Como o analfabetismo funcional influencia a relação com as redes sociais no Brasil

Três entre cada dez brasileiros têm limitação para ler, interpretar textos, identificar ironia e fazer operações matemáticas em situações da vida cotidiana – e, por isso, são considerados analfabetos funcionais.

Eles hoje representam praticamente 30% da população entre 15 e 64 anos, mas o grupo já foi bem maior: em 2001, chegou a 39%, de acordo o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf).

O Inaf acompanha os níveis de analfabetismo no Brasil em uma série histórica desde 2001, mas, pela primeira vez neste ano, trouxe informações relacionadas ao contexto digital. Os dados relacionados ao uso de redes sociais foram divulgados nesta segunda-feira com exclusividade para a BBC News Brasil.

O instituto classifica os níveis de alfabetismo em cinco faixas: analfabeto (8%) e rudimentar (22%) (que formam o grupo dos analfabetos funcionais); e elementar (34%), intermediário (25%) e proficiente (12%) (que ficam na classificação de alfabetizados).

Para a pesquisa foram entrevistadas 2.002 pessoas entre 15 e 64 anos de idade, residentes em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do país.

O grupo de analfabetos funcionais reúne os analfabetos absolutos, que assinam o nome com dificuldade, mas conseguem eventualmente ver preços de produtos, conferir troco, ligar para um número de telefone e identificar um ônibus pelo nome; e os rudimentares, que só leem o suficiente para localizar informações explícitas em um texto curto, sabem somar dezenas, mas não conseguem identificar qual operação matemática é necessária para resolver um problema, por exemplo.

De acordo com a pesquisa, entretanto, mesmo com suas dificuldades, os analfabetos funcionais são usuários frequentes das redes sociais. Entre eles, 86% usam WhatsApp, 72% são adeptos do Facebook e 31% têm conta no Instagram.

Assim, quando se comparar o índice de uso entre os dois grupos – alfabetizados e não-alfabetizados – a diferença não é tão grande. Entre os considerados proficientes, por exemplo, 89% usam o Facebook.

A falta de repertório dos analfabetos funcionais, contudo, faz com que o acesso a essas plataformas seja mais limitado. “Essas pessoas não vão tirar proveito das redes sociais para conseguir informações, garantir direitos, porque não conseguem discernir conteúdos. Teriam a mesma limitação com um jornal escrito, por exemplo; a diferença é que este elas não vão acessar”, afirma a pesquisadora Ana Lima, responsável pela elaboração do indicador.

Os dados da pesquisa corroboram o que a especialista diz: entre os analfabetos funcionais, 12% enviam mensagens escritas e escrevem comentários em publicações do Facebook, 14% leem mensagens escritas e 13% curtem publicações. Para efeito de comparação, entre os que têm nível de alfabetização proficiente, 44% enviam mensagens escritas, 43% escrevem comentários em publicações, 47% leem mensagens escritas e curtem publicações.

“Quem tem mais domínio do alfabetismo usa mais o Facebook, mas o que chama a atenção é a diferença pequena (de utilização entre analfabetos e não), principalmente se você pensar na limitação de um analfabeto funcional. O Facebook está cheio de textos, imagens, exige escrita, por isso revela uma potência desses suportes digitais como estimulador do avanço do alfabetismo”, ela afirma.

Já no WhatsApp quase não há diferença de uso entre os grupos divididos por nível de alfabetização. Enquanto 92% dos analfabetos funcionais enviam mensagens escritas, o índice é de 99% entre os alfabetizados; 84% dos analfabetos funcionais compartilham textos que outros usuários enviaram, já 82% dos alfabetizados fazem isso.

Pollyana Ferrari, jornalista, pesquisadora de mídias digitais e professora da PUC-SP, diz que o brasileiro aderiu integralmente ao WhatsApp, até porque é uma plataforma gratuita que substituiu o SMS, que é cobrado pelas operadoras de telefonia celular.

“Todo mundo usa o WhatsApp, do médico ao entregador de pizza, do executivo à faxineira, mas ninguém foi treinado, e cada um usa e propaga da forma que consegue compreender.”


Manipulação e mensagens falsas

Um dos reflexos do baixo nível de alfabetismo no contexto digital é que estas pessoas ficam mais vulneráveis à desinformação, especialmente memes, imagens manipuladas e usadas em contexto falso, segundo Christine Nyirjesy Bragale, vice-presidente de comunicação do The News Literacy Project.

“Obviamente elas têm uma capacidade limitada para checar através de pesquisa e leituras paralelas, e seu acesso a jornalismo impresso de qualidade é limitado”, explica Christine, que está no Brasil a convite da Embaixada Americana para debater o tema nesta segunda em evento na sede do movimento Todos pela Educação, em São Paulo.

Para a especialista norte-americana, o primeiro passo é garantir que as pessoas, independentemente de seus níveis de leitura, compreendam que a desinformação pode vir por diferentes canais, incluindo imagens manipuladas e vídeo e se espalhar rapidamente.

“Só essa consciência já é um começo para combater a desinformação e diminuir a sua propagação.”

Pollyana Ferrari acredita que o trabalho de conscientização só virá com o amadurecimento do uso das redes sociais, que ainda é recente no Brasil – tem 14 anos -, além de educação. Ela cita o caso de Portugal, que oferece aulas de letramento em mídias digitais nas escolas de educação básica desde os anos 90.

“A pessoa não vai deixar de ver um vídeo e compartilhar, o brasileiro acredita muito no grupo do WhatsApp da família, seja para o bem ou para o mal. As pessoas têm direito de ter um celular, pode ter mais risco de cair em golpes e receber vírus, mas vai aprender usando. Mas não há o que fazer, a responsabilidade é dos governos, das empresas, de treinar, formar, o trabalho é coletivo e de ‘formiguinha’.”

A professora lembra que, até pela dificuldade de interpretação de texto, as mensagens falsas se propagam mais por mensagens em áudio. “Muita gente acredita nas ‘fakes news’ porque não tem bagagem, não tem senso crítico, quando há uma escolaridade precária, a pessoa fica muito mais manipulável.”

“Somos um país pobre, de baixa escolaridade, a gente saiu da TV aberta, mas houve um deslocamento para as redes sociais sem nenhuma capacidade de discernimento. Numa sociedade democrática com baixa escolaridade, a manipulação de informação é mais fácil de acontecer”, explica Pollyana.

Analfabetismo no ensino superior

Os dados desta edição do Inaf mostram que, entre o grupo de 29% dos analfabetos funcionais, 4% estão no ensino superior, nível de ensino em que se pressupõe um aluno plenamente alfabetizado.

A pesquisadora Ana Lima reforça que a escolaridade é o fator determinante do nível do analfabetismo, mas, ao mesmo tempo, ela não garante o que é esperado.

“Para mexer no nível de proficiência precisamos de educação de qualidade. Uma educação que desloque o aluno de um nível mais coloquial para entender ironia, interpretação de texto, capacidade de distinguir fato de opinião. Isso é ir além de leitura mecânica, é saber ler nas entrelinhas”, afirma.

A pesquisadora reforça que, para cursar o ensino superior, é óbvio imaginar que as pessoas deveriam estar plenamente alfabetizadas para conseguir discutir, fazer análise, participar e debater. “Sem isso não é possível se formar.”

João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, diz que o cenário é desolador principalmente porque “melhorias não estão no radar.” “O prejuízo é gigantesco, porque compromete a produtividade da economia e as chances de a educação contribuir para a melhoria de vida das pessoas. Para as pessoas situadas entre os analfabetos funcionais, a perspectiva de vida é muito limitada. O Brasil optou pela quantidade, em detrimento da qualidade.”

*Por Vanessa Fajardo
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*Fonte: bbc-brasil

Você se conhece? Provavelmente não tão bem quanto imagina

Quando você escolhe entre duas coisas, provavelmente acredita que sabe muito bem por que preferiu A, em vez de B. Mas será mesmo?

Imagine que te mostrem retratos de duas pessoas diferentes, e peçam para você dizer qual delas parece mais atraente. Até aí, tudo bem.

O que você gosta nele ou nela? Talvez haja algo atraente em seus olhos? Ou será o cabelo? Pode ser ainda que você goste dos traços fortes da mandíbula ou da arcada dentária perfeita, quem sabe?

Mas será que essas são realmente as razões pelas quais você acha uma pessoa mais atraente do que a outra?

Depois de ler sobre o trabalho do sueco Petter Johansson, é possível que você comece a duvidar de suas próprias escolhas.

Johansson, que é psicólogo experimental, adora mágica. Ele não recebeu treinamento oficial, mas aprendeu alguns truques básicos.

Faz tempo que os mágicos entenderam o fenômeno da “cegueira à mudança”. Ao distrai-lo, eles são capazes de trocar uma carta, digamos, o Rei de Paus pelo Rei de Espadas, e você provavelmente não vai perceber.

As habilidades mágicas rudimentares de Johansson são úteis para seus experimentos, uma vez que, alguns anos atrás, ele e seus colegas decidiram testar não a cegueira à mudança, mas a “cegueira à escolha”.

Deixe-me explicar.

Em seu primeiro experimento, Johansson mostrou a cada participante retratos de duas pessoas diferentes. E eles tinham uma tarefa simples: escolher a que achavam mais atraente.

Em seguida, ele entregou a fotografia a eles, e pediu para justificarem sua seleção.

Mas, sem o conhecimento dos participantes, Johansson usou um truque de mágica para fazer uma mudança; na verdade, ele entregou a eles a foto da pessoa que eles não haviam escolhido.

Você acha que todos perceberam? Se sim, você está enganado.

75% não notam

Surpreendentemente, apenas um quarto dos participantes percebeu a mudança, apesar do fato de os rostos serem de pessoas diferentes e de haver diferenças facilmente identificáveis ​​entre elas. Uma poderia ter cabelo castanho e usar brinco; e a outra ser loira, e não usar brinco.

Após a mudança, os participantes explicaram por que escolheram a pessoa que, na realidade, não haviam escolhido.

“Quando eu perguntei a eles: Por que você escolheu este rosto?, eles começaram a explicar por que aquele era o rosto preferido, mesmo que, segundos antes, tivessem escolhido o outro”, diz Johansson.

Quando ele explicava o que havia feito, as pessoas em geral ficavam surpresas e, muitas vezes, incrédulas.

Os casos mais intrigantes foram aqueles em que os participantes justificaram a escolha manipulada destacando algo ausente em sua escolha original.

“Por exemplo, se eles dissessem: ‘Ah, eu prefiro este rosto porque gosto muito de brinco’, e a pessoa que eles originalmente preferiram não usava brinco, então podemos ter certeza de que seja lá o que for que os tenha feito tomar essa decisão, não pode ter sido os brincos.”


O que podemos concluir?

Ao que parece, não temos uma compreensão clara de por que escolhemos o que escolhemos. Muitas vezes temos que descobrir por nós mesmos, assim como temos que descobrir os motivos e razões dos outros.

A janela pela qual tentamos ver nossa própria alma é obscura e turva.
Apelo político

A pergunta “por que você acha que um rosto é mais atraente do que outro” não é trivial. A atração sexual é importante: a sobrevivência da espécie humana depende dela.

Mas Petter Johansson também usou seus truques para analisar nossas escolhas em outra área importante: a política.

Em um estudo, ele fez uma série de perguntas a um grupo de suecos sobre seu posicionamento em relação a questões políticas — como, por exemplo, se deveria haver aumento no imposto sobre o petróleo ou se os benefícios de saúde deveriam ser cortados.

Esses temas tendem a dividir a esquerda e a direita suecas

As respostas por escrito à pesquisa foram então entregues aos participantes — só que, como você já deve imaginar, não eram as respostas verdadeiras. As pessoas de esquerda receberam respostas mais à direita; e as de direita, respostas mais à esquerda. Em seguida, elas foram convidadas a justificar suas escolhas.

Mais uma vez, a maioria das pessoas não conseguiu detectar a mudança.

Um sujeito que um minuto antes havia assinalado que apoiava um aumento no imposto sobre a gasolina, passou a explicar por que acreditava que esse aumento não deveria ocorrer.

E as explicações que deram faziam sentido.

“Eles disseram coisas como: ‘É injusto com a população que mora fora das grandes cidades, porque eles têm que dirigir muito mais’.”

Não havia nada de estranho no raciocínio deles, a não ser que alguns minutos antes, eles não teriam justificado isso.

É evidente que nos falta autoconhecimento a respeito de nossos motivos e escolhas. E daí? Quais são as implicações desta pesquisa?


Tolerância

Talvez um dos pontos seja que devemos aprender a ser mais tolerantes com as pessoas que mudam de ideia.

Tendemos a ter sensibilidade aguçada para a inconsistência, seja quando nosso parceiro muda de ideia sobre se quer comer comida italiana ou indiana, ou quando um político que endossou uma política no passado, passa a apoiar uma posição oposta.

Se muitas vezes não temos uma ideia clara de por que escolhemos o que escolhemos, certamente deveríamos ter alguma liberdade para mudar nossas escolhas.

Também pode haver implicações mais específicas sobre como transitamos em nossa era, um período marcado pela crescente polarização política e cultural.

Rótulos ou ideais?

Seria natural acreditar que quem apoia um partido de esquerda ou de direita o faz porque está comprometido com a ideologia desse partido: acredita no livre mercado ou, ao contrário, em um papel mais forte do Estado.

Muita gente vota no partido, e não em propostas para melhorar a situação atual

Mas o trabalho de Petter Johansson mostra que nosso compromisso mais profundo não é com políticas particulares, uma vez que, usando sua técnica de mudança, podemos ser persuadidos a endossar todos os tipos de políticas. Em vez disso, “apoiamos um rótulo ou um time”.

Em outras palavras, provavelmente superestimamos até que ponto um eleitor de Donald Trump ou de Joe Biden, apoia seu candidato por causa das políticas que ele promove. Na verdade, eles provavelmente são do “Time Trump” ou do “Time Biden”.

Um exemplo surpreendente disso surgiu nas últimas eleições americanas. Os republicanos são tradicionalmente a favor do livre comércio, mas quando Trump começou a defender políticas protecionistas, a maioria dos republicanos continuou a apoiá-lo, aparentemente sem sequer perceber a mudança.

Antes das eleições americanas de 2016, em que Trump derrotou Hillary Clinton na corrida pela Casa Branca, Johansson fez outro experimento

Ele pediu aos eleitores que avaliassem seu candidato preferido com base em caráter, experiência etc., e depois mudou suas respostas, melhorando as avaliações do candidato de quem não gostavam.

Funcionou.

As pessoas apresentaram razões sobre por que, na verdade, tinham uma mente bastante aberta entre os dois.

Surpreendentemente, esse truque acaba tendo um impacto duradouro.

Engane uma pessoa fazendo-a acreditar que alguém com cabelo loiro é mais atraente do que alguém com cabelo castanho, e ela provavelmente confirmará essa preferência quando as duas fotografias forem mostradas a ela posteriormente.

O mesmo vale para opiniões políticas. Depois de influenciar as preferências políticas dos participantes, Johansson testou seus pontos de vista na semana seguinte.

Tendo justificado suas “novas” preferências alguns dias antes, parecia que “haviam ouvido seus próprios argumentos” e continuavam pensando igual.

*Por David Edmonds

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*Fonte: bbc-brasil

Relações que nos desafiam são mais enriquecedoras. Relações que refletem exatamente um espelho de quem somos, são empobrecedoras

No livro de memórias de Isabel Allende: “A soma dos dias”, ela relata uma das brigas épicas que teve com o então marido, o advogado e escritor Willie Gordon: “Willie e eu tivemos uma dessas brigas que fazem história na vida de um casal e merecem nome próprio – feito “guerra de Arauco”, como ficou conhecida na família uma que fez com que meus pais andassem armados durante quatro meses – , mas agora, quando se passaram muitos anos e posso olhar para trás, dou razão a Willie (…) Foi um choque de personalidades e culturas”

Deixando de lado o fato da união ter acabado após 27 anos, e de ter sido marcada por tragédias: ela perdeu uma filha, enquanto ele perdeu dois; foi um relacionamento forte e bonito, pontuado pelas diferenças de cultura e de personalidade.

Choques de cultura e personalidade podem ser encarados como divisores de águas numa relação ou, ao contrário, como oportunidades de aprender, evoluir, e assimilar outras formas de responder aos desafios da existência. Se estivermos abertos o bastante para aceitar as diferenças como aprendizados e não afrontas, enriqueceremos como pessoas.

Quando desejo que o outro seja exatamente como sou, que aja precisamente como eu agiria se estivesse no lugar dele, que cumpra minhas expectativas e anseios da forma como imagino, que diga o que espero ouvir, que tenha atitudes semelhantes às minhas, que seja tão entusiasmado quanto eu por aquilo que me interessa, que tenha gostos semelhantes aos meus, que vibre com a mesma intensidade que eu, que se cale nos momentos que eu imagino como certos, que se comporte segundo os meus critérios, que se limite naquilo que eu acho justo que ele se contenha, que cumpra exatamente o meu script… quando desejo isso, estou empobrecendo a relação e, mais ainda, estou esgotando minhas possibilidades de evoluir e crescer como pessoa.

Precisamos de provocações. De sermos desafiados a encarar a vida com novo olhar; de sermos encorajados a tirar as lentes com que percebemos o mundo para enxergar outras possibilidades e maneiras de conduzir a existência. Precisamos começar a aceitar a singularidade do outro, entendendo que há outras formas de analisar, sentir e reagir a uma situação, e não somente a forma como aprendemos, e que, por isso, julgamos como certa. Precisamos estar bem confortáveis com a liberdade do outro, sem que isso seja apontado como uma afronta a nós mesmos.

Numa relação não existe somente a pessoa A encontrando com a pessoa B, e sim a história da pessoa A se deparando com a história da pessoa B, e essas diferenças precisam ser celebradas, e não lamentadas. Precisamos começar a rever nossas crenças – muitas vezes limitantes – e abrir-nos sem preconceitos ou resistências à maneira como o outro experimenta e vive a vida.

É preciso aprender a lidar bem com as diferenças, sem querer moldar o outro à nossa imagem e semelhança. Que as diferenças sejam motivos de celebração, e não de frustração ou decepção.

Segundo a psicanálise, a paixão é um equívoco. Pois a paixão é uma projeção. Projetamos no outro aspectos de nós mesmos (nossas neuroses, nossas formas de nos relacionar, nossas experiências e vivências, nossos traumas) ou projetamos aquilo que desejamos que o outro seja para nós. Porém, na maioria das vezes, estamos completamente enganados a respeito do outro.

Separada de Willie, Isabel Allende encontrou um novo amor aos 75 anos. Numa entrevista, comentou: “Sempre estou alerta, aberta ao mistério da vida, às coisas maravilhosas que nos esperam e às trágicas que ninguém deseja”. Ela tem razão. A vida não está aí para ser evitada ou lamentada, mas para ser vivida com coragem e espírito aberto, não deixando que nossas crenças nos limitem, mas que tenhamos uma alma jovem o bastante para se considerar sempre no processo e nunca pronta.

*Por Fabíola Simões

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*Fonte: asomadetodososafetos

10 lições de Marco Aurélio que podem ensinar você

Ele foi um dos últimos “bons imperadores” de Roma – que genuinamente se importavam com o bem-estar de seus cidadãos.

Marco Aurélio viveu em uma época em que a morte prevalecia – e o caos estava em toda parte. Ele escreveu um manual (para si mesmo), que hoje conhecemos como as “Meditações.” Não se sabe se a intenção dele fosse a de um dia publicar tais escritos. Provavelmente ele possa ter escrito para si mesmo – para lidar com seus próprios demônios internos.

Mesmo que ele tenha escrito essas palavras há cerca de 2.000 anos, seus insights ainda têm um peso forte hoje.

Como podemos aplicar sua filosofia à nossa vida cotidiana? Abaixo estão alguns insights que você pode aplicar à sua própria vida:

1. Ignore o que os outros estão fazendo

“Não desperdice o que resta da sua vida ao especular sobre seus vizinhos. Qualquer coisa que o distraia da fidelidade ao Governante dentro de você significa uma perda de oportunidade para alguma outra tarefa. ”- Marco Aurélio

Nós temos um tempo limitado na terra. Por que desperdiçar nossa preciosa energia se preocupando com nossos vizinhos? Por que nos importamos com o que eles estão fazendo e o que pensam de nós?

O que precisamos fazer é nos concentrar em nossa tarefa. Qual é a nossa tarefa? Seja qual for a nossa vocação na terra – quer isso signifique criar arte, capacitar outras pessoas ou ser um pai amoroso.

Com as mídias sociais, somos viciados no que os outros estão fazendo. Nós desperdiçamos nossa energia mental invejando os outros. Nós nos comparamos a eles – nos sentimos frustrados por não sermos tão bem-sucedidos quanto nossos colegas. Nós olhamos para os outros com carros de luxo, câmeras sofisticadas e casas de luxo.

E se passássemos toda a nossa vida ignorando o que os outros estão fazendo – e apenas focados em nós mesmos?

2. A realidade é moldada pela sua opinião

Não existe uma realidade “objetiva” – moldamos nossa própria realidade.

Por exemplo, você pode ser um bilionário com todas as posses materiais que deseja e ainda se sentir como um “fracasso” (você pode se comparar a outros bilionários que são ainda mais ricos do que você).

Você pode ser pobre e viver em uma favela, mas pode ser extremamente feliz – porque seu coração está cheio de gratidão.

Marco Aurélio nos diz:

“A vida é apenas o que você julga.”

Ele também nos lembra:

“A vida é opinião.”

Sempre que se trata de qualquer coisa em nossa vida, depende da nossa própria opinião sobre nós mesmos. Nós julgamos o que é bom e ruim em nossa vida.

Nós moldamos nossa própria percepção do mundo com nossos pensamentos. Nenhuma “realidade” externa existe fora de nossas percepções.

A maneira prática pela qual você pode aplicar esse modo de pensar em sua vida é esta: veja tudo em uma luz positiva .

Por exemplo, digamos que alguém fala merda sobre você na sua cara. Ao invés de se sentir frustrado, você pode dizer a si mesmo: “Fico feliz que alguém está falando merda sobre mim, isso significa que eu não sou chato – e fazendo algo interessante.”

Além disso, quando as pessoas nos insultam, tentam nos prejudicar ou nos criticam – não é o insulto que nos fere. É nossa interpretação do que eles estão dizendo que nos fere. Marco Aurélio nos diz:

“Se eu não vejo a coisa como um mal, não me importo.”

Se interpretarmos as ações dos outros como irrelevantes, como podemos nos sentir magoados?

Marco Aurélio também nos diz:

“Rejeite sua sensação de lesão e a própria lesão desaparece.”

Qualquer “dano” que recebemos na vida é apenas a nossa opinião.

Uma metáfora que eu amo é esta: imagine que você está em um barco no meio de um lago. Está nebuloso e escuro. De repente, você é atingido por outro barco e bate com a cabeça. Você está com raiva e frustrado, e quer amaldiçoar a outra pessoa que acabou de esbarrar em você. Mas quando a neblina clareia, você percebe que o outro barco estava vazio. Agora você não sente mais raiva, porque percebe que o outro barco estava vazio. Perceba que todo mundo que tenta nos prejudicar é apenas um barco vazio.

3. Faça menos

Em uma das meditações de Marco Aurélio para si mesmo, ele se lembra da importância de fazer menos na vida – e cortar as ações supérfluas de sua vida:

Se queres conhecer o contentamento, deixa que os teus feitos sejam poucos – disse o sábio. Melhor ainda, limite-os estritamente aos que são essenciais.”

Quais são os benefícios de se ater a algumas ações e apenas fazer o essencial? Marco Aurélio diz a si mesmo: somos mais felizes quando fazemos poucas coisas, mas as fazemos bem:

“Isso traz o contentamento que vem de fazer algumas coisas, mas fazê-las bem. A maior parte do que dizemos e fazemos não é necessária, e sua omissão economizaria tempo e problemas. A cada passo, um homem deve perguntar a si mesmo: “Essa é uma das coisas que são supérfluas?” Não haverá ação desnecessária.

Muitas de nossas ações e palavras são desnecessárias. Ao não fazer ações supérfluas, ficaremos menos estressados.

Devemos sempre nos perguntar: “Isso é supérfluo?”

Precisamos cortar as coisas desnecessárias em nossas vidas. As ações, palavras, pensamentos e emoções menos supérfluos – mais foco teremos para o que é realmente importante para nós na vida. Pode ser o tempo com sua família, o tempo para fazer seu trabalho criativo ou a chance de ajudar os outro

4. A morte está batendo na sua porta

Eu penso muito sobre a morte. Muitas pessoas esquecem a frase: “memento mori” – lembre-se, você estará morto em breve.

Quando sabemos que a morte está próxima, não perdemos nosso tempo. Nós não perdemos nosso precioso tempo de lazer assistindo TV ou outras formas de entretenimento passivo. Nós nos apressamos a fazer o que somos apaixonados e o trabalho que é significativo para nós. Passamos mais tempo com nossos entes queridos e omitimos pessoas e ações supérfluas de nossas vidas.

Lembrar-nos da morte nos dá foco.

Pense em todas as pessoas que descobrem que têm câncer ou alguma outra doença. Uma vez que eles descobrem isso, deixam de lado toda a merda que não gostam de fazer na vida – e só se concentram no que é importante para eles.

No entanto, todos nós temos a capacidade de apenas fazer o que é importante para nós. Ao meditar sobre a morte diariamente, não desperdiçaremos nem uma gota do nosso tempo.

Até mesmo Marco Aurélio dizia a si mesmo:

“Muito em breve você estará morto; mas mesmo assim você não é obstinado ”.

Precisamos ser sinceros para a tarefa da nossa vida.

Um exercício simples que podemos fazer para nos lembrarmos da vida e da morte é este:

“Considere que você morreu hoje e a história da sua vida acabou; e, a partir de agora, considere o tempo adicional que pode ser dado como excedente não coberto. “- Marco Aurelio

Sempre que vou dormir, imagino que seja a última vez que vou dormir. Eu considero minha vida inteira, meu dia, e se eu fiz tudo ao meu alcance para ajudar a capacitar aqueles ao meu redor. Só procrastino em coisas que não me importaria de ser desfeito se estivesse morto.

E quando acordo na manhã seguinte, jogo minhas mãos para o alto e digo a mim mesmo: “É incrível estar vivo! Eu me pergunto como posso usar melhor hoje para ajudar os outros.”

Todos nós precisamos nos lembrar da morte batendo à nossa porta – ou então nunca teremos foco em nossas vidas.

5. Você é mais forte do que pensa

Se você quer ser um boxeador de classe mundial, você terá que lutar contra adversários difíceis. Você será espancado, quebrará alguns ossos, sangrará e, como resultado, ficará mais forte.

Sempre que alguém tentar prejudicá-lo, pense nessas palavras de Marco Aurélio:

“Que sorte eu tenho, que me deixou sem amargura; inabalável pelo presente, e desanimada pelo futuro. A coisa poderia ter acontecido com qualquer um, mas nem todos teriam surgido sem serem remexidos.

Que sorte eu tenho, que me deixou sem amargura; inabalável pelo presente e não afetado pelo futuro. A coisa poderia ter acontecido com qualquer um, mas nem todos teriam ficado imperturbáveis

Você é mais forte do que pensa. Você não pode impedir que outras pessoas joguem merda em você. Mas você pode mudar sua interpretação da situação.

A vida é muito difícil. Como os sábios disseram: “Às vezes, viver é um ato de coragem”.

E não nos esqueçamos do que nos ensina Marco Aurélio:

“A arte de viver é mais como lutar do que dançar.”

6. Você se levanta para o trabalho da humanidade

Ninguém gostaria de viver na Terra se ninguém mais existisse. A sociedade é a cola que nos mantém unidos e é a razão pela qual estamos vivos e a razão pela qual vivemos.

Há dias em que a vida é difícil. Nós não queremos sair da cama. Nós não temos motivação ou inspiração.

Até mesmo Marco Aurélio (o imperador do império romano) freqüentemente se sentia assim. A meditação que ele se deu para encorajar a si mesmo foi esta:

“Na primeira luz do dia temos em disposição, contra a falta de vontade de deixar a cama, o pensamento de que ‘estou me levantando para o trabalho do homem’. Devo resmungar quando saio para fazer o que eu nasci para fazer, e para o bem de ter sido trazido ao mundo, este é o propósito de minhas criações estarem aqui debaixo de cobertores e se aquecerem? “Ah, mas é muito melhor! Foi por prazer, então, que você nasceu e não para o trabalho, não para o esforço?

Nós não somos colocados na terra apenas para sentir prazer. A maior parte da vida consiste em esforço, em luta. Ficar numa manhã gelada debaixo das cobertas é sim muito mais agradável que sair à luta enfrentando o frio, mas o resultado é apenas um prazer momentâneo. Quem se atreve a sair ao frio terá resultados melhores no futuro.

O que nos traz a verdadeira felicidade na vida? Não é apenas se encher de prazer. Pelo contrário, está ajudando os outros e fazendo o que nos foi feito:

“O verdadeiro prazer de um homem é fazer as coisas para as quais ele foi feito.” – Marcus Aurelius

Para que você foi projetado? Depende.

Qual é o seu presente? Pode ser sua capacidade de socializar, fazer os outros se sentirem amados, sua habilidade de ler ou escrever, sua habilidade de pesquisar, sua habilidade de sintetizar informações e dados, sua habilidade de fazer imagens visuais, sua habilidade de capacitar os outros, sua habilidade para ensino, ou sua habilidade para tornar o mundo um lugar mais bonito.

7. Nunca reclame

“Seu pepino está amargo? Jogue fora. Há espinhos em seu caminho? ache um desvio. Isso é o suficiente. ”- Marcus Aurelius

Por que devemos reclamar do mundo?

Se há alguém que te incomoda – simplesmente ignore-os. Deixar de seguir as mídias sociais ou apenas cortar seus laços sociais com elas.

Você odeia o seu trabalho? Saia do seu emprego ou descubra uma maneira de torná-lo menos doloroso ou miserável.

Muitas vezes não podemos mudar nossas situações externas no mundo – mas sempre podemos mudar nossa atitude em relação a isso.

E não apenas isso, mas a vida é toda sobre fazer o melhor daquilo que temos.

Uma boa meditação para pensar a nós mesmos de Marco Aurélio é esta:

“Qual é o melhor que pode ser dito ou feito com os materiais à sua disposição?”

A maioria de nós não tem muito tempo, energia ou dinheiro. Ainda assim, considerando nossos meios limitados, como podemos aproveitar ao máximo o que temos?

8. Você pode viver feliz em qualquer lugar

“Que fique claro para você que o ritmo dos campos verdes sempre pode ser seu, nisto ou em qualquer outro lugar; e que nada é diferente aqui do que seria nas colinas, ou no mar, ou em qualquer outro lugar que você quiser. ”- Marco Aurélio

O que causa muita miséria para muitos de nós é nosso lar, onde vivemos e o desejo de estar em outro lugar.

Podemos morar nos subúrbios e desejamos que vivêssemos na cidade. Podemos morar na cidade e preferir morar no campo. Vivemos no campo, podemos desejar viver na praia. Nós vivemos na praia, nós desejamos que vivêssemos em uma ilha. Se vivêssemos em uma ilha, talvez pudéssemos preferir a conveniência de morar em um subúrbio

Se você estivesse feliz com o local onde morava e com a casa em que vivia – e não desejasse morar em outro lugar, ou em um lar maior ou melhor, quanto mais energia, dinheiro e atenção você poderia ter por coisas melhores na vida?

Mesmo morando onde você mora, você pode encontrar pontos positivos nele.

Se você mora em um lugar “chato”, isso o forçará a ser mais criativo para encontrar coisas interessantes para fazer. E pode ser uma oportunidade para você começar algo interessante.

Você é o mestre do seu próprio destino – nunca reclame onde mora. Em vez disso, colha todos os benefícios do bairro, da cidade ou do lugar em que você mora.

9. Ajudar o bem comum

Aquele que vive para si mesmo está verdadeiramente morto para os outros.

Como você encontra seu propósito e senso de missão na vida? Simples – pense em como você pode ajudar melhor o “bem comum”. Marcus Aurelius lembra a si mesmo:

“Evite todas as ações que são casuais ou sem propósito; e, em segundo lugar, que toda ação vise unicamente o bem comum ”.

Ser um ser humano honrado e decidido é ajudar os outros. Para ajudar os outros não tão afortunados como nós. Para compartilhar nosso dom, nosso conhecimento e nossos recursos para nós. Significa continuar fazendo bem aos outros, mesmo que eles nos odeiem. Como Marcus Aurelius diz:

“Empilhando boas ações em boas ações até que não haja fendas ou entalhes entre elas.”

É difícil. Precisamos aprender a fazer o bem para os outros, sem esperar qualquer tipo de recompensa. O bom ato em si é bom o suficiente. Ser humano é ajudar a servir os outros:

“Depois de ter feito um serviço a um homem, o que mais você teria? Não é suficiente ter obedecido às leis de sua própria natureza, sem esperar ser pago por isso? Isso é como o olho exigindo uma recompensa por ver, ou os pés por andar. É para esse propósito que eles existem; e eles têm o devido em fazer o que eles foram criados para fazer. Similarmente; o homem nasce por atos de bondade; e quando ele fez uma ação gentil, ou de outra forma serviu o bem-estar comum, ele fez o que ele foi feito, e recebeu sua quitação. ”- Marcus Aurelius

E uma vez que você ajuda os outros, esqueça. Melhor ainda – nem mesmo esteja consciente de que você está ajudando os outros. Marco Aurélio nos diz para não ter “consciência de tudo o que ele fez, como a videira que produz um cacho de uvas não parece mais agradecer do que um cavalo que correu sua raça”.

O prazer de ter ajudado os outros é bom o suficiente.

10. Seja grato por suas bênçãos

“Não se envolva em sonhos de ter o que você não tem, mas considere como bênção o que possui e, então, felizmente, lembre-se de como você gostaria de tê-los se não fossem seus.” – Marcus Aurelius

Não importa o quanto somos ricos ou bem-sucedidos, nunca conseguimos obter tudo o que queremos.

Felicidade não é ter tudo no mundo. Pelo contrário, a felicidade é ser grato por todas as bênçãos que já temos.

 

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*Fonte: pensarcontemporaneo

A natureza no mundo pós-Covid-19

“Quando vier a Primavera, se eu já estiver morto, as flores florirão da mesma maneira e as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.” – Alberto Caeiro.

Desde o início da pandemia causada pela Covid-19, estou com esse poema do Alberto Caeiro na cabeça. Ele diz muito, não só sobre a sabedoria da vida simples do autor (um dos pseudônimos de Fernando Pessoa), mas sobre o nosso lugar no mundo. O novo coronavírus tem nos mostrado como somos frágeis. Um organismo microscópico foi capaz de desacelerar a economia dos países, nos prender em casa, desestabilizar instituições.

Na coluna anterior, mencionei que a chave para evitarmos pandemias desse tipo – e outras mazelas como a crise climática – é ter uma agenda global sustentável, exatamente como propõem os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Pensar na sustentabilidade como elemento transversal a todas nossas atividades e setores da sociedade é imperativo e acho que essa pandemia tem mostrado as consequências de não se pensar assim.

No entanto, também acho que o buraco é mais embaixo. Tenho visto muita gente comentar que essa doença vai aumentar nossa percepção sobre o papel da natureza. Que vai nos fazer repensar nosso impacto no mundo. Será?

Infelizmente, não ando tão otimista. Pode ser efeito do isolamento social, mas minha impressão é que vamos sair piores, pelo menos do ponto de vista ambiental. Isso porque imagino que os países vão querer “tirar o atraso” de uma economia estagnada ou em retrocesso. Uma busca desenfreada pelo aumento do PIB, entre outros indicadores, vai criar uma pressão ainda maior sobre os recursos naturais, aumentando nosso impacto e gerando ainda mais desigualdade social – um dos grandes problemas no enfrentamento da Covid-19.

‘Mas Rafael, e a diminuição da poluição atmosférica? E os peixes e águas vivas nos canais de Veneza? E os golfinhos aqui e acolá? E as cabras nas ruas?’ Bom, primeiro, tudo isso é muito interessante, mas vai desaparecer novamente quando retomarmos o ritmo frenético do avanço econômico. Em segundo lugar, para mim, o que temos visto é nada mais, nada menos que a prova de que o grande problema do mundo somos nós mesmos. É difícil constatar isso, mas precisamos sair de nossa visão antropocêntrica. A natureza não precisa de nós. Ao contrário, somos nós que precisamos dela.

“O Ailton Krenak escreveu que o novo coronavírus discrimina a humanidade e que o pé de melão-de-são-caetano continua crescendo ao lado da casa dele”

O que o Alberto Caeiro diz é exatamente isso. Se desaparecermos do planeta, a primavera virá da mesma maneira. O Ailton Krenak escreveu que o novo coronavírus discrimina a humanidade e que o pé de melão-de-são-caetano continua crescendo ao lado da casa dele. Fato. Essa nossa ideia de que a natureza precisa de nós para não desaparecer é tão desatinada quanto aquela um homem que ateia fogo em sua casa, para depois se dizer herói por ter controlado o incêndio.

Esse contrassenso não nos exime, entretanto, da responsabilidade moral de conservar e reparar os estragos que fizemos na natureza. Até porque, quando se ateia fogo em casa, mas não se vive sozinho, você pode ser responsabilizado pelas mortes que se sucedem antes do controle do incêndio. O próprio Ailton diz que somos piores que a Covid-19. É difícil discordar. Portanto, é preciso retomar nosso lugar no mundo como parte da natureza e não como seres acima dela. Sem essa percepção, não há ODS que resolva, não há pandemia que nos faça refletir, não há ambientalismo que seja suficiente.

Será que vamos aprender algo com essa situação? Quantos irão associar as condições nas quais estamos vivendo ao uso insustentável do planeta? Será que vamos apenas adiar nossos compromissos e retomar tudo como era antes? São muitas perguntas para refletir durante esses dias. Se ignorarmos tudo o que vem acontecendo, seguiremos o pensamento indutivista de que tudo é como sempre foi e viveremos no (e do) passado.

Olhar para o futuro requer repensar nossas escolhas e definir novos caminhos. As economias fragilizadas precisarão de planos para sua retomada. Que momento será melhor que esse para desenvolver um plano “verde”? Um plano que considere o desenvolvimento sustentável, a primazia dos serviços ecossistêmicos e a manutenção da natureza como componente essencial à nossa sobrevivência? Assim como no século passado, precisamos (agora o mundo inteiro) de um “New Deal” do século 21.

“Será que vamos aprender algo com essa situação? Quantos irão associar as condições nas quais estamos vivendo ao uso insustentável do planeta?”

 

Esse plano deveria incluir programas que prevejam investimentos maciços em obras públicas, mas com matéria-prima, processos e tecnologia sustentáveis; que garantam a ampliação de uma agricultura sustentável e de baixo carbono e o controle das cadeias de valor e produção para que sejam justas e ambientalmente amigáveis; que tenha como objetivo a valorização do trabalho à distância (incluindo home office), visando abrir novos postos e, finalmente, que traga um apelo à diversidade, a fim de integrar em nossa sociedade minorias produtivas, mas atualmente (e tradicionalmente) marginalizadas. Vejam, mais uma vez, que essa ideia já faz parte dos ODS e da agenda 2030 da ONU.

Finalmente, retomo minha ideia inicial: tudo isso seria para que nós mesmos pudéssemos sobreviver em meio à natureza. Se nos formos, o mundo continuará igual. É na crise que as decisões mais importantes são tomadas. Torço agora para que essas decisões – que já foram sugeridas há décadas – sejam, finalmente, entendidas como corretas.

*Por Rafael Loyola

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*Fonte: oeco

Amor não se mendiga, amizade não se cobra, carinho não se pede

Amor não se mendiga, amizade não se cobra, carinho não se pede… Ter que ficar cobrando palavras, gestos, comportamentos, ter que lembrar nossa existência a alguém é por demais humilhante. Ninguém merece.

Existem certas coisas que não precisariam ser faladas, tampouco cobradas, de tão óbvias. Porém, passamos a vida lembrando algumas pessoas daquilo que elas deveriam já ter como hábito e isso cansa, diminui, abalando a autoestima de qualquer um. Se tivermos que lembrar aos outros o óbvio todos os dias, a todo instante, enlouqueceremos.

Amizade não deveria ser cobrada. Ter que correr atrás o tempo todo da pessoa, enquanto ela nem se lembra de que a gente existe, exaure a paciência mínima de um ser humano. Quando temos que, só nós, ficar mandando mensagens, telefonando, convidando procurando, é hora de repensar aquilo tudo, porque, provavelmente, a amizade somente existe em nós. Do outro lado, amizade é que não tem.

Carinho não deveria ser pedido, mas sim espontâneo, verdadeiro, necessário em quem oferta, tanto quanto em quem recebe. Carinho não somente se trata de toque, porque a gente se sente amado principalmente pelas atitudes do outro, pela forma como ele nos faz sentir, mesmo de longe. Ter que ficar cobrando palavras, gestos, comportamentos, ter que lembrar nossa existência a alguém é por demais humilhante. Ninguém merece.

Amor que se mendiga é tudo, menos amor. É o contrário de amor, é o que contraria o amor em si. Sentimentos vêm de dentro e transpiram por todos os poros, materializando-se no encontro que transforma, no calor que motiva, na certeza que acalma, no abraço que reinicia. O amor precisa se expandir, precisa ser expresso, dito, ouvido, vivido, sem melindres, sem rodeios. Se houver carência de um ou de outro lado, não há reciprocidade e, então, amor nem tem.

Nossa sobrevivência em muito dependerá do discernimento entre o que é luta digna e o que nada mais é do que insistência servil. Lutar pelo que queremos não significa implorar por atenção, por amizade, por carinho, por amor. A dor da consciência sobre quem não está mais junto sempre será uma oportunidade de recomeço. A dor da solidão acompanhada, porém, jamais nos tornará dignos de sentimentos verdadeiros e recíprocos. É isso.

*Por Marcel Camargo

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*Fonte: seuamigoguru

Não estamos preparados para sermos “pais” de nossos pais

Nascemos filhos. E esperamos ser filhos para sempre. Mimados, educados, amados. Que nossos pais invistam doses cavalares de amor em todo nosso caminho pela vida. Quando a vida doer, haja um colo materno. Quando a vida angustiar, encontremos neles um conselho sábio. E, quando isso nos falta, há sempre uma lacuna, um sentimento estranho de sermos exceção.

Mesmo adultos, esperamos reconhecer nossa meninice nos olhos dos nossos pais. Desejamos, intimamente, atenções miúdas, como a comida favorita no dia do aniversário ou a camiseta do time de futebol se estamos na casa deles.

Não estamos prontos para trocar de lugar nessa relação.

É difícil aceitar que nossos pais envelheçam. Entender que as pequenas limitações que começam a apresentar não é preguiça nem desdém. Não é porque se esqueceram de dar o recado que não se importam com a nossa urgência. Que pedem para repetirmos a mesma frase porque não escutam mais tão bem – e às vezes, não está surdo o ouvido mas distraído o cérebro. Demora até aceitarmos que não são mais os mesmos – que dirá “super-heróis”? Não podemos dividir toda a nossa angústia e todos os nossos problemas porque, para eles, as proporções são ainda maiores e aí tudo se desregula: o ritmo cardíaco, a pressão, a taxa glicêmica, o equilíbrio emocional.

Vamos ficando um pouco cerimoniosos por amor. Tentando poupar-lhes do que é evitável. Então, sem querer, começamos a inverter os papéis de proteção. Passamos a tentar resguardar nossos pais dos abalos do mundo.

Dizemos que estamos bem, apesar da crise. Amenizamos o diagnóstico do pediatra para a infecção do neto parecer mais branda. Escondemos as incompreensões do casamento para parecer que construímos uma família eterna. Filtramos a angústia que pode ser passageira ao invés de dividir qualquer problema. Não precisam preocupar-se: estaremos bem no final do dia e no final das nossas vidas. Mas, enquanto mudamos esses pequenos detalhes na nossa relação, ficamos um pouco órfãos. Mantemos os olhos abertos nas noites insones sem poder correr chorando para a cama dos pais. Escondemos deles o medo de perder o emprego, o cônjuge ou a casa para que não sofram sem necessidade e, aí, estamos sós nessa espera; não há colo nem bala nem cafuné para consolar-nos.

Quanto mais eles perdem memória, vigor, audição, mais sozinhos nos sentimos, sem aceitar que o inevitável aconteceu. Pode até surgir alguma revolta interior por esperar deles que reagissem ao envelhecimento do corpo, que lutassem mais a favor de si, sem percebermos, na nossa própria desorientação, que eles não têm a mesma consciência que nós, não têm como impedir a passagem do tempo ou que possuem, simplesmente, o direito de sentirem-se cansados.

Então pode chegar o dia em que nossos pais se transformem, de fato, em nossos filhos. Que precisemos lembrá-los de comer, de tomar o remédio ou de pagar uma conta. Que seja necessário conduzi-los nas ruas ou dar-lhes as mãos para que não caiam nas escadas. Que tenhamos que prepará-los e colocá-los na cama. Talvez até alimentá-los, levando o talher a sua boca.

E eles serão filhos que darão mais trabalho porque lembrarão que são seus pais. Reagirão as suas primeiras investidas porque sabem que, no fundo, você sabe que lhes deve obediência. Enfraquecerão seus primeiros argumentos e tentarão provar que ainda podem ser independentes, mesmo quando esse momento tiver passado, porque é difícil imaginarem-se sem o controle total das próprias rotinas. Mas cederão paulatinamente, quando a força física ou mental reduzir-se e puderem encontrar no seu amor por eles o equilíbrio para todas as mudanças que os assustam.

Não será fácil para você.
Não é a lógica da vida. Mesmo que você seja pai, ninguém o preparou para ser pai dos seus pais. E se você não o é, terá que aprender as nuances desse papel para proteger aqueles que ama.

Mas, se puder, sorria diante dos comentários senis ou cante enquanto estiverem comendo juntos. Ouça aquela história contada tantas vezes como se fosse a primeira e faça perguntas como se tudo fosse inédito. E beije-os na testa com toda a ternura possível, como quando se coloca uma criança na cama, prometendo-lhe que, ao abrir os olhos na manhã seguinte, o mundo ainda estará lá, como antes, intocável, para ela brincar.

Porque se você chegou até aqui ao lado dos seus pais, com a porta aberta para interferir em suas vidas, foi porque tiveram um longo percurso de companheirismo. E propor-se a viver esse momento com toda a intensidade só demonstrará o quanto é grande a sua capacidade de amar e de retribuir o amor que a vida lhe ofereceu.

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*Fonte: portalraizes

Historiador investiga como a “aceleração do tempo” está impactando o campo das Humanidades no Brasil

Pesquisa coordenada por Rodrigo Turin, professor do Departamento de História da Unirio, teve início no final do ano passado.

*Por Bruno Leal | Agência Café História

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Nos últimos anos, a sensação de viver um tempo acelerado, de transformação de tudo e de todos tem sido compartilhada por homens e mulheres em todo o mundo. Esse sentimento está presente no universo político e em suas muitas reviravoltas, no uso das novas mídias e até mesmo na maneira como nos relacionamos uns com os outros. Interessado em compreender esse fenômeno histórico e suas implicações para as Ciências Humanas, Rodrigo Turin, professor adjunto do Departamento de História da Unirio, vem desenvolvendo desde o final de 2016 a pesquisa “O tempo desencontrado: aceleração, conceitos de movimento e o(s) lugar(es) das humanidades no Brasil contemporâneo”.

Prevista para durar quatro anos, a pesquisa tem o objetivo específico de compreender o que qualifica e quais são os efeitos das diferentes formas de aceleração que vivenciamos hoje em distintas esferas sociais, com destaque para as concepções de ensino e do lugar das Humanidades no sistema universitário e escolar. Além disso, Turin também quer entender como essa qualidade temporal da aceleração pode ser analisada a partir da emergência de novos vocabulários. O historiador explica o que seria esse fenômeno:

– Estou me referindo à rapidez com que se sucedem eventos e transformações em intervalos de tempo cada vez mais curtos. Mas isso pode ir desde as inovações tecnológicas (o telefone do ano passado que já é “antigo”) até as modas culturais e o sistema financeiro, que depende de uma circulação acelerada de informações. Como a Reuters [agência de notícias] que vende informações em “tempo real” aos agentes da bolsa, pois quanto mais rápido eles tiverem acesso à informação, mais lucram. Não importa mais o “contexto” da informação ou sua dimensão narrativa, mas apenas a informação em si, atomizada, entendida como uma variável econômica.  E pelo fato de as coisas estarem a toda hora mudando, como o mercado de trabalho e a tecnologia, surgem conceitos de movimentos como “flexibilidade”, orientado à adaptação constante a essas acelerações. O que me interessa investigar são os efeitos dessas novas experiências e vocabulários de aceleração na orientação e legitimidade das ciências humanas, como elas vem reagindo ou se adaptando a isso.

Na primeira etapa da pesquisa (ainda em andamento), Turin selecionou uma documentação bastante variada, que inclui revistas especializadas, jornais de grande circulação, atas do Congresso envolvendo debates sobre educação, projetos políticos, além de documentos produzidos por associações profissionais do campo das Ciências Humanas, tais como a ANPUH, a ANPOCS e a ANPOF. No momento, além de Turin, estão envolvidos com a pesquisa três estudantes, dois alunos da graduação e uma aluna do mestrado.

Em conversa com o Café História, o professor da Unirio comentou que espera com o projeto contribuir para uma melhor compreensão das condições atuais de produção de conhecimento histórico, e das Humanidades como um todo, além de dar visibilidade às tensões conceituais e sociais que constituem tais campos. Porém, ele pondera, isso está longe de produzir um saber normativo ou definitivo sobre o fenômeno da “aceleração do tempo”. Em suas palavras, “o que as pessoas, os acadêmicos e os não acadêmicos, vão querer fazer com as Humanidades em uma sociedade cada vez mais acelerada e dessincronizada, é, ao final, uma escolha política, e não algo que se revela da própria História”.

 

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*Fonte: cafecomhistoria

Lealdade x Fidelidade

Acho que foi em 1993. Numa entrevista _ histórica_ pra MTV, Renato Russo disse a Zeca Camargo que achava lealdade mais importante que fidelidade. Eu era menina, mas lembro que gravei a entrevista numa fita VHS e revi inúmeras vezes, me intrigando sempre nessa parte.

Eu entendia pouco acerca do amor, dos afetos, da durabilidade das relações. Mas Renato Russo me influenciava _ numa época em que meu pensamento ainda estava sendo moldado_ e eu tentava, imaturamente, entender aquela declaração.

Isso foi há vinte anos. De lá pra cá, relações se construíram e desconstruíram na minha frente. E vivendo minha própria experiência, finalmente consigo entender, e de certa forma concordar, com Renato Russo.

A fidelidade é permeada por regras, obrigações, compromisso. É conexão com fio, em que te dou uma ponta e fico com a outra. Assim, ficamos ligados mas temos que manter a vigília para o fio não escapar e nosso aparelho não desligar. Já a lealdade_ permeada pelo vínculo, vontade e emoção_ é o pacto que se firma não por valores morais, e sim emocionais. É conexão “wi-fi: fidelidade sem fio”, que faz com que eu permaneça unida a você independente da existência de condutores ou contratos. Permaneço em pleno funcionamento por convicções permanentes e duradouras, invisíveis aos olhos.

Amor nenhum se atualiza sozinho. O tempo passa, a gente muda, o amor modifica. E nessa evolução toda, a única tecla capaz de atualizar e permitir a duração do amor, é a tecla da lealdade. É ela que conta ao outro que estou mudando, que não gosto mais daquele apelido, ou que aquela mania de encostar os pés gelados em mim embaixo do cobertor ficou chata. É ela que diz que eu gosto tanto do seu cabelo jogado na testa, por que é que não deixa sempre assim? Ou que traduz que tenho medo de te perder, mas ainda assim preciso lhe contar que na época da faculdade usei drogas, pratiquei magia ou fiz um aborto. É ela que permite que coisas ruins ou não tão bonitas encontrem um refúgio, um lugar seguro onde possam descansar em paz.

É ela que faz o amor se atualizar e durar…

Lealdade é não precisar solicitar conexão. É conectar-se sem demora, reservas ou desconfianças. É compartilhar a senha da própria vida, com tudo de bom e ruim que lhe coube até aqui.

Leal é quem conhece as fraquezas, revezes, tombos e dificuldades do outro e não usa isso como álibi na hora da desavença; ao contrário, suporta sua imperfeição e o ajuda a se levantar.

Leal é quem lhe defende na sua ausência.

É quem prepara seu terreno, se preocupa com sua dor, antecipa a cura;

Leal é aquele que é fiel por opção, atento ao amor que possui, zeloso com o próprio coração;

É quem não omite o próprio descontentamento, mas aponta o que pode ser feito pra não se perder…

Então sim, eu concordo com Renato Russo e acho que deslealdade separa mais que infidelidade. Pois não adianta não trair por fora, se traio o amor por dentro. Se tenho medo de arriscar e poupo meu afeto de se conhecer por inteiro; se não tolero meu caos e vivo uma mentira imaculada. Se não absolvo minha história nem perdoo meu enredo, desejando fazer dele uma fábula fantasiosa aos olhos de quem amo. Se contrario minha vontade e disposição e omito minhas intolerâncias pra não ferir _ me afastando silenciosa e gradativamente até a ruptura. Se me apresento por partes_ as melhores ficam aparentes, as nem tanto eu omito_ e não permito ser conhecido.

Finalmente, se não confio a ponto de compartilhar a poltrona do carona_ ao meu lado_ reservando apenas o banco de trás ( e olhe lá!) à minha companhia nessa viagem…

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*Fonte: resilienciamag / Fabíola Simões

As três leis da robótica – Isaac Asimov

O cientista pop Stephen Hawking disse em 2014 temer que a inteligência artificial possa evoluir mais rápido do que nós, seres limitados pela biologia. Assustador? Sim, mas acostume-se: sinais de que o homem terá de conviver com alguma inteligência de silício continuam a brotar. Ainda em 2014, pela primeira vez um programa de computador enganou um número considerável de jurados no Teste de Turing. Ao tentar distinguir uma máquina de um humano, 10 dos 30 avaliadores foram convencidos de que o programa era um menino ucraniano chamado Eugene.

Até 1950, não havia espaço na nossa imaginação para robôs capazes de enganar ou seduzir humanos, como o sistema operacional do filme Ela, onde a voz de Scarlett Johansson namora um homem solitário. A tecnologia estava longe dessa realidade – as Scarletts robóticas não eram verossímeis. A literatura padecia de um complexo de Frankenstein: máquinas eram apenas monstros que se voltavam contra seus criadores. A grande sacada de Isaac Asimov em Eu, Robô foi romper com a superficialidade e antecipar a complexidade de seres artificiais – que agora podem ser dóceis, maus, ambíguos ou só inteligentes. O enredo segue o relato da personagem Susan Calvin, robopsicóloga que está sendo entrevistada no final da vida. Ela narra as passagens mais importantes da carreira em nove contos. A partir de casos particulares, Asimov desenha um futuro onde máquinas tomam suas próprias decisões, e a vida dos humanos é inviável sem a ajuda de seres autômatos.

 

Por que está chorando, Gloria? Robbie era apenas uma máquina (…). “Ele não era nenhuma máquina!”, gritou Gloria. “Ele era uma ‘pessoa’, como eu e você.”

 

 

O livro também virou um clássico porque enumera as Três Leis da Robótica:

 

1) um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal;

2) os robôs devem obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira lei;

3) um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores. As regras visam à paz entre autômatos e seres biológicos, impedindo rebeliões.

 

Tanto que as diretrizes são até hoje respeitadas pelos pesquisadores de inteligência artificial. Com o livro, a ficção científica deixou de ser só fantasia para entrar definitivamente no campo da discussão ética sobre a nossa relação com a tecnologia.

 

Livro: Eu, Robô
Autor: Isaac Asimov
Ano: 1950
Por que ler? Os robôs vêm aí e é melhor estar preparado para conviver com máquinas espertas

 

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*Fonte: superinteressante

 

A coragem de ser diferente

Era dia de Ano novo. Eu me levantei cedo, bem cedo, mas não pude sair logo para passear com o cachorro, pois, lá fora, a festa ainda corria solta. Somente às 10 da manhã pararam de soltar fogos e pude sair, se bem que até depois do meio-dia alguns renitentes continuavam soltando um ou outro foguete, como se as toneladas de pólvora já queimadas na madrugada não tivessem bastado. As ruas estavam cheias de lixo, muito lixo, resíduos de uma alegria curta, que se acendeu, subiu, explodiu e se apagou rapidamente. O que mais me incomodava eram as garrafas quebradas em todo e qualquer canto, testemunhas da insanidade da festa. Prestava atenção para não pisar em cacos de vidros, mas minha preocupação maior era com meu amigo de quatro patas sem sapatos.

Continuamos o passeio no meio de tanto lixo e insanidade, cruzamos o caminho de pessoas com ressaca e mau humor e fiquei questionando que sentido faria tudo aquilo. Comemoramos a virada do ano todos os anos, ficamos alegres pelo novo ano que chega, mas alegres exatamente por quê? Basta ser honesto, olhar para trás, ver todas as viradas de ano anteriores e constatar que nada muda, só continua, não há renovação, não há recomeço, o saldo no banco fica o mesmo, as dívidas também (ou mais altas, depois de tantos gastos com as festas de fim de ano), a saúde fica do mesmo jeito (ou mais abalada pelo alto consumo de álcool, comida e de tudo), os falsos amigos não se tornam verdadeiros, a obesidade só aumenta e tudo prossegue como sempre.

O mundo está aí, passando por uma enorme crise, com o maior número de migrantes desde a segunda guerra mundial, um verdadeiro êxodo, pessoas que fogem de guerras, de violência, de tortura, de fanáticos religiosos, de seca, de fome, de perseguição política, e muitos desses migrantes estão morrendo afogados ao tentar atravessar o Mar Mediterrâneo para entrar no Eldorado Europa, outros são vítimas de bandidos, traficantes de órgãos ou de gente, sendo mortos ou escravizados por aí. Quando chegam na Europa, se veem diante de arame farpado, racismo e xenofobia. A extrema-direita ganha terreno em todo o mundo. Ebola ainda mata na África, malária e AIDS também, sem falar do Zika e muitas outras epidemias que afetam a humanidade. O mundo se aquece, os oceanos são cada vez mais poluídos com nosso lixo, o consumismo nunca foi tão selvagem, com trabalho escravo, também infantil, para nos garantir roupas baratas, ou smartphones, ou seja lá o que for… No fundo, não há nada para comemorar, mas comemoramos assim mesmo.

Não vejo sentido, mas respeito, respeito porque somos todos livres para seguir o caminho que escolhermos, porque é direito de cada um de já ir com a massa para o Réveillon na praia de Copacabana já pela tarde, para garantir o melhor lugar, para fazer parte bem na frente, e ficar ali plantado por horas, esperando, como se isso tivesse realmente alguma importância. Respeito o direito de quem queima literalmente dinheiro para soltar fogos em abundância ou com fantasias de carnaval ou com ovos de chocolate na Páscoa ou com qualquer outra superficialidade, mesmo que eu não concorde, mesmo achando que isso não é justo diante do número de pessoas famintas no mundo. Respeito que cada um siga o caminho que desejar, por mais incompreensível que seja, mesmo percebendo que há pouca reflexão, que muitos vão por ir, Marias vão com as outras, que comemoram algo porque todo mundo comemora, sem cogitarem alternativas, sem terem a coragem de ser diferente, e talvez sem nem mesmo terem entendido que isso é possível.

E aqui chego ao ponto que queria chegar, ao tema que quero abordar: o direito que cada um tem de ser diferente, de não caminhar com o rebanho, de viver da forma que escolheu conscientemente, sem seguir convenções, sem fazer o que esperam os outros, de ser realmente livre. Toco nesse assunto por achar emergente, já que percebo um desvio, já que constato uma injustiça, vendo gente que tem a coragem de ser diferente sendo acuada, agredida por aqueles que acham que devemos todos nos comportar como gado, seguindo a massa sem qualquer senso crítico, sem qualquer reflexão.

Estava em um grupo no Facebook, quando li um post de um de homem que estava preocupado com sua comemoração de Ano Novo: <>. Algo normal, compreensível, já que essa pessoa tem o direito de correr atrás de festa. Mas aí alguém respondeu, uma mulher, dando alguma dica, mas dizendo que ela não iria, pois preferia passar a virada de ano em casa, com seus filhos. Estranhei então a reação do “festeiro”: <>.

E a coitada da mulher se sentiu desconsertada, começando a explicar sua postura e sua decisão, como se fosse uma ré, a acusada em um processo penal, como se estivesse agindo errado, como se ela simplesmente não tivesse o direito de dizer que não quer comemorar essa maluquice e pronto. E li em outros lugares comentários semelhantes: quem quer ficar em casa, quem se afasta da “loucura” coletiva é taxado de solitário, esquisito, triste, deprimido, frustrado, arrogante, metido a besta e um monte de outros adjetivos, rapidamente atribuídos por gente que não reconhece o direito de alguém ser diferente, de nadar contra a maré, de não seguir os outros cegamente.

E é exatamente isso que acho injusto: como se não bastasse ter que suportar uma insanidade coletiva, um exagero festivo sem pé e sem cabeça, não gostando, temos ainda que nos sentir mal por pensarmos diferente? Ser diferente, viver diferente é então sinônimo de tristeza, de frustração, de arrogância? Parece-me que aqui a maioria atropela uma minoria, fazendo com que gente diferente se sinta mal, fazendo com que originalidade e independência virem motivos de chacotas, onde pessoas corajosas, que têm o peito de pensar e agir diferente e que merecem admiração, terminem se sentindo agredidas, empurradas em um canto, onde têm então que assumir uma postura defensiva desgastante.

Vejo um desvio, uma inversão de papéis e valores. Não acho isso justo e penso que deveríamos refletir profundamente sobre o assunto.

Termino fechando esse texto com dois apelos, sendo a primeiro para aqueles que não toleram os que são diferentes, que acham que todos temos que seguir cegamente o rebanho, as tradições, as convenções, tudo aquilo que nos foi ensinado como certo, ou que simplesmente acreditamos ser certo por nunca termos feito de outra maneira: viva sua vida da forma que achar que deve, você é livre para isso. E se você acha que encontrará sua felicidade no coletivo, no modismo, no mainstream, no consumo exagerado, no correr atrás sem nunca (ou quase nunca) questionar, faça isso. Esse é um direito seu! Pessoalmente não acredito que você será feliz, mas não sei bem, já que não há receita para a felicidade. Pode ser que você esteja certo em seu caminho e eu errado em minha opinião. Mas, por favor, não tente fazer com que aqueles que têm a coragem de ser diferentes e seguir o próprio caminho se sintam como se eles fossem os “loucos”, pois isso não é assim. Não é loucura caminhar com as próprias pernas. Loucura é se deixar levar pelo “rebanho”, sem nunca questionar o percurso.

Já o segundo apelo é para os corajosos, para você, que tem o peito de ser diferente, de pensar com própria cabeça e seguir o próprio coração: continue assim! Isso é bom, muito bom! Sei que nem sempre é fácil, sem que isso muitas vezes faz com nos sintamos sós, mas não mude esse jeito jamais, pois é ele que faz de você aquilo que você realmente é: uma pessoas singular e realmente especial. Não é triste ter a coragem de optar por passar o ano novo ou outras festividades em casa, tranquilo, sem grandes pândegas e balangandãs. Triste é ter perdido essa capacidade. Assuma seu direito de ser diferente, de não caminhar com o rebanho, de viver da forma que escolheu conscientemente, sem seguir convenções, sem fazer o que esperam os outros, de ser realmente livre e feliz.

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*Fonte: revistaázes / Gustl Rosenkranz – (Blogueiro brasileiro residente em Berlim)

 

 

Com o tempo, aprendi a evitar as discussões que não têm sentido

Talvez seja a maturidade, os anos, ou mesmo a resignação, mas sempre chega a hora em que percebemos que há discussões que já não valem a pena. É então que preferimos optar por esse silêncio que cala e sorri, mas que nunca outorga, esse que compreende, por fim, que de nada serve dar explicações a quem não deseja entender.

Agora, apesar de com frequência ouvirmos que discutir é uma arte onde todos têm a palavra, mas muito poucos o juízo, este é um problema que vai mais além. Às vezes, as discussões são como uma partitura de música que está desafinada, onde nem sempre se escuta e onde todos desejam ter a razão ou a voz principal. Às vezes é uma prática muito desgastante.

    Existem discussões que antes de começar já são batalhas perdidas. Talvez sejam os anos ou simplesmente o cansaço, mas há coisas das quais eu já não tenho mais vontade de falar…

Aspectos da psicologia e da filosofia nos ensinaram por muito tempo certas estratégias para sair com leveza de qualquer discussão. Bons argumentos, o uso de métodos heurísticos (métodos para aumentar o conhecimento) ou uma boa gestão emocional seriam sem dúvida alguns exemplos disto, mas… E se o que procuramos é não começar certas discussões que já damos por perdidas desde o início?

Discussões e discursos que já não têm importância para nós

A maturidade não depende de idade, mas sim de alcançar uma etapa pessoal onde já não desejamos enganar a nós mesmos, onde lutamos por um equilíbrio interior, onde queremos cuidar das nossas palavras, respeitar o que ouvimos e meditar cada aspecto que optamos por calar. É então que somos conscientes de quais aspectos merecem o esforço e quais merecem distância.

É possível, por exemplo, que a relação com um familiar próximo fosse complexa alguns anos atrás, a ponto de que manter uma simples conversa era como cair de paraquedas no abismo da tensão, das discussões e dos maus-tratos. Agora, contudo, isso tudo mudou, e não porque a nossa relação tenha melhorado, mas sim porque existe a aceitação das nossas diferenças. Optamos por um silêncio que não outorga, nem se deixa vencer, mas que se respeita.

Eran Halperin é um psicólogo israelense especialista em discussões e resolução de conflitos no âmbito político, cujas teorias podem perfeitamente ser aplicadas no âmbito cotidiano. Segundo ele mesmo explica, as discussões mais complexas e fervorosas têm a “ameaça” como um fator psicológico, a sensação de que alguém pretende vulnerar nossos princípios ou essência.

Amadurecer também é dispor de certa confiança interior para considerar que determinadas pessoas e seus argumentos já não são uma ameaça para nós. Quem antes nos tirava do sério com suas palavras, agora já não provoca medo nem ofensa. O respeito, a aceitação do outro e essa autoestima que nos protege são nossos melhores aliados.

 

A arte de discutir com inteligência

Já sabemos que existem discussões pelas quais não pretendemos perder a calma, nem a energia. Contudo, também entendemos que a vida é uma constante negociação para poder viver em harmonia, para manter um relacionamento amoroso, para alcançar os objetivos no  trabalho, e inclusive, por que não, chegar a acordos com nossos próprios filhos. As discussões não estão, portanto, isentas em nenhum desses âmbitos.

A arte de discutir de forma inteligente e sem efeitos colaterais requer não apenas uma estratégia habilidosa, mas também uma certa gestão emocional que todos deveríamos saber aplicar em nosso próprio entorno mais próximo. Convidamos você a considerar estas simples dicas.

Um dos primeiros aspectos a considerar é que as discussões não necessariamente terminam com um ganhador; a arte de discutir com eficácia requer a sutil sabedoria de permitir que ambas as partes cheguem a um ponto em comum, a algum entendimento.

Uma coisa assim só pode ser alcançada da seguinte forma:

Ouvir não é a mesma coisa que escutar. Nenhum diálogo será eficaz se não formos capazes de aplicar uma certa “escuta” empática.
A poderosa habilidade de entender a perspectiva da outra pessoa.
É uma coisa que requer um grande esforço e certa vontade, mas compreender a mensagem e a visão peculiar de quem está à nossa frente é fundamental.
É preciso evitar colocar-se na defensiva.
Aqui novamente entra a ideia proposta por Eran Halperin: no momento em que nos sentimos ameaçados a discussão se torna agressiva e aparecem as muralhas pessoais de cada um. Assim, o entendimento nunca poderá ser alcançado.

Autocontrole.
É imprescindível realizar uma certa gestão das nossas próprias emoções. É preciso, acima de tudo, controlar inimigos como a ira ou a raiva. São bombas-relógio que gostam de estar presentes em muitas discussões.

Confiança.
É importante confiar que no fim iremos chegar a um entendimento. Para isso, é preciso colocar força de vontade, ser próximo e respeitoso, e fazer uso de expressões como “entendo seu ponto”, “sei que isso é verdade”, “é possível”… Tudo isso são portas em direção ao entendimento, pequenos e delicados portais em direção a esse encontro onde todos poderemos sair ganhando.

Porque as discussões que valem a pena são aquelas que nos permitem chegar a acordos para viver em equilíbrio e felicidade.

 

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*Fonte: amenteemaravilhosa

 

Ser paciente em um dia de raiva pode evitar cem dias de tristeza

Todos já experimentamos momentos assim. De fato, às vezes habitamos o “epicentro” de entornos muito exigentes que colocam à prova a nossa capacidade de resistência e essa habilidade que devemos ter como bons gestores emocionais. A ira é como um gatilho que dispara quando perdemos o controle e que, longe de descarregar nossas emoções, costuma trazer efeitos secundários que ninguém deseja.

    Aprenda a ser paciente, a acalmar a raiva, a amarrar a ira ao laço do entendimento e da compreensão para perceber que a raiva não soluciona nada, porque podemos perder tudo.

Na hora de falar dessas duas virtudes, que são o silêncio e a paciência, parece que estas dimensões se associam mais à passividade, a quem é incapaz de reagir. Não devemos vê-lo assim. O silêncio sábio que não agride e é paciente permite acalmar a mente para agir com maior equilíbrio, com mais assertividade e moderação.

Quando falamos de ira, raiva ou irritação imaginamos quase que instantaneamente a imagem de uma criança pequena com as bochechas inchadas a ponto de gritar. As pirraças infantis são por si só uma dimensão importante, que longe de considerarmos banais, devemos saber escutar para que a criança aprenda a administrar suas emoções. Infelizmente, elas não desaparecem com a idade adulta.

    A revolta não expressada nos adoece, mas a ira que estala em raiva e agressão também causa vítimas. Seja paciente, aquiete a sua mente e defenda-se sem agredir. Seja sábio.

Há quem escolha “engolir” a raiva. Fazer como se nada tivesse acontecido. Consciente de que já ficaram para trás os dias de gritos e birras, escolhe simplesmente esconder a sua ira, a sua frustração. Não é o adequado nem é saudável. Também não é sábio permitir que um excesso de raiva estoure, como um cavalo selvagem guiado pela raiva para criar situações tão desconfortáveis quanto destruidoras.
Os bons gestores emocionais aprendem cedo que dois dos inimigos mais complexos com os quais devem lidar são sem dúvida a ira e a raiva. Além disso, eles se relacionam com diversas mudanças fisiológicas que intensificam ainda mais a sensação negativa e de ameaça. Por isso, na hora de controlar um inimigo, a melhor coisa é conhecê-lo.

Conhecendo um inimigo comum, a ira

Existem pessoas que se zangam com mais ou menos freqüência. A razão dessas diferenças individuais poderia ser explicada por um tolerância menor à frustração, ou inclusive por determinados indicadores genéticos.

    A ira surge no nosso cérebro por causa de um leve desequilíbrio entre a serotonina, a dopamina e o óxido nitroso. Tudo isso pode fazer com que existam pessoas com maior tendência a explosões de ira e raiva.
    Segundo um interessante artigo publicado no “The New York Times“ pelo psiquiatra Richard Friedman, a ira pode se mostrar também como resultado de uma depressão encoberta.

Uma revolta não controlada, que não é racionalizada ou administrada de forma adequada, pode derivar em frustração e mal-estar. Quando a ira inunda o cérebro por causa do efeito dessa química neuronal acontecem diversas mudanças fisiológicas que vão incrementar ainda mais a emoção negativa. A raiva galopa de forma descontrolada.

Não devemos esconder a revolta, e nem deixar que se transforme em um ataque de raiva. É preciso compreendê-la e canalizá-la de forma adequada para que não asfixie, para que não machuque nem procure vítimas sobres as quais projetar a raiva.

Paciência, calma e conduta assertiva para tratar os aborrecimentos

Desconfie de alguém que diga que “ele ou ela não fica bravo nunca”. Todos passamos por injustiças, ouvimos palavras tolas e comentários tão injustos quanto ofensivos. Agora, antes de deixar que a irritação atue como o isqueiro que acende o fogo da raiva, é preciso refletir alguns momentos sobre estas dimensões.

1. Dê um nome ao que o aborrece. Não fique só com as sensações, com esse desconforto que fica virando o estômago e trava a sua mente. Descreva em palavras concretas o que o incomoda.
2. Procure a calma por alguns instantes, feche-se no seu “palácio de pensar”. É um espaço tranqüilo e sereno que só pertence a você, visualize um lugar onde você deixe de fora a raiva e as emoções negativas para se trancar com “a razão”. Pense agora qual é a melhor opção diante da aquilo que o incomoda.
3. Expresse de forma assertiva a razão da sua chateação. De nada serve “engolir” aquilo que nos prejudica, porque os aborrecimentos não se guardam sob a cama, se expressam em forma de palavras respeitosas para evidenciar com clareza o que nos fere, o que não queremos.
4. Controle, reestruture e mude de cenário. Uma das melhores formas de administrar a revolta e a raiva é controlar aspectos como a respiração ou inclusive os processos mentais capazes de potencializar ainda mais a emoção negativa. Não procure culpados, desligue o ruído mental e os pensamentos irracionais.

Às vezes uma coisa tão simples como caminhar, respirar fundo e procurar um ponto visual no horizonte para descansar a mente e desligar o interruptor da irritação pode nos salvar de todos esses alfinetes externos que tanto abundam no dia a dia. É preciso se lançar no mundo com o coração tranquilo, conhecendo os próprios limites, e sabendo que haverá momentos ruins, sem dúvida, mas os bons momentos abundam mais e são a nossa razão de ser.

 

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*Fonte: osegredo

 

 

Os olhos de um animal têm o poder de falar uma língua única

Quando olho para os olhos do meu cachorro, do meu gato ou de qualquer outro animal, não vejo um “animal”. Vejo um ser vivo como eu, um amigo, uma alma que sente, que entende afetos e medos e que merece o mesmo respeito que qualquer outra pessoa.

O poder de um olhar transcende muito além do sentido da visão. Por incrível que pareça, os nossos nervos ópticos estão intimamente ligados ao hipotálamo, essa estrutura delicada e primitiva onde se localizam as nossas emoções e a nossa memória. Quem olha sente, e isto é algo que acontece também com os animais.

Se os olhos são a janela da alma, então algo me diz que os animais também a têm, porque eles sabem usar essa linguagem que não necessita de palavras como ninguém: é o idioma do afeto e do respeito mais sincero.

Todos nós, em algum momento da nossa vida, já experimentamos o seguinte: ir adotar um cachorro ou um gato e estabelecer de imediato uma conexão muito intensa com um deles só de o olhar nos olhos. Sem saber como, eles nos cativam e nos conquistam. No entanto, os cientistas dizem que existe algo mais profundo e intrigante do que tudo isto.

 

Os olhos dos animais, uma conexão muito antiga

Os cachorros e os gatos são dois dos animais habituados há muitos anos a conviver com o ser humano. Já não surpreende a ninguém a forma tão sábia, e por vezes atrevida, que eles têm de interagir conosco. Eles nos olham nos olhos fixamente e são capazes de expressar desejos e necessidades através de todo tipo de carinhos, gestos, movimentos do rabo e vários tipos de cumplicidades.

Temos harmonizado comportamentos e linguagens para nos compreendermos, e isto não é um ato casual.  É mais um resultado de uma evolução genética onde espécies diferentes se acostumaram a conviver juntas para benefício mútuo. Algo que também não nos surpreende é o que nos revelou um interessante estudo realizado pelo antropólogo Evan MacLean: os cachorros e os gatos são bastante capazes de ler as nossas próprias emoções só de nos olharem nos olhos.

Os nossos animais de estimação são mestres dos sentimentos. Eles podem identificar padrões gestuais básicos para os associar a uma determinada emoção e raramente falham. Além disso, este estudo também explica que as pessoas costumam estabelecer um vínculo com os seus cachorros e gatos muito parecido com o que criam com uma criança pequena.

Nós os criamos, entendemos e estabelecemos um laço forte como se fossem membros da família, algo que, por incrível que pareça, foi proporcionado pelos nossos mecanismos biológicos depois de tantos anos de interação mútua.

As nossas redes neurológicas e a nossa química cerebral reagem do mesmo modo como se estivéssemos cuidando de uma criança ou de uma pessoa que necessita de atenção: liberamos oxitocina, o hormônio do carinho e do cuidado. Por sua vez, os animais também agem da mesma forma: nós somos o seu grupo social, a sua família, os humanos amáveis com que eles compartilham o sofá e as sete vidas de um gato.

 

A biofilia, a conexão com a natureza e os animais

O mundo é muito mais bonito visto através dos olhos de um animal. Se todas as pessoas tivessem a excepcional habilidade para se conectar com eles deste modo, “recordaríamos” aspectos que antes eram inatos e que agora esquecemos devido à agitação da civilização.

A nossa sociedade está agarrada ao consumismo, à exploração exagerada dos recursos, e isto fere o planeta Terra que os nossos netos deveriam herdar com a beleza do passado, com os seus ecossistemas intactos, com a sua natureza tão bela, viva e reluzente, e não com tantas fraturas quase impossíveis de recuperar.
Quando ter um animal significava sobreviver melhor como espécie

Edward Osborne Wilson é um entomologista e biólogo norte-americano conhecido por ter criado o termo “biofilia”. Esta palavra define o amor por todos os seres vivos que, em geral, é algo que a maioria das pessoas que gostam de animais já experimentou. Segundo o cientista, a afinidade que estabelecemos com os nossos animais tem a sua origem nos primeiros períodos evolutivos da nossa espécie.

Ao olhar nos olhos de um animal nasce dentro de nós, de forma inconsciente, uma ancoragem emocional e genética. O ser humano estabeleceu um tipo de vinculação muito íntima com certos tipos de animais, sendo o cão um dos mais relevantes nessas épocas remotas, onde a nossa máxima prioridade era sobreviver.

Uma das teorias de Edward Osborne é que as pessoas que contavam com a companhia de vários cachorros nos seus grupos sociais tinham mais chances de viver mais tempo, em comparação com aqueles que não dispunham deste vínculo.

As pessoas que eram capazes de conquistar um animal, de domesticá-lo e de construir uma relação de afeto e respeito mútuo estavam muito mais unidas à natureza, aos seu ciclos, a esses segredos sobre encontrar mais recursos para seguir em frente: água, caça, plantas comestíveis…

 

É possível que nos dias de hoje os nossos cachorros já não sejam mais úteis para conseguir alimento. No entanto, para muitas pessoas a proximidade e a companhia de um cachorro ou gato continua a ser imprescindível para “sobreviver”.

Eles nos dão carinho, doses imensas de companhia, aliviam sofrimentos, conferem alegrias e nos recordam todos os dias por que é tão reconfortante olhá-los nos olhos. Eles não precisam de palavras, pois a sua linguagem é muito antiga, muito básica e até maravilhosamente primitiva: o amor.

Não deixe de desfrutar dos seus olhares, veja o seu reflexo neles todos os dias e você vai descobrir tudo o que há de bom em você.

 

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*Fonte: amenteemaravilhosa

Nosso encontro era inevitável

Ao longo da vida conhecemos muitas pessoas. Algumas nos ensinam muitas coisas úteis para o resto da vida, outras não nos ensinam nada, ou pelo menos é o que acreditamos.

Também conhecemos muitas pessoas que, mesmo quando estamos em nosso pior momento, sabem tirar nossa essência sem fazer nenhum esforço. Talvez não tenham esse mesmo efeito em outros, mas em você sim.

Outras passam por nossa vida sem que haja uma amizade e conhecimento mútuo, mas seu trabalho e obra deixam marcas em nossa forma de entender o mundo.

 

“O encontro entre duas pessoas é como o contato de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambas se transformam”.
– Jung –

 

Uma vez li que é preciso tentar ser a pessoa que você gostaria de conhecer. Isso é difícil, muitas vezes duvido de quem sou e de onde se encontra a verdade, mas é verdade que quanto mais duvido e mais me coloco à prova, melhor me sinto em minha própria pele.

Não posso negar que minha existência não está condicionada por uma grande espiritualidade, por um grande trabalho humanitário ou por um fascínio em algum campo concreto da vida.

O que me fascina são as pessoas que passaram em minha vida e me fizeram, por sua vez, ficar fascinado por tudo que antes parecia inerte.

Porque a felicidade não é real se não for compartilhada.… mas se for compartilhada com alguém que não nos transmite nada, a solidão, então, será repouso e calma.

Por essa razão, defino a minha história com base nos encontros mágicos que pessoas me deram ao longo dela. Essas que fazem com que o coração encolha, com que os olhos lacrimejem pela boa nostalgia e com que nos reencontremos com nós mesmos.

Às vezes, fico triste por quão diferentes se tornaram os caminhos entre alguma pessoa e eu, por influência de algo alheio a nós mesmos.

De todos e cada um destes pequenos anjos que passaram ou estão em minha vida, tirei conclusões. Espero que a transformação para ambas as partes tenha sido positiva e que esta estranha intimidade que nós compartilhamos tenha servido de abrigo nos maus momentos.

Porque às vezes, sim, é bom olhar para trás para saber que lições as pessoas nos deram, e o que esperamos a partir de agora.

 

Há algumas coisas que, depois de transformarem a minha alma, me deixaram com algo claro na mente:

 

– O senso de humor deve estar muito longe do que é considerado aceitável, deve ser tão irreverente quanto a nossa amizade ou o nosso amor.

– O silêncio é uma qualidade divina, que só é apreciada e compartilhada quando a comunicação é tão verdadeira que não torna necessário falar demais. As pessoas, às vezes, na tentativa de falar muito, acabam se distanciando.

–  Minha intimidade é a que eu lhe entrego; não é necessário falar do que nem eu mesma entendo sobre mim, nem do que nunca entendi sobre outras pessoas. Eu gosto da privacidade que nós criamos juntos, não me interesso pela que ambos temos separadamente.

– Não me importa seu passado. Se você não estiver fingindo no presente, louvarei esse passado de turbulências porque posso tocar a terra olhando os céus.

– Eu gosto de continuar conservando meus hábitos e peculiaridades, e gosto que a outra pessoa faça o mesmo. O maravilhoso está em compartilhar o que ambos amamos.

– Não basta que eu saiba que sou importante, você precisa demonstrar isso.

– Não me interessa a moral. Me interessam os valores, mas só se eles aliviarem o sofrimento e me fizerem feliz. Não me interessa o dinheiro… a classe sim, que está em risco de extinção.

– E me interessa que a outra pessoa não negue a reação surpreendente que tivemos ao nos encontrarmos, dure o tempo que durar, porque o que vive no coração nunca fica velho.

 

Assim, nunca lamente ver alguém ir embora da sua vida, se essa for a sensação de que alguém o deixou. Seja como for, essa pessoa o transformou para sempre.

 

“Preciso dos pequenos detalhes; são o reflexo de cada um de nós. É que sinto falta constantemente. Por isso não se pode substituir ninguém, porque todos nós somos feitos de pequenos e preciosos detalhes.”
– Antes do entardecer

 

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*Fonte amenteemaravilhosa

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A deliciosa arte de ligar o Fodômetro

Dominar a técnica de ligar o fodômetro é uma das poucas lições que deveríamos realmente aprender na vida! Mas não se iluda caro leitor. Ela exige muita prática e muita disciplina. Não é do dia para a noite que se incorpora a deliciosa conduta de mandar a PQP o que deu errado. Provavelmente, muitas tentativas e erros serão necessários antes de uma habilitação quase que perfeita. Mas não desanime. Se investimos tanto tempo, dinheiro e energia em coisas completamente supérfluas, por que não se dedicar a algo realmente libertador?

Não me amou? Que pena. Nem todo mundo tem bom gosto. Não gosta de mim? Que coincidência! Também não gosto de você! Não respeita as minhas opiniões? Vai se fazer o quê? Unanimidade é uma utopia. Não me contrataria para a sua empresa? Existem muitas outras bem mais bacanas! Acha que devo fazer sexo contigo para conseguir a vaga que quero? Não me ofendo. Você é só mais um babaca que quer apenas sexo comigo. Falou mal de mim pelas costas? Acontece. Falamos mesmo. Faz parte da raça humana falar e falar para depois pensar.

Não tem tempo para tomar um café comigo? Ok. Talvez você não goste de café ou prefere outro tipo de companhia. Mais uma vez penso no lance da unanimidade. Aquela oportunidade que eu tanto esperei não saiu? Não foi a primeira nem será a última. Enquanto isso, tomo meu vinho vendo um filme de arte ou conversando com uma amiga louca. O restaurante que adoro está caro demais para o meu orçamento? De duas uma: como salsicha o mês todo para poder pagar um jantar espetacular ou aceito a frustração de não poder frequentar um lugar caro.

Não deu para ver a peça teatral que eu queria pois os convites estão esgotados? Compro ingresso para outra e se um dia esta peça voltar a entrar em cartaz, dou pulos de alegria. Minha melhor amiga não me compreende? Arrumo outra. A roupa da moda me deixa um horror? Compro uma que não está ou uso uma velhinha mesmo. Vejo pelo lado bom: economizo e talvez até consiga pagar aquele restaurante bacana.

Não tenho com quem sair no final de semana? Saio comigo mesmo ou fico em casa fazendo qualquer coisa que me agrada. A vida acontece na rua ou em casa. A vida acontece onde a gente estiver se pusermos um pouco de imaginação. Estou namorando? Que delícia! A noite promete! Estou sem namorar? Beleza! Posso ficar mais uma semana sem me depilar.

Um amigo está se tornando inconveniente demais? Não é preciso ser mal educado. Basta evitá-lo. Ficam dizendo o tempo todo como devemos viver? Beleza! Podemos escutar mas não devemos processar a informação. Depois vale a pena dar um bom gelo no chato de plantão. Me invejam? Que joia! Ser invejado é para poucos! Estou sem namorar? Saio com os amigos! Pode ser bem mais divertido! Estou namorando? Arrumo um jeito de deixar meu namorado completamente excitado num local público. É uma experiência e tanto!

Aquela jaquetinha fashion não tem no meu número? Perfeito! Economizo! A vendedora de repente descobriu um último exemplar abandonado no estoque? Maravilha! O restaurante que sempre vou está lotado? Talvez seja a oportunidade para conhecer um lugar novo. Ganhei? Muito bom! Ganhar é sensacional. Perdi? Paciência. Pelo menos aprendi alguma coisa. Em resumo: quem aprende a ligar o fodômetro percebe que nada é tão urgente assim e que ganhando ou perdendo a vida continua sempre em frente. Deveríamos nos cobrar menos e nos permitir mais. Deveríamos nos culpar menos e nos divertir mais. Deveríamos lembrar e esperar menos e viver mais. Mais vale o prazer de um provolone à milanesa que existe do que a projeção de um castelo na Itália. Capisce?

 

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*Fonte: resilienciamag

fodase345

Sou grato às pessoas difíceis, pois elas me mostram como não devo ser

Conviver requer calma, paciência e tolerância, para que possamos fortalecer nossas convicções cada vez mais, aprendendo as lições da vida, nesse caso, aprendendo a nos tornarmos pessoas que sejam o oposto daquelas que tanto nos desagradam.

Infelizmente, nem sempre estaremos bem acompanhados, pois, aonde quer que estejamos, haverá todo tipo de pessoas, inclusive as mais desagradáveis. Eis um dos preços a pagarmos por viver em sociedade, eis uma das razões de nossa necessidade de aprender sempre, onde e com quem estivermos. Tudo pode ser útil, tudo é aprendizado.

Cada um de nós possui a própria visão de mundo, valores, gostos, estilo, cada qual com sua história de vida, cada um tendo caminhado com passadas únicas, experiências peculiares.

Sentimentos não são iguais de pessoa para pessoa, tampouco pensamentos. As bagagens diferem entre as pessoas, bem como os pesos são sentidos de acordo com o que cada um possui dentro de si.

Por essa razão é que nos damos bem com algumas pessoas e nem tanto com outras, ou, ainda, não conseguimos nem ficar perto de algumas delas.

Alguns indivíduos realmente parecem ter o dom de irritar, de trazer discórdia, pesando qualquer ambiente em que estiverem. Vivem de contrariar, de ironizar, de dizer coisas desagradáveis, escolhendo os momentos mais inapropriados para isso.

Vale, nesses momentos, percebermos se nossa antipatia provém das opiniões do outro, em razão de serem contrárias às nossas.

Ultimamente, há um nível por demais exagerado de intolerância em relação a quem pensa diferente. Não sejamos nós os intolerantes de plantão, que não suportam ter que confrontar um ponto de vista diferente, afinal, o confronto com o que foge ao nosso conforto muitas vezes se faz necessário.

Uma vez que não poderemos fugir aos encontros com pessoas difíceis, cabe-nos ao menos respeitá-las, mesmo que isso implique ignorarmos sua presença, afastando-nos delas.

Conviver requer calma, paciência e tolerância, para que possamos fortalecer nossas convicções cada vez mais, aprendendo as lições da vida, nesse caso, aprendendo a nos tornarmos pessoas que sejam o oposto daquelas que tanto nos desagradam. Como se disse, tudo serve de lição, só não aprende quem não quer.

 

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*Fonte: osegredo /Marcel Camargo

 

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