Curadoria de ouvido, não de algoritmo: conheça o Sleep Tales, selo brasileiro que vem fazendo milagre no sono e ansiedade

O ano é 2022 e não é segredo pra ninguém que o sono de muita gente ao redor do mundo está totalmente afetado pela rotina maluca que tantas pessoas vivem.

Aliás, temos vários exemplos daqueles que até tentam melhorar esses hábitos mas simplesmente não conseguem, por qualquer motivo que seja, e é justamente pensando nessas pessoas que o Sleep Tales tem criado conteúdos incríveis.

Trata-se de um selo de lo-fi, um gênero que vem se popularizando muito nos últimos anos por melhorar a qualidade do sono de pessoas ao redor do planeta — e não apenas isso, mas também favorecendo o relaxamento e a concentração em momentos nos quais estes são requisitados.

Atuando desde Outubro de 2021, o selo brasileiro foi fundado por Daniel Sander, que é conhecido pelo pseudônimo colours in the dark e criou, durante a pandemia, a playlist “lofi sleep, lofi rain” para ajudar pessoas com insônia durante o período de maior crise da COVID-19. A ideia bombou, e hoje tem média de 45 milhões de streams por mês.

Daniel Sander, colours in the dark e a história do Sleep Tales

Como a grande maioria das boas ideias, o Sleep Tales surgiu de uma necessidade própria de Daniel. Conversando com o TMDQA!, ele revelou que tem “muita insônia” e tudo começou quando ele montou a playlist mencionada acima, que surgiu depois que ele “já estava colecionando músicas” para ajudar na hora de dormir.

No entanto, antes de ser fundador do selo, Daniel é artista. E o colours in the dark tem um papel fundamental em toda essa história, que começou de um jeito totalmente inesperado, conforme ele mesmo conta:

Na verdade, eu venho do Rock. Agitei muita coisa para a minha banda de Rock, mas eu sempre amei trilha sonora, música instrumental, desde Rock instrumental até trilha de jogo, que sempre adorei também, e em um certo momento em 2019 resolvi que queria trabalhar com trilha sonora. Então, comecei a procurar cursos, a pesquisar sobre o universo, mas eu sou uma pessoa que aprende na prática. A teoria é importante para a base, mas eu só fixo na prática. Assim, descobri o lo-fi, comecei a ouvir e me apaixonei por vários motivos. Gostei da estética e da liberdade criativa, que é muito grande, mais do que em um projeto de Rock instrumental e até mesmo mais do que uma trilha encomendada. Esse foi o começo do colours in the dark.

Depois de seguir estudando o mercado de lo-fi e compreendê-lo melhor, Daniel entendeu a grande sacada desse meio: as playlists sempre têm um mood, são feitas com músicas que tocam enquanto as pessoas fazem alguma coisa.

Foi aí que ele percebeu que estava, quase sem querer, explorando um nicho que ainda era precário:

Percebi que as minhas músicas tinham uma vibe que quase não era explorada: músicas para dormir. Na época, eu tava divulgando ‘insomnia dream’, que tinha essa pegada e rendeu muitos cliques.

Com tudo isso em mente, Daniel define o Sleep Tales como “uma consequência do trabalho artístico do colours in the dark”, e não algo que “foi criado previamente”. Na verdade, o selo é também uma consequência do rápido crescimento da playlist que foi mencionada, e o artista explica que era a sua própria música que ele usava nos anúncios, que tiveram excelente resultado — tanto que sua primeira compilação, chamada Bedtime Beats, foi lançada ainda sob o nome de seu projeto musical, em Janeiro de 2021.

Três meses depois, veio a segunda compilação, intitulada Broken Heart Beats. Foi nesse momento que duas coisas cruciais aconteceram para a formação do Sleep Tales:

Comecei a receber mensagens de produtores muito agradecidos, dizendo que o que eu estava fazendo estava ajudando muito eles, que isso estava até mexendo na autoestima deles. E recebi também muitas mensagens de ouvintes que estavam dormindo melhor e baixando a ansiedade com essas playlists. Aquilo foi um estalo para mim. Pensei: eu deveria abrir um selo, juntando essas duas pontas — artista de lo-fi e público com insônia, ansiedade, estresse.


Como o lo-fi do Sleep Tales ajuda a combater a ansiedade e o estresse?

Essas duas últimas palavras são fundamentais na história do Sleep Tales. É claro que a insônia também teve um papel importantíssimo, mas se a relação de Daniel era muito ligada a esse lado, o ouvinte Rafael Bressan conversou com o TMDQA! para trazer uma outra perspectiva.

Ele explica que até começou a ouvir lo-fi com outras playlists, mas chegou à Sleep Tales pela indicação de uma amiga e não largou mais ao perceber que, diferentemente de outras playlists, havia encontrado algo que lhe permitia realmente relaxar.

A grande diferença, na visão do ouvinte, é a ausência de beats marcantes e outros elementos que podem distrai-lo; por isso, as playlists curadas por Daniel servem perfeitamente para momentos que são bastante importantes na vida de Rafael:

Mais à noite, eu às vezes preciso de um tempo para relaxar e tentar me concentrar e o lo-fi me ajuda nessas situações — principalmente a Sleep Tales, porque eu gosto muito de um lo-fi menos ‘hiphopzado’, eu gosto de uma coisa mais leve. Eu coloco muito como plano de fundo, pra conseguir ler alguma coisa, focar em outras coisas que não sejam o celular, que não sejam o trabalho; poder ler um livro, brincar com meus gatos, tomar um vinho à noite com calma e tranquilidade, poder cozinhar, poder lavar uma louça, qualquer coisa que eu precise de algum tipo de música de fundo que seja relaxante pra mim.

É curioso que, na conversa conosco, Rafael pede para não perguntarmos os nomes dos artistas — um sinal involuntário e sensacional de que o objetivo da playlist está sendo cumprido, voltando o foco completamente para outro lugar. Aliás, saber o nome dos artistas é o trabalho justamente de Daniel, que já lançou mais de 220 faixas de 100 artistas diferentes no selo.

Curadoria de ouvido, não de algoritmo
No papo conosco, o fundador do selo explica que a sua iniciativa tem “uma relação mais próxima com os artistas do que os outros selos”, e uma grande prova disso é a sua curadoria feita “de ouvido, não de algoritmo”.

Mesmo que hoje já seja o segundo maior do mundo, o Sleep Tales não abre mão de uma relação humanizada, tanto com os artistas quanto com os ouvintes:

Já somos o segundo maior do mundo hoje, mas nenhum grande selo tinha esse contato real com os artistas. Recebo esse feedback dos próprios artistas, alguns são lendas do lo-fi. Isso se reflete em tudo. Isso significa que eles ficam mais inclinados a nos mandar as melhores músicas para serem lançadas pelo Sleep Tales. Isso se reflete também na curadoria feita com muito carinho (de ouvido mesmo, não de algoritmo). A gente atualiza toda semana para que a playlist esteja sempre nova para os nossos ouvintes, sempre com músicas novas.

Com essa visão, é difícil não enxergar o Sleep Tales como uma história à parte de todo o restante do lo-fi. Além de Rafael, um outro feedback marcou muito a vida de Daniel e o fez compreender — e ser capaz de explicar — justamente o motivo de seu selo ser diferente dos demais:

Na época, eu aceitava doação pelo meu trabalho com o colours in the dark. Uma das doações que recebi foi de uma pessoa que eu não conhecia, de outro país, falando que estava doando porque ela estava se sentindo muito melhor ao ouvir aquelas músicas. Ela estava passando por um momento muito difícil, de depressão. Ali eu percebi que não era só mais uma playlist. Foi quando comecei a buscar o que fazer com isso, e o que diferencia o Sleep Tales é exatamente isso.

Nós somos pioneiros, e o nosso estilo é muito próprio. O lo-fi para dormir foi criado por nós. Outras pessoas estão fazendo porque, quando o negócio dá certo, muita gente copia mesmo — mas quem inventou isso fomos nós. E o ponto principal é que a gente tem essa pegada de querer ajudar as pessoas com a música.

Prometendo muitas novidades e a continuidade do pioneirismo ainda em 2022, o Sleep Tales está só começando a sua trajetória. E, nas palavras de Daniel Sander (ou colours in the dark, como preferir), a única regra é continuar ajudando as pessoas:

O Sleep Tales hoje é um selo de lo-fi, em breve pode ter outros tipos de músicas, mas o que mais importa para nós é ajudar as pessoas com insônia, com ansiedade, com estresse. As músicas que a gente lança são voltadas para isso. O nosso lo-fi privilegia a parte terapêutica, de cura, além de ser uma música gostosinha para ouvir, claro. A nossa missão é fazer as pessoas dormirem e viverem melhor.

Continue ligado no TMDQA! para conferir mais novidades sobre o Sleep Tales e não deixe de acessar este link para conferir tudo que o selo tem a oferecer! Em tempo, clique aqui para seguir acompanhando o trabalho de Daniel com o colours in the dark.

Abaixo, você ainda curte a rádio 24h que pode, sem exagero, mudar sua vida pra melhor.

*Por Felipe Ernani
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*Fonte: tenhomaisdiscosqueamigos

A mente humana não deve estar acordada depois da meia-noite, alertam cientistas

No meio da noite, o mundo às vezes pode parecer um lugar assustador. Sob o manto da escuridão, os pensamentos negativos costumam vagar pela sua mente e, enquanto você não dorme, olhando para o teto, pode começar a desejar prazeres errados, como um cigarro ou uma refeição rica em carboidratos.

Muitas evidências sugerem que a mente humana funciona de maneira diferente se estiver acordada à noite. Depois da meia-noite, as emoções negativas tendem a atrair mais nossa atenção do que as positivas, as ideias perigosas crescem em apelo e as inibições desaparecem.

Alguns pesquisadores acham que o ritmo circadiano humano está fortemente envolvido nessas mudanças críticas na função, como descrevem em um novo artigo resumindo as evidências de como os sistemas cerebrais funcionam de maneira diferente após o anoitecer.

Sua hipótese, chamada ‘Mente depois da meia-noite’, sugere que o corpo humano e a mente humana seguem um ciclo natural de 24 horas de atividade que influencia nossas emoções e comportamento.

Em suma, em certas horas, nossa espécie tende a sentir e agir de certas maneiras. Durante o dia, por exemplo, os níveis moleculares e a atividade cerebral são sintonizados com a vigília. Mas à noite, nosso comportamento usual é dormir.

Do ponto de vista evolutivo, isso, é claro, faz sentido. Os humanos são muito mais eficazes na caça e na coleta à luz do dia e, embora a noite seja ótima para descansar, os humanos já corriam maior risco de se tornarem caçados.

De acordo com os pesquisadores, para lidar com esse risco aumentado, nossa atenção a estímulos negativos é extraordinariamente aumentada à noite. Onde antes poderia ter nos ajudado a saltar para ameaças invisíveis, esse hiperfoco no negativo pode alimentar um sistema de recompensa/motivação alterado, tornando uma pessoa particularmente propensa a comportamentos de risco.

Adicione a perda de sono à equação e esse estado de consciência só se torna mais problemático.

“Existem milhões de pessoas que estão acordadas no meio da noite e há evidências bastante fortes de que seu cérebro não está funcionando tão bem quanto durante o dia”, diz a neurologista Elizabeth Klerman, da Universidade de Harvard.

“Meu apelo é para que mais pesquisas analisem isso, porque sua saúde e segurança, assim como a de outras pessoas, são afetadas”.

Os autores da nova hipótese usam dois exemplos para ilustrar seu ponto. O primeiro exemplo é de um usuário de heroína que administra com sucesso seus desejos durante o dia, mas sucumbe aos seus desejos à noite.

A segunda é de um estudante universitário lutando contra a insônia, que começa a sentir uma sensação de desesperança, solidão e desespero à medida que as noites sem dormir se acumulam.

Ambos os cenários podem ser fatais. Suicídio e automutilação são muito comuns à noite. De fato, algumas pesquisas relatam um risco três vezes maior de suicídio entre meia-noite e 6h da manhã em comparação com qualquer outra hora do dia.

Um estudo em 2020 concluiu que a vigília noturna é um fator de risco de suicídio, “possivelmente por desalinhamento dos ritmos circadianos”.

“O suicídio, antes inconcebível, surge como uma fuga da solidão e da dor, e antes que os custos do suicídio sejam considerados, o estudante adquiriu os meios e está preparado para agir em um momento em que ninguém está acordado para detê-los”, os autores da hipótese ‘Mente depois da meia-noite’ explicam.

Substâncias ilícitas ou perigosas também são mais consumidas pelas pessoas à noite. Em 2020, uma pesquisa em um centro de consumo supervisionado de drogas no Brasil revelou um risco 4,7 vezes maior de overdose de opioides à noite.

Alguns desses comportamentos podem ser explicados pelo dívida de sono ou pela cobertura que a escuridão oferece, mas provavelmente também há mudanças neurológicas noturnas em jogo.

Pesquisadores como Klerman e seus colegas acham que precisamos investigar mais esses fatores para garantir que estamos protegendo aqueles que correm maior risco da vigília noturna.

Até o momento, os autores dizem que nenhum estudo examinou como a privação do sono e o tempo circadiano afetam o processamento de recompensa de uma pessoa.

Como tal, não sabemos realmente como os trabalhadores em turnos, como pilotos ou médicos, estão lidando com sua rotina incomum de sono.

Sabemos surpreendentemente pouco sobre como o cérebro humano funciona durante seis horas do dia. Seja dormindo ou acordado, a mente depois da meia-noite é um mistério.

O estudo foi publicado na Frontiers in Network Psychology.

*Por Marcelo Ribeiro
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*Fonte: hypescience

Pesquisa mostra que mais de 40% pretende passar mais tempo em contato com a natureza e em praças e espaços ao ar livre

A pandemia de Covid-19 fez com que muitas pessoas refletissem sobre o próprio estilo de vida e formas de melhorá-lo. Após o isolamento imposto pela crise sanitária, grande parte da população manifesta a intenção de fortalecer hábitos ligados à saúde e qualidade de vida, o que deve impactar de forma positiva na visitação de parques, tanto naturais como urbanos.

A pesquisa “Parques e a Pandemia – Comportamentos e Expectativas”, produzida pelo Instituto Semeia, revela as atividades que os brasileiros pretendem realizar mais do que costumavam fazer antes da pandemia. Quatro delas, todas com mais de 40% de menções, tiveram destaque: “estar em contato com a natureza” (46%), “ter uma alimentação mais saudável” (46%), “frequentar praças e locais ao ar livre” (43%) e “conviver com familiares e amigos” (43%).

Neste sentido, a pandemia intensificou a preocupação com a saúde e a valorização de atividades ao ar livre ligadas ao contato com a natureza. Por outro lado, opções de lazer em lugares fechados estão entre as práticas que as pessoas pretendem diminuir. No caso de bares e restaurantes, por exemplo, 32% declararam essa intenção; já os shoppings devem ser menos visitados por 29% das pessoas.

“Essas mudanças de comportamento e atitude podem representar uma oportunidade para os parques, na medida em que parcelas da população passam a reconhecer sua importância na implementação ou ampliação das práticas desses novos estilos de vida. A pesquisa revela que há uma forte propensão da população a frequentar parques quando a pandemia terminar. Caso isso se concretize, teremos um aumento no número de visitantes e também um incremento qualitativo, representado pelo desejo e motivação em se relacionar de forma diferenciada com a natureza e com o que essas áreas podem oferecer”, diz o diretor-presidente do Instituto, Fernando Pieroni.

Expectativas para o pós-pandemia
Segundo o levantamento, entre aqueles que já visitaram parques naturais (66% da população), 57% pretendem frequentá-los mais do que faziam antes da pandemia. A justificativa para tal intenção reúne um mix dos principais benefícios desse tipo de atividade: principalmente o gosto pela natureza (40%) e aproveitar mais a vida ao ar livre (16%).

Ainda no grupo de pessoas que já foram a parques naturais, apenas 4% declaram que pretendem diminuir sua frequência, 21% vão manter a intensidade de visitas que já realizavam e uma parcela de 18% ainda não sabe qual será sua atitude.

Entre os que nunca tiveram a experiência de visitar um parque natural (34% da população), 65% dizem que tentarão fazê-lo ao final da pandemia. Esse grupo destaca uma afinidade com os atrativos e benefícios já presentes nesses equipamentos: gostar da natureza (35%), atividade com família e amigos (14%) e aproveitar a vida ao ar livre (11%).

Uma hipótese para ainda não os ter visitado pode ser a impossibilidade (por falta de tempo ou recursos) de operacionalizar essas afinidades. Nesse grupo, chama a atenção a declaração de compensar o tempo que esteve em casa (7%), o que pode vir a ser um importante “empurrão” para motivar uma primeira visita.

Também é bastante significativo o impacto da pandemia na intenção de frequência a parques urbanos. Entre os que já visitaram esses equipamentos (85% da população), 48% pretendem intensificar as visitas e apenas 7% consideram diminuir as idas quando a pandemia terminar.

As pessoas que declaram que pretendem frequentar parques urbanos mais do que faziam antes da pandemia justificam essa decisão pela atitude positiva em relação à natureza (gosto da natureza, 23%; e aproveitar mais a vida ao ar livre, 11%) e pela relação já construída com os parques (gosto de frequentar, 12%), além de compensar o tempo que passaram em casa (11%).

Já entre os que nunca visitaram um parque urbano (15% da população), prevalece a incerteza e a dúvida sobre como agirão em relação a essa questão: 59% não sabem ainda o que pretendem fazer.

Nesse mesmo grupo, 28% vão tentar visitar um equipamento desse tipo. Aqueles que manifestam interesse em conhecer essas áreas mencionam como principal razão a intenção de aprender e conhecer (17%) mais sobre um parque desse tipo. Outra motivação é a possibilidade de acessar uma opção de lazer (15%), o que pode ser combinado com uma confraternização entre família e amigos (10%).

Impactos diretos na frequência em parques
O estudo também avaliou qual foi o impacto da pandemia na visitação de parques naturais e urbanos. Enquanto a frequência em parques naturais sofreu uma drástica queda, os parques urbanos mantiveram o nível de visitação.

No caso dos parques naturais, entre 2019 e 2021, o percentual de pessoas que havia feito sua última visita a um parque natural nos últimos 12 meses passou de 53% para 27%. Já em relação aos parques urbanos, antes e durante a pandemia, não há mudanças significativas: o percentual dos que visitaram o parque ao menos uma vez ao ano passou de 55% para 52% no período. Houve também um pequeno aumento naqueles que passaram a frequentá-los mais raramente (27% para 32%, respectivamente em 2019 e 2021).

Avaliação das visitas durante a pandemia
Como os números mostram, uma parcela da população manteve as visitas aos parques naturais e urbanos durante a pandemia. E, apesar de todos os problemas advindos do momento, os usuários tiveram uma percepção predominantemente positiva dessa experiência, especialmente se considerados os quesitos “manutenção e conservação de trilhas e equipamentos de lazer”; “manutenção e conservação da infraestrutura básica (banheiros, bebedouros, estacionamento e centro de visitantes); “informação sobre as medidas adotadas pelo parque durante a pandemia”; “condições de higiene”; “adoção de medidas de distanciamento social”; “controle de número de visitantes”; e “atendimento e orientação para visitação durante a pandemia”.

Segundo a pesquisa, 18% conseguiram visitar parques naturais durante a pandemia. Para todos os quesitos, prevalece uma avaliação satisfatória sempre superior a 55% (ótimo e bom). Cerca de um terço das pessoas avaliaram os atributos como regular e apenas uma parcela entre 10% e 15%, em média, consideraram a experiência insatisfatória.

Os parques urbanos, por sua vez, foram visitados por 51% da população durante a pandemia e também proporcionaram uma experiência bastante satisfatória, com índices bem próximos ao dos naturais. De forma geral, as atribuições de “ótimo” (média de 18%) são menos intensas no caso dos parques urbanos, mas também prevalece uma percepção positiva quando se considera a soma de “ótimo” e “bom” (média de 52%). Nos itens básicos de manutenção a avaliação foi positiva. Apenas uma pequena parcela – entre 10% e 15% dos usuários – declarara-se insatisfeita, classificando esses itens como “péssimo” e “ruim”.

Construindo uma nova relação
Os dados indicam que os desdobramentos da pandemia têm potencial de mudar a relação das pessoas com os parques e outras áreas verdes. Nesse sentido, o relatório apresenta três aspectos para reflexão e possíveis ações dos agentes que lidam com esta temática.

Em primeiro lugar, com a crise sanitária, as questões ligadas a saúde, alimentação saudável, contato com o verde e vida ao ar livre entraram mais intensamente na vida de muitas pessoas. A pandemia se mostrou, portanto, um momento de reflexão e propensão à mudança, abrindo oportunidades para valorização e reposicionamento do papel dos parques no cotidiano da população. Mas a conexão entre as novas demandas das pessoas e aquilo que os equipamentos podem oferecer precisa ser construída. Com isso, cabe aqui reforçar a produção e a divulgação de informações que estimulem os questionamentos e a oportunidade de mudanças atitudinais e comportamentais da população em função da pandemia.

Além disso, os parques podem contribuir com soluções para recuperar e manter a saúde física e mental das pessoas no pós-pandemia por meio do contato com áreas verdes e da vida ao ar livre. Entre as ações que ajudariam a impulsionar essa relação estão melhorar a divulgação dos parques, com ênfase sobre como e onde as pessoas podem encontrar informações; incentivar, apoiar e divulgar estudos que analisem o ecossistema mais amplo onde os parques estão inseridos; e comunicar de forma clara e didática a relação entre frequência a parques e seus benefícios.

Por fim, os parques precisam se preparar para o aumento de frequência que tende a acontecer no pós-pandemia. Isso passa pela manutenção de cuidados sanitários especiais e pela construção do parque como um espaço de encontro e coesão social, com uma infraestrutura de serviços capaz de oferecer o conforto adequado a seus visitantes e a atender aos diversos interesses de seus públicos.

Playground adaptado em Curitiba.
“Os parques podem desempenhar – e talvez sejam chamados a isso – um leque grande de atividades no pós-pandemia, incluindo algumas funções que nem estão entre os seus principais objetos de atuação. A saída para dar conta de todas essas demandas talvez passe pelas parcerias com o setor privado ou com organizações da sociedade civil. Além do apoio para a manutenção e o desenvolvimento de atividades, essas parcerias podem trazer como benefício adicional um maior engajamento da comunidade no cuidado e na preservação dos parques”, completa Pieroni.

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*Fonte: ciclovivo

As ’doses diárias de natureza’ que podem diminuir seu estresse

Após mais de um ano de isolamento dentro de nossas casas, muitos de nós renovamos o apreço pela natureza.

E não é para menos. Mais e mais evidências sugerem que espaços verdes podem reduzir o estresse, revigorar o humor, melhorar a concentração e até têm o potencial de estimular nosso sistema imunológico.

Se você já é um ávido amante da natureza, deve ter notado como seu corpo se acalma com a visão dela. Quando você está em um espaço verde, você para, escuta, respira.

Sua frequência cardíaca diminui, você se sente mais calmo e seu pensamento fica mais claro. Passar mais tempo em áreas verdes pode ter um impacto duradouro em sua saúde e bem-estar – reduzindo o número de visitas ao médico e até melhorando seu humor a longo prazo.

Pesquisas têm consistentemente mostrado que mesmo períodos menos frequentes na natureza têm efeitos mensuráveis ​​em seu corpo e cérebro. Elas sugerem que passar um total de 120 minutos por semana na natureza é a chave para maximizar seus benefícios a longo prazo.

Um estudo recente no Reino Unido envolvendo cerca de 20 mil pessoas descobriu que aqueles que passavam pelo menos duas horas por semana em uma área verde eram significativamente mais propensos a relatar boa saúde e maior bem-estar psicológico.

Pode ser um parque, bosque ou floresta – contanto que sejam duas horas por semana, você terá benefícios.

Algumas sugestões: você pode passar mais tempo em um parque local durante a hora do almoço, passear com o cachorro no parque, viajar no fim de semana para um lugar verde ou até fazer um desvio de cinco minutos por uma pracinha arborizada a caminho do supermercado. Isso pode realmente torná-lo mais saudável e feliz.

A evidência dos benefícios de passar tempo na natureza é agora tão convincente que médicos em algumas partes da Escócia prescrevem a atividade a seus pacientes com condições de doenças cardíacas e depressão.

‘Banho de floresta’

A prática também é indicada como terapia no Japão, onde ganhou até um termo próprio. Os “banhos de floresta”, ou shinrin-yoku, surgiram nos anos 1980 como uma forma de terapia psicológica e física. O “banho” significa passar tempo na floresta absorvendo sua atmosfera com o objetivo de atingir um certo estado de bem-estar e reconectar com as áreas verdes do país.

Vários estudos investigaram os benefícios da prática japonesa. Os cientistas descobriram que o “banho de floresta” tem um impacto significativo no seu sistema imunológico, aumentando em 50% as chamadas “células exterminadoras naturais”, um tipo de linfócito necessário para o funcionamento do sistema imunitário inato. O mecanismo exato que causa isto ainda está sob investigação.

Os estudos envolveram dois grupos. O primeiro fez uma viagem em um fim de semana prolongado para uma floresta próxima. Ali, os participantes fizeram uma bela caminhada de duas horas em uma floresta durante três dias consecutivos.

Os participantes do segundo grupo fizeram uma viagem igualmente atraente para a cidade mais próxima como turistas. Eles exploraram a cidade a pé pela mesma duração e nos mesmos horários do dia.

No final das viagens, uma série de exames de sangue revelou que a viagem à floresta aumentou a atividade das células assassinas protetoras naturais dos participantes em impressionantes 56% – e elas permaneceram 23% mais altas do que antes, mesmo um mês após o retorno do grupo. Já a viagem pela cidade não surtiu efeito.

A professora Ming Kuo, da Universidade de Illinois em Urbana e Champaign, nos Estados Unidos, vem explorando os benefícios da natureza para a saúde há mais de uma década, observando seus efeitos na suscetibilidade a infecções, bem como na saúde mental.

Segundo Kuo, respirar certos micróbios que têm o potencial de melhorar o seu humor e são encontrados no solo pode fazer a diferença.

Produtos químicos antimicrobianos liberados pelas plantas – chamados fitocidas – também podem contribuir positivamente para nossa saúde.

Sair para combater o estresse
A longo prazo, a natureza pode reduzir de forma perceptível os níveis de estresse dos seres humanos.

Estudos descobriram que a exposição a espaços verdes pode impactar significativamente os níveis de cortisol presente na saliva, que é um marcador de estresse.

Outros demonstraram que a exposição a espaços verdes está associada a reduções na pressão arterial e na frequência cardíaca, algo que tem um impacto significativo no risco de doenças cardíacas.

E não são apenas as paisagens verdes que têm um impacto profundo em nossos corpos e cérebros – parece que mesmo apenas os sons da natureza podem realmente mudar nossa atividade cerebral também.

Cada vez que você ouve os sons suaves do canto dos pássaros ou de um riacho, as ressonâncias cerebrais mostram que sua atenção se desvia naturalmente para fora, você fica menos envolvido com seus próprios pensamentos – e isso ajuda a reduzir os níveis de ansiedade.

Raya
Na série Just One Thing (Uma Única Coisa), da Rádio 4 da BBC, o médico Michael Mosley aborda em diferentes episódios o que você poderia fazer por sua saúde se tivesse apenas uma escolha.

*Por Michael Mosley
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*Fonte: bbc-brasil

6 dicas práticas para controlar a ansiedade

A pandemia alterou as rotinas das pessoas no dia a dia e interferiu negativamente em suas emoções e pensamentos. Por isso, nestes quase 15 meses, no mundo todo, a saúde mental da população passou a ser um tema central e amplamente debatido por corporações, profissionais e entidades do setor. E, dentro deste cenário, um dos sintomas mais visíveis e preocupantes é o aumento de pessoas sofrendo com a ansiedade.

“A ansiedade tem uma relação direta com o tempo. É a nossa mente focada não no presente, mas no que vai acontecer no momento seguinte, seja ele próximo ou distante. A gente quer controlar o que vai acontecer no futuro, e faz isso com medo. Será que as coisas vão acontecer do jeito que eu quero?”, exemplifica a terapeuta Catia Simionato, responsável pelo Canal Ser Felicidade.

“Isso acontece, por exemplo, quando assistimos a um filme de suspense. Repare que a gente não sabe o que vai acontecer e, por isso, sentimos medo, mudamos a nossa forma de respirar, nossos ombros ficam tensos e até perdemos o contato dos pés com o chão, prejudicando o fluxo da nossa energia interna. Diante dessa situação, nosso cérebro, inconscientemente, entende que estamos enfrentando um perigo real e nos coloca nessa posição instintiva de lutar ou fugir. A ansiedade causa isso tudo na gente”, acrescenta Catia.

Quando a ansiedade atrapalha nossas atividades diárias é o momento de ficar atento.
Um bom exemplo de como a ansiedade avança perigosamente pelo planeta é um estudo divulgado pela tradicional revista científica The Lancet, no Reino Unido. Segundo a pesquisa, em 2020 foram registrados cerca de 76 milhões de novos casos de ansiedade em todo o mundo. Esse número indica um crescimento de 26% sobre os casos relatados no ano anterior.

UM DOS RISCOS DA ANSIEDADE ELEVADA É CAUSAR DOENÇAS FÍSICAS: AS CHAMADAS DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS

Catia Simionato

“Um dos riscos da ansiedade elevada é deixar a pessoa em um estado emocional tão afetado que pode até causar doenças físicas. São as chamadas doenças psicossomáticas, quando nossas emoções são somatizadas e atacam diretamente o nosso corpo. Essas doenças começam na mente e depois dominam nossas emoções. E, na maioria das vezes, são apenas histórias que criamos a respeito do futuro porque a gente não sabe nada a respeito do futuro”, afirma a criadora do Canal Ser Felicidade.
Algumas mudanças no cotidiano podem auxiliar na redução da ansiedade.

Controlar a ansiedade é possível, mas o principal desafio é se manter o máximo possível vivendo o momento presente, sem se deixar levar pelos medos e histórias que a mente nos conta o tempo todo.

É importante uma avaliação médica para identificar o melhor tratamento, mas algumas mudanças no cotidiano podem auxiliar na redução e controle da ansiedade. Catia Simionato sugere 6 dicas simples e práticas, confira abaixo:

Colocar a atenção nos cinco sentidos.

Colocar a atenção em cada um dos cinco sentidos é um jeito fácil de manter o estado de presença. Usar o tato, por exemplo, para perceber a temperatura e a textura de um objeto. Estimular o olfato com incensos ou odorizadores de ambientes. Despertar mais o paladar saboreando melhor as refeições, observando os sabores diferentes entre um alimento e outro.

Ouvir uma boa música, ou mesmo cantar e dançar, ajudam a desenvolver a audição. E, por fim, a visão. Na natureza é mais fácil estimular esse sentido, apreciando uma bela paisagem, com uma praia ou uma montanha, por exemplo. Mas, mesmo em casa ou na rua, é possível procurar pela beleza que toca o coração de cada um.

Sentir os pés no chão.

Essa dica traz mais resultados se for feita na natureza, caminhando na grama, terra, areia ou mesmo sobre grandes pedras ou rochas, mas também é possível praticá-la em casa.

É preciso ficar descalço, com os dois pés apoiados no chão, e colocar a atenção na textura do piso, nas suas irregularidades e sentir se ele é quente ou frio, por exemplo.

Comparar o medo com o que realmente está acontecendo no presente.

Mesmo se algo de ruim estiver realmente acontecendo, é importante saber como lidar com a situação. Se são contas que não podem ser pagas, por exemplo, a pessoa precisa aceitar essa realidade com mais serenidade. E simplesmente não pagar as contas.

A partir disso, deve procurar um jeito de resolver essa situação, mas com um plano prático e objetivo, sem ficar especulando sobre os piores cenários possíveis. Neste exemplo, a solução pode ser definir uma estratégia para procurar um emprego, estabelecer uma meta realística para economizar dinheiro ou mesmo estar aberto a uma mudança de padrão de vida para encontrar mais tranquilidade e equilíbrio.

Respirar melhor.

A ansiedade “encurta” a respiração, que fica mais concentrada na parte alta do pulmão, e isso não é saudável, deixando a pessoa num estado permanente de “alerta”, como se estivesse sob perigo iminente. Uma dica simples é realizar pelo menos uma longa respiração (durante uns 15 segundos, aproximadamente) por hora, enchendo bem os pulmões de ar.

Meditar.

Entre muitos outros benefícios, a prática diária da meditação é altamente recomendável para controlar a ansiedade, por ser uma excelente ferramenta para nos conectar com o presente. Meditação significa tirar a atenção da enxurrada de pensamentos da mente e colocar a atenção em outra coisa. O mais simples de qualquer meditação é simplesmente direcionar a atenção para a respiração. Isso coloca a pessoa no momento presente e, quando isso acontece, a mente tende a desacelerar e até silenciar completamente.

O ideal é começar com alguns minutos apenas. Não é fácil tirar a atenção da mente. Por isso, a pessoa deve começar a meditar de um a três minutos nas primeiras sessões, colocando toda a sua atenção na respiração. E, quando estiver confortável, dias depois, aumentar para 5, depois para 7 minutos e assim por diante. Uma dica é a caminhada meditativa, que ela mesma pratica. A ideia é caminhar diariamente por qualquer lugar uns 10, 15 ou 20 minutos, prestando muita atenção no que encontrar pelo caminho, como se fosse a primeira vez que a pessoa vê tudo aquilo. Isso vai tirar a atenção da mente e levar para as coisas ao redor.

Exercitar-se. A prática regular de exercícios físicos é fundamental para a saúde física e mental. Além de ajudar a prevenir doenças, proporciona a sensação de bem-estar e relaxamento, que contribuem com a qualidade de vida. O sedentarismo ainda leva a maiores taxas de ansiedade. A prática esportiva também contribui para manter a pessoa no estado de presença por mais tempo.

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Fonte: ciclovivo

Prisões em SP ganham canil onde presos podem cuidar de animais que estavam abandonados nas ruas

Redução de estresse, melhoras na autoestima e na saúde, desenvolvimento de habilidades afetivas, aumento da capacidade de se socializar… Já está mais do que provado que o convívio com animais traz uma série de benefícios para os seres humanos. Por isso mesmo, a Justiça de SP está apostando nessa relação para garantir o sucesso do processo de reintegração social de seus presos.

Dois centros de detenção do Estado, localizados nas cidades de Tremembé e Taubaté, já instalaram em suas dependências canil que abriga animais que foram tirados das ruas pelos Centros de Controle de Zoonoses da região. Os bichinhos, até então abandonados, passam a ser cuidados pelos presos do local que se encontram em regime semiaberto.

Entre as atividades, banho e tosa, alimentação dos animais, limpeza das dependências do canil e muito carinho aos bichinhos – que já chegam ao local castrados e vacinados.

A ideia é que sejam cuidados pelos detentos em caráter temporário! Isso porque, aos finais de semana, em parceria com organizações protetoras dos animais, os bichinhos são levados para feiras de adoção responsável para que ganhem lares permanentes. De quebra, os adotantes ainda ganham uma casinha para seus novos bichinhos de estimação, construídas por presos de uma terceira penitenciária paulista, localizada na cidade de Caraguatatuba.

Com a iniciativa, os animais conseguem um novo lar. Os presos avançam em seu processo de reintegração social. E todos saem ganhando! Uma ideia para lá de boa para se aplicar em outras regiões do país, não?

Nos EUA, um centro de detenção na Flórida também mantém com sucesso uma iniciativa parecida!

*Por Debora Spitzcovsky
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*Fonte: thegreenestpost