: o Holocausto. Ele descobriu que as vítimas que conseguiram sair dos campos de concentração mentalmente saudáveis ​​tinham algo em comum que ele chamou de “escudo plástico”.

Esse escudo era composto de várias peças, incluindo um senso de humor, muitas vezes um humor negro que, no entanto, ajudou a adotar um senso crítico de perspectiva. Outras características centrais que ajudaram essas pessoas a enfrentar a adversidade foram sua capacidade de estabelecer laços interpessoais significativos e a construção de um espaço psicológico interno que os protegia de intrusões abusivas.

Obviamente, ninguém quer que a adversidade bata à sua porta. Mas mais cedo ou mais tarde isso acontecerá, por isso é melhor estar preparado para enfrentar problemas e contratempos da melhor maneira possível. De fato, quando tentamos evitar adversidades, também eliminamos um dos ingredientes mais importantes para cultivar nossa resiliência.

“ Coisas ruins acontecem, mas a maneira como eu respondo define meu caráter e minha qualidade de vida. Posso optar por ficar preso na tristeza perpétua, imobilizado pela seriedade da minha perda, ou superar a dor e salvaguardar o presente mais precioso que tenho: a vida em si ” , segundo o escritor americano Walter Anderson.

É por isso que, em vez de evitar a adversidade, precisamos abraçá-la, entender que é uma espécie de combustível essencial para cultivar a força interior . Nós não temos que gostar dela. Nós não temos que gostar disso. Mas temos que confiar em seu potencial para transformar uma tempestade em uma fonte de força. A aprendizagem que vem da adversidade é o terreno ideal para dar um salto qualitativo em nossas vidas.

Quando acreditamos que não podemos fazer mais, mas ainda assim avançamos, nos damos uma grande lição de coragem que se tornará uma coluna sólida para sustentar nossas vidas. Não jogar a toalha hoje nos fortalece para futuras batalhas.

5 benefícios que você pode extrair da adversidade

Precisamos parar de ver a adversidade como um inimigo e começar a vê-la simplesmente como uma situação. As situações não são simplesmente um lugar onde estamos ou uma circunstância pela qual estamos passando, mas implicam a maneira como assumimos esses fatos, assim como os pensamentos e emoções que vêm à nossa mente naquele momento.

Isso significa que cada situação é um microcosmo que inclui, por um lado, os fatos e, por outro, nossa reação ao que nos acontece. Portanto, uma mudança em uma dessas variáveis ​​nos levará a uma situação diferente, para outro microcosmo. Às vezes não podemos mudar os fatos, mas podemos mudar a maneira como reagimos. E isso geralmente é o suficiente para sair da situação angustiante que tira nosso oxigênio psicológico.

Um bom ponto de partida é assumir a adversidade como uma oportunidade para conhecer melhor uns aos outros e enriquecer nossa mochila com novas ferramentas psicológicas para a vida. Para fazer isso, devemos entender que a adversidade:

• Nos ajuda a construir resiliência. A resiliência não é o produto de uma vida simples, mas é forjada nas circunstâncias mais difíceis, quando expandimos nossas forças para avançar, apesar de tudo e de todos. Todos os desafios que enfrentamos e superamos fortalecem nossa vontade e desenvolvem nossa capacidade de superar os obstáculos que aparecerão no futuro.

• Fortalece a autoconfiança. Superar a adversidade nos ajuda a sustentar a força interior. Somos o que somos por causa das experiências que vivemos e da maneira como lidamos com elas. Enfrentar a adversidade com sucesso nos dá a autoconfiança necessária para superar novos problemas sem desmoronar, com a certeza de que teremos sucesso, seja ele qual for.

• Aprendemos a nos sentir mais confortáveis ​​na incerteza. A adversidade nos tira da nossa zona de conforto , enfrentando face a face com a incerteza. Isso nos permite aprender a lidar com o desconforto gerado pelo incerto e pelo desconhecido, de modo que, no final, nossa zona de conforto seja cada vez mais ampla.

• Isso nos permite descobrir nossos pontos fortes. As situações limítrofes podem trazer à luz nossas melhores habilidades e pontos fortes, qualidades que de outra forma teriam permanecido na sombra. A adversidade nos encoraja a superar nossos limites e a descobrir um novo “eu”. Não é por acaso que um estudo realizado na Universidade McGill irá revelar uma estreita relação entre resiliência e autoconsciência.

• Estimula a aceitação incondicional. A adversidade é inevitável, faz parte da vida. Resistir ou negar isso só fará com que volte com uma força destrutiva crescente. É por isso que os problemas são uma excelente oportunidade para praticar a aceitação radical , para assumir que há coisas que não podemos mudar, mas ainda assim podemos continuar a viver e até a desfrutar a vida.

Não devemos esquecer que a adversidade é uma das forças mais poderosas da vida. Pode trazer o melhor ou o pior de nós. A decisão é nossa.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

O silêncio é a única resposta que devemos dar aos tolos

Não devemos discutir com quem demonstra total ignorância e falta de sensibilidade em relação ao que a gente sente. Quando percebemos que estamos sendo incompreendidos, que não estão querendo ouvir, ou pouco se importam com algo que para nós é muito importante, devemos nos retirar em silêncio.

Nenhum esforço vai valer a pena nesse caso.

Muitas pessoas passam pela nossa vida, ou até permanecem, só que não querem realmente ficar. Ficam porque estão, de algum modo, esperando por algo melhor, e constantemente, agem com indiferença quando o assunto não diz respeito a elas.

Elas não conseguem nada melhor porque ainda não perceberam que esse algo melhor não existe, e sempre buscarão por coisas impossíveis, porque os padrões de felicidade que impuseram para si próprios, desde a infância, são muito altos, por isso vivem frustrados, por isso, precisam descontar essa frustração nos outros.

Seria simples resolver esse problema interno, a solução seria apenas diminuir esses padrões, mas elas não sabem como, e isso realmente é difícil de ser feito, é necessário querer. E elas não querem. Tentamos uma aproximação gentil, mas sempre levamos uma pancada e recebemos aquela palavra arrogante de desdém. Eles são assim e estão fechados para balanço.

Essas pessoas estão mergulhadas na própria infelicidade. E se mostram inteiros dentro do seu egoísmo mesquinho. Já diziam os sábios: Onde a ignorância faz morada, não há espaço para a inteligência dar palpites. Por tanto, não palpite.

Vejo muitas pessoas se desesperando, quebrando a cabeça para tentar se fazer entender e sofrendo por tentar mudar a atitude do outro. Mas contra fatos não há argumentos. Não se pode forçar o outro a te tratar bem. Ponto.

Aquela sensação de afeto e vontade de fazer o bem só é manifestada por quem possui dentro de si a beleza da gentileza. São raras as pessoas que possuem esse poder. Elas são magnificas, estão prontas para ajudar e amar, se colocam a disposição e se sentem muito úteis quando percebem que ajudaram alguém.

Fiquei encantada outro dia quando meu filho chegou da escola todo empolgado dizendo que era um ótimo professor. Eu perguntei por quê, e ele respondeu: Mãe sabe aquela minha amiga da escola que eu sempre converso no whatsapp? Eu disse que sim. Ele então continuou: Ela não sabia nada de geografia e a prova dela era hoje, daí eu sentei com ela no recreio e comecei a explicar a matéria e sabe quanto ela conseguiu tirar na prova? 9.0 mãe! Não é demais? Eu sou um ótimo professor!

Muito emocionada e orgulhosa eu disse: Filho, você realmente é um ótimo professor, parabéns por se colocar à disposição em ajudá-la! E sabe de uma coisa? Ela também é uma ótima aluna! Porque só aprende aquele que está disposto a aprender.

Esse exemplo foi apenas uma ilustração para mostrar que não adianta perder tempo com gente tola. Geralmente os tolos não estão abertos para aprender nada que não seja massagem para o seu ego. Não sabem receber críticas, mas criticam o tempo todo. Então não vale a pena dispender energia falando e tentando os convencer com seus argumentos. Eles possuem um bloqueio descomunal, só escutam o que querem e você vai gastar um tempo precioso da sua vida e não surtirá efeito algum.

Não estou dizendo para você desistir dessa pessoa se ela for realmente importante para você, estou dizendo para não forçar a barra. Esse tipo de pessoa precisa estar totalmente envolvida para que você comece a falar sobre um assunto que ela não quer. Não fique dando indiretas, elas odeiam pessoas chatas e você será uma delas se começar a fazer isso. Não comece um assunto importante quando ela estiver fazendo uma coisa que ela gosta, interromper um hobby de um tolo para falar sobre você é tolice.

Fale apenas quando ela estiver com os ouvidos abertos só para você, isso é raro, e pode ser que ela ainda saia e te deixe falando sozinha. E aí? Você acha que vale realmente a pena? O que ela espera de você? Que você se humilhe e fique falando por horas na cabeça dela. E você faz exatamente isso.

Quando você acatar o silêncio como o melhor remédio, talvez, eu disse, talvez, ela sinta que algo esteja diferente e perceba que você não vai mais aturar ignorância ou desamor.

Mas olhe… Eu disse talvez…

*Por Iara Fonseca

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*Fonte: resilienciamag

Gente que tá atrás do relacionamento perfeito, mas não se entrega a relacionamento algum

Dia desses encontrei um amigo que não via há anos. Foi um daqueles encontros que precisam ser combinados, discutidos, cancelados e remarcados porque, hoje em dia, ninguém tem tempo para nada. Mas, enfim, semanas depois do primeiro “cara, precisamos beber algo”, o encontro rolou.

No primeiro copo matamos a saudade. O segundo e o terceiro foram os das gargalhadas. E, a partir daí, com as lembranças em dia, começamos a falar sobre a vida atual. Trabalho, dinheiro, situação política do país e outros assuntos de amigos que viraram adultos.

E falamos sobre casamento.

Na verdade, quando o assunto apareceu na mesa, a conversa virou um monólogo, porque ele não se casou. Claro, isso pode acontecer com qualquer pessoa e não é algo que a torna melhor ou pior que as outras. Às vezes a pessoa nunca quis se casar. Ou ainda não achou uma pessoa certa – porque sim, acredito que existe mais de uma pessoa certa andando por aí para cada um de nós. Existem diversos motivos para as pessoas não se casarem; às vezes é escolha dela; em outras, da vida.

No caso deste meu amigo… Bem, não é simplesmente “não se casou” ou não se amarrou com ninguém. A coisa vai um pouco além: ele deixou de se relacionar com as pessoas. Jogou a toalha. E, claro, isso também poderia ser opção dele. O problema é que ele sofre visivelmente com essa decisão. Nunca assumiu isso abertamente, claro, mas essa tristeza surge em seus olhos sempre que o assunto aparece. Ele não é uma pessoa que não tem ninguém, e sim uma pessoa que desistiu de ter alguém.

Parece complexo? Talvez. O problema é que nenhum dos relacionamentos dele deu certo porque cada hora surgia um obstáculo novo. Desde que eu o conheci, todos os seus relacionamentos bateram na trave.

Estamos falando do sujeito mais azarado do mundo?

Não. Estamos falando do maior caso de autossabotagem da história moderna.

Eu conheci algumas das garotas com quem ele saiu. Com umas duas até mesmo chegou a namorar, mas nunca passou disso. E jamais durou muito tempo. Na verdade, seus relacionamentos morriam antes mesmo de nascerem, por causa da expectativa que meu amigo criava. Era uma expectativa que se resumia em quatro palavras: “não vai dar certo”.

Seu discurso era praticamente o Manual do Amor escrito pelo Hardy Har-Har. Nunca ia dar certo. Veja bem, não é “não deu certo, que pena” ou “não está dando certo, não sei o que faço”. É “não vai dar certo”. Tempo verbal: futuro. Era como se tivesse uma bola de cristal que entregasse apenas previsões ruins sobre todo e qualquer relacionamento que entrasse.

E os motivos para não dar certo era ele mesmo quem criava. E, na verdade, se dedicava bastante para isso, apresentando sempre um empecilho único e especial para cada mulher que passava por sua vida.

– Ela trabalha demais, não tem tempo para mim.

– Ela não faz nada, não estuda, não trabalha, então fica me ligando o dia inteiro.

– Ela já foi casada, como eu vou contar isso para os meus pais?

– Não sei… Acho que ela não faz meu tipo.

E eu sempre tentava derrubar o argumento da vez.

– Sábado? Domingo? Isso não existe na vida dela? Ela não faz refeições?

– Já pensou em dizer para ela que você trabalha e não pode conversar o dia inteiro?

– Que tal dizer a verdade, colocando um foda-se no final? Assim, olha: “Ela já foi casada e foda-se”.

– Você também não faz meu tipo e eu janto com você duas vezes por semana.

Nunca adiantava. Quando ele falava “não vai dar certo”, era porque o negócio estava condenado. Pensei bastante sobre isso. Ainda penso, na verdade.

Você conhece alguém assim? Porque desde então eu vejo que existe muita gente que se comporta desse jeito. Pelo menos, mais do que eu imaginava. São aquelas que nunca acharam a pessoa certa apenas porque passaram a maior parte do tempo procurando a pessoa supostamente perfeita.

Meu amigo agia assim. Procurava algo perfeito – ou, melhor dizendo, algo que fosse perfeito para ele. Talvez realmente tenha encontrado essa perfeição em algumas, mas durava apenas alguns dias. De repente, ele acordava numa manhã e descobria que aquela mulher perfeita que havia dormido ao lado dele havia se transformado em uma pessoa real. Começavam, então, a aparecer os entraves: era preciso conciliar os horários de cada um; ele e ela possuíam gostos diferentes; ambos provavelmente tinham valores, sonhos e desejos distintos.

Acho que meu amigo nunca conseguiu entender que encaixar uma nova pessoa dentro da sua realidade – e, ao mesmo tempo, descobrir como fazer parte da realidade dela – não precisa ser necessariamente um problema. Na verdade, pode – e deve – ser uma delícia.

Mas ele não queria uma pessoa, mas uma esposa (ou namorada, ou noiva, chame do que quiser) que já viesse pronta. Essa era a perfeição que ele buscava: um relacionamento que nascesse planejado e construído e formatado dentro dos moldes que ele mesmo criou.

Era como se ele fosse um príncipe encantado que queria viver um conto de fadas, mas apenas se isso acontecesse naturalmente, com a princesa indo até o castelo onde ele morava e pronto. Viveram felizes para sempre. Como a princesa nunca deu as caras exatamente desse jeito, ele simplesmente levantou a ponte levadiça e está lá escondido no castelo.

Na verdade, a suposta “aposentadoria” é mentira dele. Ele nunca jogou a toalha de verdade, tanto que está sempre olhando ao redor, procurando por alguém. Mas faz isso quase como um exercício acadêmico. Quando encontra uma pessoa que poderia ser “alguém”, ele apenas finge que não reparou e olha para o outro lado.

Ele simplesmente não se permite. “Não vai dar certo”. Acho que ele nunca entendeu que o primeiro passo na história de um relacionamento é apenas deixar o relacionamento acontecer.

Quando eu comecei a namorar minha esposa, eu estava com depressão e não conseguia sair de casa. Ela, por outro lado, trazia na bagagem um filho adolescente. Tínhamos tudo para dar errado. Provavelmente muita gente achou que não iríamos durar nem uma semana.

Demos certo. Não porque somos melhores ou piores que as outras pessoas, mas apenas porque permitimos que as coisas acontecessem. Adequamos aqui, consertamos ali, brigamos sobre isso, nos beijamos sobre aquilo. E em nenhum momento pensamos que “estamos fazendo o certo, estamos deixando as coisas acontecerem”. Não, as coisas estavam apenas acontecendo e nós não pensávamos a respeito. Estávamos ocupados demais vivendo. Ela e eu nos permitimos ter um dia de cada vez, sem impedir nada de um lado, sem forçar nada de outro.

Certa vez, meu enteado estava conversando comigo e me perguntou se algum dia eu tinha imaginado que me casaria com uma mulher com um filho de (na época) dezesseis anos. Eu respondi que não. Disse que se, vinte anos atrás, alguém tivesse me falado que isso iria acontecer, eu teria dado risada na cara da pessoa. Ele me perguntou:

– E como você decidiu entrar nessa encrenca?

– Eu não decidi. Só que ao invés de molhar a ponta do pé para ver se a água da piscina estava gelada, eu apenas mergulhei. Quando eu vi, tudo estava acontecendo.

Ele sorriu, eu sorri de volta. Hoje, essa encrenca, usando o termo que ele escolheu, não é a coisa mais importante da minha vida. Essa encrenca é a minha vida.

E eu me sinto feliz demais por ter permitido que essa vida acontecesse.

*Por Rob Gordon

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*Fonte: papodehomem

Os maiores luxos da vida: ter saúde e estar perto de quem amamos

Nenhuma riqueza jamais será tão valiosa como a saúde e a possibilidade de compartilharmos nossas vidas com as pessoas que amamos.

Algumas vezes, pode ser muito fácil perder de vista as coisas que realmente valem a pena na vida. Somos frequentemente expostos a todo o tipo de estímulos, necessidades e desejos, e podemos facilmente seguir pelo caminho errado, que apenas nos afasta da felicidade e de uma vida de plena.

Acreditamos que o nosso valor está diretamente ligado ao que nós possuímos, e que se quisermos ser felizes, devemos conquistar a aprovação das pessoas à nossa volta, especialmente daquelas das quais queremos nos tornar mais próximos.

Pensamos dessa maneira porque é isso que a sociedade nos ensina, que se não tivermos nada e não formos bem relacionados, não temos valor algum e nunca conseguiremos nada de realmente bom na vida.

No entanto, esse não é o jeito certo de viver. Não podemos adotar esse modo de vida apenas porque a todo momento ele é mostrado para como o único caminho.
Os maiores bens da vida, aquelas coisas que realmente fazem cada um de nossos dias valerem a pena, não têm nada a ver com prestígio ou influência, mas, sim, com simplicidade.

Costumamos pensar que luxo é ter o carro do ano, o colchão mais confortável e a casa melhor equipada, mas estamos enganados. É claro que é muito bom ter todas as coisas que o dinheiro comprar, mas, no fim do dia, o que realmente faz a vida valer a pena são as coisas que não têm preço.

A tranquilidade de ter saúde e a alegria de estar perto de pessoas que amamos e que fazem nossas vidas mais felizes é a verdadeira definição de sorte e luxo. Afinal, os bens materiais podem se perder com o tempo, mas as boas companhias estarão conosco, mesmo nos piores momentos da vida.

Faça uma avaliação de sua vida e perceba o quanto você é sortudo por acordar todos os dias com saúde e ser capaz de se levantar e ir atrás de seus objetivos, ter pessoas ao seu lado para comemorar as conquistas com você e consolá-lo nos momentos tristes.

Muitas pessoas gostariam de estar em seu lugar. Valorize tudo aquilo que você já tem e lembre-se sempre de que a felicidade começa primeiro de si.
Não adianta nada ter tudo o que deseja, se interiormente você é uma pessoa triste.

Encontrar a realização dentro de si mesmo o faz descobrir que você não precisa de riquezas ou de amizades por interesse para chegar onde deseja, basta valorizar o simples, a sua saúde e as pessoas boas que estão ao seu lado.

O verdadeiro luxo da vida é encontrado na simplicidade.

*Por Luiza Flecther

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*Fonte: osegredo

Camaleões Sociais: Pessoas que mudam de acordo com as circunstâncias

Os camaleões sociais são campeões em causar uma boa impressão. Por isso, eles não hesitam em praticar esse tipo de mercantilismo emocional, através do qual escondem seus próprios sentimentos , pensamentos e opiniões, a fim de serem aceitos e terem a aprovação dos outros. É um tipo de prática que provoca efeitos colaterais na dignidade pessoal.

É muito provável que muitos dos nossos leitores se lembrem de um curioso filme de Woody Allen chamado “Zelig”. Neste último, o protagonista apresenta uma estranha habilidade sobrenatural: ele é capaz de mudar completamente sua aparência para se adaptar a qualquer ambiente em que se encontre. Finalmente, um jovem psicanalista percebe o verdadeiro problema de Leonard Zelig, ou seja, sua extrema insegurança que o leva a se esconder entre as pessoas para se sentir aceito e integrado.

“Aquele que é autêntico assume a responsabilidade de ser o que é e se reconhece livre para ser quem ele é. ” -Jean-Paul Sartre

Este é, sem dúvida, um caso extremo, uma divertida reflexão audiovisual que Allen trouxe para a tela para falar sobre psicologia, problemas de identidade e nossa sociedade. No entanto, há um fato que não podemos negar: somos todos, de certo modo, camaleões sociais.

Mostrar a nós mesmos como somos, sem a menor fissura e com transparência total nem sempre é fácil. Temos medo do “que vamos dizer”, desapontar as pessoas, atrair a atenção ou não ser o que os outros esperam de nós. Viver na sociedade exige que nos encaixemos em um molde, todos nós sabemos disso. No entanto, devemos lembrar que a chave é aprender a ser pessoas, não personagens. Ser uma pessoa significa saber respeitar os outros com suas nuances, suas opiniões, suas qualidades e sua estranheza. Também significa ser capaz de praticar essa honestidade sem diluir nossa identidade e valores para sermos aceitos.

Camaleões sociais e o preço psicológico

Mark Snyder , um renomado psicólogo social da Universidade de Minnesotta, é especialista em um estudo: a necessidade universal de ser socialmente aceito. Um aspecto interessante que ele nos revela em primeiro lugar é que camaleões sociais são pessoas extremamente infelizes. Vamos pensar sobre eles por um momento, imagine alguém que o obrigue a ser como todo mundo ao seu redor, dia após dia.

Para conseguir isso, essa pessoa terá que se acostumar a pensar e sentir uma coisa e fazer o oposto, a viver em constante contradição, a oscilar entre a face privada e a máscara pública, a rir quando ela não quer, mentir compulsivamente … Este comportamento quase viciante que leva a causar uma boa impressão contínua raramente permite estabelecer ligações duradouras e satisfatórias. Além disso, muitas vezes faz com que se sinta exaustão psicológica genuína.

Não podemos esquecer que, para “mimetizar”, o camaleão social deve estar atento aos códigos sociais de cada contexto. Ele deve observar, ler as linguagens implícitas e explícitas, imitar, mas, acima de tudo, demonstrar uma plasticidade extraordinária, que lhe permitirá ser muito convincente.

Ser a pessoa certa em todos os momentos requer estar em sintonia com a forma como os outros reagem; é por essa razão que os camaleões controlam sua vida social a cada momento, ajustando-a para obter os efeitos desejados. Como podemos deduzir, o desgaste que isso implica, a curto e longo prazo, é imenso.

Para verdadeiros camaleões sociais, tudo é possível. Perdem a sua dignidade, os seus princípios e até a sua escala de valores para alcançar o sucesso, para se sentirem integrados ou para serem reconhecidos. No entanto, por imitar e representar a si mesmos através de tantos papéis, eles nunca serão capazes de estabelecer relacionamentos autênticos, ter amigos reais, relacionamentos estáveis para mostrar sua verdadeira face, sem qualquer máscara. …

Camaleões sociais ou zebras sociais, você tem a escolha

Existem profissões para as quais, gostemos ou não, precisamos desse tipo de habilidade cameleônica para criar impacto, seduzir, capturar clientes, construir confiança e até, por que não, manipular. Assim, atividades como política, direito, o mundo do marketing e da publicidade, teatro ou diplomacia precisam desses malabarismos psicológicos em que imitar é sinônimo de sobrevivência e até de triunfo.

Como já mostramos no início, todos fomos forçados, de certa forma, a agir como camaleões sociais em algum momento de nossas vidas. No entanto, especialistas nesta área, como o Dr. Mark Snyder, dizem-nos que, se queremos ter uma verdadeira saúde emocional, sabedoria e equilíbrio, devemos aprender a ser “zebras sociais”.

Não importa onde esteja uma zebra, não importa o que esteja ao lado dela, ela sempre será igual a si mesma, suas listras nunca mudarão. Isso, naturalmente, significa ser uma presa fácil para os predadores e, como sabemos, esses não faltam em nossos contextos sociais. Portanto, é possível que nossas “listras” não agradem, que nossa pele, nosso estilo, nosso caráter e nosso tom de voz não sejam o gosto de todos, mas as pessoas que serão cativadas por nossa autenticidade serão nossos melhores aliados.

Para concluir, poucas coisas podem ser tão infrutíferas e exaustivas como agradar a todos, para ser esta peça capaz de se encaixar em cada quebra-cabeça ou porca que se aplica a todas as engrenagens. Tal habilidade não é possível nem saudável. Vamos aprender a viver sem máscaras, ser coerentes e corajosos, ser criaturas únicas e excepcionais com cada uma das nossas “listras” ou com nossos fabulosos casacos …

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Como o coronavírus vai mudar nossas vidas: dez tendências para o mundo pós-pandemia

A Covid-19 mudou nossas vidas. Não estou falando aqui simplesmente da alteração da rotina nesses dias de isolamento, em que não podemos mais fazer caminhadas no Minhocão ou ir aos nossos bares e restaurantes preferidos. Sim, tudo isso mudou nosso cotidiano —e muito. Mas o meu convite para você é para pensarmos nas mudanças mais profundas, naquelas transformações que devem moldar a realidade à nossa volta e, claro, as nossas vidas depois que o novo coronavírus baixar a bola. Por isso talvez seja melhor mudar o tempo verbal da frase que abre este texto e dizer que o coronavírus vai mudar as nossas vidas. Mas como? Que cenários prováveis já começam a emergir e devem se impor no mundo pós-pandemia?

O mundo pós-pandemia será diferente

Entender que mundo novo é esse é importante para nos prepararmos para o que vem por aí. Porque uma coisa é certa: o mundo não será como antes, conforme nos alertou o biólogo Átila Iamarino.

“O mundo mudou, e aquele mundo (de antes do coronavírus) não existe mais. A nossa vida vai mudar muito daqui para a frente, e alguém que tenta manter o status quo de 2019 é alguém que ainda não aceitou essa nova realidade”, disse nesta entrevista para a BBC Brasil Átila, que é doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pela Universidade Yale. “Mudanças que o mundo levaria décadas para passar, que a gente levaria muito tempo para implementar voluntariamente, a gente está tendo que implementar no susto, em questão de meses”, diz ele.

Pandemia marca o fim do século 20

Ainda nessa linha, havia uma visão entre especialistas de que faltava um símbolo para o fim do século 20, uma época altamente marcada pela tecnologia. E esse marco é a pandemia do coronavírus, segundo a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz, professora da Universidade de São Paulo e de Princeton, nos EUA, em entrevista ao Universa. “[O historiador britânico Eric] Hobsbawm disse que o longo século 19 só terminou depois da Primeira Guerra Mundial [1914-1918]. Nós usamos o marcador de tempo: virou o século, tudo mudou. Mas não funciona assim, a experiência humana é que constrói o tempo. Ele tem razão, o longo século 19 terminou com a Primeira Guerra, com mortes, com a experiência do luto, mas também o que significou sobre a capacidade destrutiva. Acho que essa nossa pandemia marca o final do século 20, que foi o século da tecnologia. Nós tivemos um grande desenvolvimento tecnológico, mas agora a pandemia mostra esses limites”, diz Lilia.

Coronavírus, um acelerador de futuros

Vários futuristas internacionais dizem que o coronavírus funciona como um acelerador de futuros. A pandemia antecipa mudanças que já estavam em curso, como o trabalho remoto, a educação a distância, a busca por sustentabilidade e a cobrança, por parte da sociedade, para que as empresas sejam mais responsáveis do ponto de vista social.

Outras mudanças estavam mais embrionárias e talvez não fossem tão perceptíveis ainda, mas agora ganham novo sentido diante da revisão de valores provocada por uma crise sanitária sem precedentes para a nossa geração. Como exemplos, podemos citar o fortalecimento de valores como solidariedade e empatia, assim como o questionamento do modelo de sociedade baseado no consumismo e no lucro a qualquer custo.

“A vida depois do vírus será diferente”, disse ao site Newsday a futurista Amy Webb, professora da Escola de Negócios da Universidade de Nova York. “Temos uma escolha a fazer: queremos confrontar crenças e fazer mudanças significativas para o futuro ou simplesmente preservar o status quo?”

Efeitos do coronavírus devem durar quase dois anos

As transformações são inúmeras e passam pela política, economia, modelos de negócios, relações sociais, cultura, psicologia social e a relação com a cidade e o espaço público, entre outras coisas.

O ponto de partida é ter consciência de que os efeitos da pandemia devem durar quase dois anos, pois a Organização Mundial de Saúde calcula que sejam necessários pelo menos 18 meses para haver uma vacina contra o novo. Isso significa que os países devem alternar períodos de abertura e isolamento durante esse período.

Diante dessa perspectiva, como ficam as atividades de lazer, cultura, gastronomia e entretenimento no centro e em toda a cidade durante esse período? O que mudará depois? São questões ainda em aberto, mas há sinais que nos permitem algumas reflexões.

Para entender essas e outras questões e identificar os prováveis cenários, procurei saber que tendências os futuristas, pesquisadores e bureaus de pesquisas nacionais e internacionais estão traçando para o mundo pós-pandêmico. A partir dessas leituras e também de um olhar para as questões que dizem respeito ao centro de São Paulo e à vida urbana em geral, fiz uma lista com algumas dessas tendências, que você pode ler a seguir.
Confira as 10 tendências para o mundo pós-pandemia

1. Revisão de crenças e valores

A crise de saúde pública é definida por alguns pesquisadores como um reset, uma espécie de um divisor de águas capaz de provocar mudanças profundas no comportamento das pessoas. “Uma crise como essa pode mudar valores”, diz Pete Lunn, chefe da unidade de pesquisa comportamental da Trinity College Dublin, em entrevista ao Newsday.

“As crises obrigam as comunidades a se unirem e trabalharem mais como equipes, seja nos bairros, entre funcionários de empresas, seja o que for… E isso pode afetar os valores daqueles que vivem nesse período —assim como ocorre com as gerações que viveram guerras”.

Já estamos começando a ver esses sinais no Brasil —e no centro de São Paulo, com vários exemplos de pessoas que se unem para ajudar idosos, por exemplo.

2. Menos é mais

A crise financeira decorrente da pandemia por si só será um motivo para que as pessoas economizem mais e revejam seus hábitos de consumo. Como diz o Copenhagen Institute for Futures Studies, a ideia de “menos é mais” vai guiar os consumidores daqui para frente.

Mas a falta de dinheiro no momento não será o único motivo. As pessoas devem rever sua relação com o consumo, reforçando um movimento que já vinha acontecendo. “Consumir por consumir saiu de ‘moda’”, escreve no site O Futuro das Coisas Sabina Deweik, mestre em comunicação semiótica pela PUC e pesquisadora de comportamento e tendências.

O outro lado desse processo é um questionamento maior do modelo de capitalismo baseado pura e simplesmente na maximização dos lucros para os acionistas. “O coronavírus trouxe para o contexto dos negócios e para o contexto pessoal a necessidade de revisitar as prioridades. O que antes em uma organização gerava resultados financeiros, persuadindo, incentivando o consumo, aumentando a produção e as vendas, hoje não funciona mais”, diz Sabina.

“Hoje, faz-se necessário pensar no valor concedido às pessoas, no impacto ambiental, na geração de um impacto positivo na sociedade ou no engajamento com uma causa. Faz-se necessário olhar definitivamente com confiança para os colaboradores já que o home office deixou de ser uma alternativa para ser uma necessidade. Faz-se necessário repensar a sociedade do consumo e refletir o que é essencial.”

3. Reconfiguração dos espaços do comércio

A pandemia vai acentuar o medo e a ansiedade das pessoas e estimular novos hábitos. Assim, os cuidados com a saúde e o bem-estar, que estarão em alta, devem se estender aos locais públicos, especialmente os fechados, pois o receio de locais com aglomeração deve permanecer.

“Quando as pessoas voltarem a frequentar espaços públicos, depois do fim das restrições, as empresas devem investir em estratégias para engajar os consumidores de modo profundo, criando locais que tragam a eles a sensação de estar em casa”, diz um relatório da WGSN, um dos maiores bureaus de pesquisas de tendências do mundo.

Eis um ponto de atenção para bares, restaurantes, cafeterias, academias e coworkings, que devem redesenhar seus espaços para reduzir a aglomeração e facilitar o acesso a produtos de higiene, como álcool em gel. Os espaços compartilhados, como coworkings, têm um grande desafio nesse novo cenário.

4. Novos modelos de negócios para restaurantes

Uma das dez tendências apontadas pelo futurista Rohit Bhatgava é o que ele chama de “restaurantes fantasmas”, termo usado para descrever os estabelecimentos que funcionam só com delivery. Como a possibilidade de novas ondas da pandemia num futuro próximo, o setor de restaurantes deve ficar atento a mudanças no seu modelo de negócios, e o serviço de entrega vai continuar em alta e pode se tornar a principal fonte de receita em muitos casos.

5. Experiências culturais imersivas

Como resposta ao isolamento social, os artistas e produtores culturais passaram a apostar em shows e espetáculos online, assim como os tours virtuais a museus ganharam mais destaque. Esse comportamento deve evoluir para o que se pode chamar de experiências culturais imersivas, que tentam conectar o real com o virtual a partir do uso de tecnologias que já estão por aí, mas que devem se disseminar, como a realidade aumentada e virtual, assistentes virtuais e máquinas inteligentes.

De acordo com o estudo Hype Cycle, da consultoria internacional Gartner, as experiências imersivas são uma das três grandes tendências da tecnologia. Destacamos aqui a área cultural, mas isso também se estende a outros setores, como esportes, viagens a varejo, conforme indica o relatório A Post-Corona World, produzido pela Trend Watching, plataforma global de tendências.

6. Trabalho remoto

O home office já era uma realidade para muita gente, de freelancers e profissionais liberais a funcionários de companhias que já adotavam o modelo. Mas essa modalidade vai crescer ainda mais. Com a pandemia, mais empresas —de diferentes portes— passaram a se organizar para trabalhar com esse modelo. Além disso, o trabalho remoto evita a necessidade de estar em espaços com grande aglomeração, como ônibus e metrôs, especialmente em horários de pico.

7. Morar perto do trabalho

Essa já era uma tendência, e morar no centro de São Paulo se tornou um objeto de desejo para muitas pessoas justamente por conta disso, entre outros motivos. Mas, com o receio de novas ondas de contágio, morar perto do trabalho, a ponto de ir a pé e não usar transporte público, deve se tornar um ativo ainda mais valorizado.

8. Shopstreaming

Com o isolamento social, as lives explodiram, principalmente no Instagram. As vendas pela Internet também, passando a ser uma opção também para lojas que até então se valiam apenas do local físico. Pois pense na junção das coisas: o shopstreaming é isso. Uma versão Instagram do antigo ShopTime.

9. Busca por novos conhecimentos

Num mundo em constante e rápida transformação, atualizar seus conhecimentos é questão de sobrevivência no mercado (além de ser um prazer, né?). Mas a era de incertezas aberta pela pandemia aguçou esse sentimento nas pessoas, que passam, nesse primeiro momento, a ter mais contato com cursos online com o objetivo de aprender coisas novas, se divertir e/ou se preparar para o mundo pós-pandemia. Afinal, muitos empregos estão sendo fechados, algumas atividades perdem espaço enquanto outros serviços ganham mercado.

10. Educação a distância

Se a busca por conhecimentos está em alta, o canal para isso daqui para frente será a educação a distância, cuja expansão vai se acelerar. Neste contexto, uma nova figura deve entrar em cena: os mentores virtuais. A Trend Watching aposta que devem surgir novas plataformas ou serviços que conectam mentores e professores a pessoas que querem aprender sobre diferentes assuntos.

*Por Clayton Melo

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*Fonte: elpais

Quem quer, arruma um jeito. Quem não quer, arruma uma desculpa

Quem quer não adia, aparece. Quem quer te ver agora, não vai deixar pra amanhã, mesmo que a distância seja incalculável ou já seja tarde pra isso. Quem quer, não deixa pra depois o que pode ser feito agora. Quem quer ficar, fica sem que a gente precise implorar. Quem quer cuidar, simplesmente cuida. Quem quer, provavelmente não vai suportar a saudade, não vai poupar sentimento e entrega pra te ter.

Quem quer, arruma um jeito. Quem sente vontade, faz saudade virar encontro, faz cinema virar motel, faz o cansaço virar amasso, faz dias frios mais quentes. Quem quer é capaz de viajar 100 quilômetros só pra te ver, e não interessa se o tempo fechou tão rápido, quem quer não vai pensar duas vezes em te ver hoje ou deixar pra próxima semana. Quem quer, não vive de conversas, não perde tempo, não arruma mil e uma desculpas pra justificar que não vai dar pra te ver hoje porque o dia foi cansativo demais.

Quem tem saudade do teu sorriso não se contenta só em ouvir a tua voz pelo celular, quem quer estar com você sentirá necessidade de te ver pra conversar sobre como foi o seu dia, sobre todas as coisas que te fez perder a cabeça e vai entender que é melhor te abraçar nos momentos mais difíceis do que te mandar um ”fica bem” por mensagem. Quem quer te fazer bem, vai bater na tua porta com chocolates que comprou no meio do caminho pra tua casa e cervejas – é que o dinheiro era pouco e o vinho era caro. Quem quer realmente te ver, não esperará por um feriado ou por dias melhores que não tenham provas, nem muito trabalho pra fazer.

Quem quer te ver, não vai se lamentar, vai vestir a roupa mais próxima e sair com sorriso mais sincero ao teu encontro. Quem quer, não vai reservar um tempinho pra você ou um horário fixo pra te ver, vai te reservar a vida e vai te ensinar que quando a gente ama, a gente não mede esforços, a gente não quer o outro pra preencher aquele espaço que sobra na cama ou aquele tempo vago nos finais de semana. Quando a gente quer, a gente aceita o outro pra somar na vida, pra abrigar e torna-se abrigo, pra unir dois mundos.

Quem quer ficar, vai fechar os olhos em teu peito e permitir, sem medo, acordar só noutro dia. Quem quer, vai fazer corpo mole pra não levantar da cama e não sair da tua vida, vai roubar tuas manhãs, vai jogar os braços por cima de você e quando você perguntar se a posição da tua cabeça tá doendo nele, ele vai te responder que não. Quem quer ficar na tua vida, não pensará duas vezes antes de entrar. Ficará pro café da manhã e se possível pro jantar, é que o gosto do teu beijo vicia e ele seria burro em não prová-los ao máximo.

Quem quer ficar, vai encostar a cabeça em teu ombro e vai te deixar descobrir todos os medos e segredos, erros e defeitos, vai apertar a tua mão pra tentar te dizer algo em silêncio, e vai se despedir de você sem te tirar nada, te permitindo a liberdade e te deixando com aquela sensação de querer viver tudo e mais um pouco ao lado dela. Quem quer você, tem vontade de te repetir, de tomar todos os gostos com teu sabor, de provar todas as aventuras com você sem te dizer que precisa pensar, sem te dizer: ”hoje não dá”, ”deixa pra amanhã”, ”não tô a fim”. Porque quem quer, arruma um jeito. Quem não quer, arruma uma desculpa.

*Por Iandê Albuquerque

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*Fonte: obviousmag

De morno só aceite banho. Amor tem que ser quente e inteiro, sim!

Tanta gente bacana disposta a entrar na nossa vida para nos fazer feliz e a gente preenchendo espaços com gente vazia. Amor não é isso. Amor é entrega. É oito ou oitenta. É tudo ou nada!

Relacionamentos não são fáceis. Mantê-los com a paixão em alta, então, parece tarefa para gigantes, pois além de envolverem pessoas diferentes, a rotina torna tudo mais calmo e comum. Mas, acredite, é possível fazer da rotina uma aliada do romance e aumentar a cumplicidade do casal no convívio diário.

O amor permite que convivamos diariamente com uma pessoa educada diferente dos nossos costumes. Aprendemos a entender (e a respeitar) todas as diferenças. Desde sentarmos à mesa, à forma de escovarmos os dentes. Começamos a entender que o amor é feito de detalhes e que, mesmo que não dê para fazer um jantar à luz de velas todos os dias, nem mandar rosas todas as noites, dá para ser gentil nos detalhes. E isso é o que importa!

A rotina, diferente do que muitos pensam, nunca foi um problema para o relacionamento. Aliás, é somente através dela que os laços do amor se criam e se fortalecem. O convívio diário permite a construção de uma relação forte, segura e com planos em comum. O problema é que alguns confundem rotina com comodismo, frieza com estilo de vida e descaso com normalidade.

A gente tem dessas mesmo de se acomodar. De não tomar iniciativa em terminar. De aguentar humilhação com medo da solidão. E a pergunta é: para quê? A vida é uma só! E passa tão rápido! Tanta gente bacana disposta a entrar na nossa vida para nos fazer feliz e a gente preenchendo espaços com gente vazia. Amor não é isso. Amor é entrega. É oito ou oitenta. É tudo ou nada!

Não dá para viver um amor meio termo. Na verdade, nada “meio termo” serve: gente que vive em cima do muro irrita, água morna não serve nem para fazer chá e amores rasos só servem para gente carente. Amor foi feito para pessoas inteiras!

Compartilho da mesma ideia de Martha Medeiros ao escrever que as coisas mornas são perda de tempo: “Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos. Um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. (…) O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.”

Amor não é servido em fatias, em metades. Amor é plenitude. Chega uma hora em que é preciso ultrapassar as mensagens de whatsapp, os textões do Facebook e as fotos do Instagram e provar por A+B que amor é rotina sim! Amor de verdade dá frio na barriga, mas também da vontade de acordar juntos todos os dias. Dá borboletas no estômago, mas dá vontade de planejar a casa nova. Dá alvoroço nos pensamentos, mas dá vontade de buscar os filhos na escola.

Isso é amor inteiro. A partir do momento em que você começa a não ver o seu relacionamento dessa forma, é hora de repensar se ele já não acabou, há muito tempo, e você nem percebeu. Para Proust: “Para quem ama, não será a ausência a mais certa, a mais eficaz, a mais intensa, a mais indestrutível, a mais fiel das presenças?”

Amor morno é a maior crueldade a qual podemos nos submeter. Quando não há mais saudade, quando a presença não é mais motivo para romance, quando as desculpas para não se encontrar são as mais esfarrapadas possíveis, não há porque insistir.

Metades aceitamos de um pedaço de bolo, de uma melancia, de um queijo. Não de um amor. Como dizia Clarice Lispector: “Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre”.

Não dá para aceitar um sentimento raso por comodismo ou pelo fato de você ter cansado do ciclo: conhecer alguém – trocar mensagens – conquistar – namorar. Se não está disposto a amar com tudo, nem entre em um relacionamento. Amar é coisa de gente forte mesmo!

De gelada deixe a cerveja, de metade deixe a conta do bar e de morno deixe o banho. O restante tem que ser quente e intenso, sim!

*Por Pamela Camocardi

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*Fonte: osegredo

Conversas profundas com as pessoas certas não têm preço

Um olhar mais atento sobre a sociedade atual nos deixa perplexos com a superficialidade que predomina nos vários setores da vida. É gente correndo atrás de curtidas, é gente malhando o corpo loucamente, é gente valorizando o que se compra, é gente consumindo sem parâmetro algum. Tudo bem querer notoriedade, cuidar do corpo, querer conforto material, mas centrar-se tão somente nisso não enriquece o conteúdo de nada.

Excessos opostos são nocivos na mesma medida. De que adiantam músculos, se a pessoa não sabe nada do que ocorre no mundo além das academias? De que adianta comprar tudo o que se vê pela frente, se a pessoa não consegue lidar com as questões emocionais? De que adiantam milhares de seguidores, se não houver ao menos uma pessoa em quem confiar?

Quando a gente foca demais no superficial, na materialidade, a gente acaba sendo negligente com o que não se vê, nem se compra, ou seja, a gente acaba negligenciando sentimentos e valores. Da mesma forma, a gente vai se afastando de tudo o que fica lá fora, de tanto que priorizamos o próprio prazer, que então é baseado no que temos, no que é nosso. Os outros acabam ficando de fora, esquecidos, invisíveis.

E quem só enxerga a si mesmo e prioriza tão somente satisfazer ao próprio ego fatalmente se torna alguém que não consegue dialogar sem ser autorreferente e sem orbitar em volta do próprio umbigo. Desenvolver conversas profundas requer um olhar que se estende além de si, um entendimento do que é contraditório, do que é de fora, do que é dos outros. Diálogo requer sentimentos, afeto e empatia.

Por isso é que não tem preço o prazer de conversar com pessoas que ouvem, que sabem o seu lugar de fala, que não atropelam, que não impõem pontos de vistas, que compartilham e trocam. Quando a gente conversa com as pessoas certas, a gente aprende, a gente fica mais rico por dentro. E ser rico do que não se pode comprar nem vender é um dos maiores prazeres dessa vida.

*Por Marcel Camargo

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*Fonte: asomadetodosafetos

A humanidade e seus lobos

Homo hominis lupus. A frase em destaque significa “o homem é o lobo do homem” em latim. Tal sentença foi criada por Plauto, um dramaturgo romano que viveu no período republicano de Roma entre 230 – 180 a.C., aparecendo pela primeira vez em sua obra conhecida como “Asinaria”. Nessa obra, a variação escrita por Plauto se encontra da seguinte forma: “o homem não é homem, mas sim um lobo para com um estranho.” Aqui, interpretando-se homem como sendo toda a sociedade humana (homens e mulheres), o autor tenta exprimir um comportamento antropológico característico— a capacidade que nós temos de julgar e excluir aqueles que não fazem parte de nosso grupo.

Thomas Hobbes, um filósofo inglês e um dos fundadores da filosofia política, utilizou-se da frase citada acima em sua obra “De Cive” (Sobre o Cidadão, em tradução livre). Nela, o mesmo fundamento lógico é usado para endereçar o mesmo problema: nós, humanos, gostamos de fazer parte de grupos sociais e no momento em que reconhecemos a presença de estranhos, inicialmente os tratamos não da forma com que rotineiramente tratariamos aqueles pertencentes a nossa sociedade, mas de uma forma diferente. Envolvido em uma teia de argumentos ratificando o resultado do ser humano sem uma entidade intermediadora, algo que conhecemos como estado, Hobbes concordava com o fato do ser humano não compactuar com indivíduos de grupos diferentes que o seu e colocou como sendo importante o estabelecimento de tal entidade. Nesse contexto, esse é o significado da frase “o homem é o lobo do homem”.

Mas eu quero seguir em um caminho diferente no que diz respeito ao significado de tal sentença. Um caminho que pode se desviar um pouco daquele percorrido por Hobbes e Plauto, mas que vale a pena ser refletido e analisado. É possível encontrarmos diversos exemplos na curta vida da civilização de nossa espécie — alguns meros milhares de anos — que sugerem uma característica peculiar sobre nós mesmos: a habilidade que temos de dar significado aquilo que nos rodeia. Por toda a natureza, consegue-se localizar uma gigantesca dose de impessoalidade. Supernovas, imensas explosões que marcam de uma estrela em seus últimos dias de vida e que podem devastar vários mundos que estiverem perto demais pela liberação de letais raios-X e raios gama; buracos negros, que devido a sua imensa gravidade consegue capturar até mesmo a luz, não deixando sair, portanto, nenhuma outro objeto físico (pelo menos não por onde entraram); e, em uma escala mais local, olhemos os terremotos e furacões, nos quais os primeiros são ocasionados pelo encontro de ventos fortes que se chocam em direções específicas, transformando a energia cinética de seus gases em momento angular, girando sem parar e podendo causar grande dano, além do segundo causar igual ou até maior estrago, sendo originado pela movimentação contínua do magma abaixo da crosta terrestre, e, especificamente, pela colisão dessas — as conhecidas placas tectônicas. Todos esses eventos acontecem em todo o lugar no Universo, a todo momento. Alguns desses, como no caso das supernovas, foram essenciais para a evolução do Cosmos como conhecemos hoje, apesar dos aparentes estragos que eles podem ocasionar.

Esses eventos são produtos das leis da física presentes no Universo ao nosso redor. Eles simplesmente acontecem. Porém, pode-se perguntar, será que os acontecimentos naturais ao nosso redor são categoricamente bons ou ruins? Somente a partir da ascensão da consciência é que essas questões começam a fazer algum sentido. E, devido a isso, cabe aos seres que possuem tal consciência determinarem o significado de eventos que, sem aquela, são indiferentes para a realidade física. Creio que essa habilidade é tanto uma benção quanto uma maldição. Uma vez que temos a capacidade de estabelecer significados para eventos, categorizando-os como coisas boas ou ruins, estamos fadados a possibilidade de não possuir sabedoria suficiente para discernir entre um e outro. Diferentemente dos eventos naturais que acontecem independente de nossa vontade, mas sim em decorrência de leis físicas do mundo em que vivemos, cabe a nós escolhermos cuidadosamente nossas ações com relação ao ambiente que nos circunda. É bem verdade que nós, seres humanos, possuímos incríveis qualidades. Porém, como a história de nossa espécie mostra, e o século XX ratifica, podemos ser capazes de coisas inimaginavelmente terríveis. Essa dualidade — em que podemos fazer coisas incríveis e, ao mesmo tempo, realizar atrocidades inimagináveis — pode se tornar, se não é que já se tornou, algo danoso para a sobrevivência da nossa espécie no longo prazo.

Um exemplo claro disso é a jornada mais bem-sucedida já embarcada por nós: a ciência. Através dela, fomos capazes de dizimar diversas doenças antes consideradas incuráveis, aumentar a expectativa e a qualidade de vida, minimizar o tempo de locomoção entre locais, conectar todo globo em uma rede de comunicação mundial, além de criar indústrias antes inimagináveis e, a partir dessas, garantir o desenvolvimento econômico do mundo, só para citar algumas. Incríveis conquistas para uma espécie de primatas com um cérebro mais desenvolvido que os demais e que anda em suas duas pernas. Com tal método, conseguimos avançar tecnologicamente a escalas nunca pensadas antes, desde colocarmos os pés em outro mundo até enviar robôs para outros planetas e sóis. Porém, com essa mesma ferramenta, guerras foram iniciadas, armas foram desenvolvidas, matando um incontável número de pessoas no processo. Bombas de destruição em massa acabaram, no dia 6 de abril de 1945 na cidade de Hiroshima, com dezenas de milhares de vidas em questão de segundos, além de outras centenas de milhares em Nagasaki, no dia 9 de agosto do mesmo ano. Enquanto estamos tentando desenvolver a cura de doenças hoje incuráveis como o câncer, o mal de Alzheimer e a AIDS, buscando acabar com o sofrimento de incontáveis pessoas ao redor do planeta, hoje possuímos o poder destrutivo de dizimar toda a população mundial com bombas atômicas e outras armas de alta destruição. Somado a este fato, estamos destruindo a nossa casa planetária que chamamos de Terra, liberando imensas quantidades de gases do efeito estufa na atmosfera sem entender, ou em parte simplesmente negligenciando, o impacto que essa decisão acarretará para as próximas gerações. Assim como outras áreas do conhecimento, a ciência também está refém de decisões políticas que são tomadas por um pequeno grupo de indivíduos, sendo muitas vezes resultado de investidas econômicas por parte desses agentes. Faz sentido perguntar, logo, se possuímos a sabedoria suficiente para tomar uma decisão para, no mínimo, não causarmos danos maiores a nós mesmos e ao que está ao nosso redor.

Mesmo não possuindo o mesmo sentido utilizado por Houbes e Plauto, às vezes percebemos que, realmente, nós podemos ser nossos próprios “lobos”. A humanidade pode ser inimiga de si própria quando coloca sentimentos extremistas e imediatos na frente do pensamento crítico e de uma visão holística e de longo prazo. Devemos pensar mais sobre esta fase de nossa civilização. Estamos com uma ferramenta (o método científico) que possui capacidades exponenciais, porém se não utilizado de maneira correta mais se parece com uma arma na mão de uma criança. Mesmo parecendo pensamentos caracteristicamente filosóficos, são ideias que valem a pena serem consideradas. É o nosso papel como cidadãos conscientes entender sobre a contribuição que a ciência possui em nossa sociedade, não apenas em nosso país, mas em uma escala global — e isso inclui quem colocamos no poder e as políticas que possuem nesse sentido. Cabe a nós a escolha de fazermos desse um período de aprendizagem por meio dos inúmeros erros já cometidos. Caso negativo, talvez este seja o último erro de uma espécie que, mesmo tendo tido uma infância humilde, tantas qualidades e prospecções, tantos sonhos e objetivos, não conseguiu superar sua adolescência tecnológica e as suas perigosas crises.

*Por Weslley Victos

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*Fonte: ciencianautas

5 sinais de que uma pessoa é tóxica

Ninguém vem com selo de qualidade, certo?
Mais ou menos… Porque quando a pessoa é maldosa, mesmo sem querer, ela vai acabar deixando escapar atitudes que devem deixar você em alerta.
E, se você detectar ao menos três desses cinco sinais, mantenha distância dessa criatura.

Se ela ainda não aprontou com você, vai aprontar!

1 – Elas usam o que você diz para te prejudicar
Gente mau caráter pega uma informação inofensiva sua, vira do avesso, distorce e faz você parecer alguém em quem não se pode confiar. Também podem usar aspectos mais vulneráveis da sua personalidade para explorar você e tirar vantagem.

Por isso, bico calado! Fale o mínimo necessário, preserve sua vida pessoal, não conte suas ideias, planos ou problemas.

2 – Elas nunca falam a verdade
Essa gente ruim é incapaz de ser verdadeira. Ainda que a essência do que digam seja real, elas vão modificar, aumentar, torcer, de forma que a história as coloque como especiais, importantes, mais inteligentes ou espertas.

Portanto, deixe que falem sozinhas. Ligue o ouvido automático e abstraia.

3 – Nunca assumem a responsabilidade pelo que fazem
Essa gente oportunista é lisa feito um peixe ensaboado! Mesmo que sejam confrontadas com evidências inquestionáveis, vão negar e tentar escapar da culpa, ou pior, jogar a culpa para outra pessoa. Sua capacidade de inventar desculpas e argumentos em favor de si mesmas é assombroso! E são tão sedutoras e manipuladoras que chega uma hora que você começa a si sentir um crápula por ter duvidado dela.

Sendo assim, fique firme. Se você descobriu um mal feito dessa pessoa e tem certeza de que foi ela a causadora, ignore seus argumentos, corte a conversa e tome distância.

4 – Nunca vão se arrepender do que fazem
Essas pessoas tóxicas sabem perfeitamente o estrago que causaram na vida dos mais desavisados por uma simples razão: fazem tudo de caso pensado! E, nunca, jamais, em tempo algum, serão capazes de se compadecer da dor do outro. O outro é irrelevante para elas; são completamente frias e egoístas. Desde que se deem bem, o resto é resto!

Por isso, nunca crie expectativas. Não se iluda pela ideia de que “todos são capazes de mudar”. Esse tipo de pessoa, além de não mudar, piora com o tempo.

5 – Elas se alegram com a desgraça alheia
Um mau caráter tem prazer em ver os outros perderem, sentem-se protegidos por terem sido afetados pela perda e, se puderem, vão poluir a sua cabeça com ideias negativas, fofocas, sentimentos pessimistas e tudo o mais que seja útil para manter você numa situação vulnerável. Às vezes podem até se fingir de amigos e ficar ao seu lado numa situação catastrófica, pois são verdadeiros urubus.

Amigos verdadeiros estão sempre por perto e, sobretudo são capazes de ficar felizes com nossa felicidade e com nosso sucesso. Cuidado com os “amigos” que só se aproximam quando você está por baixo!]

*Por Ana Macarini

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*Fonte: revistapazes

O amor é mais falado do que vivido e por isso vivemos um tempo de secreta angústia

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.

O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.

Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito.

Não existe a troca vivida.

Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Quer conhecer o caráter de uma pessoa? Dê a ela algum poder

A Síndrome do Pequeno Poder é um transtorno de comportamento individual que mina as relações sociais e pode esfacelar qualquer chance de estabelecimento de convivência, em detrimento da satisfação de um indivíduo arrogante, autoritário e abusivo.

Pessoas acometidas por essa Síndrome costumam ter auto estima extremamente prejudicada, sendo levadas a ter a necessidade de humilhar o outro na tentativa de cessar um sentimento de menos valia. Diminui-se o outro para se sentir maior.

Esses indivíduos costumam viver inseridos em ambientes dentro dos quais não encontram lugar, sentem-se inferiores e, por causa disso, reagem agressivamente contra qualquer um que possa representar o mínimo questionamento à sua “autoridade”.

Autoridade é um bem que se conquista. É fruto do reconhecimento a uma habilidade desenvolvida, a um esforço empenhado, a um desempenho de papéis que explicita a competência. Autoridade depende da anuência do entorno.

Já o autoritarismo é outra coisa. É a instauração de um poder à força. É a atitude agressiva que busca subjugar o outro. O autoritarismo nasce da incompetência, da falta de recursos para administrar conflitos.

Lidar com uma pessoa tomada pela Síndrome do Pequeno Poder é dificílimo. Essas pessoas têm uma enorme dificuldade em estabelecer limites de convivência. Uma vez que ela tenha enxergado no outro uma ameaça ao seu suposto poder, ela não medirá ações ou modos para fazer valer a sua ilusória “autoridade”.

O poder verdadeiro emana do saber. Quanto mais sabemos sobre algo mais poder teremos sobre isso. E tudo o que estiver envolvido nesse saber depende do caráter ético e moral de quem o possui. Depende. Depende da importância social daquilo que se sabe, do que vai ser feito com esse saber; depende, ainda, de como e com quem esse conhecimento será partilhado.

As relações de poder na atualidade constroem-se a partir de uma rede complexa de relações. O modelo de hierarquia sólida, que já funcionou tão bem em outros momentos históricos anteriores, hoje não funciona mais. Ainda bem! E o indivíduo com visões distorcidas de poder não conta com recursos para perceber e gerir essa mobilidade.

O conhecimento foi incrivelmente democratizado, graças ao desenvolvimento tecnológico. Qualquer pessoa, dotada da capacidade de ler e compreender o que lê, tem acesso a uma infinita variedade de informações, sejam elas relevantes ou fúteis. Nunca foi tão fácil satisfazer uma curiosidade ou interesse de aprendizagem sobre o que quer que seja.

Esse acesso aberto ao conhecimento, no entanto, exige de nós uma dose muito maior de responsabilidade. Hoje precisamos ser agentes das decisões tomadas. O nosso fazer político, por exemplo… de nada nos adianta ter o poder de eleger nossos representantes se ainda teimamos em escolhê-los de forma irresponsável.

Pensando numa esfera institucional menor que o Estado; uma empresa, por exemplo. Em qualquer empresa, ainda que vigore uma estrutura de cooperação, alguém precisa estar em uma posição de mediador das relações; precisa haver um líder que seja responsável por garantir que haja organização, equilíbrio e produtividade. Sem uma liderança que prese por valores e pelas necessidades coletivas, instaura-se o caos.

E, uma vez instaurado o caos, todos ficam à deriva. O individualismo é o caos. Cada um pensando nos próprios interesses é o caos. A nossa natureza exploratória gerou o caos, numa crise ambiental sem precedentes. De tanto brincarmos de algozes, acabamos vítimas de nossa própria ambição desmedida.

Estaria tudo perdido? Não haveria salvação para nossa “raça humana”? Há. E ela está em nossas mãos, mais concretamente do que nunca esteve. Precisamos entender o que representa exatamente esse tamanho poder. Precisamos ressignificar o nosso papel nas relações com o outro e com o mundo.

O poder é necessário para impulsionar mudanças, para vencer obstáculos. Sua natureza é de cunho transformador. O que vai modular esse poder é o caráter de quem o exerce. E não importa se o autor do comportamento abusivo é um líder de governo, o segurança da balada, o pai de família ou um parceiro de trabalho. O abuso precisa ser detido.

O abusador é alguém que faz mau uso do poder que tem, ou imagina ter. E, não raras vezes a única forma de fazê-lo parar é garantir que ele não tenha nenhuma chance de sequer pensar que pode mais que os outros. Nenhuma relação interpessoal pode basear-se em posturas de dominação e exploração. Infelizmente, em muitos casos não adianta insistir, porque para falta de caráter ainda não inventaram remédio. Nem adianta procurar no Google!

*Por Ana Macarini

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*Fonte: contioutra

Estamos num ponto em que precisamos de menos Whatsapp e mais abraços

Certamente a tecnologia, as redes sociais, as mensagens instantâneas se
tornaram um excelente recurso para nos manter conectados com o mundo,
especialmente com as pessoas de nossa afeição, aqueles que não temos
disponibilidade para ter perto quando as necessitamos expressamente, no
entanto, isso não deve ser, em nenhum caso, algo para nos isolar em um mundo
cibernético e nos fazer esquecer as coisas importantes e detalhes que nos
alimentam a alma.

As visitas inesperadas, os abraços, os olhares expressivos … a presença,
devem ser as coisas que sigam mantendo valor, não devemos nos contentar com
emoticons e rótulos em fotos como mecanismos de contato e proximidade. As
redes sociais estão tendo um boom tão grande que, assim como nos aproximam
dos que estão longe, incluindo pessoas que nunca vimos, além de algumas fotos,
elas também nos afastam das pessoas que estão ao nosso lado.

É cada vez mais comum ver pessoas em lugares públicos que não se
comunicam, que não se olham nos olhos, que estão concentradas em uma tela de um telefone celular. Devemos voltar ao hábito de dar carinho de maneira presencial, prestando atenção em quem fala conosco, sem fazer intervalos para checar o celular.

É necessário viver cada momento e realmente desfrutar dele, além de estar
ciente de capturar uma foto de algo que provavelmente nem exista, apenas para
compartilhá-lo com pessoas que não estão necessariamente interessadas em
nossas vidas. Devemos aprender a amar e aceitar a nós mesmos para além de
um número de gostos, não devemos viver buscando a aprovação dos outros
para nos sentirmos bem conosco e menos dispostos a transmitir algo que muitas
vezes não somos parados.

A tecnologia e tudo o que ela traz de mãos dadas é muito benéfica, quando
sabemos como usá-la, limitá-la e abrir espaço para ela em nossas vidas até
certo ponto, sem que ela se torne o centro de nossa atenção.

Não devemos negligenciar nossos relacionamentos pessoais, não podemos
substituir beijos, abraços, carícias, nada que recebemos por meio de um
dispositivo eletrônico, aproveitemos a tecnologia e usemos-a em nosso favor,
não contra nós, porque quando nos acostumamos a sentir através de uma tela,
perderemos o gosto pela magia que só a presença pode nos oferecer.

Abrace, beije, sinta, sussurre em seu ouvido, delicie-se com uma conversa, perca-se rapidamente, enrosque seus pés com a pessoa que você ama, observe seus gestos, ouça sua voz, sinta, se alimente do contato que nutre e usa o resto os recursos quando você não tem outra opção, não o contrário.

*Por Sara Espejo

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Essa simples atitude pode salvar seu relacionamento

Leia as afirmações a seguir: “Em geral, o sacrifício é um componente necessário dos relacionamentos íntimos” e “É normal fazer sacrifícios em relacionamentos íntimos”?

Um dos pontos positivos de ter um relacionamento romântico é ter uma pessoa que possa apoiar e ajudar quando quando precisamos. Em bons relacionamentos, os parceiros se ajudam mutuamente, apoiam o outro quando ele está estressado ou triste e conciliam as necessidades um do outro fazendo sacrifícios ou se comprometendo. Se você espera este tipo de atitude do seu parceiro, não está só. E se você não pudesse contar com seu companheiro para ajudar quando precisa, o que isso quer dizer?

No entanto essas expectativas podem ser um tiro pela culatra. Esperar que sua parceira desfaça seus planos de sairem com os amigos porque você voltou de viagem e está cansado demais para fazer qualquer coisa além de cobertor e Netflix, provavelmente quer dizer que você estaria em um relacionamento em que vocês se apoiam e sacrificam um para o outro. Porém, de acordo com novas pesquisas, isso também quer dizer que há menor probabilidade que você seja grato pelo sacrifício do seu companheiro e, por isso, poderia ficar menos feliz com o seu relacionamento. Uma equipe de cientistas que pesquisam relacionamentos na Holanda observou 126 casais durante 8 dias. Todos os dias cada parceiro relatava todos os sacrifícios que teriam feito (desistido de algo que queriam para acomodar o parceiro), relatavam também seu grau de gratidão pelo parceiro, o grau de respeito ao parceiro e o quão satisfeitos estavam com o relacionamento. Todos os voluntários também responderam quatro perguntas sobre quais seriam suas expectativas de sacrifício, inclusas as duas que citamos no início deste artigo (as demais eram: “As pessoas precisam se sacrificar para preservar um relacionamento saudável” e “Espero que meu parceiro se sacrifique em nossa relação”).

Quando os pesquisadores analisaram os dados de como as expectativas transformavam as reações aos sacrifícios, observaram que as pessoas sentiam mais gratidão, respeitavam mais seus parceiros e eram mais satisfeitas com seus relacionamentos naqueles dias em que observavam que seus companheiros haviam se sacrificado por elas. Mas sentiam isso muito mais intensamente se elas tinham baixas expectativas relativas ao sacrifício do outro. As pessoas que tinham expectativas fortes de sacrifício se comoviam muito menos com o sacrifício e não demonstraram maior intensidade na gratidão, satisfação ou no respeito nos dias que percebiam que seu parceiro teria se sacrificado por eles ao comparar aos dias sem sacrifício.

No fim das contas pensar que temos que ser apoiados por nossos parceiros nos torna complacentes. E quando recebemos apoio consideramos que é nada mais que a obrigação de nosso parceiro. Não sentimos muita gratidão por isso.

O que fazer? É difícil não ter expectativa de comportamentos que ocorrem com frequência. Somos seres muito adaptáveis. Por essa razão temos que nos habituar a agradecer quando nossos parceiros se sacrificam por nós, mesmos nas pequenas coisas como lavar uma louça ou deixar a sua escova de dentes já com creme dental na pia do banheiro. Essa ausência de demonstração de gratidão pode levar que sua parceira ou parceiro não se sinta tão animada a se sacrificar por você no futuro.

Outra sugestão: tente abordar o assunto das expectativas de apoio e sacrifício com seu parceiro – neste trabalho, os cientistas encontraram uma correlação fraquíssima entre as expectativas dos parceiros (r = 0,11). Isso quer dizer que você pode estar esperando sacrifícios do seu companheiro enquanto ele não tem essa expectativa. Pode ser útil esclarecer as coisas! Que tal puxar a conversa mandando este link? E se você não se sentir valorizado por não receber gratidão pelos seus sacrifícios como pensa que merece tenha em mente que seu parceiro pode ter as mesmas expectativas. [Psychology Today]

*Por Marcelo Ribeiro

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*Fonte: hypescience

CuriosidadesPsicologia Essas são as 7 pequenas coisas que pessoas inteligentes fazem diferente

Tem havido muito debate sobre inteligência ultimamente e, embora você possa saber que pessoas inteligentes mantêm bons hábitos, você pode estar se perguntando como exatamente implementá-los com mais facilidade na sua vida sem abandoná-los (quem nunca tentou começar algo e desistiu alguns dias ou semanas depois, que atire a primeira pedra!). De acordo com terapeutas, há uma série de pequenas coisas que as pessoas inteligentes fazem de forma diferente, e saber como aprender esses mesmos hábitos pode auxiliar você a encontrar mais serenidade e clareza na vida.

Há muitas maneiras diferentes de incorporar atenção ativa – requisito essencial de paz interior – em seu dia a dia, e ter uma ideia do que os outros fazem pode ajudá-lo a criar alguns bons hábitos de sua preferência. Portanto, veja só 7 pequenas coisas que pessoas inteligentes fazem diferente, resultando em mais tempo e serenidade em suas vidas:

1 – Elas evitam ser pessoas multitarefas

Muitas vezes tendemos a pensar que ser multitarefa é uma ótima maneira de ser mais produtivo, afinal por que fazer uma coisa só se é possível fazer várias coisas ao mesmo tempo?

Mas acontece que a multitarefa é algo que não existe – estamos na verdade apenas mudando nossa atenção de um lado para o outro, e isso não é nada bom para o nosso cérebro. “Faça uma atividade de cada vez, começando do meio até o final, antes de começar outra”, diz a terapeuta Heather Edwards. A cada vez que quebramos a atenção de uma atividade e mudamos para outra – seja checando o e-mail, conversando com alguém ou qualquer outra coisa – estamos deteriorando nossa energia mental mais rapidamente.

2 – Elas evitam usar o celular toda hora

Pessoas inteligentes evitam a tecnologia quando estão envolvidas em outras atividades ou em torno de outras pessoas. “Configure seu telefone para o modo silencioso ou desligue-o durante a hora de fazer algo que não precisa do seu dispositivo celular”, diz Edwards. Durante uma conversa, por exemplo, olhe nos olhos da pessoa com atenção. Abra seus sentidos completamente para o que ela está falando e seja curioso sobre o que está acontecendo em seu redor, refletindo sobre isso.

3 – Elas elevam seu padrão de pensamento

A vida de todos nós contém tanto pontos positivos quanto negativos, mas pessoas inteligentes optam por se concentrar em um padrão mais elevado de pensamento – consequentemente sendo positivas, sem forçar. “Focar no negativo é uma tendência humana normal”, diz o psicólogo clínico e PhD Inna Khazan. “Desenvolveu-se através da evolução e permitiu que os seres humanos sobrevivessem como espécie. No entanto, esse viés de negatividade não é muito útil hoje em dia, porque é, de certa maneira, pensar pequeno”. Pensar pequeno significa abaixar o padrão de pensamento. Um exemplo seria “Por que fulano X fica fazendo esse tipo de coisa irritante e injusta?”. O pequeno sempre tende a focar no outro, em problemas dificilmente solucionáveis para evitar ser responsável (ninguém pode mudar o outro), nas pequenas oportunidades e nas dificuldades estressantes da rotina.

Elevar o padrão de pensamento, porém, é elevar-se não acima dos outros, mas sim para um local de dignidade para si mesmo. Ser curioso pela vida, pensar nas soluções, nos sonhos grandes e buscar respostas nos fazem naturalmente ver os problemas (como ter uma tarefa estressante a ser desempenhada, por exemplo) como uma etapa do desafio de alcançar aquele seu grande objetivo.

4 – Elas pausam antes de reagir

“Quando confrontados com pensamentos difíceis, emoções, sensações físicas ou situações, elas são mais capazes de fazer uma pausa e escolher uma resposta útil, ao invés de reagir automaticamente”, diz Khazan. “Todos nós temos reações automáticas habituais a eventos difíceis, mas geralmente não são maneiras muito úteis de responder”. Meditar pode ajudar a fortalecer essa habilidade, bem como pausar e respirar algumas vezes antes de reagir por impulso.

5 – Elas observam seus próprios pensamentos

Estar ciente de seus padrões de pensamento e quando sua mente se transforma em negatividade ou estresse é o coração da atenção ativa. “As pessoas inteligentes aprendem a perceber quando estão se prendendo a um pensamento negativo em relação a si mesmas ou aos outros e incrivelmente encontram maneiras de focar na bondade e gratidão”, diz Miles. “Elas percebem que quando o corpo se agarra a esse pensamento, a tensão aumenta porque os químicos do estresse, adrenalina e cortisol são secretados. Em contraste, quando o foco está na apreciação do momento atual, o corpo secreta dopamina e oxitocina, que são calmantes”.

6 – Elas prestam atenção à respiração

Concentrar-se na respiração é uma ótima maneira de chegar ao momento presente. “Pessoas inteligentes examinam seu corpo durante o dia e percebem quando estão tensas e prendendo a respiração”, diz Miles. “Um exemplo é pensar a palavra ‘estou’ na inspiração e ‘calma’ na expiração”. Esta sequência pode te ancorar para o aqui e agora e tirar a mente de preocupações ao longo do dia.

7 – Elas cuidam de si mesmas

Pessoas conscientes fazem questão de cuidar de si mesmas quando sentem que algo está errado. “As pessoas que regularmente praticam atenção plena notam quando estão ficando estressadas e são capazes de intervir com um autocuidado intencional”, conta a terapeuta Jessica Tappana. Seja através de alguns copos de água para refrescar o corpo ou uma caminhada para limpar a mente, aqueles que praticam a atenção plena diariamente sabem como fazer o check-in e se recentralizam quando necessário.

8 – Elas focam em ouvir – e ouvir de verdade

Pessoas inteligentes são melhores ouvintes: “Através da prática da atenção plena, você aumenta sua capacidade de prestar atenção ao que a outra pessoa está dizendo”, diz Tappana. Sabe quando você está falando com alguém e só esperando a pessoa parar de falar, para que você possa dizer algo? Então, isso é exatamente o contrário de ouvir de verdade. “Ao aprender a focar sua atenção, você será capaz de permanecer presente quando outra pessoa estiver falando, e seus amigos e familiares certamente notarão a diferença”.

9 – Elas pausam de manhã

Em vez de sair correndo da cama, as pessoas inteligentes observam como se sentem. “Quando você acorda de manhã, simplesmente estique seus membros e tronco antes de sair da cama”, diz Edwards. “Realmente sinta o apoio e o conforto de sua cama e cobertores. Sintonize essas sensações por um momento”.

É preciso um esforço constante, mas você consegue ver como essa soma de qualidades torna as coisas mais leves? Ser inteligente, em essência, é poder aproveitar melhor a vida. Aprendendo com esses hábitos de pessoas inteligentes, você pode melhorar sua saúde mental, seus relacionamentos e conquistar muito mais.

*Por Luciana Calogeras

 

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*Fonte: misteriosdomundo

Entenda como funciona a paranoia nos dias de hoje

O significado da palavra paranoia vem do grego para = ao lado de, fora, e noia = de si, ou seja, fora de si. Vamos abordar a paranoia a partir da teoria crítica da psicanálise e da sociologia, desmistificando essa patologia como algo distante dos sujeitos “normais”.

A psicanálise investigou os sintomas da paranoia, que aparecem através da fala, do sonho, da dor psíquica, do prazer, do desprazer e da sexualidade. Os elementos da paranoia são encontrados nas pessoas e nas relações sociais, diferenciando seu nível em cada uma delas.

Os delírios paranoicos costumam estar vinculados aos mecanismos de projeção, pois o conteúdo é projetado em um objeto pelos sujeitos, fazendo com que tal objeto se torne uma ameaça. A tragédia da paranoia é o dano aos cinco sentidos, isto é, a perda do contato com o mundo que faz sentido.

Assim Freud inseriu a paranoia, não só no delírio de perseguição, como no delírio de ciúme e no delírio de grandeza. Por isso, muitos homens transferem seus delírios de ciúmes no sentido de humilhar e agredir suas namoradas, esposas ou ex-mulheres.

Os sujeitos paranoides, em termos afetivos, se aproximam de qualquer relação com a crença de que os outros irão cometer um erro e admitir suas suspeitas. E por consequências, as amizades são desfeitas, as relações amorosas são rompidas e os negócios são rescindidos.

Aliás, o delírio de perseguição se refugia nas religiões, que têm uma doutrina paranoica, por mais absurda que pareça, conseguem dominar milhões de pessoas, prometendo a elas proteção aos encalços dos demônios, que são os culpados pelas doenças e derrotas dos fiéis.

No âmbito social, as perseguições também são sinais visíveis do nosso mundo líquido. O motivo maior é o medo, que incentiva a busca paranoica por segurança, porque o mal pode estar oculto em qualquer lugar, e não se pode confiar em ninguém.

Ergueu-se uma concepção de segurança, que impõe a lógica da vigilância, do isolamento e da aquisição de armas, projetando os delírios paranoicos de modo constante. A pseudo atmosfera de insegurança instituiu o medo na cabeça dos indivíduos, tencionando a nossa vida cotidiana.

Essa tensão nasce de supostas ameaças internas, que podem vir das favelas e as externas, que podem surgir de imigrantes deslocados pelo mundo. O medo acaba formatando uma sociedade paranoica, onde todos são virtualmente perigosos à primeira vista.

Além disso, o nosso conceito de felicidade está cheio de delírios de grandeza, já que em primeiríssimo lugar: o “belo” e o “melhor” pertencem apenas a uma confraria que se intitula de “Very Important Person”. Há criaturas que gastam o que não têm para frequentar o mundo VIP!

Porém, o que é ótimo saber, que encontramos gente com inteligência espiritual em todos os setores sociais, que valorizam a condição humana acima de tudo, como fizeram os grandes mestres da humanidade, orientando as pessoas a não caírem nos esquemas paranoicos dos dias de hoje.

*Por Jackson César Buonocore

 

 

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*Fonte: psicologiasdobrasil

Escuta reativa: pessoas que ouvem para refutar, não para entender

Você já conversou com uma pessoa e, apesar de ter recorrido a um grande arsenal de argumentos, você teve a sensação de falar com uma parede? Mesmo que você tenha lutado para explicar suas razões e entender as suas, para chegar a um acordo, você provavelmente teve a sensação de que elas não o entendem – ou não querem entendê-lo.

Não é que os seus argumentos tenham sido transformados em rabiscos, é provável que o diálogo não progrida porque o canal de comunicação foi quebrado – ou nunca estabelecido – porque o seu interlocutor não pretendia realmente compreender, mas apenas refutar.

Escuta reativa: Primeiro eu, depois eu e depois eu de novo

Epicteto disse que “assim como há uma arte de boa fala, há uma arte de ouvir bem”. E todos nós podemos ouvir, mas poucos são capazes de escutar.

A escuta ativa é uma habilidade relativamente rara, porque envolve não apenas ouvir o que a outra pessoa está dizendo, mas prestar atenção aos sentimentos e emoções subjacentes. Para isso, é essencial sair de nossa posição egocêntrica e assumir uma postura empática, sendo capaz de nos colocar na pele do outro para compreender plenamente sua mensagem.

A escuta ativa também implica um interesse autêntico na pessoa e em sua mensagem. Isso não significa que concordamos com suas idéias, mas estamos interessados em entendê-las. É por isso que é sinônimo de respeito e vontade de dialogar.

Infelizmente, em uma sociedade cada vez mais narcisista, muitas pessoas não conseguem desenvolver uma escuta ativa. Em vez de ouvir seu interlocutor para entender suas idéias e sentimentos, eles apenas ouvem seus argumentos para refutá-los, como se fosse um duelo.

A escuta reativa, como eu chamo este tipo de comunicação, implica entrincheirar-se por trás dos próprios pontos de vista, e acaba se tornando um obstáculo ao diálogo. Implica reagir às idéias do interlocutor de um ponto de vista egocêntrico, para impor seus próprios critérios, sem a intenção de chegar a um acordo vantajoso para ambos.

A pessoa que coloca em prática uma escuta reativa limita-se a reagir a partir de suas emoções, crenças e idéias, sem levar em conta as do interlocutor. Desta forma, não é possível criar o espaço compartilhado necessário para que ocorra a compreensão, de modo que acaba instalando um diálogo surdo.

Como saber se uma pessoa iniciou uma escuta reativa?

1. A pessoa não leva em conta o que seu interlocutor diz. Se ouvir os seus argumentos, é apenas para refutá-los.

2. Ele não presta o devido interesse nas palavras de seu interlocutor, demonstrando uma quase total falta de empatia.

3. Só está interessado em transmitir a sua mensagem – a qualquer custo – fechando qualquer argumento contrário às suas idéias.

 

O que mascara a escuta reativa?

Muitas pessoas praticam a escuta reativa porque querem afirmar seus argumentos – não importa como ou a que preço. Basicamente, elas não estão interessadas nas idéias ou motivos que você pode lhes dar, porque seu objetivo principal é impor suas razões, de modo que sua visão prevaleça.

Essas pessoas não estão procurando por um diálogo, mas sim começam uma batalha em que querem vencer. Elas não assumem o diálogo como uma oportunidade para crescer, mas como um duelo. Portanto, é provável que percebam seus argumentos como uma ameaça, simplesmente porque elas não correspondem aos delas, então sentem que precisam se defender.

Isto implica que eles ignorarão qualquer vislumbre da verdade que possa encerrar sua mensagem e que possa ajudá-los a mudar de ideia, ampliar sua perspectiva ou enriquecer seu ponto de vista, porque estão apenas à procura de possíveis contradições, imprecisões ou hesitações para contra-atacar.

É claro que todos podemos praticar a escuta reativa de tempos em tempos, especialmente quando sentimos que estamos atacando nosso ego e nos tornamos defensivos, mas assumi-lo como um estilo comunicativo implica pouca autoconfiança.

Uma pessoa madura, assertiva e autoconfiante não sente a necessidade de impor seus argumentos, mas está aberta ao diálogo e receptiva a diferentes pontos de vista que podem enriquecer sua visão de mundo ou ajudá-lo a entender melhor quem está à sua frente. . Portanto, no fundo, a escuta reativa é a expressão de um ego frágil ou de profunda insegurança pessoal.

Martin Luther King disse que “sua verdade aumentará quando você souber ouvir a verdade dos outros”. A pessoa que fecha as portas para as idéias dos outros acaba correndo o risco de ficar presa a uma visão cada vez mais limitada do mundo, da vida e de si mesma.

Os 3 passos para desativar a escuta reativa

Conversar com uma pessoa que escuta de forma reativa é muitas vezes exaustivo. É provável que você tente diferentes caminhos / argumentos e cada um tropeça em uma parede de mal-entendido. Isso pode ser muito frustrante. Nesses casos, para que o diálogo progrida, você precisa desativar esse modo de escuta.

No entanto, você deve partir do fato de que toda comunicação contém certo grau de dispersão, pois o que você acha do que seu interlocutor entende é uma boa distância. É por isso que você deve garantir que sua mensagem chegue da forma mais clara possível.

1. Estabeleça um ponto de partida comum. Continuar apresentando argumentos, ad infinitum, não ajudará. Você precisa voltar no começo. E estabeleça um novo ponto de partida com o qual ambos concordam. Em um relacionamento, esse ponto de partida pode ser que vocês dois se amem. Em uma relação de emprego, o ponto de partida pode ser que ambos precisem resolver o problema ou finalizar o projeto.

Essa verdade compartilhada permitirá, por um lado, encurtar a distância psicológica que foi criada e, por outro lado, estabelecer um precedente de concordância que predisponha positivamente o diálogo, fazendo com que ambos olhem na mesma direção, embora cada um pareça diferente. . E isso já é um grande passo em frente.

2. Baixe as defesas. Não há nada pior para entender do que se sentir atacado. Portanto, você deve garantir que seu interlocutor se sinta relativamente à vontade. Use um tom de voz suave e calmo. Não precisa se mexer. Deixe-o saber que você entende seus argumentos e que entende sua posição, que seu objetivo é chegar a um acordo com o qual ambos se sintam à vontade, não para impor seu ponto de vista.

Se você conseguir derrubar os muros que seu interlocutor havia erguido, pode não chegar a um acordo imediatamente, mas pelo menos é provável que seus argumentos caiam e faça com que ele mude de ideia mais tarde. Para fazer isso, em vez de “atacar” suas ideias ou sentimentos, o ideal é falar sobre como você se sente e como essa situação afeta você. Em vez de acusar, fale sobre você. Mostrar vulnerabilidade é geralmente a ferramenta mais poderosa para desativar a escuta reativa e ativar a escuta ativa.

3. Aproveite cada acordo, por menor que seja. À primeira vista, parece uma contradição, mas a única maneira de fazer com que uma pessoa entenda e aceite seus argumentos é entender e aceitar os dele. A escuta reativa expira com a escuta ativa. Se você ativar uma escuta reativa, só poderá mergulhar em um diálogo de surdos.

Ouça os argumentos de seu interlocutor, não com a intenção de refutá-los, mas de procurar pontos em comum, por menores que sejam, e usá-los como tijolos para criar um discurso comum. Incorporar suas idéias na deles, para avançar pouco a pouco. A compreensão não é alcançada saltando de desacordo para acordo, mas construindo passos baseados em idéias ou sentimentos comuns. Toda vez que você destaca esses pontos de contato, você quebra as barreiras entre o “eu” e o “você”, criando um espaço de comunicação compartilhado que facilita a compreensão.

Finalmente, se você perceber que, naquele momento, a compreensão é impossível, é melhor ajustar a conversa para outra hora. Não discuta com um tolo ou com uma pessoa que, naquele momento, ficou ofuscada demais para progredir no diálogo. Lembre-se de que às vezes é melhor preservar a paz interior do que estar certo.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Somente 20% dos brasileiros busca conversar com quem pensa muito diferente, aponta pesquisa

Não dá pra negar, as eleições presidenciais de 2018 firmaram um movimento que já vinha acontecendo há um bom par de anos: a polarização e os radicalismos criaram um abismo comunicacional entre nós. Brigamos com familiares, deletamos amigos, fizemos uma peneira nas pessoas que nos cercam. E por mais que, numa primeira olhada, isso pareça bom, a verdade é que também há um lado negativo nesses isolamentos ideológicos. Estamos presos em nossas bolhas.

Nas redes sociais, o fenômeno é bem óbvio: os algoritmos trabalham na criação de malhas ideológicas restritas e inacessíveis a quem pensa diferente. Como resultado, feeds filtrados de acordo com a visão de mundo particular de cada usuário. No ambiente digital, o encontro com ideais e ideias distintos dos nossos está numa decrescente exponencial. Buscamos aquilo que nos agrada e seguimos alimentando esse mecanismo que nos encarcera dentro de nós mesmos. Construímos muros cada vez mais altos e deixamos que, assim, nossa capacidade de dialogar com o outro se atrofie. Mas uma pesquisa recente, realizada pelo site PapodeHomem e Instituto Avon, mostra que há luz, ainda que por ora escassa, no fim do túnel — pelo menos quando os embates tratam de gênero.

Lançado no final de abril, no 6º Fórum Fale sem Medo — um dos principais eventos brasileiros para discutir a violência contra mulheres e meninas — o estudo ouviu mais de nove mil pessoas pelo Brasil. “Queríamos dar continuidade a uma conversa que começou em 2018, durante a campanha 21 dias de Ativismo, o #ComTrato, sobre as violências que não matam, mas matam mesmo assim, e que abordou como tratar com gentileza assuntos e temas importantes para a construção de relações saudáveis. Escolhemos esse tema porque entendemos que para para construir esse mundo é necessário senso de corresponsabilidade. A construção desse senso depende de valores e objetivos compartilhados entre as pessoas, que por sua vez só podem ser construídos por meio do diálogo”, afirma Mafoane Odara, coordenadora de projetos do Instituto Avon. Questionada se a escolha da temática poderia causar resistência do público, Odara explica: “Não estamos propondo diálogos e conversas forçadas, muito pelo contrário, estamos convidando as pessoas para viverem novas experiências na conversa com quem pensa diferente”.

Entre os achados apresentados durante o evento, o dado de que 70% dos entrevistados acredita que conversar com quem pensa muito diferente é algo positivo. “Mas, desse número, apenas 15% das pessoas está no perfil que chamamos ‘Construtoras de pontes’, que são indivíduos que buscam essas conversas com os diferentes, que lêem notícias com opiniões contrárias às suas e apoiam o diálogo. O restante não tem interesse em buscar ativamente esses diálogos ou não sabe como fazê-lo”, explica Guilherme Valadares, fundador do PapodeHomem. Entre os obstáculos estão a agressividade das conversas, apontada por 64% do público, seguida de radicalismo e falta de energia.

“Furar a bolha é estratégia”

A frase, dita pela filósofa Djamila Ribeiro em uma de suas entrevistas, é a folha de rosto do livro gratuito disponibilizado pela pesquisa — com versão para desktop e mobile. A ideia, com a publicação, é não só trazer dados e insights do estudo, mas também ferramentar as pessoas para que coloquem em prática diálogos mais benéficos: “Ele aprofunda os achados da pesquisa e oferece um guia de boas práticas e recomendações bastante específicas e sólidas de aprofundamento. Quem colocar em ação o que sugerimos por lá, com diligência e regularidade, com certeza pode se tornar um ativista da construção de pontes”, diz Valadares.

Os insights também se desdobraram em um minidocumentário, que pode ser assistido online, nos canais do YouTube do PapodeHomem e do Instituto Avon e que tem o objetivo de inspirar debates e rodas de conversa pelo País. No filme, o foco se expande para além de gênero e traz outras discussões importantes, como raça e política.

Em caráter coletivo, vale lembrar do momento político em que estamos inseridas e inseridos. Garantir que pensamentos divergentes coexistam é a pedra basilar de sistemas democráticos. Apesar de enfrentarmos cortes afrontosos em nosso direito de oposição e de exprimir valores dissidentes — vide promessa bolsonarista de acabar com o ativismo —, é urgente que sigamos na vigilância constante para que não tenhamos mais essa liberdade cerceada.

No âmbito privado, no tête-à-tête do dia a dia, é importante ressaltar que conversar com quem pensa diferente — ainda mais em casos explícitos em que há preconceito ou desigualdade — não é tarefa fácil e nem para qualquer pessoa. Requer preparo, estofo emocional, paciência, habilidade de sustentar um campo em que a conversa flua com o mínimo de respeito. É uma competência, no entanto, que pode ser aprimorada por quem tem interesse e coragem. Mesmo que desafiadores, diálogos assim podem ser usados como ferramenta na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Longe de desvalidar iniciativas agressivas e necessárias de ativismo — que estão aí nas ruas garantindo conquistas históricas e também evitando que haja mais reduções nos direitos das minorias —, conversar é uma opção que corre em paralelo e que vez que outra também se encontra com a luta. Porque a construção coletiva requer enfrentamento e pé na porta, sim, mas também requer que nos comuniquemos — inclusive com quem não gostamos.

*Por Gabrielle Estevans

 

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*Fonte: hypeness

Pais

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

Khalil Gibran

Como se livrar dos chatos

Os chatos. Quem são eles? Onde eles vivem? Como se reproduzem sendo tão insuportavelmente chatos?

Estudos indicam que os chatos (nome científico: australopitacus irritantus) existem desde o início dos tempos. Quando o primeiro troglodita desenhou o primeiro mamute na primeira caverna, o primeiro chato chegou e disse: “Que coisa ofensiva, Ugh! Vou falar pro shaman te jogar no vulcão amanhã de manhã…”

Antigamente, era fácil identificar o chato. Era o cara sozinho na festa, encostado na parede e sorrindo amarelo. Hoje tudo mudou. O chato tem coluna em jornal, blog em portal, canal no youtuber, voz no podcast, talkshow na TV, perfil no Facebook, conta no Instagram e arroba no Twitter.

O chato adora verdades absolutas. E acha que tem a missão sagrada de chatear todo mundo que não tem a mesma certeza fundamentalista. Existe o chato teísta ou ateísta, materialista ou espiritualista, esquerdista ou direitista, vegano ou miliciano, capitalista ou comunista, bolsonarista ou lulista, academicista ou terraplanista. Não importa. Os chatos, mesmo diferentes, são absolutamente iguais. E estão todos unidos num mesmo propósito: passar a vida enchendo o saco e então morrer.

Isso não pode! Isso não dá! Isso eu não gosto! Isso me ofende! Isso é um absurdo! Isso eu não entendo! Isso eu não concordo! Isso deve ser proibido! Isso precisa ser apagado! Isso merece ser censurado! Isso tem que ser rasgado!

O chato é a vizinha fofoqueira do bairro, só que agora com tecnologia 5.G.

Existe, contudo, uma maneira infalível de se livrar do pentelho. Chato é igual assombração: se você ignora, ele vira abstração.

*Por Edson Aran

 

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*Fonte: revistabula

Aos outros dou o direito de ser como quiserem, e a mim, dou o dever de ser a cada dia melhor

Amigos que só te procuram quando precisam desabafar, gente que só se lembra de você quando precisa de um favor.

Pessoas que despertam o amor de outras sem a intenção de corresponder. Nada disso tem a ver com quem você é.

Por isso, jamais se culpe por dar o seu melhor, por acreditar, por se dedicar, por ser sincero, por ser bom e se entregar.

Cada um só pode dar o que tem. E como sempre digo, é sobre quem somos e não sobre quem eles são.

Às vezes, a gente cansa, a gente desanima. Às vezes, apanhamos tanto da vida, nos decepcionamos tanto com as pessoas, que chegamos até a pensar que ser uma pessoa boa, pode não ser tão bom assim.

Às vezes, a gente acha que é utopia esperar que nos tratem da maneira que tratamos os outros, porque o mundo anda estranho demais.

Mas a verdade é que quando a essência é pura, o coração é sincero e as intenções são boas, não devemos nos arrepender, independente daquilo que recebemos de volta.

Porque, o que transborda dentro do coração de alguém se materializa em suas atitudes.

Então, que a gente continue cultivando bons sentimentos, valores e comportamentos, para que todas as nossas ações contribuam para um mundo melhor, para uma vida melhor, mesmo que nem todas as pessoas pensem e façam da mesma maneira.

Se mantivermos o autorrespeito, o amor-próprio e fizermos o melhor que pudermos, se dermos o nosso melhor, não teremos, nunca, nada do que nos arrepender.

Afinal, nossa responsabilidade é com o nosso caráter, com a nossa verdade, e com as nossas ações. E como disse Chico Xavier: Aos outros dou o direito de ser como quiserem, e a mim, dou o dever de ser a cada dia melhor.

Os outros são os outros, por isso, preocupe-se apenas em ser uma pessoa melhor, não só para aqueles com quem convive, mas ser uma pessoa melhor para si mesmo.

*Por Wandy Luz

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*Fonte: fasdapsicanalise

Ninguém se apaixona pela pessoa errada, apenas se encanta por ilusões que ela mesma inventa

Essa coisa de amor à primeira vista, não sei… não entendo. Isto nunca aconteceu comigo, talvez por acreditar que amor não é encantamento, mas sim, vivência. Desconfio de coisas fantásticas demais.

Perdi a ilusão com os contos de fadas, quando descobri que tapete mágico servia apenas para me deslizar, que castelo era solitário demais e que príncipe não passava de um homem normal qualquer. Percebi que tudo que li nos romances ou assisti na tv, apenas foram inventadas para nos fazer sonhar e aliviar algumas rotinas.

Desilusão não faz ninguém amargo, é você que permite se envenenar. Desilusão serve para que nos amadurecermos e crescermos também. Até as negatividades da vida são lições para melhorar o nosso eu. Inventamos, criamos e vivemos nossos dias. Todo mundo acaba criando expectativas com relação às pessoas e a vida.

Nem sempre somos pés no chão como deveríamos, porque criamos ilusões e investimos nessas falsas realidades. Quando estamos apaixonados ou encantados por alguém acabamos vendo beleza onde não tem, vemos humor em piadas sem graça e qualidades demais onde não existe, porque os sentimentos tem essas cegueiras estranhas.

Às vezes, levamos muito tempo para percebermos que aquele amor não passa de um gostar intenso, que aquele paquera não passa de mais um idiota, que aquela pessoa que você apostou até o último centavo não passa de um sacana. Criamos tantas expectativas com relação a alguém que até inventamos para nós mesmas que ele é bom.

Acreditamos em tantas ilusões perdidas e não temos o controle disso, muitas vezes. Ainda não foi inventado um botão para deletar ilusões que inventamos e que servem apenas para nos trapacear, infelizmente.

Apaixonamos algumas vezes, talvez milhares de vezes e cada ilusão é diferente, porque nossas perspectivas mudam de pessoa para pessoa. Inventamos um gostar íntimo para cada pessoa que passa em nossa vida e inventamos ilusões diferentes para cada um. Ninguém é igual, similar ou genérico, cada pessoa é única e sem restrições até que apareça algum mal estar para atormentar.

A realidade é muito diferente daqueles contos de fadas. A desilusão marca a gente para sempre. Viver é acertar e errar; é apostar, ganhar e perder; é ser real e fantasia; é inventar ilusões boas e ruins; é trapacear e jogar… viver é também inventar problemas, principalmente, quando cismamos com alguém que não passa de ninguém.

Ninguém se apaixona pela pessoa errada, a verdade é que inventamos expectativas e ilusões maravilhosas com relação a quem estamos envolvidos. Quando envolvemos com alguém não medimos o encantamento, muito menos prevemos se vai ser bom ou não, então vamos criando ilusões para que essa pessoa se torne especial.

Eu não acredito em amor à primeira vista, é verdade, mas acredito piamente na possibilidade de um amor para sempre. Inventei muitas ilusões e vivi todas elas e não me arrependo, porque quem não investe em um alguém especial, perde a chance de conhecer uma pessoa inesquecível ou não aprende a escapar de mais uma desilusão. Como diz uma música que a Marília Mendonça canta: ninguém se apaixona pela pessoa errada, apenas se encanta por ilusões que ela mesma inventa.

*Por Simone Guerra

 

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*Fonte: fasdapsicanalise

Como identificar os sabotadores da sua vida (mesmo se estiverem camuflados)

Crescer depende da nossa capacidade de nos afastar de quem nos boicota e da nossa habilidade de alimentar as relações com que nos incentiva.

Ter a capacidade de identificar e administrar os sabotadores que nos cercam é uma das chaves mais importantes para nos sentirmos melhor conosco mesmos. O neurologista Juan Fueyo sugere em seu livro Te Dirán Que Es Imposible (Planeta, 2019, em espanhol, algo como “te dirão que é impossível”) as chaves para ter sucesso no que fazemos. Entre outras coisas, ele fala da importância de sabermos nos cercar de ambientes onde possamos crescer. Baseia-se nas biografias de pessoas bem-sucedidas como cientistas, escritores e empresários, e também em sua própria vida. Não é para menos: Fueyo é uma eminência mundial no campo da medicina. Esse asturiano e sua esposa, Candelaria Gómez Manzano, trabalham no Centro Oncológico M. D. Anderson da Universidade do Texas. Em 2003, desenvolveram um vírus modificado, ainda um ensaio clínico, para combater um dos cânceres cerebrais mais agressivos. Fueyo reconhece que ao longo de sua vida teve que ignorar muitas vezes quem lhe dizia que era impossível fazer o que ele imaginava.

“Sabotador é uma palavra drástica”, observa Fueyo. Às vezes é difícil imaginar que um amigo ou um familiar possa ser um sabotador, mas acontece. Os sabotadores podem ser pessoas que desejam o melhor para nós, mas seus medos são maiores que a confiança. O sabotador expressa sentimentos negativos de maneira constante, às vezes de forma inconsciente: “Não dá”; “é impossível”. São pessoas que incentivam você a permanecer em sua zona de conforto e, claro, não expressam confiança nas possibilidades que alguém tem. Um sabotador, no fundo, fala de si mesmo e de suas inseguranças. Em algumas ocasiões, sobretudo se forem familiares, é sua forma de expressar carinho, embora não estejam conscientes do preço que estão pagando.

Devemos diferenciar um sabotador de alguém que nos diz coisas que não queremos escutar. No fundo, quem nos dá um feedback negativo nos oferece um presente. Temos que discernir o que há por trás de suas dúvidas ou de seus comentários: se é medo ou se é algo que não estamos vendo e que pode nos ser útil para aprender. Existem várias estratégias para reduzir o impacto dos sabotadores. Uma delas é afastar-se deles ou pôr seus comentários de quarentena. Fueyo explica isso com uma experiência pessoal de quando era adolescente. Gostava de escrever poesia, e um dia fez um experimento com alguns de seus críticos. Passou-lhes uns versos pouco conhecidos do consagrado poeta espanhol Miguel Hernández, dizendo que eram obra dele próprio, e que queria saber a opinião dos conhecidos a respeito. Como imaginava, os comentários foram desoladores. Aquilo lhe permitiu perceber que muitas vezes os sabotadores não criticam uma obra, eles expressam seu medo, seu mal-estar ou seu preconceito, independentemente do que seja.

Se tivermos sabotadores em nossa vida, talvez um colega de trabalho, nosso chefe ou algum amigo, é melhor se afastar dele. Se forem familiares ou pessoas que não podemos evitar, então é preciso deixar seus comentários em quarentena ou olhá-los com compaixão: falam do seu próprio medo. Outra estratégia consiste em compensar o impacto dos sabotadores com incentivadores, pessoas que lhe ajudarão a chegar mais longe graças ao seu otimismo, aos seus conselhos e, inclusive, aos seus feedbacks negativos, que lhe farão crescer mesmo que você não goste de ouvi-los. Estas pessoas enxergam a campeã ou campeão que temos dentro de nós, ressalta Fueyo. Por isso vale a pena cuidar e cultivar o relacionamento, dedicar tempo a essas pessoas e na medida do possível agir de maneira recíproca.

Como revela Fueyo, “o coletivo é mais inteligente que o indivíduo, e a osmose social define o que você tem e quem você é como indivíduo”. Crescer como pessoas, mas também como profissionais, depende de nossa capacidade de nos afastarmos dos boicotadores (ou olhá-los com compaixão se forem familiares) e de nossa habilidade para alimentar as relações com nossos incentivadores.

*Por Pilar Jericó

 

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*Fonte: elpais-brasil

Amigos são analgésicos naturais mais eficazes que a morfina

A preciosa ajuda das pessoas mais queridas para nós, na superação dos tempos difíceis, e até mesmo na superação da dor física, foi confirmada pela ciência: os amigos seriam ainda melhores que morfina!

Já se falava dessa possibilidade há algum tempo, mas uma pesquisa da Universidade Britânica de Oxford confirmou que os amigos ajudam a suportar melhor a dor e afastar a depressão pra longe da gente. Tudo isso é possível porque, quando estamos na companhia deles, muitas endorfinas são liberadas em nosso corpo. As endorfinas são substâncias úteis para nos trazer sensações de bem-estar, gratificação e para regular o nosso estado de ânimo.

Existe, portanto, uma conexão entre a depressão, o nível baixo de endorfinas com o fato de ter poucos amigos? Segundo Katerina Johnson, coordenadora do estudo, a resposta é sim:

“Os resultados são interessantes também porque pesquisas recentes sugerem que o circuito de endorfinas pode ser interrompido em distúrbios como a depressão, e isso também poderia explicar por que as pessoas deprimidas muitas vezes fazem uma vida socialmente mais retraída”.

O experimento no qual o estudo foi baseado, publicado na revista Scientific Reports, foi muito simples. Em primeiro lugar, os pesquisadores preencheram um questionário com 101 voluntários (entre 18 e 34 anos), no qual cada um deles precisava especificar os principais aspectos das suas relações sociais. Depois, todos eles foram submetidos a um pequeno teste de dor que consistia em estar em uma posição muito desconfortável (posição de agachamento com as costas retas contra a parede) pelo tempo que pudessem resistir.

Viu-se que, precisamente aqueles que tinham mais amigos, também eram aqueles que resistiam mais, demonstrando assim uma maior tolerância à dor, semelhante àqueles que tiveram que tomar morfina como analgésico.

Amigos portanto (a ciência confirma isso), são verdadeiros analgésicos naturais: aliviam as nossas dores física e emocional. Nós só temos que agradecer pelo fato de termos amigos, e aproveitar essa sorte!

 

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*Fonte: greenme

Amizade é também estar separados sem que nada mude

A amizade autêntica não precisa de supervisão diária para saber se o afeto de hoje é sincero ou se diminuiu. Não há pressão ou obrigação de revelar todo pensamento, toda experiência no mesmo momento em que algo acontece.

As autênticas amizades que são forjadas na magia das coincidências, deixam espaço e oferecem liberdades. Porque o vínculo é alimentado com confiança e sentimentos sinceros. Quem nos diz quase sem palavras, que “não lhe devo nada e lhe devo tudo”, “estou aqui para você sempre que você precisar”.

É possível que hoje você ainda tenha essa amizade de infância. Aquela pessoa com quem você compartilhou aventuras universitárias, tardes de corrida, jogos e sanduíches de chocolate na rua. Ou talvez, em sua vida, alguém novo tenha chegado no momento mais apropriado.

São relações íntimas que são mantidas por todo o afeto e, às vezes, até um pouco daquela inexplicável magia que hospeda os corações que se conectam quase sem saber por quê. Isso já aconteceu com você?

Eu gosto daquelas amizades que não sabem sobre tempo e espaço. As pessoas que a vida separa do seu lado por qualquer motivo e que, depois de meses ou anos, voltam para você com a mesma cumplicidade, como se apenas uma hora tivesse se passado desde a última vez.

Apesar do tempo, apesar da distância … Você sempre me terá aqui

Robert M. Seyfarth e Dorothy L. Cheney, cientistas do departamento de psicologia e biologia da Universidade da Pensilvânia, nos dizem que a amizade favorece nossa adaptação. Promove bem-estar, reduz o estresse e até melhora a sobrevida. Além disso, foi demonstrado que os animais criam laços de amizade.

A vida, por outro lado, toma mais voltas do que a haste de um relógio, sabemos. Nós nunca sabemos que direção nossos passos vão tomar. Seja por motivos de trabalho ou por motivos pessoais para ter novos parceiros, às vezes somos forçados a colocar quilômetros entre nós e nossos amigos.

A vida é movimento e somente aqueles que se movem podem alcançar com os dedos os seus sonhos. Agora, às vezes, isso implica ter que desistir das coisas: deixamos nosso lar, nossas raízes e também essas amizades da alma.

Certamente isso aconteceu com você também. É precisamente nesses momentos de mudança e crescimento pessoal. quando descobrimos quem são as pessoas mais importantes da nossa vida.

Distância esclarece relações autênticas

– Existem aqueles que precisam de um contato diário, uma interação onde suas necessidades são satisfeitas. Eles valorizam essa proximidade quase dependente, onde a interação é contínua.

– Essa “fluência” de interação e contato nem sempre pode ocorrer, especialmente quando somos forçados a nos distanciar por motivos profissionais ou pessoais.

– É quando há um risco maior de perder muitos desses amigos que deixamos em nossos espaços de origem. As reprovações aparecem, o “é que você não tem tempo para mim”, “é que você acabou de conectar”, “é que você não me conta tudo como antes”.

– Há amizades que se tornam quase como relações de parceria opressivas e tóxicas. Eles causam pressão e sofrimento.

Por outro lado, existem outras pessoas que entendem e sabem respeitar. A preocupação e carinho ainda está lá, seu carinho é sincero, sabemos que eles estão conosco, mas não há obrigação de “monitorar”. Não há necessidade de palavras para entender que, apesar da distância, elas ainda fazem parte de nós mesmos.

Amizades efêmeras, amizades de coração de diamante

Você não precisa se preocupar em deixar muitas pessoas para trás. Faz parte do nosso processo pessoal de crescimento, porque crescer significa carregar o final com o menor peso possível em sua mente e máximo em nosso coração.

As amizades autênticas são muito poucas, mas brilham com o brilho dos diamantes: elas são indestrutíveis e viverão com você todos os dias da sua vida para lhe dar luz nos dias sombrios e harmonia nos momentos de felicidade.

Há amizades que vêm e vão, como o vento quente do verão. Elas nos trazem suas experiências, nos fazem felizes e desaparecem com a delicadeza de um breve perfume, deixando-nos suas memórias.

– Existem outras amizades que se transformam em más experiências. O mundo também às vezes nos espirra com egoísmo, interesses pessoais e alguma outra traição. Assim, estudos como o realizado pelo Dr. Robert Sternberg, um renomado psicólogo especializado em inteligência e personalidade, nos diz que os comportamentos tóxicos são comuns hoje em dia e precisamos aprender a lidar com eles.

– Agora, as experiências ruins com amizades que nunca foram realmente, não devem nos desencorajar ou afundar nossas esperanças. Boas pessoas existem e os amigos da alma também.

– Amizade autêntica é oferecida com liberdade e sem compromisso. E ele cuida de si mesmo como um bem precioso, como um habitante de sua alma que precisa de reciprocidade, confiança e gratidão.

Se hoje você ainda se lembra daquela amizade que você deixou para trás devido à chance que às vezes nos traz vida, não hesite em entrar em contato com essa pessoa novamente. Se o carinho fosse sempre sincero, se essa intimidade fosse tão mágica, recompensadora e divertida que até hoje você se lembra dela com um sorriso, não hesite em recuperá-lo. Porque para amizades autênticas não há tempo nem distância.

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*Fonte: revistapazes

Aprenda a rir de si mesmo novamente

Quando criança, não nos envergonhamos e não pensamos em nossas falhas ou méritos, somos simplesmente felizes e sorrimos diante da vida. O sorriso, portanto, também é uma questão de autoestima. Se nos amamos, somos capazes de aceitar nossos defeitos e nossos méritos e deixar de lado a importância que damos às opiniões dos outros.

Mas não só somos capazes de rir de nós mesmos, se temos uma forte autoestima, rindo de nós mesmos, na verdade, vamos fortalecer nossa autoestima. Então é algo que funciona nos dois sentidos.

Outra maneira de aprender a rir de si mesmo é superar a timidez, a vergonha de encarar a opinião dos outros, porque é precisamente a sensibilidade à crítica negativa que nos paralisa e nos impede de desfrutar de nossos sorrisos. Caros leitores, aprendam a ser espontâneos, digam tudo o que vem à sua cabeça, brincam, sorriam, não tenham medo, nada vai acontecer e vocês se divertem.

“Um sorriso é a chave secreta que abre muitos corações.”
Robert Baden Powell

O sorriso como terapia
A terapia do sorriso não é mais apenas uma maneira de lutar contra o estresse ou de se divertir. Tornou-se um método, um tratamento médico e psicológico. Na base está o conceito de que, mesmo quando um sorriso é forçado, nos sentimos bem e, por fim, o sorriso se torna um gesto espontâneo.

O psicólogo José Elías, especialista em ressoterapia na Espanha, destacou que o riso fortalece o coração, porque quando rimos movemos 420 músculos do nosso corpo, inclusive o coração. O riso também reduz a pressão sanguínea porque aumenta o tamanho dos vasos sanguíneos e promove a respiração porque a ventilação aumenta significativamente.

Consequentemente, o sorriso melhora nossa qualidade de vida e nossa saúde e tem efeitos físicos e psicológicos positivos. Aprenda a rir, você também será capaz de ver a vida de um ponto de vista diferente, muito mais agradável e saudável. Sorria, ria, porque esta é a linguagem da alma, a maneira de sair e voar.

 

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*Fonte: revistapazes

5 perfis psicológicos conforme nossa relação com o dinheiro

Nosso extrato bancário reflete mais fielmente o que somos do que muitos testes de personalidade

Embora na nossa cultura o dinheiro seja quase um tabu, um assunto sobre o qual muitos evitam falar, certo é que o dinheiro fala de nós. A forma de usá-lo revela se somos reflexivos ou impulsivos. As coisas com as quais gastamos mostram nossas prioridades vitais. Segundo o espanhol Joan Antoni Melé, que promove a ética nos bancos e a economia consciente, o extrato bancário permite fazer uma radiografia das motivações da pessoa e dos seus pontos fracos. Esse é um dos temas abordados em Money Mindfulness, um ensaio de Cristina Benito que foi traduzido a sete idiomas (não ao português). A economista traça cinco perfis psicológicos conforme nossa relação com o dinheiro.

1. O piromaníaco define a pessoa cujo dinheiro “queima nas mãos” e, portanto, gasta de maneira compulsiva. Segundo a autora, por trás de um consumismo desenfreado há muitas vezes uma grande insatisfação. Quem não está contente com o trabalho ou com a vida precisa “se premiar” para compensar tudo de que não gosta, dando-se presentes cujo prazer evapora tão rápido quanto o próprio dinheiro.

2. O desprendido é uma variante altruísta do perfil anterior, mas, em seu extremo patológico, pode sofrer consequências igualmente nefastas. A pessoa precisa entregar seu dinheiro e seu tempo – ambos estão associados – aos demais. Quem se relaciona dessa forma com o dinheiro se apressará em pagar a conta de um jantar entre amigos ou emprestará uma quantia que depois não será devolvida. Sobre este último ponto, o romancista Henry Miller, que reconhecia ter vivido em Paris pedindo dinheiro sem devolver, dizia que, para que aconteça essa relação de abuso, é necessário um encontro entre dois doentes: o viciado em pedir e o viciado em dar. Por trás da síndrome do desprendido, costuma haver uma baixa autoestima que leva a pessoa a comprar o amor dos outros.

3. O neurótico com a pobreza é menos habitual, mas ocorre com frequência entre artistas e pessoas de índole idealista. Nelas está presente a crença de que se enriquecer é ruim, o que as leva a boicotar a si mesmas. Se as coisas saem bem, isso significa que traíram seus princípios ou prejudicaram os outros. A ideia de que é preciso ser pobre para ser puro está enraizada na cultura judaico-cristã. A Bíblia nos recorda que “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”. O sujeito que tem essa neurose com a pobreza também pode ter medo de ser criticado, ou inclusive de perder afetos, se melhorar seu nível de vida. Por isso, profissionais competentes muitas vezes não se atrevem a pedir um aumento de salário ou a cobrar honorários mais altos.

4. A formiguinha é um perfil muito comum e, dentro da moderação, sua relação com o dinheiro pode ser saudável. O problema é quando a pessoa vive num estado de carestia permanente, inclusive tendo uma renda mais que suficiente. A fixação doentia com a austeridade pode fazê-la passar dificuldades e privações injustificadas. Levada ao extremo, essa atitude se apoia no temor. Há um medo de que surjam gastos inesperados, de perder o trabalho, de uma catástrofe geral da qual ela só se livrará graças às economias. Mas fazer tanta reserva pode nos tornar incapazes de curtir os prazeres simples da vida.

5. A nuvem do não saber, o último perfil mencionado em Money Mind­­fulness, diz respeito às pessoas que preferem que o outro se ocupe do seu dinheiro. Delegam essa responsabilidade ao companheiro, à família ou a um representante. A despreocupação pode acabar em desastre, como foi o caso de Leonard Cohen, que, depois de se aposentar, com mais de 70 anos teve que voltar a fazer turnês devido à má gestão de sua assessora financeira. Em um nível mais modesto, muitas pessoas descobrem, ao se divorciarem, que o companheiro que se ocupava das finanças só deixou um buraco sem fundo.

Seja qual for a nossa relação com o dinheiro, tomar consciência sobre o que fazemos com ele nos ensina não apenas quem somos e como temos que mudar, mas também como evitar vínculos tóxicos com os outros, tornando-nos responsáveis por nossa vida.

*Por Franceso Miralles

 

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*Fonte: elpais-brasil